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Autor: Prof. Welliton Donizeti Popolim Colaboradoras: Profa. Mônica Teixeira Profa. Carolina H. Kurashima Higiene e Legislação de Alimentos Professor conteudista: Welliton Donizeti Popolim Nutricionista graduado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) em 1993. Tem mestrado (2004) e doutorado (2009) em Nutrição Humana Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades da Universidade de São Paulo (Pronut/USP). Especializou-se em Qualidade de Alimentos pelo Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos (CBES) em 2001; em Alimentação Coletiva pela Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) em 2006; LSM (Leadership Strategic Management) manager pela Keymind Liderança e Gestão em 2007. É professor titular da Universidade Paulista (UNIP) desde 2009; e professor convidado em cursos de extensão e pós-graduação de várias instituições de ensino desde 2000. Consultor e assessor em empresas do setor alimentício desde 1994. Revisor da Food Additives and Contaminants desde 2006; da Revista Nutrição Profissional desde 2007; da Revista Nutrire desde 2009; da Rasbran (Revista da Associação Brasileira de Nutrição) desde 2012; da Revista Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) desde 2016; e do Journal of Health Sciences Institute (JHSI)/UNIP desde 2017. Destaque Profissional na área de atuação Cadeia de Produção, Indústria e Comércio de Alimentos pelo Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região SP-MS em 2018. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) P829h Popolim, Welliton Donizeti. Higiene e Legislação de Alimentos / Welliton Donizeti Popolim. – São Paulo: Editora Sol, 2020. 180 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Legislação. 2. Higienização. 3. Monitoramento. I. Título. CDU 614.31 U507.96 – 20 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcello Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Ingrid Lourenço Bruno Barros Sumário Higiene e Legislação de Alimentos APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 QUALIDADE ...........................................................................................................................................................9 1.1 Breve histórico da qualidade ........................................................................................................... 11 1.2 Controle da qualidade ........................................................................................................................ 12 1.3 Garantia da qualidade ........................................................................................................................ 13 1.4 Gestão da qualidade ........................................................................................................................... 13 1.5 Normas ISO ............................................................................................................................................. 16 1.6 5S e housekeeping ............................................................................................................................... 20 2 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DOS ALIMENTOS ............................................................................................. 22 2.1 Importância do controle higiênico-sanitário dos alimentos .............................................. 24 2.2 Vigilância Sanitária e fiscalização ................................................................................................. 25 2.3 Responsabilidade técnica .................................................................................................................. 27 2.4 Modelo de segurança de alimentos .............................................................................................. 28 3 PRINCIPAIS LEGISLAÇÕES SANITÁRIAS DE ALIMENTOS VIGENTES ............................................. 29 3.1 Federais ..................................................................................................................................................... 30 3.2 Estadual SP ............................................................................................................................................. 34 3.3 Municipal SP .......................................................................................................................................... 35 3.4 Programa de pré-requisitos (PPR) ................................................................................................. 36 3.5 Documentação necessária para estabelecimentos produtores de alimentos.............. 39 4 BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO E MANIPULAÇÃO (BPFM) DE ALIMENTOS COM BASE NA LEGISLAÇÃO SANITÁRIA DE ALIMENTOS VIGENTE E NA LITERATURA ........................ 47 4.1 Áreas para preparação de alimentos ............................................................................................ 47 4.2 Estrutura física e instalações ........................................................................................................... 51 4.3 Equipamentos e utensílios ................................................................................................................ 53 4.4 Manutenção ........................................................................................................................................... 53 4.5 Controle da matéria-prima: seleção de fornecedores de matérias-primas, ingredientes, embalagens e outros insumos .................................................................................... 56 4.6 Recebimento .......................................................................................................................................... 59 4.7 Armazenamento a temperatura ambiente (almoxarifado ou estoque ou despensa) .................................................................................................................................................. 64 4.8 Armazenamento a frio (refrigerado e congelado) .................................................................. 66 4.9 Pré-preparo ............................................................................................................................................. 70 4.10 Contaminação cruzada .................................................................................................................... 71 4.11 Pré-preparo de hortifrutis .............................................................................................................. 72 4.12 Pré-preparo de carnes ..................................................................................................................... 73 4.13 Dessalga .................................................................................................................................................74 4.14 Utilização de ovos ............................................................................................................................. 75 4.15 Cocção ou cozimento ou tratamento térmico ...................................................................... 76 4.16 Pós-cocção ........................................................................................................................................... 78 4.17 Distribuição .......................................................................................................................................... 79 4.18 Sobras ..................................................................................................................................................... 80 4.19 Transporte ............................................................................................................................................. 81 Unidade II 5 LIMPEZA E DESINFECÇÃO (HIGIENE) DE INSTALAÇÕES, EQUIPAMENTOS, UTENSÍLIOS, MÓVEIS E AMBIENTE ............................................................................................................... 87 6 CONTROLE INTEGRADO DE VETORES E PRAGAS URBANAS, CONTROLE DA POTABILIDADE DA ÁGUA, MANEJO DE RESÍDUOS, MANUTENÇÃO E HIGIENE E SAÚDE DO MANIPULADOR ........................................................................................................................101 6.1 Controle integrado de vetores e pragas urbanas ..................................................................101 6.2 Controle da potabilidade da água ...............................................................................................104 6.3 Higiene e saúde do manipulador .................................................................................................106 6.4 Manejo de resíduos ...........................................................................................................................118 6.5 Manutenção preventiva e calibração de equipamentos ....................................................120 6.5.1 Comprovação metrológica ................................................................................................................121 6.6 Controle de perigos químicos e físicos ......................................................................................121 7 MONITORAMENTO, PROGRAMA DE RECOLHIMENTO DE ALIMENTOS, AUDITORIAS E ELABORAÇÃO DO MANUAL DE BOAS PRÁTICAS ...................................................125 7.1 Monitoramento ...................................................................................................................................125 7.2 Critérios para utilização dos termômetros ..............................................................................126 7.3 Critérios para análises microbiológicas e procedimentos para coleta e transporte de amostras ...........................................................................................................................128 7.4 Situações de segregação de alimentos .....................................................................................130 7.5 Programa de recolhimento de alimentos e rastreabilidade ..............................................131 7.6 Auditorias ..............................................................................................................................................133 7.7 Manual de boas práticas: importância e passos para sua elaboração e implantação ......................................................................................................................138 8 ANÁLISE DE PERIGOS E PONTOS CRÍTICOS DE CONTROLE (APPCC) E ISO 22000 ..................145 8.1 APPCC......................................................................................................................................................145 8.2 ISO 22000 ..............................................................................................................................................156 7 APRESENTAÇÃO É crescente a preocupação com a saúde e com a qualidade dos alimentos. Antes de abordarmos essa temática, a qualidade de uma forma geral é formada pelos seguintes componentes: custo, atendimento, moral, segurança e qualidade intrínseca. E é na qualidade intrínseca que podemos incluir aspectos específicos da qualidade dos alimentos, sejam eles nutricionais, sensoriais ou higiênico-sanitários. Dessa forma, é perceptível a importância da higiene e da legislação dos alimentos, pois é por meio dela que serão conhecidos os requisitos para todos os integrantes da cadeia produtiva de alimentos e que devem ser assegurados para que a inocuidade e a segurança dos alimentos sejam garantidas, o que aumentará a probabilidade de o consumidor e a população terem acesso a alimentos que preservarão sua saúde, sem prejuízos ou danos a ela, seja a curto ou a longo prazo. É possível saber se o alimento preserva suas características, sem contaminantes químicos, biológicos, físicos, ou seja, livres de agentes causadores de doenças. Para o nutricionista, conhecer a legislação de alimentos, bem como as boas práticas, é essencial ao exercício profissional, seja como gestor de uma unidade de alimentação e nutrição (UAN), como assessor de um restaurante comercial, como consultor de uma indústria, como responsável técnico (RT) de um serviço de nutrição e dietética (SND), como personal diet, como empreendedor ou desempenhando qualquer outro papel com o intuito de garantir à população o acesso ao melhor alimento ou produto. Ele terá domínio de como implementar todas as medidas necessárias para a manutenção da qualidade do alimento, de acordo com determinado padrão de identidade e qualidade (PIQ), associada à sua sanidade. Dominar os requisitos legais e interpretá-los também garantirá ao nutricionista diferencial importante na atuação profissional na cadeia produtiva de alimentos. E a missão de qualquer profissional que trabalhe no segmento de produção de refeições e correlatos é preparar refeições com o mínimo de balanceamento nutricional, com as características sensoriais apropriadas e que sejam seguras. E o melhor caminho para alcançar esse objetivo tão nobre é seguir com o máximo rigor todos os procedimentos que fazem parte do controle higiênico-sanitário dos alimentos. O estudo desta disciplina, assim como outras, não é exclusivo do nutricionista. É possível trabalhar em equipe multidisciplinar com o veterinário, o engenheiro de alimentos e o biomédico, até porque também abrange outras áreas que tratam diretamente com o controle e a garantia da qualidade dos alimentos e, neste caso, a segurança. INTRODUÇÃO A Higiene e Legislação de Alimentos (HLA) visa fornecer conhecimentos básicos sobre procedimentos e técnicas de higiene, sistemas de controle higiênico-sanitário em UAN, unidades produtoras de refeições (UPR), como os restaurantes comerciais, e indústrias de alimentos. 8 Para tanto, esta disciplina apresenta a legislação sanitária de alimentos vigente, as medidas higiênico-sanitárias de prevenção da contaminação microbiana de alimentos, fornecendo embasamento para implantação do modelo de segurança dos alimentos, por meio da adequação da organização ao programa de pré-requisitos (PPR), bem como da elaboração, implantação (treinamento teórico-prático da equipe de colaboradores e captação de recursos) do manual de boas práticas de fabricação e manipulação (MBPFM) e dos procedimentos operacionais padronizados (POP), da implantação do sistema de análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC) e da ISO 22000, por exemplo. Na primeira parte deste material, serão abordados os seguintes temas: qualidade, por meio da apresentação do modelo de segurança de alimentos, sistema de análise de perigos e pontos críticos de controle e das principais legislações sanitárias de alimentos vigentes e âmbito de aplicação; estrutura física; controle da matéria-prima; e técnicas higiênicas derecebimento, armazenamento, preparo e distribuição de alimentos. Na segunda parte, serão tratadas as seguintes temáticas: limpeza e desinfecção (higiene) de instalações, equipamentos, utensílios, móveis e ambiente; controle integrado de vetores e pragas urbanas; controle da potabilidade da água; manejo de resíduos; higiene e saúde do manipulador; manutenção preventiva e calibração de equipamentos; programa de recolhimento de alimentos; elaboração do manual de boas práticas de fabricação e manipulação (MBPF/M); sistema de APPCC; e ISO 22000. Aproveite, portanto, para se aprofundar no conhecimento da higiene e legislação dos alimentos e sua relação com a qualidade e a segurança. Este conhecimento será importante para entender outros aspectos envolvidos na gestão da segurança dos alimentos. E lembre-se que, independentemente de legislação, requisito, norma ou procedimento, é necessário que técnicos, empresários, colaborados e consumidores se conscientizem de que qualidade é uma filosofia de trabalho e respeito à vida, ou seja, que qualidade se adquire, e não se impõe. 9 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Unidade I 1 QUALIDADE Qualidade não é somente o resultado da implantação de uma técnica ou de normas e procedimentos. Os resultados concretos são obtidos quando há ação, que depende de fatores como criatividade, talento, conhecimento, percepção e atitude. Independentemente de legislação, requisito, norma ou procedimento, é necessário que os empresários, técnicos e colaboradores se conscientizem de que qualidade é uma filosofia de trabalho e respeito à vida. Qualidade não se impõe, adquire-se. A qualidade pode ser definida como um processo que visa atender e satisfazer às necessidades e expectativas do cliente a um custo compatível, assim como os requisitos regulamentares aplicáveis (legislação, requisito, norma ou procedimento). Qualidade é a adequação ao uso; é a conformidade às exigências. O termo qualidade pode ser usado com adjetivos, tais como má, boa ou excelente. É também um conjunto de características contidas em um produto ou serviço que, em conformidade com as especificações, atende e, por vezes, supera as expectativas e necessidades do cliente. Um produto ou serviço tem ou não tem qualidade, não há meio termo, ou seja, uma qualidade intermediária. Ou o alimento atende aos requisitos para a garantia da qualidade ou segurança do alimento ou não. Expressões como “mais ou menos qualidade” deveriam se destinar, normalmente, a comparar atributos de qualidade. Para alimentos, é possível categorizar da seguinte maneira: • Atributos visíveis: cor, sabor, odor, textura, aspectos físicos, design, facilidade de uso da embalagem. • Atributos invisíveis: propriedades nutricionais (vitaminas, sais minerais, proteínas, valor calórico). • Atributos de segurança: ausência de microrganismos patogênicos, de substâncias tóxicas e de materiais estranhos. Os principais componentes do sistema de qualidade dos alimentos são: • inocuidade; • propriedades sensoriais; 10 Unidade I • valor nutricional; • praticidade; • conveniência; • custo; • disponibilidade. Já para os serviços, os atributos de qualidade são, por exemplo, cordialidade no atendimento, rapidez, pontualidade e facilidade de acesso. Por meio desses atributos são definidas as características ou especificações de determinado produto ou serviço. Assim, quando dois produtos são comparados e um tem, supostamente e erroneamente, “mais qualidade” que o outro, o que está em comparação são seus atributos de qualidade (características e especificações). Exemplo de aplicação Existem inúmeros produtos no mercado com variação de sabor, odor, textura, peso, tipo de embalagem, forma de consumo e, inclusive, aqueles similares. Exemplos: bebidas com menos açúcar ou zero açúcar; derivados do leite, como iogurtes com zero gorduras, com frutas, sem lactose; massas frescas ou secas com diversos recheios, como carne ou legumes. Assim, alimentos com adição de sais minerais e vitaminas têm atributos de qualidade (nutricionais) superiores aos que não possuem essa característica; alimentos em embalagens com sistema de abertura diferenciado têm atributos de qualidade (facilidade de uso) superiores aos que possuem sistema de abertura tradicional, como latas e garrafas. Façam um levantamento dos produtos que têm em casa e analisem os atributos. Conseguem perceber variação de qualidade entre eles? Para Carvalho e Paladini (2012, p. 75-76), os princípios da qualidade são: A qualidade se produz por um processo de evolução (alteração de valores de pessoas e organizações), e não por simples mecanismos de implantação prática. O conceito da qualidade muda com o tempo. É fundamental não apenas monitorar essa mudança, mas colocar-se à frente dela. A qualidade é gerada a partir de conceitos e filosofias, ou seja, da compreensão de que ela é um valor estratégico. Somente depois de esses valores serem definidos é que se selecionam as ferramentas, as técnicas e os métodos para produzi-la. 11 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS A qualidade depende de um processo planejado. Raramente ela surge naturalmente. A avaliação da qualidade é feita continuamente. A qualidade deve ser gerenciada no dia a dia, sempre tendo em vista o planejamento global da organização. A qualidade deve ter objetivos de longo prazo, ancorados em metas de médio prazo e em resultados práticos constantes de curto prazo. A qualidade deve gerar benefícios de curto prazo. São eles que garantem a motivação para que sejam obtidos os resultados de longo prazo. A qualidade gera benefícios estratégicos. Eles são obtidos a partir de ganhos operacionais e de recompensas táticas. A qualidade deve propiciar ganhos pessoais, de forma que possam se transformar em ganhos organizacionais. A qualidade costuma custar caro. Mas seu retorno é altamente vantajoso. A qualidade requer uma visão ampla em termos de tempo e de espaço. A qualidade requer contribuições de todas as partes da organização, sejam elas críticas ou não. A qualidade requer uma visão técnica, não é assunto para amadores. A qualidade exige uma visão de conjunto. A qualidade se baseia mais na experiência prática do que na teoria. A qualidade dispensa abordagens indutivas e se ampara na descrição de experiências, sejam elas bem-sucedidas ou não. Qualidade é uma questão de cultura, ou seja, será alcançada se as pessoas entenderem que ela é um valor estratégico. 