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volume 09 - número 01 • Jan/Mar 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
ISSN 16778510
ESPORTE
• Lesões em profissionais de ballet
• Antropometria do idoso em hidroginástica
• Fibromialgia e exercícios físicos
• Correlação entre repetições no pulley
frontal e flexões na barra fixa
• Exercício aeróbico e prevenção de quedas
em idosos
NUTRIÇÃO
• Avaliação nutricional de atletas de
ginástica rítmica
FISIOLOGIA
• Mecanismos neurofisiológicos da educação
cruzada
• Bases metabólicas do crescimento muscular
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volume 09 - número 02 • Abr/Jun 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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FISIOLOGIA
• Força muscular e teste de esforço
• Treinamento de força e massa óssea
• Treinamento muscular inspiratório
• Alongamento e desempenho da força
• Bases metabólicas da rabdomiólise e atrofia muscular
ESPORTE
• Ginástica laboral
• Treinamento aeróbio em adultos obesos e diabéticos
NUTRIÇÃO
• Aspectos nutricionais e atividade física
GERONTOLOGIA
• Processo do envelhecimento humano
ESTERÓIDES
• Esteróides anabolizantes: benefícios ou malefícios
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volume 09 - número 03 • Ju l/Set 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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ISSN 16778510
ESPORTE
• Nível de desidratação e desempenho físico
de árbitro de futebol
• Exercício físico resistido em indivíduo chagásico
NUTRIÇÃO
• Avaliação da ingestão nutricional
de um maratonista de elite
• Composição corporale consumo alimentar
de equipe de futebol feminino
• Consumo de creatina por atletas e praticantes
de atividade física
FISIOLOGIA
• Flexibilidade durante o ciclo menstrual
em pré-adolescentes
• Reprodutibilidade e comportamento
da frequência cardíaca
• Níveis plasmáticos do HDL-colesterol no
treinamento aeróbio de alta e baixa intensidade
BIOLOGIA
• Maturação biológica de atletas de ginástica
artística
CRIOTERAPIA
• Aplicação da bolsa de gelo na força
de preensão manual
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e Carol Macário – os ícones do fi tness de volta a Salvador
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Sergio Guida e Mario Charro reunidos em um único curso
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Inelia Garcia
Alexandre
Moreira
Sergio Guida
volume 09 - número 04 • Out/Dez 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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ESPORTE
• Qualidade de vida dos tenistas amadores
• Treinamento de musculação e oclusão vascular
NUTRIÇÃO
• Avaliação da perda hídrica
• Dietas restritivas e suplementos nutricionais
FISIOLOGIA
• Intensidade auto selecionada, percepção
subjetiva de esforço e tempo sob tensão
• Influência de diferentes cadências
e intensidades de exercício
• Diferença de rendimento entre meninos
e meninas handebolistas
CARDIOLOGIA
• Treinamento elíptico em hemiparéticos
• Exercício e fator de risco cardiovascular
EXPERIMENTAL
• Análise histomorfométrica do músculo
esquelético de ratas
ESTERÓIDES
• Mecanismos de funcionamento e efeitos colaterais
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EDITORIAL
Perspectivas 2010, Walace Monteiro .....................................................................................................................................3
ARTIGOS ORIGINAIS
Estudo sobre lesões em profi ssionais de ballet clássico e contemporâneo em Belo
Horizonte/MG, Juliana Santos Anselmo, Adelina Lima Rocha, Elisangela Macedo Rufi no,
Jediane Souza Julio, Luciana Gobira Brandão Justus, Marina Faria de Melo Valladão,
Roxane Rafaela Macedo dos Santos, Vanderléia Maria de Faria, Vanessa Cristiane Almeida
Rodrigues, Zilernice Ramires Guimarães Brito, Marcus Vinicius de Mello Pinto ....................................................................4
Avaliação do estado nutricional e satisfação da imagem corporal de jovens atletas
integrantes da equipe competitiva de ginástica rítmica de um clube de São Paulo,
Vanessa Quitto Rinaldi, Gabriela de Andrade Moreira Bucheb, Renata Furlan Viebig ..........................................................10
Comparação da autonomia funcional de idosos praticantes e não praticantes de treinamento
combinado, Raphael Gouveia da Silva Lyra, Leandro Ramiro, Paulo Cesar Nunes-Junior,
Sebastião David Santos-Filho ...............................................................................................................................................16
Efeito do exercício aeróbico na incidência de quedas em idosos com problemas de saúde,
Josenei Braga dos Santos, Geórgia Maria F. Benetti, André Junqueira Xavier Eleonora d’Orsi ..............................................24
Correlação entre repetições no pulley frontal e fl exões na barra fi xa, Jaime Flôres
de Araujo Bastos, Antonio Coppi Navarro, Francisco Navarro..............................................................................................29
Avaliação antropométrica em idosos praticantes de hidroginástica, Danielle Salles Tortola,
Mariane Takesian, Karla Dias Tomazella, Marina Yazigi Solis, Jaqueline Kremer Pereira,
Marina Gomes da Costa Fuchs, Monica Milani, Priscila Anacleto de Oliveira, Clara Korukian Freiberg ..............................34
Comparação do VO2 acumulado durante o exercício contínuo e intermitente
na máxima fase estável de lactato sanguíneo, Luis Fabiano Barbosa, Camila Coelho
Greco, Benedito Sérgio Denadai .................................................................................................................................. 39
REVISÕES
Possíveis mecanismos neurofi siológicos mediadores da educação cruzada, Daniel Teixeira Belloni,
Alessandro Carielo de Albuquerque, Bianca K. de Macedo Jakubovic, Júlio Cesar Correa Neto Carias,
Vernon Furtado da Silva .......................................................................................................................................................45
Bases metabólicas do crescimento muscular, Rodrigo Minoru Manda, Nailza Maestá,
Roberto Carlos Burini ..........................................................................................................................................................52
COMUNICAÇÃO BREVE
A infl uência da caminhada versus exercícios convencionais sobre a dor e qualidade de vida
em mulheres com fi bromialgia: um ensaio simples-cego, Izabel Cristina Camargo dos Santos,
Mariana Conceição Farias de Moraes, Bruna Piergentile, Karin Lima dos Reis de Burgo, Fábio Marcon Alfi eri ....................59
NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................... 62
EVENTOS ................................................................................................................................................................. 64
Índice
volume 9 número 1 - janeiro/março 2010
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20102
© ATMC - Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda - Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada
ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyri-
ght, Atlântica Editora. O editor não assume qualquer responsabilidade por eventual prejuízo a pessoas ou propriedades ligado à
confiabilidade dos produtos, métodos, instruções ou idéias expostos no material publicado. Apesar detodo o material publicitário
estar em conformidade com os padrões de ética da saúde, sua inserção na revista não é uma garantia ou endosso da qualidade ou
do valor do produto ou das asserções de seu fabricante.
Atlântica Editora edita as revistas Fisioterapia Brasil, Enfermagem Brasil, Neurociências e Nutrição Brasil
I.P. (Informação publicitária): As informações são de responsabilidade dos anunciantes.
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Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares,
Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício está indexada no SIBRADID
(Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva)
Editor Chefe
Paulo de Tarso Veras Farinatti
Editor Associado
Pedro Paulo da Silva Soares
Walace Monteiro
Conselho Editorial
Amandio Rihan Geraldes (AL)
Antonio Carlos Gomes (PR)
Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ)
Benedito Sérgio Denadai (SP)
Dartagnan Pinto Guedes (PR)
Douglas S. Brooks (EUA)
Emerson Silami Garcia (MG)
Francisco Martins (PB)
Francisco Navarro (SP)
Luiz Carnevali (SP)
Luiz Fernando Kruel (RS)
Martim Bottaro (DF)
Patrícia Chakour Brum (SP)
Paulo Sérgio Gomes (RJ)
Robert Robergs (EUA)
Rosane Rosendo (SC)
Sebastião Gobbi (SP)
Steven Fleck (EUA)
Yagesh N. Bhambhani (CAN)
Vilmar Baldissera (SP)
Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço de e-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br
Administração e vendas
Antonio Carlos Mello
mello@atlanticaeditora.com.br
Assistente de vendas – Atendimento
Márcia P. Nascimento
marcia@atlanticaeditora.com.br
Atlântica Editora
e Shalon Representações
Praça Ramos de Azevedo, 206/1910
Centro 01037-010 São Paulo SP
Atendimento
(11) 3361 5595 / 3361 9932
E-mail: assinaturas@atlanticaeditora.com.br
Assinatura
1 ano (4 edições ao ano): R$ 160,00
Editor executivo
Dr. Jean-Louis Peytavin
jeanlouis@atlanticaeditora.com.br
Editor assistente
Guillermina Arias
guillermina@atlanticaeditora.com.br
Direção de arte
Cristiana Ribas
cristiana@atlanticaeditora.com.br
E-mail: atlantica@atlanticaeditora.com.br
www.atlanticaeditora.com.br
3Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Editorial
Perspectivas 2010
Prof. Dr. Walace Monteiro, Editor Associado – RBFEx
A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx)
completa em 2010 o segundo ano com periodicidade tri-
mestral. Através da ampliação das áreas temáticas, houve um
aumento da submissão de artigos, concorrendo também para
uma melhora na qualidade dos trabalhos encaminhados. A
fi gura do Editor de Área contribuiu para agilizar considera-
velmente o processo de avaliação dos manuscritos. Outro
aspecto a se destacar diz respeito às mudanças na proporção
entre trabalhos originais e de revisão. Conseguimos aumentar
a quantidade relativa de artigos originais, que hoje respon-
dem por 80% dos trabalhos publicados. Em cada número, a
RBFEx conta com ao menos 10 artigos, dos quais 8 a 9 são
originais. Isso revela o aumento do interesse dos pesquisado-
res em publicar os resultados dos seus estudos no periódico.
Pesquisadores de várias áreas do conhecimento relaciona-
das às ciências do exercício estão apoiando a revista, através
do encaminhamento dos seus trabalhos. Grande parte dos
estudos que publicamos hoje é decorrente de pesquisas reali-
zadas em cursos de pós-graduação stricto-sensu, provenientes
de diferentes áreas, irmanadas pelo interesse comum na fi -
siologia do exercício. Também se percebe que o interesse na
revista, antes eminentemente concentrado em pesquisadores
do eixo Rio-São Paulo, começa a se diversifi car, abrangendo
outros estados do país.
O aumento do número de artigos publicados e dos pes-
quisadores interessados em divulgar seus estudos na RBFEX
representa um passo importante para uma melhor indexação
do periódico, credenciando-se assim a fomentos por parte dos
órgãos de fomento em pesquisa e tornando-se prioritário no
contexto de um sistema que dá pontos aos pesquisadores com
base na indexação das revistas em que publica.
Aumentar a qualidade e o número de trabalhos publicados,
bem como manter a periodicidade da revista são passos funda-
mentais para alcançar esse objetivo. Para isso, convidamos os
interessados em fi siologia do exercício a encaminharem seus
trabalhos à RBFEx. Temos a certeza de que, com o apoio de to-
dos, conseguiremos levar a revista ao patamar que ela merece.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20104
Artigo original
Estudo sobre lesões em profissionais de ballet clássico
e contemporâneo em Belo Horizonte/MG
Study of injuries in professional dancers of classical and contemporary
ballet in Belo Horizonte/MG
Juliana Santos Anselmo*, Adelina Lima Rocha*, Elisangela Macedo Rufi no*, Jediane Souza Julio*, Luciana Gobira Brandão
Justus*, Marina Faria de Melo Valladão*, Roxane Rafaela Macedo dos Santos*, Vanderléia Maria de Faria*,
Vanessa Cristiane Almeida Rodrigues*, Zilernice Ramires Guimarães Brito*, Marcus Vinicius de Mello Pinto**
*Mestrandas do Programa de Mestrado em Ciências da Reabilitação, pelo Centro Universitário de Caratinga – UNEC/MG,
**Professor e Pesquisador do Mestrado em Ciências da Reabilitação, do Centro Universitário de Caratinga – UNEC/MG
Resumo
Este estudo teve o objetivo de identifi car as lesões sofridas por
profi ssionais de ballet clássico e contemporâneo, comparar estas com
estudos similares e analisar os aspectos característicos de atletas nestes
profi ssionais. A amostra pesquisada contou com 21 indivíduos, entre
homens e mulheres, profi ssionais de ballet clássico e componentes
de uma companhia de dança contemporânea de Belo Horizonte/
MG. Os resultados mostraram que os bailarinos praticam ballet,
em média, há 18 anos, e que 84,20% sofreram uma ou mais lesões
ao longo de sua vida profi ssional. Destes, 63,45% de lesões em
membros inferiores e 36,55% de membros superiores. O tempo de
licença para 68,75% destas lesões foi de no máximo três meses. Es-
tudos realizados com diferentes populações encontraram resultados
semelhantes. Recomenda-se um estudo mais aprofundado sobre as
possibilidades de se realizar um treinamento desportivo próprio para
bailarinos que objetive trazer benefícios aos bailarinos e às compa-
nhias, dispensando aos mesmos cuidados de atletas, além de artistas.
Palavras-chave: lesões, ballet, bailarinos, atletas.
Abstract
Th is study aimed to identify the injuries suff ered by professio-
nal dancers of classical and contemporary ballet, to compare with
similar studies and analyze characteristic aspects of athletes in these
professionals. Th e sample included 21 individuals, both men and
women, professional ballet dancers and members of a contemporary
dance company of Belo Horizonte/MG. Th e results showed that
ballet dancers have been practicing ballet for 18 years, and that
84.20% suff ered one or more injuries along their professional life.
63.45% had upper limb injuries and 36.55% lower limb injuries.
Duration of treatment of 68% of injuries was not longer than 3
months. Other studies with a diff erent population have shown
similar results. We recommend further detailed studies about the
possibilities of creating a special sport training program for ballet
dancers that brings benefi ts for dancers and companies, giving them
treatment and care of athletes, as well as artists.
Key-words: injuries, ballet, dancers, athletes.
Endereçopara correspondência: Juliana Santos Anselmo, Rua Doutor Maninho, 326, Bloco A - 3º andar, Centro, 35300-019
Caratinga MG, E-mail: jsanselmo@yahoo.com.br
5Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
Sabe-se que a base da dança é o movimento. Bambirra [1]
explicita que o movimento é o elemento principal da dança,
aquele o qual se busca sempre trabalhar, lapidar e aperfeiçoar.
Contudo, o movimento em si, segundo Leal [2] reside como
necessidade do ser humano desde os primórdios da evolução.
Quando o movimento se une a música, tem-se a dança.
E ainda, “a dança nasceu com a própria humanidade” [1].
Com a descoberta do som e do ritmo, o homem os juntou
aos seus gestos e movimentos, passando a dançar. Lagoas [3]
completa dizendo que a mais antiga das artes criada pelo
homem é a dança. Ele dançava instintivamente em várias
das manifestações de sua vida. Guimarães & Simas [4] ainda
relatam que a dança é uma necessidade natural e instintiva
do homem de exaurir seu estado latente.
O homem e a dança evoluíram, segundo Verderi [5], ao
longo da história, juntos nas emoções, nas formas e expressão
e nos movimentos. Para Nanni [6] este progresso da dança
não é aleatório, ele obedece a padrões sociais e econômicos
ou nasce da necessidade do homem de expressar suas emoções
e sentimentos.
O ballet clássico surgiu destas transformações e adaptações
culturais da dança. Lagoas [3] diz que o ballet clássico é o
desenvolvimento e a transformação desta dança primitiva.
Complementando, a autora ainda afi rma ser o ballet clássico
uma dança que não se baseia mais no instinto, e sim em passos
diferentes, com ligações, com gestos e fi guras previamente
elaboradas. Até os dias atuais, o ballet clássico é dançado
dentro da técnica desenvolvida há séculos atrás. De acordo
com Malanga apud Guimarães & Simas [4], certos princípios
da técnica clássica devem sempre ser mantidos em todos os
movimentos. Seguindo a mesma ideia, Picon et al. [7] dizem
que o ballet clássico vem exigindo de seus praticantes, no
decorrer de sua evolução, desempenhos cada vez mais com-
plexos, sempre com a fi nalidade de manter a sua tradição e o
grau de difi culdade técnica desta arte.
A dança clássica, consolidada e popularizada em meados
do século XVII, ganhou novos rumos com o Renascentis-
mo, através da incorporação de novos elementos extraídos
da arte popular, mesmo com a continuidade das severas
divisões sociais entre camponeses e nobres [8]. Anos mais
tarde, com o movimento Impressionista, surgem correntes
contrárias àquelas que durante décadas sustentaram o ballet
clássico.
A dança moderna surge neste contexto, no fi nal do sécu-
lo XIX, em oposição à rigidez do ballet clássico e em busca
da valorização do movimento natural do corpo. Caminada
[9] aponta a principal precursora deste movimento, Marta
Graham, que juntamente com outros ícones da dança moder-
na, foram responsáveis pela modifi cação drástica dos padrões
clássicos de dança, eliminando inclusive as sapatilhas de ponta.
Por sua vez, a dança contemporânea que muito se con-
funde com moderna, busca uma ruptura total com o ballet
clássico, podendo inclusive abandonar a estética em virtude
da expressão e transmissão de ideias e sentimentos. Com
raízes oriundas da dança moderna de Martha Graham, o
ballet contemporâneo surgiu na década de 60, mas somen-
te começou a se defi nir desenvolvendo uma linguagem
própria na década de 80, embora contraditoriamente,
faça muitas referências ao ballet clássico. É importante
frisar, contudo, que a dança contemporânea não possui
uma técnica única estabelecida. A criação coreográfi ca dá
liberdade ao bailarino ou coreógrafo de criar aquilo que
bem entender.
Atualmente, o ballet clássico é a base para a formação
de todos os bailarinos profi ssionais. Mesmo aqueles que se
dedicam exclusivamente à dança contemporânea precisam
possuir técnica apurada também em dança clássica.
A técnica do ballet, apesar de rigorosa e tradicional, pode
ser ensinada de diversas formas, que se diferenciam pelos
métodos de cada escola clássica, dentre elas a Francesa, In-
glesa, Italiana, Russa, Cubana e Americana. Estes métodos
foram criados e aperfeiçoados, e segundo Bambirra [1] eles
têm características próprias que não podem deixar de ser
reconhecidas.
A autora ainda enfatiza que dentro desta variedade de
métodos existem regras e cuidados necessários e imprescin-
díveis. É importante que o professor conheça a biotipologia
física daquelas que, com ele pratiquem o ballet clássico, para
que possa empregar o melhor de cada método às bailarinas.
Guimarães & Simas [4] mostram ser de extrema importância
que a técnica do ballet clássico seja inserida no momento
apropriado, evitando-se a aplicação da técnica pura. Com-
plementando esta ideia, Sampaio [10] indica, como sendo
um dos principais protagonistas da incidência de lesões nos
bailarinos clássicos, a aplicação de um método de ensino
incompatível com as condições musculares do aluno.
Guimarães & Simas [4] dizem ser característico do ballet
clássico o excesso de repetitividade de movimentos. A repe-
tição da coreografi a, ou de determinada parte da mesma, é
um erro frequente entre as bailarinas.
Devido aos períodos de longos ensaios e espetáculos, se-
guidos de curtas etapas de recuperação, é constante perceber
entre os bailarinos a exaustão, descrita por Koutedakis [11]
como burnout,ou overtraining que é uma condição clínica ex-
tremamente complexa e de causa indeterminada com sintomas
que variam de pessoa para pessoa, dentre eles a redução da
performance física, fadigas constantes e prolongadas, assim
como diversas alterações emocionais.
Objetivo
Identifi car as lesões sofridas por profi ssionais de ballet
clássico e contemporâneo de Belo Horizonte/MG, compa-
rando com estudos similares realizados com outras amostras,
buscando aspectos predominantes de artistas ou atletas nestes
profi ssionais.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20106
Material e métodos
Para fundamentar a pesquisa e possibilitar a análise dos
dados coletados utilizou-se uma revisão bibliográfi ca de au-
tores e trabalhos que possuíssem estreita relação com o tema
investigado. A pesquisa qualitativa contou com tratamento
de dados estatísticos como forma complementar de análise.
A parte de campo foi realizada com a companhia de dança
contemporânea “Grupo Corpo”, sediada em Belo Horizonte,
Minas Gerais. Companhia esta que, apesar de ter sua identida-
de própria de ballet contemporâneo, possui como integrantes
bailarinos com base de dança clássica.
De toda a população de bailarinos desta companhia, 21
indivíduos entre homens e mulheres, estiveram presentes na
amostra da pesquisa apenas aqueles que estavam atuando
pela companhia. Foram excluídos, portanto, os bailarinos
que se encontravam afastados por motivos quaisquer. Os
entrevistados deveriam ser profi ssionais contratados pelo
“Grupo Corpo”, devidamente capacitados para exercer a
função de bailarinos.
Esta entrevista foi feita sob forma de questionário, o qual
se apresentou dividido em domínios, onde constaram: tempo
de profi ssão e prática em dança (pregresso e atual), histórico
de lesões (pregresso e atual) e o tempo de recuperação das
mesmas.
Resultados e discussão
Bailarinos são artistas que utilizam o corpo para expressar
sua arte e possuem características de verdadeiros atletas. O
ballet deve ser visto como um movimento no mundo da
arte, porém através de uma prática complexa e extremamente
técnica, exigindo do bailarino um desempenho de atleta [4].
O que percebemos ao mergulharmos no mundo da dan-
ça, entretanto, é que os bailarinos, mesmo sabendo de suas
próprias características físicas, ainda têm uma percepçãoartís-
tica predominante de sua profi ssão. Entretanto, assim como
atletas, os bailarinos se arriscam a sofrer lesões a todo tempo
justamente devido às exigências técnicas da dança clássica, e
sabe-se que vários tipos de lesões são típicos e frequentes nos
praticantes do ballet.
“As elevadas amplitudes articulares dos quadris e joelho, e a
repetitividade desses movimentos podem estar desequilibrando
grupos musculares, alterando, assim, a biomecânica do corpo
e comprometendo a função, refl etindo na estrutura corporal,
podendo aumentar a predisposição a lesões características em
bailarinos clássicos [4]”.
Brinck & Nery [12] dizem que os bailarinos mais bem
preparados fi sicamente, capacitados a suportar a máxima
solicitação de tendões, ligamentos e músculos, poderão ter
incrível melhora em sua performance. Peculiaridades que
fazem parte da preparação de um atleta.
Mesmo que existam diferenças entre os diversos tipos de
dança que utilizam o ballet clássico como base técnica, dife-
renças também entre estas e os desportos em si, existem inú-
meras semelhanças entre o esporte e a performance artística da
dança. Koutedakis & Jamurtas [13] descrevem a dança como
um fenômeno complexo que depende de vários elementos
que, direta ou e indiretamente, têm seus efeitos específi cos.
Os autores apontam que em nível profi ssional os bailarinos
além de possuir excelente técnica e estética artística, devem
estar psicologicamente preparados para lidar com situações
de stress, evitar ao máximo as lesões, e buscar sempre estar
em sua perfeita forma física.
A prática do ballet pode ser vista como um trabalho
muito desgastante para a musculatura em geral e partindo
deste pressuposto, o treinamento de força é peça fundamental
para bailarinos. De acordo com Brinck & Nery [12] é grande
o grau de benefício que um programa de treinamento de
potência muscular pode transferir para o desempenho de
um atleta. Apenas dançar não é o sufi ciente, o bailarino deve
superar seus limites técnicos e físicos adotando a prática da
preparação física diária no seu ensaio técnico, tanto para
melhorar sua performance, quanto para aliviar e prevenir
suas possíveis lesões.
Além de ser uma atividade física intensa como qualquer
outra, o ballet exige de seus praticantes ampla e complexa
movimentação, quase sempre com posições antianatômicas,
além de um enorme número de repetições de um mesmo
movimento. Estas repetições não se esgotam nem mesmo
com a fadiga muscular, pois os bailarinos se mostram sempre
determinados a atingir a perfeição. Segundo Sampaio [10], o
bailarino precisa reconhecer suas virtudes e também os seus
pontos frágeis, seus limites, para que possam ser trabalhados
e superados, ou até mesmo para que se possa viver em har-
monia com eles.
Em suas pesquisas, os autores Picon et al. [7] mostram que
existem inúmeros estudos acerca de lesões típicas decorrentes
do ballet, e que mesmo assim as fortes tradições da prática são
mantidas, assim como os paradigmas contidos nesta arte. Ao
contrário, no âmbito esportivo, a ciência se mostra, cada vez
mais, uma grande aliada na busca por tecnologias de vestuário
e treinamento, sempre buscando melhorar a performance dos
praticantes e garantir sua integridade física.
Barcellos & Imbiriba [14] afi rmam que no uso da sapatilha
de ponta, os pés não devem ser comprimidos, preservando o
posicionamento dos dedos entre si, mantendo sua estrutura
anatômica, o que possibilita a elevação en pointé, formando
uma continuidade dos pés, pernas, tronco e cabeça. Caso
contrário pode haver um comprometimento dos músculos e
ligamentos envolvidos.
Segundo Antunes [15], a desinformação sobre o próprio
corpo, suas virtudes, capacidades e exigências, aumenta o
número de lesões, uma vez que muitos professores se mos-
tram despreparados para orientar seus alunos em questões
anatômicas, cinesiológicas e fi siológicas, que estão diretamente
7Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
relacionadas ao rendimento técnico, dando o máximo de
segurança. Complementando esta ideia Sampaio [10] diz:
“Hoje (e cada vez mais no futuro) temos que estar preparados
para lidar com o corpo alheio. Não podemos fi car presos apenas
a banalidades estéticas (...). Temos responsabilidades sobre as
pessoas que muitas vezes chegam as nossas mãos ainda criança,
tendo todo o seu desenvolvimento anatômico por acontecer.”
Por trabalhar com seres humanos envolvidos em uma prá-
tica tão complexa como a dança, os professores e profi ssionais
da área de saúde devem estar atentos à especifi cidade de cada
bailarino, sua estrutura corporal, suas habilidades para o ballet
e seu limite de treinamento. Bambirra [1] diz que a didática
massifi cada para o ensino do ballet tira a individualidade do
bailarino. O professor tem que saber tirar do aluno o que ele tem
para dar, contribuindo para o seu desenvolvimento saudável.
O primeiro domínio a ser investigado, tempo de profi ssão e
prática em dança, contou com interrogações sobre o tempo de
prática em dança e a frequência semanal com que o bailarino
se apresenta para as aulas de ballet clássico da companhia (a
presença dos mesmos, nesta aula anterior aos ensaios, não
era obrigatória).
Quadro 1 - Tempo de profi ssão e prática de dança.
Tempo médio de prática de dança 18 anos
Presença média nas aulas de Ballet
clássico
3,57 vezes/semana
O Quadro 1 nos mostra que os bailarinos estão envolvi-
dos no mundo da dança há muitos anos (18 em média). A
profi ssionalização na dança não acontece subitamente. São
necessários, em média, 10 anos de estudos sobre o ballet clás-
sico, moderno e contemporâneo, além de outras práticas de
dança. Kadel et al. apud Guimarães & Simas [4] explica que
a formação de um bailarino clássico se inicia precocemente
por ser necessário que se desenvolvam amplamente habili-
dades físicas como força, amplitude articular, fl exibilidade,
resistência, coordenação, velocidade e equilíbrio, buscando
uma performance adequada.
Portanto, são vários anos praticando exaustivamente as
mesmas técnicas, passos e coreografi as, com poucas modi-
fi cações. A diversifi cação acontece a partir do momento em
que o bailarino já está mais maduro, e o coreógrafo se sente
livre para extrapolar as linhas clássicas.
Confi rmando este fato, Schafl e apud Guimarães & Simas
[4] diz que a dança se caracteriza por movimentos altamente
repetitivos, e com elevadíssimas amplitudes articulares, o
que acaba por desequilibrar diversos grupos musculares. A
biomecânica do corpo acaba por se alterar, o que refl ete na
estrutura corporal e na predisposição a lesões típicas e carac-
terísticas da prática.
A não assiduidade perante a parte técnica específi ca – a
aula de ballet clássico – pode ser percebida pela média apre-
sentada para a frequência em aulas semanais (3,57), uma
vez que estas aulas são oferecidas 5 dias por semana. Este
fator pode ser um resultado dos longos anos de dança, que
acabam por desencadear um desinteresse pelo ballet clássico
em alguns bailarinos, agora envolvidos com a dança moderna
e contemporânea. A presença nas aulas não é obrigatória, e
por ela se iniciar logo de manhã, muitos preferem dormir até
mais tarde, ou resolver qualquer outro assunto, a fazer a aula
de ballet. Alguns bailarinos relataram que nunca presenciam
estas aulas, por não sentirem relação direta entre a aula de
ballet clássico e as coreografi as dançadas por eles, extrema-
mente contemporâneas. Houve ainda, quem achasse a aula
totalmente voltada para a especifi cidade do grupo feminino,
faltando exercícios e técnicas específi cas aos homens.
É importante relembrar e ressaltar, neste ponto, que um
dos princípios propostos pela teoria do treinamento despor-
tivo é o da especifi cidade, onde a transferência positivado
treinamento para a performance do atleta somente ocorrerá
em casos onde o treino possua relação direta e específi ca com
o esporte [16-21].
Os resultados obtidos com o domínio Histórico de lesões
foram agrupados nas Figuras 1 a 4.
Figura 1 - Incidência de lesões, em caráter quantitativo, entre os
bailarinos entrevistados.
36,84%
15,79%
15,78%
31,58% Nunca sofreram
lesões
1 lesão
2 lesões
3 ou mais lesões
Observando os dados da Figura 1 podemos perceber como
a grande maioria dos bailarinos (84,20%) já se lesionou em
sua prática de dança. Percebe-se uma relação com a vida
de um atleta, pois em ambos os casos a grande presença de
lesões é notória. A diferença está nos cuidados que um atleta
recebe, tanto na prevenção de lesões quanto na recuperação
das mesmas.
Para Leal [2] a profi laxia deveria ser adotada como hábito
permanente de uma companhia de dança, através de um
treinamento muscular cotidiano, buscando evitar este alto
índice de lesões características entre os bailarinos. Entretanto,
o que podemos observar na maioria das companhias de dança
do nosso país é a ausência de uma equipe de profi ssionais
preparada para atender os bailarinos.
Os motivos que podem ocasionar lesões em bailarinos são
diversos. Sampaio [10] enumerou os principais fatores que
levam os bailarinos a se lesionarem ao longo de sua prática
com o ballet clássico: a) trabalho muscular incorreto; b)
aquecimento inadequado antes da atividade física; c) tenta-
tiva de aumentar a angulação de en-dehors pelos pés, e não
pelo quadril; d) trabalho prématuro da posição en pointé; e)
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20108
aplicação de um método de ensino que não corresponde às
condições musculares do aluno, entre outros.
Muitas lesões também são oriundas da prática do próprio
ballet contemporâneo, que além destas enumeradas podemos
considerar: os saltos, sem a correta absorção de impacto; os
“portés” (partes da coreografi a em que os bailarinos precisam
elevar, ou carregar, outro bailarino); os movimentos que
exigem elevadas amplitudes articulares e posições antianatô-
micas; entre outros.
Na amostra pesquisada, apenas 15,79% dos bailarinos
relataram nunca terem sofrido lesões, ao passo que 31,58%
já sofreram mais de 3 lesões ao longo de sua vida. A gravidade
e o tipo destas lesões relatadas foram as mais variadas, e são
apresentadas na Figura 2.
Figura 2 - Incidência de lesões, em caráter qualitativo, indicando
os tipos de lesões e o percentual das mesmas entre os bailarinos
entrevistados.
(9,37%); ruptura do ligamento do ombro (6,25%); pulso
aberto (3,11%); estiramento do ligamento medial do olécrano
(3,11%); contratura muscular lombar (3,11%).
O estudo realizado por Guimarães & Simas [4], que bus-
cou analisar as lesões mais frequentes em bailarinas clássicas,
concluiu que o ballet possui seu próprio conjunto de lesões
associadas, no qual as mais comuns são as de pé e tornozelo,
seguidas das de joelho e quadril e, por último, as de membro
superior. Resultados muito semelhantes aos apresentados por
esta pesquisa.
Para Young apud Guerra [22] as entorses em inversão de
tornozelo são as mais comuns na dança, uma vez que a ex-
tremidade distal do corpo é a responsável pelo apoio de toda
a estrutura corporal, sendo, portanto intensa a sobrecarga
nessa região. Confi rmando esta colocação, a lesão de maior
representatividade nesta pesquisa foi exatamente a entorse de
tornozelo, com 16,61% dos relatos.
Os resultados aqui obtidos ainda se encontram com os
dados apresentados por Antunes [15] que afi rma serem lesões
frequentes em bailarinos: a tendinite no tendão de Aquiles;
fraturas por estresse da tíbia e metatarsos; lesões ligamentares
relacionadas com entorses de tornozelo e do pé; entre outros.
Em estudos realizados na Inglaterra por Koutedakis et al.
[23] foram apresentados dados, onde durante um período de
2 anos, 335 lesões foram documentadas em 159 bailarinos
profi ssionais. Uma média de 2,10 lesões por bailarino neste
período. A coluna lombar foi apresentada como o local
anatômico de maior incidência de lesões, e que juntamente
com a pelve, pernas, joelhos e pés representam mais de 90%
das lesões documentadas. Já nesta pesquisa, a soma de lesões
nestes locais representa quase 80% do total de lesões.
Para buscar entender a gravidade das lesões apresentadas,
e sua relação com os cuidados dispensados as mesmas pelos
bailarinos, questionou-se o tempo de afastamento da profi s-
são ocasionado por estas lesões. Este resultado é mostrado
na Figura 3.
Figura 3 - Tempo que cada percentual de bailarinos precisou se
afastar da profi ssão para se recuperar da(s) lesão(ões).
9,37%
3,11%
3,11%
3,11%
6,25%
6,25%
3,11%
12,50%
9,37%
3,11%
6,25%
12,50%
16,61%
6,25%
Ruptura de ligamentos
do joelho
Entorse tornozelo
Protusão/Hérnia Lombar
Tendinite Aquiles
Pulso aberto
Protusão/Hérnia cervical
Fratura Metatarso
Bursite Joelho
Ligamento do ombro
Estiramento do Psoas
Estiramento ligamento
medial olécrano
Contratura muscular Lombar
Osteocondral Pilão Tibial
Fratura por estress da Tíbia
De acordo com a Figura 2, percebe-se que a incidência de
lesões, em caráter qualitativo, dentro da amostra pesquisada,
apontando um maior índice de lesões nos membros inferiores,
sendo representados por 63,45% do total de lesões relatadas.
Dentre elas foram relatadas: entorse de tornozelo (16,61%);
fratura do metatarso (12,50%); fratura da tíbia (9,37%);
ruptura de ligamentos do joelho (6,25%); infl amação no ten-
dão de Aquiles (6,25%); estiramento do ílio-psoas (6,25%);
bursite no joelho (3,11%); osteocondral pilão-tibial (3,11%).
Em menor porcentagem, mas também em grande es-
cala, apareceram lesões de membros superiores, tais como:
protusão/hérnia lombar (12,50%); protusão/hérnia cervical
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
%
d
e
ba
ila
rin
os
en
tre
vi
sta
do
s
Menos
de 01
1 2 3 11 12 24
Tempo afastado para recuperação (em meses)
Ao observar este gráfi co podemos perceber que o perí-
odo em que os bailarinos se ausentam da profi ssão é, em
sua maioria, relativamente pequeno dado à gravidade das
lesões apresentadas. Os resultados da entrevista mostraram
que 68,75% dos bailarinos retomaram as atividades em
9Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
no máximo 3 meses. Um dos motivos por se afastarem por
tempo insufi ciente é que mesmo tendo todos os seus direitos
mantidos, alguns temem perder seu “papel” em determinado
espetáculo para o bailarino que o substitui, enquanto tenta
se recuperar de sua lesão. Com isso, o bailarino se sente re-
cuperado, e retoma suas atividades normais antes mesmo de
curar totalmente sua lesão. Informalmente, durante o período
de observação, alguns bailarinos ainda relataram que, mesmo
recebendo o seu salário fi xo quando estão afastados, deixam de
receber os cachês por apresentação, sendo este outro motivo
pelo curto espaço de tempo ausente.
A presença de dores, representada na Figura 4, pode ser
um indicador de que a lesão não foi totalmente recuperada.
Figura 4 - Porcentagem de bailarinos entrevistados que ainda sente
algum tipo de dor crônica, incômodo ou impedimento, causados
pelas lesões sofridas.
avaliar o bailarino e perceber se o mesmo está ou não em
sua melhor condição física e psicológica, além de tratá-lo da
forma correta, entendendo o bailarino como um atleta que
necessita de cuidados específi cos.
Referências
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Th igh peak torques and lower-body injuries in dancers. J Dance
Med Sci 1997;1(1):12-15.
31,25%
68,75%
Sim, ainda sente dores
Não sente mais dores
Conclusão
Os resultados mostraram que os profi ssionais de ballet
clássico e contemporâneo do “Grupo Corpo“ estão envolvi-
dos há muitos anos com a dança, e em sua maioria possuem
lesões características de bailarinos, e ainda não gastam o tempo
ideal de recuperação antes de reiniciarem suas atividades. Esta
realidade identifi cada na amostra pesquisada é equivalente à
realidade de outras populações já estudadas anteriormente.
Conclui-se então que, os bailarinos se percebem e se
preparam exclusivamente como artistas, desprezando a sua
condição de atleta e os cuidados necessários para seu melhor
desempenho, além da prevenção e minimização das lesões
típicas da prática.
Recomenda-se um estudo mais aprofundado sobre as pos-
sibilidades de se realizar um treinamento desportivo próprio
para bailarinos, onde sejam atendidas as suas necessidades
técnicas e biomecânicas. Um trabalho que objetive trazer
benefícios aos bailarinos, às academias, aos professores e às
companhias, na tentativa de vencer este paradigma apresen-
tado, mostrando aos mesmos sua condição de artista e ao
mesmo tempo, atleta.
Ressalta-se ainda, a importância da presença de uma
equipe multiprofi ssional composta por professores de dança
altamente qualifi cados, profi ssionais de educação física, nutri-
cionistas, médicos, fi sioterapeutas e psicólogos, que poderiam
evitar o alto índice de dores crônicas nos mesmos e melhorar
seu desempenho artístico. Esta equipe seria responsável por
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201010
Artigo original
Avaliação do estado nutricional e satisfação
da imagem corporal de jovens atletas integrantes
da equipe competitiva de ginástica rítmica
de um clube de São Paulo
Assessment of nutritional status and body image satisfaction
of young competitive athletes of a rhythmic gymnastics team
of a club in São Paulo
Vanessa Quitto Rinaldi*, Gabriela de Andrade Moreira Bucheb*, Renata Furlan Viebig, M.Sc.**
*Graduandas em Nutrição do Centro Universitário São Camilo, **Nutricionista, Especialista em Nutrição Clínica e Dietoterapia,
Doutoranda do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Docente do curso
de Graduação em Nutrição, Centro Universitário São Camilo/São Paulo/SP
Resumo
Este estudo visou avaliar o estado nutricional de jovens atletas da
equipe competitiva de ginástica rítmica de um clube de São Paulo,
com ênfase na imagem corporal. Foram analisadas 10 atletas de 9 a
12 anos, através da aplicação de questionário tipo anamnese comple-
to contemplando imagem corporal, e da realização da antropometria.
Após aferidas todas as medidas foram calculadas a circunferência
muscular do braço (CMB), área muscular do braço (AMB) e área
muscular do braço corrigida (AMBc) e estimada a porcentagem
de gordura corporal. Dentre os resultados obtidos foram ressalta-
dos que 9 ginastas ainda não apresentaram a menarca, 40% não
demonstraram satisfação com a imagem corporal e metade estava
com porcentagem de gordura corporal abaixo do recomendado. No
geral, as ginastas estudadas apresentaram-se eutrófi cas em relação
aos indicadores utilizados, e sem desvio signifi cativo de imagem
corporal. Porém é recomendado o acompanhamento nutricional e
consideram-se pertinentes estudos que abranjam hábitos alimentares
mais detalhados.
Palavras-chave: estado nutricional, imagem corporal, ginastas,
antropometria.
