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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES AVM FACULDADE INTEGRADA PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” A PESQUISA DE CLIMA ORGANIZACIONAL E SUA IMPORTÂNCIA ENQUANTO AÇÃO ESTRATÉGICA PARA GESTÃO DE PESSOAS Clarisse Rohsner Bornéo da Silveira Orientador Prof. Antônio Medina Rio de Janeiro 2016 DO CU ME NT O PR OT EG ID O PE LA LE I D E DI RE ITO A UT OR AL 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES AVM FACULDADE INTEGRADA PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” A PESQUISA DE CLIMA ORGANIZACIONAL E SUA IMPORTÂNCIA ENQUANTO AÇÃO ESTRATÉGICA PARA GESTÃO DE PESSOAS Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Empresarial. Por: Clarisse Rohsner Bornéo da Silveira 3 RESUMO O presente trabalho realizado através de revisão na literatura sobre Clima Organizacional, analisando sua evolução e influência no comportamento das pessoas nas organizações. No decorrer desta explanação foram apresentados conceitos de clima organizacional, cultura e suas relações e diferenças. É destacada a importância da avaliação de clima organizacional, as estratégias utilizadas, os tipos de clima e o impacto na qualidade dos serviços. Mostra, ainda, que identificar fatores capazes de promover a motivação dos empregados pode ser uma das tarefas mais importantes no contexto organizacional. Detalha, por final, como um bom ambiente de trabalho eleva a satisfação de seus colaboradores, o que afeta de forma positiva os resultados e de que forma as empresas devem buscar propiciar as melhorias no clima. 4 METODOLOGIA A metodologia utilizada no trabalho foi a leitura de livros e artigos sobre o tema, o que possibilitou a explanação do conceito de vários autores. 5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 06 CAPÍTULO I - Conceito de Clima Organizacional e bases científicas 07 1.1 Clima organizacional 07 1.2 Cultura organizacional 08 1.3 Clima x cultura organizacional 10 CAPÍTULO II - Fatores associados à cultura e ao clima Organizacional 11 2.1 A importância da avaliação do clima organizacional 12 2.2 O impacto do clima organizacional na qualidade dos serviços 14 2.3 Os tipos de Clima 15 2.4 Indicadores de Clima 15 2.4.1 Entrevista de Desligamento 17 2.5 Motivação 17 2.6 Trabalho em equipe 18 2.6.1 Diferença entre trabalho em grupo e trabalho em equipe 22 2.7 Liderança 24 2.7.1 Diferença entre líder e chefe 25 2.7.2 A influência da liderança no clima organizacional 26 CAPÍTULO III – A avaliação de Clima Organizacional 17 3.1 Técnicas de pesquisa de clima organizacional 27 3.2 Variáveis organizacionais 27 3.3 Onze etapas para montagem e aplicação de uma pesquisa de clima 29 3.4 Importantes perguntas de uma pesquisa de clima 30 3.5 Recomendações Importantes 30 3.6 Pesquisas socioeconômicas como complemento à pesquisa de clima31 3.7 Ações de melhoria de clima e qualidade de vida no trabalho 33 CONCLUSÃO 33 BIBLIOGRAFIA 35 6 INTRODUÇÃO O mundo em que vivemos tem passado por profundas e complexas transformações, em função da Globalização, dinamismo científico, tecnológico, competitividade e organização do trabalho, o que vêm impondo novos rumos aos processos de gestão. Uma mudança que ganha crescente importância nos últimos anos no processo de gestão é o capital humano e a valorização que do indivíduo nas organizações de trabalho, pois as pessoas são responsáveis por criação de ideias, de concretização de projetos e de transformação de metas e resultados. Nesse sentido, é importante que além do investimento no potencial humano, as organizações proporcionem aos seus colaboradores, maior satisfação em relação ao seu ambiente de trabalho. E então, surge a importância da Gestão de Clima Organizacional que, através de pesquisas e análise das informações, pode-se criar estudos e ferramentas capazes de melhorar a satisfação no trabalho, aumentando o desempenho das pessoas e das organizações. Este trabalho tem como objetivo principal analisar a importância do estudo do clima organizacional e seus efeitos no ambiente de trabalho, relação com o sucesso dos negócios e qualidade de vida dos colaboradores. Apresenta como objetivos específicos listar as variáveis que influenciam no clima organizacional, analisar o que gera prazer e motivação aos funcionários, entender o que causa insegurança e medo e identificar a melhor maneira para as empresas utilizarem a gestão do clima como diferencial competitivo. Assim, será apresentado um breve histórico sobre cultura organizacional, gestão de clima organizacional, tipos de clima, etapas para montagem de uma pesquisa de clima em um ambiente de trabalho, e ainda, uma breve relação com a gestão de competências. 7 CAPÍTULO I CONCEITO DE CLIMA ORGANIZACIONAL E SUAS BASES CIENTÍFICAS 1.1 Clima Organizacional Para Luz (2014), “Clima organizacional é a atmosfera psicológica que envolve, num dado momento, a relação entre a empresa e seus funcionários. ” Já Chiavenato (2004) define Clima Organizacional constitui o meio interno de uma organização, a atmosfera psicológica e característica que existe em cada organização. O Clima organizacional é o ambiente humano dentro do qual as pessoas de uma organização fazem seu trabalho. Constitui a qualidade ou propriedade do ambiente organizacional que é percebida ou experimentada pelos participantes da empresa e que influencia o seu comportamento (CHIAVENATO, 2005, p.52). Coda (1996), explica que a palavra clima tem origem no termo Klima, que significa tendência, inclinação, atmosfera, o que estreita a relação do conceito de clima organizacional com as condições ambientais e meteorológicas. É comum olhar para o céu e dizer: “o clima está pesado”, ou então: “será que o clima hoje vai melhorar? ” Quando o clima está ensolarado, a possibilidade de uma pessoa estar de bem com a vida é maior, pois poucas pessoas apreciam dias cinzentos e chuvosos. Com o clima organizacional acontece o mesmo, quando é favorável provoca maiores níveis de satisfação no trabalho. Essa relação direta de causa e efeito justifica a importância dada ao conceito e a atenção que ele vem recebendo hoje, apesar de não ser uma ideia nova em administração. De acordo com Coda (1996), o início dos estudos sobre clima organizacional teve sua origem nas escolas de administração dos EUA, em 1967. Após as primeiras pesquisas e algumas publicações a respeito, 8 efetivou-se o conceito caracterizando o clima como um estado fortemente afetado pelas condições existentes na empresa, principalmente o estilo gerencial. Portanto, faz mais sentido falar em dimensões do clima organizacional, já que a exemplo do que acontece com a atmosfera, o clima é resultado de diferentes combinações dos elementos (política salarial, modelo de gestão, processo de comunicação, estilo de liderança, reconhecimento) que o constituem. Uma das propriedades do clima organizacional é ser mutável e também relativamente maleável, ou seja, pode ser modificado através de ações políticas gerenciais. E, ainda, bastante influenciado por valores e normas grupais mais duradouros, isto é, pela cultura gerencial. 