1.1 Breve histórico da qualidade Era artesanal (século XIX) O artesão se envolve em todas as etapas da produção, da compra de materiais e insumos até o acabamento e entrega do produto ao cliente. O artesão é o único responsável pela qualidade. 12 Unidade I Era industrial (1930-1980) A divisão do trabalho, devido à produção seriada da indústria, cria o inspetor da qualidade no final da linha de produção. O inspetor é o responsável pela qualidade. Era da informação (1980 até os dias atuais) O profissional é treinado e informado para produzir e garantir a qualidade do que faz. Cada um é inspetor da qualidade do seu próprio trabalho (autocontrole). É melhor cada um ser responsável pela qualidade de seu trabalho, do que um ser responsável pela qualidade do trabalho de todos. • Meados dos anos 1980: surgimento das primeiras normas, motivadas pela baixa produtividade e qualidade na indústria europeia. • 1987: lançamento da primeira compilação das normas ISO 9001 e adesão da comunidade internacional. • 1994: primeira revisão, com o objetivo de melhorar os requisitos e enfatizar a prevenção de ações para a garantia da qualidade. • 2000: segunda revisão, com foco no cliente e mais adequada aos princípios da qualidade total. • 2005: pequenas revisões pontuais. • 2008: terceira revisão da norma, alterações para melhorar a clareza, facilitar as traduções, melhorar a consistência com a família 9000 (principalmente a 9004), facilitar a utilização e melhorar a compatibilidade com a ISO 14001 (gestão ambiental). •2015: quarta revisão da norma. A primeira mudança significativa na nova ISO 9001 consiste na revisão dos atuais oito princípios da qualidade. 1.2 Controle da qualidade O controle da qualidade é o conjunto de atividades para verificar o atendimento aos atributos previamente estabelecidos. Se o requisito for atendido, a princípio, o processo está sob controle. Se não, é necessária alguma correção, quase sempre imediata. O controle de qualidade deve ocorrer em todas as etapas do processo produtivo, ou seja, da concepção do projeto e do planejamento do produto (no caso de refeições, o cardápio) à distribuição do produto final, apesar de o controle ser realizado, mais especificamente, no produto. As atividades de controle de qualidade são, quase sempre, corretivas, sendo consideradas reativas, ou seja, aceita-se ou rejeita-se o produto de acordo com a especificação. 13 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Deve estar, obrigatoriamente, associado a atividades de garantia da qualidade, cujo enfoque é preventivo, por estar ligado ao controle de processo, e não somente ao controle do produto. 1.3 Garantia da qualidade A garantia da qualidade, também conhecida como qualidade assegurada, é o conjunto de ações sistematizadas para dar confiança de que um produto ou serviço irá atender aos atributos da qualidade previamente determinados. Ela depende do controle de qualidade, deve ocorrer em todas as etapas do processo produtivo e envolve formas de retroalimentação de informações, auditorias e atividades de treinamento. A garantia da qualidade é a comprovação da eficácia e da efetividade do sistema adotado pelo estabelecimento produtor e/ou prestador de serviços quanto aos controles higiênico-sanitários e nutricional. Esse sistema deve ser avaliado considerando, inclusive, a sua forma de organização, operacionalização e avaliação. 1.4 Gestão da qualidade Para se obter um produto ou serviço de qualidade, é necessário que a implantação e a manutenção de qualquer sistema de gestão da qualidade sejam desenvolvidas sob consideração dos seguintes fatores: • meio ambiente; • máquina; • método de produção; • matéria-prima; • mão-de-obra (recursos humanos). Sem esses elementos, conhecidos também como 5M, a produção de um alimento de qualidade e seguro pode ser prejudicada, levando o consumidor a se expor a perigos e riscos que causarão danos à sua saúde. A gestão estratégica da qualidade envolve tanto o controle do produto quanto o controle de processo, com enfoque necessariamente preventivo, de forma a garantir o cumprimento dos requisitos exigidos pelos clientes, além de superá-los. Os princípios da gestão da qualidade são: • foco no cliente; • liderança; 14 Unidade I • envolvimento de pessoas; • abordagem de processos; • abordagem sistêmica para a gestão; • melhoria contínua; • abordagem factual para tomada de decisões; • benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. Controle da qualidade Garantia da qualidade Gestão da qualidade Produto Cliente EvoluçãoDias atuais198019601920 Empresa Enfoque Figura 1 – Evolução do conceito de qualidade Quadro 1 – Características da qualidade de acordo com a etapa do sistema Característica Inspeção Controle da qualidade Garantia da qualidade Gestão da qualidade Visão Verificação de um problema a ser resolvido Controle de um problema a ser resolvido Resolução de problemas, eliminação de não conformidade, postura ativa Impacto estratégico, oportunidade de concorrência Ênfase Produto uniforme Uniformidade do produto reduzindo inspeção Toda a cadeia de produção Necessidades do mercado e do consumidor Métodos Técnicas de medição Técnicas estatísticas de medição Programas, sistemas, normalização Planejamento estratégico, desdobrar diretrizes Papel dos profissionais Inspeção, classificação, avaliação Solução de problemas, métodos estatísticos Planejamento da qualidade, mensuração Estabelecimento de objetivos, educação, treinamento 15 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Característica Inspeção Controle da qualidade Garantia da qualidade Gestão da qualidade Responsável pela qualidade Departamento de inspeção Departamento de controle da qualidade Toda empresa, baixo envolvimento da alta direção Toda empresa, comprometimento da alta direção Orientação e abordagem Inspecionar a qualidade Controlar a qualidade Construir a qualidade Gerenciamento da qualidade Adaptado de: Popolim (2012b) e Bertolino (2010). É possível fazer associação entre as etapas do movimento da qualidade e o modelo de segurança dos alimentos, conforme observado na figura a seguir. Gestão pela qualidade total/modelos de excelência (ISO 22000) Sistemas de garantia da qualidade (APPCC) Controle da qualidade (BPF + POP) Inspeção (BPF) Figura 2 – Etapas do movimento da qualidade Agora, é possível entender os seguintes conceitos e sua relação: • Food quality (qualidade dos alimentos): manutenção de certos padrões e características do alimento. • Food safety (segurança dos alimentos): prevenção, redução ou eliminação de contaminação não intencional. • Food fraud (fraude alimentar): fraude em alimentos para ganho econômico. • Food defense (defesa ou proteção dos alimentos): prevenção, redução ou eliminação de contaminação intencional. E podemos afirmar que todos eles contribuem para segurança alimentar e nutricional (SAN) ou segurança alimentar global. 16 Unidade I Fraude alimentar Qualidade Qualidade alimentaralimentar Food defense Segurança dos Segurança dos alimentosalimentos Ato criminoso Contaminação não intencional Perpetrados intencionalmente para provocar dano Perpetrados intencionalmente para benefício econômico Atos não intencionais Atos intencionais Figura 3 – Interface entre os conceitos de food quality, food safety, food fraud e food defense 1.5 Normas ISO A Organização Internacional de Normalização ou Padronização (International Organization for Standardization – ISO) foi fundada em 1946, com sede em Genebra, na Suíça. Tem como propósito desenvolver e promover normas e padrões mundiais que traduzam o consenso dos diferentes países membros de forma a facilitar o comércio internacional e uniformizar a qualidade. ISO não é uma sigla, é um prefixo de origem grega e significa “igual”, conhecida como padrão de qualidade. Certificação ISO significa que o sistema de qualidade da organização foi avaliado por uma entidade independente reconhecida por um organismo nacional de acreditação e considerado de acordo com os requisitos da norma. Ter certificação ISO não significa que determinada empresa terá um produto melhor que o de seu concorrente, mas garante que entregará o produto exatamente como prometeu e que se compromete em resolver qualquer problema decorrente dessa venda. Os pontos exigidos para conceder o certificado de qualidade são: • diga o que faz; • faça o que diz; • mostre o que faz. 17 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS A implantação de normas ISO resulta em um aumento de produtividade na organização devido, principalmente, à redução de desperdícios, de produtos em não conformidade e também do retrabalho por falhas e erros. Na verdade, a qualidade e a produtividade sempre existiram, com maior ou menor importância e intensidade nas empresas. Acontece que a constante evolução do mundo moderno e, principalmente, o desenvolvimento ultrarrápido da tecnologia fizeram com que se abrisse um canal muito fluente de informações (veja, por exemplo, o computador, os satélites, a televisão, a telefonia etc.). Com a informação, o cliente passou a ficar muito mais conhecedor de seus desejos e mais exigente, como também as empresas descobriram mais rapidamente o que seus concorrentes estão fazendo de melhor. O que resulta na busca contínua de uma melhor qualidade, maior produtividade, menores custos, para alcançar um importante objetivo: a competitividade. Família ISO 9000 A ISO 9000 é a norma-guia que traz todosos fundamentos e termos utilizados no sistema. Não é certificável, apesar do uso de certificação ISO 9000, isso apenas significa que a instituição em questão foi certificada por uma das normas de sua família. É a ISO 9000 que estabelece as diretrizes para que se entenda os itens das demais. A ISO 9001 é a mais conhecida e a que popularizou a ISO, por ser a primeira com a qual as organizações se preocupam. É ela que aponta os requisitos exigidos para uma implementação eficaz de um sistema de gestão da qualidade e norteia as ações das organizações para a obtenção do selo ISO 9001. Essa certificação valida os esforços das entidades em implementar, manter e controlar recursos, pessoas e processos com a finalidade de atender às demandas das partes envolvidas com mais qualidade. A ISO 9002 é o modelo para garantia da qualidade em produção, instalação e serviços associados. E a ISO 9003 é o modelo para garantia da qualidade em inspeção e ensaios finais. A ISO 9004 amplia o que se consegue com a ISO 9001. A função dessa norma é promover excelência em qualidade por meio de três princípios básicos: desenvolvimento de lideranças, melhoria contínua e inovação e desenvolvimento tecnológico. Seu foco é no desenvolvimento das competências primordiais para que as organizações se mantenham sustentáveis, na capacitação intensa de colaboradores e no forte entendimento do uso do planejamento estratégico para a otimização de recursos e maximização de resultados. Atribui-se também à ISO 9004 a função de ser uma das bases para o sucesso sustentado que, segundo sua própria definição, é o resultado da capacidade de uma organização para alcançar e manter os seus objetivos de longo prazo. Elas estão intrinsecamente ligadas, pois a ISO 9000 aponta para a necessidade de um sistema de gestão da qualidade (SGQ), a ISO 9001 ensina como implementá-lo de forma eficiente e que gere bons resultados, possibilita que seja certificado e o direciona para a melhoria contínua. Então entra em cena a ISO 9004 para melhorar ainda mais esse cenário e levar o sistema de qualidade a níveis de excelência, abrangendo todo o público envolvido com a organização. 18 Unidade I ISO 14001 A ISO 14001 especifica os requisitos para a implementação de um sistema de gestão ambiental (SGA), para que sejam desenvolvidas práticas sustentáveis nos negócios. É direcionada às corporações que se preocupam no impacto que suas ações causarão no meio ambiente, principalmente as indústrias. São alguns de seus objetivos: • Proteger o meio ambiente pelo abrandamento ou prevenção dos impactos ambientais. • Auxiliar as organizações com os requisitos legais para a sua implantação. • Controlar ou ter influência sobre a maneira como os serviços e produtos são projetados, fabricados, distribuídos, consumidos e descartados. • Alcançar benefícios operacionais e financeiros pela implementação de alternativas ambientais que marcam a posição da empresa no mercado; entre outros. OHSAS 18001 e ISO 45001 A OHSAS 18001 é uma norma de sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional (SGSSO), publicada oficialmente pela British Standards Institution (BSI). Sua sigla deriva de occupational health and safety assessments series. Seu objetivo é a proteção aos trabalhadores das organizações, para que tenham um ambiente laboral saudável e seguro. Entre seus principais benefícios estão: • reduzir perigos e acidentes de trabalho; • valorizar a imagem da organização, mostrando o seu comprometimento com a saúde e com a segurança dos colaboradores; • envolver os colaboradores na gestão de segurança e saúde ocupacional etc. Após a publicação da ISO 45001, o certificado OHSAS 18001 ainda valerá por três anos, período em que acontecerá o processo de transição. Nesse tempo, as empresas devem se adequar aos novos requisitos. Passados os três anos, a OHSAS 18001 não valerá mais. Sua nomenclatura será ISO 45001:2018. ISO 31000 Apesar de não certificar, a ISO 31000 – gestão de riscos, princípios e diretrizes – é uma referência internacional como auxílio às organizações para atenderem a esses requisitos. De acordo com essa norma, a gestão de riscos é uma série de ações estratégicas para identificar, administrar, conduzir e prevenir riscos ligados a uma atividade específica. 19 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Promove os seguintes benefícios adicionais ao ser incorporada a um sistema de gestão: • ajuda a criar uma estrutura confiável para a tomada de decisões operacionais e estratégicas; • cria um sistema eficaz de gerenciamento de ameaças e oportunidades; • melhora as relações com as partes interessadas (stakeholders); • ajuda a melhorar a imagem e a reputação da companhia etc. ISO 26000 A ISO 26000 é a primeira norma internacional de responsabilidade social empresarial. Ela diz que a responsabilidade social de uma organização é definida pelas suas atividades no meio ambiente e na sociedade e pelos impactos decorrentes das decisões que toma. De acordo com a norma, essa responsabilidade se traduz por um comportamento transparente e ético que: • considera as expectativas dos stakeholders (as partes interessadas: clientes, colaboradores, fornecedores etc.); • dê a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável; • esteja em conformidade com a legislação aplicável; • seja consistente com as normas internacionais de comportamento. Os eixos principais da ISO 26000 envolvem as seguintes áreas: práticas de trabalho, direitos humanos, práticas leais de operação, combate à corrupção e propina, meio ambiente, consumidores e desenvolvimento com o apoio da participação comunitária. Essas são as mais conhecidas, mas há outras também relacionadas à qualidade e a outras finalidades, de acordo com a atividade da organização. ISO 22000 Sistema de gestão da segurança de alimentos que fornece requisitos para que qualquer organização na cadeia produtiva de alimentos possa implementá-la. ISO 19011 Fornece diretrizes sobre auditoria dos sistemas de gestão. 20 Unidade I Saiba mais Para saber mais sobre as normas ISO, acesse o site da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): http://www.abnt.org.br/ Excelência comprovada PNQ (Prêmio Nacional da Qualidade) Qualidade total (TQM) SA 8000 / ISO 26000 / NBR 16000 OHSAS 18000 / ISO 45000 ISO 14000 ISO 9000 APPCC / ISO 22000 BPF / POP 5S Organização MotivaçãoLiderança e estratégia Legislação, normas e regulamentos técnicos Ferramentas da qualidade Elementos de excelência Responsabilidade social Segurança e saúde ocupacional Gestão ambiental Gestão da qualidade Gestão da segurança de alimentos Programa de pré-requisitos (PPR) Implantação obrigatória - legislação Housekeeping SGI*Ex ce lê nc ia SIG *Sistema de Gestão Integrada (SGI) ou Sistema Integrado de Gestão (SIG) Figura 4 – Pirâmide da qualidade 1.6 5S e housekeeping Os métodos 5S e housekeeping são considerados as melhores estratégias para a organização do ambiente e motivação para busca da excelência em qualidade. O housekeeping, ou processo de manutenção da ordem, cria e mantém a responsabilidade e o comprometimento individual e de grupo para identificar um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar, conservando o ambiente limpo e arrumado, prevenindo a presença, no processo de produção do alimento, de elementos contaminantes, como sujeira, pó e óleo. O 5S é uma metodologia de qualidade que enfatiza a prática de hábitos saudáveis que permitem a integração do pensar e do agir. Suas ações iniciais são de natureza mecânica: classificar, ordenar e limpar. Essas práticas promovem imediata mudança do ambiente físico em torno da pessoa. 