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Livro Treinamento Desportivo em Ed Física

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2017
TreinamenTo DesporTivo 
em eDucação Física
Prof. Paulo Cesar do Nascimento Salvador
Prof. Amadeo Félix Salvador
Prof. Anderson Santiago Teixeira
Copyright © UNIASSELVI 2017
Elaboração:
Prof. Paulo Cesar do Nascimento Salvador
Prof. Amadeo Félix Salvador
Prof. Anderson Santiago Teixeira
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
796.07
S182t 
Salvador; Paulo César do Nascimento 
 Treinamento desportivo em educação física / Paulo 
César do Nascimento Salvador; Amadeo Félix Salvador; Anderson Santiago 
Teixeira: UNIASSELVI, 2017.
 
 215 p. : il.
 
 ISBN 978-85-515-0072-9
 
 1.Educação Física - Treinamento. 
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
III
apresenTação
Caro acadêmico! Seja bem-vindo a mais uma disciplina do nosso 
curso!
Convido você a começar agora sua jornada de estudos na disciplina de 
TREINAMENTO DESPORTIVO EM EDUCAÇÃO FÍSICA. Acreditamos 
que será uma viagem prazerosa pelos caminhos do conhecimento que 
envolvem a teoria do Treinamento Esportivo e suas facetas dentro do contexto 
da Educação Física. Esperamos poder proporcionar a você, acadêmico, bons 
momentos de estudos e reflexão para que possamos aprender mais sobre a 
temática. 
Na Unidade 1, teremos como objetivos o entendimento dos 
fundamentos do Treinamento Esportivo e seus processos de avaliação, o 
desenvolvimento das capacidades aeróbias e anaeróbias e o treinamento 
esportivo no contexto escolar e suas implicações para a saúde.
Na Unidade 2, o objetivo é o aprendizado dos aspectos relacionados aos 
princípios do Treinamento Esportivo, como a individualidade, especificidade 
e a sobrecarga, bem como, o condicionamento físico específico para diferentes 
atividades esportivas.
 Enquanto que, na Unidade 3, veremos os principais métodos e a 
periodização do treinamento, com o objetivo de entender a aplicação deste 
para crianças e adolescentes, o condicionamento e o desenvolvimento das 
principais qualidades físicas como força, resistência e flexibilidade.
 Por fim, nós desejamos a você um ótimo período de estudos dentro 
desta e outras disciplinas do curso. Que você possa aproveitar esta fase da 
vida da melhor forma possível, valorizando a formação profissional e, acima 
de tudo o crescimento pessoal que você obterá!
Bons estudos e sucesso!
Prof. Paulo Cesar do Nascimento Salvador
Prof. Amadeo Félix Salvador
Prof. Anderson Santiago Teixeira
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
UNI
V
VI
VII
UNIDADE 1 - FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO .................................... 1
TÓPICO 1 - OS FUNDAMENTOS ...................................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 FUNDAMENTOS ................................................................................................................................ 4
 2.1 O TREINAMENTO FÍSICO ........................................................................................................... 7
3 OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO DO TREINAMENTO DESPORTIVO ............................. 8
 3.1 A AVALIAÇÃO DOS ASPECTOS FÍSICOS ................................................................................ 10
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 23
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 24
TÓPICO 2 - O TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA E ANAERÓBIA ............................ 25
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 25
2 APTIDÃO AERÓBIA .......................................................................................................................... 26
3 O DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA ................................................................... 31
 3.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AERÓBIA ..................................................................................... 34
 3.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA ....................................... 43
4 APTIDÃO ANAERÓBIA .................................................................................................................... 45
5 DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO ANAERÓBIA ................................................................ 46
 5.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO ANAERÓBIA ............................................................................... 51
 5.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO ANAERÓBIA ................................. 53
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 55
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 57
TÓPICO 3 - O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR ............ 59
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 59
2 PREOCUPAÇÕES EM RELAÇÃO À SAÚDE NA ADOLESCÊNCIA ...................................... 59
3 O ESPORTE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA SAÚDE DE ADOLESCENTES ......................... 61
4 O ESPORTE COLETIVO E OS PROCESSOS DE CRESCIMENTO DE 
 ADOLESCENTES, POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO ..................................................... 65
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 68
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 72
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 73
UNIDADE 2 - PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO 
 FÍSICO APLICADO ..........................................................................................................................75
TÓPICO 1 - OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO .......................................... 77
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 77
2 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVOS – O QUE SÃO? ..................................... 77
3 HISTÓRIA DOS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO .................................... 79
4 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO – DEFINIÇÕES, EXEMPLOS, 
APLICAÇÕES E CURIOSIDADES .................................................................................................. 82
 4.1 O PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA ............................................................ 83
sumário
VIII
 4.2 O PRINCÍPIO DA ADAPTAÇÃO ................................................................................................ 86
 4.3 O PRINCÍPIO DA SOBRECARGA ............................................................................................... 91
 4.4 O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE .......................................................................................... 95
 4.5 O PRINCÍPIO DA REVERSIBILIDADE ...................................................................................... 96
 4.6 O PRINCÍPIO DA INTERDEPENDÊNCIA VOLUME-INTENSIDADE ................................ 98
 4.7 O PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE ......................................................................................... 100
 4.8 O PRINCÍPIO DA VARIABILIDADE .......................................................................................... 102
 4.9 O PRINCÍPIO DA TREINABILIDADE ........................................................................................ 104
 4.10 O PRINCÍPIO DA SAÚDE .......................................................................................................... 106
 4.11 INTER-RELAÇÃO ENTRE OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO ..................................... 107
 4.12 EDUCAÇÃO ESPECIAL E OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO ........... 108
 4.13 INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA AO ATLETA OU ESTUDANTE ESPECIAL ............... 111
 4.14 SOBRECARGA APLICADA AO DEFICIENTE ....................................................................... 116
 4.15 CONTINUIDADE COM TREINAMENTO ESCOLAR ........................................................... 117
 4.16 ENTREVISTA COM PSICÓLOGA ESPORTIVA ...................................................................... 118
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 123
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 125
TÓPICO 2 - O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES 
 ATIVIDADES ESPORTIVAS ........................................................................................ 127
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 127
2 PLANEJAMENTO ............................................................................................................................... 127
 2.1 HABILIDADES MOTORAS ENVOLVIDAS ............................................................................... 128
 2.2 TREINAMENTO DE ESPORTES CÍCLICOS PARA JOVENS E CRIANÇAS ........................ 129
 2.3 MINI JOGOS EM ESPORTES COLETIVOS ................................................................................ 131
 2.4 ESPORTE DE COLISÃO – O CONTATO .................................................................................... 133
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 137
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 138
UNIDADE 3 - MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO 
ESPORTIVO .................................................................................................................. 139
TÓPICO 1 - CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 
 DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ........................................................................ 141
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 141
2 OS PERÍODOS ETÁRIOS DURANTE O CRESCIMENTO PÓS-NATAL ............................... 141
3 DEFININDO CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ............................ 142
4 MEDIDAS USADAS PARA A AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO E MATURAÇÃO ......... 143
 4.1 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO .............................................................................................. 144
 4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO .................................................................... 147
 4.2.1 Idade no pico de velocidade em altura .................................................................................. 154
 4.2.2 Porcentagem da estatura adulta predita ................................................................................ 155
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 157
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 158
TÓPICO 2 - TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA .................. 159
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 159
2 PERÍODOS SENSÍVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS 
 CAPACIDADES FÍSICAS .................................................................................................................. 160
3 MODELOS DE DESENVOLVIMENTO FÍSICO EM LONGO PRAZO 
 PARA JOVENS ..................................................................................................................................... 162
 3.1 DIFERENÇAS RELACIONADAS AO SEXO .............................................................................. 168
 3.2 TREINAMENTO PARA JOVENS: MATURAÇÃO TARDIA VS. PRECOCE ........................ 169
IX
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 171
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 172
TÓPICO 3 - ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS 
 DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA .................................... 173
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 173
2 TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES ......... 173
 2.1 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO AERÓBIO ...................................................................... 174
 2.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO AERÓBIO 
 EM JOVENS ..................................................................................................................................... 174
 2.3 TREINO DE FORÇA PARA JOVENS E CRIANÇAS – PARADIGMAS ................................. 176
 2.4 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO DE FORÇA E POTÊNCIA .......................................... 177
 2.5 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO EXERCÍCIOS NA MÁQUINA E DE 
PESO LIVRE .................................................................................................................................... 178
 2.6 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO EXERCÍCIOS PLIOMÉTRICOS ......... 187
 2.7 IMPLICAÇÕES PARA O TREINAMENTO PLIOMÉTRICO ...................................................187
 2.8 PROGRESSÃO DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO AO LONGO DA INFÂNCIA E 
ADOLESCÊNCIA ........................................................................................................................... 188
 2.9 TREINAMENTO PARA FLEXIBILIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ................ 191
 2.9.1 Desenvolvimento da flexibilidade na infância e adolescência ........................................... 192
 2.10 TREINAMENTO DA VELOCIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ...................... 194
 2.10.1 Desenvolvimento da velocidade na infância e adolescência ............................................ 195
 2.11 TREINAMENTO DA AGILIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES .......................... 198
 2.11.1 Desenvolvimento da Agilidade na infância e adolescência .............................................. 199
 2.11.2 Diretrizes para o treinamento da agilidade ......................................................................... 201
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 203
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 205
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 207
X
1
UNIDADE 1
FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO 
DESPORTIVO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos proporcionar a você:
• conhecer acerca dos fundamentos e dos processos de avaliação do Treina-
mento Esportivo;
• entender as capacidades aeróbias e anaeróbias, os processos de produção 
de energia e o desenvolvimento destas capacidades com o treinamento;
• compreender os métodos de treinamento para o condicionamento esporti-
vo de crianças e adolescentes em idade escolar.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você 
encontrará atividades que visam à compreensão dos conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
TÓPICO 2 – O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E 
ANAERÓBIAS
TÓPICO 3 – O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE 
ESCOLAR
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO 
DESPORTIVO
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao nosso livro de estudos. Você está tendo 
o primeiro contato com o conteúdo que será abordado durante a disciplina de 
Treinamento Desportivo, e já que estamos iniciando esta unidade, vamos introduzir 
você ao primeiro tema que será apresentado. Esta unidade abordará os Fundamentos 
do Treinamento Desportivo, e no nosso primeiro tópico, além dos fundamentos, 
vamos também tratar sobre os processos de avaliação do treinamento. O objetivo 
deste tópico é proporcionar a você, acadêmico, conhecimentos relacionados aos 
principais fundamentos, por exemplo, o desenvolvimento físico e os fatores que 
envolvem este, bem como os processos de avaliação que envolvem essa disciplina, 
como por exemplo, as diferentes possibilidades de avaliação física.
Nos dias de hoje, com toda a evolução tecnológica e científica, a ciência 
da Teoria e Metodologia do Treinamento também evoluiu muito. Na atualidade, 
a Ciência do Esporte tem um enorme embasamento científico e teórico sobre 
quais os melhores meios de atingir o melhor rendimento. Na área da iniciação 
esportiva e na formação de talentos não é diferente, são inúmeros pesquisadores 
e/ou cientistas com grande diversidade de publicações sobre o treinamento e o 
desenvolvimento de crianças e adolescentes. São diversos os campos da ciência 
que envolvem o treinamento. Podemos citar a anatomia, fisiologia, biomecânica, 
estatística, medicina esportiva, psicologia, aprendizagem motora, a pedagogia e a 
nutrição, entre outros.
A teoria e metodologia do treinamento é uma área muito extensa e cabe 
ao professor de Educação Física selecionar os melhores conteúdos que estarão 
diretamente envolvidos com sua forma de trabalho. 
Durante o treinamento, o atleta reage a vários estímulos, alguns dos 
quais podem ser previstos com mais exatidão do que outros, com 
base na coleta de informações fisiológicas, biomecânicas, psicológicas, 
sociais e metodológicas. Assim o treinador precisa de um instrumento 
científico para garantir que o processo de treinamento seja ancorado 
em avaliações objetivas que meçam a reação do atleta, a qualidade e a 
carga dos exercícios, podendo-se assim planejar de modo apropriado os 
futuros programas (BOMPA, 2002, p. 4).
Assim como este conceito que foi citado acima, muito da teoria que existe 
sobre o Treinamento Desportivo está em livros-textos ou artigos científicos, que 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
4
tratam principalmente do como lidar com atletas. A intenção deste tópico é trazer 
este conhecimento a você buscando possibilitar o aprendizado dos conceitos 
principais e de como estes poderão ser aplicados na sua realidade na atuação 
como professor de Educação Física. Por exemplo, podemos explorar no conceito 
de Bompa (2002) que o planejamento das aulas e atividades da Educação Física 
deverão estar ancoradas em avaliações específicas do comportamento e da evolução 
dos alunos. O conhecimento dos fundamentos também auxiliará para uma melhor 
compreensão do último tópico desta unidade que irá abordar especificamente o 
treinamento desportivo na escola. 
2 OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
Para começar precisamos pensar no significado da palavra fundamento. O 
que seria para você os fundamentos do treinamento esportivo?
No dicionário Priberam (2017) o significado da palavra fundamento é 
base principal, prova, causa, motivo, fundação, alicerce. Desta forma, podemos 
pensar que fundamento poderia estar ligado ao sentido de alicerce ou uma base 
sólida para construir algo que se deseja que seja duradouro. De outra forma 
então, podemos pensar que os fundamentos do treinamento seriam as questões 
teórico/práticas que dariam um embasamento para a construção ou planejamento 
de uma linha de trabalho, ou seja, um ponto de partida e uma rota de destino 
clara e fixa para conduzir as aulas e o trabalho que se objetiva. Em palavras mais 
teóricas, poderíamos dizer que é o conjunto de regras básicas de organização e 
funcionamento ou o conjunto de princípios a partir dos quais se pode fundar ou 
deduzir um sistema ou um conjunto de conhecimentos.
UNI
E você, caro acadêmico, concorda com o que foi dito? O que você acredita 
serem os fundamentos do Treinamento Desportivo? Pare por alguns instantes e reflita sobre o 
assunto antes de prosseguir a leitura.
Para pensarmos de maneira um pouco mais aprofundada sobre o 
assunto, vamos começar considerando as questões relacionadas aos objetivos do 
treinamento. Estes objetivos podem ser diversos e será preciso adaptar cada um 
deles a sua realidade na prática profissional. Porém, de maneira geral, o quadro a 
seguir lista cada um dos principais objetivos que estão ligados ao treinamento de 
acordo com Bompa (2002).
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
5
Desenvolvimento físico 
multilateral.
Desenvolvimento físico 
específico. Fatores técnicos.
Fatores táticos. Aspectos psicológicos. Habilidade para o trabalho em equipe.
Fatores ligados a saúde. Prevenção de lesões. Conhecimento teórico.
QUADRO 1 - OBJETIVOS DO TREINAMENTO
FONTE: Os autores
Vamos, a partir de agora, explorar um pouco mais detalhado cada um 
deles. Comecemos pelo desenvolvimento físico multilateral.
• Desenvolvimento físico multilateral: Como o nome já propriamente refere, 
é pensar no desenvolvimento do corpo como um todo, todas as habilidades 
necessárias para uma boa execução esportiva. É uma base para o treinamento 
físico geral. A ideia é aprimorar todas as qualidades físicas (por exemplo: 
resistência, força e velocidade) de uma maneira harmoniosa para o melhor 
desenvolvimento corporal.
•	 Desenvolvimento	 físico	 específico:Neste caso, a ideia é desenvolver ou 
aprimorar as qualidades físicas mais associadas ao desporto-alvo que será 
praticado. O treinamento buscará desenvolver todas as qualidades físicas 
necessárias, mas o foco será um melhor aprimoramento daquelas diretamente 
ligadas à execução de movimento da modalidade praticada.
• Fatores técnicos: Buscam-se desenvolver as habilidades técnicas necessárias 
do desporto, ou seja, o aprimoramento da melhor técnica, aquela com melhor 
economia de movimento, o gesto motor mais eficiente e ideal para realização de 
determinada tarefa.
• Fatores táticos: Bompa (2002) diz que os fatores táticos são a melhoria da 
estratégia por meio do estudo da tática de futuros oponentes. Ampliar a 
capacidade técnica e aperfeiçoar a estratégia desenvolve um modelo estratégico. 
A tática é a estratégia em ação.
• Aspectos psicológicos: É preciso pensar que todo bom desportista, independente 
da modalidade, vai precisar de um bom nível motivacional, força de vontade, 
confiança, perseverança e disciplina para o desenvolvimento das habilidades 
necessárias. 
• Habilidade para o trabalho em equipe: Em alguns desportos, principalmente os 
coletivos, este fator é de imprescindível importância para um bom aprendizado 
e desenvolvimento das habilidades envolvidas. O aluno vai precisar ter um bom 
desenvolvimento social e saber lidar com relações sociais. Nas aulas de educação 
física o desenvolvimento do trabalho em equipe vai criar alunos conscientes, 
confiantes e certos de seus direitos e deveres diante da sociedade.
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
6
• Fatores ligados à saúde: A recuperação adequada é tão importante quanto ao 
estímulo que será dado. Essa é uma mensagem importante aos profissionais 
que precisam planejar atividades físicas para os seus alunos. O aluno vai 
precisar sempre estar saudável e recuperado para realizar de maneira correta 
as atividades esportivas, o seu desenvolvimento e aprendizado também vai 
depender de uma saúde adequada, por isso é importante que o professor crie 
estratégias de acompanhamento da qualidade de vida dos seus alunos.
• Prevenção de lesões: Aumentar o nível de flexibilidade, proporcionar aumentos 
da força muscular, principalmente durante o treinamento com iniciantes são 
cuidados que auxiliarão na prevenção de lesões (BOMPA, 2002). A realização de 
uma prática esportiva tomando todos os cuidados de segurança também é um 
ponto a se observar.
• Aspectos psicológicos: É preciso pensar que todo bom desportista, independente 
da modalidade, vai precisar de um bom nível motivacional, força de vontade, 
confiança, perseverança e disciplina para o desenvolvimento das habilidades 
necessárias. 
• Conhecimento teórico: O aluno vai precisar de um bom nível de conhecimento 
dos aspectos nutricionais, psicológicos, do funcionamento do organismo, da 
Fisiologia, do planejamento do aumento sistemático da carga de treinamento e 
da necessidade de uma boa recuperação. Estes aspectos o professor vai precisar 
saber transmitir da melhor forma possível, sempre respeitando as características 
dos indivíduos que ele está trabalhando, sua realidade e sua faixa etária.
FIGURA 1 – DESENVOLVIMENTO INTEGRAL NA INFÂNCIA
FONTE: Disponível em: <http://maurosandri.blogspot.com.br/2015/11/
atividade-fisica-na-infancia-pode-ser.html>. Acesso em: 2 fev. 
2017.
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
7
2.1 O TREINAMENTO FÍSICO
O treinamento físico, ou um bom condicionamento físico, é um dos primeiros 
aspectos que lembramos quando pensamos em atletas. O que vem a sua mente 
quando você pensa no treinamento físico? Esforço, cansaço, fadiga, superação, 
gasto energético, são vários os fatores que podemos elencar. Geralmente, as pessoas 
ligam o treinamento a atletas, ou quando pensam em treinamento lembram-se do 
mais rápido, do mais alto, do mais forte. Não era esse o lema grego? O que você 
poderia listar como componentes que fazem parte do treinamento físico?
Segundo Bompa (2002), o treinamento físico é em muitos dos casos o 
fator mais importante para o rendimento esportivo. Dependendo da modalidade 
o treinamento físico vai ser um fator que receberá mais ou menos ênfase, mas 
sempre muito considerado. O objetivo deste é o desenvolvimento do potencial 
fisiológico e das habilidades motoras. O treinamento físico é divido por muitos 
autores em treinamento geral e treinamento	específico. Perceba, caro acadêmico, 
que deve haver uma ordem lógica em um treinamento organizado e planejado, 
segundo Bompa (2002), pode ser desenvolvido na seguinte sequência:
1. Treinamento físico geral.
2. Treinamento físico específico.
3. Aperfeiçoamento das capacidades biomotoras.
 
É sugerido que o desenvolvimento desta sequência ocorra durante o 
planejamento anual, ou seja, aplicado com o objetivo de chegar ao final de 
uma temporada no melhor rendimento. No caso do trabalho com crianças é 
sempre bom lembrar da necessidade de respeitar as fases de desenvolvimento e 
crescimento (POWERS; HOWLEY, 2005). Dessa forma, esta sequência também 
se aplica de maneira longitudinal, ou seja, nos primeiros anos da infância a 
preocupação do professor vai estar voltada ao desenvolvimento geral e global dos 
alunos, o desenvolvimento do organismo como um todo a partir de atividades 
mais lúdicas. Ao que, na adolescência, durante a fase da puberdade, pelo desejo de 
muitos pais e pela própria vontade dos adolescentes, estes são encaminhados para 
alguma modalidade específica. Nesse momento, o professor vai trabalhar com 
estes indivíduos buscando o aperfeiçoamento físico específico da modalidade. 
Em outras palavras, o aprimoramento fisiológico ideal para desempenhar tal 
desporto. A necessidade de respeitar a sequência citada acima no decorrer de uma 
temporada permanece válida.
Com o final da puberdade, o jovem poderá começar o trabalho de 
desenvolvimento e aperfeiçoamento das capacidades biomotoras específicas, 
buscar-se-á o aprimoramento das qualidades físicas, como força, potência, 
resistência e velocidade de maneira que o desporto seja praticado em um bom 
nível de rendimento.
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
8
IMPORTANT
E
Tenha em mente que a maioria dos livros que abordam a teoria do Treinamento 
Desportivo dividem um planejamento anual ou uma temporada em períodos de preparação. 
Os dois principais são o período preparatório, quando ocorrerá a preparação física geral e 
específica e; o período competitivo em que ocorrerá o aperfeiçoamento das capacidades 
biomotoras específicas. Ainda, você poderá encontrar, na literatura, outras divisões de períodos, 
nomeadamente os períodos de pré-temporada, de base, pré-competitivo, de transição, 
entre outros.
Segundo Powers e Howley (2005), existem muitas questões não esclarecidas 
relacionadas às respostas fisiológicas de uma criança saudável a vários tipos 
de exercício. Muito do que é realizado na prática do treinamento com crianças 
e adolescentes ainda é de forma empírica e sem muito embasamento científico. 
Isto se dá pela seguinte razão, por questões éticas óbvias muitas pesquisas e 
projetos não são aplicados com crianças para salvaguardar o bem-estar físico 
do indivíduo. Dessa forma, pouco se sabe sobre os efeitos da exposição ao calor 
ou ao frio extremo, ou outros ambientes hostis, por exemplo. Poucos cientistas 
fariam uma biópsia muscular em uma criança somente para saber os efeitos de 
determinado treinamento. Assim, muito do que existe na teoria do treinamento 
durante a infância e a adolescência está relacionado ao desenvolvimento do 
sistema cardiopulmonar e do sistema musculoesquelético (MACARDLE et al., 
2005). No decorrer desta unidade, mais precisamente no Tópico 2, vamos estudar 
o desenvolvimento do sistema aeróbio e dos sistemas anaeróbios de produção 
de energia. O treinamento do sistema musculoesquelético, mais precisamente 
questões relacionadas ao desenvolvimento da força serão abordadas de maneira 
mais aprofundada na Unidade 3.
3 OS PROCESSOSDE AVALIAÇÃO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVO
A ciência do treinamento esportivo é uma área muito ampla e complexa. 
Esta ciência possui um grande número de variáveis intervenientes, ou seja, que vão 
influenciar em maior ou menor grau e estão relacionadas entre si. Como foi listado 
anteriormente sobre os fatores fundamentais do treinamento, essas variáveis 
serão de teor prático ou teórico. Estas poderão estar relacionadas aos objetivos 
dos principais componentes do treinamento esportivo, o aprimoramento físico, 
técnico, tático ou psicossocial.
São diversas as ferramentas que poderão ser usadas para o acompanhamento 
e a avaliação do rendimento esportivo de um aluno. Estas ferramentas poderão ser 
mais complexas ou mais simples, poderão avaliar um ou mais componentes do 
treinamento, poderão ser mais específicas ou gerais. Existe, ainda, outra divisão 
clara na literatura que você acadêmico poderá encontrar em muitos livros que 
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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tratam do assunto, avaliações laboratoriais ou testes de campo. Uma ferramenta 
de avaliação poderá ser avaliada pela sua especificidade,	 reprodutibilidade	 e	
validade (MATHEWS, 1980).
Ao começar um novo trabalho, ou um novo ano de trabalho, uma das 
primeiras coisas que você irá fazer é decidir seu plano de ensino, traçar suas metas 
e objetivos para aquele período. Depois, você escolherá ou decidirá qual(ais) 
método(s) ou metodologia(s) de avaliação do desenvolvimento dos seus alunos 
você usará, sejam teóricos ou práticos, físicos ou de alguma habilidade ou 
capacidade específica.
FIGURA 2 – AVALIAÇÃO ESPORTIVA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/
search?q=avaliação+esportiva+crianças>. Acesso em: 2 fev. 2017.
Independente da ferramenta que você utilizará para avaliar seus alunos 
ou do componente que você quer avaliar, é preciso, primeiramente, ter certeza de 
que esse instrumento foi cientificamente elaborado e que faz um trabalho acurado 
de medição daquilo que foi designado a medir (MATHEWS, 1980). Assim, vamos 
olhar um pouco mais detalhadamente quais seriam estes critérios:
• Validade: uma ferramenta de avaliação pode ser considerada válida quando ela 
foi cientificamente testada para avaliar o que ela se propõe a medir. Por exemplo, 
um teste de habilidade para jogar basquete será válido se os praticantes que 
apresentarem maiores escores no teste forem os melhores pontuadores durante 
um jogo ou um torneio. Não adiantaria um teste com o objetivo de testar o 
mais habilidoso dos jogadores, se este praticante não fosse realmente o que 
apresentasse um melhor rendimento em uma situação real.
 
• Reprodutibilidade: o teste precisa ser reprodutível, ou seja, se for aplicado duas 
vezes ou mais com o mesmo grupo de indivíduos na mesma situação terá que 
apresentar resultados idênticos ou semelhantes (MATHEWS, 1980). No caso 
do exemplo acima, o mesmo grupo de alunos apresentaria resultados muito 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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parecidos no teste de habilidade se fossem testados uma segunda vez sem a 
ocorrência de alguma intervenção que pudesse melhorar o rendimento.
 