Abstract
Th is study aimed to assess the nutritional status of young com-
petitive athletes of a rhythmic gymnastics team of a club in São
Paulo, with emphasis on their body image. We examined 10 athletes,
9-12 years old, through the application of standard questionnaire
including full body image, and anthropometry. Were calculated
arm muscle circumference (AMC), arm muscle area (AMA), and
corrected arm muscle area (CAMA) and the body fat percentage was
estimated. Th e results highlighted that 9 gymnasts have not attained
menarche, 40% showed no satisfaction with body image and half
had body fat percentage below the recommended. In general, the
gymnasts were considered eutrophic, with no signifi cant deviation
of body image. However it is recommended nutritional follow-up
and more relevant studies that include more detailed dietary habits.
Key-words: nutritional status, body image, gymnastis,
anthropometry.
Endereço para correspondência: Vanessa Quitto Rinaldi, Rua Rodrigues Ferreira, 53 Pirituba 05159-130 São Paulo SP, Tel: (11) 9810-
9296, E-mail: vanessaquitto@terra.com.br
11Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
A Ginástica Rítmica (GR) começou a ser praticada ao fi nal
da Primeira Guerra Mundial, quando várias escolas inovavam
os exercícios tradicionais da ginástica artística, misturando-os
com música e criando uma nova modalidade esportiva. Em
1946, na Rússia, surgiu o termo “rítmico”, devido à utilização
da música e da dança durante a execução dos movimentos.
Mais tarde, em 1975, passou a ser denominada Ginástica
Rítmica Desportiva (GRD), estabelecendo-se defi nitivamente
sua característica competitiva [1].
A GR tornou-se um esporte olímpico ofi cial em 1984,
somente comcompetições individuais, apenas nos Jogos
Olímpicos de Atlanta, em 1996, incluíram-se as competições
de conjunto. A GR é o exercício de solo da ginástica artística
com adereços de mão em que as atletas combinam música
com exercícios de equilíbrio e fl exibilidade em cada um dos
aparelhos: maças, bola, fi ta, corda e arco. Esta modalidade
esportiva relaciona três elementos: corpo, música e aparelho.
Os elementos corporais são a base indispensável dos exercícios
individuais e conjuntos. Fazem parte dos elementos corporais
obrigatórios: andar, correr, saltar, saltitar, balancear, circundu-
zir, girar, equilibrar, ondular, executar pré-acrobáticos, lançar
e recuperar, sendo que os exercícios devem ser acompanhados
por estímulo musical [1,2].
O nível técnico da GR tem evoluído signifi cativamente
no Brasil, graças à seriedade do trabalho realizado pelas
técnicas brasileiras, e apoio recebido de técnicos e coreógra-
fos provenientes de países onde a GR é mais desenvolvida,
principalmente da Europa. Aos poucos, este esporte vem
se popularizando em nosso país, sendo que o número de
praticantes cresce a cada ano e os locais oferecidos para a sua
prática têm aumentado. Além disso, o nível dos profi ssionais
especializados, cujo número é ainda relativamente pequeno,
tem melhorado sensivelmente, porém, mesmo com os bons
resultados conquistados em competições internacionais,
ainda são encontradas muitas difi culdades para um maior
desenvolvimento da modalidade no Brasil [3].
A GR é uma modalidade esportiva de alta difi culdade
técnica, em que o alto nível de desempenho é comumente
alcançado em idade muito jovem, de maneira que pressupõe
a necessidade do início do treinamento tão cedo quanto
possível. Os treinamentos iniciam-se em média aos seis anos
de idade. Nessa idade, as crianças possuem um potencial de-
senvolvimentista para estar no estágio amadurecido da maior
parte das habilidades motoras fundamentais. A introdução de
aparelhos deve ser feita de forma lúdica para que a criança vá
se adaptando às características de cada um [4].
É importante que crianças e adolescentes fi sicamente ati-
vos consumam energia e nutrientes sufi cientes para alcançar
suas necessidades de crescimento, manutenção de tecidos e
para o desempenho de suas atividades intelectuais e físicas.
Atualmente a participação cada vez mais precoce de jovens em
eventos competitivos e seu envolvimento em programas de
treinamento bastante intensos fazem com que os profi ssionais
da saúde devam estar atentos à adoção de comportamentos
alimentares que podem trazer consequências deletérias à
saúde, tais como desidratação, práticas de controle de peso
inadequadas, distúrbios alimentares e uso indiscriminado de
substâncias encaradas como ergogênicas [5,6].
Dessa forma, a alimentação adequada é fundamental
para a manutenção da saúde e para um ótimo desempenho
esportivo de jovens ginastas. A alimentação balanceada aliada
à atividade física pode aperfeiçoar o potencial genético de
crescimento e desenvolvimento. As atletas de GR apresentam
necessidades aumentadas devido ao crescimento, desenvol-
vimento maturacional, manutenção de tecidos, atividades
intelectuais, além do treinamento extenuante. Dessa forma,
as necessidades calóricas e nutricionais devem ser estimadas
baseadas na ingestão alimentar diária, idade e atividade física
[4,5].
A literatura relata que atletas jovens do sexo feminino que
praticam esportes que exigem um peso corporal baixo, como
ginastas, possuem tipicamente uma dieta hipocalórica e um
intenso gasto energético durante o treinamento físico e no
próprio evento competitivo. Esta conduta pode prejudicar o
estado nutricional por defi ciências energéticas resultando em
falhas no crescimento, atraso na puberdade, esgotamento das
reservas de glicogênio e fadiga [4,7,8].
O treinamento físico nas diversas modalidades despor-
tivas femininas, como a GR, proporciona, por um lado,
o desenvolvimento físico harmonioso e atlético, mas por
outro lado, as expõem a problemas específi cos da categoria
de atletas. Um desses problemas denomina-se transtorno
do comportamento alimentar (TCA), que é caracteriza-
do por uma perturbação persistente do comportamento
relacionado com a alimentação. Esse transtorno provoca
alterações nos hábitos alimentares, prejudicando a saúde
física, psicológica e social do indivíduo. Os TCA compre-
endem a anorexia nervosa e a bulimia nervosa que atingem,
sobretudo, mulheres jovens e adolescentes, que representam
90% dos casos [9].
A tendência de instalação do TCA tem sido principalmen-
te relatada em âmbito esportivo, entre mulheres atletas justa-
mente de modalidades que enfatizam reduzida percentagem
de gordura para melhorar o desempenho e estética. Acredita-se
que a busca pelo desempenho, expressa por pressões externas
dos técnicos, treinadores, patrocinadores, administradores e
familiares no anseio por melhores resultados, acarreta estresse
físico e mental nas atletas, criando ambiente para o desenvol-
vimento dos TCA [10].
Em atletas, embora a prevalência de anorexia nervosa e
bulimia nervosa ainda não seja sufi cientemente conhecida,
especialmente no Brasil, pesquisas realizadas demonstraram
uma frequência aumentada (de 15 a 62%), sobretudo em
modalidades desportivas específi cas. Sabe-se, ainda, que a
adoção de dietas restritivas em idade precoce, sobretudo, se
essa prática se dá sem a supervisão de um profi ssional, pode
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201012
desencadear TCA, causando danos importantes à saúde e,
por conseguinte, ao desempenho atlético. A GR, entre outras
modalidades, tem sido indicada, por pesquisas realizadas nessa
área, como as de maior incidência de transtornos alimentares
e de comportamentos considerados precursores dos mesmos.
A estreita relação imagem corporal e desempenho físico faz
com que as atletas sejam um grupo particularmente vulnerável
à instalação desses transtornos, tendo em vista a ênfase dada
ao controle de peso [11-12].
Assim, para atletas de GR, a avaliação antropométrica
e dos hábitos alimentares é muito importante, pois este é
um dos esportes que preconizam o baixo peso corporal e
supervalorizam a estética, utilizando-a como critério para a
obtenção de bons resultados em competições, assim como
também acontece na natação sincronizada, corrida e no
balé [13,14].
Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar
o estado nutricional de jovens atletas da equipe competitiva
de GR de um clube de São Paulo, com ênfase na imagem
corporal.
Material e métodos
A amostra foi composta por 10 atletas do sexo feminino,
de 9 a 12 anos, pertencentes à equipe competitiva de ginástica
rítmica de um clube da cidade de São Paulo. As ginastas trei-
navam por 4 horas e 30 minutos, diariamente, no período da
tarde, durante 6 dias por semana. O estudo foi realizado entre
abril e junho de 2009, e divididos em etapas descritas a seguir.
Etapa 1 - Questionário de anamnese, que con-
templava satisfação com a imagem corporal
Foi elaborado e aplicado, um questionário tipo anamnese
completo, no qual foram abordados dados pessoais, história
social, história na modalidade, abrangendo questões como:
com qual idade iniciou o esporte, o motivo, se há apoio dos
pais, satisfação com o desempenho e se pretende ser atleta
profi ssional. Foram feitas perguntas sobre saúde em geral,
nutrição abrangendo quantas refeições diárias as atletas
realizavam, se já fez uso de dietas para emagrecer ou para
qualquer outro fi m. Por fi m, foi avaliada a satisfação com
a imagem corporal das ginastas por meio da aplicação de
uma escala de silhuetas femininas numeradas de 1 a 12, em
ordem crescente, sendo a número 1 a mais magra (Figura
1). Nesta parte da anamnese, a atleta observava por algunssegundos a imagem e escolhia a que se assemelhava com ela,
e marcava a opção. Novamente, a ginasta analisava a fi gura
e apontava qual das silhuetas ela gostaria de ter. Logo após
a escolha das imagens, foi feita uma pergunta a respeito
do grau de importância que a imagem corporal exercia em
relação à prática de ginástica rítmica, fi nalizando assim o
questionário de anamnese.
Figura 1 - Imagem para análise da satisfação com a imagem
corporal.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Figura adaptada de: Kakeshita e Almeida [15].
Etapa 2 - Avaliação antropométrica
Após a aplicação da anamnese completa, foi realizada a
avaliação antropométrica de todas as atletas. Para a aferição
das medidas, foi adaptada uma sala de avaliação próxima à
área da prática de atividade física e as medidas antropométricas
foram realizadas em dois dias, de maneira individualizada.
Foram tomadas medidas da massa corporal (kg), estatura (cm),
dobras cutâneas (mm) e circunferências corporais (cm). As
medições foram realizadas antes dos treinamentos, no período
da tarde e descritas a seguir:
• Estatura: mensurada com auxílio de uma fi ta inelástica
com precisão de 0,1 mm, fi xada a uma parede sem rodapé,
estando as atletas descalças, em posição ortostática, com os
pés juntos, para maior precisão foi utilizado um esquadro.
• Peso corpóreo: foi obtido empregando-se uma balança
digital médica Geratherm ® com precisão de até 100 gra-
mas, estando as atletas descalças uniforme de treinamento
(colan).
• Dobras cutâneas: para a avaliação das dobras cutâneas tri-
cipital, bicipital, subescapular, suprailíaca, abdominal, da
coxa medial e da panturrilha, utilizou-se um adipômetro
da marca Sanny® com precisão de 0,5 mm.
• Circunferências: os perímetros corporais (punho, braço,
cintura, quadril, abdominal, coxa medial e panturrilha) fo-
ram medidos com uma fi ta métrica inelástica, com precisão
de 0,1 mm. Estas medidas foram aferidas do lado direito
do corpo, sendo realizadas três mensurações alternadas
em cada local e o valor médio utilizado como escore fi nal.
Após coletar os dados relacionados à antropometria, fo-
ram calculadas a circunferência muscular do braço (CMB),
a área muscular do braço (AMB) e a área muscular do braço
corrigida, utilizando as fórmulas seguintes:
CMB (cm) = CB - (PCT x 0,314)
AMB - 6,5 cm2
AMB = (CMB) 2
12,57
Foi estimada a porcentagem de gordura corporal, por
meio da equação de Slaughter et al. [16] para crianças e
adolescentes do sexo feminino. Os resultados obtidos foram
avaliados de acordo com os pontos de corte de Deurenberg
et al. [17], que classifi ca o percentual de gordura até 12%
como excessivamente baixo; de 12,01 a 15% como baixo; de
13Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
15,01 a 25% como adequado (normal); de 25,01 a 30% como
moderadamente alto; de 30,01 a 36% como alto e acima de
36,01% como excessivamente alto.
Ainda foram determinados o Índice de Massa Corpórea
(IMC), os indicadores Altura para Idade (A/I), Peso para Idade
(P/I) e IMC para Idade (IMC/I), sendo estes classifi cados
por WHO [18].
Resultados
Foram estudadas 10 atletas da equipe competitiva de GR,
com idade média de 10 anos e 6 meses, todas eram estudan-
tes, sendo que 70% cursavam o Ensino Fundamental II em
colégio particular.
Com relação aos motivos para a prática da modalidade,
notou-se que 50% das ginastas não pretendiam ser atletas
profi ssionais e almejavam ter outras profi ssões, praticando
a GR apenas como hobby. Duas ginastas pretendem ser
economistas, uma médica, uma arquiteta e outra veterinária.
A Figura 2 mostra as respostas das ginastas sobre sua saúde
e sintomas durante e após o treinamento.
Figura 2 - Problemas de saúde e sintomas relatados pelas atletas de
G.R de um clube da região Norte de São Paulo, 2009.
com silhuetas, na qual era apontada a que a ginasta se achava
semelhante e posteriormente, como gostaria de estar parecida.
Figura 3 - Imagem corporal relatada pelas atletas de G.R de um
clube da região Norte de São Paulo, 2009.
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
At
le
ta
s
Gastrite
Colesterol alto
Fraqueza
Dor de cabeça
Doente com facilidade
Quando abordado se as ginastas já haviam passado pela
menarca, 9 responderam que não, e uma relatou ter tido
menstruação apenas uma vez (de maneira irregular).
Duas atletas relataram já terem se consultado com um
nutricionista e 70% das ginastas nunca fi zeram dieta. A
maioria das ginastas (70%) relatou fazer 5 refeições ao dia,
porém, três disseram ter o hábito de fazer apenas 3 refeições
diárias. Sobre o consumo de água, 90% consideraram que
fazem consumo abaixo do que deveriam.
Quando questionadas sobre a satisfação com o corpo, 40%
disseram não estarem satisfeitas. A Figura 3 mostra o resul-
tado da questão que foi respondida com o auxílio da fi gura
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
At
le
ta
s
Se enxergam número a mais
Se enxergam número a menos
Se enxergam igual
A Tabela I mostra os resultados antropométricos obtidos
através das aferições. A análise do estado nutricional das
ginastas, segundo o Índice de Massa Corpórea para Idade
(IMC/I), mostrou que 90% encontravam-se classifi cadas
entre os percentis 3 e 85, estando, portanto com IMC
adequado. Uma atleta encontrava-se acima do percentil 97,
determinando obesidade [18]. A média de Índice de Massa
Corpórea encontrada foi de 17,2 kg/m2. Nenhuma das gi-
nastas apresentou-se abaixo do percentil 3.
Para o Índice Altura para Idade (A/I), observou-se que
90% das ginastas encontravam-se acima do percentil 3,
determinando altura adequada para idade, e apenas uma,
representando 10%, foi considerada com baixa estatura para
idade [18].
A composição corpórea das atletas foi aferida por meio da
análise do percentual de gordura corporal, cujo valor médio
observado entre as ginastas foi de 15,6%, o que segundo
Deurenberg et al. [17] é considerada adequada. Porém, quatro
ginastas foram classifi cadas com baixa porcentagem de gor-
dura corporal e uma como excessivamente baixa. Nenhuma
ginasta teve a classifi cação como moderadamente alta, como
alta e nem como excessivamente alta.
Quando analisada a Circunferência Muscular do Braço
(CMB), uma das ginastas foi classifi cada como percentil maior
que 95, determinando musculatura desenvolvida, devido à
prática esportiva. Em relação à somatória das dobras tricipital
e subescapular, uma ginasta foi classifi cada entre o percentil 5
e 10, determinando risco para desnutrição e 3 ginastas foram
classifi cadas abaixo do percentil 5, determinando desnutrição.
A análise da circunferência do braço (CB) pôde revelar o
risco para desnutrição de uma ginasta, que foi classifi ca no
percentil 10. A ginasta que apresentou risco para desnutrição
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201014
em relação à CB, também foi classifi cada como desnutrição
na somatória das dobras cutâneas tricipital e subescapular.
Tabela I - Valores médios, mínimos e máximos obtidos a partir das
mensurações efetuadas nas jovens atletas.
Parâmetros Média Mínimo Máximo
Peso (kg) 35,6 28,7 42,0
Atura (m) 1,4 1,3 1,6
IMC kg/m2 17,2 15,0 20,6
Circunferência do braço (cm) 21,6 19,0 24,4
Dobra cutânea tricipital (mm) 9,2 6,0 16,0
Área muscular do braço (cm2) 28,1 24,2 31,8
Circunferência muscular do
braço (cm)
18,7 18,0 20,0
Dobra cutânea tricipital + do-
bra cutânea subescapular (mm)
16,4 10,0 24,0
Dobra cutânea coxa medial (mm) 10,7 3,0 16,0
Dobra cutânea abdominal (mm) 10,2 6,0 18,0
Dobra cutânea panturrilha (mm) 3,4 2,0 5,0
Circunferência do quadril (cm) 73,9 68,0 81,2
Circunferência panturrilha (cm) 29,3 26,0 31,5
Circunferência cintura (cm)59,6 56,5 64,3
Circunferência coxa medial (cm) 42,6 38,3 48,0
% gordura corporal 15,6 9,5 21,9
Discussão
No geral, as ginastas estudadas apresentaram-se eutrófi cas
em relação ao indicador Índice de Massa Corpórea para Idade
(IMC/I). Porém, 10% foram classifi cadas como estando em
obesidade. Entretanto, embora com os valores adequados
de IMC, foi observado que 40% das ginastas não estavam
satisfeitas com sua imagem corporal, apontando silhuetas que
não correspondiam a sua. Por outro lado, 40% das ginastas
estudadas apresentaram valores de percentual de gordura
baixa, e 10% excessivamente baixos, representando metade
da equipe.
Em relação à menarca, segundo o estudo de Duarte &
Duarte, a idade média da sua ocorrência em adolescente da
cidade de São Paulo é de 12 anos e dois meses, porém, o estu-
do de Vivolo et al., mostra que a média de idade da menarca
entre atletas praticantes de Ginástica Rítmica é de 12 anos e
sete meses. O presente estudo mostra que 20% da população
estudada tinham idade superior que as mencionadas ante-
riormente, sendo que metade relatou a ausência da menarca
e metade mencionou irregularidades menstruais. Entretanto,
esses aspectos não são exclusivos das ginastas, pois, investigações
com atletas de diferentes esportes (tênis e natação) têm indi-
cado menarca tardia e esta tem sido atribuída ao treinamento
intenso. Vários fatores infl uenciam na idade de menarca, como
a predisposição genética, condutas dietéticas restritivas, baixo
peso e/ou baixo percentual de gordura corporal, visto em 50%
das ginastas estudadas, especialmente entre os 20% que apre-
sentaram irregularidades menstruais ou ausência de menarca.
O excesso de treinamento é considerado um determinante
fundamental, quando se avalia esse fenômeno entre as atletas.
Weimann et al. concluíram ainda, que a associação do treino
físico intenso e de competição, das ginastas do sexo feminino,
e uma nutrição inadequada podem alterar o padrão normal de
desenvolvimento pubertário das atletas [19-23].
A respeito da condição corporal, o presente estudo
constatou um percentual médio de gordura de 15,6%, valor
que se aproxima do encontrado por Ribeiro et al., em um
estudo com atletas femininas de ginástica olímpica de duas
cidades brasileiras. Os pesquisadores encontraram no Rio de
Janeiro, percentuais de gordura médios de 16,5%. Em outro
estudo realizado por Bernardot e Czerwinski, obteve-se um
valor médio de 9,2% de percentual de gordura nas atletas da
Associação Independente de Clubes de Ginastas dos EUA,
valor abaixo do presente estudo. Já comparadas a adolescentes
não atletas de Londrina Paraná, os valores médios mostrados
no estudo de Guedes, em 1994, foi de 21,8% de gordura
corpórea, superior aos valores observados nas ginastas desta
pesquisa. O estudo realizado por Reggiani et al. sobre o estado
nutricional e composição corporal de 26 ginastas com média
de idade de 12 anos, concluiu que o percentual de massa gorda
era reduzida e se encontrava abaixo do recomendável, assim
como no presente estudo [13,24-27].
Silva [28] defende que para estas ginastas, a manutenção
do reduzido peso corporal e de uma reduzida percentagem
de gordura corporal, torna-se algo imperativo para o sucesso
neste esporte, o que está em conformidade com os valores en-
contrados de porcentagem de gordura corporal da população
estudada. Ressaltando que o excesso de peso não contribui
para uma atleta que pretende seguir carreira profi ssional,
isso porque, é um esporte que exige fl exibilidade, agilidade e
leveza, o que leva a maioria das ginastas a se motivarem para
obterem o que tanto desejam, levando a restrição alimentar
a situações extremas para conseguirem aquilo que querem a
redução do seu peso.
As dores de cabeça, fraqueza e a baixa imunidade, relatadas
como problemas de saúde das ginastas, podem ser justifi cados
pela dieta inadequada, com destaque para a provável baixa
ingestão de energia e micronutrientes, como o ferro, zinco,
vitaminas A e C, associados ao fracionamento errôneo das
refeições. Ao mesmo tempo, foram constatados problemas
como gastrite e colesterol alto, reforçando a má alimentação
de algumas atletas, acarretando problemas crônicos precoce-
mente [29].
Conclusão
No presente trabalho verifi cou-se que as atletas estudadas
apresentaram-se, em geral, eutrófi cas e sem desvio signifi cativo
de imagem corporal. Porém, é recomendado o acompanha-
mento com nutricionistas para constante avaliação do estado
nutricional das ginastas. Consideram-se pertinentes, além
da antropometria e imagem corporal, estudos que abranjam
15Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
hábitos alimentares detalhados de ginastas rítmicas, para pre-
venir desvios nutricionais e, como consequência, melhorar as
condições de alimentação e rendimento no esporte praticado.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201016
Artigo original
Comparação da autonomia funcional de idosos
praticantes e não praticantes de treinamento combinado
Comparison of functional autonomy of trained or not-trained elderly
Raphael Gouveia da Silva Lyra*, Leandro Ramiro*, Paulo Cesar Nunes-Junior, Ft.**, Sebastião David Santos-Filho, Ft., D.Sc.***
*Professor de Educação Física, **Pós-Graduado em Anatomia Humana e Biomecânica, Especialista em Osteopatia, Professor de Pós-
Graduação UNESA, ***Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ
Resumo
As projeções do IBGE para o ano 2050 são de que a população
com mais de 60 anos passará de 14,5 para 64 milhões, com expec-
tativa de vida variando entre 62,97 a 73,59 anos. Assim, a avaliação
da capacidade funcional vem se tornando um instrumento útil para
averiguar o estado de saúde do idoso. Atualmente, houve progressos
na qualidade de vida, tendo um declínio das incapacidades funcio-
nais, aumentando assim, a perspectiva de longevidade em função de
vários fatores, tais como o progresso nas áreas médica, nutricional
e na prescrição de exercícios físicos, dentre outros. Este estudo
teve como objetivo avaliar o nível de autonomia funcional entre
idosos praticantes e não praticantes de treinamento combinado,
entre contra-resistência e endurance. A população pesquisada foi
de idosos, acima de 60 anos, moradores da zona norte e oeste do
município do Rio de Janeiro, sendo 15 praticantes, que deveriam
treinar a pelo menos 3 meses e 16 não praticantes. Para a realização da
coleta de dados foi utilizado o protocolo de avaliação da autonomia
funcional do idoso, desenvolvido pelo Grupo de Desenvolvimento
Latino-Americano (GDLAM), composto pelos testes caminhar 10
metros (C10m), levantar-se da posição sentada cinco vezes (LPS),
levantar-se da posição decúbito ventral (LPDV), levantar-se da ca-
deira e locomover-se pela casa (LCLC) e vestir e tirar uma camiseta
(VTC). Os dados obtidos através dos testes foram analisados a partir
de estatística descritiva e tabelas. Verifi camos que os dois grupos de
idosos conseguiram realizar os testes propostos, sendo que o teste
LPDV foi realizado em menor tempo por ambos os grupos. Os re-
sultados de todos os testes apresentaram diferenças signifi cativas nos
tempos de execução, diferenciando a classifi cação entre os grupos.
O grupo praticante obteve a classifi cação “muito bom” nos testes
LPDV e VTC, bom no LPS e regular no C10m e LCLC. Os não
praticantes apresentaram desempenho muito bom no teste VTC,
regular no LPDV e fraco no C10m, LPS e LCLC. De acordo com
o índice GDLAM, os praticantes foram classifi cados como regular
e os não praticantes como fraco.
Palavras-chave: envelhecimento, treinamento combinado,
autonomia funcional.
Abstract
According to the projections of the IBGE for 2050, the popu-
lation over 60 years old will increase from 14.5 to 64 million, with
life expectancy ranging from 62.97 to 73.59 years. Th e functional
capacity evaluation has become a useful tool to investigate the health
of the elderly people. Currently, the quality of life is increasing, with
decline in functional disability, thereby increasing the prospect of
longevity based on several factors, such as medical and nutritional
progress, and prescription of exercise, among others. Th is study
aimed to evaluate the level of functional autonomy among elderly
trained or not at combined exercises as resistance and endurance.
Th e population studied was elderly, residents of the area north
and west of Rio de Janeiro, with 15 practitioners trained at least 3
months and 16 not-trained. For evaluating the functional autonomy
of the elderly, was used a data protocol developed by the Group
of Latin American Development (GDLAM), composed by 10
meters walking test (C10M), getting out of a seated position fi ve
times (LPS), getting out of prone position (LPDV), getting out of
the chair and move into the house (LCLC) and wear and draw a
shirt (VTC). Th e data obtained from the tests were analyzed with
descriptive statistics and tables. It was found that the two groups
of elderly are able to perform the tests off ered, and the LPDV test
was performed in less time for both groups. Th e results of all tests
showed signifi cant diff erences in the time of execution. Th e trained
group obtained a good classifi cation at the tests LPDV and VTC,
was good and regular in LPS C10M and LCLC. Th e non-trained
group obtained excellent performance in the test VTC, regular in
LPDV and low in C10M, LPS and LCLC. According to the index
GDLAM, the trained were classifi ed as regular and not-trained as
weak.
Key-words: elderly, combined training, functional autonomy.
Endereço para correspondência: Paulo Cesar Nunes Junior, Rua Mearim, 307/301, 20561-070 Rio de Janeiro RJ, Tel: (21) 2578-
4036, E-mail: paulocesar.nunes@terra.com.br
17Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
Os últimos dados das Pesquisas Nacionais por Amostra
de Domicílio (PNADs), realizadas no início deste século,
encontraram quedas consideráveis nos níveis de fecundidade
das mulheres no Brasil. Assim, as projeções do IBGE para o
ano 2050 são de que a população com mais de 60 anos passará
de 14,5 para 64 milhões, com expectativa de vida variando
entre 62.97 a 73.59, superando o grupo etário constituído
de crianças e adolescentes até 14 anos. Com isso, a avaliação
da capacidade funcional vem se tornando um instrumento
particularmente útil para averiguar o estado de saúde do ido-
so. A Organização Mundial de Saúde defi ne a incapacidade
funcional como a difi culdade, devido a alguma defi ciência,
para realizar atividades físicas e pessoalmente desejadas na
sociedade [1].
De acordo com a OMS [2], a proporção do crescimento
populacional de pessoas com 60 anos ou mais é muito maior
do que o de qualquer outra faixa etária. A perspectiva deste
aumento gira em torno de 223% ou em torno de 694 milhões,
no número de idosos entre 1970 e 2025. A estimativa é de
queaté 2050 haverá 2 bilhões, sendo que 80% nos países em
desenvolvimento.
Diante desta realidade de um envelhecimento constante
na população de nosso país, já que o Brasil é um destes pa-
íses em constante desenvolvimento, é de suma importância
que a população senescente tenha qualidade de vida além de
uma expectativa de vida maior, como autonomia funcional,
atividade intelectual, o estado de saúde e sua independência
econômica e social [3].
Nos dias atuais, houve progressos na qualidade de vida e
consequentemente um declínio das incapacidades funcionais,
aumentando assim, a perspectiva de longevidade em função
de vários fatores, tais como o progresso nas áreas médica,
fi sioterapêutica, nutricional, na prescrição de exercícios físi-
cos, preocupação da mídia com estas questões, dentre muitos
outros [1,4].
Segundo Ramos [5], o fator determinante na terceira idade
é a autonomia, pois qualquer pessoa que chegue aos 80 anos,
capaz de gerir sua própria vida optando por suas atividades
de lazer, meio social e trabalho, certamente será considerada
uma pessoa saudável. Independentemente de ser cardiopata,
hipertensa, diabética ou possuir qualquer outra enfermidade.
Ele ainda sugere que a população idosa em geral apresenta
uma alta prevalência de doenças crônicas, principalmente
hipertensão arterial, dores articulares e varizes. O Grupo de
Desenvolvimento Latino-Americano (GDLAM) classifi ca a
autonomia funcional em três aspectos: autonomia de vonta-
de, referindo-se a autoestima, achar que é capaz de realizar;
autonomia de pensamento, permitindo julgar e determinar
o que fazer; e autonomia de ação, onde realizará a tarefa ou
o gesto proposto.
O estudo de Parahyba e Simões [1] revela que as com-
parações dos PNADs de 1998 e 2003 mostraram reduções
nas proporções de idosos com difi culdades para caminhar
100 m, sendo que esta foi maior em idosos com mais de 80
anos. Nestes dados os grupos foram separados por região do
país, renda mensal familiar e pela idade. Esse estudo também
relatou que quando comparados mulheres e homens que
possuem incapacidade funcional, as mulheres tendem a ter
mais perspectiva de vida.
O enfraquecimento musculoesquelético tem sido aponta-
do como a causa relevante desta incapacidade na população
senescente, elevando o risco de quedas. O sedentarismo,
associado a doenças crônico-degenerativas e a hábitos de vida
inadequados, como tabagismo e má alimentação, resulta no
decréscimo dos níveis de força, da resistência muscular, da
fl exibilidade e da capacidade aeróbia, promovendo a queda da
capacidade funcional, das atividades diárias [4]. As atividades
físicas para o idoso devem ter como objetivo o fortalecimento
muscular, equilíbrio, potência aeróbica, movimentos corporais
totais e tentar associar estas atividades a uma mudança nos
hábitos de vida [6].
Os benefícios do treinamento de força para idosos vão
desde a melhora da saúde e qualidade de vida até a melho-
ria das habilidades funcionais ou atividades da vida diária
(AVDs), mesmo em senescentes com doenças crônicas [7].
Além disso, este tipo de treinamento proporcionará um ganho
considerável nas funções neuromusculares desta população
[8,9]. Concluindo, assim, que este tipo de treinamento é de
extrema relevância quando se trata de retardar as alterações
fi siológicas inerentes ao envelhecimento, evitando a incapa-
cidade e a dependência social [9].
Os benefícios do treinamento de força vão depender da
interação entre número de repetições, séries, intensidade das
sobrecargas, intervalo e da combinação dos exercícios [10].
Estudos sobre treinamento de força evidenciam que a força
muscular alcança seu auge entre a segunda e terceira déca-
das de vida e mostra diminuição lenta ou imperceptível até
próximo aos 50 anos de idade, quando começa a declinar
aproximadamente 12% a 15% por década, com perdas mais
acentuadas a partir da sexta década de vida [7,10]. Há perda
de fl exibilidade, de velocidade, dos níveis de captação máxima
de oxigênio (VO2max), de massa óssea (osteopenia), além da
redução na massa muscular (sarcopenia), devido ao compro-
metimento nas fi bras tipo IIb, que são fi bras de características
anaeróbicas e hipertrófi cas [4]. O estudo de Izquierdo et al.
[11] citam ainda que esta alteração na massa muscular se
deve a mudanças hormonais e ao declínio da realização das
atividades com o passar do tempo. Neste artigo também é re-
lacionada à perda de estabilidade nas ações musculares devido
ao aumento da co-ativação dos músculos antagonistas e da
variabilidade na taxa de descarga das unidades motoras. Estas
alterações fi siológicas e músculo-articulares no idoso fazem
com que ocorra o aparecimento de problemas como a perda
de equilíbrio (ataxia), comprometendo a marcha e automati-
camente sua independência [12]. Guimarães e Farinatti [13]
concluíram que o geronte devido à sua idade avançada tende
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201018
a desenvolver doenças como catarata, glaucoma e retinopatia,
que podem vir a comprometer a capacidade de julgar a ação
correta a ser tomada para se evitar uma queda.
Com o avanço do envelhecimento há uma perda, em
torno de 25%, da capacidade aeróbica do músculo e do fl uxo
sanguíneo durante a contração [12]. Outros fatores associados
à qualidade estrutural muscular podem afetar o desenvolvi-
mento da força e potência, como a mudança das miosinas de
cadeia pesada para tipos mais lentos, afetando diretamente a
velocidade de contração nas ações musculares [7].
Perdas progressivas de força tendem a comprometer a
autonomia funcional dos idosos, deixando-os incapacita-
dos para realizarem as tarefas mais simples do dia-a-dia e
tornando-os dependentes dos que os cercam, o que reduzirá
consideravelmente sua qualidade de vida [10]. Além da sar-
copenia, também se deve lembrar que há alterações na saúde
mental, como na cognição e no humor, e nos parâmetros
sociais e ambientais, tais como a segurança e sua inclusão na
sociedade [14]. No estudo de Aveiro et al. [8], 16 idosas com
osteoporose na coluna e/ou fêmur foram submetidas a um
treinamento de fortalecimento do músculo quadríceps, de
alongamento dos músculos do tronco, dos membros inferiores
e superiores e um programa de caminhada, e o resultado foi
melhora em relação ao equilíbrio, a qualidade de vida e no
torque da musculatura extensora do joelho.
Todas estas alterações fi siológicas relacionadas ao avanço
da idade sugerem que o treinamento de força muscular e
o treinamento aeróbico estão diretamente ligados à inde-
pendência funcional das pessoas idosas. Com a inclusão de
exercícios contra resistência, como a musculação, no dia-a-dia
da população idosa, alcançar-se-á benefícios extremamente
relevantes. Porém, sempre de forma coerente, com embasa-
mento científi co e respeitando os princípios do treinamento
desportivo, como o princípio da individualidade biológica e
da especifi cidade, por exemplo [4].
O treinamento de força é uma modalidade de exercícios re-
sistidos em que movimentos musculares são realizados contra
uma força oposta [15]. O vigor máximo que um músculo ou
um grupo muscular pode gerar é determinado pela força. Com
o exercício crônico ocorrem diversas alterações no sistema
neuromuscular. Estas alterações relacionadas a um programa
de treinamento de força podem produzir ganhos entre 25%
a 100% da força máxima [16]. No treinamento resistido
há uma predominância dos sistemas energéticos ATP-CP e
glicolítico, sendo que a atuação do sistema oxidativo se dá
durante o intervalo entre as séries [15]. Com relação à hiper-
trofi a proporcionada pelo treinamento resistido, este relata
que ela acontece devido ao estresse mecânico causado pelo
exercício intenso que ativa a expressão do RNA mensageiro
(RNAm) e consequentementea síntese protéica muscular.
Este processo acarretará no surgimento de novas miofi brilas.
Também parece haver um aumento do número de fi lamentos
de actina-miosina, conteúdo sarcoplasmático e combinação
de tecido conjuntivo.
Dentre os benefícios do treinamento resistido estão o
aumento da densidade mineral óssea e da área de secção
transversa do músculo, menor duplo produto, que indica
um menor consumo de oxigênio do miocárdio. Esta altera-
ção pode estar ligada a uma menor frequência cardíaca e/ou
pressão arterial, ambas de repouso. Porém, alguns estudos
apontam para estas ligeiras reduções, enquanto que outros
não encontraram diferenças. Ainda sob suas referências, o
volume sistólico parece ser igual ou ligeiramente maior em
pessoas treinadas, permitindo um aumento do débito cardíaco
sem o aumento concomitante da frequência cardíaca e do
duplo produto [7].
Neste tipo de treinamento há um aumento signifi cativo
na proporção de fi bras musculares tipo II [16]. Havendo um
decréscimo das fi bras musculares tipo I e um aumento das
fi bras musculares tipo IIa. Com relação às adaptações neurais,
estão a elevação do número de unidades motoras recrutadas e,
junto com a sincronização destas, há um aumento da taxa de
disparo e uma atenuação da inibição autogênica [7].
Idosos que se submetem a treinamentos com sobrecargas
têm melhora da função e estrutura muscular, articular e óssea
[17]. Assim, sua autonomia funcional será preservada mesmo
com o passar do tempo. Com o treinamento de força há um
aumento agudo na concentração de testosterona, hormônio de
efeitos anabólicos, total em homens e mulheres jovens, porém
em mulheres idosas estes resultados são, ainda, controversos.
O mesmo estudo cita que também há elevação aguda de GH
em homens e mulheres jovens com o treinamento, mas em
mulheres idosas os resultados não foram consensuais [17].
Os benefícios promovidos pelo treinamento de força de-
pendem de vários fatores, como a intensidade, a frequência e o
volume de exercícios. Quanto à manipulação destas variáveis,
os autores não conseguiram tecer considerações, pois diferen-
tes combinações destas podem ser igualmente efi cientes [10].
Em relação à prática de exercícios aeróbicos ou de endu-
rance e seus benefícios associados à autonomia funcional, o
estudo de Amorim et al. [18] evidenciou um aumento na
autonomia funcional e na qualidade de vida de idosos, além
da melhora no consumo, captação e transporte de oxigênio.
O sistema cardiorrespiratório parece ser um dos sistemas
orgânicos mais afetados com o declínio funcional, tornando
a habilidade de captação e transporte de oxigênio para o su-
primento da demanda metabólica corporal durante a atividade
física acometida [19]. Algumas alterações cardíacas são de
extrema relevância como na elasticidade, distensibilidade e
dilatação das artérias; o esvaziamento ventricular que ocorre
durante a sístole também se torna comprometido, dentro de
uma aorta menos complacente, levando a um aumento na
incidência de idosos hipertensos [18].
O treinamento de endurance tem como característica
sua execução em uma zona aeróbica, ou seja, dependente de
oxigênio que tem por objetivo a melhora da aptidão cardior-
respiratória e é sustentado energeticamente pelo metabolismo
dos ácidos graxos e carboidratos. Com o treinamento aeróbico
19Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
existe a possibilidade de retardar este processo degenerativo
que se torna acelerado com o passar da idade, pois há melhora
no consumo máximo de oxigênio, no suprimento capilar na
fi bra muscular, aumento do conteúdo de mioglobina, que
armazena oxigênio e o libera para as mitocôndrias quando
necessitam. Além disso, também há alterações no número e
tamanho das mitocôndrias, que é chamada de usina da célula,
pois é lá que ocorre a produção de energia aeróbia [16].
Uma única sessão de treinamento aeróbico parece ser capaz
de promover queda dos níveis de pressão, abaixo dos valores
de repouso, o que tem sido denominado de hipotensão pós-
exercício [20]. O exercício físico agudo em idosos hipertensos
reduziu a pressão arterial por um período de até 22 horas após
a sessão de treinamento [20]. Contudo, deve-se ter conheci-
mento que exercícios aeróbicos de intensidade muito baixa
parecem não surtir efeitos signifi cativos na melhoria da saúde
[19]. No estudo de Hepple et al. [21], homens entre 65 e 74
anos foram submetidos a este tipo de treinamento e também
ao treinamento de contra-resistência por 18 semanas, e os
achados foram de um aumento no consumo de oxigênio,
que pode vir a ser de uma melhora na difusão nos músculos
esqueléticos.
