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OPERAÇÕES BÁSICAS NO PROCESSAMENTO DE FRUTAS Prof. Dra Geovana Rocha Plácido Introdução Sucesso na produção e conservação de produtos derivados de frutas – matéria prima de qualidade e cuidados do processamento ao produto final Produto de qualidade – manutenção das características nutricionais e sensoriais o conhecimento das operações básicas de processamento são importantes para a manutenção da qualidade dos produtos e prolongamento da vida útil Lavagem dos frutos Lavagem por imersão: Método preliminar, antes da aplicação de outros,pois não produz um efeito bom para a retirada das sujidades existentes água quente – aumenta a capacidade de solubilizar mudança da água se faz necessário água deve ser clorada Tanques – podem ser de cimento ou aço inoxidável e devem possuir uma saída no fundo para eliminação das sujidades Lavagem por agitação: melhora o processo de lavagem por imersão – facilitam a remoção de sujeiras que ficam fortemente aderidas agitação – meios mecânicos (pás ou hélices) ou ar comprimido (+ indicado) tambores rotativos – não danificam os frutos Lavagem por sprays ou aspersão: mais eficiente em produtos com elevada contaminação com solo e outros materiais a eficiência depende da pressão da água, do seu volume, da temperatura, da distância do bico do spray para o produto que está sendo lavado e do tempo de exposição do produto ao jato d’água e do nº de jatos. O spray pode causar danos mecânicos em alguns frutos de textura mais sensível A lavagem por spray só é eficiente quando o jato atinge todo o fruto Lavador de tambor com aspersão Tubo perfurado para aspersão da água Descascamento Remove material indesejado e não comestível Melhora a aparência do produto final Pode ser feito por descasque manual e ou descasque mecânico Descasque manual Pouco usado – feito com facas de aço inoxidável Melhor resultado e bom rendimento Descasque mecânico usado para um ou dois tipos de frutos, pois é projetado segundo o contorno dos frutos resultado de pesquisas e desenvolvimento tecnológico corte da casca ou pele – o fruto gira e uma faca que se apóia sobre ele percorre toda a sua superfície (Ex. abacaxi) Raspagem da casca ou pele – feito com o auxílio de abrasivos. É o mais utilizado a)Peladoras descontínuas Usado para laranja Peladoras descontínuas Cilindro vertical com um disco giratório na base confeccionado de material abrasivo (carborundo). A força centrífuga joga os frutos contra a parede Melhor resultado em produto uniforme e esférico, sem defeito na casca b) Peladoras contínuas 4 seções com 4 discos revestidos com carborundo em cada seção, há aspersores os discos estão conectados aos pares, com movimento separado, dessa forma os frutos giram em um sentido e depois no sentido contrário na primeira seção é feito o descascamento mais rápido e grosseiro e na última seção é feito o acabamento usado para frutos de textura firme Remoção da casca por abrasão Água reduz a fricção e arrasta as cascas Peladoras – discos com carborundo Métodos físicos de descasque são métodos utilizados para preparar o descascamento, em seguida é preciso retirar a casca Uso de calor seco – ar com umidade muito baixa, que até podem provocar rachaduras nos frutos Uso de calor úmido – amolecem a superfície do fruto, deixando-o mais elástico Tratamento pelo frio – permitem a retirada da película do fruto sem que ocorra extravasamento de líquidos celulares Métodos químicos de descasque consiste na remoção da casca dos frutos pela imersão por uma solução de hidróxido de sódio de concentração de 0,5 a 2% as substâncias pécticas são solúveis em solução de hidróxido de sódio é economicamente mais barato perda pequena ou desprezível porção de polpa promove descascamento uniforme permite trabalhar grande quantidade de fruto reduz mão de obra Descascamento por meio de soda Descascamento com tratamento de soda e vapor Descascamento convencional Descascamento por meio de soda Tratamento com solução de NaOH a 