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1 CEDERJ – CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CURSO: LICENCIATURA EM TURISMO DISCIPLINA: ALIMENTOS E BEBIDAS CONTEUDISTA: ALCILÚCIA OLIVEIRA AULA 13 RESTAURANTE, COPA E BAR META Apresentar as áreas operacionais do restaurante, sua classificação e tipos de serviços, assim como os seus setores de apoio, copa e bar. OBJETIVOS Ao final da aula espera-se que você seja capaz de: 1. Conhecer os diferentes tipos de restaurantes e bares e as suas características; 2. Identificar os cargos e as tarefas do pessoal que compõe a brigada de serviço do restaurante, bar e copa. 2 1- INTRODUÇÃO Dentro da estrutura organizacional do hotel, a área de A&B, como já foi falado anteriormente em outros temas abordados, é a mais complexa. Assim como pode promover alguns problemas para o setor, por outro lado, pode ser um negócio extremamente rentável. Devido à complexidade, é necessário que a área de A&B seja dotada de organização e controle. Os principais setores que compreendem a área de A&B são: restaurante, bar, cozinha e copa. Estes setores ficam sob o comando do gerente de alimentos e bebidas. Nas aulas 3 e 4 falamos sobre o funcionamento do complexo cozinha, abordando o planejamento, setores e zonas de trabalho, instalações e equipamentos. Agora iremos focar no restaurante e seus setores de apoio, copa e bar. Quando foi abordado sobre a história dos serviços de alimentação na aula 1, mencionou-se sobre o surgimento dos restaurantes, sendo um dos serviços de alimentação que mais se destacaram. Com o seu surgimento em meados da Revolução Francesa, a alta gastronomia também passa a ser utilizada nos restaurantes, antes privilégio dos ricos e poderosos, torna-se acessível ao público que a possa pagar. Com o decorrer de sua evolução, os restaurantes foram se diversificando, e na atualidade encontramos vários tipos de restaurantes que se tornaram redes e se difundiram pelo mundo inteiro. As pessoas são atraídas pela variedade e riqueza do cardápio oferecido nos diferentes tipos de restaurantes. Estes apresentam características próprias, podendo ser de caráter nacional, às vezes com pratos de especialidades regionais ou com enfoque na cozinha internacional. Essas características ampliam a possibilidade de escolha do cliente e preferência em frequentar restaurantes ao do próprio hotel. Agora vamos começar conhecendo um pouco sobre a história dos restaurantes e sua tipologia. Na sequência abordaremos sobre seus setores de apoio, a copa e o bar. 3 2. HISTÓRIA DA ORIGEM DA RESTAURAÇÃO Antes do surgimento dos restaurantes, os albergues e as tabernas eram os estabelecimentos que serviam comidas e bebidas em mesas comuns e horários estabelecidos. Esses estabelecimentos tinham a finalidade de atender aos antigos viajantes e peregrinos. Geralmente, a população local raramente se alimentava nesses estabelecimentos. Os dias e horários estabelecidos para o oferecimento das refeições vendidas nesses locais dependiam dos fluxos de viajantes, mediante um cardápio disponível no momento ou na maioria das vezes, um cardápio fixo. No ano de 1765 em Paris, Boulanger, um vendedor de sopas, resolveu oferecer aos viajantes, caldos restauradores. Ele colocou em frente à estalagem um letreiro com os dizeres: ‘Boulanger vende Restaurantes divinos’. Daí surgiu a palavra restaurante. O primeiro estabelecimento com o nome de restaurante. Foi fundado em 1783, por Beavilleir na França. Embora fora fechado após poucos anos, constituiu- se em um marco na criação dos restaurantes. Após a Revolução Francesa, muitas pessoas que vinham a Paris buscavam estes lugares mais simples que servia uma comida também simples, mas, reconfortante. Entretanto havia chefes de cozinha desempregados, cujos patrões membros da alta nobreza, haviam fugido da revolução. Estes chefes obrigados a encontrar outra maneira de realizar o seu trabalho, acabaram abrindo os seus próprios restaurantes, e tornando a cozinha artística dos grandes mestres, antes só encontrada nas residências dos ricos e poderosos, agora acessível ao grande público que pudesse pagar por ela. Nasce assim o grande restaurante na França. Em 1792 surge em Paris o primeiro restaurante de grande categoria, o Le Doyen, criado por Antoine-Nicolas Doyen. O Le Doyen era frequentado por Napoleão, cuja decoração caracterizava o império. Esse restaurante existe até hoje e é classificado como um monumento e considerado um dos restaurantes mais antigos do mundo. 4 Figura 1 – Restaurante Le Doyen Fonte: http://foodsnobblog.wordpress.com/2009/01/08/ledoyen-paris/ 3. TIPOLOGIA DA RESTAURAÇÃO Então, agora temos o conceito de restaurante, que pode ser definido como o estabelecimento público que fornece alimentação mediante pagamento. O surgimento dos restaurantes proporcionou grande desenvolvimento na arte culinária. Verifica-se ao longo da história, o aparecimento de estabelecimentos oferecendo determinadas especialidades. Cada restaurante ou café se caracterizava por algum tipo de prato típico daquela casa. Além da especialidade alimentar havia também a tipicidade do ambiente: escritores, revolucionários, políticos, burguesia, casamentos, etc. Com a Revolução Francesa, os restaurantes que eram frequentados por quem detinha maior poder aquisitivo, tornaram-se populares. Em meados do século XX, com a evidência do turismo, surgem novas motivações e desejos, satisfeitos através de novos tipos de restaurantes. Existe uma grande variedade de tipos de restaurantes, o que torna difícil determinar uma tipologia exata para todos os tipos de negócios que se enquadram dentro da denominação “restaurante”, uma vez que novos tipos de negócios surgem todos os dias. Os serviços que são oferecidos em um restaurante podem ir desde o mais simples aos mais sofisticados, dependendo da categoria do estabelecimento. Existem diversos tipos de restaurantes e similares que têm por principal finalidade oferecer aos clientes as mais variadas opções de atendimento, http://foodsnobblog.wordpress.com/2009/01/08/ledoyen-paris/ 5 relacionando preço, qualidade dos serviços e instalações ao tipo de serviço. Conhecer os diversos tipos de restaurantes e as suas características nos ajudará a planejar melhor as atividades referentes à gestão e planejamento dos mesmos. Vamos, a seguir apresentar as principais tipologias de restaurantes: 3.1 Restaurante Internacional É um restaurante clássico que oferece um serviço requintado e pratos da cozinha internacional, assim como também alguns pratos clássicos nacionais de amplo consumo no mercado. Apresenta um bom nível qualitativo e visual em suas instalações, equipamentos e utensílios. Em sua maioria, localiza-se em hotéis ou em locais de hospedagem. Estes restaurantes existem para atender a demanda de hóspedes de diferentes procedências e culturas, que preferem evitar muitas experiências gastronômicas, dando preferência a pratos conhecidos por seu paladar. 