1.2 Cultura Organizacional De acordo com Gil (2001) todas as organizações apresentam uma cultura organizacional, que se caracteriza pelos valores, pela regularidade do comportamento dos seus membros, pela filosofia que guia suas políticas e pelo clima. Acrescenta ainda, que abordar temas relacionados à cultura organizacional constitui um dos mais delicados empreendimentos no campoda administração de empresas, já que envolve diversos aspectos que as empresas mais valorizam e que, muitas vezes, constituem a própria razão de sua existência. Ainda segundo o autor, as empresas que promovem seu ajustamento cultural em relação às mudanças ambientais, apresentam melhores condições para se desenvolver quando comparadas às mais rígidas em relação aos estímulos externos. Sampaio (2004) se reporta a cultura como um conjunto de pressupostos básicos, valores, crenças e expectativas e afirma que se pode compará-la a um iceberg, onde na superfície, onde encontram-se os aspectos visíveis e formais da cultura, estão os objetivos, a tecnologia, a estrutura, os recursos financeiros, política e procedimentos, representando a cultura patente. Abaixo da superfície, representando da cultura latente, estão os 9 aspectos informais, tais como percepções, atitudes, sentimentos, valores, interações e normas. Os aspectos patentes são de fácil percepção e compreensão, visto que normalmente são explicitados em discurso e em documentos, enquanto os latentes normalmente não são ditos, não se encontram registrados e, muitas vezes, fazem parte do inconsciente daqueles que atuam em uma organização. Segundo Ferreira (2013), a cultura de uma empresa é o conjunto de normas, regras, valores e atitudes, que pode ter sido desenvolvido pelo fundador da organização, dando a esta um modo particular de ser, com características próprias que a distingue das demais. Esta cultura é passada aos novos membros como a forma correta de se pensar e agir, determinando o que deve ser seguido e o que deve ser evitado. A cultura exerce uma forma de controle e representa a identidade da organização. O autor atribui a cultura em três níveis: Artefatos: correspondem ao nível superficial e perceptível, engloba os aspectos visíveis, tais coo organograma, diretrizes e políticas, produtos e serviços, padrões de comportamento e vestuário das pessoas. Valores compartilhados: são os valores relevantes, os importantes, que definem a razão pela qual as coisas são feitas. Pressuposições básicas: representam o nível mais profundo e oculto da cultura, pois nele estão as crenças inconscientes, percepções e sentimentos, são todas as regras não escritas e nem faladas. Ainda de acordo com Ferreira (2013), a cultura é retratada na missão, objetivos, estilos de gestão, forma de comunicação, tomada de decisão, delegação de poder e história da organização, que representam formas de expressão da cultura. Segundo Luz (2014), a cultura organizacional influencia o comportamento de todos os indivíduos e grupos dentro da organização. Isso nos diz que ela impacta o cotidiano da organização, nas decisões, nas atribuições de seus funcionários, nas formas de recompensas e punições, nas formas de relacionamento com seus parceiros comerciais, no seu mobiliário, o 10 estilo de liderança adotado, no processo de comunicação, na forma como seus funcionários se vestem e se portam no ambiente de trabalho, no seu padrão arquitetônico, na sua propaganda, etc. A cultura de uma empresa acaba reforçando o comportamento de seus membros, determinando o que deve ser seguido e o que ser evitado. Ela exerce, além de um significado simbólico, um sentido político e de controle. Ela é constituída de aspectos que dão às organizações um modo particular de ser. A cultura está para a organização, assim como a personalidade está para o indivíduo. Ela é um conjunto de crenças, valores, estilos de trabalho e relacionamentos, que diferencia uma organização de outra. Ela é a identidade da organização, assim como a identidade e o reconhecimento dos próprios funcionários. A cultura organizacional também decorre dos valores culturais da sociedade na qual está inserida a empresa. As empresas não são entidades isoladas, elas estão associadas na cultura nacional. 1.3 Clima X Cultura Organizacional A cultura organizacional e o clima são fenômenos complementares, pois um é consequência do outro, de acordo com Ferreira (2013). Podemos observar também que clima e cultura são fenômenos intangíveis, apesar de manifestarem-se de forma concreta. Apesar de ser intangível, a cultura se manifesta através da arquitetura, das edificações, do modo de vestir se comportar do corpo de funcionários. A cultura tangibiliza-se também através também dos relacionamentos da empresa com os seus parceiros comerciais. Uma empresa essencialmente conservadora manifestará esse valor nas suas propagandas e na forma como ela lida com os avanços tecnológicos. Por outro lado, uma empresa inovadora, arrojada, demonstrará seus valores culturais através de seus produtos, processos, tecnologia, etc. 11 A cultura manifesta através dos rituais de uma empresa, de seus códigos, símbolos que caracterizam o seu dia a dia. Essa identidade vai impactando positiva ou negativamente o estado de ânimo das pessoas que nela trabalham. Algumas empresas são regidas em seus aspectos disciplinares. Algumas são extremamente formais nas suas relações de trabalho, enquanto que outras são demasiadamente informais. Umas são conservadoras, outras inovadoras. Umas são ágeis, outras lentas. Umas são modernas, outras retrógradas. Como se vê, cada empresa tem o seu jeito de ser, o que a torna um lugar especial, ou extremamente difícil de se trabalhar. Ainda Luz (2014) clima é um fenômeno temporal, refere-se ao estado de ânimo dos funcionários de uma organização, num dado momento e a cultura decorre de práticas recorrentes, estabelecidas ao longo do tempo. O clima é reflexo da cultura da organização como um todo. Luz (1995) diz que o “clima é resultante da cultura das organizações, de seus aspectos positivos e negativos(conflitos).” Soares (2002) afirma que “o clima mapeia o ambiente interno que varia segundo a motivação dos agentes. Aprende suas reações imediatas, suas satisfações e suas insatisfações pessoais”. Em síntese, o mudanças no clima são de fáceis percepção pois são de natureza transitória, podendo ser administradas a curto e médio prazo. Já mudanças na cultura são profundas e levam mais tempo para acontecer. 