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Fisiologia do Exercicio

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volume 09 - número 01 • Jan/Mar 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
ISSN 16778510
ESPORTE
•	 Lesões	em	profissionais	de	ballet	
•	 Antropometria	do	idoso	em	hidroginástica
•	 Fibromialgia	e	exercícios	físicos
•	 Correlação	entre	repetições	no	pulley	
frontal	e	flexões	na	barra	fixa
•	 Exercício	aeróbico	e	prevenção	de	quedas	
em	idosos
NUTRIÇÃO
•	 Avaliação	nutricional	de	atletas	de	
ginástica	rítmica
FISIOLOGIA
•	 Mecanismos	neurofisiológicos	da	educação	
cruzada
•	 Bases	metabólicas	do	crescimento	muscular
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revista_fisiologia_anuncio_M.pdfPage 1 8/1/2010 17:23:53
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volume 09 - número 02 • Abr/Jun 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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ISSN 16778510
FISIOLOGIA
•	 Força	muscular	e	teste	de	esforço
•	 Treinamento	de	força	e	massa	óssea
•	 Treinamento	muscular	inspiratório
•	 Alongamento	e	desempenho	da	força
•	 Bases	metabólicas	da	rabdomiólise	e	atrofia	muscular
ESPORTE
•	 Ginástica	laboral
•	 Treinamento	aeróbio	em	adultos	obesos	e	diabéticos
NUTRIÇÃO
•	 Aspectos	nutricionais	e	atividade	física
GERONTOLOGIA
•	 Processo	do	envelhecimento	humano
ESTERÓIDES
•	 Esteróides	anabolizantes:	benefícios	ou	malefícios
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volume 09 - número 03 • Ju l/Set 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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ISSN 16778510
ESPORTE
•	 Nível	de	desidratação	e	desempenho	físico		
de	árbitro	de	futebol
•	 Exercício	físico	resistido	em	indivíduo	chagásico
NUTRIÇÃO
•	 Avaliação	da	ingestão	nutricional		
de	um	maratonista	de	elite
•	 Composição	corporale	consumo	alimentar		
de	equipe	de	futebol	feminino
•	 Consumo	de	creatina	por	atletas	e	praticantes		
de	atividade	física	
FISIOLOGIA
•	 Flexibilidade	durante	o	ciclo	menstrual		
em	pré-adolescentes
•	 Reprodutibilidade	e	comportamento		
da	frequência	cardíaca
•	 Níveis	plasmáticos	do	HDL-colesterol	no	
treinamento	aeróbio	de	alta	e	baixa	intensidade
BIOLOGIA
•	 Maturação	biológica	de	atletas	de	ginástica	
artística
CRIOTERAPIA
•	 Aplicação	da	bolsa	de	gelo	na	força		
de	preensão	manual
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e Carol Macário – os ícones do fi tness de volta a Salvador
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Sergio Guida e Mario Charro reunidos em um único curso
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Alexandre 
Moreira
Sergio Guida
volume 09 - número 04 • Out/Dez 2010 www.at lant icaedi tora.com.br
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ESPORTE
•	 Qualidade	de	vida	dos	tenistas	amadores
•	 Treinamento	de	musculação	e	oclusão	vascular
NUTRIÇÃO
•	 Avaliação	da	perda	hídrica	
•	 Dietas	restritivas	e	suplementos	nutricionais
FISIOLOGIA
•	 Intensidade	auto	selecionada,	percepção		
subjetiva	de	esforço	e	tempo	sob	tensão
•	 Influência	de	diferentes	cadências		
e	intensidades	de	exercício
•	 Diferença	de	rendimento	entre	meninos		
e	meninas	handebolistas
CARDIOLOGIA
•	 Treinamento	elíptico	em	hemiparéticos
•	 Exercício	e	fator	de	risco	cardiovascular
EXPERIMENTAL
•	 Análise	histomorfométrica	do	músculo		
esquelético	de	ratas
ESTERÓIDES
•	 Mecanismos	de	funcionamento	e	efeitos	colaterais
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EDITORIAL
Perspectivas 2010, Walace Monteiro .....................................................................................................................................3
ARTIGOS ORIGINAIS
Estudo sobre lesões em profi ssionais de ballet clássico e contemporâneo em Belo 
Horizonte/MG, Juliana Santos Anselmo, Adelina Lima Rocha, Elisangela Macedo Rufi no, 
Jediane Souza Julio, Luciana Gobira Brandão Justus, Marina Faria de Melo Valladão, 
Roxane Rafaela Macedo dos Santos, Vanderléia Maria de Faria, Vanessa Cristiane Almeida 
Rodrigues, Zilernice Ramires Guimarães Brito, Marcus Vinicius de Mello Pinto ....................................................................4
Avaliação do estado nutricional e satisfação da imagem corporal de jovens atletas 
integrantes da equipe competitiva de ginástica rítmica de um clube de São Paulo, 
Vanessa Quitto Rinaldi, Gabriela de Andrade Moreira Bucheb, Renata Furlan Viebig ..........................................................10
Comparação da autonomia funcional de idosos praticantes e não praticantes de treinamento 
combinado, Raphael Gouveia da Silva Lyra, Leandro Ramiro, Paulo Cesar Nunes-Junior, 
Sebastião David Santos-Filho ...............................................................................................................................................16
Efeito do exercício aeróbico na incidência de quedas em idosos com problemas de saúde, 
Josenei Braga dos Santos, Geórgia Maria F. Benetti, André Junqueira Xavier Eleonora d’Orsi ..............................................24
Correlação entre repetições no pulley frontal e fl exões na barra fi xa, Jaime Flôres 
de Araujo Bastos, Antonio Coppi Navarro, Francisco Navarro..............................................................................................29
Avaliação antropométrica em idosos praticantes de hidroginástica, Danielle Salles Tortola, 
Mariane Takesian, Karla Dias Tomazella, Marina Yazigi Solis, Jaqueline Kremer Pereira, 
Marina Gomes da Costa Fuchs, Monica Milani, Priscila Anacleto de Oliveira, Clara Korukian Freiberg ..............................34
Comparação do VO2 acumulado durante o exercício contínuo e intermitente 
na máxima fase estável de lactato sanguíneo, Luis Fabiano Barbosa, Camila Coelho 
Greco, Benedito Sérgio Denadai .................................................................................................................................. 39
REVISÕES
Possíveis mecanismos neurofi siológicos mediadores da educação cruzada, Daniel Teixeira Belloni, 
Alessandro Carielo de Albuquerque, Bianca K. de Macedo Jakubovic, Júlio Cesar Correa Neto Carias, 
Vernon Furtado da Silva .......................................................................................................................................................45
Bases metabólicas do crescimento muscular, Rodrigo Minoru Manda, Nailza Maestá, 
Roberto Carlos Burini ..........................................................................................................................................................52
COMUNICAÇÃO BREVE
A infl uência da caminhada versus exercícios convencionais sobre a dor e qualidade de vida 
em mulheres com fi bromialgia: um ensaio simples-cego, Izabel Cristina Camargo dos Santos, 
Mariana Conceição Farias de Moraes, Bruna Piergentile, Karin Lima dos Reis de Burgo, Fábio Marcon Alfi eri ....................59
NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................... 62
EVENTOS ................................................................................................................................................................. 64
Índice
volume 9 número 1 - janeiro/março 2010
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20102
© ATMC - Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda - Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada 
ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyri-
ght, Atlântica Editora. O editor não assume qualquer responsabilidade por eventual prejuízo a pessoas ou propriedades ligado à 
confiabilidade dos produtos, métodos, instruções ou idéias expostos no material publicado. Apesar detodo o material publicitário 
estar em conformidade com os padrões de ética da saúde, sua inserção na revista não é uma garantia ou endosso da qualidade ou 
do valor do produto ou das asserções de seu fabricante.
Atlântica Editora edita as revistas Fisioterapia Brasil, Enfermagem Brasil, Neurociências e Nutrição Brasil
I.P. (Informação publicitária): As informações são de responsabilidade dos anunciantes.
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Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares, 
Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício está indexada no SIBRADID 
(Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva)
Editor Chefe
Paulo de Tarso Veras Farinatti
Editor Associado
Pedro Paulo da Silva Soares
Walace Monteiro
Conselho Editorial
Amandio Rihan Geraldes (AL)
Antonio Carlos Gomes (PR)
Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ)
Benedito Sérgio Denadai (SP)
Dartagnan Pinto Guedes (PR)
Douglas S. Brooks (EUA)
Emerson Silami Garcia (MG)
Francisco Martins (PB)
Francisco Navarro (SP)
Luiz Carnevali (SP)
Luiz Fernando Kruel (RS)
Martim Bottaro (DF)
Patrícia Chakour Brum (SP)
Paulo Sérgio Gomes (RJ)
Robert Robergs (EUA)
Rosane Rosendo (SC)
Sebastião Gobbi (SP)
Steven Fleck (EUA)
Yagesh N. Bhambhani (CAN)
Vilmar Baldissera (SP)
Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço de e-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br
Administração e vendas
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mello@atlanticaeditora.com.br
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Atendimento
(11) 3361 5595 / 3361 9932
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Editor executivo
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Editor assistente
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Direção de arte
Cristiana Ribas
cristiana@atlanticaeditora.com.br
E-mail: atlantica@atlanticaeditora.com.br
www.atlanticaeditora.com.br
3Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Editorial
Perspectivas 2010
Prof. Dr. Walace Monteiro, Editor Associado – RBFEx
A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx) 
completa em 2010 o segundo ano com periodicidade tri-
mestral. Através da ampliação das áreas temáticas, houve um 
aumento da submissão de artigos, concorrendo também para 
uma melhora na qualidade dos trabalhos encaminhados. A 
fi gura do Editor de Área contribuiu para agilizar considera-
velmente o processo de avaliação dos manuscritos. Outro 
aspecto a se destacar diz respeito às mudanças na proporção 
entre trabalhos originais e de revisão. Conseguimos aumentar 
a quantidade relativa de artigos originais, que hoje respon-
dem por 80% dos trabalhos publicados. Em cada número, a 
RBFEx conta com ao menos 10 artigos, dos quais 8 a 9 são 
originais. Isso revela o aumento do interesse dos pesquisado-
res em publicar os resultados dos seus estudos no periódico.
Pesquisadores de várias áreas do conhecimento relaciona-
das às ciências do exercício estão apoiando a revista, através 
do encaminhamento dos seus trabalhos. Grande parte dos 
estudos que publicamos hoje é decorrente de pesquisas reali-
zadas em cursos de pós-graduação stricto-sensu, provenientes 
de diferentes áreas, irmanadas pelo interesse comum na fi -
siologia do exercício. Também se percebe que o interesse na 
revista, antes eminentemente concentrado em pesquisadores 
do eixo Rio-São Paulo, começa a se diversifi car, abrangendo 
outros estados do país. 
O aumento do número de artigos publicados e dos pes-
quisadores interessados em divulgar seus estudos na RBFEX 
representa um passo importante para uma melhor indexação 
do periódico, credenciando-se assim a fomentos por parte dos 
órgãos de fomento em pesquisa e tornando-se prioritário no 
contexto de um sistema que dá pontos aos pesquisadores com 
base na indexação das revistas em que publica. 
Aumentar a qualidade e o número de trabalhos publicados, 
bem como manter a periodicidade da revista são passos funda-
mentais para alcançar esse objetivo. Para isso, convidamos os 
interessados em fi siologia do exercício a encaminharem seus 
trabalhos à RBFEx. Temos a certeza de que, com o apoio de to-
dos, conseguiremos levar a revista ao patamar que ela merece.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20104
Artigo original
Estudo sobre lesões em profissionais de ballet clássico 
e contemporâneo em Belo Horizonte/MG
Study of injuries in professional dancers of classical and contemporary 
ballet in Belo Horizonte/MG
Juliana Santos Anselmo*, Adelina Lima Rocha*, Elisangela Macedo Rufi no*, Jediane Souza Julio*, Luciana Gobira Brandão 
Justus*, Marina Faria de Melo Valladão*, Roxane Rafaela Macedo dos Santos*, Vanderléia Maria de Faria*, 
Vanessa Cristiane Almeida Rodrigues*, Zilernice Ramires Guimarães Brito*, Marcus Vinicius de Mello Pinto**
*Mestrandas do Programa de Mestrado em Ciências da Reabilitação, pelo Centro Universitário de Caratinga – UNEC/MG, 
**Professor e Pesquisador do Mestrado em Ciências da Reabilitação, do Centro Universitário de Caratinga – UNEC/MG 
Resumo
Este estudo teve o objetivo de identifi car as lesões sofridas por 
profi ssionais de ballet clássico e contemporâneo, comparar estas com 
estudos similares e analisar os aspectos característicos de atletas nestes 
profi ssionais. A amostra pesquisada contou com 21 indivíduos, entre 
homens e mulheres, profi ssionais de ballet clássico e componentes 
de uma companhia de dança contemporânea de Belo Horizonte/
MG. Os resultados mostraram que os bailarinos praticam ballet, 
em média, há 18 anos, e que 84,20% sofreram uma ou mais lesões 
ao longo de sua vida profi ssional. Destes, 63,45% de lesões em 
membros inferiores e 36,55% de membros superiores. O tempo de 
licença para 68,75% destas lesões foi de no máximo três meses. Es-
tudos realizados com diferentes populações encontraram resultados 
semelhantes. Recomenda-se um estudo mais aprofundado sobre as 
possibilidades de se realizar um treinamento desportivo próprio para 
bailarinos que objetive trazer benefícios aos bailarinos e às compa-
nhias, dispensando aos mesmos cuidados de atletas, além de artistas.
Palavras-chave: lesões, ballet, bailarinos, atletas.
Abstract
Th is study aimed to identify the injuries suff ered by professio-
nal dancers of classical and contemporary ballet, to compare with 
similar studies and analyze characteristic aspects of athletes in these 
professionals. Th e sample included 21 individuals, both men and 
women, professional ballet dancers and members of a contemporary 
dance company of Belo Horizonte/MG. Th e results showed that 
ballet dancers have been practicing ballet for 18 years, and that 
84.20% suff ered one or more injuries along their professional life. 
63.45% had upper limb injuries and 36.55% lower limb injuries. 
Duration of treatment of 68% of injuries was not longer than 3 
months. Other studies with a diff erent population have shown 
similar results. We recommend further detailed studies about the 
possibilities of creating a special sport training program for ballet 
dancers that brings benefi ts for dancers and companies, giving them 
treatment and care of athletes, as well as artists. 
Key-words: injuries, ballet, dancers, athletes.
Endereçopara correspondência: Juliana Santos Anselmo, Rua Doutor Maninho, 326, Bloco A - 3º andar, Centro, 35300-019 
Caratinga MG, E-mail: jsanselmo@yahoo.com.br
5Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
Sabe-se que a base da dança é o movimento. Bambirra [1] 
explicita que o movimento é o elemento principal da dança, 
aquele o qual se busca sempre trabalhar, lapidar e aperfeiçoar. 
Contudo, o movimento em si, segundo Leal [2] reside como 
necessidade do ser humano desde os primórdios da evolução.
Quando o movimento se une a música, tem-se a dança. 
E ainda, “a dança nasceu com a própria humanidade” [1]. 
Com a descoberta do som e do ritmo, o homem os juntou 
aos seus gestos e movimentos, passando a dançar. Lagoas [3] 
completa dizendo que a mais antiga das artes criada pelo 
homem é a dança. Ele dançava instintivamente em várias 
das manifestações de sua vida. Guimarães & Simas [4] ainda 
relatam que a dança é uma necessidade natural e instintiva 
do homem de exaurir seu estado latente. 
O homem e a dança evoluíram, segundo Verderi [5], ao 
longo da história, juntos nas emoções, nas formas e expressão 
e nos movimentos. Para Nanni [6] este progresso da dança 
não é aleatório, ele obedece a padrões sociais e econômicos 
ou nasce da necessidade do homem de expressar suas emoções 
e sentimentos.
O ballet clássico surgiu destas transformações e adaptações 
culturais da dança. Lagoas [3] diz que o ballet clássico é o 
desenvolvimento e a transformação desta dança primitiva. 
Complementando, a autora ainda afi rma ser o ballet clássico 
uma dança que não se baseia mais no instinto, e sim em passos 
diferentes, com ligações, com gestos e fi guras previamente 
elaboradas. Até os dias atuais, o ballet clássico é dançado 
dentro da técnica desenvolvida há séculos atrás. De acordo 
com Malanga apud Guimarães & Simas [4], certos princípios 
da técnica clássica devem sempre ser mantidos em todos os 
movimentos. Seguindo a mesma ideia, Picon et al. [7] dizem 
que o ballet clássico vem exigindo de seus praticantes, no 
decorrer de sua evolução, desempenhos cada vez mais com-
plexos, sempre com a fi nalidade de manter a sua tradição e o 
grau de difi culdade técnica desta arte.
A dança clássica, consolidada e popularizada em meados 
do século XVII, ganhou novos rumos com o Renascentis-
mo, através da incorporação de novos elementos extraídos 
da arte popular, mesmo com a continuidade das severas 
divisões sociais entre camponeses e nobres [8]. Anos mais 
tarde, com o movimento Impressionista, surgem correntes 
contrárias àquelas que durante décadas sustentaram o ballet 
clássico.
A dança moderna surge neste contexto, no fi nal do sécu-
lo XIX, em oposição à rigidez do ballet clássico e em busca 
da valorização do movimento natural do corpo. Caminada 
[9] aponta a principal precursora deste movimento, Marta 
Graham, que juntamente com outros ícones da dança moder-
na, foram responsáveis pela modifi cação drástica dos padrões 
clássicos de dança, eliminando inclusive as sapatilhas de ponta.
Por sua vez, a dança contemporânea que muito se con-
funde com moderna, busca uma ruptura total com o ballet 
clássico, podendo inclusive abandonar a estética em virtude 
da expressão e transmissão de ideias e sentimentos. Com 
raízes oriundas da dança moderna de Martha Graham, o 
ballet contemporâneo surgiu na década de 60, mas somen-
te começou a se defi nir desenvolvendo uma linguagem 
própria na década de 80, embora contraditoriamente, 
faça muitas referências ao ballet clássico. É importante 
frisar, contudo, que a dança contemporânea não possui 
uma técnica única estabelecida. A criação coreográfi ca dá 
liberdade ao bailarino ou coreógrafo de criar aquilo que 
bem entender.
Atualmente, o ballet clássico é a base para a formação 
de todos os bailarinos profi ssionais. Mesmo aqueles que se 
dedicam exclusivamente à dança contemporânea precisam 
possuir técnica apurada também em dança clássica.
A técnica do ballet, apesar de rigorosa e tradicional, pode 
ser ensinada de diversas formas, que se diferenciam pelos 
métodos de cada escola clássica, dentre elas a Francesa, In-
glesa, Italiana, Russa, Cubana e Americana. Estes métodos 
foram criados e aperfeiçoados, e segundo Bambirra [1] eles 
têm características próprias que não podem deixar de ser 
reconhecidas.
A autora ainda enfatiza que dentro desta variedade de 
métodos existem regras e cuidados necessários e imprescin-
díveis. É importante que o professor conheça a biotipologia 
física daquelas que, com ele pratiquem o ballet clássico, para 
que possa empregar o melhor de cada método às bailarinas. 
Guimarães & Simas [4] mostram ser de extrema importância 
que a técnica do ballet clássico seja inserida no momento 
apropriado, evitando-se a aplicação da técnica pura. Com-
plementando esta ideia, Sampaio [10] indica, como sendo 
um dos principais protagonistas da incidência de lesões nos 
bailarinos clássicos, a aplicação de um método de ensino 
incompatível com as condições musculares do aluno.
Guimarães & Simas [4] dizem ser característico do ballet 
clássico o excesso de repetitividade de movimentos. A repe-
tição da coreografi a, ou de determinada parte da mesma, é 
um erro frequente entre as bailarinas. 
Devido aos períodos de longos ensaios e espetáculos, se-
guidos de curtas etapas de recuperação, é constante perceber 
entre os bailarinos a exaustão, descrita por Koutedakis [11] 
como burnout,ou overtraining que é uma condição clínica ex-
tremamente complexa e de causa indeterminada com sintomas 
que variam de pessoa para pessoa, dentre eles a redução da 
performance física, fadigas constantes e prolongadas, assim 
como diversas alterações emocionais. 
Objetivo
Identifi car as lesões sofridas por profi ssionais de ballet 
clássico e contemporâneo de Belo Horizonte/MG, compa-
rando com estudos similares realizados com outras amostras, 
buscando aspectos predominantes de artistas ou atletas nestes 
profi ssionais.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20106
Material e métodos
Para fundamentar a pesquisa e possibilitar a análise dos 
dados coletados utilizou-se uma revisão bibliográfi ca de au-
tores e trabalhos que possuíssem estreita relação com o tema 
investigado. A pesquisa qualitativa contou com tratamento 
de dados estatísticos como forma complementar de análise. 
A parte de campo foi realizada com a companhia de dança 
contemporânea “Grupo Corpo”, sediada em Belo Horizonte, 
Minas Gerais. Companhia esta que, apesar de ter sua identida-
de própria de ballet contemporâneo, possui como integrantes 
bailarinos com base de dança clássica. 
De toda a população de bailarinos desta companhia, 21 
indivíduos entre homens e mulheres, estiveram presentes na 
amostra da pesquisa apenas aqueles que estavam atuando 
pela companhia. Foram excluídos, portanto, os bailarinos 
que se encontravam afastados por motivos quaisquer. Os 
entrevistados deveriam ser profi ssionais contratados pelo 
“Grupo Corpo”, devidamente capacitados para exercer a 
função de bailarinos. 
Esta entrevista foi feita sob forma de questionário, o qual 
se apresentou dividido em domínios, onde constaram: tempo 
de profi ssão e prática em dança (pregresso e atual), histórico 
de lesões (pregresso e atual) e o tempo de recuperação das 
mesmas. 
Resultados e discussão
Bailarinos são artistas que utilizam o corpo para expressar 
sua arte e possuem características de verdadeiros atletas. O 
ballet deve ser visto como um movimento no mundo da 
arte, porém através de uma prática complexa e extremamente 
técnica, exigindo do bailarino um desempenho de atleta [4].
O que percebemos ao mergulharmos no mundo da dan-
ça, entretanto, é que os bailarinos, mesmo sabendo de suas 
próprias características físicas, ainda têm uma percepçãoartís-
tica predominante de sua profi ssão. Entretanto, assim como 
atletas, os bailarinos se arriscam a sofrer lesões a todo tempo 
justamente devido às exigências técnicas da dança clássica, e 
sabe-se que vários tipos de lesões são típicos e frequentes nos 
praticantes do ballet. 
“As elevadas amplitudes articulares dos quadris e joelho, e a 
repetitividade desses movimentos podem estar desequilibrando 
grupos musculares, alterando, assim, a biomecânica do corpo 
e comprometendo a função, refl etindo na estrutura corporal, 
podendo aumentar a predisposição a lesões características em 
bailarinos clássicos [4]”.
Brinck & Nery [12] dizem que os bailarinos mais bem 
preparados fi sicamente, capacitados a suportar a máxima 
solicitação de tendões, ligamentos e músculos, poderão ter 
incrível melhora em sua performance. Peculiaridades que 
fazem parte da preparação de um atleta.
Mesmo que existam diferenças entre os diversos tipos de 
dança que utilizam o ballet clássico como base técnica, dife-
renças também entre estas e os desportos em si, existem inú-
meras semelhanças entre o esporte e a performance artística da 
dança. Koutedakis & Jamurtas [13] descrevem a dança como 
um fenômeno complexo que depende de vários elementos 
que, direta ou e indiretamente, têm seus efeitos específi cos. 
Os autores apontam que em nível profi ssional os bailarinos 
além de possuir excelente técnica e estética artística, devem 
estar psicologicamente preparados para lidar com situações 
de stress, evitar ao máximo as lesões, e buscar sempre estar 
em sua perfeita forma física.
A prática do ballet pode ser vista como um trabalho 
muito desgastante para a musculatura em geral e partindo 
deste pressuposto, o treinamento de força é peça fundamental 
para bailarinos. De acordo com Brinck & Nery [12] é grande 
o grau de benefício que um programa de treinamento de 
potência muscular pode transferir para o desempenho de 
um atleta. Apenas dançar não é o sufi ciente, o bailarino deve 
superar seus limites técnicos e físicos adotando a prática da 
preparação física diária no seu ensaio técnico, tanto para 
melhorar sua performance, quanto para aliviar e prevenir 
suas possíveis lesões.
Além de ser uma atividade física intensa como qualquer 
outra, o ballet exige de seus praticantes ampla e complexa 
movimentação, quase sempre com posições antianatômicas, 
além de um enorme número de repetições de um mesmo 
movimento. Estas repetições não se esgotam nem mesmo 
com a fadiga muscular, pois os bailarinos se mostram sempre 
determinados a atingir a perfeição. Segundo Sampaio [10], o 
bailarino precisa reconhecer suas virtudes e também os seus 
pontos frágeis, seus limites, para que possam ser trabalhados 
e superados, ou até mesmo para que se possa viver em har-
monia com eles.
Em suas pesquisas, os autores Picon et al. [7] mostram que 
existem inúmeros estudos acerca de lesões típicas decorrentes 
do ballet, e que mesmo assim as fortes tradições da prática são 
mantidas, assim como os paradigmas contidos nesta arte. Ao 
contrário, no âmbito esportivo, a ciência se mostra, cada vez 
mais, uma grande aliada na busca por tecnologias de vestuário 
e treinamento, sempre buscando melhorar a performance dos 
praticantes e garantir sua integridade física.
Barcellos & Imbiriba [14] afi rmam que no uso da sapatilha 
de ponta, os pés não devem ser comprimidos, preservando o 
posicionamento dos dedos entre si, mantendo sua estrutura 
anatômica, o que possibilita a elevação en pointé, formando 
uma continuidade dos pés, pernas, tronco e cabeça. Caso 
contrário pode haver um comprometimento dos músculos e 
ligamentos envolvidos.
Segundo Antunes [15], a desinformação sobre o próprio 
corpo, suas virtudes, capacidades e exigências, aumenta o 
número de lesões, uma vez que muitos professores se mos-
tram despreparados para orientar seus alunos em questões 
anatômicas, cinesiológicas e fi siológicas, que estão diretamente 
7Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
relacionadas ao rendimento técnico, dando o máximo de 
segurança. Complementando esta ideia Sampaio [10] diz:
“Hoje (e cada vez mais no futuro) temos que estar preparados 
para lidar com o corpo alheio. Não podemos fi car presos apenas 
a banalidades estéticas (...). Temos responsabilidades sobre as 
pessoas que muitas vezes chegam as nossas mãos ainda criança, 
tendo todo o seu desenvolvimento anatômico por acontecer.”
Por trabalhar com seres humanos envolvidos em uma prá-
tica tão complexa como a dança, os professores e profi ssionais 
da área de saúde devem estar atentos à especifi cidade de cada 
bailarino, sua estrutura corporal, suas habilidades para o ballet 
e seu limite de treinamento. Bambirra [1] diz que a didática 
massifi cada para o ensino do ballet tira a individualidade do 
bailarino. O professor tem que saber tirar do aluno o que ele tem 
para dar, contribuindo para o seu desenvolvimento saudável.
O primeiro domínio a ser investigado, tempo de profi ssão e 
prática em dança, contou com interrogações sobre o tempo de 
prática em dança e a frequência semanal com que o bailarino 
se apresenta para as aulas de ballet clássico da companhia (a 
presença dos mesmos, nesta aula anterior aos ensaios, não 
era obrigatória).
Quadro 1 - Tempo de profi ssão e prática de dança.
Tempo médio de prática de dança 18 anos
Presença média nas aulas de Ballet 
clássico
3,57 vezes/semana
O Quadro 1 nos mostra que os bailarinos estão envolvi-
dos no mundo da dança há muitos anos (18 em média). A 
profi ssionalização na dança não acontece subitamente. São 
necessários, em média, 10 anos de estudos sobre o ballet clás-
sico, moderno e contemporâneo, além de outras práticas de 
dança. Kadel et al. apud Guimarães & Simas [4] explica que 
a formação de um bailarino clássico se inicia precocemente 
por ser necessário que se desenvolvam amplamente habili-
dades físicas como força, amplitude articular, fl exibilidade, 
resistência, coordenação, velocidade e equilíbrio, buscando 
uma performance adequada. 
Portanto, são vários anos praticando exaustivamente as 
mesmas técnicas, passos e coreografi as, com poucas modi-
fi cações. A diversifi cação acontece a partir do momento em 
que o bailarino já está mais maduro, e o coreógrafo se sente 
livre para extrapolar as linhas clássicas.
Confi rmando este fato, Schafl e apud Guimarães & Simas 
[4] diz que a dança se caracteriza por movimentos altamente 
repetitivos, e com elevadíssimas amplitudes articulares, o 
que acaba por desequilibrar diversos grupos musculares. A 
biomecânica do corpo acaba por se alterar, o que refl ete na 
estrutura corporal e na predisposição a lesões típicas e carac-
terísticas da prática. 
A não assiduidade perante a parte técnica específi ca – a 
aula de ballet clássico – pode ser percebida pela média apre-
sentada para a frequência em aulas semanais (3,57), uma 
vez que estas aulas são oferecidas 5 dias por semana. Este 
fator pode ser um resultado dos longos anos de dança, que 
acabam por desencadear um desinteresse pelo ballet clássico 
em alguns bailarinos, agora envolvidos com a dança moderna 
e contemporânea. A presença nas aulas não é obrigatória, e 
por ela se iniciar logo de manhã, muitos preferem dormir até 
mais tarde, ou resolver qualquer outro assunto, a fazer a aula 
de ballet. Alguns bailarinos relataram que nunca presenciam 
estas aulas, por não sentirem relação direta entre a aula de 
ballet clássico e as coreografi as dançadas por eles, extrema-
mente contemporâneas. Houve ainda, quem achasse a aula 
totalmente voltada para a especifi cidade do grupo feminino, 
faltando exercícios e técnicas específi cas aos homens.
É importante relembrar e ressaltar, neste ponto, que um 
dos princípios propostos pela teoria do treinamento despor-
tivo é o da especifi cidade, onde a transferência positivado 
treinamento para a performance do atleta somente ocorrerá 
em casos onde o treino possua relação direta e específi ca com 
o esporte [16-21].
Os resultados obtidos com o domínio Histórico de lesões 
foram agrupados nas Figuras 1 a 4.
Figura 1 - Incidência de lesões, em caráter quantitativo, entre os 
bailarinos entrevistados.
36,84%
15,79%
15,78%
31,58% Nunca sofreram
lesões
1 lesão
2 lesões
3 ou mais lesões
Observando os dados da Figura 1 podemos perceber como 
a grande maioria dos bailarinos (84,20%) já se lesionou em 
sua prática de dança. Percebe-se uma relação com a vida 
de um atleta, pois em ambos os casos a grande presença de 
lesões é notória. A diferença está nos cuidados que um atleta 
recebe, tanto na prevenção de lesões quanto na recuperação 
das mesmas.
Para Leal [2] a profi laxia deveria ser adotada como hábito 
permanente de uma companhia de dança, através de um 
treinamento muscular cotidiano, buscando evitar este alto 
índice de lesões características entre os bailarinos. Entretanto, 
o que podemos observar na maioria das companhias de dança 
do nosso país é a ausência de uma equipe de profi ssionais 
preparada para atender os bailarinos.
Os motivos que podem ocasionar lesões em bailarinos são 
diversos. Sampaio [10] enumerou os principais fatores que 
levam os bailarinos a se lesionarem ao longo de sua prática 
com o ballet clássico: a) trabalho muscular incorreto; b) 
aquecimento inadequado antes da atividade física; c) tenta-
tiva de aumentar a angulação de en-dehors pelos pés, e não 
pelo quadril; d) trabalho prématuro da posição en pointé; e) 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 20108
aplicação de um método de ensino que não corresponde às 
condições musculares do aluno, entre outros.
Muitas lesões também são oriundas da prática do próprio 
ballet contemporâneo, que além destas enumeradas podemos 
considerar: os saltos, sem a correta absorção de impacto; os 
“portés” (partes da coreografi a em que os bailarinos precisam 
elevar, ou carregar, outro bailarino); os movimentos que 
exigem elevadas amplitudes articulares e posições antianatô-
micas; entre outros. 
Na amostra pesquisada, apenas 15,79% dos bailarinos 
relataram nunca terem sofrido lesões, ao passo que 31,58% 
já sofreram mais de 3 lesões ao longo de sua vida. A gravidade 
e o tipo destas lesões relatadas foram as mais variadas, e são 
apresentadas na Figura 2.
Figura 2 - Incidência de lesões, em caráter qualitativo, indicando 
os tipos de lesões e o percentual das mesmas entre os bailarinos 
entrevistados.
(9,37%); ruptura do ligamento do ombro (6,25%); pulso 
aberto (3,11%); estiramento do ligamento medial do olécrano 
(3,11%); contratura muscular lombar (3,11%).
O estudo realizado por Guimarães & Simas [4], que bus-
cou analisar as lesões mais frequentes em bailarinas clássicas, 
concluiu que o ballet possui seu próprio conjunto de lesões 
associadas, no qual as mais comuns são as de pé e tornozelo, 
seguidas das de joelho e quadril e, por último, as de membro 
superior. Resultados muito semelhantes aos apresentados por 
esta pesquisa.
Para Young apud Guerra [22] as entorses em inversão de 
tornozelo são as mais comuns na dança, uma vez que a ex-
tremidade distal do corpo é a responsável pelo apoio de toda 
a estrutura corporal, sendo, portanto intensa a sobrecarga 
nessa região. Confi rmando esta colocação, a lesão de maior 
representatividade nesta pesquisa foi exatamente a entorse de 
tornozelo, com 16,61% dos relatos.
Os resultados aqui obtidos ainda se encontram com os 
dados apresentados por Antunes [15] que afi rma serem lesões 
frequentes em bailarinos: a tendinite no tendão de Aquiles; 
fraturas por estresse da tíbia e metatarsos; lesões ligamentares 
relacionadas com entorses de tornozelo e do pé; entre outros.
Em estudos realizados na Inglaterra por Koutedakis et al. 
[23] foram apresentados dados, onde durante um período de 
2 anos, 335 lesões foram documentadas em 159 bailarinos 
profi ssionais. Uma média de 2,10 lesões por bailarino neste 
período. A coluna lombar foi apresentada como o local 
anatômico de maior incidência de lesões, e que juntamente 
com a pelve, pernas, joelhos e pés representam mais de 90% 
das lesões documentadas. Já nesta pesquisa, a soma de lesões 
nestes locais representa quase 80% do total de lesões.
Para buscar entender a gravidade das lesões apresentadas, 
e sua relação com os cuidados dispensados as mesmas pelos 
bailarinos, questionou-se o tempo de afastamento da profi s-
são ocasionado por estas lesões. Este resultado é mostrado 
na Figura 3. 
Figura 3 - Tempo que cada percentual de bailarinos precisou se 
afastar da profi ssão para se recuperar da(s) lesão(ões).
9,37%
3,11%
3,11%
3,11%
6,25%
6,25%
3,11%
12,50%
9,37%
3,11%
6,25%
12,50%
16,61%
6,25%
Ruptura de ligamentos 
do joelho
Entorse tornozelo
Protusão/Hérnia Lombar 
Tendinite Aquiles
Pulso aberto
Protusão/Hérnia cervical
Fratura Metatarso
Bursite Joelho
Ligamento do ombro 
Estiramento do Psoas
Estiramento ligamento
medial olécrano
Contratura muscular Lombar
Osteocondral Pilão Tibial
Fratura por estress da Tíbia
De acordo com a Figura 2, percebe-se que a incidência de 
lesões, em caráter qualitativo, dentro da amostra pesquisada, 
apontando um maior índice de lesões nos membros inferiores, 
sendo representados por 63,45% do total de lesões relatadas. 
Dentre elas foram relatadas: entorse de tornozelo (16,61%); 
fratura do metatarso (12,50%); fratura da tíbia (9,37%); 
ruptura de ligamentos do joelho (6,25%); infl amação no ten-
dão de Aquiles (6,25%); estiramento do ílio-psoas (6,25%); 
bursite no joelho (3,11%); osteocondral pilão-tibial (3,11%).
Em menor porcentagem, mas também em grande es-
cala, apareceram lesões de membros superiores, tais como: 
protusão/hérnia lombar (12,50%); protusão/hérnia cervical 
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
%
 d
e 
ba
ila
rin
os
 
en
tre
vi
sta
do
s
Menos
de 01
1 2 3 11 12 24
Tempo afastado para recuperação (em meses)
Ao observar este gráfi co podemos perceber que o perí-
odo em que os bailarinos se ausentam da profi ssão é, em 
sua maioria, relativamente pequeno dado à gravidade das 
lesões apresentadas. Os resultados da entrevista mostraram 
que 68,75% dos bailarinos retomaram as atividades em 
9Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
no máximo 3 meses. Um dos motivos por se afastarem por 
tempo insufi ciente é que mesmo tendo todos os seus direitos 
mantidos, alguns temem perder seu “papel” em determinado 
espetáculo para o bailarino que o substitui, enquanto tenta 
se recuperar de sua lesão. Com isso, o bailarino se sente re-
cuperado, e retoma suas atividades normais antes mesmo de 
curar totalmente sua lesão. Informalmente, durante o período 
de observação, alguns bailarinos ainda relataram que, mesmo 
recebendo o seu salário fi xo quando estão afastados, deixam de 
receber os cachês por apresentação, sendo este outro motivo 
pelo curto espaço de tempo ausente.
A presença de dores, representada na Figura 4, pode ser 
um indicador de que a lesão não foi totalmente recuperada.
Figura 4 - Porcentagem de bailarinos entrevistados que ainda sente 
algum tipo de dor crônica, incômodo ou impedimento, causados 
pelas lesões sofridas.
avaliar o bailarino e perceber se o mesmo está ou não em 
sua melhor condição física e psicológica, além de tratá-lo da 
forma correta, entendendo o bailarino como um atleta que 
necessita de cuidados específi cos. 
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31,25%
68,75%
Sim, ainda sente dores
Não sente mais dores
Conclusão
Os resultados mostraram que os profi ssionais de ballet 
clássico e contemporâneo do “Grupo Corpo“ estão envolvi-
dos há muitos anos com a dança, e em sua maioria possuem 
lesões características de bailarinos, e ainda não gastam o tempo 
ideal de recuperação antes de reiniciarem suas atividades. Esta 
realidade identifi cada na amostra pesquisada é equivalente à 
realidade de outras populações já estudadas anteriormente. 
Conclui-se então que, os bailarinos se percebem e se 
preparam exclusivamente como artistas, desprezando a sua 
condição de atleta e os cuidados necessários para seu melhor 
desempenho, além da prevenção e minimização das lesões 
típicas da prática.
Recomenda-se um estudo mais aprofundado sobre as pos-
sibilidades de se realizar um treinamento desportivo próprio 
para bailarinos, onde sejam atendidas as suas necessidades 
técnicas e biomecânicas. Um trabalho que objetive trazer 
benefícios aos bailarinos, às academias, aos professores e às 
companhias, na tentativa de vencer este paradigma apresen-
tado, mostrando aos mesmos sua condição de artista e ao 
mesmo tempo, atleta. 
Ressalta-se ainda, a importância da presença de uma 
equipe multiprofi ssional composta por professores de dança 
altamente qualifi cados, profi ssionais de educação física, nutri-
cionistas, médicos, fi sioterapeutas e psicólogos, que poderiam 
evitar o alto índice de dores crônicas nos mesmos e melhorar 
seu desempenho artístico. Esta equipe seria responsável por 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201010
Artigo original
Avaliação do estado nutricional e satisfação 
da imagem corporal de jovens atletas integrantes 
da equipe competitiva de ginástica rítmica 
de um clube de São Paulo
Assessment of nutritional status and body image satisfaction 
of young competitive athletes of a rhythmic gymnastics team 
of a club in São Paulo
Vanessa Quitto Rinaldi*, Gabriela de Andrade Moreira Bucheb*, Renata Furlan Viebig, M.Sc.**
*Graduandas em Nutrição do Centro Universitário São Camilo, **Nutricionista, Especialista em Nutrição Clínica e Dietoterapia, 
Doutoranda do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Docente do curso 
de Graduação em Nutrição, Centro Universitário São Camilo/São Paulo/SP
Resumo
Este estudo visou avaliar o estado nutricional de jovens atletas da 
equipe competitiva de ginástica rítmica de um clube de São Paulo, 
com ênfase na imagem corporal. Foram analisadas 10 atletas de 9 a 
12 anos, através da aplicação de questionário tipo anamnese comple-
to contemplando imagem corporal, e da realização da antropometria. 
Após aferidas todas as medidas foram calculadas a circunferência 
muscular do braço (CMB), área muscular do braço (AMB) e área 
muscular do braço corrigida (AMBc) e estimada a porcentagem 
de gordura corporal. Dentre os resultados obtidos foram ressalta-
dos que 9 ginastas ainda não apresentaram a menarca, 40% não 
demonstraram satisfação com a imagem corporal e metade estava 
com porcentagem de gordura corporal abaixo do recomendado. No 
geral, as ginastas estudadas apresentaram-se eutrófi cas em relação 
aos indicadores utilizados, e sem desvio signifi cativo de imagem 
corporal. Porém é recomendado o acompanhamento nutricional e 
consideram-se pertinentes estudos que abranjam hábitos alimentares 
mais detalhados.