3.2 Restaurante gastronômico São restaurantes sofisticados que oferecem pratos requintados da cozinha franco-italiana, que na maioria das vezes são apresentados sob a forma de menu de degustação, também conhecido como menu confiance. Os clientes experimentam os pratos servidos, acompanhados de uma seleção de vinhos finos sugeridos pelo maître ou sommelier. Muitas vezes estão associados ao chefe de cozinha de renome, que costuma receber seus clientes, após reserva obrigatória e aconselhar o menu. 3.3 Restaurante Típico Esses restaurantes podem ser de várias categorias, onde são caracterizados pela sua decoração típica e pelos pratos que oferecem. São originários de determinado país (com preparações representativas da culinária específica, como japonesa, italiana, francesa, etc.) ou região (culinária de uma regiãoespecífica, 6 como mineira, gaúcha, capixaba, etc.). 3.4 Restaurante tradicional Os restaurantes tradicionais apresentam como características principais o oferecimento de um cardápio extenso, com preparações tradicionais e de aceitação geral. Normalmente, sua decoração é tradicional e simples, sem muito luxo ou sofisticação. O público desse tipo de restaurante é bem eclético. 3.5 Restaurante de coletividade Esta especialidade é caracterizada por restaurantes localizados em prédios ou complexos industriais ou comerciais, cujo objetivo é oferecer alimentação para os funcionários da respectiva empresa. Geralmente atendem a um número elevado de comensais, uma vez que somente as empresas grandes dispõem de estrutura para tal fim. A fim de atender as necessidades nutricionais dos funcionários, o cardápio tende a ser bem balanceado. A administração destes restaurantes pode ficar a cargo da própria empresa, por empresa particular ou contratada que arrenda o restaurante e fornece as refeições. 3.6 Buffets Tipo de restaurante especializado na prestação de serviços em ocasiões de festa, como banquetes, coquetéis. Pode ser de pequeno ou grande porte e ambiente requintado ou mais simples. Caracteriza-se como um tipo de restaurante móvel, que pode deslocar-se para diversos lugares para a prestação de serviços, assim como também ter salões próprios, com toda a estrutura para a realização dos eventos. Os buffets realizam os mais diversos eventos, como corporativos, aniversários, casamentos, debutantes, entre outros. 7 3.7 Restaurante self-service São restaurantes bastante comuns na Europa ao longo das rodovias por onde os turistas passam. Surgiu para suprir as deficiências do sistema à la carte, que é muito lento do ponto de vista do atendimento e mediante a necessidade de atender a demanda de uma alimentação mais variada e rápida. Neste sistema o próprio cliente se serve, escolhendo as iguarias e bebidas desejadas que ficam ao longo de balcões que parte é quente (para as opções de pratos quentes) e parte frio (para as bebidas e saladas frias). Esta modalidade, atualmente, está sendo muito utilizado o sistema por quilo, onde o comensal, após se servir, passa por uma balança para pesagem da sua refeição. O comensal paga somente aquilo que irá consumir, sendo uma forma de baratear o preço final para o consumidor. Com a evolução dos restaurantes self-service por quilo, uma demanda mais sofisticada foi atingida, deixando assim de ser apenas o preço e rapidez o atrativo e passa a valorizar mais a qualidade. 3.8 Churrascaria Restaurante difundido por todo o país, tipicamente do Rio Grande do Sul, especializado em churrasco. No cardápio pode conter diferentes tipos de carnes assadas na brasa, além de uma grande variedade de iguarias e outros acompanhamentos como buffet de saladas, polenta frita, arroz, mandioca cozida. É servido como prato principal o churrasco de carne bovina, acompanhado, por exemplo, de assados de porco, aves, ovelha, linguiça e medalhão. Em estabelecimentos mais sofisticados podem encontrar carnes exóticas, como javali, avestruz. As churrascarias podem funcionar no sistema convencional, onde os clientes são servidos pelo garçom a porção previamente escolhida, ou no sistema de rodízio, em que as iguarias são levadas pelo garçom até a mesa e servidas uma após a outra até o comensal sentir-se satisfeito. 8 3.9 Pizzaria São restaurantes que servem especificamente pizzas e derivados. Embora as pizzas servidas apresentem-se em diferentes tamanhos e sabores, estas representam tradicionais cardápios que são oferecidos em quaisquer estabelecimentos do setor, diferenciando somente a qualidade devido ao estilo de produção. As pizzarias com o sistema de rodízio têm crescido em número no Brasil, oferecendo no cardápio além de diversos sabores de pizzas, rodízio de diferentes tipos de massas, como lazanha, nhoque, calzones, espaguetti, etc. 3.10 Creperia É um restaurante de origem francesa, onde se servem, quase que exclusivamente crepes. O público alvo das creperias é caracterizado principalmente por jovens e adultos. Figura 2 – Rede de Creperia Mariposa – Salvador-BA. Fonte: http://www.mariposa.com.br/ http://www.mariposa.com.br/ 9 3.11 Coffee shop São restaurantes que geralmente encontram-se localizados em hotéis e aeroportos com atendimento 24 horas. São estabelecimentos que oferecem cardápios de fácil preparação e apresentação simples. A sua origem é atribuída aos hotéis que serviam o café da manhã aos hóspedes em ambiente específico que não o restaurante. Com a sua difusão para outros estabelecimentos, atualmente, o serviço foi aperfeiçoado e diversificado. São oferecidos em seus cardápios cafés e chás, lanches, sucos, pratos grelhados, sopas, massas e sobremesas. É muito utilizado o sistema à la carte como forma de facilitar o atendimento, o preparo e diminuição de desperdícios com comidas elaboradas em grande variedade e quantidade. Após conhecermos os diversos tipos de restaurantes existentes vamos a seguir, tomar conhecimento das tipologias dos serviços de mesa usualmente mais utilizadas. 