12 CAPÍTULO II FATORES ASSOCIADOS À CULTURA E AO CLIMA ORGANIZACIONAL 2.1 A Importância da Avaliação do Clima Organizacional Segundo Luz (2014), a avaliação do clima organizacional : I. É uma de suas principais obrigações, de seus principais compromissos. Faz parte da sua missão. II. Constitui uma oportunidade de realizar melhorias contínuas no ambiente de trabalho e nos resultados dos negócios. III. Os clientes internos são a razão de ser de cada pessoa ou de cada setor de uma empresa. Logo, a empresa deve mantê-los satisfeitos. IV. O desempenho dos recursos humanos afeta o desempenho organizacional e porque o desempenho dos recursos humanos é afetado pela sua motivação. V. A recessão, o intenso uso da automação, o aumento da concorrência, assim como as novas estratégias de gestão, como a terceirização, a reengenharia, o downsizing, a privatização, a fusão, a aquisição e as alianças estratégicas vêm ceifando milhares de empregos, modificando a atitude dos trabalhadores em relação às suas empresas. VI. As recentes ondas de privatizações, fusões, aquisições, alianças estratégicas e outras formas de associação vêm misturando culturas empresariais, com valores e crenças muitas vezes conflitantes, o que tem contribuído para a degradação do clima organizacional. 13 Ainda de acordo com Luz (2014), existem duas formas de avaliar o clima e dois níveis de responsabilidade na sua avaliação: Ø Avaliação Setorial: cada gestor tem a responsabilidade de ouvir individualmente os membros de sua equipe de trabalho. O gestor tem a responsabilidade de manter seus subordinados satisfeitos, motivados, porque o desempenhode cada funcionário depende de sua capacitação e motivação para o trabalho. Todo aquele investido das funções de chefia tem a responsabilidade de avaliar o clima em cada unidade, pois chefiar é obter resultados através de outras pessoas, então é necessário que se procure conhecer o ambiente de trabalho, o grau de confiança, a harmonia e a cooperação existentes entre os membros de sua equipe. Compete aos gestores, a avaliação do clima, independente do seu cargo ou nível hierárquico. Encarregados, supervisores, coordenadores, gerentes, diretores, todos têm o compromisso de monitorar o clima de sua unidade e intervir sempre que necessário. Ø Avaliação Corporativa ou Institucional: é responsabilidade do RH avaliar o clima organizacional. É de competência do RH ouvir coletivamente os funcionários, já que sua missão é assegurar que a empresa tenha um bom ambiente de trabalho e que os funcionários se sintam satisfeitos e realizados neste. Cabe ao RH a responsabilidade pelo diagnóstico, monitoramento e intervenções nas causas que impactam negativamente o ambiente de trabalho. Em alguns organogramas da área de RH já encontramos um órgão responsável pela Ambiência Organizacional. A quem compete 14 A avaliação institucional do clima compete do RH, porém ele pode ser auxiliado por uma consultoria externa. A grande vantagem da consultoria é a sua isenção, que elimina qualquer suspeita por parte dos empregados sobre eventual manipulação. Outra vantagem refere-se ao conhecimento especializado no assunto. Nem sempre o executivo de RH tem experiência na condução desse tipo de pesquisa. Um outro ponto a favor da parceria com uma consultoria externa é que ela possui informações sobre o resultado de pesquisas aplicadas em outras empresas (benchmarking). Considerando que as estruturas das empresas estão ficando cada vez mais enxutas e as pessoas cada vez mais assoberbadas, outra vantagem é que a consultoria alivia o RH de mais um projeto, entre tantos que ele tem para realizar. Contudo, a decisão quanto ao uso de uma consultoria externa deve ficar por conta de cada empresa, que deve avaliar suas necessidades e peculiaridades: porte, complexidade do ambiente e do negócio, estrutura da área de recursos humanos, rapidez na apresentação do resultado, disponibilidade financeira, experiência da equipe de RH com esse tipo de projeto, entre outros. 2.2 O Impacto do Clima Organizacional na Qualidade dos Serviços Através de uma pesquisa de clima, as empresas têm a possibilidade de encontrar respostas para melhorar o contexto interno e, com isso, melhorar a qualidade dos seus serviços. Muitas vezes, o trabalho não é bem realizado porque o profissional não está a fim de fazê-lo ou não quer fazê-lo melhor, mesmo que saiba e possa. Para uma boa performance é preciso querer fazer um bom trabalho. As empresas criam centrais de atendimento a clientes externos (SAC), mas não fazem o mesmo para os clientes internos. É importante saber que a percepção de satisfação dos clientes externos é transmitida pelos clientes internos. 15 Algumas empresas investem em melhoria de produtos, mas se esquecem da qualidade dos serviços prestados. Investir na gestão do clima contribui para a melhoria dos serviços. No entanto, é importante que os funcionários entendam que a pesquisa é um primeiro passo no processo de avaliação e melhoria do ambiente de trabalho e colaborem com respostas verídicas. 2.3 Os Tipos de Clima Luiz (2014) define o clima como bom, prejudicado ou ruim. Clima bom é quando predominam as atitudes positivas que dão ao ambiente um ar favorável, ou seja, os colaboradores trabalham com alegria, confiança, entusiasmo, engajamento, participação, motivação, comprometimento. Um bom indicador de clima favorável é quando os funcionários indicam seus conhecidos para trabalharem na empresa, pois sentem orgulho em participar dela. O clima fica prejudicado ou ruim quando variáveis afetam de forma negativa o ânimo dos funcionários, gerando tensões, discórdias, rivalidades, conflitos, ruídos nas comunicações, etc. Exemplo típico de desaprovação dos funcionários é quando o clima onde trabalharam é tão ruim que chegam a omitir sua passagem profissional pela empresa, não citando em seus currículos, temendo sua reputação no mercado de trabalho. 