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Caso Clínico 05: L13 FÍGADO - ESTEATOSE Carol Esli Seixas da Silva Profª Alice RESUMO CLÍNICO Paciente de 40 anos, alcoólatra crônico, teve uma queda e bateu a cabeça, morrendo logo após dar entrada no PS. Macroscopia: O fígado apresentava-se aumentado de volume e peso, amolecido e de cor amarelada com as bordas rombas. Microscopia: * No corte de fígado normal, os espaços porta são bem delimitados e no centro dos lóbulos hepáticos é possível visualizar as veias centralobulares. * Os lóbulos hepáticos são divididos em zona 1 (periferia do lóbulo), zona 2 (região intermediária do lóbulo) e zona 3 (região próxima a veia central). * No corte do fígado com esteatose observa-se vacúolos citoplasmáticos, predominando na zona 1. Estes vacúolos continham gordura, mas, em razão do processamento do tecido, a gordura foi liquefeita. * No corte corado com Sudan Black podemos confirmar o conteúdo gordurosos dos vacúolos pois os mesmos apresentam-se como pontos negros. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Levando em conta o histórico de alcoolismo, o paciente podia ter esteatose hepática, cirrose alcóolica, hepatite alcóolica ou ainda fibrose hepática progressiva. PREVALÊNCIA A maior parte dos casos ocorre entre os 40 e 60 anos. Em um estudo sobre a prevalência da DHGNA (Doença Hepática Gordurosa Não Alcóolica) em Aracaju, com 800 indivíduos, sendo 561 mulheres e 239 homens, a prevalência de esteatose foi 29,1%, sendo maior no gênero masculino, e a mediana de idade dos portadores de esteatose foi 46 anos. Apesar de a prevalência ser no sexo masculino, as mulheres são mais suscetíveis devido à menor concentração da enzima álcool desidrogenase (ADH), que é liberada pelo fígado e usada para metabolizar o álcool. Além disso, parece que o estrogênio aumenta a permeabilidade de endotoxinas derivadas do intestino no fígado, levando a uma resposta inflamatória. Outros fatores de risco incluem a obesidade e o diabetes tipo 2, embora também esteja associada ao consumo excessivo de álcool. CAUSA MAIS PROVÁVEL QUE LEVOU O INDIVÍDUO A DESENVOLVER A PATOLOGIA EM QUESTÃO Doença hepática alcóolica que evoluiu para uma esteatose hepática. SINTOMAS CLÍNICOS APRESENTADOS PELO INDIVÍDUO E CORRELAÇÃO COM OS PROCESSOS PATOLÓGICOS Geralmente, não causa sintomas. Quando ocorrem, os sintomas incluem fadiga, perda de peso (uma vez que a gordura que deveria ser transportada para o tecido adiposo se acumula no fígado) e dor abdominal (devido ao aumento do volume do fígado ou processo infamatório). Além disso, também ocorre o aumento dos níveis séricos de bilirrubina (o aumento do volume do fígado pode comprimir as vias biliares intra-hepáticas, levando ao acúmulo dessa no sangue) e hepatomegalia. CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS MICROSCÓPICAS E MACROSCÓPICAS DO TECIDO AFETADO Figura 1 - www.mdsaude.com - Esteatose Hepática. Fígado saudável e fígado esteatótico. Figura 2 - www.mdsaude.com - Esteatose Hepática. Fígado amarelado, com volume aumentado e amolecido. Figura 3 - Universidade de Lisboa. Atlas de Histologia. Hepatócitos normais. EP: Espaços portais. VC: Veias centrolobulares. Figura 4 - www.anatpat.com. Os vacúolos lipídicos deslocam o núcleo e citoplasma do hepatócito para a periferia porque são insolúveis em água e não se misturam com o citoplasma. Figura 5 - www.anatpat.com. Observa-se distribuição difusa dos vacúolos lipídicos nos hepatócitos. Os vacúolos são redondos, de limites nítidos e tamanho variável. MECANISMO DE COMO O PROCESSO PATOLÓGICO FOI FORMADO Os hepatócitos do fígado são responsáveis por sintetizar e exportar lipídeos para os tecidos de armazenamento. No entanto, quando há um excesso na oferta de lipídeos (ácidos graxos livres) nos hepatócitos, nesse caso causado pelo alcoolismo crônico, os lipídios começam a se acumular em pequenas gotas que coalescem em grandes gotas que distendem o hepatócito e empurram o núcleo para o lado. Isso ocorre, pois, durante o metabolismo do etanol, o acetaldeído e os radicais livres produzidos no retículo endoplasmático liso alteram os microtúbulos e os miofilamentos do hepatócito, interferindo no transporte de vesículas. Assim, os triglicerídeos se acumulam nos hepatócitos. REFERÊNCIAS: 1. ROBINS & CONTRAN. Patologia – Bases Patológicas das Doenças. 9ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2016. 2. BRASILEIRO FILHO, G. Bogliolo Patologia. 9a Edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2016. 3. CRUZ, J. C.; CRUZ, M. A. F. et al. Prevalência e alterações ecográficas compatíveis com esteatose hepática em pacientes encaminhados para exame de ultrassonografia abdominal em Aracaju, SE. Radiol Bras. Jan/Fev 2016.