A melhoria do consumo máximo de oxigênio é um desta-
cado fator de proteção, pois menor será o risco de mortalidade,
prolongando assim sua longevidade [22]. Não há alteração
na frequência cardíaca máxima com o exercício, mas há uma
redução na de repouso. Esta alteração parece ser ocasionada
por mecanismos como o aumento do retorno venoso e da
contratilidade miocárdica [22]. Jubrias et al. [23] compararam
as mudanças energéticas e estruturais em idosos que se propu-
seram a participar de seis meses de treinamento de endurance
ou de contra-resistência. Após este período de treinamento, as
maiores mudanças se deram na capacidade oxidativa com o
aumento da densidade mitocondrial e nas adaptações neurais
do músculo quadríceps, mas em se tratando de maior síntese
protéica não houve grande diferença pré e pós-treinamento.
Os indivíduos melhor condicionados aerobicamente
possuem atividade autonômica mais efi ciente do que os não
treinados, havendo também indícios que indivíduos com me-
lhor tônus vagal cardíaco apresentam uma resposta melhor ao
treinamento aeróbico [22]. De acordo com o posicionamento
do American College of Sports Medicine [24], o homem idoso
que realiza exercícios aeróbicos é favorecido pelo mecanismo
de Frank-Starling, pois há um maior volume diastólico fi nal
que consequentemente acarretará num maior volume de eje-
ção. E a taxa de decréscimo do consumo máximo de oxigênio
no idoso de 70 anos treinado parece ser igual a de um adulto
jovem destreinado. Além destas alterações, este posiciona-
mento também preconiza que o treinamento de endurance
tem a capacidade de promover melhorias no perfi l lipídico
sanguíneo, além da redução dos estoques de gordura corporal.
Baseado no exposto acima se chegou ao objetivo do
presente estudo: comparar a autonomia funcional de idosos
praticantes de treinamento combinado entre exercícios de
contra-resistência e endurance com não praticantes de exercício
físico devidamente prescrito por um profi ssional capacitado.
Material e métodos
A amostra foi constituída de 31 indivíduos com idade
acima de 60 anos, moradores da zona norte e oeste do mu-
nicípio do Rio de Janeiro, sendo que 15 eram praticantes
de treinamento combinado há mais de 3 meses e 16 não
eram praticantes. Os 31 indivíduos estavam completamente
hábeis fi sicamente para desempenharem a bateria de testes.
O instrumento utilizado foi o protocolo de GDLAM para
avaliação da autonomia funcional [25]. O instrumento foi
aplicado pelos próprios pesquisadores.
Este estudo caracteriza-se pela forma direta, pois busca e
coleta os dados diretamente na fonte pesquisada, investigando
o fato por meio de instrumentos e procedimentos válidos e
adequados ao que se pretende investigar [26]. A pesquisa é
classifi cada como descritiva, pois há uma simples descrição
dos fatos investigados e também é considerada comparativa,
devido à comparação entre grupos de pessoas submetidas a
condições diferenciadas [27]. Em relação ao modo de coleta,
este estudo é classifi cado como pesquisa experimental, onde
um ou mais parâmetros são testados e comparados [26].
O presente trabalho atendeas Normas para Realização de
Pesquisa em Seres Humanos, Resolução 196/96, do Conselho
Nacional de Saúde de 10/10/1996.
Todos os participantes do estudo concordaram em assinar
o termo de participação consentida contendo: objetivo do
estudo, procedimentos de avaliação, possíveis consequências,
caráter de voluntariedade da participação do sujeito e inserção
de responsabilidade por parte do avaliador.
Para as variáveis foram estimadas média, mediana, desvio-
padrão e coefi ciente de variação, visando caracterizá-la [28] e
posteriormente foram submetidas ao teste de Shapiro-Wilk
[29] para investigação da proximidade da distribuição normal,
tendo por confi guração, p = 0,05:
H0: A variável j do grupo i se aproximou da Distribuição
Normal
H1: A variável j do grupo i não se aproximou da Distribuição
Normal
∀ j Є J = {C10m, LPS, LPDV, VTC, LCLC, IG, Idade}
∀ i Є I = {Praticante, Sedentário}
Na não verifi cação de proximidade levou a efetiva com-
paração a ser tomada pelo teste de Mann-Withney [30], p =
0,05, cujo desenho foi:
H0: A variável j do grupo Sedentário = A variável j do grupo
Praticante
H1: A variável j do grupo Sedentário ≠ A variável j do grupo
Praticante
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201020
Na observação da normalidade, a utilização do teste t-
Student se fez necessária [28], cuja aplicação teve confi guração
similar ao teste de Mann-Whitney.
Resultado e discussão
Tabela I - Resultados descritivos do grupo praticante.
Estatística Média
Desvio-
padrão
Mediana
Coeficiente de
variação
C10m (s) 6,47 0,98 6,59 15,12
LPS (s) 8,89 1,22 8,60 13,71
LPDV (s) 2,52 0,66 2,47 26,01
VTC (s) 6,96 1,57 6,49 22,58
LCLC (s) 43,40 14,88 40,68 34,27
Idade (anos) 68,60 4,69 68,00 6,83
IG 26,39 5,21 25,89 19,73
Tabela II - Resultados descritivos do grupo não praticante.
Estatística Média
Desvio-
padrão
Mediana
Coeficiente
de variação
C10m (s) 7,97 1,37 7,74 17,25
LPS (s) 11,45 1,65 11,47 14,41
LPDV (s) 3,65 0,82 3,49 22,33
VTC (s) 11,06 3,57 10,10 32,31
LCLC (s) 66,09 21,78 56,30 32,95
Idade (anos) 68,88 4,41 69,50 6,40
IG 37,41 9,67 33,89 25,86
C10m = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV
= levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa,
LCLC = levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice
GDLAM.
Figura 1 - Classifi cação dos desempenhos dos praticantes.
Figura 2 - Classifi cação dos desempenhos dos não praticantes.
C10(s)
Muito bom
Bom
Regular
Fraco
LPS(s) LPDV(s) VTC(s) LCLC(s) IG
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Fr
eq
. A
bs
ol
ut
a
C10 = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV
= levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa,
LCLC = levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice
GDLAM.
C10(s)
Muito bom
Bom
Regular
Fraco
LPS(s) LPDV(s) VTC(s) LCLC(s) IG
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Fr
eq
. A
bs
ol
ut
a
C10 = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV =
levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa, LCLC
= levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice GDLAM.
Tabela III - Resultados do teste de Shapiro-Wilk (p = 0,05).
Grupo Variável Valor-p
C10m (s) 0,13
LPS (s) 0,72
LPDV (s) 0,08
Sedentário VTC (s) 0,05
LCLC (s) 0,00
Idade (anos) 0,67
IG 0,02
C10m (s) 0,97
LPS (s) 0,46
LPDV (s) 0,42
Praticante VTC (s) 0,05
LCLC (s) 0,00
Idade (anos) 0,49
IG 0,00
Tabela IV - Resultados do Teste t-Student (p = 0,05).
Variável Valor-p
LCLC (s) 0,00
IG 0,00
Tabela V - Resultados do Teste de Mann-Whitney (p = 0,05).
Variável Valor-p
C10m (s) 0,00
LPS (s) 0,00
LPDV (s) 0,00
VTC (s) 0,00
Idade (anos) 0,83
C10m = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV =
levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa, LCLC =
levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice GDLAM.
A idade não apresentou diferença relevante entre os
grupos, o que torna o presente estudo com resultados mais
fi dedignos na comparação dos resultados.
21Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Caminhar 10 metros: o grupo dos não praticantes obteve
uma média de 7,97 ± 1,37 segundos, e o grupo dos praticantes
teve uma média de 6,47 ± 0,98 ssegundos, sendo assim, de
acordo com a classifi cação do protocolo de GDLAM, os não
praticantes tiveram um desempenho fraco e os praticantes
conseguiram um desempenho regular. O grupo praticante
fi cou aquém quando comparado com o grupo praticante
de hidroginástica do estudo de Mazini Filho et al. [31], que
obteve uma media 5,17 segundos alcançando a classifi cação
muito bom com este resultado. De acordo com a análise esta-
tística, a diferença de tempo entre os grupos foi signifi cante,
demonstrando que os praticantes de exercício físico obtiveram
melhor desempenho.
Figura 3 - Classifi cação do desempenho dos grupos no teste de
caminhar 10 metros.
Levantar da posição decúbito ventral: o grupo dos não
praticantes obteve uma mediana de 3,49 segundos e os
praticantes alcançaram uma mediana de 2,47 segundos. De
acordo com a classifi cação do GDLAM, os não praticantes
foram classifi cados como regular e o grupo praticante obteve
a excelência do protocolo que é a classifi cação muito boa.
Comparando com o estudo de Mazini Filho et al. [4] cujos
idosos fi sicamente ativos obtiveram uma média de 5,21 se-
gundos, o grupo praticante de treinamento combinado do
presente estudo alcançou em excelente resultado com uma
diferença signifi cativa. Neste teste também houve uma dife-
rença signifi cativa comparando-se os grupos.
Figura 5 - Classifi cação dos grupos no teste de levantar da posição
decúbito ventral.
Regular
Fraco
0
1
2
3
4
5
6
7
8
Praticantes Não
praticantes
Levantar da posição sentada: nesta bateria, o grupo dos
não praticantes obteve uma média de tempo de 11,45 ± 1,65
segundos, e o grupo dos praticantes alcançou uma média
de 8,89 ± 1,22 segundos. De acordo com a classifi cação do
GDLAM os não praticantes obtiveram um fraco desempenho
e os praticantes obtiveram uma boa performance. No estudo
de Guimarães et al. [32], os praticantes de treinamento de for-
ça obtiveram uma mediana de 11,20 segundos, mas neste caso
eles haviam feito apenas algumas semanas de treinamento e
mesmo assim conseguiram obter uma melhora de 7 segundos,
comparando-se com o teste anterior ao treinamento. Visto
que este teste necessita de maior força e resistência muscular,
a diferença entre os grupos foi signifi cativa de acordo com a
análise estatística.
Figura 4 - Classifi cação do desempenho dos grupos no teste de
levantar da posição sentada.
Bom
Fraco
0
2
4
6
8
10
12
Praticantes Não
praticantes
Praticantes Não
praticantes
Muito bom
Regular
0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
Levantar da cadeira e caminhar pela casa: neste teste, a
mediana do grupo não praticante foi de 56,30 segundos e
a do grupo praticante foi de 40,68 segundos. Sendo assim,
segundo o protocolo de GDLAM, o grupo praticante obteve
uma classifi cação regular e o não praticante fi cou na categoria
fraca. No estudo de Guimarães et al. [32], o grupo praticante
de exercício físico teve uma média neste teste de 37,54 segun-
dos, obtendo uma classifi cação boa, sendo melhor do que a
do grupo praticante do presente estudo. Estes resultados po-
dem ser explicados pelo fator da coordenação e do equilíbrio
dinâmico pouco trabalhado, o que acabava levando os idosos
a se confundirem durante a execução do teste e fazendo com
que a diferença entre os grupos fosse relevante.
Figura 6 - Classificação dos grupos no teste de levantar da cadeira
e caminhar pela casa.
Regular
Fraco
0
10
20
30
40
50
60
Praticantes Não
praticantes
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201022
Vestir e tirar a camisa: o grupo praticante obteve uma me-
diana de 6,49 segundos, sendo classifi cado no grupo muito
bom pelo protocolo de GDLAM. Já o grupo não praticante
teve uma mediana de 10,10 segundos, também obtendo a clas-
sifi cação muito boa. Mesmo obtendo a mesma classifi cação, a
diferença de quase 4 segundos entre os grupos é signifi cativa.
A análise estatística revelou uma diferença relevante entre os
grupos. No estudo de Guimarães et al. [32], o grupo praticante
de exercícios físicos regularmente obteve uma média de tempo
de 11,59 ± 1,72 segundos, o que revela um bom desempenho
dos dois grupos do presente estudo.
Figura 7 - Classifi cação dos grupos no teste de vestir e tirar a camisa.
Conclusão
Este estudo teve como objetivo a comparação da auto-
nomia funcional entre idosos praticantes e não praticantes
de treinamento combinado. Observamos uma diferença
signifi cativa no tempo de execução entre os grupos. A maior
diferença se deu nos testes com mais complexidade, que ne-
cessitava de atenção e coordenação. Comparando tais achados
deste estudo com outros estudos citados neste trabalho que
também utilizaram o protocolo de GDLAM, sendo que em
todos os estudos o grupo praticante de exercício físico obteve
melhor desempenho na realização da bateria de testes, há uma
forte evidência que o exercício físico prescrito por profi ssionais
capacitados é imprescindível para a manutenção da autonomia
funcional em idosos.
Recomendamos que outros estudos que envolvam trei-
namento combinado e autonomia funcional para idosos
utilizem exercícios de intensidade e volume controlados pelos
pesquisadores durante algumas semanas, buscando descobrir
se existe um método de treinamento que seja mais válido e
com melhores resultados para que os idosos alcancem sua
autonomia funcional.
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Muito bom
Muito bom
0
2
4
6
8
10
12
Praticantes Não
praticantes
IG: de acordo com o índice GDLAM (IG), que é uma classificação
geral da autonomia funcional dos idosos encontrada em uma fórmula
onde se utilizam os tempos obtidos nos testes citados acima, houve
uma diferença de classificação entre os grupos. O grupo praticante
teve uma pontuação média de 26,39, ± 5,21 o que a classificou como
regular e o grupo não praticante obteve uma pontuação mediana de
33,89 classificando-o como fraco. No estudo de Mazini Filho et al.
[4], o grupo praticante obteve uma pontuação média de 28,60 sendo
classificado como regular também. Já no estudo de Guimarães et al.
[32], o grupo praticante obteve uma mediana de 38,70 classificando o
grupo como fraco.
Figura 8 - Classifi cação dos grupos pelo Índice GDLAM.
Regular
Fraco
0
5
10
15
20
25
30
35
Praticantes Não
praticantes
23Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201024
Artigo original
Efeito do exercício aeróbico na incidência
de quedas em idosos com problemas de saúde
Effect of aerobic exercise on the incidence of falls
in elderly with health problems
Josenei Braga dos Santos, M.Sc.*, Geórgia Maria F. Benetti**, André Junqueira Xavier, D.Sc.***, Eleonora d’Orsi, D.Sc.****
*Mestrando em Saúde Pública – PPGSP/UFSC, **Aluna do Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas – DICH/UFSC,
***Informática em Saúde (UNIFESP/EPM), Professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública – PPGSP/UFSC
Resumo
O objetivo deste estudo foi verifi car o efeito do exercício aeróbico
na incidência de quedas em idosos com problemas de saúde. Parti-
ciparam da amostra dois sujeitos: A) masculino 79 anos que sofreu
um AVC e B) feminino 72 anos diabética. O estudo obedeceu a três
etapas: pré-teste: aplicação de questionário com perguntas referen-
tes aos aspectos sociodemográfi cos, atividades diárias e condições
de saúde em geral, avaliação do índice de massa corporal (IMC),
através do protocolo da World Health Organization e queda avaliada
pelo teste de Tinetti; intervenção: 29 sessões de exercício aeróbio,
realizadas duas vezes por semana, com duração de 65 minutos com
intensidade entre 55% a 85% da Frequência Cardíaca Máxima
(FCmáx); e pós-teste: avaliação da queda e avaliação qualitativa dos
idosos. Os resultados mostraram que houve 100% de participação
do sujeito A e 75,86% do sujeito B, manutenção da classifi cação no
teste Tinetti nos dois períodos (pré e pós-teste), mantendo-os fora
do risco de sofrer queda durante este período de trabalho. Diversos
benefícios para a saúde e qualidade de vida foram identifi cados por
meio da avaliação qualitativa.
Palavras-chave: exercício aeróbico, quedas, idosos,
envelhecimento.
Abstract
Th e aim of this study was to evaluate the eff ect of the aerobic
exercise on the incidence of falls in elderly with health problems. Th e
sample was composed by two subjects: A) male 79 years who had
suff ered cerebrovascular accident (CVA) and B) female 72 years with
diabetes. Th e study included three stages: pre-test: a questionnaire
was applied regarding socio-demographic aspects, daily activities and
health in general, body mass index was evaluated through World
Health Organization protocol and the Tinetti balance test was used
to evaluate falls; intervention: 29 sessions of aerobic exercise for 65
min, two times per week, at intensity 55% - 85% of maximum heart
rate (MHR); and post-test: falls risk and qualitative evaluation of the
elderly. Th e results showed that subject A had 100% participation
and subject B had 75.86%, same classifi cation in Tinetti test in two
periods (pre and pos test), keeping them out of risk of falling over
during this period of work. Many benefi ts to health and quality of
life were identifi ed through the qualitative evaluation.
Key-words: aerobic exercises, falls, elderly, aging.
Endereço para correspondência: Josenei Braga dos Santos, Rua Ogê Fortkamp, 111/204, Bloco A, Bairro Trindade 88036-610
Florianópolis SC, E-mail: jobrs7@yahoo.com.br
25Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
O envelhecimento é um processo de mudança natural
da vida humana e com ele diversas modifi cações fi siológicas
sobre o corpo dos idosos podem surgir, causando diversos
problemas de saúde físicos e mentais, frequentemente, causa-
dos por doenças crônicas, diminuição do equilíbrio, quedas e
mobilidade funcional Alfi eri et al., Ribeiro et al. e Mazo [1-3].
De acordo com Tribess et al. e Souza e Silva et al. [4-5], este
processo leva todos os seres vivos, principalmente os idosos,
a passarem por perdas progressivas nos aspectos físicos, fi sio-
lógicos, psicológicos e sociais, que refl etem diretamente nas
suas capacidades funcionais, “capacidade de realizar atividades
físicas cotidianas, profi ssionais, esportivas, terapêuticas e de
lazer” [6:59]. Esta perda, segundo estes autores, difi culta a
realização das atividades da vida diária (AVD), assim como,
conduz o idoso a se tornar sedentário, o que permite o surgi-
mento de doenças crônico-degenerativas advindas de hábitos
de vida inadequados.
Outro fator que também surge nesta fase, segundo Per-
racini [7] é o da deterioração do equilíbrio e da marcha, que
infl uencia o aumento do número de quedas, ou seja, “uma
mudança de posição inesperada, não intencional, que faz o
indivíduo permanecer em um nível inferior” [7:195].
Um estudo realizado por Siqueira et al. [8] com 4.003
idosos brasileiros (65 anos ou mais), mostrou que a prevalên-
cia de quedas foi de 34,8% e entre os que experimentaram
queda, 12,1% tiveram fratura como consequência: 46% nos
membros superiores, 28% nos membros inferiores, 11% no
tronco, 5,5% na face e os valores restantes distribuídos entre
outros locais.
Isso demonstra que este evento pode ser considerado como
um dos grandes problemas de saúde pública nesta fase, po-
dendo gerar incapacidades parciais ou dependência, alterações
na massa muscular e óssea, institucionalização, fragilidade,
lesões, fratura de quadril, custos de tratamento e morte, o
que resulta em sérias complicações para a saúde, a família e/
ou cuidadores e a qualidade de vida do idoso [2,7-11].
Diversos estudos e matérias veiculadas pelos meios de
comunicação têm mostrado que a prática de exercícios físicos
(EF) por idosos (programas de caminhadas, musculação, yoga,
hidroginástica, tai chi chuan, dança de salão, pilates, etc.),
tem dado uma contribuição signifi cativa para a melhora da
capacidade funcional de curto a médio prazo.
A prática de EF tem sido enfatizada como uma das es-
tratégias efi cazes para prevenir doenças e quedas, promover
e manter a saúde dos idosos, aumentar a expectativa de vida
e a capacidade física, melhorar as relações sociais devido à
convivência em grupo com pessoas da mesma idade, e, con-
sequentemente, diminuir os anos de dependência funcional
e a incapacidade física [1,3,4,12-17].
Sendo assim, objetiva-se neste estudo verifi car os efeitos
do exercício aeróbico na incidência de quedas em idosos com
problemas de saúde.
Materiais e métodos
Tipo de estudo
É uma pesquisa descritiva, do tipo estudo de caso, no qual
o pesquisador esforça-se por uma compreensão em profundi-
dade de uma única situação ou fenômeno [18].
Sujeitos
Participaram da pesquisa dois idosos conforme pode ser
observado na Tabela I, que faziam uso de diversos medica-
mentos e que tinham acompanhamento médico mensal.
Tabela I - Características físicas dos participantes.
Sujeito A B
Sexo Masculino Feminino
Idade (anos) 79 72
Peso (kg) 79,4 66
Altura (m) 1,75 1,59
IMC kg/m2 25,79 26,12
FC repouso (bpm) 66 84
IMC - Índice de Massa Corporal; FC - Frequência Cardíaca.
Sujeito A – portador de marcapasso, que tinha sofrido
acidente vascular cerebral (AVC), possuía difi culdades de se
equilibrar, havia perdido a visão esquerda há 19 anos, tinha
sofrido duas quedas nos últimos 12 meses, relatava queixas
de memória e era sedentário.
Sujeito B – diabética com problemas de pressão alta, que
havia realizadodiversas cirurgias: apendicite aguda, proble-
mas na tiróide, vesícula e tornozelo, não havia sofrido queda
nos últimos 12 meses, possuía difi culdades de coordenação
motora, relatava queixas de memória e praticava atividades de
ginástica três vezes por semana com duração de 45 minutos
em grupo.
Coleta de dados
Para atender às necessidades da investigação, aplicou-se um
questionário com perguntas abertas e fechadas referentes aos
aspectos sociodemográfi cos, atividades diárias e as condições
de saúde em geral.
Com relação à aferição do peso corporal, utilizou-se uma
balança eletrônica marca Filizola, modelo PL-180, com capa-
cidade de 180 kg e divisão de 100 g, a estatura foi mensurada
por meio de um estadiômetro compacto marca WISO, com
campo de medição de 0 a 200 cm. Para cálculo do IMC,
utilizou-se o protocolo da World Health Organization [19],
ou seja, IMC (kg/m²) = Peso/Altura².
No que se referiu à queda, adotou-se o teste de Tinetti
[20], que é um teste que permite avaliar o equilíbrio e as
anormalidades da marcha sendo constituído de 16 itens, no
qual 9 são para o equilíbrio do corpo e 7 para a marcha. Este
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201026
teste classifi ca os aspectos da marcha como a velocidade, a
distância do passo, a simetria e o equilíbrio em pé, o girar e
também as mudanças com os olhos fechados. A contagem para
cada exercício varia de 0 a 1 ou de 0 a 2, com uma contagem
mais baixa que indica uma habilidade física mais pobre. A
pontuação total é a soma da pontuação do equilíbrio do corpo
e a da marcha. Sua pontuação máxima é de 12 pontos para
a marcha, de 16 para o equilíbrio do corpo e de 28 para a
total, tendo como indicadores do risco de queda as seguintes
pontuações: ≤ 18 alto, 19-23 moderado e ≤ 24 baixo.
Intervenção
Para desenvolvimento deste estudo, adotou-se como forma
de trabalho a cultura de empoderamento na saúde, proposta
pela Organização Panamericana de Saúde [21], ou seja, ajudar
os idosos a gerenciarem sua própria saúde por meio da prática
de exercício físico e orientá-los sobre hábitos de saúde.
Foram realizadas 29 sessões de exercício aeróbio (cami-
nhada), durante um período de três meses, duas vezes por
semana, em dias alternados, com duração de 65 minutos,
divididos em três partes:
a) 5 a 10 minutos – exercícios de alongamento e fl exibi-
lidade (aquecimento articular e fi siológico);
b) 30 a 50 minutos – exercício aeróbio;
c) 5 minutos – exercícios respiratórios e de relaxamento
muscular visando retorno da FC aos níveis de repouso.
Com relação à execução dos exercícios aeróbios, tomou-se
como referência trabalhar com intensidade de leve a moderada
em torno de 55% a 85% da Frequência Cardíaca Máxima
(FCmáx) conforme indicado por Nobrega et al. [15]. Para
cálculo da FCmáx adotou-se a fórmula, (FCmáx) = 220 – idade,
preconizada por Karvonen et al. apud Powers e Howley [22],
sendo medida de forma indireta (medida radial), ou seja,
pressionar levemente o indicador e o dedo médio contra a
artéria radial no sulco na parte lateral do punho.
Com relação aos procedimentos éticos de pesquisa, seguiu-
se a resolução específi ca do Conselho Nacional de Saúde [23].
No que se referiu ao termo de consentimento livre e escla-
recido, os dois sujeitos assinaram confi rmando que estavam
cientes dos propósitos da investigação e dos procedimentos
que seriam utilizados e autorizaram a publicação dos dados
obtidos.
Resultados
Após a aplicação das sessões, percebeu-se que houve 100%
de participação do sujeito A e 75,86% de participação do
sujeito B.
Como pode ser observado, na Tabela II e III, respectiva-
mente, encontram-se o resultado do teste de Tinetti (pré e
pós-teste) dos dois sujeitos e logo após cada tabela, apresenta-
se a avaliação qualitativa.
Tabela II - Resultado do teste de Tinetti.
Sujeito A Pré-teste Pós-teste
Equilíbrio 15 16
Marcha 9 9
Total 24 25
Avaliação qualitativa
Relatou que houve melhora na qualidade do sono, não
havia sofrido queda durante o desenvolvimento deste estu-
do, diminuição das dores musculares, sentia que as pernas
estavam mais fi rmes, o corpo mais fl exível, com boa postura
e disposto para as atividades diárias e viagens, começou a
fazer tratamento para o problema de visão e conversou com
seu médico sobre sua medicação, e este por sua vez, decidiu
reduzir um medicamento (anticonvulsivante) de três para
um comprimido/dia.
Tabela III - Resultado do teste de Tinetti.
Sujeito B Pré-teste Pós-teste
Equilíbrio 16 16
Marcha 9 9
Total 25 25
Avaliação qualitativa
Relatou que houve melhora na qualidade do sono, que não
havia sofrido queda durante o desenvolvimento deste estudo,
diminuição das dores musculares e sentia-se mais disposta e
fl exível durante as atividades diárias e viagens.
Discussão
De acordo com os resultados obtidos, notou-se que a
prática do exercício aeróbico ajudou a melhorar o equilíbrio
do sujeito A e a manter a pontuação do sujeito B. Estes
valores demonstraram que, apesar dos sujeitos apresentarem
um baixo risco de queda no pré-teste, esta classifi cação tam-
bém se manteve no pós-teste, mostrando que os exercícios
contribuíram para que esta classifi cação fosse preservada e,
consequentemente, ajudasse a prevenir e/ou minimizar di-
versos problemas musculoesqueléticos que pudessem surgir
durante o período de trabalho. Sendo assim, pode-se dizer que
estas informações vão ao encontro dos posicionamentos de
Oliveira [24], quando fala que os exercícios aeróbicos trazem
diversos benefícios ao organismo, porque são os que mais de-
senvolvem a aptidão musculoesquelética e cardiorrespiratória
e de Mazo [3], quando aponta que os benefícios provocados
pela caminhada parece ser valiosa para os idosos, pois a força
dos membros inferiores auxilia a minimizar os efeitos da
imobilidade e, consequentemente, a manter a independência.
Diversos estudos têm apontado o EF como um dos
principais fatores para a aquisição e manutenção da saúde,
prevenção de doenças, sendo utilizado como um procedi-
27Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
mento na reabilitação e melhoria da performance de atletas
e praticantes de atividades físicas [25].
Rebelatto et al. [26] quando verifi caram a infl uência de
um programa de atividade física de longa duração sobre a
força de preensão manual e a fl exibilidade de mulheres ido-
sas, identifi caram manutenção da força de preensão manual
e reprogramação dos exercícios para desenvolvimento da
fl exibilidade.
Alfi eri et al. [1], quando avaliaram a mobilidade funcional
e o equilíbrio de 75 idosos (25 praticantes voleibol adaptado
- G1, 25 ginástica - G2 e 25 indivíduos sedentários – G3),
identifi caram que o G1 e o G2 obtiveram melhores resultados
em todos os itens avaliados quando comparados ao Grupo
3, concluindo que a prática regular de exercícios físicos pode
interferir positivamente no equilíbrio e mobilidade funcional
de idosos.
Candeloro e Caromano [27] quando estudaram o efeito
de um programa de hidroterapia na fl exibilidade e na força
muscular de idosas, notaram que o programa foi efi ciente para
melhorar a fl exibilidade e, parcialmente, para a força muscular.
Silva et al.[28] quando avaliaram o equilíbrio, a coorde-
nação e agilidade de idosos submetidos à prática de exercícios
físicos resistidos, constataram melhor desempenho para o
grupo experimental em relação ao controle. Já Resende et al.
[29] quando estudaram sobre o efeito de um programa de
hidroterapia no equilíbrio e no risco de quedas em idosas,
conseguiram promover aumento signifi cativo do equilíbrio
e redução do risco de quedas.
De acordo com o que está preconizado na literatura,
consegue-se perceber que a prática de EF temuma relação
direta com a saúde, qualidade de vida e bem estar dos idosos,
contribuindo para a independência e a capacidade funcional,
fato este também encontrado neste estudo por meio dos
relatos na avaliação qualitativa o que para Guiselini, Nahas
et al. e Araújo [30-32] pode ser considerado como um fator
estimulador, que atua positivamente na mudança de compor-
tamento das pessoas, proporcionando mais autonomia para
a vida e maior disposição.
Conclusão
Pode-se concluir que a prática do exercício aeróbico con-
tribuiu para que os idosos mantivessem suas classifi cações
no teste realizado, auxiliando na redução do risco de quedas
e, consequentemente, ajudando a prevenir problemas mus-
culoesqueléticos que pudessem surgir durante este período.
Outro ponto de destaque percebido foi que as orientações
sobre hábitos de saúde contribuíram para que os sujeitos
gerenciassem melhorar suas condições de saúde, autonomia,
capacidade funcional e independência.
Cabe ressaltar que se faz necessário desenvolver estudos de
intervenção com um número maior de idosos, por um longo
período de tempo, e que estes possam ser realizados utilizando
instrumentos validados cientifi camente, simples, rápidos, de
fácil entendimento e execução, para que se possa ajudá-los a
gerenciar melhor sua saúde.
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29Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Artigo original
Correlação entre repetições no pulley frontal
e flexões na barra fixa
Correlation between repetitions in the frontal pulley
and fixed bar pull down
Jaime Flôres de Araujo Bastos*, Antonio Coppi Navarro**, Francisco Navarro***
*Programa de Pós-Graduação Lato-Sensu da Faculdade de Educação Física da ACM de Sorocaba em Fisiologia do Exercício: Pres-
crição do Exercício, Ofi cial do Exército Brasileiro,**Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício, Programa
de Pós-Graduação Lato-Sensu da Faculdade de Educação Física da ACM de Sorocaba em Fisiologia do Exercício: Prescrição do
Exercício, Programa de Pós-Graduação Stricto-Sensu da UMC em Engenharia Biomédica, ***Universidade Federal do Maranhão,
Departamento de Educação Física
Resumo
Introdução: A fl exão na barra fi xa tem como fi nalidade avaliar
as qualidades físicas de força e de resistênciamuscular localizada
de membros superiores. Esse exercício é específi co para as ações de
combate do militar. Por esse motivo, a fl exão na barra fi xa faz parte
do Teste de Avaliação Física, executado obrigatoriamente por todos
os militares, três vezes ao ano. A fl exão na barra fi xa tem sido uma
das causas dos resultados de insufi ciência no Teste de Avaliação
Física. Visando buscar um exercício de musculação que irá auxiliar
no treinamento para a execução da fl exão na barra fi xa, quiçá para o
Teste de Avaliação Física, o objetivo deste estudo foi correlacionar o
resultado do teste de repetição máxima no pulley frontal e o desem-
penho na fl exão na barra fi xa. Material e métodos: Participaram do
estudo 32 soldados, voluntários, do Exército Brasileiro, com idade
entre 19 e 20 anos e massa corporal de 71,3 ± 8 kg. No primeiro
dia foram mensuradas a massa corporal e a idade, além do teste
de repetição máxima no pulley frontal, com a carga fi xa de 45 kg.
Após 72 horas foi realizado o teste de repetição máxima na barra
fi xa. Resultados e discussão: No pulley frontal a média de repetições
máximas foi de 12,21 ± 6,14, enquanto na barra fi xa foi de 6,15 ±
3,87. A correlação de Pearson foi 0,88 (P < 0,01). Nesse sentido os
achados deste estudo confi rmam a relação de semelhança entre os
exercícios pulley frontal com os exercícios de barra fi xa, na propor-
ção equivalente de dois para um. Conclusão: Conclui-se que existe
a relação de duas repetições no pulley frontal, com 45 kg, para cada
repetição na barra fi xa.
Palavras-chave: teste de avaliação física, treinamento
neuromuscular, pulley, barra fixa, performance.
Abstract
Introduction: Th e fl exion in fi xed bar is used to assess the strength
and muscular endurance of upper limbs. Th is exercise is specifi c to
the actions of the military fi ght. Th erefore the fl exion in fi xed bar is
included in the Physical Assessment Test of the Army. Th e fl exion
at fi xed bar has been one of the causes of failure in physical fi tness
evaluation. Aiming to determine the training workload to prepare
the soldiers to the fl exion at fi xed bar test, the purpose of this study
was to correlate the outcome of the repetition maximum in the front
pulley and the performance in the fl exion fi xed bar. Material and
methods: Participants of the study were 32 soldiers from the Brazilian
Army, 19 and 20 years old, with body mass of 71.3 ± 8 kg. In the
fi rst day the body mass was measured, as well the repetition maxi-
mum in front pulley with the fi xed load of 45 kg. After 72 hours
the repetition maximum in the fi xed bar was determined. Results
and discussion: In the front pulley the mean of maximum repetition
was 12.21 ± 6.14, while the mean maximum repetition in the fi xed
bar test was 6.15 ± 3.87. Th e Pearson correlation coeffi cient was
0.88 (P < 0.01). In this sense the fi ndings of this study confi rm the
relationship between the front pulley exercises with the fi xed bar
repetitions. Conclusion: Th ere is a signifi cant relationship between
two repetitions in the front pulley with 45 kg and the repetition
maximum in the fi xed bar test.
Key-words: physical assessment test, neuromuscular training, front
pulley, fixed bar, performance.
Endereço para correspondência: Antonio Coppi Navarro, Rua Piracicaba, 65/04, 07040-310 Guarulhos SP, Tel: (11) 2229-5701,
E-mail: ac-navarro@uol.com.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201030
Introdução
O Exército Brasileiro, juntamente com a Marinha e a
Aeronáutica, constituem as Forças Armadas do Brasil. Estas
instituições são permanentes e regulares e destinam-se à
defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e,
por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem [1]. A
importância da aptidão física para o sucesso nas operações
militares foi confi rmada nos relatórios sobre a campanha
do Exército Britânico nas ilhas Falkland e sobre as ações do
Exército Americano em Granada [2]. Devido a isso, o Exército
Brasileiro adota o Treinamento Físico Militar (TFM) como
instrução obrigatória para todos os militares [3].
Os militares, para desempenharem bem suas funções, estão
em constantes treinamentos físicos e para que se possa con-
trolar e avaliar o desempenho físico individual dos militares
é realizado por todos, isto é, obrigatório, três vezes ao ano se
submeter ao Teste de Avaliação Física (TAF) [3]. Dentre os
exercícios que constituem esta avaliação encontramos a Flexão
na Barra Fixa (FBF) [4].
A FBF tem como objetivo avaliar as qualidades físicas de
força e de Resistência Muscular Localizada (RML) de mem-
bros superiores. Ela tem sido uma das causas dos resultados
de insufi ciência no Teste de Avaliação Física entre os militares
das forças regulares [5]. Em busca da necessidade em superar
os resultados insufi cientes nos Testes de Avaliação Física pelos
militares e visando buscar um exercício de musculação que
fundamente uma prescrição de um treinamento físico de força
e de resistência muscular localizada, em termos de membros
superiores, o objetivo deste estudo é relacionar o resultado do
Teste de Repetição Máxima (TRM) no Pulley Frente (PF) e
a performance na FBF [6].
Material e métodos
Amostra
A amostra foi constituída por 32 soldados voluntários, que
assinaram termo de consentimento, integrantes do 2º Grupo
de Artilharia de Campanha Leve (2º GAC L), incorporados
no mês de março, isto é, com dois meses e meio de quartel,
com idade entre 19 e 20 anos, massa corporal de 71 ± 8
kg. Todos os participantes eram fi sicamente ativos [13], do
sexo masculino e não apresentaram nenhuma patologia que
pudesse contra indicá-los para a execução de exercício intenso
de força de membros superiores.
Procedimentos
No primeiro dia foram mensuradas a massa corporal e a
idade, além do Teste de Repetição Máxima no Pulley Frente.
No segundo dia, 72 horas após o teste anterior, foi realizado
o Teste de Repetição Máxima na Barra Fixa. Todos os testes
foram realizados das quinze e trinta às dezessete horas. Foi
demonstrado o protocolo para os dois testes, antes da reali-
zação dos mesmos, a fi m de padronizar os procedimentos de
execução. A massa corporal foi mensurada utilizando-se uma
balança digital da marca Filizola, modelo Personal, ano 2001,
com precisão de 100 gramas.
O suor nas mãos, variável interveniente para o teste de
fl exão na barra fi xa, foi controlado pela aplicação de “breu
vegetal” nas mãos de todos os indivíduos da amostra. Outra
interveniente controlada foi a motivação para a realização do
teste, visto que este foi realizado durante a execução do TAF.
O teste de repetição máxima no pulley frente
O aparelho PF foi escolhido para o trabalho de correlação
com a FBF, devido às suas semelhanças [14] quanto às arti-
culações envolvidas, os movimentos articulares e os músculos
envolvidos, tudo isso citado anteriormente. Além disso, esse
exercício de musculação serve como TAF alternativo, para
militares que, por algum motivo de saúde, são impossibilita-
dos de executar a FBF [15].
A aptidão física em relação ao componente força vem
sendo mensurada através de testes de força e resistência de
força, em que fi guram o de uma repetição máxima (1RM) e
o de repetições máximas (RM) [16].
O teste de repetição máxima foi escolhido para avaliar a
força máxima dos indivíduos, pois a realização de um teste
de 1RM pode causar lesões, principalmente em indivíduos
inexperientes [17]. Com isso, é aconselhável a execução de
testes de resistência muscular, que são os que realizam o má-
ximo de repetições com cargas submáximas.
Os testes submáximos encontrados na literatura são os
de número máximo de repetições. Para a execução desses
testes, a carga pode ser escolhida pelos seguintes critérios:
carga fi xa arbitrariamentedeterminada, carga baseada em
um percentual da massa corporal ou em um percentual de
1 RM [17]. Para a realização deste trabalho, foi escolhida a
carga fi xa arbitrariamente determinada. Com isso, utilizou-
se a carga de 45 kg para todos. O teste propriamente dito
foi executado seguindo o seguinte protocolo de Moura et al.
[16]. Posição inicial: a) Indivíduo sentado com tronco ereto
e os joelhos fl exionados em aproximadamente 90º, estando as
coxas fi xadas no anteparo padrão do aparelho situado à frente
do corpo; b) Mãos segurando a barra do aparelho, estando os
cotovelos totalmente estendidos e os braços elevados acima
do corpo, estando o tronco em atitude ereta.
Ponto de resistência da quilagem – A resistência é oferecida
pela barra padrão contra o movimento de puxada (adução de
ombro e fl exão de cotovelo).
Execução – O indivíduo executa a puxada da barra para
baixo e a frente do corpo até que ultrapasse a mandíbula,
conforme modelagem na fi gura 1.
31Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Figura 1 - Modelagem do exercício pulley frente. Tabela I - Pulley frente e barra fi xa individualmente.
Amostra
(n) (1 a 16)
Pulley Barra Amostra (n)
(17 a 32)
Pulley Barra
1 25 12 17 10 6
2 22 15 18 10 6
3 22 14 19 9 6
4 21 10 20 9 3
5 21 11 21 9 5
6 20 8 22 8 4
7 19 8 23 8 3
8 19 8 24 8 6
9 18 13 25 7 3
10 18 8 26 6 4
11 15 6 27 6 1
12 14 5 28 6 1
13 12 4 29 5 3
14 12 9 30 4 1
15 11 6 31 4 0
16 11 5 32 2 3
Amostra (n = 32) Pulley Barra
Média 12,21 6,15
Desvio Padrão 6,40 3,87
Teste t 0,01 0,01
Correlação de
Pearson
0,88
ANOVA (Turkey) 0,0001
Discussão
O exercício físico é uma atividade de baixo custo que
pode promover saúde [7], os exercícios neuromusculares
realizados regularmente são importantes para a manutenção
e melhoria das condições morfofi siológicas e de saúde, nesse
sentido os militares realizam frequentemente exercícios físicos
prescritos [8].