•	 Especificidade: a avaliação do professor precisa ser específica à realidade da 
modalidade que ele quer testar (MATHEWS, 1980). Utilizando-se do mesmo 
exemplo citado, testar a habilidade dos alunos pedalar em uma bicicleta pouco 
responderia à capacidade deles em jogar basquete.
Concluindo esta parte, Mathews (1980) ainda ressalta que um dos critérios 
para selecionar um teste é a sua aplicação educacional. Dessa forma, ao selecionar 
um teste é preciso ver se ele se aplica ao programa escolar oferecido e, esse plano 
deve ditar os tipos de testes que serão aplicados. Podemos ainda ressaltar a você, 
caro acadêmico, que uma avaliação precisa ser bem planejada, clara, objetiva, 
estruturada, direta e organizada.
IMPORTANT
E
Caro acadêmico! Grave as seguintes informações, pois serão de grande valia para 
o seu aprendizado. O aprimoramento físico, técnico, tático e psicossocial são os principais 
objetivos do treinamento esportivo. São diversas as ferramentas que poderão ser utilizadas para 
a avaliação do desenvolvimento durante o treinamento. Estas ferramentas precisarão possuir 
validade, especificidade, reprodutibilidade e aplicação educacional.
3.1 A AVALIAÇÃO DOS ASPECTOS FÍSICOS
Um dos principais componentes que precisamos avaliar de nossos alunos 
durante nossa atuação profissional é a avaliação dos aspectos físicos, ou seja, 
do desenvolvimento das capacidades motoras e das qualidades físicas destes 
indivíduos. São diversas qualidades físicas que um indivíduo precisa desenvolver. 
Podemos classificá-las em três grandes grupos: força, resistência e velocidade. 
Dentro de cada um desses grandes grupos haverá outras subdivisões. A força 
pode ser dividida em estática, dinâmica e explosiva. A resistência em aeróbia, 
anaeróbia e resistência muscular localizada. Enquanto que a velocidade poderá 
ser dividida em de deslocamento, de membros e de reação (WEINECK, 2005). 
Veja a figura a seguir para gravar estas informações.
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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FIGURA 3 – QUALIDADE FÍSICAS
FONTE: Os autores
Perceba você, acadêmico, que não podemos entender estas capacidades 
como isoladas e sem conexão com as outras. É preciso ter o entendimento que elas 
estão conectadas e existem inter-relações que ainda vão criar outras categorias. 
Observe que na figura as conexões criam as categorias de resistência de força, 
resistência de velocidade e a potência. Cada uma dessas qualidades poderá 
ser treinada ou desenvolvida em menor ou maior grau, dependendo sempre 
do planejamento de ensino do professor e dos objetivos traçados durante um 
determinado período de tempo. Assim, os instrumentos para avaliação, quando 
do objetivo de uma avaliação física, devem estar direcionados para averiguar uma 
ou mais dessas qualidades físicas. Os testes podem ser bem específicos para a 
avaliação de um destes componentes físicos, por exemplo, um teste de sprint curto 
para avaliar a velocidade de deslocamento, ou mais amplos e generalizados como 
um teste que vise, por exemplo, avaliar ao mesmo tempo o desempenho técnico de 
alguma tarefa e a exigência física do mesmo. Portanto, nesta parte deixamos um 
exemplo de uma possibilidade de avaliação criada por nós para o futsal, mas que 
pode ser adaptada para outras modalidades coletivas. Acreditamos que poderá ser 
uma boa ferramenta para aulas de educação física por exemplo.
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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O teste que será sugerido agora foi criado enquanto atuava como treinador 
de futsal. Acabou não sendo publicado em nenhuma revista científica, mas ele pode ser 
encontrado on-line no blog <nascimentopc.blogspot.com.br>.
TESTE FÍSICO/TÉCNICO ESPECÍFICO PARA O FUTSAL
 Após um longo período de “silêncio” no blog, e depois de um período de férias na ativa, um 
pouco conturbado, mas também merecido, queremos retomar com uma breve sugestão de 
avaliação para nossa modalidade. Esta tem como objetivo uma avaliação mais completa com 
aspectos físicos e técnicos/táticos, de uma forma global incluindo os componentes técnicos 
básicos com uma movimentação semelhante ao que ocorre durante o jogo e certo nível de 
acidose. Antes de discutir melhor o assunto, a figura a seguir ilustra a forma de realização do 
teste.
DICAS
Vamos desvendar agora a complexa ilustração do teste. Pode-se dividi-lo em três partes: parte 
inicial com ênfase no esforço físico. A segunda e a terceira partes, com mais ênfase na técnica 
do passe e chute, respectivamente. O raio significa o ponto de início do teste. As carinhas são 
os jogadores(as). O(a) atleta inicia o teste com deslocamento para sua direita, o caminho a ser 
percorrido está demarcado pelos triângulos estrategicamente posicionados em lugares onde 
poderia estar um jogador no caso do sistema 3x1. A distância entre os triângulos (na prática, 
discosou cones) é de 10 metros.
Depois do primeiro deslocamento para a direita, o jogador muda de sentido e corre até o 
próximo disco (posição pivô, vamos nomear didaticamente dessa maneira), contornando e 
voltando pelo mesmo caminho até o ponto inicial. Muda de sentido e corre em direção à 
ala esquerda, passando pelo disco e correndo até o disco “pivô”. Retorna pelo caminho da ala 
esquerda chegando ao ponto de início novamente.
Até então, o atleta realizou uma corrida de 80 metros, dividido em 8x de 10 metros com 7 
mudanças de sentido, caracterizando um esforço anaeróbio alático e lático. O tempo deve ser 
coletado a cada 40 metros.
A partir desse ponto, começa a segunda parte com ênfase na realização correta do fundamento 
passe. Serão 4 passes ao todo. O primeiro já é realizado no ponto inicial, onde está o disco ‘fixo’. 
O “T” no centro da quadra significa o treinador, que deve passar a bola aos atletas durante essa 
parte do teste. Os atletas dominam a bola, realizam o passe de volta ao treinador e correm ao 
próximo disco (ala direita). Executam outro passe e assim sucessivamente até chegar ao disco 
da ala esquerda. O passe é classificado pelo conjunto de ações e classificado em um score de 
0-3. Será considerado o domínio correto, a força correta aplicada ao passe e se o passe foi em 
linha reta para o treinador. A distância total percorrida nessa parte será de 30 metros. 
Por fim, a terceira parte do teste será a fase de chutes a gol. Posicionado no disco da ala 
esquerda, após realizar o quarto passe, o atleta receberá a bola passada pelo treinador nesta 
mesma ala para executar a primeira finalização.
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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O “T” situado no canto esquerdo da figura significa o outro treinador necessário para a realização 
do teste. Este deve passar a bola próxima ao centro da quadra ofensiva (marca dos 10 metros) 
para a execução da segunda finalização. Após o chute o atleta deve posicionar-se próximo da 
ala direita para realizar a terceira e última finalização a gol.
 Desta forma, vamos focar principalmente nas ferramentas que poderão ser 
utilizadas como avaliação do processo de treinamento. Como dito anteriormente, 
para a avaliação física de uma (ou mais) determinada qualidade poderão ser 
utilizados testes laboratoriais ou testes de campo. Como o nome propriamente já 
diz, o teste laboratorial é aquele em que o indivíduo realiza uma avaliação neste tipo 
de ambiente. Geralmente, este tipo de teste é mais válido e é chamado de padrão 
ouro para avaliação de determinada qualidade física. Por outro lado, usualmente 
dependem de materiais e equipamentos mais caros, não é tão específica a realidade 
das modalidades realizadas de maneira individual.
Nesse sentido, os testes de campo surgem buscando atender uma demanda 
de custo-benefício para as avaliações físicas. Os testes de campo, historicamente, 
foram criados como alternativas para a avaliação dos componentes físicos em um 
ambiente “fora do laboratório”, na busca de acompanhar o desenvolvimento e 
rendimento esportivo no ambiente em que é praticado, ou seja, o próprio local 
de prática. Dessa forma, este tipo de teste geralmente ganha em especificidade e 
aplicação educacional, pois além de serem de um custo-benefício melhor, permitem 
a avaliação de um grupo de indivíduos simultaneamente e não dependem 
de equipamentos caros. Esta possibilidade pode auxiliar o professor que visa 
acompanhar a evolução dos seus alunos no próprio ambiente de ensino e prática 
(quadra esportiva por exemplo) de uma maneira mais barata e acessível. Vejamos, 
em seguida, o que Arins et al. (2015, p. 759) têm a dizer sobre os testes de campo:
Porém, apesar das avaliações realizadas em laboratório fornecerem 
dados valiosos sobre a performance e as características fisiológicas 
de atletas, normalmente não possuem validade ecológica, sendo 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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incapazes de reproduzir os padrões de movimentos específicos 
associados às modalidades intermitentes. Desse modo, para superar 
algumas deficiências apontadas sobre os testes de laboratório, foram 
desenvolvidos protocolos de campo mais específicos que possuem a 
finalidade de refletir de forma mais apropriada o caráter intermitente 
dessas modalidades [...] os testes compostos por multiestágios têm 
sido amplamente utilizados para estudar as respostas fisiológicas 
do exercício intermitente que envolve mudanças de direção, como o 
futsal. Esses protocolos objetivam reproduzir o padrão de movimento 
executados nos esportes coletivos, permitindo a avaliação simultânea 
de um grande número de atletas por um custo financeiro mínimo.
Dessa forma, podemos observar que além de tudo que foi citado sobre os 
testes de campo, eles podem avaliar também uma ou mais das qualidades físicas 
exigidas durante a prática. Um dos mais famosos e utilizados em muitos lugares 
é o teste de vai e vem de 20 metros. Inicialmente proposto por Léger e Lambert 
(1982), se popularizou e ganhou espaço em muitos clubes, escolas e equipes, que 
utilizam o teste para avaliação da resistência aeróbia.
O teste progressivo intermitente de campo de 20 metros (SHT20) 
de Léger et al. é um teste incremental máximo, do tipo intermitente 
escalonado, composto de multiestágios de 60 segundos de duração 
em sistema shuttle-run run, constituído de um número de repetições 
variadas de corrida. O SHT20 fornece dados de potência (estimativa do 
VO2max; PV) e capacidade (ponto de deflexão da FC (PDFC)) aeróbia 
(ARINS et al., 2015, p. 759).
ATENCAO
Caro acadêmico! Em relação às variáveis a que Arins et al. (2015) se referem, o 
PV (Pico de Velocidade) é a máxima velocidade atingida durante o teste e é um indicador da 
máxima produção aeróbia de energia. Enquanto o ponto de deflexão da frequência cardíaca 
(PDFC) é um indicador de capacidade aeróbia, ou seja, um limite que pode indicar a capacidade 
do indivíduo em realizar um esforço de longa duração.
Como pode ser observado na figura seguinte, o teste de vai e vem é executado 
em um espaço delimitado por cones de 20 metros. É necessária a utilização de um 
equipamento de som para emitir um sinal sonoro ‘beep’ que vai dar o ritmo de 
corrida. A cada ‘beep’ o indivíduo deve atingir uma das marcas. A cada 60 segundos, 
a duração entre os sinais sonoros vai diminuindo e, em consequência aumentando 
a velocidade. Se houver a possibilidade do uso de um monitor cardíaco é possível 
identificar através do comportamento da frequência cardíaca o PDFC (veja o UNI 
anterior).
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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FIGURA 4 – TESTE DE CAMPO VAI E VEM DE 20 METROS
FONTE: Disponível em: <http://guardamunicipalcuritiba.blogspot.com.
br/2015/04/corrida-de-vai-e-vem-em-20-metros-teste.html>. Acesso 
em: 7 fev. 2017.
Vale ressaltar que o monitoramento da aptidão aeróbia é de extrema 
importância e, nas fases da infância e adolescência poderá auxiliar na prescrição 
das cargas de treinamento para o desenvolvimento adequado do praticante, bem 
como na detecção de talentos esportivos. 
A aptidão aeróbia e anaeróbia será abordada mais especificamente no Tópico 2 
desta unidade. 
Metodologias de treinamento para o desenvolvimento da força serão abordadas na Unidade 3.
ESTUDOS FU
TUROS
Outro ponto que precisa ser destacado é a avaliação do desenvolvimento 
das qualidades físicas relacionadas à força durante o processo de treinamento. 
Existem algumas ferramentas que podem ser utilizadas para tal. O método que 
parece ser mais confiável é a avaliação isocinética. A avaliação em aparelhos 
isocinéticos e/ou dinamômetros, apesar de não possuir uma grande especificidade 
com a maioria dos gestos motores das modalidades esportivas, trará valores bem 
apurados da força de membros do avaliado. A maior dificuldade neste tipo de 
teste é o custo e o acesso a este tipo de equipamento. Basicamente, os aparelhos 
trazem como resultado a capacidade de aplicar em determinado movimento, por 
exemplo, a extensão de joelhoque poderia estar relacionada ao movimento do 
chute e/ou a flexão de cotovelo que poderia estar relacionado a algum gesto do 
vôlei ou tênis.
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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FIGURA 5 – AVALIAÇÃO DE EXTENSÃO DE JOELHO EM DINAMÔMETRO 
ISOCINÉTICO
FONTE: Disponível em: <http://bmsi.ru/doc/3970d6ac-5b28-470d-b805-
8751cd154363>. Acesso em: 7 fev. 2017.
O termo isocinético significa se mover numa velocidade constante. 
Dinamômetro isocinético de resistência variada é um instrumento 
eletromecânico que mantém uma velocidade movimento constante 
enquanto varia a resistência durante determinado movimento. A 
resistência oferecida pelo instrumento é uma resistência de acomodação, 
destinada a combinar com a força gerada pelo músculo. Um transdutor 
de força no interior do instrumento monitora constantemente a força 
muscular gerada e transmite a informação a um computador, que 
calcula a força média gerada em cada período de tempo e o ângulo 
articular durante o movimento (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 419).
Existem outros tipos de testes para avaliar parâmetros de força com um 
custo mais baixo. Entre eles, podemos destacar os que utilizam dinamômetros 
mais simples para realizar o teste de força de membros inferiores e lombar (como 
no exemplo da figura a seguir, do lado esquerdo) ou força de preensão manual 
(figura a seguir no lado direito). 
Os dinamômetros de preensão manual e os dinamômetros de tração 
lombar têm sido utilizados para avaliar as forças de preensão e dorsal, 
respectivamente, há muitos anos. Quando uma força é aplicada a um 
dinamômetro uma mola de aço é comprimida e move um ponteiro 
ao longo de uma escala. Calibrando-se o dinamômetro com pesos 
conhecidos, pode-se determinar quanta força é necessária para mover 
o ponteiro a uma distância específica da escala (POWERS; HOWLEY, 
2005, p. 420).
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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FIGURA 6 – TESTE EM DINAMÔMETRO DE FORÇA LOMBAR E PREENSÃO 
MANUAL
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/
search?q=dynamometer+children>. Acesso em: 7 fev. 2017.
Apesar deste tipo de testes não apresentar grande nível de especificidade, 
eles apresentam boas relações com determinados esportes, ou pelo menos com 
testes mais específicos de determinados esportes. O teste de preensão manual, 
por exemplo, apresenta-se como uma boa ferramenta para avaliar tenistas ou 
praticantes de esportes de raquete, visto da necessidade da força para realizar 
a empunhadura da raquete (REID; SCHNEIKER, 2008). Neste sentido, Lemos 
(2015) ressalta a importância de acompanhar variáveis relacionadas à força 
em adolescentes tenistas para identificar possíveis desequilíbrios de força e, 
consequentemente, evitar o risco de desenvolvimento de instabilidade e lesão na 
articulação do ombro. Esta citação poderemos aplicar a outros tipos de esportes 
nos quais o movimento de membros superiores é predominante, como o basquete, 
handebol e vôlei. 
Além disso, o desenvolvimento da força parece estar relacionado ao 
crescimento e à maturação, bem como é influenciado pelo tipo de treinamento e a 
modalidade praticada. Neste sentido, modalidades coletivas, por exemplo, podem 
desenvolver a força de jovens e adolescentes de maneira diferente que modalidades 
individuais. Por isso a importância de se analisar a ferramenta que poderá ser 
utilizada de maneira mais adequada para atender aos objetivos do professor e do 
planejamento.
Durante esse período da puberdade, o aumento do torque muscular tem 
sido atribuído a diferentes alterações nas características morfológicas, 
biomecânicas, neurais e hormonais do sistema neuromuscular 
e neuroendócrino. Além disso, a participação em programas de 
treinamento esportivo organizados também pode influenciar 
positivamente o desenvolvimento do torque muscular. Os estudos 
realizados com adolescentes jogadores de futebol têm apresentado 
resultados consistentes mostrando que o torque muscular concêntrico e 
excêntrico dos extensores e flexores do joelho em diferentes velocidades 
angulares aumenta progressivamente entre os 9-21 anos de idade 
(TEIXEIRA, 2015, p. 24).
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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Outro tipo de teste que é comumente utilizado para avaliar os aspectos de 
força e potência muscular, principalmente de membros inferiores, são os testes de 
saltos verticais. Acreditamos, caro acadêmico, que os mais utilizados são os saltos 
com contramovimento (CMJ) e os saltos contínuos (CJ). A questão que mais 
implica este tipo de avaliação é a necessidade de uma plataforma de força ou de 
um equipamento similar. Porém, primeiramente queremos explicar rapidamente 
como este tipo de teste funciona e depois vamos apresentar algumas evidências 
que mostram a aplicação prática deles.
FIGURA 7 – TESTE DE SALTOS VERTICAIS
A = posição inicial. B = ângulo do joelho próximo a 90º. C = joelho em 
completa extensão no salto. D = aterrissagem
FONTE: Bosco (1999)
O CMJ investiga os níveis de força explosiva exercida, a capacidade de 
recrutamento neural e a reutilização da energia elástica (BOSCO, 1999). Neste salto 
ocorre participação do ciclo alongamento-encurtamento, potencializando a ação 
muscular por meio da energia elástica acumulada e aos reflexos de estiramento. 
O uso do salto CJ possibilita os profissionais da área a diagnosticar os processos 
neuromusculares e metabólicos em esforços de alta intensidade e curta duração. O 
teste CJ é importante para avaliação de praticantes que participam de esportes onde 
a potência muscular é um fator determinante para rendimento, como por exemplo 
o futebol ou o futsal, considerando que, os mecanismos de força produzidos no CJ 
são muito sensíveis as características dos sujeitos e as mudanças no treinamento 
(BOSCO, 1999).
No protocolo do CMJ, o indivíduo realizará os saltos verticais a partir de 
uma posição em pé, com as mãos na cintura, precedido por um contramovimento, 
o qual consiste em uma aceleração para baixo do centro de gravidade, flexionando 
os joelhos até próximo aos 90º. Durante o salto, o tronco deverá manter-se o mais 
vertical possível. São realizadas três tentativas para o CMJ, sendo considerada para 
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
19
análise a média das alturas obtidas. O teste do CJ consiste na execução de saltos 
com contramovimento, de modo contínuo, por um período de 15 segundos. Como 
nos demais saltos, o sujeito mantém o tronco o mais vertical possível e as mãos 
no quadril, com o ângulo do joelho sempre próximo aos 90º ao final da fase de 
descida. No protocolo CJ realiza-se apenas uma tentativa, tendo em vista ser um 
teste mais exaustivo. Assim, utiliza-se para análise a altura média relativa de todos 
os saltos realizados em um período determinado de tempo.
GRÁFICO 1 – COMPARAÇÃO DE SALTOS VERTICAIS NO FUTEBOL E FUTSAL
FONTE: Silva et al. (2012)
Veremos, em seguida, alguns aspectos mais práticos envolvendo a avaliação 
de saltos verticais. Podemos ver como um exemplo de aplicação prática o estudo 
de Silva et al. (2012), que demonstrou que praticantes de futebol e futsal parecem 
apresentar níveis semelhantes de potência muscular. Apenas os zagueiros no 
futebol apresentaram maiores níveis de potência quando comparados aos meio 
campistas, porém, no futsal, os atletas apresentaram níveis similares de potência 
muscular. Independente da categoria, tanto os praticantes de futebol quanto de 
futsal, apresentaram níveis semelhantes de potência muscular.
Podemos observar que a partir do que foi dito e com base na figura 
apresentada, o planejamento do treinamento para o desenvolvimento da força e 
potência muscular poderia ser realizado de acordo com esses aspectos. Vale ressaltar 
que não podemos generalizar achados de alguns estudos para outras realidades ou 
outras populações. Por isso, a importância de você, como profissional, escolher a 
melhor ferramenta e a maneira como você as aplicará nos seus alunos no contexto 
que você está inserido.
Neste contexto, podemosainda destacar um outro estudo realizado pelo 
nosso grupo de pesquisa em Biomecânica e Fisiologia do Exercício na Universidade 
Federal de Santa Catarina (DAL PUPO et al., 2016). Este estudo apresentou dados 
interessantes sobre a relação entre os saltos verticais e a capacidade de realizar 
sprints. O objetivo do trabalho foi comparar ao desempenho nos saltos verticais e 
sprints repetidos realizados com mudança de sentido e linha reta entre jogadores 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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de futsal das categorias sub-15 e sub-17. Foram avaliados 15 jogadores do sexo 
masculino, que realizaram saltos verticais e testes de sprints repetidos em linha 
reta e mudança de sentido. Foram observadas em ambas as categorias que 
desempenho nos sprints, tanto de linha reta quanto com mudança de sentido 
apresentaram relação com os saltos verticais. Em outras palavras, podemos dizer 
que, como conclusão do estudo, independente da categoria ou faixa etária abaixo 
ou acima dos 15 anos a potência muscular estaria relacionada com o desempenho 
nos sprints.
TABELA 1 – SALTOS VERTICAIS EM DIFERENTES FAIXAS ETÁRIAS
FONTE: Dal Pupo et al. (2016)
Caro acadêmico! Na tabela anterior estão apresentadas as características 
dos sujeitos. Na tabela a seguir, você poderá observar uma tabela apresentada pelo 
estudo citado que apresenta a relação entre os saltos verticais com contramovimento 
(CMJ) e o desempenho de sprints. Observe que, o CMJ foi relacionado com ambos 
sprints, em linha reta ou mudança de sentido, mas a relação maior foi observada 
nos sprints de linha reta. Se você observar o tempo médio em linha reta, por 
exemplo (TMLR), a relação foi de -0,87, ou seja, uma relação alta visto que o maior 
valor possível é 1,00 e, basicamente, mostra que quanto maior o salto CMJ menor 
o tempo médio para realizar este tipo de sprint. Importante destacar que o nível de 
potência muscular pode ser considerado um dos aspectos mais importantes para 
praticantes de modalidades coletivas considerando esta relação com o desempenho 
na capacidade de sprints repetidos, que também é de suma importância para um 
bom desempenho nestas modalidades. 
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
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TABELA 2 – SALTOS VERTICAIS E DESEMPENHO DE SPRINTS 
FONTE: Dal Pupo et al. (2016)
 Assim, levando em consideração o que foi exposto previamente, avaliar 
a capacidade de realizar sprints é de suma importância, principalmente em 
modalidades coletivas e com características intermitentes. Entre estas, podemos 
destacar o basquete, handebol, futsal, futebol, hóquei, rúgbi, tênis, entre outras. 
Existem, basicamente, duas formas de avaliar a qualidade física de velocidade 
e resistência de velocidade de membros, bem como a resistência e potência 
anaeróbia. Afinal de contas qualquer movimento que exija a velocidade de 
membros vai depender principalmente do fornecimento de energia anaeróbio, 
mas isso será melhor abordado no próximo tópico. Entretanto, mantendo o foco no 
tipo de avaliação para estas qualidades físicas, uma das formas bastante utilizadas 
é o esforço em linha reta de 10 e 30 m.
Geralmente, quando professores e/ou treinadores adotam realizar a avaliação 
de 10 e 30 m, anota-se o tempo que o aluno levará para percorrer esta distância de 
30 m iniciando no ponto 0 com o corpo partindo de posição estática. Anota-se 
também o tempo que o aluno levará para percorrer 10 m. Desta forma, obtém-se 
uma medida de aceleração de 10 m e outra medida de 20 m lançados, ou seja, do 
décimo metro que ele já estava correndo até o trigésimo metro. O ideal é realizar 
estes testes com fotocélulas que irão capturar o tempo exato de deslocamento. 
Porém, considerando a realidade de muitos lugares, dois avaliadores experientes 
utilizando-se de cronômetros já trará a possibilidade de uma boa avaliação. É 
sempre importante destacar a necessidade de um aquecimento adequado e, neste 
caso específico de avaliação, geralmente são recomendadas duas ou três tentativas 
com intervalos de 3 a 5 minutos entre elas, para anotar o melhor tempo que será 
considerado como medida de aceleração e velocidade.
Quanto à avaliação da capacidade de repetir sprints um dos testes mais 
utilizados em clubes, associações esportivas e bem disseminado na literatura é o 
teste de Rampinini et al. (2007). Este teste já apresentou validade ao ser comparado 
com a performance no futebol, por exemplo, é um teste de fácil aplicação e 
reproduz alguns movimentos específicos das modalidades coletivas. O protocolo 
é composto por 6 sprints de 40 m com uma mudança de sentido (180°) a cada 20 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
22
m do percurso. O período de recuperação é de 20 segundos entre cada sprint de 
forma passiva. O avaliado deve iniciar o teste em posição estática, e ser estimulado 
verbalmente para executar cada sprint no menor tempo possível. Antes de realizar 
o teste é importante a realização de aquecimento específico. Com o teste de 
Rampinini é possível a determinação de variáveis relacionadas ao desempenho 
anaeróbio alático (como o melhor tempo – Tmel); e lático como o tempo médio e/
ou total para realizar os 6 sprints (Tmed, Ttotal, respectivamente).
TABELA 3 – DESEMPENHO DE SPRINTS REPETIDOS
FONTE: Nascimento et al. (2014)
Agora, observe a tabela acima por alguns instantes. O objetivo deste 
trabalho foi comparar as características antropométricas e de performance aeróbia 
e anaeróbia em jogadores de futebol entre as categorias infantil e juvenil. Observe 
você na tabela apresentada que tanto as características de velocidade (10 e 30 m) 
quanto as variáveis de desempenho anaeróbio (Tmel, Tmed, Ttotal) foram menores 
na categoria de atletas juvenis quando comparados com os infantis. Como uma 
das conclusões do estudo podemos dizer que encontramos que os efeitos da 
idade cronológica influenciam na potência aeróbia máxima e nas performances 
anaeróbias, como demonstrado pelo melhor desempenho dos juvenis tanto no 
teste aeróbio, na habilidade de repetir sprints quanto na capacidade de aceleração 
(NASCIMENTO et al., 2014).
23
Neste tópico, você aprendeu que:
• O treinamento esportivo pode ser pensado observando os fundamentos do 
treinamento esportivo e os processos de avaliação do treinamento.
• Existem diversos fundamentos do treinamento esportivo englobando os 
aspectos físicos, técnicos, táticos e psicossociais.
• São diversos os objetivos do treinamento e entre eles podemos destacar o 
desenvolvimento físico de maneira global, os fatores técnicos e táticos, os fatores 
ligados à saúde e os aspectos psicossociais.
• O treinamento físico pode ser dividido em treinamento geral e específico e 
aperfeiçoamento das capacidades biomotoras.
• Uma ferramenta de avaliação poderá ser avaliada pela sua especificidade, 
reprodutibilidade, validade, aplicação educacional e, poderá ser dividida em 
avaliações laboratoriais ou testes de campo.
• As qualidades físicas podem ser classificadas em três grandes grupos: força, 
resistência e velocidade. Dentro de cada um desses grandes grupos haverá 
outras subdivisões. A força pode ser dividida em estática, dinâmica e explosiva. 
A resistência em aeróbia, anaeróbia e resistência muscular localizada. Enquanto 
que a velocidade poderá ser dividida em de deslocamento, de membros e de 
reação.
• Os testes podem ser específicos para a avaliação de um dos componentes físicos 
ou mais amplos e generalizados como um teste que vise, por exemplo, avaliar 
ao mesmo tempo a performance física e técnica de um grupo de indivíduos.
RESUMO DO TÓPICO 1
24
1 A área de conhecimento acerca da metodologia do treinamento esportivo é 
muito abrangente. São diversos fundamentos que precisam ser observados. 
Existem princípios e objetivos que precisam ser seguidos. Assim, os processos 
de avaliação precisam ser coerentes com os fundamentos e objetivos do 
treinamento. Dessa forma, assinale as alternativas relacionadas ao conteúdo 
deste tópico com V para verdadeiro ou F para falso:( ) Os aspectos psicológicos não são treináveis e não precisam ser observados 
no processo de treinamento.
( ) A avaliação física de qualquer componente físico deve ser feita somente em 
laboratório para que seja válida.
( ) As qualidades físicas podem ser divididas em três grandes grupos: força, 
resistência e velocidade.
( ) O aspecto de aplicação educacional deve ser observado como um dos 
quesitos para escolher uma avaliação.
( ) Uma ferramenta de avaliação precisa ser válida, reprodutível e específica 
para fazer com que a avaliação seja adequada.
( ) Existem inter-relações entre as qualidades físicas que formam outras 
categorias com a potência, por exemplo.
AUTOATIVIDADE
25
TÓPICO 2
O TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA E 
ANAERÓBIA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Vamos dar continuidade aos nossos estudos sobre o 
treinamento desportivo em um novo tópico sobre a aptidão aeróbia e anaeróbia. 
Veja bem, caro acadêmico, este tópico estará dividido em duas partes principais, 
o primeiro sobre desenvolvimento da aptidão aeróbia e; o segundo sobre o 
desenvolvimento da aptidão anaeróbia. 
Para falarmos de desenvolvimento para estas aptidões precisamos pensar 
que elas são treináveis, ou seja, o treinamento ou a falta deste poderá modificá-las. 
Além disso, precisamos saber que é muito importante ter um conhecimento mais 
aprofundado sobre a Fisiologia do Exercício, área que contribuirá para um melhor 
entendimento destas aptidões no contexto do que é possível e do que é treinável 
em relação à aptidão aeróbia e anaeróbia. O conhecimento fisiológico também 
proporcionará saber qual é a influência genética e quais são os melhores estímulos 
e métodos para treinar tais capacidades.
Dessa forma, você perceberá que este tópico busca proporcionar 
conhecimentos acerca da Fisiologia do Exercício e da Teoria e Metodologia 
do Treinamento Esportivo na busca de um entendimento mais amplo do 
funcionamento do organismo nos aspectos aeróbios e anaeróbios. Buscará 
abordar também de que forma é possível avaliar estas aptidões e quais 
as possibilidades que existem para tal. Você estudará também algumas 
possibilidades de treinamento aeróbio e anaeróbio e de que forma o profissional 
de Educação Física poderá planejar seu trabalho para o desenvolvimento de 
tais habilidades.
Participe conosco do estudo de mais um tópico que trará novos 
conhecimentos ou uma melhor compreensão destes assuntos para sua formação 
acadêmica e seu crescimento profissional, bem como novas possibilidades 
para o treinamento desportivo na sua atuação profissional. Ressalta-se que o 
entendimento completo do funcionamento do organismo aeróbio e anaeróbio é 
imprescindível para que o profissional possa administrar cargas de treinamento 
de maneira adequada aos indivíduos, respeitando seus limites, sua saúde, 
suas capacidades, sua faixa etária e seus objetivos. O treinamento aeróbio e 
anaeróbio adequado possibilitará um ótimo desenvolvimento do indivíduo de 
maneira global.
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
26
2 APTIDÃO AERÓBIA
Acreditamos que o primeiro passo que precisamos dar é um entendimento 
geral do que é a aptidão aeróbia. A palavra “aptidão”, segundo o dicionário 
Priberam (2017), está relacionada à capacidade, disposição ou à qualidade de 
estar apto. Enquanto que, a palavra “aeróbio”, segundo o site Significados (2017), 
quer dizer "com oxigênio" ou "na presença de oxigênio" e refere-se a tudo que 
necessita de oxigênio para subsistir. A respiração aeróbia ou aeróbica necessita do 
oxigênio (O2), que é usado como agente oxidante e essa propriedade importante 
do O2 é utilizada pelas células para produzir uma forma utilizável de energia e 
converter moléculas de carboidratos, gorduras e proteínas em moléculas de ATP 
(trifosfato de adenosina) e gerar energia (POWERS; HOWLEY, 2005). O ATP é a 
fonte imediata de energia para a contração muscular.
FIGURA 8 – A RESPIRAÇÃO CELULAR
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=mitocondria&source>. Acesso 
em: 13 fev. 2017.
Observe, caro acadêmico, que estamos buscando alguns conhecimentos 
básicos da Fisiologia nesta parte introdutória. Demos agora um passo atrás, 
praticamente voltamos a conhecimentos do ensino médio somente para relembrar 
que a respiração celular vai ocorrer em uma minúscula organela denomina 
mitocôndria. É lá na mitocôndria, dentro do citoplasma celular, ou, no caso das 
células musculares, o sarcoplasma, ou seja, o meio intracelular, que o O2 vai 
realizar seu papel fundamental e terminar sua jornada que começou quando o 
ar foi inspirado. Na figura anterior, no lado esquerdo podemos ver um esquema 
didático de um músculo, composto por diversas fibras musculares, que por sua 
vez são compostas por miofrilas e filamentos de actina e miosina. Podemos ver 
outras organelas que fazem parte da célula muscular, como o núcleo celular e o 
retículo sarcoplasmático. A mitocôndria pode ser considerada a “usina celular”, 
pois está envolvida na conversão oxidativa de nutrientes em energia celular 
utilizável, o ATP, e existem diversas delas envolvendo a fibra muscular (POWERS; 
HOWLEY, 2005). Lembramos, ainda, que a mitocôndria estará dividida em dois 
espaços distintos o espaço intermembranoso e a matriz mitocondrial. Estes espaços 
estão divididos por uma membrana interna e a mitocôndria é revestida por uma 
membrana externa.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
27
Importante destacar ainda que é na membrana interna da mitocôndria que 
está localizada a cadeia de transporte de elétrons ou cadeia respiratória. O ciclo 
de Krebs, que está localizado no interior da mitocôndria na matriz mitocondrial, 
juntamente com a cadeia respiratória vai interagir como vias metabólicas 
cooperativas para que ocorra a produção aeróbia de ATP. Esse processo de 
produção de energia é denominado fosforilação oxidativa.
A função primária do ciclo de Krebs (também denominado de ciclo 
do ácido cítrico) é o término da oxidação (remoção de hidrogênio) dos 
carboidratos, das gorduras ou proteínas com a utilização de NAD ou 
FAD como transportadores de hidrogênio (energia). A importância 
da remoção é que os hidrogênios (em virtude dos elétrons que eles 
possuem) contêm a energia potencial das moléculas dos alimentos. Essa 
energia pode ser utilizada na cadeia de transporte de elétrons a fim de 
combinar o ADP + Pi para ressintetizar o ATP. O oxigênio não participa 
das reações do ciclo de Krebs, mas é o aceptor final de hidrogênio no 
fim da cadeia de transporte de elétrons (isto é a água é formada, H2 + O 
= H2O) (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 35).
ATENCAO
É preciso destacar aqui uma explicação sobre o que foi dito no texto anteriormente. 
O hidrogênio é removido dos substratos nutricionais nas vias bioenergéticas e transportados 
por “moléculas transportadoras”. Nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD) e flavina 
adenina dinucleotídeo (FAD) são duas importantes moléculas transportadoras (POWERS; 
HOWLEY, 2005).
Observe você na Figura 10 a demonstração de um “zoom” na atividade 
mitocondrial. Neste caso, para efeitos didáticos está demonstrada somente uma 
formação de energia através da glicose ou da via glicolítica. Porém a fosforilação 
oxidativa para a geração de energia de maneira aeróbia inicia com uma molécula 
de dois carbonos chamada acetilcoenzima A ou acetil-CoA. O acetil-CoA pode ser 
formado pela degradação tanto de carboidratos, gorduras ou proteínas e vai passar 
por uma série de reações no ciclo de Krebs o que vai formar CO2, NAD e FAD. A 
NAD e a FAD por sua vez vão transportar os elétrons e os íons de hidrogênio (H+) 
para a cadeia respiratória. É ali, durante os processos da cadeia respiratória, que 
o O2 vai exercer seu papel fundamental na produção de ATP de forma aeróbia, o 
O2 que respiramos entra na mitocôndria e age como receptor de H+ para formar 
H2O que vai sair da célula. O O2 permite que os elétrons continuem passando pela 
cadeia transportadora e que estes processos nãosejam interrompidos, dessa forma, 
enquanto há O2 presente há formação de energia aeróbia (POWERS; HOWLEY, 
2005).
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
28
FIGURA 9 – O PAPEL DO O
2
 E A FORMAÇÃO AERÓBIA DE ENERGIA
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=mitocondria&source>. 
Acesso em: 13 fev. 2017.
Se o O2 tem esse importante papel no metabolismo aeróbia, qual é o caminho 
que ele percorre para chegar até a mitocôndria? A partir do ar que respiramos 
como que o O2 chega lá neste momento final de produção de energia que vimos até 
aqui para formar água? 
FONTE: Powers e Howley (2005)
FIGURA 10 – O SISTEMA RESPIRATÓRIO
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
29
O oxigênio vai entrar pelas narinas e passar pela cavidade nasal. Existem 
outros órgãos do sistema respiratório que vão auxiliar a filtrar o ar e transportá-lo 
para o interior dos pulmões, a faringe, laringe, traqueia e a árvore brônquica. O 
sistema respiratório tem como principal objetivo prover um meio de troca gasosa, 
em outras palavras, permitir que um indivíduo possa liberar o CO2 que está 
acumulado no sangue e repor o O2 que está sendo utilizado durante uma tarefa.
A troca de O2 e CO2 entre os pulmões e o sangue ocorre em consequência 
da ventilação e da difusão. O termo ventilação se refere ao processo 
mecânico de mobilização do ar para dentro e para fora dos pulmões. 
Difusão é o movimento aleatório das moléculas de uma área de 
concentração elevada para uma área de menor concentração. Como 
a tensão de O2 nos pulmões é maior do que no sangue, o O2 se move 
daqueles para este. Similarmente a tensão do CO2 no sangue é maior do 
que a tensão do CO2 nos pulmões, consequentemente este se move do 
sangue para os pulmões e é expirado (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 35).
Podemos salientar também que a respiração acontece por diferença de 
pressão. Os pulmões são revestidos por uma fina camada chamada pleura. A 
pleura reveste tanto os pulmões como a caixa torácica e o músculo diafragma. A 
pressão na cavidade interna da pleura é menor do que a pressão atmosférica e se 
torna mais baixa ainda durante a inspiração. O diafragma desempenha um papel 
fundamental na mecânica da respiração. Existem outros músculos que participam 
aumentando o volume torácico, mas o diafragma é o principal músculo inspiratório. 
Quando o diafragma se contrai aumenta o espaço torácico e diminui a pressão 
intrapleural e a pressão intrapulmonar fazendo os pulmões se expandirem. Assim, 
a pressão atmosférica, que é maior, faz com que o ar flua para dentro dos pulmões.
FIGURA 11 – A MECÂNICA RESPIRATÓRIA
FONTE: Powers e Howley (2005)
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
30
O caminho do ar, desde a faringe (garganta), no sistema respiratório pode 
ser dividido em duas etapas. Uma zona de condução e uma zona respiratória. 
Como o nome propriamente já diz, a zona de condução inclui todas as estruturas 
que auxiliam na passagem do ar até chegar à zona respiratória, bem como 
umidificam e filtram o ar. Destacamos como estruturas desta zona a traqueia, 
árvore brônquica, os bronquíolos e os bronquíolos terminais. A zona respiratória é 
onde ocorre a troca dos gases propriamente dito. Nesta zona estão os bronquíolos 
respiratórios e os sacos alveolares. A troca gasosa ocorrerá através de pequenas 
estruturas chamadas de alvéolos. Estima-se que a área superficial total de alvéolos 
em um pulmão humano é de mais 60 metros.
FIGURA 12 – O CAMINHO DO OXIGÊNIO
FONTE: Powers e Howley (2005)
Dessa forma, observe, caro acadêmico, que nos alvéolos é onde o O2 entra 
na corrente sanguínea para seguir sua jornada até o músculo. Ressalto que esta 
troca ocorrerá por diferença de pressão e, dessa forma, o CO2 deixa a corrente 
sanguínea e é expirado. Grande parte do O2 que seguirá caminho para o organismo 
recebe uma “carona”, ou seja, ele é conduzido pelas artérias. A molécula que vai ser 
responsável por dar essa “carona”, de conduzir a maior parte (aproximadamente 
99%) do O2 que entra na circulação sanguínea é a hemoglobina. Perceba na figura 
anterior que o O2 ligado à hemoglobina vai seguir para o coração e depois é 
bombeado juntamente com o sangue para o restante do corpo.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
31
A rota segue então com o O2 ligado à hemoglobina, passando pela veia 
pulmonar até o átrio esquerdo no coração, e depois para o ventrículo esquerdo 
que vai enviar a hemoglobina através da aorta para o restante do corpo. O O2 é 
necessário em todas as outras partes do corpo, principalmente no tecido cerebral, 
mas para o nosso contexto aqui, do treinamento, o destino final do O2 é o tecido 
muscular. No entanto, para chegar ao destino final o O2 precisa fazer uma 
“baldeação” podemos assim dizer, ele vai deixar sua ‘carona’ com a hemoglobina 
para pegar uma nova ‘carona’, agora num trecho menor, com a mioglobina. A 
mioglobina é uma proteína que se encontra no músculo esquelético e cardíaco, 
mas não é encontrada no sangue. O papel dela é pegar o O2 que está chegando à 
membrana da célula muscular e levá-lo para o interior das mitocôndrias. Como 
dito anteriormente, é lá no músculo que o O2 vai agir auxiliando na produção de 
energia em forma de ATP de maneira aeróbia. Dito tudo isto, acreditamos agora, 
caro acadêmico, que conseguiremos entender melhor a aptidão aeróbia e as 
possibilidades de desenvolvimento desta.
IMPORTANT
E
Resumindo o que foi visto até o momento sobre a aptidão aeróbia, destacamos 
que precisamos ter claro em mente que a formação de energia de forma oxidativa é dependente 
da disponibilidade de O2. Com O2 disponível para o tecido celular, mais especificamente em 
nosso contexto no músculo, a formação de energia aeróbia vai ocorrer na mitocôndria com 
o ciclo de Krebs e a cadeia respiratória participando efetivamente desse processo. A produção 
de energia aeróbia pode ocorrer utilizando as diferentes formas de substratos energéticos, 
gordura, carboidrato e proteína, em maior ou menor grau dependendo da intensidade e da 
duração do exercício.
3 O DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA
Agora, caro acadêmico, vamos pensar em aspectos um pouco mais práticos 
relacionados à aptidão aeróbia. Esta qualidade física pode ser dividida em dois 
aspectos, a capacidade aeróbia e a potência aeróbia. A capacidade aeróbia está 
relacionada à resistência de um indivíduo (ou seja, o organismo deste) em sustentar 
esforços físicos por um longo período de tempo. Em outras palavras, podemos 
dizer que está relacionada à produção de energia aeróbia de maneira predominante 
com a mínima participação do metabolismo anaeróbio, a capacidade do organismo 
produzir energia através das vias oxidativas.
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
32
FIGURA 13 – EVENTOS DE LONGA DURAÇÃO
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=maratona&source>. Acesso em: 
13 fev. 2017.
Num aspecto mais prático podemos pensar, por exemplo, que os esforços 
físicos que são caracterizados pela sustentação por um longo período de tempo e 
dessa forma em intensidades mais baixas. Esse tipo de exercício exigirá uma alta 
resistência dos indivíduos em realizar tais tarefas, tais como a maratona, triátlon e 
maratonas aquáticas. Considere que, para conseguir sustentar tal tipo de exercício 
um indivíduo terá que realizá-lo em uma intensidade relativamente mais baixa, 
e esse é um ponto importante para entendermos do funcionamento das vias de 
produção de energia, intensidade e duração sempre estão em direção opostas e 
uma precisará diminuir para a outra aumentar. Assim, dependendo desta relação 
a participação aeróbia para a produção de energia vai ser maior ou menor.
Podemos observar então que os eventos de longa duração são dependentes 
da capacidade de o metabolismo produzir energia de maneira aeróbia. Neste tipo 
de esforços indivíduos realizarão o exercício por um longo período de tempo, ou 
seja, horas, e em baixa intensidade, 50% ou menos dacapacidade máxima. Porém, 
a pergunta que precisa ser feita então é: e os eventos de curta duração? Como 
por exemplo as provas de 1500 metros e 3000 metros com obstáculo no atletismo, 
determinadas provas na natação como a de 400 metros, boa parte dos esportes 
coletivos, entre outros.
Estes tipos de esforços vão ser caracterizados pela necessidade de gerar 
energia da maneira mais rápida e eficiente possível. Dessa forma, estes exercícios 
serão classificados como dependentes da potência aeróbia. Pensemos no conceito 
de potência que é força versus velocidade, assim pode-se dizer que a potência aeróbia 
está relacionada a produzir em maior quantidade de energia de maneira oxidativa 
no menor tempo possível. Um dos índices fisiológicos que representa a potência 
aeróbia é o consumo máximo de oxigênio (VO2max). Como o nome já sugere o 
VO2max é definido com a taxa mais alta de captação (pulmões), transporte (vasos) 
e utilização (células musculares) de oxigênio no nível do mar para fornecimento de 
energia necessária à locomoção (POWERS; HOWLEY, 2005). Mais adiante vamos 
analisar possibilidades de avaliação para mesurar e estimar o VO2max.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
33
É preciso destacar para vocês acadêmicos que todas as vias de produção de 
energia trabalhem simultaneamente. Assim, mesmo nas atividades físicas de baixa 
intensidade, onde o predomínio é aeróbio, o metabolismo anaeróbio vai trabalhar, 
mas com uma pequena parcela de produção. Em outras palavras, podemos dizer 
que sempre haverá uma parcela de contribuição anaeróbia para a produção total 
energética, mas dependendo da intensidade e duração do esforço essa contribuição 
será em maior ou menor grau.
ATENCAO
Intensidade e duração: GUARDE bem estas duas palavras, elas serão muito 
importantes no planejamento e prescrição do treinamento, pois o trabalho sempre será pensado 
baseado na relação das duas. Mais à frente, nas próximas unidades, você verá especificamente 
como pensar as cargas de treinamento considerando estes aspectos. 
TABELA 4 – SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE ENERGIA
FONTE: Powers e Howley (2005, p. 47)
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
34
Observe a tabela anterior, Powers e Howley (2005) apontam no seu livro 
de “Fisiologia do Exercício” a duração do exercício e o percentual de participação 
aeróbia ou anaeróbia (parte superior). Na parte de baixo da figura podemos ver que 
eles listaram uma série de modalidades e sua respectiva estimativa de participação 
dos metabolismos. Com algumas ressalvas para as modalidades apresentadas, 
visto que a tabela é baseada em dados mais antigos da literatura, os autores nos 
permitem uma ideia de como funciona o metabolismo em diferentes eventos.
• O primeiro ponto a ser destacado, como já dito anteriormente, é que ambas as 
vias aeróbias ou anaeróbias trabalham ao mesmo tempo para uma produção 
total de energia.
• O segundo ponto é que depende da modalidade praticada, a predominância vai 
ser aeróbia ou anaeróbia.
• Terceiro ponto é que a partir de aproximadamente três minutos de duração do 
exercício a predominância de produção de energia vai ser sempre aeróbia.
3.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AERÓBIA
Para avaliar a capacidade e a potência aeróbia o método considerado 
padrão ouro na literatura é a espirometria. A espirometria é um tipo de teste 
utilizado há décadas, que vem evoluindo e passando por transformações com 
o avanço tecnológico. Porém, o princípio é sempre o mesmo, a mensuração das 
trocas de gases de um indivíduo com o ambiente durante algum tipo de exercício 
(FOX; MATHEWS, 1983). Como dissemos anteriormente, o VO2max é uma medida 
que indica a potência aeróbia máxima de um indivíduo em exercício envolvendo 
grandes grupos de massa muscular.
Embora existam vários testes para estimar o VO2max, o meio mais 
preciso é a mensuração laboratorial direta. A mensuração direta do 
VO2max geralmente é realizada num laboratório utilizando-se uma 
esteira motorizada ou uma bicicleta ergométrica, e a espirometria de 
circuito aberto é utilizada para a mensuração da troca gasosa pulmonar. 
[...] historicamente, a mensuração do VO2max tem sido considerada o 
teste de escolha para a predição do sucesso em eventos de resistência, 
como a corrida de longa distância (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 407).
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
35
FIGURA 14 – ESPIROMETRIA EM ESTEIRA ROLANTE
FONTE: Os autores
Durante os testes de espirometria, além da medida do VO2max como 
indicador de potência aeróbia, é possível determinar outras variáveis relacionadas 
à capacidade aeróbia. Entre elas podemos destacar os limiares ventilatório e/
ou limiar de lactato e os limiares do início de acúmulo de lactato no sangue. 
Entretanto, para podemos entender melhor isso precisamos pensar nas 
características dos testes. Existem diversos protocolos de testes na literatura que 
são válidos para a mensuração da capacidade e potência aeróbia. Eles geralmente 
são realizados em esteira ou bicicleta ergométrica. Outro ponto importante 
é que na maioria das vezes esses testes são realizados de maneira incremental, 
aumentando a velocidade, inclinação (esteira) ou carga imposta (se for realizado 
em cicloergômetro) buscando fazer o indivíduo atingir o seu máximo fisiológico 
(FOX; MATHEWS, 1983).
Atualmente, na literatura existem dois tipos principais de testes incrementais, 
o incremental de rampa e o teste de degrau. O princípio é o mesmo, aumentar a 
carga ou a velocidade de execução durante o teste. A diferença consiste no grau 
de aumento, enquanto no teste de rampa são realizados pequenos aumentos 
sucessivos durante todo o teste, o protocolo de degrau é realizado em estágios de 
3 a 5 minutos, geralmente, ou seja, a cada estágio aumenta a velocidade ou a carga 
(DENADAI, 1999). No laboratório de esforço físico da Universidade Federal de 
Santa Catarina, os protocolos adotados para este tipo de avaliação geralmente são: 
se for teste degrau estágios de 3 min com aumentos de 1 km.h-1 se for na esteira, ou 
30 W se for na bicicleta. Se for teste rampa aumentos de 0,5 km.h-1 a cada 30 s na 
esteira, ou aumentos de 1 W a cada 2 s. 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
36
GRÁFICO 2 – TESTES INCREMENTAIS DE DEGRAU OU RAMPA
FONTE: Os autores
Observe, no gráfico anterior, o teste de degrau realizado com um voluntário 
(gráfico da esquerda), e o teste de rampa realizado com outro voluntário (gráfico da 
direita). Perceba você que com o aumento da intensidade ocorre um aumento do VO2 
até atingir valores máximos. Vamos pensar primeiramente no teste incremental de 
degrau. Com o objetivo de estimar a capacidade cardiorrespiratória do indivíduo é 
possível mensurar através deste tipo de teste os limiares de transição metabólica 
pela análise do lactato sanguíneo e a potência aeróbia pela análise do consumo 
máximo atingido e pela intensidade máxima. É preciso ter em mente que o 
organismo apresenta comportamentos distintos de acordo com a intensidade do 
exercício. Esses diferentes comportamentos podem ser nomeados como domínios 
de	 intensidade	 de	 esforço	 ou	 domínios	 fisiológicos. Basicamente, a literatura 
apresenta três domínios, o moderado, o pesado e o severo (DENADAI, 1999).
GRÁFICO 3 – DOMÍNIOS FISIOLÓGICOS
FONTE: Os autores
Num teste incremental de degrau, no final de cada estágio é coletada uma 
gota de sangue, geralmente do lóbulo da orelha, para analisar a resposta do lactato 
sanguíneo. Observe no gráfico anterior que durante o início do teste o lactato 
permanece estável e depois começa a aumentar gradualmente. Um segundo 
aumento ainda pode ser visto, mas este vai ser exponencial e o lactato vai continuar 
aumentando até o indivíduo atingir o máximo de esforço. O primeiro aumento 
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
37
acima dos valores de base vai ser denominado limiar	de	lactato	(LL)	e	define	o	
limite superior do domínio moderado. O segundo aumento exponencialpode ser 
definido como limiar anaeróbio (LAn) ou início de acúmulo de lactato no sangue e 
define o limite do domínio pesado, entre o limiar de lactato e este último. Todas as 
intensidades de esforço que estiverem acima do LAn serão no domínio severo e o 
indivíduo atingirá seu máximo de esforço em poucos minutos (DENADAI, 1999).
IMPORTANT
E
O lactato sanguíneo é uma substância encontrada na circulação sanguínea ou 
no músculo que pode indicar quanto uma atividade está tendo participação do metabolismo 
anaeróbio. Quando o suprimento de O2 é deficiente para a musculatura em exercício ocorre 
uma maior participação da via glicolítica para produzir energia de maneira anaeróbia e o 
produto final dessa cadeia de reações é o lactato (ASTRAND; RODAHL, 1980).
Na prática, conhecer os domínios de intensidade de esforço ou domínios 
fisiológicos são de grande valia, pois a partir destes poderá se ter uma estimativa 
de quanto um indivíduo poderá se exercitar em determinada intensidade. 
Basicamente, em intensidade do domínio moderado o indivíduo poderá realizar 
horas e horas de exercício e os fatores que vão levá-lo a parar estão mais ligados 
à fadiga do sistema nervoso central, como a motivação para realizar tal tarefa, só 
para deixar um exemplo, atletas de Ironman ou Ultraman realizam as provas no 
domínio moderado geralmente (BURNLEY; JONES, 2007). No domínio pesado, 
os indivíduos ainda conseguem realizar esforços de longa duração, por exemplo, 
podemos citar os maratonistas que geralmente realizam as provas em intensidades 
muito próximas do limite superior do domínio pesado, o limiar anaeróbio. A 
duração do exercício no domínio pesado pode variar de 30 minutos a 2 horas 
ou mais, dependendo da capacidade do indivíduo e da intensidade (BURNLEY; 
JONES, 2007). Vale lembrar que o limiar anaeróbio é um indicador de máxima fase 
estável de lactato, ou seja, a produção de lactato que vai para a corrente sanguínea 
ainda é “tamponada” por mecanismos próprios no organismo responsáveis por 
isso. Em outras palavras, a produção e a capacidade de remoção ainda estão 
balanceadas e pode-se dizer que é o ponto de máxima produção aeróbia de energia 
com a menor participação do metabolismo anaeróbio (DENADAI, 1999).
Isto é importante porque muitos confundem e acham que a partir desse 
ponto a predominância é anaeróbia, mas não é verdade. Nas intensidades do 
domínio severo, a predominância de produção de energia ainda é AERÓBIA, mas 
ocorre uma maior participação das fontes de energia anaeróbias e quanto maior a 
intensidade maior será a participação anaeróbia, reveja a Tabela 4. Neste domínio 
a duração do exercício geralmente vai ser menor do que meia hora e quanto mais 
próximo da potência aeróbia máxima menor a duração (BURNLEY; JONES, 2007). 
Um indivíduo poderá realizar um exercício na intensidade do VO2max com uma 
duração de 5 a 6 minutos. 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
38
Antes da puberdade, meninos e meninas não mostram nenhuma 
diferença significativa na potência aeróbia máxima. Posteriormente 
a potência das mulheres é, em média, 70 a 75 por cento daquela dos 
homens. Em ambos os sexos existe um pico dos 18 aos 20 anos, seguido 
por um declínio gradual na captação máxima de oxigênio. Aos 65 anos, 
o valor médio é de aproximadamente 70 por cento do valor de um 
indivíduo com 25 anos (ASTRAND; RODAHL, 1980, p. 292).
ATENCAO
As crianças e adolescentes apresentam níveis diferentes de aptidão aeróbia 
e anaeróbia quando comparados com os adultos. As crianças, até a fase da puberdade, 
apresentam menores concentrações de testosterona, que podem determinar menor hipertrofia 
de fibras brancas (anaeróbias), uma maior atividade enzimática aeróbia e uma menor atividade 
de uma enzima específica (PFK) da via glicolítica, assim produzem menos lactato e apresentam 
um sistema anaeróbio menos desenvolvido, mas em compensação apresentam uma maior 
capacidade aeróbia relativa em comparação aos adultos (ASTRAND; RODAHL, 1980; DENADAI, 
1995).
Importante pensarmos que a análise laboratorial não é de fácil acesso. 
Outro ponto importante é que a coleta de lactato sanguíneo é um método invasivo 
e que vai necessitar de matérias de alto custo e equipamentos caros. Além disso, 
se o objetivo for avaliar crianças e adolescentes pode não ser a melhor maneira de 
avaliar este tipo de população. Na busca de evitar este tipo de análise e na tentativa 
de se realizar avaliações com um melhor custo benefício muitos pesquisadores 
propuseram algumas alternativas. A primeira que vamos destacar é a metodologia 
dos limiares ventilatórios (LV).
GRÁFICO 4 – LIMIARES VENTILATÓRIOS
FONTE: Os autores
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
39
A primeira questão que você precisa ter em mente é que para que 
possamos analisar os limiares ventilatórios é preciso realizar um teste de rampa. 
O teste de rampa com aumentos sucessivos da intensidade, como já foi explicado 
anteriormente, não é o ideal para medir as respostas do lactato ao exercício, por que 
o que está sendo produzido no músculo não irá refletir determinada intensidade, 
visto que os aumentos são constantes. Dessa forma, este tipo de protocolo é o ideal 
para analisar a resposta de algumas variáveis pulmonares que respondem de 
maneira similar ao lactato apontando o momento que ocorrerá a mudança de um 