2.4 Indicadores do Clima Ricardo Luz (2014) cita alguns indicadores que nos dão sinais sobre a qualidade do clima, apesar de ser abstrato, ele se materializa. A observação de alguns indicadores, auxilia a identificar se o clima está bom ou ruim, porém não fornecem os elementos que fornecem as causas dos problemas. 16 § Turnover ou rotatividade de pessoal – o entra e sai de pessoas (admissões e desligamentos), quando elevado, pode representar que algo vai mal, representa uma falta de comprometimento das pessoas e insatisfação com a empresa. § Absenteísmo – muitas faltas e atrasos, sinaliza também falta de comprometimento e satisfação com a empresa. § Depredação do patrimônio da empresa, pichações nos banheiros – atitudes de revolta indicam insatisfação do funcionário. § Greves – as greves, muitas vezes revelam o descontentamento dos funcionários com a empresa, apesar delas estarem vinculadas ao descumprimento de obrigações legais dos empregadores. § Conflitos interpessoais e interdepartamentais – são fortes indicadores, pois é a forma mais aparente de clima de uma empresa, o relacionamento entre as pessoas é o que define um clima tenso ou agradável. § Programas de sugestões – podem apresentar uma reação dos funcionários em relação à empresa, não demonstrando em número ou qualidade as sugestões esperadas. § Desperdícios de material – uma reação à insatisfação das condições de trabalho é danificar materiais, utilizando de forma excessiva ou incorreta. É uma forma de revolta dos trabalhadores. § Avaliação de desempenho – por meio de avaliações formais, é possível entender as necessidades e motivações que afetam o desempenho dos funcionários e proporcionam satisfação no ambiente de trabalho. § Queixas no serviço médico – os funcionários vão aos consultórios médicos e acabam fazendo queixas de suas condições de trabalho, angústias, humilhações, sobrecarga de trabalho, exposição a situações vexatórias, constrangimentos, discriminações, e muitos desses problemas transformam-se em distúrbios emocionais, que acabam gerando doenças e influenciando negativamente na qualidade de vida dos empregados. 17 2.4.1 Entrevista de Desligamento A pesquisa de desligamento é uma das principais ferramentas do estudo do clima organizacional, principalmente se considerada em perspectiva histórica. Isto porque nem sempre contratações e demissões de pessoas são soluções para problemas de desempenho das empresas. As deficiências geradas pela má qualidade dos serviços podem estar relacionadas a um clima organizacional negativo. Através de entrevistas de desligamento identifica-se o grau de satisfação ou insatisfação do funcionário que está deixando a empresa pois diversos fatores podem levar a uma demissão ou solicitação de desligamento, como o tipo de trabalho desenvolvido, remuneração, supervisão, relacionamento interpessoal, comunicação, desenvolvimento, oportunidades de progresso profissional, condições físicas no trabalho, etc. De acordo com Ferreira (2013) a entrevista proporciona à empresa a possibilidade de compreender como os desligados percebiam o seu ambiente de trabalho e aplicar medidas para corrigir eventuais problemas. Entretanto, nada se pode fazer quanto ao funcionário desligado, mas somente evitar novos desligamentos por motivos similares. 2.5 Motivação Segundo Gil (2001), o comportamento humano é motivado pelo desejo de atingir algum objetivo. Nem sempre este objetivo é conhecido pelo indivíduo.Por mais motivado ou desmotivado que um colaborador esteja, é papel das organizações trabalhar essa motivação do indivíduo. O clima organizacional bem administrado tem papel fundamental na motivação dos colaboradores. Até pouco tempo atrás, as pessoas não manifestavam suas opiniões e não manifestavam opiniões sobre o local e contexto que estavam inseridas. 18 Iniciou-se dentro das organizações um processo de democratização e valorização das pessoas. Com essa abertura, muitas ações que antes eram ideias motivacionais, hoje são integrantes ao trabalho, como Bônus, benefícios, e até o próprio salário. Grandes pontuadores motivacionais de acordo com pesquisas, são as políticas organizacionais, condições de trabalho, estabilidade e reconhecimento pessoal. Em longo prazo, desafios e realização profissional e qualidade de vida são importantes fatores atuais para motivar os trabalhadores. Além disso, líderes que valorizam seus liderados criam ambientes sadios e atingem maior engajamento por parte dos membros. Assim como Gil (2001) afirma que a motivação é a chave para o comprometimento. Dessa forma, é mais fácil para as empresas conseguirem pessoas competentes do que comprometidas. Por isso, uma tarefa importante é identificar os fatores capazes de promover a motivação dos empregados. Compete então aos gestores, identificar a melhor maneira de liderar e exercitar diariamente o ato de motivar e não somente nos tempos de crise. 2.6 Trabalho em Equipe Trabalho em equipe é vital para o sucesso de qualquer empreendimento coletivo, tanto para o atingimento dos objetivos, quanto para as relações humanas e satisfação das pessoas. A busca pela qualidade, e maior competitividade entre as empresas, tem levado as organizações a se adaptarem à melhor forma de trabalhar e o trabalho em equipe tem demonstrado a melhor ferramenta a ser utilizada. Para se desenvolver um bom trabalho em equipe é imprescindível um bom clima organizacional. Para Maximiano (1993), um conjunto de propósitos bem definidos é a condição mínima para eficácia de um grupo de trabalho. A razão mais importante para isso é o efeito agregador, motivador e orientador exercido sobre os membros do grupo. A falta de objetivos, ou de um problema definido 19 para resolver, causa em muitas pessoas uma profunda insatisfação ou sentimento de frustração, que pode provocar sua saída do grupo, O próprio grupo, como conjunto, acaba se ressentindo da falta de propósitos e pode caminhar para dissolução. Um grupo de trabalho, como qualquer organização, precisa de propósitos com diferentes níveis de amplitude e alcance. Em primeiro lugar, um grupo