1-2% O estado de maturação é muito importante. Em frutos verdes, a casca não é eliminada, e em muito maduros, retira-se muita polpa e com isso diminui o rendimento e a qualidade Trabalha-se com 3 parâmetros: a temperatura, o tempo e a concentração de NaOH B) Descascamento por tratamento com soda e vapor Procedimento eficiente e de baixo custo Regula-se a entrada e saída de NaOH para manter a concentração adequada As frutas são lavadas ou podem sofrer tratamento com vapor. Em seguida, as frutas são lavadas novamente A eliminação do NaOH é favorecida agregando-se ácido cítrico Este tratamento pode ser combinado com abrasivos C) Descascamento convencional As frutas são submetidas a NaOH mediante aspersores Na seção de retenção ocorre a absorção do NaOH A remoção da casca é feito com jatos d’água Promove grande quantidade de resíduos líquidos As cascas podem ser removidas a seco, utilizando-se discos rugosos, que podem ser mais danosos aos frutos Na etapa final, as frutas são lavadas com água Descascamento convencional Descascamento a seco por soda Corte Objetivos: A) obter pedaços de tamanho uniforme, B) propiciar aspecto mais atrativo ao consumidor, C) Assegurar tratamento térmico mais eficiente D) Propiciar melhor acomodação dos pedaços na embalagem, E) Assegurar equilíbrio líquido-fruta → as frutas são cortadas de acordo com o tipo da fruta e embalagem. Algumas frutas são armazenadas inteiras. Tipos de corte: Inteiro – Ex: manga e abacaxi (com o miolo removido) Tidbitis – pedaços uniformes com dimensões de 8 a 12mm de espessura. Ex: abacaxi e goiaba Metades: Ex: goiaba (elimina-se o caroço ou as sementes) Quartos: frutos cortados em 4 partes iguais, sem caroços e ou sementes Pedaços irregulares – frutos com formas e tamanhos irregulares, isentos de caroços ou sementes. Ex: abacaxi, goiaba e manga Fatias. Ex: manga, mamão e abacaxi. São feitos acertos na base superior e inferior e nas laterais para que se tenha uniformidade das fatias. Branqueamento etapa de pré-tratamento, geralmente realizada entre o preparo do material bruto e o processamento propriamente dito. Objetivos: remover ar dos espaços intercelulares auxiliando a etapa de exaustão promover o amaciamento dos tecidos vegetais, facilitando o envase inativação enzimática facilitar o descascamento, pois o branqueamento facilita o amolecimento da casca dos frutos promove a lavagem e com isso a redução da carga microbiana do produto poder ser feito utilizando-se vapor quente a sua aplicação é para produtos que serão posteriormente enlatados, congelados ou desidratados → danos causados pelo calor: - redução da qualidade sensorial e nutricional (perda de minerais, vitaminas e outros componentes hidrossolúveis) Métodos de branqueamento: Branqueadores a vapor: - uso preferido em produtos com ampla área de corte pq proporciona menores perdas por lixiviação - consiste de uma esteira transportadora que leva o alimento através de uma atmosfera de vapor, dentro de um túnel - a distribuição do calor não é uniforme nas múltiplas camadas do alimento - a combinação tempo e temperatura para a inativação enzimática da camada central do material vegetal muitas vezes pode trazer prejuízo ao produto, como a modificação da textura e perda da qualidade sensorial Branqueador de vapor 2) Branqueadores a água quente a temperatura utilizada é entre 70⁰C e 100⁰C Branqueadores rotatórios: o alimento entra em um tambor cilíndrico de tela que fica parcialmente submerso e que gira devagar. Branqueadores tubulares: consiste de um tubo de metal contínuo com ponto de cargae descarga do alimento. O alimento é transportado por água quente que recircula através do tubo. dentro da etapa do branqueamento deve-se fazer o resfriamento do produto aspersores de água fria são colocados na saída do equipamento Enchimento a função da embalagem é de proteção as embalagens devem ser atrativas ao consumidor o enchimento deve ser preciso para se ter uniformidade no produto final o volume de enchimento deve ser pré-fixado