21 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS O 5S é considerado a base de qualquer programa de qualidade e produtividade. Deve-se ressaltar que o método é simples, porém profundo, pois a sua prática pode resultar em mudanças na maneira de se perceber o trabalho. Ele é fácil de começar, mas difícil de manter, pois depende muito das atitudes de todosna empresa. O 5S deve ser implementado com o objetivo específico de melhorar as condições de trabalho e criar o “ambiente da qualidade”. O nome do método é composto por cinco palavras japonesas que começam com a letra S e foram traduzidas como: • Seiri = seleção • Seiton = organização • Seiso = limpeza • Seiketsu = conservação • Shitsuke = autodisciplina Quadro 2 – Modelo de planejamento para implantação do 5S Item O que fazer? Onde fazer? Como fazer? Quando fazer? Quem faz? 1 Divulgação do programa 5S; sensibilização; comprometimento Em pontos estratégicos de visualização Cartazes, fitas, banners, apresentações, faixas 1ª semana Equipe de divulgação; coordenação; consultoria 2 Mapear áreas por responsáveis após diagnóstico Setores de trabalho Layout, delegar responsáveis por setores 2ª semana Coordenadores; facilitadores 3 Montar a equipe de trabalho por área Dentro dos setores (líderes) Reunião e delegação 3ª semana Responsáveis por áreas 4 Treinamento dos colaboradores 3S Sala de treinamento Apostilas, filmes, transparências e slides 4ª semana (1º S) Consultoria ou coordenador interno 5 Descrever o padrão de organização do setor No setor Descrição, desenho, layout, fotos 2º mês (2º S) Responsável do setor 6 Fotografar o setor de trabalho No setor Dispositivo para fotos Antes de efetuar a limpeza e organização do setor (5ª semana) Responsáveis do setor 7 Definir o dia de limpeza e descarte geral Em todos os setores da empresa Faixas, cartazes 6ª semana (3º S) Todos os colaboradores da empresa 8 Efetuar a limpeza dos setores; mobilização Nos setores Eliminar o desnecessário Data a definir (3º mês) Todos 9 Fotografar o setor de trabalho novamente No setor Dispositivo para fotos Depois de efetuar a limpeza e organização do setor Responsável do setor 10 Montar a equipe de avaliação do 5S e treinamento Dentro dos setores (líderes) Reunião e delegação de coordenadores 4º mês (4º S) Consultoria ou coordenador interno 11 Montar o checklist de auditoria nos setores 5S No setor Descrever os tópicos conforme padrão de organização 5º mês, após avaliação bimestral Responsável do setor 12 Treinamento de auditoria Sala de treinamento Palestra 5º mês Consultoria ou coordenador interno 22 Unidade I Item O que fazer? Onde fazer? Como fazer? Quando fazer? Quem faz? 13 Montagem do calendário Nos setores Consenso dos coordenadores Bimestralmente, após avaliação final (5º S) Coordenadores; facilitadores 14 Reconhecimento Na empresa Evento geral 6º mês Todas 2 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DOS ALIMENTOS A segurança alimentar e nutricional (SAN) consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. Todos têm direito a uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. Ela deve ser totalmente baseada em práticas alimentares promotoras da saúde, sem nunca comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. É um direito do brasileiro se alimentar devidamente, respeitando particularidades e características culturais de cada região. Por outro lado, particularmente a segurança dos alimentos é o conjunto de práticas e procedimentos realizados desde a produção de um alimento até sua chegada à mesa do consumidor (cadeia produtiva), de forma a garantir sua qualidade e assegurar que os alimentos sejam inócuos (sem contaminação) e seguros à saúde do consumidor. Por conseguinte, o alimento seguro ou inócuo é o que não representa risco à saúde e integridade física do consumidor, ou seja, é o alimento produzido e utilizado (consumido) sob condições que garantam o controle de perigos. A segurança do alimento envolve, portanto, o gerenciamento dos perigos. Lembrete Perigo é a contaminação inaceitável de natureza física, química e biológica, ou a sobrevivência ou multiplicação de microrganismos potencialmente patogênicos (ou deteriorantes), ou ainda a produção ou persistência nos alimentos de toxinas ou outros produtos indesejáveis do metabolismo microbiano. Os perigos mais conhecidos são os perigos biológicos (microbiológicos), físicos e químicos. O controle higiênico-sanitário é importante para a obtenção de alimentos seguros. O controle higiênico se refere a toda e qualquer ação que visa melhorar a higiene como um todo. São boas práticas em procedimentos de higiene e na preparação dos alimentos, que envolvam um controle da contaminação. Já o controle sanitário é definido como qualquer tipo de ação que visa melhorar os processos e atribuir segurança na preparação dos alimentos. Implica, necessariamente, o controle da sobrevivência e a redução dos perigos biológicos. Sendo assim, o alimento fica seguro, inócuo e apto para o consumo sem oferecer qualquer risco à saúde dos consumidores. 23 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Agricultura destinada à alimentação animal Produtos de alimentos para animais Produtores primários de alimentos para consumo humano Fabricantes de alimentos para consumo humano Fabricantes secundários de alimentos para consumo humano Atacadistas Varejistas, operadores de serviços de alimentação e catering Consumidores Au to rid ad es e st at uá ria s e re gu la m en ta re s Produtores de pesticidas, fertilizantes e drogas veterinárias Cadeia produtiva de alimentos para a produção de ingredientes e aditivos Operadores de transporte e armazenagem Produtores de agentes de limpeza e sanitização Produtores de materiais de embalagens Fornecedores de serviço Produtores de equipamentos Figura 5 – Cadeia produtiva de alimentos Figura 6 – Exemplo de cadeia produtiva da carne de aves 24 Unidade I Figura 7 – Exemplo de cadeia produtiva do café: do grão à bebida 2.1 Importância do controle higiênico-sanitário dos alimentos Por que atualmente tantos restaurantes são interditados pela Vigilância Sanitária? Os fatores são diversos, mas podem ser destacados os seguintes: • falta de treinamento; • falta de estrutura; • omissão por parte do proprietário e do gestor, • e a própria falta de fiscalização ou fiscalização insuficiente. 25 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Observação Manipulação de alimentos: operações efetuadas sobre a matéria-prima para obtenção e entrega ao consumo do alimento preparado, envolvendo as etapas de preparação, embalagem, armazenamento, transporte, distribuição e exposição à venda. Manipuladores de alimentos: qualquer pessoa do serviço de alimentação que entra em contato direto ou indireto com o alimento. Medida de controle: procedimento adotado com o objetivo de prevenir, reduzir a um nível aceitável ou eliminar um agente físico, químico ou biológico que comprometa a qualidade higiênico-sanitária do alimento. 2.2 Vigilância Sanitária e fiscalização A fiscalização é o controle exercido por órgãos públicos, para assegurar a conformidade de produtos e serviços oferecidos ao consumidor. Governo Federal Governo Municipal Governo Estadual Governo Municipal Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária Órgão regulador que coorderna e fiscaliza as ações de caráter nacional. Covisa - Coordenadoria de Vigilância Sanitária Órgão com a competência de coordenar em caráter complementear as ações da visa e legislar sob normas gerais determinadas pela União. CVS - Centro de Vigilância Sanitária Órgão com a competência de planejar, coordenar, supervisionar, realizar estudos e propor normas de programas. Suvis - Vigilância Sanitária Regional Órgão responsável pela execução das ações de vigilância sanitária no seu âmbito de atuação. Figura 8 – Níveis da Vigilância Sanitária (Visa) Existem inúmeros órgãos que fiscalizam e inspecionam os estabelecimentos produtores de alimentos, incluindo aquelesque produzem refeições e nos quais muitos nutricionistas atuam. 26 Unidade I Bombeiros Prefeitura Procon Idec CFN CRN Inmetro Ipem Suvis DPPC Conselho Federal de Nutrição e Conselho Regional de Nutricionistas Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia Instituto de Pesos e Medidas Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania Proteção ao consumidor Vigilância sanitária Figura 9 – Órgãos fiscalizadores Por que se fiscaliza? Normalmente, por quatro motivos: • alvará sanitário para liberação de funcionamento, por exemplo; • visita técnica; • denúncias de consumidores; • investigação de doenças transmitidas por alimentos (DTA). A fiscalização utiliza-se da legislação para garantir procedimentos de conformidade dos produtos e serviços exigidos pela vigilância sanitária. Os pontos críticos observados pela fiscalização em visitas técnicas quase sempre concentram-se em: • Equipamentos/utensílios devem estar em bom estado de conservação, com superfície lisa e impermeável para higienização. • Aparência dos manipuladores (barba feita, sem a utilização de adornos, unhas curtas sem esmalte e cabelos presos com a utilização de touca) e uso de uniformes adequados. • Armazenamento adequado dos alimentos. • Higiene geral do ambiente de trabalho (cozinha, salão, depósitos, vestiários e refeitório; inclusive área externa e lixeiras). 27 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS • Frequência e modo de lavagem das mãos. • Validade e procedência de produtos. • Processo de produção dos alimentos (temperatura de preparo e tempo de exposição dos alimentos – etiquetas de fracionamento e acondicionamento). • Uso adequado e estado de conservação dos equipamentos de proteção individual (EPI). • Controle integrado de pragas que inclui limpeza, estrutura, barreiras sanitárias (exemplo: telas). • Potabilidade da água. • Aplicação de treinamento sobre segurança dos alimentos e seus riscos para todos os colaboradores. 2.3 Responsabilidade técnica É importante diferenciar representante legal de responsável técnico (RT). O primeiro é a pessoa física ou jurídica investida de poderes legais para praticar atos em nome de um responsável direto, predisposta a gerir ou a administrar seus negócios, constituindo seu agente ou consignatário. O segundo é o profissional legalmente habilitado, responsável pela implantação do asseguramento de qualidade e segurança do produto perante o órgão de vigilância sanitária. De acordo com as exigências das portarias MS-1428/93, RDC 216/04, 2619/11 e CVS-05/13, o RT deve possuir formação compatível com suas atribuições: senso de liderança e organização, conhecimentos de microbiologia, do controle higiênico-sanitário de alimentos e dos processos de produção. É responsável por: • Capacitação de pessoal: promoção e realização de treinamento das equipes operacionais. • Elaboração, implantação e implementação do MBPFM. • Aprovação ou rejeição de matérias-primas, insumos, produtos semielaborados, produtos terminados, procedimentos, métodos ou técnicas, equipamentos e utensílios. • Supervisionar os princípios do sistema de APPCC que podem embasar o MBPFM: o monitoramento dos critérios definidos, a responsabilidade inclusive quanto à mensuração de temperaturas com o uso do termômetro, a programação de realização de análises microbiológicas e outras atividades que envolvam a segurança sanitária dos produtos e serviços oferecidos. • Realizar análise periódica dos registros, identificando falhas presentes para correção do processo e adequação dos controles de qualidade adotados no MBPFM. 28 Unidade I • Gerenciar o processo produtivo. • Entre outras atribuições preconizadas pela resolução n. 600/18 do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), se o RT for nutricionista. 2.4 Modelo de segurança de alimentos O modelo de segurança de alimentos consiste de três fases: • Primeira fase: Programa de Pré-Requisitos (PPR) do sistema de APPCC: — Boas Práticas de Fabricação e Manipulação (BPFM). — Procedimentos Operacionais Padronizados (POP). — Procedimentos Padrão de Higiene Operacional (PPHO). • Segunda fase: Sistema de APPCC: — Etapas da sequência lógica (preliminares). — Sete princípios. • Terceira fase: Sistema de gestão da segurança de alimentos: — ISO 22000. Quadro 3 – Esquema simplificado da aplicação prática das BPF, POP e sistema de APPCC Aplicação Planejamento Diagnóstico da situação atual Listas de verificação Identificação de não conformidades Plano de ação Determinação de normas, procedimentos, medidas de controle e critérios Elaboração de manuais técnico-operacionais Definição técnica de monitoramento Treinamento teórico-prático Definição das ações corretivas e/ou preventivas Gestão do processo Estabelecimento de técnicas de verificação Avaliação do processo Fonte: Popolim (2006, p. 41). 29 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS 3 PRINCIPAIS LEGISLAÇÕES SANITÁRIAS DE ALIMENTOS VIGENTES As principais legislações são constituintes do PPR, e à luz dessas legislações e de outras que se fizerem necessárias (de acordo com o estado e/ou município), é possível estabelecer: controle da potabilidade da água, controle da saúde e higiene dos manipuladores, controle de pragas e vetores urbanos, controle e seleção das matérias-primas e fornecedores, edificações e instalações, armazenamento de alimentos em temperatura ambiente e em temperatura controlada, fluxo de processamento de alimentos, higiene ambiental, equipamentos, utensílios e móveis, higiene dos alimentos, entre outros. É muito comum que as legislações nacionais sejam baseadas no Codex alimentarius (código internacional de práticas recomendadas – princípios gerais de higiene dos alimentos). É um código criado em 1969 e usado como base principalmente para as legislações federais, como a RDC 216/04. Atualmente, encontra-se em sua quarta revisão, feita em 2003. Saiba mais Para conhecer mais detalhes do Codex alimentarius, acesse os links a seguir: AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Codex Alimentarius, 16 ago. 2013. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/ documents/33916/388701/Codex+Alimentarius/10d276cf-99d0-47c1- 80a5-14de564aa6d3. Acesso em: 23 abr. 2020. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO). Codex Alimentarius – International Food Standards. Disponível em: http:// www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/en/. Acesso em: 23 abr. 2020. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS Brasil). Codex alimentarius – Higiene dos Alimentos – Textos básicos. Paho, 2020. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_do cman&view=document&layout=default&alias=286-codex-alimenta rius-higiene-dos-alimentos-textos-basicos-6&category_slug=seguran ca-alimentar-e-nutricao-997&Itemid=965. Acesso em: 23 abr. 2020. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO). Proposed draft revision of the general principles of food hygiene (CXC 1-1969) and it’s HACCP annex. Cleveland, 8 nov. 2019. Disponível em: http:// www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/sh-proxy/es/?lnk=1&url=https%2 53A%252F%252Fworkspace.fao.org%252Fsites%252Fcodex%252FMeeting s%252FCX-712-51%252FWD%252Ffh51_06e.pdf. Acesso em: 23 abr. 2020. 30 Unidade I Quadro 4 – Base legal e científica (Codex alimentarius) sobre as temperaturas de conservação dos alimentos da RDC 216/04 Condição Temperatura Item do Codex alimentarius Item RDC 216/04 Refrigeração de alimentos preparados Inferior a 5 ºC 7.1.4 4.8.16 Resfriamento de alimentos preparados Reduzir de 60 ºC a 10 ºC em até 2 horas 7.7.2 4.8.16 Congelamento de alimento Temperatura igual ou inferior a -18 ºC 2.12 4.8.16 Manutenção a quente de alimentos preparados Temperatura superior a 60 ºC por no máximo 6 horas 6.2.3.1 4.8.15 Tratamento térmico do alimento Todas as partes do alimento atingem no mínimo 70 ºC 7.5.1 e 7.10.1 4.8.8 Prazo máximo de consumo do alimento preparado Quando conservado a 4 ºC ou inferior, deve ser de 5 dias7.7.3 e 7.7.4 4.8.17 Aquecimento de óleos e gorduras Não superior a 180 ºC 7.5 4.8.11 Adaptado de: Silva Júnior (2014, p. 605). 3.1 Federais Código de Defesa ao Consumidor (CDC) – Lei n. 8.078, de 11/09/1990 O CDC é um instrumento legislativo abrangente que aborda as relações de consumo nas esferas civil (responsabilidades e os mecanismos para a reparação de danos), administrativa (mecanismos para o poder público atuar nas relações de consumo) e penal (tipos de crimes e punições). É possível destacar os seguintes artigos (BRASIL, 1990): Art. 10: O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. […] Art. 12: O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. Art. 13: O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: 31 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS I – o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II – o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; III – não conservar adequadamente os produtos perecíveis. […] Art. 39: VIII – colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). Portaria SVS/MS n. 1.428, de 26/11/1993 Precursora no Brasil da legislação em BPF. Aprova em textos os seguintes anexos (BRASIL, 1993): • RT. • Regulamento técnico para inspeção sanitária dos alimentos. • Diretrizes para implantação de BPF e de prestação de serviço na área de alimentos. • Regulamento técnico para padrões de identidade e qualidade (PIQ) para serviços e produtos na área de alimentos. Portaria SVS/MS 326, de 30/07/97 da Secretaria de Vigilância Sanitária do MS Aprova o regulamento técnico sobre condições higiênico-sanitárias e de BPF para estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos (BRASIL, 1997). Mas não dá parâmetros numéricos, somente orienta. Portaria MAA 368, de 04/07/1997, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) Semelhante à portaria 326/97, porém para produtos de origem animal e agricultura. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n. 275, de 21/10/2002 Estabelece procedimentos operacionais padronizados que contribuam para a garantia das condições higiênico-sanitárias necessárias ao processamento/industrialização de alimentos, complementando as BPF (BRASIL, 2002). 32 Unidade I Única legislação que fornece lista de verificação e, pela sistematização dos dados, classifica o estabelecimento: • Grupo 1: 76% a 100% de atendimento dos itens. • Grupo 2: 51% a 75% de atendimento dos itens. • Grupo 3: 0 a 50% de atendimento dos itens. O panorama sanitário será utilizado como critério para definição e priorização das estratégias institucionais de intervenção. Normas Regulamentadoras (NR) As NR são disposições complementares ao capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho, consistindo em obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos por empregadores e trabalhadores com o objetivo de garantir trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes de trabalho. A elaboração/revisão das NR é realizada pelo Ministério do Trabalho (MT) adotando o sistema tripartite paritário por meio de grupos e comissões compostas por representantes do governo, de empregadores e de empregados. As principais normas aplicadas em produção de alimentos são: • NR 1: disposições gerais. • NR 5: comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA). • NR 6: equipamentos de proteção individual (EPI). • NR 7: programa de controle médico de saúde ocupacional (PCMSO). • NR 8: edificações. • NR 9: programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA). • NR 12: segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. • NR 14: fornos. • NR 15: atividades e operações insalubres. • NR 17: ergonomia. • NR 23: proteção contra incêndios. 33 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS • NR 24: condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho. • NR 26: sinalização de segurança. • NR 28: fiscalizações e penalidades. • NR 32: segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. • NR 36: segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados. Sempre que se reportar às legislações, não deixe de consultar os códigos sanitários (estado e município) e as normas da ABNT e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), por exemplo, bem como outras NR do MT. Saiba mais Para saber mais sobre as NR, acesse: BRASIL. ESCOLA NACIONAL DE INSPEÇÃO DO TRABALHO (ENIT). Normas regulamentadoras – Português. Enit, 2020. Disponível em: https://enit. trabalho.gov.br/portal/index.php/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-menu/ sst-normatizacao/sst-nr-portugues?view=default. Acesso em: 23 abr. 2020. RDC MS/Anvisa n. 216, de 15/09/2004 Aprova o regulamento técnico de boas práticas para serviços de alimentação, cujo objetivo é estabelecer procedimentos de boas práticas para serviços de alimentação a fim de garantir as condições higiênico-sanitárias do alimento preparado (BRASIL, 2004). Aplica-se aos serviços de alimentação que realizam algumas das seguintes atividades: manipulação, preparação, fracionamento, armazenamento, distribuição, transporte, exposição à venda e entrega de alimentos preparados ao consumo, tais como cantinas, bufês, comissarias, confeitarias, cozinhas industriais, cozinhas institucionais, delicatéssen, lanchonetes, padarias, pastelarias, restaurantes, rotisserias e congêneres. As comissarias instaladas em portos, aeroportos, fronteiras e terminais alfandegados devem, ainda, obedecer aos regulamentos técnicos específicos. Excluem-se deste regulamento lactários e unidades de terapia de nutrição enteral – TNE (RDC n. 63/00). Bancos de leite humano, cozinhas dos estabelecimentos assistenciais de saúde e estabelecimentos industriais abrangidos no âmbito do regulamento técnico sobre as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação para estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos (portaria n. 326/97). 