precisa de uma missão – uma razão de ser, ou, de forma genérica para muitos tipos de grupos, um produto ou serviço destinado a um cliente ou usuário. Além de uma missão, um grupo precisa de objetivos específicos, como resultados esperados de projetos, taxas de rentabilidade, metas a serem atingidas num período de tempo, e assim por diante. Embora teoricamente todo grupo de trabalho tenha missão e objetivos pré-definidos quando de sua formação, na prática isso pode não acontecer ou se modificar com a passagem do tempo, daí a necessidade de revisão e manutenção constante ou periódica dos propósito dos grupos. Também Maximiano (1993), um grupo é um conjunto de pessoas que interagem: elas se veem, fazem alguma coisa juntas, conversam ou partilham um espaço. Embora seja uma forma elementar de definir e interpretar um grupo, a interação é também a pedra de toque para a eficácia de uma equipe. Para poder apresentar algum tipo de resultado, um grupo deve permanecer estável o tempo suficiente para que seus integrantes possam definir objetivos, dividir tarefas e, finalmente, fazer algo de concreto. Para ele, a motivação, agrega as pessoas que já fazem ou vão fazer parte do grupo. Muitas vezes se ajuntam pessoas que se evitariam se pudessem ou se colocam pessoas para trabalhar em atividades nas quais elas não têm o menor interesse. Sem esse tipo de motivação, é praticamente impossível que um grupo desenvolva a capacidade de trabalhar em equipe. Muitos grupos são formados por pessoas que se associam porque isso lhes traz alguma espécie de recompensa ou lhes permite realizar objetivos comuns. Quanto maior o benefício trazido pelo objetivo, mais é provável que as pessoas se esforcem para realizá-lo. A divisão de papeis e tarefas entre os membros de um grupo é a ferramenta que permite 20 a realização de objetivos. Num grupo bem organizado, cada integrante conhece seu papel e os papeis dos colegas. Para Maximiamo (1993), um grupo, na verdade, somente é um grupo quando seus integrantes se percebem como tal, como partes da mesma identidade coletiva. Não basta que um conjunto de pessoas interajam, estejam organizadas e sintam a mesma motivação pelos seus objetivos para se caracterizarem como grupo. É necessário, principalmente, que elas se percebam como sendo partes de um mesmo todo, e que cada um veja as demais da mesma forma. A percepção cria o sentido de grupo psicológico – um aglomerado de pessoas que se identificam e permanecem associadas umas às outras, formando uma coletividade indiferente à distância e passagem do tempo. Como um grupo só pode ser produtivo na medida em que todos deem sua contribuição, o papel principal do participante torna-se simplesmente esse: participar. Um grupo onde ninguém participe, não existe um grupo, mas simplesmente como agregado de pessoas. A participação é também uma maneira de possibilitar o crescimento das pessoas. A história, a literatura e as lendas dão-nos inúmeros exemplos de grupos que tiveram a capacidade de ser maiores que a simples soma de seus integrantes ou que foram excepcionalmente eficazes na execução de uma tarefa. Grupos assim servem como padrões superiores de referência para todos ou outros: − Os cavaleiros da távola redonda − Os doze apóstolos − Os doze condenados − Os sete samurais − Os três mosqueteiros Todos esses grupos eram formados por pessoas de grande talento individual, que se ampliava consideravelmente quando combinado com os talentos dos colegas. Desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe não é resultado que se alcance de um dia para outro. Mesmo que se consiga montar 21 um time de craques, coisa extremamente difícil, é necessário investir continuamente na capacitação do conjunto, bem como preparar-se para enfrentar situações novas ou realçar pontos que os integrantes não percebam. Além disso, é necessário lidar com o efeito abrasão: a passagem do tempo, inevitavelmente, provoca a perda e a necessidade de substituir pessoas da equipe. De todos os fatores que afetam o desenvolvimento e a eficácia de uma equipe, o comportamento dos indivíduos é o mais importante. A primeira qualidade importante que o integrante de um grupo deve ter é uma combinação de interesse e capacidade de aprender e, acima de tudo, de aprender a trabalhar em grupo e de ajudar o grupo, pela observação e aprimoramento de seu próprio comportamento e de seus colegas. A pessoa que ajuda o grupo tem a habilidade não apenas de se relacionar com os outros, mas também de facilitar o relacionamento entre os outros. O processo e as habilidades de comunicação desempenham um papel preponderante no trabalho em grupo: ouvir, exprimir-se e controlar as emoções no processo de relacionamento interpessoal estão entre os mais importantes aspectos que devem ser considerados pelo participante que busca o aprimoramento. Um dos pontos fortes e fracos de um grupo se evidenciam quanto todos ou uma parte significativa de seus integrantes estão reunidos numa sessão de trabalho, resolvendo um problema, tomando uma decisão ou desenvolvendo qualquer outro tipo de atividade coletiva. Uma reunião é uma oportunidadepara observar o relacionamento entre os membros do grupo, seu estilo de trabalho e muitos outros aspectos de seu comportamento. Aquilo que é difícil de analisar a longo prazo muitas vezes se torna transparente quando o grupo está reunido. A motivação é uma peça chave no trabalho em equipe. Muitas vezes, quando estamos realizando uma tarefa sozinhos, perdemos o foco e não temos a efetividade que gostaríamos. Mas quando se trata de trabalho em equipe, uma pessoa motiva a outra, criando uma energia e uma dinâmica muito benéfica para a empresa. 22 Acesso ao site www.ibccoaching.com.br em 20 de março de 2016: “Uma das principais características procuradas hoje no mercado é saber trabalhar em equipe. Essa capacidade é bastante benéfica para o ambiente corporativo, pois permite que as tarefas sejam cumpridas com mais rapidez e eficiência, além de estimular o aprimoramento das habilidades de cada profissional.” A integração da equipe agrega valor ao serviço e gera confiança entre os colaboradores, o que proporciona um ambiente empresarial mais saudável, positivo e produtivo, gerando motivação entre os membros do grupo e os preparando par assumir desafios que levem ao crescimento da organização. Para destaque na carreira, é fundamental desenvolver habilidades essenciais para o trabalho em equipe. Afinal, um profissional capaz de gerir e motivar colegas, buscando sempre os melhores resultados e o desenvolvimento do grupo tem mais chances de ocupar uma posição de liderança dentro do empreendimento. 