Atividades neuromusculares têm como objetivo atingir
as seguintes fi nalidades: profi lática, terapêutica, psicológica,
estética e de treinamento os militares realizam atividades
neuromusculares principalmente em termos de treina-
mento físico, profi lática e psicológica, e quando necessária
terapêutica [9].
Para o Exército Brasileiro, os exercícios neuromusculares
têm como objetivo principal, atingir a fi nalidade de treina-
mento, e a FBF muito utilizada nos treinamentos e testes
físicos dos militares, quando realizada na posição pronada é
similar às ações de combate do militar. Em diversos cursos
operacionais do Exército, durante uma missão real ou até
mesmo nas atividades corriqueiras dos quartéis, como, por
exemplo: o embarque em viaturas altas, subida em árvore
ou a transposição de um muro, os militares utilizam o
tipo de pegada pronação para suspender o peso do próprio
corpo [10].
O exercício da FBF engloba três articulações: a articulação
do ombro, a escápulo - torácica e a do cotovelo [11].
O teste de fl exão na barra fi xa
O teste de fl exão na barra fi xa foi realizado de acordo com
o protocolo a seguir descrito e exemplifi cado na modelagem
da Figura 2: Ao comando de ligar, o militar empunhou a
barra com os braços estendidos e os punhos em pronação. Ao
comando de iniciar, executou sucessivas fl exões de braço na
barra fi xa até o limite de sua resistência. Só foram contadas
aquelas em que o indivíduo ultrapassava a barra com o queixo,
na fase concêntrica e estendia os braços completamente, na
fase excêntrica. Não foram permitidos movimentos abdomi-
nais (“galeios”) e pedaladas para impulsionar o tronco [4].
Figura 2 - Modelagem do exercício barra fi xa.
Tratamento estatístico
Os dados dos testes no pulley frente e na barra fi xa foram
coletados e apresentados em estatística descritiva: frequência
absoluta, frequência relativa, média, desvio padrão, e estatís-
tica analítica: correlação de Pearson, Test t para cada variável
(pulley e barra fi xa) independentemente e a Anova seguida
de verifi cação post-hoc de Tukey para as variáveis (pulley e
barra fi xa). O nível de signifi cância foi fi xado em p < 0,05 e
os cálculos feitos com o software Bioestat 4.0.
Resultados
A Tabela I apresenta os resultados para o pulley frontal e
barra fi xa, para cada um dos indivíduos participantes.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201032
Na execução da FBF observam-se os seguintes movimentos
articulares: adução de ombro, rotação inferior da escápula e
fl exão do cotovelo [11].
No movimento de adução do ombro, como Motor Pri-
mário (MP) destaca-se os seguintes músculos: latíssimo do
dorso, redondo maior e peitoral maior (parte abdominal). Já
na rotação inferior da escápula, têm-se como MP o peitoral
menor, rombóide maior e trapézio (parte ascendente). Na
fl exão de cotovelo observa-se a atuação do bíceps braquial,
do braquial e do braquiorradial [11].
A FBF é um exercício que exige uma certa força e é ex-
celente para o desenvolvimento das costas [12]. Ele trabalha
os seguintes músculos: latíssimo do dorso, redondo maior,
peitoral maior, rombóide, trapézio (parte ascendente), bíceps
braquial, braquial e o braquiorradial.
O exercício de puxada na frente com polia alta (pul-
ley frente), também é um excelente exercício físico para
desenvolver os músculos das costas. Ele trabalha as fi bras
superiores e centrais do latíssimo do dorso, a parte transversa
e ascendente do trapézio, o rombóide, o bíceps braquial,
o peitoral maior, o redondo maior, o peitoral menor e o
braquial [12].
O exercício pulley costas, muito semelhante ao pulley fren-
te, engloba as mesmas articulações, os mesmos movimentos
articulares e as mesmas ênfases musculares que o movimento
de FBF [11].
A diferença entre o exercício de FBF e do PF está no ponto
fi xo e no ponto móvel. Na FBF o ponto fi xo está inserido no
úmero e o móvel na coluna vertebral. No PF o fi xo está na
coluna vertebral e o móvel no úmero [11].
Analisando os resultados, deste estudo, e que estão
apresentados, na tabela I, individualmente, ou seja, por
todos os sujeitos da amostra, observa-se que não existe uma
regularidade, em termos de resultado individual, no que
se refere ao resultado do exercício pulley frente, quando
comparado ao exercício da barra fi xa. Devido a isso, não
podemos afi rmar que o indivíduo que faz mais repetições
no pulley frente, com o peso de 45 kg de carga fará mais
repetições na barra fi xa que um indivíduo que obteve um
resultado pior no pulley.
Observando-se a média do número de repetições no
pulley frente de todos os sujeitos da amostra (n = 32) é de
12,21 ± 6,40. Já a media do número de repetições na barra
fi xa é de 6,15 ± 3,87. Devido a isso, é possível inferir que,
em percentagem, o número de FBF é 50,8% do número de
repetições no pulley frente com 45 kg de carga. Pelo índice
de 0,88 obtido na correlação de Pearson podemos afi rmar
que existe uma relação de duas repetições no exercício pulley
frente para cada exercício de fl exão na barra fi xa.
Para a signifi cância dos resultados da amostra (n = 32)
em relação aos exercícios físicos pulley frente e fl exão na
barra fi xa, foi usado em cada um independentemente o
test t (p < 0,01) e para a análise de variância o test Turkey
(p < 0,0001).
Conforme sugerem os estudos citados, principalmente os
[5,10-12,15,18], e comparando com os dados obtidos nesta
investigação os exercícios físicos de pulley frente e fl exão na
barra fi xa possuem uma correlação de dois para um quando
levamos em consideração as características dos sujeitos dessa
amostra.
Conclusão
Analisando os pressupostos teóricos e os dados estatísticos
apresentados, concluímos que existe a correlação de duas
repetições no pulley frente, com 45 kg, para cada repetiçãona barra fi xa.
Sendo assim, já que existe uma relação de proporção entre
os dois exercícios, sugere-se aos militares inserir o exercício
pulley frente no teste de avaliação física.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201034
Artigo original
Avaliação antropométrica em idosos
praticantes de hidroginástica
Anthropometric characteristics of elderly
in a hydrogymnastic exercise program
Danielle Salles Tortola*, Mariane Takesian*, Karla Dias Tomazella*, Marina Yazigi Solis*, Jaqueline Kremer Pereira*, Marina
Gomes da Costa Fuchs*, Monica Milani*, Priscila Anacleto de Oliveira*, Clara Korukian Freiberg**
*Discentes do Curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo – CUSC, São Paulo, **Docente do Curso de Nutrição do
Centro Universitário São Camilo – CUSC, São Paulo
Resumo
Introdução: Visando avaliar a infl uência da hidroginástica
no estado nutricional de idosos praticantes desta atividade,
83 mulheres e 17 homens foram submetidos à avaliação
antropométrica. Material e métodos: Trata-se de um estudo
transversal descritivo, com coleta de dados primários, realiza-
do em quatro academias da zona sul da cidade de São Paulo.
Os indivíduos foram submetidos a medidas de peso, altura,
dobra cutânea tricipital e circunferências de braço, cintura e
quadril. Foram também coletados dados pessoais e presença
de doenças relacionadas ao estado nutricional. Resultados: Foi
possível observar que, no geral, estes idosos estão em condição
de eutrofi a, sendo 48,2% para as mulheres e 52,9% para os
homens, além do que este tipo de atividade física resulta em
preservação da massa muscular, pois 73% da prega cutânea
tricipital e 83% da circunferência muscular do braço dos
participantes se encontram em eutrofi a. Os resultados obtidos
pela antropometria mostram que a prática de hidroginástica
por idosos resulta em melhora do estado nutricional, dimi-
nuição no risco de desenvolvimento de doenças metabólicas
e cardiovasculares. Conclusão: Foi verifi cado que a prática da
hidroginástica por idosos melhora a qualidade de vida desta
população, infl uenciando positivamente no estado nutricio-
nal, sendo também importante na integração social, tendo
por consequência, a longevidade.
Palavras-chave: idoso, atividade física, estado nutricional,
antropometria.
Abstract
Introduction: Aiming at evaluating the infl uence of hydrogym-
nastics in nutritional status of elderly practicing this activity, 83
women and 17 men were submitted to anthropometric evaluation.
Methodology: It is a descriptive transversal study, with primary data
collection, carried out in four academies at the south of São Paulo
city. Anthropometric measurements included weight, height, tricipi-
tal skinfold and circumferences of arm, waist and hip were obtained.
Also, personal information and diseases related to nutritional status
were collected. Results: It was possible to observe that, in general, the
nutritional status of the elderly was classifi ed as eutrophic, 48,2% for
women and 52.9% for men. Th is physical activity preserves muscle
mass in both gender, and 73% of the triceps skinfold thickness and
83% of arm muscle circumference of the participants are eutrophic.
Th e anthropometric measurements results showed that the practice
of hydrogymnastics by the elderly improved nutritional status and
decreased risk of developing metabolic and cardiovascular diseases.
Conclusion: It was concluded that the practice of hydrogymnastics
for elderly people improves their quality of life, infl uencing posi-
tively in the nutritional status, being also important in the social
integration and longevity.
Key-words: aged, motor activity, nutricional status, anthropometry.
Endereço para correspondência: Karla Dias Tomazella, Rua Aparecida Ivone Munhoz, 35, 06142-050 Osasco SP, Tel: (11) 3691-
8004/7456-1916, E-mail: karla.tomazella@terra.com.br
35Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
Nos últimos anos, devido a um aumento na expectativa
de vida, o número de pessoas pertencentes à terceira idade
tem aumentado [1]. Do ponto de vista demográfi co, o en-
velhecimento é caracterizado pelo aumento da proporção da
população acima de 60 anos em relação à população total, com
aumento da expectativa de vida e queda da mortalidade [2].
Com esse envelhecimento da população haverá um aumento
das demandas sanitárias, sociais e econômicas, representan-
do ao mesmo tempo um dos maiores triunfos e desafi os da
humanidade [3].
O crescimento da população idosa é um fenômeno co-
mum nos países centrais, mas também está presente de modo
crescente nos países do terceiro mundo [4,5]. Atualmente, no
Brasil, os idosos representam cerca de 10% da população, o
que signifi ca 15,5 milhões de brasileiros com mais de 60 anos
[6], porém esse aumento da população idosa vem ocorrendo
de forma muito rápida,sem a correspondente modifi cação
nas condições de vida [7].
Com frequência, os idosos são portadores de doenças
crônicas e destinam, muitas vezes, parte importante de seu or-
çamento à compra de medicamentos, podendo comprometer
a aquisição de determinados alimentos, agravando o estado
nutricional, acarretando maiores complicações de doenças
agudas ou crônicas e maior proporção de internações, sendo
estas ainda mais prolongadas [8].
O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo,
no qual há modifi cações morfológicas, fi siológicas, bioquí-
micas e psicológicas, o que ocasiona maior vulnerabilidade e
maior incidência de processos patológicos; as alterações que
ocorrem variam de um indivíduo para outro e são infl uencia-
das tanto pelo estilo de vida quanto por fatores genéticos [9].
É nessa época que ocorrem alterações signifi cativas da
composição corpórea; há uma diminuição do tecido metabo-
licamente ativo por redução de massa magra, um aumento de
gordura, diminuição de altura e ganho de peso [10].
As sensações de paladar, odor, visão, audição e tato dimi-
nuem em proporções individualizadas. Também ocorre uma
série de mudanças que afetam o apetite e a habilidade para di-
gerir e absorver alimentos e seus respectivos nutrientes, o que
pode levar o idoso à alteração de seu estado nutricional [11].
Há também que se considerar a diminuição do envolvi-
mento em atividades físicas vigorosas e moderadas e da vida
diária, o que leva ao decréscimo da capacidade física. Tal
fato pode ser associado com o aumento do risco de doenças
crônicas não transmissíveis [12].
A obesidade neste grupo etário pode contribuir no
desenvolvimento de disfunções e outras doenças, devendo
ser considerada como forte infl uência para a morbidade e
para a diminuição da independência [13]. Devemos estar
cientes de que uma velhice tranquila é somatório de tudo o
que benefi cie o organismo, por exemplo, exercícios físicos,
alimentação saudável, espaço para o lazer, bom relaciona-
mento familiar, ou seja, é preciso investir em uma melhor
qualidade de vida.
O conceito de qualidade de vida está relacionado à auto-
estima e ao bem-estar pessoal [14,15]. A velhice para alguns
é uma etapa de desenvolvimento, enquanto que para outros
é uma fase negativa da vida [16].
Em virtude desses aspectos, acredita-se que a participação
do idoso em programas de exercício físico regular poderá in-
fl uenciar no processo de envelhecimento, com impacto sobre a
qualidade de vida, melhoria das funções orgânicas e um efeito
benéfi co no controle de doenças, além disso, a prática de exer-
cício físico combate o sedentarismo (que tende a acompanhar
o envelhecimento), e contribui de maneira signifi cativa para
a manutenção da aptidão física do idoso, seja na sua vertente
da saúde como nas capacidades funcionais [14,17].
Os objetivos de um programa de atividade física para essa
população devem conter exercícios diretamente relacionados
com as modifi cações que são decorrentes do processo de
envelhecimento, tais como: promover atividades recreativas
e de sociabilização; atividades moderadas e progressivas;
atividades de resistência; exercícios de alongamento; exer-
cícios de relaxamento. Dentre as atividades físicas com
essas características, as aquáticas provaram ser efi cazes no
desenvolvimento e manutenção das potencialidades físicas
e também orgânicas [14].
A hidroginástica é um destaque que vem cada vez mais
ganhando adeptos por todo o mundo. Como o nome diz,
hidroginástica é a ginástica na água, a qual se diferencia das
outras atividades realçando alguns benefícios, devido a pro-
priedades físicas que o meio oferece, que irão auxiliar ainda
mais os idosos na movimentação das articulações, fl exibili-
dade, diminuição da tensão articular, força, na resistência,
nos sistemas cardiovascular e respiratório, relaxamento, entre
outros [14,18,19].
O processo de envelhecimento acarreta alterações cor-
porais. O peso e a estatura tendem a diminuir. Há também
diminuição da massa magra e modifi cação no padrão de
gordura corporal, onde o tecido gorduroso dos braços e
pernas diminui, mas aumenta no tronco. Em consequência
disso, as variáveis antropométricas sofrem modifi cações,
como a prega cutânea tricipital (PCT) e a circunferência de
braço (CB) que diminuem e a circunferência abdominal que
aumenta. É importante avaliar em um plano nutricional essas
variações, pra isso utiliza-e a antropometria. Esta é a medida
das variações das dimensões físicas e da composição total do
corpo humano nas diferentes idades e em diferentes níveis
de desnutrição; fornece informações das medidas físicas e da
composição corporal e é um método não invasivo, de fácil e
rápida execução. No caso dos idosos, as medidas antropomé-
tricas mais utilizadas são peso, estatura, perímetros e dobras
cutâneas [20,21].
O objetivo do estudo foi avaliar a infl uência da hidro-
ginástica no estado nutricional de idosos praticantes desta
atividade.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201036
Material e métodos
O trabalho foi realizado em quatro academias na cidade
de São Paulo, sendo todas localizadas na Zona Sul da cidade.
Foram avaliados 100 indivíduos, sendo 83 mulheres e 17
homens, de ambos os sexos, com idade maior ou igual a 60
anos, durante as aulas habituais de hidroginástica.
Os participantes foram previamente avisados pelos professo-
res das aulas de hidroginástica sobre a pesquisa de coleta antes
de iniciarem a aula. Foram devidamente informados sobre os
objetivos da pesquisa, assinando um Termo de Responsabilida-
de após tomarem conhecimento do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido. Posteriormente foram levantados e anotados
os dados pessoais dos participantes e as doenças referidas relacio-
nadas ao estado nutricional. Estes foram pesados usando maiô
ou sunga em uma balança eletrônica, da marca Filizola com
capacidade máxima para 200 kg; posteriormente foi verifi cada
a sua altura, estando os alunos, sempre que possível, em posição
Frankfurt (braços paralelos ao corpo, pés e costas encostadas
na parede, pernas juntas e olhar fi xo em um ponto à frente)
conforme recomenda o Ministério da Saúde, utilizando-se de
duas fi tas métricas do tipo Fiber Glass inelásticas, presas em
uma parede reta e sem rodapé, com o auxilio de um esquadro
Poli Bras para apoiar o topo da cabeça.
Foram medidas circunferência de braço (região média
entre a medida do acrômio e olecrano) com este relaxado
e na posição lateral; circunferência de cintura (região mais
estreita do abdome), sendo que o participante estava com o
abdome relaxado, circunferência de quadril (região onde há
maior proeminência glútea), sendo todas as medidas feitas
com o uso de fi ta métrica do tipo Fiber Glass e dobra cutânea
tricipital com o uso do adipômetro Cescorf (face posterior do
braço, da distância média entre acrômio e olecrano), estando
o participante com o braço relaxado.
Todas as medidas foram anotadas imediatamente pós-
medida em planilha própria.
As variáveis do estudo e respectivos padrões de referência
utilizados foram:
• Índice de Massa Corporal (IMC)
• Circunferência do Braço (CB), Dobra Cutânea Triciptal
(PCT), Circunferência Muscular do Braço (CMB)
• Percentil de PCT, e classifi cação do percentil de CMB [22].
• Circunferência da Cintura (CC) e sua classifi cação [23].
• Relação Cintura/Quadril (C/Q) e sua classifi cação [24].
Resultados e discussão
A classifi cação do estado nutricional revelou que a maioria
dos idosos praticantes de hidroginástica, tanto mulheres quan-
to homens estão na condição de eutrofi a (Tabela I). O IMC
(Índice de Massa Corpórea) está correlacionado intimamente
com medidas diretas da gordura corporal, sendo um forte
preditor de problemas de saúde associadosà obesidade; seu
aumento representa a obesidade global [13,25].
Um estudo feito com idosos longevos da cidade de Veranó-
polis/RS, porém não praticantes de atividades físicas, apontou
uma prevalência de obesidade de 45,6%, sendo que ocorreu
uma prevalência signifi cativamente maior de obesidade nas
mulheres do que nos homens [13].
Tabela I - Distribuição da população por % segundo gênero e a
classifi cação do estado nutricional por IMC.
Homens Mulheres Total
% % %
Baixo Peso 0 21,7 18
Eutrofia 52,9 48,2 49
Sobrepeso 17,7 15,7 16
Obesidade 29,4 14,5 17
Total 100 100 100
A PCT é uma medida utilizada para avaliação das áreas
de gordura e muscular do braço; a CMB é utilizada como
indicador de massa muscular [21].
Outro estudo mostra que idosos praticantes de atividade
física, incluindo hidroginástica, têm a massa muscular bra-
quial levemente acima do esperado para idade. Esses resultados
sugerem a preservação da massa muscular entre os indivíduos,
de ambos os sexos [26]. Os resultados deste estudo foram
semelhantes ao encontrado (Tabela II).
Tabela II - Distribuição da população em % segundo a classifi cação
do percentil de PCT e CMB [27].
PCT ( %) CMB ( %)
Desnutrido 7 4
Risco de desnutrição 16 5
Eutrofia 73 83
Obesidade 4 8
A medida da circunferência da cintura tem sido pro-
posta como um dos melhores preditores antropométricos
de gordura visceral, sendo um indicador da distribuição
abdominal da gordura e também da gordura corporal total
[28]; um estudo feito no Rio de Janeiro comprovou que
a circunferência da cintura em idosos sedentários possui
proporções de inadequação, tendo maior porcentagem em
mulheres [29]. Neste estudo foi observado que as medidas
de circunferência de cintura dos indivíduos idosos do sexo
feminino estão acima do aceitável como saudável (Tabela
III). Existem várias explicações para estes dados, a primeira
delas apóia a ideia de que uma medida isolada não pode
diagnosticar uma anormalidade, levando-se em conta que a
maioria dos indivíduos por outras medidas antropométricas
(IMC, PCT, CMB e CQ) se enquadraram como eutrófi cos
ou sem risco; a segunda explicação diz respeito ao signifi cado
da circunferência de cintura, esta medida é relacionada com
o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, este
risco pode estar aumentado mesmo em pessoas consideradas
eutrófi cas, no caso deste estudo, existe o agravante da idade
37Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
dos indivíduos participantes, os idosos representam um grupo
de risco para estas doenças [30].
Tabela III - Distribuição da população, em %, segundo gênero e
risco de obesidade associada a complicações metabólicas analisados
pela circunferência da cintura.
Homens Mulheres Total
% % %
Sem risco 41 36 37
Risco alto 24 25 25
Risco muito alto 35 39 38
A relação Cintura/Quadril (C/Q) é um indicador para do-
enças cardiovasculares [13]. Os resultados do presente estudo
apontam que os participantes não têm risco de apresentarem
doenças cardiovasculares segundo a relação C/Q (Tabela IV).
Tabela IV - Avaliação da população em % segundo gênero e risco
de doenças cardiovasculares avaliados pela relação cintura/ quadril.
Homens Mulheres Total
% % %
Sem risco 5,9 60,2 66
Risco alto 94,1 39,8 34
TOTAL 100 100 100
O envelhecimento traz consigo uma série de alterações,
incluindo doenças crônicas [11]. O presente estudo apontou
índices de doenças como: hipertensão, dislipidemia e diabetes
mellitus (Tabela V). Estudos [13] mostraram a ocorrência de
hipercolesterolemia hipertensão arterial e diabetes mellitus
entre os idosos participantes, sendo que a dislipidemia obteve
índices altos por conta da obesidade inerente aos participantes.
A hidroginástica como atividade física, auxilia no tratamento
da diabetes mellitus, pois diminui de 20% a 30% a solicitação
de insulina subcutânea, aumentando a sensibilidade à ação
da insulina e a captação de glicose pelas células musculares
[31]; ela também atua na dislipidemia, aumentando os níveis
de HDL e reduzindo os de LDL [32]. Quanto à hipertensão,
o exercício físico, condiciona vasos e o coração, reduzindo a
pressão arterial e frequência cardíaca [33]. Destacam-se, ainda,
os benefícios de ordem psicológica e social [9,19,26,30,34].
Tabela V - Distribuição da população em % segundo gêneros e
presença de doenças referidas associadas ao estado nutricional, São
Paulo, SP, 2006.
Masculino Feminino Total
% % %
Hipertensão 29 28 28
Dislipidemia 29 26 27
Diabetes Mellitus 6 5 5
Associação de doenças 12 8 9
Ausência de doenças 41 51 49
*As porcentagens não somam 100% devido à presença de mais de uma do-
ença em um único indivíduo, sendo assim, este é contado mais de uma vez.
Conclusão
De acordo com os dados obtidos neste estudo, verifi cou-
se que a prática de hidroginástica por pessoas na faixa etária
acima dos 60 anos resultou na qualidade de vida destes idosos.
Nota-se que 49% da população estudada apresenta eu-
trofi a, o que favorece ao não desenvolvimento de doenças
proeminentes da obesidade. As medidas de PCT e CMB, 73%
e 83%, respectivamente, para ambos os sexos, apresentaram
valores acima do esperado, visto que, com o envelhecimento
há uma inversão na composição corporal do idoso.
Os dados obtidos da relação cintura/quadril revelam que
a maioria dos participantes não apresenta risco para desen-
volvimento de doenças cardiovasculares.
Estudos demonstram que cerca de 25% da população
idosa mundial depende de alguém para realizar suas ativida-
des da vida diária. Entretanto, podem ser proteladas ou até
eliminadas com a prática de atividades físicas. De todos os
grupos etários, as pessoas idosas são as mais benefi ciadas pelos
exercícios. Os riscos de muitas doenças e problemas de saúde
comuns na velhice diminuem com a atividade física regular,
já que esta prática é um meio de promoção de saúde e de
qualidade de vida. A hidroginástica é bastante reconhecida
por seus benefícios e, por ser uma atividade de baixo impacto,
é bastante indicada para idosos. Esta modalidade atende a
grupos de pessoas que precisam praticar uma atividade física
segura sem causar riscos ou lesões às articulações. Quando
executada com efi ciência e segurança, de forma regular, ela
melhora componentes do condicionamento físico, além de
proporcionar bem estar mental.
Na velhice, há uma tendência para a modifi cação da
autoimagem, tornando-a menos positiva. A autoestima e
autoimagem têm sido desenvolvidas positivamente com a
intervenção de programas de exercícios físicos, tendo resul-
tados inéditos na qualidade de vida e no bem-estar mental. A
prática de atividades físicas pelos idosos possibilita benefícios
nas relações sociais com a família e amigos e na integração
social. Enfi m, os idosos se sentem mais úteis, independentes,
com mais esperança e vontade de viver, com maior vitalidade
e disposição, tornam-se mais saudáveis, sociáveis e felizes.
Agradecimentos
Agradecemos aos participantes pela colaboração, e às aca-
demias que cederam gentilmente o espaço para que pudesse
ser realizado o presente trabalho.
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39Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Artigo original
Comparação do VO2 acumulado durante o exercício
contínuo e intermitente na máxima fase estável de
lactato sanguíneo
Comparison of accumulated VO2 during continuous and intermittent
exercise at maximal lactate steady state
Luis Fabiano Barbosa, M.Sc.*, Camila Coelho Greco**, Benedito Sérgio Denadai***
*Laboratório de Avaliação da Performance Humana, UNESP – Rio Claro, **Professor Livre-Docente, Laboratório de Avaliação da
Performance Humana, UNESP, ***Professor Titular, Laboratório de Avaliação da Performance Humana, UNESP – Rio Claro
Resumo
O objetivo deste estudo foi comparar o VO2 acumulado durante
o exercício realizado na máxima fase estável de lactato sanguíneo
contínua (MLSSc) e intermitente (MLSSi). Sete ciclistas treinados
(idade = 25,5 ± 5,1 anos, VO2max = 57,7 ± 4,6 ml.kg
-1.min-1) foram
submetidos aos seguintes protocolos em um cicloergômetro: 1) Teste
incremental para a determinação do VO2max e sua respectiva carga
(Pmax); 2) 2 a 3 testes de carga constante para a determinação da
MLSSc e; 3) 2 a 3 testes intermitentes (7 x 4 min e 1 x 2 min, com
2 min de recuperação a 50%Pmax) para a determinação da MLSSi.
Foram determinados na MLSSc e MLSSi o tempo (TMcg), o VO2
(VO2ACcg) mantidos na carga e o consumo acumulado de oxigênio
(VO2AC) durante o exercício. O TMcg (27,1 ± 1,2 e 10,1 ± 3,4 min)
e o VO2ACcg (96,7 ± 1,1 e 35,1 ± 10,7 l) foram estatisticamente
maiores no exercício contínuo do que no intermitente, respecti-
vamente. O VO2AC (104,4 ± 9,4 e 102,2 ± 8,9 l) foi similar nas
condições contínua e intermitente. Pode-se concluir que a possível
superioridade do treinamento intervalado realizado nas condições
deste estudo, não parece ser determinada pela interação entre o
tempo de exercício e o VO2 acumulado (i.e., VO2AC) na MLSS.
Palavras-chave: treino aeróbio, ciclismo, capacidade aeróbia,
adaptação aeróbia.
Abstract
Th e objective of this study was to compare the accumulated
VO2 during the exercise performed at continuous (MLSSc) and
intermittent (MLSSi) maximal lactate steady state. Seven trained
cyclists (age = 25.5 ± 5.1 years, VO2max = 57.7 ± 4.6 ml.kg
-1.min-1)
were submitted to the following protocols in a cyclergometer: 1)
Incremental test for the determination of VO2max and its respective
workload (Pmax); 2) 2 to 3 constant workload tests for the determi-
nation of MLSSc and; 3) 2 to 3 intermittent tests (7 x 4 min and 1 x
2 min, with 2 min of recovery at 50%Pmax) for the determination
of MLSSi. Th e time (TMcg), the VO2 (VO2ACcg) maintained
at the workload and accumulated oxygenuptake (VO2AC) were
determined during the exercise at MLSSc and MLSSi. Th e TMcg
(27.1 ± 1.2 and 10.1 ± 3.4 min) and the VO2ACcg (96.7 ± 1.1 and
35.1 ± 10.7 l) were statistically higher during continuous than inter-
mittent exercise, respectively. Th e VO2AC (104.4 ± 9.4 and 102.2
± 8.9 l) was similar at continuous and intermittent conditions. It
can be concluded that the possible superiority of interval training,
at the conditions of this study, did not seem to be determined by
the interaction between the time of exercise and accumulated VO2
(i.e., VO2AC) at MLSS.
Key-words: aerobic training, cycling, aerobic capacity, aerobic
adaptation.
Endereço para correspondência: Benedito Sérgio Denadai, UNESP, Laboratório de Avaliação da Performance Humana, Instituto de
Biociências, Av. 24A, 1515, Bela Vista, 13506-900, Rio Claro SP, Tel: (19) 3526-4325, E-mail: bdenadai@rc.unesp.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201040
Introdução
A máxima fase estável de lactato sanguíneo (MLSS) é
defi nida como sendo a maior intensidade de exercício que
pode ser mantida ao longo do tempo sem aumento contínuo
da concentração de lactato sanguíneo ([La]) [1]. A MLSS tem
sido considerada um ótimo parâmetro para a prescrição do
treinamento aeróbio, particularmente em indivíduos treina-
dos, já que os valores obtidos por meio de sua determinação
expressam respostas agudas e crônicas individuais da [La] ao
exercício [1,2]. De fato, alguns estudos têm verifi cado que
o treinamento aeróbio contínuo realizado em intensidades
próximas à MLSS pode melhorar a performance aeróbia de
atletas de endurance [3,4].
Entretanto, uma parte signifi cativa do treinamento para
a capacidade aeróbia é realizada de forma intermitente [5-
7]. Uma das grandes vantagens deste tipo de treinamento é
a possibilidade de se realizar a mesma duração de exercício,
porém com uma intensidade maior do que o indivíduo con-
seguiria realizar de forma contínua. Isto ocorre em função
das mudanças metabólicas que ocorrem durante o período de
recuperação (ressíntese de creatina fosfato e/ou remoção do
lactato) [8,9], permitindo que condições metabólicas similares
sejam alcançadas em intensidades absolutas diferentes [10,11].
Assim, a utilização de intensidades correspondentes à MLSS
determinada de forma contínua, pode não ser adequada para
a prescrição do treino intermitente. Confi rmando esta pos-
sibilidade, Beneke et al. [7] verifi caram que as intensidades
correspondentes à MLSS determinadas durante o exercício
intervalado de recuperação passiva (intervalos de 30 s ou 90
s a cada cinco minutos de exercício), foram signifi cantemente
maiores (300 W, 79% Pmax e 310 W, 81% Pmax, respectiva-
mente) do que a determinada de modo contínuo (277 W, 74%
Pmax). A [La] na MLSS não foi diferente entre o exercício
contínuo e intermitente. Portanto, ao se realizar o exercício
de forma intermitente na mesma carga absoluta correspon-
dente à MLSS, a resposta metabólica tende a ser menor, o
que subestima o nível de esforço realizado pelo indivíduo [7].
É interessante destacar, que alguns estudos têm verifi cado
que o treinamento intervalado que é realizado com maior
intensidade, pode ser mais efi ciente do que o treinamento
contínuo para a promoção de adaptações aeróbias [12,13].
Os mecanismos que determinam este comportamento ainda
não são completamente conhecidos. Um dos fatores que pode
ser apontado, é que o exercício intervalado aumenta o estresse
sobre as estruturas e processos associados à utilização do O2
para a produção de energia. Com isso, pode-se hipotetizar que,
embora existam períodos de recuperação, o VO2 acumulado
na carga durante o exercício intervalado possa ser maior do
que durante o exercício contínuo. Desse modo, o objetivo
deste estudo foi analisar e comparar o VO2 acumulado du-
rante o exercício realizado na MLSS determinada de forma
contínua (MLSSc) e intermitente (MLSSi).
Material e métodos
Sujeitos
Sete ciclistas treinados (idade = 25,5 ± 5,1 anos, massa
corporal = 68,4 ± 9,4 kg, estatura = 172,8 ± 7,5 cm, VO2max
= 57,7 ± 4,6 ml.kg-1.min-1), com pelo menos 5 anos de ex-
periência na modalidade, foram voluntários e assinaram um
termo de consentimento para participar do presente estudo.
Os ciclistas treinavam 6-7 vezes por semana (volume = 403 ±
50 km) e estavam competindo em nível regional e nacional.
Os indivíduos foram orientados a não realizarem treinamento
intenso e não ingerirem bebidas contendo cafeína e álcool
nas 24 horas que antecederam as sessões experimentais. Este
estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade.
Delineamento experimental
Os atletas compareceram ao laboratório entre 5-7 ocasi-
ões dentro de um período de três semanas, e foram subme-
tidos aos seguintes protocolos, em dias diferentes, em um
cicloergômetro: 1) Teste incremental para a determinação
do limiar anaeróbio (LAn), VO2max e sua respectiva carga
(Pmax); 2) 2 a 3 testes de carga constante para a determi-
nação da MLSSc e; 3) 2 a 3 testes intermitentes de carga
submáxima com recuperação ativa para a determinação da
MLSSi. Cada protocolo intermitente consistiu de 7 repe-
tições de 4 min e 1 repetição de 2 min, intercaladas com 2
min de recuperação a 50%Pmax. O intervalo entre os testes
foi de aproximadamente 48 h. Os indivíduos foram instru-
ídos a chegar ao laboratório descansados e hidratados, com
pelo menos 3 h após a última refeição. Cada indivíduo foi
avaliado no mesmo horário do dia (± 2 h) para minimizar
os efeitos da variação diurna biológica.
Protocolo incremental
Os indivíduos realizaram um teste incremental em um
cicloergômetro eletromagnético (Excalibur Sport, Lode
BV, Croningen, Holand) em cadências de pedalada entre
70-90 rpm. Este ergômetro é construído especialmente
para ajustar automaticamente a resistência e manter a
potência constante, independente da cadência de pedalada
escolhida. A carga inicial foi de 100 W com incrementos de
25 W a cada 3 minutos até a exaustão voluntária. A Pmax
foi considerada como a carga do último estágio completo
ou pela relação incremento / tempo quando um estágio
completo não fosse realizado. Durante os testes, a troca de
gases pulmonares foi determinada respiração-a-respiração
(Quark PFTergo, Rome, Italy). O VO2max foi defi nido
como o mais alto valor de VO2 obtido em médias de in-
tervalos de 15 s durante o teste incremental. Amostras de
sangue foram coletadas nos últimos 20 s de cada estágio do
41Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
lóbulo da orelha e colocadas em tubos contendo 50 μl de
NaF (1%) para a determinação da [La] (YSL 2300 STAT,
Yellow Springs, Ohio, EUA). O LAn foi determinado por
interpolação linear usando uma concentração fi xa de 3,5
mM de lactato [14].
Determinação da máxima fase estável usando
protocolo contínuo
Foram realizados de dois a três testes de carga constante
com duração de 30 minutos em diferentes intensidades para
a determinação da potência (MLSSw), [La], VO2 e frequ-
ência cardíaca (FC) correspondentes à MLSSc. A primeira
carga foi equivalente a 105% LAn. No 10º e 30º minuto
dos testes foram coletadas amostras de sangue do lóbulo da
orelha para a determinação da [La]. A MLSS foi conside-
rada como sendo a mais alta carga na qual foi observado
um aumento menor ou igual a 1,0 mM entre o 10o e 30o
minuto de exercício [15].
Determinação da máxima fase estável usando
protocolo intermitente
Para a determinação da MLSSi foram realizados 2-3
testes de carga submáxima. O protocolo consistiu de
8 períodos de exercício intercalados com 2 minutos de
recuperação, sendo que 7 períodos de exercício tiveram 4
minutos de duração e o oitavo período com 2 minutos de
duração. Foi utilizada recuperação ativaem que os sujeitos
permaneciam se exercitando com intensidade equivalente a
50% Pmax obtida durante o teste incremental. A duração
total das repetições (30 min) em cargas próximas à MLSSi
está de acordo com o sugerido por Beneke [1], para o pro-
tocolo contínuo. A duração total do protocolo foi de 44
minutos (Figura 1). A relação esforço: pausa usada (2:1)
é comumente utilizada durante sessões de treinamento
intervalado próximas à MLSSw [6]. A carga do primeiro
teste correspondeu a 110% MLSSc. Se durante o primei-
ro teste de carga constante um equilíbrio ou redução no
lactato fosse observado, os testes subsequentes eram rea-
lizados com uma carga 5% maior, em dias diferentes até
que um estado estável da [La] não pudesse ser mantido.
Se o primeiro teste resultasse em um aumento na [La] e/
ou não pudesse ser sustentado durante todo o protocolo,
os testes subsequentes eram realizados com cargas 5%
menores. A MLSSi foi defi nida como a mais alta carga na
qual a [La] não aumentou mais do que 1 mM entre o 14o
e 44o minuto do protocolo (metade da 3a e no fi nal da 8a
repetição, respectivamente). É importante notar que, além
de considerar somente a duração de exercício próxima à
MLSSw, o critério utilizou os últimos 20 min de exercício
próximo à MLSSw, de acordo com Beneke [15].
Figura 1- Características do protocolo intervalado. 14 min e 44
min – coleta de sangue para a determinação do lactato sanguíneo.
Protocolo Intervalado
14 min 44 min
exercício recuperação
Cinética do VO2
Para cada exercício de carga constante, o VO2 foi deter-
minado respiração-respiração e os dados foram ajustados de
acordo com a equação:
VO2(t) = VO2b + A (1 – e
–(t/τ)) [1]
onde: VO2(t) representa o VO2 no tempo t, VO2b repre-
senta os valores pré-exercício, A é a amplitude da assíntota, e
o t representa a constante de tempo para a cinética do VO2
(defi nida como o tempo requerido para alcançar 63% da A).
No início do exercício contínuo e no início de cada re-
petição do exercício intermitente, o tempo para alcançar o
consumo de oxigênio ajustado (VO2ajus), ou seja o VO2 assin-
tótico, foi defi nido como 4,6 x τ. O tempo (TMcg) e o VO2
mantidos na carga (VO2ACcg) foram obtidos por subtração
do tempo para o ajuste do VO2 do tempo total do período de
exercício (30 minutos para o exercício contínuo e 4 minutos
para cada repetição do exercício intermitente) (Figura 2). O
consumo acumulado de oxigênio (VO2AC) foi calculado por
meio da integral da área utilizando o método trapezoidal. Para
o exercício realizado de forma contínua o mesmo representa
o período total de exercício (30 minutos). Para o exercício
intermitente representa o consumo acumulado durante os
períodos de exercício (30 minutos) excluindo os períodos
de recuperação. O consumo de oxigênio de carga (VO2carg)
foi obtido por meio de média aritmética do minuto fi nal de
exercício (29º. – 30º. min durante o exercício contínuo; 43º.
– 44º. min durante o exercício intermitente).
Análise estatística
Os valores estão expressos como média ± DP. Os valores
das variáveis correspondentes à MLSSi e a MLSSc foram
comparados usando o teste t-Student para dados pareados.
O nível de signifi cância foi mantido em p ≤ 0,05.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201042
Figura 2 - Representação esquemática do consumo de oxigênio
(VO2) durante o exercício contínuo (1) e intermitente (2). A – pe-
ríodo necessário para o VO2 atingir o valor correspondente à carga.
B - período onde se considerou que o VO2 foi equivalente à carga.
C – período de recuperação.
A Tabela II apresenta os valores médios ± DP do VO2ajus,
VO2carg, TMcg, VO2ACcg e VO2AC durante o exercício con-
tínuo e intermitente. O VO2ajus foi signifi cantemente maior
na condição intermitente (p < 0,05). O TMcg e o VO2ACcg
foram estatisticamente maiores para o exercício contínuo (p
< 0,05). O VO2carga e o VO2AC foram similares nas duas
condições (p > 0,05).