34 Unidade I RDC n. 331, de 23/12/2019 Estabelece os padrões microbiológicos de alimentos e sua aplicação. Aplica-se a toda a cadeia produtiva de alimentos (BRASIL, 2019). Os padrões microbiológicos aplicam-se aos alimentos prontos para oferta ao consumidor. Para os ingredientes destinados exclusivamente ao uso industrial, incluindo os aditivos alimentares, não se aplicam os padrões microbiológicos estabelecidos na instrução normativa n. 60, de 23/12/2019, devendo ser observados os padrões microbiológicos estabelecidos em suas especificações. RDC n. 63, de 06/07/2000 Estabelece as boas práticas de preparação de nutrição enteral (BPPNE) e dá outras providências, como (BRASIL, 2000): • Ao médico compete indicar, prescrever e acompanhar os pacientes submetidos à TNE. O médico é responsável pela prescrição médica da TNE. • Ao nutricionista compete realizar todas as operações inerentes à prescrição dietética, composição e preparação da nutrição enteral (NE), atendendo às recomendações das BPPNE. O nutricionista é responsável pela prescrição dietética da NE. RDC n. 43, de 01/09/2015 Essa resolução tem como objetivo estabelecer regras sobre a prestação de serviços de alimentação em eventos demassa, incluindo requisitos mínimos para avaliação prévia e funcionamento de instalações e serviços relacionados ao comércio e manipulação de alimentos e definição de responsabilidades (STEDEFELDT et al. 2016). Saiba mais Para saber mais sobre as legislações federais, acesse o site da Biblioteca de Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Biblioteca de alimentos. 2020. Disponível em: http://portal.anvisa.gov. br/documents/33880/4967127/Biblioteca+de+Alimentos_Portal.pdf/ f69da615-cd56-44f0-850e-cd816221110d. Acesso em: 23 abr. 2020. 3.2 Estadual SP Portaria CVS-05, de 09/04/2013 Aprova o regulamento técnico sobre boas práticas para estabelecimentos comerciais de alimentos e para serviços de alimentação e o roteiro de inspeção (SÃO PAULO, 2013). 35 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS 3.3 Municipal SP Portaria Secretaria Municipal da Saúde (SMS) 2619, de 06/12/2011 Aprova o regulamento de boas práticas e de controle de condições sanitárias e técnicas das atividades relacionadas a importação, exportação, extração, produção, manipulação, beneficiamento, acondicionamento, transporte, armazenamento, distribuição, embalagem, reembalagem, fracionamento, comercialização e uso de alimentos, águas minerais e de fontes, bebidas, aditivos e embalagens para alimentos (SÃO PAULO, 2011). Além da legislação federal, estadual e municipal, os estabelecimentos que realizam quaisquer das atividades descritas no artigo 1º ficam obrigados a cumprir as boas práticas, bem como os procedimentos operacionais padronizados estabelecidos no regulamento aprovado por essa portaria. A desobediência ao disposto no regulamento configura infração sanitária, punível nos termos da legislação específica e da Lei Municipal n. 13.725, de 09/01/2004 (Código Sanitário do Município de São Paulo). Quadro 5 – Comparativo entre as principais legislações com indicação dos respectivos itens e artigos a que se referem Item RDC 216/04 CVS-5/13 Portaria 2619/11 Abrangência 1.2 art. 6 art. 2º Definições 2 e subitens art. 7 e incisos 1 Referências 3 e subitens - 18 Edificação, instalações, equipamentos, móveis e utensílios 4.1 e subitens cap. VI, art. 77 ao art. 95 2 e 3 e subitens Higienização de instalações, equipamentos, móveis e utensílios 4.2 e subitens cap. IV, art. 62 ao art. 65 4 e subitens Controle integrado de vetores e pragas urbanas 4.3 e subitens art. 76 12 e subitens Abastecimento de água 4.4 e subitens cap. V, art. 66 ao art. 70 11 e subitens Manejo de resíduos 4.5 e subitens art. 73 13 e subitens Manipuladores 4.6 e subitens cap. II, art. 8 ao art. 20 5 e subitens Matérias-primas, ingredientes e embalagens 4.7 e subitens cap. III, art. 21 ao art. 40 5, 6, 8 e 14 e subitens Preparação do alimento 4.8 e subitens cap. II, art. 41 ao art. 45 7 e subitens Armazenamento e transporte do alimento preparado 4.9 e subitens cap. II, art. 53 ao art. 61 10 e subitens Exposição ao consumo do alimento preparado 4.10 e subitens cap. II, art. 46 ao art. 51 9 e subitens Documentação e registro 4.11 e subitens cap. VII, art. 96 ao art. 99 16 e 17 e subitens Adaptado de: São Paulo (2013); São Paulo (2011); Brasil (2004). 36 Unidade I 3.4 Programa de pré-requisitos (PPR) De acordo com a legislação sanitária brasileira, o PPR gerencia condições e atividades básicas. Os PPR não são selecionados com o propósito de controlar um perigo identificado específico, mas sim para manter uma produção higiênica, processo ou ambiente de manipulação. Procedimentos que devem ser adotados em estabelecimentos alimentares, a fim de garantir a qualidade higiênico-sanitária e a conformidade dos produtos elaborados às normas. Já o Programa de pré-requisito operacional (PPRO) gerencia aquelas medidas de controle que a análise de perigos identifica como necessárias para controlar em nível aceitável os perigos identificados que não são gerenciadas pelo plano APPCC. Edificação, instalações, equipamentos e utensílios Manejo dos resíduos Armazenamento e transporte do alimento pronto Higiene da edificação, instalações, equipamentos e utensílios Manipuladores Exposição ao consumo Controle integrado de pragas Matérias-primas, ingredientes e embalagens Documentação e registro Abastecimento de água Preparação do alimento Responsabilidade Figura 10 – Programa de pré-requisitos (PPR) de acordo com a RDC 216/04 De acordo com as portarias 1428/93 e 326/97, as boas práticas são procedimentos necessários para garantir a qualidade sanitária dos alimentos e as BPF se dividem em: • padrão de identidade e qualidade (PIQ); • condições ambientais; • instalações e saneamento; • equipamentos e utensílios; 37 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS • recursos humanos; • tecnologia empregada; • controle de qualidade; • garantia de qualidade; • armazenamento; • transporte; • informações ao consumidor; • exposição/comercialização; • desinfecção/desinfestação. Para a RDC 275/02, o POP é um procedimento escrito de forma objetiva que estabelece instruções sequenciais para a realização de operações rotineiras e específicas na produção, armazenamento e transporte dos alimentos. Esse procedimento pode apresentar outras nomenclaturas, desde que obedeça ao conteúdo estabelecido na legislação. Quadro 6 – Diferentes abordagens para os POP e outras estratégias de controle, de acordo com o órgão e com o âmbito de aplicação Órgão Instrumento Procedimento Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) PPHO 1 – Potabilidade da água 2 – Higiene das superfícies de contato com o produto 3 – Prevenção da contaminação cruzada 4 – Higiene pessoal 5 – Proteção contra contaminação do produto 6 – Agentes tóxicos 7 – Saúde dos colaboradores 8 – Controle integrado de pragas Programas de autocontrole (PA) Circular n. 175/05/ CGPE/Dipoa 1 – Manutenção das instalações e equipamentos industriais 2 – Vestiários e sanitário 3 – Iluminação 4 – Ventilação 5 – Água de abastecimento 6 – Águas residuais 7 – Controle integrado de pragas 8 – Limpeza e sanitização (PPHO) 38 Unidade I Órgão Instrumento Procedimento Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) Programas de autocontrole (PA) Circular n. 175/05/ CGPE/Dipoa 9 – Higiene, hábitos higiênicos e saúde dos operários 10 – Procedimentos sanitários das operações 11 – Controle da matéria-prima, ingredientes e material de embalagem 12 – Controle de temperaturas 13 – Calibração e aferição de instrumentos de controle de processo 14 – APPCC 15 – Testes microbiológicos 16 – Certificação dos produtos exportados Ministério da Saúde (MS) – POP RDC 275/02 1 – Controle da potabilidade da água 2 – Higiene das instalações, equipamentos, móveis e utensílios 3 – Higiene e saúde dos manipuladores 4 – Manejo dos resíduos 5 – Manutenção preventiva e calibração dos equipamentos 6 – Controle de vetores e pragas urbanas 7 – Seleção e recebimento de matérias-primas 8 – Programa de recolhimento de produtos RDC 216/04 1 – Higienização de instalações, equipamentos e móveis 2 – Controle integrado de vetores e pragas urbanas 3 – Higienização do reservatório 4 – Higiene e saúde dos manipuladores Centro de Vigilância Sanitária (CVS) – SP CVS-05/13 1 – Higiene e saúde dos funcionários 2 – Capacitação dos funcionários em boas práticas com o conteúdo programático mínimo (DTA, higiene e saúde dos funcionários, qualidade da água, controle integrado de pragas, qualidade sanitária na manipulação de alimentos, POP para higienização das instalações e do ambiente) 3 – Controle de qualidade na recepção de mercadorias 4 – Transporte de alimentos 5 – Higienização e manutenção das instalações, equipamentos e móveis 6 – Higienização do reservatório e controle da potabilidade da água 7 – Controle integrado de vetores e pragas urbanas Secretaria Municipal de Saúde (SMS) –São Paulo Port. 2619/11 Indústrias alimentícias: 1 – Higienização das instalações,equipamentos, móveis e utensílios 2 – Higienização do reservatório de água 3 – Controle da potabilidade da água, no caso de uso de água de fonte alternativa 4 – Capacitação, higiene e saúde dos manipuladores 5 – Manejo dos resíduos 6 – Manutenção preventiva e calibração de equipamentos e instrumentos de medição 7 – Controle integrado de vetores e pragas urbanas 8 – Seleção das matérias-primas, ingredientes e embalagens 39 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Órgão Instrumento Procedimento Secretaria Municipal de Saúde (SMS) –São Paulo Port. 2619/11 9 – Controle de qualidade e rastreabilidade do produto final 10 – Programa de recolhimento de alimentos Comércio varejista, cozinhas industriais e as cozinhas institucionais: 1 – Higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios 2 – Capacitação, higiene e saúde dos manipuladores 3 – Controle integrado de vetores e pragas urbanas 4 – Higienização do reservatório de água 5 – Controle da potabilidade da água, no caso de uso de água de fonte alternativa Comércio atacadista de alimentos: 1 – Higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios 2 – Capacitação, higiene e saúde dos manipuladores 3 – Controle integrado de vetores e pragas urbanas 4 – Programa de recolhimento de alimentos 5 – Manutenção preventiva e calibração de equipamentos e instrumentos de medição 6 – Higienização do reservatório de água 7 – Controle da potabilidade da água, no caso de uso de água de fonte alternativa Obs.: Para todos os estabelecimentos que manipulem frutas, verduras e legumes devem ser implantados e implementados POP de higienização para esses grupos de alimentos. Adaptado de: Brasil (2004), Figueiredo (1999), Lopes (2004), Popolim (2012a), São Paulo (2011), São Paulo (2013). 3.5 Documentação necessária para estabelecimentos produtores de alimentos Apesar de ser uma legislação específica do município de São Paulo, esta relação de documentos pode ser utilizada como guia e adaptada à realidade local. De acordo com a port. 2619 (SÃO PAULO, 2011, p. 42-46): 17.1. Os documentos referidos neste regulamento ou cópia destes devem permanecer no estabelecimento, organizados, atualizados e disponíveis para a autoridade sanitária no momento da inspeção. 17.2. Todos os estabelecimentos devem possuir os documentos apresentados a seguir: I – Registros das reclamações efetuadas por consumidores; II – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO); III – Atestados de Saúde indicando a realização dos exames de coprocultura e coproparasitólogico; 40 Unidade I IV – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA); V – Comprovantes de higienização do reservatório de água; VI – Os procedimentos operacionais padronizados (POP) devem apresentar, no mínimo, as seguintes informações: a) Higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios: devem conter informações sobre a natureza da superfície a ser higienizada, método de higienização, princípio ativo, produto utilizado e sua concentração, tempo de contato dos agentes químicos ou físicos utilizados na operação de higienização, temperatura, responsável pela tarefa e outras informações que se fizerem necessárias. Quando aplicável o desmonte dos equipamentos, o POP deve contemplar esta operação; b) Controle da potabilidade da água e higienização do reservatório de água: devem conter informações sobre o tipo de abastecimento da água, volume utilizado, local de armazenamento, localização do reservatório, capacidade e periodicidade de higienização de cada reservatório, descrição do método de higienização, incluindo as características da superfície a ser higienizada, identificação do princípio ativo e do produto utilizado, concentração e tempo de contato dos agentes químicos. O POP deve abordar também, as operações relativas ao controle da potabilidade da água, incluindo as etapas em que a mesma é crítica para o processo produtivo, especificando os locais de coleta das amostras, a frequência de sua execução, as determinações analíticas, a metodologia aplicada e os responsáveis pela operação. Nos casos em que as determinações analíticas ou a higienização do reservatório for realizada por empresa terceirizada, o estabelecimento deve apresentar, para o primeiro caso, laudos de análises e, para o segundo, o certificado de execução do serviço devidamente datado, assinado e contendo todas as informações; c) Capacitação, higiene e saúde dos manipuladores: devem abordar as etapas, a frequência e os princípios ativos usados para a lavagem e antissepsia das mãos dos manipuladores, assim como as medidas adotadas nos casos em que os manipuladores apresentem lesão nas mãos, sintomas de enfermidade ou suspeita de problema de saúde que possa comprometer a segurança do alimento. A capacitação dos manipuladores deve ser descrita, sendo determinada a carga horária, o conteúdo programático e a frequência de sua realização; d) Manejo dos resíduos: deve indicar a forma de coleta, a empresa responsável pela coleta de resíduos orgânicos e recicláveis, periodicidade das coletas e locais de armazenamento, e os procedimentos de higienização dos coletores de resíduos e da área de armazenamento; 41 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS e) Controle integrado de vetores e pragas urbanas: devem contemplar as medidas preventivas e corretivas destinadas a impedir a atração, o abrigo, o acesso e a proliferação de vetores e pragas urbanas; f) Seleção das matérias-primas, ingredientes e embalagens: devem especificar os critérios utilizados para a seleção e recebimento da matéria-prima, embalagens e ingredientes, e, quando aplicável, o tempo de quarentena necessário. Esses procedimentos devem prever o destino dado às matérias- primas, embalagens e ingredientes reprovados no controle efetuado; g) Controle de qualidade e rastreabilidade do produto acabado: devem contemplar todos os procedimentos relativos à identificação do lote e a determinação do prazo de validade; h) Programa de recolhimento de alimentos: devem estabelecer as situações de adoção do programa, os procedimentos a serem seguidos para o rápido e efetivo recolhimento do produto, a forma de segregação dos produtos recolhidos e seu destino final, além dos responsáveis pela atividade. O programa escrito para o recolhimento rápido e eficiente de produtos que não atendam aos parâmetros de qualidade e segurança deve conter minimamente as seguintes informações: nome do produto, marca, número do lote, data de fabricação, data de validade, quantidade produzida, quantidade recolhida, locais de distribuição, motivo do recolhimento, destino final do produto e pessoa responsável por esta operação. A empresa deve dispor de programa escrito, treinamento e pessoal para o recolhimento rápido e eficiente de produtos que não atendam aos parâmetros de qualidade e segurança; i) Higienização de frutas, verduras e legumes: devem conter informações sobre o grupo do alimento a ser higienizado, método de higienização, produto utilizado, princípio ativo e concentração, tempo de contato dos agentes químicos, responsável pela tarefa e outras informações que se fizerem necessárias. VII – Comprovante de capacitação de funcionários contemplando conteúdo programático, carga horária e registro nominal de participação de funcionários; VIII – Manual de boas práticas de fabricação e/ou manipulação (MBPFM) individual e específico para a empresa, obedecendo aos critérios e parâmetros das legislações específicas. 