devendo-se respeitar o espaço livre mínimo (↑02 → corrosão e isolamento) a embalagem deve ser adequada, pois durante o aquecimento e esterilização, ela pode se deformar prejudicando a formação de vácuo e também a transferência de calor por convecção Enchimento manual usado para conservas em geral, em matérias primas desuniformes . O produto é transportado por uma esteira, localizada na parte central de uma mesa Obs: o enchimento do líquido, xarope ou salmoura é feito mecanicamente Enchimento mecânico Requisitos: assegurar um enchimento uniforme e preciso possuir um dispositivo que evite a descarga material na ausência da embalagem ter flexibilidade para mudanças de peças ser de fácil adaptação para o enchimento de distintos produtos Enchimento normal o produto é colocado na embalagem manual ou mecanicamente Enchimento a quente o produto é embalado a temperatura elevada Enchimento semi-asséptico o produto é colocado dentro da embalagem (higienizada) praticamente estéril Enchimento asséptico o produto esterilizado e resfriado é embalado em embalagens esterilizadas com vapor superaquecido. O enchimento se dá em câmara estéril, em presença de vapor superaquecido OBS → a descontaminação da embalagem pode ser feita por calor, agentes químicos, H2O2, radiação ultravioleta ou radiações ionizantes Exaustão operação exclusiva para conservas embaladas em latas ou vidros objetivos: Eliminar o O2 e outros gases presentes. O O2 pode causar corrosão ou oxidar o produto reduzir a pressão interna do sistema, para que a sobre pressão não danifique a embalagem, rompa o fechamento ou salte a tampa em frascos de vidro A exaustão pode ser realizada através de um pré-aquecimento Pré-aquecimento Consiste em submeter o recipiente contendo o produto e aberto (sem tampa) à ação do calor, normalmente vapor d’água. Há necessidade de se passar o recipiente por uma câmara de vapor ou túnel de exaustão com o aquecimento do recipiente tem-se expulsão do ar contido no produto a recravação deve ser realizada aquecimento do produto, evaporação de água, mantendo o vapor de água acumulado no espaço livre ao resfriar, o vapor de água condensa e se produz vácuo Temperatura de recravação – quanto maior a temperatura de recravação, maior será o vácuo na lata com produto O vácuo é importante para evitar oxidações indesejáveis e também para evitar as distorções na lata durante o tratamento térmico Vácuo mecânico consiste em recravar o recipiente enquanto se encontra em uma câmara na qual se tenha feito o vácuo. São as recravadeiras a vácuo que através do uso de bombas ou outro sistema, mantém a área de fechamento (recravação) do recipiente com pressão reduzida (vácuo). Injeção de vapor Consiste em injetar vapor d’água no espaço livre, recravando-se em seguida o recipiente. No momento da recravação e no momento que a tampa abaixa sobre o recipiente, joga-se um forte jato de vapor de água sobre o espaço livre. O vapor logo irá condensar dando lugar ao vácuo parcial. Fechamento O fechamento de uma lata é feito pela recravação ou dupla costura Tratamento térmico Aplicado ao produto para que ele atinja uma esterilidade comercial A temperatura e tempo de exposição dependerá da carga microbiana inicial, do efeito que o calor exerça sobre o produto e dos outros métodos de conservação que poderão ser empregados conjuntamente Tratamento térmico por pasteurização O alimento é aquecido em temperaturas menores que 100⁰C É utilizado em produtos de baixa acidez (pH ˃4,5) para minimizar possíveis riscos a saúde Utilizados para aumentar a vida útil de alimentos de pH ‹ 4,5. Destroem microrganismos fungos, leveduras e ou outros e também inativam enzimas Esterilização UHT – temperatura ultra alta As temperaturas utilizadas são maiores que 100◦C por tempos mais curtos. O produto é esterilizado antes de ser embalado em recipiente e ambiente estéril. Resfriamento Deve ser realizado logo após a pasteurização e em menor tempo possível. A temperatura final do resfriamento deve ser entre 35-40◦C