Tabela II - Valores médios ± DP do consumo de oxigênio ajustado
(VO2ajus), consumo de oxigênio na carga (VO2carga), tempo de
manutenção do consumo de oxigênio na carga (TMcg), consumo
de oxigênio acumulado na carga (VO2ACcg) e consumo de oxigênio
acumulado (VO2AC) durante os exercícios contínuo e intermitente.
N = 7.
Contínuo Intermitente
VO2ajus (l.min
-1) 3,3 ± 0,3 3,6 ± 0,2*
VO2carga (l.min
-1) 3,5 ± 0,3 3,6 ± 0,2
TMcg (min) 27,1 ± 1,2 10,1 ± 3,4*
VO2ACcg (l) 96,7 ± 1,1 35,1 ± 10,7*
VO2AC (l) 104,4 ± 9,4 102,2 ± 8,9
*p ≤ 0,05 em relação ao exercício contínuo.
Discussão
Com base nos resultados obtidos no presente estudo, veri-
fi ca-se que a principal hipótese do mesmo não foi confi rmada,
já que, ao se comparar as condições contínua e intermitente
realizadas com a mesma duração (30 min), o VO2AC na
MLSSi foi similar ao obtido na MLSSc. Isto ocorreu apesar da
MLSSi ter sido realizada em uma intensidade absoluta (10%)
e VO2ajus (8%) maiores, mas com um TMcg menor (62%).
Assim, quando se utiliza um mesmo índice fi siológico como
referência (i.e., MLSS), as vantagens do exercício intermitente
para proporcionar maiores adaptações aeróbias não parecem
ser explicadas pelo estímulo ao metabolismo, indicado pela
interação entre o tempo de exercício e a produção aeróbia de
energia (i.e., VO2AC).
A MLSS tem sido identifi cada como intensidade de treina-
mento capaz de aumentar o tempo de exaustão e a velocidade
nesta intensidade [3]. Deste modo, tem sido apontada como
fator importante para o programa de treinamento de atletas
moderada e altamente treinados, por proporcionar forte es-
tímulo para o aumento de aspectos submáximos e máximos
relacionados à capacidade aeróbia [4].
O treinamento intervalado tem sido apontado como ca-
paz de aumentar a performance aeróbia, particularmente em
indivíduos treinados [6], já que nestas condições é possível
acumular grandes estímulos de treinamento comparado com
o que poderia ser sustentado em uma simples sessão de exer-
cício contínuo [16]. Os maiores valores de MLSSi (~10%)
em relação à MLSSc observados neste estudo são similares ao
dados obtidos por Beneke et al. [7], e confi rmam a necessidade
da determinação direta da MLSSi, quando o objetivo for a
1
2
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0 500 1000 1500 2000
VO2 ajus
VO2 carga
VO
2
(m
l.m
in
-1
)
VO
2
(m
l.m
in
-1
)
Tempo (s)
VO2 ajus
VO2 cargaVO2 ajus
VO2 ajus
VO2 carga
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0 180 360 540 720 2520 2700
Tempo (s)
1
A
B
A
B
C
A
B
C
A
C
Resultados
A Tabela I apresenta os valores ± DP de [La], MLSSw,
%Pmax e FC obtidos durante o exercício realizado na MLSSc
e na MLSSi. Os valores de MLSSw e %Pmax correspondentes
à MLSSi foram signifi cantemente maiores (~10%) do que os
obtidos na MLSSc (p< 0,05). Não houve diferença signifi cante
na [La] e na FC nas duas condições (p > 0,05).
Tabela I - Valores médios ± DP concentração de lactato sanguíneo
([La]), potência correspondente à máxima fase estável de lactato
sanguíneo (MLSSw), percentual da potência máxima (%Pmax) e
freqüência cardíaca (FC) obtidos durante o exercício realizado na
máxima fase estável de lactato contínua (MLSSc) e intermitente
(MLSSi). N = 7.
Contínuo Intermitente
[La] (mM) 3,9 ± 1,0 4,9 ± 1,6
MLSSw (W) 277,3 ± 24,8 305,1 ± 27,4*
%Pmax 76,7 ± 5,0 84,4 ± 5,4*
FC (bpm) 167±11,0 171 ± 11,0
*p ≤ 0,05 em relação ao exercício contínuo.
43Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
prescrição do treinamento aeróbio intervalado.
Durante o exercício intermitente realizado em intensida-
des próximas à do VO2max, um dos fatores que tem sido apon-
tado como importante para promover adaptaçõesaeróbias é o
tempo de permanência em valores próximos (>95%VO2max)
ou no VO2max. A principal hipótese é a de que quanto maior
for o tempo de permanência em taxas de produção de energia
aeróbia elevadas, maior seria o estímulo para a promoção de
adaptações aeróbias centrais e periféricas [17].
No presente estudo, a interação entre o tempo e a maior
taxa metabólica permitida pela carga de exercício (VO2ACcg),
mostra que o exercício contínuo permitiria um maior estímulo
ao organismo. Assim, diferentemente do hipotetizado para
exercícios de intensidade máxima (100% VO2max) ou supra-
máxima (>100% VO2max), no exercício submáximo (MLSS)
o VO2ACcg não parece explicar a provável superioridade do
exercício intermitente sobre o contínuo, já que o os valores
do exercício intermitente foi aproximadamente um terço do
atingido no exercício contínuo. É interessante notar também,
que mesmo considerando o VO2 total acumulado durante o
exercício realizado na MLSS (i.e., VO2AC), os valores são
estatisticamente similares entre o contínuo e o intervalado,
o que também não explicaria as possíveis diferenças de adap-
tações entre o exercício intermitente e o contínuo.
Daussin et al. [18] analisaram as adaptações periférica
(capacidade oxidativa) e central (cardiovascular) determinadas
por dois protocolos de treinamento (contínuo x intermitente)
realizados com trabalho total similar. Os autores verifi caram
que os dois tipos de adaptação (central e periférica) foram
maiores após o treino intervalado. Assim, parece que as
fl utuações na carga e nos valores de VO2 durante o exercício
intermitente, mais do que a duração do exercício e o gasto
energético total, são fatores essenciais para o aumento da
capacidade aeróbia. Com isso, os autores propuseram que as
fl utuações no turnover de ATP e no fl uxo de fosfato de alta-
energia gerados pelas alterações na carga no exercício intermi-
tente, ativam mais as vias sinalizadoras, e consequentemente,
determinam uma maior biogênese de mitocôndrias [18].
As principais adaptações que contribuem para o aumento
da capacidade aeróbia (limiar anaeróbio, MLSS), particular-
mente em indivíduos treinados, ocorrem em nível muscular,
e estão relacionadas ao aumento da quantidade de enzimas
oxidativas, mitocôndrias, densidade capilar e aumento dos
depósitos de energia (glicogênio e triglicerídeos) [19]. Ao se
considerar os valores similares de VO2AC nas duas condições,
como também os menores valores de VO2ACcg obtidos no
exercício intermitente, é possível sugerir que nossos dados
suportam os obtidos por Daussin et al. [18], indicando que
a fl utuação nas taxas de produção de energia parece ser um
fator essencial para a promoção das adaptações aeróbias.
Finalmente, não se pode descartar também, que as
maiores intensidades do exercício intervalado leve a maior
utilização e adaptações aeróbias das fi bras do tipo II, e/ou
a uma mudança no padrão de recrutamento das unidades
motoras, determinando que um percentual maior de fi bras
do tipo I (mais efi cientes) seja recrutado durante o exercício
submáximo [20,21].
Conclusão
Com base nestes resultados, pode-se concluir que exercí-
cios intermitente e contínuo realizados com a mesma duração
e condições metabólicas similares (i.e., MLSS), apresentam va-
lores similares de VO2AC, embora o tempo mantido em altos
valores de VO2 (i.e., VO2ACcg) sejam inferiores no exercício
intervalado. Assim, a possível superioridade do treinamento
intervalado realizado nas condições deste estudo, não parece
ser determinada pela interação entre o tempo de exercício e
o VO2 acumulado na MLSS.
Agradecimentos
Suporte fi nanceiro – CNPq e FAPESP.
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45Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março2010
Revisão
Possíveis mecanismos neurofisiológicos mediadores
da educação cruzada
Neuro-physiological mechanisms of the cross-education
Daniel Teixeira Belloni*, Alessandro Carielo de Albuquerque*, Bianca K. de Macedo Jakubovic*,
Júlio Cesar Correa Neto Carias**, Vernon Furtado da Silva***
*Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência da Motricidade Humana/PROCIMH/UCB-RJ,
**Universidade Presidente Antonio Carlos/UNIPAC-MG, ***Professor Titular do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em
Ciência da Motricidade Humana da UCB-RJ
Resumo
Estudos prévios têm revelado que o treinamento de somente
um membro pode causar melhora dos níveis de performance do
membro contralateral não treinado. A literatura denomina este
fenômeno como educação cruzada. De acordo com as evidências,
a educação cruzada parece ser mediada por mecanismos neurofi -
siológicos. Contudo, não se conhece ainda quais são os verdadeiros
mecanismos mediadores deste fenômeno. Portanto, baseado nesta
premissa, o presente estudo teve o objetivo de realizar uma extensa
revisão de literatura sobre os possíveis mecanismos neurofi siológicos
mediadoras da educação cruzada. Diante das evidências podemos
verifi car que, embora este fenômeno tenha sido constatado a mais
de um século, os estudos não foram capazes de descrever quais são os
verdadeiros mecanismos neurofi siológicos mediadores da educação
cruzada até a presente data. Os estudos sobre o fenômeno da educa-
ção cruzada abrem o caminho para a compreensão e entendimento
dos mecanismos neurais do controle do movimento em vários
níveis do sistema nervoso. Pequenas alterações em varias estruturas
do sistema nervoso podem contribuir para a produção máxima dos
aumentos de força no membro contralateral não treinado. Ainda,
presumimos que o surgimento de novos procedimentos fi siológicos
marcará a possibilidade de constatações sobre outros mecanismos
em futuros estudos.
Palavras-chave: educação cruzada, mecanismos
neurofisiológicos, controle do movimento.
Abstract
Previous studies have revealed the cross body member training
as benefi ting the performance of the opposite untrained limb. Th e
related literature denominates this phenomenon as cross education.
Cross education can be thought as mediated by specifi c neural
mechanisms. However, there is no real knowledge about how the
operating mechanisms really work. Present investigation had as ob-
jective to address an extensive revision of studies focusing this theme
in a broad perspective of force generation. Th e results of the revision
evidenced that in spite of being this a phenomenon well know, no
research was capable of explaining the mechanisms linked to it. On
the other hand, the literature published in this subject matter shades
bright lights for researchers involved on providing directions for
the comprehension about the neural mechanisms, at many sites of
the central and peripheral nervous system, responsible for human
movement control. At a basic confi guration of the system, there
is a functional capability through which small alterations in some
structures of the central nervous system can contribute to increases
in force production in the body member contralateral. Even one
could take into account this consideration, there is still a need for
improving knowledge far way of what we now know in respect to
cross education functionality. We presume that new procedures
would permit observing the development of the knowledge about
how the central and peripheral nervous system operates in the cross
force transference situation.
Key-words: cross education, neuro-physiological mechanism,
motor control.
Endereço para correspondência: Daniel Teixeira Belloni, Avenida José Fabrino Baião, 304 Thomé 36774-184 Cataguases MG, Tel:
(32) 8876-8090, E-mail: dtbelloni@gmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201046
Introdução
As adaptações neurais ao treinamento são os componen-
tes mais intrigantes e fascinantes observados pela literatura
científi ca acerca do aumento da força durante o treinamento.
Dentre as diversas adaptações neurais decorrentes do treina-
mento da força, podemos destacar o fenômeno da educação
cruzada [1]. A educação cruzada, ou ainda, transferência
cruzada da força se refere a qualquer transferência de força
muscular ocorrida no músculo contralateral não treinado
após um regime de treinamento experimentado pelo músculo
homólogo ipsilateral [2,3]. Talvez os mecanismos motivadores
deste fenômeno sejam os mais complexos mecanismos neurais
constatados até a presente data [4].
A nomenclatura utilizada para defi nir tal fenômeno de
transferência seguiu um curso incomum durante o desenvol-
vimento dos estudos, dependendo, de certa forma, da área
estudada. Enquanto os fi siologistas estudavam a transferência
de força em seus experimentos utilizando, ininterruptamente,
o termo educação cruzada [1-7], os motricistas se centraram
nos estudos mais voltados à transferência da habilidade
motora, referindo-se a este fenômeno como transferência
bilateral [8,9], transferência inter-manual [10-12], ou ainda,
simplesmente, transferência [8]. Os estudos realizados à luz
da fi siologia não citam aqueles realizados sob a perspectiva
motricista e vice-versa. Portanto, a pergunta que aqui cabe
seria: existe necessidade desta desconexão entre ambas as áreas?
A literatura da fi siologia, recentemente, incluiu pela primeira
vez os termos transferência da força muscular e transferência
da aprendizagem da habilidade motora concomitante com
o termo educação cruzada [13-15]. Naturalmente, como a
aprendizagem da habilidade do membro não treinado ocorre
sem mudanças estruturais no músculo, bem como ocorrem
melhoras potenciais na ativação da musculatura do membro,
conclui-se, portanto, que toda habilidade adquirida por esse
membro é, indubitavelmente, uma adaptação neural [15].
Deste modo, a única justifi cativa relevante para a ocorrência
desta discrepância de defi nições sobre os termos usados para
descrever o fenômeno da transferência seria, mais especifi ca-
mente, as características da tarefa que estão sendo transferidas,
como, por exemplo, a aquisição de força muscular versus o
desempenho aumentado de habilidade motora.
Até recentemente, os mecanismos neurais da educação
cruzada de força eram relutantemente adejados pelos investi-
gadores. Alguns investigadores acreditavam o sistema nervoso
periférico como sendo o mediador da educação cruzada de
força [16], enquanto grande parte dos cientistas determinava
que este fenômeno, talvez, fosse causado pelos mecanismos da
plasticidade neural [3-5]. Entretanto, todos sem conclusões
concretas.
A questão sobre os mecanismos mediadores deste fenô-
meno pode ter uma considerável importância social e gran-
des aplicações práticas [2]. Por exemplo, os estudos sobre a
educação cruzada abrem a compreensão e entendimento dos
mecanismos neurais do controle cortical, subcortical e espinal
do movimento. Além disso, ao se obter um conhecimento sóli-
do sobre as bases neurais da força humana, indiscutivelmente,
inúmeros benefícios à manutenção e recuperação da saúde
humana poderão ser fornecidos [2,5,15]. Portanto, torna-se
imprescindível obter mais informações sobre os mecanismos
da educação cruzada.
Fortes dúvidas pairam sobre os reais mecanismos media-
dores do fenômeno da educação cruzada. Deste modo, ao
considerar a importância desta questão científi ca, o presente
estudo teve o objetivo de realizar uma extensa revisão de litera-
tura sobre as possíveis alterações neurofi siológicas mediadoras
do fenômeno da educação cruzada.
Desenvolvimento
A educação cruzada
O termo educação cruzada de força muscular refere-se,
basicamente, a qualquer transferência de força muscular
ocorrida no músculocontralateral não treinado após um re-
gime de treinamento experimentado pelo músculo homólogo
ipsilateral [2,3,5].
A magnitude de força muscular obtida pelo músculo
homólogo não treinado está implicitamente relacionada
com a proporção de força alcançada pelo membro treinado.
Aproximadamente 35 a 60% do aumento da força máxima
alcançada pelo músculo treinado é transferido para o músculo
não treinado [14,15,17]. Apesar desta magnitude, existe uma
respectiva assimetria entre os níveis de ganho de força obtidos
pelos músculos treinados e não treinados. A quantidade de
transferência parece depender de fatores tais como, duração,
intensidade e volume do protocolo de treinamento, tipo de
contração, velocidade da contração, grupo muscular treinado,
e ainda, restrição ou ativação do movimento do membro não
treinado. Assim sendo, esses inúmeros fatores parecem contro-
lar os valores que determinam a quantidade da transferência
da força [14,17].
A educação cruzada ocorre com maior magnitude em
indivíduos com pouca ou nenhuma experiência em treina-
mento de força [2,8]. Autores como Hortobágyi et al. [19]
corroboram com as explicações supracitadas quando afi rmam
que a proporção da transferência alcançada pelo membro
contralateral não treinado pode depender da especifi cidade
do protocolo de treinamento. Entretanto, não existem dados
conclusivos sobre o relacionamento entre a duração e a inten-
sidade do treinamento, bem como, níveis de transferência de
força muscular alcançada. Porém, estudos com duração mais
longa de treinamento mostraram, tipicamente, uma maior
quantidade de educação cruzada [19].
Ao se comparar estudos utilizando o mesmo tipo da con-
tração em seu treinamento, observamos que a transferência de
força é maior quando as contrações em intensidade maiores
foram evocadas [3-5,19]. Complementando, nos estudos que
47Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
usaram somente a ação muscular excêntrica (se comparando
ao trabalho muscular estático e concêntrico puro) ocorreram,
proporcionalmente, uma maior transferência de força na ta-
refa desempenhada excentricamente. Conseqüentemente, os
protocolos de treinamento utilizando um trabalho puramente
excêntrico mostraram maiores aumentos da força total do que
o trabalho concêntrico ou isométrico, provavelmente, devido
à maior produção de força combinada com o estiramento
do músculo durante a contração [15,17,19]. Apesar destas
considerações, a maioria dos experimentos realizados sobre o
fenômeno da educação cruzada utilizou contrações isométri-
cas, pois há uma maior facilidade em restringir o movimento
do membro não treinado durante a ação muscular estática.
Além disso, contrações dinâmicas apresentam maiores limi-
tações ao procedimento de eletromiografi a. Por outro lado,
contrações isométricas são freqüentemente normalizadas pela
análise eletromiográfi ca.
Um estudo comparando a velocidade do movimento e
educação cruzada tem revelado constatações interessantes.
Farthing e Chilibeck [20], ao comparar um protocolo de
treinamento por meio da ação muscular excêntrica em di-
ferentes velocidades (180º/s[3.14 rad/s] versus 30º/s [0.52
rad/s]) revelaram que o treinamento realizado em velocidade
mais elevada produzia maiores níveis de transferência de
força. Como a ação muscular excêntrica realizada em elevada
velocidade é uma tarefa motora muito pouco utilizada na vida
cotidiana, os autores especularam que a aprendizagem motora
para este movimento foi muito mais substancial, deste modo,
proporcionado maiores níveis de transferência de força ao
membro não treinado. Portanto, o grau de familiaridade das
tarefas hábeis motoras pode ser um importante fator para a
ocorrência da educação cruzada. Intuitivamente, a pergunta
que poderia elucidar nossa carência científi ca seria, se os indi-
víduos fossem treinados já para estas tarefas, quanta educação
cruzada poderia ser exibida pelos mesmos? Moritani e DeVries
[21], ao menos em parte, responderam esta questão quando
mostraram que os fatores neurais contribuíam muito pouco
para os ganhos de força isométrica após seis semanas de treina-
mento. Entretanto, basear somente nos achados de Moritane
e DeVries [21] como um consenso pode ser arriscado, pois,
como supracitado, o nível de adaptação está relacionado com
o nível da tarefa exigida. Assim sendo, se a exigência da tarefa
é elevada, muita adaptação neural é esperada; por outro lado,
se a exigência da tarefa é insignifi cante, pouca ou nenhuma
adaptação neural pode ser esperada. Conseqüentemente, es-
tudos que empregaram tarefas hábeis motoras mais complexas
mostraram uma maior magnitude de transferência de força.
Possíveis mecanismos neurofi siológicos do fenô-
meno
Provavelmente, os mecanismos neurofi siológicos que
controlam a educação cruzada de força podem ser os mesmos
que controlam os mecanismos da transferência inter-manual
de habilidade motora [15,17]. De certa forma, podemos
compreender as adaptações neurais da educação cruzada como
um tipo de aprendizagem motora. Contudo, o enigma é que
as bases neurais da aprendizagem motora têm continuado
indescritíveis, e ainda, sendo o tópico de estudos extensivos.
Esta questão tem conduzido a especulações sobre se esta in-
formação é transferida por meio de adaptações no encéfalo
e medula espinal (sistema nervoso central) ou em circuitos
neurais periféricos [3].
Plasticidade neural
Compreendem-se por plasticidade neural as adaptações
ocorridas em níveis corticais e sub-corticais do encéfalo em
resposta de repetidos estímulos [22,23]. A plasticidade neural
resulta na formação de novas conexões (sinapses) no sistema
nervoso, podendo produzir uma grande ou pequena ativa-
ção no córtex em função do aprendizado motor. Em outras
palavras, o aprendizado motor tem sido associado com uma
redução ou elevação da quantidade e qualidade das conexões
neurais, isto é, plasticidade neural [23].
A plasticidade neural no córtex motor primário pode estar
associada à educação cruzada por interagir com um papel
importante em simples consolidações de habilidades motoras
aprendidas [24,25]. Quando a atividade do córtex motor
primário é interrompida, podem ocorrer desenvolvimento
ou retrocesso da performance motora. As adaptações neurais
ocorridas no córtex motor primário são proporcionadas por
níveis de ativação aumentada ou reduzida. Em outras palavras,
tanto a elevação quanto redução do nível de ativação do córtex
pode melhorar a coordenação do movimento proporcionando
ganhos de força [26-28]. Praticamente, devido ao sinal des-
cendente dos neurônios que se projetam para os músculos
antagonistas serem reduzidos, esta redução proporciona uma
diminuição da co-ativação dos músculos antagonistas. A
redução da co-ativação da musculatura antagonista tem sido
documentada como um aprendizado motor para tarefas que
envolvam força. As evidências destas adaptações no sistema
nervoso podem ser refl etidas nas plasticidades neurais dentro
do córtex motor primário com no aprendizado motor [26-28].
As alterações neurais em estruturas subcorticais, como,
por exemplo, o cerebelo e os gânglios da base, podem tam-
bém ser relevantes para a educação cruzada. As estruturas
do cerebelo são conhecidas por mediar varias alterações
neurais para a ocorrência do aprendizado motor [26,29,30].
Ainda, o cerebelo é responsável por conduzir a coordenação
motora a níveis mais acurados de exatidão devido a uma
ativação mais precisa do timing dos músculos agonistas,
antagonistas e sinergistas recrutados para tarefa motora [23].
Os mecanismos resultantes do aprendizado motor no cere-
belo são evidenciados pelos níveis de alterações nas células
de Purkinje. Ito [30] sugeriu que as vias aferentes inibiam
a ativação das células granuladas em virtude de umanova
tarefa desempenhada. Conseqüentemente, como a nova
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201048
tarefa exige maiores níveis de ativação do sistema nervoso
central, alguns sinais enviados por meio das vias aferentes
prejudicavam o desempenho da tarefa solicitada. Portanto,
quando uma nova tarefa motora é aprendida, parece que o
sistema nervoso reduz os níveis de ativação das células gra-
nuladas, proporcionando assim uma mensagem com menos
erros [23,30]. Portanto, a redução dos níveis de ativação
é refl etida durante a interação entre os sinais enviados as
células granuladas. Deste modo, quando os impulsos das
vias aferentes alcançam as células de Purkinje no mesmo
momento que as células granuladas, a atividade das células
granuladas é suprimida pelas células de Purkinje. De acordo
com a teoria de Ito [30], a redução dos níveis de ativação das
células granuladas poderia ser pensada como um mecanismo
de memorização desempenhado pelo cerebelo, contribuindo
para o aprendizado do movimento.
Outra função descrita por López-Juárez [31] para a estru-
tura do cerebelo se expõe por ser uma área neural responsável
em melhorar a precisão do movimento. Provavelmente,
este mecanismo de feedback está ativo na aprendizagem do
movimento através da atividades das vias ascendentes [23].
Desta maneira, os sinais incorretos enviados durante o pro-
cesso de redução dos níveis de ativação do cerebelo parecem
remodelar os circuitos e conexões cerebelares na direção que
o movimento ocorre. Em síntese, ao prejudicar a atividade
cerebelar também se prejudica a resposta ao aprendizado
motor. Por outro lado, a adaptação neural decorrente da
educação cruzada pode envolver tanto aumentos quanto
reduções dos níveis de ativação cerebelar, especialmente se a
tarefa é complexa e requer ensaio extensivo na ordem que o
movimento é aprendido.
O papel dos gânglios ou núcleos da base no aprendizado
motor não pode ser excluído. Sua contribuição para o mo-
vimento é bem maior do que se acredita. Por exemplo, as
regiões que formam os núcleos da base, como, por exemplo,
o caudado, o putâmen, e ainda, o estriado têm mostrado
plasticidade neural em resposta do aprendizado motor de
maneira seqüencial [23,32]. Sintetizando a complexa função
dos gânglios da base associado ao controle e aprendizagem
do movimento, nota-se, que talvez estas estruturas estejam
envolvidas nos processos de informação necessários para o
planejamento e execução do movimento, organizando os
ajustamentos posturais. Os gânglios da base recebem entradas
de todas as outras áreas corticais e projetam-se para o tálamo
antes de retornar ao córtex pré-motor e córtex motor primário
[23]. Os gânglios da base revelam alterações signifi cativas
em sua freqüência de disparos anteriormente à iniciação do
movimento, sugerindo que tais estruturas exercem um papel
para a continuação e modulação do movimento no momen-
to em que é realizado [32]. De acordo com Doyon [32], os
gânglios da base estão conectados as estruturas cerebelares.
Contudo, os gânglios da base participam mais efetivamente
reforçando o aprendizado motor [23,29,32]. Parece que os
sinais enviados pelos gânglios da base são codifi cados pelas fi -
bras dopaminérgicas presentes na substância negra em resposta
ao reforço do estímulo [23]. De acordo com as evidências do
funcionamento e atividade dos gânglios da base podemos
pressupor que estas estruturas são partes do aumento dos
níveis de ativação neural para a ocorrência do aprendizado
motor por meio da plasticidade neural. Embora existam
controvérsias sobre o preciso mecanismo de sincronização,
estas estruturas também têm sido mostradas por se conectar
ao processamento das regiões temporais com a função de
bloquear as sinapses [33,34].
A plasticidade neural na estrutura dos gânglios da base
pode ser importante para compreender os mecanismos da
educação cruzada, uma vez que estudos têm revelado ativação
bilateral cortical destas estruturas com movimentos unilaterais
[32]. Talvez, com o movimento unilateral, os gânglios da
base limitem as projeções para o córtex motor primário. En-
tretanto, acredita-se que estas estruturas comandem os sinais
retransmitidos para o tálamo e áreas do córtex pré-motor que
se encontram normalmente associadas com o planejamento
e precisão do movimento [23].
Alteração dos níveis de ativação neuromuscular
Alguns estudos têm documentado que a ativação máxima
de um músculo durante uma contração pode ser limitada por
inibição neural, principalmente durante ações excêntricas em
alta velocidade [20], funcionando como um mecanismo de
proteção, a fi m de prevenir lesões [27]. Além disso, o treina-
mento de força em alta intensidade resulta em uma melhora
na ativação das unidades motoras. Gorgey e Dudley [35]
constataram que indivíduos inexperientes em treinamento
de força podiam ativar somente, aproximadamente, 75% de
sua musculatura durante uma contração voluntária máxima.
Portanto, a adaptação no trajeto da ativação muscular pode
ter um importante papel na ocorrência da educação cruzada.
A aprendizagem motora proporcionada pelo treinamento
parece conduzir o sistema nervoso a aumentos signifi cativos
dos níveis de ativação neuromuscular. Estes aumentos de
ativação podem estar intimamente envolvidos na educação
cruzada. Vários estudos têm demonstrado que a educação
cruzada de força possui correlações com os aumentos nos
níveis de ativação do sistema nervoso [3,4,6,16,19,20,21].
Conseqüentemente, este aumento de ativação refl ete uma
melhora no recrutamento das unidades motoras do membro
em treinamento e, desta maneira, refl etindo em ganhos dos
níveis de força do membro não treinado.
A integração neural dentro do sistema nervoso é um
processo complexo. Este fato nos faz especular sobre as dife-
rentes adaptações neurofi siológicas durante os distintos tipos
de aprendizagem motora. Por exemplo, o núcleo de uma
unidade motora pode responder a estímulos inibitórios ou
excitatórios, através do comando dos neurônios superiores
que enviam seus axônios pelos tractos medulares, ou ainda,
por inter-neurônios medulares, como parte de circuitos
49Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
neurais periféricos. Praticamente, esta integração neural
pode produzir vários níveis de inibição/excitação, resultando
em incremento ou redução da força durante uma contração
muscular específi ca. Estes mecanismos demonstram que
infi nitas combinações dos inputs inibitórios e excitatórios
podem elevar os níveis de força. Em outras palavras, uma
mesma tarefa motora pode ser desempenhada com o mesmo
torque articular e com o mesmo objetivo, porém, utilizando-
se de infi nitas combinações de motoneurônios (motoneu-
rônios alpha e motoneurônios gama) e atividades das vias
aferentes neuromusculares. A compreensão de qual seria o
mecanismo preferencial controlado pelo sistema nervoso
durante o movimento tem sido o objetivo de muitos dos
estudos sobre o controle motor [36].
A melhora da coordenação entre os músculos agonistas
e antagonistas também podem provocar ganhos de força.
Carolan e Cafarelli [37] encontraram 16,2% de aumento
de força no membro não treinado com 13% de redução na
co-ativação antagonista após o treinamento experimentado
pelo membro ipsilateral. Devido à redução da oposição dos
músculos antagonista durante a execução do movimento,
os músculos agonistas puderam elevar signifi cativamente
os níveis de força. A co-ativação dos músculos antagonistas
é mediada por integração entre o sistema nervoso central e
inter-neurônios presentes na medula espinal junto com os
aferentes neuromusculares. Enquanto fuso muscular, presente
nas fi bras intrafusais, provoca excitação dos motoneurônios
alpha que ativamos músculos agonistas, o órgão tendinoso
de Golgi inibe a ativação do motoneurônio alpha. Portanto,
de acordo com Bears et al. [23] a co-ativação dos músculos
antagonistas é causada pela interação entre o órgão tendinoso
de Golgi e fuso muscular, controlando os níveis de tensão e
estiramento muscular, respectivamente.
Este fato pode explicar, ao menos em parte, por que
o sistema nervoso produz níveis de ativação incompleta
durante ações musculares excêntricas embora a força
muscular seja signifi cativamente maior. Provavelmente,
estas condições resultam em maior interação do órgão
tendinoso de Golgi e fuso muscular, reduzindo assim a
força máxima esperada.
Embora grande parte das pesquisas não tenha sempre
evidenciado a busca pelo entendimento deste fenômeno, a co-
ativação dos músculos antagonistas não é um novo conceito
na literatura. Enoka [38] descreveu este mecanismo com uma
estratégia para a proteção osteomioarticular quando tarefas
não familiarizadas eram realizadas. Portanto, tarefas complexas
ou não familiarizadas encontram-se intimamente relacionadas
com este fenômeno.
Talvez, o aumento da ativação neuromuscular observado
após um caso de educação cruzada seja um mecanismo pe-
riférico. Contudo, ainda não se sabe a maneira pela qual o
corpo transfere esta informação para o lado oposto. Entretan-
to, como supracitado, a plasticidade no encéfalo pode estar
conectado ao mecanismo.
Aumento da excitabilidade da musculatura contralateral
Hortobágyi et al. [39] argumenta que a atividade aferente
da musculatura acionada durante movimentos unilaterais
pode elevar a excitabilidade da região cortical que controla
o grupo muscular homólogo contralateral. De acordo com
tais autores, o treinamento por estimulação elétrica foi mais
efetivo para a ocorrência da transferência de força do que o
treinamento voluntário. Ainda, Hortobágyi et al. [39] rela-
tam que este fato talvez tenha ocorrido devido à inervação
das fi bras musculares do músculo contralateral se acionarem
por meio dos receptores de dor localizados na pele durante a
eletroestimulação. Portanto, é sugerido que o treinamento por
estimulação elétrica produza maiores níveis de ativação das
fi bras inervadas pelos aferentes Ia, o qual poderia resultar em
maior excitação agonista somado a uma inibição antagonista
no membro em treinamento. Por outro lado, no membro
não treinado ocorreria uma inibição agonista junto com uma
excitação antagonista, tal como o refl exo extensor cruzado.
Hortobágyi et al. [39] teorizaram que os aferentes do grupo
Ia poderiam fortalecer a transmissão sináptica excitatória na
musculatura contralateral, conduzindo o membro a melhorar
os níveis de performance. Se a teoria proposta por Hortobágyi
et al. [39], a respeito do refl exo extensor cruzado provocan-
do a educação cruzada estivesse tão correta, não é certo que
deveríamos observar melhoras signifi cativas na musculatura
contralateral antagonista e não o contrário?
Alguns estudos têm revelado que talvez exista uma possível
modulação de excitabilidade cortical em ambos os hemisférios
cerebrais após exercícios unilaterais executados até a fadiga.
Contudo, um estudo realizado por Farthing e Chilibeck [6]
revelou um nível de ativação insignifi cante da musculatura
contralateral durante uma tarefa de força unilateral. É sabido
que se a excitabilidade do membro ipsilateral for aumentada
durante uma contração muscular, pode-se esperar algum
feedback do membro contralateral, principalmente, se a
tarefa motora desempenhada for complexa. Isto se explica,
basicamente, devido aos axônios descendentes do córtex mo-
tor inervarem tanto os motoneurônios alpha quanto enviar
ramos colaterais aos inter-neurônios inibitórios pertencentes
ao grupo Ia. Portanto, o sinal motor de ambos os centros
motores mais altos podem infl uenciar independentemente a
ativação muscular. Conseqüentemente, os mecanismos que
mediam a educação cruzada podem ser controlados por uma
combinação de adaptações corticais e comunicação entre os
membros em níveis medulares, entretanto, não se sabe qual
é a contribuição relativa de cada um.
Uma recente pesquisa realizada por Aagaard et al. [26]
tem evidenciado que os níveis de excitabilidade das unidades
motoras após um período de treinamento são melhorados.
Neste estudo, Aagaard et al. [26] discutiram estes mecanismos
relacionando-os com dados eletromiográfi cos da onda V e
refl exo de Hoff mann. Tem se observado que o treinamento
de força unilateral pode elevar os níveis de ativação de ambos
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201050
os membros. Portanto, de acordo com Aagaard et al. [26], o
aumento da expressão da onda V pode refl etir uma crescente
atividade eferente dos motoneurônios, ou ainda, proporcionar
melhora da atividade refl exa. Sabe-se que o refl exo de Hoff mann
mostra os níveis de ativação dos programas medulares durante
o repouso muscular, a onda V revela a excitabilidade medular
em atividade, isto é, em uma contração voluntária. Em outras
palavras, a onda V é uma variante do refl exo de Hoff mann,
entretanto, é gravado durante uma tarefa motora voluntária. As
contribuições a respeito dos níveis de atividade muscular após
um caso de educação cruzada aguardam por mais investigações
que possam oferecer maior esclarecimento sobre os fatos.
Poucos estudos têm realmente se propostos a investigar
as alterações ocorridas na onda V e refl exo de Hoff mann,
antes e após um protocolo de treinamento unilateral, em
ambos os membros. O único estudo encontrado que inves-
tiga tais efeitos revelou alterações insignifi cantes no refl exo
de Hoff mann após o protocolo de treinamento unilateral
[16]. Com o propósito de esclarecer informações baseado
em evidências, torna-se imprescindível realizar novos estudos
acerca deste fato.
Impulsos do tracto córtico-espinal
De acordo com Bear et al. [23], o encéfalo se comunica com
os neurônios inferiores de nível medular ou motoneurônios
por meio de axônios descendentes do córtex. O componente
mais importante destas vias descendentes é o tracto córtico-
espinal. O tracto córtico-espinal é mais longo, bem como, o
mais numeroso tracto do sistema nervoso central. Cerca de 10
[6] axônios formam as vias deste tracto [23]. No que se sabe,
aproximadamente, 75% dos nervos do tracto córtico-espinal
conduzem os impulsos gerados no córtex motor primário para
os motoneurônios presentes na medula. Após saírem do córtex,
ocorre uma decussação logo abaixo da pirâmide bulbar repre-
sentando um mecanismo de controle motor cruzado. Em outras
palavras, o lado direito do encéfalo controla o lado esquerdo
do corpo e vice versa. Entretanto, o restante das vias do tracto
córtico-espinal, isto é, aproximadamente 25% dos axônios,
descendem ipsilateralmente. Explicando melhor, enquanto ¾
dos axônios decussam logo após a pirâmide bulbar, o restante
dos axônios ramifi cam-se e não decussam.
Tem sido evidenciado que as vias do tracto córtico-espinal
que não decussam possuem a fi nalidade de controlar os mús-
culos axiais, ajustando o comando postural. Historicamente,
especulou-se que talvez um dos mecanismos da educação
cruzada possa ocorrer devido à co-excitabilidade dos músculos
homólogos do corpo em função das vias dos tractos as quais
não decussam [40,41]. Em outras palavras, durante o movi-
mento unilateral, as vias do tracto córtico-espinal conduzem
cerca de 25% dos seus axônios para a musculatura ipsilateral
que não são acionadas. De acordo com Hellebrandt et al.
[40]; Hellebrandt [41], este fato poderia conduzir o sistema a
ocorrência da educação cruzada. Entretanto, nenhum estudo
tem investigado os níveis de ativação da musculatura axial
contralateral associada com a educação cruzada.
O tracto córtico-espinal ipsilateral podetambém contri-
buir para o aprendizado motor em níveis mais elevados do
sistema nervoso central devido a sua forte interação com a
formação reticulada. De acordo com Ghez e Gordon [42], a
formação reticular possui a função de manutenção postural.
Complementando, Kumru e Valls-Solé [43] mostraram que
a formação reticulada é altamente ativada durante a inte-
gração de vários inputs neurais. Desta maneira, esta região
do encéfalo poderia, talvez, ser responsável por estabelecer
conexões inibitórias e excitatórias a nível medular com mo-
toneurônios por meio do tracto retículo-espinal, favorecendo
o aprendizado motor.
Em síntese, baseado em evidências, pode se especular que
as alterações neurais ocorridas no fenômeno da educação cru-
zada podem ser reprogramadas em ambos os hemisférios pela
formação reticulada, conduzindo o sistema a uma melhora
substancial na coordenação agonista/antagonista nos respecti-
vos membros, subseqüentemente a aplicação de um protocolo
de treinamento unilateral. Conseqüentemente, aumentando
os níveis de força por meio da aprendizagem do gesto.
Conclusão
Esta revisão levantou várias informações sobre os possí-
veis mecanismos neurofi siológicos que mediam a educação
cruzada. Embora este fenômeno tenha sido constatado há
mais de um século, os estudos não foram capazes de descrever
quais são os verdadeiros mecanismos mediadores da educação
cruzada até a presente data. Além disso, muitos estudos têm
conduzido seus experimentos sem incidência de grupo con-
trole, utilizando-se de procedimentos metodológicos apenas
com o grupo experimental. Estes procedimentos podem gerar
resultados ambíguos, pois o aparente ganho de força pode ser
ocasionado pela familiarização aos protocolos de teste.
Em síntese, os estudos sobre a educação cruzada abrem
o caminho para a compreensão e entendimento dos meca-
nismos neurais do controle cortical, subcortical e espinal do
movimento. Em outras palavras, pequenas alterações em
várias estruturas do sistema nervoso podem contribuir para
os ganhos máximos de força do membro contralateral. Além
disso, presumimos que o surgimento de instrumentos de
testes fi siológicos mais modernos marcará a possibilidade de
novas constatações sobre outros mecanismos mediadores da
educação cruzada em futuros estudos.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201052
Revisão
Bases metabólicas do crescimento muscular
Metabolic basis of muscle growth
Rodrigo Minoru Manda*, Nailza Maestá, D.Sc.**, Roberto Carlos Burini***
*Biomédico, aprimorando pelo programa Laboratório em Metabolismo Nutricional e Desportivo do Centro de Metabolismo em
Exercício e Nutrição (CeMENutri) , Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), **Nutricionista do Centro de Metabolismo em
Exercício e Nutrição (CeMENutri), Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), ***Professor
Titular do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) e responsável pelo CeMENutri
Resumo
O músculo esquelético é o maior tecido do corpo e guarda
relação com a autonomia somatocinética e homeostase metabólica.