17.3. Considerando-se as atividades desenvolvidas e as características dos estabelecimentos, os mesmos devem possuir os documentos referidos a seguir: 42 Unidade I I – Comprovante de contratação do responsável técnico; II – Certificado de curso de Capacitação em Boas Práticas de Manipulação de Alimentos para as empresas classificadas como empresa de pequeno porte (EPP) ou micro empresa (ME) e a empresa registrada como Sociedade Limitada - Ltda., optante pelo Sistema TributárioSimples; III – Comprovante de treinamento específico para manipulação de carnes com registro nominal de participação dos funcionários do comércio varejista de carnes que realizem atividades de empanar e adicionar temperos em carnes; IV – Planilhas de controle de temperatura dos equipamentos de conservação e manutenção dos alimentos das cadeias fria e quente; V – Planilhas de controle de temperatura dos alimentos nas etapas de recebimento, acondicionamento das refeições transportadas, exposição para venda de alimentos congelados e refrigerados e exposição para venda ou distribuição de alimentos preparados prontos para o consumo, embalados ou não; VI – Planilhas de controle de qualidade dos óleos e gorduras utilizados nas frituras; VII – Fichas técnicas dos produtos de higienização de uso profissional; VIII – Contrato com a empresa coletora de resíduos sólidos; IX – Cadastro de fornecedores para as empresas classificadas como ME ou EPP e a empresa registrada como Sociedade Limitada - Ltda., optante pelo Sistema Tributário Simples; X – Comprovantes de higienização e manutenção dos elementos filtrantes e dos sistemas de filtragem do sistema de abastecimento de água; XI – Comprovante de regularização das soluções alternativas e dos veículos transportadores de água junto aos órgãos de vigilância em saúde; XII – Comprovantes de tratamento e controle da potabilidade da água de solução alternativa por meio de laudos de análises laboratoriais; XIII – Laudos de análises laboratoriais que comprovem a potabilidade da água de solução alternativa transportada por veículos; XIV – Planilhas de controle do cloro residual livre de cada carga de água de solução alternativa transportada por veículos; 43 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS XV – Comprovantes de limpeza, manutenção e troca de filtros dos componentes dos equipamentos de climatização; XVI – Fichas técnicas dos produtos alimentícios fabricados contemplando a composição do produto acabado; XVII – Metodologia utilizada para elaboração da informação nutricional apresentada na rotulagem; XVIII – Comprovantes de coleta de resíduos de óleo e gordura comestíveis servidos; XIX – Laudos de migração das embalagens primárias para alimentos; XX – Fichas técnicas dos lubrificantes utilizados nos equipamentos que entram em contato com os alimentos ou embalagens para alimentos; XXI – Comprovante de regularização da empresa controladora de pragas junto aos órgãos competentes; XXII – Relatório elaborado pela empresa controladora de pragas indicando as medidas preventivas necessárias para o controle da infestação considerando - se as características das instalações e das atividades desenvolvidas pela empresa contratante; XXIII – Comprovante de execução do serviço emitido pela empresa controladora de pragas, contendo as seguintes informações: a) Identificação da contratante: razão social e endereço completo; b) Identificação da empresa especializada prestadora do serviço com: razão social, nome fantasia, número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, endereço completo, telefone e números das licenças sanitária e ambiental com seus respectivos prazos de validade; c) Descrição dos serviços executados, incluído a indicação das pragas e vetores alvo, o mapeamento das iscas e armadilhas, caso as mesmas sejam utilizadas; d) Nome dos saneantes desinfestantes utilizados com a indicação do ingrediente ativo e da formulação, das quantidades e das concentrações aplicadas, além dos números dos registros desses produtos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); 44 Unidade I e) Indicação dos procedimentos que devem ser adotados antes e depois da aplicação de saneantes desinfestantes visando a prevenção da contaminação dos alimentos, equipamentos e utensílios, e da intoxicação de funcionários e usuários; f) Informações sobre os saneantes desinfestantes utilizados para uso médico: grupo químico, ingrediente ativo, formulação, ação tóxica, antídoto e tratamento adequado; g) Número do telefone de centro de informação toxicológica localizado no município; h) Assinatura, identificação legível e número de inscrição do RT no conselho regional de classe. XXIV – Comprovantes de calibração de equipamentos e instrumentos de medição; XXV – Comprovantes de manutenção preventiva e corretiva de equipamentos. 17.4. Os estabelecimentos sempre que solicitados pela autoridade sanitária, devem apresentar, além dos documentos, ou cópia destes, exigidos neste regulamento, outros que forem julgados necessários para expressar o cumprimento das normas de boas práticas. 17.5. Os documentos, ou cópia destes, citados nos itens 17.2 (II, III, IV, V), 17.3 (I, VIII, IX, XI, XXI) devem permanecer arquivados pelo período de validade/vigência dos mesmos. 17.6. Devem permanecer arquivados os documentos, ou cópias destes, do mês corrente e do mês anterior citados nos itens 17.2 (I), 17.3 (IV, V, XIII, XIV). 17.7. Os documentos, ou cópia destes, citados nos itens 17.2 (VI, VIII), 17.3 (VII, XVI, XVII, XIX, XX) devem permanecer arquivados pelo período de uso ou validade dos mesmos. 17.8. Os documentos, ou cópia destes, citados no item 17.3 (II, III) deve permanecer arquivado permanentemente. 17.9. O documento, ou cópia deste, citado no item 17.3 (XII) deve permanecer arquivado pelo prazo de validade dos produtos alimentícios nos quais foi utilizada a água. 45 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS 17.10. Deve ser mantido arquivado o último documento emitido ou elaborado, ou cópia deste, que comprove a realização das atividades citadas nos itens 17.2 (VII), 17.3 (VI, X, XV, XVIII, XXII, XXIII, XXIV, XXV). Saiba mais Para conferir mais detalhes sobre o licenciamento de empresas, acesse os sites: http://empreendafacil.prefeitura.sp.gov.br/ CENTRO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (CVS). SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE. Coordenadoria de Controle de Doenças. Portaria CVS 1/2019. São Paulo, 9 jan. 2019. Disponível em: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/up/E_ PT-CVS-01-19-COMPLETA%20(06fev19).pdf. Acesso em: 24 abr. 2020. Quadro 7 – Principais documentos que um estabelecimento produtor de alimentos deve manter e suas características Item Documento Periodicidade Água Certificado de limpeza da caixa d´água realizado com empresa cadastrada e dentro da validade Limpeza realizada a cada 6 meses Certificado de troca do elemento filtrante dentro da validade Cada marca de filtro tem um tipo de refil, a qual deve ser verificada no manual ou na etiqueta do filtro – para manutenção (retrolavagem) e troca, a ser realizada uma vez ao ano ou conforme fabricante Utilização do caminhão pipa de empresa Este item deve ficar em pasta separada. Cadastro junto à Central de Abastecimento local, quando utilizar água de caminhão pipa Análise microbiológica da água dentro da validade Realizada a cada 6 meses após lavagem da caixa d’água, e no caso de locais que tenham fonte de água alternativa Análise físico-química com laboratório cadastrado de poço artesiano dentro da validade Informar ao abastecimento local e pagar taxa extra de esgoto e quando solicitado deve ter tratamento específico, realizado a cada 6 meses Controle de pragas Certificado de controle integrado de pragas realizado com empresa cadastrada Realizado uma vez ao mês ou se houver necessidade Contrato vigente de prestação de serviço com empresa terceirizada de controle de pragas - Certificado do controle de pragas do veículo (a empresa responsável deve deixar uma cópia no caminhão e uma cópia no estabelecimento para quem possui transporte próprio) É obrigatória a cópia do certificado no estabelecimento Bombeiro Alvará do Corpo de Bombeiros dentro da validade Validade de 12 meses Atestado do curso teórico e prático da brigada de prevenção e combate a incêndio dentro da validade Validade de 12 meses Certificado de aferição dos extintores dentro da validade Validade de 12 meses 46 Unidade I Item Documento Periodicidade Coleta de lixoBoleto de coleta de lixo realizado com empresa cadastrada Manter na pasta o boleto do mês vigente, e para os meses anteriores, arquivar em outra pasta pelo período de1 ano Na região em que a coleta é feita pela prefeitura, o estabelecimento deve ter um documento oficial que informe o fato (exemplo: cópia da legislação local) Certificados de manifesto de carga expedido pela empresa de coleta de lixo Realizado uma vez ao mês e deve ser arquivado por 1 ano Cadastro do estabelecimento como gerador de resíduos Verificar legislação local sobre o cadastro para cada região Gás Atestado de anotação de responsabilidade técnica (ART) do gás Realizado a cada 12 meses ou conforme fornecedor Solicitar para a companhia de gás Coleta de gordura Romaneio de coleta de gordura queimada realizada com empresa cadastrada Realizada a coleta, deve ser arquivado por 6 meses Contrato vigente de prestação de serviço com a empresa terceirizada de coleta de gordura Além do contrato, o estabelecimento deve ter o adesivo no latão da coleta, fornecido pela empresa Exaustão Certificado da limpeza da exaustão com empresa Realizado a cada 6 meses ou conforme o uso da estação de exaustão Saúde dos colaboradores PCMSO dentro da validade Realizado a cada ano ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) dentro da validade e realizado de acordo com a função Todos os colaboradores: admissional e demissional Manipuladores (incluindo garçons): exames laboratoriais (coprocultura, coproparasitológico, hemograma) Realizado a cada ano (São Paulo: 6 meses) Segurança PPRA dentro da validade Realizado a cada 12 meses Termo de responsabilidade de uso de EPI, assinado pelos colaboradores Manter EPI necessário para todos os colaboradores: casaco de proteção para entrada em câmaras frias, sapato antiderrapante, óculos e luvas para uso de produtos químicos, avental de napa para áreas úmidas Cipa (quando solicitado pela empresa da Saúde do Trabalhador no PCMSO) Cipa para 51 colaboradores registrados; caso contrário, treinamento uma vez por ano pela empresa da Saúde do Trabalhador Kit de primeiros socorros - Documentação geral Alvará de autorização de funcionamento dentro da validade Validade de 12 meses Cadastro na Vigilância Sanitária do estabelecimento e veículo ou licença sanitária, conforme o estado ou região ou Simproc (Sistema Municipal de Processos) - MBPFM atualizado e presente no estabelecimento Atualizado, no mínimo, uma vez ao ano. O MBPFM deve ter uma via na pasta e uma cópia à disposição no suporte isoflex no estabelecimento Certificado do curso de higiene na Vigilância Sanitária (somente em algumas regiões é obrigatório) Está vinculado ao CCM do estabelecimento Planilhas de POP arquivadas no estabelecimento Planilha de limpeza: arquivar por 60 dias (pode variar de acordo com a legislação estadual ou municipal) Demais planilhas: arquivar por 12 meses, no mínimo Adaptado de: ABNT (2015), Brasil (2004), São Paulo (2011), São Paulo (2013), Souza e Morais (2012). 47 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS 4 BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO E MANIPULAÇÃO (BPFM) DE ALIMENTOS COM BASE NA LEGISLAÇÃO SANITÁRIA DE ALIMENTOS VIGENTE E NA LITERATURA 4.1 Áreas para preparação de alimentos De forma geral, a área externa deve ser livre de focos insalubres e de entulhos ou materiais parados e sem uso, com drenagem de águas residenciais. Devem passar por manutenção constante e os acessos devem ser livres e independentes. Em relação à área interna, deve-se garantir que a contaminação seja minimizada com facilidade de higienização, impedimento ao acesso de pragas, temperaturas adequadas, sistemas de ventilação e exaustão eficazes, sistema de esgoto projetado adequadamente e que suporte a demanda, previsão de armazenagem de resíduos e fluxo de produção adequado (linear, unidirecional). Área de lixo Doca para caminhões Estoque Estoque Estrado Tanque Material de limpeza Pré-preparo de hortifruti Pré-preparo de hortifruti Armazenagem a frio Pré-preparo de carnes Lavagem de utensílios de cozinha Lavagem de utensílios de mesa SaladasAdministração Recebimento Pia de mão Guarda de utensílios Devolução Distribuição Passthrough Cozinha quente Limpeza Guarda de butijões Figura 11 – Layout padrão de um serviço de alimentação com fluxo de preparação linear Área para armazenamento em temperatura ambiente (estoque ou almoxarifado) Esta área destina-se ao armazenamento de alimentos em temperatura ambiente. Os alimentos devem ser separados por grupos, sacarias sobre estrados fixos com altura mínima de 25 cm, distantes da parede e entre pilhas por no mínimo 10 cm e do forro por 60 cm. Prateleiras a 25 cm do piso. Não deve existir entulho ou material tóxico no estoque, sendo o material de limpeza armazenado separadamente dos alimentos, com ventilação adequada. 48 Unidade I Embalagens íntegras com identificação visível (nome do produto, nome do fabricante, endereço, número de registro, prazo de validade etc.). Em caso de transferência de produtos de embalagens originais para outras embalagens de armazenamento, transferir também o rótulo do produto original ou desenvolver um sistema de etiquetagem para permitir uma perfeita rastreabilidade dos produtos desde a recepção das mercadorias até o preparo final. No estoque não devem existir equipamentos que propiciem condições que interfiram na qualidade e nas condições sensoriais dos alimentos. Área para armazenamento em temperatura controlada Esta área destina-se ao armazenamento de alimentos perecíveis ou rapidamente deterioráveis. Os equipamentos de refrigeração e congelamento devem ser de acordo com a necessidade e tipos de alimentos a serem produzidos/armazenados. No caso de possuir apenas uma geladeira ou câmara, o equipamento deve estar regulado para o alimento que necessitar de menor temperatura. Se forem instaladas câmaras, elas devem apresentar as seguintes características: • antecâmaras para proteção térmica; • revestimento com material lavável e resistente; • nível do piso igual ao da área externa; • termômetro permitindo a leitura pelo lado externo; • interruptor de segurança localizado na parte externa da câmara, com lâmpada piloto indicado “ligado-desligado”; • prateleiras em aço inox ou outro material apropriado; • porta que permita a manutenção de temperatura interna; • dispositivo de segurança que permita abri-la por dentro, quando utilizar porta hermética. Área para higiene/guarda de utensílios de preparação Local separado e isolado da área de processamento, contendo água quente e fria, além de espaço suficiente para guardar peças de equipamentos e utensílios limpos. O retorno de utensílios sujos não deve oferecer riscos de contaminação aos que estão guardados. 49 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Área para higiene/guarda de utensílios de mesa Esta área deve ser adjacente ao refeitório/área de distribuição, comunicando-se com este através de guichê para recepção do material usado. Os utensílios de mesa já higienizados não devem entrar em contato com os sujos. Área de recepção de mercadorias Área para recepção das matérias-primas, contendo, quando possível, pia para pré-higiene dos vegetais e outros produtos. Área para preparo de carnes, aves e pescados Área para manipulação (pré-preparo) de carnes (bovina e suína), aves, pescados e outros tipos, sem cruzamento de atividades. Deve ter bancadas, equipamentos e utensílios de acordo com as preparações. Quando for climatizado, deve manter temperatura entre 12 °C e 18 °C. Preparo de hortifruti Área para manipulação dos produtos vegetais com bancadas e cubas de material liso, resistente, e de fácil higienização. Área para preparo de massas alimentícias e produtos de confeitaria Deve ter bancadas e cubas de material liso, impermeável e de fácil higienização. Área para cocção/reaquecimento Área para cocção com equipamentos que se destinem ao preparo de alimentos quentes. Não deve existir nesta área equipamentos refrigeradoresou congeladores porque o calor excessivo compromete seus motores. Área de consumação (refeitório/distribuição) A área de consumação ou refeitório deve ter as mesmas características das áreas de preparo dos alimentos. Podem permanecer no refeitório os equipamentos para distribuição de alimentos, como o balcão térmico, balcão refrigerado, refresqueiras, bebedouros, utensílios de mesa, geladeira para bebidas. 50 Unidade I O balcão térmico deve estar sempre limpo, com água tratada e limpa, trocada diariamente, mantido à temperatura de 80 °C a 90 °C. Estufa ou passthrough limpos mantidos à temperatura de 65 °C. Balcão frio, regulado de modo a manter os alimentos no máximo a 10 °C. Os ornamentos e plantas não devem propiciar a contaminação dos alimentos. As plantas não devem ser fertilizadas com adubo orgânico e não devem estar entre o fluxo de ar e os alimentos, nem sobre os balcões de distribuição. No refeitório é permitida a existência de ventiladores de teto ou de chão, desde que o fluxo de ar não incida diretamente sobre ornamentos, plantas e alimentos. Sala da administração A área deve estar localizada acima do piso da área total da cozinha, com visor que facilite a supervisão geral do ambiente e das operações de processamento. Área para guardar o botijão de gás De acordo com a ABNT, deve existir uma área exclusiva para armazenamento de recipientes de GLP (gás liquefeito de petróleo) e seus acessórios. A delimitação dessa área deve ser feita com tela, grades vazadas ou outro processo construtivo que evite a passagem de pessoas estranhas à instalação e permita uma constante ventilação. Área para higienização e guarda de material de limpeza ambiental Esta área é exclusiva para higienização de material de limpeza e deve ter tanque provido de água fria e água quente. Área/local para higiene das mãos Devem existir lavatórios exclusivos para higiene das mãos. Quando não houver separação das áreas, deve existir pelo menos pia para higiene das mãos, em posição estratégica em relação ao fluxo de preparação dos alimentos, e torneiras dos lavatórios acionadas sem contato manual. Não deve existir sabão antisséptico para higiene das mãos nas pias utilizadas para manipulação e preparo dos alimentos, devido ao alto risco de contaminação química dos alimentos. 51 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Área para recebimento Áreas para armazenamento Pré-preparo Preparação Distribuição (área para construção)Área para higiene de utensílios de mesa Área para retorno de bandejas Consumo Reaquecimento Refrigeração Sobra Áreas ou locais para manipulação de carnes, hortifruti e sobremesas/ confeitaria e higiene das mãos Quente Fria Área para lixo Descarte Área para higiene de utensílios de preparação Figura 12 – Fluxo compatível com layout para a manipulação correta dos alimentos 4.2 Estrutura física e instalações O dimensionamento físico e as especificações de equipamentos devem ser estabelecidos com base nas necessidades de cada organização, bem como nos fluxos de processo e atendimento, seja em novas construções ou reformas. A construção de edifícios deve ser precedida de aprovação de projeto de construção e das instalações pela autoridade competente. A edificação da UAN e áreas circundantes deve ser projetada de modo que possam ser mantidas livres de odores estranhos, pó, fumaça e de outros poluentes. Devem ser de dimensões suficientes para atender o objetivo visado, sem excesso de equipamento ou de pessoal, de sólida construção e ser mantida em boas condições de conservação. Devem ser construídas de tal modo que evitem a penetração e a permanência de insetos, pássaros ou outros animais daninhos e devem permitir fácil e adequada limpeza. 52 Unidade I Os locais de recebimento ou de armazenamento de matéria-prima e alimentos in natura devem ser separados dos locais destinados à preparação de alimentos ou ao acondicionamento dos alimentos preparados, bem como dos locais para armazenamento de produtos não comestíveis, como produtos de limpeza e materiais descartáveis. As áreas de produção devem dispor de suprimento adequado de água fria e água quente. O sistema de canalização de eliminação de rejeitos/esgoto deve ser adequadamente dimensionado, a fim de suportar a carga estimada, com encanamentos que não apresentem vazamentos e providos de sifões ou respiradouros apropriados, de modo que não haja possibilidade de contaminação e poluição da água potável. É recomendável a construção de caixa de inspeção fora das áreas de operação. As áreas de produção devem ser bem iluminadas. As lâmpadas, quando suspensas sobre os locais onde se encontra o alimento, devem estar devidamente protegidas para evitar a contaminação dos alimentos no caso de se quebrarem/explodirem ou caírem. As áreas de produção devem ser bem ventiladas, principalmente as dos locais com equipamentos que produzam excessivo calor ou vapor no ambiente, a fim de evitar a condensação de vapor d’água e a proliferação de mofo. Devem dispor de dependências com vasos sanitários e mictórios em número suficiente, com portas providas de molas para serem mantidas fechadas e sempre limpas, bem iluminadas e ventiladas. Não devem ter comunicação direta com o local em que se manipulem alimentos, devendo existir entre ambos os locais antecâmaras com abertura para o exterior dispondo de lavatórios com advertência escrita para o usuário lavar as mãos após o uso do sanitário. É recomendável ainda que haja vestiário com armários individuais, além de chuveiros em número suficiente para o número de funcionários do estabelecimento. É obrigatória a existência de lavatórios próximos aos locais de trabalho, para que os funcionários possam higienizar as mãos. O piso deve ser de material resistente ao impacto e à ação de substâncias corrosivas, impermeável, liso, antiderrapante e de fácil limpeza. Deve dispor de ralos em número suficiente, devendo ser sifonados. As paredes devem ser lisas, de cores claras, duráveis, impermeáveis e resistentes à limpeza. É recomendável que sejam revestidas com azulejos até a altura mínima de 2 metros, devendo estar livres de falhas, rachaduras, umidade, bolor e descamamentos. As portas e janelas devem ter superfícies lisas, não absorventes e de fácil limpeza. Devem ser providas de sistema de proteção contra a entrada de insetos e roedores, como molas nas portas, cortina de ar nas câmaras frigoríficas e telas nas janelas. 