4. TIPOLOGIA DE SERVIÇOS DE MESA EM RESTAURANTES Em um restaurante, pode-se contar com vários tipos de serviços de pratos para o atendimento aos clientes, ou seja, existem várias formas como as pessoas podem ser servidas ou se servir. O serviço pode ser conceituado como, toda atividade e normas a serem desenvolvidas em um restaurante para se efetuar o ato de servir um cliente. De acordo com o tipo de refeição a ser servida (desjejum, almoço, jantar, chá, almoço e jantar formal, entre outros), poderá ser utilizado um tipo de serviço com regras diferentes. Dependendo do tipo e estilo do restaurante, este serviço pode variar. Pode-se observar que de tempos em tempos, a terminologia dos serviços sofre mudanças. Entre os serviços mais utilizados podemos destacar os seguintes: Serviço à francesa; Serviço à inglesa direto; Serviço à inglesa indireto (com gueridon); 10 Serviço empratado; Self-service Veremos a seguir como funciona cada tipo de serviço citado acima. 4.1 O Serviço à francesa É um tipo de serviço também conhecido como serviço diplomata, em que o próprio cliente se serve da comida trazida na travessa pelo garçom. O garçom apresenta a travessa pelo lado esquerdo do cliente, deixando-a próxima ao prato do cliente, para que ele se sirva. É um serviço lento, onde cada garçom serve até 6 pessoas e por isso é um serviço geralmente utilizado em jantares de gala e banquetes formais e normalmente pode ser visto em restaurantes requintados, embaixadas e em situações protocolares. É importante que o chefe de cozinha seja avisado pelo maître ou o responsável pelo serviço sobre os comensais, a fim de dispor as porções bem definidas na travessa. Figura 3 – Mise-en-place de sala do serviço à francesa Fonte: http://gestaodenegocioseeventos.blogspot.com.br/2010/09/jantar-francesa.html http://gestaodenegocioseeventos.blogspot.com.br/2010/09/jantar-francesa.html 11 4.2 O Serviço à inglesa direto Nesse serviço a comida vem pronta da cozinha e é disposta em travessas e não deve ser confundido com o serviço à francesa. O garçom apresenta primeiro a travessa pelo lado esquerdo do cliente, sempre que possível, e serve o comensal também pela esquerda, montando o prato a sua frente. Os restaurantes de categoria praticam muito esta modalidade de serviço, pelo fato de agilizar o trabalho, no entanto exigem do garçom muita agilidade e destreza. O garçom deverá dominar a técnica de utilização de garfo e colher, que é chamado de alicate. Na figura 5 abaixo, é apresentada a forma de servir a comida utilizando a técnica do alicate e a colocação das iguarias no prato para tornara apresentação apetitosa. Figura 4 – Forma de servir no serviço à inglesa direto e aparência final do prato. Fonte: Cândido e Vieira (2002). 4.3 O Serviço à inglesa indireto Esse serviço também é conhecido como serviço de guéridon (mesa auxiliar). Assim como no serviço à inglesa direto, a comida vem pronta da cozinha disposta em travessas e o garçom apresenta a travessa pela esquerda do cliente. No entanto, é no momento em que o garçom passa a comida para o prato do comensal que o serviço torna-se diferente. O prato do cliente é servido no guéridon, utilizando colher na mão direita e garfo na mão esquerda e depois do prato já montado este é colocado à frente do cliente, pelo lado direito. No guéridon, 12 trazem-se os pratos aquecidos para substituir os que estiverem na mesa, se for o caso. O serviço à inglesa indireto traz a vantagem de promover uma liberdade maior de movimentos ao trabalho do garçom no momento de compor o prato e desta forma contribui para que o cliente não seja perturbado e a conversa com os seus acompanhantes, neste momento, não seja interrompida. Figura 5 – Montagem do prato do cliente sobre o guéridon no serviço à inglesa indireto Fonte: http://gestaodenegocioseeventos.blogspot.com.br/2010/11/jantar-inglesa.html 4.4 O Serviço empratado É um tipo de serviço também conhecido como serviço à americana, onde o prato já vem montado (pronto) da cozinha ou outro local devidamente preparado para este fim, diretamente para o comensal. Fica a cargo do cozinheiro, realizar a disposição das iguarias de forma harmoniosa e decorada sobre o prato que será levado ao cliente pelo garçom. Em alguns tipos de serviço mais sofisticados, o prato é transportado pelo commis até o salão e só então o garçom serve o comensal. Esse serviço até os anos 1980 era considerado muito simples para ser usado em bons restaurantes, contudo, atualmente é muito utilizado tanto em hotéis como http://gestaodenegocioseeventos.blogspot.com.br/2010/11/jantar-inglesa.html 13 em restaurantes de todo o mundo, desde os mais sofisticados até os mais populares. O serviço empratado é adotado por alguns restaurantes finos por oferecer a vantagem de facilitar o atendimento a um grande número de comensais sem atrasar o serviço de sala e também por ser uma forma criativa de sofisticar o serviço. Para ser bem feito, embora pareça simples, o serviço empratado exige do garçom muita classe, técnica profissional, destreza e uma certa dose de arte da apresentação do serviço à mesa. Esse serviço pode ser classificado em simplificado e sofisticado. No tipo simplificado utilizam-se pratos de tamanho normal, redondos ou de outros formatos. Já, no tipo sofisticado, os pratos utilizados são de tamanho maior, cobertos com uma cloche, que é uma espécie de tampa mais sofisticada. 