Palavras-chave: estado nutricional, imagem corporal, ginastas, 
antropometria.
Abstract 
Th is study aimed to assess the nutritional status of young com-
petitive athletes of a rhythmic gymnastics team of a club in São 
Paulo, with emphasis on their body image. We examined 10 athletes, 
9-12 years old, through the application of standard questionnaire 
including full body image, and anthropometry. Were calculated 
arm muscle circumference (AMC), arm muscle area (AMA), and 
corrected arm muscle area (CAMA) and the body fat percentage was 
estimated. Th e results highlighted that 9 gymnasts have not attained 
menarche, 40% showed no satisfaction with body image and half 
had body fat percentage below the recommended. In general, the 
gymnasts were considered eutrophic, with no signifi cant deviation 
of body image. However it is recommended nutritional follow-up 
and more relevant studies that include more detailed dietary habits.
Key-words: nutritional status, body image, gymnastis, 
anthropometry.
Endereço para correspondência: Vanessa Quitto Rinaldi, Rua Rodrigues Ferreira, 53 Pirituba 05159-130 São Paulo SP, Tel: (11) 9810-
9296, E-mail: vanessaquitto@terra.com.br
11Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução 
A Ginástica Rítmica (GR) começou a ser praticada ao fi nal 
da Primeira Guerra Mundial, quando várias escolas inovavam 
os exercícios tradicionais da ginástica artística, misturando-os 
com música e criando uma nova modalidade esportiva. Em 
1946, na Rússia, surgiu o termo “rítmico”, devido à utilização 
da música e da dança durante a execução dos movimentos. 
Mais tarde, em 1975, passou a ser denominada Ginástica 
Rítmica Desportiva (GRD), estabelecendo-se defi nitivamente 
sua característica competitiva [1]. 
A GR tornou-se um esporte olímpico ofi cial em 1984, 
somente comcompetições individuais, apenas nos Jogos 
Olímpicos de Atlanta, em 1996, incluíram-se as competições 
de conjunto. A GR é o exercício de solo da ginástica artística 
com adereços de mão em que as atletas combinam música 
com exercícios de equilíbrio e fl exibilidade em cada um dos 
aparelhos: maças, bola, fi ta, corda e arco. Esta modalidade 
esportiva relaciona três elementos: corpo, música e aparelho. 
Os elementos corporais são a base indispensável dos exercícios 
individuais e conjuntos. Fazem parte dos elementos corporais 
obrigatórios: andar, correr, saltar, saltitar, balancear, circundu-
zir, girar, equilibrar, ondular, executar pré-acrobáticos, lançar 
e recuperar, sendo que os exercícios devem ser acompanhados 
por estímulo musical [1,2].
O nível técnico da GR tem evoluído signifi cativamente 
no Brasil, graças à seriedade do trabalho realizado pelas 
técnicas brasileiras, e apoio recebido de técnicos e coreógra-
fos provenientes de países onde a GR é mais desenvolvida, 
principalmente da Europa. Aos poucos, este esporte vem 
se popularizando em nosso país, sendo que o número de 
praticantes cresce a cada ano e os locais oferecidos para a sua 
prática têm aumentado. Além disso, o nível dos profi ssionais 
especializados, cujo número é ainda relativamente pequeno, 
tem melhorado sensivelmente, porém, mesmo com os bons 
resultados conquistados em competições internacionais, 
ainda são encontradas muitas difi culdades para um maior 
desenvolvimento da modalidade no Brasil [3].
A GR é uma modalidade esportiva de alta difi culdade 
técnica, em que o alto nível de desempenho é comumente 
alcançado em idade muito jovem, de maneira que pressupõe 
a necessidade do início do treinamento tão cedo quanto 
possível. Os treinamentos iniciam-se em média aos seis anos 
de idade. Nessa idade, as crianças possuem um potencial de-
senvolvimentista para estar no estágio amadurecido da maior 
parte das habilidades motoras fundamentais. A introdução de 
aparelhos deve ser feita de forma lúdica para que a criança vá 
se adaptando às características de cada um [4].
É importante que crianças e adolescentes fi sicamente ati-
vos consumam energia e nutrientes sufi cientes para alcançar 
suas necessidades de crescimento, manutenção de tecidos e 
para o desempenho de suas atividades intelectuais e físicas. 
Atualmente a participação cada vez mais precoce de jovens em 
eventos competitivos e seu envolvimento em programas de 
treinamento bastante intensos fazem com que os profi ssionais 
da saúde devam estar atentos à adoção de comportamentos 
alimentares que podem trazer consequências deletérias à 
saúde, tais como desidratação, práticas de controle de peso 
inadequadas, distúrbios alimentares e uso indiscriminado de 
substâncias encaradas como ergogênicas [5,6].
Dessa forma, a alimentação adequada é fundamental 
para a manutenção da saúde e para um ótimo desempenho 
esportivo de jovens ginastas. A alimentação balanceada aliada 
à atividade física pode aperfeiçoar o potencial genético de 
crescimento e desenvolvimento. As atletas de GR apresentam 
necessidades aumentadas devido ao crescimento, desenvol-
vimento maturacional, manutenção de tecidos, atividades 
intelectuais, além do treinamento extenuante. Dessa forma, 
as necessidades calóricas e nutricionais devem ser estimadas 
baseadas na ingestão alimentar diária, idade e atividade física 
[4,5].
A literatura relata que atletas jovens do sexo feminino que 
praticam esportes que exigem um peso corporal baixo, como 
ginastas, possuem tipicamente uma dieta hipocalórica e um 
intenso gasto energético durante o treinamento físico e no 
próprio evento competitivo. Esta conduta pode prejudicar o 
estado nutricional por defi ciências energéticas resultando em 
falhas no crescimento, atraso na puberdade, esgotamento das 
reservas de glicogênio e fadiga [4,7,8].
O treinamento físico nas diversas modalidades despor-
tivas femininas, como a GR, proporciona, por um lado, 
o desenvolvimento físico harmonioso e atlético, mas por 
outro lado, as expõem a problemas específi cos da categoria 
de atletas. Um desses problemas denomina-se transtorno 
do comportamento alimentar (TCA), que é caracteriza-
do por uma perturbação persistente do comportamento 
relacionado com a alimentação. Esse transtorno provoca 
alterações nos hábitos alimentares, prejudicando a saúde 
física, psicológica e social do indivíduo. Os TCA compre-
endem a anorexia nervosa e a bulimia nervosa que atingem, 
sobretudo, mulheres jovens e adolescentes, que representam 
90% dos casos [9].
A tendência de instalação do TCA tem sido principalmen-
te relatada em âmbito esportivo, entre mulheres atletas justa-
mente de modalidades que enfatizam reduzida percentagem 
de gordura para melhorar o desempenho e estética. Acredita-se 
que a busca pelo desempenho, expressa por pressões externas 
dos técnicos, treinadores, patrocinadores, administradores e 
familiares no anseio por melhores resultados, acarreta estresse 
físico e mental nas atletas, criando ambiente para o desenvol-
vimento dos TCA [10].
Em atletas, embora a prevalência de anorexia nervosa e 
bulimia nervosa ainda não seja sufi cientemente conhecida, 
especialmente no Brasil, pesquisas realizadas demonstraram 
uma frequência aumentada (de 15 a 62%), sobretudo em 
modalidades desportivas específi cas. Sabe-se, ainda, que a 
adoção de dietas restritivas em idade precoce, sobretudo, se 
essa prática se dá sem a supervisão de um profi ssional, pode 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201012
desencadear TCA, causando danos importantes à saúde e, 
por conseguinte, ao desempenho atlético. A GR, entre outras 
modalidades, tem sido indicada, por pesquisas realizadas nessa 
área, como as de maior incidência de transtornos alimentares 
e de comportamentos considerados precursores dos mesmos. 
A estreita relação imagem corporal e desempenho físico faz 
com que as atletas sejam um grupo particularmente vulnerável 
à instalação desses transtornos, tendo em vista a ênfase dada 
ao controle de peso [11-12].
Assim, para atletas de GR, a avaliação antropométrica 
e dos hábitos alimentares é muito importante, pois este é 
um dos esportes que preconizam o baixo peso corporal e 
supervalorizam a estética, utilizando-a como critério para a 
obtenção de bons resultados em competições, assim como 
também acontece na natação sincronizada, corrida e no 
balé [13,14].
Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar 
o estado nutricional de jovens atletas da equipe competitiva 
de GR de um clube de São Paulo, com ênfase na imagem 
corporal.
Material e métodos
A amostra foi composta por 10 atletas do sexo feminino, 
de 9 a 12 anos, pertencentes à equipe competitiva de ginástica 
rítmica de um clube da cidade de São Paulo. As ginastas trei-
navam por 4 horas e 30 minutos, diariamente, no período da 
tarde, durante 6 dias por semana. O estudo foi realizado entre 
abril e junho de 2009, e divididos em etapas descritas a seguir.
Etapa 1 - Questionário de anamnese, que con-
templava satisfação com a imagem corporal
Foi elaborado e aplicado, um questionário tipo anamnese 
completo, no qual foram abordados dados pessoais, história 
social, história na modalidade, abrangendo questões como: 
com qual idade iniciou o esporte, o motivo, se há apoio dos 
pais, satisfação com o desempenho e se pretende ser atleta 
profi ssional. Foram feitas perguntas sobre saúde em geral, 
nutrição abrangendo quantas refeições diárias as atletas 
realizavam, se já fez uso de dietas para emagrecer ou para 
qualquer outro fi m. Por fi m, foi avaliada a satisfação com 
a imagem corporal das ginastas por meio da aplicação de 
uma escala de silhuetas femininas numeradas de 1 a 12, em 
ordem crescente, sendo a número 1 a mais magra (Figura 
1). Nesta parte da anamnese, a atleta observava por algunssegundos a imagem e escolhia a que se assemelhava com ela, 
e marcava a opção. Novamente, a ginasta analisava a fi gura 
e apontava qual das silhuetas ela gostaria de ter. Logo após 
a escolha das imagens, foi feita uma pergunta a respeito 
do grau de importância que a imagem corporal exercia em 
relação à prática de ginástica rítmica, fi nalizando assim o 
questionário de anamnese. 
Figura 1 - Imagem para análise da satisfação com a imagem 
corporal.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Figura adaptada de: Kakeshita e Almeida [15]. 
Etapa 2 - Avaliação antropométrica
Após a aplicação da anamnese completa, foi realizada a 
avaliação antropométrica de todas as atletas. Para a aferição 
das medidas, foi adaptada uma sala de avaliação próxima à 
área da prática de atividade física e as medidas antropométricas 
foram realizadas em dois dias, de maneira individualizada. 
Foram tomadas medidas da massa corporal (kg), estatura (cm), 
dobras cutâneas (mm) e circunferências corporais (cm). As 
medições foram realizadas antes dos treinamentos, no período 
da tarde e descritas a seguir: 
• Estatura: mensurada com auxílio de uma fi ta inelástica 
com precisão de 0,1 mm, fi xada a uma parede sem rodapé, 
estando as atletas descalças, em posição ortostática, com os 
pés juntos, para maior precisão foi utilizado um esquadro.
• Peso corpóreo: foi obtido empregando-se uma balança 
digital médica Geratherm ® com precisão de até 100 gra-
mas, estando as atletas descalças uniforme de treinamento 
(colan).
• Dobras cutâneas: para a avaliação das dobras cutâneas tri-
cipital, bicipital, subescapular, suprailíaca, abdominal, da 
coxa medial e da panturrilha, utilizou-se um adipômetro 
da marca Sanny® com precisão de 0,5 mm.
• Circunferências: os perímetros corporais (punho, braço, 
cintura, quadril, abdominal, coxa medial e panturrilha) fo-
ram medidos com uma fi ta métrica inelástica, com precisão 
de 0,1 mm. Estas medidas foram aferidas do lado direito 
do corpo, sendo realizadas três mensurações alternadas 
em cada local e o valor médio utilizado como escore fi nal. 
Após coletar os dados relacionados à antropometria, fo-
ram calculadas a circunferência muscular do braço (CMB), 
a área muscular do braço (AMB) e a área muscular do braço 
corrigida, utilizando as fórmulas seguintes:
CMB (cm) = CB - (PCT x 0,314)
AMB - 6,5 cm2
AMB = (CMB) 2
 12,57
Foi estimada a porcentagem de gordura corporal, por 
meio da equação de Slaughter et al. [16] para crianças e 
adolescentes do sexo feminino. Os resultados obtidos foram 
avaliados de acordo com os pontos de corte de Deurenberg 
et al. [17], que classifi ca o percentual de gordura até 12% 
como excessivamente baixo; de 12,01 a 15% como baixo; de 
13Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
15,01 a 25% como adequado (normal); de 25,01 a 30% como 
moderadamente alto; de 30,01 a 36% como alto e acima de 
36,01% como excessivamente alto. 
Ainda foram determinados o Índice de Massa Corpórea 
(IMC), os indicadores Altura para Idade (A/I), Peso para Idade 
(P/I) e IMC para Idade (IMC/I), sendo estes classifi cados 
por WHO [18].
Resultados
Foram estudadas 10 atletas da equipe competitiva de GR, 
com idade média de 10 anos e 6 meses, todas eram estudan-
tes, sendo que 70% cursavam o Ensino Fundamental II em 
colégio particular.
Com relação aos motivos para a prática da modalidade, 
notou-se que 50% das ginastas não pretendiam ser atletas 
profi ssionais e almejavam ter outras profi ssões, praticando 
a GR apenas como hobby. Duas ginastas pretendem ser 
economistas, uma médica, uma arquiteta e outra veterinária.
A Figura 2 mostra as respostas das ginastas sobre sua saúde 
e sintomas durante e após o treinamento. 
Figura 2 - Problemas de saúde e sintomas relatados pelas atletas de 
G.R de um clube da região Norte de São Paulo, 2009.
com silhuetas, na qual era apontada a que a ginasta se achava 
semelhante e posteriormente, como gostaria de estar parecida.
Figura 3 - Imagem corporal relatada pelas atletas de G.R de um 
clube da região Norte de São Paulo, 2009.
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
At
le
ta
s
Gastrite
Colesterol alto
Fraqueza
Dor de cabeça
Doente com facilidade
Quando abordado se as ginastas já haviam passado pela 
menarca, 9 responderam que não, e uma relatou ter tido 
menstruação apenas uma vez (de maneira irregular).
Duas atletas relataram já terem se consultado com um 
nutricionista e 70% das ginastas nunca fi zeram dieta. A 
maioria das ginastas (70%) relatou fazer 5 refeições ao dia, 
porém, três disseram ter o hábito de fazer apenas 3 refeições 
diárias. Sobre o consumo de água, 90% consideraram que 
fazem consumo abaixo do que deveriam.
Quando questionadas sobre a satisfação com o corpo, 40% 
disseram não estarem satisfeitas. A Figura 3 mostra o resul-
tado da questão que foi respondida com o auxílio da fi gura 
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
At
le
ta
s
Se enxergam número a mais
Se enxergam número a menos
Se enxergam igual
A Tabela I mostra os resultados antropométricos obtidos 
através das aferições. A análise do estado nutricional das 
ginastas, segundo o Índice de Massa Corpórea para Idade 
(IMC/I), mostrou que 90% encontravam-se classifi cadas 
entre os percentis 3 e 85, estando, portanto com IMC 
adequado. Uma atleta encontrava-se acima do percentil 97, 
determinando obesidade [18]. A média de Índice de Massa 
Corpórea encontrada foi de 17,2 kg/m2. Nenhuma das gi-
nastas apresentou-se abaixo do percentil 3. 
Para o Índice Altura para Idade (A/I), observou-se que 
90% das ginastas encontravam-se acima do percentil 3, 
determinando altura adequada para idade, e apenas uma, 
representando 10%, foi considerada com baixa estatura para 
idade [18].
A composição corpórea das atletas foi aferida por meio da 
análise do percentual de gordura corporal, cujo valor médio 
observado entre as ginastas foi de 15,6%, o que segundo 
Deurenberg et al. [17] é considerada adequada. Porém, quatro 
ginastas foram classifi cadas com baixa porcentagem de gor-
dura corporal e uma como excessivamente baixa. Nenhuma 
ginasta teve a classifi cação como moderadamente alta, como 
alta e nem como excessivamente alta.
Quando analisada a Circunferência Muscular do Braço 
(CMB), uma das ginastas foi classifi cada como percentil maior 
que 95, determinando musculatura desenvolvida, devido à 
prática esportiva. Em relação à somatória das dobras tricipital 
e subescapular, uma ginasta foi classifi cada entre o percentil 5 
e 10, determinando risco para desnutrição e 3 ginastas foram 
classifi cadas abaixo do percentil 5, determinando desnutrição. 
A análise da circunferência do braço (CB) pôde revelar o 
risco para desnutrição de uma ginasta, que foi classifi ca no 
percentil 10. A ginasta que apresentou risco para desnutrição 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201014
em relação à CB, também foi classifi cada como desnutrição 
na somatória das dobras cutâneas tricipital e subescapular.
Tabela I - Valores médios, mínimos e máximos obtidos a partir das 
mensurações efetuadas nas jovens atletas.
Parâmetros Média Mínimo Máximo
Peso (kg) 35,6 28,7 42,0
Atura (m) 1,4 1,3 1,6
IMC kg/m2 17,2 15,0 20,6
Circunferência do braço (cm) 21,6 19,0 24,4
Dobra cutânea tricipital (mm) 9,2 6,0 16,0
Área muscular do braço (cm2) 28,1 24,2 31,8
Circunferência muscular do 
braço (cm)
18,7 18,0 20,0
Dobra cutânea tricipital + do-
bra cutânea subescapular (mm)
16,4 10,0 24,0
Dobra cutânea coxa medial (mm) 10,7 3,0 16,0
Dobra cutânea abdominal (mm) 10,2 6,0 18,0
Dobra cutânea panturrilha (mm) 3,4 2,0 5,0
Circunferência do quadril (cm) 73,9 68,0 81,2
Circunferência panturrilha (cm) 29,3 26,0 31,5
Circunferência cintura (cm)59,6 56,5 64,3
Circunferência coxa medial (cm) 42,6 38,3 48,0
% gordura corporal 15,6 9,5 21,9
Discussão
No geral, as ginastas estudadas apresentaram-se eutrófi cas 
em relação ao indicador Índice de Massa Corpórea para Idade 
(IMC/I). Porém, 10% foram classifi cadas como estando em 
obesidade. Entretanto, embora com os valores adequados 
de IMC, foi observado que 40% das ginastas não estavam 
satisfeitas com sua imagem corporal, apontando silhuetas que 
não correspondiam a sua. Por outro lado, 40% das ginastas 
estudadas apresentaram valores de percentual de gordura 
baixa, e 10% excessivamente baixos, representando metade 
da equipe. 
Em relação à menarca, segundo o estudo de Duarte & 
Duarte, a idade média da sua ocorrência em adolescente da 
cidade de São Paulo é de 12 anos e dois meses, porém, o estu-
do de Vivolo et al., mostra que a média de idade da menarca 
entre atletas praticantes de Ginástica Rítmica é de 12 anos e 
sete meses. O presente estudo mostra que 20% da população 
estudada tinham idade superior que as mencionadas ante-
riormente, sendo que metade relatou a ausência da menarca 
e metade mencionou irregularidades menstruais. Entretanto, 
esses aspectos não são exclusivos das ginastas, pois, investigações 
com atletas de diferentes esportes (tênis e natação) têm indi-
cado menarca tardia e esta tem sido atribuída ao treinamento 
intenso. Vários fatores infl uenciam na idade de menarca, como 
a predisposição genética, condutas dietéticas restritivas, baixo 
peso e/ou baixo percentual de gordura corporal, visto em 50% 
das ginastas estudadas, especialmente entre os 20% que apre-
sentaram irregularidades menstruais ou ausência de menarca. 
O excesso de treinamento é considerado um determinante 
fundamental, quando se avalia esse fenômeno entre as atletas. 
Weimann et al. concluíram ainda, que a associação do treino 
físico intenso e de competição, das ginastas do sexo feminino, 
e uma nutrição inadequada podem alterar o padrão normal de 
desenvolvimento pubertário das atletas [19-23].
A respeito da condição corporal, o presente estudo 
constatou um percentual médio de gordura de 15,6%, valor 
que se aproxima do encontrado por Ribeiro et al., em um 
estudo com atletas femininas de ginástica olímpica de duas 
cidades brasileiras. Os pesquisadores encontraram no Rio de 
Janeiro, percentuais de gordura médios de 16,5%. Em outro 
estudo realizado por Bernardot e Czerwinski, obteve-se um 
valor médio de 9,2% de percentual de gordura nas atletas da 
Associação Independente de Clubes de Ginastas dos EUA, 
valor abaixo do presente estudo. Já comparadas a adolescentes 
não atletas de Londrina Paraná, os valores médios mostrados 
no estudo de Guedes, em 1994, foi de 21,8% de gordura 
corpórea, superior aos valores observados nas ginastas desta 
pesquisa. O estudo realizado por Reggiani et al. sobre o estado 
nutricional e composição corporal de 26 ginastas com média 
de idade de 12 anos, concluiu que o percentual de massa gorda 
era reduzida e se encontrava abaixo do recomendável, assim 
como no presente estudo [13,24-27].
Silva [28] defende que para estas ginastas, a manutenção 
do reduzido peso corporal e de uma reduzida percentagem 
de gordura corporal, torna-se algo imperativo para o sucesso 
neste esporte, o que está em conformidade com os valores en-
contrados de porcentagem de gordura corporal da população 
estudada. Ressaltando que o excesso de peso não contribui 
para uma atleta que pretende seguir carreira profi ssional, 
isso porque, é um esporte que exige fl exibilidade, agilidade e 
leveza, o que leva a maioria das ginastas a se motivarem para 
obterem o que tanto desejam, levando a restrição alimentar 
a situações extremas para conseguirem aquilo que querem a 
redução do seu peso.
As dores de cabeça, fraqueza e a baixa imunidade, relatadas 
como problemas de saúde das ginastas, podem ser justifi cados 
pela dieta inadequada, com destaque para a provável baixa 
ingestão de energia e micronutrientes, como o ferro, zinco, 
vitaminas A e C, associados ao fracionamento errôneo das 
refeições. Ao mesmo tempo, foram constatados problemas 
como gastrite e colesterol alto, reforçando a má alimentação 
de algumas atletas, acarretando problemas crônicos precoce-
mente [29].
Conclusão
No presente trabalho verifi cou-se que as atletas estudadas 
apresentaram-se, em geral, eutrófi cas e sem desvio signifi cativo 
de imagem corporal. Porém, é recomendado o acompanha-
mento com nutricionistas para constante avaliação do estado 
nutricional das ginastas. Consideram-se pertinentes, além 
da antropometria e imagem corporal, estudos que abranjam 
15Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
hábitos alimentares detalhados de ginastas rítmicas, para pre-
venir desvios nutricionais e, como consequência, melhorar as 
condições de alimentação e rendimento no esporte praticado.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201016
Artigo original
Comparação da autonomia funcional de idosos 
praticantes e não praticantes de treinamento combinado
Comparison of functional autonomy of trained or not-trained elderly
Raphael Gouveia da Silva Lyra*, Leandro Ramiro*, Paulo Cesar Nunes-Junior, Ft.**, Sebastião David Santos-Filho, Ft., D.Sc.***
*Professor de Educação Física, **Pós-Graduado em Anatomia Humana e Biomecânica, Especialista em Osteopatia, Professor de Pós-
Graduação UNESA, ***Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ
Resumo
As projeções do IBGE para o ano 2050 são de que a população 
com mais de 60 anos passará de 14,5 para 64 milhões, com expec-
tativa de vida variando entre 62,97 a 73,59 anos. Assim, a avaliação 
da capacidade funcional vem se tornando um instrumento útil para 
averiguar o estado de saúde do idoso. Atualmente, houve progressos 
na qualidade de vida, tendo um declínio das incapacidades funcio-
nais, aumentando assim, a perspectiva de longevidade em função de 
vários fatores, tais como o progresso nas áreas médica, nutricional 
e na prescrição de exercícios físicos, dentre outros. Este estudo 
teve como objetivo avaliar o nível de autonomia funcional entre 
idosos praticantes e não praticantes de treinamento combinado, 
entre contra-resistência e endurance. A população pesquisada foi 
de idosos, acima de 60 anos, moradores da zona norte e oeste do 
município do Rio de Janeiro, sendo 15 praticantes, que deveriam 
treinar a pelo menos 3 meses e 16 não praticantes. Para a realização da 
coleta de dados foi utilizado o protocolo de avaliação da autonomia 
funcional do idoso, desenvolvido pelo Grupo de Desenvolvimento 
Latino-Americano (GDLAM), composto pelos testes caminhar 10 
metros (C10m), levantar-se da posição sentada cinco vezes (LPS), 
levantar-se da posição decúbito ventral (LPDV), levantar-se da ca-
deira e locomover-se pela casa (LCLC) e vestir e tirar uma camiseta 
(VTC). Os dados obtidos através dos testes foram analisados a partir 
de estatística descritiva e tabelas. Verifi camos que os dois grupos de 
idosos conseguiram realizar os testes propostos, sendo que o teste 
LPDV foi realizado em menor tempo por ambos os grupos. Os re-
sultados de todos os testes apresentaram diferenças signifi cativas nos 
tempos de execução, diferenciando a classifi cação entre os grupos. 
O grupo praticante obteve a classifi cação “muito bom” nos testes 
LPDV e VTC, bom no LPS e regular no C10m e LCLC. Os não 
praticantes apresentaram desempenho muito bom no teste VTC, 
regular no LPDV e fraco no C10m, LPS e LCLC. De acordo com 
o índice GDLAM, os praticantes foram classifi cados como regular 
e os não praticantes como fraco.
Palavras-chave: envelhecimento, treinamento combinado, 
autonomia funcional.
Abstract
According to the projections of the IBGE for 2050, the popu-
lation over 60 years old will increase from 14.5 to 64 million, with 
life expectancy ranging from 62.97 to 73.59 years. Th e functional 
capacity evaluation has become a useful tool to investigate the health 
of the elderly people. Currently, the quality of life is increasing, with 
decline in functional disability, thereby increasing the prospect of 
longevity based on several factors, such as medical and nutritional 
progress, and prescription of exercise, among others. Th is study 
aimed to evaluate the level of functional autonomy among elderly 
trained or not at combined exercises as resistance and endurance. 
Th e population studied was elderly, residents of the area north 
and west of Rio de Janeiro, with 15 practitioners trained at least 3 
months and 16 not-trained. For evaluating the functional autonomy 
of the elderly, was used a data protocol developed by the Group 
of Latin American Development (GDLAM), composed by 10 
meters walking test (C10M), getting out of a seated position fi ve 
times (LPS), getting out of prone position (LPDV), getting out of 
the chair and move into the house (LCLC) and wear and draw a 
shirt (VTC). Th e data obtained from the tests were analyzed with 
descriptive statistics and tables. It was found that the two groups 
of elderly are able to perform the tests off ered, and the LPDV test 
was performed in less time for both groups. Th e results of all tests 
showed signifi cant diff erences in the time of execution. Th e trained 
group obtained a good classifi cation at the tests LPDV and VTC, 
was good and regular in LPS C10M and LCLC. Th e non-trained 
group obtained excellent performance in the test VTC, regular in 
LPDV and low in C10M, LPS and LCLC. According to the index 
GDLAM, the trained were classifi ed as regular and not-trained as 
weak.
Key-words: elderly, combined training, functional autonomy.
Endereço para correspondência: Paulo Cesar Nunes Junior, Rua Mearim, 307/301, 20561-070 Rio de Janeiro RJ, Tel: (21) 2578-
4036, E-mail: paulocesar.nunes@terra.com.br
17Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
Os últimos dados das Pesquisas Nacionais por Amostra 
de Domicílio (PNADs), realizadas no início deste século, 
encontraram quedas consideráveis nos níveis de fecundidade 
das mulheres no Brasil. Assim, as projeções do IBGE para o 
ano 2050 são de que a população com mais de 60 anos passará 
de 14,5 para 64 milhões, com expectativa de vida variando 
entre 62.97 a 73.59, superando o grupo etário constituído 
de crianças e adolescentes até 14 anos. Com isso, a avaliação 
da capacidade funcional vem se tornando um instrumento 
particularmente útil para averiguar o estado de saúde do ido-
so. A Organização Mundial de Saúde defi ne a incapacidade 
funcional como a difi culdade, devido a alguma defi ciência, 
para realizar atividades físicas e pessoalmente desejadas na 
sociedade [1].
De acordo com a OMS [2], a proporção do crescimento 
populacional de pessoas com 60 anos ou mais é muito maior 
do que o de qualquer outra faixa etária. A perspectiva deste 
aumento gira em torno de 223% ou em torno de 694 milhões, 
no número de idosos entre 1970 e 2025. A estimativa é de 
queaté 2050 haverá 2 bilhões, sendo que 80% nos países em 
desenvolvimento.
Diante desta realidade de um envelhecimento constante 
na população de nosso país, já que o Brasil é um destes pa-
íses em constante desenvolvimento, é de suma importância 
que a população senescente tenha qualidade de vida além de 
uma expectativa de vida maior, como autonomia funcional, 
atividade intelectual, o estado de saúde e sua independência 
econômica e social [3].
Nos dias atuais, houve progressos na qualidade de vida e 
consequentemente um declínio das incapacidades funcionais, 
aumentando assim, a perspectiva de longevidade em função 
de vários fatores, tais como o progresso nas áreas médica, 
fi sioterapêutica, nutricional, na prescrição de exercícios físi-
cos, preocupação da mídia com estas questões, dentre muitos 
outros [1,4].
Segundo Ramos [5], o fator determinante na terceira idade 
é a autonomia, pois qualquer pessoa que chegue aos 80 anos, 
capaz de gerir sua própria vida optando por suas atividades 
de lazer, meio social e trabalho, certamente será considerada 
uma pessoa saudável. Independentemente de ser cardiopata, 
hipertensa, diabética ou possuir qualquer outra enfermidade. 
Ele ainda sugere que a população idosa em geral apresenta 
uma alta prevalência de doenças crônicas, principalmente 
hipertensão arterial, dores articulares e varizes. O Grupo de 
Desenvolvimento Latino-Americano (GDLAM) classifi ca a 
autonomia funcional em três aspectos: autonomia de vonta-
de, referindo-se a autoestima, achar que é capaz de realizar; 
autonomia de pensamento, permitindo julgar e determinar 
o que fazer; e autonomia de ação, onde realizará a tarefa ou 
o gesto proposto.
O estudo de Parahyba e Simões [1] revela que as com-
parações dos PNADs de 1998 e 2003 mostraram reduções 
nas proporções de idosos com difi culdades para caminhar 
100 m, sendo que esta foi maior em idosos com mais de 80 
anos. Nestes dados os grupos foram separados por região do 
país, renda mensal familiar e pela idade. Esse estudo também 
relatou que quando comparados mulheres e homens que 
possuem incapacidade funcional, as mulheres tendem a ter 
mais perspectiva de vida.
O enfraquecimento musculoesquelético tem sido aponta-
do como a causa relevante desta incapacidade na população 
senescente, elevando o risco de quedas. O sedentarismo, 
associado a doenças crônico-degenerativas e a hábitos de vida 
inadequados, como tabagismo e má alimentação, resulta no 
decréscimo dos níveis de força, da resistência muscular, da 
fl exibilidade e da capacidade aeróbia, promovendo a queda da 
capacidade funcional, das atividades diárias [4]. As atividades 
físicas para o idoso devem ter como objetivo o fortalecimento 
muscular, equilíbrio, potência aeróbica, movimentos corporais 
totais e tentar associar estas atividades a uma mudança nos 
hábitos de vida [6].
Os benefícios do treinamento de força para idosos vão 
desde a melhora da saúde e qualidade de vida até a melho-
ria das habilidades funcionais ou atividades da vida diária 
(AVDs), mesmo em senescentes com doenças crônicas [7]. 
Além disso, este tipo de treinamento proporcionará um ganho 
considerável nas funções neuromusculares desta população 
[8,9]. Concluindo, assim, que este tipo de treinamento é de 
extrema relevância quando se trata de retardar as alterações 
fi siológicas inerentes ao envelhecimento, evitando a incapa-
cidade e a dependência social [9].
Os benefícios do treinamento de força vão depender da 
interação entre número de repetições, séries, intensidade das 
sobrecargas, intervalo e da combinação dos exercícios [10]. 
Estudos sobre treinamento de força evidenciam que a força 
muscular alcança seu auge entre a segunda e terceira déca-
das de vida e mostra diminuição lenta ou imperceptível até 
próximo aos 50 anos de idade, quando começa a declinar 
aproximadamente 12% a 15% por década, com perdas mais 
acentuadas a partir da sexta década de vida [7,10]. Há perda 
de fl exibilidade, de velocidade, dos níveis de captação máxima 
de oxigênio (VO2max), de massa óssea (osteopenia), além da 
redução na massa muscular (sarcopenia), devido ao compro-
metimento nas fi bras tipo IIb, que são fi bras de características 
anaeróbicas e hipertrófi cas [4]. O estudo de Izquierdo et al. 
[11] citam ainda que esta alteração na massa muscular se 
deve a mudanças hormonais e ao declínio da realização das 
atividades com o passar do tempo. Neste artigo também é re-
lacionada à perda de estabilidade nas ações musculares devido 
ao aumento da co-ativação dos músculos antagonistas e da 
variabilidade na taxa de descarga das unidades motoras. Estas 
alterações fi siológicas e músculo-articulares no idoso fazem 
com que ocorra o aparecimento de problemas como a perda 
de equilíbrio (ataxia), comprometendo a marcha e automati-
camente sua independência [12]. Guimarães e Farinatti [13] 
concluíram que o geronte devido à sua idade avançada tende 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201018
a desenvolver doenças como catarata, glaucoma e retinopatia, 
que podem vir a comprometer a capacidade de julgar a ação 
correta a ser tomada para se evitar uma queda.
Com o avanço do envelhecimento há uma perda, em 
torno de 25%, da capacidade aeróbica do músculo e do fl uxo 
sanguíneo durante a contração [12]. Outros fatores associados 
à qualidade estrutural muscular podem afetar o desenvolvi-
mento da força e potência, como a mudança das miosinas de 
cadeia pesada para tipos mais lentos, afetando diretamente a 
velocidade de contração nas ações musculares [7].
Perdas progressivas de força tendem a comprometer a 
autonomia funcional dos idosos, deixando-os incapacita-
dos para realizarem as tarefas mais simples do dia-a-dia e 
tornando-os dependentes dos que os cercam, o que reduzirá 
consideravelmente sua qualidade de vida [10]. Além da sar-
copenia, também se deve lembrar que há alterações na saúde 
mental, como na cognição e no humor, e nos parâmetros 
sociais e ambientais, tais como a segurança e sua inclusão na 
sociedade [14]. No estudo de Aveiro et al. [8], 16 idosas com 
osteoporose na coluna e/ou fêmur foram submetidas a um 
treinamento de fortalecimento do músculo quadríceps, de 
alongamento dos músculos do tronco, dos membros inferiores 
e superiores e um programa de caminhada, e o resultado foi 
melhora em relação ao equilíbrio, a qualidade de vida e no 
torque da musculatura extensora do joelho.
Todas estas alterações fi siológicas relacionadas ao avanço 
da idade sugerem que o treinamento de força muscular e 
o treinamento aeróbico estão diretamente ligados à inde-
pendência funcional das pessoas idosas. Com a inclusão de 
exercícios contra resistência, como a musculação, no dia-a-dia 
da população idosa, alcançar-se-á benefícios extremamente 
relevantes. Porém, sempre de forma coerente, com embasa-
mento científi co e respeitando os princípios do treinamento 
desportivo, como o princípio da individualidade biológica e 
da especifi cidade, por exemplo [4].
O treinamento de força é uma modalidade de exercícios re-
sistidos em que movimentos musculares são realizados contra 
uma força oposta [15]. O vigor máximo que um músculo ou 
um grupo muscular pode gerar é determinado pela força. Com 
o exercício crônico ocorrem diversas alterações no sistema 
neuromuscular. Estas alterações relacionadas a um programa 
de treinamento de força podem produzir ganhos entre 25% 
a 100% da força máxima [16]. No treinamento resistido 
há uma predominância dos sistemas energéticos ATP-CP e 
glicolítico, sendo que a atuação do sistema oxidativo se dá 
durante o intervalo entre as séries [15]. Com relação à hiper-
trofi a proporcionada pelo treinamento resistido, este relata 
que ela acontece devido ao estresse mecânico causado pelo 
exercício intenso que ativa a expressão do RNA mensageiro 
(RNAm) e consequentementea síntese protéica muscular. 
Este processo acarretará no surgimento de novas miofi brilas. 
Também parece haver um aumento do número de fi lamentos 
de actina-miosina, conteúdo sarcoplasmático e combinação 
de tecido conjuntivo.
Dentre os benefícios do treinamento resistido estão o 
aumento da densidade mineral óssea e da área de secção 
transversa do músculo, menor duplo produto, que indica 
um menor consumo de oxigênio do miocárdio. Esta altera-
ção pode estar ligada a uma menor frequência cardíaca e/ou 
pressão arterial, ambas de repouso. Porém, alguns estudos 
apontam para estas ligeiras reduções, enquanto que outros 
não encontraram diferenças. Ainda sob suas referências, o 
volume sistólico parece ser igual ou ligeiramente maior em 
pessoas treinadas, permitindo um aumento do débito cardíaco 
sem o aumento concomitante da frequência cardíaca e do 
duplo produto [7].
Neste tipo de treinamento há um aumento signifi cativo 
na proporção de fi bras musculares tipo II [16]. Havendo um 
decréscimo das fi bras musculares tipo I e um aumento das 
fi bras musculares tipo IIa. Com relação às adaptações neurais, 
estão a elevação do número de unidades motoras recrutadas e, 
junto com a sincronização destas, há um aumento da taxa de 
disparo e uma atenuação da inibição autogênica [7].
Idosos que se submetem a treinamentos com sobrecargas 
têm melhora da função e estrutura muscular, articular e óssea 
[17]. Assim, sua autonomia funcional será preservada mesmo 
com o passar do tempo. Com o treinamento de força há um 
aumento agudo na concentração de testosterona, hormônio de 
efeitos anabólicos, total em homens e mulheres jovens, porém 
em mulheres idosas estes resultados são, ainda, controversos. 
O mesmo estudo cita que também há elevação aguda de GH 
em homens e mulheres jovens com o treinamento, mas em 
mulheres idosas os resultados não foram consensuais [17].
Os benefícios promovidos pelo treinamento de força de-
pendem de vários fatores, como a intensidade, a frequência e o 
volume de exercícios. Quanto à manipulação destas variáveis, 
os autores não conseguiram tecer considerações, pois diferen-
tes combinações destas podem ser igualmente efi cientes [10].
Em relação à prática de exercícios aeróbicos ou de endu-
rance e seus benefícios associados à autonomia funcional, o 
estudo de Amorim et al. [18] evidenciou um aumento na 
autonomia funcional e na qualidade de vida de idosos, além 
da melhora no consumo, captação e transporte de oxigênio. 
O sistema cardiorrespiratório parece ser um dos sistemas 
orgânicos mais afetados com o declínio funcional, tornando 
a habilidade de captação e transporte de oxigênio para o su-
primento da demanda metabólica corporal durante a atividade 
física acometida [19]. Algumas alterações cardíacas são de 
extrema relevância como na elasticidade, distensibilidade e 
dilatação das artérias; o esvaziamento ventricular que ocorre 
durante a sístole também se torna comprometido, dentro de 
uma aorta menos complacente, levando a um aumento na 
incidência de idosos hipertensos [18].
O treinamento de endurance tem como característica 
sua execução em uma zona aeróbica, ou seja, dependente de 
oxigênio que tem por objetivo a melhora da aptidão cardior-
respiratória e é sustentado energeticamente pelo metabolismo 
dos ácidos graxos e carboidratos. Com o treinamento aeróbico 
19Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
existe a possibilidade de retardar este processo degenerativo 
que se torna acelerado com o passar da idade, pois há melhora 
no consumo máximo de oxigênio, no suprimento capilar na 
fi bra muscular, aumento do conteúdo de mioglobina, que 
armazena oxigênio e o libera para as mitocôndrias quando 
necessitam. Além disso, também há alterações no número e 
tamanho das mitocôndrias, que é chamada de usina da célula, 
pois é lá que ocorre a produção de energia aeróbia [16].
Uma única sessão de treinamento aeróbico parece ser capaz 
de promover queda dos níveis de pressão, abaixo dos valores 
de repouso, o que tem sido denominado de hipotensão pós-
exercício [20]. O exercício físico agudo em idosos hipertensos 
reduziu a pressão arterial por um período de até 22 horas após 
a sessão de treinamento [20]. Contudo, deve-se ter conheci-
mento que exercícios aeróbicos de intensidade muito baixa 
parecem não surtir efeitos signifi cativos na melhoria da saúde 
[19]. No estudo de Hepple et al. [21], homens entre 65 e 74 
anos foram submetidos a este tipo de treinamento e também 
ao treinamento de contra-resistência por 18 semanas, e os 
achados foram de um aumento no consumo de oxigênio, 
que pode vir a ser de uma melhora na difusão nos músculos 
esqueléticos.