2.6.1 A Diferença entre trabalho em grupo e trabalho em equipe Trabalho em grupo e em equipe são utilizados como sinônimos. De acordo com Kenneth Corrêa (em administracaoegestao.com.br) analisa que a diferença entre eles se dá nas diferentes formas de agir e reagir de um conjunto de pessoas na busca dos resultados. Um grupo é uma reunião de pessoas que estão juntas por um tempo curto ou prolongado mas não necessariamente têm objetivos em comum. Cada grupo desenvolve um clima emocional próprio através do relacionamento entre os membros. Para que um grupo trabalhe como uma equipe é preciso desenvolver uma razoável competência interpessoal, através de aperfeiçoamento de suas habilidades de comunicação, liderança, divisão de tarefas, negociação. O clima afeta o trabalho e o desempenho. Equipe se forma quando os membros de um grupo compartilham objetivos e dependem uns dos outros para alcançar os resultados. http://www.ibccoaching.com.br/ 23 Um grupo transforma-se numa equipe quando observa o funcionamento do trabalho e busca resolver os problemas. O modo como os conflitos são enfrentados resulta no crescimento e desenvolvimento da equipe. O foco da equipe deve estar nas metas, objetivos, qualidade dos resultados, com a participação ativa de seus integrantes a equipe irá trabalhar no seu ponto máximo. Para transformar um grupo em equipe é necessário desenvolver uma competências e habilidades. Muitas pessoas acreditam que unindo um grupo de pessoas com muitos talentos forma-se uma equipe competente. Porém, para que isso aconteça, se faz necessária uma liderança efetiva e definição dos objetivos. Para formação de uma equipe é ideal que se tenha conhecimento dos objetivos a serem alcançados. Dessa forma, antes de montar sua equipe, responda às seguintes perguntas: − O que preciso alcançar? − Quando preciso alcançar? − Quais conhecimentos, competências e habilidades preciso na equipe? Como conseguir o comprometimento da equipe? − Quais recursos e orçamento? Códido de Ética da Equipe Kenneth afirma ainda que toda equipe, após formada, necessita de um tempo de integração, onde ocorrerá estabelecimento de limites entre os membros e as regras de trabalho, seu código de ética. Este período é uma oportunidade de estreitar os laços. Este código deve ser discutido por toda a equipe, para se chegar a um consenso em relação a definição de regras e valores em comum. Quanto mais claras as regras, menor possibilidade de conflitos, aumentando o grau de integração entre os colaboradores. Tal córigo deve ser reavaliado periodicamente e quando houver entrada e saída de membros da equipe. Cabe lembrar que estas regras (código de ética da 24 equipe) são regras de convivência que existem em qualquer grupo de pessoas, mas raramente são explicitadas ou discutidas. 2.7 Liderança Ao longo dos anos ouve-se muito falar em liderança. Pesquisas foram feitas com o propósito de conceituar o termo liderança. Chiavenato (2000) afirma que "liderança é a influência interpessoal exercida numa situação e dirigida por meios do processo da comunicação humana para a consecução de um determinado objetivo." Ressalta ainda que "liderança é o processo de exercer influência sobre pessoas ou grupos nos esforços para realização de objetivos em uma determinada situação" Maximiano(2000) diz que “a liderança é uma função, papel, tarefa ou responsabilidade que qualquer pessoa precisa desempenhar, quando é responsável pelo desempenho de um grupo”. Franco (2008) afirma que “a melhor maneira de conduzir uma empresa para o sucesso é por meio dos líderes que lá estão que viabilizarão os resultados por meio das pessoas”. Assim, os líderes são de extrema importância para o desempenho e o crescimento da organização, dirigindo equipes para servirem ao bem comum. Devem saber influenciar as pessoas para alcançar os objetivos estabelecidos e ainda, saber persuadir e entusiasmar as pessoas. Para Carlzon (2005), “Um líder não é escolhido porque sabe tudo e pode tomar qualquer decisão. É escolhido para reunir o conhecimento disponível e então criar os pré-requisitos para a realização do trabalho. Elabora os sistemas que lhe permitem delegar responsabilidade para as operações do dia-a-dia." Esses entre outros vários conceitos de liderança mostram que a figura do líder é fundamental no ambiente de trabalho pois é através de uma boa liderança que a empresa terá seus funcionários motivados, um clima organizacional com boas relações, clientes satisfeitos, resultados positivos, entre outros. 25 Além da função importante do líder, em qualquer grupo estabelecido, cada pessoa desempenha um papel próprio cujas funções são essenciais para que os objetivos da equipe sejam alcançados. 2.7.1 Diferença entre Líder e Chefe É muito comum observar que muitas pessoas em cargos de chefia não estão preparadas para conduzir uma equipe. Muitas acham que ser chefe é a mesma coisa que ser líder. Isso não é verdade, liderar não é a mesma coisa que chefiar. Segundo Tourinho (1981) "Chefe é alguém que exerce o poder de mando em virtude de uma autoridade oficial ou oficiosa. Líder é uma pessoa que, graças à própria personalidade e não a qualquer injunção administrativa, dirige um grupo com a colaboração dos seus membros”. Como já explicitado, o líder é a pessoa que dirige a equipe comajuda dos liderados, todos voltados para resultados coletivos. De acordo com Beal&Bohen&Raudabaugh 1965) a palavra é usada não só para designar quem comanda(chefe) mas também para quem guia (líder). Existem muitas diferenças nos tipos de liderança. É comum o chefe ter somente o poder autoritário porém não conseguir liderar. Já o líder tem maior domínio dos membros da equipe. Em síntese, podemos afirmar que o líder tem seguidores que compartilham as mesmas ideias e encontram melhores resultados. Aquele que somente exerce o poder, no caso do chefe, pode não conseguir adesão do grupo e o grupo pode ser influenciado contra ele por funcionários não satisfeitos. Nesse sentido, pode-se afirmar que nenhuma liderança pode ser imposta. Ninguém pode ensinar uma pessoa a ser líder, esta habilidade é criada com as experiências vividas, problemas enfrentados e superados ao longo do tempo. Os líderes temgrande parcela de responsabilidade no sucesso ou fracasso da organização. Liderar é uma tarefa difícil e exige características como paciência, disciplina, respeito, humildade e compromisso. 