4.5 O Serviço Self-service É considerado o serviço de sala mais simples. A palavra self-service é originária do inglês e significa servir-se. O serviço caracteriza-se em iguarias expostas sobre uma mesa ou buffet quente ou frio, onde os comensais se servem e montam o seu prato. Este serviço é muito utilizado para grandes eventos e para grande quantidade de comensais ou, em alguns casos, para reduzir o custo do serviço. Por se tratar de um serviço mais simples, na maioria dos casos, requerem dos clientes muita paciência, em vista, de longas filas ou mesmo da inconveniência de determinada iguaria terminar e não ser feita a devida reposição. Outro ponto negativo observado é o estado e a má apresentação das iguarias quando os últimos comensais chegam junto ao buffet para se servirem. Os restaurantes que utilizam esse tipo de serviço normalmente cobram por quilo ou por pessoa. Uma questão importante é o cuidado e atenção que se deve ter com a temperatura dos alimentos em exposição, pois alguns microorganismos patogênicos podem se proliferar e causar danos à saúde dos clientes. 14 4.6 Outros tipos de serviços 4.6.1 O Serviço de room-service É um tipo de serviço de quarto em hotéis e pousadas, onde o hóspede realiza o seu pedido por telefone, a comida é levada ao seu quarto, onde ele faz a sua refeição. O garçom leva a refeição até o quarto do cliente e coloca a bandeja na mesa adequada. A retirada dos utensílios sujos deve ser feita na hora combinada ou quando o hóspede pedir. Nesse tipo de serviço o garçom precisa ter o máximo de discrição possível, pois entra em contato com a intimidade do hóspede. 4.6.2 O Serviço de réchaud É o tipo de serviço onde a produção será realizada parcial ou totalmente na frente do cliente. Para os alimentos que serão cozidos totalmente a frente do cliente, esses precisam ser de cocção rápida, para que o serviço não demore muito. Normalmente quem realiza esse serviço é o maître, no entanto, o garçom também pode realizá-lo. O serviço de réchaud é realizado com o auxílio do guerridon, e toda a mise- em-place deve estar bem organizada. Deve-se preocupar com a questão de higiene e segurança, uma vez que em alguns pratos utilizam-se a flambagem, trabalhando com fogo dentro do salão. 4.6.3 O Serviço de banquetes O serviço de banquetes pode ser do tipo formal, meio formal e informal. A seguir veremos como eles se caracterizam. - Serviço de banquete Formal ou à francesa Neste serviço os clientes ficam sentados à mesa e o garçom realiza todo o serviço de alimentos e bebidas, assim como a retirada da louça suja. A mesa fica 15 arrumada de acordo com o cardápio que será servido. - Serviço de banquete Meio-formal ou à franco-americana Os clientes ficam sentados à mesa, mas se servem na mesa buffet. O garçom realiza apenas o serviço de bebidas e retira os pratos sujos. - Serviço de banquete Informal ou à americana Neste serviço as mesas são somente de apoio. Os clientes se servem à mesa de buffet, no entanto ficam em pé. Assim como, no serviço meio-formal, os garçons fazem apenas o serviço de bebidas e recolhem a louça suja. 4.6.4 O Serviço de coffee-break O serviço é comum em pequenos eventos, reuniões, palestras, congressos e servem como pequenos intervalos, pausas. A duração é em média de 20 minutos e o serviço utilizado é o à americana. O garçom realiza a montagem da mesa, faz as reposições, mantém a organização e higiene e depois faz a desmontagem. Acabamos de conhecer os diversos tipos de serviços utilizados nos restaurantes, agora, vamos conhecer também como funciona o bar e sua operacionalidade. 5. O BAR Caracterizando o bar É o local onde tem como missão obter lucro a partir da produção, venda e serviço de bebidas diversas, principalmente alcoólicas. Na maioria das vezes, as bebidas são acompanhadas de petiscos ou algum tipo de alimentação, de acordo com a estrutura e objetivo do bar. As bebidas são servidas ao longo de um balcão ou em mesas onde o próprio desempenho do barman se constitui num dos componentes essenciais do ambiente. 16 O espaço delimitado pelo balcão é considerado a área operacional do bar, onde o barman e seus auxiliares executam os trabalhos. Na área operacional do bar ficam dispostos todos os equipamentos, utensílios e materiais para execução das atividades, assim como áreas para armazenamento das bebidas. Em hotéis, os bares funcionam como ponto de encontro dos hóspedes. Em todos os hotéis é praticamente obrigatória a instalação de um ou mais bares para atender aos hóspedes. Trata-se de uma importante fonte de renda, dado o elevado nível dos lucros que ele produz. Isso ocorre porque os custos operacionais dos bares são mínimos em comparação com o restaurante e a cozinha. O bar é um dos principais contatos do hotel com o exterior, e é vital para o desenvolvimento do turismo, especialmente por ser um lugar privilegiado de residência dos grupos de turistas estrangeiros e nacionais. O público quefreqüenta os bares é o mais variado, o que faz com que sejam difundidos diferentes tipos de bares especializados ou divididos em certos setores para atender a esta demanda, como por idade, perfil de clientes, desportivos, ou específicos de outros tipos de bebidas como cerveja ou whisky, por exemplo. Atualmente existem diversas tipologias de bares. Podemos destacar as seguintes: 5.1 O American bar É um bar clássico, tipicamente americano, caracterizado por um longo balcão e prateleiras de exposição das bebidas. A atuação de profissionais de bar é muitas vezes a própria atração do espaço. Neste tipo de bar, o cliente, habitualmente, senta-se em frente ao bar e daí aprecia o trabalho do barman, sendo sempre a principal atração do ambiente, onde faz a divulgação dos coquetéis e drinks. Podemos observar através da figura 6, abaixo, um modelo de um American bar. 17 Figura 6 – American bar Fonte: http://www.hotelala.it/americanBar.htm 5.2 O Piano bar É um tipo de bar clássico, requintado e luxuoso, comum em hotéis ou restaurantes de luxo, ou em espaços de elevada qualidade. Sua principal atração é o piano e o pianista. O artista interpreta músicas pré-selecionadas ou pedidas no momento pelos clientes. Podemos observar bem esta caracterização na figura 7. Figura 7 – Piano bar Fonte: http://www.greekislands.gr/anek/venizelos.html http://www.hotelala.it/americanBar.htm http://www.greekislands.gr/anek/venizelos.html 18 5.3 O Snack bar: É um bar comum