A melhoria do consumo máximo de oxigênio é um desta-
cado fator de proteção, pois menor será o risco de mortalidade, 
prolongando assim sua longevidade [22]. Não há alteração 
na frequência cardíaca máxima com o exercício, mas há uma 
redução na de repouso. Esta alteração parece ser ocasionada 
por mecanismos como o aumento do retorno venoso e da 
contratilidade miocárdica [22]. Jubrias et al. [23] compararam 
as mudanças energéticas e estruturais em idosos que se propu-
seram a participar de seis meses de treinamento de endurance 
ou de contra-resistência. Após este período de treinamento, as 
maiores mudanças se deram na capacidade oxidativa com o 
aumento da densidade mitocondrial e nas adaptações neurais 
do músculo quadríceps, mas em se tratando de maior síntese 
protéica não houve grande diferença pré e pós-treinamento.
Os indivíduos melhor condicionados aerobicamente 
possuem atividade autonômica mais efi ciente do que os não 
treinados, havendo também indícios que indivíduos com me-
lhor tônus vagal cardíaco apresentam uma resposta melhor ao 
treinamento aeróbico [22]. De acordo com o posicionamento 
do American College of Sports Medicine [24], o homem idoso 
que realiza exercícios aeróbicos é favorecido pelo mecanismo 
de Frank-Starling, pois há um maior volume diastólico fi nal 
que consequentemente acarretará num maior volume de eje-
ção. E a taxa de decréscimo do consumo máximo de oxigênio 
no idoso de 70 anos treinado parece ser igual a de um adulto 
jovem destreinado. Além destas alterações, este posiciona-
mento também preconiza que o treinamento de endurance 
tem a capacidade de promover melhorias no perfi l lipídico 
sanguíneo, além da redução dos estoques de gordura corporal. 
Baseado no exposto acima se chegou ao objetivo do 
presente estudo: comparar a autonomia funcional de idosos 
praticantes de treinamento combinado entre exercícios de 
contra-resistência e endurance com não praticantes de exercício 
físico devidamente prescrito por um profi ssional capacitado.
Material e métodos
A amostra foi constituída de 31 indivíduos com idade 
acima de 60 anos, moradores da zona norte e oeste do mu-
nicípio do Rio de Janeiro, sendo que 15 eram praticantes 
de treinamento combinado há mais de 3 meses e 16 não 
eram praticantes. Os 31 indivíduos estavam completamente 
hábeis fi sicamente para desempenharem a bateria de testes. 
O instrumento utilizado foi o protocolo de GDLAM para 
avaliação da autonomia funcional [25]. O instrumento foi 
aplicado pelos próprios pesquisadores.
Este estudo caracteriza-se pela forma direta, pois busca e 
coleta os dados diretamente na fonte pesquisada, investigando 
o fato por meio de instrumentos e procedimentos válidos e 
adequados ao que se pretende investigar [26]. A pesquisa é 
classifi cada como descritiva, pois há uma simples descrição 
dos fatos investigados e também é considerada comparativa, 
devido à comparação entre grupos de pessoas submetidas a 
condições diferenciadas [27]. Em relação ao modo de coleta, 
este estudo é classifi cado como pesquisa experimental, onde 
um ou mais parâmetros são testados e comparados [26].
O presente trabalho atendeas Normas para Realização de 
Pesquisa em Seres Humanos, Resolução 196/96, do Conselho 
Nacional de Saúde de 10/10/1996.
Todos os participantes do estudo concordaram em assinar 
o termo de participação consentida contendo: objetivo do 
estudo, procedimentos de avaliação, possíveis consequências, 
caráter de voluntariedade da participação do sujeito e inserção 
de responsabilidade por parte do avaliador.
Para as variáveis foram estimadas média, mediana, desvio-
padrão e coefi ciente de variação, visando caracterizá-la [28] e 
posteriormente foram submetidas ao teste de Shapiro-Wilk 
[29] para investigação da proximidade da distribuição normal, 
tendo por confi guração, p = 0,05:
H0: A variável j do grupo i se aproximou da Distribuição 
Normal
H1: A variável j do grupo i não se aproximou da Distribuição 
Normal
∀ j Є J = {C10m, LPS, LPDV, VTC, LCLC, IG, Idade}
∀ i Є I = {Praticante, Sedentário}
Na não verifi cação de proximidade levou a efetiva com-
paração a ser tomada pelo teste de Mann-Withney [30], p = 
0,05, cujo desenho foi:
H0: A variável j do grupo Sedentário = A variável j do grupo 
Praticante
H1: A variável j do grupo Sedentário ≠ A variável j do grupo 
Praticante
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201020
Na observação da normalidade, a utilização do teste t-
Student se fez necessária [28], cuja aplicação teve confi guração 
similar ao teste de Mann-Whitney.
Resultado e discussão
Tabela I - Resultados descritivos do grupo praticante.
Estatística Média
Desvio-
padrão
Mediana
Coeficiente de 
variação
C10m (s) 6,47 0,98 6,59 15,12
LPS (s) 8,89 1,22 8,60 13,71
LPDV (s) 2,52 0,66 2,47 26,01
VTC (s) 6,96 1,57 6,49 22,58
LCLC (s) 43,40 14,88 40,68 34,27
Idade (anos) 68,60 4,69 68,00 6,83
IG 26,39 5,21 25,89 19,73
Tabela II - Resultados descritivos do grupo não praticante.
Estatística Média
Desvio-
padrão
Mediana
Coeficiente 
de variação
C10m (s) 7,97 1,37 7,74 17,25
LPS (s) 11,45 1,65 11,47 14,41
LPDV (s) 3,65 0,82 3,49 22,33
VTC (s) 11,06 3,57 10,10 32,31
LCLC (s) 66,09 21,78 56,30 32,95
Idade (anos) 68,88 4,41 69,50 6,40
IG 37,41 9,67 33,89 25,86
C10m = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV 
= levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa, 
LCLC = levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice 
GDLAM.
Figura 1 - Classifi cação dos desempenhos dos praticantes.
Figura 2 - Classifi cação dos desempenhos dos não praticantes.
C10(s)
Muito bom
Bom
Regular
Fraco
LPS(s) LPDV(s) VTC(s) LCLC(s) IG
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Fr
eq
. A
bs
ol
ut
a
C10 = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV 
= levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa, 
LCLC = levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice 
GDLAM.
C10(s)
Muito bom
Bom
Regular
Fraco
LPS(s) LPDV(s) VTC(s) LCLC(s) IG
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Fr
eq
. A
bs
ol
ut
a
C10 = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV = 
levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa, LCLC 
= levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice GDLAM.
Tabela III - Resultados do teste de Shapiro-Wilk (p = 0,05).
Grupo Variável Valor-p
C10m (s) 0,13
LPS (s) 0,72
LPDV (s) 0,08
Sedentário VTC (s) 0,05
LCLC (s) 0,00
Idade (anos) 0,67
IG 0,02
C10m (s) 0,97
LPS (s) 0,46
LPDV (s) 0,42
Praticante VTC (s) 0,05
LCLC (s) 0,00
Idade (anos) 0,49
IG 0,00
Tabela IV - Resultados do Teste t-Student (p = 0,05).
Variável Valor-p
LCLC (s) 0,00
IG 0,00
Tabela V - Resultados do Teste de Mann-Whitney (p = 0,05).
Variável Valor-p
C10m (s) 0,00
LPS (s) 0,00
LPDV (s) 0,00
VTC (s) 0,00
Idade (anos) 0,83
C10m = caminhar 10 metros, LPS = levantar da posição sentada, LPDV = 
levantar da posição decúbito ventral, VTC = vestir e tirar a camisa, LCLC = 
levantar da cadeira e se locomover pela casa, e IG = Índice GDLAM.
A idade não apresentou diferença relevante entre os 
grupos, o que torna o presente estudo com resultados mais 
fi dedignos na comparação dos resultados.
21Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Caminhar 10 metros: o grupo dos não praticantes obteve 
uma média de 7,97 ± 1,37 segundos, e o grupo dos praticantes 
teve uma média de 6,47 ± 0,98 ssegundos, sendo assim, de 
acordo com a classifi cação do protocolo de GDLAM, os não 
praticantes tiveram um desempenho fraco e os praticantes 
conseguiram um desempenho regular. O grupo praticante 
fi cou aquém quando comparado com o grupo praticante 
de hidroginástica do estudo de Mazini Filho et al. [31], que 
obteve uma media 5,17 segundos alcançando a classifi cação 
muito bom com este resultado. De acordo com a análise esta-
tística, a diferença de tempo entre os grupos foi signifi cante, 
demonstrando que os praticantes de exercício físico obtiveram 
melhor desempenho.
Figura 3 - Classifi cação do desempenho dos grupos no teste de 
caminhar 10 metros.
Levantar da posição decúbito ventral: o grupo dos não 
praticantes obteve uma mediana de 3,49 segundos e os 
praticantes alcançaram uma mediana de 2,47 segundos. De 
acordo com a classifi cação do GDLAM, os não praticantes 
foram classifi cados como regular e o grupo praticante obteve 
a excelência do protocolo que é a classifi cação muito boa. 
Comparando com o estudo de Mazini Filho et al. [4] cujos 
idosos fi sicamente ativos obtiveram uma média de 5,21 se-
gundos, o grupo praticante de treinamento combinado do 
presente estudo alcançou em excelente resultado com uma 
diferença signifi cativa. Neste teste também houve uma dife-
rença signifi cativa comparando-se os grupos.
Figura 5 - Classifi cação dos grupos no teste de levantar da posição 
decúbito ventral.
Regular
Fraco
0
1
2
3
4
5
6
7
8
Praticantes Não
praticantes
Levantar da posição sentada: nesta bateria, o grupo dos 
não praticantes obteve uma média de tempo de 11,45 ± 1,65 
segundos, e o grupo dos praticantes alcançou uma média 
de 8,89 ± 1,22 segundos. De acordo com a classifi cação do 
GDLAM os não praticantes obtiveram um fraco desempenho 
e os praticantes obtiveram uma boa performance. No estudo 
de Guimarães et al. [32], os praticantes de treinamento de for-
ça obtiveram uma mediana de 11,20 segundos, mas neste caso 
eles haviam feito apenas algumas semanas de treinamento e 
mesmo assim conseguiram obter uma melhora de 7 segundos, 
comparando-se com o teste anterior ao treinamento. Visto 
que este teste necessita de maior força e resistência muscular, 
a diferença entre os grupos foi signifi cativa de acordo com a 
análise estatística.
Figura 4 - Classifi cação do desempenho dos grupos no teste de 
levantar da posição sentada.
Bom
 Fraco
0
2
4
6
8
10
12
Praticantes Não
praticantes
Praticantes Não
praticantes
Muito bom
Regular
0
0,5
1
1,5
2
2,5
3
3,5
Levantar da cadeira e caminhar pela casa: neste teste, a 
mediana do grupo não praticante foi de 56,30 segundos e 
a do grupo praticante foi de 40,68 segundos. Sendo assim, 
segundo o protocolo de GDLAM, o grupo praticante obteve 
uma classifi cação regular e o não praticante fi cou na categoria 
fraca. No estudo de Guimarães et al. [32], o grupo praticante 
de exercício físico teve uma média neste teste de 37,54 segun-
dos, obtendo uma classifi cação boa, sendo melhor do que a 
do grupo praticante do presente estudo. Estes resultados po-
dem ser explicados pelo fator da coordenação e do equilíbrio 
dinâmico pouco trabalhado, o que acabava levando os idosos 
a se confundirem durante a execução do teste e fazendo com 
que a diferença entre os grupos fosse relevante.
Figura 6 - Classificação dos grupos no teste de levantar da cadeira 
e caminhar pela casa.
Regular
Fraco
0
10
20
30
40
50
60
Praticantes Não
praticantes
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201022
Vestir e tirar a camisa: o grupo praticante obteve uma me-
diana de 6,49 segundos, sendo classifi cado no grupo muito 
bom pelo protocolo de GDLAM. Já o grupo não praticante 
teve uma mediana de 10,10 segundos, também obtendo a clas-
sifi cação muito boa. Mesmo obtendo a mesma classifi cação, a 
diferença de quase 4 segundos entre os grupos é signifi cativa. 
A análise estatística revelou uma diferença relevante entre os 
grupos. No estudo de Guimarães et al. [32], o grupo praticante 
de exercícios físicos regularmente obteve uma média de tempo 
de 11,59 ± 1,72 segundos, o que revela um bom desempenho 
dos dois grupos do presente estudo.
Figura 7 - Classifi cação dos grupos no teste de vestir e tirar a camisa.
Conclusão
Este estudo teve como objetivo a comparação da auto-
nomia funcional entre idosos praticantes e não praticantes 
de treinamento combinado. Observamos uma diferença 
signifi cativa no tempo de execução entre os grupos. A maior 
diferença se deu nos testes com mais complexidade, que ne-
cessitava de atenção e coordenação. Comparando tais achados 
deste estudo com outros estudos citados neste trabalho que 
também utilizaram o protocolo de GDLAM, sendo que em 
todos os estudos o grupo praticante de exercício físico obteve 
melhor desempenho na realização da bateria de testes, há uma 
forte evidência que o exercício físico prescrito por profi ssionais 
capacitados é imprescindível para a manutenção da autonomia 
funcional em idosos.
Recomendamos que outros estudos que envolvam trei-
namento combinado e autonomia funcional para idosos 
utilizem exercícios de intensidade e volume controlados pelos 
pesquisadores durante algumas semanas, buscando descobrir 
se existe um método de treinamento que seja mais válido e 
com melhores resultados para que os idosos alcancem sua 
autonomia funcional.
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Muito bom
Muito bom
0
2
4
6
8
10
12
Praticantes Não
praticantes
IG: de acordo com o índice GDLAM (IG), que é uma classificação 
geral da autonomia funcional dos idosos encontrada em uma fórmula 
onde se utilizam os tempos obtidos nos testes citados acima, houve 
uma diferença de classificação entre os grupos. O grupo praticante 
teve uma pontuação média de 26,39, ± 5,21 o que a classificou como 
regular e o grupo não praticante obteve uma pontuação mediana de 
33,89 classificando-o como fraco. No estudo de Mazini Filho et al. 
[4], o grupo praticante obteve uma pontuação média de 28,60 sendo 
classificado como regular também. Já no estudo de Guimarães et al. 
[32], o grupo praticante obteve uma mediana de 38,70 classificando o 
grupo como fraco. 
Figura 8 - Classifi cação dos grupos pelo Índice GDLAM.
Regular
Fraco
0
5
10
15
20
25
30
35
Praticantes Não
praticantes
23Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201024
Artigo original
Efeito do exercício aeróbico na incidência 
de quedas em idosos com problemas de saúde
Effect of aerobic exercise on the incidence of falls 
in elderly with health problems
Josenei Braga dos Santos, M.Sc.*, Geórgia Maria F. Benetti**, André Junqueira Xavier, D.Sc.***, Eleonora d’Orsi, D.Sc.****
*Mestrando em Saúde Pública – PPGSP/UFSC, **Aluna do Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas – DICH/UFSC, 
***Informática em Saúde (UNIFESP/EPM), Professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública – PPGSP/UFSC
Resumo
O objetivo deste estudo foi verifi car o efeito do exercício aeróbico 
na incidência de quedas em idosos com problemas de saúde. Parti-
ciparam da amostra dois sujeitos: A) masculino 79 anos que sofreu 
um AVC e B) feminino 72 anos diabética. O estudo obedeceu a três 
etapas: pré-teste: aplicação de questionário com perguntas referen-
tes aos aspectos sociodemográfi cos, atividades diárias e condições 
de saúde em geral, avaliação do índice de massa corporal (IMC), 
através do protocolo da World Health Organization e queda avaliada 
pelo teste de Tinetti; intervenção: 29 sessões de exercício aeróbio, 
realizadas duas vezes por semana, com duração de 65 minutos com 
intensidade entre 55% a 85% da Frequência Cardíaca Máxima 
(FCmáx); e pós-teste: avaliação da queda e avaliação qualitativa dos 
idosos. Os resultados mostraram que houve 100% de participação 
do sujeito A e 75,86% do sujeito B, manutenção da classifi cação no 
teste Tinetti nos dois períodos (pré e pós-teste), mantendo-os fora 
do risco de sofrer queda durante este período de trabalho. Diversos 
benefícios para a saúde e qualidade de vida foram identifi cados por 
meio da avaliação qualitativa. 
Palavras-chave: exercício aeróbico, quedas, idosos, 
envelhecimento.
Abstract
Th e aim of this study was to evaluate the eff ect of the aerobic 
exercise on the incidence of falls in elderly with health problems. Th e 
sample was composed by two subjects: A) male 79 years who had 
suff ered cerebrovascular accident (CVA) and B) female 72 years with 
diabetes. Th e study included three stages: pre-test: a questionnaire 
was applied regarding socio-demographic aspects, daily activities and 
health in general, body mass index was evaluated through World 
Health Organization protocol and the Tinetti balance test was used 
to evaluate falls; intervention: 29 sessions of aerobic exercise for 65 
min, two times per week, at intensity 55% - 85% of maximum heart 
rate (MHR); and post-test: falls risk and qualitative evaluation of the 
elderly. Th e results showed that subject A had 100% participation 
and subject B had 75.86%, same classifi cation in Tinetti test in two 
periods (pre and pos test), keeping them out of risk of falling over 
during this period of work. Many benefi ts to health and quality of 
life were identifi ed through the qualitative evaluation.
Key-words: aerobic exercises, falls, elderly, aging.
Endereço para correspondência: Josenei Braga dos Santos, Rua Ogê Fortkamp, 111/204, Bloco A, Bairro Trindade 88036-610 
Florianópolis SC, E-mail: jobrs7@yahoo.com.br
25Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
O envelhecimento é um processo de mudança natural 
da vida humana e com ele diversas modifi cações fi siológicas 
sobre o corpo dos idosos podem surgir, causando diversos 
problemas de saúde físicos e mentais, frequentemente, causa-
dos por doenças crônicas, diminuição do equilíbrio, quedas e 
mobilidade funcional Alfi eri et al., Ribeiro et al. e Mazo [1-3]. 
De acordo com Tribess et al. e Souza e Silva et al. [4-5], este 
processo leva todos os seres vivos, principalmente os idosos, 
a passarem por perdas progressivas nos aspectos físicos, fi sio-
lógicos, psicológicos e sociais, que refl etem diretamente nas 
suas capacidades funcionais, “capacidade de realizar atividades 
físicas cotidianas, profi ssionais, esportivas, terapêuticas e de 
lazer” [6:59]. Esta perda, segundo estes autores, difi culta a 
realização das atividades da vida diária (AVD), assim como, 
conduz o idoso a se tornar sedentário, o que permite o surgi-
mento de doenças crônico-degenerativas advindas de hábitos 
de vida inadequados. 
Outro fator que também surge nesta fase, segundo Per-
racini [7] é o da deterioração do equilíbrio e da marcha, que 
infl uencia o aumento do número de quedas, ou seja, “uma 
mudança de posição inesperada, não intencional, que faz o 
indivíduo permanecer em um nível inferior” [7:195]. 
Um estudo realizado por Siqueira et al. [8] com 4.003 
idosos brasileiros (65 anos ou mais), mostrou que a prevalên-
cia de quedas foi de 34,8% e entre os que experimentaram 
queda, 12,1% tiveram fratura como consequência: 46% nos 
membros superiores, 28% nos membros inferiores, 11% no 
tronco, 5,5% na face e os valores restantes distribuídos entre 
outros locais. 
Isso demonstra que este evento pode ser considerado como 
um dos grandes problemas de saúde pública nesta fase, po-
dendo gerar incapacidades parciais ou dependência, alterações 
na massa muscular e óssea, institucionalização, fragilidade, 
lesões, fratura de quadril, custos de tratamento e morte, o 
que resulta em sérias complicações para a saúde, a família e/
ou cuidadores e a qualidade de vida do idoso [2,7-11].
Diversos estudos e matérias veiculadas pelos meios de 
comunicação têm mostrado que a prática de exercícios físicos 
(EF) por idosos (programas de caminhadas, musculação, yoga, 
hidroginástica, tai chi chuan, dança de salão, pilates, etc.), 
tem dado uma contribuição signifi cativa para a melhora da 
capacidade funcional de curto a médio prazo. 
A prática de EF tem sido enfatizada como uma das es-
tratégias efi cazes para prevenir doenças e quedas, promover 
e manter a saúde dos idosos, aumentar a expectativa de vida 
e a capacidade física, melhorar as relações sociais devido à 
convivência em grupo com pessoas da mesma idade, e, con-
sequentemente, diminuir os anos de dependência funcional 
e a incapacidade física [1,3,4,12-17]. 
Sendo assim, objetiva-se neste estudo verifi car os efeitos 
do exercício aeróbico na incidência de quedas em idosos com 
problemas de saúde. 
Materiais e métodos 
Tipo de estudo
É uma pesquisa descritiva, do tipo estudo de caso, no qual 
o pesquisador esforça-se por uma compreensão em profundi-
dade de uma única situação ou fenômeno [18].
Sujeitos
Participaram da pesquisa dois idosos conforme pode ser 
observado na Tabela I, que faziam uso de diversos medica-
mentos e que tinham acompanhamento médico mensal.
Tabela I - Características físicas dos participantes.
Sujeito A B
Sexo Masculino Feminino
Idade (anos) 79 72
Peso (kg) 79,4 66
Altura (m) 1,75 1,59
IMC kg/m2 25,79 26,12
FC repouso (bpm) 66 84
IMC - Índice de Massa Corporal; FC - Frequência Cardíaca.
Sujeito A – portador de marcapasso, que tinha sofrido 
acidente vascular cerebral (AVC), possuía difi culdades de se 
equilibrar, havia perdido a visão esquerda há 19 anos, tinha 
sofrido duas quedas nos últimos 12 meses, relatava queixas 
de memória e era sedentário. 
Sujeito B – diabética com problemas de pressão alta, que 
havia realizadodiversas cirurgias: apendicite aguda, proble-
mas na tiróide, vesícula e tornozelo, não havia sofrido queda 
nos últimos 12 meses, possuía difi culdades de coordenação 
motora, relatava queixas de memória e praticava atividades de 
ginástica três vezes por semana com duração de 45 minutos 
em grupo.
Coleta de dados
Para atender às necessidades da investigação, aplicou-se um 
questionário com perguntas abertas e fechadas referentes aos 
aspectos sociodemográfi cos, atividades diárias e as condições 
de saúde em geral. 
Com relação à aferição do peso corporal, utilizou-se uma 
balança eletrônica marca Filizola, modelo PL-180, com capa-
cidade de 180 kg e divisão de 100 g, a estatura foi mensurada 
por meio de um estadiômetro compacto marca WISO, com 
campo de medição de 0 a 200 cm. Para cálculo do IMC, 
utilizou-se o protocolo da World Health Organization [19], 
ou seja, IMC (kg/m²) = Peso/Altura². 
No que se referiu à queda, adotou-se o teste de Tinetti 
[20], que é um teste que permite avaliar o equilíbrio e as 
anormalidades da marcha sendo constituído de 16 itens, no 
qual 9 são para o equilíbrio do corpo e 7 para a marcha. Este 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201026
teste classifi ca os aspectos da marcha como a velocidade, a 
distância do passo, a simetria e o equilíbrio em pé, o girar e 
também as mudanças com os olhos fechados. A contagem para 
cada exercício varia de 0 a 1 ou de 0 a 2, com uma contagem 
mais baixa que indica uma habilidade física mais pobre. A 
pontuação total é a soma da pontuação do equilíbrio do corpo 
e a da marcha. Sua pontuação máxima é de 12 pontos para 
a marcha, de 16 para o equilíbrio do corpo e de 28 para a 
total, tendo como indicadores do risco de queda as seguintes 
pontuações: ≤ 18 alto, 19-23 moderado e ≤ 24 baixo. 
Intervenção
Para desenvolvimento deste estudo, adotou-se como forma 
de trabalho a cultura de empoderamento na saúde, proposta 
pela Organização Panamericana de Saúde [21], ou seja, ajudar 
os idosos a gerenciarem sua própria saúde por meio da prática 
de exercício físico e orientá-los sobre hábitos de saúde. 
Foram realizadas 29 sessões de exercício aeróbio (cami-
nhada), durante um período de três meses, duas vezes por 
semana, em dias alternados, com duração de 65 minutos, 
divididos em três partes: 
a) 5 a 10 minutos – exercícios de alongamento e fl exibi-
lidade (aquecimento articular e fi siológico); 
b) 30 a 50 minutos – exercício aeróbio; 
c) 5 minutos – exercícios respiratórios e de relaxamento 
muscular visando retorno da FC aos níveis de repouso. 
Com relação à execução dos exercícios aeróbios, tomou-se 
como referência trabalhar com intensidade de leve a moderada 
em torno de 55% a 85% da Frequência Cardíaca Máxima 
(FCmáx) conforme indicado por Nobrega et al. [15]. Para 
cálculo da FCmáx adotou-se a fórmula, (FCmáx) = 220 – idade, 
preconizada por Karvonen et al. apud Powers e Howley [22], 
sendo medida de forma indireta (medida radial), ou seja, 
pressionar levemente o indicador e o dedo médio contra a 
artéria radial no sulco na parte lateral do punho. 
Com relação aos procedimentos éticos de pesquisa, seguiu-
se a resolução específi ca do Conselho Nacional de Saúde [23]. 
No que se referiu ao termo de consentimento livre e escla-
recido, os dois sujeitos assinaram confi rmando que estavam 
cientes dos propósitos da investigação e dos procedimentos 
que seriam utilizados e autorizaram a publicação dos dados 
obtidos.
Resultados
Após a aplicação das sessões, percebeu-se que houve 100% 
de participação do sujeito A e 75,86% de participação do 
sujeito B. 
Como pode ser observado, na Tabela II e III, respectiva-
mente, encontram-se o resultado do teste de Tinetti (pré e 
pós-teste) dos dois sujeitos e logo após cada tabela, apresenta-
se a avaliação qualitativa. 
Tabela II - Resultado do teste de Tinetti. 
Sujeito A Pré-teste Pós-teste
Equilíbrio 15 16
Marcha 9 9
Total 24 25
Avaliação qualitativa
Relatou que houve melhora na qualidade do sono, não 
havia sofrido queda durante o desenvolvimento deste estu-
do, diminuição das dores musculares, sentia que as pernas 
estavam mais fi rmes, o corpo mais fl exível, com boa postura 
e disposto para as atividades diárias e viagens, começou a 
fazer tratamento para o problema de visão e conversou com 
seu médico sobre sua medicação, e este por sua vez, decidiu 
reduzir um medicamento (anticonvulsivante) de três para 
um comprimido/dia. 
Tabela III - Resultado do teste de Tinetti.
Sujeito B Pré-teste Pós-teste
Equilíbrio 16 16
Marcha 9 9
Total 25 25
Avaliação qualitativa
Relatou que houve melhora na qualidade do sono, que não 
havia sofrido queda durante o desenvolvimento deste estudo, 
diminuição das dores musculares e sentia-se mais disposta e 
fl exível durante as atividades diárias e viagens.
Discussão
De acordo com os resultados obtidos, notou-se que a 
prática do exercício aeróbico ajudou a melhorar o equilíbrio 
do sujeito A e a manter a pontuação do sujeito B. Estes 
valores demonstraram que, apesar dos sujeitos apresentarem 
um baixo risco de queda no pré-teste, esta classifi cação tam-
bém se manteve no pós-teste, mostrando que os exercícios 
contribuíram para que esta classifi cação fosse preservada e, 
consequentemente, ajudasse a prevenir e/ou minimizar di-
versos problemas musculoesqueléticos que pudessem surgir 
durante o período de trabalho. Sendo assim, pode-se dizer que 
estas informações vão ao encontro dos posicionamentos de 
Oliveira [24], quando fala que os exercícios aeróbicos trazem 
diversos benefícios ao organismo, porque são os que mais de-
senvolvem a aptidão musculoesquelética e cardiorrespiratória 
e de Mazo [3], quando aponta que os benefícios provocados 
pela caminhada parece ser valiosa para os idosos, pois a força 
dos membros inferiores auxilia a minimizar os efeitos da 
imobilidade e, consequentemente, a manter a independência. 
Diversos estudos têm apontado o EF como um dos 
principais fatores para a aquisição e manutenção da saúde, 
prevenção de doenças, sendo utilizado como um procedi-
27Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
mento na reabilitação e melhoria da performance de atletas 
e praticantes de atividades físicas [25].
Rebelatto et al. [26] quando verifi caram a infl uência de 
um programa de atividade física de longa duração sobre a 
força de preensão manual e a fl exibilidade de mulheres ido-
sas, identifi caram manutenção da força de preensão manual 
e reprogramação dos exercícios para desenvolvimento da 
fl exibilidade. 
Alfi eri et al. [1], quando avaliaram a mobilidade funcional 
e o equilíbrio de 75 idosos (25 praticantes voleibol adaptado 
- G1, 25 ginástica - G2 e 25 indivíduos sedentários – G3), 
identifi caram que o G1 e o G2 obtiveram melhores resultados 
em todos os itens avaliados quando comparados ao Grupo 
3, concluindo que a prática regular de exercícios físicos pode 
interferir positivamente no equilíbrio e mobilidade funcional 
de idosos. 
Candeloro e Caromano [27] quando estudaram o efeito 
de um programa de hidroterapia na fl exibilidade e na força 
muscular de idosas, notaram que o programa foi efi ciente para 
melhorar a fl exibilidade e, parcialmente, para a força muscular. 
Silva et al.[28] quando avaliaram o equilíbrio, a coorde-
nação e agilidade de idosos submetidos à prática de exercícios 
físicos resistidos, constataram melhor desempenho para o 
grupo experimental em relação ao controle. Já Resende et al. 
[29] quando estudaram sobre o efeito de um programa de 
hidroterapia no equilíbrio e no risco de quedas em idosas, 
conseguiram promover aumento signifi cativo do equilíbrio 
e redução do risco de quedas.
De acordo com o que está preconizado na literatura, 
consegue-se perceber que a prática de EF temuma relação 
direta com a saúde, qualidade de vida e bem estar dos idosos, 
contribuindo para a independência e a capacidade funcional, 
fato este também encontrado neste estudo por meio dos 
relatos na avaliação qualitativa o que para Guiselini, Nahas 
et al. e Araújo [30-32] pode ser considerado como um fator 
estimulador, que atua positivamente na mudança de compor-
tamento das pessoas, proporcionando mais autonomia para 
a vida e maior disposição.
Conclusão 
Pode-se concluir que a prática do exercício aeróbico con-
tribuiu para que os idosos mantivessem suas classifi cações 
no teste realizado, auxiliando na redução do risco de quedas 
e, consequentemente, ajudando a prevenir problemas mus-
culoesqueléticos que pudessem surgir durante este período. 
Outro ponto de destaque percebido foi que as orientações 
sobre hábitos de saúde contribuíram para que os sujeitos 
gerenciassem melhorar suas condições de saúde, autonomia, 
capacidade funcional e independência.
Cabe ressaltar que se faz necessário desenvolver estudos de 
intervenção com um número maior de idosos, por um longo 
período de tempo, e que estes possam ser realizados utilizando 
instrumentos validados cientifi camente, simples, rápidos, de 
fácil entendimento e execução, para que se possa ajudá-los a 
gerenciar melhor sua saúde. 
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29Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Artigo original
Correlação entre repetições no pulley frontal 
e flexões na barra fixa
Correlation between repetitions in the frontal pulley 
and fixed bar pull down 
Jaime Flôres de Araujo Bastos*, Antonio Coppi Navarro**, Francisco Navarro***
*Programa de Pós-Graduação Lato-Sensu da Faculdade de Educação Física da ACM de Sorocaba em Fisiologia do Exercício: Pres-
crição do Exercício, Ofi cial do Exército Brasileiro,**Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício, Programa 
de Pós-Graduação Lato-Sensu da Faculdade de Educação Física da ACM de Sorocaba em Fisiologia do Exercício: Prescrição do 
Exercício, Programa de Pós-Graduação Stricto-Sensu da UMC em Engenharia Biomédica, ***Universidade Federal do Maranhão, 
Departamento de Educação Física
Resumo
Introdução: A fl exão na barra fi xa tem como fi nalidade avaliar 
as qualidades físicas de força e de resistênciamuscular localizada 
de membros superiores. Esse exercício é específi co para as ações de 
combate do militar. Por esse motivo, a fl exão na barra fi xa faz parte 
do Teste de Avaliação Física, executado obrigatoriamente por todos 
os militares, três vezes ao ano. A fl exão na barra fi xa tem sido uma 
das causas dos resultados de insufi ciência no Teste de Avaliação 
Física. Visando buscar um exercício de musculação que irá auxiliar 
no treinamento para a execução da fl exão na barra fi xa, quiçá para o 
Teste de Avaliação Física, o objetivo deste estudo foi correlacionar o 
resultado do teste de repetição máxima no pulley frontal e o desem-
penho na fl exão na barra fi xa. Material e métodos: Participaram do 
estudo 32 soldados, voluntários, do Exército Brasileiro, com idade 
entre 19 e 20 anos e massa corporal de 71,3 ± 8 kg. No primeiro 
dia foram mensuradas a massa corporal e a idade, além do teste 
de repetição máxima no pulley frontal, com a carga fi xa de 45 kg. 
Após 72 horas foi realizado o teste de repetição máxima na barra 
fi xa. Resultados e discussão: No pulley frontal a média de repetições 
máximas foi de 12,21 ± 6,14, enquanto na barra fi xa foi de 6,15 ± 
3,87. A correlação de Pearson foi 0,88 (P < 0,01). Nesse sentido os 
achados deste estudo confi rmam a relação de semelhança entre os 
exercícios pulley frontal com os exercícios de barra fi xa, na propor-
ção equivalente de dois para um. Conclusão: Conclui-se que existe 
a relação de duas repetições no pulley frontal, com 45 kg, para cada 
repetição na barra fi xa.
Palavras-chave: teste de avaliação física, treinamento 
neuromuscular, pulley, barra fixa, performance.
Abstract
Introduction: Th e fl exion in fi xed bar is used to assess the strength 
and muscular endurance of upper limbs. Th is exercise is specifi c to 
the actions of the military fi ght. Th erefore the fl exion in fi xed bar is 
included in the Physical Assessment Test of the Army. Th e fl exion 
at fi xed bar has been one of the causes of failure in physical fi tness 
evaluation. Aiming to determine the training workload to prepare 
the soldiers to the fl exion at fi xed bar test, the purpose of this study 
was to correlate the outcome of the repetition maximum in the front 
pulley and the performance in the fl exion fi xed bar. Material and 
methods: Participants of the study were 32 soldiers from the Brazilian 
Army, 19 and 20 years old, with body mass of 71.3 ± 8 kg. In the 
fi rst day the body mass was measured, as well the repetition maxi-
mum in front pulley with the fi xed load of 45 kg. After 72 hours 
the repetition maximum in the fi xed bar was determined. Results 
and discussion: In the front pulley the mean of maximum repetition 
was 12.21 ± 6.14, while the mean maximum repetition in the fi xed 
bar test was 6.15 ± 3.87. Th e Pearson correlation coeffi cient was 
0.88 (P < 0.01). In this sense the fi ndings of this study confi rm the 
relationship between the front pulley exercises with the fi xed bar 
repetitions. Conclusion: Th ere is a signifi cant relationship between 
two repetitions in the front pulley with 45 kg and the repetition 
maximum in the fi xed bar test.
Key-words: physical assessment test, neuromuscular training, front 
pulley, fixed bar, performance. 
Endereço para correspondência: Antonio Coppi Navarro, Rua Piracicaba, 65/04, 07040-310 Guarulhos SP, Tel: (11) 2229-5701, 
E-mail: ac-navarro@uol.com.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201030
Introdução
O Exército Brasileiro, juntamente com a Marinha e a 
Aeronáutica, constituem as Forças Armadas do Brasil. Estas 
instituições são permanentes e regulares e destinam-se à 
defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, 
por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem [1]. A 
importância da aptidão física para o sucesso nas operações 
militares foi confi rmada nos relatórios sobre a campanha 
do Exército Britânico nas ilhas Falkland e sobre as ações do 
Exército Americano em Granada [2]. Devido a isso, o Exército 
Brasileiro adota o Treinamento Físico Militar (TFM) como 
instrução obrigatória para todos os militares [3].
Os militares, para desempenharem bem suas funções, estão 
em constantes treinamentos físicos e para que se possa con-
trolar e avaliar o desempenho físico individual dos militares 
é realizado por todos, isto é, obrigatório, três vezes ao ano se 
submeter ao Teste de Avaliação Física (TAF) [3]. Dentre os 
exercícios que constituem esta avaliação encontramos a Flexão 
na Barra Fixa (FBF) [4].
A FBF tem como objetivo avaliar as qualidades físicas de 
força e de Resistência Muscular Localizada (RML) de mem-
bros superiores. Ela tem sido uma das causas dos resultados 
de insufi ciência no Teste de Avaliação Física entre os militares 
das forças regulares [5]. Em busca da necessidade em superar 
os resultados insufi cientes nos Testes de Avaliação Física pelos 
militares e visando buscar um exercício de musculação que 
fundamente uma prescrição de um treinamento físico de força 
e de resistência muscular localizada, em termos de membros 
superiores, o objetivo deste estudo é relacionar o resultado do 
Teste de Repetição Máxima (TRM) no Pulley Frente (PF) e 
a performance na FBF [6].
Material e métodos
Amostra
A amostra foi constituída por 32 soldados voluntários, que 
assinaram termo de consentimento, integrantes do 2º Grupo 
de Artilharia de Campanha Leve (2º GAC L), incorporados 
no mês de março, isto é, com dois meses e meio de quartel, 
com idade entre 19 e 20 anos, massa corporal de 71 ± 8 
kg. Todos os participantes eram fi sicamente ativos [13], do 
sexo masculino e não apresentaram nenhuma patologia que 
pudesse contra indicá-los para a execução de exercício intenso 
de força de membros superiores. 
Procedimentos
No primeiro dia foram mensuradas a massa corporal e a 
idade, além do Teste de Repetição Máxima no Pulley Frente. 
No segundo dia, 72 horas após o teste anterior, foi realizado 
o Teste de Repetição Máxima na Barra Fixa. Todos os testes 
foram realizados das quinze e trinta às dezessete horas. Foi 
demonstrado o protocolo para os dois testes, antes da reali-
zação dos mesmos, a fi m de padronizar os procedimentos de 
execução. A massa corporal foi mensurada utilizando-se uma 
balança digital da marca Filizola, modelo Personal, ano 2001, 
com precisão de 100 gramas.
O suor nas mãos, variável interveniente para o teste de 
fl exão na barra fi xa, foi controlado pela aplicação de “breu 
vegetal” nas mãos de todos os indivíduos da amostra. Outra 
interveniente controlada foi a motivação para a realização do 
teste, visto que este foi realizado durante a execução do TAF. 
O teste de repetição máxima no pulley frente
O aparelho PF foi escolhido para o trabalho de correlação 
com a FBF, devido às suas semelhanças [14] quanto às arti-
culações envolvidas, os movimentos articulares e os músculos 
envolvidos, tudo isso citado anteriormente. Além disso, esse 
exercício de musculação serve como TAF alternativo, para 
militares que, por algum motivo de saúde, são impossibilita-
dos de executar a FBF [15].
A aptidão física em relação ao componente força vem 
sendo mensurada através de testes de força e resistência de 
força, em que fi guram o de uma repetição máxima (1RM) e 
o de repetições máximas (RM) [16].
O teste de repetição máxima foi escolhido para avaliar a 
força máxima dos indivíduos, pois a realização de um teste 
de 1RM pode causar lesões, principalmente em indivíduos 
inexperientes [17]. Com isso, é aconselhável a execução de 
testes de resistência muscular, que são os que realizam o má-
ximo de repetições com cargas submáximas.
Os testes submáximos encontrados na literatura são os 
de número máximo de repetições. Para a execução desses 
testes, a carga pode ser escolhida pelos seguintes critérios: 
carga fi xa arbitrariamentedeterminada, carga baseada em 
um percentual da massa corporal ou em um percentual de 
1 RM [17]. Para a realização deste trabalho, foi escolhida a 
carga fi xa arbitrariamente determinada. Com isso, utilizou-
se a carga de 45 kg para todos. O teste propriamente dito 
foi executado seguindo o seguinte protocolo de Moura et al. 
[16]. Posição inicial: a) Indivíduo sentado com tronco ereto 
e os joelhos fl exionados em aproximadamente 90º, estando as 
coxas fi xadas no anteparo padrão do aparelho situado à frente 
do corpo; b) Mãos segurando a barra do aparelho, estando os 
cotovelos totalmente estendidos e os braços elevados acima 
do corpo, estando o tronco em atitude ereta.
Ponto de resistência da quilagem – A resistência é oferecida 
pela barra padrão contra o movimento de puxada (adução de 
ombro e fl exão de cotovelo).
