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TRABALHO VIDA E OBRA DE KURT LEWIN - THALIA COSTA

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concordância comum sobre os 
objetivos e sobre os meios de alcança-los, resultando a solidariedade grupal. 
A dinâmica de grupo está intimamente ligada à teoria de campo aplicada 
à psicologia social. Kurt Lewin é considerado o fundador da moderna dinâmica 
de grupo. Com seu trabalho na Universidade de Iowa, por volta dos anos 1940, 
e, mais tarde, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), Lewin 
estabeleceu esse campo de estudo e atraiu pesquisadores e recursos 
financeiros para este tipo de pesquisa. Os artigos de Lewin publicados na 
década de quarenta do século XX e depois reunidos nos livros Teoria de 
campo em Ciência Social (1965) e Problemas de dinâmicas de grupo (1978), 
prepararam o terreno para investigações e publicações do pós-guerra. 
Para Lewin (1978), um grupo é mais do que a soma de seus membros: 
consiste numa totalidade dinâmica que não resulta apenas da soma de seus 
integrantes, tendo propriedades específicas enquanto totalidade, princípio da 
Escola da Gestalt. Possui estrutura própria, objetivos e relações com outros 
grupos. A essência de um grupo não é a semelhança ou a diferença entre seus 
membros, mas sua interdependência. Lewin caracteriza um grupo como sendo 
um todo dinâmico, o que significa que uma mudança no estado de uma das 
suas partes provoca mudança em todas as outras. 
Por causa do seu caráter amplo, a expressão “dinâmica de grupo” nem 
sempre é empregada num sentido acurado. Por isto, é necessário precisar o 
seu emprego. A expressão caiu em descrédito devido à aplicação que, às 
vezes, dela se fez para se referir a atividades utilizadas com objetivos 
ilustrativos, recreativos, místicos, entre outros. Certamente, contribuiu para o 
descrédito a aplicação inconsequentemente realizada por profissionais 
descomprometidos ética e cientificamente. 
Utilizam-se expressões tais como: “dinâmicas” ou “técnicas de relações 
humanas”, que confundem mais do que revelam o seu significado. Para 
Cartwright e Zander (1975), a expressão “dinâmica de grupo” popularizou-se 
após a segunda grande guerra e tem três empregos mais conhecidos: numa 
concepção ideológica; como um conjunto técnicas aplicadas ao grupo 
destituídas de articulação teórica; e o estudo dos grupos, de sua essência e 
funcionamento. 
Uma segunda definição de dinâmica de grupo refere-se a um conjunto 
de técnicas, tais como o desempenho de papéis, grupos de discussão, 
feedback de processos coletivos, entre outras. Desta perspectiva resulta a 
expressão técnica “dinâmica de grupo”. A preposição “de” propõe uma 
aplicação ampla em qualquer grupo, independente de sua finalidade e 
especificidade e, como sabemos, as técnicas quando aplicadas sem o alicerce 
de uma teoria e uma perspectiva metodológica mais ampla, desconstroem o 
espaço grupal. 
Assim, a preposição “de” fornece à expressão “dinâmica de”, o sentido 
que pode ser aplicado a qualquer grupo em qualquer momento, 
desconhecendo que o termo “dinâmica” implica forças interdependentes agindo 
no interior e no exterior de um campo mutável como são os grupos e as 
pessoas que a eles se integram. 
Um terceiro emprego apresentado pelos autores para a expressão 
“dinâmica de grupo” se refere ao campo de pesquisa dedicado a obter 
conhecimento a respeito da natureza dos grupos, dos seus axiomas, de seu 
desenvolvimento e das interrelações entre os indivíduos, outros grupos e 
instituições mais amplas. É lamentável constatar que esse campo de pesquisa 
teve um excelente momento na época de sua fundação, mas que atualmente 
dispõe de poucas pesquisas no âmbito acadêmico. 
Podemos concluir que a expressão “dinâmica de grupo” continua sendo 
percebida como uma técnica, que o sentido ideológico do termo encontra-se 
valorizado e a pesquisa científica ausente. Mas não podemos nos esquecer de 
que as tendências socioeconômicas têm proposto o trabalho em grupo como 
estratégia de gestão e, assim como na sua gênese, esse panorama pode trazer 
pesquisadores e recursos para investir em novas pesquisas. 
 
CONSIDERAÇOES FINAIS 
 
A abordagem da dinâmica dos grupos aqui proposta aplica-se as mais 
variadas estratégias de intervenção e pesquisa em instituições. Presta-se ao 
serviço de transformação das relações humanas uma vez que põe em 
destaque o entrelaçamento de objetivos pessoais e objetivos coletivos. 
Destacam-se, assim, os papéis assumidos e como estes corroboram na 
manutenção da existência grupal ou mesmo desafiam sua preservação. Com 
isso, podemos destacar que o grupo não é uma entidade que naturalmente se 
compõe, mas é preciso que haja a intervenção da cultura, dos atributos 
humanos. Isso provoca a emergência de uma rede colaboração e de outra 
parte, a explicitação dos conflitos que, a depender da articulação de seus 
membros, particularmente da liderança, pode provocar transformações 
estruturais na identidade grupal. 
 
REFERÊNCIAS 
AMADO, G.; GUITTET, A. A dinâmica da comunicação nos grupos. 2 ed. Rio 
de Janeiro: Zahar Editores, 1982