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Atos de Comunicação no Processo Penal

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I. Atos de Comunicação Processual. Citação, Notificação e Intimação
1. Definição: atos pelos quais as partes são informadas que um determinado ato foi praticado, de forma que informe que algo foi feito, determine que o indivíduo faça alguma coisa, ou ambos. Esses atos estão diretamente relacionados como contraditório e a ampla defesa.
2. Relação com o Contraditório e a Ampla Defesa: O contraditório gera quatro deveres e obrigações: a) direito de se manifestar, de contrariar, acerca do que é feito no processo e apresentar provas e argumentos contrários; b) direito de isonomia processual, no sentido de que o individuo não somente tem o direito de contrariar, mas o direito é da mesma forma e intensidade da outra parte; c) poder de influenciar na decisão do juiz, é a ideia de que o juiz vai ouvir os confrontos de argumentos e vai tomar uma decisão; d) é a forma que é garantido o direito de informação, de ser informado do que acontece no processo, pra que eu possa me manifestar e contrariar, de forma que eu seja informado do que aconteceu e está acontecendo.
II. Citação
1. Definição: regra geral, a citação é o primeiro ato de comunicação, que corresponde a um ato pelo qual o acusado (sempre quem vai ser citado é o acusado) vai tomar conhecimento da existência de uma acusação formalizada contra ele, de que a denúncia foi oferecida e recebida.
2. Citação Pessoal (artigo 351, CPP): regra geral, a citação vai se dar pessoalmente por oficial de justiça (fé pública), diferente do processo civil, que se dá normalmente pelos correios. O objetivo dessa citação é buscar o máximo de certeza de que o indivíduo tomou conhecimento da acusação, é a forma de tentar garantir a ampla defesa.
2.1 Conteúdo do mandado de citação (art. 352, CPP): estabelece o que deve conter na citação. O inciso VI não se aplica mais. Se inclui também uma cópia da denúncia, pra economizar o tempo do acusado de apresentar defesa, que é muito curto (10 dias). 
2.2. Residência em local diverso: o processo se dá em uma cidade e o querelado reside em outra cidade, (o crime é julgado onde ocorreu o resultado) então pode ser que aconteça isso, e a citação será feita por precatória.
2.2.1 Precatória (art. 353 e seguintes, CPP): não deixa de ser pessoal, o juiz deprecante solicita ao juiz deprecado (da cidade do acusado) que ele realize a citação, mas ela continua sendo pessoal porque o juiz deprecado repassa o mandato para o oficial de justiça, e ele cita pessoalmente o acusado. 
2.2.1.1 Precatórias Itinerantes: prática comum não prevista no código de processo penal. As vezes o indivíduo tem dois endereços possíveis em duas cidades diferentes, e as duas são diversas do local do crime. Antigamente o juiz deprecado quando não achava em uma devolvia pro juiz e depois mandava pra ourta cidade. Agora se coloca já os dois endereços das duas cidades, se manda pro primeiro juiz deprecado, se ele não morar lá, ao invés dele devolver pro juiz deprecante, ele mesmo já manda pra outra cidade, ao invés de voltar já vai direto pra outra cidade.
2.2.2 Rogatória (art. 368 e 369, CPP): é quando o réu mora em outro país, se envia um pedido pro país pra que ele determine a um juiz que realize a citação do indivíduo. Demora muito mais que a precatória, as vezes demora anos. 
2.2.2.1 Suspensão da Prescrição (art. 368, CPP): por causa da demora da rogatória, o juiz suspende o prazo prescricional até o cumprimento da carta rogatória.
2.3. Citação de Militar (art. 358, CPP): por intermédio do chefe do respectivo serviço. O oficial de justiça não vai entregar pro militar em mãos, ele vai até o quartel onde o indivíduo está locado e se dirige ao chefe de serviço, que é um oficial responsável por um período de 24 horas, e ele é responsável por todas as questões administrativas do quartel nesse período, e uma das funções dele é receber citações.
Alguns dizem que não é mais necessário esse aviso, mas a citação continua sendo feita dessa forma, sob a justificativa de que a citação por meio do chefe de serviço não se limita a comunicar de ausência, mas também tem como objetivo evitar o trânsito de civis na área do quartel, e o oficial de justiça mesmo sendo servidor público é um civil.