Execução – O indivíduo executa a puxada da barra para 
baixo e a frente do corpo até que ultrapasse a mandíbula, 
conforme modelagem na fi gura 1.
31Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Figura 1 - Modelagem do exercício pulley frente. Tabela I - Pulley frente e barra fi xa individualmente.
Amostra 
(n) (1 a 16)
Pulley Barra Amostra (n) 
(17 a 32)
Pulley Barra
1 25 12 17 10 6
2 22 15 18 10 6
3 22 14 19 9 6
4 21 10 20 9 3
5 21 11 21 9 5
6 20 8 22 8 4
7 19 8 23 8 3
8 19 8 24 8 6
9 18 13 25 7 3
10 18 8 26 6 4
11 15 6 27 6 1
12 14 5 28 6 1
13 12 4 29 5 3
14 12 9 30 4 1
15 11 6 31 4 0
16 11 5 32 2 3
Amostra (n = 32) Pulley Barra
Média 12,21 6,15
Desvio Padrão 6,40 3,87
Teste t 0,01 0,01
Correlação de 
Pearson
0,88
ANOVA (Turkey) 0,0001
Discussão
O exercício físico é uma atividade de baixo custo que 
pode promover saúde [7], os exercícios neuromusculares 
realizados regularmente são importantes para a manutenção 
e melhoria das condições morfofi siológicas e de saúde, nesse 
sentido os militares realizam frequentemente exercícios físicos 
prescritos [8].
Atividades neuromusculares têm como objetivo atingir 
as seguintes fi nalidades: profi lática, terapêutica, psicológica, 
estética e de treinamento os militares realizam atividades 
neuromusculares principalmente em termos de treina-
mento físico, profi lática e psicológica, e quando necessária 
terapêutica [9].
Para o Exército Brasileiro, os exercícios neuromusculares 
têm como objetivo principal, atingir a fi nalidade de treina-
mento, e a FBF muito utilizada nos treinamentos e testes 
físicos dos militares, quando realizada na posição pronada é 
similar às ações de combate do militar. Em diversos cursos 
operacionais do Exército, durante uma missão real ou até 
mesmo nas atividades corriqueiras dos quartéis, como, por 
exemplo: o embarque em viaturas altas, subida em árvore 
ou a transposição de um muro, os militares utilizam o 
tipo de pegada pronação para suspender o peso do próprio 
corpo [10].
O exercício da FBF engloba três articulações: a articulação 
do ombro, a escápulo - torácica e a do cotovelo [11].
O teste de fl exão na barra fi xa
O teste de fl exão na barra fi xa foi realizado de acordo com 
o protocolo a seguir descrito e exemplifi cado na modelagem 
da Figura 2: Ao comando de ligar, o militar empunhou a 
barra com os braços estendidos e os punhos em pronação. Ao 
comando de iniciar, executou sucessivas fl exões de braço na 
barra fi xa até o limite de sua resistência. Só foram contadas 
aquelas em que o indivíduo ultrapassava a barra com o queixo, 
na fase concêntrica e estendia os braços completamente, na 
fase excêntrica. Não foram permitidos movimentos abdomi-
nais (“galeios”) e pedaladas para impulsionar o tronco [4].
Figura 2 - Modelagem do exercício barra fi xa.
Tratamento estatístico
Os dados dos testes no pulley frente e na barra fi xa foram 
coletados e apresentados em estatística descritiva: frequência 
absoluta, frequência relativa, média, desvio padrão, e estatís-
tica analítica: correlação de Pearson, Test t para cada variável 
(pulley e barra fi xa) independentemente e a Anova seguida 
de verifi cação post-hoc de Tukey para as variáveis (pulley e 
barra fi xa). O nível de signifi cância foi fi xado em p < 0,05 e 
os cálculos feitos com o software Bioestat 4.0. 
Resultados
A Tabela I apresenta os resultados para o pulley frontal e 
barra fi xa, para cada um dos indivíduos participantes.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201032
Na execução da FBF observam-se os seguintes movimentos 
articulares: adução de ombro, rotação inferior da escápula e 
fl exão do cotovelo [11].
No movimento de adução do ombro, como Motor Pri-
mário (MP) destaca-se os seguintes músculos: latíssimo do 
dorso, redondo maior e peitoral maior (parte abdominal). Já 
na rotação inferior da escápula, têm-se como MP o peitoral 
menor, rombóide maior e trapézio (parte ascendente). Na 
fl exão de cotovelo observa-se a atuação do bíceps braquial, 
do braquial e do braquiorradial [11].
A FBF é um exercício que exige uma certa força e é ex-
celente para o desenvolvimento das costas [12]. Ele trabalha 
os seguintes músculos: latíssimo do dorso, redondo maior, 
peitoral maior, rombóide, trapézio (parte ascendente), bíceps 
braquial, braquial e o braquiorradial.
O exercício de puxada na frente com polia alta (pul-
ley frente), também é um excelente exercício físico para 
desenvolver os músculos das costas. Ele trabalha as fi bras 
superiores e centrais do latíssimo do dorso, a parte transversa 
e ascendente do trapézio, o rombóide, o bíceps braquial, 
o peitoral maior, o redondo maior, o peitoral menor e o 
braquial [12].
O exercício pulley costas, muito semelhante ao pulley fren-
te, engloba as mesmas articulações, os mesmos movimentos 
articulares e as mesmas ênfases musculares que o movimento 
de FBF [11].
A diferença entre o exercício de FBF e do PF está no ponto 
fi xo e no ponto móvel. Na FBF o ponto fi xo está inserido no 
úmero e o móvel na coluna vertebral. No PF o fi xo está na 
coluna vertebral e o móvel no úmero [11].
Analisando os resultados, deste estudo, e que estão 
apresentados, na tabela I, individualmente, ou seja, por 
todos os sujeitos da amostra, observa-se que não existe uma 
regularidade, em termos de resultado individual, no que 
se refere ao resultado do exercício pulley frente, quando 
comparado ao exercício da barra fi xa. Devido a isso, não 
podemos afi rmar que o indivíduo que faz mais repetições 
no pulley frente, com o peso de 45 kg de carga fará mais 
repetições na barra fi xa que um indivíduo que obteve um 
resultado pior no pulley.
Observando-se a média do número de repetições no 
pulley frente de todos os sujeitos da amostra (n = 32) é de 
12,21 ± 6,40. Já a media do número de repetições na barra 
fi xa é de 6,15 ± 3,87. Devido a isso, é possível inferir que, 
em percentagem, o número de FBF é 50,8% do número de 
repetições no pulley frente com 45 kg de carga. Pelo índice 
de 0,88 obtido na correlação de Pearson podemos afi rmar 
que existe uma relação de duas repetições no exercício pulley 
frente para cada exercício de fl exão na barra fi xa.
Para a signifi cância dos resultados da amostra (n = 32) 
em relação aos exercícios físicos pulley frente e fl exão na 
barra fi xa, foi usado em cada um independentemente o 
test t (p < 0,01) e para a análise de variância o test Turkey 
(p < 0,0001).
Conforme sugerem os estudos citados, principalmente os 
[5,10-12,15,18], e comparando com os dados obtidos nesta 
investigação os exercícios físicos de pulley frente e fl exão na 
barra fi xa possuem uma correlação de dois para um quando 
levamos em consideração as características dos sujeitos dessa 
amostra.
Conclusão
Analisando os pressupostos teóricos e os dados estatísticos 
apresentados, concluímos que existe a correlação de duas 
repetições no pulley frente, com 45 kg, para cada repetiçãona barra fi xa.
Sendo assim, já que existe uma relação de proporção entre 
os dois exercícios, sugere-se aos militares inserir o exercício 
pulley frente no teste de avaliação física.
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33Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201034
Artigo original
Avaliação antropométrica em idosos 
praticantes de hidroginástica
Anthropometric characteristics of elderly 
in a hydrogymnastic exercise program
Danielle Salles Tortola*, Mariane Takesian*, Karla Dias Tomazella*, Marina Yazigi Solis*, Jaqueline Kremer Pereira*, Marina 
Gomes da Costa Fuchs*, Monica Milani*, Priscila Anacleto de Oliveira*, Clara Korukian Freiberg**
*Discentes do Curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo – CUSC, São Paulo, **Docente do Curso de Nutrição do 
Centro Universitário São Camilo – CUSC, São Paulo
Resumo
Introdução: Visando avaliar a infl uência da hidroginástica 
no estado nutricional de idosos praticantes desta atividade, 
83 mulheres e 17 homens foram submetidos à avaliação 
antropométrica. Material e métodos: Trata-se de um estudo 
transversal descritivo, com coleta de dados primários, realiza-
do em quatro academias da zona sul da cidade de São Paulo. 
Os indivíduos foram submetidos a medidas de peso, altura, 
dobra cutânea tricipital e circunferências de braço, cintura e 
quadril. Foram também coletados dados pessoais e presença 
de doenças relacionadas ao estado nutricional. Resultados: Foi 
possível observar que, no geral, estes idosos estão em condição 
de eutrofi a, sendo 48,2% para as mulheres e 52,9% para os 
homens, além do que este tipo de atividade física resulta em 
preservação da massa muscular, pois 73% da prega cutânea 
tricipital e 83% da circunferência muscular do braço dos 
participantes se encontram em eutrofi a. Os resultados obtidos 
pela antropometria mostram que a prática de hidroginástica 
por idosos resulta em melhora do estado nutricional, dimi-
nuição no risco de desenvolvimento de doenças metabólicas 
e cardiovasculares. Conclusão: Foi verifi cado que a prática da 
hidroginástica por idosos melhora a qualidade de vida desta 
população, infl uenciando positivamente no estado nutricio-
nal, sendo também importante na integração social, tendo 
por consequência, a longevidade. 
Palavras-chave: idoso, atividade física, estado nutricional, 
antropometria. 
Abstract
Introduction: Aiming at evaluating the infl uence of hydrogym-
nastics in nutritional status of elderly practicing this activity, 83 
women and 17 men were submitted to anthropometric evaluation. 
Methodology: It is a descriptive transversal study, with primary data 
collection, carried out in four academies at the south of São Paulo 
city. Anthropometric measurements included weight, height, tricipi-
tal skinfold and circumferences of arm, waist and hip were obtained. 
Also, personal information and diseases related to nutritional status 
were collected. Results: It was possible to observe that, in general, the 
nutritional status of the elderly was classifi ed as eutrophic, 48,2% for 
women and 52.9% for men. Th is physical activity preserves muscle 
mass in both gender, and 73% of the triceps skinfold thickness and 
83% of arm muscle circumference of the participants are eutrophic. 
Th e anthropometric measurements results showed that the practice 
of hydrogymnastics by the elderly improved nutritional status and 
decreased risk of developing metabolic and cardiovascular diseases. 
Conclusion: It was concluded that the practice of hydrogymnastics 
for elderly people improves their quality of life, infl uencing posi-
tively in the nutritional status, being also important in the social 
integration and longevity.
Key-words: aged, motor activity, nutricional status, anthropometry. 
Endereço para correspondência: Karla Dias Tomazella, Rua Aparecida Ivone Munhoz, 35, 06142-050 Osasco SP, Tel: (11) 3691-
8004/7456-1916, E-mail: karla.tomazella@terra.com.br
35Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
Nos últimos anos, devido a um aumento na expectativa 
de vida, o número de pessoas pertencentes à terceira idade 
tem aumentado [1]. Do ponto de vista demográfi co, o en-
velhecimento é caracterizado pelo aumento da proporção da 
população acima de 60 anos em relação à população total, com 
aumento da expectativa de vida e queda da mortalidade [2]. 
Com esse envelhecimento da população haverá um aumento 
das demandas sanitárias, sociais e econômicas, representan-
do ao mesmo tempo um dos maiores triunfos e desafi os da 
humanidade [3]. 
O crescimento da população idosa é um fenômeno co-
mum nos países centrais, mas também está presente de modo 
crescente nos países do terceiro mundo [4,5]. Atualmente, no 
Brasil, os idosos representam cerca de 10% da população, o 
que signifi ca 15,5 milhões de brasileiros com mais de 60 anos 
[6], porém esse aumento da população idosa vem ocorrendo 
de forma muito rápida,sem a correspondente modifi cação 
nas condições de vida [7].
Com frequência, os idosos são portadores de doenças 
crônicas e destinam, muitas vezes, parte importante de seu or-
çamento à compra de medicamentos, podendo comprometer 
a aquisição de determinados alimentos, agravando o estado 
nutricional, acarretando maiores complicações de doenças 
agudas ou crônicas e maior proporção de internações, sendo 
estas ainda mais prolongadas [8].
O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo, 
no qual há modifi cações morfológicas, fi siológicas, bioquí-
micas e psicológicas, o que ocasiona maior vulnerabilidade e 
maior incidência de processos patológicos; as alterações que 
ocorrem variam de um indivíduo para outro e são infl uencia-
das tanto pelo estilo de vida quanto por fatores genéticos [9]. 
É nessa época que ocorrem alterações signifi cativas da 
composição corpórea; há uma diminuição do tecido metabo-
licamente ativo por redução de massa magra, um aumento de 
gordura, diminuição de altura e ganho de peso [10].
As sensações de paladar, odor, visão, audição e tato dimi-
nuem em proporções individualizadas. Também ocorre uma 
série de mudanças que afetam o apetite e a habilidade para di-
gerir e absorver alimentos e seus respectivos nutrientes, o que 
pode levar o idoso à alteração de seu estado nutricional [11].
Há também que se considerar a diminuição do envolvi-
mento em atividades físicas vigorosas e moderadas e da vida 
diária, o que leva ao decréscimo da capacidade física. Tal 
fato pode ser associado com o aumento do risco de doenças 
crônicas não transmissíveis [12].
A obesidade neste grupo etário pode contribuir no 
desenvolvimento de disfunções e outras doenças, devendo 
ser considerada como forte infl uência para a morbidade e 
para a diminuição da independência [13]. Devemos estar 
cientes de que uma velhice tranquila é somatório de tudo o 
que benefi cie o organismo, por exemplo, exercícios físicos, 
alimentação saudável, espaço para o lazer, bom relaciona-
mento familiar, ou seja, é preciso investir em uma melhor 
qualidade de vida.
O conceito de qualidade de vida está relacionado à auto-
estima e ao bem-estar pessoal [14,15]. A velhice para alguns 
é uma etapa de desenvolvimento, enquanto que para outros 
é uma fase negativa da vida [16]. 
Em virtude desses aspectos, acredita-se que a participação 
do idoso em programas de exercício físico regular poderá in-
fl uenciar no processo de envelhecimento, com impacto sobre a 
qualidade de vida, melhoria das funções orgânicas e um efeito 
benéfi co no controle de doenças, além disso, a prática de exer-
cício físico combate o sedentarismo (que tende a acompanhar 
o envelhecimento), e contribui de maneira signifi cativa para 
a manutenção da aptidão física do idoso, seja na sua vertente 
da saúde como nas capacidades funcionais [14,17]. 
Os objetivos de um programa de atividade física para essa 
população devem conter exercícios diretamente relacionados 
com as modifi cações que são decorrentes do processo de 
envelhecimento, tais como: promover atividades recreativas 
e de sociabilização; atividades moderadas e progressivas; 
atividades de resistência; exercícios de alongamento; exer-
cícios de relaxamento. Dentre as atividades físicas com 
essas características, as aquáticas provaram ser efi cazes no 
desenvolvimento e manutenção das potencialidades físicas 
e também orgânicas [14]. 
A hidroginástica é um destaque que vem cada vez mais 
ganhando adeptos por todo o mundo. Como o nome diz, 
hidroginástica é a ginástica na água, a qual se diferencia das 
outras atividades realçando alguns benefícios, devido a pro-
priedades físicas que o meio oferece, que irão auxiliar ainda 
mais os idosos na movimentação das articulações, fl exibili-
dade, diminuição da tensão articular, força, na resistência, 
nos sistemas cardiovascular e respiratório, relaxamento, entre 
outros [14,18,19].
O processo de envelhecimento acarreta alterações cor-
porais. O peso e a estatura tendem a diminuir. Há também 
diminuição da massa magra e modifi cação no padrão de 
gordura corporal, onde o tecido gorduroso dos braços e 
pernas diminui, mas aumenta no tronco. Em consequência 
disso, as variáveis antropométricas sofrem modifi cações, 
como a prega cutânea tricipital (PCT) e a circunferência de 
braço (CB) que diminuem e a circunferência abdominal que 
aumenta. É importante avaliar em um plano nutricional essas 
variações, pra isso utiliza-e a antropometria. Esta é a medida 
das variações das dimensões físicas e da composição total do 
corpo humano nas diferentes idades e em diferentes níveis 
de desnutrição; fornece informações das medidas físicas e da 
composição corporal e é um método não invasivo, de fácil e 
rápida execução. No caso dos idosos, as medidas antropomé-
tricas mais utilizadas são peso, estatura, perímetros e dobras 
cutâneas [20,21]. 
O objetivo do estudo foi avaliar a infl uência da hidro-
ginástica no estado nutricional de idosos praticantes desta 
atividade. 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201036
Material e métodos
O trabalho foi realizado em quatro academias na cidade 
de São Paulo, sendo todas localizadas na Zona Sul da cidade. 
Foram avaliados 100 indivíduos, sendo 83 mulheres e 17 
homens, de ambos os sexos, com idade maior ou igual a 60 
anos, durante as aulas habituais de hidroginástica. 
Os participantes foram previamente avisados pelos professo-
res das aulas de hidroginástica sobre a pesquisa de coleta antes 
de iniciarem a aula. Foram devidamente informados sobre os 
objetivos da pesquisa, assinando um Termo de Responsabilida-
de após tomarem conhecimento do Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido. Posteriormente foram levantados e anotados 
os dados pessoais dos participantes e as doenças referidas relacio-
nadas ao estado nutricional. Estes foram pesados usando maiô 
ou sunga em uma balança eletrônica, da marca Filizola com 
capacidade máxima para 200 kg; posteriormente foi verifi cada 
a sua altura, estando os alunos, sempre que possível, em posição 
Frankfurt (braços paralelos ao corpo, pés e costas encostadas 
na parede, pernas juntas e olhar fi xo em um ponto à frente) 
conforme recomenda o Ministério da Saúde, utilizando-se de 
duas fi tas métricas do tipo Fiber Glass inelásticas, presas em 
uma parede reta e sem rodapé, com o auxilio de um esquadro 
Poli Bras para apoiar o topo da cabeça. 
Foram medidas circunferência de braço (região média 
entre a medida do acrômio e olecrano) com este relaxado 
e na posição lateral; circunferência de cintura (região mais 
estreita do abdome), sendo que o participante estava com o 
abdome relaxado, circunferência de quadril (região onde há 
maior proeminência glútea), sendo todas as medidas feitas 
com o uso de fi ta métrica do tipo Fiber Glass e dobra cutânea 
tricipital com o uso do adipômetro Cescorf (face posterior do 
braço, da distância média entre acrômio e olecrano), estando 
o participante com o braço relaxado. 
Todas as medidas foram anotadas imediatamente pós-
medida em planilha própria.
As variáveis do estudo e respectivos padrões de referência 
utilizados foram:
• Índice de Massa Corporal (IMC)
• Circunferência do Braço (CB), Dobra Cutânea Triciptal 
(PCT), Circunferência Muscular do Braço (CMB)
• Percentil de PCT, e classifi cação do percentil de CMB [22]. 
• Circunferência da Cintura (CC) e sua classifi cação [23].
• Relação Cintura/Quadril (C/Q) e sua classifi cação [24]. 
Resultados e discussão
A classifi cação do estado nutricional revelou que a maioria 
dos idosos praticantes de hidroginástica, tanto mulheres quan-
to homens estão na condição de eutrofi a (Tabela I). O IMC 
(Índice de Massa Corpórea) está correlacionado intimamente 
com medidas diretas da gordura corporal, sendo um forte 
preditor de problemas de saúde associadosà obesidade; seu 
aumento representa a obesidade global [13,25].
Um estudo feito com idosos longevos da cidade de Veranó-
polis/RS, porém não praticantes de atividades físicas, apontou 
uma prevalência de obesidade de 45,6%, sendo que ocorreu 
uma prevalência signifi cativamente maior de obesidade nas 
mulheres do que nos homens [13].
Tabela I - Distribuição da população por % segundo gênero e a 
classifi cação do estado nutricional por IMC.
Homens Mulheres Total
% % %
Baixo Peso 0 21,7 18
Eutrofia 52,9 48,2 49
Sobrepeso 17,7 15,7 16
Obesidade 29,4 14,5 17
Total 100 100 100
A PCT é uma medida utilizada para avaliação das áreas 
de gordura e muscular do braço; a CMB é utilizada como 
indicador de massa muscular [21]. 
Outro estudo mostra que idosos praticantes de atividade 
física, incluindo hidroginástica, têm a massa muscular bra-
quial levemente acima do esperado para idade. Esses resultados 
sugerem a preservação da massa muscular entre os indivíduos, 
de ambos os sexos [26]. Os resultados deste estudo foram 
semelhantes ao encontrado (Tabela II).
Tabela II - Distribuição da população em % segundo a classifi cação 
do percentil de PCT e CMB [27].
PCT ( %) CMB ( %)
Desnutrido 7 4
Risco de desnutrição 16 5
Eutrofia 73 83
Obesidade 4 8
A medida da circunferência da cintura tem sido pro-
posta como um dos melhores preditores antropométricos 
de gordura visceral, sendo um indicador da distribuição 
abdominal da gordura e também da gordura corporal total 
[28]; um estudo feito no Rio de Janeiro comprovou que 
a circunferência da cintura em idosos sedentários possui 
proporções de inadequação, tendo maior porcentagem em 
mulheres [29]. Neste estudo foi observado que as medidas 
de circunferência de cintura dos indivíduos idosos do sexo 
feminino estão acima do aceitável como saudável (Tabela 
III). Existem várias explicações para estes dados, a primeira 
delas apóia a ideia de que uma medida isolada não pode 
diagnosticar uma anormalidade, levando-se em conta que a 
maioria dos indivíduos por outras medidas antropométricas 
(IMC, PCT, CMB e CQ) se enquadraram como eutrófi cos 
ou sem risco; a segunda explicação diz respeito ao signifi cado 
da circunferência de cintura, esta medida é relacionada com 
o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, este 
risco pode estar aumentado mesmo em pessoas consideradas 
eutrófi cas, no caso deste estudo, existe o agravante da idade 
37Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
dos indivíduos participantes, os idosos representam um grupo 
de risco para estas doenças [30].
Tabela III - Distribuição da população, em %, segundo gênero e 
risco de obesidade associada a complicações metabólicas analisados 
pela circunferência da cintura.
Homens Mulheres Total
% % %
Sem risco 41 36 37
Risco alto 24 25 25
Risco muito alto 35 39 38
A relação Cintura/Quadril (C/Q) é um indicador para do-
enças cardiovasculares [13]. Os resultados do presente estudo 
apontam que os participantes não têm risco de apresentarem 
doenças cardiovasculares segundo a relação C/Q (Tabela IV). 
Tabela IV - Avaliação da população em % segundo gênero e risco 
de doenças cardiovasculares avaliados pela relação cintura/ quadril. 
Homens Mulheres Total
% % %
Sem risco 5,9 60,2 66
Risco alto 94,1 39,8 34
TOTAL 100 100 100
O envelhecimento traz consigo uma série de alterações, 
incluindo doenças crônicas [11]. O presente estudo apontou 
índices de doenças como: hipertensão, dislipidemia e diabetes 
mellitus (Tabela V). Estudos [13] mostraram a ocorrência de 
hipercolesterolemia hipertensão arterial e diabetes mellitus 
entre os idosos participantes, sendo que a dislipidemia obteve 
índices altos por conta da obesidade inerente aos participantes. 
A hidroginástica como atividade física, auxilia no tratamento 
da diabetes mellitus, pois diminui de 20% a 30% a solicitação 
de insulina subcutânea, aumentando a sensibilidade à ação 
da insulina e a captação de glicose pelas células musculares 
[31]; ela também atua na dislipidemia, aumentando os níveis 
de HDL e reduzindo os de LDL [32]. Quanto à hipertensão, 
o exercício físico, condiciona vasos e o coração, reduzindo a 
pressão arterial e frequência cardíaca [33]. Destacam-se, ainda, 
os benefícios de ordem psicológica e social [9,19,26,30,34].
Tabela V - Distribuição da população em % segundo gêneros e 
presença de doenças referidas associadas ao estado nutricional, São 
Paulo, SP, 2006.
Masculino Feminino Total
% % %
Hipertensão 29 28 28
Dislipidemia 29 26 27
Diabetes Mellitus 6 5 5
Associação de doenças 12 8 9
Ausência de doenças 41 51 49
*As porcentagens não somam 100% devido à presença de mais de uma do-
ença em um único indivíduo, sendo assim, este é contado mais de uma vez.
Conclusão
De acordo com os dados obtidos neste estudo, verifi cou-
se que a prática de hidroginástica por pessoas na faixa etária 
acima dos 60 anos resultou na qualidade de vida destes idosos.
Nota-se que 49% da população estudada apresenta eu-
trofi a, o que favorece ao não desenvolvimento de doenças 
proeminentes da obesidade. As medidas de PCT e CMB, 73% 
e 83%, respectivamente, para ambos os sexos, apresentaram 
valores acima do esperado, visto que, com o envelhecimento 
há uma inversão na composição corporal do idoso. 
Os dados obtidos da relação cintura/quadril revelam que 
a maioria dos participantes não apresenta risco para desen-
volvimento de doenças cardiovasculares. 
Estudos demonstram que cerca de 25% da população 
idosa mundial depende de alguém para realizar suas ativida-
des da vida diária. Entretanto, podem ser proteladas ou até 
eliminadas com a prática de atividades físicas. De todos os 
grupos etários, as pessoas idosas são as mais benefi ciadas pelos 
exercícios. Os riscos de muitas doenças e problemas de saúde 
comuns na velhice diminuem com a atividade física regular, 
já que esta prática é um meio de promoção de saúde e de 
qualidade de vida. A hidroginástica é bastante reconhecida 
por seus benefícios e, por ser uma atividade de baixo impacto, 
é bastante indicada para idosos. Esta modalidade atende a 
grupos de pessoas que precisam praticar uma atividade física 
segura sem causar riscos ou lesões às articulações. Quando 
executada com efi ciência e segurança, de forma regular, ela 
melhora componentes do condicionamento físico, além de 
proporcionar bem estar mental. 
Na velhice, há uma tendência para a modifi cação da 
autoimagem, tornando-a menos positiva. A autoestima e 
autoimagem têm sido desenvolvidas positivamente com a 
intervenção de programas de exercícios físicos, tendo resul-
tados inéditos na qualidade de vida e no bem-estar mental. A 
prática de atividades físicas pelos idosos possibilita benefícios 
nas relações sociais com a família e amigos e na integração 
social. Enfi m, os idosos se sentem mais úteis, independentes, 
com mais esperança e vontade de viver, com maior vitalidade 
e disposição, tornam-se mais saudáveis, sociáveis e felizes. 
Agradecimentos
Agradecemos aos participantes pela colaboração, e às aca-
demias que cederam gentilmente o espaço para que pudesse 
ser realizado o presente trabalho.
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39Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Artigo original
Comparação do VO2 acumulado durante o exercício 
contínuo e intermitente na máxima fase estável de 
lactato sanguíneo 
Comparison of accumulated VO2 during continuous and intermittent 
exercise at maximal lactate steady state
Luis Fabiano Barbosa, M.Sc.*, Camila Coelho Greco**, Benedito Sérgio Denadai***
*Laboratório de Avaliação da Performance Humana, UNESP – Rio Claro, **Professor Livre-Docente, Laboratório de Avaliação da 
Performance Humana, UNESP, ***Professor Titular, Laboratório de Avaliação da Performance Humana, UNESP – Rio Claro
Resumo
O objetivo deste estudo foi comparar o VO2 acumulado durante 
o exercício realizado na máxima fase estável de lactato sanguíneo 
contínua (MLSSc) e intermitente (MLSSi). Sete ciclistas treinados 
(idade = 25,5 ± 5,1 anos, VO2max = 57,7 ± 4,6 ml.kg
-1.min-1) foram 
submetidos aos seguintes protocolos em um cicloergômetro: 1) Teste 
incremental para a determinação do VO2max e sua respectiva carga 
(Pmax); 2) 2 a 3 testes de carga constante para a determinação da 
MLSSc e; 3) 2 a 3 testes intermitentes (7 x 4 min e 1 x 2 min, com 
2 min de recuperação a 50%Pmax) para a determinação da MLSSi. 
Foram determinados na MLSSc e MLSSi o tempo (TMcg), o VO2 
(VO2ACcg) mantidos na carga e o consumo acumulado de oxigênio 
(VO2AC) durante o exercício. O TMcg (27,1 ± 1,2 e 10,1 ± 3,4 min) 
e o VO2ACcg (96,7 ± 1,1 e 35,1 ± 10,7 l) foram estatisticamente 
maiores no exercício contínuo do que no intermitente, respecti-
vamente. O VO2AC (104,4 ± 9,4 e 102,2 ± 8,9 l) foi similar nas 
condições contínua e intermitente. Pode-se concluir que a possível 
superioridade do treinamento intervalado realizado nas condições 
deste estudo, não parece ser determinada pela interação entre o 
tempo de exercício e o VO2 acumulado (i.e., VO2AC) na MLSS. 
Palavras-chave: treino aeróbio, ciclismo, capacidade aeróbia, 
adaptação aeróbia.
Abstract
Th e objective of this study was to compare the accumulated 
VO2 during the exercise performed at continuous (MLSSc) and 
intermittent (MLSSi) maximal lactate steady state. Seven trained 
cyclists (age = 25.5 ± 5.1 years, VO2max = 57.7 ± 4.6 ml.kg
-1.min-1) 
were submitted to the following protocols in a cyclergometer: 1) 
Incremental test for the determination of VO2max and its respective 
workload (Pmax); 2) 2 to 3 constant workload tests for the determi-
nation of MLSSc and; 3) 2 to 3 intermittent tests (7 x 4 min and 1 x 
2 min, with 2 min of recovery at 50%Pmax) for the determination 
of MLSSi. Th e time (TMcg), the VO2 (VO2ACcg) maintained 
at the workload and accumulated oxygenuptake (VO2AC) were 
determined during the exercise at MLSSc and MLSSi. Th e TMcg 
(27.1 ± 1.2 and 10.1 ± 3.4 min) and the VO2ACcg (96.7 ± 1.1 and 
35.1 ± 10.7 l) were statistically higher during continuous than inter-
mittent exercise, respectively. Th e VO2AC (104.4 ± 9.4 and 102.2 
± 8.9 l) was similar at continuous and intermittent conditions. It 
can be concluded that the possible superiority of interval training, 
at the conditions of this study, did not seem to be determined by 
the interaction between the time of exercise and accumulated VO2 
(i.e., VO2AC) at MLSS. 
Key-words: aerobic training, cycling, aerobic capacity, aerobic 
adaptation.
Endereço para correspondência: Benedito Sérgio Denadai, UNESP, Laboratório de Avaliação da Performance Humana, Instituto de 
Biociências, Av. 24A, 1515, Bela Vista, 13506-900, Rio Claro SP, Tel: (19) 3526-4325, E-mail: bdenadai@rc.unesp.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201040
Introdução
A máxima fase estável de lactato sanguíneo (MLSS) é 
defi nida como sendo a maior intensidade de exercício que 
pode ser mantida ao longo do tempo sem aumento contínuo 
da concentração de lactato sanguíneo ([La]) [1]. A MLSS tem 
sido considerada um ótimo parâmetro para a prescrição do 
treinamento aeróbio, particularmente em indivíduos treina-
dos, já que os valores obtidos por meio de sua determinação 
expressam respostas agudas e crônicas individuais da [La] ao 
exercício [1,2]. De fato, alguns estudos têm verifi cado que 
o treinamento aeróbio contínuo realizado em intensidades 
próximas à MLSS pode melhorar a performance aeróbia de 
atletas de endurance [3,4]. 
 Entretanto, uma parte signifi cativa do treinamento para 
a capacidade aeróbia é realizada de forma intermitente [5-
7]. Uma das grandes vantagens deste tipo de treinamento é 
a possibilidade de se realizar a mesma duração de exercício, 
porém com uma intensidade maior do que o indivíduo con-
seguiria realizar de forma contínua. Isto ocorre em função 
das mudanças metabólicas que ocorrem durante o período de 
recuperação (ressíntese de creatina fosfato e/ou remoção do 
lactato) [8,9], permitindo que condições metabólicas similares 
sejam alcançadas em intensidades absolutas diferentes [10,11]. 
Assim, a utilização de intensidades correspondentes à MLSS 
determinada de forma contínua, pode não ser adequada para 
a prescrição do treino intermitente. Confi rmando esta pos-
sibilidade, Beneke et al. [7] verifi caram que as intensidades 
correspondentes à MLSS determinadas durante o exercício 
intervalado de recuperação passiva (intervalos de 30 s ou 90 
s a cada cinco minutos de exercício), foram signifi cantemente 
maiores (300 W, 79% Pmax e 310 W, 81% Pmax, respectiva-
mente) do que a determinada de modo contínuo (277 W, 74% 
Pmax). A [La] na MLSS não foi diferente entre o exercício 
contínuo e intermitente. Portanto, ao se realizar o exercício 
de forma intermitente na mesma carga absoluta correspon-
dente à MLSS, a resposta metabólica tende a ser menor, o 
que subestima o nível de esforço realizado pelo indivíduo [7]. 
É interessante destacar, que alguns estudos têm verifi cado 
que o treinamento intervalado que é realizado com maior 
intensidade, pode ser mais efi ciente do que o treinamento 
contínuo para a promoção de adaptações aeróbias [12,13]. 
Os mecanismos que determinam este comportamento ainda 
não são completamente conhecidos. Um dos fatores que pode 
ser apontado, é que o exercício intervalado aumenta o estresse 
sobre as estruturas e processos associados à utilização do O2 
para a produção de energia. Com isso, pode-se hipotetizar que, 
embora existam períodos de recuperação, o VO2 acumulado 
na carga durante o exercício intervalado possa ser maior do 
que durante o exercício contínuo. Desse modo, o objetivo 
deste estudo foi analisar e comparar o VO2 acumulado du-
rante o exercício realizado na MLSS determinada de forma 
contínua (MLSSc) e intermitente (MLSSi).
Material e métodos
Sujeitos
Sete ciclistas treinados (idade = 25,5 ± 5,1 anos, massa 
corporal = 68,4 ± 9,4 kg, estatura = 172,8 ± 7,5 cm, VO2max 
= 57,7 ± 4,6 ml.kg-1.min-1), com pelo menos 5 anos de ex-
periência na modalidade, foram voluntários e assinaram um 
termo de consentimento para participar do presente estudo. 
Os ciclistas treinavam 6-7 vezes por semana (volume = 403 ± 
50 km) e estavam competindo em nível regional e nacional. 
Os indivíduos foram orientados a não realizarem treinamento 
intenso e não ingerirem bebidas contendo cafeína e álcool 
nas 24 horas que antecederam as sessões experimentais. Este 
estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da 
Universidade.
Delineamento experimental
Os atletas compareceram ao laboratório entre 5-7 ocasi-
ões dentro de um período de três semanas, e foram subme-
tidos aos seguintes protocolos, em dias diferentes, em um 
cicloergômetro: 1) Teste incremental para a determinação 
do limiar anaeróbio (LAn), VO2max e sua respectiva carga 
(Pmax); 2) 2 a 3 testes de carga constante para a determi-
nação da MLSSc e; 3) 2 a 3 testes intermitentes de carga 
submáxima com recuperação ativa para a determinação da 
MLSSi. Cada protocolo intermitente consistiu de 7 repe-
tições de 4 min e 1 repetição de 2 min, intercaladas com 2 
min de recuperação a 50%Pmax. O intervalo entre os testes 
foi de aproximadamente 48 h. Os indivíduos foram instru-
ídos a chegar ao laboratório descansados e hidratados, com 
pelo menos 3 h após a última refeição. Cada indivíduo foi 
avaliado no mesmo horário do dia (± 2 h) para minimizar 
os efeitos da variação diurna biológica.
Protocolo incremental
Os indivíduos realizaram um teste incremental em um 
cicloergômetro eletromagnético (Excalibur Sport, Lode 
BV, Croningen, Holand) em cadências de pedalada entre 
70-90 rpm. Este ergômetro é construído especialmente 
para ajustar automaticamente a resistência e manter a 
potência constante, independente da cadência de pedalada 
escolhida. A carga inicial foi de 100 W com incrementos de 
25 W a cada 3 minutos até a exaustão voluntária. A Pmax 
foi considerada como a carga do último estágio completo 
ou pela relação incremento / tempo quando um estágio 
completo não fosse realizado. Durante os testes, a troca de 
gases pulmonares foi determinada respiração-a-respiração 
(Quark PFTergo, Rome, Italy). O VO2max foi defi nido 
como o mais alto valor de VO2 obtido em médias de in-
tervalos de 15 s durante o teste incremental. Amostras de 
sangue foram coletadas nos últimos 20 s de cada estágio do 
41Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
lóbulo da orelha e colocadas em tubos contendo 50 μl de 
NaF (1%) para a determinação da [La] (YSL 2300 STAT, 
Yellow Springs, Ohio, EUA). O LAn foi determinado por 
interpolação linear usando uma concentração fi xa de 3,5 
mM de lactato [14].
Determinação da máxima fase estável usando 
protocolo contínuo
Foram realizados de dois a três testes de carga constante 
com duração de 30 minutos em diferentes intensidades para 
a determinação da potência (MLSSw), [La], VO2 e frequ-
ência cardíaca (FC) correspondentes à MLSSc. A primeira 
carga foi equivalente a 105% LAn. No 10º e 30º minuto 
dos testes foram coletadas amostras de sangue do lóbulo da 
orelha para a determinação da [La]. A MLSS foi conside-
rada como sendo a mais alta carga na qual foi observado 
um aumento menor ou igual a 1,0 mM entre o 10o e 30o 
minuto de exercício [15]. 
Determinação da máxima fase estável usando 
protocolo intermitente
Para a determinação da MLSSi foram realizados 2-3 
testes de carga submáxima. O protocolo consistiu de 
8 períodos de exercício intercalados com 2 minutos de 
recuperação, sendo que 7 períodos de exercício tiveram 4 
minutos de duração e o oitavo período com 2 minutos de 
duração. Foi utilizada recuperação ativaem que os sujeitos 
permaneciam se exercitando com intensidade equivalente a 
50% Pmax obtida durante o teste incremental. A duração 
total das repetições (30 min) em cargas próximas à MLSSi 
está de acordo com o sugerido por Beneke [1], para o pro-
tocolo contínuo. A duração total do protocolo foi de 44 
minutos (Figura 1). A relação esforço: pausa usada (2:1) 
é comumente utilizada durante sessões de treinamento 
intervalado próximas à MLSSw [6]. A carga do primeiro 
teste correspondeu a 110% MLSSc. Se durante o primei-
ro teste de carga constante um equilíbrio ou redução no 
lactato fosse observado, os testes subsequentes eram rea-
lizados com uma carga 5% maior, em dias diferentes até 
que um estado estável da [La] não pudesse ser mantido. 
Se o primeiro teste resultasse em um aumento na [La] e/
ou não pudesse ser sustentado durante todo o protocolo, 
os testes subsequentes eram realizados com cargas 5% 
menores. A MLSSi foi defi nida como a mais alta carga na 
qual a [La] não aumentou mais do que 1 mM entre o 14o 
e 44o minuto do protocolo (metade da 3a e no fi nal da 8a 
repetição, respectivamente). É importante notar que, além 
de considerar somente a duração de exercício próxima à 
MLSSw, o critério utilizou os últimos 20 min de exercício 
próximo à MLSSw, de acordo com Beneke [15].
Figura 1- Características do protocolo intervalado. 14 min e 44 
min – coleta de sangue para a determinação do lactato sanguíneo.
Protocolo Intervalado
14 min 44 min
exercício recuperação
Cinética do VO2
Para cada exercício de carga constante, o VO2 foi deter-
minado respiração-respiração e os dados foram ajustados de 
acordo com a equação:
VO2(t) = VO2b + A (1 – e 
–(t/τ)) [1]
onde: VO2(t) representa o VO2 no tempo t, VO2b repre-
senta os valores pré-exercício, A é a amplitude da assíntota, e 
o t representa a constante de tempo para a cinética do VO2 
(defi nida como o tempo requerido para alcançar 63% da A). 
No início do exercício contínuo e no início de cada re-
petição do exercício intermitente, o tempo para alcançar o 
consumo de oxigênio ajustado (VO2ajus), ou seja o VO2 assin-
tótico, foi defi nido como 4,6 x τ. O tempo (TMcg) e o VO2 
mantidos na carga (VO2ACcg) foram obtidos por subtração 
do tempo para o ajuste do VO2 do tempo total do período de 
exercício (30 minutos para o exercício contínuo e 4 minutos 
para cada repetição do exercício intermitente) (Figura 2). O 
consumo acumulado de oxigênio (VO2AC) foi calculado por 
meio da integral da área utilizando o método trapezoidal. Para 
o exercício realizado de forma contínua o mesmo representa 
o período total de exercício (30 minutos). Para o exercício 
intermitente representa o consumo acumulado durante os 
períodos de exercício (30 minutos) excluindo os períodos 
de recuperação. O consumo de oxigênio de carga (VO2carg) 
foi obtido por meio de média aritmética do minuto fi nal de 
exercício (29º. – 30º. min durante o exercício contínuo; 43º. 