A miogênese é decorrente da predominância de fatores protéicos
miogênicos sobre miostáticos. O crescimento ocorre predominante-
mente de forma hipertrófi ca, após o nascimento, pelo predomínio da
síntese sobre o catabolismo protéico. A síntese protéica é fi namente
mantida por cascata de quinases controladas ou controladoras da
mTOR. A mTOR controla o complexo iniciador da síntese protéica,
sendo infl uenciada pela contração muscular, fatores de crescimento
e a leucina. O estado de privação energética (↑ AMP/ATP) inibe
a mTOR pelo aumento da AMPK. A síntese protéica miofi brilar
é estimulada por fatores hidratantes celulares (glicose, insulina,
creatina, BCAA, glutamina). Seguindo-se a lesão e necrose miofi -
brilar, há resposta infl amatória e ação dos fagócitos, promovendo
a fagocitose tecidual. Posteriormente, os macrófagos alteram seu
fenótipo para resolver a infl amação e promover a miogênese e
crescimento miofi brilar.
Palavras-chave: músculo esquelético, hipertrofia muscular,
anabolismo protéico, mTOR, regeneração muscular.
Abstract
Th e skeletal-muscle is the largest tissue in the body with the
major roles in kinetics and metabolic process. Myogenesis is the con-
sequence of of myogenic over myostatic factors. Th e hypertrophic
growth occurs in myofi brillar diameter and length by predominating
protein synthesis over protein breakdown. Protein synthesis is fi nely
controlled by kinase cascade having mTOR as central role. mTOR
controls the protein synthesis initiation complex, being infl uenced
positively by muscle contraction, growth factors and also by leuci-
ne. Muscle energy deprivation (↑ AMP/ATP) inhibits mTOR by
increasing AMPK. Muscle protein synthesis is enhanced by cell
hydrating factors (glucose, insulin, creatine, BCAA, glutamine).
Postinjury skeletal muscle regeneration is characterized by two local
subsequent phases. Sooner after injury, the infi ltrated and residual
macrophages are classically activated. Th ey promote phagocytosis of
tissue debris while preventing early myogenic diff erentiation. Th en
macrophages switch their phenotype to sort out infl ammation and
support myogenesis and myofi ber growth.
Key-words: skeletal muscle, muscle hypertrophy, protein
anabolism, mTOR, muscle regeneration.
Endereço para correspondência: Roberto Carlos Burini, CeMENutri. Faculdade de Medicina, Departamento de Saúde Pública (FMB-
UNESP), Distrito de Rubião Jr, s/n°, 18618-970 Botucatu SP, Tel: (14) 3811-6128, E-mail: burini@fmb.unesp.br, rodrigo_manda@yahoo.
com.br
53Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
A musculatura esquelética constitui o maior tecido do
corpo, o maior compartimento protéico e supridor de amino-
ácidos aos demais tecidos na situação de privação alimentar.
É o maior removedor de glicose, insulino-dependente, da
circulação e principal responsável pelo gasto energético volun-
tário. Assim, há relação direta da integridade morfofuncional
da musculatura esquelética com a saúde e qualidade de vida
do indivíduo [1].
A massa muscular estriada é constituída de estrutura
citológica predominantemente sincicial em que as pro-
teínas miofi brilares (actina e miosina) ocupam o maior
espaço citosólico (sarcoplasma), comprimindo entre si as
mitocôndrias.
Entre as miofi brilas e a membrana (sarcolema) encontram-
se os mionúcleos e o retículo sarcoplasmático. Externamente
ao sarcolema, há as células satélites, linhagem de células tronco
musculares, responsáveis pela regeneração das fi bras muscu-
lares após estímulos catabólicos, como o exercício excêntrico
e lesão pós traumática [2].
Crescimento muscular
O crescimento muscular esquelético ocorre por hipercelu-
laridade (hiperplasia) ou hipertrofi a sarcoplasmática.
O crescimento muscular hiperplásico ocorre predominan-
temente na vida embrionária. A linhagem celular envolvida
é constituída dos somitos, mioblasto, miócito e miotubo, A
miogênese é decorrente do equilíbrio entre os fatores protéi-
cos miogênicos (myocite-enhancer factor, MEF-2; miogenina
e myogenic-diff erenciation factor, MyoD) e os miostáticos
(growth and diff erentiation factor 8, GDF-8 ou miostatina;
muscle atrophy F-box, MAFbox ou atrogina 1 e o muscle ring
fi nger 1, MURF-1) [3].
O crescimento muscular hipertrófi co ocorre de forma pre-
dominante após o nascimento, naturalmente até a juventude,
continuando também na maturidade e senescência frente aos
esforços físicos contra resistência. Pode também ser observado
pós-estimulação elétrica em seccionados de medula [4] e em
idosos pós-cirurgia [4]. Contribui, para tanto, o predomínio
da síntese sobre o catabolismo protéico miofi brilar.
Anabolismo protéico
As variações na síntese protéica muscular ocorrem antes
das variações no conteúdo do mRNA (RNA mensageiro)
[5], por isso é comumente aceito que a síntese protéica
muscular seja controlada, predominantemente, após a fase
de transcrição do DNA [6]. O passo limitante da síntese
protéica muscular seria a iniciação da tradução do mRNA, que
inclui a ligação entre tRNA (RNA transportador) iniciador
(metionil-tRNA) e mRNA, com a subunidade ribossômica
menor, 40S [7] (Figura 1).
A regulação da iniciação da tradução do mRNA seria pela
ativação da mammalian target of rapamycin (mTOR) e de
suas proteínas sinalizadoras dowstream, proteína ribossômica-
70kDa S6 quinase (p70S6k1) e proteína ligadora do fator de
iniciação eucariótico 4E (4E-BP1) [7]. Ambas as proteínas
(p70S6k1 e 4E-BP1) modulam a iniciação da tradução do
mRNA por controlarem a ligação do mRNA à subunidade
ribossomal 40S. A ligação eficiente da subunidade 40S ao
mRNA necessita do fator de iniciação eucariótico 4F (eIF4F)
cuja formação é reprimida pela ligação do fator eIF4E a 4E-
BP1; complexo que atua como repressor da tradução [7,8]
(Figura 1).
A fosforilação da 4E-BP1 (via mTOR) libera-a do fator
eIF4E permitindo a ativação do eIF4E facilitando a ligação
do mRNA à subunidade 40S (via eIF4F) e permitindo que o
processo de iniciação da tradução do mRNA se perpetue [7].
Outro mecanismo regulador da ligação do mRNA à
subunidade 40S envolve a fosforilação da proteína ribos-
sômica S6, que é controlada pela atividade da p70S6k1.
A proteína S6 está localizada nas proximidades do fator de
iniciação. A fosforilação da proteína S6 está relacionada
com aumento da síntese de proteínas ribossomais e fatores
de alongamento, resultando na interação da proteína da
subunidade 40S com a molécula do mRNA promovendo a
sua tradução [6] (Figura 1).
A ligação do tRNA iniciador (metionil-tRNA) é depen-
dente da ativação do fator de iniciação eucariótico 2B (eI-
F2B), que consiste em fator de translocação de nucleotídeo
guanina, convertendo o eIF2-GDP em eIF2-GTP. O eIF2B
é reprimido pela glycogen synthase kinase 3 (GSK3), e para sua
ativação, é necessário inibir a atividade da GSK3, através da
fosforilação, via Akt/PKB. Uma vez ativado, e em associação
com os outros fatores, o complexo para tradução do mRNA
encontra-se completo [9,10] (Figura 1).
A mTOR quinase está associada as suas proteínas regulató-
rias Raptor (regulatory associated protein of mTOR), GβL (G-
protein β subunit-like) e PRAS40 (proline-rich AkT substrate
of 40 kDa) formando o complexo referido como mTORC1
(mTOR complex 1) [11,12] (Figura 1).
A PRAS40 é uma proteína ligadora da Raptor que é
fosforilada pela mTOR (na serina 183) e pela proteína
quinase B (Akt/PKB) na treonina 246, resultando na
fosforilação da S6k1 (quinase S6 da proteína ribossômica
70kDa) e maior síntese protéica muscular [13]. Assim,
4E-BP1 e S6k1 são proteínas downstream da mTOR, di-
retamente ligadas ao estímulo da síntese protéica muscular
[14,15] (Figura 1).
Como produtos gênicos upstream a mTOR tem-se
os TSC1 e TSC2 (tuberousclerosis complex) formando
o heterodímero estimulado pela insulina e ativador da
reação do fator Rheb (ras homologue enriched in brain):
Rheb-GTP � Rheb-GDP, ligado à estimulação da mTOR
[16] (Figura 1).
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201054
Rapamicina
P
GSK3
eIF2B
GTP GDP
GDP
eIF2B
GTP
eIF2B
UAC
UAC
40S
rpS6
40S
rpS6
40S
eIF4F
rpS6
eIF2B
UAC
AUG
SÍNTESE PROTÉICA
eIF4F
4E-BP14E-BP1
eIF4F eIF4F
mTOR
PRAS40
Raptor
GβL
p70S6K1
P
PDKAkt
GDP
GTP
Rheb
TSC2
TSC1
Rheb
Figura 1 - via de sinalização mTORC1 (mTOR complex 1). máximo em 24 h, após o exercício, com o efeito anabólico per-
manecendo elevado de 2-3 horas até 36-48 h pós-exercício [21].
As adaptações neurais predominam durante os primeiros
estágios do treino [22] e a hipertrofi a muscular torna-se evi-
dente dentro das primeiras 6 semanas [23].
A fosfatidilinositol 3-quinase (PI3K) responde aos estímu-
los anabólico, da IGF-1, e mecânico, da contração muscular,
via PKB/Akt (Figura 2). A PI3K fosforila o fosfoinositol de
membrana PI-4,5-bifosfato a PI-3,4,5-trifosfato, criando, no
sarcolema, o sítio de ligação para a serina/treoninaquinase Akt.
Subsequentemente, a Akt é ativada pela fosforilação com a
quinase dependente de fosfoinositol (PDK-1) [24] (Figura 2).
Os exercícios de resistência estimulam a síntese protéica
muscular por até 48 horas [4]. Entretanto, o balanço protéico
permanece negativo no pós-exercício imediato até a adminis-
tração de proteínas e/ou aminoácidos [20,25].
A ampliação do processo hipertrófi co induzido pelo exer-
cício resistido ocorre com a ingestão de aminoácidos [26] e
resposta endócrina [27].
Trabalhos experimentais mostram que tanto os exercícios
de resistência [28], como ingestões de proteína e/ou leucina
[10] resultam em fosforilação de ambos 4E-BP1 e S6k1 (Fi-
gura 1 e Figura 2).
O treinamento resistido constitui método excelente para
promover o ganho de músculo esquelético. O mesmo pode
ser potencializado pelos suplementos protéicos, em particular
aqueles contendo elevadas concentrações de aminoácidos in-
dispensáveis como a proteína do soro do leite. A proteína do
soro do leite é especialmente rica em leucina (até 14g/100g
proteína), conhecida como reguladora do início da tradução
do mRNA para a síntese protéica muscular, atuando direta-
mente na fosforilação da mTOR [29].
Os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) têm
habilidade única de estimular a síntese protéica muscular
independentemente dos demais aminoácidos. Quando
administrada oralmente, a leucina isolada estimula a síntese
protéica muscular em animais e indivíduos exercitados ou
subnutridos [8,30,31]. O estímulo da leucina não é via in-
sulina/IGF-1/PI3K/PKB e sim, provavelmente, via PRAS40
[13] (Figura 2).
Adicionalmente aos anabolizantes protéicos musculares
que agem na mTOR: treinamento contra-resistência, hor-
mônios (IGF-1, GH, testosterona) e leucina há, também, as
misturas facilitadoras da síntese protéica muscular: glicose, in-
sulina, BCAA, glutamina, creatina etc., atuantes na hidratação
celular e positivação do balanço celular de aminoácidos [32].
Bloqueadores da mTOR
A AMPk (5’-AMP-activated protein kinase) é uma enzima
heterotrimérica que atua como o maior sensor energético celular.
É ativada quando o ATP torna-se limitado. Nestas condições, a
AMPk estimula as vias catabólicas e inibe as vias anabólicas no
esforço de suprir o ATP para a sobrevivência celular.
(Akt: serina/treonina quinase Akt; PDK: quinase dependente de fosfoino-
sitol; mTOR: mammalian target of rapamycin; PRAS40: proline-rich Akt
substrate of 40 kDa; GβL: G-protein β subunit-like; RAPTOR: regulatory
associated protein of mTOR; p70S6K1: proteína ribossômica-70 kDa
S6 quinase; rpS6: proteína ribossômica S6; 40S: subunidade 40S do
ribossomo; 4E-BP1: proteína ligadora do fator de iniciação 4E; eIF4E:
fator de iniciação eucariótico 4E; eIF4F: fator de iniciação eucariótico
4F; GSK3: glycogen synthase kinase 3; eIF2B: fator de iniciação eucari-
ótico 2B; TSC1/TSC2: tuberousclerosis complex; Rheb: ras homologue
enriched in brain).
Ativadores da mTOR
O mTOR é uma via de sinalização canônica que integra
nutriente (leucina), hormônios (insulina; insulin-like growth
factor-1, IGF-1), estado energético (ATP/GTP) intracelular e
o treinamento resistido para controlar a tradução do mRNA
[13] (Figura 2).
É sabido que o treinamento resistido induz hipertrofi a
muscular mediante processos mecânicos, metabólicos e
hormonais [17]. A sobrecarga mecânica leva a eventos intra-
celulares que regulam a expressão gênica e síntese protéica.
O exercício resistido pode alterar a atividade de aproximada-
mente 70 genes [18], ativar fatores envolvidos com a miogê-
nese (ex. miogenina, MyoD) e reprimir fatores inibidores do
crescimento (ex. miostatina) [19].
Oito semanas de exercícios com pesos resultam em hi-
pertrofi a (~10%) associadamente ao aumento do conteúdo
protéico de Akt e GSK3 fosforiladas e de mTOR [4].
A síntese protéica no músculo humano aumenta após uma
simples sessão de exercício resistido vigoroso [20], atingindo pico
55Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
A AMPk regula, no músculo, o metabolismo de carboi-
dratos, lipídios e proteínas, pelos seus efeitos em múltiplas
vias de sinalização e assim, suprime processos que demandam
ATP e ativa vias que geram ATP.
Nesse sentido, a AMPk é um regulador negativo upstream
do mTORC1, reduzindo a síntese protéica muscular em
condições de estresse energéticocomo hipóxia, exercício de
alta intensidade ou glicopenia celular [33].
A AMPk inibe a sinalização mTORC1 em 2 vias: via
fosforilação do Raptor que leva a diminuição da atividade
da mTOR quinase e via fosforilação da TSC2 (ou tuberina)
[34] (Figura 2).
A AMPk desempenha papel importante na regulação da
síntese protéica muscular. Uma simples sessão de exercício
resistido, feita em jejum, resulta na inibição da síntese protéica
muscular via AMPk com redução da fosforilação da 4E-BP1
[35-37]. Entretanto, quando o exercício é feito na situação
alimentado, a inibição da síntese protéica não ocorre, pois a
alimentação reduz a AMPk [26].
Condições em que a leucina é inefetiva em estimular o
anabolismo protéico muscular (sepsis, intoxicação alcoólica
e excesso de glicocorticóides) caracterizam o estado de resis-
tência à leucina [13]. A ativação da AMPk, presente em várias
condições de estresse, tem participação provável no desenvol-
vimento da resistência a leucina no músculo esquelético [13].
Figura 2 - estimuladores da mTOR complex 1.
Anabolismo pós-lesão por sobrecarga
Após a lesão muscular por sobrecarga há a regeneração,
remodelamento e crescimento muscular (Figura 3). Nestas
condições o crescimento muscular é tanto hipertrófi co como
hiperplásico.
A regeneração do músculo esquelético é fortemente
associada a células como macrófagos e células satélites. Os
macrófagos participantes são residentes, recrutados de com-
partimentos musculares específi cos como epimísio/perimí-
sio (ou fáscia muscular) ou resultantes da diferenciação de
monócitos sanguíneos. Estes últimos são atraídos tanto pela
ação quimiotática das células miogênicas como pela MCP-1
(monocytes chemoactractant protein 1) expressados pelos ma-
crófagos residuais [38].
No músculo os macrófagos adotam funções heterogêneas
de acordo com a localização anatômica e estímulos diferentes.
Dentre as atividades que ilustram os diferentes fenótipos dos
macrófagos fi guram: pró-infl amatório x anti-infl amatório,
imunogênico x tolerogênico e destruição x reparo tecidual.
A ativação clássica dos macrófagos (chamada M1) induz a
produção de citocinas pró-infl amatórias e espécies reativas do
oxigênio que refl etem o estado primário da ativação macrofá-
gica após lesão tecidual ou confl ito imunológico. A ativação
alternativa (chamada M2a) é observada em ambiente Th 2 e é
associada à infl amação crônica mas evidenciada também em
infecções parasitárias. A ação macrofágica anti-infl amatória
ou de desativação (chamada M2c) é relacionada a fase de re-
paro tecidual durante a qual os macrófagos secretam TGF-β
(transforming growth factor β) [39].
O músculo esquelético lesado recruta rapidamente (1-2
dias) monócitos sanguíneos que se tornam macrófagos com
padrão comportamental infl amatório. Um a três dias após
serem recrutados, esses macrófagos mudam seu fenótipo para
anti-infl amatórios. Essa mudança ocorre após a fagocitose
tanto das células apoptóticas como das miofi bras necrosadas
(fi gura 3). Assim a regeneração muscular pós-lesão é caracteri-
zada por populações sequenciais de macrófagos. Primeiro, os
macrófagos residuais, que são pró-infl amatórios, associam-se
aos monócitos recrutados para a remoção do material necro-
sado. A seguir, os macrófagos anti-infl amatórios aparecem e
estão associados à cicatrização e reparo tecidual. Desta forma
a infl amação desencadeada por macrófagos, pós-lesão mus-
cular, é benéfi ca à regeneração muscular [38]. Os macrófagos
anti-infl amatórios parecem estar envolvidos na diferenciação
celular e/ou crescimento miofi brilar [40] (fi gura 3).
Quando em contato com macrófagos, as células miogêni-
cas apresentam crescimento. Este estímulo pode ser causado:
1) pela resposta efi ciente das células miogênicas aos fatores de
crescimento secretados pelos macrófagos ou 2) pelo contato
estabelecido de célula: célula que protege as células miogê-
nicas contra apoptose. As células miogênicas multinucleadas
diferenciadas (miotubos) são mais protegidas da apoptose,
comparativamente aos mioblástos indiferenciados. Isto sugere
Rapamicina
P
SÍNTESE
PROTÉICA
mTOR
Raptor
GβL
PDK Akt
GDP
TSC2
TSC1
Rheb
GTP
Rheb
Nutrientes:
Leucina
(BCAA)
Insulina
Energia
�AMP:ATP
Contração muscular
P
PTENPI3K
AMPk
AMP PRAS40
PI-3,4,5-3P
PI-4,
5-2PIG
F
(IGF: insulin-like growth factor; IRS 1: insulin receptor substrate-1; PI3K:
fosfatidilinositol 3-quinase; PTEN: phosphatase and tensin homolog;
PI-4,5-2P: fosfatidilinositol-4,5-bifosfato; PI-3,4,5-3P: fosfatidilinositol-
3,4,5-trifosfato; Akt: serina/treonina quinase Akt; PDK: quinase depen-
dente de fosfoinositol; mTOR: mammalian target of rapamycin; PRAS40:
proline-rich Akt substrate of 40 kDa; GβL: G-protein β subunit-like;
RAPTOR: regulatory associated protein of mTOR; TSC1/TSC2: tube-
rousclerosis complex; Rheb: ras homologue enriched in brain; AMPk:
5’-AMP-activated protein kinase; BCAA: branched-chain amino acid).
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201056
que a proteção do macrófago estender-se-ia até a associação
fi nal do miotubo à matriz [38].
Quando em cultura, os macrófagos infl amatórios esti-
mulam a proliferação de células miogênicas e inibem sua
diferenciação. Inversamente, os macrófagos anti-infl amatórios
exibem estímulo da fusão dos mioblastos, isto é, diferencia-
ção de células miogênicas. Estes resultados sugerem que o
estado de ativação dos macrófagos pode modular o processo
miogênico [40,41].
O processo de miogênese in vitro envolve 3 etapas prin-
cipais: diferenciação celular com cessação do ciclo celular e
expressão do programa miogênico, migração celular em di-
reção a outra e fusão eventual em estruturas multinucleadas.
Os macrófagos pró-infl amatórios exercem efeitos negativos
tanto na diferenciação miogênica como na fusão. A menor
fusão pode ser consequente ao estímulo destes macrófagos
exercido sobre a maior mobilidade das células miogênicas. Por
outro lado, macrófagos anti-infl amatórios estimulam tanto
a diferenciação miogênica como o processo de fusão [38].
Figura 3 - Lesão pós-carga e reparo/crescimento muscular [38].
à laminina, arcabouço colágeno da miofi brila fagocitada,
permitindo a regeneração da área lesada [46].
Sinalizadores anabólicos como Akt/PKB, ativados pela
contração muscular, participam do remodelamento muscu-
lar e funcionamento normal do sarcolema [47]. As maiores
secreções de andrógenos e GH decorrentes do esforço de alta
intensidade (e lesão muscular) estimulam a síntese miofi brilar
e o crescimento muscular hipertrófi co [46].
Anabolismo pós-desuso
Na recuperação da massa muscular pós-desuso a expressão
gênica da IL-6 está aumentada e funciona como regulador
miogênico e anabólico [48]. Frente ao trabalho muscular pos-
sui elevação temporal com pico intermediário entre o TNF-α
(pró-infl amatório) e a IL-10 (anti-infl amatória). Metabolica-
mente a IL-6 bloqueia as ações musculares (catabólicas e de
resistência à insulina) do TNF-α [49].
A IL-6 liberada no exercício físico é considerada a pri-
meira miocina com ação integrativa entre órgãos resultando
em desbloqueio do IGF-1, sensibilidade insulínica, lipólise
intramuscular e economia do glicogênio muscular [50]. A
maior expressão da IL-6 pelo músculo exercitado pode ser
decorrente de quaisquer dos estímulos Ca++ intracelular,
AMPk ou hipóxia local [51].
Conclusão
O turnover miofi brilar ocorre, fi siologicamente, a cada
5-6 dias, podendo ser retardado pelos estresses infl amatório
e energético (↑ AMP/ATP) e acelerado por fatores anabólicos
(estímulo de contração muscular contra resistência, estímulo
elétrico (em medulados), fatores nutricionais (leucina) e hor-
monais). Estes fatores anabólicos agem viacascata de quinases
que estimulam a tradução do mRNA miofi brilar e/ou fatores
de diferenciação miogênicos. Figuram como indicadores mo-
leculares das vias do crescimento muscular Akt/PKB, mTOR,
p70S6K, 4E-BP1, GSK3 e miogenina.
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Lesão muscular
Recrutamento
de monócitos
sanguíneose de
macrófagos residuais
Macrófagos
inflamatórios
(1-2 dias)
Macrófagos
anti inflamatórios
Fagocitose de células
apoptóticas e
miofibrilas necrosadas
(1-3 dias)
Reparo tecidual
e crescimento
miofibrilar
Diferenciação celular
Crescimento
hiperplástico
Contato com
células miogênicas
(células satélites)
Embora ainda sob estudos, é provável que os mecanismos
envolvidos estejam associados às citocinas liberadas pelos
macrófagos ativados que infl uenciariam o comportamento
da célula miogênica. Por exemplo, o fator de necrose tumoral
(TNFα) é mitogênico para mioblastos e inibe suas diferen-
ciações [42], o TNF-β1 parece associado ao diâmetro das
miofi bras regeneradas [43].
A cicloxigenase 2 e seus metabólitos também parecem
exercer papel crítico, uma vez que promovem fusão dos mio-
blastos, necessária à qualidade do reparo muscular [44,45].
Na lesão miofi brilar por trauma, há liberação local da
isoforma muscular do IGF-1, o mecano-growth factor (MGF),
responsável pelo recrutamento e ativação das células satéli-
tes quiescentes que se fundirão formando o miotubo, que
substituirá as miofi brilas fagocitadas e acrescentará novos
mionúcleos à massa sincicial. As células tronco musculares
recrutadas reagirão com a integrina (proteína transmembra-
na) que permitirá a migração do já mioblasto até sua adesão
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59Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Comunicação breve
A influência da caminhada versus exercícios
convencionais sobre a dor e qualidade de vida em
mulheres com fibromialgia: um ensaio simples-cego
The influence of walking versus conventional exercises on pain and
quality of life in women with fibromyalgia: a single blind clinical trial
Izabel Cristina Camargo dos Santos*, Mariana Conceição Farias de Moraes*, Bruna Piergentile*, Karin Lima dos Reis de
Burgo**, Fábio Marcon Alfi eri, M.Sc.***
*Discentes do curso de Fisioterapia do UNASP, **Especialista em Clínica Médica, Fisioterapeuta do Programa da Saúde da Família-
São Paulo, ***Docente do curso de Fisioterapia do UNASP
Resumo
Introdução: A fi bromialgia é uma síndrome que traz alterações
como dor e diminuição da qualidade de vida. O objetivo deste estudo
foi comparar a dor e a qualidade de vida em pacientes fi bromiálgicos
submetidos a exercícios convencionais versus caminhada. Método:
Participaram do estudo 22 mulheres divididas aleatoriamente em
dois tipos de exercícios: caminhada e exercícios gerais. Ambos foram
avaliados pela escala visual analógica e pelo questionário sobre im-
pacto de qualidade de vida (FIQ) antes e após os 3 meses de inter-
venção. Resultados: Em nenhum grupo houve melhora signifi cativa
em relação à dor e à qualidade de vida. Conclusão: Acredita-se que
o tempo pode ser um fator limitante dos resultados deste estudo
preliminar, bem como o tamanho da amostra.
Palavras-chave: fibromialgia, exercício, dor, qualidade de vida.
Abstract
Introduction: Th e fi bromyalgia is a syndrome that brings changes
as pain and decreased quality of life. Th e aim of this study was to
compare the pain and quality of life in fi bromyalgic patients treated
with conventional versus walking exercises. Method: Th e study
included 22 women divided into two types of exercises: walking
and general exercise. Both were assessed by visual analogue scale
and questionnaire on the impact of quality of life (FIQ) before
and after 3 months of intervention. Results: In any group there was
signifi cant improvement on pain and quality of life. Conclusion: It
is believed that the time may be a limiting factor on the outcome
of this preliminary study, as well as the sample size.
Key-words: fibromyalgia, exercise, pain, quality of life.
Endereço para correspondência: Fábio Marcon Alfieri, Rua Candal, 1/31, 05890-030 São Paulo SP, Tel: (11) 9172-8161, E-mail:
fabiomarcon@bol.com.br, fabio.alfieri@unasp.edu.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201060
Introdução
A fi bromialgia é uma síndrome musculoesquelética não
infl amatória e não autoimune, cuja incidência é maior em mu-
lheres, contudo, pode ocorrer em homens, porém em menor
proporção [1,2]. Sua etiologia é desconhecida, no entanto,
há evidências sobre alterações metabólicas e de oxigenação
nas fi bras musculares, como também desequilíbrio entre a
percepção dolorosa e os mecanismos das vias aferentes, além
da diminuição dos níveis de serotoniana e endorfi na [2,3].
O principal sintoma é a dor crônica e difusa e/ou dor
sentida a partir da pressão em 11 de 18 pontos dolorosos
(tender points) predeterminados pelo Colégio Americano de
Reumatologia. Além da dor, a rigidez, diminuição da força
muscular, fadiga e síndromes psicossomáticas como depressão
podem interferir na qualidade de vida dos pacientes [3,4].
A literatura não defi ne um tratamento padrão para a
fi bromialgia, entretanto sabe-se que exercícios físicos podem
diminuir os sintomas da doença [1,4-7]. Para tanto, este
estudo teve como objetivo comparar a dor a qualidade de
vida de pacientes fi bromiálgicos submetidos a exercícios
convencionais versus caminhada.
Material e métodos
Este foi um estudo clínico simples-cego, no qual partici-
param 22 pacientes diagnosticados com fi bromialgia, segundo
os critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reuma-
tologia. Não participaram indivíduos que tivessem realizado
intervenção por meio de exercícios físicos nos últimos 6 meses.
A pesquisa foi realizada na Policlínicado UNASP e aprovada
pelo comitê de ética da instituição.
Os indivíduos foram divididos aleatoriamente por sor-
teio simples em dois grupos: caminhada versus exercícios
convencionais.
No grupo caminhada foram feitos alongamentos, seguidos
de caminhada em ritmo moderado, terminando com relaxa-
mento. Já no grupo exercícios, foram realizados alongamentos,
fortalecimentos dos principais grupos musculares de todo o
corpo e exercícios proprioceptivos. Ambos os grupos realiza-
ram as respectivas atividades físicas durante 12 semanas com
frequência semanal de 2 vezes com 60 minutos cada sessão.
A intensidade da dor foi avaliada através da Escala Visual
Analógica da dor (EVA) e a qualidade de vida foi avaliada
pelo questionário FIQ, que avalia o impacto da fi bromialgia
na qualidade de vida dos indivíduos [8]. Ambas avaliações
foram realizadas antes e depois da intervenção. Os dados
foram analisados com a utilização do teste t, com nível de
signifi cância de 5%.
Resultados
Das 22 mulheres, 5 desistiram do grupo de exercícios ge-
rais e 7 do grupo de caminhada (cada grupo foi composto por
11 voluntárias). A média de idade do grupo de exercícios foi
de 53,72 ± 5,3 anos e 27,12 ± 3 de índice de massa corpórea
(IMC), já a do grupo de caminhada teve média de idade de
50,45 ± 14,5 anos e 27,54 ± 5,7 de IMC, não sendo estas
diferenças signifi cativas.
Ao avaliar a intensidade da dor pela EVA, em nenhum
grupo houve melhora após a intervenção. O grupo de exer-
cícios passou de 5,98 ± 27 para 4,0 ± 2,0 (p = 0,09) e o
grupo de caminhada passou de 7,42 ± 1,9 para 6,05 ± 3,4 (p
= 0,08), após a intervenção, não havendo diferença entre os
grupos (p = 0,09).
Ao avaliar a qualidade de vida pelo FIQ, os resultados
do grupo de caminhada passaram de 6,06 ± 1,4 para 4,42
± 1,8 (p = 0,08). O grupo de exercícios passou de 6,37 ± 1
para 4,75 ± 1,5 (p = 0,08) após a intervenção, também não
havendo diferença entre os grupos (p = 0,65).
Discussão
Os resultados deste estudo mostraram que em ambos
os grupos de intervenção não houve redução signifi cativa
na intensidade da dor e nem melhora na qualidade de vida.
Acreditamos que tais resultados possam ser explicados parcial-
mente devido ao curto tempo de intervenção, pois segundo
Valim et al. [5] intervenções com tempos superiores a 15
semanas é que são capazes de mostrar benefícios na qualidade
de vida de indivíduos fi bromiálgicos, isto devido à exigência
de um período maior e esforço pessoal para adaptação de
tais sujeitos ao programa de exercício. Isto provavelmente
explica programas como o de Sabag et al. [7], que realizaram
condicionamento físico por um ano e perceberam melhoras
quanto a intensidade da dor e qualidade de vida.
Outro fato a ser destacado neste estudo, é a questão da
desistência de cerca de 54% dos voluntários, sendo maior
do que o apontada na literatura (até 50%) sobre este tipo de
ensaio clínico [9].
Conclusão
Os dados do estudo permitem inferir que trabalhos com
indivíduos fi bromiálgicos devem apresentar amostras grandes
o sufi ciente a fi m de comportar as perdas. Além disso, devem
ser realizados em períodos superiores a 3 meses de interven-
ção para verifi car o quanto os exercícios gerais bem como a
caminhada regular podem realmente interferir na qualidade
de vida e na intensidade da dor destes pacientes. Com isto,
este trabalho, que possui resultados preliminares, pode ser
reformulado com um tempo maior de intervenção ou com
o aumento da amostra.
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Rev Bras Reumatologia 2000;40 (suppl.1):S32,(Tl-038, 2000.
6. Valim V. Benefi ts of physical exercises in fi bromyalgia. Rev Bras
Reumatol 2006;46: 49-55.
7. Sabag LMS, Carlos APCA, Júnior PY, Miyazaki MH, Gonçalves
A, Kaziyama HHS, Battistella LR. Efeitos do condicionamento
físico sobre pacientes com fi bromialgia Rev Bras Med Esporte
2007;13(1):6-10.
8. Marques AM, Santos AMB, Assumpção A, Matsutani LA,
Lage LV, Pereira CAB. Validação da versão brasileira do Fi-
bromyalgia Impact Questionnaire (FIQ). Rev Bras Reumatol
2006;46(1):24-31.
9. Jones KD, Clarck SR: Individualizing the exercise prescription
for persons with fi bromyalgia. Rheum Dis Clin North Am
2002;28:419-36.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201062
Normas de publicação Fisiologia do Exercício
A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício é uma publicação
com periodicidade bimestral e está aberta para a publicação e
divulgação de artigos científi cos das áreas relacionadas à atividade
física.
Os artigos publicados na Revista Brasileira de Fisiologia do
Exercício poderão também ser publicados na versão eletrônica
da revista (Internet) assim como em outros meios eletrônicos
(CD-ROM) ou outros que surjam no futuro, sendo que pela
publicação na revista os autores já aceitem estas condições.
A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício assume o “estilo
Vancouver” (Uniform requirements for manuscripts submitted
to biomedical journals) preconizado pelo Comitê Internacional
de Diretores de Revistas Médicas, com as especifi cações que
são detalhadas a seguir. Ver o texto completo em inglês desses
Requisitos Uniformes no site do International Committee of
Medical Journal Editors (ICMJE), www.icmje.org, na versão
atualizada de outubro de 2007 (o texto completo dos requisitos
está disponivel, em inglês, no site de Atlântica Editora em
pdf ).
Os autores que desejarem colaborar em alguma das seções da
revista podem enviar sua contribuição (em arquivo eletrônico/e-
mail) para nossa redação, sendo que fi ca entendido que isto não
implica na aceitação do mesmo, que será notifi cado ao autor.
O Comitê Editorial poderá devolver, sugerir trocas ou retorno
de acordo com a circunstância, realizar modifi cações nos textos
recebidos; neste último caso não se alterará o conteúdo científi co,
limitando-se unicamente ao estilo literário.
1. Editorial
Trabalhos escritos por sugestão do Comitê Científi co, ou por
um de seus membros.
Extensão: Não devem ultrapassar três páginas formato A4 em
corpo (tamanho) 12 com a fonte English Times (Times Roman)
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico,
sobrescrito, etc; a bibliografi a não deve conter mais que dez
referências.
2. Artigos originais
São trabalhos resultantes de pesquisa científi ca apresentando
dados originais de descobertas com relação a aspectos
experimentais ou observacionais, e inclui análise descritiva e/ou
inferências de dados próprios. Sua estrutura é a convencional
que traz os seguintes itens: Introdução, Material e métodos,
Resultados, Discussão e Conclusão.
Texto: Recomendamos que não seja superior a 12 páginas,
formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12,
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico,
sobre-escrito, etc.
Tabelas: Considerar no máximo seis tabelas, no formato Excel/
Word.
Figuras: Considerar no máximo 8 fi guras, digitalizadas (formato
.tif ou .gif ) ouque possam ser editados em Power-Point, Excel,
etc.
Bibliografia: É aconselhável no máximo 50 referências
bibliográfi cas.
Os critérios que valorizarão a aceitação dos trabalhos serão o de
rigor metodológico científi co, novidade, originalidade, concisão
da exposição, assim como a qualidade literária do texto.
3. Revisão
Serão os trabalhos que versem sobre alguma das áreas relacionadas
à atividade física, que têm por objeto resumir, analisar, avaliar
ou sintetizar trabalhos de investigação já publicados em revistas
científi cas. Quanto aos limites do trabalho, aconselha-se o mesmo
dos artigos originais.
4. Atualização ou divulgação
São trabalhos que relatam informações geralmente atuais sobre
tema de interesse dos profi ssionais de Educação Física (novas
técnicas, legislação, etc) e que têm características distintas de
um artigo de revisão.
5. Relato ou estudo de caso
São artigo de dados descritivos de um ou mais casos explorando
um método ou problema através de exemplo. Apresenta as
características do indivíduo estudado, com indicação de sexo,
idade e pode ser realizado em humano ou animal.
6. Comunicação breve
Esta seção permitirá a publicação de artigos curtos, com maior
rapidez. Isto facilita que os autores apresentem observações,
resultados iniciais de estudos em curso, e inclusive realizar
comentários a trabalhos já editados na revista, com condições de
argumentação mais extensa que na seção de cartas do leitor.
Texto: Recomendamos que não seja superior a três páginas,
formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12,
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico,
sobre-escrito, etc.
Tabelas e fi guras: No máximo quatro tabelas em Excel e fi guras
digitalizadas (formato .tif ou .gif ) ou que possam ser editados
em Power Point, Excel, etc
Bibliografia: São aconselháveis no máximo 15 referências
bibliográfi cas.
7. Resumos
Nesta seção serão publicados resumos de trabalhos e artigos
inéditos ou já publicados em outras revistas, ao cargo do Comitê
Científi co, inclusive traduções de trabalhos de outros idiomas.
8. Correspondência
Esta seção publicará correspondência recebida, sem que
necessariamente haja relação com artigos publicados, porém
relacionados à linha editorial da revista.
Caso estejam relacionados a artigos anteriormente publicados,
será enviada ao autor do artigo ou trabalho antes de se publicar
a carta.
Texto: Com no máximo duas páginas A4, com as especifi cações
anteriores, bibliografi a incluída, sem tabelas ou fi guras.
63Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
PREPARAÇÃO DO ORIGINAL
1. Normas gerais
1.1 Os artigos enviados deverão estar digitados em processador de
texto (Word), em página de formato A4, formatado da seguinte
maneira: fonte Times Roman (English Times) tamanho 12,
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico,
sobrescrito, etc.
1.2 Numere as tabelas em romano, com as legendas para cada
tabela junto à mesma.
1.3 Numere as fi guras em arábico, e envie de acordo com as
especifi cações anteriores.
As imagens devem estar em tons de cinza, jamais coloridas, e
com resolução de qualidade gráfi ca (300 dpi). Fotos e desenhos
devem estar digitalizados e nos formatos .tif ou .gif.
1.4 As seções dos artigos originais são estas: resumo, introdução,
material e métodos, resultados, discussão, conclusão e
bibliografi a. O autor deve ser o responsável pela tradução do
resumo para o inglês e também das palavras-chave (key-words).
O envio deve ser efetuado em arquivo, por meio de disquete,
CD-ROM ou e-mail. Para os artigos enviados por correio em
mídia magnética (disquetes, etc) anexar uma cópia impressa e
identifi car com etiqueta no disquete ou CD-ROM o nome do
artigo, data e autor.
2. Página de apresentação
A primeira página do artigo apresentará as seguintes
informações:
- Título em português, inglês e espanhol.
- Nome completo dos autores, com a qualifi cação curricular e
títulos acadêmicos.
- Local de trabalho dos autores.
- Autor que se responsabiliza pela correspondência, com o
respectivo endereço, telefone e E-mail.
- Título abreviado do artigo, com não mais de 40 toques, para
paginação.
- As fontes de contribuição ao artigo, tais como equipe,
aparelhos, etc.
3. Autoria
Todas as pessoas consignadas como autores devem ter participado
do trabalho o sufi ciente para assumir a responsabilidade pública
do seu conteúdo.
O crédito como autor se baseará unicamente nas contribuições
essenciais que são: a) a concepção e desenvolvimento, a análise
e interpretação dos dados; b) a redação do artigo ou a revisão
crítica de uma parte importante de seu conteúdo intelectual; c)
a aprovação defi nitiva da versão que será publicada. Deverão
ser cumpridas simultaneamente as condições a), b) e c). A
participação exclusivamente na obtenção de recursos ou na coleta
de dados não justifi ca a participação como autor. A supervisão
geral do grupo de pesquisa também não é sufi ciente.