53 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Os forros e tetos devem ser isentos de vazamentos ou goteiras e o acabamento deve ser de material liso, impermeável, lavável, em cor clara, em bom estado de conservação e limpeza, livres de trincas, rachaduras, umidade, bolor e descamamentos. O depósito de lixo deve ser localizado em área afastada do fluxo de alimentos e de fácil acesso para sua remoção. Deve ser revestido de material lavável e é desejável que seja climatizado para o armazenamento de lixo orgânico. A área destinada ao armazenamento dos botijões de gás deve obedecer às diretrizes da ABNT, que estabelecem que a área deve ser exclusiva, garantindo a segurança dos elementos de instalação através de estruturas que permitam a perfeita ventilação do local. 4.3 Equipamentos e utensílios O material destinado a entrar em contato com o alimento deve apresentar superfícies apropriadas, isentas de cavidades, fendas e farpas, não tóxico, não afetado pelos produtos alimentares; capaz de resistir ao repetido processo normal de higienização e não absorvente. Pode ser denominado de material sanitário, que é todo material inerte que não favorece a migração de elementos para o alimento. Deve ser liso, não poroso, desenhado de forma a não permitir o refúgio de pragas, terras e microrganismos e outras contaminações e, ainda, deve facilitar a limpeza e a desinfecção das superfícies dos equipamentos e utensílios. Os equipamentos fixos ou móveis e os utensílios devem ser construídos e instalados de modo a prevenir risco à saúdee permitir a fácil e completa higiene. 4.4 Manutenção A manutenção pode ser dividida em corretiva e preventiva: a manutenção preventiva é aquela realizada periodicamente, em conjunto com todos os equipamentos ou em etapas, de acordo com cronograma preestabelecido. Este tipo de manutenção aumenta a vida útil do equipamento, proporciona maior segurança em sua operação e retarda o aparecimento de avarias. A manutenção corretiva é aquela realizada apenas quando o problema aparece, causando transtornos à empresa. Quando não é possível a implantação de um sistema de manutenção preventiva, é necessário que o nutricionista implante um registro de manutenção corretiva, o que possibilitará a previsão de reposição de peças e estimativa da vida útil do equipamento (depreciação). A depreciação é um componente do custo da refeição, que muitas vezes deixa de ser calculado por falta de informação ou pelo desconhecimento de sua importância. Sabe-se que a depreciação deve ser contabilizada, por traduzir perda do valor de um ativo pelo desgaste. 54 Unidade I Quadro 8 – Resumo das principais operações, com foco no processo produtivo, perigos e critérios utilizados na elaboração do MBPFM Operação Item Medida de controle Critério Ação Compras Aquisição de matérias-primas de fonte não segura Visita aos fornecedores com preenchimento do relatório de visita Fornecedores que atendam às exigências das leis vigentes Exclusão ou desenvolvimento dos fornecedores que não atendam aos requisitos exigidos Recebimento Produtos que não atendam aos critérios de qualidade Avaliar as condições de entrega, o produto e anotar em formulário específico Condições adequadas de transporte, higiene dos entregadores, embalagem, características próprias dos alimentos e higiene das superfícies de contato e do termômetro Devolução do produto Armazenamento a seco Umidade, calor, infestação por vetores, violação da embalagem, vencimento do prazo de validade Controle dos prazos de validade, controle integrado de pragas, armazenamento dos produtos alimentícios isolados de produtos de outra natureza Validade do produto (Peps ou PVPS), disposição dos produtos e Controle Integrado de Pragas (CIP) Desprezar o produto Armazenamento sob refrigeração Contaminação cruzada, multiplicação e/ou sobrevivência (congelamento) de bactérias patogênicas, vencimento do prazo de validade Controle sistemático da temperatura dos equipamentos, manutenção preventiva dos equipamentos e definição de espaços específicos para cada gênero de produto, controle do prazo de validade/Peps ou PVPS Temperatura máxima de acordo com o tipo de produto (leite e derivados 8 °C, carnes frescas 4 °C, hortifrutigranjeiros 10 °C e congelados -18 °C), condições de embalagem e disposição do produto Transferência para equipamento que possa manter o produto em temperatura adequada, manutenção emergencial do equipamento ou desprezar o produto, quando comprometido Higienização de vegetais Permanência da contaminação inicial dos vegetais Monitoramento com fita indicadora ou por titulação da dosagem do cloro ativo Lavagem folha a folha ou unidade por unidade, higienização com solução de Hipoclorito ou Dicloroisocianurato de sódio a 100-250 ppm de cloro ativo por 10 a 15 minutos e (opcional) finalização com solução de ácido acético a 2% por 5 minutos Repetir o processo Descongelamento Multiplicação de bactérias patogênicas Contaminação ambiente água descongelamento Degelo incompleto Observar destino da água de degelo Controle de temperatura no interior do alimento Temperatura superficial a, no máximo, 4 °C (ou outros critérios, desde que monitorados) Isolar e desprezar a água do descongelamento Atingir temperaturas entre 0 e 4 °C Cocção imediata ou refrigeração abaixo de 4 °C Higienizar superfícies contaminadas Aguardar degelo completo. Reestruturar planejamento Reconstituição (reidratação) Contaminação durante o processo Multiplicação após o processo Presença de patógenos esporulados Observar as práticas de higiene de equipamentos, utensílios e mãos/controle microbiológico da água/monitorar volume dos recipientes Higiene dos equipamentos e utensílios/uso de água potável/ higiene das mãos/consumo imediato/resfriamento em volumes pequenos (máximo 5 litros) Reaquecer o produto a 74 °C, após reconstituído Pré-preparo Contaminação cruzada de equipamentos, utensílios e mãos (S. aureus, Shigellae, vírus da hepatite) Multiplicação de bactérias patogênicas Monitorar o tempo/ temperatura de exposição e verificar higiene dos utensílios, bancadas e das mãos Rapidez no processo (máximo de 30 minutos, acima de 10 °C para os alimentos refrigerados)/ higienização dos equipamentos e mãos dos manipuladores/ manipular alimentos crus e cozidos em bancadas separadas Orientar colaborador Repetir operação de higienização 55 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Operação Item Medida de controle Critério Ação Cocção Sobrevivência de bactérias vegetativas e esporuladas Monitorar temperatura (no interior do alimento)/tempo Entre 70 °C e 74 °C (em todas as partes do alimento) 65 °C por 15 minutos Continuar cocção Resfriamento Multiplicação de bactérias esporuladas/ produção de enterotoxinas S. aureus e B. cereus Monitorar temperatura/tempo e profundidade dos recipientes de acondicionamento dos produtos Resfriar de 60 °C/55 °C-10 °C em 2 horas. Armazenar produtos em recipientes (altura máx. 10 cm), ficando o alimento numa altura máxima de 7 cm Utilizar equipamento de resfriamento rápido ou gelo Armazenamento de alimentos cozidos Multiplicação de bactérias esporuladas/ produção de enterotoxinas S. aureus e B. cereus Monitorar temperatura/tempo Validade máxima recomendada: 24 horas a 8 °C 48 horas a 6 °C 72 horas a 4 °C 30 dias a -10 °C O Codex Alimentarius determina o armazenamento máximo de 5 dias em temperatura máxima de 4 °C Manutenção preventiva dos equipamentos de refrigeração/desprezar o alimento, quando comprometido Reaquecimento Sobrevivência de bactérias recontaminantes/ não inativação das toxinas termoestáveis Monitorar temperatura (no interior do alimento)/tempo Entre 70 °C e 74 °C (em todas as partes do alimento) em, no máximo, 2 horas Continuar reaquecimento Manutenção a quente Multiplicação de bactérias esporuladas/ produção de enterotoxinas termoestáveis S. aureus e toxina emética B. cereus Monitorar temperatura/tempo Acima de 60 °C ou até, no máximo, 2 horas a temperaturas abaixo de 60 °C, com reaquecimento obrigatório antes da distribuição, entre 70 °C e 74 °C Reaquecimento/ adequação do equipamento de manutenção a quente/ desprezar Distribuição/ transporte Multiplicação de bactérias patogênicas Monitorar temperatura/tempo Alimentos quentes: acima 60 °C/6 horas ou abaixo de 60 °C/1 hora. Alimentos frios: abaixo 10 °C/4 horas ou entre 10 °C e 21 °C por, no máximo, 2 horas Manutenção do equipamento de distribuição/ reaquecimento. Desprezar após o tempo de exposição em temperaturas de risco Higiene dos equipamentos/ utensílios/ ambiente Contaminação cruzada Permanência de resíduos orgânicos Verificar processo de higienização (procedimentos e tempo de contato da solução desinfetante) e monitorar dosagem de cloro Lavagem com água corrente e detergente neutro e desinfecção com solução clorada a 100-250 ppm de cloro ativo por 15 minutos ou álcool a 70%. Enxágue antes da reutilização, no caso do cloro. Adequar processo de higienização e fazer diluição correta do produto clorado Repetir a operação Higiene das mãos Contaminação durante a manipulação dos alimentos (S. aureus, Salmonella, Shigella, E. coli) Verificar higienização das mãos dos colaboradores Lavagem com água corrente e detergente antisséptico, ensaboando as mãos e antebraço por 1 minuto. Após enxágue, secar com toalha de papel branco eaplicar produto antisséptico Usar luvas descartáveis e/ou utensílios para manipular alimentos Repetir a operação Controle de sobras Multiplicação de bactérias esporuladas Sobrevivência de bactérias recontaminantes Monitoramento do processo de pré-preparo, preparo e distribuição Reaproveitamento de sobras de alimentos desde que tenham seguido os critérios de cocção, resfriamento, reaquecimento, distribuição e higiene Sobras de alimentos servidos não são reaproveitadas Desprezar o alimento 56 Unidade I Operação Item Medida de controle Critério Ação Coleta e guarda de amostras Instrumento de verificação Verificar processo de coleta de amostras Identificação da embalagem de guarda da amostra Coleta de 100 a 200 gramas de alimento, no mínimo Procedimentos corretos para coleta das amostras Armazenamento por 72 a 96 horas a 4 °C ou -18 °C Orientar o colaborador Recoletar amostra Controle de pragas Contaminação do ambiente e dos alimentos Desinsetização e desratização com frequência mínima de 6 meses Inexistência de vestígios de insetos e roedores Contratação de empresa especializada Adaptado de: Adams e Motarjemi (2002), Arruda (2002), Carelle e Cândido (2014), Hobbs e Roberts (1998), Riedel (2005) e ServSafe (2000). 4.5 Controle da matéria-prima: seleção de fornecedores de matérias-primas, ingredientes, embalagens e outros insumos A atividade de compras de alimentos/aquisição de mercadorias deve ser fundamentada em três critérios: • Condições comerciais: preço e condições de pagamento. • Especificação técnica: identificação dos produtos conforme as necessidades tecnológicas de produção. • Qualidade higiênico-sanitária: fornecedores em conformidade com as exigências das legislações sanitárias vigentes. O controle higiênico-sanitário das condições de fornecimento é realizado por meio de duas ações: — credenciamento de fornecedores com visita técnica. — controle de qualidade dos produtos no recebimento. O credenciamento de fornecedores de matérias-primas deve ser realizado após a avaliação das condições de fornecimento da seguinte forma: Primeiro passo: o candidato a fornecimento é submetido à entrevista pelo responsável por compras e/ou nutricionista, quando serão avaliadas suas condições comerciais de fornecimento. O entrevistador deve incluir em seu roteiro de entrevista questões relacionadas ao controle higiênico-sanitário da produção e distribuição dos produtos fornecidos. Segundo passo: caso seja aprovado na entrevista, o candidato a fornecimento apresenta ficha cadastral preenchida com as informações comerciais, acompanhada de laudo de análise microbiológica dos produtos perecíveis (quando for o caso) e de cópias de documentos comprovantes de inscrição do 57 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS fornecedor junto aos órgãos de fiscalização sanitária e outros que porventura sejam necessários ou solicitados pelo comprador, dependendo do sistema de qualidade da organização. Terceiro passo: quando necessário, o fornecedor deve enviar amostras para avaliação de suas características sensoriais e teste de aceitabilidade. Quarto passo: os fornecedores cadastrados podem ser visitados, antes do início de seu fornecimento, para avaliação das condições de instalações e processos de fabricação e fornecimento. Os critérios de avaliação abrangem as condições de edificação, qualidade da matéria-prima, manipulação, equipamentos e utensílios, manipuladores, higienização, desinfecção e antissepsia, controle de pragas, transporte, entre outros parâmetros. Saiba mais Modelos de listas de verificação ou checklist que podem ser utilizados em visitas a fornecedores ou para outras atividades de avaliação e verificação do processo produtivo. A seguir, podem ser vistos exemplos de listas de verificação: BRASIL. Portaria n. 275, de 21 de outubro de 2002. Aprova o regulamento técnico de procedimentos operacionais padronizados aplicados aos estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos e a lista de verificação das boas práticas de fabricação em estabelecimentos produtores/ industrializadores de alimentos. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ bvs/saudelegis/anvisa/2002/anexos/anexo_res0275_21_10_2002_rep.pdf. Acesso em: 28 fev. 2020. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Categorização dos serviços de alimentos. Brasília, 2013. Disponível em: http://www.saude. pi.gov.br/uploads/divisa_document/file/165/categoriza__o_baixa.pdf. Acesso em: 26 abr. 2020. SÃO PAULO (Estado). Portaria CVS 5, de 9 de abril de 2013. Aprova o regulamento técnico sobre boas práticas para estabelecimentos comerciais de alimentos e para serviços de alimentação, e o roteiro de inspeção, anexo. São Paulo, 2013. Disponível em: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/up/ PORTARIA%20CVS-5_090413.pdf. Acesso em: 28 fev. 2020. 58 Unidade I Para várias categorias (roteiros de inspeção sanitária em estabelecimentos de comércio varejista de alimentos – açougues e peixarias, água mineral natural e água natural, lanchonetes, padarias, palmito em conserva, restaurantes, supermercados e hipermercados; roteiros de inspeção sanitária em estabelecimentos de comércio atacadista ou de fabricação de alimentos – atacadista ou distribuidor de produtos alimentícios em geral, indústria de conservas em geral, indústria de palmito em conserva, indústria de gelados comestíveis/sorvetes): VIGILÂNCIA sanitária. Cidade de São Paulo, Saúde, 23 mar. 2020. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/ vigilancia_em_saude/vigilancia_sanitaria/alimentos/index.php?p=7035. Acesso em: 26 abr. 2020. Outras informações: CENTRO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (CVS). Roteiros de inspeção. 2020. Disponível em: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/roteiros.asp?te_codigo=1. Acesso em: 26 abr. 2020. Quinto passo: o relatório de inspeção deve indicar se o candidato a fornecimento se encontra em condições satisfatórias de fornecimento, o que determinará se ele está aprovado ou reprovado na avaliação das condições higiênico-sanitárias. O resultado dessa avaliação é condição determinante no credenciamento do fornecedor. As visitas de manutenção são realizadas por meio de cronograma anual, priorizando fornecedores de alimentos perecíveis, especialmente aqueles que apresentarem maior índice de não conformidade nas conferências de recebimento. As visitas de manutenção podem ser feitas sem aviso prévio ou diante de cronograma previamente estabelecido entre as partes. O fornecedor pode ser excluído do cadastro se houver alguma ocorrência grave envolvendo seu fornecimento. A reincidência de ocorrências leves também pode ser motivo de exclusão. Os volumes de compras devem ser estabelecidos em cada unidade operacional de forma a evitar o superdimensionamento de produtos em armazenamento, evitando perdas, com vencimento ou superprodução. Aspectos que podem ser observados em visitas a fornecedores: Edificação: localização e espaço adequado, piso, paredes e forro bem conservados, pintura de cores claras com superfícies para fácil higienização. Aberturas com proteção contra insetos e roedores. Ventilação e iluminação suficientes, sanitários adequados e lavatórios para higienização e antissepsia das mãos próximos às áreas de manipulação de alimentos. Água potável e controlada a cada 6 meses. Adequada disposição e destino de resíduos. 59 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Matéria-prima: observação da origem da matéria-prima utilizada para o preparo dos produtos a serem vendidos. Embalagem adequada e com informações visíveis. Verificar o controle de qualidade efetuado no recebimento de todas as matérias-primas. Produção: verificar/avaliar o fluxo da produção. Observar a presença de controle de qualidade durante a produção, os hábitos dos manipuladores e técnicas utilizadas, a rotina desde a recepção das mercadorias até a distribuição. Equipamentos e utensílios: número suficiente para a manipulação das matérias-primas. Equipamentosfuncionando corretamente e bem conservados. Bancadas com superfície lisa e bem conservadas. Manutenção da cadeia fria e cadeia quente, dependendo do tipo de produto. Manipuladores: uniforme limpo e claro, sapatos fechados, utilização de rede para o cabelo e sem adornos. Higiene das mãos realizada constantemente. Observar o controle de saúde dos funcionários e se eles recebem treinamento padrão e para as devidas funções. Higienização: equipamentos e utensílios higienizados com substâncias próprias para cada finalidade, sem deixar resíduos tóxicos. Controle de pragas: verificar a existência de programa de controle de pragas. Transporte: se possível, veículo próprio para o transporte de cada tipo de mercadoria. Documento de vistoria do órgão de vigilância sanitária para cada veículo. 4.6 Recebimento O recebimento é uma das primeiras etapas do processo de produção de refeições e deve ser composto por atividades de conferência de qualidade das matérias-primas recebidas. A área deve ser localizada em local amplo, ventilado e de fácil acesso para carga e descarga, e isolada de outras áreas da cozinha, como depósito de lixo e entrada e saída de funcionários. É importante que haja plataforma de recebimento com docas para estacionamento de veículos. A área deve ser coberta, de forma que a qualidade das mercadorias não seja comprometida pela ação da chuva ou do sol. O piso deve ser de material resistente, antiderrapante, impermeável e de fácil lavagem. Os ralos devem ser sifonados e em forma de grelha. Deve haver lavatório com saboneteira e toalheiro. A área deve ser dotada de estrados (nunca diretamente sobre o chão) e contentores em polietileno em quantidade suficiente para acomodar adequadamente os produtos recém-chegados, além de facilitar a remoção dos produtos de suas embalagens originais. Os horários para recebimento determinados pelo estabelecimento devem ser obedecidos para evitar que os produtos permaneçam expostos a condições que prejudiquem sua qualidade, principalmente os alimentos refrigerados. 