onde são servidas, além de bebidas, sanduíches, refeições rápidas ou alimentos prontos e de preparação rápida e simples. Geralmente, localizam-se nos mais diversos ambientes, como em grandes hotéis, lojas de departamento ou em locais de grande movimentação de público. Figura 8 – Snack bar Fonte: http://www.lasvegashotel.com/resorts/Binions-Gambling-Hall-and-Hotel-Snack-Bar.htm 5.4 O Wine bar É um tipo de bar especializado em vinhos. Nestes bares, servem-se pequenas refeições, lanches ou tábuas de queijos. Os vinhos são naturalmente a atração e podem ser consumidos em garrafa ou em taças. Nesses estabelecimentos são utilizados uma máquina chamada wine machine, onde são acondicionadas as garrafas abertas, permitindo que o vinho seja tirado aos poucos, conservando o restante por vários dias. Abaixo, podemos visualizar na figura 9 um Wine bar. http://www.lasvegashotel.com/resorts/Binions-Gambling-Hall-and-Hotel-Snack-Bar.htm 19 Figura 9 – Wine bar Fonte: http://www.holyroodpr.co.uk/index.php/gallery/image_full/824/ 5.5 O Executive bar Trata-se de um bar, como o nome sugere, de encontro/convívio para negócios. São servidos diversos tipos de bebidas e alimentação, tais como canapés, salgadinhos e lanches. 5.6 O Bar privé São espaços fechados e reservados a certa clientela, onde é necessário ser sócio para que se possa frequentá-los. São oferecidos aos associados diversas comidas e bebidas. Além dos tipos de bar que vimos acima podemos destacar também os bares para determinada clientela, são os chamados bares especializados, que veremos a seguir. 5.6 Os Bares especializados http://www.holyroodpr.co.uk/index.php/gallery/image_full/824/ 20 São aqueles bares voltados para um determinado tipo de bebida e/ou cliente ou ainda um determinado tipo de música. As comidas podem ser as mais variadas. Alguns exemplos: beer-bar, coffe bar, whisky bar, cachaçaria, gay bar, rock bar, jazz bar, karaokê, entre outros. Podem ainda ser de acordo com o tipo de esporte (como futebol, golf, tênis) ou para um público de determinada região ou país que se encontram para conversas comuns de sua região de origem. Neste último tipo de bar, os alimentos e bebidas geralmente são tipicamente daquelas localidades. A seguir veremos como funciona uma copa/cambuza em um meio de hospedagem, mais especificamente em um hotel. 6. A COPA/CAMBUZA A copa ou cambuza é um setor de apoio, que preenche funções importantes dentro da estrutura funcional de um hotel, sobretudo pelo fato de prestar serviços durante as vinte e quatro horas. Geralmente fica localizada entre o salão do restaurante e a cozinha. É nas dependências da copa que são racionalizados vários serviços, servindo de apoio simultaneamente a outros setores de atendimento, como bar, piscinas, serviço de andares, café da manhã, etc. Na copa é preparado o couvert servido pelos garçons como entrada aos clientes, os sucos, sorvetes, lanches e alguns tipos de bebidas, entre outras preparações. Nos grandes hotéis os lanches, café da manhã, alguns alimentos e ingredientes servidos aos hóspedes para o room-service saem da copa. A copa é um setor menos complexo do que a cozinha. Como se trata de um setor que funciona durante as vinte e quatro horas, suas obrigações são variadas. Entre elas, podemos destacar: Atender aos pedidos de lanches rápidos, sucos, café da manhã, entre outros, seja nos apartamentos ou salão de café; Atende aos pedidos de cafezinhos, bebidas, coffee-break nas salas de reuniões; Realizar a preparação de frutas, sucos, frios, etc. para a montagem do 21 buffet do café da manhã; Responsabilizar-se pela higienização das câmaras frigoríficas, fogões e maquinários que se encontram localizados na copa; Solicitar a reposição de mercadorias e gêneros para a copa. O profissional que toma conta da copa/cambuza e dá apoio aos garçons, no fornecimento dos alimentos e bebidas que compete à copa, é o copeiro cambuzeiro de hotel. Abaixo vejamos a composição do uniforme do copeiro cambuzeiro. Figura 10 – Uniforme do copeiro cambuzeiro Fonte: Cândido e Vieira (2002). De acordo com o porte do estabelecimento hoteleiro, as atividades dos copeiros podem variar. Dentre as funções básicas poderemos ter os seguintes cargos: Copeiro do café da manhã: encarregado de preparar o café da manhã nos hotéis; Copeiro do coffee break: responsável pela preparação e organização das 22 travessas e bandejas com as iguarias servidas no coffee break, em grandes hotéis ou hotéis que possuem centro de eventos ou sala para reuniões; Copeiro do serviço de andares (room-service): encarregado pela preparação de lanches, pequenas refeições, chás, entre outros componentes do cardápio de andares; Copeiro e a lavagem da louça: geralmente o copeiro iniciante é responsável pela lavagem da louça do restaurante e da louça de andares. Ele deve conhecer muito bem sobre os processos de lavagem e de produtos químicos de lavagem. Vimos como opera uma copa cambuza, agora veremos a seguir informações sobre os diversos sistemas existentes de servir o café da manhã. 6.1 Sistemas de servir o café da manhã Para os serviços na sala ou no apartamento, encontramos alguns sistemas de servir o café da manhã: breakfast anglo-saxon, brunch, café tropical e café continental. Vamos falar um pouquinho sobre cada um: Breakfast anglo-saxon Este tipo de café da manhã destina-se às pessoas que desejam alimentar-se bem, logo pelo início da manhã. Os ingredientes que se destacam no breakfast são os seguintes: pães sortidos; bebidas quentes (café, leite, chocolate e chá); frutas e sucos de frutas variadas, cereais, preparações com ovos (omelete, ovos mexidos), derivados do leite, carnes e peixes. Brunch Café da manhã mais reforçado que o breakfast pelo fato de inserir ingredientes que compõem um lanche como: sobremesas, consommés e saladas. O brunch pode ser caracterizado como um pequeno almoço. Café tropical 23 É um café composto por bebidas quentes (chá, café, chocolate), pão pequeno ou torradas, manteiga e geléias. Os complementos ficam a cargo da solicitação do cliente, mediante pagamento extra. Café continental Sistema de café da manhã também conhecido como café colonial, onde a composição