– 44º. min durante o exercício intermitente).
Análise estatística
Os valores estão expressos como média ± DP. Os valores 
das variáveis correspondentes à MLSSi e a MLSSc foram 
comparados usando o teste t-Student para dados pareados. 
O nível de signifi cância foi mantido em p ≤ 0,05.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201042
Figura 2 - Representação esquemática do consumo de oxigênio 
(VO2) durante o exercício contínuo (1) e intermitente (2). A – pe-
ríodo necessário para o VO2 atingir o valor correspondente à carga. 
B - período onde se considerou que o VO2 foi equivalente à carga. 
C – período de recuperação. 
A Tabela II apresenta os valores médios ± DP do VO2ajus, 
VO2carg, TMcg, VO2ACcg e VO2AC durante o exercício con-
tínuo e intermitente. O VO2ajus foi signifi cantemente maior 
na condição intermitente (p < 0,05). O TMcg e o VO2ACcg 
foram estatisticamente maiores para o exercício contínuo (p 
< 0,05). O VO2carga e o VO2AC foram similares nas duas 
condições (p > 0,05). 
Tabela II - Valores médios ± DP do consumo de oxigênio ajustado 
(VO2ajus), consumo de oxigênio na carga (VO2carga), tempo de 
manutenção do consumo de oxigênio na carga (TMcg), consumo 
de oxigênio acumulado na carga (VO2ACcg) e consumo de oxigênio 
acumulado (VO2AC) durante os exercícios contínuo e intermitente. 
N = 7.
Contínuo Intermitente
VO2ajus (l.min
-1) 3,3 ± 0,3 3,6 ± 0,2*
VO2carga (l.min
-1) 3,5 ± 0,3 3,6 ± 0,2
TMcg (min) 27,1 ± 1,2 10,1 ± 3,4*
VO2ACcg (l) 96,7 ± 1,1 35,1 ± 10,7*
VO2AC (l) 104,4 ± 9,4 102,2 ± 8,9
*p ≤ 0,05 em relação ao exercício contínuo. 
Discussão
Com base nos resultados obtidos no presente estudo, veri-
fi ca-se que a principal hipótese do mesmo não foi confi rmada, 
já que, ao se comparar as condições contínua e intermitente 
realizadas com a mesma duração (30 min), o VO2AC na 
MLSSi foi similar ao obtido na MLSSc. Isto ocorreu apesar da 
MLSSi ter sido realizada em uma intensidade absoluta (10%) 
e VO2ajus (8%) maiores, mas com um TMcg menor (62%). 
Assim, quando se utiliza um mesmo índice fi siológico como 
referência (i.e., MLSS), as vantagens do exercício intermitente 
para proporcionar maiores adaptações aeróbias não parecem 
ser explicadas pelo estímulo ao metabolismo, indicado pela 
interação entre o tempo de exercício e a produção aeróbia de 
energia (i.e., VO2AC).
A MLSS tem sido identifi cada como intensidade de treina-
mento capaz de aumentar o tempo de exaustão e a velocidade 
nesta intensidade [3]. Deste modo, tem sido apontada como 
fator importante para o programa de treinamento de atletas 
moderada e altamente treinados, por proporcionar forte es-
tímulo para o aumento de aspectos submáximos e máximos 
relacionados à capacidade aeróbia [4]. 
O treinamento intervalado tem sido apontado como ca-
paz de aumentar a performance aeróbia, particularmente em 
indivíduos treinados [6], já que nestas condições é possível 
acumular grandes estímulos de treinamento comparado com 
o que poderia ser sustentado em uma simples sessão de exer-
cício contínuo [16]. Os maiores valores de MLSSi (~10%) 
em relação à MLSSc observados neste estudo são similares ao 
dados obtidos por Beneke et al. [7], e confi rmam a necessidade 
da determinação direta da MLSSi, quando o objetivo for a 
 
1 
2 
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0 500 1000 1500 2000
VO2 ajus
VO2 carga
VO
2 
(m
l.m
in
-1
)
VO
2 
(m
l.m
in
-1
)
Tempo (s)
VO2 ajus
VO2 cargaVO2 ajus
VO2 ajus
VO2 carga
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0 180 360 540 720 2520 2700
Tempo (s)
1
A
B
A
B
C
A
B
C
A
C
Resultados
A Tabela I apresenta os valores ± DP de [La], MLSSw, 
%Pmax e FC obtidos durante o exercício realizado na MLSSc 
e na MLSSi. Os valores de MLSSw e %Pmax correspondentes 
à MLSSi foram signifi cantemente maiores (~10%) do que os 
obtidos na MLSSc (p< 0,05). Não houve diferença signifi cante 
na [La] e na FC nas duas condições (p > 0,05).
Tabela I - Valores médios ± DP concentração de lactato sanguíneo 
([La]), potência correspondente à máxima fase estável de lactato 
sanguíneo (MLSSw), percentual da potência máxima (%Pmax) e 
freqüência cardíaca (FC) obtidos durante o exercício realizado na 
máxima fase estável de lactato contínua (MLSSc) e intermitente 
(MLSSi). N = 7.
Contínuo Intermitente
[La] (mM) 3,9 ± 1,0 4,9 ± 1,6
MLSSw (W) 277,3 ± 24,8 305,1 ± 27,4*
%Pmax 76,7 ± 5,0 84,4 ± 5,4*
FC (bpm) 167±11,0 171 ± 11,0
*p ≤ 0,05 em relação ao exercício contínuo.
43Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
prescrição do treinamento aeróbio intervalado. 
Durante o exercício intermitente realizado em intensida-
des próximas à do VO2max, um dos fatores que tem sido apon-
tado como importante para promover adaptaçõesaeróbias é o 
tempo de permanência em valores próximos (>95%VO2max) 
ou no VO2max. A principal hipótese é a de que quanto maior 
for o tempo de permanência em taxas de produção de energia 
aeróbia elevadas, maior seria o estímulo para a promoção de 
adaptações aeróbias centrais e periféricas [17]. 
No presente estudo, a interação entre o tempo e a maior 
taxa metabólica permitida pela carga de exercício (VO2ACcg), 
mostra que o exercício contínuo permitiria um maior estímulo 
ao organismo. Assim, diferentemente do hipotetizado para 
exercícios de intensidade máxima (100% VO2max) ou supra-
máxima (>100% VO2max), no exercício submáximo (MLSS) 
o VO2ACcg não parece explicar a provável superioridade do 
exercício intermitente sobre o contínuo, já que o os valores 
do exercício intermitente foi aproximadamente um terço do 
atingido no exercício contínuo. É interessante notar também, 
que mesmo considerando o VO2 total acumulado durante o 
exercício realizado na MLSS (i.e., VO2AC), os valores são 
estatisticamente similares entre o contínuo e o intervalado, 
o que também não explicaria as possíveis diferenças de adap-
tações entre o exercício intermitente e o contínuo.
Daussin et al. [18] analisaram as adaptações periférica 
(capacidade oxidativa) e central (cardiovascular) determinadas 
por dois protocolos de treinamento (contínuo x intermitente) 
realizados com trabalho total similar. Os autores verifi caram 
que os dois tipos de adaptação (central e periférica) foram 
maiores após o treino intervalado. Assim, parece que as 
fl utuações na carga e nos valores de VO2 durante o exercício 
intermitente, mais do que a duração do exercício e o gasto 
energético total, são fatores essenciais para o aumento da 
capacidade aeróbia. Com isso, os autores propuseram que as 
fl utuações no turnover de ATP e no fl uxo de fosfato de alta-
energia gerados pelas alterações na carga no exercício intermi-
tente, ativam mais as vias sinalizadoras, e consequentemente, 
determinam uma maior biogênese de mitocôndrias [18]. 
As principais adaptações que contribuem para o aumento 
da capacidade aeróbia (limiar anaeróbio, MLSS), particular-
mente em indivíduos treinados, ocorrem em nível muscular, 
e estão relacionadas ao aumento da quantidade de enzimas 
oxidativas, mitocôndrias, densidade capilar e aumento dos 
depósitos de energia (glicogênio e triglicerídeos) [19]. Ao se 
considerar os valores similares de VO2AC nas duas condições, 
como também os menores valores de VO2ACcg obtidos no 
exercício intermitente, é possível sugerir que nossos dados 
suportam os obtidos por Daussin et al. [18], indicando que 
a fl utuação nas taxas de produção de energia parece ser um 
fator essencial para a promoção das adaptações aeróbias.
Finalmente, não se pode descartar também, que as 
maiores intensidades do exercício intervalado leve a maior 
utilização e adaptações aeróbias das fi bras do tipo II, e/ou 
a uma mudança no padrão de recrutamento das unidades 
motoras, determinando que um percentual maior de fi bras 
do tipo I (mais efi cientes) seja recrutado durante o exercício 
submáximo [20,21].
Conclusão
Com base nestes resultados, pode-se concluir que exercí-
cios intermitente e contínuo realizados com a mesma duração 
e condições metabólicas similares (i.e., MLSS), apresentam va-
lores similares de VO2AC, embora o tempo mantido em altos 
valores de VO2 (i.e., VO2ACcg) sejam inferiores no exercício 
intervalado. Assim, a possível superioridade do treinamento 
intervalado realizado nas condições deste estudo, não parece 
ser determinada pela interação entre o tempo de exercício e 
o VO2 acumulado na MLSS. 
Agradecimentos
Suporte fi nanceiro – CNPq e FAPESP.
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45Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março2010
Revisão
Possíveis mecanismos neurofisiológicos mediadores 
da educação cruzada
Neuro-physiological mechanisms of the cross-education
Daniel Teixeira Belloni*, Alessandro Carielo de Albuquerque*, Bianca K. de Macedo Jakubovic*, 
Júlio Cesar Correa Neto Carias**, Vernon Furtado da Silva***
*Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência da Motricidade Humana/PROCIMH/UCB-RJ, 
**Universidade Presidente Antonio Carlos/UNIPAC-MG, ***Professor Titular do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em 
Ciência da Motricidade Humana da UCB-RJ
Resumo
Estudos prévios têm revelado que o treinamento de somente 
um membro pode causar melhora dos níveis de performance do 
membro contralateral não treinado. A literatura denomina este 
fenômeno como educação cruzada. De acordo com as evidências, 
a educação cruzada parece ser mediada por mecanismos neurofi -
siológicos. Contudo, não se conhece ainda quais são os verdadeiros 
mecanismos mediadores deste fenômeno. Portanto, baseado nesta 
premissa, o presente estudo teve o objetivo de realizar uma extensa 
revisão de literatura sobre os possíveis mecanismos neurofi siológicos 
mediadoras da educação cruzada. Diante das evidências podemos 
verifi car que, embora este fenômeno tenha sido constatado a mais 
de um século, os estudos não foram capazes de descrever quais são os 
verdadeiros mecanismos neurofi siológicos mediadores da educação 
cruzada até a presente data. Os estudos sobre o fenômeno da educa-
ção cruzada abrem o caminho para a compreensão e entendimento 
dos mecanismos neurais do controle do movimento em vários 
níveis do sistema nervoso. Pequenas alterações em varias estruturas 
do sistema nervoso podem contribuir para a produção máxima dos 
aumentos de força no membro contralateral não treinado. Ainda, 
presumimos que o surgimento de novos procedimentos fi siológicos 
marcará a possibilidade de constatações sobre outros mecanismos 
em futuros estudos.
Palavras-chave: educação cruzada, mecanismos 
neurofisiológicos, controle do movimento.
Abstract
Previous studies have revealed the cross body member training 
as benefi ting the performance of the opposite untrained limb. Th e 
related literature denominates this phenomenon as cross education. 
Cross education can be thought as mediated by specifi c neural 
mechanisms. However, there is no real knowledge about how the 
operating mechanisms really work. Present investigation had as ob-
jective to address an extensive revision of studies focusing this theme 
in a broad perspective of force generation. Th e results of the revision 
evidenced that in spite of being this a phenomenon well know, no 
research was capable of explaining the mechanisms linked to it. On 
the other hand, the literature published in this subject matter shades 
bright lights for researchers involved on providing directions for 
the comprehension about the neural mechanisms, at many sites of 
the central and peripheral nervous system, responsible for human 
movement control. At a basic confi guration of the system, there 
is a functional capability through which small alterations in some 
structures of the central nervous system can contribute to increases 
in force production in the body member contralateral. Even one 
could take into account this consideration, there is still a need for 
improving knowledge far way of what we now know in respect to 
cross education functionality. We presume that new procedures 
would permit observing the development of the knowledge about 
how the central and peripheral nervous system operates in the cross 
force transference situation.
Key-words: cross education, neuro-physiological mechanism, 
motor control.
Endereço para correspondência: Daniel Teixeira Belloni, Avenida José Fabrino Baião, 304 Thomé 36774-184 Cataguases MG, Tel: 
(32) 8876-8090, E-mail: dtbelloni@gmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201046
Introdução
As adaptações neurais ao treinamento são os componen-
tes mais intrigantes e fascinantes observados pela literatura 
científi ca acerca do aumento da força durante o treinamento. 
Dentre as diversas adaptações neurais decorrentes do treina-
mento da força, podemos destacar o fenômeno da educação 
cruzada [1]. A educação cruzada, ou ainda, transferência 
cruzada da força se refere a qualquer transferência de força 
muscular ocorrida no músculo contralateral não treinado 
após um regime de treinamento experimentado pelo músculo 
homólogo ipsilateral [2,3]. Talvez os mecanismos motivadores 
deste fenômeno sejam os mais complexos mecanismos neurais 
constatados até a presente data [4].
A nomenclatura utilizada para defi nir tal fenômeno de 
transferência seguiu um curso incomum durante o desenvol-
vimento dos estudos, dependendo, de certa forma, da área 
estudada. Enquanto os fi siologistas estudavam a transferência 
de força em seus experimentos utilizando, ininterruptamente, 
o termo educação cruzada [1-7], os motricistas se centraram 
nos estudos mais voltados à transferência da habilidade 
motora, referindo-se a este fenômeno como transferência 
bilateral [8,9], transferência inter-manual [10-12], ou ainda, 
simplesmente, transferência [8]. Os estudos realizados à luz 
da fi siologia não citam aqueles realizados sob a perspectiva 
motricista e vice-versa. Portanto, a pergunta que aqui cabe 
seria: existe necessidade desta desconexão entre ambas as áreas? 
A literatura da fi siologia, recentemente, incluiu pela primeira 
vez os termos transferência da força muscular e transferência 
da aprendizagem da habilidade motora concomitante com 
o termo educação cruzada [13-15]. Naturalmente, como a 
aprendizagem da habilidade do membro não treinado ocorre 
sem mudanças estruturais no músculo, bem como ocorrem 
melhoras potenciais na ativação da musculatura do membro, 
conclui-se, portanto, que toda habilidade adquirida por esse 
membro é, indubitavelmente, uma adaptação neural [15]. 
Deste modo, a única justifi cativa relevante para a ocorrência 
desta discrepância de defi nições sobre os termos usados para 
descrever o fenômeno da transferência seria, mais especifi ca-
mente, as características da tarefa que estão sendo transferidas, 
como, por exemplo, a aquisição de força muscular versus o 
desempenho aumentado de habilidade motora.
Até recentemente, os mecanismos neurais da educação 
cruzada de força eram relutantemente adejados pelos investi-
gadores. Alguns investigadores acreditavam o sistema nervoso 
periférico como sendo o mediador da educação cruzada de 
força [16], enquanto grande parte dos cientistas determinava 
que este fenômeno, talvez, fosse causado pelos mecanismos da 
plasticidade neural [3-5]. Entretanto, todos sem conclusões 
concretas.
A questão sobre os mecanismos mediadores deste fenô-
meno pode ter uma considerável importância social e gran-
des aplicações práticas [2]. Por exemplo, os estudos sobre a 
educação cruzada abrem a compreensão e entendimento dos 
mecanismos neurais do controle cortical, subcortical e espinal 
do movimento. Além disso, ao se obter um conhecimento sóli-
do sobre as bases neurais da força humana, indiscutivelmente, 
inúmeros benefícios à manutenção e recuperação da saúde 
humana poderão ser fornecidos [2,5,15]. Portanto, torna-se 
imprescindível obter mais informações sobre os mecanismos 
da educação cruzada.
Fortes dúvidas pairam sobre os reais mecanismos media-
dores do fenômeno da educação cruzada. Deste modo, ao 
considerar a importância desta questão científi ca, o presente 
estudo teve o objetivo de realizar uma extensa revisão de litera-
tura sobre as possíveis alterações neurofi siológicas mediadoras 
do fenômeno da educação cruzada.
Desenvolvimento
A educação cruzada
O termo educação cruzada de força muscular refere-se, 
basicamente, a qualquer transferência de força muscular 
ocorrida no músculocontralateral não treinado após um re-
gime de treinamento experimentado pelo músculo homólogo 
ipsilateral [2,3,5].
A magnitude de força muscular obtida pelo músculo 
homólogo não treinado está implicitamente relacionada 
com a proporção de força alcançada pelo membro treinado. 
Aproximadamente 35 a 60% do aumento da força máxima 
alcançada pelo músculo treinado é transferido para o músculo 
não treinado [14,15,17]. Apesar desta magnitude, existe uma 
respectiva assimetria entre os níveis de ganho de força obtidos 
pelos músculos treinados e não treinados. A quantidade de 
transferência parece depender de fatores tais como, duração, 
intensidade e volume do protocolo de treinamento, tipo de 
contração, velocidade da contração, grupo muscular treinado, 
e ainda, restrição ou ativação do movimento do membro não 
treinado. Assim sendo, esses inúmeros fatores parecem contro-
lar os valores que determinam a quantidade da transferência 
da força [14,17].
A educação cruzada ocorre com maior magnitude em 
indivíduos com pouca ou nenhuma experiência em treina-
mento de força [2,8]. Autores como Hortobágyi et al. [19] 
corroboram com as explicações supracitadas quando afi rmam 
que a proporção da transferência alcançada pelo membro 
contralateral não treinado pode depender da especifi cidade 
do protocolo de treinamento. Entretanto, não existem dados 
conclusivos sobre o relacionamento entre a duração e a inten-
sidade do treinamento, bem como, níveis de transferência de 
força muscular alcançada. Porém, estudos com duração mais 
longa de treinamento mostraram, tipicamente, uma maior 
quantidade de educação cruzada [19].
Ao se comparar estudos utilizando o mesmo tipo da con-
tração em seu treinamento, observamos que a transferência de 
força é maior quando as contrações em intensidade maiores 
foram evocadas [3-5,19]. Complementando, nos estudos que 
47Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
usaram somente a ação muscular excêntrica (se comparando 
ao trabalho muscular estático e concêntrico puro) ocorreram, 
proporcionalmente, uma maior transferência de força na ta-
refa desempenhada excentricamente. Conseqüentemente, os 
protocolos de treinamento utilizando um trabalho puramente 
excêntrico mostraram maiores aumentos da força total do que 
o trabalho concêntrico ou isométrico, provavelmente, devido 
à maior produção de força combinada com o estiramento 
do músculo durante a contração [15,17,19]. Apesar destas 
considerações, a maioria dos experimentos realizados sobre o 
fenômeno da educação cruzada utilizou contrações isométri-
cas, pois há uma maior facilidade em restringir o movimento 
do membro não treinado durante a ação muscular estática. 
Além disso, contrações dinâmicas apresentam maiores limi-
tações ao procedimento de eletromiografi a. Por outro lado, 
contrações isométricas são freqüentemente normalizadas pela 
análise eletromiográfi ca.
Um estudo comparando a velocidade do movimento e 
educação cruzada tem revelado constatações interessantes. 
Farthing e Chilibeck [20], ao comparar um protocolo de 
treinamento por meio da ação muscular excêntrica em di-
ferentes velocidades (180º/s[3.14 rad/s] versus 30º/s [0.52 
rad/s]) revelaram que o treinamento realizado em velocidade 
mais elevada produzia maiores níveis de transferência de 
força. Como a ação muscular excêntrica realizada em elevada 
velocidade é uma tarefa motora muito pouco utilizada na vida 
cotidiana, os autores especularam que a aprendizagem motora 
para este movimento foi muito mais substancial, deste modo, 
proporcionado maiores níveis de transferência de força ao 
membro não treinado. Portanto, o grau de familiaridade das 
tarefas hábeis motoras pode ser um importante fator para a 
ocorrência da educação cruzada. Intuitivamente, a pergunta 
que poderia elucidar nossa carência científi ca seria, se os indi-
víduos fossem treinados já para estas tarefas, quanta educação 
cruzada poderia ser exibida pelos mesmos? Moritani e DeVries 
[21], ao menos em parte, responderam esta questão quando 
mostraram que os fatores neurais contribuíam muito pouco 
para os ganhos de força isométrica após seis semanas de treina-
mento. Entretanto, basear somente nos achados de Moritane 
e DeVries [21] como um consenso pode ser arriscado, pois, 
como supracitado, o nível de adaptação está relacionado com 
o nível da tarefa exigida. Assim sendo, se a exigência da tarefa 
é elevada, muita adaptação neural é esperada; por outro lado, 
se a exigência da tarefa é insignifi cante, pouca ou nenhuma 
adaptação neural pode ser esperada. Conseqüentemente, es-
tudos que empregaram tarefas hábeis motoras mais complexas 
mostraram uma maior magnitude de transferência de força.
Possíveis mecanismos neurofi siológicos do fenô-
meno
Provavelmente, os mecanismos neurofi siológicos que 
controlam a educação cruzada de força podem ser os mesmos 
que controlam os mecanismos da transferência inter-manual 
de habilidade motora [15,17]. De certa forma, podemos 
compreender as adaptações neurais da educação cruzada como 
um tipo de aprendizagem motora. Contudo, o enigma é que 
as bases neurais da aprendizagem motora têm continuado 
indescritíveis, e ainda, sendo o tópico de estudos extensivos. 
Esta questão tem conduzido a especulações sobre se esta in-
formação é transferida por meio de adaptações no encéfalo 
e medula espinal (sistema nervoso central) ou em circuitos 
neurais periféricos [3].
Plasticidade neural
Compreendem-se por plasticidade neural as adaptações 
ocorridas em níveis corticais e sub-corticais do encéfalo em 
resposta de repetidos estímulos [22,23]. A plasticidade neural 
resulta na formação de novas conexões (sinapses) no sistema 
nervoso, podendo produzir uma grande ou pequena ativa-
ção no córtex em função do aprendizado motor. Em outras 
palavras, o aprendizado motor tem sido associado com uma 
redução ou elevação da quantidade e qualidade das conexões 
neurais, isto é, plasticidade neural [23].
A plasticidade neural no córtex motor primário pode estar 
associada à educação cruzada por interagir com um papel 
importante em simples consolidações de habilidades motoras 
aprendidas [24,25]. Quando a atividade do córtex motor 
primário é interrompida, podem ocorrer desenvolvimento 
ou retrocesso da performance motora. As adaptações neurais 
ocorridas no córtex motor primário são proporcionadas por 
níveis de ativação aumentada ou reduzida. Em outras palavras, 
tanto a elevação quanto redução do nível de ativação do córtex 
pode melhorar a coordenação do movimento proporcionando 
ganhos de força [26-28]. Praticamente, devido ao sinal des-
cendente dos neurônios que se projetam para os músculos 
antagonistas serem reduzidos, esta redução proporciona uma 
diminuição da co-ativação dos músculos antagonistas. A 
redução da co-ativação da musculatura antagonista tem sido 
documentada como um aprendizado motor para tarefas que 
envolvam força. As evidências destas adaptações no sistema 
nervoso podem ser refl etidas nas plasticidades neurais dentro 
do córtex motor primário com no aprendizado motor [26-28].
As alterações neurais em estruturas subcorticais, como, 
por exemplo, o cerebelo e os gânglios da base, podem tam-
bém ser relevantes para a educação cruzada. As estruturas 
do cerebelo são conhecidas por mediar varias alterações 
neurais para a ocorrência do aprendizado motor [26,29,30]. 
Ainda, o cerebelo é responsável por conduzir a coordenação 
motora a níveis mais acurados de exatidão devido a uma 
ativação mais precisa do timing dos músculos agonistas, 
antagonistas e sinergistas recrutados para tarefa motora [23]. 
Os mecanismos resultantes do aprendizado motor no cere-
belo são evidenciados pelos níveis de alterações nas células 
de Purkinje. Ito [30] sugeriu que as vias aferentes inibiam 
a ativação das células granuladas em virtude de umanova 
tarefa desempenhada. Conseqüentemente, como a nova 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201048
tarefa exige maiores níveis de ativação do sistema nervoso 
central, alguns sinais enviados por meio das vias aferentes 
prejudicavam o desempenho da tarefa solicitada. Portanto, 
quando uma nova tarefa motora é aprendida, parece que o 
sistema nervoso reduz os níveis de ativação das células gra-
nuladas, proporcionando assim uma mensagem com menos 
erros [23,30]. Portanto, a redução dos níveis de ativação 
é refl etida durante a interação entre os sinais enviados as 
células granuladas. Deste modo, quando os impulsos das 
vias aferentes alcançam as células de Purkinje no mesmo 
momento que as células granuladas, a atividade das células 
granuladas é suprimida pelas células de Purkinje. De acordo 
com a teoria de Ito [30], a redução dos níveis de ativação das 
células granuladas poderia ser pensada como um mecanismo 
de memorização desempenhado pelo cerebelo, contribuindo 
para o aprendizado do movimento.
Outra função descrita por López-Juárez [31] para a estru-
tura do cerebelo se expõe por ser uma área neural responsável 
em melhorar a precisão do movimento. Provavelmente, 
este mecanismo de feedback está ativo na aprendizagem do 
movimento através da atividades das vias ascendentes [23]. 
Desta maneira, os sinais incorretos enviados durante o pro-
cesso de redução dos níveis de ativação do cerebelo parecem 
remodelar os circuitos e conexões cerebelares na direção que 
o movimento ocorre. Em síntese, ao prejudicar a atividade 
cerebelar também se prejudica a resposta ao aprendizado 
motor. Por outro lado, a adaptação neural decorrente da 
educação cruzada pode envolver tanto aumentos quanto 
reduções dos níveis de ativação cerebelar, especialmente se a 
tarefa é complexa e requer ensaio extensivo na ordem que o 
movimento é aprendido.
O papel dos gânglios ou núcleos da base no aprendizado 
motor não pode ser excluído. Sua contribuição para o mo-
vimento é bem maior do que se acredita. Por exemplo, as 
regiões que formam os núcleos da base, como, por exemplo, 
o caudado, o putâmen, e ainda, o estriado têm mostrado 
plasticidade neural em resposta do aprendizado motor de 
maneira seqüencial [23,32]. Sintetizando a complexa função 
dos gânglios da base associado ao controle e aprendizagem 
do movimento, nota-se, que talvez estas estruturas estejam 
envolvidas nos processos de informação necessários para o 
planejamento e execução do movimento, organizando os 
ajustamentos posturais. Os gânglios da base recebem entradas 
de todas as outras áreas corticais e projetam-se para o tálamo 
antes de retornar ao córtex pré-motor e córtex motor primário 
[23]. Os gânglios da base revelam alterações signifi cativas 
em sua freqüência de disparos anteriormente à iniciação do 
movimento, sugerindo que tais estruturas exercem um papel 
para a continuação e modulação do movimento no momen-
to em que é realizado [32]. De acordo com Doyon [32], os 
gânglios da base estão conectados as estruturas cerebelares. 
Contudo, os gânglios da base participam mais efetivamente 
reforçando o aprendizado motor [23,29,32]. Parece que os 
sinais enviados pelos gânglios da base são codifi cados pelas fi -
bras dopaminérgicas presentes na substância negra em resposta 
ao reforço do estímulo [23]. De acordo com as evidências do 
funcionamento e atividade dos gânglios da base podemos 
pressupor que estas estruturas são partes do aumento dos 
níveis de ativação neural para a ocorrência do aprendizado 
motor por meio da plasticidade neural. Embora existam 
controvérsias sobre o preciso mecanismo de sincronização, 
estas estruturas também têm sido mostradas por se conectar 
ao processamento das regiões temporais com a função de 
bloquear as sinapses [33,34].
A plasticidade neural na estrutura dos gânglios da base 
pode ser importante para compreender os mecanismos da 
educação cruzada, uma vez que estudos têm revelado ativação 
bilateral cortical destas estruturas com movimentos unilaterais 
[32]. Talvez, com o movimento unilateral, os gânglios da 
base limitem as projeções para o córtex motor primário. En-
tretanto, acredita-se que estas estruturas comandem os sinais 
retransmitidos para o tálamo e áreas do córtex pré-motor que 
se encontram normalmente associadas com o planejamento 
e precisão do movimento [23].
Alteração dos níveis de ativação neuromuscular
Alguns estudos têm documentado que a ativação máxima 
de um músculo durante uma contração pode ser limitada por 
inibição neural, principalmente durante ações excêntricas em 
alta velocidade [20], funcionando como um mecanismo de 
proteção, a fi m de prevenir lesões [27]. Além disso, o treina-
mento de força em alta intensidade resulta em uma melhora 
na ativação das unidades motoras. Gorgey e Dudley [35] 
constataram que indivíduos inexperientes em treinamento 
de força podiam ativar somente, aproximadamente, 75% de 
sua musculatura durante uma contração voluntária máxima. 
Portanto, a adaptação no trajeto da ativação muscular pode 
ter um importante papel na ocorrência da educação cruzada.
A aprendizagem motora proporcionada pelo treinamento 
parece conduzir o sistema nervoso a aumentos signifi cativos 
dos níveis de ativação neuromuscular. Estes aumentos de 
ativação podem estar intimamente envolvidos na educação 
cruzada. Vários estudos têm demonstrado que a educação 
cruzada de força possui correlações com os aumentos nos 
níveis de ativação do sistema nervoso [3,4,6,16,19,20,21]. 
Conseqüentemente, este aumento de ativação refl ete uma 
melhora no recrutamento das unidades motoras do membro 
em treinamento e, desta maneira, refl etindo em ganhos dos 
níveis de força do membro não treinado.
A integração neural dentro do sistema nervoso é um 
processo complexo. Este fato nos faz especular sobre as dife-
rentes adaptações neurofi siológicas durante os distintos tipos 
de aprendizagem motora. Por exemplo, o núcleo de uma 
unidade motora pode responder a estímulos inibitórios ou 
excitatórios, através do comando dos neurônios superiores 
que enviam seus axônios pelos tractos medulares, ou ainda, 
por inter-neurônios medulares, como parte de circuitos 
49Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
neurais periféricos. Praticamente, esta integração neural 
pode produzir vários níveis de inibição/excitação, resultando 
em incremento ou redução da força durante uma contração 
muscular específi ca. Estes mecanismos demonstram que 
infi nitas combinações dos inputs inibitórios e excitatórios 
podem elevar os níveis de força. Em outras palavras, uma 
mesma tarefa motora pode ser desempenhada com o mesmo 
torque articular e com o mesmo objetivo, porém, utilizando-
se de infi nitas combinações de motoneurônios (motoneu-
rônios alpha e motoneurônios gama) e atividades das vias 
aferentes neuromusculares. A compreensão de qual seria o 
mecanismo preferencial controlado pelo sistema nervoso 
durante o movimento tem sido o objetivo de muitos dos 
estudos sobre o controle motor [36].
A melhora da coordenação entre os músculos agonistas 
e antagonistas também podem provocar ganhos de força. 
Carolan e Cafarelli [37] encontraram 16,2% de aumento 
de força no membro não treinado com 13% de redução na 
co-ativação antagonista após o treinamento experimentado 
pelo membro ipsilateral. Devido à redução da oposição dos 
músculos antagonista durante a execução do movimento, 
os músculos agonistas puderam elevar signifi cativamente 
os níveis de força. A co-ativação dos músculos antagonistas 
é mediada por integração entre o sistema nervoso central e 
inter-neurônios presentes na medula espinal junto com os 
aferentes neuromusculares. Enquanto fuso muscular, presente 
nas fi bras intrafusais, provoca excitação dos motoneurônios 
alpha que ativamos músculos agonistas, o órgão tendinoso 
de Golgi inibe a ativação do motoneurônio alpha. Portanto, 
de acordo com Bears et al. [23] a co-ativação dos músculos 
antagonistas é causada pela interação entre o órgão tendinoso 
de Golgi e fuso muscular, controlando os níveis de tensão e 
estiramento muscular, respectivamente.
Este fato pode explicar, ao menos em parte, por que 
o sistema nervoso produz níveis de ativação incompleta 
durante ações musculares excêntricas embora a força 
muscular seja signifi cativamente maior. Provavelmente, 
estas condições resultam em maior interação do órgão 
tendinoso de Golgi e fuso muscular, reduzindo assim a 
força máxima esperada.
Embora grande parte das pesquisas não tenha sempre 
evidenciado a busca pelo entendimento deste fenômeno, a co-
ativação dos músculos antagonistas não é um novo conceito 
na literatura. Enoka [38] descreveu este mecanismo com uma 
estratégia para a proteção osteomioarticular quando tarefas 
não familiarizadas eram realizadas. Portanto, tarefas complexas 
ou não familiarizadas encontram-se intimamente relacionadas 
com este fenômeno.
Talvez, o aumento da ativação neuromuscular observado 
após um caso de educação cruzada seja um mecanismo pe-
riférico. Contudo, ainda não se sabe a maneira pela qual o 
corpo transfere esta informação para o lado oposto. Entretan-
to, como supracitado, a plasticidade no encéfalo pode estar 
conectado ao mecanismo.
Aumento da excitabilidade da musculatura contralateral
Hortobágyi et al. [39] argumenta que a atividade aferente 
da musculatura acionada durante movimentos unilaterais 
pode elevar a excitabilidade da região cortical que controla 
o grupo muscular homólogo contralateral. De acordo com 
tais autores, o treinamento por estimulação elétrica foi mais 
efetivo para a ocorrência da transferência de força do que o 
treinamento voluntário. Ainda, Hortobágyi et al. [39] rela-
tam que este fato talvez tenha ocorrido devido à inervação 
das fi bras musculares do músculo contralateral se acionarem 
por meio dos receptores de dor localizados na pele durante a 
eletroestimulação. Portanto, é sugerido que o treinamento por 
estimulação elétrica produza maiores níveis de ativação das 
fi bras inervadas pelos aferentes Ia, o qual poderia resultar em 
maior excitação agonista somado a uma inibição antagonista 
no membro em treinamento. Por outro lado, no membro 
não treinado ocorreria uma inibição agonista junto com uma 
excitação antagonista, tal como o refl exo extensor cruzado. 
Hortobágyi et al. [39] teorizaram que os aferentes do grupo 
Ia poderiam fortalecer a transmissão sináptica excitatória na 
musculatura contralateral, conduzindo o membro a melhorar 
os níveis de performance. Se a teoria proposta por Hortobágyi 
et al. [39], a respeito do refl exo extensor cruzado provocan-
do a educação cruzada estivesse tão correta, não é certo que 
deveríamos observar melhoras signifi cativas na musculatura 
contralateral antagonista e não o contrário?
Alguns estudos têm revelado que talvez exista uma possível 
modulação de excitabilidade cortical em ambos os hemisférios 
cerebrais após exercícios unilaterais executados até a fadiga. 
Contudo, um estudo realizado por Farthing e Chilibeck [6] 
revelou um nível de ativação insignifi cante da musculatura 
contralateral durante uma tarefa de força unilateral. É sabido 
que se a excitabilidade do membro ipsilateral for aumentada 
durante uma contração muscular, pode-se esperar algum 
feedback do membro contralateral, principalmente, se a 
tarefa motora desempenhada for complexa. Isto se explica, 
basicamente, devido aos axônios descendentes do córtex mo-
tor inervarem tanto os motoneurônios alpha quanto enviar 
ramos colaterais aos inter-neurônios inibitórios pertencentes 
ao grupo Ia. Portanto, o sinal motor de ambos os centros 
motores mais altos podem infl uenciar independentemente a 
ativação muscular. Conseqüentemente, os mecanismos que 
mediam a educação cruzada podem ser controlados por uma 
combinação de adaptações corticais e comunicação entre os 
membros em níveis medulares, entretanto, não se sabe qual 
é a contribuição relativa de cada um.
Uma recente pesquisa realizada por Aagaard et al. [26] 
tem evidenciado que os níveis de excitabilidade das unidades 
motoras após um período de treinamento são melhorados. 
Neste estudo, Aagaard et al. [26] discutiram estes mecanismos 
relacionando-os com dados eletromiográfi cos da onda V e 
refl exo de Hoff mann. Tem se observado que o treinamento 
de força unilateral pode elevar os níveis de ativação de ambos 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201050
os membros. Portanto, de acordo com Aagaard et al. [26], o 
aumento da expressão da onda V pode refl etir uma crescente 
atividade eferente dos motoneurônios, ou ainda, proporcionar 
melhora da atividade refl exa. Sabe-se que o refl exo de Hoff mann 
mostra os níveis de ativação dos programas medulares durante 
o repouso muscular, a onda V revela a excitabilidade medular 
em atividade, isto é, em uma contração voluntária. Em outras 
palavras, a onda V é uma variante do refl exo de Hoff mann, 
entretanto, é gravado durante uma tarefa motora voluntária. As 
contribuições a respeito dos níveis de atividade muscular após 
um caso de educação cruzada aguardam por mais investigações 
que possam oferecer maior esclarecimento sobre os fatos.
Poucos estudos têm realmente se propostos a investigar 
as alterações ocorridas na onda V e refl exo de Hoff mann, 
antes e após um protocolo de treinamento unilateral, em 
ambos os membros. O único estudo encontrado que inves-
tiga tais efeitos revelou alterações insignifi cantes no refl exo 
de Hoff mann após o protocolo de treinamento unilateral 
[16]. Com o propósito de esclarecer informações baseado 
em evidências, torna-se imprescindível realizar novos estudos 
acerca deste fato.
Impulsos do tracto córtico-espinal
De acordo com Bear et al. [23], o encéfalo se comunica com 
os neurônios inferiores de nível medular ou motoneurônios 
por meio de axônios descendentes do córtex. O componente 
mais importante destas vias descendentes é o tracto córtico-
espinal. O tracto córtico-espinal é mais longo, bem como, o 
mais numeroso tracto do sistema nervoso central. Cerca de 10 
[6] axônios formam as vias deste tracto [23]. No que se sabe, 
aproximadamente, 75% dos nervos do tracto córtico-espinal 
conduzem os impulsos gerados no córtex motor primário para 
os motoneurônios presentes na medula. Após saírem do córtex, 
ocorre uma decussação logo abaixo da pirâmide bulbar repre-
sentando um mecanismo de controle motor cruzado. Em outras 
palavras, o lado direito do encéfalo controla o lado esquerdo 
do corpo e vice versa. Entretanto, o restante das vias do tracto 
córtico-espinal, isto é, aproximadamente 25% dos axônios, 
descendem ipsilateralmente. Explicando melhor, enquanto ¾ 
dos axônios decussam logo após a pirâmide bulbar, o restante 
dos axônios ramifi cam-se e não decussam.
Tem sido evidenciado que as vias do tracto córtico-espinal 
que não decussam possuem a fi nalidade de controlar os mús-
culos axiais, ajustando o comando postural. Historicamente, 
especulou-se que talvez um dos mecanismos da educação 
cruzada possa ocorrer devido à co-excitabilidade dos músculos 
homólogos do corpo em função das vias dos tractos as quais 
não decussam [40,41]. Em outras palavras, durante o movi-
mento unilateral, as vias do tracto córtico-espinal conduzem 
cerca de 25% dos seus axônios para a musculatura ipsilateral 
que não são acionadas. De acordo com Hellebrandt et al. 
[40]; Hellebrandt [41], este fato poderia conduzir o sistema a 
ocorrência da educação cruzada. Entretanto, nenhum estudo 
tem investigado os níveis de ativação da musculatura axial 
contralateral associada com a educação cruzada.
O tracto córtico-espinal ipsilateral podetambém contri-
buir para o aprendizado motor em níveis mais elevados do 
sistema nervoso central devido a sua forte interação com a 
formação reticulada. De acordo com Ghez e Gordon [42], a 
formação reticular possui a função de manutenção postural. 
Complementando, Kumru e Valls-Solé [43] mostraram que 
a formação reticulada é altamente ativada durante a inte-
gração de vários inputs neurais. Desta maneira, esta região 
do encéfalo poderia, talvez, ser responsável por estabelecer 
conexões inibitórias e excitatórias a nível medular com mo-
toneurônios por meio do tracto retículo-espinal, favorecendo 
o aprendizado motor.
Em síntese, baseado em evidências, pode se especular que 
as alterações neurais ocorridas no fenômeno da educação cru-
zada podem ser reprogramadas em ambos os hemisférios pela 
formação reticulada, conduzindo o sistema a uma melhora 
substancial na coordenação agonista/antagonista nos respecti-
vos membros, subseqüentemente a aplicação de um protocolo 
de treinamento unilateral. Conseqüentemente, aumentando 
os níveis de força por meio da aprendizagem do gesto.