60 Unidade I A avaliação do fornecedor deve ser comunicada com igual periodicidade aos fornecedores, para que eles possam adotar as devidas correções e ações corretivas que se fizerem necessárias. O veículo deve estar em condições adequadas de higiene e conservação e os entregadores devem estar adequadamente uniformizados. Todos os critérios (temperatura, validade, entre outros) definidos para o recebimento de alimentos devem ser monitorados e registrados em impresso próprio. Caso haja mais de um fornecedor aguardando, a ordem de recebimento deve dar a seguinte preferência: • Primeiro – alimentos perecíveis resfriados e refrigerados. • Segundo – alimentos perecíveis congelados. • Terceiro – alimentos perecíveis em temperatura ambiente. • Quarto – alimentos não perecíveis. Essa ordem também é válida para a remoção e armazenamento dos produtos. Ordem de recebimento Resfriados ou refrigerados Congelados Perecíveis em temperatura ambiente Não perecíveis Figura 13 – Ordem de recebimento das matérias-primas alimentares Quando aplicável, os produtos devem ser retirados da embalagem original, como caixas de papelão ou madeira, para serem acondicionados em contentores de polietileno, por exemplo. Sempre que possível, as diferentes mercadorias devem ser separadas na área de recebimento. A conferência de qualidade das matérias-primas alimentares deve atender aos seguintes requisitos: • verificar as características sensoriais do produto (cor, odor, sabor e textura); • verificar a data de validade do produto (o planejamento deve considerar que o consumo sempre ocorra antes do vencimento); • verificar as condições de acondicionamento, como embalagem limpa e íntegra; • verificar a temperatura dos produtos, que, de forma geral, deve ser de -12 °C a -18 °C para congelados e de 4 °C a 10 °C para resfriados ou congelados. 61 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Quadro 9 – Critérios de temperatura no recebimento de matérias-primas alimentares Matéria-prima Temperatura Carnes refrigeradas Até 6 °C (tolerância até 7 °C) Frios e embutidos industrializados Até 10 °C ou de acordo com fabricante Hortifrutigranjeiros in natura Temperatura ambiente Hortifrutigranjeiros pré-processados, resfriados Até 10 °C ou de acordo com fabricante Laticínios e derivados Até 10 °C ou de acordo com fabricante Massas frescas Até 6 °C (tolerância até 7 °C) Produtos congelados -18 °C (tolerância até -12 °C) Produtos refrigerados, como lanches naturais Até 6 °C (tolerância até 7 °C) Produtos resfriados De 6 °C a 10 °C ou de acordo com fabricante Estoque seco Temperatura ambiente Industrializados Registrada na embalagem Salgados e defumados Registrada na embalagem Sobremesas refrigeradas Até 6 °C (tolerância até 7 °C) Sucos concentrados estabilizados Registrada na embalagem Sucos concentrados resfriados Até 10 °C ou de acordo com fabricante Adaptado de: São Paulo (2013). Após o recebimento, os produtos perecíveis devem ser removidos para armazenamento no prazo máximo de 30 (trinta) minutos. Quadro 10 – Avaliação sensorial das matérias-primas alimentares Alimento Aspecto Cor Odor Sabor Carnes Bovina Firme, não amolecido nem pegajoso Vermelho vivo, sem escurecimento ou manchas esverdeadas Característico - Aves Firme, não amolecido nem pegajoso Amarelo-rosada, sem escurecimento ou manchas esverdeadas Característico - Embutidos Firme, não pegajoso, envoltório sem perfurações Característica de cada espécie, sem manchas pardacentas ou esverdeadas Característico Característico Peixes Resfriados (filés ou postas): carne firme, não amolecida nem pegajosa. Congelados (filés ou postas): porções íntegras, características próprias da espécie Branca ou ligeiramente rósea Característico - Salgadas (suínas e bovinas) Pouca umidade, gordura sem ranço, não pegajoso, isentas de larvas e sujidades Característica Característico Característico Frios e laticínios Leite Líquido homogêneo, limpo Branco leitoso, levemente amarelado Suave, característico Suave, levemente adocicado 62 Unidade I Alimento Aspecto Cor Odor Sabor Queijo minas frescal Crosta mal formada, consistência macia, textura fechada com ou sem buracos mecânicos pequenos, sem estufamento da embalagem Branca ou branco creme, homogênea Característico Levemente ácido Ricota fresca Crosta rugosa, não formada ou pouco nítida, consistência mole, às vezes dessorada, textura fechada ou com alguns olhos mecânicos Branca Característico Suave Muçarela Crosta firme ou não formada, consistência semidura, rígida Branco creme, homogênea Característico Suave, levemente salgado Queijo prato Crosta lisa, fina e bem formada e preferivelmente revestida de parafina, pasta semidura, elástica, tendente à macia de untura manteigosa Amarelo-palha, tolerando-se a tonalidade ligeiramente rósea Característico Suave, não picante Queijo parmesão Crosta firme, lisa, não pegajosa, untada com óleo secativo ou verniz próprio, ou com substância adesiva de preferência de cor preta, consistência dura, maciça, de untura seca, textura compacta, com poucos olhos mecânicos pequenos, de fratura granulosa Amarelo-palha, homogênea, podendo tender ao esverdeado na prolongada maturação Característico, picante e forte Picante e forte Queijo provolone Crosta firme, lisa, resistente, destacável, parafinada, encerada ou oleada, com as características de ranhuras do barbante, consistência semidura, pouco elástica, quebradiça, de untura às vezes meio seca e outras tendente à manteigosa, textura compacta ou com poucos olhos Marfim ou creme, homogênea Característico Picante, suave, tolerando-se o picante forte Leite em pó integral Pó fino, seco e ausência de umidade e sujidade visíveis Característica Característico Característico Leite aromatizado ou bebida láctea (Tetra pak®) Deve ser pronto para beber, não necessitando de refrigeração para conservação, aparência limpa e homogênea,condizente com os componentes da mistura, ausência de película sobre o produto De acordo com os componentes Característico Característico do produto com seus componentes básicos (leite, açúcar, cacau em pó se o sabor for chocolate) Hortifrutis Verduras Grau de evolução completo do tamanho, aroma e cor próprios da espécie e variedade, turgescentes, intactas, firmes e bem desenvolvidas, livres de enfermidades e insetos ou larvas, não danificadas por qualquer lesão de origem física e mecânica que afete sua aparência, sem ressecamentos ou queimaduras, livres de folhas externas sujas de terra, isentas de umidade externa anormal (gosmenta), livres de resíduos de fertilizantes e agrotóxicos Característica Característico, livres de odor pútrido ou fermentado Característico 63 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Alimento Aspecto Cor Odor Sabor Legumes Grau de evolução completo do tamanho, aroma e cor próprios de cada espécie e variedade, livres de enfermidades, insetos ou larvas, não danificados por qualquer lesão de ordem física ou mecânica que afete a sua aparência, sem rachaduras, perfurações ou cortes, não estar sujos de terra, não conter corpos estranhos aderentes à superfície externa, livres de resíduos de fertilizantes e agrotóxicos, livres da presença de bolor ou mucosidade (gosmento) Característica Característico Característico Raízes e tubérculos Grau normal de evolução do tamanho, aroma, sabor e cor próprios de cada espécie e variedade, livres de enfermidades, não danificados por qualquer lesão de ordem física ou mecânica que afete a sua aparência, livres da maior parte possível de terra aderente à casca, isentos de umidade externa anormal, livres de resíduos de fertilizantes e agrotóxicos, não apresentar rachaduras ou cortes na casca, a polpa deverá estar intacta e limpa Característica Característico, livres de odor estranho Característico, livres de sabor estranho Frutas Frescas, íntegras e firmes, grau máximo de evolução no tamanho, aroma, cor e sabor próprios de cada espécie, grau de maturação tal que lhes permita suportar a manipulação, o transporte e a conservação em condições adequadas para o consumo mediato e imediato, não estar golpeadas ou danificadas por qualquer lesão de origem física ou mecânica que afete sua aparência, a polpa e o pedúnculo, quando houver, deverão se apresentar intactos e firmes, não conter substância terrosa, sujidades ou corpos estranhos aderidos à casca, isentas de umidade externa anormal, livres de resíduos de fertilizantes e agrotóxicos, livres da presença de bolores ou mucosidade (gosmenta) e manchas Característica Característico, isentas de odor estranho Característico, isentas de sabor estranho Farináceos e leguminosas Farinhas Pó fino ou granuloso, dependendo da espécie, isentas de matéria terrosa, livres de umidade e não devem estar empedradas, isentas de parasitas ou fungos, não deve estar fermentada ou rançosa, livres de fragmentos estranhos Coloração característica de cada espécie Característico Característico Cereais e leguminosas Isentos de matéria terrosa, livres de umidade, isentos de parasitas ou fungos, livres de fragmentos estranhos Coloração característica de cada espécie Característico Característico Pão francês Massa cozida, miolo aderente à crosta, umidade característica do pão fresco, ausência de sujidades, parasitas e larvas Característica Característico Característico Massas frescas Firme, umidade característica da massa fresca, cozida, ausência de sujidades, manchas esbranquiçadas, umidade excessiva Característica Característico Característico 64 Unidade I Alimento Aspecto Cor Odor Sabor Massas secas com ovos Ausência de bolor, umidade e sujidade Amarelo-ovo Característico Característico Biscoitos (doce ou salgado) Ausência de umidade Característica Característico Característico Diversos Margarina Aspecto homogêneo, brilhante, untoso, sem granulação, consistência cremosa, textura firme, não apresentar mofos, não estar rancificada Característica Característico Característico, ligeiramente salgado Congelados Preparados com matéria-prima sadia, livre de matéria terrosa, bolores, parasitas ou detritos animais e vegetais, embalagem que proteja de contaminações e assegure sua qualidade, não deve apresentar sinais de descongelamento, com grandes cristais de gelo, amolecimento do produto ou presença de umidade Característica Característico Característico Latarias Não devem estar amassadas, enferrujadas ou estufadas Característica Característico Característico Doces tipo confeitaria Característico, de acordo com o tipo de produto (canudinhos recheados, suspiro, maria-mole com coco, cajuzinho, carolina recheada com doce de leite), embalagens individuais, plásticas ou formas de papel, isenta de sujidades, parasitas e larvas Característica Característico Característico Preparado líquido concentrado para suco ou refresco Líquido e denso Característica Característico Característico Formulados Pó fino ou grosso característico para cada tipo, não devendo estar melado ou empedrado, umidade característica para cada tipo (bebida láctea, polenta, sopa, risoto, caldos, achocolatados) Característica Característico Característico Café, sal, açúcar Pó fino ou grosso e seco, sem umidade e sujidade visíveis, de acordo com a característica de cada produto Característica Característico Característico Ovo branco de galinha Produto fresco, tipo médio, sem manchas ou sujidade, de tamanho uniforme, ser limpo sem ter sido lavado, apresentar casca lisa, íntegra, pouco porosa, resistente Branca Característico - Adaptado de: Arruda (2002) e Rey e Silvestre (2009). 4.7 Armazenamento a temperatura ambiente (almoxarifado ou estoque ou despensa) O local de armazenamento deve ser fresco, ventilado e iluminado. No local de armazenamento de alimentos, não deve haver a presença de caixas de inspeção sanitária nem de ralos, a fim de que os produtos sejam preservados de contaminação por detritos e pela presença de insetos e roedores 65 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS provenientes das tubulações de esgoto. Quando se fizer necessária a presença de ralos internos, eles devem ser sifonados e tampados. O teto deve ser isento de vazamentos. As paredes e o piso devem ser mantidos secos, sem infiltrações ou inundações. Devem ser evitadas fiações elétricas expostas. As portas e acessos devem ser mantidos fechados e com abertura máxima de 1 cm do piso. Todas as aberturas devem ser teladas, evitando-se o acesso de insetos e roedores. O almoxarifado/estoque/despensa deve ser mantido limpo e sem resíduos de sujeira para evitar a presença de insetos e roedores. Os alimentos devem estar em prateleiras ou apoiados em estrados, respeitando o espaçamento de 10 cm, no mínimo, a 35 cm. Os estrados devem ter altura mínima de 25 cm do chão e afastados 50 cm da parede. Os estrados e prateleiras utilizados para disposição dos produtos devem ser de material resistente, liso, impermeável e sem rugosidades e frestas. O empilhamento deve ser bem alinhado, em blocos regulares, os menores possíveis, e atender às recomendações do fabricante. As pilhas devem ser mantidas afastadas das paredes para evitar umidade e facilitar a limpeza, movimentações, controle de pragas e ações em caso de incêndio. As caixas devem ser manuseadas com cuidado, evitando-se jogá-las ou amassá-las. Deve-se evitar submeter as caixas de alimentos a peso excessivo, bem como sentar ou caminhar sobre elas. Os alimentos não devem ser armazenados junto a produtos químicos, de higiene, de limpeza e perfumaria, de manutenção para evitar contaminação ou impregnação com odores estranhos. E o material descartável deve ser mantido separado dos produtos químicos, de higiene, de limpeza, perfumaria e material de escritório. Os produtos destinados à devolução devem ser colocados em locais apropriados, limpos, organizados,identificados e agrupados por fornecedor, desde que não comprometam a qualidade dos demais produtos do almoxarifado na despensa. Os alimentos industrializados devem ser mantidos afastados dos grãos e cereais para evitar infestação por insetos a estes associados. As embalagens de madeira e de uso único, provenientes diretamente do fabricante ou produtor, utilizadas para o acondicionamento de peixes salgados e secos e alguns tipos de frutas, devem apresentar rotulagem e ser armazenadas em equipamento de refrigeração exclusivo. Na impossibilidade, essas embalagens devem ser separadas dos demais itens. Produtos em embalagens originais e limpas, de madeira ou de papelão, podem adentrar na área de pré-preparo, e produtos em embalagens impermeáveis originais devem ser lavados antes de serem abertos, sempre que possível. A disposição dos produtos deve obedecer à data de fabricação, sendo que aqueles que vencem primeiro devem ser posicionados de forma a serem consumidos em primeiro lugar (primeiro que vence, primeiro que sai – PVPS). 66 Unidade I A data de validade deve ser sempre verificada de forma que o produto seja utilizado antes do prazo de vencimento, com exceção de produtos não processados (in natura), que são isentos de data de validade, mas devem ter seu uso controlado, guiado pelo planejamento adequado de suprimentos. 4.8 Armazenamento a frio (refrigerado e congelado) As áreas destinadas ao armazenamento de gêneros perecíveis devem ser dimensionadas proporcionalmente ao volume e à diversificação de mercadorias que serão armazenadas. Para a adequada conservação, os produtos devem ser classificados em grupos de armazenamento e destinados a diferentes câmaras e/ou geladeiras. Dessa forma, será evitada a contaminação cruzada e a transmissão de odores de um produto para outro. As paredes das câmaras frigoríficas devem ser de material liso, impermeável e lavável. O piso das câmaras deve ser de material liso, antiderrapante, impermeável e lavável. As câmaras frigoríficas devem ser isentas de ralos. Os drenos que escoam a água proveniente do degelo devem ser embutidos e não devem desaguar nas áreas internas da câmara. Observação As geladeiras devem ser confeccionadas com material resistente e impermeável, nunca com acessórios de madeira. Todos os equipamentos de refrigeração devem ser dotados de termômetros com sensores localizados nas áreas mais próximas das portas, onde a temperatura é mais alta. Os termômetros devem ser de fácil leitura e, preferencialmente, com o visor do lado externo da câmara, equipado de sistema de alarme, que será acionado no caso de elevação das temperaturas indicadas. As geladeiras ou câmaras devem ser abertas o mínimo de vezes possível. As caixas de polietileno contendo os produtos devem ser dispostas sobre estrados com um espaçamento mínimo necessário que garanta a circulação do ar frio. Os alimentos dispostos nas prateleiras devem estar com afastamento mínimo suficiente para a adequada circulação do ar frio. Só é permitida a permanência de alimentos em embalagem de papelão em câmaras de produtos congelados, destinadas exclusivamente para este fim. Os alimentos, depois de abertos, devem ser armazenados fora das embalagens originais, devendo ser armazenados em contentores em polietileno ou aço inoxidável adequadamente higienizados e cobertos. 67 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Figura 14 – Nas prateleiras superiores: alimentos prontos para consumo, protegidos; nas prateleiras intermediárias: alimentos semiprontos ou pré-preparados, protegidos; nas prateleiras inferiores: alimentos crus separados entre si, protegidos Produtos prontos identificados com prazo de validade Frios/carnes Leite/derivados preparações prontas Conservas, bebidas em geral, condimentos, entre outros alimentos. Depois das embalagens abertas atentar ao prazo de validade Organização do refrigador Frutas aquosas Ovos (recipiente fechado) Legumes/frutas Descongelamento Verduras/legumes Figura 15 – Ordem de armazenamento de alimentos em geladeira doméstica Todos os produtos perecíveis devem ser etiquetados com a identificação do lote, data de chegada e prazo de validade. As datas de validade devem ser rigorosamente observadas, de forma que os lotes mais antigos sejam removidos antes dos mais novos e que o tempo de permanência obedeça aos prazos estabelecidos pelo fabricante. Sempre que possível, prefira manter o alimento na embalagem original. 68 Unidade I Etiqueta de reembalagem Data de abertura:________________ Nome do produto: ________________ Fornecedor: ________________ Data de recebimento: ________________ N. da nota fiscal: ________________ N. de registro: _________N. M.S.: ____________ Origem: ______________ Marca: ___________ Prazo de validade: ___________________ (de acordo com a rotulagem) Utilizar até: ____________ Visto: ___________ (Conforme critério de uso) Produto: _______________________ Data de entrada: ____/_____/_______ (ou manipulação) Data de validade: ____/_____/_______ Quantidade: _____________________ Fornecedor: _____________________ Data de abertura: ____/_____/_______ Data de validade: ____/_____/_______ Nome do produto: _______________________ Data de fabricação: ______________________ Data de abertura: _______________________ Data de validade: _______________________ Está na embalagem Está na nota fiscal Figura 16 – Modelos de etiqueta de identificação de produtos As etiquetas de identificação dos produtos devem ser colocadas em todos os alimentos pré-processados ou prontos, mantidos em armazenamento, de modo que estejam identificados cada alimento embalado individualmente ou lotes de alimentos em monoblocos, assadeiras ou gastronorms, quando não embalados individualmente. A partir do momento em que a embalagem original é aberta, perde-se imediatamente o prazo de validade informado pelo fabricante. Para os produtos industrializados em suas embalagens originais, deve-se observar e obedecer às informações do fabricante/produtor; para produtos manipulados, devem-se respeitar os critérios de uso. O bom funcionamento do equipamento é imprescindível para a conservação da qualidade dos alimentos armazenados, sendo que todo problema técnico apresentado, que comprometa o armazenamento dos gêneros, deve ser solucionado de imediato. 