domínio fisiológico para outro (FOX; MATHEWS, 1983). O gráfico acima apresenta 
duas das variáveis em que podem ser analisados os equivalentes ventilatórios de 
O2 e CO2 (VE/VO2 e VE/VCO2, respectivamente). Ainda existem outras variáveis 
que auxiliam na determinação dos LV, como a resposta da ventilação, do VCO2 e 
da pressão parcial de O2 e do CO2 no final da expiração (FOX; MATHEWS, 1983; 
DENADAI, 1995). 
Para fins didáticos vamos nos concentrar na resposta do VE/VO2 e 
do VE/VCO2. Como pode ser observado no gráfico acima, o comportamento 
dessas duas variáveis permanece praticamente estável durante o início do teste 
quando analisadas sobre o tempo ou a intensidade do exercício. O que ocorre 
primeiramente é um aumento VE/VO2 e com a VE/VCO2 permanecendo estável, o 
que indica o primeiro LV (LV1) ou o limite superior do domínio moderado. Com 
a continuação do teste e o aumento das intensidades vai ocorrer um aumento da 
acidose metabólica e queda do pH em consequência do lactato aumentado, o que 
pode ser verificado por aumento simultâneo da VE/VO2 e VE/VCO2 ou o segundo 
LV (LV2) indicando o limite entre domínio pesado e severo (DENADAI, 1995).
Na prática, então, é possível com um teste mais acessível determinar as 
mesmas respostas fisiológicas do organismo. Talvez você, que hoje está cursando 
esta disciplina, no futuro profissional trabalhe com avaliações do gênero em clínicas 
esportivas e, para tal vai precisar ter um domínio deste conhecimento. Talvez em 
sua atuação profissional você não participe diretamente deste tipo de avaliação, 
mas muitos dos seus alunos poderão realizar testes de espirometria e trazer para 
você avaliar os resultados ou, até mesmo, como uma forma de acompanhamento 
do desenvolvimento dos mesmos.
Porém, pode ser que você ainda não esteja convencido e veja todo esse 
conteúdo apresentado muito distante de sua realidade. Dessa forma, iremos 
apresentar a vocês um método ainda mais acessível para a análise indireta das 
respostas fisiológicas. Com o teste de rampa, que você poderá realizar em uma 
esteira motorizada ou em um cicloergômetro em qualquer academia ou até mesmo 
em casa, utilizando aumentos pequenos e graduais, como por exemplo 1 km por hora 
a cada minuto, é possível determinar o ponto	de	deflexão	da	frequência	cardíaca	
(PDFC). É claro que, nos dias de hoje, com o avanço tecnológico, é muito acessível 
mensurar a frequência cardíaca (FC). Encontra-se facilmente frequencímetros 
por valores mais baixos do que um tênis simples. Muito também tem se utilizado 
dos percentuais da FC para prescrever exercício. Há um consenso na literatura 
que abaixo de 70% da FC máximao indivíduo estaria se exercitando no domínio 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
40
moderado e entre 70% e 90% da FC máxima o exercício seria no domínio pesado. 
Contudo, utilizar os percentuais da FC cardíaca pode ser complicado pela variação 
grande que esta variável apresenta (DENADAI, 1995; GALOTTI; CARMINATTI, 
2008).
Entretanto, buscando ainda alternativas que se valessem do comportamento 
da FC cardíaca e como de forma de avaliação mais acessível alguns autores, 
entre eles destaque para Conconi et al. (1982) e Kara et al. (1996) têm proposto 
maneiras de se analisar o PDFC durante testes de laboratório e de campo. Conconi 
et al. (1982) buscaram estimar o limite superior do domínio pesado com uma 
metodologia visual tentando identificar o momento no qual ocorre uma perda da 
linearidade na relação FC e intensidade. Enquanto Kara et al. (1996) buscaram 
propor um método matemático chamado de Dmáx buscando identificar este 
mesmo fenômeno fisiológico. No próximo gráfico, você poderá visualizar dois 
exemplos de determinação do PDFC, um por cada método. Na parte superior 
está o método visual, enquanto na parte inferior está o método matemático. No 
primeiro é importante ignorar os valores FC abaixo de 140 bpm e tentar identificar 
o momento que a linearidade da FC é perdida. No segundo, a partir de regressão 
polinomial de 3ª ordem se obtém uma equação de estimativa que vai calcular o 
ponto mais distante entre a curva da FC e uma reta unindo o primeiro e o último 
ponto.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
41
FONTE: Galotti e Carminatti (2008)
GRÁFICO 5 – PONTO DE DEFLEXÃO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA
Se você, caro acadêmico, tem interesse em saber mais e entender melhor estas 
questões que foram abordadas aqui como possiblidades de avaliação da aptidão aeróbia, 
deixamos como dica o artigo do professor Benedito Sérgio Denadai, que foi utilizado como 
referência algumas vezes no texto. Ou ainda, o livro do mesmo autor que trata sobre o assunto.
1. DENADAI, B. S. Limiar anaeróbio: considerações fisiológicas e metodológicas. Revista 
brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 1, n. 2, p. 74-88, 1995.
2. DENADAI, B. S. Índices fisiológicos de avaliação aeróbia: conceitos e aplicações. Ribeirão 
Preto: BSD, 1999.
DICAS
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
42
Por fim, para que possamos encerrar esta parte sobre avaliação da aptidão 
aeróbia não poderíamos deixar de mencionar aqui uma opção de avaliação de teste 
de campo. Nesta unidade já abordamos as vantagens e desvantagens dos testes 
de campo e não queremos ser repetitivos. Foi citado também, no Tópico 1, como 
opção de avaliação da aptidão aeróbia o teste de vai e vem de 20 metros. A crítica 
maior a este teste é que ele é contínuo com distância fixa e um grande número de 
mudanças de direção o que poderia vir a subestimar a potência aeróbia. Pois bem, 
queremos apresentar outra opção já validada na literatura e reprodutível que pode 
ser talvez uma opção ideal para a realidade de alguns lugares onde o acesso a 
avaliações laboratoriais é mais difícil. O protocolo a que nos referimos é o teste de 
Carminatti (TCAR). As vantagens deste método consistem em estar mais próximas 
da realidade dos esportes coletivos com distâncias variadas e pausas. Outro ponto 
é a possibilidade da avaliação de vários alunos ao mesmo tempo e a fácil aplicação. 
FIGURA 15 – ESQUEMA DO TESTE DE CARMINATTI
FONTE: Os autores
Nesse sentido, Carminatti et al. (2004) propuseram um teste de campo 
incremental de corrida intermitente, o TCAR, a partir do qual se pode determinar 
índices de capacidade e potência aeróbia. Ainda, Carminatti et al. (2005), em 
um estudo com 112 atletas de modalidades intermitentes demonstraram que a 
velocidade do PDFC se encontra em 80,4 ± 5,6% do pico de velocidade (PV) atingido 
no TCAR, evidenciando a validade de identificação do limiar anaeróbio (limite 
superior do domínio pesado) a partir de 80.4% do PV. Outra variável mensurada 
no TCAR é o PV, que é a máxima velocidade alcançada em testes progressivos de 
laboratório ou campo, apresentado como um indicador de potência aeróbia que 
pode auxiliar na identificação da performance aeróbia (OLIVEIRA, 2004).
O TCAR é um teste incremental máximo, do tipo intermitente em sistema 
“ida e volta”, com estágios de 90 segundos de duração, cada estágio com 5 repetições 
de 12 segundos de corrida (distância variável), intercaladas por 6 segundos de 
caminhada (± 5 m). O ritmo é ditado por um sinal sonoro, em intervalos regulares 
de 6 segundos, que determinam a velocidade de corrida a ser desenvolvida nos 
deslocamentos entre as linhas paralelas demarcadas no solo que podem ser 
sinalizadas por cones. O teste inicia com velocidade de 9,0 km·h-1 (distância inicial 
de 15 m) com incrementos de 0,6 km·h-1 a cada estágio, aumentando sucessivamente 
1 m a partir da distância inicial até a exaustão voluntária do avaliado (SILVA et 
al., 2011). Observe na figura anterior um esquema ilustrativo do teste. Lembrando 
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
43
que o material necessário para o teste é basicamente uma caixa de som, alguns 
cones para delimitar o espaço e as fichas do teste. É interessante a possibilidade 
de avaliar o PDFC no TCAR, e para tal seria necessário o uso de frequencímetros. 
Numa avaliação mais aprimorada ainda é possível coletar sangue para a análise 
do lactato sanguíneo.
Se você tem interesse em utilizar o teste ou aprender mais sobre ele acesse o 
YouTube e veja os vídeos no link a seguir:
<https://www.youtube.com/watch?v=4WeoDhS2hmE>.
DICAS
3.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA
Podemos considerar que existem diversas formas e possibilidades de 
treinamento da aptidão aeróbia. O objetivo deste livro não é esgotar as alternativas, 
e nem seria possível, mas sim deixar algumas dicas e informações do que pode ser 
pensando para o aprimoramento aeróbio. Vale considerar também que ao longo 
desta unidade, bem como nas demais, assuntos relacionados às possibilidades do 
treinamento das diferentes qualidades físicas serão abordados. No entanto, vamos 
considerar alguns aspectos nesse momento. Um dos mais importantes é a duração 
dos esforços e sua relação com a intensidade. Lembrando que em esforços mais 
longos e de menor intensidade sempre o sistema aeróbio de produção de energia 
estará atuando de maneira predominante.
O desenvolvimento do sistema de transporte de oxigênio deveria ser 
parte de qualquer programa para melhorar a capacidade de resistência. 
A alta capacidade aeróbia, vital para o treinamento, também facilita 
a recuperação rapidamente durante e após o treinamento. Uma 
recuperação ágil permite que o atleta reduza o intervalo de descanso 
e execute o trabalho com intensidade mais alta. Como resultado de 
intervalos de descanso mais curtos, é possível aumentar o número de 
repetições, aumentando também o volume do treinamento. Uma taxa 
de recuperação mais rápida, conquistada pela alta capacidade aeróbia, 
é também importante em desportos que requerem muitas repetições 
de uma habilidade, como eventos de salto, ou um número grande 
de períodos curtos de exercício intenso em desportos de equipe [...] 
(BOMPA, 2002, p. 360).
É importante pensar que o treinamento aeróbio poderá ser dividido em 
treinamento de capacidade ou potência aeróbia. A capacidade, como já foi dito, 
vai estar sempre ligada à resistência do metabolismo em produzir energia pelo 
maior tempo possível, enquanto que potência vai estar ligada a mais alta taxa 
de produção de energia de maneira aeróbia. Assim, podemos pensar em dividir 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
44
também o treinamento aeróbio em esforço de longa duração em intensidades 
mais baixas, o chamado treinamento contínuo e/ou esforços de média duração 
e intensidades elevadas, geralmente realizado de maneira intermitente e por isso 
comumente chamado de treinamento intervalado.
Independente domodelo de treino adotado é preciso novamente pensar 
na realidade de prática esportivas de nossos alunos, por exemplo, podemos nos 
questionar: é interessante fazer um treinamento de corrida contínua em baixa 
intensidade para um aluno que vai praticar um esporte coletivo, como o handebol, 
por exemplo? O handebol não seria mais caracterizado por esforço de maior 
intensidade e curta duração, intercalado por períodos de recuperação passiva ou 
ativa? Considerando estes quesitos, podemos seguir em nossa argumentação. Se 
o objetivo for melhorar a capacidade aeróbia e a prática esportiva exige este tipo 
de movimento, o treinamento contínuo com esforços com duração superiores a 
meia hora em intensidade moderada serão bem recomendados. Se você, em sua 
prática, adotar algum dos tipos de avaliação mencionados anteriormente também 
poderá pensar em melhorar o limite superior do domínio moderado e do domínio 
pesado, ou seja, os limiares de lactato e de início de acúmulo de lactato no sangue, 
ou os limiares ventilatórios, ou o ponto de deflexão da FC, dependendo do tipo de 
avaliação que for utilizada (DENADAI, 1999; BOMPA, 2002).
Por outro lado, caro acadêmico, se você quiser melhorar a potência aeróbia 
de seus alunos será preciso planejar a realização de esforços máximos ou próximos 
do máximo. Você provavelmente já deve ter ouvido falar do tão badalado HIT 
que virou febre nos últimos tempos. O termo vem da expressão em inglês high-
intensity training e nada mais é do que o conhecido treinamento intervalado. Porém 
este tipo de treinamento é preciso quando se quer melhorar a potência aeróbia e é 
recomendado para uma grande gama de modalidades, como as lutas, os esportes 
coletivos de maneira em geral, determinadas provas da natação, como o 400 m, 
provas de 800 m,1500 m e 3000 m no atletismo, entre tantas outras. 
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
45
FIGURA 16 – TREINAMENTO INTERVALADO
FONTE: Buchheit e Laursen (2013)
A maneira como ele pode ser realizado, quais os tipos de estímulos, de que 
maneira serão organizados vai depender muito da realidade que o profissional 
estará inserido. Entretanto, em um estudo de revisão bastante interessante, Buchheit 
e Laursen (2013) deixam algumas considerações importantes que poderemos ver 
agora. Vejamos a figura esquemática apresentada por estes autores, visto que ela 
está em inglês vamos analisar um pouco mais. A primeira divisão que podemos 
pensar é a entre estímulo (work) e recuperação (relief). Para os estímulos precisamos 
pensar nas variáveis de modalidade do estímulo (work modality), intensidade 
(intensity), duração (duration), número de séries (# of series) e duração das séries 
(series duration). Já quando pensarmos em planejar a recuperação vai ser preciso 
pensar na intensidade da recuperação (passiva ou ativa), a duração da mesma, o 
tempo entre as séries (time between series) e a intensidade da recuperação entre as 
séries (between-series recovery intensity).
4 APTIDÃO ANAERÓBIA
Até o momento tratamos da aptidão aeróbia e das formas de avaliação. 
Porém, acreditamos que como é de conhecimento, o organismo tem outras formas 
de produzir energia para realizar trabalho. Entenda trabalho por qualquer tarefa 
que necessitará do movimento de um ou mais grupos musculares. Sabemos 
que esta outra forma de produção de energia é denominada de metabolismo 
anaeróbio. O metabolismo anaeróbio, ao contrário do que foi estudado sobre 
a produção de energia de forma aeróbia, não vai necessitar da presença do O2 
para produzir energia. Outro ponto que precisa ficar destacado para você é, que 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
46
a produção anaeróbia de energia pode ser de mais de uma forma. Para tal temos 
então o metabolismo anaeróbio alático e o anaeróbio lático, ou seja, o primeiro 
vai produzir o ATP sem produzir lactato e o segundo terá a produção de lactato no 
final da via, respectivamente.
Novamente, queremos lembrar que é preciso o entendimento dos aspectos 
fisiológicos para que possamos pensar em maneiras de desenvolver as aptidões de 
nossos alunos, sabendo como aplicar as cargas de treinamento e de que forma eles 
responderão a diferentes estímulos. Voltando ao assunto, somente relembrando o 
que foi dito no tópico anterior, o ATP é a forma imediata de energia no organismo, 
ou seja, a forma mais rápida para que um músculo possa realizar uma contração 
(ASTRAND; RODAHL, 1980). Assim, sabemos que existem reservas de ATP no 
organismo para que qualquer estímulo recebido possa ser atendido. Em outras 
palavras, quando o músculo recebe um estímulo nervoso ele já possuirá uma 
maneira de responder de maneira imediata utilizando a quebra do ATP para 
que com esse potencial energético o estímulo seja correspondido (ASTRAND; 
RODAHL, 1980).
5 DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO ANAERÓBIA
Dessa forma, o ATP que é um fosfato de alta energia, onde é armazenada a 
energia provinda dos alimentos, pode ser “quebrado” por uma enzima específica 
(rompimento da ligação pela enzima ATPase) resultando em ADP (uma adenina 
e dois fosfatos) e Pi (fosfato inorgânico). Essa quebra vai gerar energia necessária 
para que ocorra a contração muscular por exemplo. Observe na figura a seguir o 
formato bioquímico das moléculas de ATP e ADP. Vale ressaltar também que é a 
energia provinda dos alimentos, sejam de lipídeos, carboidratos ou proteínas, que 
vão possibilitar a formação desses fosfatos de alta energia. A maior questão está na 
quantidade limitada de ATP, em que as células musculares possuem e por isso a 
necessidade do auxílio de outra via metabólica, a via do fosfato de creatina.
FIGURA 17 – FOSFATOS DE ALTA ENERGIA
FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/bioquimica/
bioquimica2.php>. Acesso em: 20 fev. 2017.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
47
Como já vimos na Tabela 4, em esforços de alta intensidade a energia inicial 
pode ser quase totalmente provinda do sistema anaeróbio. O sistema do fosfato de 
creatina ou fosfocreatina (CP) vai atuar nos primeiros segundos do exercício para 
gerar a energia de maneira mais rápida. Esse sistema também possui uma limitação 
de estoques e poderá ter uma duração de 15 a 20 segundos. Todas as modalidades 
ou esforços físicos utilizarão este sistema para gerar energia em menor o maior 
grau, porém existem modalidades que dependem praticamente de forma total 
deste metabolismo energético (MACARDLE; KATCH; KATCH, 2003). É o caso das 
provas curtas na natação, o 100 e o 200 metros no atletismo, o levantamento de peso, 
o futebol americano, entre outras. Veja bem, alguns esportes de predominância 
aeróbia dependem da via da fosfocreatina durante sua execução, como é o caso do 
futebol, que durante as partidas ocorrem os esforços como o chute, que irão utilizar 
a fosfocreatina para auxiliar na produção de energia. Vale lembrar que, como foi 
dito anteriormente, todas as vias de produção de energia participam em menor ou 
maior grau durante o exercício. Assim, até mesmo em esforços ou modalidades 
predominantemente aeróbias, neste exemplo o futebol, a via da fosfocreatina vai 
atuar para produzir uma parcela de energia para realizar tal tarefa. Perceba na 
próxima figura que a via da fosfocreatina é uma via muito rápida que depende 
basicamente de uma reação. Uma enzima específica (fosfofrutoquinase – CPK) que 
faz a ‘quebra’ da fosfocreatina para gerar o ATP. 
FIGURA 18 – FOSFOCREATINA
FONTE: Disponível em: <http://vetblog.vetjg.com/marcadores-bioquimicos-la-
creatinina/>. Acesso em: 20 fev. 2017.
Com os estoques limitados de fosfocreatina no músculo, e como existe 
um limite deletério para o organismo da substância resultante, a creatina, a outra 
via anaeróbia começa a participar mais efetivamente por volta de 20 segundos 
para auxiliar na contribuição energética. O metabolismo anaeróbio lático, ou 
mais propriamente dito a via glicolítica. O número de reações dessa via é maior 
em comparação com o anterior, porémainda é bem menor, e dessa forma mais 
rápido que o aeróbio. No metabolismo aeróbio somente a etapa de betaoxidação 
são 16 reações, enquanto a via glicolítica precisará um total de 10 reações para 
produzir ATP. Assim, podemos dizer que a velocidade de uma via metabólica está 
ligada ao número de reações que precisam acontecer nesta para produzir energia 
(MACARDLE; KATCH; KATCH, 2003). 
Observe na próxima figura todas as etapas da via glicolítica. Perceba, você, 
que, como o nome já diz, essa via vai depender da glicose sanguínea, que está sendo 
disponibilizada para o músculo ou do glicogênio intramuscular. Independente 
da fonte energética, a via vai ter o mesmo número de etapas e poderá produzir 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
48
um ATP a mais se for a partir do glicogênio muscular. O produto final dessa via 
é o ácido pirúvico ou piruvato, que vai sofrer uma reação transformando-se em 
lactato no interior da célula muscular.
Vale lembrar que a via glicolítica poderá produzir energia de maneira 
aeróbia. Se houver O2 suficiente, o piruvato sofrerá uma conversão por uma 
enzima específica (PDH) e poderá entrar na mitocôndria formando acetil-coa e 
participando da via oxidativa. Por isso que a formação de lactato durante o exercício 
é dependente da intensidade do exercício (POWERS; HOWLEY, 2005). Como já 
dissemos anteriormente, no domínio moderado, por exemplo, não há acúmulo de 
lactato no sangue, e quando a intensidade do exercício aumenta acima de 50 a 
60% do máximo individual começa a ocorrer uma maior produção de lactato, mas 
que em todas as intensidades que o domínio pesado abrange até por volta de 85 
a 90% da potência aeróbia, ainda existe um balanço entre produção e remoção do 
lactato. Em outras palavras, a via glicolítica estará participando em maior grau 
para produzir energia, mas muita da energia produzida será de maneira aeróbia. 
Quando o exercício for realizado no domínio severo, ou seja, acima de 90% da 
potência aeróbia máxima ou da capacidade máxima individual, a produção de 
lactato superará a capacidade de remoção e a via glicolítica atuará efetivamente 
fornecendo energia (ATP) de maneira anaeróbia para um exercício que ainda 
será predominantemente aeróbio (DENADAI, 1999; POWERS; HOWLEY, 2005). 
Importante aqui ressaltar uma nota que os exercícios realizados a 100% da potência 
aeróbia, 100% do VO2max, por exemplo, ainda serão de predominância aeróbia, 
mas com uma alta participação anaeróbia para a produção total de energia.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
49
FIGURA 19 – VIA GLICOLÍTICA
FONTE: Disponível em: <http://vetblog.vetjg.com/marcadores-
bioquimicos-la-creatinina/>. Acesso em: 20 fev. 2017.
No gráfico a seguir poderemos ver um esquema didático da participação 
dos três metabolismos de produção de energia. Em síntese, os primeiros segundos 
de exercício são sustentados pela energia provinda da via da fosfocreatina, ou 
também denominada ATP-CP. Após 10 a 20 segundos, a via glicolítica começa 
a ser predominante para a produção de energia. Entre dois e três minutos o 
sistema aeróbio se torna predominante. É lógico que estes tempos citados 
dependem da intensidade de esforço e da aptidão física de cada indivíduo. Se 
forem intensidades baixas de exercício, o sistema aeróbio poderá ser mais efetivo. 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
50
Geralmente, indivíduos sedentários levam mais tempo para que o sistema aeróbio 
seja predominante em comparação com fisicamente ativos ou atletas. Em síntese, 
uma maneira fácil de identificar se um exercício será predominantemente aeróbio 
ou anaeróbio é pensar no tempo de esforço. O metabolismo anaeróbio é limitado e 
não conseguirá sustentar o exercício por muito mais do que 3 minutos na maioria 
da população (crianças saudáveis, fisicamente ativos, atletas etc.). Seguindo 
o exemplo anterior, um exercício a 100% do VO2max será realizado entre 4 a 7 
minutos dependendo das capacidades do indivíduo. Na prática, poderíamos 
pensar na prova de 1500 metros no atletismo, de predominância aeróbia.
GRÁFICO 6 – CINÉTICA DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE ENERGIA
FONTE: Disponível em: <http://fisioexfisio.blogspot.com.br/2013_03_31_archive.
html>. Acesso em: 20 fev. 2017.
ATENCAO
Resumindo esta parte, a produção de energia anaeróbia alática, ou seja, sem 
a formação de lactato, acontecerá através da via da fosfocreatina ou também chamada ATP-
CP. Por outro lado, a formação de energia de maneira anaeróbia lática, com o lactato como 
produto no final da via, será através da via glicolítica. Ainda lembrando que a via glicolítica 
poderá formar energia de maneira aeróbia se houver O
2
 suficiente, ou seja, intensidade mais 
baixa de exercício.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
51
5.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO ANAERÓBIA
Como já foi falado no Tópico 1, antes de se pensar em avaliar um dos 
nossos alunos ou qualquer indivíduo que seja, é preciso fazer algumas perguntas 
do tipo: O que eu quero avaliar? Como eu vou avaliar? Por que eu vou avaliar? Se 
você ficou com algumas dúvidas sobre os processos de avaliação no treinamento 
desportivo volte ao Tópico 1 e recapitule o assunto. Porém vamos abordar aqui 
especificamente da avaliação anaeróbia. Como dito anteriormente, o metabolismo 
anaeróbio pode ser alático ou lático, o que podemos considerar também como 
potência anaeróbia e capacidade anaeróbia, respectivamente. Nesta parte vamos 
tratar desta última nomenclatura, pois acreditamos que você já compreendeu bem 
o assunto neste ponto, pois bem, reforçando o que já foi dito, para pensar numa 
avaliação de capacidade e potência anaeróbia, você precisará pensar na realidade 
das tarefas que serão executadas, ou seja, como seus alunos irão se exercitar. 
Considerando isso, já será um fator de grande importância para saber se a avaliação 
anaeróbia é precisa e de que forma ela poderá ser realizada.
Dito isto, relembramos que já vimos alguns testes no Tópico 1, que tem 
por objetivo avaliar estas qualidades físicas. Recapitulando, lembramos o teste de 
capacidade sprints repetidos, que terá o melhor tempo de execução dos 6 sprints 
de 40 metros como indicador de potência anaeróbia e o tempo total para execução 
do teste como indicador de capacidade anaeróbia (RAMPININI et al., 2007). 
Podemos perceber então que a potência anaeróbia vai estar ligada diretamente 
aos esforços de curtíssima duração, ou seja, poucos segundos (< 10 s). Enquanto 
que os esforços com duração entre 30 e 60 segundos estarão ligados diretamente 
com a capacidade anaeróbia (POWERS; HOWLEY, 2005). Vale ressaltar que o teste 
de sprints repetidos é uma opção válida para este tipo de avaliação, mas é preciso 
sempre pensar na característica do exercício ou da modalidade que seus alunos 
estarão praticando. Em caso da maioria dos esportes coletivos seria interessante 
realizar este tipo de avaliação, porém somente para exemplificar, nada adianta 
verificar a capacidade e potência anaeróbia do aluno realizando sprints se aulas 
serão de natação (teste não específico).
Entretanto, novamente resgatando conteúdo do Tópico 1, algumas avaliações 
de laboratório que são consideradas mais válidas possuem maior validade, mas 
perdem em especificidade, ou seja, não são tão próximos do movimento específico 
ou das características da modalidade. No entanto, avaliações de laboratório 
geralmente terão uma acurácia maior para medir aspectos relacionados às 
qualidades físicas (MATHEWS, 1980). Para resgatar outros exemplos podemos 
destacar os testes realizados em dinamômetro de força que poderão apresentar 
protocolos para mensurar capacidade e potência anaeróbia. Ainda, o teste de saltos 
verticais também poderá avaliar ambas qualidades físicas, no caso, o salto com 
contramovimento está mais relacionado à potência anaeróbia e os saltos contínuos 
relacionados à capacidade anaeróbia (BOSCO, 1999).
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
52
Gostaríamos, ainda,de apresentar mais uma possibilidade de avaliação 
anaeróbia. Considerado como padrão ouro para avaliar a potência e a capacidade 
anaeróbia o teste de Wingate é um protocolo que vem sendo utilizado em diferentes 
partes do mundo há muitos anos com este objetivo.
Pesquisadores do Wingate Institute de Israel desenvolveram um teste 
de ciclismo de esforço máximo com duração de trinta segundos (teste 
de Wingate) destinado a determinar tanto a potência anaeróbia de pico 
como a potência média máxima durante o teste de trinta segundos 
[...]. A maior potência durante os primeiros segundos é considerada 
a potência de pico máxima e é indicadora da velocidade máxima com 
que o sistema ATP-CP produz ATP neste tipo de exercício. O declínio 
da potência máxima durante o teste é utilizado como um índice de 
resistência anaeróbia e, supostamente, representa a capacidade máxima 
de produção de ATP por meio de uma combinação do sistema ATP-CP 
e da glicólise (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 416).
FIGURA 20 – PROTOCOLO DO TESTE DE WINGATE
FONTE: Disponível em: <http://www.bikemagazine.com.br/2011/04/avaliacao-fisica/>. Acesso 
em: 20 fev. 2017.
TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS
53
Observe que mesmo sendo um teste realizado em bicicleta ergométrica, o 
que não proporciona especificidade com muitos outros esportes, é um teste que 
tem uma grande acurácia para determinar a capacidade e potência anaeróbia. 
Por ser um teste de relativa facilidade de aplicação e curta duração, um pequeno 
aquecimento em baixa intensidade e um esforço máximo de 30 segundos é uma 
excelente opção. Veja você na figura anterior que a potência reproduzida no teste 
vai atingir valores de pico em poucos segundos, de 3 a 5 segundos, e depois começa 
a cair atingindo valores de até 50% do pico. Vale ressaltar que por exigir um esforço 
máximo do avaliado durante todo o teste, não é um teste muito recomendado para 
aplicação em crianças e precisa ser bem pensando quando for colocado em algum 
planejamento de treinamento.
Ainda é possível pensar em outras avaliações que podem proporcionar 
o entendimento da capacidade e potência anaeróbia de nossos alunos. Teste de 
tiros curtos com distâncias entre 50 a 200 metros na corrida, outros protocolos 
de sprints repetidos, tiros máximos na natação, protocolos de medidas de força, 
entre outros (POWERS; HOWLEY, 2005). A chave é saber de que forma vamos 
utilizar os testes que são apresentados na literatura. Os testes de coordenação ou 
velocidade de reação ou de membros, por exemplo, são de grande importância 
quando trabalhamos com crianças até o final da fase maturacional. O mais 
importante é conhecer o funcionamento do organismo e como ele responde a 
determinados estímulos, nesse caso específico, esforços máximos de curta duração, 
para poder adaptar ou escolher o melhor teste a ser aplicado dentro dos objetivos 
do planejamento do treinamento desportivo.
5.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO 
ANAERÓBIA
Existem diferentes possibilidades e protocolos que podem ser criados com 
o objetivo de aprimorar tanto a capacidade quanto a potência anaeróbia. Diversas 
modalidades, tipos de exercício e esportes necessitam dessas qualidades físicas 
muito bem desenvolvidas para sua prática, como é o caso do tênis, do vôlei, provas 
de velocidade na natação e no atletismo, entre outros. Como já foi dito, nenhum 
tipo de esforço vai ser dependente de apenas uma via metabólica para produzir 
energia, mas é possível planejar estratégias de treinamento que possibilitem 
uma exigência máxima das vias anaeróbias. Como é o caso do treinamento de 
sprints repetidos, por exemplo. O número de estímulos, de séries, e a duração 
precisará estar de acordo com um planejamento prévio, o nível de aptidão dos 
indivíduos e fatores ambientais, mas estes assuntos ainda serão abordados com 
maior cuidado adiante. É possível pensar o treinamento anaeróbio com o foco na 
potência anaeróbia (sistema ATP-CP) ou na capacidade anaeróbia (treinamento da 
via glicolítica).
O treinamento para melhorar o sistema ATP-CP envolve um tipo 
especial de treinamento intervalado. Para pressionar ao máximo a 
via metabólica do ATP-CP, intervalos de exercício de curta duração 
e alta intensidade (cinco a dez segundos de duração) que utilizam 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
54
os músculos solicitados na competição são ideais. Em razão da curta 
duração deste tipo de intervalo, pouco ácido lático é produzido e a 
recuperação é rápida. O intervalo de repouso pode variar de trinta a 
sessenta segundos, dependendo do nível de aptidão física dos atletas 
(POWERS; HOWLEY, 2005, p. 431).
A outra possibilidade é pensarmos no treinamento de capacidade anaeróbia 
ou da via glicolítica. Para tal é preciso pensar em esforços máximos e com duração 
entre vinte a sessenta segundos, que sobrecarregarão esta via metabólica e gerar 
uma alta acidose. Este tipo de treinamento é bem exaustivo e precisa ser planejado 
com cautela, pois pode reduzir os estoques de glicogênio muscular (POWERS; 
HOWLEY, 2005). Geralmente após esforços únicos de maior duração (por exemplo 
60 segundos) ou mais curtos e repetidos, planeja-se um intervalo de recuperação 
entre três e cinco minutos. Um modelo que é utilizado em modalidades coletivas, por 
exemplo, é três séries de seis estímulos de 40 metros em cada série, recuperação de 
vinte segundos de recuperação entre os estímulos e quatro minutos de recuperação 
de forma passiva entre as séries. Outro cuidado importante é intercalar sessões 
de treinamento de baixa intensidade entre as sessões que terão essa exigência 
anaeróbia. Os princípios do treinamento esportivo que são utilizados como base 
no planejamento e na montagem de uma ou mais sessões de treinamento serão 
abordados mais profundamente na Unidade 2.
55
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A respiração aeróbia necessita do oxigênio (O2), que é usado como agente 
oxidante e essa propriedade importante do O2 é utilizada pelas células para 
produzir uma forma utilizável de energia e converter moléculas de carboidratos, 
gorduras e proteínas em moléculas de ATP.
• O ATP é uma molécula de fonte imediata de energia para a contração muscular, 
que está no interior das células e precisa basicamente de uma reação para gerar 
energia. 
• Na mitocôndria, que está localizada no sarcoplasma celular, no caso das células 
musculares, que o O2 vai realizar seu papel fundamental de receber o hidrogênio 
e formar água.
• Esse processo vai na membrana interna da mitocôndria onde está localizada 
a cadeia respiratória. O ciclo de Krebs, que está localizado no interior da 
mitocôndria na matriz mitocondrial e, também vai interagir com a cadeia 
respiratória para que ocorra a produção aeróbia de ATP.
• O sistema respiratório tem como principal objetivo prover um meio de troca 
gasosa, ou seja, permitir que um indivíduo possa liberar o CO2 que está 
acumulado no sangue e repor o O2 que está sendo utilizado durante uma tarefa.
• A produção de energia anaeróbia alática, ou seja, sem a formação de lactato, 
acontecerá através da via da fosfocreatina ou também chamada ATP-CP. 
• A formação de energia de maneira anaeróbia lática, com o lactato como produto 
no final da via, será através da via glicolítica. 
• A via glicolítica poderá formar energia de maneira aeróbia se houver O2 
suficiente, ou seja, intensidade mais baixa de exercício.
• A capacidade aeróbia está relacionada à produção de energia aeróbia de maneira 
predominante com a mínima participação do metabolismo anaeróbio, através 
das vias oxidativas.
• A potência aeróbia é a capacidade do organismo em produzir a maior quantidade 
de energia de maneira oxidativa no menor tempo possível.
56
• Ambas as vias aeróbias ou anaeróbias trabalham ao mesmo tempo para uma 
produção total de energia. O que difere é a predominância de uma das vias em 
relação à outra em produzir energia e isso é dependente da modalidade ou do 
tipo de exercício.
•O organismo apresenta comportamentos distintos de acordo com a intensidade 
do exercício. Esses diferentes comportamentos podem ser nomeados como 
domínios	 de	 intensidade	 de	 esforço	 ou	 domínios	 fisiológicos. A literatura 
apresenta três domínios, o moderado, o pesado e o severo.
• São diversas as possibilidades para a avaliação e treinamento da aptidão aeróbia 
e anaeróbia. No caso dos testes físicos é preciso se perguntar como, para que e 
por que vou avaliar meu aluno. No caso do treinamento, é preciso saber qual é a 
melhor forma para aplicá-lo, considerando a realidade em que se está inserido, 
qual é a faixa etária, quais são os objetivos dos alunos, entre outros.
57
1 Vimos durante este tópico assuntos relacionados à aptidão aeróbia e anaeróbia. 
Aprendemos que todos os sistemas de produção de energia trabalham em 
conjunto para suprir a demanda do exercício. Porém, estudamos também 
que, dependendo do modo de exercício e da intensidade do exercício 
a predominância de produção de energia vai ser aeróbia ou anaeróbia. 
Considerando esta afirmativa, assinale as alternativas CORRETAS quanto à 
participação dos sistemas:
a) ( ) A prova de 100 metros rasos no atletismo é predominantemente anaeróbia.
b) ( ) A maratona no atletismo é predominantemente anaeróbia.
c) ( ) Uma série de levantamento de peso é predominantemente anaeróbia.
d) ( ) A prova de 50 metros na natação é predominantemente aeróbia.
e) ( ) A prova de remo de 2000 metros é predominantemente aeróbia.
f) ( ) A prova de cross-country de esqui é predominantemente aeróbia.
g) ( ) A prova de 400 metros na natação é predominantemente anaeróbia.
h) ( ) Os esportes coletivos de maneira em geral são predominantemente 
aeróbios.
i) ( ) Uma aula de Educação Física com duração de 45 minutos é 
predominantemente aeróbia.
AUTOATIVIDADE
58
59
TÓPICO 3
O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA 
IDADE ESCOLAR
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Neste terceiro e último tópico da Unidade 1, vamos terminar 
nossa jornada juntos falando sobre o treinamento esportivo e suas implicações 
para a saúde de adolescentes. Nas próximas duas unidades do livro você será 
acompanhado pelos nossos colegas para continuar os estudos da disciplina. 
Porém, ainda temos mais algumas páginas para estudar. Os anos em torno da 
puberdade são os mais críticos do ponto de vista da saúde pública. O exercício e a 
boa nutrição nessa idade são tão importantes quanto aos 50 anos de idade, quando 
a perda óssea relacionada à idade torna-se mais aparente. Os ganhos de massa 
óssea nos três anos em torno da puberdade podem chegar a 30% da massa óssea 
máxima final. Aumentos adicionais de densidade mineral óssea ocorrem até pelo 
menos os 25 anos. O maior impacto do exercício sobre a densidade mineral óssea 
e a geometria óssea ideal ocorre durante esses anos de rápido crescimento. No 
entanto, você já deve ter percebido que tem crescido cada vez mais o número de 
adolescentes e jovens com comportamento sedentário no Brasil e no mundo, assim 
como é possível observar o aumento na quantidade de indivíduos nessa faixa 
etária obesos e com risco de obesidade. A atividade física/exercício físico é uma 
importante ferramenta no combate aos malefícios deste estilo de vida prejudicial 
nesta população. Com os avanços tecnológicos, meios de transportes, diminuição 
das áreas de lazer urbanas, aumento da criminalidade e padrões de moradia da 
sociedade moderna (por exemplo, a vida em condomínios fechados) torna-se cada 
vez mais necessária a busca de estratégias para fazer com que os adolescentes se 
tornam mais ativos fisicamente, visto que, os benefícios perdurarão para a vida 
adulta. Nesse contexto, os esportes coletivos são importantes ferramentas para 
a motivação destes indivíduos quanto a prática de exercícios, considerando o 
contexto da socialização.
2 PREOCUPAÇÕES EM RELAÇÃO À SAÚDE NA 
ADOLESCÊNCIA
As recomendações atuais de atividade física para crianças e adolescentes 
são de 300 minutos semanais e/ou 60 minutos diários de atividade de intensidade 
moderada a vigorosa. A maioria destas atividades deve ser de caráter aeróbio e 
intensidades vigorosas devem ser incorporadas, incluindo aquelas que fortaleçam 
a musculatura e a estrutura óssea, ao menos três vezes por semana (WHO, 2010). 
60
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
Por outro lado, os níveis de sedentarismo têm aumentado nessa faixa etária com 
boa parte da população mundial não atingindo os níveis de recomendação diária, 
por exemplo, o que foi demonstrado por Hallal et al. (2012) que mais de 80% dos 
adolescentes em 55 países diferentes não atingem os 60 minutos diários. Esses 
fatores preocupam os profissionais da área, especialistas e as autoridades políticas 
cada vez mais, pois existe uma relação direta do sedentarismo/sobrepeso/obesidade 
em adolescentes com os riscos de desenvolver doenças não contagiosas, como 
câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e de desordens psicológicas. Observe 
na figura a seguir, as partes mais escuras do mapa são onde o sedentarismo mais 
prevalece na adolescência. 
FIGURA 21 – MAPA-MÚNDI DO SEDENTARISMO NA ADOLESCÊNCIA
FONTE: Hallal et al. (2012)
Por sua vez, os esportes coletivos podem ser considerados uma ferramenta 
interessante para que crianças e adolescentes se tornem mais ativos fisicamente 
(ALVES; LIMA, 2008). Os esportes coletivos são praticados em nível mundial e 
estão enraizados na cultura popular do Brasil e são praticados por toda parte. 
Dessa forma, pela questão da sociabilização e pelos fatores motivacionais, esses 
tipos de modalidade apresentam-se como uma possibilidade de combater o 
sedentarismo para esta parcela da população. Além disso, a iniciação esportiva 
e prática sistemática podem fazer com que crianças e adolescentes busquem o 
aprimoramento e a especialização dentro de uma modalidade específica para uma 
TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO NA ESCOLA
61
possível carreira esportiva futura (RÉ, 2011). Sabe-se que esportes coletivos, como 
o futebol, voleibol e handebol são comumente praticados no Brasil. Considerando 
que estas modalidades esportivas englobam movimentos como corrida, saltos e 
mudanças de direção, os quais requisitam principalmente a ação muscular dos 
membros inferiores e secundariamente os músculos de sustentação/posturais, o 
que dessa forma, estimulariam maior ganho ósseo (LIMA et al., 2013), as cargas 
exigidas durante a prática destes esportes estariam de acordo com o recomendado 
pela organização mundial da saúde (OMS). Ainda podemos salientar que, grande 
ênfase tem sido dada aos efeitos da atividade esportiva sobre a massa óssea e a 
possibilidade de prevenção da osteoporose em época futura, uma vez que o exercício 
físico vigoroso exerce um papel fundamental no processo de ganho de massa óssea 
(CADORE et al., 2005). Considere você que os mecanismos de carga, impostos 
pelos exercícios, aumentam a densidade mineral óssea, independentemente do 
sexo e da idade dos indivíduos que os praticam (SNOW et al., 2001). O número de 
adolescentes envolvidos em práticas desportivas tem aumentado sensivelmente 
nos últimos anos. Por isso, precisamos ter em mente a necessidade de conhecer 
os eventos que marcam a puberdade e a variabilidade individual em que eles 
ocorrem, isso é de suma importância para o profissional que trabalhará com os 
esportes coletivos voltados para essa faixa etária. O estresse contínuo, que pode ser 
provocado com a prática, resulta em adaptações morfológicas, tais como: aumento 
da espessura cortical e maior conteúdo ósseo na inserção músculo-tendínea. Esse 
ganho de massa óssea pode prevenir complicações futuras, como por exemplo, a 
osteoporose (SILVA; TEIXEIRA; GOLDBERG, 2003).
3 O ESPORTE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA SAÚDE DE 
ADOLESCENTES
Observe, caro acadêmico, o gráfico a seguir demonstra a mesma forma 
que tinha sido mostrado pelo estudo de Hallal et al., (2012) em nível mundial, 
dados coletados no Brasil pelo VIGITEL (2013). Veja queno gráfico superior 
(A) aproximadamente 50% das crianças e adolescentes no Brasil parecem ser 
sedentárias. Enquanto que, no gráfico da parte de baixo (B) podemos ver que mais 
de 20% destas estão obesas. Este é um dado preocupante e que precisa de profunda 
reflexão de nossa parte, e atitudes na busca de melhorar este quadro. O esporte 
pode ser um grande aliado nessa luta.
62
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
GRÁFICO 7 – SEDENTARISMO NA ADOLESCÊNCIA NO BRASIL
FONTE: Vigitel (2013)
Observe na figura anterior, da mesma forma que tinha sido mostrado pelo 
estudo de Hallal et al. (2012) em nível mundial, agora apresentamos dados coletados 
no Brasil por Vigitel (2013). Veja que no gráfico superior (A) aproximadamente 
50% das crianças e adolescentes no Brasil parecem ser sedentárias. Enquanto que, 
no gráfico da parte de baixo (B) podemos ver que mais de 20% destas estão obesas. 
Este é um dado preocupante e que precisa de profunda reflexão de nossa parte, e 
atitudes na busca de melhorar este quadro. O esporte pode ser um grande aliado 
nessa luta.
TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO NA ESCOLA
63
IMPORTANT
E
A adolescência é um período da vida permeado por profundas mudanças 
biopsicossociais. De acordo com a OMS, a fase da adolescência compreende a faixa etária 
entre 10 e 19 anos. Um dos principais fenômenos da puberdade é o pico de crescimento 
em estatura, acompanhado da maturação biológica (amadurecimento) dos órgãos sexuais 
e das funções musculares (metabólicas), além de importantes alterações na composição 
corporal, as quais apresentam importantes diferenças entre os gêneros (RÉ, 2011). Estudos 
com crianças e adolescentes têm demonstrado o benefício da atividade física no estímulo 
ao crescimento e desenvolvimento, prevenção da obesidade, incremento da massa óssea, 
aumento da sensibilidade à insulina, melhora do perfil lipídico, diminuição da pressão arterial, 
desenvolvimento da socialização e da capacidade de trabalhar em equipe (CADORE et al., 2005; 
ALVES; LIMA, 2008; LIMA et al., 2013). Nesse sentido, os esportes coletivos podem contribuir de 
grande maneira para que adolescentes atinjam esses benefícios da atividade física (LIMA et al., 
2013), tanto os físicos quanto os psicossociais, visto que as interações entre indivíduos (“eu e o 
companheiro de equipe”, “eu e o adversário”, “eu e o professor/treinador”, “eu e os pais/família”) 
são maximizadas.
A puberdade é um período fundamental para a aquisição da massa óssea. O 
aumento da densidade mineral óssea durante a puberdade é devido primariamente 
à expansão do tamanho ósseo em função do crescimento físico e, posteriormente, 
pelo aumento da espessura da cortical (CADORE et al., 2005). Em adolescentes 
atletas, o pico de massa óssea pode apresentar maior incremento, em virtude do 
estresse mecânico imposto aos ossos pelo exercício físico praticado (SNOW et al., 
2001; MATTA et al., 2013). O tecido ósseo é dinamicamente responsivo à demanda 
funcional que lhe é imposta, o que gera alterações de sua massa e força. Essas 
mudanças resultam da força gravitacional e da ação intensa dos músculos ligados 
aos ossos (SNOW et al., 2001). A resposta adaptativa do osso dependerá, portanto, 
da magnitude da carga e da frequência de aplicação, que são regularmente 
repetidas, desencadeiam efeitos osteogênicos. A massa óssea responde por cerca 
de 80% da variação na força óssea, mas outros fatores, como geometria óssea, 
arquitetura interna e propriedades mecânicas também afetam a força de um osso 
específico (LIMA et al., 2013). Durante a atividade física, a contração muscular 
promove um aumento da atividade osteoblástica na região óssea próxima aos 
locais onde os músculos se inserem, levando ao aumento da mineralização óssea. 
Por outro lado, a ausência de contração muscular causa significativa perda óssea, 
porém, considere você que o exercício físico realizado próximo ao pico máximo 
da velocidade de crescimento, ou seja, no início da puberdade, é mais efetivo para 
potencializar o ganho de massa óssea (ALVES; LIMA, 2008; RÉ, 2011).
64
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
FIGURA 22 – PROCESSOS DE CRESCIMENTO
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/
search?q=adolescência+e+processos+de+crescimento>. Acesso em: 26 fev. 2017.
Com relação ao esporte, a adolescência reveste-se de grande importância, 
não somente por aspectos específicos da prescrição de exercícios físicos a essa faixa 
de idade, como para todo o contexto biopsicossocial, que envolve esse período da 
vida. Esse é um período em que o contexto é muito importante, e as amizades e os 
modismos ditados pela sociedade são de extrema importância para o indivíduo. 
Nesse sentido, o “conceito de beleza do magro e forte” devem ser trabalhados 
juntamente com a inserção do adolescente nas atividades esportivas para evitar 
desequilíbrios entre o exercício e os hábitos nutricionais (ALVES; LIMA, 2008). 
Essa insatisfação com a imagem corporal pode induzir os adolescentes à busca de 
atividades esportivas de alta intensidade e grande volume de treinamento, com 
ingestão calórica inadequada, também como valorização do corpo e da imagem 
idealizados, a serem atingidos, muitas vezes, a qualquer custo. Na combinação de 
exercício físico intenso e baixa ingestão calórica, a prática esportiva competitiva e 
TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO NA ESCOLA
65
intensa associada a um gasto energético excessivo estimula a liberação de citocinas, 
como interleucina-1 (IL-1), IL-6 e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), os quais 
poderiam inibir o eixo GH/IGF-1 e interferir nos processos de crescimento (ALVES; 
LIMA, 2008).
Snow et al., (2001) relatam que, em estágios iniciais da puberdade, a 
repercussão óssea ao estímulo da sobrecarga é pouco significativa, enquanto que, 
em fases mais avançadas da maturidade sexual, o padrão hormonal conjugado à 
atividade esportiva conduz a maior deposição de massa óssea nos locais específicos 
dos estímulos musculares. A densidade mineral óssea atinge cerca de 90% do 
seu pico no final da segunda década. Observe que, um quarto do osso adulto é 
acumulado durante os dois anos de pico de velocidade de crescimento. Fatores 
endógenos e exógenos participam desse processo. Entre os fatores endógenos 
vamos destacar para vocês os seguintes: genética, raça e o aumento dos hormônios 
anabólicos associados à puberdade. Em relação aos fatores exógenos (ambientais), 
destacam-se o exercício e a nutrição, com adequado aporte de cálcio na dieta 
(ALVES; LIMA, 2008).
4 O ESPORTE COLETIVO E OS PROCESSOS DE 
CRESCIMENTO DE ADOLESCENTES, POSSIBILIDADES DE 
INTERVENÇÃO
FIGURA 23 – RECOMENDAÇÕES DE ATIVIDADE FÍSICA
FONTE: Disponível em: <http://ricardodelucena.blogspot.com.br/>. Acesso em: 26 
fev. 2017.
66
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
Adolescentes devem realizar diariamente, pelo menos, 60 minutos de 
atividade física e/ou desportiva em uma intensidade moderada a vigorosa e pelo 
menos três vezes por semana de exercícios de força muscular capazes de promover 
um desenvolvimento muscular e ósseo saudável (WHO, 2010). Por outro lado, 
a interação social/ambiental nos dias de hoje é muito diferente, podendo ser 
facilmente constatado nas alterações do estilo de vida da população jovem, que vão 
desde uma diminuição das atividades ao ar livre a um aumento do tempo passado 
em casa e com atividades sedentárias ligadas ao uso da tecnologia, aumento da 
ingestão calórica e perda da qualidade do sono (GUEDES et al., 2002; SEABRA et 
al., 2008; HALLAL et al., 2012).
Dessa forma, é preciso pensar em maneiras de incluir essa parcela da 
população em atividades físicas que sejam prazerosas para estes indivíduos 
(SEABRA et al., 2008), que façam com que o fator motivacional e social tenha 
efeito na permanência dos adolescentes em programas de treinamento (ALVES; 
LIMA, 2008). Os profissionais de educação física precisam buscar envolvimento 
com políticas públicas que proporcionem possibilidades deespaços que façam 
com que exercícios se tornem uma prática habitual dos jovens (GUEDES et al., 
2002; RÉ, 2011; HALLAL et al., 2012), visto que, boa parte desta população parece 
desconhecer os efeitos dos esportes e do exercício físico sobre sua saúde óssea 
(KOPP et al., 2013).
A adolescência é uma fase de intensas transformações não só físicas, 
como também de valores e crenças que podem ter consequências na vida adulta. 
Estimular nossos alunos à prática de atividade física na idade escolar será de 
extrema importância contra a epidemia de inatividade física na vida adulta. O 
esporte coletivo moderno transformou-se em um novo meio de comunicação entre 
os indivíduos. É um sentimento participativo, interativo e interpretativo que se 
multiplica em diferentes culturas e etnias (RÉ, 2011). O esporte coletivo tem um 
grande impacto nos hábitos culturais desportivos dos nossos dias, o que provoca 
uma enorme atração para sua prática a muitas crianças e adolescentes (MATTA et 
al., 2013). Por sua vez, o ensino de uma modalidade na perspectiva educacional deve 
promover o desenvolvimento humano, por meio da inclusão social e da produção 
cultural esportiva, numa relação interdependente entre o esporte em questão 
e a ludicidade (KOPP et al., 2013). Seabra et al., (2001) ressaltam a importância 
da diferenciação entre idade biológica e idade cronológica no planejamento de 
um programa de atividade física para uma população de adolescentes. Para tal, 
é necessária a avaliação dos estágios de maturação. A classificação em função 
da idade biológica possibilita distinguir, de forma mais clara, as adaptações 
morfológicas e funcionais resultantes de um programa de treinamento das 
modificações observadas no organismo decorrentes do processo de maturação, 
principalmente intensificado durante a puberdade (CADORE et al., 2005). Além 
disso, possibilita evitar que adolescentes com as mesmas idades cronológicas, mas 
com diferentes graus de maturidade, sejam colocados lado a lado em atividades 
esportivas. Isso geraria um sentimento de frustração no adolescente derrotado que 
poderia influenciar todo seu relacionamento com os demais do seu grupo ou faixa 
etária.
TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO NA ESCOLA
67
IMPORTANT
E
Quanto à iniciação esportiva ou os processos de seleção para uma prática 
competitiva, observa-se que a idade cronológica determina diferenças nas características 
antropométricas e no desempenho físico de jovens atletas no meio e final da adolescência 
como provável resultado do processo de crescimento e maturação biológica (NASCIMENTO 
et al., 2014). Além disso, a performance motora dos adolescentes do sexo masculino está 
significativamente relacionada com o seu status maturacional. Os rapazes com estágios 
maturacionais mais avançados evidenciam, geralmente, melhores performances do que os 
atrasados na maturação (SEABRA et al., 2001). Em geral, os jovens que apresentam maturação 
biológica precoce (antes dos 13 anos de idade), possuem maior capacidade metabólica e 
tamanho corporal em comparação aos seus pares de mesma idade cronológica com ritmo 
maturacional normal (por volta dos 13-14 anos) ou tardio (após os 14 anos). Vale destacar 
a transitoriedade desse fenômeno biológico, ligado ao ritmo de crescimento e maturação 
individual. Porém, especialmente em situações de esporte competitivo, alguns jovens podem 
ter desvantagem significativa enquanto estiverem em estágios de maturação biológica menos 
adiantada do que seus colegas de mesma faixa etária (SEABRA et al., 2001). Portanto, observe, 
você acadêmico, que sem a avaliação da maturação biológica não será possível interpretar 
adequadamente se o desempenho apresentado pelo indivíduo reflete a sua real capacidade 
ou se, por outro lado, está sofrendo uma interferência transitória do processo de maturação 
biológica (RÉ et al., 2005).
A prática esportiva dos adolescentes está associada à prática de seus pais e 
o gênero dos pais exerce efeitos distintos em tal fenômeno. Fernandes et al. (2011) 
demonstraram que em ambos os gêneros, o envolvimento dos pais foi associado 
com um maior engajamento por parte do adolescente em práticas esportivas, 
mas o envolvimento materno foi associado apenas com a atividade física no sexo 
feminino. Para Kopp et al. (2013), não devemos ver a adolescência simplesmente 
como um estágio biológico e psicológico do desenvolvimento humano, pois esta 
visão percebe a adolescência a partir da perspectiva que menospreza a interação 
juvenil e a sua produção social. Precisamos nos preocupar como são produzidos 
os espaços que criam práticas e promovem relações características e típicas da 
modernidade e das transformações operadas nesse estágio de vida (ALVES; LIMA, 
2008; RÉ, 2011).
Por fim, queremos apresentar este último estudo de Lima et al. (2001), 
que observou em meninos de 12 a 18 anos, que praticavam esportes de impacto, 
como basquetebol, aumento significativo na densidade mineral óssea na coluna 
lombar e no fêmur proximal, quando comparados com um grupo de adolescentes 
que praticavam esportes com carga ativa, tais como polo aquático e natação. 
Entretanto, ambos os grupos apresentavam densidade mineral óssea superior à 
do grupo de adolescentes que não praticavam esporte algum. Assim, precisamos 
considerar que a prática do esporte pode ser um potente modulador da massa óssea 
durante a infância/adolescência e este ganho adicional de massa óssea na infância/
adolescência pode influenciar positivamente a saúde óssea na idade adulta (LIMA 
et al., 2013). 
68
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
UNI
As mudanças nos hábitos e no estilo de vida de adolescentes e jovens têm alertado 
os profissionais da área na busca de compreender melhor as alterações comportamentais 
e propor intervenções que auxiliem esta população quanto à prática de atividade física que 
possibilitem benefícios tais como um melhor perfil lipídico, prevenção da obesidade, incremento 
da massa óssea, aumento da sensibilidade à insulina, entre outros. Entre as diversas possibilidades 
de exercícios, os esportes coletivos se destacam pelo fator motivacional e interação social 
que são características intrínsecas da prática destas modalidades. As participações sistemáticas 
nos esportes que exigem movimentos com a sustentação do peso corporal e altos níveis de 
contração muscular geram tração entre os músculos e ossos e contribuem para o ganho de 
massa óssea e densidade mineral óssea.
LEITURA COMPLEMENTAR
Este é um artigo que foi publicado em 2011, por Maria de Fátima Goulart 
Coutinho, do Comitê de Adolescência, IPPMG/UFRJ, no volume 12 (Suppl 1), 
agosto de 2011, na revista de pediatria da Sociedade de Pediatria do estado do Rio 
de Janeiro. Mesmo não sendo uma publicação recente traz uma importe reflexão 
que acreditamos que contribuirá para o crescimento profissional de você. 
CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO NA ADOLESCÊNCIA
A adolescência compreende um complexo processo de maturação que 
transforma a criança em adulto. A puberdade reúne os fenômenos biológicos 
da adolescência, possibilitando o completo crescimento somático e a maturação 
hormonal que asseguram a capacidade de reprodução e de preservação da espécie.
A puberdade tem início e evolução influenciados por fatores genéticos e 
ambientais caracterizando-se pela ocorrência de:
Adrenarca: resultante do aumento da secreção dos andrógenos suprarrenais 
(entre 6 e 8 anos de idade óssea) e que parece ser independente da ativação do eixo 
hipofisário-gônadas.
Ativação ou desinibição de neurônios hipotalâmicos secretores de hormônio 
liberador de gonadotrofinas (LHRH), com consequente liberação dos hormônios 
luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH) pela glândula hipófise.
Gonadarca (aumento dos esteroides sexuais produzidos pelos testículos e 
ovários).
 
TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO NA ESCOLA
69
EVENTOS PUBERAIS
A altura final, o ritmo como o crescimento se processa, o início e a velocidade 
com que o desenvolvimento puberalocorre, a maturação óssea, o desenvolvimento 
dentário sofrem significante influência de fatores genéticos. As interações com os 
fatores ambientais se dão de forma distinta, isto é, as condições ambientais que 
alterem algum aspecto do crescimento não o fazem obrigatoriamente em todos.
A nutrição, incluindo a ingestão de nutrientes específicos, é um dos mais 
significativos determinantes do crescimento.
Aspectos psicossociais como maus-tratos podem prejudicar o crescimento, 
a despeito da nutrição adequada e de não haver doença orgânica.
A grande variabilidade quanto ao início, duração e progressão das mudanças 
puberais tem, como consequência, a questão de a idade biológica nem sempre estar 
de acordo com a idade cronológica. Assim, é preciso que se leve em conta a fase 
puberal do desenvolvimento quando se analisa o crescimento de um adolescente.
 
ESTIRÃO DE CRESCIMENTO
Durante a adolescência, embora os hormônios desempenhem papéis 
individuais, a interação entre os hormônios gonadais e adrenais com o hormônio 
de crescimento torna-se essencial para o estirão de crescimento normal e para a 
maturação sexual.
O estirão de crescimento, período em que se ganha 20% da estatura final, 
tem idade de início e velocidade das mudanças variadas entre os indivíduos. Nas 
meninas, ocorre no início da puberdade e, nos meninos, na fase intermediária.
A avaliação do crescimento é feita por meio de comparação com uma curva de 
referência: a atualmente recomendada é a da Organização Mundial de Saúde (www.
soperj.org.br). Acima do escore Z-2, a estatura é considerada adequada para a idade; 
acima do escore Z -3 e abaixo de Z-2, o diagnóstico é de baixa estatura para a idade; 
estaturas inferiores ao escore Z-3 são consideradas muito baixas para a idade.
A velocidade de crescimento (aumento estatural no intervalo de um ano) 
é medida em centímetros por ano e não deve ser aferida através de resultados 
encontrados em intervalos menores do que seis meses, já que o crescimento sofre 
influências sazonais.
Até os 4 anos, as meninas têm velocidade de crescimento discretamente 
mais elevada que os meninos. A partir daí ambos crescem a uma velocidade de 5 a 
6 cm/ano até o início da puberdade, quando a velocidade de crescimento sofre uma 
aceleração, alcançando valores de 10 a 12 cm/ano no sexo masculino e 8 a 10 cm/
ano nas meninas. Essa aceleração da velocidade de crescimento é imediatamente 
precedida por uma pequena redução da mesma.
70
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
Para acompanhamento do peso de adolescentes, a Organização Mundial de 
Saúde recomenda a utilização do gráfico de Índice de Massa Corporal (IMC), ainda 
se configurando como melhor parâmetro clínico de avaliação nutricional de uma 
população (www.soperj.org.br).
O IMC está adequado para a idade (eutrofia) quando seus valores se 
encontram entre os escores Z -2 e Z +1. A obesidade é caracterizada por valores de 
IMC acima do escore Z +2, enquanto valores maiores que Z +1 e menores que Z +2 
são classificados como sobrepeso. Valores inferiores ao escore Z -2 são caracterizados 
como magreza, sendo esta acentuada quando o IMC é inferior ao escore Z -3.
Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, o déficit de peso 
está presente em apenas 3,4% dos adolescentes brasileiros, enquanto o excesso de 
peso tem uma prevalência de 21,7% (3,7% em 1974-75) entre adolescentes do sexo 
masculino e de 19,4% no sexo feminino (7,6% em 1974-75).
Pelo fato de a estatura sofrer influência de fatores genéticos, o cálculo do alvo 
genético avalia a herança (estatura dos pais) na determinação da faixa de estatura 
final. Assim, para calcular o alvo genético, é utilizada a seguinte fórmula:
COMPOSIÇÃO CORPORAL
Durante a puberdade, os homens adquirem massa magra a uma velocidade 
maior e por mais tempo do que a mulher. Na mulher, a massa muscular relativa 
diminui do início ao final da puberdade (80% para 75% do peso corpóreo). Embora 
haja aumento absoluto da massa muscular, seu percentual sofre queda porque o 
tecido adiposo aumenta mais rapidamente. No homem, a massa muscular aumenta 
de 80 a 85% do peso corpóreo para 90% na maturidade. Esse aumento reflete a ação 
dos andrógenos circulantes.
O ganho de tecido adiposo é mais acentuado no sexo feminino, sendo 
importante para que os ciclos menstruais se instalem e se mantenham regulares.
 
HORMÔNIOS
Apesar de hormônios tireoideanos ainda serem necessários para o 
crescimento normal, os hormônios gonadais desempenham um papel de maior 
significância. A puberdade é caracterizada pelo aumento da amplitude dos pulsos 
de secreção de hormônio luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH), detectáveis 
TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO NA ESCOLA
71
já antes que os sinais externos da puberdade sejam evidentes. Além do aumento 
do hormônio de crescimento e dos esteroides sexuais, há aumento na resistência 
à insulina. A testosterona estimula a eritropoiese. Por isso, há aumento de células 
vermelhas no sexo masculino.
ÓRGÃOS E TECIDOS
A maioria dos órgãos duplica de tamanho durante a puberdade. O tecido 
linfoide sofre uma involução nesse período.
 
FONTE: Disponível em: <http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=555>. Acesso 
em: 3 maio 2017.
72
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• O comportamento sedentário tem crescido cada vez mais no Brasil e no mundo, 
assim como tem aumentado a quantidade de crianças, adolescentes e jovens 
com sobrepeso, obesos e/ou com risco de obesidade.
• As recomendações atuais de atividade física para crianças e adolescentes são 
de 300 minutos semanais e/ou 60 minutos diários de atividade de intensidade 
moderada a vigorosa. A maioria destas atividades deve ser de caráter aeróbio 
e intensidades vigorosas devem ser incorporadas, incluindo aquelas que 
fortaleçam a musculatura e a estrutura óssea, ao menos três vezes por semana.
• Esportes coletivos, como o futebol, voleibol, basquetebol e handebol englobam 
movimentos que requisitam, principalmente, a ação muscular dos membros 
inferiores e secundariamente os músculos de sustentação/posturais, o que dessa 
forma, estimulariam maior ganho ósseo e a possibilidade de prevenção da 
osteoporose em época futura.
• Estudos com crianças e adolescentes têm demonstrado o benefício da atividade 
física no estímulo ao crescimento e desenvolvimento, prevenção da obesidade, 
incremento da massa óssea, aumento da sensibilidade à insulina, melhora do 
perfil lipídico, diminuição da pressão arterial, desenvolvimento da socialização 
e da capacidade de trabalhar em equipe.
73
1 Agora, caro acadêmico, chegou a hora de você praticar o que aprendeu 
neste tópico. Crie uma resenha de uma página, considerando o que você 
estudou neste tópico sobre o treinamento desportivo e suas consequências 
para a saúde na idade escolar. Como o comportamento sedentário tem 
crescido entre as crianças e adolescentes devido aos novos estilos de vida 
da sociedade moderna, e pensando no esporte coletivo como uma proposta 
de intervenção para combater este tipo de comportamento e estimular a 
população a cumprir as recomendações da Organização Mundial da Saúde.
Dessa forma, em seu texto atenda às seguintes perguntas:
Quais são as consequências do sedentarismo em crianças, jovens e adolescentes?
Como as aulas de Educação Física podem promover a boa prática de atividade 
física?
Que tipos de ferramentas didáticas poderiam ser usadas durante as aulas? Dê 
exemplos práticos.
AUTOATIVIDADE
74
75
UNIDADE 2
PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E 
O CONDICIONAMENTO FÍSICO 
APLICADO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos proporcionar a você:
• conhecer os princípios do treinamento e suas aplicações no mundo do 
Educação Física;
• destacar o condicionamento físico necessário para as mais diversas ativi-
dades e modalidades esportivas;
• conhecer os princípios do treinamento e suas aplicações no mundo do 
Educação Física;
• compreender as diferençasdos princípios do treinamentos desportivo de 
acordo com a população.
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No final de cada um deles, você 
encontrará atividades que visam à compreensão dos conteúdos apresenta-
dos.
TÓPICO 1 – OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
TÓPICO 2 – O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVI-
DADES ESPORTIVAS
76
77
TÓPICO 1
OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO 
DESPORTIVO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Bem-vindo, acadêmico! Neste tópico, abordaremos algumas das mais 
importantes bases da montagem e/ou manutenção do treinamento esportivo. 
Sabendo que o treinamento é conhecido como um processo constante, repetitivo 
e sistemático, composto de exercícios progressivos que visam ao aperfeiçoamento 
do desempenho físico ou mental (BARBANTI; TRICOLI; UGRINOWITSCH, 2004), 
e, além disso, conforme mencionamos até o momento, o treinamento esportivo 
vem passando por evoluções a todo momento. Novas tecnologias, novos meios 
e novos métodos, periodização e novos planejamentos, entretanto, as bases de 
sua construção são de longa data. Entre estas bases devemos estacar com grande 
importância os princípios do treinamento que são: o Princípio da Individualidade 
Biológica, o Princípio da Adaptação, o Princípio da Sobrecarga, o Princípio da 
Continuidade, o Princípio da Interdependência Volume-Intensidade, o Princípio 
da Especificidade, o Princípio da Variabilidade e o Princípio da Saúde, entre outros 
que também iremos mencionar posteriormente. 
Todos estes princípios servem de ferramenta para os treinadores e cientistas 
do esporte, assim como para os professores de educação física no momento de 
criação de determinado treinamento esportivo, seja em um plano de sessão ou 
em um macrociclo. Para aumentar seu conhecimento e senso crítico, durante todo 
este tópico, abordaremos a opinião de profissionais que trabalham com o tema da 
unidade para que você possa ver o conhecimento sendo aplicado no campo, na 
quadra e na escola.
2 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVOS – O QUE 
SÃO?
Caro acadêmico! Antes de discutir os princípios esportivos, suas qualidades, 
aspectos históricos e aplicações práticas temos que entender o que realmente os 
princípios são e como são definidos pelos autores. 
Começaremos com a definição de Dantas (2014), que determina que os 
princípios são os aspectos cuja observância diferenciará o trabalho feito à base de 
ensaios e erros, do científico. Possivelmente, você, acadêmico, ficou confuso com 
tal afirmação, acalme-se, vamos explicar. Podemos entender que a observância 
(cumprimento rigoroso de uma regra) a que o autor se refere diz respeito 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
78
ao cumprimento deste princípio e terá resultados diferentes que devem ser 
analisados em bases dos resultados, ensaios e erros. Portanto, temos que entender 
o treinamento quando tomado com base nos princípios do treinamento como 
um sistema contínuo organizado, muitas vezes não linear, que é construído em 
princípios científicos, estimulando modificações morfológicas além de funcionais 
no organismo (BARBANTI, TRICOLI e UGRINOWITSCH, 2004).
Segundo a Associação Atlética Gaélica (GAA, 2017), que estuda a formação 
e aperfeiçoamento de treinadores, os princípios do treinamento desportivo 
promovem um equilíbrio e aumento na aptidão física devido a uma adaptação 
específica causada por um regime de treinamento necessário de cada esporte, e 
além disso, necessário por cada atleta. Segundo a associação, um programa de 
treinamento que tenha o objetivo de aumentar o desempenho do atleta deve 
obedecer aos princípios do treinamento desportivo.
Baseado nestas definições, podemos estipular que os princípios têm muita 
importância na construção de um treinamento e assim torna-se uma obrigação ao 
professor ou treinador conhecer estes princípios. Por fim, com o crescimento do 
conhecimento da ciência do esporte, os princípios do treinamento desportivo são 
bases norteadoras na construção do treinamento e devem ser levados em conta 
em todas as suas fases, seja na avaliação pré e pós-treinamento de determinado 
atleta ou estudante, no controle do treinamento durante a temporada ou o ano 
letivo, no modelo de organização, planificação, planejamento e periodização 
do treinamento dos ciclos escolares ou ciclos competitivos, e além disso, no 
desenvolvimento das capacidades motoras ou aperfeiçoamento destas por alunos 
e atletas, respectivamente (ROSCHEL et al., 2011).
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
79
FIGURA 24 - EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA DO ESPORTE – FOTO A, EM 
1967, CONSUMO DE GASES COLETA EM CORRIDA. FOTO 
B, 2016, TESTES EM LABORATÓRIO COM APARELHOS 
SOFISTICADOS
FONTE: Disponível em: <http://blogs.bmj.com/bjsm/2016/03/20/
retrospective-part-i-american-pioneers-in-distance-running-
research/ e http://www.flanderstoday.eu/education/
ugent-sports-lab-unites-science-and-athletics?utm_
content=buffere075e&utm_medium=social&utm_
source=twitter.com&utm_campaign=buffer>. Acesso em: 1º 
mar. 2017.
3 HISTÓRIA DOS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
Em seus ensinamentos anteriores você já aprendeu as construções e 
evoluções históricas do treinamento, portanto, neste momento iremos fazer uma 
breve recapitulação para que você possa entender a origem histórica dos princípios 
do treinamento desportivo. O fato da evolução do treinamento ter acontecido 
simultaneamente em várias partes do mundo é difícil determinar um ponto e 
local específico na linha do tempo para cada princípio, entretanto, iremos apontar 
fatos e evidências que correspondem à determinada cultura e período de tempo 
e relacioná-los ao determinado princípio de treinamento. Caro acadêmico! Neste 
momento, atente-se a algumas descobertas que são vendidas como inovações, mas 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
80
já são muito antigas, e como o treinamento tem muito tempo de conhecimento, 
porém continua em constante evolução.
A evolução do treinamento se divide em alguns períodos, são eles:
Período da Arte Civilização Grega
Período da Improvisação 1896-1920
Período da Sistematização 1920- 1939
Período Pré-científico 1939- 1960
Período Científico Depois de 1956
QUADRO 8 – A EVOLUÇÃO DO TREINAMENTO
FONTE: Os autores
No período da arte, temos algumas evidências sobre os princípios de 
treinamento, Filostratos (séc. II d.C.) mencionou a preparação que o treinador 
necessita e também discutiu sobre treinos individualizados para os atletas da época, 
relacionando-se assim ao princípio da individualidade biológica. A civilização 
grega abordava a importância do descanso e da volta à calma, evolução de carga, 
além de ciclos temporais de treinamento, conhecidos como tretas, princípios de 
sobrecarga, continuidade e importância de um planejamento já estavam sendo 
abordados (DUARTE, 2004).
Durante o período de improvisação vários modelos de periodização e 
planejamento foram elaborados no meio de tentativa e erro, naquele tempo, o 
treinamento não poderia ser muito longo (8 a 10 semanas), nesta época começaram 
as divisões de treinamento geral, preparatório e especial.
Durante o período de sistematização, em 1928, Mang discute e defende que 
a formação do atleta, seja ela geral, especial ou técnica deve ser realizada de modo 
paralelo e não de modo sucessivo, argumentos que podem ser evidenciados ao 
princípio da adaptação e também ao princípio de continuidade. Em 1930, Pihkala 
instala o controle ondulatório de cargas, partindo de curtos períodos, como dias 
e semanas, para períodos mais longos de programação, como meses e anos, isso 
nada mais é que a aplicação do princípio de sobrecarga aplicado ao estudo de 
periodização. 
Ainda na década de trinta, o aumento da intensidade e diminuição do 
volume é aplicado e defendido por Nurmi, exemplificando muito bem o Princípio 
da Interdependência Volume-Intensidade. Além de Nurmi, Osolin, na antiga 
URSS aplicava o treinamento de um ano inteiro de uma mesma modalidade.Durante o período pré-científico, Gerschler deu início ao que conhecemos 
como “Interval Training”, (treino caracterizado por cargas intervaladas, distâncias 
curtas e intensidade altíssima). Este treino ainda é muito utilizado nos dias de 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
81
hoje nos mais variados centros de treinamento, sua criação foi o entendimento do 
doutor alemão Woldemar Gerschler, do Princípio da Interdependência Volume-
Intensidade.
FIGURA 25 - À DIREITA DR. WOLDEMAR GERSCHLER – UM DOS PIONEIROS DO 
TREINAMENTO INTERVALO
FONTE: Disponível em: <http://www.irishrunner.ie/progression-by-intervals/>. 
Acesso em: 1º mar. 2017.
Em 1939, Periodização do treinamento semelhante ao de Matweyev, 
realizada por Grantyn, ainda nesta época Zatopék surgiu com a alteração de séries 
de 200 m e 400 m para aprimorar o treinamento intervalado.
UNI
Emil Zatopék é o nome de um tcheco que realizou um feito único no esporte. 
Nas olimpíadas de 1952, em Helsinque, conquistou a medalha de ouro nos 5.000 m, nos 10.000 
m e na Maratona. Zatopék ficou conhecido como um atleta que treinava muito e tinha o 
apelido de locomotiva humana pelos seus treinos intervalados acompanhando trens. Mais 
tarde Zatopék veio ao Brasil e ganhou a famosa corrida de São Silvestre. Outra curiosidade 
sobre este corredor é seu desafio de treino, denominado Desafio Zatopék, consistia em 100 
tiros de 100 metros, ou seja, 10km em uma intensidade muito alta.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
82
Em 1945, ao final da guerra, começou a cultura muito forte do “Weight 
training”, nos EUA e na URSS. O momento de guerra queria mostrar os soldados 
mais preparados e mais fortes, ainda no período Pré-científico. 
No período conhecido como Científico temos a melhoria do Interval training, 
entre outros treinos, com a descoberta de como controlar a frequência cardíaca e 
como utilizá-la como parâmetro de treinamento. Além disso, temos os treinos com 
grande intensidade e também com grandes volumes até a exaustão e esgotamento. 
A evolução dos centros de treinamento e de análise dos atletas e do ser humano em 
exercício no geral também são marcas deste período da história. 
Existem alguns autores que separam este período em suas principais 
descobertas como científico-metodológicos (métodos e meios de treinamento), 
biológicos (descobertas biomédicas que auxiliam e auxiliaram no treinamento), 
tecnológico (tecnologias que melhoram o desempenho físico dos humanos), 
mercantilista (aumento de esporte como fonte de renda e lucro).
4 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO – DEFINIÇÕES, 
EXEMPLOS, APLICAÇÕES E CURIOSIDADES
Acadêmico! Para o seu entendimento, nesta parte, queremos responder às 
seguintes perguntas e explicações sobre cada princípio:
• Qual é a definição de princípio de treinamento?
• Como este princípio determinado funciona no treinamento?
• Aplicações práticas e exemplos práticos.
• Artigos científicos de aprofundamento de cada princípio.
• Curiosidades.
Para melhor entendimento e posteriormente poder estudar com mais prioridade, 
faça um resumo de cada princípio do treinamento desportivo.
DICAS
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
83
4.1 O PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA
Definições
Quando conversamos sobre individualidade, estamos falando sobre o 
indivíduo como sendo único, por isso este princípio do treinamento desportivo é 
tão importante, pois acredita que apesar de respostas de determinados estímulos 
serem parecidas, cada praticante vai ter uma singularidade na resposta do 
treinamento ou do exercício físico.
Nas definições encontradas em livros podemos destacar a definição de 
Tubino, que faz relação tanto a aspectos físicos de condicionamento quanto a 
aspectos psíquicos de condicionamento. 
Chama-se individualidade biológica o fenômeno que explica a 
variabilidade entre elementos da mesma espécie, o que faz com que se 
reconheça que não existem pessoas iguais entre si. Cada ser humano 
possui uma estrutura física e uma formação psíquica própria, o que 
obriga a estabelecer-se diferentes tipos de condicionamento para um 
processo de preparação esportiva que atenda às características físicas 
e psíquicas individuais dos atletas (TUBINO, 1979, p. 93, grifo nosso).
Assim, a individualidade tornou-se um dos principais pontos e requisitos 
do treinamento. Baseia-se no pensamento que o treinador ou o professor deve 
tratar cada atleta ou cada estudante de modo individualizado. Estudando e 
analisando suas habilidades motoras, seu potencial de evolução, sua capacidade 
e velocidade de aprender determinada tarefa, independentemente de seu nível 
de desempenho ser iniciante ou avançado. Conceitos fisiológicos e biomecânicos, 
assim como psicológicos devem ser levados em conta no momento de construção 
do treinamento (BOMPA, 2002). 
Quando pensamos em escola ou esporte de base para crianças também 
temos que perceber a individualidade biológica, pois ela nos permitirá entender 
como funcionará o desenvolvimento individual de cada atleta. Para isso, buscamos 
no Caderno de Esportes, criado com o apoio com a UNESCO, uma opinião formada 
sobre este princípio de treinamento aplicado na escola:
Cada indivíduo é único e, por isso, cada indivíduo traz para o esporte as 
suas próprias aptidões, capacidades e respostas aos estímulos do treino. 
Crianças e atletas diferentes responderão de formas diferentes ao 
mesmo tipo de treino. Assim, não existe uma forma de treino ideal que 
produza resultados ótimos para todos. O professor-treinador precisa 
entender esses princípios e aplicá-los, de forma a respeitar os diferentes 
tempos de aprendizagem que os alunos apresentam para uma 
determinada tarefa, ou mesmo compreender a lentidão na melhora do 
desempenho de um aluno-atleta (VALE, 2013, p. 14, grifo nosso).
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
84
FIGURA 26 - DIFERENTES BIÓTIPOS, O PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA
FONTE: Disponível em: <http://app.globoesporte.globo.com/olimpiadas/biotipos-dos-
atletas/>. Acesso em: 2 mar. 2017.
Gostou da individualidade biológica? Que tal comparar o seu biótipo com o de 
atletas olímpicos. Este aplicativo criado pelo Globo Esporte permite você se comparar a atletas 
olímpicos. Basta entrar no site: Disponível em: <http://app.globoesporte.globo.com/olimpiadas/
biotipos-dos-atletas/>.
Boa sorte acadêmico!
DICAS
Quando discutimos a individualidade biológica, geralmente conversamos 
também sobre genótipo e fenótipo, estes dois aspectos entendidos em conjunto 
formam a maneira como o atleta ou estudante respondem ao treinamento ou 
atividade. Dantas (2014) caracteriza genótipo como a carga genética do indivíduo, 
que nasce com ele, já o fenótipo é caraterizado como a interferência do meio, 
acrescido, somado ao indivíduo. 
Podemos citar como fatores genéticos: a composição corporal do indivíduo, 
o biótipo, altura máxima esperada, força máxima possível e aptidões físicas e 
intelectuais. Entretanto, já as características do fenótipo são: habilidades esportivas, 
o consumo máximo de oxigênio que um indivíduo apresenta e potencialidades 
expressas (altura do indivíduo, sua força máxima etc.), ou seja, fatores que são 
alterados com o treinamento do indivíduo.
Para facilitar ainda mais o seu entendimento vamos pensar que o resultado 
fenótipo seja a soma do genótipo com as alterações que a ambiente causa. Um 
exemplo muito simples utilizado em aula de biologia é a pigmentação da pele da 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
85
pessoa, quando nasce seria genótipo, o sol e as alterações na pigmentação da pele 
causadas por ele são alterações do ambiente e o resultado fenótipo seria a pele com 
alteração de pele. 
Exemplos práticos
 
Abordaremos alguns exemplos para que você reflita e leve este princípio 
de treinamento desportivo a sua prática:
• Você é um professor de Educação Física e se depara com estudantes da quarta 
série heterogêneoscom genótipos diferentes, um tem uma disposição de 
gordura exagerada com 100 quilogramas de massa corporal e outro com uma 
disposição de gordura diminuída com 50 quilogramas de massa corporal. A 
pergunta central é: Você tomará as mesmas medidas de treinamento com ambos 
os atletas, repetições, limites de exercícios, altura de saltos, esportes de combate? 
Sim, acadêmico, esta pergunta é complicada, pois o princípio não tem como 
objetivo a exclusão de atletas de atividades ou separação de grupos, porém 
cabe a você, como futuro professor de Educação Física, tomar decisões para o 
confronto ou prática com estes dois genótipos e que sejam seguras para ambos. 
• Estudantes de sexos diferentes na mesma classe, quais atividades podem ser 
realizadas em modelo misto e quais devem ser realizadas em momentos e 
espaços separados ou em modelo diferente? Para esta resposta, caro acadêmico, 
o correto é utilizar uma escala de crescimento e desenvolvimento por sexo, que 
mostra quando os meninos começam a ter vantagem sobre as meninas nas mais 
variadas capacidades físicas, é claro que cabe também ao professor identificar 
modelos de exercícios que permitam que os atletas ou estudantes possam 
praticá-los em harmonia entre sexos. 
No link que segue você pode encontrar uma tabela de crescimento e 
desenvolvimento que estratifica por sexo entre as idades, que irá auxiliar você quando encontrar 
o problema descrito acima. Disponível em: <http://www.misodor.com/CRESC.html>.
DICAS
Para aprender ainda mais sobre este princípio importantíssimo, o professor Dr. 
João Moura explica a valência da individualidade biológica com muita propriedade, vale a pena 
conferir o vídeo explicativo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=zuCc26zf0kI>.
DICAS
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
86
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
 
Aguiar et al. (2007) apresentou um artigo interessantíssimo sobre a área no 
5º Simpósio de Ensino de Graduação da Universidade Metodista de Piracicaba, 
intitulado “TREINAMENTO MISTO NO ESPORTE COLETIVO VOLEIBOL”. 
O artigo abordou temas como sexo e individualidade biológica de cada sexo. A 
metodologia abordada objetivou sanar as seguintes dúvidas: Como são feitos os 
treinamentos mistos? Você vê benefícios no treino misto? Quais? Há preocupação 
com a realização de treinos diferenciados para os sexos masculino e feminino 
durante algum período? 
Aguiar et al. (2007, p. 4) concluíram que: “[...] um treinamento misto só é 
possível e benéfico se respeitar as individualidades de cada sexo e proporcionar 
momentos de treinos separados, em que cada sexo melhorará seus desempenhos 
dentro de parâmetros semelhantes”. Concluímos que é de grande importância 
para todos os treinadores e para todos os professores levar em conta o princípio 
da individualidade biológica, respeitar as características do indivíduo, além de 
tornar a prática mais segura torna os resultados de desempenho mais fáceis de 
serem alcançados.
4.2 O PRINCÍPIO DA ADAPTAÇÃO
Definições
 
Este princípio do treinamento desportivo está altamente relacionado com a 
busca pela homeostase que o ser humano realiza. Para quem não sabe, homeostase 
é o estado de equilíbrio mantido entre os sistemas que constituem o organismo 
humano, além do equilíbrio existente entre este e o meio ambiente. Assim, de modo 
resumido, o Princípio da Adaptação baseia-se na busca permanente de homeostase 
pelo organismo. Para estímulo que o ser humano recebe em seu organismo haverá 
uma resposta para busca de equilíbrio. 
Conhecendo o estresse e os estímulos estressantes 
Antes de partirmos para as definições dos autores sobre este princípio temos 
que entender que a criação ou estabelecimento dele tem grande influência sobre as 
pesquisas com estresse. Os estudos de estresse tiveram seu início em 1920, porém 
foi entre 1950 e 1970 que a maioria das pesquisas aconteceu. Podemos destacar o 
austríaco Hans Selye e também o Sueco Von Euler como grandes pesquisadores 
deste tema. Porém, foi Claude Bernard, no século XIX, que mostrou que o ser 
humano é capaz de se adaptar às variações ambientais através de manutenções 
no meio interno humano, no organismo em constante equilíbrio. O que o francês 
Bernard mostrou foi que, apesar de no meio externo haver grande poder de 
alteração, o organismo humano tem ferramentas de controle destas alterações, 
como por exemplo reservas energéticas para uma possível perda de energia, 
mecanismos de proteção que controlam a temperatura com o próprio suor, entre 
outras ferramentas fisiológicas e metabólicas (TUBINO, 1979).
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
87
FIGURA 27 - HANS SELYE, EXPLICANDO SUA TEORIA DO STRESS
FONTE: Disponível em: <http://brainimmune.com/hans-selye-80th-
birthday-stress-research/>. Acesso em: 1º mar. 2017.
Mais tarde, estes estudos foram evoluindo até chegar ao que chamamos 
antes de homeostase, mostrando que as células respondiam entre alterações 
controladas e limites compatíveis com a atividade vital, funcionando com um 
equilíbrio dinâmico e não algo imutável ou uma estabilidade totalmente rígida. 
Segundo os pesquisadores, o ser humano teria uma situação ambiental de equilíbrio 
com pressão e temperatura controlada além de nutrição e hidratação saudável, fora 
desta situação o organismo perde homeostase e começa uma batalha fisiológica e 
metabólica para a busca pelo equilíbrio novamente. Hans Selye trouxe ao mundo 
científico o termo SAG – Síndrome da Adaptação Geral, processos de adaptação 
aos chamados “agentes estressores”, também citado por Hans (MARGIS et al., 
2003). 
A Síndrome de Adaptação é dividida em quatro principais fases que 
acontecem em sequência até que o limite da capacidade fisiológica seja alcançado. 
São eles, de acordo com Lipp (2000): 
1. Fase de Alarme. 
2. Fase de Resistência.
3. Fase da Quase Exaustão.
4. Fase de Exaustão.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
88
FIGURA 28 - TEORIA DA SÍNDROME DA ADAPTAÇÃO GERAL DE HANS SELYE, AINDA SEM A FASE 
DE QUASE EXAUSTÃO ADICIONADA POSTERIORMENTE
FONTE: Disponível em: <http://www.saudedescomplicada.com/doencas/sindrome-da-
adaptacao-geral/>. Acesso em: 1º mar. 2017.
A fase de alerta acontece quando o indivíduo entra em contato com o 
agente estressor e mecanismos, a primeira tentativa é combater a fonte de estresse 
e fazer com que o organismo possa voltar à homeostase (LIPP, 2000).
A fase de resistência é a fase de adaptação, nesta fase acontece o 
desenvolvimento dos mecanismos de defesa do organismo. Se por acaso o 
organismo não conseguir, na fase de alerta, combater o agente estressor, o 
organismo continua a lançar defesas metabólicos e adaptações às opressões, alguns 
autores a consideram como a mais importante ao estudo de treinamento esportivo 
(LIPP, 2000).
A fase da quase exaustão, depois da luta contra o agente, é marcada pela 
queda nos sistemas de proteção do corpo humano e o organismo fica vulnerável a 
doenças se o agente opressor não cessar o estresse. 
A fase de exaustão, propriamente dita, é quando estão totalmente escassos 
os sistemas de proteção, queda total do sistema imunológico, e pode levar ao 
colapso e até mesmo à morte (LIPP, 2000).
O pesquisador sueco Von Euler dividiu os agentes estressores segundo a 
sua origem (TUBINO, 1979) e estes são divididos em três principais tipos: 
• Agente estressor físico (qualquer agente da natureza física, como ventos, 
umidade, temperatura ou esforço muscular).
• Agente estressor bioquímico (causados por efeitos farmacológicos, como 
calmantes, estimulantes, anestésicos, entre outras drogas ou medicamentos).
• Agente estressor mental (causado por fatores como motivação, preocupações, 
bullying etc).
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
89
O que determina a nossa adaptação é: primeiro a força que o estímulo tem 
e quão preparados ou treinados estamos para aquele estresse. Além dos agentes 
estressores, Dantas(2014) classificou os estímulos conforme o quadro a seguir:
QUADRO 2 – ESTÍMULOS E CONSEQUÊNCIAS
Estímulos Consequências
Débeis Sem consequências
Médios Excitação somente
Fortes Provocam adaptações
Muito Fortes Provocam Danos
FONTE: Adaptado de Dantas (2014)
Caro acadêmico! Agora que já entendemos como funciona a teoria do 
estresse e dos estímulos podemos ver as definições dos autores da área com mais 
propriedade, busque entender o verdadeiro significado por trás da definição.
Na biologia, compreende-se ‘adaptação’ fundamentalmente como uma 
reorganização orgânica e funcional do organismo, frente a exigências 
internas e externas; adaptação é a reflexão orgânica, adoção interna de 
exigências. Ela ocorre regularmente e está dirigida a melhor realização 
das sobrecargas que induz. Ela representa a condição interna de uma 
capacidade melhorada de funcionamento e é existente em todos os 
níveis hierárquicos do corpo (WEINECK, 1999, p. 135).
O princípio de adaptação pode ser definido como a busca pelo equilíbrio 
do organismo em resposta aos mais variados estímulos e agentes estressores.
Agora que definimos o princípio de adaptação temos que entender os 
tipos de adaptações que podem acontecer no ser humano. Tubino (1979) divide as 
adaptações em tipo, localização, efeito e o tempo necessário para cada adaptação. 
Quanto à adaptação, existem dois principais tipos: adquiridos durante 
a vida e as adaptações hereditárias. De modo óbvio as adaptações hereditárias 
necessitam de alterações genéticas, já as adquiridas durante a vida acontecem 
durante a existência do indivíduo. 
Quanto à localização da adaptação destacamos as adaptações realizadas 
em nível celular (acontecendo dentro das estruturas celulares), em nível tecidual 
(acontecem em tecidos, sejam em alteração de forma ou composição), em nível 
de órgãos ou sistemas (estômago e/ou sistema digestivo etc.) e em nível de uma 
população (alteração de DNA).
Quanto ao tempo necessário para uma adaptação acontecer, nós partiremos 
desde segundos, minutos, horas, dias, semanas, até anos e gerações, como é o caso 
de alterações hereditárias. 
 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
90
Exemplos práticos
 
Agora que conhecemos as características da adaptação podemos citar 
alguns exemplos de cada tipo de adaptação:
• Como professor dedicado você acompanha o crescimento ósseo de um 
determinado aluno durante os anos. Sabemos que o crescimento do aluno é 
algo que acontece por via de adaptações causadas pelo efeito piezoeléctrico, 
que através de estímulos nos osteoblastos (adaptação em nível celular), causam 
aumento na calcificação e formação de osso (adaptação em nível tecidual) e por 
fim na altura corporal (adaptação no sistema esquelético).
• Desastres nucleares têm a infelicidade de deixar traços não somente nas pessoas 
que estavam vivas, assim como nas gerações posteriores aos afetados (adaptação 
do corpo ao evento nuclear estressor).
• Fase de maturação de jovens e adolescentes (mais comentada na Unidade 
3 deste livro) tem aumento de hormônios circulantes (nível celular), que 
por consequência se associa a outros fatores e causa a hipertrofia muscular 
(adaptação tecidual).
Outro exemplo que acontece muito no treinamento seja de crianças ou de 
adolescentes é o “strain” – que seria uma fadiga total, uma estafa, ou exaustão 
total, para melhor entender este termo vamos primeiro ler com atenção o trecho de 
Tubino (1979, p. 101):
É importante estabelecer que será sempre a adaptação do organismo 
que dirigirá o nível de treinamento a ser imposto. Mas essa observação 
é de difícil constatação no que diz respeito aos estresses mentais, pois 
muitas vezes, devido ao excesso de atividades diárias, os treinadores 
não conseguem perceber que seus atletas se encontram estimulados 
continuamente por fortes agentes estressores mentais, como, por 
exemplo, reações familiares em relação à "vida de atleta" ou pressões 
sobre os resultados.
Neste contexto, entendemos que vários são os fatores que podem causar 
o “strain”. Entre eles destacam-se esforço físico exacerbado, nutrição e hidratação 
inadequada, patologias, estado psicológico anormal, repouso faltante (CARLILE; 
DEE, 1967). Então, como evitaremos este mal denominado “strain”? 
Com base nisso existem alguns protocolos que estudam sintomas ou 
evidências que avisam ou alertam que o seu atleta ou estudante terá um strain. 
Entre os sintomas podemos destacar: perda de peso excessivo, insônia, dores em 
articulações, problemas digestivos, irritabilidade aguda, falta de ar, transtornos no 
metabolismo e dificuldade de raciocínio.
 
Talvez, agora, você, acadêmico, entenda quão importante é a correta 
utilização do princípio da adaptação, erros na identificação desta adaptação e dos 
estímulos que são cruciais. 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
91
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
Para você que quer ser o diferencial, aqui está o seu desafio de 
aprendizado ainda maior, temos certeza de que se você ler este artigo terá mais 
conhecimento sobre aspectos importantíssimos no entendimento da adaptação 
ao treinamento de força. O artigo intitulado “Adaptações neurais e morfológicas 
ao treinamento de força com ações excêntricas”, de Barroso e colaboradores 
(2005), da Revista Brasileira de Ciência e Movimento, traz abordagens didáticas 
de como o músculo, entre outras estruturas, responde ao treinamento de força 
com ações excêntricas com uma visão de força muscular em nível celular até o 
nível biomecânico dos membros geradores de força muscular. Quer aprender 
ainda mais, basta clicar no link <https://scholar.googleusercontent.com/
scholar?q=cache:XOwDvt0ak3oJ:scholar.google.com/+adapta%C3%A7%C3%A3
o+ao+treinamento&hl=pt-BR&as_sdt=0,5> para ler o artigo no íntegra. 
4.3 O PRINCÍPIO DA SOBRECARGA
Antes de conversarmos sobre o princípio da sobrecarga, vamos ao setor de 
histórias, pois esta história, além de muito interessante, lhe ensinará como funciona 
o princípio da sobrecarga. Contaremos a história de Mílon de Crotona da época de 
500 a 580 a.C., na Itália. Foi atleta olímpico de luta (pancrácio), além de discípulo do 
matemático Pitágoras. Nos jogos antigos teria ganho doze competições: seis vezes 
nos Jogos Olímpicos e seis vezes nos Jogos Píticos. O nome da cidade de Milão foi 
dado em sua homenagem. Tudo indica que através dele o método de treinamento 
mais antigo da humanidade, utilizado até hoje, a evolução progressiva da carga, 
foi criado. Este atleta corria com um bezerro nas costas, para aumentar a forças dos 
membros inferiores, e quanto mais pesado o bezerro ficava, proporcionalmente 
sua força aumentava. Esta história nada mais é que a aplicação do princípio da 
sobrecarga, que a cada adaptação que você realiza, o estímulo necessitado para 
evoluir é maior. 
FIGURA 29 - MÍLON DE CROTONA E A EXPLICAÇÃO ILUSTRATIVA DO PRINCÍPIO 
DE SOBRECARGA
FONTE: Disponível em: <http://revistasuaacademia.com.br/materia/um-pouco-
mais-sobre-a-historia-da-musculacao/363>. Acesso em: 25 ago. 2016.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
92
Definições
 
Depois de conhecermos a história de Mílon de Crotona, o princípio 
de sobrecarga fica mais fácil de entender. Realmente, o momento ou período 
que acontece a adaptação do organismo aos eventos estressores (estímulos de 
treinamento) é uma das principais incógnitas e discussões da ciência do esporte. 
Existem estudos que evidenciam a adaptação durante os intervalos intermediários 
dos treinos, enquanto outras pesquisas evidenciam a adaptação após o último 
intervalo da sessão de treino (TUBINO, 1979). Assim, o princípio da sobrecarga 
consiste em:
[...] sobrecarregar o organismo do atleta, de maneira adequada, variando-
se a frequência, a intensidade, o volume e a duração do treinamento. 
A sobrecarga deve ser individualizada e aplicada de forma progressiva 
ao longo do processo de treinamento (VALE, 2013, p. 10, grifonosso).
Basicamente, para que tenhamos evolução no decorrer de um treinamento 
é necessário que este treinamento seja realizado numa sobrecarga maior do que a 
que se está habituado, parece óbvio, pois se você sempre se exercitar da mesma 
maneira e com a mesma intensidade não acontecerão evoluções. 
Entretanto, Dantas (2014) acredita que, conforme dito anteriormente, 
a adaptação acontecerá pela busca de equilíbrio, porém o autor cita um termo 
importante à assimilação compensatória também chamado de supercompensação. 
A assimilação compensatória ou supercompensação é a capacidade do 
organismo de volta ao seu estado ou em um estado melhor que o estado depois 
de determinado agente estressor agir, por exemplo, fadiga. Assim, o processo 
de supercompensação acontece posterior ao treinamento, quando seu corpo se 
recupera do treinamento e então melhora suas qualidades morfológicas. O processo 
de supercompensação do organismo pode ser severamente comprometido por uma 
incorreta disposição do tempo de aplicação das cargas (CIOLAC; GUIMARÃES, 
2004).
GRÁFICO 9 - SUPERCOMPENSAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://treinodeforca.com.br/?p=699>. Acesso em: 2 mar. 
2017.
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
93
Tubino (1979) complementa as definições de assimilação compensatória 
como a soma do período de restauração e do período de restauração ampliada. 
Para o autor, restauração seria o período que o corpo reestabelece aos padrões 
de força e capacidade que estava no momento anterior ao estímulo. Já o período 
de recuperação ampliada é quando o organismo se recupera e disponibiliza de 
mais força ou mais capacidades que no momento anterior ao estímulo. Além 
disso, acredita-se que é no final do período de recuperação ampliada que o novo 
estímulo deve ser aplicado, momento em que o organismo está com mais energia 
para o próximo treino. 
 
Conforme conversamos, acadêmico, no princípio de adaptação sobre o 
“strain”, quando realizamos um estímulo em momento inadequado podemos 
alcançar algo denominado “over training”, conforme mostra a figura a seguir, com 
dois caminhos do treinamento. Os sintomas são semelhantes aos “strain”, existem 
autores que afirmam ser o mesmo efeito.
FIGURA 31 - SUPERCOMPENSAÇÃO VERSUS OVER TRAINING, IMPORTÂNCIA NO MOMENTO 
CERTO DE ESTÍMULO
FONTE: Disponível em: <http://corredoresanonimos.pt/actualidade/especialistas/a-
importancia-do-estimulo-nos-treinos-para-a-melhoria-do-nosso-rendimento>. Acesso 
em: 4 mar. 2017.
A supercompensação pode ser atingida de diversas maneiras, são algumas 
delas:
• Alterando a velocidade da atividade.
• Aumentando a resistência.
• Aumentando o número de séries e/ou de repetições.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
94
• Alterando o método de treinamento.
• Diminuindo descanso entre séries.
• Aumentando o tempo total da sessão.
Exemplos práticos
 
Será que existe o princípio da sobrecarga na escola? Se você é professor e 
percebe que os estudantes estão começando a entrar em um plateau de desempenho 
em determinada atividade, o que você faz? Seja ela uma atividade técnica ou 
funcional. O mais sensato seria fazer uma análise na sala e verificar se todos já 
compreendem o básico pré-estipulado, se sim, pensar e estudar novos meios mais 
avançados e seguros daquela atividade. Lembre-se, acadêmico, de que podemos 
falar de um saltar de corda como de um quicar da bola. 
Over training na escola? O contrário também pode ser verdadeiro, é 
possível que alguns estudantes passem por um over training ou strain. E assim, 
é responsabilidade sua, professor, estar pronto para identificar os sintomas e 
diminuir a intensidade e/ou volume do treinamento, ou até mesmo outras formas 
de tratamento de over training.
Quer aprofundar ainda mais seu conhecimento sobre a adaptação e suas 
aplicações, confira o vídeo explicativo do professor Dr. João Moura: Disponível em: <https://
www.youtube.com/watch?v=oH1EujCGyQA>.
DICAS
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
 
Exercícios de força para crianças, isso é possível? Para você que quer ser 
um professor diferenciado, deve ler este artigo sobre o princípio da sobrecarga 
aplicado no treinamento-força para as crianças. 
 
O manuscrito intitulado “Elaboração de programas de treinamento de 
força para crianças”, de Oliveira e colaboradores (2004) é uma revisão estruturada 
sobre temas como atividade física na criança, aspectos fisiológicos e fatores de 
crescimentos. Além disso, os autores abordam o treinamento com sobrecargas 
para várias faixas etárias (5 a 7 anos, 8 a 10 anos, 11 a 13 anos, 14 a 15 anos, 16 anos 
em diante). Os autores concluem que a musculação ou atividades resistidas é mais 
uma opção de atividade física para crianças e adolescentes. Concorda ou discorda? 
Leia e estude o artigo completo clicando no link que segue: <http://www.uel.br/
revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/3662/29>. 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
95
4.4 O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE 
Definições
Caro acadêmico! Sabemos que é o treinamento que leva o atleta a ser 
realmente classificado como atleta, porém não é somente um treino que vai tornar 
aquele atleta com uma composição corporal de um atleta de elite. A continuidade 
do treinamento é que o tornará um atleta. Além disso, como já estudamos a 
sobrecarga, os treinos anteriores irão direcionar e influenciar os novos treinos 
a serem planejados e executados. Estes dois pontos irão direcionar para o que 
chamamos de o Princípio da continuidade, a influência de treinos anteriores e a 
regularidade em sequência do treino. Tubino (1979, p. 107) discute estes conceitos 
e acrescenta que:
[...] este princípio compreenderá sempre, no treinamento em curso, 
uma sistematização de trabalho que não permita uma quebra da 
continuidade. Em outras palavras, considerando um tempo maior, o 
princípio da continuidade é aquela diretriz que não permite interrupções 
durante esse período.
 
Segundo Dantas (2014), é necessário um mínimo de persistência no 
treinamento para que este possibilite o desenvolvimento de algumas qualidades 
físicas, tais como alterações morfológicos e/ou biológicas. Assim, um atleta ao 
chegar ao topo tem uma enorme bagagem de treinamento, sem interrupções não 
desejáveis.
 
Para o controle deste princípio os treinadores costumam usar termos para 
os períodos que devem ser seguidos durante a periodização do treinamento como, 
por exemplo, período preparatório, período competitivo, período de transição, 
período de recuperação, período de base, sessões, microciclos, mesociclos, 
macrociclos, entre outros termos.
FONTE: Disponível em: <http://www.farediunamosca.com/schema-bilancio-idrico-
infermieristico.html>. Acesso em: 5 mar. 2017.
FIGURA 32 - MODELO DE PERIODIZAÇÃO
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
96
Exemplos práticos
 
Você, como futuro professor, deve ter como dever programar as aulas 
anteriormente e, além disso, programar os períodos do ensino, será que isso é 
possível? 
Claro, o professor deve analisar o que ensinará em cada parte do aprendizado, 
não pode realizar sempre as mesmas atividades e não deve depender de sua mente 
para criar atividades no momento, pois assim, você, futuro professor, não estará 
criando uma linha de evolução no estudante. Por exemplo, o movimento de quicar 
da bola, cabe ao professor programar quando pretende ensinar o movimento de 
quicar com certas maneiras de evolução:
• Quicar com as duas mãos.
• Quicar com a mão dominante.
• Quicar com a mão não dominante.
• Quicar sem fase aérea.
• Quicar duas bolas simultaneamente.
• Quicar duas bolas alternadamente.
 