Conclusão
Esta revisão levantou várias informações sobre os possí-
veis mecanismos neurofi siológicos que mediam a educação 
cruzada. Embora este fenômeno tenha sido constatado há 
mais de um século, os estudos não foram capazes de descrever 
quais são os verdadeiros mecanismos mediadores da educação 
cruzada até a presente data. Além disso, muitos estudos têm 
conduzido seus experimentos sem incidência de grupo con-
trole, utilizando-se de procedimentos metodológicos apenas 
com o grupo experimental. Estes procedimentos podem gerar 
resultados ambíguos, pois o aparente ganho de força pode ser 
ocasionado pela familiarização aos protocolos de teste.
Em síntese, os estudos sobre a educação cruzada abrem 
o caminho para a compreensão e entendimento dos meca-
nismos neurais do controle cortical, subcortical e espinal do 
movimento. Em outras palavras, pequenas alterações em 
várias estruturas do sistema nervoso podem contribuir para 
os ganhos máximos de força do membro contralateral. Além 
disso, presumimos que o surgimento de instrumentos de 
testes fi siológicos mais modernos marcará a possibilidade de 
novas constatações sobre outros mecanismos mediadores da 
educação cruzada em futuros estudos.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201052
Revisão
Bases metabólicas do crescimento muscular
Metabolic basis of muscle growth
Rodrigo Minoru Manda*, Nailza Maestá, D.Sc.**, Roberto Carlos Burini***
*Biomédico, aprimorando pelo programa Laboratório em Metabolismo Nutricional e Desportivo do Centro de Metabolismo em 
Exercício e Nutrição (CeMENutri) , Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), **Nutricionista do Centro de Metabolismo em 
Exercício e Nutrição (CeMENutri), Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), ***Professor 
Titular do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) e responsável pelo CeMENutri
Resumo
O músculo esquelético é o maior tecido do corpo e guarda 
relação com a autonomia somatocinética e homeostase metabólica. 
A miogênese é decorrente da predominância de fatores protéicos 
miogênicos sobre miostáticos. O crescimento ocorre predominante-
mente de forma hipertrófi ca, após o nascimento, pelo predomínio da 
síntese sobre o catabolismo protéico. A síntese protéica é fi namente 
mantida por cascata de quinases controladas ou controladoras da 
mTOR. A mTOR controla o complexo iniciador da síntese protéica, 
sendo infl uenciada pela contração muscular, fatores de crescimento 
e a leucina. O estado de privação energética (↑ AMP/ATP) inibe 
a mTOR pelo aumento da AMPK. A síntese protéica miofi brilar 
é estimulada por fatores hidratantes celulares (glicose, insulina, 
creatina, BCAA, glutamina). Seguindo-se a lesão e necrose miofi -
brilar, há resposta infl amatória e ação dos fagócitos, promovendo 
a fagocitose tecidual. Posteriormente, os macrófagos alteram seu 
fenótipo para resolver a infl amação e promover a miogênese e 
crescimento miofi brilar. 
Palavras-chave: músculo esquelético, hipertrofia muscular, 
anabolismo protéico, mTOR, regeneração muscular.
Abstract
Th e skeletal-muscle is the largest tissue in the body with the 
major roles in kinetics and metabolic process. Myogenesis is the con-
sequence of of myogenic over myostatic factors. Th e hypertrophic 
growth occurs in myofi brillar diameter and length by predominating 
protein synthesis over protein breakdown. Protein synthesis is fi nely 
controlled by kinase cascade having mTOR as central role. mTOR 
controls the protein synthesis initiation complex, being infl uenced 
positively by muscle contraction, growth factors and also by leuci-
ne. Muscle energy deprivation (↑ AMP/ATP) inhibits mTOR by 
increasing AMPK. Muscle protein synthesis is enhanced by cell 
hydrating factors (glucose, insulin, creatine, BCAA, glutamine). 
Postinjury skeletal muscle regeneration is characterized by two local 
subsequent phases. Sooner after injury, the infi ltrated and residual 
macrophages are classically activated. Th ey promote phagocytosis of 
tissue debris while preventing early myogenic diff erentiation. Th en 
macrophages switch their phenotype to sort out infl ammation and 
support myogenesis and myofi ber growth. 
Key-words: skeletal muscle, muscle hypertrophy, protein 
anabolism, mTOR, muscle regeneration. 
Endereço para correspondência: Roberto Carlos Burini, CeMENutri. Faculdade de Medicina, Departamento de Saúde Pública (FMB-
UNESP), Distrito de Rubião Jr, s/n°, 18618-970 Botucatu SP, Tel: (14) 3811-6128, E-mail: burini@fmb.unesp.br, rodrigo_manda@yahoo.
com.br
53Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Introdução
A musculatura esquelética constitui o maior tecido do 
corpo, o maior compartimento protéico e supridor de amino-
ácidos aos demais tecidos na situação de privação alimentar. 
É o maior removedor de glicose, insulino-dependente, da 
circulação e principal responsável pelo gasto energético volun-
tário. Assim, há relação direta da integridade morfofuncional 
da musculatura esquelética com a saúde e qualidade de vida 
do indivíduo [1].
A massa muscular estriada é constituída de estrutura 
citológica predominantemente sincicial em que as pro-
teínas miofi brilares (actina e miosina) ocupam o maior 
espaço citosólico (sarcoplasma), comprimindo entre si as 
mitocôndrias.
Entre as miofi brilas e a membrana (sarcolema) encontram-
se os mionúcleos e o retículo sarcoplasmático. Externamente 
ao sarcolema, há as células satélites, linhagem de células tronco 
musculares, responsáveis pela regeneração das fi bras muscu-
lares após estímulos catabólicos, como o exercício excêntrico 
e lesão pós traumática [2].
Crescimento muscular
O crescimento muscular esquelético ocorre por hipercelu-
laridade (hiperplasia) ou hipertrofi a sarcoplasmática. 
O crescimento muscular hiperplásico ocorre predominan-
temente na vida embrionária. A linhagem celular envolvida 
é constituída dos somitos, mioblasto, miócito e miotubo, A 
miogênese é decorrente do equilíbrio entre os fatores protéi-
cos miogênicos (myocite-enhancer factor, MEF-2; miogenina 
e myogenic-diff erenciation factor, MyoD) e os miostáticos 
(growth and diff erentiation factor 8, GDF-8 ou miostatina; 
muscle atrophy F-box, MAFbox ou atrogina 1 e o muscle ring 
fi nger 1, MURF-1) [3].
O crescimento muscular hipertrófi co ocorre de forma pre-
dominante após o nascimento, naturalmente até a juventude, 
continuando também na maturidade e senescência frente aos 
esforços físicos contra resistência. Pode também ser observado 
pós-estimulação elétrica em seccionados de medula [4] e em 
idosos pós-cirurgia [4]. Contribui, para tanto, o predomínio 
da síntese sobre o catabolismo protéico miofi brilar.
Anabolismo protéico
As variações na síntese protéica muscular ocorrem antes 
das variações no conteúdo do mRNA (RNA mensageiro) 
[5], por isso é comumente aceito que a síntese protéica 
muscular seja controlada, predominantemente, após a fase 
de transcrição do DNA [6]. O passo limitante da síntese 
protéica muscular seria a iniciação da tradução do mRNA, que 
inclui a ligação entre tRNA (RNA transportador) iniciador 
(metionil-tRNA) e mRNA, com a subunidade ribossômica 
menor, 40S [7] (Figura 1).
A regulação da iniciação da tradução do mRNA seria pela 
ativação da mammalian target of rapamycin (mTOR) e de 
suas proteínas sinalizadoras dowstream, proteína ribossômica-
70kDa S6 quinase (p70S6k1) e proteína ligadora do fator de 
iniciação eucariótico 4E (4E-BP1) [7]. Ambas as proteínas 
(p70S6k1 e 4E-BP1) modulam a iniciação da tradução do 
mRNA por controlarem a ligação do mRNA à subunidade 
ribossomal 40S. A ligação eficiente da subunidade 40S ao 
mRNA necessita do fator de iniciação eucariótico 4F (eIF4F) 
cuja formação é reprimida pela ligação do fator eIF4E a 4E-
BP1; complexo que atua como repressor da tradução [7,8] 
(Figura 1).
A fosforilação da 4E-BP1 (via mTOR) libera-a do fator 
eIF4E permitindo a ativação do eIF4E facilitando a ligação 
do mRNA à subunidade 40S (via eIF4F) e permitindo que o 
processo de iniciação da tradução do mRNA se perpetue [7].
Outro mecanismo regulador da ligação do mRNA à 
subunidade 40S envolve a fosforilação da proteína ribos-
sômica S6, que é controlada pela atividade da p70S6k1. 
A proteína S6 está localizada nas proximidades do fator de 
iniciação. A fosforilação da proteína S6 está relacionada 
com aumento da síntese de proteínas ribossomais e fatores 
de alongamento, resultando na interação da proteína da 
subunidade 40S com a molécula do mRNA promovendo a 
sua tradução [6] (Figura 1).
A ligação do tRNA iniciador (metionil-tRNA) é depen-
dente da ativação do fator de iniciação eucariótico 2B (eI-
F2B), que consiste em fator de translocação de nucleotídeo 
guanina, convertendo o eIF2-GDP em eIF2-GTP. O eIF2B 
é reprimido pela glycogen synthase kinase 3 (GSK3), e para sua 
ativação, é necessário inibir a atividade da GSK3, através da 
fosforilação, via Akt/PKB. Uma vez ativado, e em associação 
com os outros fatores, o complexo para tradução do mRNA 
encontra-se completo [9,10] (Figura 1).
A mTOR quinase está associada as suas proteínas regulató-
rias Raptor (regulatory associated protein of mTOR), GβL (G-
protein β subunit-like) e PRAS40 (proline-rich AkT substrate 
of 40 kDa) formando o complexo referido como mTORC1 
(mTOR complex 1) [11,12] (Figura 1).
A PRAS40 é uma proteína ligadora da Raptor que é 
fosforilada pela mTOR (na serina 183) e pela proteína 
quinase B (Akt/PKB) na treonina 246, resultando na 
fosforilação da S6k1 (quinase S6 da proteína ribossômica 
70kDa) e maior síntese protéica muscular [13]. Assim, 
4E-BP1 e S6k1 são proteínas downstream da mTOR, di-
retamente ligadas ao estímulo da síntese protéica muscular 
[14,15] (Figura 1).
Como produtos gênicos upstream a mTOR tem-se 
os TSC1 e TSC2 (tuberousclerosis complex) formando 
o heterodímero estimulado pela insulina e ativador da 
reação do fator Rheb (ras homologue enriched in brain): 
Rheb-GTP � Rheb-GDP, ligado à estimulação da mTOR 
[16] (Figura 1). 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201054
Rapamicina
P
GSK3
eIF2B
GTP GDP
GDP
eIF2B
GTP
eIF2B
UAC
UAC
40S
rpS6
40S
rpS6
40S
eIF4F
rpS6
eIF2B
UAC
AUG
SÍNTESE PROTÉICA
eIF4F
4E-BP14E-BP1
eIF4F eIF4F
mTOR
PRAS40
Raptor
GβL
p70S6K1
P
PDKAkt
GDP
GTP
Rheb
TSC2
TSC1
Rheb
Figura 1 - via de sinalização mTORC1 (mTOR complex 1). máximo em 24 h, após o exercício, com o efeito anabólico per-
manecendo elevado de 2-3 horas até 36-48 h pós-exercício [21].
As adaptações neurais predominam durante os primeiros 
estágios do treino [22] e a hipertrofi a muscular torna-se evi-
dente dentro das primeiras 6 semanas [23].
A fosfatidilinositol 3-quinase (PI3K) responde aos estímu-
los anabólico, da IGF-1, e mecânico, da contração muscular, 
via PKB/Akt (Figura 2). A PI3K fosforila o fosfoinositol de 
membrana PI-4,5-bifosfato a PI-3,4,5-trifosfato, criando, no 
sarcolema, o sítio de ligação para a serina/treoninaquinase Akt. 
Subsequentemente, a Akt é ativada pela fosforilação com a 
quinase dependente de fosfoinositol (PDK-1) [24] (Figura 2).
Os exercícios de resistência estimulam a síntese protéica 
muscular por até 48 horas [4]. Entretanto, o balanço protéico 
permanece negativo no pós-exercício imediato até a adminis-
tração de proteínas e/ou aminoácidos [20,25].
A ampliação do processo hipertrófi co induzido pelo exer-
cício resistido ocorre com a ingestão de aminoácidos [26] e 
resposta endócrina [27].
Trabalhos experimentais mostram que tanto os exercícios 
de resistência [28], como ingestões de proteína e/ou leucina 
[10] resultam em fosforilação de ambos 4E-BP1 e S6k1 (Fi-
gura 1 e Figura 2).
O treinamento resistido constitui método excelente para 
promover o ganho de músculo esquelético. O mesmo pode 
ser potencializado pelos suplementos protéicos, em particular 
aqueles contendo elevadas concentrações de aminoácidos in-
dispensáveis como a proteína do soro do leite. A proteína do 
soro do leite é especialmente rica em leucina (até 14g/100g 
proteína), conhecida como reguladora do início da tradução 
do mRNA para a síntese protéica muscular, atuando direta-
mente na fosforilação da mTOR [29]. 
Os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) têm 
habilidade única de estimular a síntese protéica muscular 
independentemente dos demais aminoácidos. Quando 
administrada oralmente, a leucina isolada estimula a síntese 
protéica muscular em animais e indivíduos exercitados ou 
subnutridos [8,30,31]. O estímulo da leucina não é via in-
sulina/IGF-1/PI3K/PKB e sim, provavelmente, via PRAS40 
[13] (Figura 2).
Adicionalmente aos anabolizantes protéicos musculares 
que agem na mTOR: treinamento contra-resistência, hor-
mônios (IGF-1, GH, testosterona) e leucina há, também, as 
misturas facilitadoras da síntese protéica muscular: glicose, in-
sulina, BCAA, glutamina, creatina etc., atuantes na hidratação 
celular e positivação do balanço celular de aminoácidos [32].
Bloqueadores da mTOR
A AMPk (5’-AMP-activated protein kinase) é uma enzima 
heterotrimérica que atua como o maior sensor energético celular. 
É ativada quando o ATP torna-se limitado. Nestas condições, a 
AMPk estimula as vias catabólicas e inibe as vias anabólicas no 
esforço de suprir o ATP para a sobrevivência celular.
(Akt: serina/treonina quinase Akt; PDK: quinase dependente de fosfoino-
sitol; mTOR: mammalian target of rapamycin; PRAS40: proline-rich Akt 
substrate of 40 kDa; GβL: G-protein β subunit-like; RAPTOR: regulatory 
associated protein of mTOR; p70S6K1: proteína ribossômica-70 kDa 
S6 quinase; rpS6: proteína ribossômica S6; 40S: subunidade 40S do 
ribossomo; 4E-BP1: proteína ligadora do fator de iniciação 4E; eIF4E: 
fator de iniciação eucariótico 4E; eIF4F: fator de iniciação eucariótico 
4F; GSK3: glycogen synthase kinase 3; eIF2B: fator de iniciação eucari-
ótico 2B; TSC1/TSC2: tuberousclerosis complex; Rheb: ras homologue 
enriched in brain).
Ativadores da mTOR
O mTOR é uma via de sinalização canônica que integra 
nutriente (leucina), hormônios (insulina; insulin-like growth 
factor-1, IGF-1), estado energético (ATP/GTP) intracelular e 
o treinamento resistido para controlar a tradução do mRNA 
[13] (Figura 2).
É sabido que o treinamento resistido induz hipertrofi a 
muscular mediante processos mecânicos, metabólicos e 
hormonais [17]. A sobrecarga mecânica leva a eventos intra-
celulares que regulam a expressão gênica e síntese protéica. 
O exercício resistido pode alterar a atividade de aproximada-
mente 70 genes [18], ativar fatores envolvidos com a miogê-
nese (ex. miogenina, MyoD) e reprimir fatores inibidores do 
crescimento (ex. miostatina) [19].
Oito semanas de exercícios com pesos resultam em hi-
pertrofi a (~10%) associadamente ao aumento do conteúdo 
protéico de Akt e GSK3 fosforiladas e de mTOR [4].
A síntese protéica no músculo humano aumenta após uma 
simples sessão de exercício resistido vigoroso [20], atingindo pico 
55Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
A AMPk regula, no músculo, o metabolismo de carboi-
dratos, lipídios e proteínas, pelos seus efeitos em múltiplas 
vias de sinalização e assim, suprime processos que demandam 
ATP e ativa vias que geram ATP.
Nesse sentido, a AMPk é um regulador negativo upstream 
do mTORC1, reduzindo a síntese protéica muscular em 
condições de estresse energéticocomo hipóxia, exercício de 
alta intensidade ou glicopenia celular [33].
A AMPk inibe a sinalização mTORC1 em 2 vias: via 
fosforilação do Raptor que leva a diminuição da atividade 
da mTOR quinase e via fosforilação da TSC2 (ou tuberina) 
[34] (Figura 2).
A AMPk desempenha papel importante na regulação da 
síntese protéica muscular. Uma simples sessão de exercício 
resistido, feita em jejum, resulta na inibição da síntese protéica 
muscular via AMPk com redução da fosforilação da 4E-BP1 
[35-37]. Entretanto, quando o exercício é feito na situação 
alimentado, a inibição da síntese protéica não ocorre, pois a 
alimentação reduz a AMPk [26].
Condições em que a leucina é inefetiva em estimular o 
anabolismo protéico muscular (sepsis, intoxicação alcoólica 
e excesso de glicocorticóides) caracterizam o estado de resis-
tência à leucina [13]. A ativação da AMPk, presente em várias 
condições de estresse, tem participação provável no desenvol-
vimento da resistência a leucina no músculo esquelético [13].
Figura 2 - estimuladores da mTOR complex 1.
Anabolismo pós-lesão por sobrecarga
Após a lesão muscular por sobrecarga há a regeneração, 
remodelamento e crescimento muscular (Figura 3). Nestas 
condições o crescimento muscular é tanto hipertrófi co como 
hiperplásico.
A regeneração do músculo esquelético é fortemente 
associada a células como macrófagos e células satélites. Os 
macrófagos participantes são residentes, recrutados de com-
partimentos musculares específi cos como epimísio/perimí-
sio (ou fáscia muscular) ou resultantes da diferenciação de 
monócitos sanguíneos. Estes últimos são atraídos tanto pela 
ação quimiotática das células miogênicas como pela MCP-1 
(monocytes chemoactractant protein 1) expressados pelos ma-
crófagos residuais [38].
No músculo os macrófagos adotam funções heterogêneas 
de acordo com a localização anatômica e estímulos diferentes. 
Dentre as atividades que ilustram os diferentes fenótipos dos 
macrófagos fi guram: pró-infl amatório x anti-infl amatório, 
imunogênico x tolerogênico e destruição x reparo tecidual. 
A ativação clássica dos macrófagos (chamada M1) induz a 
produção de citocinas pró-infl amatórias e espécies reativas do 
oxigênio que refl etem o estado primário da ativação macrofá-
gica após lesão tecidual ou confl ito imunológico. A ativação 
alternativa (chamada M2a) é observada em ambiente Th 2 e é 
associada à infl amação crônica mas evidenciada também em 
infecções parasitárias. A ação macrofágica anti-infl amatória 
ou de desativação (chamada M2c) é relacionada a fase de re-
paro tecidual durante a qual os macrófagos secretam TGF-β 
(transforming growth factor β) [39].
O músculo esquelético lesado recruta rapidamente (1-2 
dias) monócitos sanguíneos que se tornam macrófagos com 
padrão comportamental infl amatório. Um a três dias após 
serem recrutados, esses macrófagos mudam seu fenótipo para 
anti-infl amatórios. Essa mudança ocorre após a fagocitose 
tanto das células apoptóticas como das miofi bras necrosadas 
(fi gura 3). Assim a regeneração muscular pós-lesão é caracteri-
zada por populações sequenciais de macrófagos. Primeiro, os 
macrófagos residuais, que são pró-infl amatórios, associam-se 
aos monócitos recrutados para a remoção do material necro-
sado. A seguir, os macrófagos anti-infl amatórios aparecem e 
estão associados à cicatrização e reparo tecidual. Desta forma 
a infl amação desencadeada por macrófagos, pós-lesão mus-
cular, é benéfi ca à regeneração muscular [38]. Os macrófagos 
anti-infl amatórios parecem estar envolvidos na diferenciação 
celular e/ou crescimento miofi brilar [40] (fi gura 3).
Quando em contato com macrófagos, as células miogêni-
cas apresentam crescimento. Este estímulo pode ser causado: 
1) pela resposta efi ciente das células miogênicas aos fatores de 
crescimento secretados pelos macrófagos ou 2) pelo contato 
estabelecido de célula: célula que protege as células miogê-
nicas contra apoptose. As células miogênicas multinucleadas 
diferenciadas (miotubos) são mais protegidas da apoptose, 
comparativamente aos mioblástos indiferenciados. Isto sugere 
Rapamicina
P
SÍNTESE 
PROTÉICA
mTOR
Raptor
GβL
PDK Akt
GDP
TSC2
TSC1
Rheb
GTP
Rheb
Nutrientes:
Leucina
(BCAA)
Insulina
Energia
�AMP:ATP
Contração muscular
P
PTENPI3K
AMPk
AMP PRAS40
PI-3,4,5-3P
PI-4,
5-2PIG
F
(IGF: insulin-like growth factor; IRS 1: insulin receptor substrate-1; PI3K: 
fosfatidilinositol 3-quinase; PTEN: phosphatase and tensin homolog; 
PI-4,5-2P: fosfatidilinositol-4,5-bifosfato; PI-3,4,5-3P: fosfatidilinositol-
3,4,5-trifosfato; Akt: serina/treonina quinase Akt; PDK: quinase depen-
dente de fosfoinositol; mTOR: mammalian target of rapamycin; PRAS40: 
proline-rich Akt substrate of 40 kDa; GβL: G-protein β subunit-like; 
RAPTOR: regulatory associated protein of mTOR; TSC1/TSC2: tube-
rousclerosis complex; Rheb: ras homologue enriched in brain; AMPk: 
5’-AMP-activated protein kinase; BCAA: branched-chain amino acid).
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201056
que a proteção do macrófago estender-se-ia até a associação 
fi nal do miotubo à matriz [38].
Quando em cultura, os macrófagos infl amatórios esti-
mulam a proliferação de células miogênicas e inibem sua 
diferenciação. Inversamente, os macrófagos anti-infl amatórios 
exibem estímulo da fusão dos mioblastos, isto é, diferencia-
ção de células miogênicas. Estes resultados sugerem que o 
estado de ativação dos macrófagos pode modular o processo 
miogênico [40,41].
O processo de miogênese in vitro envolve 3 etapas prin-
cipais: diferenciação celular com cessação do ciclo celular e 
expressão do programa miogênico, migração celular em di-
reção a outra e fusão eventual em estruturas multinucleadas. 
Os macrófagos pró-infl amatórios exercem efeitos negativos 
tanto na diferenciação miogênica como na fusão. A menor 
fusão pode ser consequente ao estímulo destes macrófagos 
exercido sobre a maior mobilidade das células miogênicas. Por 
outro lado, macrófagos anti-infl amatórios estimulam tanto 
a diferenciação miogênica como o processo de fusão [38]. 
Figura 3 - Lesão pós-carga e reparo/crescimento muscular [38].
à laminina, arcabouço colágeno da miofi brila fagocitada, 
permitindo a regeneração da área lesada [46].
Sinalizadores anabólicos como Akt/PKB, ativados pela 
contração muscular, participam do remodelamento muscu-
lar e funcionamento normal do sarcolema [47]. As maiores 
secreções de andrógenos e GH decorrentes do esforço de alta 
intensidade (e lesão muscular) estimulam a síntese miofi brilar 
e o crescimento muscular hipertrófi co [46].
Anabolismo pós-desuso
Na recuperação da massa muscular pós-desuso a expressão 
gênica da IL-6 está aumentada e funciona como regulador 
miogênico e anabólico [48]. Frente ao trabalho muscular pos-
sui elevação temporal com pico intermediário entre o TNF-α 
(pró-infl amatório) e a IL-10 (anti-infl amatória). Metabolica-
mente a IL-6 bloqueia as ações musculares (catabólicas e de 
resistência à insulina) do TNF-α [49].
A IL-6 liberada no exercício físico é considerada a pri-
meira miocina com ação integrativa entre órgãos resultando 
em desbloqueio do IGF-1, sensibilidade insulínica, lipólise 
intramuscular e economia do glicogênio muscular [50]. A 
maior expressão da IL-6 pelo músculo exercitado pode ser 
decorrente de quaisquer dos estímulos Ca++ intracelular, 
AMPk ou hipóxia local [51].
Conclusão
O turnover miofi brilar ocorre, fi siologicamente, a cada 
5-6 dias, podendo ser retardado pelos estresses infl amatório 
e energético (↑ AMP/ATP) e acelerado por fatores anabólicos 
(estímulo de contração muscular contra resistência, estímulo 
elétrico (em medulados), fatores nutricionais (leucina) e hor-
monais). Estes fatores anabólicos agem viacascata de quinases 
que estimulam a tradução do mRNA miofi brilar e/ou fatores 
de diferenciação miogênicos. Figuram como indicadores mo-
leculares das vias do crescimento muscular Akt/PKB, mTOR, 
p70S6K, 4E-BP1, GSK3 e miogenina.
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Lesão muscular
Recrutamento 
de monócitos 
sanguíneose de 
macrófagos residuais
Macrófagos
inflamatórios
(1-2 dias)
Macrófagos
anti inflamatórios
Fagocitose de células 
apoptóticas e 
miofibrilas necrosadas
(1-3 dias)
Reparo tecidual 
e crescimento 
miofibrilar
Diferenciação celular
Crescimento 
hiperplástico
Contato com
células miogênicas
(células satélites)
Embora ainda sob estudos, é provável que os mecanismos 
envolvidos estejam associados às citocinas liberadas pelos 
macrófagos ativados que infl uenciariam o comportamento 
da célula miogênica. Por exemplo, o fator de necrose tumoral 
(TNFα) é mitogênico para mioblastos e inibe suas diferen-
ciações [42], o TNF-β1 parece associado ao diâmetro das 
miofi bras regeneradas [43].
A cicloxigenase 2 e seus metabólitos também parecem 
exercer papel crítico, uma vez que promovem fusão dos mio-
blastos, necessária à qualidade do reparo muscular [44,45].
Na lesão miofi brilar por trauma, há liberação local da 
isoforma muscular do IGF-1, o mecano-growth factor (MGF), 
responsável pelo recrutamento e ativação das células satéli-
tes quiescentes que se fundirão formando o miotubo, que 
substituirá as miofi brilas fagocitadas e acrescentará novos 
mionúcleos à massa sincicial. As células tronco musculares 
recrutadas reagirão com a integrina (proteína transmembra-
na) que permitirá a migração do já mioblasto até sua adesão 
57Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
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59Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
Comunicação breve
A influência da caminhada versus exercícios 
convencionais sobre a dor e qualidade de vida em 
mulheres com fibromialgia: um ensaio simples-cego
The influence of walking versus conventional exercises on pain and 
quality of life in women with fibromyalgia: a single blind clinical trial
Izabel Cristina Camargo dos Santos*, Mariana Conceição Farias de Moraes*, Bruna Piergentile*, Karin Lima dos Reis de 
Burgo**, Fábio Marcon Alfi eri, M.Sc.***
*Discentes do curso de Fisioterapia do UNASP, **Especialista em Clínica Médica, Fisioterapeuta do Programa da Saúde da Família- 
São Paulo, ***Docente do curso de Fisioterapia do UNASP
Resumo
Introdução: A fi bromialgia é uma síndrome que traz alterações 
como dor e diminuição da qualidade de vida. O objetivo deste estudo 
foi comparar a dor e a qualidade de vida em pacientes fi bromiálgicos 
submetidos a exercícios convencionais versus caminhada. Método: 
Participaram do estudo 22 mulheres divididas aleatoriamente em 
dois tipos de exercícios: caminhada e exercícios gerais. Ambos foram 
avaliados pela escala visual analógica e pelo questionário sobre im-
pacto de qualidade de vida (FIQ) antes e após os 3 meses de inter-
venção. Resultados: Em nenhum grupo houve melhora signifi cativa 
em relação à dor e à qualidade de vida. Conclusão: Acredita-se que 
o tempo pode ser um fator limitante dos resultados deste estudo 
preliminar, bem como o tamanho da amostra.
Palavras-chave: fibromialgia, exercício, dor, qualidade de vida.
Abstract
Introduction: Th e fi bromyalgia is a syndrome that brings changes 
as pain and decreased quality of life. Th e aim of this study was to 
compare the pain and quality of life in fi bromyalgic patients treated 
with conventional versus walking exercises. Method: Th e study 
included 22 women divided into two types of exercises: walking 
and general exercise. Both were assessed by visual analogue scale 
and questionnaire on the impact of quality of life (FIQ) before 
and after 3 months of intervention. Results: In any group there was 
signifi cant improvement on pain and quality of life. Conclusion: It 
is believed that the time may be a limiting factor on the outcome 
of this preliminary study, as well as the sample size. 
Key-words: fibromyalgia, exercise, pain, quality of life.
Endereço para correspondência: Fábio Marcon Alfieri, Rua Candal, 1/31, 05890-030 São Paulo SP, Tel: (11) 9172-8161, E-mail: 
fabiomarcon@bol.com.br, fabio.alfieri@unasp.edu.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201060
Introdução
A fi bromialgia é uma síndrome musculoesquelética não 
infl amatória e não autoimune, cuja incidência é maior em mu-
lheres, contudo, pode ocorrer em homens, porém em menor 
proporção [1,2]. Sua etiologia é desconhecida, no entanto, 
há evidências sobre alterações metabólicas e de oxigenação 
nas fi bras musculares, como também desequilíbrio entre a 
percepção dolorosa e os mecanismos das vias aferentes, além 
da diminuição dos níveis de serotoniana e endorfi na [2,3].
O principal sintoma é a dor crônica e difusa e/ou dor 
sentida a partir da pressão em 11 de 18 pontos dolorosos 
(tender points) predeterminados pelo Colégio Americano de 
Reumatologia. Além da dor, a rigidez, diminuição da força 
muscular, fadiga e síndromes psicossomáticas como depressão 
podem interferir na qualidade de vida dos pacientes [3,4].
A literatura não defi ne um tratamento padrão para a 
fi bromialgia, entretanto sabe-se que exercícios físicos podem 
diminuir os sintomas da doença [1,4-7]. Para tanto, este 
estudo teve como objetivo comparar a dor a qualidade de 
vida de pacientes fi bromiálgicos submetidos a exercícios 
convencionais versus caminhada.
Material e métodos
Este foi um estudo clínico simples-cego, no qual partici-
param 22 pacientes diagnosticados com fi bromialgia, segundo 
os critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reuma-
tologia. Não participaram indivíduos que tivessem realizado 
intervenção por meio de exercícios físicos nos últimos 6 meses. 
A pesquisa foi realizada na Policlínicado UNASP e aprovada 
pelo comitê de ética da instituição. 
Os indivíduos foram divididos aleatoriamente por sor-
teio simples em dois grupos: caminhada versus exercícios 
convencionais. 
No grupo caminhada foram feitos alongamentos, seguidos 
de caminhada em ritmo moderado, terminando com relaxa-
mento. Já no grupo exercícios, foram realizados alongamentos, 
fortalecimentos dos principais grupos musculares de todo o 
corpo e exercícios proprioceptivos. Ambos os grupos realiza-
ram as respectivas atividades físicas durante 12 semanas com 
frequência semanal de 2 vezes com 60 minutos cada sessão.
A intensidade da dor foi avaliada através da Escala Visual 
Analógica da dor (EVA) e a qualidade de vida foi avaliada 
pelo questionário FIQ, que avalia o impacto da fi bromialgia 
na qualidade de vida dos indivíduos [8]. Ambas avaliações 
foram realizadas antes e depois da intervenção. Os dados 
foram analisados com a utilização do teste t, com nível de 
signifi cância de 5%.
Resultados
Das 22 mulheres, 5 desistiram do grupo de exercícios ge-
rais e 7 do grupo de caminhada (cada grupo foi composto por 
11 voluntárias). A média de idade do grupo de exercícios foi 
de 53,72 ± 5,3 anos e 27,12 ± 3 de índice de massa corpórea 
(IMC), já a do grupo de caminhada teve média de idade de 
50,45 ± 14,5 anos e 27,54 ± 5,7 de IMC, não sendo estas 
diferenças signifi cativas.
Ao avaliar a intensidade da dor pela EVA, em nenhum 
grupo houve melhora após a intervenção. O grupo de exer-
cícios passou de 5,98 ± 27 para 4,0 ± 2,0 (p = 0,09) e o 
grupo de caminhada passou de 7,42 ± 1,9 para 6,05 ± 3,4 (p 
= 0,08), após a intervenção, não havendo diferença entre os 
grupos (p = 0,09). 
Ao avaliar a qualidade de vida pelo FIQ, os resultados 
do grupo de caminhada passaram de 6,06 ± 1,4 para 4,42 
± 1,8 (p = 0,08). O grupo de exercícios passou de 6,37 ± 1 
para 4,75 ± 1,5 (p = 0,08) após a intervenção, também não 
havendo diferença entre os grupos (p = 0,65).
Discussão
Os resultados deste estudo mostraram que em ambos 
os grupos de intervenção não houve redução signifi cativa 
na intensidade da dor e nem melhora na qualidade de vida. 
Acreditamos que tais resultados possam ser explicados parcial-
mente devido ao curto tempo de intervenção, pois segundo 
Valim et al. [5] intervenções com tempos superiores a 15 
semanas é que são capazes de mostrar benefícios na qualidade 
de vida de indivíduos fi bromiálgicos, isto devido à exigência 
de um período maior e esforço pessoal para adaptação de 
tais sujeitos ao programa de exercício. Isto provavelmente 
explica programas como o de Sabag et al. [7], que realizaram 
condicionamento físico por um ano e perceberam melhoras 
quanto a intensidade da dor e qualidade de vida. 
Outro fato a ser destacado neste estudo, é a questão da 
desistência de cerca de 54% dos voluntários, sendo maior 
do que o apontada na literatura (até 50%) sobre este tipo de 
ensaio clínico [9]. 
Conclusão
Os dados do estudo permitem inferir que trabalhos com 
indivíduos fi bromiálgicos devem apresentar amostras grandes 
o sufi ciente a fi m de comportar as perdas. Além disso, devem 
ser realizados em períodos superiores a 3 meses de interven-
ção para verifi car o quanto os exercícios gerais bem como a 
caminhada regular podem realmente interferir na qualidade 
de vida e na intensidade da dor destes pacientes. Com isto, 
este trabalho, que possui resultados preliminares, pode ser 
reformulado com um tempo maior de intervenção ou com 
o aumento da amostra.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201062
Normas de publicação Fisiologia do Exercício
A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício é uma publicação 
com periodicidade bimestral e está aberta para a publicação e 
divulgação de artigos científi cos das áreas relacionadas à atividade 
física. 
Os artigos publicados na Revista Brasileira de Fisiologia do 
Exercício poderão também ser publicados na versão eletrônica 
da revista (Internet) assim como em outros meios eletrônicos 
(CD-ROM) ou outros que surjam no futuro, sendo que pela 
publicação na revista os autores já aceitem estas condições.
A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício assume o “estilo 
Vancouver” (Uniform requirements for manuscripts submitted 
to biomedical journals) preconizado pelo Comitê Internacional 
de Diretores de Revistas Médicas, com as especifi cações que 
são detalhadas a seguir. Ver o texto completo em inglês desses 
Requisitos Uniformes no site do International Committee of 
Medical Journal Editors (ICMJE), www.icmje.org, na versão 
atualizada de outubro de 2007 (o texto completo dos requisitos 
está disponivel, em inglês, no site de Atlântica Editora em 
pdf ).
Os autores que desejarem colaborar em alguma das seções da 
revista podem enviar sua contribuição (em arquivo eletrônico/e-
mail) para nossa redação, sendo que fi ca entendido que isto não 
implica na aceitação do mesmo, que será notifi cado ao autor.
O Comitê Editorial poderá devolver, sugerir trocas ou retorno 
de acordo com a circunstância, realizar modifi cações nos textos 
recebidos; neste último caso não se alterará o conteúdo científi co, 
limitando-se unicamente ao estilo literário.
1. Editorial
Trabalhos escritos por sugestão do Comitê Científi co, ou por 
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Extensão: Não devem ultrapassar três páginas formato A4 em 
corpo (tamanho) 12 com a fonte English Times (Times Roman) 
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, 
sobrescrito, etc; a bibliografi a não deve conter mais que dez 
referências.
2. Artigos originais
São trabalhos resultantes de pesquisa científi ca apresentando 
dados originais de descobertas com relação a aspectos 
experimentais ou observacionais, e inclui análise descritiva e/ou 
inferências de dados próprios. Sua estrutura é a convencional 
que traz os seguintes itens: Introdução, Material e métodos, 
Resultados, Discussão e Conclusão.
Texto: Recomendamos que não seja superior a 12 páginas, 
formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12, 
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, 
sobre-escrito, etc.
Tabelas: Considerar no máximo seis tabelas, no formato Excel/
Word.
Figuras: Considerar no máximo 8 fi guras, digitalizadas (formato 
.tif ou .gif ) ouque possam ser editados em Power-Point, Excel, 
etc.
Bibliografia: É aconselhável no máximo 50 referências 
bibliográfi cas.
Os critérios que valorizarão a aceitação dos trabalhos serão o de 
rigor metodológico científi co, novidade, originalidade, concisão 
da exposição, assim como a qualidade literária do texto.
3. Revisão
Serão os trabalhos que versem sobre alguma das áreas relacionadas 
à atividade física, que têm por objeto resumir, analisar, avaliar 
ou sintetizar trabalhos de investigação já publicados em revistas 
científi cas. Quanto aos limites do trabalho, aconselha-se o mesmo 
dos artigos originais.
 
4. Atualização ou divulgação
São trabalhos que relatam informações geralmente atuais sobre 
tema de interesse dos profi ssionais de Educação Física (novas 
técnicas, legislação, etc) e que têm características distintas de 
um artigo de revisão.
5. Relato ou estudo de caso
São artigo de dados descritivos de um ou mais casos explorando 
um método ou problema através de exemplo. Apresenta as 
características do indivíduo estudado, com indicação de sexo, 
idade e pode ser realizado em humano ou animal.
6. Comunicação breve
Esta seção permitirá a publicação de artigos curtos, com maior 
rapidez. Isto facilita que os autores apresentem observações, 
resultados iniciais de estudos em curso, e inclusive realizar 
comentários a trabalhos já editados na revista, com condições de 
argumentação mais extensa que na seção de cartas do leitor.
Texto: Recomendamos que não seja superior a três páginas, 
formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12, 
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, 
sobre-escrito, etc.
Tabelas e fi guras: No máximo quatro tabelas em Excel e fi guras 
digitalizadas (formato .tif ou .gif ) ou que possam ser editados 
em Power Point, Excel, etc
Bibliografia: São aconselháveis no máximo 15 referências 
bibliográfi cas.
7. Resumos
Nesta seção serão publicados resumos de trabalhos e artigos 
inéditos ou já publicados em outras revistas, ao cargo do Comitê 
Científi co, inclusive traduções de trabalhos de outros idiomas.
8. Correspondência
Esta seção publicará correspondência recebida, sem que 
necessariamente haja relação com artigos publicados, porém 
relacionados à linha editorial da revista.
Caso estejam relacionados a artigos anteriormente publicados, 
será enviada ao autor do artigo ou trabalho antes de se publicar 
a carta.
Texto: Com no máximo duas páginas A4, com as especifi cações 
anteriores, bibliografi a incluída, sem tabelas ou fi guras.
63Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 2010
PREPARAÇÃO DO ORIGINAL
1. Normas gerais
1.1 Os artigos enviados deverão estar digitados em processador de 
texto (Word), em página de formato A4, formatado da seguinte 
maneira: fonte Times Roman (English Times) tamanho 12, 
com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, 
sobrescrito, etc.
1.2 Numere as tabelas em romano, com as legendas para cada 
tabela junto à mesma.
1.3 Numere as fi guras em arábico, e envie de acordo com as 
especifi cações anteriores.
As imagens devem estar em tons de cinza, jamais coloridas, e 
com resolução de qualidade gráfi ca (300 dpi). Fotos e desenhos 
devem estar digitalizados e nos formatos .tif ou .gif.
1.4 As seções dos artigos originais são estas: resumo, introdução, 
material e métodos, resultados, discussão, conclusão e 
bibliografi a. O autor deve ser o responsável pela tradução do 
resumo para o inglês e também das palavras-chave (key-words). 
O envio deve ser efetuado em arquivo, por meio de disquete, 
CD-ROM ou e-mail. Para os artigos enviados por correio em 
mídia magnética (disquetes, etc) anexar uma cópia impressa e 
identifi car com etiqueta no disquete ou CD-ROM o nome do 
artigo, data e autor.