OBS.: Servidor Público, art. 359: comunicado ao chefe da repartição, é porque esses servidores não podem se ausentar do seu trabalho sem alguma cautela prévia, e o chefe é comunicado pra designar alguém pro lugar dele, no caso do militar é a mesma preocupação. 
3. Citação de Réu Preso (art. 360, CPP e Súmula 351, STF): pode estar preso durante o inquérito, aí se cita dentro do presídio. Ou pode ser que ele esteja preso por outro crime e receba citação desse novo crime. O artigo diz que se o réu estiver preso, será pessoalmente citado. A diferença é que pra quem não está preso, a citação pessoalmente é a regra geral, mas tem exceções. O réu preso só pode ser citado pessoalmente, se for de outra forma a citação será nula. Por edital não tem como ser feito porque o acusado está sob tutela do estado, então não tem como não saber onde ele está. Também não tem como ser admitida por hora certa porque o indivíduo não tem como se ocultar.
OBS.: Súmula 351, STF: levou em consideração que a execução penal é estadual, então regra geral no brasil é que seja estadual, então sumulou que é nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em que o juiz exerce a sua jurisdição. Se o processo é no estado do pará e o réu tá preso aqui, ele não pode ser citado por edital, porque é o mesmo estado você tem como saber onde tá o indivíduo. Porém, o estado do pará não tem como saber quem são os presos do rio de janeiro ou de são Paulo, então se o processo for no pará e você cita por edital um réu preso em são paulo, a citação é válida. Hoje em dia já se tem um sistema interligado, então já é possível saber quem são os presos dos outros estados.
4. Citação por Edital (art. 361, CPP): quando eu não sei onde o indivíduo se encontra. Tem que achar o endereço do acusado, se o oficial de justiça ainda assim não conseguir entrar em contato, se faz a citação por edital. Se publica um compilado de informações (art. 365) o edital é fixado no prédio do fórum e publicado no diário de justiça. O código determina que o funcionário junte aos autos do processo a página na qual foi publicada o edital ou ele faz uma certidão informando a data e a página na publicação, isso tem que constar nos autos. STF: comarca que não tiver imprensa local basta a fixação no fórum; onde tem imprensa não precisa fixar no fórum.
4.1 Cabimento (art. 361, CPP)
4.2 Afixação e Publicação (art. 365, parágrafo único, CPP)
4.3 Prazo do Edital (art. 361, CPP): 15 dias que são para o acusado tomar ciência e se apresentar, comparecer à secretaria informando que tomou ciência, e a partir desse dia ele tem 10 dias pra apresentar defesa (art. 396, §u). 
4.3.1 Prazo para Defesa
4.4 Não Comparecimento (art. 366, CPP): quando o indivíduo não se apresenta. Nos termos do artigo, o juiz pode decretar preventiva, porque ele assume que o indivíduo está foragido, e isso se tornou uma prática, mas nada te permite presumir isso, ele só não foi encontrado. 
4.4.1 Suspensão do Processo e do Prazo Prescricional: se ele não aparecer o juiz determina a suspensão do processo e do prazo prescricional. 
4.4.2 Duração da Suspensão do Prazo Prescricional: não pode ser pra sempre o prazo prescricional, mas o artigo é claro e não diz até quando, alguns entendem que isso geraria crimes imprescritíveis.
4.4.2.1 Súmula 415, STJ: decidiu que o prazo prescricional fica suspenso pelo prazo igual ao prazo da prescrição (pena máxima do tipo + art. 109, CP), ou seja, não pode ser pra sempre, então se um crime prescreve em 8 anos, ele fica suspenso por 8 anos, e quando acabarem esses 8 anos volta a correr o prazo prescricional.
4.4.2.2 Posicionamento do STF: decidiu completamente contrário, que pode ficar suspenso pra sempre, até que o indivíduo compareça em juízo ou que ele habilite um advogado nos autos.
OBS: na prática, é mais comum se aplicar a súmula do STJ, porque é ele