26 2.7.2 A Influência da Liderança no Clima Organizacional Para Carvalho e Melo (2008), o clima organizacional está relacionado com o grau de motivação as satisfação dos membros da organização, é percebido por todos e influencia a percepção das pessoas e o comportamento no ambiente de trabalho, sendo dessa forma um indicador de eficácia da liderança. Machado e Goulart (2005) abordam os estilos de liderança e o impacto produzido nos subordinados, influenciando o seu comportamento e sua motivação para o trabalho. Pois diferentes estilos de liderança produzirão reações diferentes e complexas, conduzindo a diferentes climas organizacionais. Destacam ainda que a personalidade do chefe representa papel decisivo na maneira de conduzir a equipe de trabalho. Para criar um ambiente saudável, Carvalho e Melo (2008), analisam que é necessário saber ouvir as pessoas, identificando os problemas que possam estar impedindo o crescimento das relações pessoais e organizacionais e abrir canais de diálogo. Neste clima, o colaborador sente-se a vontade pra dialogar com a liderança, pois sabe que o líder vai buscar soluções, corrigindo erros e realizando adequações quando for necessário. Carvalho e Melo (2008) referem ainda que o ambiente é criado pelo líder e sua forma de liderar. O relacionamento de ambas as partes, líder e colaborador, deve ser impecável, pois o líder é o principal responsável por motivar, criar boas relações na organização e influenciar a equipe a desenvolver o trabalho com maior eficiência. Caso contrário, nas relações pessoais prejudicadas, haverá influência negativa diretamente no processo organizacional. 27 CAPÍTULO III AVALIAÇÃO DE CLIMA ORGANIZACIONAL De acordo com Ricardo Luz (2014), a estratégia de avaliação de clima organizacional é um meio utilizado pela empresa para conhecer de forma concreta o seu clima (parcial ou totalmente), enquanto que um indicador serve apenas presumir sobre ele, serve como um indício, um alerta sobre o clima. 3.1 Técnicas de Pesquisa de Clima Organizacional 1 – Questionário É a técnica mais utilizada nas pesquisas formais de clima por diversos fatores, como baixo custo, pode ser aplicado a grande número de funcionários, permite o sigilo dos respondentes, permite aplicação eletrônica, não exige espaço físico, entre outros. 2 – Entrevista Uma grande desvantagem dessa técnica é a quebra de anonimato da pesquisa, além de ser um método mais demorado e mais dispendioso do que o questionário. Também exige pessoal habilitado para conduzir e obter as respostas verbais. 3 – Painel de debates É um tipo especial de entrevista, com um entrevistador e vários entrevistados, grupos de 5 a 8 pessoas. É mais econômico do que a entrevista e dinâmico pois os depoimentos dos funcionários funcionam como convite para demais participantes apresentem seu ponto de vista. Porém também não há anonimato e exige espaço físico adequado. 3.2 Variáveis Organizacionais Ricardo Luz (2014) explica que a pesquisa de clima é um método formal de se avaliar o clima de uma empresa e importante instrumento para 28 fornecer os subsídios necessários para aprimoramento do ambiente de trabalho. Para isso ser possível, ela deve ser realizada anualmente ou no máximo a cada dois anos, pois periodicidade maior pode trazer surpresas para as empresas. A pesquisa geralmente é realizada com preenchimento de questionários onde os funcionários apontam aspectos que possam causar sua insatisfação. As variáveis mais comuns analisadas pelas empresas quanto à opinião dos funcionários são: 1. O trabalho realizado pelos funcionários 2. Salário 3. Benefícios 4. Integração entre os departamentos da empresa 5. Supervisão/Liderança/Estilo gerencial/Gestão 6. Comunicação 7. Treinamento/Desenvolvimento/Carreira/Progresso e Realização Profissional 8. Possibilidades de progresso profissional 9. Relacionamento interpessoal 10. Estabilidade no emprego 11. Processo Decisório 12. Condições Físicas de trabalho 13. Relacionamento da empresa com os sindicatos e funcionários 14. Participação dos funcionários no cotidiano da empresa 15. Pagamento dos salários 16. Segurança no trabalho 17. Objetivos organizacionais 18. Orientação da empresa para resultados 19. Disciplina 29 20. Imagem da empresa 21. Estrutura organizacional 22. Ética e responsabilidade social 23. Qualidade e satisfação do cliente 24. Reconhecimento 25. Vitalidade organizacional 26. Direção e estratégias 27. Valorização dos funcionários 28. Envolvimento/comprometimento 29. Trabalho em equipe 30. Modernidade 31. Orientação da empresa para os clientes 32. Planejamento e organização 33. Fatores motivacionais 34. Fatores desmotivadores 3.3 Onze Etapas para Montagem e Aplicação de uma Pesquisa de Clima Organizacional 1ª) Aprovação e apoio da Direção 2ª) Planejamento da pesquisa 3 ª) Definição das variáveis a serem estudadas 4 ª) Montagem dos cadernos de pesquisa 5 ª) Parametrização para tabulação das opções de resposta 6 ª) Divulgação da pesquisa 7 ª) Aplicação e coleta da pesquisa 8 ª) Tabulação da pesquisa 9 ª) Emissão de relatórios 10 ª) Divulgação dos resultados 30 11 ª) Definição de planos de ação 3.4 Importantes Perguntas de uma Pesquisa de Clima • Você está satisfeito em trabalhar na empresa? • Como você se imagina daqui a dois anos? • Você considera a empresa um bom lugar para trabalhar? • Indique duas principais razões pelas quais você trabalha na empresa. • Indique os dois principais fatores que mais geram insatisfação no seu trabalho. • Você indicaria um parente ou amigo para trabalhar na empresa? • Você considera a empersa socialmente responsável? • O treinamento que você recebe o capacita a fazer bem o seu trabalho? • Os benefícios oferecidos pela empresa atendem às suas necessidades? • Os gestores da empresa são bons exemplos aos seus funcionários? • Você participa juntamente com seu superior imediato nas decisões que afetam seu trabalho? • Você se considera bem informado sobre o que se passa na empresa? 