2. Página de apresentação
A primeira página do artigo apresentará as seguintes 
informações:
- Título em português, inglês e espanhol.
- Nome completo dos autores, com a qualifi cação curricular e 
títulos acadêmicos.
- Local de trabalho dos autores.
- Autor que se responsabiliza pela correspondência, com o 
respectivo endereço, telefone e E-mail.
- Título abreviado do artigo, com não mais de 40 toques, para 
paginação.
- As fontes de contribuição ao artigo, tais como equipe, 
aparelhos, etc.
3. Autoria
Todas as pessoas consignadas como autores devem ter participado 
do trabalho o sufi ciente para assumir a responsabilidade pública 
do seu conteúdo.
O crédito como autor se baseará unicamente nas contribuições 
essenciais que são: a) a concepção e desenvolvimento, a análise 
e interpretação dos dados; b) a redação do artigo ou a revisão 
crítica de uma parte importante de seu conteúdo intelectual; c) 
a aprovação defi nitiva da versão que será publicada. Deverão 
ser cumpridas simultaneamente as condições a), b) e c). A 
participação exclusivamente na obtenção de recursos ou na coleta 
de dados não justifi ca a participação como autor. A supervisão 
geral do grupo de pesquisa também não é sufi ciente.
Os Editores podem solicitar justifi cativa para a inclusão de autores 
durante o processo de revisão do manuscrito, especialmente se o 
total de autores exceder seis.
4. Resumo e palavras-chave (Abstract, Key-words)
Na segunda página deverá conter um resumo (com no máximo 
150 palavras para resumos não estruturados e 200 palavras para 
os estruturados), seguido da versão em inglês e espanhol.
O conteúdo do resumo deve conter as seguintes informações:
- Objetivos do estudo.
- Procedimentos básicos empregados (amostragem, metodologia, 
análise).
- Descobertas principais do estudo (dados concretos e 
estatísticos).
- Conclusão do estudo, destacando os aspectos de maior 
novidade.
Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave 
para facilitar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar 
os termos utilizados na lista dos DeCS (Descritores em Ciências 
da Saúde) da Biblioteca Virtual da Saúde, que se encontra no 
endereço Internet seguinte: http://decs.bvs.br. Na medida do 
possível, é melhor usar os descritores existentes. 
5. Agradecimentos
Os agradecimentos de pessoas, colaboradores, auxílio fi nanceiro 
e material, incluindo auxílio governamental e/ou de laboratórios 
farmacêuticos devem ser inseridos no fi nal do artigo, antes as 
referências, em uma secção especial.
6. Referências
As referências bibliográfi cas devem seguir o estilo Vancouver 
defi nido nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográfi cas 
devem ser numeradas por numerais arábicos entre parênteses e 
relacionadas em ordem na qual aparecem no texto, seguindo as 
seguintes normas:
Livros - Número de ordem, sobrenome do autor, letras iniciais de 
seu nome, ponto, título do capítulo, ponto, In: autor do livro (se 
diferente do capítulo), ponto, título do livro (em grifo - itálico), 
ponto, local da edição, dois pontos, editora, ponto e vírgula, ano 
da impressão, ponto, páginas inicial e fi nal, ponto.
Exemplo:
1. Phillips SJ, Hypertension and Stroke. In: Laragh JH, editor. 
Hypertension: pathophysiology, diagnosis and management. 2nd ed. 
New-York: Raven press; 1995. p.465-78.
 
Artigos – Número de ordem, sobrenome do(s) autor(es), 
letras iniciais de seus nomes (sem pontos nem espaço), ponto. 
Título do trabalha, ponto. Título da revista ano de publicação 
seguido de ponto e vírgula, número do volume seguido de dois 
pontos, páginas inicial e fi nal, ponto. Não utilizar maiúsculas 
ou itálicos. Os títulos das revistas são abreviados de acordo com 
o Index Medicus, na publicação List of Journals Indexed in Index 
Medicus ou com a lista das revistas nacionais, disponível no site 
da Biblioteca Virtual de Saúde (www.bireme.br). Devem ser 
citados todos os autores até 6 autores. Quando mais de 6, colocar 
a abreviação latina et al.
Exemplo:
Yamamoto M, Sawaya R, Mohanam S. Expressionand 
localization of urokinase-type plasminogen activator receptor 
in human gliomas. Cancer Res 1994;54:5016-20.
Os artigos, cartas e resumos devem ser enviados para:
Guillermina Arias - E-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 1 - janeiro/março 201064
Calendário de eventos
2010
Abril
16 a 18 de abril
2º Congresso Brasileiro de Natação Infantil
Centro de Convenções Rebouças - Av. Rebouças, 600
São Paulo, SP
Informações: www.alliancefitness.com.br
17 a 21 de abril
48o ENAF
Espaço cultural da URCA, Poços de Caldas MG
Informações: www.enaf.com.br
28 a 30 de abril
Congresso Internacional de Envelhecimento Humano
Centro de Eventos Universidade de Passo Fundo (UPF) 
Passo Fundo, RS
Informações: cieh@upf.br
Maio
13 a 15 de maio
9º Fórum Internacional de Esportes
FiguraCentro Multiuso de São José, Florianópolis SC
www.unesporte.org.br/forum
20 a 22 de maio
III Congresso Brasileiro de Metabolismo, Nutrição e 
Exercício
Londrina, PR
Informações: www.gepemene.com.br
Junho
3 a 6 de junho
XVII Convenção Brasil Saúde Sport Fitness
Porto Alegre, RS
Informações: (51) 3312-8323 / 3312-8322
www.convencaobrasil.com.br
Julho
23 de julho a 1 de agosto
VII Encontro Internacional Esporte e Atividade Física
São Paulo
Informações: Tel: (11) 2714-5678
www.encontrophorte.com.br
Agosto
4 de agosto
VI Jornada de Educação Física em cardiologia
Hotel Intercontinental
Rio de Janeiro, RJ
Informações: Tel: (21) 2552-0864 e 2552-1865
Setembro
24 e 25 de setembro
III Simpósio de Fisiologia e Preparação Física no Futebol
Jundiaí, SP
Informações: www.educaçãofísica.com.br
CURSO
Pós-Graduação Lato Sensu Educação Física FMU
Semestre de 2010
27/03/2010
• Atividade Física Adaptada e Saúde.
• Biomecânica, Avaliação Física e Prescrição de Exercícios.
• Condicionamento Físico para Grupos Especiais e 
Reabilitação Cardíaca.
• Dança e Consciência Corporal.
• Educação Física Escolar.
• Natação e Atividades Aquáticas.
• Psicomotricidade.
• Treinamento Desportivo.
• Voleibol: Bases Metodológicas para o Treinamento da 
Iniciação ao Alto Rendimento.
• Acupuntura.
• Esportes e Atividades de Aventura.
• Ginástica Laboral: Atividade Física e Promoção de Saúde 
nas Empresas.
• Ginástica Rítmica Feminina e Masculina.
• Terceira Idade: Metodologia e Prescrição de Atividades.
Informações e Inscrições: 
(11) 3209-0059/3399-3877/3271-8042/3207-2923
site: www.apoiofmu.com.br
e-mail: faleconosco@apoiofmu.com.br
Pós-Graduação Lato Sensu Educação Física FMU
Semestre de 2010
08/05/2010
Educação Física Escolar
29/03/2010
Voleibol: Bases Metodológicas para o Treinamento da 
Iniciação ao Alto Rendimento.
Treinamento Desportivo
31/03/2010
Biomecânica, Avaliação Física e Prescrição de Exercicios.
Musculação e Condicionamento Físico.
25/03/2010
Natação e Atividades Aquáticas.
Psicomotricidade
26/03/2010
Ginástica Laboral: Atividade Física e Promoção de Saúde 
nas Empresas.
Informações e Inscrições:
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EDITORIAL
Do desempenho muscular à nutrição esportiva, Paulo Tarso Veras Farinatti .....................................................................67
ARTIGOS ORIGINAIS
Infl uência da força e da área de corte transverso muscular de membros inferiores 
sobre as potências física e aeróbia máximas em teste de esforço em cicloergômetro, 
Th iago Rodrigues Gonçalves.................................................................................................................................................68
Consumo de repositores hidroeletrolíticos em praticantes de exercício físico, 
Gabriela da Silva Ferreira, Aline Pristilo Domingues, Lúcia Regina Cardoso Alves, 
Luiz Roberto Lourena Gomes da Costa, Milena Costa Menezes Cornacini ..........................................................................73
Efeitos de 11 semanas de diferentes tipos de treinamento de força sobre a massa 
óssea de jovens do sexo masculino, Débora Wagner, Roger Dahlke, Luana Carvalho 
Picolini, Rodrigo Ghedini Gehler, Patrícia Somavilla, Daniela Lopes dos Santos .................................................................78
Cinesioterapia laboral aplicada a servidores do judiciário de Poços de Caldas/MG, 
Keruline de Oliveira Moreira, Tatiana Rodrigues Martins, Marina Aparecida Gonçalves Pereira ...........................................83
Infl uência do alongamento estático/passivo sobre o desempenho da força, 
Levi Torres Rodrigues, Antonio Gil Castinheiras Neto, Bruna Medeiros Neves, 
Nádia Lima da Silva .............................................................................................................................................................89
Avaliação do estado nutricional e do consumo alimentar de praticantes 
de atividade física, Viviane Ferreira Zanirati, Juliana Morais Amaral de Almeida, 
Àzula Narayama Malacco Ferreira, Márcia Regina Pereira Monteiro, Roberta Ribeiro Silva ..................................................94
REVISÕES
Processo do envelhecimento humano, André Luiz Zanella, Laíne Rocha Moreira, 
Paulo Silvano Marinho, Rosimar da Silva Salgueiro, Mauro Lucio Mazini Filho, 
Luis Guilherme da Fonseca, Dihogo Gama de Matos .........................................................................................................100
Treinamento aeróbio para adultos obesos portadores de diabetes mellitus tipo 2, 
Jean Flávio Alves, Rafaela de Castro Santos, Raquel Brunini Nórcia Fada, 
Tania Regina Gonçalves Gomes, Tiago Lasaponari, Kátia Sampaio ....................................................................................107
Treinamento muscular inspiratório para o desenvolvimento físico: evidências 
e controvérsias, Maurício de Sant’ Anna Junior, Adalgiza Mafra Moreno, 
Pedro Dall’Ago, Pedro Paulo da Silva Soares ......................................................................................................................116
Bases metabólicas da rabdomiólise e atrofi a muscular, Rodrigo Minoru Manda, 
Fernando Moreto, Roberto Carlos Burini ...........................................................................................................................124
Esteróides anabolizantes: benefícios ou malefícios? Fábio Eduardo de Almeida ..............................................................130
NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................. 134
EVENTOS ............................................................................................................................................................... 136
Índice
volume 9 número 2 - abril/junho 2010
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201066
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R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares, 
Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu
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Paulo de Tarso Veras Farinatti
Editor Associado
Pedro Paulo da Silva Soares
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Francisco Navarro (SP)
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67Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Editorial
Do desempenho muscular à nutrição esportiva
Paulo Tarso Veras Farinatti, Editor-Chefe da RBFEx
Apresentamos o segundo número da Revista Brasileira de 
Fisiologia do Exercício (RBFEx) neste ano de 2010. Em seu 
processo de evolução, este ano marca a consolidação de uma 
periodicidade maior – a RBFEx conta com quatro números 
em cada volume desde 2009. A quantidade de manuscritos 
encaminhados aumentou signifi cativamente, o que nos forçou 
a aprimorar o sistema de avaliação por pares. De fato, con-
tando com corpo aumentado de revisores, o período entre a 
recepção de um manuscrito e a emissão de um parecer inicial 
está, em média, em torno de 30 dias. A colaboração de muitos 
colegas, que se oferecem graciosamente para ajudar no esforço 
de qualifi car a revista, deve ser aqui valorizada. 
Este número traz trabalhos originais com diferentes 
temáticas. No campo da prescrição do exercício, grupo da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro apresenta evidências 
quanto à relação entre seção transversa muscular e desempe-
nho em exercício no cicloergômetro. Da Universidade Federal 
de Santa Maria chegam-nos dados a respeito do efeito do 
treinamento da força sobre a massa óssea de indivíduos jovens 
e grupo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro investe 
nas relações entre exercício de fl exibilidade e desempenho em 
testes de força. 
Na perspectiva da reabilitação e prevenção de lesões, pes-
quisadores da Universidade Federal Fluminense apresentam 
dados sobre os efeitos do treinamento muscular inspiratório, 
ao passo que a ginástica laboral é objeto de estudo de labo-
ratório da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. 
A nutrição esportiva faz-se presente em estudos que ava-
liaram a frequência e impacto do uso de repositores hidroele-
trolíticos em academias (Universidade Paulista de Araçatuba) 
e avaliação do estado nutricional de praticantes de atividade 
física (Universidade Federal de Minas Gerais). Enfi m, artigos 
de revisão abordam assuntos como treinamento aeróbio para 
obesos diabéticos (Universidade Gama Filho - Campinas), 
processo de envelhecimento humano (Universidade Federal de 
Juiz de Fora), rabdomiólise e atrofi a muscular (Universidade 
Estadual Paulista – Botucatu) e esteróides anabólicos (Escola 
Superior de Educação Física de Muzambinho). 
Como se vê, a RBFEx refl ete o vasto painel de temáticas 
que podem ser discutidas à luz da fi siologia do exercício, 
bem como a multiplicidade de grupos de pesquisa que vêm 
se dedicando ao seu estudo no Brasil. Espero que gostem da 
leitura e que dela tirem informações proveitosas!
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201068
Artigo original
Influência da força e da área de corte transverso 
muscular de membros inferiores sobre as potências 
física e aeróbia máximas em teste de esforço 
em cicloergômetro
Influence of strength and cross-sectional area of lower limb 
muscle on the maximal physical and aerobic power in exercise 
test in cycle ergometer
Th iago Rodrigues Gonçalves*
*Graduado em Educação Física pela Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro –UFRJ, Mes-
trando em Ciências Cardiovasculares pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense - UFF
Resumo
Objetivo: Investigar a relação da força dinâmica máxima (Fmáx) 
dos membros inferiores e da área de corte transverso muscular do 
quadríceps (ATQ) com a potência máxima (Wmáx) e a potência aeróbia 
máxima (VO2máx). Métodos: Nove voluntários masculinos (22 ± 2 
anos; 73 ± 9 kg) foram avaliados em dois momentos (M1 e M2). 
As medidas antropométricas e o teste de esforço máximo no ciclo-
ergômetro foram realizados no M1. Os parâmetros de trocas gasosas 
e ventilatórios foram coletados através da calorimetria indireta de 
circuito aberto (Aerosport® TEEN 100, EUA). Realizou-se em M2 
teste de uma repetição máxima (1RM) no aparelho Leg Press hori-
zontal para determinação da Fmáx. Os dados foram tratados através 
da análise de regressão para  ≤ 0,05. Resultados: A ATQ (135,8 ± 
13,7 cm2) foi signifi cativamente correlacionada ao VO2máx (46,6 ± 
12,4 mL.kg-1.min-1) com r = 0,70 e a Wmáx (270 ± 30 W) com r = 
0,76; p ≤ 0,05. A Fmáx (94,3 ± 13,4 kg) não apresentou correlação 
signifi cativa ao VO2máx (r = 0,47) e a Wmáx (r = 0,40). Conclusão: 
A ATQ apresentou boa associação ao VO2máx e a Wmáx. As últimas 
variáveis não apresentaram associação a Fmáx.
Palavras-chave: 1RM, antropometria, teste de esforço, eficiência 
mecânica.
Abstract
Objetive: To investigate the relationship of maximal dynamic 
strength (Smax) of the lower limbs and the cross-sectional area of 
the quadriceps muscle (CSAQ) at the maximum (Wmax) and maxi-
mum aerobic power (VO2max). Methods: Nine male volunteers (22 
± 2 years, 73 ± 9 kg) were evaluated in two stages (M1 and M2). 
Anthropometric measurements and maximal exercise test on a cycle 
ergometer were performed in M1. Th e parameters of gas exchange 
and ventilation were collected by indirect calorimetry open circuit 
(Aerosport ® TEEN 100, USA). Held in M2 test of one repetition 
maximum (1RM) on the unit Horizontal Leg Press for the deter-
mination of Smax. Th e data were treated by regression analysis for  ≤ 0.05. Results: Th e CSAQ (135.8 ± 13.7 cm2) was signifi cantly 
correlated with VO2max (46.6 ± 12.4 mL
.kg-1.min-1) with r = 0.70 
and Wmax (270 ± 30 W) with r = 0.76, p ≤ 0.05. Th e Smax (94.3 ± 
13.4 kg) was not signifi cantly correlated to VO2max (r = 0.47) and 
Wmax (r = 0.40). Conclusion: Th e CSAQ showed good association with 
VO2max and Wmax, as last variables showedno association with Smax.
Key-words: 1RM, anthropometry, exercise test, mechanical 
efficiency.
Recebido 22 de dezembro de 2009; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Thiago Rodrigues Gonçalves, Rua Santa Rosa 141/703, Santa Rosa 24240-225 Niterói RJ, 
Tel: (21) 9731-6594, E-mail: tr.goncalves@yahoo.com.br
69Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Introdução
O termo ergoespirometria nasceu em 1929 sugerido por 
Kipping & Brauer, posteriormente revisado por Hollmann 
& Prinz [1]. O teste ergoespirométrico permite um valioso 
estudo da integração entre os sistemas pulmonar, cardiovas-
cular e musculoesquelético [2,3].
Wassermann et al. [4] e posteriormente aprimorado por 
Buchfuhrer et al. [5] propuseram o teste de esforço máximo 
(TE) no cicloergômetro com incrementos de carga de 1 min, 
a fi m de determinar principalmente variáveis metabólicas e 
físicas como: a potência aeróbia máxima (VO2máx) e a potência 
física máxima (Wmáx), caracterizadas por critérios objetivos 
[6], em 10 ± 2 min. A pesquisa de Buchfuhrer et al. [5] ainda 
propõe que a força muscular nesse protocolo pode infl uenciar 
em sua avaliação.
Alguns estudos se propuseram a investigar a infl uência da 
força muscular sobre variáveis máximas em TE, sendo esta 
a partir de treinamento ou não e em protocolos de testes de 
esforços diferentes [7,8], e não encontraram resultados sig-
nifi cativos para indivíduos adultos. Há algumas difi culdades 
em se determinar o valor preciso da Fmáx, pois podem ocorrer 
limitações em sua mensuração. Bruce et al. [9] apresentaram 
casos de variação da força entre indivíduos adultos e não-
treinados em que o fator neural poderia estar infl uenciando 
sua determinação a partir de dois fatores principais: 1) uma 
incompleta ativação muscular ocasionada pela dor e 2) uma 
incompleta ativação muscular sem dor gerada por mecanismo 
de segurança.
Ainda não é documentada a utilização de preditores da 
Fmáx, a fi m atenuar essas possíveis limitações, sobre a perfor-
mance e variáveis máximas em TE. A área transversal muscular 
do quadríceps (ATQ) [9,10] pode predizer a Fmáx, sendo um de 
seus principais associados, que assim se objetiva a diminuir 
os riscos de lesões articulares, musculares e outros acidentes 
possíveis e ainda encurtar as sessões de testes propostos para 
sua determinação. É importante para avaliação do TE, com 
incremento de carga de 1 min, determinar a infl uência da 
Fmáx e da ATQ sobre suas variáveis máximas.
O presente estudo teve como objetivo investigar a relação 
da Fmáx e da ATQ dos membros inferiores com o VO2máx e a 
Wmáx em teste no cicloergômetro.
Material e métodos
Sujeitos
Participaram da presente investigação nove voluntários 
masculinos (Tabela I), aparentemente saudáveis, avaliados 
em dois momentos (M1 e M2) entremeados por no mínimo 
dois e no máximo 14 dias. Em M1 realizou-se as medidas 
antropométricas e o TE no cicloergômetro (Monark® Brasil). 
Em M2 realizou-se um teste de uma repetição máxima (1RM) 
no aparelho Leg Press Horizontal (Manejo-Fitness, Brasil) para 
determinação da Fmáx. Foi recomendado para o dia prévio 
aos exames, a abstinência de atividades físicas extenuantes (≥ 
5 METs) e a manutenção da dieta mista. Foi recomendado 
também evitar a ingestão de alimentos e cafeína nas três horas 
precedentes ao esforço. Nenhum dos voluntários participou 
de treinamentos de exercícios resistidos para membros infe-
riores. Os sujeitos preencheram um termo de consentimento 
e esclarecimento. Os procedimentos foram aprovados pelo 
Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital dos Servidores do 
Estado do Rio de Janeiro para Estudos com Seres Humanos.
Tabela I - Características dos sujeitos.
Média ± DP Mínimo Máximo
Idade (anos) 22 ± 2 18 25
Estatura (cm) 176,6 ± 4,4 166,1 188,9
Peso (kg) 73,3 ± 8,8 62,0 92,4
%gor (%) 14,3 ± 5,7 7,0 24,0
LBM (kg) 62,6 ± 6,4 51,4 71,1
Circ-d (cm) 51,6 ± 3,0 47,5 58,5
%gor-d (%) 14,8 ± 5,6 9,5 25,0
Circ-e (cm) 52,1 ± 3,2 48,0 57,0
%gor-e (%) 14,9 ± 5,8 9,0 25,0
%gor = percentual de gordura corporal; LBM = massa corporal magra; 
Circ-d e Circ-e = circunferência do ponto médio da coxa direita e 
esquerda; %gor-d e %gor-e = percentual de gordura anterior da coxa 
direita e esquerda.
Antropometria
Primeiramente, foram realizadas as medidas de dobras 
cutâneas (DC) e perimetria dos membros superiores e in-
feriores. Para medidas de circunferências utilizou-se uma 
trena metálica. As medidas de DC foram verifi cadas através 
de um adipômetro (Cescorf®, clínico, precisão 1 mm). Para 
determinação dos componentes corporais, percentual de gor-
dura (%gor) e massa corporal magra (LBM), foi utilizado o 
protocolo de 3DC de Pollock [11], o qual estima densidade 
corporal para ser, posteriormente, transformada em %gor e 
a LBM determinada pela subtração do peso total pelo peso 
gordo.
Para cada sujeito foi medido o comprimento da coxa 
direita e esquerda, do trocânter ao côndilo medial, fazendo 
a mensuração do ponto médio e dobra cutânea anterior da 
coxa a 50% de distância neste comprimento. A área de corte 
transverso muscular do quadríceps da coxa direita (ATQD) e 
esquerda (ATQE), foi determinada através da seguinte equação 
descrita por Housh et al. [12]:
ATQD, E = (2,52 x circunferência medial da coxa em cm) 
– (1,25 x dobra cutânea anterior da coxa em mm) – 45,13.
A ATQ foi dada pela soma das áreas de corte transverso dos 
membros inferior direito e esquerdo.
Assim: ATQ = ATQD + ATQE em cm
2.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201070
Protocolo do teste de esforço
Foi empregado o protocolo escalonado, continuo e máxi-
mo, constituído do repouso inicial de seis minutos sentado 
no cicloergômetro, seguido pelo aquecimento de quatro 
minutos pedalando sem carga e, posteriormente, pela fase 
escalonada com duração máxima ocorrendo entre oito e 12 
minutos [5]. Os incrementos da sobrecarga postos a cada 
minuto foram calculados através de equação de predição 
da carga máxima [13], usando uma cadência constante. A 
cadência foi de 60 rpm e controlada através de um metrô-
nomo audiovisual. 
As variáveis de trocas gasosas e ventilatórias foram medidas 
por um analisador metabólico (Aerosport TEEN 100, EUA) 
de circuito aberto e por um pneumotacógrafo de fl uxo médio 
(Hans Rudolph, EUA). Esses dados foram registrados a cada 
20 segundos. A frequência cardíaca foi monitorada ao longo 
do exame por meio de um cardiotacômetro (Polar Vantage, 
NV, Finlândia).
Previamente a cada exame foram realizadas as calibra-
gens dos equipamentos. Calibrou-se o ergoespirômetro em 
circuito fechado, fornecendo uma mistura de gases (AGA, 
Brasil). O fl uxo de gases foi calibrado através de uma seringa 
de três litros (Hans Rudolph, EUA) e o cicloergômetro por 
um lastro de 3 kg.
Os testes foram considerados máximos quando observados 
pelo menos três dos seguintes critérios segundo Howley et al. 
[6]: platô no VO2 ( aumento ≤ 150mL
. min-¹ ou 2 mL.kg-¹.
min-¹), RER (respiratory exchange ratio) ≥ 1,15, FCMax ≥ 90% 
da prevista pela idade (220 - idade), índice de percepção de 
esforço ≥ 18 (tabela de BORG de 6 a 20), e fadiga voluntária 
máxima com incapacidade de manutenção do ritmo pré-
estabelecido.
Respectivamente, o VO2máx e a Wmáx foram dados pelo 
consumo de oxigênio mais alto e pela última carga suportada 
ao fi nal do teste.
Para cada sujeito, após o TE acima descrito, foi calculada 
a média por minuto do VO2 (L
.min-1) integrado a cada 20 
segundos e da potência física (W) ao fi nal de cada estágio e 
ao fi nal do TE para análise de regressão. A Δef foi determinada 
observando a inclinação da reta de cada sujeito [14]. 
Determinação da força dinâmica máxima
Os sujeitos realizaram um aquecimento e uma familia-
rização prévia no aparelhocom duas series de 10 repetições 
com intervalo de um minuto entre séries. Seguidamente 
executaram até três tentativas para mensuração da 1RM 
com intervalos de três a cinco minutos. Os sujeitos fi zeram 
movimento bilateral dos membros inferiores chegando à 
90º na fase excêntrica. Os sujeitos foram aconselhados a 
executarem duas repetições no aparelho, sendo determinada 
a Fmáx quando os sujeitos conseguissem executar somente 
uma repetição.
Com o objetivo de reduzir a margem de erro no teste 
adotaram-se os seguintes procedimentos [15]: a) instruções 
padronizadas antes do teste, de modo que o avaliado esti-
vesse ciente de toda a rotina envolvida na coleta de dados; 
b) o avaliado foi instruído sobre a técnica de execução do 
exercício através da familiarização com o aparelho e execu-
ção do exercício sem carga para reduzir o efeito de fadiga; 
c) o avaliador estava atento quanto à posição adotada pelo 
praticante; d) todos os sujeitos executaram o teste no mesmo 
período do dia.
Análise estatística
Os dados foram tratados através da estatística descritiva 
(média  DP). A relação das variáveis estudadas no presente 
estudo foi tratada por análise de regressão. Para todos os testes 
foi adotado o nível de signifi cância de  ≤ 0,05. No presente 
estudo foram usados os aplicativos Statistical Package for the 
Social Sciences® (SPSS, EUA) versão 10.0 e Microsoft Excel® 
para Windows XP® (EUA).
Resultados
Os valores das variáveis de M1 e da variável de M2 estão 
descritos na Tabela II. 
Tabela II - Valores em média ± DP das variáveis de M1 e M2.
Média ± DP Mínimo Máximo
ATQD (cm
2) 68,3 ± 7,4 59,6 82,2
ATQE (cm
2) 67,5 ± 6,4 60,8 81,6
ATQ (cm
2) 135,9 ± 13,7 120,4 163,8
FCmáx (bpm) 184,0 ± 16,0 162,0 204,0
Wmáx (W) 270,0 ± 30,0 240,0 330,0
VO2máx (L
.min-1) 3,40 ± 0.98 1,72 4,34
VO2máx (mL
.kg-1.min-1) 46,6 ± 12,4 27,8 63,0
∆ef (mL
.min-1.W-1) 11,1 ± 2,80 6,40 13,6
Fmáx (kg) 94,3 ± 13,4 83,0 125,0
ATQD e ATQE = Áreas de corte transverso muscular do quadríceps do 
membro direito e esquerdo; ATQ = soma de ATQD e ATQE; FCmáx = Fre-
qüência Cardíaca Máxima; Wmáx = Carga Máxima; VO2máx = Potência 
Aeróbia Máxima em dados absolutos e relativos; ∆ef = Eficiência mecâ-
nica delta e Fmáx = Força Muscular Máxima.
A Tabela III apresenta a matriz de correlação das variáveis 
estudadas. Observamos que a Fmáx apresentou correlação 
signifi cativa com a ATQ de p ≤ 0,01 e r
2 = 0,66. A Fmáx não 
apresentou correlação signifi cativa ao VO2máx (p = 0,200; r
2 
= 0,22) e a Wmáx (p = 0,293; r
2 = 0,16). A Δef também não 
apresentou resultados signifi cativos para ATQ (p = 0,176; r
2 
= 0,24) e para Fmáx (p = 0,265; r
2 = 0,18). Já a partir de ATQ 
tivemos correlações signifi cativas com o VO2máx (p = 0,036; 
r2 = 0,49) e com a Wmáx (p = 0,018; r
2 = 0,58). 
71Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Tabela III - Matriz de correlação das variáveis de M1 e M2.
Fmáx ATQ VO2máx Wmáx ∆ef 
Fmáx (kg) 1.00 0.81** 0.47 0.40 0.42
ATQ (cm
2) 1.00 0.70* 0.76* 0.49
VO2máx (mL
.kg-1.min-1) 1.00 0.75* 0.87**
Wmáx (W) 1.00 0.56
∆ef (mL
.min-1.W-1) 1.00
* Significativo para  ≤ 0,05; ** significativo para  ≤ 0,01. Fmáx = 
Força dinâmica máxima; ATQ = Área de corte transverso muscular do 
quadríceps; VO2máx = Potência aeróbia máxima; Wmáx = Potência máxi-
ma; ∆ef = Eficiência mecânica delta.
Discussão
Recomenda-se a progressão 10% da carga máxima por 
minuto no protocolo escalonado, continuo e máximo para 
determinação do VO2máx. O teste deve ser fi nalizado por 
meio de critérios de esforço máximos entre oito e 12 mi-
nutos. Baseando-se numa melhor avaliação neste protocolo 
em cicloergômetro, o presente estudo investigou a relação 
da Fmáx dos membros inferiores com a ATQ e suas infl uências 
sobre o VO2máx, a Wmáx e a Δef. A ATQ apresentou correlação 
signifi cativa e positiva com a Fmáx (Tabela III) confi rmando a 
associação relatada em outros estudos [9,10,16].
Investigando a infl uência da Fmáx com as variáveis máxi-
mas apresentadas aqui no estudo no TE não foram obser-
vadas relações signifi cativas (tabela III). Outros estudos que 
investigaram a infl uência da força muscular sobre variáveis 
máximas em TE, sendo esta a partir de treinamento ou não e 
em protocolos de esforço diferentes, encontraram resultados 
signifi cativos somente para voluntários idosos. Frontera e cols. 
[17] analisaram o efeito do treinamento da força muscular 
em variáveis máximas no TE em cicloergômetro com idosos 
e observou signifi cância no VO2máx relativo a LBM, relatando 
a importância da massa muscular. Segundo Izquierdo e cols. 
[8], em seu estudo, encontrou-se relação entre a Wmáx e Fmáx 
também somente para idosos e não para adultos de meia-
idade. A pesquisa propõe que a força muscular máxima por 
decrescer com o envelhecimento, indivíduos idosos teriam 
uma maior infl uência e necessidade da força sobre a Wmáx. No 
estudo de Loveless et al. [7], pesquisando o efeito do treina-
mento da Fmáx anterior ao TE em cicloergômetro a partir de 
testes de 1RM não verifi cou aumento signifi cativo no VO2máx, 
mesmo com a ocorrência de teste de repetibilidade. O teste 
de repetibilidade da Fmáx visa atenuar o erro de determinação, 
recomendando-se no mínimo três sessões de testes para se ter 
uma estabilização da Fmáx [18]. 
Contrapondo os achados no presente estudo sobre a 
Fmáx, a ATQ teve relação signifi cativa com o VO2máx e a Wmáx. 
A partir da Figura 1 podemos observar a dispersão de ATQ 
sobre o VO2máx e a Wmáx apresentando a equação da reta de 
VO2máx = 0.636ATQ – 39.75 e da Wmáx = 0.328ATQ + 46.02 e 
coefi ciente de determinação nos mostrando uma infl uência de 
49 e 58%, respectivamente. Numa pesquisa semelhante ao de 
nosso estudo, Shephard et al. [19] mostraram que o volume 
muscular das pernas, variável que também pode predizer a 
Fmáx, tem uma relação signifi cativa com o VO2máx (r = 0,79). 
ATQ é determinada por técnicas avançadas como a Imagem 
de Ressonância Magnética [20] e/ou Ultrassom [21], ou por 
técnicas mais simples, como análise antropométrica, visando 
um menor custo e praticidade. A equação proposta por Housh 
et al. [12], descrita e utilizada em nossa pesquisa, tem R = 
0.86 e erro padrão da estimativa (EPE) igual a 0.92 para ATQ. 
Assim, dentro dos patrões para validação a partir de regres-
sões. Com isto, a estimativa da ATQ por antropometria nos 
garantiu uma avaliação mais confi ável da Fmáx e um resultado 
mais satisfatório em relação ao VO2máx e a Wmáx. Os achados 
aqui encontrados mostram que a ATQ exerce infl uência sobre 
variáveis máximas, podendo ser preditora do VO2máx e da 
Wmáx determinadas no protocolo de esforço aqui apresentado.
Figura 1 - Diagrama de dispersão entre ATQ sobre o VO2máx e a Wmáx.
0
20
40
60
80
y = 0.636x - 39.75
r² = 0.489
VO
2m
ax
 (m
l.
kg
.-
1 m
in
-1
)
100 120 140 160 180
200
250
300
350
 y = 0,328x + 46,02
 r 2 = 0,575
ATQ (cm
2)
W
m
áx
 (W
)
Conclusão
Portando o presente estudo concluiu que a ATQ apresentou 
uma associação de moderada a boa com o VO2máx e a Wmáx 
e não apresentou associação com a Δef determinadas em 
protocolo de teste com incremento de um minuto. As últi-
mas variáveis não apresentaram associação com a Fmáx. Para 
pesquisas futuras sugerimos analisar ATQ a partir de métodos 
mais avançados, utilizar outros fatores representativos do 
componente anaeróbio como a potência muscular e analisar a 
infl uência de interação entre as variáveis estudadas no presente 
estudo em diferentes populações, principalmente a idosa.
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201072
Agradecimentos
Agradeço ao Hospital dos Servidores do Estado do Riode 
Janeiro na pessoa do Dr. Aluysio S. Aderaldo Jr. por possibili-
tar a execução do teste de esforço máximo no laboratório de 
capacidade física (conveniado com a EEFD/UFRJ) e ao centro 
esportivo G. Reis - Salesianos na pessoa do Prof. Geraldo Reis 
por possibilitar a execução do teste de uma repetição máxima 
em seu setor de musculação. Agradeço também aos amigos e 
professores Fernando Nogueira, Paula Magrani e Lucenildo 
Cerqueira por ajudarem na coleta de dados. 
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73Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Artigo original
Consumo de repositores hidroeletrolíticos 
em praticantes de exercício físico
Intake of hydroelectrolytic solutions in physical activity practitionners
Gabriela da Silva Ferreira*, Aline Pristilo Domingues**, Lúcia Regina Cardoso Alves***, 
Luiz Roberto Lourena Gomes da Costa, M.Sc.****, Milena Costa Menezes Cornacini, D.Sc.*****
*Nutricionista Técnica de Laboratório Jr A da Universidade Paulista de Araçatuba, Nutricionista da Associação Abrampeme de Ara-
çatuba, **Pós-Graduanda em Terapia Nutricional Clínico Hospitalar, ***Pós-Graduanda em Gestão e Gastronomia em Serviços de 
Alimentação, ****Docente da Universidade Paulista de Araçatuba, *****Coordenadora e Docente do curso de Nutrição da Universi-
dade Paulista de Araçatuba
Resumo
Introdução: O exercício físico impõe a perda de líquidos e eletróli-
tos, principalmente pelo suor, e quando não repostos adequadamen-
te, pode levar a prejuízos no rendimento de treino e ao organismo. 
Objetivo: Avaliar a frequência de ingestão de repositores hidroeletro-
líticos em praticantes de exercício físico. Material e métodos: Foram 
selecionados 51 praticantes de exercício físico de uma academia da 
cidade de Araçatuba/SP. Os indivíduos foram submetidos à avaliação 
do estado nutricional através do índice de massa corporal (IMC) e 
investigação sobre o uso de repositores hidroeletrolíticos. Aplicou-
se 25 questões com objetivo de caracterizar a população quanto ao 
tipo de exercício físico, duração de treinos, frequência de consumo 
de repositores hidroeletrolíticos, indicação, efeitos colaterais, re-
sultados obtidos entre outras informações necessárias. Resultados: 
O IMC demonstrou maior frequência de sobrepeso (47,05%). 
Dezoito (35%) dos indivíduos tomavam repositores hidroeletrolíti-
cos, prevalecendo os homens. Houve alto grau de instrução e poder 
aquisitivo; a musculação era a atividade mais frequente. Quanto à 
recomendação houve prevalência pela autoindicação e orientação 
de personal, com citação do conhecimento do produto pela mídia. 
A maioria relatou ausência de efeitos colaterais e todos descreveram 
benefícios do uso dos repositores hidroeletrolíticos. Conclusão: A 
frequência do uso de repositores hidroeletrolíticos foi baixa, sendo 
a autoindicação ou por personal uma realidade. Houve benefícios 
do uso dos repositores hidroeletrolíticos na população investigada.
Palavras-chave: alimentos para praticantes de atividade física, 
exercício físico, hidratação, eletrólitos. 
Abstract
Introduction: Th e physical exercise imposes the loss of liquids 
and electrolytes, mainly by sweat, and when they are not replaced 
adequately, may aff ect training performance and body. Objective: 
To evaluate frequency of hydroelectrolytic replacement intake in 
participants of a physical exercise program. Material e methods: 51 
participants of a physical exercise program of one fi tness center of 
Araçatuba/SP were selected. Th e individuals were submitted to a 
nutritional assessment status through body mass index (BMI) and 
investigation about the use of hydroelectrolytic replacements. 25 
questions were administered aiming to characterize the population 
concerning types of physical exercise, training duration, frequency 
of hydroelectrolytic replacement intake, person who recommended, 
collateral eff ects, results from other information. Results: Th e BMI 
showed predominance of overweight (47.05%). Eighteen (35%) 
individuals used hydroelectrolytic beverages, prevailing men. High 
education level and high purchase power was observed among the 
participants; bodybuilding was the favorite exercise. Regarding 
recommendation there was prevalence for self-indication and per-
sonal trainer, but also through mass media. Th e majority related 
absence of collateral eff ects and everybody described benefi ts after 
using hydroelectrolytic beverages. Conclusion: We concluded that 
hydroelectrolytic beverages were not used very often,and were re-
commended by personal trainer or by mass media. Th e investigated 
population reported benefi ts when using them. 
Key-words: foods for persons engaged in physical activities, 
physical exercise, hydration, electrolysis.
Recebido 11 de dezembro de 2009; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Gabriela da Silva Ferreira, Rua Duque de Caxias, 36/73, Centro 16010-410 Araçatuba SP, Tel: (18) 
9704-4006, E-mail: gabrielasf2@hotmail.com
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201074
Introdução
É consenso que a alimentação e a hidratação inadequadas ao 
praticante de exercício físico afetam diretamente à saúde, o peso 
e a composição corporal, além de prejudicarem a disponibilida-
de de substratos durante o exercício, quanto à recuperação, o 
desempenho físico e, consequentemente a qualidade de vida [1].
Durante a atividade muscular ocorre um aumento na 
produção de calor no organismo, que é dissipado em parte 
pela produção de suor [1]. O estresse do exercício é acentu-
ado pela desidratação, a qual eleva a temperatura corporal, 
prejudicando as respostas fi siológicas e o desempenho físico 
produzindo riscos à saúde [2]. Estes efeitos podem ocorrer 
mesmo que a desidratação seja leve ou moderada, com até 
2% de perda do peso corporal, agravando-se à medida que 
ela se acentua [3].
Quando ocorre sudorese excessiva por período prolon-
gado, com ausência de reposição sufi ciente de sódio e/ou de 
fl uídos como a água, pode instalar-se um quadro de hipo-
natremia, que se caracteriza por fraqueza, lassidão, apatia, 
cefaléia, hipotensão ortostática, taquicardia e choque. Até a 
pele é afetada, ocorre a diminuição da elasticidade, e depen-
dendo da quantidade perdida de sódio, pode surgir confusão 
mental, alucinação e coma [4].
É possível surgir defi ciência de cloreto, o qual se expressa 
por espasmos musculares e, quando intensa, pode acarretar 
coma e depressão respiratória. A hipocalemia pode ser con-
sequência da sudorese excessiva expressando-se por apatia, 
mal-estar, náuseas, vômitos, distensão abdominal e até íleo 
paralítico. Pode associar-se com hipotensão postural e com 
redução da pressão diastólica [5].