Os Editores podem solicitar justifi cativa para a inclusão de autores
durante o processo de revisão do manuscrito, especialmente se o
total de autores exceder seis.
4. Resumo e palavras-chave (Abstract, Key-words)
Na segunda página deverá conter um resumo (com no máximo
150 palavras para resumos não estruturados e 200 palavras para
os estruturados), seguido da versão em inglês e espanhol.
O conteúdo do resumo deve conter as seguintes informações:
- Objetivos do estudo.
- Procedimentos básicos empregados (amostragem, metodologia,
análise).
- Descobertas principais do estudo (dados concretos e
estatísticos).
- Conclusão do estudo, destacando os aspectos de maior
novidade.
Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave
para facilitar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar
os termos utilizados na lista dos DeCS (Descritores em Ciências
da Saúde) da Biblioteca Virtual da Saúde, que se encontra no
endereço Internet seguinte: http://decs.bvs.br. Na medida do
possível, é melhor usar os descritores existentes.
5. Agradecimentos
Os agradecimentos de pessoas, colaboradores, auxílio fi nanceiro
e material, incluindo auxílio governamental e/ou de laboratórios
farmacêuticos devem ser inseridos no fi nal do artigo, antes as
referências, em uma secção especial.
6. Referências
As referências bibliográfi cas devem seguir o estilo Vancouver
defi nido nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográfi cas
devem ser numeradas por numerais arábicos entre parênteses e
relacionadas em ordem na qual aparecem no texto, seguindo as
seguintes normas:
Livros - Número de ordem, sobrenome do autor, letras iniciais de
seu nome, ponto, título do capítulo, ponto, In: autor do livro (se
diferente do capítulo), ponto, título do livro (em grifo - itálico),
ponto, local da edição, dois pontos, editora, ponto e vírgula, ano
da impressão, ponto, páginas inicial e fi nal, ponto.
Exemplo:
1. Phillips SJ, Hypertension and Stroke. In: Laragh JH, editor.
Hypertension: pathophysiology, diagnosis and management. 2nd ed.
New-York: Raven press; 1995. p.465-78.
Artigos – Número de ordem, sobrenome do(s) autor(es),
letras iniciais de seus nomes (sem pontos nem espaço), ponto.
Título do trabalha, ponto. Título da revista ano de publicação
seguido de ponto e vírgula, número do volume seguido de dois
pontos, páginas inicial e fi nal, ponto. Não utilizar maiúsculas
ou itálicos. Os títulos das revistas são abreviados de acordo com
o Index Medicus, na publicação List of Journals Indexed in Index
Medicus ou com a lista das revistas nacionais, disponível no site
da Biblioteca Virtual de Saúde (www.bireme.br). Devem ser
citados todos os autores até 6 autores. Quando mais de 6, colocar
a abreviação latina et al.
Exemplo:
Yamamoto M, Sawaya R, Mohanam S. Expressionand
localization of urokinase-type plasminogen activator receptor
in human gliomas. Cancer Res 1994;54:5016-20.
Os artigos, cartas e resumos devem ser enviados para:
Guillermina Arias - E-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201064
Calendário de eventos
2010
Abril
16 a 18 de abril
2º Congresso Brasileiro de Natação Infantil
Centro de Convenções Rebouças - Av. Rebouças, 600
São Paulo, SP
Informações: www.alliancefitness.com.br
17 a 21 de abril
48o ENAF
Espaço cultural da URCA, Poços de Caldas MG
Informações: www.enaf.com.br
28 a 30 de abril
Congresso Internacional de Envelhecimento Humano
Centro de Eventos Universidade de Passo Fundo (UPF)
Passo Fundo, RS
Informações: cieh@upf.br
Maio
13 a 15 de maio
9º Fórum Internacional de Esportes
FiguraCentro Multiuso de São José, Florianópolis SC
www.unesporte.org.br/forum
20 a 22 de maio
III Congresso Brasileiro de Metabolismo, Nutrição e
Exercício
Londrina, PR
Informações: www.gepemene.com.br
Junho
3 a 6 de junho
XVII Convenção Brasil Saúde Sport Fitness
Porto Alegre, RS
Informações: (51) 3312-8323 / 3312-8322
www.convencaobrasil.com.br
Julho
23 de julho a 1 de agosto
VII Encontro Internacional Esporte e Atividade Física
São Paulo
Informações: Tel: (11) 2714-5678
www.encontrophorte.com.br
Agosto
4 de agosto
VI Jornada de Educação Física em cardiologia
Hotel Intercontinental
Rio de Janeiro, RJ
Informações: Tel: (21) 2552-0864 e 2552-1865
Setembro
24 e 25 de setembro
III Simpósio de Fisiologia e Preparação Física no Futebol
Jundiaí, SP
Informações: www.educaçãofísica.com.br
CURSO
Pós-Graduação Lato Sensu Educação Física FMU
Semestre de 2010
27/03/2010
• Atividade Física Adaptada e Saúde.
• Biomecânica, Avaliação Física e Prescrição de Exercícios.
• Condicionamento Físico para Grupos Especiais e
Reabilitação Cardíaca.
• Dança e Consciência Corporal.
• Educação Física Escolar.
• Natação e Atividades Aquáticas.
• Psicomotricidade.
• Treinamento Desportivo.
• Voleibol: Bases Metodológicas para o Treinamento da
Iniciação ao Alto Rendimento.
• Acupuntura.
• Esportes e Atividades de Aventura.
• Ginástica Laboral: Atividade Física e Promoção de Saúde
nas Empresas.
• Ginástica Rítmica Feminina e Masculina.
• Terceira Idade: Metodologia e Prescrição de Atividades.
Informações e Inscrições:
(11) 3209-0059/3399-3877/3271-8042/3207-2923
site: www.apoiofmu.com.br
e-mail: faleconosco@apoiofmu.com.br
Pós-Graduação Lato Sensu Educação Física FMU
Semestre de 2010
08/05/2010
Educação Física Escolar
29/03/2010
Voleibol: Bases Metodológicas para o Treinamento da
Iniciação ao Alto Rendimento.
Treinamento Desportivo
31/03/2010
Biomecânica, Avaliação Física e Prescrição de Exercicios.
Musculação e Condicionamento Físico.
25/03/2010
Natação e Atividades Aquáticas.
Psicomotricidade
26/03/2010
Ginástica Laboral: Atividade Física e Promoção de Saúde
nas Empresas.
Informações e Inscrições:
(11) 3209-0059/3399-3877/3271-8042/3207-2923
site: www.apoiofmu.com.br
e-mail: faleconosco@apoiofmu.com.br
EDITORIAL
Do desempenho muscular à nutrição esportiva, Paulo Tarso Veras Farinatti .....................................................................67
ARTIGOS ORIGINAIS
Infl uência da força e da área de corte transverso muscular de membros inferiores
sobre as potências física e aeróbia máximas em teste de esforço em cicloergômetro,
Th iago Rodrigues Gonçalves.................................................................................................................................................68
Consumo de repositores hidroeletrolíticos em praticantes de exercício físico,
Gabriela da Silva Ferreira, Aline Pristilo Domingues, Lúcia Regina Cardoso Alves,
Luiz Roberto Lourena Gomes da Costa, Milena Costa Menezes Cornacini ..........................................................................73
Efeitos de 11 semanas de diferentes tipos de treinamento de força sobre a massa
óssea de jovens do sexo masculino, Débora Wagner, Roger Dahlke, Luana Carvalho
Picolini, Rodrigo Ghedini Gehler, Patrícia Somavilla, Daniela Lopes dos Santos .................................................................78
Cinesioterapia laboral aplicada a servidores do judiciário de Poços de Caldas/MG,
Keruline de Oliveira Moreira, Tatiana Rodrigues Martins, Marina Aparecida Gonçalves Pereira ...........................................83
Infl uência do alongamento estático/passivo sobre o desempenho da força,
Levi Torres Rodrigues, Antonio Gil Castinheiras Neto, Bruna Medeiros Neves,
Nádia Lima da Silva .............................................................................................................................................................89
Avaliação do estado nutricional e do consumo alimentar de praticantes
de atividade física, Viviane Ferreira Zanirati, Juliana Morais Amaral de Almeida,
Àzula Narayama Malacco Ferreira, Márcia Regina Pereira Monteiro, Roberta Ribeiro Silva ..................................................94
REVISÕES
Processo do envelhecimento humano, André Luiz Zanella, Laíne Rocha Moreira,
Paulo Silvano Marinho, Rosimar da Silva Salgueiro, Mauro Lucio Mazini Filho,
Luis Guilherme da Fonseca, Dihogo Gama de Matos .........................................................................................................100
Treinamento aeróbio para adultos obesos portadores de diabetes mellitus tipo 2,
Jean Flávio Alves, Rafaela de Castro Santos, Raquel Brunini Nórcia Fada,
Tania Regina Gonçalves Gomes, Tiago Lasaponari, Kátia Sampaio ....................................................................................107
Treinamento muscular inspiratório para o desenvolvimento físico: evidências
e controvérsias, Maurício de Sant’ Anna Junior, Adalgiza Mafra Moreno,
Pedro Dall’Ago, Pedro Paulo da Silva Soares ......................................................................................................................116
Bases metabólicas da rabdomiólise e atrofi a muscular, Rodrigo Minoru Manda,
Fernando Moreto, Roberto Carlos Burini ...........................................................................................................................124
Esteróides anabolizantes: benefícios ou malefícios? Fábio Eduardo de Almeida ..............................................................130
NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................. 134
EVENTOS ............................................................................................................................................................... 136
Índice
volume 9 número 2 - abril/junho 2010
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201066
© ATMC - Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda - Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada
ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyri-
ght, Atlântica Editora. O editor não assume qualquer responsabilidade por eventual prejuízo a pessoas ou propriedades ligado à
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I.P. (Informação publicitária): As informações são de responsabilidade dos anunciantes.
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares,
Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício está indexada no SIBRADID
(Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva)
Editor Chefe
Paulo de Tarso Veras Farinatti
Editor Associado
Pedro Paulo da Silva Soares
Walace Monteiro
Conselho Editorial
Amandio Rihan Geraldes (AL)
Antonio Carlos Gomes (PR)
Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ)
Benedito Sérgio Denadai (SP)
Dartagnan Pinto Guedes (PR)
Douglas S. Brooks (EUA)
Emerson Silami Garcia (MG)
Francisco Martins (PB)
Francisco Navarro (SP)
Luiz Carnevali (SP)
Luiz Fernando Kruel (RS)
Martim Bottaro (DF)
Patrícia Chakour Brum (SP)
Paulo Sérgio Gomes (RJ)
Robert Robergs (EUA)
Rosane Rosendo (SC)
Sebastião Gobbi (SP)
Steven Fleck (EUA)
Yagesh N. Bhambhani (CAN)
Vilmar Baldissera (SP)
Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço de e-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br
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Direção de arte
Cristiana Ribas
cristiana@atlanticaeditora.com.br
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www.atlanticaeditora.com.br
67Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Editorial
Do desempenho muscular à nutrição esportiva
Paulo Tarso Veras Farinatti, Editor-Chefe da RBFEx
Apresentamos o segundo número da Revista Brasileira de
Fisiologia do Exercício (RBFEx) neste ano de 2010. Em seu
processo de evolução, este ano marca a consolidação de uma
periodicidade maior – a RBFEx conta com quatro números
em cada volume desde 2009. A quantidade de manuscritos
encaminhados aumentou signifi cativamente, o que nos forçou
a aprimorar o sistema de avaliação por pares. De fato, con-
tando com corpo aumentado de revisores, o período entre a
recepção de um manuscrito e a emissão de um parecer inicial
está, em média, em torno de 30 dias. A colaboração de muitos
colegas, que se oferecem graciosamente para ajudar no esforço
de qualifi car a revista, deve ser aqui valorizada.
Este número traz trabalhos originais com diferentes
temáticas. No campo da prescrição do exercício, grupo da
Universidade Federal do Rio de Janeiro apresenta evidências
quanto à relação entre seção transversa muscular e desempe-
nho em exercício no cicloergômetro. Da Universidade Federal
de Santa Maria chegam-nos dados a respeito do efeito do
treinamento da força sobre a massa óssea de indivíduos jovens
e grupo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro investe
nas relações entre exercício de fl exibilidade e desempenho em
testes de força.
Na perspectiva da reabilitação e prevenção de lesões, pes-
quisadores da Universidade Federal Fluminense apresentam
dados sobre os efeitos do treinamento muscular inspiratório,
ao passo que a ginástica laboral é objeto de estudo de labo-
ratório da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
A nutrição esportiva faz-se presente em estudos que ava-
liaram a frequência e impacto do uso de repositores hidroele-
trolíticos em academias (Universidade Paulista de Araçatuba)
e avaliação do estado nutricional de praticantes de atividade
física (Universidade Federal de Minas Gerais). Enfi m, artigos
de revisão abordam assuntos como treinamento aeróbio para
obesos diabéticos (Universidade Gama Filho - Campinas),
processo de envelhecimento humano (Universidade Federal de
Juiz de Fora), rabdomiólise e atrofi a muscular (Universidade
Estadual Paulista – Botucatu) e esteróides anabólicos (Escola
Superior de Educação Física de Muzambinho).
Como se vê, a RBFEx refl ete o vasto painel de temáticas
que podem ser discutidas à luz da fi siologia do exercício,
bem como a multiplicidade de grupos de pesquisa que vêm
se dedicando ao seu estudo no Brasil. Espero que gostem da
leitura e que dela tirem informações proveitosas!
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201068
Artigo original
Influência da força e da área de corte transverso
muscular de membros inferiores sobre as potências
física e aeróbia máximas em teste de esforço
em cicloergômetro
Influence of strength and cross-sectional area of lower limb
muscle on the maximal physical and aerobic power in exercise
test in cycle ergometer
Th iago Rodrigues Gonçalves*
*Graduado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro –UFRJ, Mes-
trando em Ciências Cardiovasculares pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense - UFF
Resumo
Objetivo: Investigar a relação da força dinâmica máxima (Fmáx)
dos membros inferiores e da área de corte transverso muscular do
quadríceps (ATQ) com a potência máxima (Wmáx) e a potência aeróbia
máxima (VO2máx). Métodos: Nove voluntários masculinos (22 ± 2
anos; 73 ± 9 kg) foram avaliados em dois momentos (M1 e M2).
As medidas antropométricas e o teste de esforço máximo no ciclo-
ergômetro foram realizados no M1. Os parâmetros de trocas gasosas
e ventilatórios foram coletados através da calorimetria indireta de
circuito aberto (Aerosport® TEEN 100, EUA). Realizou-se em M2
teste de uma repetição máxima (1RM) no aparelho Leg Press hori-
zontal para determinação da Fmáx. Os dados foram tratados através
da análise de regressão para ≤ 0,05. Resultados: A ATQ (135,8 ±
13,7 cm2) foi signifi cativamente correlacionada ao VO2máx (46,6 ±
12,4 mL.kg-1.min-1) com r = 0,70 e a Wmáx (270 ± 30 W) com r =
0,76; p ≤ 0,05. A Fmáx (94,3 ± 13,4 kg) não apresentou correlação
signifi cativa ao VO2máx (r = 0,47) e a Wmáx (r = 0,40). Conclusão:
A ATQ apresentou boa associação ao VO2máx e a Wmáx. As últimas
variáveis não apresentaram associação a Fmáx.
Palavras-chave: 1RM, antropometria, teste de esforço, eficiência
mecânica.
Abstract
Objetive: To investigate the relationship of maximal dynamic
strength (Smax) of the lower limbs and the cross-sectional area of
the quadriceps muscle (CSAQ) at the maximum (Wmax) and maxi-
mum aerobic power (VO2max). Methods: Nine male volunteers (22
± 2 years, 73 ± 9 kg) were evaluated in two stages (M1 and M2).
Anthropometric measurements and maximal exercise test on a cycle
ergometer were performed in M1. Th e parameters of gas exchange
and ventilation were collected by indirect calorimetry open circuit
(Aerosport ® TEEN 100, USA). Held in M2 test of one repetition
maximum (1RM) on the unit Horizontal Leg Press for the deter-
mination of Smax. Th e data were treated by regression analysis for ≤ 0.05. Results: Th e CSAQ (135.8 ± 13.7 cm2) was signifi cantly
correlated with VO2max (46.6 ± 12.4 mL
.kg-1.min-1) with r = 0.70
and Wmax (270 ± 30 W) with r = 0.76, p ≤ 0.05. Th e Smax (94.3 ±
13.4 kg) was not signifi cantly correlated to VO2max (r = 0.47) and
Wmax (r = 0.40). Conclusion: Th e CSAQ showed good association with
VO2max and Wmax, as last variables showedno association with Smax.
Key-words: 1RM, anthropometry, exercise test, mechanical
efficiency.
Recebido 22 de dezembro de 2009; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Thiago Rodrigues Gonçalves, Rua Santa Rosa 141/703, Santa Rosa 24240-225 Niterói RJ,
Tel: (21) 9731-6594, E-mail: tr.goncalves@yahoo.com.br
69Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Introdução
O termo ergoespirometria nasceu em 1929 sugerido por
Kipping & Brauer, posteriormente revisado por Hollmann
& Prinz [1]. O teste ergoespirométrico permite um valioso
estudo da integração entre os sistemas pulmonar, cardiovas-
cular e musculoesquelético [2,3].
Wassermann et al. [4] e posteriormente aprimorado por
Buchfuhrer et al. [5] propuseram o teste de esforço máximo
(TE) no cicloergômetro com incrementos de carga de 1 min,
a fi m de determinar principalmente variáveis metabólicas e
físicas como: a potência aeróbia máxima (VO2máx) e a potência
física máxima (Wmáx), caracterizadas por critérios objetivos
[6], em 10 ± 2 min. A pesquisa de Buchfuhrer et al. [5] ainda
propõe que a força muscular nesse protocolo pode infl uenciar
em sua avaliação.
Alguns estudos se propuseram a investigar a infl uência da
força muscular sobre variáveis máximas em TE, sendo esta
a partir de treinamento ou não e em protocolos de testes de
esforços diferentes [7,8], e não encontraram resultados sig-
nifi cativos para indivíduos adultos. Há algumas difi culdades
em se determinar o valor preciso da Fmáx, pois podem ocorrer
limitações em sua mensuração. Bruce et al. [9] apresentaram
casos de variação da força entre indivíduos adultos e não-
treinados em que o fator neural poderia estar infl uenciando
sua determinação a partir de dois fatores principais: 1) uma
incompleta ativação muscular ocasionada pela dor e 2) uma
incompleta ativação muscular sem dor gerada por mecanismo
de segurança.
Ainda não é documentada a utilização de preditores da
Fmáx, a fi m atenuar essas possíveis limitações, sobre a perfor-
mance e variáveis máximas em TE. A área transversal muscular
do quadríceps (ATQ) [9,10] pode predizer a Fmáx, sendo um de
seus principais associados, que assim se objetiva a diminuir
os riscos de lesões articulares, musculares e outros acidentes
possíveis e ainda encurtar as sessões de testes propostos para
sua determinação. É importante para avaliação do TE, com
incremento de carga de 1 min, determinar a infl uência da
Fmáx e da ATQ sobre suas variáveis máximas.
O presente estudo teve como objetivo investigar a relação
da Fmáx e da ATQ dos membros inferiores com o VO2máx e a
Wmáx em teste no cicloergômetro.
Material e métodos
Sujeitos
Participaram da presente investigação nove voluntários
masculinos (Tabela I), aparentemente saudáveis, avaliados
em dois momentos (M1 e M2) entremeados por no mínimo
dois e no máximo 14 dias. Em M1 realizou-se as medidas
antropométricas e o TE no cicloergômetro (Monark® Brasil).
Em M2 realizou-se um teste de uma repetição máxima (1RM)
no aparelho Leg Press Horizontal (Manejo-Fitness, Brasil) para
determinação da Fmáx. Foi recomendado para o dia prévio
aos exames, a abstinência de atividades físicas extenuantes (≥
5 METs) e a manutenção da dieta mista. Foi recomendado
também evitar a ingestão de alimentos e cafeína nas três horas
precedentes ao esforço. Nenhum dos voluntários participou
de treinamentos de exercícios resistidos para membros infe-
riores. Os sujeitos preencheram um termo de consentimento
e esclarecimento. Os procedimentos foram aprovados pelo
Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital dos Servidores do
Estado do Rio de Janeiro para Estudos com Seres Humanos.
Tabela I - Características dos sujeitos.
Média ± DP Mínimo Máximo
Idade (anos) 22 ± 2 18 25
Estatura (cm) 176,6 ± 4,4 166,1 188,9
Peso (kg) 73,3 ± 8,8 62,0 92,4
%gor (%) 14,3 ± 5,7 7,0 24,0
LBM (kg) 62,6 ± 6,4 51,4 71,1
Circ-d (cm) 51,6 ± 3,0 47,5 58,5
%gor-d (%) 14,8 ± 5,6 9,5 25,0
Circ-e (cm) 52,1 ± 3,2 48,0 57,0
%gor-e (%) 14,9 ± 5,8 9,0 25,0
%gor = percentual de gordura corporal; LBM = massa corporal magra;
Circ-d e Circ-e = circunferência do ponto médio da coxa direita e
esquerda; %gor-d e %gor-e = percentual de gordura anterior da coxa
direita e esquerda.
Antropometria
Primeiramente, foram realizadas as medidas de dobras
cutâneas (DC) e perimetria dos membros superiores e in-
feriores. Para medidas de circunferências utilizou-se uma
trena metálica. As medidas de DC foram verifi cadas através
de um adipômetro (Cescorf®, clínico, precisão 1 mm). Para
determinação dos componentes corporais, percentual de gor-
dura (%gor) e massa corporal magra (LBM), foi utilizado o
protocolo de 3DC de Pollock [11], o qual estima densidade
corporal para ser, posteriormente, transformada em %gor e
a LBM determinada pela subtração do peso total pelo peso
gordo.
Para cada sujeito foi medido o comprimento da coxa
direita e esquerda, do trocânter ao côndilo medial, fazendo
a mensuração do ponto médio e dobra cutânea anterior da
coxa a 50% de distância neste comprimento. A área de corte
transverso muscular do quadríceps da coxa direita (ATQD) e
esquerda (ATQE), foi determinada através da seguinte equação
descrita por Housh et al. [12]:
ATQD, E = (2,52 x circunferência medial da coxa em cm)
– (1,25 x dobra cutânea anterior da coxa em mm) – 45,13.
A ATQ foi dada pela soma das áreas de corte transverso dos
membros inferior direito e esquerdo.
Assim: ATQ = ATQD + ATQE em cm
2.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201070
Protocolo do teste de esforço
Foi empregado o protocolo escalonado, continuo e máxi-
mo, constituído do repouso inicial de seis minutos sentado
no cicloergômetro, seguido pelo aquecimento de quatro
minutos pedalando sem carga e, posteriormente, pela fase
escalonada com duração máxima ocorrendo entre oito e 12
minutos [5]. Os incrementos da sobrecarga postos a cada
minuto foram calculados através de equação de predição
da carga máxima [13], usando uma cadência constante. A
cadência foi de 60 rpm e controlada através de um metrô-
nomo audiovisual.
As variáveis de trocas gasosas e ventilatórias foram medidas
por um analisador metabólico (Aerosport TEEN 100, EUA)
de circuito aberto e por um pneumotacógrafo de fl uxo médio
(Hans Rudolph, EUA). Esses dados foram registrados a cada
20 segundos. A frequência cardíaca foi monitorada ao longo
do exame por meio de um cardiotacômetro (Polar Vantage,
NV, Finlândia).
Previamente a cada exame foram realizadas as calibra-
gens dos equipamentos. Calibrou-se o ergoespirômetro em
circuito fechado, fornecendo uma mistura de gases (AGA,
Brasil). O fl uxo de gases foi calibrado através de uma seringa
de três litros (Hans Rudolph, EUA) e o cicloergômetro por
um lastro de 3 kg.
Os testes foram considerados máximos quando observados
pelo menos três dos seguintes critérios segundo Howley et al.
[6]: platô no VO2 ( aumento ≤ 150mL
. min-¹ ou 2 mL.kg-¹.
min-¹), RER (respiratory exchange ratio) ≥ 1,15, FCMax ≥ 90%
da prevista pela idade (220 - idade), índice de percepção de
esforço ≥ 18 (tabela de BORG de 6 a 20), e fadiga voluntária
máxima com incapacidade de manutenção do ritmo pré-
estabelecido.
Respectivamente, o VO2máx e a Wmáx foram dados pelo
consumo de oxigênio mais alto e pela última carga suportada
ao fi nal do teste.
Para cada sujeito, após o TE acima descrito, foi calculada
a média por minuto do VO2 (L
.min-1) integrado a cada 20
segundos e da potência física (W) ao fi nal de cada estágio e
ao fi nal do TE para análise de regressão. A Δef foi determinada
observando a inclinação da reta de cada sujeito [14].
Determinação da força dinâmica máxima
Os sujeitos realizaram um aquecimento e uma familia-
rização prévia no aparelhocom duas series de 10 repetições
com intervalo de um minuto entre séries. Seguidamente
executaram até três tentativas para mensuração da 1RM
com intervalos de três a cinco minutos. Os sujeitos fi zeram
movimento bilateral dos membros inferiores chegando à
90º na fase excêntrica. Os sujeitos foram aconselhados a
executarem duas repetições no aparelho, sendo determinada
a Fmáx quando os sujeitos conseguissem executar somente
uma repetição.
Com o objetivo de reduzir a margem de erro no teste
adotaram-se os seguintes procedimentos [15]: a) instruções
padronizadas antes do teste, de modo que o avaliado esti-
vesse ciente de toda a rotina envolvida na coleta de dados;
b) o avaliado foi instruído sobre a técnica de execução do
exercício através da familiarização com o aparelho e execu-
ção do exercício sem carga para reduzir o efeito de fadiga;
c) o avaliador estava atento quanto à posição adotada pelo
praticante; d) todos os sujeitos executaram o teste no mesmo
período do dia.
Análise estatística
Os dados foram tratados através da estatística descritiva
(média DP). A relação das variáveis estudadas no presente
estudo foi tratada por análise de regressão. Para todos os testes
foi adotado o nível de signifi cância de ≤ 0,05. No presente
estudo foram usados os aplicativos Statistical Package for the
Social Sciences® (SPSS, EUA) versão 10.0 e Microsoft Excel®
para Windows XP® (EUA).
Resultados
Os valores das variáveis de M1 e da variável de M2 estão
descritos na Tabela II.
Tabela II - Valores em média ± DP das variáveis de M1 e M2.
Média ± DP Mínimo Máximo
ATQD (cm
2) 68,3 ± 7,4 59,6 82,2
ATQE (cm
2) 67,5 ± 6,4 60,8 81,6
ATQ (cm
2) 135,9 ± 13,7 120,4 163,8
FCmáx (bpm) 184,0 ± 16,0 162,0 204,0
Wmáx (W) 270,0 ± 30,0 240,0 330,0
VO2máx (L
.min-1) 3,40 ± 0.98 1,72 4,34
VO2máx (mL
.kg-1.min-1) 46,6 ± 12,4 27,8 63,0
∆ef (mL
.min-1.W-1) 11,1 ± 2,80 6,40 13,6
Fmáx (kg) 94,3 ± 13,4 83,0 125,0
ATQD e ATQE = Áreas de corte transverso muscular do quadríceps do
membro direito e esquerdo; ATQ = soma de ATQD e ATQE; FCmáx = Fre-
qüência Cardíaca Máxima; Wmáx = Carga Máxima; VO2máx = Potência
Aeróbia Máxima em dados absolutos e relativos; ∆ef = Eficiência mecâ-
nica delta e Fmáx = Força Muscular Máxima.
A Tabela III apresenta a matriz de correlação das variáveis
estudadas. Observamos que a Fmáx apresentou correlação
signifi cativa com a ATQ de p ≤ 0,01 e r
2 = 0,66. A Fmáx não
apresentou correlação signifi cativa ao VO2máx (p = 0,200; r
2
= 0,22) e a Wmáx (p = 0,293; r
2 = 0,16). A Δef também não
apresentou resultados signifi cativos para ATQ (p = 0,176; r
2
= 0,24) e para Fmáx (p = 0,265; r
2 = 0,18). Já a partir de ATQ
tivemos correlações signifi cativas com o VO2máx (p = 0,036;
r2 = 0,49) e com a Wmáx (p = 0,018; r
2 = 0,58).
71Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Tabela III - Matriz de correlação das variáveis de M1 e M2.
Fmáx ATQ VO2máx Wmáx ∆ef
Fmáx (kg) 1.00 0.81** 0.47 0.40 0.42
ATQ (cm
2) 1.00 0.70* 0.76* 0.49
VO2máx (mL
.kg-1.min-1) 1.00 0.75* 0.87**
Wmáx (W) 1.00 0.56
∆ef (mL
.min-1.W-1) 1.00
* Significativo para ≤ 0,05; ** significativo para ≤ 0,01. Fmáx =
Força dinâmica máxima; ATQ = Área de corte transverso muscular do
quadríceps; VO2máx = Potência aeróbia máxima; Wmáx = Potência máxi-
ma; ∆ef = Eficiência mecânica delta.
Discussão
Recomenda-se a progressão 10% da carga máxima por
minuto no protocolo escalonado, continuo e máximo para
determinação do VO2máx. O teste deve ser fi nalizado por
meio de critérios de esforço máximos entre oito e 12 mi-
nutos. Baseando-se numa melhor avaliação neste protocolo
em cicloergômetro, o presente estudo investigou a relação
da Fmáx dos membros inferiores com a ATQ e suas infl uências
sobre o VO2máx, a Wmáx e a Δef. A ATQ apresentou correlação
signifi cativa e positiva com a Fmáx (Tabela III) confi rmando a
associação relatada em outros estudos [9,10,16].
Investigando a infl uência da Fmáx com as variáveis máxi-
mas apresentadas aqui no estudo no TE não foram obser-
vadas relações signifi cativas (tabela III). Outros estudos que
investigaram a infl uência da força muscular sobre variáveis
máximas em TE, sendo esta a partir de treinamento ou não e
em protocolos de esforço diferentes, encontraram resultados
signifi cativos somente para voluntários idosos. Frontera e cols.
[17] analisaram o efeito do treinamento da força muscular
em variáveis máximas no TE em cicloergômetro com idosos
e observou signifi cância no VO2máx relativo a LBM, relatando
a importância da massa muscular. Segundo Izquierdo e cols.
[8], em seu estudo, encontrou-se relação entre a Wmáx e Fmáx
também somente para idosos e não para adultos de meia-
idade. A pesquisa propõe que a força muscular máxima por
decrescer com o envelhecimento, indivíduos idosos teriam
uma maior infl uência e necessidade da força sobre a Wmáx. No
estudo de Loveless et al. [7], pesquisando o efeito do treina-
mento da Fmáx anterior ao TE em cicloergômetro a partir de
testes de 1RM não verifi cou aumento signifi cativo no VO2máx,
mesmo com a ocorrência de teste de repetibilidade. O teste
de repetibilidade da Fmáx visa atenuar o erro de determinação,
recomendando-se no mínimo três sessões de testes para se ter
uma estabilização da Fmáx [18].
Contrapondo os achados no presente estudo sobre a
Fmáx, a ATQ teve relação signifi cativa com o VO2máx e a Wmáx.
A partir da Figura 1 podemos observar a dispersão de ATQ
sobre o VO2máx e a Wmáx apresentando a equação da reta de
VO2máx = 0.636ATQ – 39.75 e da Wmáx = 0.328ATQ + 46.02 e
coefi ciente de determinação nos mostrando uma infl uência de
49 e 58%, respectivamente. Numa pesquisa semelhante ao de
nosso estudo, Shephard et al. [19] mostraram que o volume
muscular das pernas, variável que também pode predizer a
Fmáx, tem uma relação signifi cativa com o VO2máx (r = 0,79).
ATQ é determinada por técnicas avançadas como a Imagem
de Ressonância Magnética [20] e/ou Ultrassom [21], ou por
técnicas mais simples, como análise antropométrica, visando
um menor custo e praticidade. A equação proposta por Housh
et al. [12], descrita e utilizada em nossa pesquisa, tem R =
0.86 e erro padrão da estimativa (EPE) igual a 0.92 para ATQ.
Assim, dentro dos patrões para validação a partir de regres-
sões. Com isto, a estimativa da ATQ por antropometria nos
garantiu uma avaliação mais confi ável da Fmáx e um resultado
mais satisfatório em relação ao VO2máx e a Wmáx. Os achados
aqui encontrados mostram que a ATQ exerce infl uência sobre
variáveis máximas, podendo ser preditora do VO2máx e da
Wmáx determinadas no protocolo de esforço aqui apresentado.
Figura 1 - Diagrama de dispersão entre ATQ sobre o VO2máx e a Wmáx.
0
20
40
60
80
y = 0.636x - 39.75
r² = 0.489
VO
2m
ax
(m
l.
kg
.-
1 m
in
-1
)
100 120 140 160 180
200
250
300
350
y = 0,328x + 46,02
r 2 = 0,575
ATQ (cm
2)
W
m
áx
(W
)
Conclusão
Portando o presente estudo concluiu que a ATQ apresentou
uma associação de moderada a boa com o VO2máx e a Wmáx
e não apresentou associação com a Δef determinadas em
protocolo de teste com incremento de um minuto. As últi-
mas variáveis não apresentaram associação com a Fmáx. Para
pesquisas futuras sugerimos analisar ATQ a partir de métodos
mais avançados, utilizar outros fatores representativos do
componente anaeróbio como a potência muscular e analisar a
infl uência de interação entre as variáveis estudadas no presente
estudo em diferentes populações, principalmente a idosa.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201072
Agradecimentos
Agradeço ao Hospital dos Servidores do Estado do Riode
Janeiro na pessoa do Dr. Aluysio S. Aderaldo Jr. por possibili-
tar a execução do teste de esforço máximo no laboratório de
capacidade física (conveniado com a EEFD/UFRJ) e ao centro
esportivo G. Reis - Salesianos na pessoa do Prof. Geraldo Reis
por possibilitar a execução do teste de uma repetição máxima
em seu setor de musculação. Agradeço também aos amigos e
professores Fernando Nogueira, Paula Magrani e Lucenildo
Cerqueira por ajudarem na coleta de dados.
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73Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Artigo original
Consumo de repositores hidroeletrolíticos
em praticantes de exercício físico
Intake of hydroelectrolytic solutions in physical activity practitionners
Gabriela da Silva Ferreira*, Aline Pristilo Domingues**, Lúcia Regina Cardoso Alves***,
Luiz Roberto Lourena Gomes da Costa, M.Sc.****, Milena Costa Menezes Cornacini, D.Sc.*****
*Nutricionista Técnica de Laboratório Jr A da Universidade Paulista de Araçatuba, Nutricionista da Associação Abrampeme de Ara-
çatuba, **Pós-Graduanda em Terapia Nutricional Clínico Hospitalar, ***Pós-Graduanda em Gestão e Gastronomia em Serviços de
Alimentação, ****Docente da Universidade Paulista de Araçatuba, *****Coordenadora e Docente do curso de Nutrição da Universi-
dade Paulista de Araçatuba
Resumo
Introdução: O exercício físico impõe a perda de líquidos e eletróli-
tos, principalmente pelo suor, e quando não repostos adequadamen-
te, pode levar a prejuízos no rendimento de treino e ao organismo.
Objetivo: Avaliar a frequência de ingestão de repositores hidroeletro-
líticos em praticantes de exercício físico. Material e métodos: Foram
selecionados 51 praticantes de exercício físico de uma academia da
cidade de Araçatuba/SP. Os indivíduos foram submetidos à avaliação
do estado nutricional através do índice de massa corporal (IMC) e
investigação sobre o uso de repositores hidroeletrolíticos. Aplicou-
se 25 questões com objetivo de caracterizar a população quanto ao
tipo de exercício físico, duração de treinos, frequência de consumo
de repositores hidroeletrolíticos, indicação, efeitos colaterais, re-
sultados obtidos entre outras informações necessárias. Resultados:
O IMC demonstrou maior frequência de sobrepeso (47,05%).
Dezoito (35%) dos indivíduos tomavam repositores hidroeletrolíti-
cos, prevalecendo os homens. Houve alto grau de instrução e poder
aquisitivo; a musculação era a atividade mais frequente. Quanto à
recomendação houve prevalência pela autoindicação e orientação
de personal, com citação do conhecimento do produto pela mídia.
A maioria relatou ausência de efeitos colaterais e todos descreveram
benefícios do uso dos repositores hidroeletrolíticos. Conclusão: A
frequência do uso de repositores hidroeletrolíticos foi baixa, sendo
a autoindicação ou por personal uma realidade. Houve benefícios
do uso dos repositores hidroeletrolíticos na população investigada.
Palavras-chave: alimentos para praticantes de atividade física,
exercício físico, hidratação, eletrólitos.
Abstract
Introduction: Th e physical exercise imposes the loss of liquids
and electrolytes, mainly by sweat, and when they are not replaced
adequately, may aff ect training performance and body. Objective:
To evaluate frequency of hydroelectrolytic replacement intake in
participants of a physical exercise program. Material e methods: 51
participants of a physical exercise program of one fi tness center of
Araçatuba/SP were selected. Th e individuals were submitted to a
nutritional assessment status through body mass index (BMI) and
investigation about the use of hydroelectrolytic replacements. 25
questions were administered aiming to characterize the population
concerning types of physical exercise, training duration, frequency
of hydroelectrolytic replacement intake, person who recommended,
collateral eff ects, results from other information. Results: Th e BMI
showed predominance of overweight (47.05%). Eighteen (35%)
individuals used hydroelectrolytic beverages, prevailing men. High
education level and high purchase power was observed among the
participants; bodybuilding was the favorite exercise. Regarding
recommendation there was prevalence for self-indication and per-
sonal trainer, but also through mass media. Th e majority related
absence of collateral eff ects and everybody described benefi ts after
using hydroelectrolytic beverages. Conclusion: We concluded that
hydroelectrolytic beverages were not used very often,and were re-
commended by personal trainer or by mass media. Th e investigated
population reported benefi ts when using them.
Key-words: foods for persons engaged in physical activities,
physical exercise, hydration, electrolysis.
Recebido 11 de dezembro de 2009; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Gabriela da Silva Ferreira, Rua Duque de Caxias, 36/73, Centro 16010-410 Araçatuba SP, Tel: (18)
9704-4006, E-mail: gabrielasf2@hotmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201074
Introdução
É consenso que a alimentação e a hidratação inadequadas ao
praticante de exercício físico afetam diretamente à saúde, o peso
e a composição corporal, além de prejudicarem a disponibilida-
de de substratos durante o exercício, quanto à recuperação, o
desempenho físico e, consequentemente a qualidade de vida [1].
Durante a atividade muscular ocorre um aumento na
produção de calor no organismo, que é dissipado em parte
pela produção de suor [1]. O estresse do exercício é acentu-
ado pela desidratação, a qual eleva a temperatura corporal,
prejudicando as respostas fi siológicas e o desempenho físico
produzindo riscos à saúde [2]. Estes efeitos podem ocorrer
mesmo que a desidratação seja leve ou moderada, com até
2% de perda do peso corporal, agravando-se à medida que
ela se acentua [3].
Quando ocorre sudorese excessiva por período prolon-
gado, com ausência de reposição sufi ciente de sódio e/ou de
fl uídos como a água, pode instalar-se um quadro de hipo-
natremia, que se caracteriza por fraqueza, lassidão, apatia,
cefaléia, hipotensão ortostática, taquicardia e choque. Até a
pele é afetada, ocorre a diminuição da elasticidade, e depen-
dendo da quantidade perdida de sódio, pode surgir confusão
mental, alucinação e coma [4].
É possível surgir defi ciência de cloreto, o qual se expressa
por espasmos musculares e, quando intensa, pode acarretar
coma e depressão respiratória. A hipocalemia pode ser con-
sequência da sudorese excessiva expressando-se por apatia,
mal-estar, náuseas, vômitos, distensão abdominal e até íleo
paralítico. Pode associar-se com hipotensão postural e com
redução da pressão diastólica [5].