3.5 Recomendações Importantes As perguntas utilizadas na pesquisas dependem das particularidades das empresas e dos assuntos que ela julgue importante pesquisar. Não existe um número ideal de perguntas numa pesquisa de clima, o número não deve ser excessivo, para não induzir o funcionário a assinalar qualquer resposta. É importante que o número de perguntas sobre determinada variável seja suficiente para analisar o assunto pesquisado. Na prática conseguimos montar uma boa pesquisa com 50 a 80 perguntas. Outro aspecto importante na construção desses questionários refere- se às opções de resposta. Alguns questionários são feitos de afirmações, e as 31 respostas são na forma de escala e outras são perguntas na forma de sim e não. Quanto a isso, observa-se que as opções de respota do tipo sim ou não apresentam falha pois às vezes falta uma opção melhor para responder a pergunta enquanto na forma de escala permite a quem está respondendo manifestar de forma mais precisa seu sentimento, sua opinião quanto a um determinado assunto. E além disso, a escala também permite a empresa graduar a intensidade de satisfação ou insatisfação de quem está respondendo, com relação ao assunto pesquisado. Sendo assim é recomendável que a opções de resposta sejam preferencialmente na forma de escala. 3.6 Pesquisas Socioeconômicas como Complemento à Pesquisa de Clima O grau de satisfação dos funcionários num dado momento decorre tanto da situação profissional quanto da situação social dos funcionários,ou seja da realidade vivida fora da empresa. Pode-se afirmar que as pessoas podem estar infelizes e desmotivadas profissionalmente porque elas possuem uma situação familiar adversa. E, consequentemente, os funcionários infelizes por razões pessoas refletem na produtividade da empresa. Logo, é essencial que as empresas conheçam a realidade extratrabalho dos seus funcionários. É necessário que saibam sob que condições vivem seus colaboradores, assim como sofrimentos pessoais que passam, estado emocional e condições financeiras. Para isso a empresa deve realizar uma pesquisa complementar a de clima organizacional, a Pesquisa Socioeconômica. Através dela, a empresa pode conhecer onde seus funcionários mora, como moram, como vivem, com quem vivem, que problemas enfrentam, quanto tempo gastam para chegar ao trabalho e retorno à casa, renda familiar,etc. 32 É importante ressaltar que este tipo de pesquisa permite quantificar a prosperidade material de seus recursos humanas através de comparação com resultados das pesquisas anteriores. Fato esse, muito importante para a valorização dos seus recursos humanos, pois eles também devem crescer junto com a empresa. 3.7 Ações de Melhoria de Clima e Qualidade de Vida no Trabalho Algumas empresas apresentam extraordinárias ações de melhoria da qualidade de vida no trabalho e do clima organizacional. Por exemplo: restaurantes saudáveis, academias, ginástica laboral, campanhas antifumo, salão de beleza, horários flexíveis de trabalho, homeoffice, bolsas de estudo, ajuda de custo para material escolar, fundo mútuo/cooperativa de crédito para empréstimos, prêmios por tempo de serviço, compensação para funcionários que desenvolvem trabalhos voluntários, plano de previdência privada, prêmio destaque do mês, participação nos resultados/lucros/bônus/ações, política de demissão, entre outros. 33 CONCLUSÃO Cada vez mais comum as organizações se preocuparem com a perspectiva de seus colaboradores sobre seu ambiente de trabalho e como isso os afeta em sua produtividade e eficiência. Empresários, funcionários e consumidores lucram quando o clima nas organizações é de harmonia e satisfação. Por isso, a maioria das grandes empresas brasileiras recorre a profissionais especializados em clima organizacional para melhorar as relações no ambiente de trabalho a partir de reinvindicações de seus empregados, fazendo com que eles sejam parte integrante dos negócios. O clima organizacional corresponde à visão que os colaboradores possuem da organização, pois possui fatores motivacionais, influenciando positivamente na qualidade e produtividade no trabalho. No processo de motivação entram a filosofia, metas e objetivos da empresa, que são percebidos pelos membros afetados, e então é criada a percepção do clima organizacional. Para isso, é importante utilizar as ferramentas aqui apresentadas de clima organizacional e, além disso, identificar os problemas diagnosticados, formulando planos de ações e mostrando à organização que as insatisfações estão sendo estudadas e atendidas. Visto isso, pode-se concluir que a gestão de clima organizacional é uma forma de exercitar a democracia nas empresas, pois baseando-se em pesquisas coletadas internamente é possível elaborar projetos que aproximam as pessoas de uma organização e façam todos se sentirem úteis e gostarem de trabalhar num ambiente que ajudaram a construir. Entende-se que uma pessoa é diferente da outra. Os estímulos que atrem positivamente algumas pode ter efeito completamente oposto em outras. Além isso, o mesmo estímulo, na dependência do momento, pode ser percebido e valorado de forma diferente pela mesma pessoa. Conhecer cada 34 empregado, suas aspirações, os estímulos que lhe são atrativos, é muito importante para que cada empresa possa oferecer soluções de gestão de pessoas adequadas ao seu público-alvo, considerando, é claro, os objetivos estratégicos da organização. Como dizem os especialistas em qualidade, o que não se mede não se gerencia. Portanto, é necessário trabalhar com fatos e dados. Avaliar o clima permite identificar as percepções de seus empregados sobre diferentes aspectos que influenciam o seu bem-estar no trabalho, permite aprimorar continuamente a qualidade do ambiente de trabalho e, consequentemente, a qualidade de vida no trabalho, Permite, ainda, identificar oportunidades de melhoria da qualidade dos produtos/serviços, da produtividade, do comprometimento dos empregados com os resultados da empresa e, por conseguinte aumentar a própria rentabilidade das organizações. Concluímos, através do estudo e apresentação dos benefícios encontrados, que o gerenciamento do clima organizacional é uma importante ação estratégica, uma vez que a motivação dos trabalhadores representa um imperativo para o sucesso dos negócios. 35 BIBLIOGRAFIA BARBIERI, Ugo Franco. Gestão de Pessoas nas Organizações: a aprendizagem da liderança e da inovação. São Paulo: Atlas, 2013. BEAL, George M.; BOHLEN, Joe M.; RAUDABAUGH, J.Neil. Liderança e Dinâmica de Grupo. 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