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
 
Quer saber tudo sobre periodização, busque mais conhecimento específico 
sobre o assunto, lhe fornecemos o manuscrito intitulado “Estudo sobre a 
Fundamentação do Modelo de Periodização de Tudor Bompa do Treinamento 
Desportivo”. Este estudo explica bem e efetuouuma comparação entre os modelos 
de periodização de Matveev e o modelo de Bompa através de uma metanálise entre 
os dois, o que permite ao leitor um acompanhamento entre estes dois modelos. 
Matveev publicou seu modelo em 1965 e foi utilizado por muito tempo, porém, 
em 2002, Bompa publicou outro modelo com adaptações de Matveev, existem 
os que acreditam que o modelo de Bompa é mais abrangente aos modelos de 
exercícios de resistência. Leia o artigo em sua íntegra, clicando no link que segue: 
<http://openrit.grupotiradentes.com/xmlui/bitstream/handle/set/520/159%20
Periodiza%C3%A7%C3%A3o%20de%20Bompa%20-%20F%26P%20J%20
%2805%29%20-%20DOI.pdf?sequence=1> e descubra detalhes desta ciência em 
crescimento que se chama modelos de periodização.
4.5 O PRINCÍPIO DA REVERSIBILIDADE
Definições
Quando pensamos em treinamento não podemos esquecer que da mesma 
forma como o treinamento se adapta de acordo com a sobrecarga exata, a falta de 
treinamento faz com que o atleta ou estudante volte ao seu estado normal antes 
do treino, ou seja, ele perde capacidade funcional ou adaptações morfológicas 
que foram adquiridas com o treinamento. Basicamente, isto seria o princípio da 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
97
reversibilidade, caracterizado pela volta ao estado original antes do treinamento 
quando o exercício não é mais realizado, se esta pausa nos treinamentos não se 
cessar, o indivíduo se tornará uma pessoa sedentária (MCARDLE, KATCH; 
KATCH, 1998).
Monteiro (2011) menciona continuidade e reversibilidade na mesma 
sentença, uma vez que o organismo se adapta a um nível habitual de solicitação, em 
que os efeitos do treinamento se revertem, caso o indivíduo se torne mais inativo.
FIGURA 33 - EFEITO DO TREINAMENTO SEGUIDO DE DESTREINAMENTO
FONTE: Disponível em: <http://nikolasctesportivo.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.
html>. Acesso em: 6 mar. 2017.
Exemplos práticos
 
Será que existe possibilidade de utilizar este recurso durante o planejamento 
de um treinamento escolar ou em um treinamento de base. Imagine, você prepara 
a criança durante todo o ano, percebe uma melhora em sua força, velocidade e 
coordenação. Porém, agora vem o período de férias escolares (2-3 meses sem classes 
de Educação Física), então, princípio da reversibilidade, segundo ele, o estudante 
perderá um pouco do que foi ganho se não realizar atividades físicas durante as 
férias. Outro exemplo é se acontecer uma lesão com algum estudante ou atleta. 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
98
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
Para que entenda melhor o que acontece quando crianças ou jovens param 
o treinamento, ou seja, destreinam, sugerimos a leitura do artigo de Fontoura e 
colaboradores (2004), que avaliou o destreinamento do treinamento de força no 
artigo intitulado “O efeito do destreinamento de força muscular em meninos pré-
púberes”. Neste estudo foi avaliado o efeito de 12 semanas de destreino na força 
muscular de meninos treinados por 12 semanas. Você se surpreenderia se a força 
não tivesse caído nem um pouco durante 12 semanas?
Quer aprofundar ainda mais seu conhecimento sobre os princípios do treinamento 
desportivo da continuidade e reversibilidade e suas aplicações, confira o vídeo explicativo do 
professor Dr. João Moura: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YuYaX7CqxJI>.
DICAS
4.6 O PRINCÍPIO DA INTERDEPENDÊNCIA VOLUME-
INTENSIDADE
Definições
 
Antes de ir às definições do princípio do treinamento, temos que saber o 
que é volume e o que é intensidade. De modo simplificado, volume é a quantidade 
de tempo, distância ou trabalho em que você realiza a atividade física. Intensidade 
é também, de modo simples, a carga do exercício, que pode ser mensurada em 
peso, tempo, potência, entre outros. Alguns seriam na academia, suas séries do 
treinamento vão ser seu volume e o haltere ou peso que escolher será a intensidade. 
Em um treino de corrida, os quilômetros que correrá serão seu volume e a 
velocidade será sua intensidade. 
Este princípio do treinamento é extremamente importante quando 
pensamos em prescrição do treinamento baseado nas variáveis volume de treino e 
intensidade de treino. Basicamente, podemos dizer, de modo geral, que o aumento 
dos estímulos de uma dessas variáveis é acompanhado de uma queda nos estímulos 
da outra variável, ou seja, existe uma interdependência entre eles. Isso é, quando o 
atleta aumenta muito abruptamente sua intensidade, logo o volume que consegue 
percorrer ou treinar diminuirá. Assim, se o atleta resolver realizar um volume de 
treino muito longo não poderá manter uma intensidade alta por muito tempo.
Sobre esta escolha entre intensidade e volume entre atletas de elite, Tubino 
(1979, p. 108) afirma: “[...] os êxitos de atletas de alto rendimento, independente 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
99
da especialização esportiva, estão sempre referenciados numa grande quantidade 
(volume) e numa alta qualidade (intensidade) de trabalho”.
Existe uma grande gama de pesquisa neste princípio de Interdependência 
Volume-Intensidade, pois os cientistas estão em busca constante de qual seria o 
jogo perfeito de volume e intensidade para cada modalidade. Algumas maneiras, 
entre muitas, de sobrecarregar o treinamento com volume e intensidade. 
Volume – Maiores percursos; maior número de percursos; maior número 
de repetições.
 
Intensidade – Menor duração nos intervalos entre estímulos; menor número 
de intervalos entre estímulos; maior velocidade de execução.
GRÁFICO 10 - O JOGO DE VOLUME E INTENSIDADE DURANTE AS FASES DO TREINAMENTO E A 
CURVA DE PERFORMANCE
FONTE: Disponível em: <http://www.viverdecorrida.com/periodizacao-de-treinamento-corrida-
de-rua/>. Acesso em: 6 mar. 2017.
Exemplos práticos
 
Você, como futuro professor, quer ensinar ao seu atleta técnica de corrida, 
entre elas quer desenvolver a capacidade de correr distâncias longas, utilizará 
a interdependência do volume e intensidade e obviamente não poderá colocar 
intensidade e volume alto sempre. O correto, ou mais comum, seria seguir um 
padrão de crescimento gradativo de ambas as variáveis e depois começar com 
oscilações de ambas para que o atleta comece a entender que maiores volumes 
precisam de intensidade mais baixa para que o volume possa ser completado com 
sucesso.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
100
Vamos lá, mais uma grande aula do professor Dr. João Moura, sobre o jogo de 
intensidade e volumes durante o planejamento de treinamento: Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=I6hQzk_ua-4>.
DICAS
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
 
Um dos maiores problemas das crianças atualmente é o sobrepeso e, 
por este motivo, você, como o futuro profissional, deve saber ainda mais sobre 
emagrecimento. Como deve imaginar, volume e intensidade tem tudo a ver com 
emagrecimento, visto que a utilização de gordura é dependente da intensidade 
que você está e do volume que está percorrendo. Assim, caro acadêmico, com 
o objetivo de preparar você ainda mais para o mercado de trabalho e ser um 
profissional diferenciado recomendamos a leitura do artigo “Exercício resistido 
e gordura corporal: relação entre volume, intensidade e emagrecimento”, de 
Santos e colaboradores (2016). O artigo investigou a relação do treinamento com 
peso e o emagrecimento, analisando o volume e a carga utilizados em estudos 
experimentais, que investigaram sua influência na redução da gordura corporal. 
Leia o artigo completo clicando no link: <http://portaldeperiodicos.unibrasil.com.
br/index.php/anaisevinci/article/view/1355/1169>. 
4.7 O PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE
Definições
 
Talvez você vai dizer que este princípio do treinamento desportivo é óbvio 
depois de ler os seguintes conceitos. O princípio da especificidade preconiza que 
quando um treinamento busca a melhoria de determinada variável (por exemplo, 
força, velocidade, resistênciaetc.) é esta variável que você deve trabalhar, ou seja, 
quer ficar forte nos membros superiores não treine os membros inferiores; quer 
ficar rápido não treine capacidades de longas distâncias. Simples? Sim, porém 
saiba que existem muitos profissionais cometendo o erro de não seguir o princípio 
da especificidade. Temos que nos lembrar que:
O treinamento deve ser montado sobre os requisitos específicos da 
performance desportiva, em termos de: qualidades físicas intervenientes, 
proporcionalidade entre os sistemas energéticos participantes; 
segmento corporal; utilizando coordenações psicomotoras empregadas 
(DANTAS, 2014, p. 23). 
Assim, de modo simples, se quisermos entender o princípio da especificidade 
precisamos entender que quanto mais específica for a tarefa de treinamento, ou 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
101
seja, quanto mais próxima da tarefa motora realizada na competição, maior será a 
transferência que pode ser levada ao treinamento.
Os estudos de ciências do esporte utilizam o que chamamos de correlação 
de Pearson (teste estatístico) para entender quanto determinado modelo de 
treinamento determina ou auxilia na tarefa motora da competição e assim 
conseguirmos mensurar quão importante é ter aquele tipo de exercício no 
treinamento do atleta ou estudante.
GRÁFICO 11 - CORRELAÇÃO DE PEARSON UTILIZADA PARA ENTENDER QUANTO O TESTE 
DE UMA REPETIÇÃO MÁXIMA É IMPORTANTE PARA A EXECUÇÃO DE SPRINTS E 
SALTOS EM JOGADORES DE FUTEBOL
FONTE: Disponível em: <http://www.musculacao.net/treino-pesos-melhora-rendimento-
jogadores-futebol/>. Acesso em: 7 mar. 2017.
Exemplos práticos
 
Uma aplicação prática para este tipo de princípio do treinamento é simples, 
se você necessita que seu estudante aprenda a pular corda, você não deve pedir 
para ele quicar a bola. Você deve pensar em exercícios com maiores aplicações 
à tarefa motora desejada. Por exemplo, movimento de elevação de joelhos em 
conjunto, assim efetuando um salto primeiramente sem a corda. Outro exemplo, 
seria a tarefa motora de pegar uma bolinha de tênis, uma vez que, se o aluno ainda 
não tem coordenação motora fina para pegar a bola pequena, comece com bolas 
maiores e vá diminuindo até a bola menor de tênis. Lembre-se e programe-se com 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
102
base no processo pedagógico de cada movimento, porém, às vezes, precisamos dar 
a liberdade ao estudante vivenciar o movimento de modo global, ou seja, saltar 
com a corda ou pegar a bola de tênis. Estude cada movimento por mais simples 
que seja, este é seu papel, professor.
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
Muito se discute sobre o treinamento de potência muscular aplicado ao 
esporte, quanto que treinar exercícios resistidos com velocidade é aplicado ao 
jogo/ou competição em esportes coletivos de invasão (futebol, basquete, futebol 
americano, rúgbi etc.). Quanto que o princípio da especificidade está sendo aplicado 
ou não aplicado? Para ficar expert neste assunto e no conceito especificidade 
recomendamos o artigo de Pinno e González (2008) intitulado “A musculação e 
o desenvolvimento da potência muscular nos esportes coletivos de invasão: uma 
revisão bibliográfica na literatura brasileira”. Os autores realizaram uma revisão 
interessante sobre o assunto, leia o artigo na íntegra clicando no link que segue 
<http://ojs.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/3396/2417>.
Que tal aprofundarmos ainda mais nosso conhecimento com este vídeo 
explicativo sobre o princípio da especificidade: Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=RCYqItnuvRE>.
DICAS
4.8 O PRINCÍPIO DA VARIABILIDADE 
Definições
Começaremos citando o trabalho clássico de Gomes da Costa (1996), que 
define o princípio da variabilidade como fundamentado no pensamento de um 
treinamento total, um treinamento completo, desenvolvido de modo global, 
utilizando as mais variadas formas de treinamento e natureza de estímulos. 
Este princípio pode lhe causar um pouco de confusão, acadêmico, 
então muita atenção! Até um momento atrás estávamos conversando sobre a 
especificidade do treinamento e agora conversamos sobre variabilidade. Sim, o 
princípio da variabilidade acredita que uma grande variedade na característica 
dos estímulos estressores causa um aumento maior na performance do atleta ou 
estudante. Então, especificidade e variabilidade são princípios contrários, um 
vai contra o outro, se contradizem? Não, você pode ter um treino que varia em 
característica mais contínua, sendo específico para determinada tarefa motora. 
Assim podemos definir este princípio como: “Quanto maior for a diversidade dos 
estímulos, desde que estes fiquem em conformidade com todos os conceitos de 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
103
segurança e eficiência que devem reger qualquer atividade, maiores serão então 
as possibilidades de atingirmos uma melhor performance e resultados” (COSTA, 
1996, p. 357).
A variabilidade é muito importante ao processo do treinamento, 
principalmente quando alcançamos o plateau do treinamento (por exemplo, 
estagnação do treinamento, dificuldade de melhora depois de nível de desempenho 
alto). Quando somente a sobrecarga do exercício não consegue ser suficiente, uma 
alteração na natureza do estímulo pode ser uma ótima saída para melhorar o 
desempenho de seu atleta ou estudante ainda mais. Se esta alteração não acontecer, 
assim como no princípio da sobrecarga, podem acontecer regressões no nível de 
treinamento (FORNO, 2013).
FIGURA 34 - TIPOS DE AGACHAMENTOS QUE PERMITEM A APLICAÇÃO DA VARIABILIDADE DO 
EXERCÍCIO
FONTE: Disponível em: <http://www.mundoboaforma.com.br/10-melhores-exercicios-de-
agachamento/ e http://blogspotdakamy.blogspot.com.br/2015/07/agachamento-com-
bola.html e http://www.pressaoalta.com.br/varie-no-agachamento-para-turbinar-o-
bumbum/>. Acesso em: 8 mar. 2017.
Exemplos práticos
 
Como professores e treinadores podemos aplicar este princípio com dois 
motivos principais: tornar o treino mais produtivo e com maior evolução, além 
disso para todos um treino diferente é muito atraente depois de vários treinos 
repetitivos. Não quer dizer que você vai ter um treino diferente toda vez, lembre-
se do princípio da continuidade.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
104
Você, como professor, pode usar este princípio como saída quando outras 
maneiras convencionais não funcionarem. Por exemplo, é comum utilizar objetos 
como steps e barreiras para ensinar saltos, uma vez que a presença de um obstáculo 
torna o exercício mais palpável. Neste momento, a criatividade do treinador é 
muito importante, facilite e busque ferramentas para o aprendizado.
Um erro muito comum nos profissionais de Educação Física 
é os treinos se tornarem uma rotina eterna, sempre o mesmo treinamento. 
Que tal observar a abordagem que este vídeo faz sobre o tema – princípio da variabilidade. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-UW327gbOMk>.
DICAS
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
 
Como artigo de aprofundamento do conhecimento recomendamos o artigo 
“O princípio da variabilidade nos programas para hipertrofia muscular prescritos 
pelos professores de musculação na cidade de Criciúma”. O estudante Leandro 
dal Forno vez uma abordagem muito interessante sobre a variabilidade do 
treinamento prescrito nas academias. Você se surpreenderá com o resultado sobre 
esta variabilidade e os modelos de treinamento utilizados. Será que poderíamos 
pensar em uma pesquisa semelhante na escola de nossa cidade? Leia o texto 
completo no link que segue <http://200.18.15.27/handle/1/1625> e reflita por um 
momento: será que não sairia deste estudo um trabalho para conclusão de curso. 
Qual é a variabilidade dos nossos professores nos treinamentos ou planos de aula?
4.9 O PRINCÍPIO DA TREINABILIDADE
Definições
Quando pensamos em atletas de elite, temos que ter em mente que o nível 
de treinamentodestes atletas é tanto que manter ou melhorar seu desempenho se 
torna um grande desafio. O princípio da treinabilidade diz questão a este grande 
desafio, uma vez que quanto mais treinado o atleta mais difícil treiná-lo.
Outra menção que é muito importante é que de acordo com a individualidade 
temos que entender que pessoas diferentes e com cargas genéticas diferentes 
tendem a responder de forma diferente ao treinamento. Algumas pessoas evoluirão 
mais rapidamente e outras mais lentamente (TUBINO, 1979).
Esta dificuldade no desenvolvimento é normal do ser humano, pois 
todos temos um limite físico e mental que podemos desenvolver com segurança. 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
105
Muitos atletas de elite utilizam substâncias anabólicas, que causam muitos efeitos 
colaterais podendo levar até a morte do usuário.
GRÁFICO 12 - PLATEAU DO TREINAMENTO DE FORÇA
FONTE: Disponível em: <https://pt.slideshare.net/cleitonesef/adaptaes-ao-tfpot>. Acesso 
em: 8 mar. 2016.
Exemplos práticos
Como treinadores teremos que saber que o atleta possui um limite de 
treinamento, ele terá um limite de evolução em determinado tempo e por isso 
não podemos exigir de forma demasiada do estudante ou atleta. Quando estamos 
falando de esporte e limites podemos citar inúmeros países que utilizam técnicas 
forçadas de treinamento. Alguns exemplos são os treinamentos de ginástica que 
buscam força e flexibilidade em atletas de 10 a 15 anos ou com idade inferior. 
Temos que entender, como profissionais, que este treinamento forçado precoce 
causa, além de sequelas morfológicas, também psicológicas.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
106
FIGURA 35 - ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE NA GINÁSTICA
FONTE: Disponível em: <http://edfpibid.blogspot.com.br/2014_08_01_archive.html>. 
Acesso em: 8 mar. 2017.
Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido
 
Recomendamos que você aumente seu conhecimento sobre o tema e 
esteja ainda mais preparado para o estudo da próxima unidade, para o mercado 
de trabalho e principalmente entendendo que é responsável pela formação da 
vida de jovens, leia o artigo intitulado “A relação entre a especialização precoce 
e o abandono prematuro da Natação”. Oliveira e colaboradores (2007) fizeram 
mensurações de correlação entre a especialização precoce e a madura desistência 
da prática e os resultados são impressionantes. Leia o artigo na íntegra clicando no 
link que segue: <https://goo.gl/FcTIgV>.
4.10 O PRINCÍPIO DA SAÚDE
Definições
Este princípio do treinamento desportivo ainda não é citado por todos os 
autores, porém já está sendo citado em artigos mais atuais. O princípio da saúde 
diz questão de que o exercício não deve ser contra a saúde da pessoa, deve ser 
um dos cargos chefes do objetivo de se fazer exercício físico. Além disso, este 
princípio defende que a prática deve ser sempre acompanhada por profissionais 
da saúde. Conforme Gomes da Costa (1996, p. 358, grifos nosso), o princípio tem 
uma abordagem bem mais ampla:
Assim, não só a Ginástica Localizada em si e suas atividades 
complementares possuem grande importância. Também os setores 
de apoio da Academia, como o Departamento Médico, a Avaliação 
Funcional e o Departamento Nutricional assumem relevante função no 
sentido de orientar todo o trabalho, visando a aquisição e a manutenção 
dessa Saúde.
 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
107
Sabemos que nem sempre o princípio da saúde vem sendo o norteador das 
atividades físicas realizadas, por exemplo, o esporte de alto rendimento possui 
desvios da linha da saúde, visto que a busca constante por resultados cada vez 
melhores faz com que os atletas se submetam a práticas nem sempre saudáveis, 
como por exemplo, o arremessador do beisebol realiza milhares de arremessos em 
sua vida com somente um lado de seu corpo, em longo prazo isso causará uma 
disfunção postural no atleta. Outro exemplo é atletas que devido à busca infinita 
por resultados se submetem a jogos e competição ainda lesionados.
Exemplos práticos
Quando tratamos o princípio em nossa prática na escola fica fácil entender 
que a nossa prática deve ser sustentada para a saúde, as atividades escolhidas 
devem ter segurança e devem levar em conta a interdisciplinaridade das ações, 
com nutricionistas e psicólogas da escola, entre outros profissionais. Esta 
interdisciplinaridade acontece com mais frequência em escolas de alunos especiais, 
visto que são geralmente estruturadas com fisioterapia, nutricionista, psicólogos 
e médicos.
4.11 INTER-RELAÇÃO ENTRE OS PRINCÍPIOS DO 
TREINAMENTO
É simples entender, caro acadêmico, que um princípio não acontece de 
modo único ou separado, os princípios se inter-relacionam, ou seja, acontecem 
simultaneamente e assim, você, professor e treinador, deve pensar de modo 
conjunto no momento que irá estruturar o treinamento. Isso é, por exemplo, 
pensar no princípio da sobrecarga ao mesmo tempo que pensa no princípio da 
especificidade daquela sobrecarga.
Costa (1996, p. 358, grifos nosso) comenta sobre esta inter-relação entre 
alguns dos princípios do treinamento desportivo: 
Apesar dessa importante correlação, os Princípios da Adaptação, 
da Sobrecarga, da Continuidade e da Interdependência Volume-
Intensidade é que vão não só dar corpo como orientar toda a aplicação 
prática do treinamento, ou seja, são os verdadeiros responsáveis pela 
“arrumação” de todo o processo de treinamento, traduzida na forma 
dos micro, meso e macrociclos de trabalho.
Assim, quanto maior a associação e o entendimento dos princípios do 
treinamento esportivo, maiores são as chances de a periodização e a evolução do 
treinamento beirar o excelente. É seu dever como professor entender e aplicar estes 
princípios do treinamento a fim de buscar o melhor físico e mental do seu atleta e/
ou estudante.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
108
4.12 EDUCAÇÃO ESPECIAL E OS PRINCÍPIOS DO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
Caro acadêmico, adentraremos em uma área da educação muito carente de 
conhecimento, mas não menos importante, pois hoje um dos principais desafios da 
escola é a inclusão escolar, na qual a Educação Especial, modalidade de educação, 
deve ser oferecida preferencialmente na regular de ensino para pessoas com 
necessidades educacionais especiais, desde a educação infantil ao ensino superior. 
Portanto, a educação especial é um conjunto de recursos educacionais e estratégias 
organizadas institucionalmente para apoiar, complementar e suplementar de modo 
a garantir a educação escolar, promover o desenvolvimento das potencialidades 
dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais.
Afinal de contas, a quem nos referimos quando nos reportamos aos alunos 
da educação especial, ou alunos com necessidades educacionais especiais? Estamos 
nos referindo a educandos que podem possuir a deficiência física (DF), afetados 
na sua mobilidade e coordenação motora; deficiência intelectual (DI), em que seu 
funcionamento cognitivo e emocional são prejudicados significativamente inferior 
da média (DI leve = Q.I. entre 50-70, DI moderado = Q.I. entre 35 – 49, DI severo 
= Q.I entre 20-30 e DI profundo= Q.I menor que 20); deficientes sensoriais (DS) 
acometidos pela cegueira, visão subnormal e surdos, em muitos artigos/estudos 
você verá esta classe subdividida em DV (deficiente visual) e DA (deficiente 
auditivo), embora a caracterização continua a mesma. E, por fim, você, caro 
acadêmico, poderá encontrar alunos com deficiência múltipla, em que ocorre a 
associação de mais uma deficiência.
Agora que já sabemos o que é educação especial e a quem nos reportamos 
quando tratamos deste assunto, como nós profissionais da área de educação física 
lidaremos com estes alunos, como iremos aplicar nossos conteúdos tão práticos e 
que exigem de certo modo toda nossa integridade corporal, tanto em aspectos de 
mobilidade, coordenação e acuidades sensoriais? Foi então que surgiu o conceitode educação física adaptada, que segundo Menezes et al. (2002), consiste em um 
programa diversificado de atividades, jogos, esportes e ritmos, adequados aos 
interesses, capacidades e limitações do aluno com necessidades especiais. O objetivo 
da educação física adaptada, segundo o autor, é dar oportunidade ao portador de 
necessidades especiais de ter várias opções de esporte e lazer, mostrando o impacto 
destas atividades na qualidade de vida, nos aspectos físicos, sociais e psicológicos. 
Partindo desse princípio vamos imaginar agora uma aula em que temos 20 alunos, 
e que dois educandos possuem necessidades educacionais especiais, sendo que 
um deles é cadeirante, devido à paralisia cerebral que afetou a mobilidade dos 
membros inferiores e a outra educanda com visão subnormal, não é cega, mas 
possui apenas 30% da visão do olho esquerdo e você tem como atividade planejada 
uma estafeta lúdica que visa dar as primeiras noções da modalidade de handebol 
de deslocamento com bola, que no caso você modificou para balão. Como você 
poderia adaptar essa aula?
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
109
FIGURA 36 - ESTAFETA DE HANDEBOL
FONTE: Disponível em: <http://adailbarbosa.blogspot.com.br/2015_11_01_archive.
html>. Acesso em: 12 mar. 2017.
Uma possível adaptação seria você, como professor, orientar/auxiliar os 
educandos com necessidades educacionais especiais a realizar a atividade de 
modo lado a lado, em que o professor fica ao lado auxiliando o aluno no que 
necessitar de ajuda, no caso do cadeirante, auxílio no deslocamento da cadeira, 
para que ele possa apenas conduzir o balão e no caso a deficiente visual, estar 
ao lado dando as orientações espaciais. Entretanto, você, como um professor que 
almeja mais o desenvolvimento do aluno, mas também a inclusão dele de fato na 
turma e que o enxergue como um ser com muitas capacidades, você opta por uma 
adaptação que todos terão o mesmo grau de dificuldade. Além de dividir a turma 
em duas equipes, você determina que eles trabalhem em duplas, em que um deve 
vendar os olhos e o outro sentar na cadeira de rodas. O que estiver sentado, além 
de conduzir o balão, terá de orientar o condutor da cadeira que estará vendado, 
vence a equipe que terminar a atividade antes. Estas seriam duas formas de se 
aplicar uma mesma atividade, entretanto de modos distintos. O que é importante 
ressaltar é que quando falamos de educação devemos abandonar o ensino a partir 
dos déficits, mas adotar como base de ensino as capacidades. Para Hallahan, 
Kauffman e Pullen (2011), não devemos deixar que as incapacidades das pessoas 
nos impossibilitem de reconhecer as habilidades.
E partindo deste pressuposto, se é na educação física escolar que observamos 
futuros talentos esportivos, porque não enxergar estes alunos especiais com as 
mesmas potencialidades.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
110
FIGURA 37 - LEVANTAMENTO DE PESO POR CADEIRANTE
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/noticias/iraniano-bate-
recorde-mundial-tres-vezes-levanta-310kg-e-encanta-criancas-e-adultos>. 
Acesso em: 12 mar. 2017.
Nas paraolimpíadas de 2016 no Brasil, o iraniano S. Raman bateu novo 
recorde na categoria acima de 107 Kg. Com 169 Kg de peso corporal, o atleta quebra 
o recorde levantando 310 Kg após conquistar medalha de Ouro levantando 305 Kg. 
O atleta é deficiente físico, devido a poliomielite, doença viral que pode afetar os 
nervos e levar à paralisia parcial ou total. 
Depois do Brasil sediar as Olímpiadas e Paraolimpíadas Rio 2016, todos 
puderam acompanhar quão capazes, determinados e desportistas são nossos 
atletas paraolímpicos, mas a principal indagação feita pelo público era, como eles 
conseguem? Como conseguem levantar 300 kg sem ter a mobilidade das pernas? 
Como eles conseguem bater recordes se eles não enxergam a linha de chegada 
em um final de 100 metros? Estas perguntas são respondidas a partir de um 
conceito que nós já vimos anteriormente, quando nos reportamos aos princípios 
do treinamento desportivo. O treinamento baseado na individualidade biológica, 
a partir disso, poderemos conversar sobre como ensinar, preparar, desenvolver e 
aprimorar um treinamento para alunos com necessidades educacionais especiais.
FIGURA 38 - EQUIPE BRASILEIRA DE REVEZAMENTO, O ESPORTE POSSÍVEL 
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/noticias/brasil-conquista-ouro-
inedito-no-revezamento-4-x-100-para-deficientes-visuais>. Acesso em: 12 mar. 
2017.
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
111
Com direito a recorde dos jogos, a equipe brasileira do revezamento 4x100 
metros da classe T11-13 (para deficientes visuais) dominou a final da categoria e 
subiu ao lugar mais alto do pódio com a marca de 42s37. 
4.13 INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA AO ATLETA OU 
ESTUDANTE ESPECIAL 
Ao se discutir treinamento desportivo com pessoas portadoras de 
necessidades especiais, muitas dúvidas acabam aparecendo de imediato em nossas 
mentes, entretanto é importante salientar o que nos difere uns dos outros são nossas 
diferenças, quando aplicamos um treinamento a uma pessoa dita “normal”, sem 
deficiência, antes de prescrevermos o treino ideal, realizamos todo um contexto 
biológico, físico, emocional, esportivo e o real objetivo para a realização do 
treinamento. E quando nos reportamos à pessoa com deficiência devemos pensar e 
agir do mesmo modo, respeitar e partir do princípio da individualidade biológica 
para a construção de um treinamento que tenha volume, intensidade, frequência e 
duração adequada ao perfil do atleta/ aluno com deficiência.
O que nos causa tanto temor é como lidar com a deficiência perante o 
rendimento no treino, mas a que devemos nos atentar é até que ponto a deficiência 
influencia na maneira de treinar? Em quais padrões fisiológicos devemos estar 
atentos, que sofreram alteração em decorrência da deficiência? O que precisamos 
modificar em termos biomecânicos para que ele consiga realizar o treino 
resistido na academia? Como atuar sobre a resistência aeróbia de um aluno/
atleta cadeirante? As respostas para estas perguntas são simples, olhe para cada 
aluno/atleta unicamente, aplique o princípio da individualidade biológica, o que 
realmente é necessário ser executado com este indivíduo, qual a melhor forma 
de se fazer isso, quais as suas capacidades, quais suas limitações, seus objetivos 
de fato e que cuidados devemos ter para com aquela pessoa mediante o perfil 
do esporte em relação à deficiência, pois como já estudamos anteriormente, 
respeitarmos as características do indivíduo, além de tornar a prática mais segura, 
torna os resultados de desempenho mais fáceis de serem alcançados.
Vamos a um exemplo prático
Você tem um aluno cadeirante que tem como talento um arremesso incrível, 
é ágil, possui ótimo deslocamento com a cadeira, e o principal, ele sonha poder 
jogar basquete, mas ele não consegue permanecer muito tempo na atividade, pois 
tem baixo condicionamento aeróbio. 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
112
FIGURA 39 - BASQUETE CADEIRA DE ROTAS
FONTE: Disponível em: <http://sportsregras.com/basquetebol-cadeira-
rodas-historia-regras/>. Acesso em: 12 mar. 2017.
Vamos construir o treinamento individualizado e específico para este aluno 
passo a passo, então, preste atenção o que realmente precisa ser analisado e ter sua 
total relevância:
• A etiologia da deficiência, quais são as causas, sequelas e o diagnóstico atual do 
aluno/atleta (capacidades e incapacidades)?
• Quais são as aptidões físicas que devem ser aprimoradas?
• Qual é o objetivo do treinamento, recreacional, aperfeiçoamento ou rendimento?
• Quais cuidados e limites devem ser respeitados?
Agora vamos nos reportar ao aluno:
Sabemos, com base no histórico do aluno, que ele tem 16 anos, é deficiente 
físico, acometido pela paralisia cerebral que afetou somente a mobilidade e 
função motora dos membros inferiores, ele até conseguedeambular, mas devido 
à fraqueza muscular permanece na cadeira de rodas. No que tange aos membros 
superiores e à região torácica, o educando possui ótima mobilidade articular e 
função motora, além de controle cervical e torácico (mantém a postura ereta da 
coluna e cabeça). Seus padrões de força, resistência, capacidade cardiorrespiratória, 
agilidade, velocidade de reação e padrões intelectuais, cognitivos, emocionais e 
psicológicos estão dentro da normalidade. Estes seriam os aspectos relacionados à 
etiologia da deficiência. Nesse momento vamos analisar o segundo tópico, no qual 
você analisou os comportamentos motores e aptidões físicas nas aulas de educação 
física, em que concluiu que ele tem força e precisão na realização de arremesso, é 
ágil, tem boa compreensão e visão de jogo, mas que sua resistência aeróbia está 
um pouco defasada, o que o limita a atuação total da prática da modalidade de 
basquete, modalidade em que ele demonstra um excelente desempenho desportivo. 
Partindo dos dois primeiros tópicos, observamos uma real oportunidade de 
aperfeiçoamento e possível prática de rendimento esportivo para este educando. 
Assim, além da manutenção das habilidades e capacidades já apresentadas, pode-
se considerar o aprimoramento e melhor aproveitamento de outras. Embora reste 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
113
um tópico, não menos importante a ser examinado, existe alguma limitação ou 
cuidado que devemos ter com este aluno? Perante conversa com o educando, 
familiares, médicos que o acompanham e até pelo histórico dele, pelo desuso dos 
membros inferiores, ele apresenta uma osteoporose, que já vem sendo medicada 
há dois anos, mas que segundo relatos, deve-se evitar altos impactos e contusões, 
pois há chance de fraturas. Agora sim temos o perfil completo do educando/atleta, 
agora vamos construir seu treino para que este aluno/atleta venha a participar do 
projeto esportivo da escola.
Treino	específico	de	arremesso	a	cesta:
Treinos diários com arremessos de todas as posições e distâncias, sendo 3 
séries de 20 – 30 repetições. Este exercício deve ser realizado em casa e na escola 
nos dias do projeto. Deverá sempre ter acompanhamento durante a execução do 
treino.
FIGURA 40 - POSIÇÕES DE ONDE DEVE OCORRER O ARREMESSO
FONTE: Disponível em: <http://layup.com.br/cinco-posicoes-basquete/>. 
Acesso em: 12 mar. 2017.
Treino de condicionamento físico:
Treinos diários de ciclo ergômetro e deslocamento. Sendo 5 séries de um 
minuto de leve à moderada intensidade. Este treino será realizado na academia da 
escola, ou com os materiais disponíveis que ela oferece ou na academia com que 
a escola possui parceria. Deverá sempre ter acompanhamento durante a execução 
do treino.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
114
FIGURA 41 - CICLO ERGÔMETRO DE BRAÇO (A) E DESLOCAMENTO COM A 
CADEIRAS EM ROTAS (B)
FONTE: Disponível em: <http://www.polifisio.com.br/loja/cicloergometro-
pedalinho-exercitador-mecanico-para-membros-superiores-inferiores-
liveup-sports-p-1883.html> e <http://www.sportsscience.co/sport/strength-
or-power-for-increasing-vertical-jump/>. Acesso em: 12 mar. 2017.
Treino de força e resistência muscular:
Três seções semanais na academia com exercícios com peso livre/elástico 
de leve à moderada carga e de moderada intensidade, executando em velocidade 
média e com repouso de no máximo um minuto. Este treino será realizado na 
academia da escola, ou com os materiais disponíveis que ela oferece ou na academia 
com que a escola possui parceria. Deverá sempre ter acompanhamento durante a 
execução do treino.
Supino deitado no banco
Rosca alternada
Francesa desenvolvimento militar
Remada baixa
Abdominal supra curto
3 séries de 12 a 15 
repetições, somente o 
abdominal que passa 
a ter 25 repetições
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
115
FIGURA 42 - TREINAMENO DE ELÁSTICO COM CADEIRANTE
FONTE: Disponível em: <http://www.blogdocadeirante.com.
br/2013_02_01_archive.html>. Acesso em: 12 mar. 2017.
Treino coletivo:
Três seções semanais com duração de duas horas, quando serão 
desenvolvidos os fundamentos técnicos, sistemas de jogo ofensivo e defensivo, 
técnicas de queda e proteção e estudo de vídeo (jogos).
FIGURA 43 - ADOLESCENTES EM TREINAMENTO COLETIVO EM UMA ESCOLA
FONTE: Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/pa/noticia2014/01/basquete-
paralimpico-do-para-enfrenta-dificuldades-fora-das-quadras.html>. Acesso em: 12 
mar. 2017.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
116
O que você notou de diferente nesta prescrição de treino? Houve alguma 
modificação significativa?
Não houve modificações tão significativas, apenas algumas adaptações de 
modo de execução/orientação e, é claro, sempre ter acompanhamento durante os 
treinos. Em relação aos cuidados, você notou a prescrição de técnicas de queda e 
proteção?
Este fundamento é essencial para a saúde do atleta/aluno, pois além de não 
se contundir com facilidade, ele irá aprender a enfrentar seu adversário sem medo 
e sem machucá-lo. Esta seria a única modificação mais significativa, embora se 
observada a prática convencional do esporte também é executada, para a prevenção 
e saúde dos atletas, mas que acabamos não dando tanta ênfase, pois é um reflexo 
automático, o cair e levantar sem nenhuma maior restrição e/ou dificuldade.
FIGURA 44 - RUGBY DE CADEIRANTES
FONTE: Disponível em: <http://panamericano.ig.com.br/2015-08-14/quase-radical-rugbi-em-
cadeiras-de-rodas-faz-sucesso-no-parapan-de-toronto.html>. Acesso em: 12 mar. 
2017.
4.14 SOBRECARGA APLICADA AO DEFICIENTE
 
Como em qualquer prescrição de treinamento, devemos nos atentar às 
adaptações ocorridas, os resultados alcançados, mas devemos muito nos preocupar 
com os volumes, intensidades, frequência e duração dos treinos, pois nem sempre 
a resposta almejada será a dada pelo nosso aluno/atleta e a partir disto podemos 
ter ganhos ou então perdas na evolução do aluno/atleta. O princípio de sobrecarga 
de treinamento parte do pressuposto, conforme já vimos anteriormente, que para 
termos ganhos é preciso que seja realizada uma sobrecarga maior do que a que se 
está habituado, pois se você sempre se exercitar da mesma maneira e com mesma 
intensidade não acontecerão evoluções. 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
117
Após algumas semanas de treinamento seu aluno/atleta já lhe trará alguns 
resultados que poderão lhe dar o feedback se o treino prescrito está trazendo 
resultados positivos, assim como os atletas não deficientes as respostas podem ser 
agudas e/ou crônicas, no caso do treino de força e hipertrofia a adaptação ocorre 
entre 4 a 6 semanas de treinamento (BARROSO et al., 2005; SALVADOR et al., 
2016). Assim, a cada ciclo de quatro semanas, em média, é preciso que seja revisto 
o treino, às vezes antes, caso você perceba uma melhora exacerbada de treino ou 
então se seu aluno/atleta venha lhe solicitar, pois é de extrema importância você 
reavaliar as cargas, volumes, intensidade e frequência para que seu aluno tenha 
resultado positivo. Caso haja um exagero de cargas, além de não obter ganhos, 
o aluno pode se lesionar, então é preciso ter muito cuidado e equilíbrio, pois é 
preciso gerar estímulo, mas ele deve ser benéfico, caso contrário, ele passa ser 
maléfico à saúde integral e atlética do aluno.
4.15 CONTINUIDADE COM TREINAMENTO ESCOLAR
O princípio da continuidade está diretamente ligado ao princípio de 
adaptação que o treinamento ocasiona, pois é a partir da continuidade ao longo 
de um determinado período que fará com que ocorram progressivas adaptações 
e consequentemente ganhos e resultados positivos, tanto em ambiente escolar, no 
qual se iniciam os contatos com as modalidades esportivas, quanto nos clubes e 
escolinhas esportivas.
Segundo Tubino (1979), a condição atlética só pode ser conseguida após 
alguns anos seguidos de treinamento e que existe ainda uma forte influência das 
preparaçõesanteriores em qualquer esquema de treinamento em andamento. 
Portanto, a continuidade do treinamento visará com que seu objetivo de 
manutenção, aperfeiçoamento e rendimento de fato sejam alcançados. Ainda 
segundo Tubino (1979), a continuidade de treinamento evita que o treinador/
professor esqueça as etapas importantes na formação atlética do esportista. De 
modo geral, um atleta/aluno que tem um alto desempenho teve uma continuidade 
ao longo de sua preparação, treinamento e também do aprendizado do esporte 
praticado, que veio desde a base do ensino, lá na escola. Portanto, o princípio de 
continuidade perante o treinamento deve estar inserido nos projetos e aulas de 
base de iniciação esportiva das escolas tanto as do ensino regular como as especiais 
(APAEs) não apenas com fim de alto rendimento, mas também recreacional ou de 
lazer, pois esta acaba interferindo tanto em aspectos fisiológicos, mas também, 
nos aspectos psicológicos e entre outros que podem interferir na prática esportiva 
destes educandos, dando-lhes a oportunidade de um melhor desenvolvimento e 
aproveitamento das atividades escolares.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
118
FONTE: Disponível em: <http://universoef.com.br/escolar/ef-inclusiva/intervencao-
profissional-na-inclusao-de-criancas-com-deficiencias-no-ensino-regular/sub>. 
Acesso em: 12 mar. 2017.
FIGURA 45 - AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA
4.16 ENTREVISTA COM PSICÓLOGA ESPORTIVA 
Entrevista com Lua Sobolwsky (CRP 12/12292), psicóloga clínica e do esporte 
com grande experiência na prática desportiva, masculina adulta, feminina adulta, 
assim como de crianças e adolescentes de ambos os sexos. Estamos abordando, 
em um primeiro momento, os princípios do treinamento desportivo, estes são 
princípios que regem a criação e execução do treinamento. Assim, viemos com 
esta entrevista abordar como estes princípios podem ser abordados na psicologia 
esportiva. O objetivo principal da entrevista é demostrar quão importante é a 
psicologia no treinamento de base ou no treinamento escolar e como a psicologia 
se relaciona nos princípios do treinamento. 
1. Os princípios do treinamento são normas que devem ser seguidas se o 
treinador ou professor deseja ter sucesso no treinamento. Princípio da 
individualidade biológica, princípio da adaptação a estímulos, princípio de 
sobrecarga são alguns deles. No estudo da psicologia existe algo semelhante 
aos princípios do treinamento desportivo?
R.: Sim. Para a atuação no esporte, o psicólogo tem a necessidade de ampliar 
seus conhecimentos específicos. Entendendo que o ser humano é seu objeto 
de estudo, e que os processos mentais (cognitivos) e comportamentais são 
os caminhos para a definição/análise/identificação deste sujeito, o psicólogo 
do esporte deve atender aos rigores científicos para a obtenção de resultados 
fidedignos. Cada ser humano é único. E diante disso é necessário que este seja 
avaliado/analisado segundo cinco grandes frentes teóricas:
• Psicologia Experimental – em que se incluem a Psicologia da Aprendizagem 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
119
(como o sujeito aprende), a da Memória (sensorial, curto-prazo, episódica, 
semântica, processual, visual/auditiva, priming) e a da Motivação (o que 
direciona e mantém o comportamento).
• Psicologia do Desenvolvimento – estrutura no entendimento do 
desenvolvimento do sujeito na vida pessoal e esportiva, da infância à idade 
adulta.
• Psicologia da Personalidade – centrada nas diferenças individuais (inatas e 
adquiridas).
• Psicologia Social – voltada às relações interpessoais da equipe esportiva e ao 
desenvolvimento da coesão do grupo. 
• Psicologia Clínica – focaliza os problemas de desajustamento psicológico do 
atleta e suas modificações. 
2. O princípio da individualidade biológica, apesar de muito usado, para 
composição e aptidão física do ser humano, pode ser aplicado para mente 
do ser humano? Se sim, como podemos aplicá-los?
R.: Sim, pode. Pois para a psicologia os indivíduos até podem ser classificados 
em grupos específicos, entretanto não existem indivíduos exatamente iguais 
(nem no caso de serem gêmeos univitelinos). Isso por que, as características 
genéticas, fisiológicas e comportamentais são estimuladas e/ou extinguidas 
pelo ambiente ao qual este sujeito é exposto. Por exemplo, um sujeito pode 
ter seu limiar de dor aumentado ou diminuído de acordo com as experiências 
antecedentes ao estímulo presente. O psicólogo que atua no esporte buscará, 
através da observação dos comportamentos, da identificação das emoções 
(comunicação verbal e/ou verbal) e da investigação (através de conversas 
individualizadas, pesquisas) as especificidades subjetivas de cada atleta, a fim 
de diminuir o estresse, a frustração, pensamentos negativos automáticos, além 
de comportamentos não assertivos, que dificultam ou impedem o atleta na 
obtenção dos resultados individuais (modalidades esportivas individuais) ou 
de equipe. 
3. O princípio da sobrecarga também deve ser levado em conta no treinamento 
mental? Podemos sobrecarregar (no sentido de evoluí-lo) nosso atleta ou 
estudante mentalmente a ponto de no futuro ele estar mais preparado?
R.: Sim. Na psicologia do esporte trabalhamos isso de acordo com a faixa etária. 
Na infância o mais importante é a criança ser estimulada de forma lúdica a 
gostar da prática esportiva. Sem ser cobrada de forma não reforçadora (ou seja, 
punitiva). Desta forma, ela se sentirá estimulada a aprender e querer praticar mais 
a modalidade futuramente, quando pode ser inserida no ambiente competitivo, 
de alto rendimento e com foco em resultado. Já em atletas adolescentes e adultos, 
há a inserção de metodologia de aprendizagem (condicionamento operante*) e 
desenvolvimento de habilidades que diminuam as probabilidades de frustração, 
estresse e pensamentos negativos automáticos.
* Condicionamento Operante refere-se ao procedimento através do qual 
é modelada uma resposta no organismo através de reforço diferencial e 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
120
aproximações sucessivas. É onde a resposta gera uma consequência e esta 
consequência afeta a sua probabilidade de ocorrer novamente; se a consequência 
for reforçadora, aumenta a probabilidade, se for punitiva, além de diminuir a 
probabilidade de sua ocorrência futura, gera outros efeitos colaterais. Então, 
o comportamento que tem como consequência um estímulo que afeta a sua 
frequência é chamado Comportamento Operante. 
4. No ambiente escolar Brasileiro, existe o treinamento psicológico do 
estudante ou atleta escolar? Se sim, como funciona? Se não, o que podemos 
fazer para implementarmos este treinamento?
R.: O modelo de aprendizagem escolar é todo desenvolvido de acordo com 
pesquisas feitas na área da Pedagogia e da Psicologia do Desenvolvimento 
(Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Jean Piaget e Vygotsky). Nessas 
teorias são considerados: o ambiente sócio-histórico (cultural) das crianças, a 
faixa etária dos alunos.
Piaget considera 4 períodos no processo evolutivo da espécie humana 
que são caracterizados "por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no 
decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento. 
São eles:
• 1º período: Sensório-motor (0 a 2 anos): a criança nasce em um universo para 
ela caótico, habitado por objetos evanescentes (que desapareceriam uma vez 
fora do campo da percepção), com tempo e espaço subjetivamente sentidos, 
e causalidade reduzida ao poder das ações. No recém-nascido, portanto, 
as funções mentais limitam-se ao exercício dos aparelhos reflexos inatos. 
Assim sendo, o universo que circunda a criança é conquistado mediante a 
percepção e os movimentos (como a sucção, o movimento dos olhos, por 
exemplo). Progressivamente, a criança vai aperfeiçoando tais movimentos 
reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor 
já se concebendo dentro de umambiente. Ela sabe que age e que pertence ao 
mesmo lugar onde tudo aquilo que ela consegue ver, acontece. 
• 2º período: Pré-operatório (2 a 7 anos): o que marca a passagem do período 
sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica 
ou semiótica, ou seja, é a emergência da linguagem. Nessa concepção, a 
linguagem é considerada como uma condição necessária, mas não suficiente ao 
desenvolvimento, pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva 
que não é dado pela linguagem. Em uma palavra, isso implica entender que o 
desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência. 
A emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspectos 
cognitivos, afetivos e sociais da criança, uma vez que ela possibilita as 
interações interindividuais e fornece, principalmente, a capacidade de 
trabalhar com representações para atribuir significados à realidade. Tanto 
é assim, que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do 
desenvolvimento é atribuída, em grande parte, às possibilidades de contatos 
interindividuais fornecidos pela linguagem. Contudo, embora o alcance do 
TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO
121
pensamento apresente transformações importantes, ele caracteriza-se, ainda, 
pelo egocentrismo, uma vez que a criança não concebe uma realidade da 
qual não faça parte, devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica. 
Para citar um exemplo pessoal relacionado à questão, lembro-me muito bem 
que me chamava à atenção o fato de, nessa faixa etária, o meu filho dizer 
coisas do tipo "o meu carro do meu pai", sugerindo, portanto, o egocentrismo 
característico desta fase do desenvolvimento. Assim, neste estágio, embora 
a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em 
função da aquisição de esquemas sensoriais motores na fase anterior) ela 
apresentará, paradoxalmente, um entendimento da realidade desequilibrado 
(em função da ausência de esquemas conceituais). 
• 3º período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos): estabelece relações e 
coordena pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e integra-os de 
modo lógico e coerente. Este estágio também se refere ao aparecimento da 
capacidade da criança de interiorizar as ações, ou seja, ela começa a realizar 
operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da 
inteligência sensório-motor (se lhe perguntarem, por exemplo, qual é a vareta 
maior, entre várias, ela será capaz de responder acertadamente comparando-
as mediante a ação mental, ou seja, sem precisar medi-las usando a ação 
física).
• 4º período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante): nesta fase se ampliam 
as capacidades conquistadas na fase anterior, já consegue raciocinar sobre 
hipóteses na medida em que somos capazes de formar esquemas conceituais 
abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da 
lógica formal. Com isso, a criança adquire capacidade de criticar os sistemas 
sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais 
e constrói os seus próprios (adquire, portanto, autonomia). Ao atingir esta 
fase, o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio, ou seja, ele consegue 
alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. Isso não 
quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas, a partir do ápice 
adquirido na adolescência, mas esta será a forma predominante de raciocínio 
utilizada pelo adulto. Seu desenvolvimento posterior consistirá numa 
ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade e até 
na aquisição de novos modos de funcionamento mental com certo esforço e 
acompanhamento.
Na escola, não há a participação de um Psicólogo do Esporte. Na escola 
há a presença de um Psicólogo Escolar. Entretanto, este segue as referências e 
princípios descritos acima (e na próxima questão).
5. Existe uma lacuna na formação do professor ou do treinador quanto ao 
como treinar ou ensinar o aluno psicologicamente? Ou isso não seria Papel 
do	professor	e	sim	de	outro	profissional?
R.: Sim. Existe no que diz respeito às relações sociais, e a percepção de que 
há demandas em grupos escolares (identificação de problemas). Essa lacuna 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
122
não se refere ao conhecimento técnico da ciência psicológica e nem de como 
funcionam os processos mentais, mas sim, no desenvolvimento de um treino 
de habilidade social focado na aprendizagem escolar e ensino humanizado. 
Há a necessidade de lembrar professores de como é ser criança/adolescente. 
Fazê-los vivenciar (reviver) questões relacionadas aos problemas infantis e de 
adolescência. Dessensibilizar o medo de fazer contato emocional com alunos. 
Fazê-los entender que sim, “dá mais trabalho”, mas que há um retorno (reforço) 
pessoal intangível neste processo. Aos professores, deve ser novamente instigado 
o prazer no processo de ensinar. No contexto escolar há que se fazer presente o 
psicólogo escolar, este deve focar:
a. No desenvolvimento de programas específicos junto a pais e professores, 
orientando sobre soluções facilitadoras da aprendizagem.
b. Na avaliação dos alunos de acordo com os projetos implementados.
c. Na análise e intervenção relacionadas às interações em sala de aula.
d. No diagnóstico e encaminhamento de problemas relativos a queixas escolares 
(sejam elas vindas de pais, alunos ou professores. No caso de professores, a 
identificação de síndromes como o Burnout*).
 * Distúrbio psíquico de caráter agressivo/depressivo, precedido de 
esgotamento físico e mental intenso.
 