de seu buffet teráuma variação de hotel para hotel, podendo ser variado e farto. Os principais componentes deste café da manhã são os seguintes: frutas (maçã, melancia, ameixa, uva, mamão, salada de frutas, etc.), pães (pão francês, pão de milho, cuca, croissant e bolos diversos), frios (queijos, presuntos e salames diversos), sucos (suco de abacaxi, uva, laranja, entre outros), bebidas quentes (café, leite, chocolate e chá) e outros diversos integrantes, como geléias, manteiga, sucrilhos e ovos quentes. A figura abaixo mostra bem a constituição de um café continental ou colonial. Figura 11 – Café colonial da Pousada Canela em Gramado-RS Fonte: http://www.pousadacanela.com/cafe_colonial_gramado_1.html http://www.pousadacanela.com/cafe_colonial_gramado_1.html 24 7. O ROOM-SERVICE O room-service ou serviço de andares, comum nos grandes hotéis, fica sob a coordenação de um maître ou chefe de andares, sendo auxiliado por garçom. O room-service é um serviço que presta atendimento aos hóspedes nos apartamentos que solicitam alimentação e bebidas. Consiste no serviço de lanches rápidos e serviço de café da manhã nos apartamentos pela copa central. Veremos a seguir como é constituída a brigada de serviços de um restaurante, do bar e de um room-service de um meio de hospedagem. 8. A ORGANIZAÇÃO DA BRIGADA DE SERVIÇOS Como já foi visto nas aulas 3 e 4, a brigada de serviço encontra-se diretamente em contato com o cliente, o que requer um desempenho exemplar por parte de todos os integrantes. A brigada do restaurante, bar e room-service estão em função da categoria do estabelecimento e do tipo de serviço que o mesmo pretende oferecer. Em um hotel, possuirá mais de um bar ou restaurantes, conforme se amplia o seu porte. Contudo, cada bar ou restaurante do hotel terá praticamente a mesma estrutura organizacional. Fica a cargo do maître a coordenar e comando das diversas equipes de trabalho, tanto de sala do restaurante, bar, como do room-service. Lembrando que essas equipes poderão variar de acordo com o tamanho e o tipo do estabelecimento. Vamos então conhecer um pouco a composição da brigada dos serviços, que poderá ser composta de acordo com o organograma apresentado na figura 12 e as principais funções do pessoal que executam estes serviços. 25 Figura 12 – Organograma funcional do restaurante, bar e room-service. Fonte: Acervo do autor. Podemos observar através da figura 12, que todos os chefes dos setores de A&B são subordinados ao maître e este ao gerente de A&B. A seguir serão apresentados todos os componentes da brigada e também Maître d’Hôtel Hostess Chefe de fila Garçom de restaurante Barman Commis de restaurante Sommelier Chefe de bar Gerência de Alimentos e Bebidas Chefe de room- service Garçom de room- service Commis de room- service Garçom de bar Commis de bar 26 suas atribuições: O Maître O maître é o profissional que é responsável pela coordenação do trabalho de sala no restaurante. Ele recepciona os clientes, anota seus pedidos e coordena o atendimento durante a permanência do cliente no restaurante. É o profissional que deve orientar, além de seus colaboradores, os comensais em relação às suas dúvidas sugerindo-lhes pratos e bebidas correlatas. Na nomenclatura francesa, também é chamado de maître d’hôtel. É comumente conhecido como chefe dos garçons e o responsável pelo serviço de sala. São inúmeras as responsabilidades e funções de um maître, sendo a principal a formação e liderança da equipe de trabalho. É de sua competência a formação técnica permanente dos seus colaboradores, o que exige que tenha conhecimento aprofundado de todas as técnicas de serviço de sala, preparações culinárias e suas composições, assim como a decoração dos pratos. Deve-se ter conhecimento sobre a decoração de ambientes, assim como técnicas profissionais e de atendimento para garantia da qualidade no atendimento dos serviços. O maître é responsável pela boa imagem da organização do serviço de sala, tendo como incumbência preparar a sua equipe e promover treinamentos constantes. É de competência da mestria especializar-se, atualizar-se em relação as novas técnicas, assim como informar à sua equipe sobre pratos especiais, forma de preparo de novas receitas e componentes do cardápio. Cabe ao maître: Boa apresentação pessoal, elegância e educação ao se apresentar no salão; Discrição, simpatia, humildade, seriedade e honestidade no trabalho; Boa comunicação, boa dicção, cordialidade e diplomacia; Equilíbrio emocional ante situações difíceis; Espírito de equipe, educação no trato com pessoas; Pontualidade em todos os seus compromissos, principalmente nos 27 profissionais; Organização pessoal e no ambiente de trabalho; Respeito aos direitos individuais das pessoas, principalmente dos clientes e subordinados; Criar um ambiente de trabalho agradável e de cooperação; Falar fluentemente pelo menos um idioma estrangeiro, de preferência o inglês. O ideal é falar mais de um idioma, sendo o espanhol a segunda opção. Promover treinamentos, sempre que necessário. O Sommelier O Sommelier participa de todo processo relacionado ao serviço de vinhos dentro de um empreendimento de A&B, desde a avaliação dos pratos e compras desses vinhos para harmonização com os mesmos, até ao atendimento ao cliente para indicação dos vinhos. Cabem ao sommelier as responsabilidades de: Orientar sobre a compra e estoque dos vinhos; Zelar pela adequada conservação dos vinhos, assim como controlar o inventário dos vinhos; Elaborar carta de vinhos, sugerir e servir vinhos ao cliente; Organizar eventos especiais, tais como: queijos e vinhos, degustação de vinhos; Atender às reclamações pertinentes. Os Hostess Reporta-se diretamente ao maître, é a quem compete recepcionar os clientes na entrada do restaurante, levá-los até a mesa, entregar os cardápios, prestar algumas informações sempre que lhe seja solicitado pelo cliente. É de sua responsabilidade atender os telefonemas que são feitos para os clientes que estão no restaurante. Sua função principal é controlar as reservas de mesa. O Chefe de fila O chefe de fila é responsável pela chefia dos garçons e cummins, podendo se dizer que trata-se