Assim, é de fundamental importância a adequação no
consumo de repositores hidroeletrolíticos em praticantes de
exercício físico, a fi m de evitar carências e excessos de líquidos
e nutrientes. Para tanto, profi ssionais especializados como
nutricionistas ou médicos de esportes estarão aptos para a
prescrição. De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina
no Esporte (SBME) [6], quando o exercício físico praticado
for prolongado, de mais de uma hora de duração, ou para as
atividades de elevada intensidade recomenda-se a ingestão de
repositores hidroeletrolíticos e não apenas de água [7].
Segundo Monteiro et al. [8], em exercícios prolongados em
que a depleção de substratos ocorre e/ou durante o exercício
realizado no calor levando a um quadro de desidratação, a
ingestão regular de repositores hidroeletrolíticos irá amenizar
os fatores indesejáveis que são prejudiciais ao desempenho.
Maughan et al. [9] esclarecem que a reidratação após o exer-
cício não deve se restringir só ao volume de água perdido mas
também a reposição de eletrólitos, principalmente o sódio que
é eliminado em grandes quantidades através do suor.
Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem
hidratado, recomenda-se que beba cerca de 250 a 500 ml
de água duas horas antes do exercício. Durante o exercício
recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 minutos
e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. O volume a
ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese, na faixa de
500 a 2.000 ml/hora. Após o exercício, deve-se continuar
ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de
água pela urina e sudorese [6].
Segundo Bar-Or [10], um procedimento simples e efetivo
para determinar a quantidade de líquidos a ser ingerido é pesar
o indivíduo antes e depois da prática do exercício físico, pois
as modifi cações na massa corporal são causadas praticamen-
te pela perda de fl uídos. Para minimizar a possibilidade de
exaustão pelo calor e outras formas de doenças provocadas por
ele, recomenda-se que as perdas hídricas devido à transpiração
durante o exercício sejam repostas em quantidades próximas
ou iguais à da taxa de sudorese [11].
É indiscutível a importância da boa hidratação, porém,
quando se trata do consumo dos repositores hidroeletrolíti-
cos em praticantes de exercício físico, a literatura é escassa.
Portanto, a avaliação do consumo habitual destes produtos
torna-se relevante, a fi m de investigar adequações sobre as re-
comendações, bem como as repercussões clínicas dos excessos
e defi ciências de líquidos e eletrólitos, pois a reposição hidro-
eletrolítica adequada melhora a performance e a qualidade de
vida, minimizando as complicações durante o exercício físico.
Este estudo pretende contribuir para disseminar os co-
nhecimentos na área esportiva e nutricional, visando reduzir
as repercussões negativas do uso incorreto desses produtos.
Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo avaliar
a frequência do consumo de repositores hidroeletrolíticos em
praticantes de exercício físico.
Material e métodos
Foi realizado um estudo transversal exploratório e des-
critivo, investigando 51 frequentadores de uma academia
da cidade de Araçatuba/SP, em demanda espontânea em
diferentes faixas etárias e ambos os gêneros. O trabalho foi
aprovado Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Paulista
– UNIP (125/08).
Como critérios de inclusão foram selecionados frequen-
tadores da academia que praticassem exercício físico pelo
menos duas vezes na semana por no mínimo 60 minutos,
independente do horário da prática, com idade maior ou
igual a 18 anos, de ambos os gêneros, e assinatura do termo
de consentimento livre e esclarecido. Como critérios de
exclusão, frequentadores crianças, adolescentes menores de
idade, gestantes e indivíduos que se recusassem a participar
do processo de avaliação proposto.
Aplicou-se um formulário estruturado para a atual pes-
quisa contendo 25 questões com o objetivo de caracterizar
a população quanto ao tipo de exercício físico, duração de
treinos, frequência de consumo de repositores hidroeletrolí-
ticos, conhecimento do produto, indicação, efeitos colaterais,
resultados obtidos entre outras informações necessárias. Todos
os dados foram registrados em planilha Excel, no qual foram
75Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
efetuadas as análises estatísticas. Foi realizada análise descritiva
dos dados calculando a média e a frequência.
Resultados e discussão
Dos 51 indivíduos que responderam o formulário, 40
(78,43%) eram homens e 11 (21,56%) mulheres. A média
de idade entre os praticantes foi de 27 anos. Observou-se que
37 (72,54%) dos entrevistados eram solteiros, a maioria 26
(50,97%) possui grau de escolaridade superior completo, a
renda familiar prevalente foi entre 6 a 10 salários mínimos
encontrada em 22 (43,13%) dos entrevistados (Tabela I),
refl etindo alto grau de instrução e poder aquisitivo.
A Tabela II descreve a média de horas de exercícios físicos
praticados. Observa-se maior frequência de duração da prá-
tica de exercício físico de 2 horas, sendo que 03 praticantes
treinavam de 1 a 2 vezes, 25 de 3 a 4 e 23 treinavam 5 ou
mais vezes na semana. As modalidades descritas de exercí-
cios praticados foram: musculação, aeróbica e associação de
musculação e aeróbica. O exercício físico mais praticado foi
a musculação, descrito em 54,86% dos investigados, com
maior frequência em homens.
De acordo com a SBME [6], quando o exercício físico
praticado for prolongado, de mais de uma hora de duração,
ou paraas atividades de elevada intensidade recomenda-se a
ingestão de repositores hidroeletrolíticos. Em atividades com
até 60 minutos de duração a água é a bebida mais adequada,
porém quando o exercício é superior a 60 minutos, a utiliza-
ção de produtos que contenham carboidrato passa a ter uma
importância considerável [6], recomendação não adotada
Tabela I - Dados socioeconômicos dos praticantes de exercício físico. Araçatuba, 2008.
Variáveis investigadas Masculino Feminino Total
n % n % n %
Escolaridade
Superior completo 21 41,17 5 9,8 26 50,97
Superior incompleto 9 17,64 2 3,92 11 21,56
Segundo Grau completo 8 15,68 4 7,84 12 23,52
Segundo Grau incompleto 1 1,96 - - 1 1,96
Primeiro Grau completo - - - - - -
Primeiro Grau incompleto 1 1,96 - - 1 1,96
Renda familiar mensal em salários mínimos
0 – 1 1 1,96 - - 1 1,96
2 – 5 9 17,64 1 1,96 10 19,6
6 – 10 18 35,29 4 7,84 22 43,13
Acima de 10 11 21,56 3 5,88 14 27,44
Ignorado 1 1,96 3 5,88 4 7,84
Estado civil
Solteiro 31 60,78 6 11,76 37 72,54
Casado 9 17,64 4 7,84 13 25,48
Viúva - - 1 1,96 1 1,96
Tabela II - Frequência, duração e modalidade de exercício praticado de praticantes de exercício físico. Araçatuba, 2008.
Variáveis investigadas Masculino Feminino Total
n % n % n %
Frequência de prática de exercício na seman
1 – 2 3 5,88 - - 3 5,88
3 – 4 18 35,29 7 13,72 25 49,01
5 ou mais 19 37,25 4 7,84 23 45,09
Horas praticadas de exercício físico no dia
1 – 2 32 62,74 11 21,56 43 84,3
3 – 4 3 5,88 - - 3 5,88
Acima de 4 1 1,96 - - 1 1,96
Ignorado 4 7,84 - - 4 7,84
Modalidade de exercício
Musculação 27 50,98 2 3,92 29 54,9
Aeróbica 1 1,96 1 1,96 2 3,92
Musculação e Aeróbica 3 5,88 6 11,76 9 17,64
Ignorado 9 17,64 2 3,92 11 21,56
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201076
pelos participantes investigados, observando que a maioria
pratica exercício físico acima de 1 hora, sendo que apenas 18
(35,29), usam os repositores hidroeletrolíticos, como pode
ser evidenciado na Figura 1.
Figura 1 - Frequência de consumo de repositores hidroeletrolíticos
nos praticantes de exercício físico. Araçatuba, 2008.
Figura 2 - Indicação de repositores hidroeletrolíticos em prati-
cantes de exercício físico. Araçatuba, 2008.
62,74
1,96
35,29
0
10
20
30
40
50
60
70
Sim Não Ignorado
Pe
rc
en
tu
al
(%
)
Para Drumond [12], o nível de conhecimento sobre hidra-
tação e sua prática entre atletas do Olímpico Club, da cidade
de Belo Horizonte/MG, foi pequeno e pode-se observar que
o consumo de repositores hidroeletrolíticos foi relativamente
baixo, assim como nossos dados encontrados. Segundo Brito
[13], avaliando atletas da modalidade de judô, constatou que
a maioria ainda não tem nenhum tipo de orientação sobre
a maneira correta de se hidratarem. O consumo de água é
predominante para a hidratação da maioria dos atletas, ape-
sar da importância dos repositores hidroeletrolíticos que são
pouco utilizados por estes.
No que concerne à prescrição ou recomendação, houve
semelhança em autoindicação e orientação de personal trainer
quanto aos repositores hidroeletrolíticos, sendo 44,44% cada.
A prescrição do nutricionista foi relatada por apenas um in-
divíduo e não houve relato de prescrição médica (Figura 2).
Tabela III - Período de ingestão, frequência e volume de repositores hidroeletrolíticos. Araçatuba, 2008.
Variáveis investigadas Masculino Feminino Total
n % n % n %
Período de ingestão
Antes - - - - - -
Durante 4 22,22 - - 4 22,22
Após 7 38,38 2 11,11 9 49,49
Antes, durante e após 3 16,66 - - 3 16,66
Antes e após 1 5,55 - - 1 5,55
Durante e após 1 5,55 - - 1 5,55
Freqüência
Diário 6 33,33 - - 6 33,33
Semanal 3 16,66 2 11,11 5 27,77
Quinzenal - - - - - -
Raro 7 38,88 - - 7 38,88
Volume
300ml 15 83,83 2 11,11 17 94,94
300 a 700ml 1 5,55 - - 1 5,55
44,44% 44,44%
5,55% 5,55%
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
Auto
indicação
Personal Nutricionista Amigos
Pe
rc
en
tu
al
(%
)
Alguns autores indicam que é relevante prescrever bebidas
adequadas aos praticantes de exercício físico [11]. Igualmente
importante seria trabalhar a educação dos técnicos, treinado-
res, parentes e praticantes de exercício físico a respeito dos
benefícios da hidratação adequada e dos repositores hidroele-
trolíticos, estimular programas de hidratação e pesá-los antes e
após o treinamento. A freqüência no consumo dos repositores
hidroeletrolíticos foi investigada em consumo raro, diário e
semanal. A freqüência rara foi a mais relatada, com preferência
do uso após a prática do exercício físico, com volume médio
ingerido de 300 ml, como demonstra a tabela III.
Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte –
ACSM [13], a estratégia mais correta de hidratação é aquela
realizada antes, durante e após o exercício realizado, pois a
hidratação antes do exercício objetiva potencializar as reservas
líquidas, e qualquer défi cit de líquido pode comprometer a
termorregulação; a hidratação durante o exercício visa tentar
equilibrar a perda de líquido diminuindo as possibilidades
de lesão térmica e exaustão prematura; já a reposição hídrica
após o exercício tem por objetivo restaurar os estoques hídricos
77Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
corporais, deixando o indivíduo em condições adequadas para
iniciar nova atividade sem comprometimento de desempenho
decorrente de desidratação. Nossos achados demonstram que
a ingestão dos repositores hidroeletrolíticos após o exercício
atendeu as recomendações do ACSM [13].
A desidratação durante o trabalho físico causa alterações
signifi cativas das funções corporais em nível cardiovascular,
termorregulador, metabólico e endócrino. Estes efeitos são
observados não somente quando ocorre uma desidratação com
a realização de trabalho físico intenso, como também, quando
iniciada uma tarefa motora em condições de hipohidratação
e/ou défi cit hídrico. Contudo, com a ingestão de volumes de
líquidos que contenham os equivalentes das perdas de água e
nutrientes perdidos com a sudorese, previne-se a desidratação
e alterações funcionais no organismo [14].
Conclusão
A frequência no consumo de repositores hidroeletrolíticos
foi baixa, encontrada apenas em 18 (35,29%) dos investiga-
dos, com prevalência na população adulta, jovem, masculina
e alto poder aquisitivo.
O consumo de repositores hidroeletrolíticos não foi
evidenciado em todos os praticantes de exercício físico que
necessitavam destes produtos, podendo contribuir para uma
signifi cativa piora na performance, na saúde e na qualidade
de vida da população investigada.
Há a necessidade da inserção de profi ssionais especiali-
zados na área esportiva, como médicos e nutricionistas do
esporte, a fi m de que se faça a prescrição adequada dos repo-
sitores hidroeletrolíticos, assim como estimular programas
de hidratação, além de trabalhar a educação de técnicos,
treinadores e toda a população envolvida na vida do praticante
de exercício físico.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201078
Artigo original
Efeitos de 11 semanas de diferentes tipos
de treinamento de força sobre a massa óssea
de jovens do sexo masculino
Effects of an eleven week period of different types of strength training
upon young men bone mass
Débora Wagner*, Roger Dahlke*, Luana Carvalho Picolini**, Rodrigo Ghedini Gehler**, Patrícia Somavilla**,
Daniela Lopes dos Santos***
*Graduados em Educação Física pela UFSM, **Especializandos em Atividade Física, Desempenho Motor e Saúde/UFSM, ***Pro-
fessora Associada do Departamento de Métodos e Técnicas Desportivas do Centro de Educação Física e Desportos da UFSM
Resumo
Exercícios físicos, como o treinamento de força, podem evitar
o aparecimento da osteoporose, aumentando a densidade mineral
óssea. Objetivou-se verifi car o comportamento da densidade mi-
neral óssea de homens submetidos aos treinamentos musculares
de hipertrofi a e resistência muscular localizada. Participaram do
estudo 8 sujeitos (23 anos ± 2,82) que realizaram o treinamento de
hipertrofi a e 8 (20 anos ± 0,81) que desenvolveram o de resistência
muscular localizada durante 11 semanas. A densidade mineral óssea
foi avaliada através da densitometria óssea. Observou-se que no
grupo de hipertrofi a, 4 sujeitos aumentaram sua densidade mineral
óssea quando os valores pré e pós-treinamento foram comparados,
porém não de maneira estatisticamente signifi cativa. No treinamento
de resistência muscular localizada obteve-se um resultado similar,
pois 7 sujeitos aumentaram sua densidade mineral óssea, mas não
de forma signifi cativa. Os 5 sujeitos restantes apresentaram uma leve
redução nos seus valores densidade mineral óssea, sendo que 1 deles
participou do grupo de resistência muscular localizada e 4 do grupo
de hipertrofi a. Realizando-se uma comparação entre os valores pré
e pós-treinamento dos grupos de hipertrofi a e resistência muscular
localizada não se constatou diferenças estatisticamente signifi cativas.
Justifi ca-se o fato do leve aumento ocorrido não ter sido signifi cativo
ao curto período de treinamento.
Palavras-chave: treinamento muscular, densidade mineral óssea,
homens, osteoporose.
Abstract
Physical exercises such as strength training (ST) may avoid os-
teoporosis, increasing bone mineral density (BMD). Th e purpose of
this study was to verify the BMD of men submitted to hypertrophy
muscle training and muscle resistance training. Eight subjects (23
± 2.82 years old) participated in the hypertrophy training (HT)
group and 8 subjects (20 ± 0.81 years old) in the muscle resistance
training (MRT) group during 11 weeks. Th e BMD was evaluated
with bone densitometry. It was observed that in the HT group, four
subjects increased their BMD when pre and post training values
were compared, but not in a statistically signifi cant manner. In
the MRT group a similar result was obtained, since seven subjects
increased their BMD, but not in a statistically signifi cant manner.
Th e fi ve other subjects presented a light reduction in their BMD
values, observing that one of them participated in the MRT group
and the other four in the HT group. When comparing pre and post
training values in both groups there was no statistically signifi cant
diff erence. Th ese results are justifi ed by the short training period.
Key-words: muscle training, bone mineral density, men,
osteoporosis.
Recebido 10 de fevereiro de 2010; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Daniela Lopes dos Santos, Avenida Presidente Vargas, 1635/303, Centro 97015-511 Santa Maria
RS, E-mail: danielals@brturbo.com.br
79Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Introdução
A osteoporose, caracterizada por uma baixa massa óssea
e um aumento no risco de fraturas é mais frequente em
mulheres, porém, também pode ocorrer em homens, sendo
que 20% da osteoporose e um terço das fraturas [1] ocorrem
neste público. Estudos mencionam que homens possuem
uma densidade mineral óssea (DMO) aproximadamente
15% mais alta [2].
Uma das formas de prevenir a perda exagerada da massa
óssea é através do treinamento de força. Atividades como
esta causam estímulos osteogênicos devido ao aumento do
stress mecânico nos ossos. Entretanto, o processo fi siológico
responsável por este esforço não é claramente explicado, mas
sugere-se que seja o efeito piezoelétrico ósseo. A presença
de sinais bioquímicos parece refl etir um campo elétrico de-
corrente da sobrecarga aplicada [3]. Essa teoria se aplica às
deformações ósseas causadas por compressão, tensão, torção
ou cisalhamento. Essas ações mecânicas geram diferença no
potencial elétrico dos ossos, que agem como um campo elé-
trico, estimulador da atividade celular, levando a deposição
de minerais nos locais de stress [3].
O período de treinamento também tem se apresentado
como fator determinante para mudanças signifi cativas na
massa óssea, além da intensidade, volume ou tipo de contra-
ção envolvido no treinamento de força. Analisando alguns
estudos, percebe-se que o tempo de treinamento varia desde
semanas até meses ou anos. Menkes et al. [3] estudaram
homens durante 16 semanas utilizando o treinamento de
força com série decrescente. Outro estudo avaliou mulheres
pós-menopausa durante 2 anos [4]. Apesar dessa grande
variação de períodos, não foram encontrados estudos que
avaliassem a massa óssea durante um tempo inferior a 16
semanas, sendo que muitos avaliaram a massa óssea em
períodos maiores (24 semanas) [5,6]. A maioria dos estudos
utiliza como amostras mulheres pré ou pós-menopáusicas
[4-6], homens adultos mais velhos [3] e meninos pré-púberes
[7,8]. O foco em relação à massa óssea de adultos jovens do
sexo masculino tem sido baixo, principalmente em relação ao
treinamento de força. Mesmo que na faixa etária entre 20 e
30 anos ocorra uma estabilização da massa óssea [9], não se
pode afi rmar que as pessoas desta idade não possam ser aco-
metidas pela osteopenia. Como a osteoporose relaciona-se ao
histórico de atividade física, vida sedentária e alimentação
inadequada (pobre em cálcio), ela pode gerar até mesmo
nesta faixa etária, ossos fracos e frágeis. Desta forma, este
estudo justifi cou-se pela importância em ampliar o número
de estudos que se referem ao público masculino jovem en-
volvendo treinamentos musculares específi cos, como uma
forma de prevenir a osteoporose. Objetivou-se verificar se
ocorrem alterações na massa óssea através do treinamento
de hipertrofi a e resistência muscular localizada durante 11
semanas em homens de 18 a 30 anos.
Materiais e métodos
Grupo de estudo
Fizeram parte deste estudo 16 adultos jovens (18 a 30
anos) saudáveis do sexo masculino. Os sujeitos foram sele-
cionados através de uma análise de seu histórico de atividade
física, pois foram adotados critérios de inclusão como nunca
ter praticado musculação e ser sedentário.
Os 16 participantes do estudo foram divididos em 2 gru-
pos. O primeiro grupo, contendo 8 participantes, realizou o
treinamento de hipertrofi a e o segundo grupo, também com
8 sujeitos, desenvolveu o treinamento de resistência muscular
localizada. Os sujeitos tiveram a liberdade de escolher qual
treinamento gostariam de desenvolver, a fi m de evitar a de-
sistência dos mesmos.
Todos os voluntários foram informados a respeito do ob-
jetivo e dos procedimentos a serem adotados para a realização
deste estudo, assinando o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética da UFSM sob o CAAE 0091.0.243.000-06 e seguiu
todos os preceitos da Resolução 196/96 do CNS.
Caracterização dos treinamentos musculares
Os indivíduos realizaram um período de adaptação com
duração de 2 semanas, com uma frequência de 3 vezes sema-
nais e o mesmo número de séries, repetições e exercícios para
ambos os grupos de treinamento (hipertrofi a e resistência
muscular localizada).
Os treinamentos musculares de hipertrofi a (HIP) e re-
sistência muscular localizada (RML) foram desenvolvidos
durante 9 semanas, adotando-se uma frequência de 3 vezes
semanais. O treinamento de HIP consistiu de 3 séries de 10
repetições a 75% de 1 repetição máxima (1RM), e os exercí-
cios foram concentrados por segmento muscular, adotando-se
a inclusão de um exercício por grupo muscular, com exceção
dos grandes grupamentos, nos quais adotou-se dois exercícios
por grupo muscular. O treinamento de RML consistiu de 3
séries com 20 repetições a 60% de 1 RM com os exercícios
também concentrados por segmento muscular. Seguiu-se o
mesmo procedimento adotado no treinamento de HIP para a
quantifi cação numérica de exercícios por grupo muscular [8].
O tempo de intervalo entre os exercícios para o treinamen-
to de HIP foi de 1 minuto e 30 segundos e entre as séries foi de
1 minuto. Para o treinamento de RML adotou-se um tempo
de intervalo entre os exercícios de 1 minuto e 30 segundos e
entre as séries, de 45 segundos.
Antes de iniciar os treinamentos foram realizados testes de
1 RM em todos os exercícios que seriam efetuados no progra-
ma de treinamento. Como a fase de adaptação ocorreu antes
dos testes de 1 RM, os sujeitos estavam familiarizados com
os exercícios. Para a realização dos testes de 1RM seguiu-se o
protocolo estabelecido por Moura et al. [10].
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201080
Mensuração da massa óssea
Para verifi cação da massa óssea pré e pós-treinamento foi
realizada a densitometria óssea através do aparelho de Raio-X
de Dupla Energia (DEXA), que não requer nenhum esforço
por parte dos avaliados. Foi avaliada a massa óssea de todo o
corpo, sendo que a DMO foi obtida através da razão entre
conteúdo mineral ósseo (em g) e área do osso (em cm2).
Análise estatística
Foi empregada uma análise estatística descritiva através da
média e desvio padrão. Aplicou-se o teste de Shapiro-Wilk
para verifi cação da normalidade e o teste “t” de Student para
amostras dependentes para a comparação dos valores da
massa óssea pré e pós-treinamento. Foi realizada inicialmente
uma análise exploratória dos dados sendo que não foram
apresentados desvios de normalidade. Foi adotado um nível
de signifi cância de 5%.
Resultados
A Tabela I apresenta as características descritivas da
amostra.
A Tabela II apresenta os valores pré e pós-treinamento da
densidade mineral óssea (DMO) dos sujeitos que desenvol-
veram o treinamento de hipertrofi a.
Observa-se que não houve alterações estatisticamente
signifi cativas entre os valores pré e pós-treinamento da DMO
dos sujeitos que desenvolveram o treinamento de HIP. Po-
rém, analisando-se cada resultado isoladamente, verifi cou-se
que 4 sujeitos aumentaram sua DMO após 11 semanas de
treinamento.
A Tabela III apresenta os valores pré e pós-treinamento
da DMO dos sujeitos que desenvolveram o treinamento de
RML.
Constata-se que não houve diferença estatisticamente
signifi cativa entre os valores pré e pós-treinamento da DMO
dos sujeitos que desenvolveram o treinamento de RML. Po-
Tabela I - Características descritivas da amostra (Média ± DP).
Variável Pré-treinamento HIP Pós-treinamento HIP Pré-treinamento RML Pós-treinamento RML
Idade 23 ± 2,82 23 ± 2,82 20 ± 0,81 20 ± 0,81
Estatura (cm) 176 ± 7,45 176 ± 7,45 173 ± 7,25 173 ± 7,25
MCT (kg) 74,81 ± 12,94 73,75 ± 11,96 68,13 ± 9,21 68,81 ± 9,66
MM (kg) 58,9 ± 8,24 58,9 ± 8,55 54,25 ± 6,16 55,29 ± 6
MG (kg) 11,14 ± 4,19 10,01 ± 3,12 9,27 ± 4,20 9,14 ± 4,44
MCT = massa corporal total; MM = massa magra; MG = massa gorda
Tabela II - Valores da DMO pré e pós-treinamento de hipertrofi a.
Sujeitos Área (cm2) pré Área (cm2) pós CMO (g) pré CMO (g) pós DMO total pré
(g/cm2)
DMO total pós
(g/cm2)
1 1990,37 2103,42 2318,31 2436,57 1165 1158
2 2072,30 2080,97 2297,35 2298,10 1109 1104
3 1960,83 1995,49 2238,00 2270,79 1141 1138
4 2512,29 2543,01 3440,48 3469,02 1369 1364
5 2373,64 2310,22 3144,99 3182,36 1325 1378
6 2226,71 2225,92 2651,58 2676,21 1191 1202
7 2500,87 2513,47 3191,45 3261,78 1276 1298
8 2372,45 2405,15 3012,91 3135,52 1270 1304
CMO = conteúdo mineral ósseo, DMO = densidade mineral óssea; p < 0,05.
Tabela III - Valores da DMO pré e pós-treinamento de RML.
Sujeitos Área (cm2) pré Área (cm2) pós CMO (g) pré CMO (g) pós DMO total pré
(g/cm2)
DMO total pós
(g/cm2)
1 2218,44 2181,81 3167,80 3064,87 1428 1405
2 2298,80 2248,38 2896,03 2853,06 1260 1269
3 2233,41 2206,62 2693,00 2662,59 1206 1207
4 2118,00 2112,48 2284,37 2282,79 1079 1081
5 2059,70 2091,21 2385,52 2505,86 1158 1198
6 2550,50 2604,46 3165,49 3263,85 1241 1253
7 2028,19 1952,16 2269,78 2241,62 1119 1148
8 2091,21 2024,25 2495,97 2482,77 1194 1227
CMO= conteúdo mineral ósseo, DMO= densidade mineral óssea; p < 0,05.
81Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
rém, analisando-se cada resultado isoladamente, verifi cou-se
que 7 sujeitos aumentaram sua DMO após 11 semanas de
treinamento.
A Figura 1 mostra a comparação entre os valores da DMO
dos sujeitos que realizaram o treinamento de HIP e RML.
Figura I - Comparação da DMO dos sujeitos que realizaram HIP
e RML.
Quanto maior a carga, maior o estímulo fornecido ao
osso, pois maior será o impacto sobre o mesmo. Este fato não
foi evidenciado neste estudo, pois observou-se que o maior
número de sujeitos que apresentaram aumento na DMO foi
no grupo de RML, ou seja, no treinamento que apresentou
menor intensidade. Bemben e cols. [6] não encontraram
aumentos na massa óssea de mulheres após 24 semanas
de treinamento de força a 40% de 1 RM e 80% de 1 RM.
Este estudo usou uma porcentagem similar (75%) a usada
por Bemben e cols. [6] e também não encontrou mudanças
signifi cativas após 11 semanas de treinamento.
Pelo fato de ocorrer uma estabilização da massa óssea
no período de 20 a 30 anos, período em que a aquisição do
pico da massa óssea já pode ter sido atingida [9], parece mais
difícil a infl uência da atividade física sobre o metabolismo
ósseo para gerar mudanças signifi cativas. Isso provavelmente
explica o baixo número de estudos envolvendo homens jovens
com idades entre 20 e 30 anos. Outro fator que pode explicar
os resultados deste estudo é o tempo do ciclode formação e
reabsorção óssea, pois segundo Bemben e cols.[6], o proces-
so de remodelação do tecido ósseo ocorre ao longo da vida
em ciclos que duram de 4 a 6 meses. Então, se a atividade
for desenvolvida dentro desse ciclo de remodelação, podem
ocorrer alterações positivas e signifi cativas na massa óssea.
Dessa forma, pode-se dizer que um período de 11 semanas
não é sufi ciente para provocar alterações signifi cativas e pode
explicar porque vários estudos realizados com períodos de
treinamento acima de 16 semanas obtiveram aumento na
DMO [3,5]. Entretanto, este fato não pode ser adotado como
justifi cativa principal, pois outros estudos [6,13] adotaram um
tempo de treinamento igual ou superior a 4-6 meses e mesmo
assim não encontraram respostas satisfatórias.
Conclusão
De acordo com os resultados obtidos, um período de 11
semanas não é sufi ciente para alterar signifi cativamente a
densidade mineral óssea de sujeitos jovens e sedentários do
sexo masculino.
O presente estudo contou com algumas limitações, como
o pequeno número de participantes em cada grupo e a falta de
controle da alimentação dos participantes a fi m de determinar
a ingestão de cálcio e qualidade da alimentação.
Agradecimentos
Os membros deste estudo agradecem ao CNPq/ Pibic
pela concessão da bolsa de Iniciação Científi ca, ao colega Luis
Felipe Schedler dos Santos, pelo apoio e disponibilidade na
realização desde estudo e ao Instituto de Densitometria Óssea
de Santa Maria, RS por facilitar a realização dos exames de
Densitometria Óssea.
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
Pré Pós Pré Pós
Hipertrofia RML
Discussão
Com base nos resultados verifi cou-se que não ocorreram
alterações signifi cativas na massa óssea de adultos jovens do
sexo masculino após 11 semanas de treinamento de hipertrofi a
ou resistência muscular localizada. Observou-se que 4 sujeitos
do grupo de HIP aumentaram sua DMO após o período de
treinamento, mas não de forma estatisticamente signifi cati-
va. Observou-se também, que 7 sujeitos do grupo de RML
aumentaram sua DMO, mas não de forma estatisticamente
signifi cativa. Estes pequenos aumentos observados podem
ser devido à aplicação de forças com intensidade acima da
habitual e que forneceram estímulos adequados ao osso, pois
o aumento na carga e consequentemente aumento na força
dos músculos podem induzir uma estimulação mecânica
mais intensa aos ossos [8]. Mesmo com aumentos pequenos
sugere-se uma alta redução no risco de fraturas do quadril em
adultos mais velhos [11]. Apesar de não terem sido encon-
tradas alterações signifi cativas no período de tempo utilizado
neste estudo, o mesmo pretendeu avaliar um período de
tempo diferente dos que geralmente são utilizados em outros
estudos (16 semanas, 24 semanas, 1 ano ou mais). Vários são
os estudos [3,5,6] que modifi caram a metodologia do pro-
grama de treinamento de força, porém mantiveram períodos
de treinamento semelhantes a outros estudos já publicados.
O efeito osteogênico decorrente da atividade física requer
um alto nível de treinamento, com grande volume e intensida-
de [12]. Este estudo adotou um percentual de intensidade de
75% para o grupo de HIP e 60% para o RML, considerados
como de intensidades moderada-alta e o volume de treina-
mento foi considerado sufi ciente, levando-se em consideração
a utilização de uma amostra sedentária. Desta forma, pode-se
dizer que a falta de mudanças signifi cativas na massa óssea
é devido ao curto período de execução dos treinamentos
musculares e não devido ao volume utilizado.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201082
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83Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Artigo original
Cinesioterapia laboral aplicada a servidores
do judiciário de Poços de Caldas/MG
Labor kinesiotherapy applied to civil servants of the judiciary
of Poços de Caldas/MG
Keruline de Oliveira Moreira*, Tatiana Rodrigues Martins*, Marina Aparecida Gonçalves Pereira**
*Acadêmicas do Curso de Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais campus Poços de Caldas, **Orientadora
e Professora do Curso de Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais campus Poços de Caldas
Resumo
A cinesioterapia laboral é um conjunto de exercícios realiza-
dos no local de trabalho durante sua jornada, gerando benefícios
fi siológicos, psicológicos e sociais para o trabalhador, afetando
diretamente a empresa através da maior produtividade e conse-
quentemente, maior lucro. O presente estudo teve como objetivo
verifi car o impacto do trabalho para risco de DORT/LER, assim
como a qualidade de vida dos servidores e funcionários do judiciário
de Poços de Caldas/MG antes e após aplicação da cinesioterapia
laboral. Utilizou-se de 03 questionários: Médico, SF-36 e Wiscon-
sin. Foram selecionados 16 trabalhadores pertencentes ao grupo de
risco, porém, apenas 6 funcionárias com média de idade de 42,8
anos concluíram o estudo. Pelos resultados, 83% das trabalhadoras
se encontravam com o peso dentro da normalidade e 17% acima
do ideal. No SF-36, os domínios aspecto social (p = 0,008) e saúde
mental (p = 0,04) foram estatisticamente signifi cativos, enquanto
que os outros domínios não foram estatisticamente signifi cativos (p >
0,05). Os segmentos corporais mais acometidos pela dore descritos
pelas trabalhadoras foram nos membros superiores com 31%, coluna
cervical e lombo-sacra com 22%. No questionário de Wisconsin,
apenas duas variáveis não foram estatisticamente signifi cativas, sendo
estas a dor atual com (p = 0,058) e o relacionamento com as pessoas
(p = 0,098). Conclui-se que a aplicação da cinesioterapia laboral
de forma isolada demonstrou resultados signifi cativos sobre o risco
de DORT/LER, assim como sobre a qualidade de vida, no entanto
torna-se necessário uma análise mais aprofundada que identifi que
as reais necessidades em relação à saúde, segurança e ergonomia dos
servidores e funcionários do referido Fórum.
Palavras-chave: cinesioterapia laboral, transtornos traumáticos
cumulativos, dor, saúde do trabalhador, qualidade de vida.
Abstract
Th e labor kinesiotherapy consists of a group of exercises per-
formed in the work place during working hours, providing phy-
siological, psychological and social benefi ts to the worker, aff ecting
directly the company by a major productivity and, consequently, a
major profi t. Th e aim of this study was to verify the work impact
for cumulative trauma disorders risk, and also, the civil servants
and employees quality of life of the judiciary of Poços de Caldas/
MG before and after the application of labor kinesiotherapy. Th ree
questionnaires were used: Medical, SF-36 and Wisconsin. Sixteen
workers belonging to a risk group were selected, but, just 6 em-
ployees, average 42.8 years old, concluded the research. 83% of
the workers had normal weight and 17% were overweighted. In the
SF-36 questionnaire, the social aspect (p = 0.008) and mental health
(p = 0.04) domains were statistically signifi cant (p > 0.05). Th e body
segments most aff ected by pain and described by the workers were
the superior limbs (31%), cervical and lumbosacral spine (22%). In
the Wisconsin, just 2 variables were not statistically signifi cant, being
them actual pain (p = 0.058) and relationship with other people (p =
0,098). It is concluded that the application of labor kinesiotherapy
in an isolated way demonstrated signifi cant outcomes about the
cumulative trauma disorders risk, as well as about the quality of
life, but its necessary a deeper analysis to identify the real needs of
health, security and ergonomics of the civil servants and employees
of the referred tribunal.
Key-words: labor kinesiotherapy, cumulative trauma disorders,
pain, occupational health, quality of life.
Recebido 7 de janeiro de 2010; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Tatiana Rodrigues Martins, Av. São Francisco, 886 Centro 39270-000 Pirapora MG, Tel: (38) 3741-
7841, E-mail: tatianarmartins@yahoo.com.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201084
Introdução
As doenças de origem ocupacional começaram a ser diag-
nosticadas em 1700, na Itália, por Bernardino Ramazzini, o
pai da medicina do trabalho. Porém, no Brasil, somente em
1987 o INSS as reconheceu como doença desta natureza
[1]. No entanto, os cuidados com a saúde dos trabalhadores
eram praticamente inexistentes e o número de indivíduos
portadores de lesões oriundas do trabalho aumentou consi-
deravelmente desde aquela época. Atualmente é reconhecida
por Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho
(DORT) ou Lesões por Esforços Repetitivos (LER) [2].
Os DORT/LER são afecções relacionadas às atividades
laborativas diárias e/ou profi ssionais, associadas às repetições
diversas, como as de movimentos bruscos, ou não, com in-
terrupções súbitas, esforço físico com grau alterado de força
exigida, pressão mecânica constante sobre determinados
segmentos corporais e predisposição individual [3].
Os fatores que podem provocar o aparecimento das
DORT/LER são classifi cados em específi cos como trauma-
tismos anteriores, hormonais, psicológicos e congênitos ou
gerais, incluindo os projetos de trabalho não adequados, que
determinam sobrecarga muscular; o tipo de tarefa com mo-
vimentos rápidos e repetitivos de antebraço, punho, mãos e
dedos; instrumento de trabalho inadequado facilitando desvio
ulnar e supinação do punho; ambiente de trabalho impróprio
como má iluminação, ruído excessivo; sobrecarga de trabalho
com falta de períodos de descanso e frequentes horas extras;
rotina de produção de alta exigência; competição e mau
relacionamento entre os colegas; medo do desemprego [4,5].
Dentre as afecções relacionadas ao DORT podemos des-
tacar tenossinovites, síndrome do túnel do carpo, tendinite,
epicondilite, bursite, miosite, síndrome cervicobraquial, sín-
drome do desfi ladeiro torácico, ombro doloroso, lombalgia e
outras patologias associadas à fadiga muscular principalmente
de ombro e pescoço [6]. As estruturas mais comprometidas
são tendões, sinovias, músculos, nervos, fáscias e ligamentos,
associadas ou isoladas a degeneração dos tecidos [7,8]. Os
sinais e sintomas frequentemente encontrados são a perda
de força, diminuição do trofi smo (hipotrofi a), alterações
sensitivas (parestesias e adormecimentos); dor; diminuição de
morbidade, perda da função [9]. Considerando a importância
da dor no diagnóstico, e decorrentes condutas nas lesões mus-
culoesqueléticas, parece pertinente avaliar, comparativamente,
a capacidade para o trabalho e o impacto da severidade da
dor nos trabalhadores do grupo de risco [10].
Com a instalação da sintomatologia surgem as incapa-
cidades como a diminuição da destreza manual, sentida na
digitação e na escrita, difi culdade de pegar, segurar e manusear
pequenos objetos como lápis e talheres, difi culdade para man-
ter os membros superiores elevados, como estender roupa no
varal, segurar-se em ônibus ou metrô, pentear os cabelos entre
outros [11]. O acometimento somente do membro superior
dominante pode existir, mas é frequente o acometimento de
ambos os membros. É comum observar pacientes poupando
o membro superior acometido, com receio de que a dor
aumente ou de que seu quadro se agrave. O uso exagerado
do membro contralateral para a realização das atividades
cotidianas pode, então, contribuir para o aparecimento dos
sintomas nesse lado [12].
A frequência de comprometimento dos trabalhadores pela
doença ocupacional provoca o aumento da taxa de absenteísmo
e rotatividade por afastamento, custos elevados com assistência
médica e indenizações, gastos com recrutamento e nova sele-
ção de pessoal provocando nas empresas redução dos níveis
de produtividade e, consequentemente, diminuição de lucros
[13,14]. Entretanto, caso o comprometimento ocorra em um
setor específi co da empresa, este deve ser objeto de análise dos
aspectos biomecânicos, ergonômicos, físicos e de acidentes [15].
Neste sentido, medidas abrangentes devem ser tomadas tanto
a nível preventivo quanto curativo daqueles que já adoeceram,
objetivando a recuperação rápida das queixas evitando-se
assim o crescimento acelerado da morbidade [16]. O avanço
tecnológico infl uencia os hábitos de vida e de trabalho das
pessoas principalmente em países industrializados provocando
alterações na qualidade de vida dos mesmos [7,17]. Com isto
são criados programas de qualidade de vida no trabalho que
visam satisfazer as necessidades individuais dos trabalhadores
tanto no trabalho quanto nas atividades diárias [18].
Dentre estes programas pode-se citar a implantação e a
prática regular de realização da cinesioterapia laboral antes,
durante e após as atividades laborais [19]. Utiliza de meto-
dologia simples e de fácil realização aplicada por profi ssional
técnico habilitado ou por facilitador treinado pelo mesmo.
Tendo como principal função melhorar a qualidade de vida
do trabalhador através da melhora da consciência corporal que
favorece a aquisição de posturas ocupacionais mais corretas e
com maior conforto [20].
Os primeiros