O ambiente escolar não deve ser visto como um ambiente clínico e de 
identificação de patologias ou problemas psicológicos, pois assim, será um 
ambiente focado em problemas. A escola deve ser um ambiente onde sejam 
oferecidas opções estimuladoras de saúde (biopsicossocial). A presença de um 
psicólogo escolar deve fomentar a saúde em seu amplo sentido. Ele deve estar 
atendo e focar na humanização do processo de ensino-aprendizagem. Agindo 
assim, a lacuna será diminuída e o desenvolvimento dos sujeitos envolvidos no 
processo será efetivo.
123
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os princípios são os aspectos cuja observância diferenciará o trabalho feito à 
base de ensaios e erros, do científico.
• Filostratos (séc. II d.C.) mencionou a preparação que o treinador necessita 
e também discutiu sobre treinos individualizados para os atletas da época, 
relacionando-se assim ao princípio da individualidade biológica.
• A civilização grega abordava a importância do descanso e da volta à calma, 
evolução de carga, além de ciclos temporais de treinamento, conhecidos como 
tretas, princípios de sobrecarga, continuidade e importância de um planejamento 
já estavam sendo abordados.
• Durante o período pré-científico, Gerschler deu início ao que conhecemos como 
Interval training.
• No período conhecido como Científico temos a melhoria do Interval training, 
entre outros treinos, com a descoberta de como controlar a frequência cardíaca 
e de como utilizá-la como parâmetro de treinamento.
• Chama-se individualidade biológica o fenômeno que explica a variabilidade 
entre elementos da mesma espécie, o que faz com que se reconheça que não 
existem pessoas iguais entre si.
• O princípio de adaptação pode ser definido como a busca pelo equilíbrio do 
organismo em resposta aos mais variados estímulos e agentes estressores.
• A cada adaptação que você realiza o estímulo necessitado para evoluir é maior.
• Supercompensação é a capacidade do organismo de volta ao seu estado ou em 
um estado melhor que o estado depois de determinado agente estressor agir.
• Continuidade e reversibilidade é quando o organismo se adapta a um nível 
habitual de solicitação, em que os efeitos do treinamento revertem-se, caso o 
indivíduo torne-se mais inativo.
• Existe uma interdependência entre volume e intensidade, quandoo atleta 
aumenta muito abruptamente sua intensidade, logo, o volume que consegue 
percorrer ou treinar diminuirá. Se o atleta resolver realizar um volume de treino 
muito longo não poderá manter uma intensidade alta por muito tempo.
124
• Define-se o princípio da variabilidade como fundamentado no pensamento de 
um treinamento total, um treinamento completo, desenvolvido de modo global, 
utilizando das mais variadas formas de treinamento e naturezas de estímulos.
• O princípio da treinabilidade tem um grande desafio, uma vez que quanto mais 
treinado o atleta mais difícil treiná-lo.
• O princípio da saúde defende que o exercício não deve ser contra a saúde da 
pessoa, ela deve ser um dos cargos chefes do objetivo de se fazer exercício físico.
• Os princípios se inter-relacionam, ou seja, acontecem simultaneamente e assim 
você professor e treinador deve pensar de modo conjunto no momento que irá 
estruturar o treinamento.
• A Educação Especial é uma modalidade de educação que deve ser oferecida 
preferencialmente na regular de ensino para pessoas com necessidades 
educacionais especiais, e no que tange à educação física busca-se adaptar as 
atividades e exercícios às necessidades e capacidades dos alunos portadores de 
necessidades educacionais especiais. 
• No que envolve a educação física adaptada e o treinamento com pessoas 
deficientes devem ocorrer algumas modificações, adaptações e cuidados extras 
que devemos de ter ao longo de todo o período.
125
AUTOATIVIDADE
1 Toda área de estudo tem normas e princípios de atuação. O que são os 
princípios do treinamento desportivo?
2 Quem foi o criador do chamado Interval training, revolucionário que 
conseguiu ser uma inovação na época e vem sendo usado até os dias de hoje 
no treinamento de vários atletas.
a) ( ) Dr. Woldemar Gerschler. 
b) ( ) Willian Kraemer.
c) ( ) Osolin Treinador da URSS.
d) ( ) Pihkala.
3 Defina individualidade biológica.
4 Quando discutimos individualidade biológica, geralmente conversamos 
sobre dois aspectos importantíssimos, são eles:
a) ( ) Genótipo e fenótipo.
b) ( ) Hábitat e os hábitos.
c) ( ) Sobrecarga e individualidade.
d) ( ) Força e resistência.
5 Sobre o princípio desportivo de adaptação selecione a alternativa correta:
a) Tem pouca relação com o princípio da sobrecarga, uma vez que os princípios 
atuam separadamente.
b) Baseia-se na busca permanente de homeostase pelo organismo. 
c) Aplicado somente para atleta de alto rendimento.
d) Todo estímulo de treino é considerado forte, independente da carga anterior 
aplicada. 
6 Selecione a alternativa que possui somente as corretas fases da adaptação e 
na correta ordem de acontecimentos.
a) Fase de resistência, fase de alarme, fase da quase exaustão, fase de exaustão.
b) Fase de ativação, fase de resistência, fase da quase exaustão, fase de exaustão.
c) Fase de alarme, fase de resistência, fase da quase exaustão, fase de exaustão.
d) Fase de alarme, fase de resiliência, fase da quase exaustão, fase de exaustão.
7 Defina o princípio da continuidade.
8 Como deve ser montado o treinamento levando em conta o princípio da 
especificidade?
126
9 Selecione a alternativa correta sobre a inter-relação entre os princípios do 
treinamento.
a) Não é dever do professor saber os princípios e de como se interligam.
b) O princípio da variabilidade não tem relação com o princípio da sobrecarga.
c) É seu dever, como professor, entender e aplicar estes princípios do 
treinamento a fim de buscar a melhor condição física e mental do seu atleta 
e/ou estudante.
d) O excesso de carga que a continuidade pode causar não deve ser levado em 
conta no momento de escolha da sobrecarga do próximo treinamento.
127
TÓPICO 2
O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA 
DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Bem-vindo ao Tópico 2 de nossa unidade! Neste tópico, abordaremos as 
principais atividades esportivas e o condicionamento físico necessário para abordá-
las com excelência. Serão abordadas desde as atividades mais simples e básicas 
que devem ser transmitidas na escola até atividades complexas e específicas dos 
esportes.
O ensino e aprendizagem de um esporte é parte importante da educação 
física, pois esta é, muitas vezes, a base para a iniciação desportiva em determinada 
modalidade. O esporte é uma ferramenta de formação, criação ou lapidação de 
aspectos psicomotores. Pode-se considerar que na aprendizagem esportiva é 
fundamental uma aprendizagem corporal e motora. Quando o estudante aprende 
uma nova modalidade desportiva ele evolui além das concepções do jogo em 
tarefas motoras que exijam equilíbrio, coordenação e ritmo (GAYA; MARQUES; 
TANI, 2004). 
É evidente que se quisermos jogar livremente nada impede que se criem 
exercícios novos, atividades diversas. Porém, não é disso que estamos 
tratando. Trate-se, isto sim, de aulas sobre práticas esportivas formais. 
São aulas de atletismo, de basquete, de futebol, enfim expressões 
da cultura corporal do movimento humano onde estão presentes 
tecnologias corporais formalizadas com objetivos bem definidos (GAYA; 
MARQUES; TANI, 2004, p. 65 – grifo nosso).
2 PLANEJAMENTO 
Apesar de antigamente as práticas desportivas serem criticadas na escola, 
atualmente entende-se que com uma boa elaboração podemos usar o esporte 
como uma ótima ferramenta. Para se ter um planejamento de sucesso no esporte 
devemos conhecer e respeitar as fases (APOLO, 2007):
• Diagnóstico.
• Elaboração.
• Execução.
• Avaliação.
• Reestruturação.
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
128
Sobre as fases de planejamento que compreendem (diagnóstico e 
elaboração) o mais importante é considerar a filosofia do trabalho, levantar 
características e dificuldades, observar a população de aplicação, a aplicação do 
local de treinamento desportivo e o tempo disponível para prática (APOLO, 2007).
Na fase de execução devemos definir a programação (semanal, temporada, 
diária), estabelecer metas baseadas nos conteúdos programáticos. As fases de 
avaliação e reestruturação andam de mãos dadas, uma vez que a avaliação deve 
acontecer de modo interrupto e continuado e servir de base para uma possível 
reestruturação (APOLO, 2007).
2.1 HABILIDADES MOTORAS ENVOLVIDAS
 
Antes de partirmos para as habilidades motoras e atividades físicas 
necessárias em cada esporte e as necessidades específicas de cada esporte, temos 
que entender a classificação das habilidades motoras, alguns autores, tais como 
Scaglia e Souza, 2004; Apolo, 2007; Darido e Souza, 2007, definem a relação com o 
meio como:
• Abertas – Modalidades imprevisíveis, geralmente com uma longa duração e 
que acontecem em lugar aberto, onde os participantes podem se movimentar 
livremente pelo espaço. Exemplos: futebol, basquete, futebol americano.
• Fechadas – Modalidades previsíveis, geralmente curta duração e de circuito 
com posições estabelecidas, assim como trajetos. Exemplos: atletismo e natação.
Quanto à relação com o movimento:
• Discretas: Apresentam começo e fim. Exemplo: atletismo (100 m rasos).
• Contínuas: Sem começo e sem fim. Exemplo: pega-pega.
• Seriadas: apresentam intervalos. Exemplo: treinamento de força.
Quanto à precisão do movimento: 
• Globais: Movimentos de grande amplitude. Exemplo: arremesso de peso.
• Finos: Movimentos refinados, curtos e minuciosos. Exemplo: arco e flecha.
Quanto ao controle de feedback: 
• Circuito aberto: No decorrer da ação não pode ser modificada para melhorar 
suas ações.
• Circuito fechado: No decorrer da ação pode ser modificada para ser melhorada.
 
Agora que as habilidades estão conhecidas, assim como o modelo de sucesso 
para um projeto de desporte com crianças e jovens, iremos começar a descrever 
alguns modelos de treinamentos para crianças e jovens para modalidades mais 
específicas, como esportes coletivos, esportes de colisão e esportes cíclicos.
TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS
129
A abordagem específica de comotreinar as crianças e jovens em variáveis físicas, 
como flexibilidade, força, potência e resistência serão abordadas na próxima unidade.
ESTUDOS FU
TUROS
2.2 TREINAMENTO DE ESPORTES CÍCLICOS PARA JOVENS 
E CRIANÇAS
 
Esportes cíclicos são esportes que apresentam, em sua maioria, o mesmo 
movimento ou habilidade motora continuamente, por exemplo, podemos 
caracterizar a pedalada do ciclismo, ou movimento de braçadas da natação ou 
movimento de passadas da corrida. O esporte cíclico pode ser de longa e curta 
duração. Neste subtópico, aplicaremos, principalmente, o esporte de longa duração 
que necessita de muita resistência muscular, além de características metabólicas e 
cardiovasculares avançadas durante a sua prática. 
Ciclismo – O ciclismo é comum no currículo escolar de alguns países 
mais desenvolvidos, pois a sua prática tem vários benefícios como: aumento 
da resistência, estimula e melhora a coordenação e o equilíbrio, além disso traz 
conscientização ecológica, pois a criança aprende que pode utilizar a bicicleta 
como transporte. O trabalho do professor escolar pode ser ensinar à criança a 
pedalar, uma vez que a urbanização é crescente nos dias de hoje, muitas pessoas, 
devido à falta de espaços com segurança não aprendem a andar de bicicleta. Além 
do caráter básico de aprender a andar de bicicleta, os estudantes que buscam o 
ciclismo mais avançado terão que aprender noções de equilíbrio, o “sprintar” (tiro 
de velocidade) na bike, aprender a correta utilização do “empurrar” e “puxar” do 
pedal e fases da pedalada, pacing (estratégia de prova), entre outros fatores. Você, 
como professor escolar, pode sim organizar aulas de ciclismo em suas aulas de 
educação física, ou um dia da pedalada em que pais e alunos pedalem em conjunto. 
Natação – A natação acontece de modo variado, podendo ser um dos 
estilos de nado, assim como distâncias diferentes (50 m, 100 m, 200 m, 1500 
m etc.), porém para crianças e adolescentes que não são desportistas existe 
ainda o fator aprendizagem ao nado e segurança em meio aquático. Dentre os 
benefícios da natação, podemos destacar: desenvolvimento cardiocirculatório e 
respiratório; correção e manutenção da postura e prevenção de desvios da coluna; 
desenvolvimento motor geral (coordenação e ritmo); condicionamento físico, 
autoconfiança e preservação da vida humana no meio líquido (autopreservação e 
salvamento) (MANSOLO, 1986).
“Muitas crianças e adultos, que iniciam num curso de natação, desistem 
das atividades aquáticas muito antes que os benefícios da prática venham a surtir 
efeito. São inúmeros os fatores que influenciam para que praticantes de atividades 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
130
aquáticas interrompam suas práticas” (FREIRE; SCHWARTZ, 2005, p. 1). Entre os 
fatores que levam à desistência, conforme constado na citação, existe o estresse pré-
competitivo (SOUZA et al., 2012) . Por este motivo que no estágio inicial de ensino 
da natação devemos ensinar de forma lúdica, utilizar fontes lúdicas, sejam elas 
brincadeiras ou estafetas para desenvolver as crianças para somente em uma parte 
mais avançada entrar em um caráter mais competitivo. Na fase inicial, o professor 
deve ensinar: adaptações ao meio aquático, flutuação, maneiras de entrar e sair da 
piscina, face na água, submersão aquática, respiração no meio aquático e posição 
corporal na água e, somente depois, deslocamento na água (LAWTON, 2013). 
Para a natação competitiva outras valências serão trabalhadas, como 
capacidade aeróbia, potência aeróbia, potência muscular, tolerância a acidose, 
entrada e saída da prova, finalização da prova, além de um sistema cardiovascular 
e muscular bem mais preparado (LAWTON, 2013).
Corrida – Assim como a natação, a corrida também tem dependência da 
distância que a prova exigirá, podendo ser 50 m, 100 m, 400 m, 1500 m, 1000 m, 
42 km etc., porém, nós como professores de educação física, na escola, devemos 
ensinar basicamente o ato de correr a todos os estudantes, a coordenação da 
corrida, a corrida saudável, frequência e amplitude de passada, além de o mínimo 
de capacidade de velocidade na corrida e de resistência na corrida.
Para os estudantes que forem se aventurar na corrida de competição, 
outros meios devem ser utilizados, como saídas e chegadas de prova, saídas de 
bloco, estratégia de prova, além de capacidades de velocidade e potência muscular 
sobrecarregadas durante treinamento e sistemas cardiovasculares mais bem 
preparados para aguentar as fortes cargas de treinamento. 
Triatlo – Você deve se perguntar: será possível fazermos o triatlo para as 
crianças e adolescentes? Claro que sim, já existem escolas de triatlo para 7 e 15 anos 
para os estudantes que gostam deste tipo de prática, as modalidades e distância são 
controladas para que todos consigam terminar a prova e a prática continua sendo 
prazerosa aos praticantes. Nesta modalidade em que natação, ciclismo e corrida 
devem ser praticados, todos as modalidades pré-estudadas devem ser aplicadas.
FIGURA 46 - TRIATLO PARA JOVENS E CRIANÇAS
FONTE: Disponível em: <http://www.attaka.or.jp.e.qy.hp.transer.com/kanko/dtl.
php?ID=6427>. Acesso em: 11 mar. 2017.
TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS
131
2.3 MINI JOGOS EM ESPORTES COLETIVOS 
Como sabemos, existem várias maneiras de treinamento para esportes 
coletivos e estas serão abordadas nas disciplinas específica, por exemplo, 
Metodologia do Ensino do Futebol, do Basquete, do Handebol. Portanto, nesta 
parte do tópico abordaremos somente o trabalho dos chamados “Small Games” ou 
“Minijogos” para algumas modalidades (WEIN, 2004; CLEMENTE, 2016).
FIGURA 47 - OS MINIJOGOS, OPORTUNIDADE DE EVOLUÇÃO AOS JOGOS COLETIVOS
FONTE: Wein (2004)
Os “Small Games” ou os chamados de “minijogos” são versões menores 
de um jogo real, estes vêm se mostrando muito populares na última década. São 
muito utilizados para otimizar o tempo de treino e desenvolver capacidades 
fisiológicas e metabólicas mantendo um dos principais princípios do treinamento, a 
especificidade. Além disso, este modelo de treinamento também pode desenvolver 
os padrões táticos de um time ou jogador. 
Além dos motivos destacados acima devemos utilizar os modelos de small 
games, estes podem ser executados com ou sem oposição auxiliando na tomada 
de decisão, possuem uma especificidade de tarefa muito grande, aumentam a 
comunicação e sincronismo entre o time (uma vez que em um treino físico tradicional 
isto não aconteceria), causam adaptações em similares ao treinamento intervalado 
de alta intensidade (adaptações aeróbias, anaeróbicas, potência e velocidade) e 
podem ser divididos em fases de ensinamento ou fases de aprendizagem.
Como usar os small games deve tomar alguns princípios disciplinares com 
padrões antes de sua execução, fisiologia, força, condicionamento, metodologia de 
treinamento, pedagogia e psicologia. A montagem e o design dos small games devem 
ser decididos com base em conceitos pedagógicos e que auxiliem todos a optarem 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
132
pela atividade mais benéfica no sentido de performance. Outro ponto importante é 
a delimitação de complexidade do exercício, uma vez que a tarefa não pode ser tão 
avançada e com tantas tomadas de decisões que acabem retardando a atividade e 
não causando as adaptações fisiológicas necessárias.
FIGURA 48 - MINIJOGOS UTILIZADOS COM DIFERENTES OBJETIVOS A) POSSE DE BOLA 
B) POSSE DE BOLA COM CORINGA C) POSSE DE BOLA COM GOLEIROS
FONTE: Clemente (2016)
Quando os small games são comparados com os métodos tradicionais de 
treinamento, a especificidade do treinamento é um dos fatores que contribuem 
ao condicionamento do atleta ou estudante. Em estudos de rúgbi, os atletas que 
praticaram os small games tiveram melhoras nos sprints de 10, 20 e 40 m, potência 
muscular, potência aeróbica máxima em comparação aos métodos de treinamento 
tradicionais (CLEMENTE,2016).
Além de melhoras físicas é muito importante que entendamos quantas 
melhoras de inteligência acontecem nos esportes coletivos com este tipo de 
abordagem. Professor, o que é inteligência nos esportes coletivos? Este tipo de 
inteligência desenvolve melhor a velocidade da decisão tomada, além de melhorar 
a qualidade das decisões tomadas, o atleta ou estudante entende melhor o jogo, 
pois em um minijogo você pode focar em um determinado tipo de aprendizado, 
por exemplo, ataque ou contra-ataque ou defesa contra um atacante a mais ou dois 
atacantes a mais.
TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS
133
Vários esportes utilizam os minijogos para o treinamento. Um deles 
muito comum é o futebol (soccer) que já apresenta vários estudos com este tipo de 
abordagem. Além deles, o futebol americano e o rúgbi também o utilizam.
Minibasquete 
Outro esporte que utiliza o conceito minijogo é o basquete, utilizado, 
principalmente, com o objetivo principal de desenvolvimento infantil. O campo 
de ação do minibasquete é a infância e os seus objetivos essenciais se dirigem 
à educação. Assim, o mini deve ser um esporte em forma de jogo, para iniciar 
as crianças nas atividades desportivas, prepará-las para o esforço físico do jogo, 
aprender a conduta individual e coletiva de acordo com as regras e assim realizar 
o desenvolvimento moral na criança. O esporte minibasquete não deve ser 
exclusivista, deve ser sempre de integração da criança (MORALES; GRECO, 2007).
FIGURA 49 - CRIANÇAS PRATICANDO O MINIBASQUETE
FONTE: Disponível em: <http://www.superbraga.com/sys_cache/2_1297168198.
jpg> Acesso em: 11 mar. 2017. 
2.4 ESPORTE DE COLISÃO – O CONTATO
 Se o termo esporte de colisão é novo para você não se preocupe, iremos 
explicar o que este termo significa. Os esportes de colisão são os esportes em que 
os participantes realizam colisões propositais com o objetivo de pontuar ou evitar 
pontuação no jogo ou esporte. As colisões podem ser no adversário, mais comum, 
porém podem ser também no chão e também em outros objetos inanimados. 
Alguns exemplos bem claros de esportes de colisão são o futebol americano e o 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
134
rúgbi, sendo também esportes coletivos, boxe e outras lutas, esportes individuais 
também de colisão. Rodeio (variadas formas de rodeio) também é considerado um 
esporte de colisão, uma vez que colisões aconteçam frequentemente ao chão, ao 
touro e/ou outros objetos (COVASSIN; ELBIN; SARMIENTO, 2012; ALIC, 2015).
Sabemos que estes esportes precisam de um treinamento diferenciado, 
os atletas de futebol americano e rúgbi precisam ser fortes, rápidos, potentes e 
resistentes. Porém, como falamos, estas variáveis serão trabalhadas na unidade 
posterior. Então, você, acadêmico, deve estar se perguntando: o que iremos 
discutir agora? Discutiremos um fator muito importante nestes esportes: os níveis 
de contato.
Níveis de contato são a quantidade e a intensidade dos contatos que 
acontecem nos jogos ou treinos, estes contatos são extremamente importantes 
para o resultado do jogo, e assim o seu treinamento também é muito importante. 
Saber tacklear (derrubar) o adversário é algo muito importante, assim como saber 
receber o tackle (derrubada) também é muito importante. Neste caminho, existe um 
grupo de pesquisadores estadunidenses que estão buscando melhorar as técnicas 
de execução e recepção do contato durante os jogos e treinos (KERR et al., 2015).
Para que entenda ainda mais dos níveis de contato, recomendamos que você 
visite o Website do USA Football, que ensina regras, técnicas e disponibiliza cursos gratuitos 
sobre os níveis de contato. Disponível em: <https://usafootball.com/resources-tools/coach/
levels-of-contact/>.
DICAS
Estes pesquisadores criaram os chamados “níveis de contato” que seriam 
uma maneira de controlar e periodizar o contato. Através de estudos, eles perceberam 
que o número de lesões com as normas adotadas diminuiu consideravelmente e 
assim vários programas do país começaram a utilizar este projeto para a melhoria 
do sistema de contato.
Os níveis de contato são separados em cinco classificações:
• Ar ou Intensidade 0 – Praticantes realizam exercícios sem nenhum contato.
• Sacos ou Intensidade 1 – Praticantes realizam exercícios com contato somente 
com o saco de box ou “dummies” de treinamento (tipo de saco para treinamento).
• Controle ou Intensidade 2 – Exercícios são realizados com velocidade controlada 
contra outro praticante até o momento do contato. O treinador determinará um 
participante que é teoricamente o “vencedor”. Contato acima da cintura e os 
participantes não devem ir ao chão.
TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS
135
• Baque (Thud) ou Intensidade 3 – Exercícios são realizados em velocidade 
competitiva até o contato. Nesta intensidade não existe vencedor predeterminado. 
Contato acima da cintura e os participantes não devem ir ao chão e um breve 
som de apito termina o exercício. 
• Full (Intensidade total) ou Intensidade 4 – Exercícios são realizados na velocidade 
e intensidade do jogo, único momento que os jogadores vão ao chão. 
FIGURA 50 - NÍVEIS DE CONTATO
FONTE: Disponível em: <https://usafootball.com/resources-tools/coach/levels-of-contact/>. 
Acesso em: 11 mar. 2017.
USA football recomenda um número limitado de treinos com contato 
durante a semana para evitar lesões e evitar contatos excessivos com a cabeça. 
Durante a pré-temporada são permitidos somente 30 minutos de contato por treino 
e no máximo 120 minutos por semana. Já durante a temporada regular 30 minutos 
por treino de contato “full” e no máximo de 90 minutos por semana (ALIC, 2015; 
KERR et al., 2015). 
Para que isso aconteça recomendamos que os treinos sejam planejados 
antecipadamente, discutidos e mostrados aos demais treinadores, e que o contato 
seja periodizado como qualquer outra valência do treinamento, respeitando os 
limites de periodização. Além disso, devemos dar uma atenção ainda maior no 
ensino de técnicas de derrubada e de recepção da derrubada, ensine e disponibilize 
os níveis de contato aos participantes.
Temos que destacar uma modalidade que também é utilizada na iniciação 
de futebol americano entre outros esportes de contato, ou até mesmo quando os 
treinadores querem treinar somente aspectos táticos sem colisões, o flag football. 
Esta é uma modalidade a parte que utiliza regras semelhantes, porém algumas 
alterações, para que os atletas desenvolvam a velocidade do jogo, assim como 
agilidade. Nesta modalidade, utiliza flag na cintura para simular a derrubada, ou 
seja, não tem colisões na regra do jogo (YOSHINAGA; TAKAHASHI; ONIZAWA, 
2003). 
UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO
136
FIGURA 51 - FLAG FOOTBALL, MODALIDADE SEM COLISÕES
FONTE: Disponível em:<http://www.krbe.com/2017/02/15/flag-football-is-
dangerous-now/>. Acesso em: 12 mar. 2017.
137
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• As fases do planejamento de sucesso no esporte são: diagnóstico; elaboração; 
execução; avaliação; reestruturação.
• As habilidades motoras são divididas em:
Abertas – Modalidades imprevisíveis, geralmente com uma longa duração e que 
acontecem em lugar aberto.
Fechadas – Modalidades previsíveis, geralmente curta duração e de circuito com 
posições estabelecidas assim como trajetos.
Discretas: Apresentam começo e fim.
Contínuas: Sem começo e sem fim.
Seriadas: Apresentam intervalos.
Globais: Movimentos de grande amplitude. Exemplo: arremesso de peso.
Finos: Movimentos refinados, curtos e minuciosos. Exemplo: tiro ao alvo.
Circuito aberto: No decorrer na ação não pode ser modificada para melhorar suas 
ações.
Circuito fechado: No decorrer da ação pode ser modificada para ser melhorada.
• Esportes cíclicos são esportes que apresentam em sua maioria o mesmo 
movimento ou habilidade motora continuamente, por exemplo, podemos 
caracterizara pedalada do ciclismo, ou movimento de braçada da natação ou 
movimento de passadas da corrida. Muito dependentes da modalidade para 
determinar o treinamento.
• Os “small games” ou os chamados de “minijogos” são versões menores de um 
jogo real, estes vêm se mostrando muito populares na última década. São muito 
utilizados para otimizar o tempo de treino e desenvolver capacidades fisiológicas 
e metabólicas, mantendo um dos principais princípios do treinamento: a 
especificidade.
• Níveis de contato são a quantidade e a intensidade dos contatos que acontecem 
nos jogos ou treinos, estes contatos são extremamente importantes para o 
resultado do jogo, e assim o seu treinamento também é muito importante. Saber 
tacklear (derrubar) o adversário é algo muito importante, assim como saber 
receber o tackle (derrubada) também é muito importante.
138
AUTOATIVIDADE
1 Qual alternativa possui todas as fases de um planejamento de sucesso no 
esporte segundo José Jr. (APOLO, 2007):
a) ( ) Diagnóstico; elaboração; execução; avaliação e reestruturação.
b) ( ) Preparo; avaliação; ação e filmagem.
c) ( ) Diagnóstico; elaboração; execução e avaliação.
d) ( ) Elaboração; execução; avaliação e reestruturação. 
2 Exemplifique cada uma das classificações das habilidades motoras presentes 
no quadro com exemplos.
Habilidade motora aberta
Habilidade motora fechada
Habilidade motora discreta
Habilidade motora continuas
Habilidade motora seriadas
Habilidade motora globais
Habilidade motora finas
3 Selecione a alternativa correta sobre os esportes cíclicos e o seu ensino:
a) No estágio inicial de ensino da natação devemos ensinar principalmente de 
forma lúdica.
b) No ciclismo não existem diferenças entre a criança e o adulto quanto ao 
ensino, visto que os dois sabem pedalar. 
c) Na corrida, o simples ato de correr não é importante no treinamento, visto 
que correr é uma atividade naturalmente humana.
d) Triatlo é única exclusivamente uma modalidade de adultos. 
4 O que são os minijogos e com que finalidade são utilizados?
5 O que são os níveis de contato criados pela USA football?
139
UNIDADE 3
MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E 
PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO 
ESPORTIVO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos proporcionar a você:
• construir o conhecimento para a avaliação do crescimento e maturação 
biológica e suas implicações práticas no processo de treinamento esporti-
vo em jovens;
• apresentar os modelos atuais de progressão para o desenvolvimento dos 
diferentes componentes de aptidão física ao longo da infância até o início 
da vida adulta;
• conhecer as principais diretrizes e considerações que devem ser levadas 
em consideração durante a estruturação e planejamento das aulas ou ses-
sões de treino com jovens meninos e meninas.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você 
encontrará atividades que visam à compreensão dos conteúdos apresenta-
dos.
TÓPICO 1 – CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA 
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
TÓPICO 2 – TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLES-
CÊNCIA
TÓPICO 3 – ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE 
TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
140
141
TÓPICO 1
CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E 
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo à Unidade 3 do nosso livro de estudos. 
Para que possamos abordar a temática do treinamento desportivo aplicado 
durante o período da infância e da adolescência, precisamos relembrar brevemente 
alguns conceitos prévios e importantes relacionados ao processo de crescimento, 
maturação e desenvolvimento biológico. 
Veremos que o crescimento, a maturação e o desenvolvimento são 
processos centrais na evolução da criança desde o nascimento (vida pós-natal) até 
a fase adulta. Esse mundo de transformações que ocorre durante as duas primeiras 
décadas de vida é crucial para o desenvolvimento das capacidades motoras de 
toda criança e adolescente. Assim, a criança e o adolescente serão o nosso público-
alvo nesta unidade. Conhecer esses conceitos auxológicos será de fundamental 
importância para compreendermos como o programa de treinamento esportivo 
poderá ser estruturado e individualizado ao seu aluno/atleta nas diferentes fases 
do processo de crescimento e maturação biológica. De fato, apropriar-se desses 
conceitos fará com que as suas futuras intervenções quanto ao planejamento e 
aplicação de diferentes programas de treinamento físico com crianças e adolescentes 
sejam mais efetivas. 
2 OS PERÍODOS ETÁRIOS DURANTE O CRESCIMENTO PÓS-
NATAL
O crescimento pós-natal, de forma comum, embora arbitrariamente, é 
dividido em três ou quatro períodos etários. Temos os seguintes períodos etários: 
1º) início da infância, 2º) pré-adolescência (primeira e segunda infância) e 3º) 
adolescência (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). O início da infância é 
o primeiro ano de vida, mas sem incluir o primeiro aniversário. Esse período 
é caracterizado por um rápido crescimento na maioria dos sistemas e das 
dimensões corporais e de rápido desenvolvimento do sistema neuromuscular. 
Após completar o seu primeiro ano de vida (1º aniversário), entramos na pré-
adolescência. A pré-adolescência que ocorre durante a infância pode ser subdivida 
em primeira infância e segunda infância. A criança entra no que chamamos de 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
142
primeira infância assim que completar o primeiro aniversário até os 4 anos de 
idade (1,0 até 4,99 anos). Ao completar 5 anos de idade, a criança entra na segunda 
infância, que irá até o início da adolescência (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 
2004). Na primeira infância, o crescimento dos sistemas e dimensões corporais 
ainda continua rápido, embora em uma taxa desacelerada, ao passo que durante 
a segunda infância, comparativamente, é um período de progresso relativamente 
mais estável em crescimento físico (ARMSTRONG, 2007). Por fim, ao sair da 
segunda infância, entramos no período da adolescência. Esse período é o mais 
difícil de definir em termos de idade cronológica, em razão da variação no tempo 
de seu início e término. Algumas entidades, como a Organização Mundial da 
Saúde (OMS), definem a idade da adolescência entre 10 e 18 anos, mas as faixas 
etárias entre 10 e 19 anos para meninas e 10 e 22 anos para meninos são mais 
apropriadas como limites para uma variação normal no início e no término da 
adolescência. Agora, independente de qual faixa etária seja assumida, sabe-se 
que durante a adolescência, os principais sistemas corporais se tornam adultos 
em estruturas e funcionalidade, ou seja, eles alcançam a maturidade biológica 
completa (ARMSTRONG, 2007; MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). 
ATENCAO
Toda vez que a palavra “criança” for mencionada estamos nos referindo ao período 
da infância e/ou pré-adolescência. Por outro lado, sempre que usarmos o termo “adolescente” 
estaremos nos referindo ao período da adolescência.
3 DEFININDO CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E 
DESENVOLVIMENTO
Durante este início do Tópico 1, você já deve ter percebido que algumas 
palavras, tais como crescimento e maturação biológica, costumam se repetir 
algumas vezes. E você sabe o que cada uma dessas palavras representa? Será que 
elas indicam o mesmo fenômeno biológico?
O crescimento e a maturação são processos biológicos intimamente 
relacionados. Você verá que normalmente o termo crescimento e maturação são 
frequentemente utilizados juntos e, algumas vezes, até como sinônimos, mas na 
verdade cada um se refere a atividades biológicas específicas.
 
O crescimento é a atividade biológica dominante por cerca das duas 
primeiras décadas da vida humana, incluindo, certamente, os nove meses de 
vida pré-natal. Conceitualmente, o crescimento é definido como um aumento no 
tamanho do corpo como um todo ou o tamanho atingido por partes específicas do 
corpo (BAXTER-JONES; EISENMANN; SHERAR, 2005). Conforme as crianças e os 
TÓPICO 1 |CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
143
adolescentes crescem, elas se tornam mais altas e mais pesadas, tendo um aumento 
em tecidos magros e gordos e em seus órgãos. As alterações no tamanho e peso 
corporal são resultadas de três processos celulares subjacentes: (1) hiperplasia, (2) 
hipertrofia e (3) acrescimento. O crescimento do tecido ósseo, muscular e cerebral 
são exemplos em que esses três processos celulares atuam (MALINA; BOUCHARD; 
BAR-OR, 2004). 
A maturação biológica, por sua vez, é um pouco mais difícil de definirmos 
que o crescimento. A maturação pode ser descrita como o processo contínuo de 
tornar-se maduro ou progresso em direção ao estado biológico maduro (BAXTER-
JONES; EISENMANN; SHERAR, 2005). Perceba que o termo “maturação” 
descreve um processo, enquanto o termo “maturidade” se refere a um estado. A 
maturação ocorre em todos os tecidos, órgãos e sistemas de órgãos. Portanto, a 
maturidade pode variar de acordo com o sistema biológico estudado. A maturação 
tem dois componentes considerados importantes, conhecidos como timing e 
tempo, e por isso merecem destaque também. Timing refere-se a um período em 
que ocorrem eventos de maturação específicos (por exemplo, a idade da menarca 
– primeira menstruação – nas meninas, a idade no aparecimento dos pelos púbicos 
nos meninos e nas meninas, ou ainda a idade no crescimento máximo durante o 
estirão de crescimento). Por outro lado, o tempo se refere à taxa ou velocidade 
na qual ocorrem os progressos de maturação, ou seja, a velocidade com o que o 
adolescente passa dos estágios iniciais de maturação sexual ao estado maduro. 
O timing e tempo variam consideravelmente entre crianças e adolescentes de 
mesma idade cronológica (ARMSTRONG, 2007; BAXTER-JONES; EISENMANN; 
SHERAR, 2005). 
O desenvolvimento, por sua vez, denota um conceito mais amplo, utilizado 
em dois contextos distintos. No primeiro contexto, temos o desenvolvimento 
biológico, que se refere aos processos de diferenciação e especialização das 
células embrionárias. No segundo contexto, veremos que toda criança e 
adolescente passará por um desenvolvimento comportamental, que se relaciona 
ao desenvolvimento de competência em uma variedade de domínios inter-
relacionados. Esse desenvolvimento se refere à aquisição e ao refinamento de 
comportamentos esperados pela sociedade. Pode-se falar do desenvolvimento de 
competência social, competência intelectual ou cognitiva, competência emocional 
ou de bem-estar e competência motora (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). 
 
4 MEDIDAS USADAS PARA A AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO 
E MATURAÇÃO
Caro acadêmico! Vimos anteriormente as definições de crescimento, 
maturação e desenvolvimento. Agora, veremos como o crescimento e a maturação 
biológica podem ser avaliadas e monitoradas em longo prazo de forma prática e 
aplicada às situações de campo (aulas ou sessões de treino). 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
144
4.1 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO
Você sabe que a antropometria é o conjunto de técnicas padronizadas 
utilizadas para a medição sistemática do corpo e de suas partes. A antropometria 
é frequentemente vista como ferramenta tradicional e básica da antropologia 
biológica, mas tem uma longa tradição de uso na Educação Física e na área de 
Ciências do Esporte (PETROSKI, 2003). De fato, a estatura e o peso corporal 
são as grandezas mais comumente utilizadas nos estudos de crescimento. 
Ambas as dimensões são frequentemente medidas com base rotineira e regular 
para monitorar o status de crescimento e progresso da criança e do adolescente 
(MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). Diante da facilidade para medição 
dessas duas variáveis de crescimento e por servirem como base para avaliar o 
processo de maturação somática da criança e do adolescente, é preciso explorar e 
entender um pouco mais, ainda que superficialmente, o padrão de crescimento da 
estatura e do peso corporal ao longo da infância e adolescência. Essas informações 
serão úteis mais à frente no que se refere à organização dos treinamentos, seleção 
dos exercícios e qualidades físicas a serem desenvolvidas e distribuição da carga 
de treinamento.
O percurso do crescimento em estatura e peso corporal pode ser 
representado a partir do uso de duas curvas distintas. Tradicionalmente, as curvas 
de distância (Gráfico 13) e de velocidade (Gráficos 14 e 15) são utilizadas para avaliar 
e monitorar o padrão de crescimento de uma única criança/adolescente ou de uma 
amostra de crianças/adolescentes. A partir do nascimento até a fase inicial da vida 
adulta, tanto a estatura quanto o peso corporal seguem um padrão de crescimento 
de quatro fases: (1ª fase) rápido ganho na infância e no início da pré-adolescência, 
(2ª fase) ganho ligeiramente estável durante o meio da pré-adolescência, (3ª fase) 
rápido ganho durante o estirão do crescimento na adolescência, e (4ª fase) aumento 
lento até que o crescimento cesse com o alcance da estatura adulta (ARMSTRONG, 
2007). É importante ressaltar que o peso corporal, no entanto, geralmente continua 
a aumentar na vida adulta. 
O tipo de curva de crescimento ilustrado no Gráfico 13 é uma curva de 
distância. Essa curva indica o tamanho atingido pelas crianças em determinada 
idade ou a distância que as crianças percorreram no caminho para a estatura 
adulta. Por outro lado, a curva de crescimento da razão ou da velocidade de 
crescimento (cm/ano ou kg/ano) tem uma forma diferente daquela de tamanho 
atingido em estatura e peso corporal. As razões de crescimento para a estatura e o 
peso corporal são apresentadas nos Gráficos 14 e 15, respectivamente, como curvas 
de velocidade.
TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
145
GRÁFICO 14 - CURVAS DE DISTÂNCIA PARA ALTURA (À ESQUERDA) E PESO CORPORAL (À 
DIREITA) PARA MENINOS (LINHA CONTÍNUA) E MENINAS (LINHA PONTILHADA) 
DURANTE O PROCESSO DE CRESCIMENTO
FONTE: Malina, Bouchard e Bar-Or (2004) 
GRÁFICO 15 - TÍPICAS CURVAS INDIVIDUAIS DE VELOCIDADE PARA A 
ESTATURA EM MENINOS E MENINAS
FONTE: Malina, Bouchard e Bar-Or (2004) 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
146
GRÁFICO 16 - TÍPICAS CURVAS INDIVIDUAIS DE VELOCIDADE PARA O PESO 
CORPORAL EM MENINOS E MENINAS
FONTE: Malina, Bouchard e Bar-Or (2004)
Vamos aproveitar para explorar um pouco mais essas curvas de velocidade 
do crescimento em estatura e peso corporal. Você pode ver que a partir do 
nascimento até o término do processo de crescimento, tanto a estatura quanto o 
peso corporal passam inicialmente por uma fase de desaceleração constante, isto 
é, a velocidade com que ganhamos estatura e peso corporal é diminuída. Note, 
contudo, que durante a fase de desaceleração a velocidade de crescimento em 
estatura e peso corporal difere um pouco uma da outra. A velocidade do ganho em 
estatura é diminuída até o início do estirão de crescimento, enquanto para o peso 
corporal essa desaceleração ocorre no início da infância e segundo ano de vida. A 
partir do segundo ano de vida, você pode observar que a velocidade de crescimento 
em peso corporal passa a ser levemente acelerado. Quando a criança e/ou o 
adolescente entrar no período de estirão do crescimento (por volta dos 9-10 anos 
em meninas e 11-12 anos nos meninos), você pode ver que a razão do crescimento 
em estatura e peso corporal aumenta até atingir um pico de velocidade e, então, 
gradualmente diminui até o término do processo de crescimento. De interesse, o 
pico de velocidade em estatura nas meninas ocorre, em média, em torno dos 12 
anos de idade, enquanto nos meninos ocorrerá aproximadamente dois anos mais 
tarde, por volta dos 14 anos. E por fim, o pico de velocidade em peso corporal 
acontece, em média, seis meses após o pico de velocidade em estatura. 
TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
147
ATENCAO
Lembre-se bem desses marcos biológicos (idade cronológica emque se dá o 
início do estirão do crescimento e que se alcança o pico de velocidade em estatura) que 
ocorrem durante a transição da infância/pré-adolescência para a adolescência, pois veremos 
que isso pode variar amplamente em meninos e meninas da mesma idade cronológica. E, 
portanto, tais informações serão de fundamental importância para nortear a prescrição do 
treinamento para seus alunos/jovens atletas.
4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO
Já vimos anteriormente o conceito de maturação e os componentes que 
estão relacionados a esse processo biológico. Vamos agora conhecer os métodos 
mais conhecidos e tradicionalmente usados nos estudos de crescimento para a 
avaliação do nível de maturidade de uma criança e/ou adolescente. A maturação 
esquelética, sexual e somática são os principais métodos de maturidade biológica 
utilizados na prática (BAXTER-JONES; EISENMANN; SHERAR, 2005; BAXTER-
JONES; THOMPSON; MALINA, 2002; MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). 
Apesar dos três sistemas biológicos se correlacionarem razoavelmente bem entre 
si, cuidados são necessários quando inter-relações entre os métodos são feitas. 
As vantagens e desvantagens de cada um desses métodos para avaliação da 
maturidade biológica estão apresentadas no Quadro 3. Como nosso propósito 
aqui é mostrar como esses métodos podem ser usados na prática para auxiliar 
na prescrição do treinamento para crianças e adolescentes, não vamos detalhar 
profundamente as particularidades de cada método de avaliação. Vamos nos 
concentrar em saber quais indicadores de maturidade cada método nos fornece e 
como podemos classificar o nível maturacional de cada criança e/ou adolescente.
QUADRO 3 - DESCRIÇÃO DAS VANTAGENS E DESVANTAGENS ASSOCIADAS A CADA 
METODOLOGIA UTILIZADA PARA A AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO BIOLÓGICA
Vantagens Desvantagens
Maturação 
esquelética
- Aplicada durante todo o processo 
de crescimento.
- Fornece estimativas da idade 
esquelética de forma reprodutível 
e precisa.
- Reflete a maturação de um 
importante sistema biológico.
- Metodologia invasiva (exposição a 
baixo nível de radiação).
- Alto custo (equipamentos).
- Baixa aplicabilidade em situações 
de campo.
- Necessidade de avaliadores bem 
treinados para a interpretação dos 
indicadores de maturidade.
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
148
Maturação 
sexual
- Pode ser avaliada por meio de 
autorrelato após instruções prévias 
detalhadas ao avaliado.
- Pode ser avaliada em campo.
- Baixo custo financeiro.
- Limitado ao período da puberdade.
- Fragmenta o processo de maturidade 
sexual em estágios.
- Não permite estabelecer em que 
momento se deu o início do estágio 
e nem quanto tempo permaneceu 
nesse estágio.
Maturação 
somática
- Pode ser avaliada em situações 
de campo.
- Obtida a partir do registro de 
variáveis antropométricas.
- Equações específicas por sexo 
para predizer a idade do pico de 
velocidade em altura de forma 
transversal.
- Baixo custo financeiro.
- Limitado ao intervalo do estirão do 
crescimento.
- Medidas longitudinais para a 
determinação direta da idade do pico 
de velocidade em altura.
FONTE: Elaborado pelos autores
A avaliação da maturidade esquelética é feita a partir de radiografias 
da mão e do punho. Após a avaliação da radiografia a partir de diferentes 
métodos que usam indicadores e critérios distintos, é possível atribuirmos uma 
idade estimada para o desenvolvimento desse esqueleto. Essa idade estimada é 
conhecida como idade esquelética ou idade óssea, o que representa basicamente 
a idade biológica de cada criança ou adolescente (MALINA; BOUCHARD; BAR-
OR, 2004; MALINA, 2011). A partir da diferença entre a idade esquelética e a 
idade cronológica podemos classificar meninos e meninas em três categorias de 
estatuto maturacional: atrasado (tardio), normomaturo (no tempo) e adiantado 
(precoce). Portanto, futuro professor, se você sabe que sua aluna tem 12 anos de 
idade cronológica e verifica que a idade esquelética dela é correspondente a 10,5 
anos, essa aluna pode ser considerada como atrasada/tardia quanto ao nível de 
maturidade esquelética. Veja na figura a seguir quais são os critérios usados para a 
classificação do estatuto maturacional de seu aluno. 
TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
149
FIGURA 52 - CLASSIFICAÇÃO DAS CATEGORIAS DE MATURIDADE ESQUELÉTICA 
(ATRASADO/TARDIO VS. NORMOMATURO/NORMAL VS. ADIANTADO/PRECOCE) 
BASEADO NA DIFERENÇA ENTRE A IDADE ESQUELÉTICA (IE) E A IDADE 
CRONOLÓGICA (IC)
FONTE: Elaborado pelos autores
A avaliação da maturação sexual é representada nas figuras seguintes 
de meninos e meninas, ilustrando o desenvolvimento dos caracteres sexuais 
secundários, em que os mais utilizados são os pelos púbicos, glândulas mamárias e 
desenvolvimento genital (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004; TANNER, 1962). 
Tanner (1962) classifica em cinco as categorias (estágios) para um dos caracteres. Em 
geral, os traços gerais dos estágios de desenvolvimento dos diferentes caracteres 
sexuais secundários são descritos como: o estágio 1 corresponde ao estado pré-
púbere, isto é, a ausência de manifestação do carácter analisado; o estágio 2 indica 
o aparecimento desse carácter, por exemplo, a elevação inicial da mama nas 
meninas ou o aparecimento da pilosidade púbica em ambos os sexos; os estágios 
3 e 4 caracterizam-se pela continuação do processo de maturação do carácter em 
causa e são, de algum modo, mais difíceis de distinguir; o estádio 5 corresponde 
ao adulto ou estado maduro do carácter avaliado.
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
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UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
154
O momento (idade) em que ocorre o pico de velocidade do crescimento em 
altura e a porcentagem da estatura adulta alcançada em determinado momento são 
os dois principais indicadores de maturidade somática utilizados nos principais 
estudos da área (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). No entanto, para que 
a idade no pico velocidade em altura seja obtida diretamente são necessárias 
avaliações longitudinais abrangendo um intervalo de cerca dos 9-10 anos até os 
16-17 anos de idade, enquanto que para a determinação direta da porcentagem da 
estatura adulta é necessário obter registros longitudinais e proceder ao tratamento 
dos dados, retrospectivamente, uma vez que é necessário “esperar” que a criança 
ou o adolescente alcance a idade adulta. Assim, diferentes equações preditivas têm 
sido propostas para que a idade do pico de velocidade em altura e a porcentagem 
da estatura adulta sejam estimadas a partir de avaliações transversais (KHAMIS; 
ROCHE, 1994; MIRWALD et al., 2002). 
4.2.1 Idade no pico de velocidadeem altura
A partir de equações preditivas específicas propostas e validadas por 
Mirwald e colaboradores (2002) é possível calcular o maturity offset em meninos e 
meninas. 
Equações para meninos:
Maturity offset: -9.236 + (0.0002708 x (comprimento dos membros inferiores 
x altura sentada)) - (0.001663 x (idade cronológica x comprimento dos membros 
inferiores)) + (0.007216 x (idade cronológica x altura sentada)) + (0.02292 x ((massa 
corporal/estatura) x 100)).
Equações para meninas
Maturity offset: -9.376 + (0.0001882 x (comprimento dos membros inferiores 
x altura sentada)) + (0.0022 x (idade cronológica x comprimento dos membros 
inferiores)) + (0.005841 x (idade cronológica x altura sentada)) – (0,002658 x (idade 
x massa corporal)) + (0.07693 x ((massa corporal/estatura) x 100)).
O maturity offset estima a distância, em anos, a que o menino e a menina 
se encontram do pico de velocidade em altura, podendo o valor ser negativo (se 
ainda não alcançou o pico de velocidade em altura) ou positivo (se já ultrapassou 
o pico de velocidade em altura). Para obter a idade no pico de velocidade em 
altura predita, você precisará somar ou diminuir o valor de maturity offset com a 
idade cronológica da criança ou adolescente no caso do valor de maturity offset ser 
negativo e positivo, respectivamente. Baseado nas equações apresentadas acima, 
vocês viram que precisamos avaliar as seguintes medidas: massa corporal (em 
kg), estatura (em cm), altura sentada (em cm) e idade cronológica (decimal) de 
meninos e meninas. O comprimento dos membros inferiores deverá ser estimado 
a partir da diferença entre estatura e altura sentada. 
TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
155
A seguir, você vê um exemplo real de dois meninos (A e B) com 
idades cronológicas próximas (13,50 vs. 13,89 anos), porém com uma variação 
interindividual ampla em relação à idade do pico de velocidade em altura/estatura 
predita. Note que o menino A ainda irá passar pelo pico de velocidade em altura 
(14,80 anos), por isso seu maturity offset é negativo, enquanto o menino B apresenta 
um maturity offset positivo, indicando que ele já passou pelo período de crescimento 
máximo em estatura (12,89 anos).
FIGURA 55 - EXEMPLO PRÁTICO DE DOIS MENINOS (A E B) COM IDADES CRONOLÓGICAS 
PRÓXIMAS (13,50 E 13,89 ANOS), PORÉM COM IDADES NO PICO DE VELOCIDADE 
EM ALTURA (PVA) OU ESTATURA (PVE) DISTINTA
FONTE: Elaborado pelos autores
Nota: IC: idade cronológica; MC: massa corporal; Comprimento MI: comprimento 
de membros inferiores; PVE: pico de velocidade em altura/estatura.
4.2.2 Porcentagem da estatura adulta predita
Os estudos mais recentes têm utilizado o procedimento proposto por Khamis 
e Roche (1994), que prevê para o cálculo da estatura adulta predita a utilização da 
estatura e massa corporal atual da criança ou do adolescente juntamente com a 
estatura média dos pais. A equação está disponível no estudo original. Ela não 
será apresentada aqui, pois o seu entendimento é um pouco mais complicado, o 
que requer mais tempo. Após esse cálculo da estatura adulta predita a partir da 
equação é preciso verificar quanto a estatura atual corresponde da estatura adulta 
predita a partir do seguinte cálculo mostrado a seguir: 
% Porcentagem da estatura adulta predita: (estatura atual/ estatura adulta 
predita) x 100.
Na prática, você observará crianças e adolescentes de mesma idade 
cronológica com diferentes porcentagens de estatura adulta predita alcançada 
em um determinado momento. O gráfico a seguir apresenta um exemplo prático 
de três meninos jovens (A, B e C) com diferentes níveis de maturidade somática 
durante o período da infância e adolescência. 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
156
GRÁFICO 17 - EXEMPLO PRÁTICO MOSTRANDO A PORCENTAGEM DA ESTATURA ADULTA 
PREDITA DE TRÊS MENINOS (A, B E C) DURANTE A INFÂNCIA (7 ANOS), 
ADOLESCÊNCIA (14 ANOS) E VIDA ADULTA (40 ANOS)
FONTE: Armstrong (2007)
157
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os períodos etários que todos nós passamos ao longo das duas primeiras décadas 
de vida pós-natal: início da infância, pré-adolescência ou infância (podendo ser 
dividida em primeira e segunda infância) e adolescência.
 