do ajudante do maître. Geralmente quem ocupa esse cargo 28 trata-se de um garçom que se destaca. Algumas atribuições e responsabilidades do chefe de fila: Dirigir, supervisionar, orientar e controlar atividades do pessoal no serviço nas praças; Zelar pelo bom estado dos equipamentos e utensílios em uso no restaurante; Substituir o maître, quando necessário; Atender aos pedidos dos clientes e fechar o serviço do restaurante; Cuidar da ”mise en place” do restaurante. O Garçom A função elementar do garçom ou garçonete é servir aos clientes, seja no salão do restaurante, nos bares ou no room-service. Entre suas atribuições temos: Realizar a ”mise-en-place”: sala, mesas, aparadores, serviço de andares, etc. Atender e servir os pedidos dos clientes, de acordo com as técnicas do serviço; Coordenar o trabalho dos commis; Apresentar a conta aos clientes; Atender às reclamações dos comensais, quando for o caso. O Commim Trata-se do cargo por onde se inicia uma carreira de serviço em A&B. O commin auxilia os garçons em suas tarefas de servir os clientes, com rapidez e cortesia, para proporcionar aos mesmos um serviço de qualidade. Normalmente é quem retira a louça suja das mesas. Suas atribuições principais: Auxiliar na preparação da mise-en-place, antes e durante a refeição; Transportar os pedidos da cozinha até o guéridon; Auxiliar o garçom no atendimento aos clientes, desempenhando atividadesquem complementam o serviço do mesmo. Executar o serviço de limpeza e remontagem de mesas durante o 29 funcionamento do restaurante; Higienizar o material de trabalho. Os Chefe de bares Em alguns estabelecimentos a figura do chefe de bar é adotada. O Chefe de bar também responde diretamente ao gerente de A&B. É o profissional responsável pelos bares de todos os pontos de venda, onde exerce a função mais burocrática e interna do bar. As suas atividades estão baseadas nas principais funções: Supervisionar e coordenar todas as atividades do barman, garçons e commis; Elaborar os cardápios e sugestões do bar; Controlar a distribuição de estoques de bebidas, gêneros e materiais do bar; Preparar as escalas de férias, folgas e revezamentos dos colaboradores; Colaborar com o gerente de A&B na seleção e no recrutamento de colaboradores. O Barman Também conhecido como barkeeper ou bartender, em bares e restaurantes que possuem balcão de bar à disposição do cliente, o barman é o que fica encarregado do bar, chefiar e coordenar a equipe do bar. O barman deve preencher alguns requisitos, tais como: Possuir capacidade educativa e de comunicação; Ter conhecimento de psicologia e facilidade de conversação; Possuir perfeito entendimento de todas as bebidas; Conhecer e saber preparar os coquetéis clássicos. Atribuições gerais e complementares do barman: Coordenar os trabalhos dos garçons e commis do bar; Preparar, decorar e servir, no balcão, bebidas solicitadas pelos clientes; Examinar, controlar, verificar o funcionamento e a limpeza dos utensílios e 30 equipamentos do bar; Organizar e controlar o estoque de bebidas; Orientar e treinar os garçons e commis do bar. O Chefe de room-service Ao chefe de andares compete o encargo de supervisionar e organizar o serviço de lanches rápidos e café da manhã dos andares junto aos apartamentos, auxiliado pelo garçom. Trata-se de um profissional que, em muitas ocasiões, deverá se comunicar com os clientes, neste sentido, faz-se necessário ter fluência em mais de um idioma. Entre suas responsabilidades, destacam-se: Coordenar os trabalhos do serviço de comidas e bebidas diretamente nos apartamentos dos hóspedes; Coordenar o mise-en-place do room-service; Orientar e supervisionar o trabalho dos garçons e commis do room- service; Treinar e preparar os colaboradores de acordo com as técnicas específicas do trabalho. A seguir veremos como a brigada deve apresentar-se e a conduta destes profissionais nos serviços do restaurante, do bar e do room-service. 8.1 A Apresentação pessoal e a conduta profissional da brigada de serviço A apresentação pessoal e conduta dos profissionais que integram a brigada de serviço da área de A&B são de grande importância para a definição do nível técnico e da classe destes estabelecimentos. A apresentação pessoal funciona como um marketing promocional da empresa, uma vez que esses profissionais terão um contato direto com os clientes. Assim como as atitudes. As pessoas frequentam restaurantes e bares não somente para degustarem uma boa alimentação ou bebidas, mas também para rever um amigo, realizar um negócio, etc. Neste sentido, a brigada de serviços deve estar suficientemente 31 preparada para lidar com essas pessoas. Para isso, deve ser possuidora de inúmeros atributos físicos, intelectuais, profissionais e morais que, necessariamente, fazem parte do perfil profissional de cada um dos componentes da brigada. Podemos destacar: Asseio e bons hábitos – por se tratar de locais onde são manipulados alimentos, a higiene deve primar sob todos os aspectos: mãos e unhas limpas, barba feita, higiene bucal, cabelos cortados, banhos diários, perfumes e jóias discretos. Além disso, a brigada deve cultivar hábitos e maneiras convenientes, tais como: evitar passar a mão nos cabelos, nos olhos, no nariz e na boca; não fumar; não mascar chicletes; não se encostar a paredes e móveis; não enxugar o rosto com o guardanapo de serviço; estar sempre alerta para bem atender aos clientes; manter-se bem-humorado; ter bom equilíbrio emocional e não se intrometer em conversas de clientes. Uniforme – é um valioso componente para a boa aparência do pessoal da brigada, fator de fundamental importância para o sucesso do estabelecimento. Esses devem ser apresentados constantemente bem higienizados e bem conservados. A escolha dos uniformes deve levar em consideração o clima da região, a idade e sexo do profissional, o conforto para facilitar os movimentos necessários para a execução dos serviços, buscando sempre uma harmonia com a decoração do ambiente. A boa qualidade dos tecidos também contribui de forma positiva para sua aparência e durabilidade. Os sapatos devem ser confortáveis, mantidos sempre limpos e engraxados, em cores que combinam com os uniformes e ter saltos de borracha para evitar ruídos e deslizamentos. Postura – o primeiro contato que o cliente tem ao entrar no restaurante ou bar é com a brigada. Por isso, é fundamental que a brigada mantenha-se numa postura correta, mas à vontade, demonstrando hábitos e gestos adequados e evitando permanecer agrupados ou manter conversas em voz alta. Cortesia / educação - a cortesia deve estar presente em todo o agir da brigada de serviço, necessária tanto para os clientes como para os colegas de trabalho. Os profissionais dos estabelecimentos de A&B devem agir sempre com delicadeza, tato e boa educação, sem cair no esnobismo. Isto significa que se devem agradar os clientes através de um trabalho profissional bem-executado. 