Assim, é de fundamental importância a adequação no 
consumo de repositores hidroeletrolíticos em praticantes de 
exercício físico, a fi m de evitar carências e excessos de líquidos 
e nutrientes. Para tanto, profi ssionais especializados como 
nutricionistas ou médicos de esportes estarão aptos para a 
prescrição. De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina 
no Esporte (SBME) [6], quando o exercício físico praticado 
for prolongado, de mais de uma hora de duração, ou para as 
atividades de elevada intensidade recomenda-se a ingestão de 
repositores hidroeletrolíticos e não apenas de água [7].
Segundo Monteiro et al. [8], em exercícios prolongados em 
que a depleção de substratos ocorre e/ou durante o exercício 
realizado no calor levando a um quadro de desidratação, a 
ingestão regular de repositores hidroeletrolíticos irá amenizar 
os fatores indesejáveis que são prejudiciais ao desempenho. 
Maughan et al. [9] esclarecem que a reidratação após o exer-
cício não deve se restringir só ao volume de água perdido mas 
também a reposição de eletrólitos, principalmente o sódio que 
é eliminado em grandes quantidades através do suor.
Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem 
hidratado, recomenda-se que beba cerca de 250 a 500 ml 
de água duas horas antes do exercício. Durante o exercício 
recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 minutos 
e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. O volume a 
ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese, na faixa de 
500 a 2.000 ml/hora. Após o exercício, deve-se continuar 
ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de 
água pela urina e sudorese [6].
Segundo Bar-Or [10], um procedimento simples e efetivo 
para determinar a quantidade de líquidos a ser ingerido é pesar 
o indivíduo antes e depois da prática do exercício físico, pois 
as modifi cações na massa corporal são causadas praticamen-
te pela perda de fl uídos. Para minimizar a possibilidade de 
exaustão pelo calor e outras formas de doenças provocadas por 
ele, recomenda-se que as perdas hídricas devido à transpiração 
durante o exercício sejam repostas em quantidades próximas 
ou iguais à da taxa de sudorese [11].
É indiscutível a importância da boa hidratação, porém, 
quando se trata do consumo dos repositores hidroeletrolíti-
cos em praticantes de exercício físico, a literatura é escassa. 
Portanto, a avaliação do consumo habitual destes produtos 
torna-se relevante, a fi m de investigar adequações sobre as re-
comendações, bem como as repercussões clínicas dos excessos 
e defi ciências de líquidos e eletrólitos, pois a reposição hidro-
eletrolítica adequada melhora a performance e a qualidade de 
vida, minimizando as complicações durante o exercício físico.
Este estudo pretende contribuir para disseminar os co-
nhecimentos na área esportiva e nutricional, visando reduzir 
as repercussões negativas do uso incorreto desses produtos. 
Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo avaliar 
a frequência do consumo de repositores hidroeletrolíticos em 
praticantes de exercício físico.
Material e métodos
Foi realizado um estudo transversal exploratório e des-
critivo, investigando 51 frequentadores de uma academia 
da cidade de Araçatuba/SP, em demanda espontânea em 
diferentes faixas etárias e ambos os gêneros. O trabalho foi 
aprovado Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Paulista 
– UNIP (125/08). 
Como critérios de inclusão foram selecionados frequen-
tadores da academia que praticassem exercício físico pelo 
menos duas vezes na semana por no mínimo 60 minutos, 
independente do horário da prática, com idade maior ou 
igual a 18 anos, de ambos os gêneros, e assinatura do termo 
de consentimento livre e esclarecido. Como critérios de 
exclusão, frequentadores crianças, adolescentes menores de 
idade, gestantes e indivíduos que se recusassem a participar 
do processo de avaliação proposto.
Aplicou-se um formulário estruturado para a atual pes-
quisa contendo 25 questões com o objetivo de caracterizar 
a população quanto ao tipo de exercício físico, duração de 
treinos, frequência de consumo de repositores hidroeletrolí-
ticos, conhecimento do produto, indicação, efeitos colaterais, 
resultados obtidos entre outras informações necessárias. Todos 
os dados foram registrados em planilha Excel, no qual foram 
75Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
efetuadas as análises estatísticas. Foi realizada análise descritiva 
dos dados calculando a média e a frequência.
Resultados e discussão
Dos 51 indivíduos que responderam o formulário, 40 
(78,43%) eram homens e 11 (21,56%) mulheres. A média 
de idade entre os praticantes foi de 27 anos. Observou-se que 
37 (72,54%) dos entrevistados eram solteiros, a maioria 26 
(50,97%) possui grau de escolaridade superior completo, a 
renda familiar prevalente foi entre 6 a 10 salários mínimos 
encontrada em 22 (43,13%) dos entrevistados (Tabela I), 
refl etindo alto grau de instrução e poder aquisitivo.
A Tabela II descreve a média de horas de exercícios físicos 
praticados. Observa-se maior frequência de duração da prá-
tica de exercício físico de 2 horas, sendo que 03 praticantes 
treinavam de 1 a 2 vezes, 25 de 3 a 4 e 23 treinavam 5 ou 
mais vezes na semana. As modalidades descritas de exercí-
cios praticados foram: musculação, aeróbica e associação de 
musculação e aeróbica. O exercício físico mais praticado foi 
a musculação, descrito em 54,86% dos investigados, com 
maior frequência em homens.
De acordo com a SBME [6], quando o exercício físico 
praticado for prolongado, de mais de uma hora de duração, 
ou paraas atividades de elevada intensidade recomenda-se a 
ingestão de repositores hidroeletrolíticos. Em atividades com 
até 60 minutos de duração a água é a bebida mais adequada, 
porém quando o exercício é superior a 60 minutos, a utiliza-
ção de produtos que contenham carboidrato passa a ter uma 
importância considerável [6], recomendação não adotada 
Tabela I - Dados socioeconômicos dos praticantes de exercício físico. Araçatuba, 2008.
Variáveis investigadas Masculino Feminino Total
n % n % n %
Escolaridade
Superior completo 21 41,17 5 9,8 26 50,97
Superior incompleto 9 17,64 2 3,92 11 21,56
Segundo Grau completo 8 15,68 4 7,84 12 23,52
Segundo Grau incompleto 1 1,96 - - 1 1,96
Primeiro Grau completo - - - - - -
Primeiro Grau incompleto 1 1,96 - - 1 1,96
Renda familiar mensal em salários mínimos
0 – 1 1 1,96 - - 1 1,96
2 – 5 9 17,64 1 1,96 10 19,6
6 – 10 18 35,29 4 7,84 22 43,13
Acima de 10 11 21,56 3 5,88 14 27,44
Ignorado 1 1,96 3 5,88 4 7,84
Estado civil
Solteiro 31 60,78 6 11,76 37 72,54
Casado 9 17,64 4 7,84 13 25,48
Viúva - - 1 1,96 1 1,96
Tabela II - Frequência, duração e modalidade de exercício praticado de praticantes de exercício físico. Araçatuba, 2008.
Variáveis investigadas Masculino Feminino Total
n % n % n %
Frequência de prática de exercício na seman
1 – 2 3 5,88 - - 3 5,88
3 – 4 18 35,29 7 13,72 25 49,01
5 ou mais 19 37,25 4 7,84 23 45,09
Horas praticadas de exercício físico no dia
1 – 2 32 62,74 11 21,56 43 84,3
3 – 4 3 5,88 - - 3 5,88
Acima de 4 1 1,96 - - 1 1,96
Ignorado 4 7,84 - - 4 7,84
Modalidade de exercício
Musculação 27 50,98 2 3,92 29 54,9
Aeróbica 1 1,96 1 1,96 2 3,92
Musculação e Aeróbica 3 5,88 6 11,76 9 17,64
Ignorado 9 17,64 2 3,92 11 21,56
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201076
pelos participantes investigados, observando que a maioria 
pratica exercício físico acima de 1 hora, sendo que apenas 18 
(35,29), usam os repositores hidroeletrolíticos, como pode 
ser evidenciado na Figura 1.
Figura 1 - Frequência de consumo de repositores hidroeletrolíticos 
nos praticantes de exercício físico. Araçatuba, 2008. 
Figura 2 - Indicação de repositores hidroeletrolíticos em prati-
cantes de exercício físico. Araçatuba, 2008.
62,74
1,96
35,29
0
10
20
30
40
50
60
70
Sim Não Ignorado
Pe
rc
en
tu
al
 (%
)
Para Drumond [12], o nível de conhecimento sobre hidra-
tação e sua prática entre atletas do Olímpico Club, da cidade 
de Belo Horizonte/MG, foi pequeno e pode-se observar que 
o consumo de repositores hidroeletrolíticos foi relativamente 
baixo, assim como nossos dados encontrados. Segundo Brito 
[13], avaliando atletas da modalidade de judô, constatou que 
a maioria ainda não tem nenhum tipo de orientação sobre 
a maneira correta de se hidratarem. O consumo de água é 
predominante para a hidratação da maioria dos atletas, ape-
sar da importância dos repositores hidroeletrolíticos que são 
pouco utilizados por estes.
No que concerne à prescrição ou recomendação, houve 
semelhança em autoindicação e orientação de personal trainer 
quanto aos repositores hidroeletrolíticos, sendo 44,44% cada. 
A prescrição do nutricionista foi relatada por apenas um in-
divíduo e não houve relato de prescrição médica (Figura 2).
Tabela III - Período de ingestão, frequência e volume de repositores hidroeletrolíticos. Araçatuba, 2008.
Variáveis investigadas Masculino Feminino Total
n % n % n %
Período de ingestão
Antes - - - - - -
Durante 4 22,22 - - 4 22,22
Após 7 38,38 2 11,11 9 49,49
Antes, durante e após 3 16,66 - - 3 16,66
Antes e após 1 5,55 - - 1 5,55
Durante e após 1 5,55 - - 1 5,55
Freqüência
Diário 6 33,33 - - 6 33,33
Semanal 3 16,66 2 11,11 5 27,77
Quinzenal - - - - - -
Raro 7 38,88 - - 7 38,88
Volume
300ml 15 83,83 2 11,11 17 94,94
300 a 700ml 1 5,55 - - 1 5,55
44,44% 44,44%
5,55% 5,55%
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
Auto
indicação
Personal Nutricionista Amigos
Pe
rc
en
tu
al
 (%
)
Alguns autores indicam que é relevante prescrever bebidas 
adequadas aos praticantes de exercício físico [11]. Igualmente 
importante seria trabalhar a educação dos técnicos, treinado-
res, parentes e praticantes de exercício físico a respeito dos 
benefícios da hidratação adequada e dos repositores hidroele-
trolíticos, estimular programas de hidratação e pesá-los antes e 
após o treinamento. A freqüência no consumo dos repositores 
hidroeletrolíticos foi investigada em consumo raro, diário e 
semanal. A freqüência rara foi a mais relatada, com preferência 
do uso após a prática do exercício físico, com volume médio 
ingerido de 300 ml, como demonstra a tabela III.
Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte – 
ACSM [13], a estratégia mais correta de hidratação é aquela 
realizada antes, durante e após o exercício realizado, pois a 
hidratação antes do exercício objetiva potencializar as reservas 
líquidas, e qualquer défi cit de líquido pode comprometer a 
termorregulação; a hidratação durante o exercício visa tentar 
equilibrar a perda de líquido diminuindo as possibilidades 
de lesão térmica e exaustão prematura; já a reposição hídrica 
após o exercício tem por objetivo restaurar os estoques hídricos 
77Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
corporais, deixando o indivíduo em condições adequadas para 
iniciar nova atividade sem comprometimento de desempenho 
decorrente de desidratação. Nossos achados demonstram que 
a ingestão dos repositores hidroeletrolíticos após o exercício 
atendeu as recomendações do ACSM [13].
A desidratação durante o trabalho físico causa alterações 
signifi cativas das funções corporais em nível cardiovascular, 
termorregulador, metabólico e endócrino. Estes efeitos são 
observados não somente quando ocorre uma desidratação com 
a realização de trabalho físico intenso, como também, quando 
iniciada uma tarefa motora em condições de hipohidratação 
e/ou défi cit hídrico. Contudo, com a ingestão de volumes de 
líquidos que contenham os equivalentes das perdas de água e 
nutrientes perdidos com a sudorese, previne-se a desidratação 
e alterações funcionais no organismo [14].
Conclusão
A frequência no consumo de repositores hidroeletrolíticos 
foi baixa, encontrada apenas em 18 (35,29%) dos investiga-
dos, com prevalência na população adulta, jovem, masculina 
e alto poder aquisitivo.
O consumo de repositores hidroeletrolíticos não foi 
evidenciado em todos os praticantes de exercício físico que 
necessitavam destes produtos, podendo contribuir para uma 
signifi cativa piora na performance, na saúde e na qualidade 
de vida da população investigada.
Há a necessidade da inserção de profi ssionais especiali-
zados na área esportiva, como médicos e nutricionistas do 
esporte, a fi m de que se faça a prescrição adequada dos repo-
sitores hidroeletrolíticos, assim como estimular programas 
de hidratação, além de trabalhar a educação de técnicos, 
treinadores e toda a população envolvida na vida do praticante 
de exercício físico.
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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201078
Artigo original
Efeitos de 11 semanas de diferentes tipos
de treinamento de força sobre a massa óssea 
de jovens do sexo masculino
Effects of an eleven week period of different types of strength training 
upon young men bone mass
Débora Wagner*, Roger Dahlke*, Luana Carvalho Picolini**, Rodrigo Ghedini Gehler**, Patrícia Somavilla**, 
Daniela Lopes dos Santos*** 
*Graduados em Educação Física pela UFSM, **Especializandos em Atividade Física, Desempenho Motor e Saúde/UFSM, ***Pro-
fessora Associada do Departamento de Métodos e Técnicas Desportivas do Centro de Educação Física e Desportos da UFSM
Resumo 
Exercícios físicos, como o treinamento de força, podem evitar 
o aparecimento da osteoporose, aumentando a densidade mineral 
óssea. Objetivou-se verifi car o comportamento da densidade mi-
neral óssea de homens submetidos aos treinamentos musculares 
de hipertrofi a e resistência muscular localizada. Participaram do 
estudo 8 sujeitos (23 anos ± 2,82) que realizaram o treinamento de 
hipertrofi a e 8 (20 anos ± 0,81) que desenvolveram o de resistência 
muscular localizada durante 11 semanas. A densidade mineral óssea 
foi avaliada através da densitometria óssea. Observou-se que no 
grupo de hipertrofi a, 4 sujeitos aumentaram sua densidade mineral 
óssea quando os valores pré e pós-treinamento foram comparados, 
porém não de maneira estatisticamente signifi cativa. No treinamento 
de resistência muscular localizada obteve-se um resultado similar, 
pois 7 sujeitos aumentaram sua densidade mineral óssea, mas não 
de forma signifi cativa. Os 5 sujeitos restantes apresentaram uma leve 
redução nos seus valores densidade mineral óssea, sendo que 1 deles 
participou do grupo de resistência muscular localizada e 4 do grupo 
de hipertrofi a. Realizando-se uma comparação entre os valores pré 
e pós-treinamento dos grupos de hipertrofi a e resistência muscular 
localizada não se constatou diferenças estatisticamente signifi cativas. 
Justifi ca-se o fato do leve aumento ocorrido não ter sido signifi cativo 
ao curto período de treinamento. 
Palavras-chave: treinamento muscular, densidade mineral óssea, 
homens, osteoporose.
Abstract 
Physical exercises such as strength training (ST) may avoid os-
teoporosis, increasing bone mineral density (BMD). Th e purpose of 
this study was to verify the BMD of men submitted to hypertrophy 
muscle training and muscle resistance training. Eight subjects (23 
± 2.82 years old) participated in the hypertrophy training (HT) 
group and 8 subjects (20 ± 0.81 years old) in the muscle resistance 
training (MRT) group during 11 weeks. Th e BMD was evaluated 
with bone densitometry. It was observed that in the HT group, four 
subjects increased their BMD when pre and post training values 
were compared, but not in a statistically signifi cant manner. In 
the MRT group a similar result was obtained, since seven subjects 
increased their BMD, but not in a statistically signifi cant manner. 
Th e fi ve other subjects presented a light reduction in their BMD 
values, observing that one of them participated in the MRT group 
and the other four in the HT group. When comparing pre and post 
training values in both groups there was no statistically signifi cant 
diff erence. Th ese results are justifi ed by the short training period.
Key-words: muscle training, bone mineral density, men, 
osteoporosis.
Recebido 10 de fevereiro de 2010; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Daniela Lopes dos Santos, Avenida Presidente Vargas, 1635/303, Centro 97015-511 Santa Maria 
RS, E-mail: danielals@brturbo.com.br
79Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Introdução
A osteoporose, caracterizada por uma baixa massa óssea 
e um aumento no risco de fraturas é mais frequente em 
mulheres, porém, também pode ocorrer em homens, sendo 
que 20% da osteoporose e um terço das fraturas [1] ocorrem 
neste público. Estudos mencionam que homens possuem 
uma densidade mineral óssea (DMO) aproximadamente 
15% mais alta [2]. 
Uma das formas de prevenir a perda exagerada da massa 
óssea é através do treinamento de força. Atividades como 
esta causam estímulos osteogênicos devido ao aumento do 
stress mecânico nos ossos. Entretanto, o processo fi siológico 
responsável por este esforço não é claramente explicado, mas 
sugere-se que seja o efeito piezoelétrico ósseo. A presença 
de sinais bioquímicos parece refl etir um campo elétrico de-
corrente da sobrecarga aplicada [3]. Essa teoria se aplica às 
deformações ósseas causadas por compressão, tensão, torção 
ou cisalhamento. Essas ações mecânicas geram diferença no 
potencial elétrico dos ossos, que agem como um campo elé-
trico, estimulador da atividade celular, levando a deposição 
de minerais nos locais de stress [3]. 
O período de treinamento também tem se apresentado 
como fator determinante para mudanças signifi cativas na 
massa óssea, além da intensidade, volume ou tipo de contra-
ção envolvido no treinamento de força. Analisando alguns 
estudos, percebe-se que o tempo de treinamento varia desde 
semanas até meses ou anos. Menkes et al. [3] estudaram 
homens durante 16 semanas utilizando o treinamento de 
força com série decrescente. Outro estudo avaliou mulheres 
pós-menopausa durante 2 anos [4]. Apesar dessa grande 
variação de períodos, não foram encontrados estudos que 
avaliassem a massa óssea durante um tempo inferior a 16 
semanas, sendo que muitos avaliaram a massa óssea em 
períodos maiores (24 semanas) [5,6]. A maioria dos estudos 
utiliza como amostras mulheres pré ou pós-menopáusicas 
[4-6], homens adultos mais velhos [3] e meninos pré-púberes 
[7,8]. O foco em relação à massa óssea de adultos jovens do 
sexo masculino tem sido baixo, principalmente em relação ao 
treinamento de força. Mesmo que na faixa etária entre 20 e 
30 anos ocorra uma estabilização da massa óssea [9], não se 
pode afi rmar que as pessoas desta idade não possam ser aco-
metidas pela osteopenia. Como a osteoporose relaciona-se ao 
histórico de atividade física, vida sedentária e alimentação 
inadequada (pobre em cálcio), ela pode gerar até mesmo 
nesta faixa etária, ossos fracos e frágeis. Desta forma, este 
estudo justifi cou-se pela importância em ampliar o número 
de estudos que se referem ao público masculino jovem en-
volvendo treinamentos musculares específi cos, como uma 
forma de prevenir a osteoporose. Objetivou-se verificar se 
ocorrem alterações na massa óssea através do treinamento 
de hipertrofi a e resistência muscular localizada durante 11 
semanas em homens de 18 a 30 anos. 
Materiais e métodos
Grupo de estudo
Fizeram parte deste estudo 16 adultos jovens (18 a 30 
anos) saudáveis do sexo masculino. Os sujeitos foram sele-
cionados através de uma análise de seu histórico de atividade 
física, pois foram adotados critérios de inclusão como nunca 
ter praticado musculação e ser sedentário.
Os 16 participantes do estudo foram divididos em 2 gru-
pos. O primeiro grupo, contendo 8 participantes, realizou o 
treinamento de hipertrofi a e o segundo grupo, também com 
8 sujeitos, desenvolveu o treinamento de resistência muscular 
localizada. Os sujeitos tiveram a liberdade de escolher qual 
treinamento gostariam de desenvolver, a fi m de evitar a de-
sistência dos mesmos. 
Todos os voluntários foram informados a respeito do ob-
jetivo e dos procedimentos a serem adotados para a realização 
deste estudo, assinando o Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de 
Ética da UFSM sob o CAAE 0091.0.243.000-06 e seguiu 
todos os preceitos da Resolução 196/96 do CNS.
Caracterização dos treinamentos musculares
Os indivíduos realizaram um período de adaptação com 
duração de 2 semanas, com uma frequência de 3 vezes sema-
nais e o mesmo número de séries, repetições e exercícios para 
ambos os grupos de treinamento (hipertrofi a e resistência 
muscular localizada). 
Os treinamentos musculares de hipertrofi a (HIP) e re-
sistência muscular localizada (RML) foram desenvolvidos 
durante 9 semanas, adotando-se uma frequência de 3 vezes 
semanais. O treinamento de HIP consistiu de 3 séries de 10 
repetições a 75% de 1 repetição máxima (1RM), e os exercí-
cios foram concentrados por segmento muscular, adotando-se 
a inclusão de um exercício por grupo muscular, com exceção 
dos grandes grupamentos, nos quais adotou-se dois exercícios 
por grupo muscular. O treinamento de RML consistiu de 3 
séries com 20 repetições a 60% de 1 RM com os exercícios 
também concentrados por segmento muscular. Seguiu-se o 
mesmo procedimento adotado no treinamento de HIP para a 
quantifi cação numérica de exercícios por grupo muscular [8]. 
O tempo de intervalo entre os exercícios para o treinamen-
to de HIP foi de 1 minuto e 30 segundos e entre as séries foi de 
1 minuto. Para o treinamento de RML adotou-se um tempo 
de intervalo entre os exercícios de 1 minuto e 30 segundos e 
entre as séries, de 45 segundos. 
Antes de iniciar os treinamentos foram realizados testes de 
1 RM em todos os exercícios que seriam efetuados no progra-
ma de treinamento. Como a fase de adaptação ocorreu antes 
dos testes de 1 RM, os sujeitos estavam familiarizados com 
os exercícios. Para a realização dos testes de 1RM seguiu-se o 
protocolo estabelecido por Moura et al. [10].
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201080
Mensuração da massa óssea
Para verifi cação da massa óssea pré e pós-treinamento foi 
realizada a densitometria óssea através do aparelho de Raio-X 
de Dupla Energia (DEXA), que não requer nenhum esforço 
por parte dos avaliados. Foi avaliada a massa óssea de todo o 
corpo, sendo que a DMO foi obtida através da razão entre 
conteúdo mineral ósseo (em g) e área do osso (em cm2).
Análise estatística
Foi empregada uma análise estatística descritiva através da 
média e desvio padrão. Aplicou-se o teste de Shapiro-Wilk 
para verifi cação da normalidade e o teste “t” de Student para 
amostras dependentes para a comparação dos valores da 
massa óssea pré e pós-treinamento. Foi realizada inicialmente 
uma análise exploratória dos dados sendo que não foram 
apresentados desvios de normalidade. Foi adotado um nível 
de signifi cância de 5%.
Resultados
A Tabela I apresenta as características descritivas da 
amostra.
A Tabela II apresenta os valores pré e pós-treinamento da 
densidade mineral óssea (DMO) dos sujeitos que desenvol-
veram o treinamento de hipertrofi a.
Observa-se que não houve alterações estatisticamente 
signifi cativas entre os valores pré e pós-treinamento da DMO 
dos sujeitos que desenvolveram o treinamento de HIP. Po-
rém, analisando-se cada resultado isoladamente, verifi cou-se 
que 4 sujeitos aumentaram sua DMO após 11 semanas de 
treinamento.
A Tabela III apresenta os valores pré e pós-treinamento 
da DMO dos sujeitos que desenvolveram o treinamento de 
RML.
Constata-se que não houve diferença estatisticamente 
signifi cativa entre os valores pré e pós-treinamento da DMO 
dos sujeitos que desenvolveram o treinamento de RML. Po-
Tabela I - Características descritivas da amostra (Média ± DP).
Variável Pré-treinamento HIP Pós-treinamento HIP Pré-treinamento RML Pós-treinamento RML
Idade 23 ± 2,82 23 ± 2,82 20 ± 0,81 20 ± 0,81
Estatura (cm) 176 ± 7,45 176 ± 7,45 173 ± 7,25 173 ± 7,25
MCT (kg) 74,81 ± 12,94 73,75 ± 11,96 68,13 ± 9,21 68,81 ± 9,66
MM (kg) 58,9 ± 8,24 58,9 ± 8,55 54,25 ± 6,16 55,29 ± 6
MG (kg) 11,14 ± 4,19 10,01 ± 3,12 9,27 ± 4,20 9,14 ± 4,44
MCT = massa corporal total; MM = massa magra; MG = massa gorda
Tabela II - Valores da DMO pré e pós-treinamento de hipertrofi a.
Sujeitos Área (cm2) pré Área (cm2) pós CMO (g) pré CMO (g) pós DMO total pré 
(g/cm2)
DMO total pós 
(g/cm2)
1 1990,37 2103,42 2318,31 2436,57 1165 1158
2 2072,30 2080,97 2297,35 2298,10 1109 1104
3 1960,83 1995,49 2238,00 2270,79 1141 1138
4 2512,29 2543,01 3440,48 3469,02 1369 1364
5 2373,64 2310,22 3144,99 3182,36 1325 1378
6 2226,71 2225,92 2651,58 2676,21 1191 1202
7 2500,87 2513,47 3191,45 3261,78 1276 1298
8 2372,45 2405,15 3012,91 3135,52 1270 1304
CMO = conteúdo mineral ósseo, DMO = densidade mineral óssea; p < 0,05.
Tabela III - Valores da DMO pré e pós-treinamento de RML.
Sujeitos Área (cm2) pré Área (cm2) pós CMO (g) pré CMO (g) pós DMO total pré 
(g/cm2)
DMO total pós 
(g/cm2)
1 2218,44 2181,81 3167,80 3064,87 1428 1405
2 2298,80 2248,38 2896,03 2853,06 1260 1269
3 2233,41 2206,62 2693,00 2662,59 1206 1207
4 2118,00 2112,48 2284,37 2282,79 1079 1081
5 2059,70 2091,21 2385,52 2505,86 1158 1198
6 2550,50 2604,46 3165,49 3263,85 1241 1253
7 2028,19 1952,16 2269,78 2241,62 1119 1148
8 2091,21 2024,25 2495,97 2482,77 1194 1227
CMO= conteúdo mineral ósseo, DMO= densidade mineral óssea; p < 0,05.
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rém, analisando-se cada resultado isoladamente, verifi cou-se 
que 7 sujeitos aumentaram sua DMO após 11 semanas de 
treinamento. 
A Figura 1 mostra a comparação entre os valores da DMO 
dos sujeitos que realizaram o treinamento de HIP e RML.
Figura I - Comparação da DMO dos sujeitos que realizaram HIP 
e RML.
Quanto maior a carga, maior o estímulo fornecido ao 
osso, pois maior será o impacto sobre o mesmo. Este fato não 
foi evidenciado neste estudo, pois observou-se que o maior 
número de sujeitos que apresentaram aumento na DMO foi 
no grupo de RML, ou seja, no treinamento que apresentou 
menor intensidade. Bemben e cols. [6] não encontraram 
aumentos na massa óssea de mulheres após 24 semanas 
de treinamento de força a 40% de 1 RM e 80% de 1 RM. 
Este estudo usou uma porcentagem similar (75%) a usada 
por Bemben e cols. [6] e também não encontrou mudanças 
signifi cativas após 11 semanas de treinamento. 
Pelo fato de ocorrer uma estabilização da massa óssea 
no período de 20 a 30 anos, período em que a aquisição do 
pico da massa óssea já pode ter sido atingida [9], parece mais 
difícil a infl uência da atividade física sobre o metabolismo 
ósseo para gerar mudanças signifi cativas. Isso provavelmente 
explica o baixo número de estudos envolvendo homens jovens 
com idades entre 20 e 30 anos. Outro fator que pode explicar 
os resultados deste estudo é o tempo do ciclode formação e 
reabsorção óssea, pois segundo Bemben e cols.[6], o proces-
so de remodelação do tecido ósseo ocorre ao longo da vida 
em ciclos que duram de 4 a 6 meses. Então, se a atividade 
for desenvolvida dentro desse ciclo de remodelação, podem 
ocorrer alterações positivas e signifi cativas na massa óssea. 
Dessa forma, pode-se dizer que um período de 11 semanas 
não é sufi ciente para provocar alterações signifi cativas e pode 
explicar porque vários estudos realizados com períodos de 
treinamento acima de 16 semanas obtiveram aumento na 
DMO [3,5]. Entretanto, este fato não pode ser adotado como 
justifi cativa principal, pois outros estudos [6,13] adotaram um 
tempo de treinamento igual ou superior a 4-6 meses e mesmo 
assim não encontraram respostas satisfatórias.
Conclusão
De acordo com os resultados obtidos, um período de 11 
semanas não é sufi ciente para alterar signifi cativamente a 
densidade mineral óssea de sujeitos jovens e sedentários do 
sexo masculino. 
O presente estudo contou com algumas limitações, como 
o pequeno número de participantes em cada grupo e a falta de 
controle da alimentação dos participantes a fi m de determinar 
a ingestão de cálcio e qualidade da alimentação.
Agradecimentos
Os membros deste estudo agradecem ao CNPq/ Pibic 
pela concessão da bolsa de Iniciação Científi ca, ao colega Luis 
Felipe Schedler dos Santos, pelo apoio e disponibilidade na 
realização desde estudo e ao Instituto de Densitometria Óssea 
de Santa Maria, RS por facilitar a realização dos exames de 
Densitometria Óssea. 
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
Pré Pós Pré Pós
Hipertrofia RML
Discussão
Com base nos resultados verifi cou-se que não ocorreram 
alterações signifi cativas na massa óssea de adultos jovens do 
sexo masculino após 11 semanas de treinamento de hipertrofi a 
ou resistência muscular localizada. Observou-se que 4 sujeitos 
do grupo de HIP aumentaram sua DMO após o período de 
treinamento, mas não de forma estatisticamente signifi cati-
va. Observou-se também, que 7 sujeitos do grupo de RML 
aumentaram sua DMO, mas não de forma estatisticamente 
signifi cativa. Estes pequenos aumentos observados podem 
ser devido à aplicação de forças com intensidade acima da 
habitual e que forneceram estímulos adequados ao osso, pois 
o aumento na carga e consequentemente aumento na força 
dos músculos podem induzir uma estimulação mecânica 
mais intensa aos ossos [8]. Mesmo com aumentos pequenos 
sugere-se uma alta redução no risco de fraturas do quadril em 
adultos mais velhos [11]. Apesar de não terem sido encon-
tradas alterações signifi cativas no período de tempo utilizado 
neste estudo, o mesmo pretendeu avaliar um período de 
tempo diferente dos que geralmente são utilizados em outros 
estudos (16 semanas, 24 semanas, 1 ano ou mais). Vários são 
os estudos [3,5,6] que modifi caram a metodologia do pro-
grama de treinamento de força, porém mantiveram períodos 
de treinamento semelhantes a outros estudos já publicados. 
O efeito osteogênico decorrente da atividade física requer 
um alto nível de treinamento, com grande volume e intensida-
de [12]. Este estudo adotou um percentual de intensidade de 
75% para o grupo de HIP e 60% para o RML, considerados 
como de intensidades moderada-alta e o volume de treina-
mento foi considerado sufi ciente, levando-se em consideração 
a utilização de uma amostra sedentária. Desta forma, pode-se 
dizer que a falta de mudanças signifi cativas na massa óssea 
é devido ao curto período de execução dos treinamentos 
musculares e não devido ao volume utilizado. 
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201082
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83Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 2010
Artigo original
Cinesioterapia laboral aplicada a servidores 
do judiciário de Poços de Caldas/MG
Labor kinesiotherapy applied to civil servants of the judiciary 
of Poços de Caldas/MG
Keruline de Oliveira Moreira*, Tatiana Rodrigues Martins*, Marina Aparecida Gonçalves Pereira**
*Acadêmicas do Curso de Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais campus Poços de Caldas, **Orientadora 
e Professora do Curso de Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais campus Poços de Caldas
Resumo
A cinesioterapia laboral é um conjunto de exercícios realiza-
dos no local de trabalho durante sua jornada, gerando benefícios 
fi siológicos, psicológicos e sociais para o trabalhador, afetando 
diretamente a empresa através da maior produtividade e conse-
quentemente, maior lucro. O presente estudo teve como objetivo 
verifi car o impacto do trabalho para risco de DORT/LER, assim 
como a qualidade de vida dos servidores e funcionários do judiciário 
de Poços de Caldas/MG antes e após aplicação da cinesioterapia 
laboral. Utilizou-se de 03 questionários: Médico, SF-36 e Wiscon-
sin. Foram selecionados 16 trabalhadores pertencentes ao grupo de 
risco, porém, apenas 6 funcionárias com média de idade de 42,8 
anos concluíram o estudo. Pelos resultados, 83% das trabalhadoras 
se encontravam com o peso dentro da normalidade e 17% acima 
do ideal. No SF-36, os domínios aspecto social (p = 0,008) e saúde 
mental (p = 0,04) foram estatisticamente signifi cativos, enquanto 
que os outros domínios não foram estatisticamente signifi cativos (p > 
0,05). Os segmentos corporais mais acometidos pela dore descritos 
pelas trabalhadoras foram nos membros superiores com 31%, coluna 
cervical e lombo-sacra com 22%. No questionário de Wisconsin, 
apenas duas variáveis não foram estatisticamente signifi cativas, sendo 
estas a dor atual com (p = 0,058) e o relacionamento com as pessoas 
(p = 0,098). Conclui-se que a aplicação da cinesioterapia laboral 
de forma isolada demonstrou resultados signifi cativos sobre o risco 
de DORT/LER, assim como sobre a qualidade de vida, no entanto 
torna-se necessário uma análise mais aprofundada que identifi que 
as reais necessidades em relação à saúde, segurança e ergonomia dos 
servidores e funcionários do referido Fórum. 
Palavras-chave: cinesioterapia laboral, transtornos traumáticos 
cumulativos, dor, saúde do trabalhador, qualidade de vida.
Abstract
Th e labor kinesiotherapy consists of a group of exercises per-
formed in the work place during working hours, providing phy-
siological, psychological and social benefi ts to the worker, aff ecting 
directly the company by a major productivity and, consequently, a 
major profi t. Th e aim of this study was to verify the work impact 
for cumulative trauma disorders risk, and also, the civil servants 
and employees quality of life of the judiciary of Poços de Caldas/
MG before and after the application of labor kinesiotherapy. Th ree 
questionnaires were used: Medical, SF-36 and Wisconsin. Sixteen 
workers belonging to a risk group were selected, but, just 6 em-
ployees, average 42.8 years old, concluded the research. 83% of 
the workers had normal weight and 17% were overweighted. In the 
SF-36 questionnaire, the social aspect (p = 0.008) and mental health 
(p = 0.04) domains were statistically signifi cant (p > 0.05). Th e body 
segments most aff ected by pain and described by the workers were 
the superior limbs (31%), cervical and lumbosacral spine (22%). In 
the Wisconsin, just 2 variables were not statistically signifi cant, being 
them actual pain (p = 0.058) and relationship with other people (p = 
0,098). It is concluded that the application of labor kinesiotherapy 
in an isolated way demonstrated signifi cant outcomes about the 
cumulative trauma disorders risk, as well as about the quality of 
life, but its necessary a deeper analysis to identify the real needs of 
health, security and ergonomics of the civil servants and employees 
of the referred tribunal.
Key-words: labor kinesiotherapy, cumulative trauma disorders, 
pain, occupational health, quality of life.
Recebido 7 de janeiro de 2010; aceito 15 de abril de 2010.
Endereço para correspondência: Tatiana Rodrigues Martins, Av. São Francisco, 886 Centro 39270-000 Pirapora MG, Tel: (38) 3741-
7841, E-mail: tatianarmartins@yahoo.com.br
Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 9 Número 2 - abril/junho 201084
Introdução
As doenças de origem ocupacional começaram a ser diag-
nosticadas em 1700, na Itália, por Bernardino Ramazzini, o 
pai da medicina do trabalho. Porém, no Brasil, somente em 
1987 o INSS as reconheceu como doença desta natureza 
[1]. No entanto, os cuidados com a saúde dos trabalhadores 
eram praticamente inexistentes e o número de indivíduos 
portadores de lesões oriundas do trabalho aumentou consi-
deravelmente desde aquela época. Atualmente é reconhecida 
por Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho 
(DORT) ou Lesões por Esforços Repetitivos (LER) [2].
Os DORT/LER são afecções relacionadas às atividades 
laborativas diárias e/ou profi ssionais, associadas às repetições 
diversas, como as de movimentos bruscos, ou não, com in-
terrupções súbitas, esforço físico com grau alterado de força 
exigida, pressão mecânica constante sobre determinados 
segmentos corporais e predisposição individual [3].
Os fatores que podem provocar o aparecimento das 
DORT/LER são classifi cados em específi cos como trauma-
tismos anteriores, hormonais, psicológicos e congênitos ou 
gerais, incluindo os projetos de trabalho não adequados, que 
determinam sobrecarga muscular; o tipo de tarefa com mo-
vimentos rápidos e repetitivos de antebraço, punho, mãos e 
dedos; instrumento de trabalho inadequado facilitando desvio 
ulnar e supinação do punho; ambiente de trabalho impróprio 
como má iluminação, ruído excessivo; sobrecarga de trabalho 
com falta de períodos de descanso e frequentes horas extras; 
rotina de produção de alta exigência; competição e mau 
relacionamento entre os colegas; medo do desemprego [4,5].
Dentre as afecções relacionadas ao DORT podemos des-
tacar tenossinovites, síndrome do túnel do carpo, tendinite, 
epicondilite, bursite, miosite, síndrome cervicobraquial, sín-
drome do desfi ladeiro torácico, ombro doloroso, lombalgia e 
outras patologias associadas à fadiga muscular principalmente 
de ombro e pescoço [6]. As estruturas mais comprometidas 
são tendões, sinovias, músculos, nervos, fáscias e ligamentos, 
associadas ou isoladas a degeneração dos tecidos [7,8]. Os 
sinais e sintomas frequentemente encontrados são a perda 
de força, diminuição do trofi smo (hipotrofi a), alterações 
sensitivas (parestesias e adormecimentos); dor; diminuição de 
morbidade, perda da função [9]. Considerando a importância 
da dor no diagnóstico, e decorrentes condutas nas lesões mus-
culoesqueléticas, parece pertinente avaliar, comparativamente, 
a capacidade para o trabalho e o impacto da severidade da 
dor nos trabalhadores do grupo de risco [10].
Com a instalação da sintomatologia surgem as incapa-
cidades como a diminuição da destreza manual, sentida na 
digitação e na escrita, difi culdade de pegar, segurar e manusear 
pequenos objetos como lápis e talheres, difi culdade para man-
ter os membros superiores elevados, como estender roupa no 
varal, segurar-se em ônibus ou metrô, pentear os cabelos entre 
outros [11]. O acometimento somente do membro superior 
dominante pode existir, mas é frequente o acometimento de 
ambos os membros. É comum observar pacientes poupando 
o membro superior acometido, com receio de que a dor 
aumente ou de que seu quadro se agrave. O uso exagerado 
do membro contralateral para a realização das atividades 
cotidianas pode, então, contribuir para o aparecimento dos 
sintomas nesse lado [12].
A frequência de comprometimento dos trabalhadores pela 
doença ocupacional provoca o aumento da taxa de absenteísmo 
e rotatividade por afastamento, custos elevados com assistência 
médica e indenizações, gastos com recrutamento e nova sele-
ção de pessoal provocando nas empresas redução dos níveis 
de produtividade e, consequentemente, diminuição de lucros 
[13,14]. Entretanto, caso o comprometimento ocorra em um 
setor específi co da empresa, este deve ser objeto de análise dos 
aspectos biomecânicos, ergonômicos, físicos e de acidentes [15]. 
Neste sentido, medidas abrangentes devem ser tomadas tanto 
a nível preventivo quanto curativo daqueles que já adoeceram, 
objetivando a recuperação rápida das queixas evitando-se 
assim o crescimento acelerado da morbidade [16]. O avanço 
tecnológico infl uencia os hábitos de vida e de trabalho das 
pessoas principalmente em países industrializados provocando 
alterações na qualidade de vida dos mesmos [7,17]. Com isto 
são criados programas de qualidade de vida no trabalho que 
visam satisfazer as necessidades individuais dos trabalhadores 
tanto no trabalho quanto nas atividades diárias [18]. 
Dentre estes programas pode-se citar a implantação e a 
prática regular de realização da cinesioterapia laboral antes, 
durante e após as atividades laborais [19]. Utiliza de meto-
dologia simples e de fácil realização aplicada por profi ssional 
técnico habilitado ou por facilitador treinado pelo mesmo. 
Tendo como principal função melhorar a qualidade de vida 
do trabalhador através da melhora da consciência corporal que 
favorece a aquisição de posturas ocupacionais mais corretas e 
com maior conforto [20].
Os primeiros

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