• O processo de crescimento, maturação biológica e desenvolvimento embora 
sejam inter-relacionados e aconteçam simultaneamente, representam processos 
biológicos diferentes.
• O crescimento representa o aumento no tamanho do corpo como um todo ou 
o tamanho atingido por partes específicas do corpo, enquanto a maturação 
biológica pode ser descrita como o processo contínuo de tornar-se maduro ou 
progresso em direção ao estado biológico maduro.
• A maturação biológica pode ser avaliada por meio de metodologias consideradas 
não invasivas (maturação somática) e invasivas (maturação esquelética e sexual).
• O principal indicador usado na maturação esquelética (considerado padrão-
ouro) é a estimativa da idade esquelética ou idade biológica.
• Os principais indicadores usados na maturação sexual são as características 
secundárias sexuais: pelos pubianos (meninos e meninas), desenvolvimento da 
genitália (somente meninos) e das mamas (somente meninas).
• Os principais indicadores de maturação somática são a idade do pico de 
velocidade em altura/estatura (vimos que há equações preditivas que nos 
permitem ter acesso a essa informação com medidas antropométricas 
transversais) e a porcentagem da estatura adulta predita (também há equações 
que predizem a estatura adulta).
RESUMO DO TÓPICO 1
158
1 Sobre os principais fenômenos biológicos que ocorrem durante as duas 
primeiras décadas de vida, qual é o conceito de crescimento e maturação 
biológica? Esses dois fenômenos biológicos representam a mesma coisa? 
2 Quais são os principais métodos utilizados para avaliar o processo de 
maturação biológica?
3 Enumere os parênteses em aberto à direita de acordo com a metodologia 
de maturidade biológica correspondente aos principais indicadores 
apresentados. 
(1) Maturação esquelética ( ) Porcentagem da estatura adulta predita.
(2) Maturação sexual ( ) Desenvolvimento das mamas.
(3) Maturação somática ( ) Desenvolvimento dos pelos pubianos.
 ( ) Idade esquelética.
 ( ) Desenvolvimento da genitália.
 ( ) Idade no pico de velocidade em altura. 
4 Geralmente, o pico de velocidade em altura durante o estirão de crescimento 
adolescente acontece, em média, com que idade para meninas e meninos?
a) Aos 8 e 9 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.
b) Aos 15 e 14 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.
c) Aos 10 e 11 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.
d) Aos 12 e 14 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.
AUTOATIVIDADE
159
TÓPICO 2
TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E 
ADOLESCÊNCIA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Muitas vezes, quando ouvimos falar em treinamento esportivo, logo 
pensamos em um processo complexo e totalmente planejado, estruturado e 
sistemático para a melhoria única e exclusiva da capacidade física de atletas de 
alto rendimento. Quando pensamos em treinamento esportivo para crianças e 
adolescentes, naturalmente associamos isso àqueles modelos de treinamento 
específicos aplicados em programas esportivos para o desenvolvimento de jovens 
atletas de elite com capacidade para atuar profissionalmente na vida adulta. 
No entanto, sabemos que o número de crianças e adolescentes envolvidos em 
programas esportivos de alto rendimento é relativamente baixo devido a sua 
característica seletiva. Em comparação, podemos encontrar um número muito 
maior de crianças e adolescentes que optam em praticar esportes em uma 
perspectiva apenas recreacional, assim como podemos ter aquelesjovens que 
são extremamente sedentários e não conseguem cumprir as recomendações 
diárias de prática de atividade física. Nesse sentido, seria intuitivamente ingênuo 
negligenciar os potenciais benefícios dos modelos de desenvolvimento físico em 
longo prazo como uma estratégia para melhorar diversos fatores relacionados à 
saúde, aptidão física e capacidade esportiva de todas as crianças e adolescentes, 
independentemente do nível de capacidade física (sedentário, fisicamente ativo ou 
bem treinado).
O interesse pela saúde, aptidão física e bem-estar das crianças e dos 
adolescentes na sociedade atual está em evidência em todo momento devido às 
constantes preocupações com o aumento na prevalência de inatividade física, 
obesidade infantil e sua associação com o desenvolvimento de doenças crônicas 
degenerativas não transmissíveis (DIETZ, 1998; OGDEN et al., 2014). Além 
dessas questões de saúde pública, outras preocupações têm sido apontadas 
em consequência do baixo nível de atividade física habitual das crianças e dos 
adolescentes, tais como maior susceptibilidade à ocorrência de lesões relacionadas 
à atividade física ou ao esporte, constante percepção de cansaço físico e desistências 
da prática esportiva na infância e adolescência (DIFIORI et al., 2014; MATOS; 
WINSLEY; WILLIAMS, 2011). Por essas razões, os modelos de treinamento físico 
para crianças e adolescentes têm como grande desafio propor uma abordagem 
estruturada para evitar a inatividade física e promover o amplo desenvolvimento 
de todas as capacidades físicas desde a infância até a vida adulta. Contudo, 
professores/treinadores devem saber que melhorar a aptidão física de crianças e 
adolescentes é uma questão complexa e dinâmica, devido às diferentes interações 
160
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
de crescimento, maturação e treinamento (LLOYD et al., 2014). Além disso, para 
garantir um desenvolvimento holístico durante a infância e adolescência, os 
profissionais devem estar cientes dos fatores psicossociais, educacionais e de estilo 
de vida que podem afetar o engajamento, a aderência e adesão aos programas 
esportivos ou de atividade física, e a satisfação em geral na prática do esporte nos 
diferentes contextos (alto rendimento, participação/lazer ou educacional).
2 PERÍODOS SENSÍVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS 
CAPACIDADES FÍSICAS
Você já deve ter ouvido falar de períodos sensíveis para o treinamento 
com crianças e adolescentes. Você já ouviu comentários sobre o termo “janela de 
oportunidade”? Será que as adaptações induzidas pelo treinamento esportivo 
estão relacionadas com os diferentes períodos etários e com os estágios de 
desenvolvimento maturacional?
Conceitualmente, esses períodos sensíveis para o treinamento das 
capacidades físicas, também conhecidos como “janelas de oportunidade”, são 
caracterizados como períodos de desenvolvimento ou adaptação acelerada dos 
componentes de aptidão física a partir de um estímulo de treinamento adequado 
durante as diferentes fases de desenvolvimento maturacional da criança e do 
adolescente (FORD et al., 2011a; LLOYD; OLIVER, 2012). Em teoria, o período 
do estirão do crescimento adolescente, no qual meninas e meninos passarão 
por diversas mudanças morfológicas, metabólicas, moleculares, anatômicas e 
endócrinas, parece ser o momento ótimo para a aplicação do treinamento, pois 
é quando vamos visualizar as maiores e principais mudanças na maior parte das 
capacidades físicas e motoras (PHILIPPAERTS et al., 2006). 
As informações disponíveis na área de fisiologia do exercício e treinamento 
físico para populações pediátricas baseado em estudos de design longitudinal 
têm sugerido alguns períodos sensíveis para o desenvolvimento dos principais 
componentes de aptidão física (VIRU et al., 1999). Veremos agora de maneira 
resumida quais são esses possíveis períodos considerados como sensíveis (“janelas 
de oportunidade”) para cada qualidade física.
• Força: sugere-se que a “janela de oportunidade” para o desenvolvimento da 
força em jovens ocorra, em média, 12-18 meses após o pico de velocidade 
em altura, período que coincide com o pico de velocidade em peso corporal. 
A fundamentação por trás dessa informação é que adolescentes passarão 
por períodos de ganhos rápidos de massa muscular como resultado das 
concentrações aumentadas de hormônios anabólicos circulantes.
• Flexibilidade: recomenda-se que o momento ótimo para o desenvolvimento 
da flexibilidade ocorre entre os 6 e 10 anos de idade (meio e final da infância) 
para ambos os sexos. Embora pareça receber menor atenção em programas de 
treinamento durante a infância e adolescência, a manutenção e desenvolvimento 
TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
161
da flexibilidade devem ser parte essencial de qualquer programa de treinamento 
com jovens, especialmente para garantir que crianças e adolescentes sejam 
capazes de atingir amplitudes de movimento adequadas em qualquer prática 
esportiva.
• Aptidão aeróbia (resistência): o período ótimo para o desenvolvimento 
da aptidão aeróbia ocorre no momento que meninos e meninas atingem o 
pico de velocidade em altura. Recomenda-se que a potência aeróbia seja 
progressivamente introduzida após o pico de velocidade em altura, quando a 
taxa de velocidade do crescimento começa a desacelerar. 
• Hipertrofia: sugere-se que a partir da idade de 14 anos para meninos e 12 anos 
para as meninas, o treinamento para o desenvolvimento da hipertrofia muscular 
pode ser enfatizado. Conforme mencionado anteriormente, essas fases de 
desenvolvimento normalmente ocorrem após o pico de velocidade em altura, 
em um momento que os níveis de testosterona e hormônio do crescimento 
circulante rapidamente aumentam de acordo com o estirão do crescimento 
adolescente. Esses aumentos nas concentrações séricas de testosterona, estradiol, 
progesterona tem sido diretamente associada às vias de sinalização celular para 
a síntese proteica. 
• Potência: Períodos de desenvolvimento rápido na potência muscular têm sido 
estabelecidos em crianças pré-púberes entre as idades de 5 e 10 anos. Estes períodos 
de desenvolvimento acelerado são em grande parte atribuíveis à coordenação 
neuromuscular melhorada. Um segundo período de desenvolvimento acelerado 
tem sido mostrado no início da puberdade em meninas entre 9 e 12 anos e em 
meninos entre 12 e 14 anos, com desenvolvimento mais significativo da potência 
muscular de membros inferiores nas idades de 14 e 15 anos. Esse segundo 
período de ganho acelerado está relacionado a uma combinação de fatores 
hormonais, musculares e mecânicos causados pelo início da puberdade (como 
visto com os outros componentes da aptidão).
• Velocidade: Meninos e meninas mostram um similar desenvolvimento da 
velocidade durante a primeira década de vida, com o primeiro período de 
adaptação acelerada sugerido a ocorrer entre os 5 e 9 anos de idade em ambos os 
sexos. A partir dos 12 anos de idade, a taxa de progressão de desenvolvimento 
da velocidade é dramaticamente reduzida em meninas comparada aos meninos. 
Essa diferença entre os sexos é atribuída às mudanças maturacionais em 
dimensão e composição corporal. Por fim, um segundo período de adaptação 
acelerada ocorre entre os 12 e 15 anos de idade nos meninos, enquanto para as 
meninas esse segundo período acontece por volta dos 12 anos de idade.
• Agilidade: Não existe um consenso em relação ao período de desenvolvimento 
acelerado para a agilidade. Talvez, isso possa ser explicado pelas poucas 
evidências na área de prescrição de treinamento para populações pediátricas 
tratando sobre os períodos específicos para a melhoria da agilidade. 
Recentemente, tem sido sugerido que a agilidade deve ser progressivamente 
desenvolvida a partir do meio da infância até o início da vida adulta. 
Apesar do período da puberdade durante a adolescência ser a principal 
fase de mudanças físicas e motoras relacionadas ao processo de maturação 
biológica (BEUNEN;MALINA, 1988), devemos ter cautela na interpretação 
e aplicação desse conceito de períodos sensíveis em relação à estruturação e 
162
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
prescrição de treinamento físico para crianças e adolescentes. As evidências mais 
recentes recomendam que tenhamos cuidado na interpretação do termo “janelas 
de oportunidade”, pois podemos associar isso ao fato de que teremos somente 
esse período para o amplo desenvolvimento dos componentes de aptidão física 
(FORD et al., 2011a; LLOYD; OLIVER, 2012). Em outras palavras, isso significa 
que se não desenvolvermos determinado componente de aptidão física entre o 
exato momento em que a janela para essa aptidão física se abre até o momento 
final em que ela se fecha, perderemos um período considerado chave e, como 
consequência o desenvolvimento de todo o potencial atlético de nossa criança ou 
adolescente poderia ficar comprometido. Na verdade, as evidências recentes vêm 
tentando descontruir essa teoria e pensamento que alguns treinadores/professores 
ainda aplicam na prática, e mostrando que todos os componentes de aptidão 
física e sistemas biológicos são treináveis durante todo o processo de crescimento 
e maturação biológica, isto é, desde a infância até a vida adulta (FORD et al., 
2011a; LLOYD; MEYERS; OLIVER, 2011; LLOYD et al., 2013; OLIVER; LLOYD; 
RUMPF, 2013). Adicionalmente, essas recomendações recentes mostram que não 
há razões para acreditarmos que exista um limiar maturacional para as adaptações 
fisiológicas e de desempenho físico como previamente estabelecido, na qual 
previa que somente após o período da infância ou da pré-puberdade que meninos 
e meninas se favoreceriam de adaptações positivas induzidas pelo treinamento 
físico. Maiores detalhes em relação às novas abordagens para a prescrição do 
treinamento físico em crianças e adolescentes serão destacados e mostrados no 
próximo item deste tópico.
3 MODELOS DE DESENVOLVIMENTO FÍSICO EM LONGO 
PRAZO PARA JOVENS
Durante todo o processo de crescimento e desenvolvimento humano, 
a maior parte das crianças e dos adolescentes é constantemente estimulada a 
se envolver em múltiplos programas esportivos com o propósito de maximizar 
o desenvolvimento das suas capacidades físicas e habilidades motoras 
(CAPRANICA; MILLARD-STAFFORD, 2011; MAIA et al., 2010). Na prática, 
você, enquanto futuro professor/treinador, poderá encontrar/aplicar abordagens 
distintas de modelos de treinamentos para jovens. Geralmente, os programas de 
treinamento físico são planejados e estruturados baseados em resultados em curto 
e longo prazo (BOMPA; CARRERA, 2015).
Apesar do desenvolvimento das capacidades físicas de crianças e 
adolescentes ao longo do processo de crescimento e maturação biológica com 
o intuito de maximizar o sucesso atlético na vida adulta não ser um conceito 
relativamente novo, pesquisadores e professores/treinadores ligados ao esporte têm 
mostrado cada vez mais interesse em conhecer detalhadamente as características 
dos programas atuais de desenvolvimento físico em longo prazo para os jovens 
(LLOYD; OLIVER, 2012). Esses mesmos pesquisadores têm recomendado 
TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
163
fortemente que crianças/adolescentes não sejam tratadas como “adultos em 
miniatura”. Enquanto futuros professores/treinadores devemos saber que crianças 
e adolescentes têm características fisiológicas, físicas e psicológicas totalmente 
distintas daquelas apresentadas por adultos e, portanto, tais diferenças precisam 
ser levadas em consideração durante a estruturação do programa de treinamento. 
Historicamente, os modelos de treinamento físico de crianças e adolescentes 
têm sido fundamentalmente baseados apenas na idade cronológica (CÔTÉ, 
1999). A figura a seguir ilustra de forma simples o processo sequencial para o 
desenvolvimento do componente físico em longo prazo ao longo da infância e 
adolescência (BOMPA; CARRERA, 2015).
FIGURA 56 - ABORDAGEM DE DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES MOTORAS E 
CAPACIDADES FÍSICAS EM LONGO PRAZO BASEADO NA IDADE CRONOLÓGICA 
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
FONTE: Bompa e Carrera (2015)
Você notará que a base da pirâmide, que nós podemos considerar o 
início de qualquer programa de treinamento físico, consiste no desenvolvimento 
múltiplo de habilidades multilaterais. Quando esse desenvolvimento alcança um 
nível considerado aceitável, os jovens atletas estão aptos a se especializar em uma 
determinada modalidade esportiva desejada. Após essa etapa, esse jovem atleta 
é conduzido ao nível de alto rendimento ou à prática de atividades esportivas 
relacionadas ao lazer. Essa proposta temporal do desenvolvimento atlético em 
longo prazo, mostrado por Bompa e Carrera (2015), estabelece que apesar das 
variações interindividuais e da especificidade dos diferentes tipos de esportes, 
o desenvolvimento dos componentes físicos e habilidades motoras das crianças 
e adolescentes deverão ser estruturados e aplicados de forma progressiva. No 
entanto, essa proposta, apresentada na figura acima, apresenta um panorama 
mais simplista, especialmente por estabelecer a progressão do treinamento 
164
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
físico para crianças e adolescentes baseado apenas na idade cronológica. Esses 
modelos estruturados dentro de uma perspectiva apenas cronológica têm sido 
considerados falhos e amplamente criticados na literatura (FORD et al., 2011a). A 
partir desse contexto, novas abordagens são necessárias e, de fato, alguns modelos 
interessantes vêm propondo novos direcionamentos de forma mais compreensiva 
para o desenvolvimento das capacidades físicas em longo prazo ao longo de toda 
infância e adolescência (LLOYD; OLIVER, 2012). 
Recentemente, uma nova abordagem para o desenvolvimento físico 
em longo prazo para jovens, conhecido em inglês como “Long-Term Athletic 
Development – LTAD”, tem ganhado destaque na área de condicionamento e 
prescrição do treinamento físico para crianças e adolescentes (FORD et al., 2011a; 
LLOYD; OLIVER, 2012). Esse modelo LTAD tem proposto que o nível maturacional 
da criança e/ou adolescente seja levado em consideração durante a organização e 
prescrição do treinamento, diferente daquelas propostas que têm usado apenas a 
idade cronológica como referencial. Esse modelo baseado na inter-relação entre 
crescimento, maturação e treinamento, que respeita as fases do crescimento e o 
nível de desenvolvimento maturacional da criança/adolescente, possibilita uma 
abordagem mais adequada e individualizada, maximizando o desenvolvimento 
de todo potencial atlético desse jovem e minimizando o risco de lesões ao longo do 
tempo, seja dentro do ambiente escolar ou contexto esportivo (LLOYD; OLIVER, 
2012). 
Na prática profissional, alguns professores/treinadores ainda se baseiam 
naquele conceito que as adaptações induzidas pelo treinamento em jovens ficam 
restritas somente ao período da adolescência, isto é, crianças pré-púberes não serão 
responsivas aos sucessivos estímulos do treinamento durante a fase da infância/
pré-adolescência. Esse novo modelo LTAD proposto por Lloyd e Oliver (2012) 
estabelece novas perspectivas de treinamento para crianças e adolescentes para 
além daquela abordagem que tem sido fundamentada na ideia que o treinamento 
dos diferentes componentes de aptidão física deva ser enfatizado apenas naqueles 
períodos de adaptação acelerada, conhecidos como “janelas de oportunidade”, 
na qual as adaptações induzidas pelo treinamento parecem ser maximizadas 
(VIRU et al., 1999). Portanto, dentro de uma perspectiva mais prática, esse novo 
modelo LTAD procura mostrar que não há apenas um único momento ideal para 
a aplicação de diferentes regimes de treinamento visando ao aprimoramento das 
principais capacidades físicas consideradas essenciais para a saúde das crianças e 
dos adolescentes, e para que esses jovens consigam ter bons rendimentos durante 
a práticade programas esportivos. Com isso, pensar que o treinamento das 
principais capacidades físicas deve ficar exclusivamente restrito àquele período de 
rápido desenvolvimento natural que cada uma das diferentes capacidades físicas 
e motoras apresenta pode ser uma abordagem ultrapassada. Você verá, logo a 
seguir, a partir de recomendações mais atualizadas, que as capacidades físicas 
relacionadas ao desenvolvimento motor em sua maior parte, apesar da diferença 
na magnitude das adaptações entre o período da infância e da adolescência, são 
treináveis e devem estrategicamente ser estimuladas também ao longo de toda a 
TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
165
infância (MORAN et al., 2016), não se restringindo aos períodos sensíveis (“janelas 
de oportunidade”) específicos de cada capacidade física comumente observada 
durante o período de estirão em crescimento da adolescência. 
A partir de uma perspectiva integrativa, esse novo modelo de LTAD tem 
estabelecido uma proposta para o desenvolvimento físico de jovens desde o 
início da infância (2 anos de idade) até a vida adulta (21 + anos de idade). Os 
modelos de desenvolvimento físico para meninos e meninas, nas figuras acima, 
podem ser visualizados logo a seguir. Esse modelo mais completo e baseado em 
evidências atuais fornecerá aos treinadores, professores e também aos pais uma 
base de informações consistentes para maximizar o desenvolvimento físico global 
em longo prazo de qualquer criança e adolescente envolvidas no esporte de 
rendimento, no esporte participação/lazer ou no esporte educacional. Você verá 
que dentro desse modelo teórico, a ênfase do treinamento ao longo da infância 
e adolescência é destacada a partir do aumento no tamanho da fonte (ou seja, 
quanto maior for o tamanho da fonte, mais importante é o treinamento para aquela 
aptidão física em questão). Por exemplo, se trabalharmos com meninas entre 10 
e 11 anos, o modelo mostra que devemos primeiramente focar o treinamento 
dessas meninas para o desenvolvimento da agilidade, velocidade, força e potência 
muscular juntamente com as habilidades específicas dos esportes (possivelmente 
mais de 1 ou 2), que elas praticam durante as aulas de Educação Física ou sessões 
de treino em clubes esportivos. Por outro lado, treinamentos voltados para o 
ganho de massa muscular (hipertrofia), potência e capacidade aeróbia (endurance) 
e condicionamento metabólico devem ter um foco reduzido nesta faixa etária com 
meninas entre 10 e 11 anos de idade.
166
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
FIGURA 57 - UM NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES FÍSICAS 
EM MENINOS AO LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA LEVANDO EM 
CONSIDERAÇÃO AS DIFERENTES FASES DO CRESCIMENTO E MATURAÇÃO 
BIOLÓGICA
FONTE: Adaptado de Lloyd e Oliver (2012)
Nota: O tamanho da fonte refere-se à importância no desenvolvimento dessa 
qualidade física; caixa azul clara refere-se ao período da infância, caixa azul escura refere-
se ao período da adolescência. HMS: habilidades motoras fundamentais; HEE: habilidades 
específicas ao esporte que pratica; PVA: pico de velocidade em estatura.
TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
167
FIGURA 58 - UM NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES FÍSICAS 
EM MENINAS AO LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA LEVANDO EM 
CONSIDERAÇÃO AS DIFERENTES FASES DO CRESCIMENTO E MATURAÇÃO 
BIOLÓGICA
FONTE: Adaptado de Lloyd e Oliver (2012)
Nota: O tamanho da fonte refere-se à importância no desenvolvimento dessa 
qualidade física; caixa rosa clara refere-se ao período da infância, caixa rosa escura refere-
se ao período da adolescência. HMS: habilidades motoras fundamentais; HEE: habilidades 
específicas ao esporte que pratica; PVA: pico de velocidade em estatura.
É importante lembrar que esse modelo teórico foi apresentado para nortear 
a prescrição de treinamento em crianças e adolescentes levando em consideração 
os diferentes eventos maturacionais que acontecem durante todo o processo 
de crescimento humano. É importante deixar claro para você que os modelos 
apresentados nas figuras acima consideram uma situação em que estamos 
trabalhando com meninos e meninas que tem um ritmo maturacional normal 
(normomaturos), isto é, que não são nem atrasados (tardio) nem adiantados 
(precoce) no nível de maturidade biológica. No entanto, em um contexto prático de 
treinamento em ambientes esportivos e escolares, você, enquanto futuro professor/
treinador encontrará jovens alunos/atletas de diferentes faixas maturacionais, 
idades, sexos e experiência em treinamento. Portanto, nos próximos itens veremos 
como as diferenças relacionadas à idade e à maturação biológica podem ser 
manipuladas para que a prescrição se torne cada vez mais individualizada e 
apropriada para as características dos seus jovens alunos/atletas. 
168
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
3.1 DIFERENÇAS RELACIONADAS AO SEXO
Embora seja amplamente reconhecido que meninos se envolvem de maneira 
mais regular em esportes jovens do que as meninas durante a juventude, houve um 
aumento do número total de crianças e adolescentes que participam ativamente em 
esportes juvenis organizados na última década. Ao trabalhar com jovens, qualquer 
professor/treinador deve estar ciente das diferenças fisiológicas e maturacionais 
que existem entre meninos e meninas. Dessa forma, os programas de treinamento 
devem ser individualizados e específicos para meninos e meninas. Durante os anos 
pré-púberes (meio e final da infância), meninos e meninas basicamente seguirão 
taxas de desenvolvimento semelhantes em crescimento e maturação, e apesar das 
consistentes diferenças relacionadas ao sexo, força, velocidade, potência, aptidão 
aeróbia e coordenação irão se desenvolver em taxas similares para ambos os sexos 
ao longo da infância (ARMSTRONG, 2007; MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 
2004). Consequentemente, considerando uma perspectiva prática, tanto as meninas 
quanto os meninos podem seguir programas de treinamento semelhantes durante 
os anos da pré-puberdade. O modelo LTAD preconiza que o foco de treinamento 
para meninos e meninas seja direcionado ao desenvolvimento de habilidades de 
movimentos fundamentais, força, velocidade e agilidade.
Após o início do estirão de crescimento adolescente, as diferenças de 
maturação são aparentes para quase todos os componentes da aptidão física, com 
os meninos melhorando a maioria das qualidades físicas mais que as meninas, com 
exceção da flexibilidade (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). Tipicamente, 
o início do estirão de crescimento adolescente ocorre cerca de 2 anos antes em 
meninas (cerca de 10 anos de idade) do que em meninos (aproximadamente 12 anos 
de idade) (IULIANO-BURNS; MIRWALD; BAILEY, 2001), e na maioria dos casos, 
as meninas experimentam o pico de velocidade em altura em uma idade mais cedo 
que meninos (12 anos versus 14 anos, respectivamente) (BEUNEN; MALINA, 1988). 
Durante o estirão de crescimento adolescente, as meninas passarão por processos 
fisiológicos específicos do sexo que podem afetar o desempenho/rendimento 
físico: aumento da massa gorda, taxas diferenciais de desenvolvimento da força 
neuromuscular, da altura e do peso; início do ciclo menstrual, frouxidão articular 
aumentada, aumento do ângulo valgo do joelho; e dependência aumentada no 
uso do membro inferior dominante em situações de aterrisagem ao solo, todas 
associadas a um risco aumentado de lesão do ligamento cruzado anterior sem 
contato (HEWETT; MYER; FORD, 2004; HEWETT; ZAZULAK; MYER, 2007). 
Consequentemente, o modelo LTAD sugere que estratégias de treinamento 
destinadas a reduzir o risco de lesões do ligamento cruzado anterior sem contato, 
como treinamento pliométrico, fortalecimento do core, treinamento de força e 
treinamento de equilíbrio, devam ser utilizadas nos programas de treinamento 
físico de jovens meninas e mantidas até a idade adulta.
TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVONA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
169
3.2 TREINAMENTO PARA JOVENS: MATURAÇÃO TARDIA VS. 
PRECOCE
Por causa da ampla variabilidade interindividual no timing de maturação, 
é necessário que qualquer modelo de treinamento físico específico para crianças 
e adolescentes contenha um grau de flexibilidade (LLOYD et al., 2012). Uma 
criança ou adolescente com nível de maturidade biológica avançada (precoce) tem 
sido previamente definida como uma menina ou menino que inicia seu estirão 
de crescimento adolescente aproximadamente 1,5 ou 2 anos mais cedo que uma 
criança ou adolescente de ritmo maturacional tardio (GASSER et al., 2001). No 
contexto prático, você enquanto futuro professor/treinador de condicionamento 
físico deverá perceber que uma criança ou adolescente de ritmo maturacional 
tardio ou precoce precisará ser tratado de forma um pouco diferente comparado a 
uma criança ou adolescente classificado como normomaturo (ritmo maturacional 
normal). 
Na prática, podemos pensar que se uma criança é classificada como 
adiantada no nível de maturidade biológica (precoce), então os componentes do 
modelo para o desenvolvimento físico em longo prazo precisarão ser movidos 
para a esquerda, permitindo assim que a criança ou o adolescente inicie técnicas 
de treinamento mais avançadas em uma idade cronológica anterior ou mais nova. 
Por outro lado, os componentes do modelo LTAD devem ser direcionados para a 
direita no caso de trabalhar com uma criança ou adolescente que é considerado 
como atrasado no processo maturacional (tardio), introduzindo-os assim a um 
treinamento mais avançado em uma idade cronológica posterior ou mais velha, 
momento em que eles estarão fisiologicamente prontos para lidar com o aumento 
do estímulo de treinamento. Em qualquer um destes casos, embora a prescrição 
de treinamento varie de acordo com a idade cronológica, deve-se permitir maior 
consistência e maior precisão em termos da idade biológica da criança e do 
adolescente.
Como vimos no Tópico 1, existem algumas metodologias não invasivas que 
possibilitam estimar a idade do pico de velocidade em altura ou a porcentagem da 
estatura adulta alcançada em um determinado momento. A partir disso, podemos 
estruturar e aplicar diferentes programas de treinamento e condicionamento físico 
para crianças e adolescentes de acordo com o nível maturacional de cada um 
deles, respeitando, dessa forma, as individualidades biológicas. Por exemplo, se 
trabalharmos com um grupo de meninos ou meninas classificadas como Pré-PVA 
(> 1 ano antes do PVA) ou <85% da estatura adulta predita alcançada, os programas 
de treinamento devem ser estruturados para promover prioritariamente positivas 
adaptações neurais e, por consequência, proporcionar ganhos de força, potência 
e velocidade. Agora, se trabalharmos com jovens entre 89% e 95% da estatura 
adulta predita alcançada (meio e final da puberdade), os programas devem ser 
direcionados para induzir tanto adaptações neurais quanto adaptações estruturais. 
Por fim, se trabalhar com um grupo de jovens com 95% ou mais da estatura 
170
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
adulta predita alcançada, caracterizando assim a pós-puberdade, a organização 
e aplicação dos programas de treinamento deveriam ser fundamentalmente 
baseados em promover significantes ganhos de força, potência e velocidade por 
meio do desenvolvimento da hipertrofia muscular.
171
Neste tópico, você aprendeu que:
• Crianças e adolescentes passam por períodos de adaptação ou desenvolvimento 
natural acelerado, comumente conhecido como “janela de oportunidade”, que 
é caracterizada por um momento de sensibilidade aumentada às adaptações 
induzidas pelo exercício ou treinamento.
• A maior parte das capacidades físicas (velocidade, força, potência, aptidão 
aeróbia) apresenta a sua fase de adaptação ou desenvolvimento natural acelerado 
próximo ao período de máximo crescimento em altura/estatura (ou seja, o pico 
de velocidade em altura).
• Ao mesmo tempo, um novo modelo proposto por Lloyd e Oliver (2012) propõe 
que todas as capacidades físicas devem ser progressivamente desenvolvidas ao 
longo de toda a infância e adolescência em meninos e meninas. De fato, esse 
novo modelo questiona um pouco aquele paradigma de que o treinamento de 
qualquer capacidade física deveria ser exclusivamente restrito ao período de 
adaptação acelerada (“janela de oportunidade”).
• Esse mesmo modelo apresenta também uma proposta mais aprofundada em 
relação à estruturação e desenvolvimento dos principais componentes da 
aptidão física levando em consideração o nível de desenvolvimento biológico 
da criança e do adolescente, e não apenas baseado na idade cronológica.
• Recomenda-se que a potência muscular, e principalmente a força muscular, 
seja integralmente desenvolvida desde o início da infância até o início da vida 
adulta em meninos e meninas a partir de diferentes progressões de exercício e 
modalidades de treinamento.
• Programas de treinamento voltados para o desenvolvimento da hipertrofia 
muscular, aumento da aptidão aeróbia e treinamentos de característica metabólica 
devem ser aplicados em direção ao final da puberdade e pós-puberdade (final 
da adolescência).
• O programa de treinamento precisa ser individualizado para cada criança e 
adolescente, considerando especialmente as diferenças relacionadas ao sexo e 
à maturidade biológica. Por exemplo, um menino com um ritmo maturacional 
mais rápido (adiantado) pode iniciar exercícios mais complexos em uma idade 
cronológica mais cedo que aquele menino que apresente um ritmo maturacional 
mais lento. Obviamente que isso só deverá acontecer se esse jovem aluno/atleta 
já dominar as competências técnicas necessárias para tal. 
RESUMO DO TÓPICO 2
172
AUTOATIVIDADE
1 Defina o que representa o termo “janelas de oportunidade”.
2 Assinale com verdadeiro (V) ou falso (F) as sentenças a seguir, considerando 
as recomendações do modelo LTAD previamente apresentado em relação ao 
desenvolvimento dos principais componentes de aptidão física em crianças 
e adolescentes.
a) ( ) A progressão do treinamento físico para crianças e adolescentes deve ser 
baseada apenas na idade cronológica.
b) ( ) Os modelos de progressão do treinamento físico estruturado dentro de 
uma perspectiva apenas cronológica têm sido considerados falhos e tem 
recebido algumas críticas, especialmente por não considerar as variações 
interindividuais no ritmo de desenvolvimento biológico.
c) ( ) O nível maturacional da criança e/ou adolescente não precisa ser levado 
em consideração durante o processo de organização e prescrição do 
treinamento.
d) ( ) O modelo LTDA proposto baseia-se na inter-relação entre crescimento, 
maturação e treinamento, respeitando assim as fases do crescimento e o 
nível de desenvolvimento maturacional da criança/adolescente, assim como 
possibilitando uma abordagem mais adequada e individualizada.
e) ( ) O modelo apresentado estabelece que todas as capacidades físicas e 
habilidades motoras devem ser progressivamente estimuladas desde o 
início da infância até a vida adulta, ainda que o nível de importância de cada 
qualidade física varie ao longo da infância e adolescência.
f) ( ) De acordo com o modelo TTDA, o treinamento aeróbio (endurance) e 
condicionamentos metabólicos devem ser enfatizados desde os anos iniciais 
de formação do jovem aluno/atleta.
g) ( ) Durante o período da infância, as principais adaptações induzidas pelo 
esforço ou treinamento são mais relacionadas aos fatores neurais, enquanto 
que no período da puberdade as mudanças podem ser atribuídas aos 
componentes neural e estrutural.
3 Preencha o quadro a seguir mencionando quais são os componentes físicos 
ou motores que devem ser desenvolvidos prioritariamente nos diferentes 
períodos etários da infância e adolescência em meninos e meninas?
Início da Infância Meio da Infância Puberdade Final da Adolescência
173
TÓPICO 3
ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOSPROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA 
E ADOLESCÊNCIA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste último tópico, veremos como os diferentes componentes da 
aptidão física podem ser progressivamente desenvolvidos ao longo da infância 
e da adolescência. No entanto, devemos lembrar que para uma formação mais 
holística da criança e do adolescente, além do componente físico devemos levar em 
consideração o desenvolvimento psicológico, comportamental e social de todos. 
De fato, esses três últimos fatores não foram o foco da Unidade 3, por isso ficaremos 
mais atentos à estruturação e periodização dos programas de treinamento físico nos 
diferentes períodos etários ao longo de todo processo de crescimento e maturação 
biológica da criança e do adolescente. 
2 TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA PARA CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES
A capacidade de realizar e sustentar um determinado esforço físico por 
longos períodos de tempo é comumente chamado de resistência aeróbia ou 
aptidão aeróbia. De fato, a aptidão aeróbia não é simplesmente uma habilidade 
exclusiva de corredores, nadadores, remadores, ou esquiadores de cross-country de 
longas distâncias como se pensava anteriormente. O desenvolvimento da aptidão 
aeróbia também é de fundamental importância para a maioria das jovens crianças 
e adolescentes praticantes de esportes de equipe (handebol, futebol, basquetebol, 
rugby, hóquei de grama). Maiores níveis de aptidão aeróbia durante a infância e 
a adolescência farão com que os futuros alunos/atletas envolvidos em qualquer 
programa de prática esportiva lidem melhor não somente com as constantes 
cargas de treinamento e competição impostas sobre eles, mas também com as 
tarefas escolares e as demandas físicas da vida diária de qualquer jovem (BOMPA; 
CARRERA, 2015). De um modo geral, as principais modalidades de exercício 
usadas para o desenvolvimento da aptidão aeróbia envolvem corrida, ciclismo, 
natação, remo, canoagem, triathlon. Além disso, programas recreativos utilizando 
as modalidades coletivas como estratégia para o aumento da aptidão aeróbia são 
ferramentas viáveis e úteis tanto no contexto escolar quanto nos clubes esportivos.
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
174
2.1 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO AERÓBIO
Crianças e adolescentes de ambos os sexos e diferentes níveis de 
treinamento podem se beneficiar de qualquer programa de treinamento aeróbio 
bem estruturado e supervisionado desde o início da infância até o início da vida 
adulta. Entre os maiores benefícios de um programa de treinamento aeróbio bem 
planejado estão (ARMSTRONG; BARKER, 2010; BOMPA; CARRERA, 2015):
• Aumentos nos valores de consumo máximo de oxigênio (VO2max).
• Aumento do volume sistólico e débito cardíaco.
• Redução dos valores de frequência cardíaca de repouso.
• Redução do risco de complicações cardíacas.
• Aumento do número de hemoglobinas.
• Melhora da economia de movimento.
2.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PRESCRIÇÃO DO 
EXERCÍCIO AERÓBIO EM JOVENS
Segundo Armstrong e Barker (2010), um programa de treinamento 
apropriado para aumentar a potência aeróbia de crianças e adolescentes deve incluir 
modos de exercícios contínuos e intermitentes, usando os grandes grupamentos 
musculares, com uma frequência mínima de 3-4 sessões de treino com duração entre 
40 e 60 minutos por semana ao longo de no mínimo 8 a 12 semanas. Além disso, 
a intensidade do exercício durante as aulas ou sessões de treino deve variar entre 
85-90% da frequência cardíaca máxima. A seguir serão brevemente apresentadas 
as principais considerações que devem ser pensadas durante o planejamento e 
estruturação das aulas ou sessões de treino para o desenvolvimento da aptidão 
aeróbia ao longo da infância e adolescência. 
Pré-puberdade (meninos: 0-12 anos; meninas: 0-11 anos)
De uma maneira geral, a infância pode ser caracterizada por um período 
em que as crianças podem apresentar baixos níveis de coordenação motora e 
economia de movimento. Além disso, as crianças parecem apresentar uma baixa 
tolerância aos esforços de longa duração, especialmente por elas considerarem 
esse tipo de atividade como uma tarefa de baixa motivação (BOMPA; CARRERA, 
2015). 
O principal objetivo do treinamento para meninos e meninas na fase da 
pré-puberdade é progressivamente tornar essas crianças capazes de realizar 
qualquer forma de atividade física por um período de tempo mais prolongado 
antes de experimentar o cansaço. As aulas ou sessões de treino voltadas para o 
desenvolvimento da aptidão aeróbia nessa fase do processo de crescimento devem 
ser exclusivamente lúdicas por meio de desafios, jogos não estruturados e tarefas 
de baixa complexidade física. O desenvolvimento da aptidão aeróbia nessa fase não 
deve, em hipótese alguma, ser proposto de uma maneira altamente estruturada e 
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
175
controlada como, por exemplo, propor voltas de corrida para uma dada distância 
ou velocidade. Isso, de fato, seria um grande desserviço para as crianças. Lembre-
se de que crianças têm um baixo nível de concentração e atenção e, portanto, não 
devem ser consideradas como adultos em sua versão mais jovem. Se a atividade 
pretendida não for atraente e divertida, eles estarão mais propensos a querer parar 
o exercício ou associar o exercício à fadiga. Esse modelo de desenvolvimento da 
aptidão aeróbia não funcionará com crianças. Eles irão facilmente ficar entediados 
com esse padrão de aula ou sessão de treino e, podem ainda prematuramente 
apresentar sintomas de fadiga/cansaço exagerado. 
Durante a pré-puberdade, crianças parecem lidar melhor com atividades 
ou exercícios que sejam curtas em duração e requeiram velocidade. De modo 
algum ofereça atividades competitivas com distâncias acima de 100-200 metros. 
Estas distâncias não devem ser aplicadas em programa algum de exercício aeróbio 
para meninos e meninas pré-púberes porque as crianças não são capazes de 
tolerar a percepção de esforço e fadiga aumentada específica que ocorre neste tipo 
de atividade de alta intensidade. Somente ao final da adolescência professores/
treinadores são encorajados a incorporar essas distâncias nos programas esportivos 
de seus jovens alunos/atletas. O período da infância é o momento de introduzir 
diferentes formas de brincadeira e jogos não estruturados, e também envolver as 
crianças em minijogos com pequenas regras simplificadas e com a menor rigidez 
possível. Além disso, para facilitar as restrições e programação, as crianças devem 
jogar durante o tempo que for divertido e não estressante.
Puberdade (meninos: 12-15 anos; meninas: 11-15 anos)
Uma vez que meninos e meninas entram na puberdade, seu nível de 
aptidão aeróbia melhora progressivamente, mas com padrões diferentes entre os 
sexos. Enquanto os meninos aumentam sua aptidão aeróbia desde a infância até 
o início da vida adulta, as meninas parecem melhorar a sua capacidade aeróbia 
até o meio/final da puberdade (ARMSTRONG; WELSMAN, 2000; ARMSTRONG, 
2007). Devemos pensar que o início da puberdade representa o ponto de partida 
para a elaboração de um programa de treinamento um pouco mais estruturado 
(BOMPA; CARRERA, 2015). Qualquer programa de treinamento de aeróbio 
para jovens adolescentes durante a puberdade tem como propósito continuar 
desenvolvendo todos os componentes relacionados à aptidão aeróbia. Neste 
período, o desenvolvimento das características aeróbias será ainda mais benéfico, 
pois os alunos/atletas lidarão melhor com o aumento no número de horas de 
treinamento por semana e também com a demanda total do treinamento, que 
aumentará progressivamente durante a puberdade e pós-puberdade. Maiores 
níveis de aptidão aeróbia também proporcionará uma capacidade de recuperação 
mais rápida entre as sessões de treinamento, tornando os jovens adolescentes 
melhor condicionados para tolerar uma carga de treinamento progressivamente 
crescente. 
Como muito dos jovens nesse período estarão envolvidosna prática de 
algum programa esportivo, considere desenvolver a aptidão aeróbia por meio dos 
trabalhos técnicos e táticos específicos de cada modalidade esportiva. Eventualmente, 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
176
se você estiver trabalhando com jovens atletas dentro de um ambiente esportivo 
mais formal e estruturado, introduza a realização de treinamentos físicos para o 
aprimoramento da aptidão aeróbia específica para determinada modalidade. Isto é, 
propor certos tipos de treinamento aeróbio não significa necessariamente executar 
voltas e mais voltas controlando o tempo. Professores e treinadores podem fazer 
as aulas ou sessões de treino mais agradáveis e estimulantes, variando a distância 
e terreno e organizando um treino mais desafiador. Para esportes de equipe, os 
professores/treinadores podem definir a duração de exercícios técnicos e táticos 
com o desenvolvimento da aptidão aeróbia em mente. Por exemplo, pode propor 
uma atividade que dure entre 3 a 5 minutos com propósito de reforçar os padrões 
técnicos, aprimorar os conceitos táticos e desenvolver a aptidão aeróbia de maneira 
específica ao esporte praticado (BOMPA; CARRERA, 2015).
Final da Adolescência (meninos: 16+ anos; meninas: 15+ anos)
Conforme nossos jovens alunos/atletas melhor se adaptam ao treinamento, 
o custo energético para uma determinada tarefa se torna mais efetiva e econômica, 
fazendo com que o desempenho físico melhore constantemente. As diferenças 
biológicas, assim como as diferenças de desempenho físico entre meninos e 
meninas continuam crescendo ainda mais durante a fase final da adolescência 
ou pós-puberdade. Embora haja maior visibilidade sobre o esporte masculino, 
não esqueça que temos grandes exemplos de atletas femininas que mostram suas 
habilidades esportivas em um nível de desempenho excelente, tais como a tenista 
Serena Williams e a jogadora de futebol Marta. 
A partir da base aeróbia construída na fase da pré-puberdade e puberdade, 
as aulas ou sessões de treino agora se tornam mais específicas para atender às 
exigências do esporte que nosso aluno/atleta pratica de maneira mais formal e 
estruturada. Contudo, treinadores/professores devem lembrar que não precisam 
excluir as outras opções de treinamento visando ao aprimoramento de competências 
técnicas. Podemos pensar juntos, que durante os dois ou três primeiros anos dessa 
etapa do processo de crescimento podemos desenvolver os componentes de 
capacidade e potência aeróbia geral para os esportes coletivos ou individuais. E 
então, nas etapas finais da fase final da adolescência, quando nossos alunos/atletas 
estão se aproximando da vida adulta, maior ênfase é dada sobre os treinamentos 
mais específicos respeitando a demanda fisiológica do esporte praticado por eles 
(BOMPA; CARRERA, 2015).
2.3 TREINO DE FORÇA PARA JOVENS E CRIANÇAS – 
PARADIGMAS
Existem várias dúvidas quando discutimos o treinamento para jovens. 
Devemos treinar força com os jovens? Se sim, como treinaremos? Se não, por que 
não? O treino de força prejudica o crescimento e desenvolvimento da criança, ou, 
pelo contrário, ele auxilia?
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
177
De modo genérico, podemos classificar o treinamento de força como 
o conjunto de treinamento realizado com o objetivo de melhoria da força, 
resistência e potência muscular. Temos que lembrar que treinamento de força não 
necessariamente quer dizer halterofilismo ou culturismos, treinamento de força para 
jovens e crianças não deve ser isso. No treinamento de força não necessariamente 
são utilizadas cargas máximas como nestes esportes, e muito em particular para 
crianças e jovens, uma sobrecarga com pesos que se conseguem realizar poucas 
repetições já causa adaptações necessárias (FAIGENBAUM; WESTCOTT, 2009).
Acreditamos que não se deve dedicar o jovem exclusivamente ao 
treinamento de força, porém este é um ótimo complemento para que o jovem 
desenvolva força e saúde. Segundo Faigenbaum e Westcott (2009), dois grupos de 
crianças precisam do treinamento de força são eles:
• Crianças com fraco desenvolvimento das atividades físicas regulares ou diárias, 
resultado da vida cada vez mais sedentária. Este grupo está em crescente 
aumento.
• Crianças desportistas, um grupo em menor escala, necessidade para realização 
de certos gestos desportivos com excelência e acima de tudo segurança para 
evitar lesões.
Entre os modelos de treinamento que podem ser utilizados com crianças e 
jovens destacam-se os exercícios calistênicos, exercícios de peso livre, os exercícios 
de máquina e os exercícios pliométricos, todos possuem pontos positivos e negativos 
(FAIGENBAUM; WESTCOTT, 2009). Exercícios calistênicos, como flexões de braço, 
apresentam um custo muito barato, porém com certa limitação quanto ao número 
de exercícios que podem ser feitos, principalmente para crianças e adolescentes 
com sobrepeso. Exercícios com máquinas têm os benefícios de serem mais fáceis 
para realizar por serem mais controlados, porém temos os problemas de a maioria 
das máquinas não serem construídas para as crianças, e terem um custo muito 
elevado. Já os exercícios com pesos livres e os exercícios pliométricos parecem 
ser a melhor escolha, visto que o praticante se adapta facilmente ao equipamento 
como, por exemplo, cordas, caixotes, barras e halteres. Além disso, a quantidade 
de exercícios que podem ser realizados é muito vasta. Além disso, se pensarmos 
em um custo e benefício, esta também é uma boa escolha.
2.4 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO DE FORÇA E POTÊNCIA
Crianças e adolescentes de ambos os sexos e diferentes níveis de treinamento 
podem se beneficiar de qualquer programa de treinamento de força e potência 
bem estruturado e supervisionado de forma segura desde o início da infância até o 
início da vida adulta. Entre os maiores benefícios de um programa de treinamento 
resistido bem prescrito estão (FLECK; KRAEMER, 2014):
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
178
• Aumento da força, potência e resistência muscular (capacidade de um ou 
mais músculos realizar múltiplas repetições com uma determinada resistência 
externa).
• Melhora da saúde cardiovascular, metabólica e óssea.
• Melhora no desempenho em tarefas específicas ao esporte.
• Menor susceptibilidade ao desenvolvimento de lesões relacionadas à prática 
esportiva.
• Melhora na saúde mental como, por exemplo, aumento na percepção de bem-
estar psicológico e desenvolvimento de hábitos saudáveis em longo prazo.
• Melhora na capacidade cognitiva, melhorando assim o rendimento escolar de 
crianças e adolescentes.
2.5 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO 
EXERCÍCIOS NA MÁQUINA E DE PESO LIVRE
Caro acadêmico! Você concordará conosco que a estruturação de um 
programa de treinamento de força para jovens envolve muito mais do que 
simplesmente prescrever o número de séries e repetições. Um bom programa 
de treinamento de força com jovens envolve instrução e supervisão, juntamente 
com uma progressão adequada das cargas, um aquecimento dinâmico adequado 
e uma compreensão que nossos jovens alunos/atletas não são simplesmente 
adultos em “miniatura”. Uma vez que os diferentes componentes da aptidão 
física vão melhorando durante a infância e adolescência como resultado natural 
do desenvolvimento biológico, um fator-chave na estruturação e planejamento 
de qualquer programa de treinamento de força é equilibrar as demandas do 
treinamento com a necessidade para recuperação entre os diversos estímulos. 
Com uma prescrição apropriada de todas as variáveis agudas de treino, levando 
em consideração não apenas a idade cronológica, mas também o nível de 
maturidade biológica da criança e do adolescente, o treinamento de força pode ser 
uma atividade agradável para meninos e meninas com diferentes necessidades, 
objetivos e habilidades motoras (LLOYD et al., 2012).
Veremos agora como podemos estruturar as aulas ousessões de treino para 
o desenvolvimento da força, resistência e potência muscular usando exercícios na 
máquina, pesos livres (halteres e barras), medicine ball e faixas elásticas durante 
todo o processo de crescimento e desenvolvimento biológico. De um modo geral, o 
quadro a seguir estabelece recomendações básicas para a progressão dos exercícios 
em um programa de treinamento de força com jovens (FLECK; KRAEMER, 2014). 
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
179
QUADRO 4 - DIRETRIZES BÁSICAS PARA A PROGRESSÃO DO TREINAMENTO DE FORÇA EM 
CRIANÇAS A PARTIR DE EXERCÍCIOS CALISTÊNICOS, MÁQUINAS, PESO LIVRE, 
MEDICINE BALL E FAIXAS ELÁSTICAS
Faixa Etária Considerações
5-7 anos
Introduza a criança aos exercícios básicos com pouca ou nenhuma 
resistência externa; desenvolva o conceito de uma aula ou sessão de 
treino; ensine as técnicas corretas dos exercícios; progrida de exercícios 
calistênicos realizado com peso corporal, exercícios em dupla, e então 
exercícios com carga leve; mantenha o volume e intensidade de treino 
baixo.
8-10 anos
Gradualmente, aumente o número de exercícios; pratique as 
competências técnicas para todos os exercícios; inicie a progressão 
gradual das cargas levantadas por aparelho; mantenha exercícios de 
baixa complexidade; aumente o volume lentamente; cuidadosamente 
monitore a tolerância da criança ao esforço induzido pelo exercício.
11-13 anos
Ensine as técnicas básicas de todos os exercícios; continue progredindo 
lentamente a carga de cada exercício; dê ênfase nas competências 
técnicas; introduza exercícios um pouco mais avançados com pouca 
ou nenhuma resistência.
14-15 anos
Progrida para programas de treinamento de força de nível 
intermediário; adicione componentes específicos ao esporte praticado 
pelo adolescente; aumente o volume e intensidade gradualmente.
16+ anos
Entra em programas de treinamento de força mais avançados após 
adquirir as competências técnicas necessária nos estágios anteriores.
FONTE: Fleck e Kraemer (2014)
Considerações para o treinamento de força na infância
Quando o programa de treino é interessante e desafiador, e o professor/
treinador está engajado e motivado, as crianças e os adolescentes raramente 
perdem uma aula ou sessão de treino. Segundo Fleck e Kraemer (2014), a aderência 
de jovens em um bom programa de treinamento de força pode ser superior a 95%. 
Principalmente durante o período da infância ou pré-puberdade, precisamos ser 
criativos na elaboração da aula ou treino e atenciosos no momento que conversamos 
com nossas crianças.
Embora seja lógico assumir que exercícios mais pesados produzam melhores 
resultados, nesse período do meio para o final da infância (7-10 anos de idade), 
meninos e meninas respondem favoravelmente a curtas sessões de treinamento 
e conseguem excelentes ganhos de força fazendo mais repetições (entre 10 e 15) 
com cargas moderada durante as semanas iniciais. Em geral, recomenda-se que 
seja realizado entre 8 a 10 exercícios com uma frequência de 2 a 3x por semana 
(FAIGENBAUM, 2000). Quanto às possibilidades de exercícios, meninos e meninas 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
180
nesta fase da pré-puberdade podem não se ajustar adequadamente às maquinas 
disponíveis nos ginásios de aula ou treino, uma vez que os membros inferiores 
e superiores de crianças são mais curtos. Nesse caso, professores/treinadores 
podem propor diferentes exercícios usando principalmente medicine ball e faixas 
elásticas, exercícios com o próprio peso corporal ou ainda com peso-livre (halteres 
de peso leve). Além disso, durante as aulas de Educação Física ou sessão de treino, 
o desenvolvimento de diversas estações (treinamento em circuitos) ao redor do 
ginásio ou local de treino se mostra uma excelente e estimuladora estratégia para 
o aumento da força, resistência e potência muscular em jovens (FAIGENBAUM; 
WESTCOTT, 2009). Lembre-se de que o programa de treinamento deve sempre 
contemplar exercícios que fortaleçam não somente os músculos dos membros 
superiores e inferiores, mas também toda musculatura da região do tronco.
IMPORTANT
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Considerações práticas:
Ao trabalhar com jovens meninos e meninas nessa fase da pré-puberdade, duas coisas são 
fundamentais: instrução competente e supervisão adequada. As instruções devem ser claras 
e concisas, com explicações curtas e demonstração de todos os exercícios. Em relação à 
supervisão, jamais permita que eles façam qualquer exercício sem um supervisor por perto. 
Isso é válido também para exercícios feitos em casa. Instrua pais e familiares que esse ambiente 
familiar e confortável pode reduzir a consciência de segurança e nível de concentração da 
criança durante a prática.
Considerações para o treinamento de força na puberdade
O período da puberdade é um momento do desenvolvimento biológico 
crítico de meninos e meninas. Ao mesmo tempo em que ocorre uma melhora na 
maior parte dos componentes de aptidão física como consequência das mudanças 
induzidas pelo processo de maturação biológica, é esperando que os jovens 
experimentem rápidos crescimento no crescimento dos membros, o que pode causar 
alguns desconfortos e/ou redução momentânea na coordenação motora (LLOYD et 
al., 2012). Consequentemente, é imperativo que nesta fase, professores/treinadores 
monitorem essa taxa de crescimento de seus jovens alunos/atletas (já vimos como 
fazer isso lá no Tópico 1 desta unidade) e estejam ciente da possível redução nas 
competências técnicas de diferentes tarefas motoras. Portanto, em um primeiro 
momento, o foco das aulas ou sessões de treino estará baseado na reaquisição das 
competências técnicas e coordenação motora geral e específica. Depois desse período 
de rápido crescimento em estatura, que coincidirá com o pico de ganho em massa 
corporal, principalmente por meio do aumento da massa muscular, as aulas ou 
sessões de treino poderão ser planejadas para enfatizar um incremento progressivo 
nas cargas levantadas em cada exercício. 
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
181
De modo geral, recomenda-se que meninos e meninas façam entre 1-3 séries 
de 6 até 15 repetições, podendo realizar entre 2 a 3 sessões por semana em dias 
não consecutivos. Dependendo do nível do seu aluno/atleta, você pode prescrever 
um programa incluindo entre 8 e 12 exercícios para os diferentes grupamentos 
musculares (tronco, membro superior e inferior) por meio da combinação entre 
exercícios multiarticulares e monoarticulares de cadeias cinética fechada e aberta. 
Além disso, outras modalidades de exercício além de máquinas e peso livre podem 
ser usadas como, por exemplo, medicine ball e faixas elásticas (FAIGENBAUM, 2000). 
Considerações	para	o	treinamento	de	força	no	final	da	adolescência
A maioria dos jovens de 15 a 18 anos é grande o suficiente para treinar 
em máquinas de resistência de tamanho adulto, especialmente aqueles que 
envolvem movimentos de empurrar ou puxar, tais como “leg press”, supino reto, 
puxada máquina. Eles também são capazes de executar a maioria dos exercícios 
de peso livre corretamente e com segurança a partir de uma boa instrução técnica 
e adequada supervisão profissional. Como recomendação geral para esses jovens 
adolescentes já se encaminhando para o final da adolescência e início da vida adulta, 
o programa de treinamento pode ser baseado entre 3-6 séries de 6 até 15 repetições 
cada dependendo dos objetivos e capacidade atlética de seu jovem aluno/atleta. 
Iniciantes no treinamento de força nessa faixa etária podem começar com 1-2 séries 
de 10 a 15 repetições e progredir para 2-3 séries de 6 a 12 repetições após quatro 
a oito semanas de treinamento (FAIGENBAUM; WESTCOTT, 2009). No entanto, 
note que nem todos os exercícios precisam ser executados para o mesmo número de 
séries. Se o tempo total de treinamento for limitado, considere executar uma série 
para os exercíciosde pequenos grupos musculares e séries múltiplas nos exercícios 
de grande grupamento muscular. Como o desenvolvimento de outras capacidades 
físicas também é importante nessa fase final do processo de crescimento, uma 
frequência de treinamento de 2-3x por semana em dias não consecutivos parece ser 
apropriada para a maioria dos adolescentes.
Possibilidades de exercícios com pesos livres, máquinas, medicine ball e 
faixa elástica
Veremos de forma ilustrativa algumas das possibilidades de diferentes 
modos de exercícios para o desenvolvimento da força, potência e resistência 
muscular com crianças e adolescentes.
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
182
FIGURA 59 - POSSIBILIDADES DE EXERCÍCIOS COM PESOS LIVRES 
FONTE: Adaptado de: FAIGENBAUM; WESTCOTT (2009) 
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
183
Levantamento de Peso (Weightlifting) como estratégia de treino em jovens 
A modalidade de levantamento de peso tem sido usada e recomendada 
para o desenvolvimento da força, potência e velocidade em jovens envolvidos em 
programas de treinamento dentro de ambientes esportivos e escolares (LLOYD et 
al., 2012). O levantamento de peso refere-se a uma modalidade esportiva olímpica, 
que inclui os exercícios “snatch” e “clean e jerk” (STONE et al., 2006). O “snatch” e 
o “clean e jerk” são exercícios multiarticulares muito complexos que requerem uma 
sequência estruturada de movimentos para mover a barra do chão para a linha 
acima da cabeça em 1 (snatch) ou 2 (cleand e jerk) movimentos (LLOYD et al., 2012). 
Ao ensinar estes levantamentos aos seus jovens alunos/atletas, é necessário que o 
professor/treinador de força e condicionamento use uma abordagem estruturada e 
lógica. Em todos os momentos, especialmente na infância, o foco na aprendizagem 
do levantamento de peso deve ser única e exclusivamente colocado na competência 
técnica (não indicado o uso de qualquer tipo de carga/peso durante estes exercícios). 
Portanto, é recomendado que durante a infância, meninos e meninas devem sempre 
começar por realizar os levantamentos com um bastão de madeira ou um longo 
pedaço de cano PVC ao invés do uso de uma barra de levantamento de peso oficial 
(LLOYD et al., 2012). Uma vez que a proficiência técnica pode ser completamente 
demonstrada, só então é recomendado que a criança e/ou adolescente possa usar a 
barra de levantamento de peso de tamanho juvenil, que tipicamente pesa 5-10 kg. 
O professor/treinador precisará usar de todo seu conhecimento e experiência para 
decidir depois qual será o momento adequado que seu jovem aluno/atleta estará 
pronto para usar uma barra de levantamento de peso de tamanho normal.
A figura a seguir apresenta um modelo compreensivo e estruturado 
para progressão e desenvolvimento das competências técnicas nos exercícios de 
levantamento de peso (snatch, clean e jerk). 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
184
FIGURA 60 - MODELO DE PROGRESSÃO PARA A MODALIDADE DE LEVANTAMENTO DE PESO 
AO LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
FONTE: Adaptado de Lloyd et al. (2012)
Ao planejar e estruturar os programas de levantamento de peso para seus 
jovens alunos/atletas, as seguintes variáveis: volume, intensidade, velocidade 
de repetição, frequência e recuperação devem ser consideradas para garantir o 
desenvolvimento atlético ideal e minimizar o risco de lesão. Vocês devem sempre 
lembrar que as seguintes recomendações devem ser aplicadas dentro do contexto 
das necessidades individuais de cada um dos seus alunos/atletas e, portanto, 
tais variáveis de treinamento deverão sempre ser individualizadas. Lembre-se 
de consultar também outras fontes de informações para ampliar o conhecimento 
em relação à estruturação e planejamento do treinamento de força por meio da 
modalidade de levantamento de peso (“snatch” e “clean e jerk”). O quadro a seguir 
apresenta um resumo das diretrizes de prescrição de treinamento de levantamento 
de peso ao longo da infância e adolescência.
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
185
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UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
186
Veremos a seguir quais são os principais tópicos que devemos considerar e 
ter atenção em relação à manipulação das variáveis agudas de treino mencionadas 
no quadro acima.
Volume
• Para meninos e meninas durante o Estágio 1 (infância), o volume da aula ou 
sessão de treino deverá ser maior comparado aos últimos estágios. Pode-se chegar 
até 2-4 séries de 6-12 repetições. Ainda, recomenda-se que um feedback verbal em 
tempo real seja fornecido a cada repetição. Em outras palavras, se o aluno estiver 
fazendo algo de errado, peça para ele parar, forneça as instruções adequadas e, 
então solicite que ela faça novamente. 
• Os exercícios no Estágio 1 deverão ser de baixa complexidade, baixa sobrecarga 
articular e baixo impacto, preferencialmente usando o peso corporal da própria 
criança.
• No Estágio 2 recomenda-se a realização de séries múltiplas entre 3-5 repetições, 
fornecendo também um feedback verbal a cada repetição.
• Na transição do Estágio 2 para os dois últimos estágios, o volume dentro de cada 
sessão é reduzido, enquanto a intensidade é progressivamente aumentada.
Intensidade
• No Estágio 1, meninos e meninas deverão trabalhar com o próprio peso corporal. 
• No Estágio 2, fase de aprendizagem do levantamento de peso, cargas baseadas no 
percentual de uma repetição máxima (%1RM) podem ser usadas.
• O uso de cargas percentuais do 1RM é considerado preferível ao invés de se 
basear no levantamento de cargas máximas para um dado número de repetições 
(por exemplo, 10 repetições), especialmente para evitar que jovens alunos/atletas 
treinem até a falha.
Velocidade de repetição
• É necessário que dentro de cada estágio do modelo de progressão existam 
movimentos explosivos, exigindo assim que a velocidade de execução seja rápida.
• No Estágio 1, a maior parte dos exercícios precisará ser feito com o movimento 
lento e controlado. No entanto, o professor/treinador pode propor outros exercícios 
mais simples e já dominados tecnicamente pelo aluno/atleta para incluir esse 
elemento de movimentos rápidos.
Frequência
• Jovens devem acumular entre 2 a 3 horas no máximo de aulas ou sessões de treino 
usando a modalidade levantamento de peso.
• Como regra geral, podem ser realizadas múltiplas sessões com durações curtas 
(30 a 40 min) ao longo da semana.
• Quando os nossos jovens alunos/atletas se encaminham para os estágios finais 
do modelo de progressão, a frequência de aulas ou sessões de treino por semana 
podem chegar a 5 vezes.
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
187
Recuperação
• Como recomendação geral, um período de recuperação de 48 horas entre as 
aulas ou sessões de treino parece ser o ideal.
• Com crianças pré-púberes e adolescentes no início da puberdade, esse tempo de 
recuperação entre as aulas ou sessões de treino podem chegar até 72 horas.
• Ao trabalhar com jovens, fique atento aos principais sintomas de um processo 
de recuperação física inadequada, o que pode cronicamente sinalizar 
supertreinamento (overtraining): redução da capacidade física, percepção de 
fadiga constante, infecções das vias aéreas superiores, qualidade de sono 
diminuída, mudanças de humor e perda de peso acentuada.
 