32 Espírito de equipe e honestidade – o sucesso do empreendimento depende da cooperação de toda a brigada, isto é, da solidariedade profissional. O espírito de equipe implica em: realização do trabalho com participação de outras pessoas; ajuda aos colegas, quando for necessário; manutenção de um ambiente livre de intrigas e de “fofocas”. A honestidade deve ser um componente fundamental na vida profissional de qualquer categoria. Autodomínio – os profissionais da brigada de restaurante e bar, deve possuir paciência para suportar, não raro, o mau humor e mesmo a má educação de muitos clientes. Deve-se evitar discussões e dispensar-lhes atenção e cortesia. Formação Profissional - O bom serviço depende de um elenco de conhecimentos, habilidades e atitudes profissionais por parte do pessoal da brigada, o que exige treinamento e formação de todo o quadro de pessoal. ATIVIDADE 1- atende aos objetivos 1 e 2 Faça um levantamento no município ou bairro - caso residem em um município muito grande, sobre quais as tipologias de restaurantes e bares existentes. Não esqueça de incluir os restaurantes e bares dos meios de hospedagens da sua localidade. Procure informar como é formada a sua brigada e os tipos de serviços utilizados, descrevendo-os. RESPOSTA COMENTADA Ao executar a atividade o aluno vai vivenciar na prática as tipologias de restaurante e de bares existentes nos meios de hospedagem na sua localidade e vai poder refletir do porque da não existência de determinadas tipologias naquela região. Vai observar que a constituição da brigada varia, que empreendimentos, as vezes do mesmo porte, não contempla todas as indicações da literatura. Mostramos o ideal, pensando na qualidade dos serviços, porém, cada um adapta a sua realidade. Em localidade menor, um profissional da área de A&B costuma acumular funções, devido a baixa demanda de hóspedes. 33 FIM DA RESPOSTA COMENTADA ATIVIDADE 2 Realize uma pesquisa em jornais, revistas ou na internet sobre as novas tendências que estão surgindo no setor de A&B em relação aos tipos de restaurantes e bares, que não foram contemplados nesta aula, e comente sobre suas características. CONCLUSÃO Quando umapessoa decide ir a um restaurante, não está pensando somente em se alimentar. O cliente, ao pensar em comer e beber em um estabelecimento está também em busca de um bom ambiente, prestígio e atenção – o que inclui serviço impecável e limpeza. A busca por essas experiências passa não só pelo paladar, mas por todos os outros sentidos. É fundamental que a brigada seja bem coordenada e distribuída para o atendimento ao cliente. Conhecer os diversos tipos de restaurante e bares, assim como as suas características e os diferentes tipos de serviços de sala é de grande importância para um melhor planejamento das atividades referentes à gestão e planejamento dos estabelecimentos de A&B. RESUMO Existem diversos tipos de restaurantes e similares que têm por principal finalidade oferecer aos clientes as mais variadas opções de atendimento, relacionando preço, qualidade dos serviços e instalações ao tipo de serviço. Temos como os principais tipos de restaurantes: restaurante internacional, gastronômico, típico, tradicional, de coletividade, buffet, churrascaria, pizzaria, etc. Em um restaurante, há vários tipos de serviços de pratos para o atendimento aos clientes. Entre os serviços mais utilizados podemos destacar: serviço à francesa; serviço à inglesa direto; serviço à inglesa indireto (com gueridon); serviço empratado e self-service. 34 O bar é o local onde são servidas bebidas diversas, acompanhadas, por vezes, de petiscos ou comidinhas. Na atualidade os mais usuais são: taberna, pub, american-bar, snack-bar, entre outros. O papel de alguns dos cargos da brigada do restaurante: o Maître: reporta-se ao gerente de A&B e é responsável por todos os colaboradores do setor de restaurante; o Sommelier: participa de todo processo relacionado ao serviço de vinhos dentro de um empreendimento de A&B, desde a avaliação dos pratos e compras desses vinhos para harmonização com os mesmos, até ao atendimento ao cliente para indicação dos vinhos; o Chefe de fila: responsável pela chefia dos garçons e commins, reportando-se diretamente ao maître. Quando necessário, substitui o maître. O Hostess: reporta-se diretamente ao maître, e tem como objetivo recepcionar os clientes na porta do restaurante e levá-los até a mesa, responsável também pelas reservas; o Garçom: tem como função elementar servir aos clientes; o Commim: auxilia o garçom em suas tarefas e normalmente é quem retira a louça suja das mesas. Informação sobre a próxima aula Na próxima aula, iremos conhecer a necessidade de um estoque e seu funcionamento no departamento de A&B. Iremos também aprender a operacionalidade do almoxarifado e do setor de compras deste departamento. BIBLIOGRAFIA Barreto, Ronaldo Lopes Pontes. Passaporte para o sabor: tecnologias para planejamento de cardápios. 5 ed. São Paulo: SENAC, 2005. Fonseca; Marcelo Traldi. Tecnologias gerenciais de restaurantes. 4 ed. São Paulo: SENAC, 2006. Freund, Francisco Tommy: Festas e recepções: gastronomia, organização e cerimonial. Rio de Janeiro: Ed. SENAC Nacional, 2002. ______, Francisco Tommy. Alimentos e Bebidas: Uma visão gerencial. Rio de Janeiro: Ed. SENAC Nacional, 2005. 35 PACHECO, Aristides de Oliveira. Manual do maître d’hôtel. 5ª.ed. São Paulo: SENAC, São Paulo, 2005.