2.6 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO 
EXERCÍCIOS PLIOMÉTRICOS
Pliometria refere-se a uma modalidade do treinamento de força, expressado 
principalmente na forma de saltos ou pulos, na qual um“alongamento” excêntrico 
do músculo é rapidamente terminado por uma potente contração isométrica, 
iniciando desta forma um reflexo de estiramento biotático ou muscular, o qual irá 
melhorar a ação concêntrica subsequente (LLOYD; MEYERS; OLIVER, 2011). O 
treinamento pliométrico tem sido uma estratégia excelente e segura para promover 
adaptações positivas (aumento de desempenho) na capacidade de produção 
de força e potência muscular, velocidade de corrida e economia de movimento 
(BOMPA; CARRERA, 2015; FAIGENBAUM, 2000; FLECK; KRAEMER, 2014; 
MORAN et al., 2016). Tais capacidades motoras são determinadas por um padrão 
muscular específico conhecido como ciclo alongamento-encurtamento (CAE), uma 
combinação de processos sequenciais envolvendo ações musculares excêntricas, 
isométricas e concêntricas que resultam em uma maior produção da força 
concêntrica subsequente (KOMI, 1986). O CAE se mostra diretamente dependente 
de mecanismos relacionados ao armazenamento de energia potencial elástica e ao 
grau de atividade muscular reflexa (CAVAGNA; DUSMAN; MARGARIA, 1968; 
KOMI; GOLLHOFER, 1997). É importante esclarecer que o CAE pode ser dividido 
em ações rápidas (< 250 m) e lentas (> 250 m).
2.7 IMPLICAÇÕES PARA O TREINAMENTO PLIOMÉTRICO
Como com qualquer forma de programa de treinamento, as principais 
variáveis agudas para a prescrição de exercício (intensidade, volume, frequência, 
velocidade de repetição e tempo de recuperação) devem ser cuidadosamente 
monitoradas para garantir um ótimo desenvolvimento atlético enquanto minimiza 
o risco de lesões.
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
188
• Intensidade: a intensidade de um exercício pliométrico refere-se à quantidade 
de stress colocado sobre a estrutura musculo-tendão e, portanto, é amplamente 
dependente da seleção de exercício. Como regra geral, meninos e meninas devem 
começar iniciando exercícios que requeiram baixa carga excêntrica (exercícios 
mais simples) e gradativamente ao longo do tempo avançar para exercícios mais 
complexos de maior sobrecarga excêntrica.
• Volume: no treinamento pliométrico, o volume tem sido estabelecido a partir do 
número total de contato com o solo durante uma única sessão. Na infância, sugere-
se uma única série de 6-10 repetições por exercício, evoluindo posteriormente 
para 2-3 séries de 6-10 repetições por exercício durante a adolescência. Em 
média, o número total de contato com o solo pode variar entre 50 a 150 vezes.
• Frequência: recomenda-se a realização de treinos pliométricos 2x por semana 
em dias não consecutivos.
• Velocidade de repetição: os jovens alunos/atletas devem sempre receber 
informações claras e simples. Eles devem ser orientados a realizarem os 
movimentos sempre o mais rápido possível e/ou o mais rápido e mais alto 
possível. Lembre-se de que a técnica do movimento deve sempre ser priorizada 
durante a execução da tarefa.
• Tempo de recuperação: a recuperação entre as séries deve ficar em torno de 60-
120 segundos para exercícios pliométricos de menor complexidade. Contudo, 
esse tempo deve ser aumentado quando múltiplos exercícios pliométricos de 
maior sobrecarga excêntrica forem realizados.
2.8 PROGRESSÃO DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO AO 
LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Pensando a partir de uma perspectiva prática, você, futuro professor/
treinador, quando trabalhar com crianças e adolescentes, certamente se deparará 
com um grupo de alunos/atletas extremamente heterogêneo. Além disso, irão 
lidar com alunos/atletas de diferentes faixas etárias e também com características 
maturacionais amplamente distintas. Portanto, você terá o desafio de planejar e 
estruturar as suas aulas ou sessões de treino de acordo com o nível motor, físico e 
cognitivo de seus jovens alunos/atletas. Então, como fazer isso da melhor maneira 
possível?
Na figura a seguir, você será apresentado a um modelo de progressão do 
treinamento pliométrico ao longo da infância e adolescência (LLOYD; MEYERS; 
OLIVER, 2011). Esse modelo propõe que toda criança e adolescente deverá passar 
por esses seis estágios apresentados logo a seguir. Lembre-se de que a proposta 
desse modelo é estruturar o processo do treinamento pliométrico levando sempre 
em consideração as diferenças maturacionais entre meninos e meninas de mesma 
faixa etária. 
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
189
FIGURA 61 - MODELO DE PROGRESSÃO DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO AO LONGO DA 
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
FONTE: Adaptado de Lloyd, Meyers e Oliver (2011)
Estágio 1 (Fundamental)
• A criança, para iniciar esse primeiro estágio, deve apresentar algum nível de 
maturidade para escutar e seguir as instruções dadas pelo professor/treinador. 
Além disso, a criança precisa demonstrar um bom padrão de movimentos 
básicos. 
• Os exercícios nesse estágio devem incorporar elementos de agilidade, equilíbrio, 
coordenação motora e expor a criança a um ambiente que desenvolva a 
percepção cinestésica e espacial. Como exemplo, podemos citar exercícios como: 
agachamento com o próprio peso corporal, avanço realizado sobre uma linha 
e outros exercícios multiarticulares de cadeia cinética fechada que envolva as 
articulações de tornozelo, joelho e quadril. 
• Sempre que possível estes exercícios devem ser introduzidos em jogos ou 
estafetas (lembre-se de usar sua criatividade). 
• A progressão para o Estágio 2 deve acontecer quando o seu aluno/atleta 
apresentar um bom padrão de execução das habilidades motoras fundamentais, 
tais como corrida, skipping, pequenos saltos laterais e outros.
Estágio 2 (Aprendendo a treinar)
• Esse estágio é caracterizado por uma maior variedade de exercícios pliométricos 
que o estágio anterior. Crianças e adolescentes começam a realizar saltos verticais 
e horizontais em torno de uma pequena área previamente definida e marcada.
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
190
• Os exercícios tipicamente exigem saltos e aterrisagem unilaterais e bilaterais.
• O aluno deve apresentar uma boa mecânica durante a fase de aterrisagem do 
salto, tais como: aterrissar sobre a ponta dos pés e transferir o peso suavemente 
para os calcanhares, evitar deslocamento dos joelhos para dentro (joelho 
valgo), manutenção da integridade lombotorácica, e coordenação dos membros 
superiores e inferiores durante o exercício.
Estágio 3 (Treinamento para treinar 1)
• Meninos e meninas começam a realizar saltos com deslocamentos horizontais.
• Os alunos/atletas devem ser estimulados a tocar o solo (fase da aterrisagem) 
com as “bolas” de seus pés (região anterior) durante esses deslocamentos 
horizontais.
• Exercícios para este estágio podem incluir: pogo stick hopping e múltiplos saltos 
de contramovimento.
• Comece a incluir exercícios que exijam tempos curtos de contato com o solo.
Estágio 4 (Treinamento para treinar 2)
• Uma vez que seu aluno/atleta tenha demonstrado competência nos estágios 
anteriores, eles podem ser apresentados aos exercícios pliométricos de saltos 
sobre a caixa (box jumps) de baixa intensidade (saltando e descendo de uma 
caixa) e exercícios com obstáculos (barreiras de pequena e média altura) em 
sequência ou não.
• O objetivo desse estágio é aumentar a sobrecarga excêntrica e ao mesmo tempo 
manter a velocidade de movimento e a competência técnica aprendida nos 
estágios anteriores.
Estágios 5 e 6 (Treinamento para competir e ganhar)
• Esses dois últimos estágios são para meninos e adolescentes já no final da 
adolescência se encaminhando para a vida adulta.
• Os exercícios nesse estágio podem incluir contato dos pés com o solo de forma 
unilateral ou bilateral em direções variadas, na qual o objetivo é atingir a maior 
distância com o menor tempo de contato com o solo possível.
• Inclusão dos exercícios pliométricos “drop jumps”, na qual o aluno/atleta começa 
saltando de um caixote (altura ≤ 20 cm, baixa intensidade) em direção ao 
solo, podendo o aluno/atletana sequência fazer ou não um salto vertical com 
contramovimento quando tocar o solo.
• O propósito é aumentar ainda mais a sobrecarga excêntrica, estimulando assim 
o CAE durante a fase de aterrisagem do salto. Ao longo desses dois estágios você 
pode progressivamente aumentar a altura do drop jump. Contudo, certifique-se 
de que a altura do drop jump não promova uma estratégia inibitória protetiva que 
reduza a ativação reflexa miotática (importante para a capacidade de produção 
de força e potência). 
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
191
2.9 TREINAMENTO PARA FLEXIBILIDADE EM CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES
A flexibilidade refere-se à amplitude de movimento de uma articulação. 
Nesse sentido, estratégias para a melhoria da flexibilidade é um elemento 
considerado fundamental em qualquer programa de treinamento voltado 
para jovens crianças e adolescentes. De fato, uma boa flexibilidade articular é 
necessária para um bom desempenho locomotor, pois possibilita que meninos e 
meninas sejam capazes de alcançar amplitudes de movimento articulares além 
daquelas requeridas para a execução dos gestos motores em diferentes esportes. 
Ainda, o treinamento de flexibilidade na infância e adolescência é de fundamental 
importância para auxiliar na prevenção de lesões (BOMPA; CARRERA, 2015).
Visto que chegamos à vida adulta, o desenvolvimento da flexibilidade se 
torna muito mais difícil quando comparado ao período da infância. Você deve 
lembrar que o período de adaptação acelerada, também conhecido como “janela 
de oportunidade”, para a flexibilidade é em torno dos 5 e 11 anos de idade para 
meninos e meninas, isto é, do meio para o final da infância ou pré-puberdade (FORD 
et al., 2011b; VIRU et al., 1999). Em geral, as crianças durante a pré-puberdade 
são muito flexíveis, mas o desempenho da flexibilidade tende a diminuir com a 
idade após a puberdade, especialmente em meninos, presumivelmente por causa 
de ganhos em massa muscular, estatura e força muscular. Por conseguinte, o 
treinamento de flexibilidade deve estar presente em todas as fases de um programa 
de desenvolvimento físico em longo prazo de jovens alunos/atletas. No entanto, 
você deve estar ciente que o objetivo desse treinamento pode variar de acordo 
com os períodos etários do processo de crescimento. Uma vez que seu aluno/atleta 
atingiu o nível desejado de flexibilidade, o objetivo do programa de treinamento de 
flexibilidade passa a ser a manutenção desse nível ou a melhoria da flexibilidade 
em casos particulares, como no caso de alguma aluna/atleta que apresente baixos 
níveis de flexibilidade. A manutenção e aprimoramento dos níveis de flexibilidade 
ao longo da adolescência são extremamente relevantes do ponto de vista prático 
e clínico, principalmente porque meninos e meninas podem ter seus níveis de 
flexibilidade rapidamente reduzidos com a inatividade física, tornando-os mais 
propensos ao desenvolvimento de lesões (BOMPA; CARRERA, 2015).
A melhor maneira de melhorar a flexibilidade é por meio de exercícios 
de alongamento. Em geral, os exercícios de alongamento podem ser realizados a 
partir de três métodos distintos: (1) estático/passivo, dinâmico/balístico e facilitação 
neuromuscular proprioceptiva (FNP) (BOMPA; CARRERA, 2015; WEINECK, 
2005). Veja a seguir como cada método funciona brevemente:
 
1. O alongamento estático ou passivo envolve estender o músculo até o limite 
do movimento articular sem forçar o alongamento e, em seguida, manter esta 
posição sem movimento por um determinado tempo. Ao longo do desempenho 
de exercícios de flexibilidade estática, o aluno/atleta deve tentar relaxar os 
músculos para alcançar a máxima amplitude de movimento desejada.
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
192
2. O alongamento dinâmico ou balístico envolve a realização de movimentos 
ativos (por meio de “balanços”) que atinjam os limites do movimento articular. 
O aluno/atleta não deve se manter estático ao alcançar a posição final. Por 
exemplo, fique de pé com os braços acima da cabeça e os pés levemente 
separados. Abaixe o tronco dinamicamente em direção aos joelhos para alcançar 
a máxima amplitude de movimento. Repita isso várias vezes, tentando alcançar 
em cada repetição o maior ângulo. Pare se sentir qualquer desconforto ou dor.
3. O método de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) consiste 
basicamente de um processo sequencial, iniciado por um alongamento passivo 
estático dos músculos até o limite articular e, em seguida, pede-se ao aluno/atleta 
que faça uma contração isométrica por alguns segundos contra a resistência 
aplicada por um parceiro e imediatamente após, aplica-se outro alongamento 
assistido de maior amplitude que o primeiro. 
2.9.1 Desenvolvimento da flexibilidade na infância e 
adolescência
Durante o período da infância ou pré-puberdade, as aulas ou programas de 
treinamento deverão propor exercícios de alongamento para o desenvolvimento 
da flexibilidade geral de todas as articulações, especialmente as articulações do 
quadril, ombro e tornozelos. A flexibilidade do quadril e tornozelo é crucial para 
qualquer habilidade requerendo saltos ou corridas. É recomendado nessa fase que 
professores/treinadores aconselhem e estimulem seus alunos/atletas de ambos os 
sexos para dedicarem o maior tempo possível no desenvolvimento da flexibilidade 
geral, pois quanto mais tempo destinado para o aumento da flexibilidade na 
infância provavelmente menor será a chance da ocorrência de lesões graves na 
adolescência e, posteriormente vida adulta. De acordo com Bompa e Carrera (2015), 
o uso do método estático ou passivo é priorizado nessa fase da pré-puberdade em 
comparação com os outros métodos. Nesse sentido, é preciso ter atenção para não 
alongar o músculo além daquele ponto de leve desconforto. 
Quando caminhamos para a fase final da puberdade e final da adolescência, 
período também caracterizado pelo início do processo de especialização esportiva, 
as aulas ou sessões de treino previamente planejadas e estruturadas por você, 
futuro professor/treinador, deve priorizar primariamente o desenvolvimento da 
flexibilidade mais específica ao esporte prático pelo seu aluno/atleta. Portanto, 
mais atenção deve ser destinada em nível de flexibilidade daquelas articulações 
que estão sendo constantemente exigidas durante os gestos motores específicos 
de determinado esporte. Nessa etapa, os três métodos principais para o 
desenvolvimento ou manutenção da flexibilidade já podem ser usados. No 
quadro a seguir, você encontrará um modelo descrevendo resumidamente como 
a flexibilidade pode progressivamente ser desenvolvida ao longo da infância e 
adolescência.
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
193
QUADRO 6 - MODELO DESCRITIVO MOSTRANDO COMO A FLEXIBILIDADE PODE 
PROGRESSIVAMENTE SER DESENVOLVIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Estágio de 
Desenvolvimento
Método de Treinamento Exercícios
Infância ou Pré-
puberdade
• Estático.
• Exercícios dinâmicos de 
baixa intensidade.
• Flexão do quadril e tronco.
• Sentado com pernas juntas ou 
afastadas (alcançar as pontas 
dos pés).
Puberdade
• Estático ou passivo.
• Facilitação neuromuscular 
proprioceptiva.
• Introdução de 
alongamentos dinâmicos 
de maior intensidade.
• Exercícios em pé ou sentado com 
um parceiro para melhorar a 
flexibilidade usando os métodos 
de alongamento estático ou 
FNP.
Final da Adolescência
• Estático ou passivo.
• Facilitação neuromuscular 
proprioceptiva (FNP).
• Alongamentos dinâmicos 
de maior intensidade e 
específicos ao esporte.
• Executar exercícios de 
alongamento com e sem um 
companheiro usando o método 
FNP.
• Você pode usar exercícios de 
alongamento dinâmico em 
dupla. Tome cuidado nos 
pontos de desconforto.
FONTE: BOMPA: CARRERA (2015)
Como uma regra geral, os exercícios de alongamento estático, dinâmico 
e FNP podem ser introduzidosno início da aula ou sessão de treino logo após o 
término do aquecimento. Particularmente para o alongamento estático, o tempo 
de duração do alongamento precisa ser controlado (KAY; BLAZEVICH, 2012). 
Caro acadêmico, se o objetivo principal da aula ou sessão de treino não for o 
desenvolvimento da flexibilidade, e sim o desenvolvimento de outras capacidades 
físicas como força, potência ou tarefas dependentes de velocidade, recomenda-se 
o seguinte procedimento: 
1. Exercícios de alongamento estático com durações ≤ 30-45s podem ser 
seguramente usados previamente ao início do treino sem comprometimento do 
desempenho subsequente (KAY; BLAZEVICH, 2012).
2. Exercícios de alongamento estático com durações ≥ 60s podem ser problemáticos 
se usados antes da parte principal da aula ou sessão de treino, pois podem 
reduzir o desempenho tarefas que requeiram força, potência e velocidade (KAY; 
BLAZEVICH, 2012). 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
194
2.10 TREINAMENTO DA VELOCIDADE EM CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES
A velocidade pode ser considerada como uma das capacidades físicas 
mais importantes para a prática esportiva durante a infância e adolescência, 
especialmente por estar presente nos momentos mais decisivos de um jogo. Agora, 
você sabe como devemos planejar e estruturar um programa de treinamento para 
o desenvolvimento da velocidade ao longo da infância e adolescência? Quais 
elementos são necessários desenvolver para melhorar a capacidade de nossos 
alunos/atletas se moverem eficientemente de forma mais rápida? 
Embora velocidade represente um termo genérico referindo-se à capacidade 
de realizar movimentos o mais rápido possível, existem outros elementos 
essenciais para o desenvolvimento da velocidade. A velocidade não está somente 
relacionada à capacidade de correr rapidamente, mas também associada ao 
desempenho em gestos motores acíclicos (saltos e lançamentos) e cíclicos (sprint no 
ciclismo, braçada na natação) (WEINECK, 2005). Segundo Bompa e Carrera (2015), 
o termo velocidade incorpora três elementos fundamentais: velocidade de reação 
(capacidade de reagir a um estímulo no menor tempo possível), velocidade de 
deslocamento de membros (capacidade de mover um membro rapidamente, como 
um chute ou um arremesso) e velocidade de corrida (frequência de movimento 
de braços e pernas sincronizados). Por consequência, o desenvolvimento dessas 
diferentes formas de manifestação da velocidade está diretamente relacionado a 
diferentes fatores fisiológicos e biomecânicos.
Particularmente durante a infância os principais ganhos em velocidade a 
partir dos 5 anos de idade ocorrem por meio de adaptações neurais como, por 
exemplo, melhoria da coordenação intramuscular e intermuscular. Quando 
chegamos à adolescência, mais especificamente na puberdade, o desenvolvimento 
da velocidade embora ainda possa ser atribuído aos fatores neurais agora passa a ser 
principalmente associado às mudanças morfológicas (ganho de massa muscular) 
e metabólicas (desenvolvimento do metabolismo anaeróbio) promovidas pelo 
processo de maturação biológica (OLIVER; LLOYD; RUMPF, 2013). Do ponto 
de vista mecânico, outros dois fatores são considerados fundamentais para o 
desenvolvimento da velocidade. A partir de uma perspectiva mais simplista, 
a velocidade pode ser considerada como o produto da frequência da passada e 
comprimento da passada. Portanto, a capacidade da criança ou do adolescente 
em produzir e aplicar força contra o solo pode influenciar diretamente estas 
duas variáveis consideradas importantes para a geração de velocidade (BOMPA; 
CARRERA, 2015). Em teoria, as crianças quando comparadas aos adolescentes 
por serem menos potentes e apresentarem um menor comprimento de membros 
inferiores podem ser mais dependentes da frequência de passada para atingir sua 
velocidade máxima. Por outro lado, conforme a criança se torne mais velha (ou 
seja, adolescente e depois adulta), a velocidade de corrida se torna cada vez mais 
TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
195
rápida como consequência da maior capacidade de produção de força horizontal 
e potência contra o solo, o que aumentará o comprimento de passada e permitirá 
que o corpo seja impulsionado mais para frente durante a fase aérea da corrida 
(OLIVER; LLOYD; RUMPF, 2013). 
2.10.1 Desenvolvimento da velocidade na infância e 
adolescência
Considerando uma abordagem de desenvolvimento da velocidade 
em longo prazo, LIoyd e colaboradores (2013) propõem que os programas de 
treinamento para o aprimoramento da velocidade, conforme apresentado na 
figura a seguir, devem ser progressivamente estruturados a partir de quatro 
períodos maturacionais distintos: (1) início da infância, (2) final da infância/início 
da adolescência (pré-puberdade), (3) puberdade e (4) final da adolescência (pós-
puberdade). Nesse sentido, vamos entender as características de cada um desses 
períodos. 
FIGURA 62 - PROGRAMAS DE TREINAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DA VELOCIDADE EM 
CRIANÇAS E ADOLESCENTES
FONTE: Adaptado de Oliver, Lloyd e Rumpf (2013) 
Pré-puberdade (meninos: 0-12 anos; meninas: 0-11 anos)
Durante a pré-puberdade ou infância, o rápido desenvolvimento do sistema 
nervoso central leva a melhorias aceleradas nas diferentes habilidades motoras 
fundamentais. Durante este período, as crianças devem ser constantemente 
estimuladas a repetirem exercícios que promovam o desenvolvimento de novas 
habilidades motoras, assim como aprimorem/refinem a execução de forma 
eficiente de gestos motores já previamente conhecidos. Durante a pré-puberdade 
ou infância, as adaptações de treinamento continuarão sendo predominantemente 
UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO
196
neurais em sua essência (BOMPA; CARRERA, 2015; OLIVER; LLOYD; RUMPF, 
2013). Portanto, o foco das aulas ou sessões de treino deverá priorizar a melhoria 
dos diversos fatores neurais que contribuem para a produção de força rápida 
contra o solo e, consequente, desenvolvimento da velocidade. Lembre-se de 
elaborar e propor exercícios que imitem os diferentes padrões de movimento e 
deslocamentos articulares associados a fases de corrida, dando preferência àqueles 
exercícios que permitam a realização de passadas mais longas e tempos de contato 
mais curtos com o solo. Considerando isso, a inclusão de sessões de treinamento 
pliométrico com baixa carga excêntrica e de modo pouco estruturado parece ser 
uma boa estratégia para alcançar esse propósito (OLIVER; LLOYD; RUMPF, 2013). 
Ao mesmo tempo, não devemos negligenciar o desenvolvimento da velocidade de 
deslocamento de membros, especialmente membros superiores. Crianças adoram 
realizar tarefas físicas em que precisam desenvolver velocidade. Lançamentos 
simples usando bolas de tênis ou medicine ball de pesos mais leves podem ser boas 
opções para o desenvolvimento dessa velocidade de deslocamento de membros 
(BOMPA; CARRERA, 2015).
Durante o planejamento e estruturação das aulas ou sessões de treino 
para crianças pré-púberes alguns pontos importantes devem ser levados em 
consideração:
1. As crianças devem ser estimuladas a jogar ou fazer os exercícios/educativos no 
seu próprio ritmo, ou seja, de acordo com a sua capacidade.
2. Brincadeiras e jogos devem ser os maiores elementos de um programa de 
treinamento para a melhoria da velocidade durante a pré-puberdade.
3. Introduza uma variedade de movimentos e exercícios que desenvolvam a 
coordenação motora.
4. Nessa etapa, as crianças devem realizar exercícios de corrida primários em linha 
reta. Conforme eles vão se aproximando da fase da puberdade (por volta dos 11-
12 anos em meninos e 10-11 anos em meninas), você pode incorporar exercícios 
em zigue-zague ou com mudanças de direção rápidas. 
5. A duração dos exercícios/educativos e a distância não devem ser muito longas; 
as crianças não devem experimentar nenhum tipo de desconforto ou dor nessa 
fase.

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