69 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS O controle de temperatura das câmaras, geladeiras e freezers deve ser feito pelo responsável pelo estoque, diariamente, em intervalos de até no máximo 8 horas e registrado em impresso específico. Tabela 1 – Critérios de uso/validade dos alimentos após a abertura da embalagem 1) Retirados da embalagem original e/ou produtos industrializados após abertura da embalagem (outras recomendações do fabricante poderão ser consideradas) Armazenamento em local seco e arejado Produto Exemplo Validade (dias) Temperos secos, especiarias e pós para infusões Sal, chá, leite, café, fermento químico 30 Canela em pó ou em casca, cravo, bicarbonato de sódio, noz-moscada, glutamato monossódico 60 Colorau, curry, orégano 90 Açúcares Açúcar, adoçante 30 Sobremesas Industrializadas Pós para gelatina, curau, pudim, flan, sagu 30 Marshmallow com cobertura de chocolate, cocada, doce de abóbora 7 Frutas secas Coco ralado, frutas cristalizadas, uva passa, damasco, figo, ameixa, tâmara 30 Chocolates, confeitos e caldas Achocolatado, chocolate em pó, em barra, granulado, cappuccino, caldas para sorvete 30 Farináceos Farinha de trigo, rosca e mandioca, fubá, trigo para quibe, mistura para bolo 20 Óleos e gorduras Óleo de soja, azeite de oliva, azeite de dendê, óleo composto 30 Bebidas alcoólicas Vodka, aguardente 90 Vinho 7 Massas secas e grãos Macarrão, massa para lasanha, amido de milho 30 Ervilha seca, canjica, amendoim, grão de bico, lentilha, feijão, arroz Salgadinhos Amendoim japonês e outros, batata palha 15 Pães e bolos Pães torrados e bolo em pedaço 3 (72 h) Suco concentradoPó 15 2) Armazenamento em refrigeração (abaixo de 10 °C) Produto Exemplo Validade (dias/até 6 °C) Enlatados e conservas Pêssego, abacaxi, cereja, figo em calda, leite de coco, ervilha, milho verde, extrato de tomate, cogumelo, palmito, aspargos, tomate seco, ameixa preta, açaí 3 (72 h) Azeitonas, picles, alho processado 10 Enlatados e conservas Pêssego, abacaxi, cereja, figo em calda, leite de coco, ervilha, milho verde, extrato de tomate, cogumelo, palmito, aspargos, tomate seco, ameixa preta, açaí 3 (72 h) Azeitonas, picles, alho processado 10 Enlatados e conservas Pêssego, abacaxi, cereja, figo em calda, leite de coco, ervilha, milho verde, extrato de tomate, cogumelo, palmito, aspargos, tomate seco, ameixa preta, açaí 3 (72 h) Azeitonas, picles, alho processado 10 70 Unidade I 2) Armazenamento em refrigeração (abaixo de 10 °C) Frios, embutidos, defumados e laticínios Queijo parmesão, provolone, gouda, gruyère, gorgonzola, estepe (embalagem aberta) 30 Salsicha, mortadela, presunto, apresuntado, salame, bacon, linguiça calabresa, paio, peito de peru, ricota, queijo minas, muçarela, prato (embalagem aberta) 5 Salsicha, mortadela, presunto, apresuntado, salame, bacon, linguiça calabresa, paio, peito de peru, ricota, queijo minas, muçarela, queijo prato, parmesão, provolone, gouda, gruyère, gorgonzola, estepe (manipulados, fatiados), pizza com recheio 2 (48 h) Frios, embutidos, defumados, laticínios e outros alimentos Uso do dia (tomate, alface, molho de tomate, iogurte, leite fervido, chocolate gelado, entre outros alimentos como os descritos no campo de cima) 1 (24 h) Alimentos cozidos de uma forma geral (sobras refrigeradas) Arroz, feijão, carnes, saladas, sobremesas e outros 1 (24 h) Tipo de produto Temperatura (ºC) Validade (dias)* Ovos até 10 14 Hortifruti (frutas e legumes mais resistentes) até 10 7 Hortifruti (folhosos e frutas sensíveis) até 10 3 (72 h) Alimentos pós-cocção, produtos cárneos, sobremesas, frios e laticínios manipulados até 4 3 (72 h) até 6 2 (48 h) até 8 1 (24 h) Maionese e mistura de maionese com outros alimentos e pescados crus ou coccionados até 4 1 (24 h) Alimentos congelados pós-cocção de 0 a -5 10 de -5 a -10 20 de -10 a -18 30 abaixo de -18 90 *Validade de alimentos e grupos de alimentos de acordo com a legislação. O tempo especificado para armazenamento pode sofrer variação, de acordo com especificação do fabricante. Na RDC 216/04, o prazo máximo de consumo do alimento preparado e conservado sob refrigeração a temperatura de 4 °C, ou inferior, deve ser de 5 dias. Adaptado de: Brasil (2004), Evangelista (2008), Gava, Silva e Frias (2009), Germano e Germano (2015), Rey e Silvestre (2009), São Paulo (2011), São Paulo (2013). 4.9 Pré-preparo O pré-preparo pode ocorrer com muitos alimentos durante o processo produtivo de uma refeição. Dessa forma, é importante que se atenda às seguintes recomendações gerais: • Higiene de mãos constante antes de tocar qualquer alimento e após cada mudança de tarefa. • Utilização de utensílios adequados na manipulação de alimentos, de forma a evitar tocar os alimentos com as mãos. • Higienização das superfícies de trabalho, utensílios, equipamentos, placas de polietileno, antes e após cada tarefa. 71 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS • Durante a manipulação de alimentos, evitar a contaminação cruzada entre vários gêneros de alimentos. Higienizar a área quando usar o mesmo local para manipular mais de um tipo de alimento, ou realizar a manipulação em horários diferentes. • Manutenção dos alimentos em preparação ou prontos sempre protegidos ou tampados • Manutenção dos alimentos sob temperatura de segurança, ou seja, preparações frias, abaixo de 10 °C, e preparações quentes, acima de 60 °C. • Para alimentos enlatados ou em outras embalagens, além de verificar o prazo de validade e as condições da embalagem, higienizar latas, garrafas e vidros antes de serem abertos. • Transferir o conteúdo do alimento não consumido de latas abertas para recipientes plásticos com tampa e com etiqueta e manter sob refrigeração, conforme recomendação da embalagem ou critérios de uso. • Recomenda-se a retirada de pequenos lotes de produto para manuseio, de forma que o processo não ultrapasse 30 minutos após o produto ter atingido 10 °C. Em ambiente com temperatura controlada (entre 12 °C e 18 °C), o alimento pode permanecer até 2 horas. Arroz, feijão, lentilha e outros grãos podem ser escolhidos e lavados em água corrente, com enxágue por três vezes, antes da cocção. 4.10 Contaminação cruzada A contaminação cruzada ocorre quando os microrganismos são transferidos de um local para outro por meio de utensílios, equipamentos, mãos, panos, inclusive entre os próprios alimentos. Recomendações que devem ser seguidas por todos os colaboradores do serviço de alimentação: • Atentar para a não ocorrência de contaminação entre os vários gêneros de alimentos durante o armazenamento e a manipulação. • Garantir a higiene ao manipular gêneros de diversas naturezas: lavar e desinfetar a área de trabalho, equipamentos, mãos e utensílios entre uma atividade e outra. • Manter os alimentos protegidos durante a manipulação, garantindo que sempre estejam cobertos com tampas, filmes plásticos ou papéis impermeáveis, os quais não devem ser reutilizados. • Não manipular alimentos crus e em seguida cozidos sem proceder à higiene adequada das mãos, utensílios e superfícies. • Higienizar adequadamente facas e placas de polipropileno ao manipular alimentos crus e cozidos. 72 Unidade I 4.11 Pré-preparo de hortifrutis Por serem cultivados muito próximos à terra, os vegetais podem conter altos níveis de contaminação. Dessa forma, deve-se evitar o contato com outros alimentos, quando ainda crus e sem higienização, para impedir a contaminação cruzada. Mesmo os hortifrutis que sofrerão cozimento podem necessitar de desinfecção se a técnica empregada for branda e não se atingir o critério de segurança, como em alguns folhosos refogados. O procedimento de higienização de vegetais pode ser descrito da seguinte forma: • Seleção dos hortifrutis, com a retirada das folhas e unidades danificadas. • Lavagem em água corrente folha a folha e/ou unidade a unidade. • Imersão por 10 a 15 minutos em solução de hipoclorito de sódio ou dicloroisocianurato de sódio entre 100 a 250 ppm de cloro ativo. Todos os fabricantes trazem no rótulo as recomendações de diluição. As soluções cloradas devem ser monitoradas a fim de não apresentarem concentração de cloro livre inferior a 100 ppm. Quando esse monitoramento não for possível, trocar as soluções após cada imersão. • É possível incluir uma etapa coadjuvante ao processo de higienização de vegetais folhosos e outros tipos para o desprendimento de insetos, como pulgões e larvas: imersão por 5 a 10 minutos em solução de vinagre (ácido acético) a 2% (200 ml de vinagre para 10 L de água) ou solução salina a 1% por 5 minutos (e necessita de enxágue), antes ou após a desinfecção ou sanificação. Deve ser avaliada a necessidade de enxágue, tanto para não prejudicar as características sensoriais do vegetal quanto para não prejudicar o efeito do cloro. • Utilização do alimento higienizado para as preparações. • Armazenamento sob refrigeração (geladeira ou câmara) a, no máximo, 10 °C. Alguns alimentos podem passar apenas por lavagem criteriosa (um a um ou folha a folha), como: • Frutas não manipuladas e aquelas cujas cascas não são consumidas, tais como laranja, mexerica e banana. • Ovos, verduras, legumes e frutas que passarão por processamento térmico, desde que atinjam os critérios de tempo e temperatura necessários. 73 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS A) B) C) Figura 17 – Higienização de hortifrutis 4.12 Pré-preparo de carnes A área ou local de pré-preparo de carnes é o setor responsável pelo corte, preparo, armazenamento e destinação das carnes à área de preparo. A área de pré-preparo de carnes deve ser usada somentepara a manipulação de carnes cruas, sendo vetada a manipulação de produtos prontos para o consumo nessa área. O uso de outros ingredientes em alguns preparos deverá ser feito de acordo com o fluxograma correspondente. Os vegetais para temperos, por exemplo, devem ser higienizados em área específica e não junto à manipulação das carnes. Os diferentes tipos de carnes (bovina, suína, ovina, ave, pescado, carne de caça, entre outras) são alimentos altamente perecíveis, por serem ricos em proteínas e água, tornando-se muito suscetíveis a alterações de origem microbiana. Para garantir a qualidade e a segurança dos produtos cárneos, é necessário que sejam adotados critérios de segurança em todas as etapas de preparo, principalmente aqueles relacionados ao binômio tempo e temperatura. É importante definir e identificar os utensílios de uso exclusivo para carnes, aves e pescados que, obrigatoriamente, devem ser separados dos demais produtos manipulados nas áreas de produção. A forma ideal de descongelamento é aquela sob refrigeração e todo alimento em descongelamento, em câmara ou geladeira, não deve ultrapassar a temperatura máxima, na superfície do alimento, de 4 °C por até 72 horas. O descongelamento em forno convencional, como parte do processo de cocção e em micro-ondas, garantindo seu preparo imediato, também pode ser utilizado. Recomenda-se que o processo seja monitorado por meio de planilha específica. Os alimentos em descongelamento para posterior preparo devem ser protegidos e identificados com o nome do produto, data do início do processo e data de uso. O recongelamento não é recomendado. Carnes em geral devem ser mantidas até 4 °C e consumidas em até 72 horas após o descongelamento. No caso de pescados, o descongelamento deve se completar no dia do consumo. 74 Unidade I O descongelamento é favorecido quando a porção do alimento é pequena (idealmente de 2 kg até, no máximo, 4,5 kg) e quando se encontra em recipientes com altura não superior a 10 cm ou caso a peça tenha esse diâmetro máximo. Para contribuir com o alcance do critério de temperatura de cocção, a espessura dos filés deve ser de até 1,5 cm. Figura 18 – Descongelamento de carne 4.13 Dessalga A dessalga aplica-se a alimentos salgados, como charque, carne seca, bacalhau, pertences salgados da feijoada, que devem ser submetidos à retirada do sal sob condições seguras. Os alimentos para dessalga devem passar por este processo por período máximo de 8 horas. Eles podem ser dessalgados sob refrigeração até 5 °C, desde que a água (potável) seja trocada a cada 6 horas. E em água fervente, com 2 a 3 trocas, sem permitir que o produto fique em temperatura ambiente entre as fervuras. Recomenda-se que o processo seja monitorado por meio de planilha específica. Os alimentos em dessalgue para posterior preparo devem ser protegidos e identificados com o nome do produto, data do início do processo e data de uso. Figura 19 – Dessalgue de peixe 75 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS 4.14 Utilização de ovos Os ovos podem estar contaminados por Salmonella sp. tanto na casca como na gema. A qualidade sanitária das preparações à base de ovos é garantida adotando-se os seguintes procedimentos em cozinhas profissionais: • Não comprar/usar ovos com casca rachada (evitar a mistura da casca com o conteúdo). • Sempre conferir o prazo de validade. • Embalar bandejas de papelão em saco plástico transparente se o armazenamento for realizado em equipamento refrigerado. E não reutilizar as embalagens de ovos para evitar contaminação cruzada. • Preferir armazenar os ovos sob refrigeração até 10 °C por 14 dias ou 7 dias em temperatura ambiente. • Não oferecer e não preparar alimentos com ovos crus, como mousses ou glacês, podendo usar ovos desidratados ou pasteurizados. • Utilizar somente maionese industrializada. • Preparar os ovos cozidos deixando-os cozinhar por 7 minutos, aproximadamente, após levantar fervura. • Garantir 70 °C/74 °C em empanados (dorê, milanesa), bolos, doces e bolinhos à base de ovos. Não preparar ovos fritos com gema mole ou ovos pochê antes de se certificar de que a temperatura de segurança foi atingida. Manter gema e clara duras, preferencialmente. • Lavar os ovos em água corrente, potável, um a um, somente antes do uso, sem necessidade de desinfecção. E devem ser implementadas medidas de controle para evitar a contaminação cruzada. Mas não é recomendável a lavagem de ovos por estabelecimentos comerciais de alimentos ou serviços de alimentação. Geralmente, as grandes granjas realizam a higienização automatizada de ovos. Estudos científicos têm mostrado que a lavagem de ovos, para produzir ovos líquidos de uso industrial, não tem influência na qualidade microbiológica do produto final que sofrerá pasteurização, desde que a matéria-prima seja de boa qualidade. A lavagem dos ovos pode reduzir a carga microbiológica da casca, porém alguns agentes químicos utilizados nessa lavagem podem causar danos físicos ao produto, facilitando a entrada de microrganismos através da casca. Exemplo de aplicação A chefe de cozinha Bel Coelho inspirou-se em suas memórias de infância para criar o prato, que leva, além do ovo – cozido em baixa temperatura, a 62,5 °C, por 45 minutos (ficará parecido com o ovo pochê) –, arroz de linguiça artesanal com favas. A receita combina elementos tecnológicos – o roner, que é um termocirculador que possibilita cozimentos a baixa temperatura com controle muito 76 Unidade I preciso de calor – a outros prosaicos, caso do ingrediente que inspira o prato, tão comum nas cozinhas do Brasil e no mundo. Figura 20 – Ovo pochê Vamos reproduzir essa experiência? Utilizando as orientações da técnica dietética, procure preparar um ovo pochê, mas que atinja as temperaturas de segurança (pasteurização ou cocção), de modo a eliminar os microrganismos patogênicos, como a Salmonella sp. Será que é possível? 4.15 Cocção ou cozimento ou tratamento térmico Uma das etapas mais importantes para o preparo de hortifrutis, cremes, molhos, assados, frituras, recheios e outras preparações semelhantes é o controle das temperaturas de cocção e/ou reaquecimento, que eliminam as formas vegetativas de microrganismos patogênicos e que contribui para a garantia da segurança do alimento em decorrência da manutenção da temperatura durante a etapa de manutenção a quente/distribuição que previne a multiplicação de bactérias esporuladas, sobreviventes aos processos de cocção/reaquecimento. No preparo de alimentos com certa antecedência, o risco de multiplicação de bactérias esporuladas é alto, especialmente na fase de resfriamento, quando o alimento pode permanecer por período longo de tempo em faixas de temperatura ótimas para o desenvolvimento microbiano. Deve-se buscar a rápida queda na temperatura do alimento por meio de alguma medida que auxilia na rápida velocidade de perda de calor pelo alimento, que deve ser encaminhado para armazenamento refrigerado, em pequenos lotes. Caso haja o preparo de véspera, os alimentos também devem ser resfriados rapidamente para evitar a multiplicação de células esporuladas, sobreviventes ao tratamento térmico, produtoras de toxinas em alguns casos. O reaquecimento é uma medida de controle de recontaminantes e de esporos sobreviventes, que, porventura, tenham germinado, entretanto, não para toxinas termorresistentes. 77 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Na cocção ou reaquecimento, os alimentos devem atingir em, no máximo 2 horas, a temperatura de 70 °C/74 °C. Tabela 2 – Critérios de tempo e temperatura para cocção ou reaquecimento dos alimentos Temperatura (°C) em todas as partes do alimento Tempo mínimo (minutos) 70-74 - 70 2 65 15 Adaptada de: Brasil (2004), São Paulo (2011) e São Paulo (2013). Na fritura dos alimentos, a temperatura do óleo deve permanecer entre 160 °C e 180 °C. Na grelhagem, a temperatura da chapa deve estar entre 200 °C e 220 °C. A temperatura deve ser verificada no centro do alimento apósa fritura e a grelhagem, mas todas as partes do alimento devem atingir a temperatura de segurança. Óleos e gorduras com odor, sabor, cor e viscosidade alterados e com fumaça ou espuma devem ser desprezados, cuja atividade deve ser amparada por procedimento que garanta a sua reciclagem. Figura 21 – Tratamento térmico Os alimentos quentes em espera para distribuição devem permanecer a uma temperatura acima de 60 °C. No resfriamento, os alimentos podem permanecer em temperatura ambiente até atingir 60 °C, quando devem ser resfriados. O resfriamento deve promover a redução da temperatura do alimento a 10 °C em 2 horas e depois a 4 °C para armazenamento. Para maior garantia, esses alimentos não devem ser armazenados em recipientes com altura superior a 10 cm. No caso de molhos, o porcionamento deve ser feito em recipientes de, no máximo, 5 litros. 78 Unidade I 60 ºC 2 horas 10 ºCA) B) Temperatura original 6 horas Abaixo de 0 ºC Figura 22 – Combinações de tempo e temperatura para o resfriamento (A) e congelamento seguros de preparações (B) No caso de adição de molhos quentes a determinadas preparações, ambos devem estar com temperatura superior a 60 °C ou deverá ser obrigatório o reaquecimento após adição do molho. A manipulação dos alimentos deve ser feita em lotes pequenos, de modo a não permanecer abaixo de 60 °C ou acima de 10 °C por mais de 30 minutos. Acima de 4 °C, as bactérias começam a ter melhores condições para o seu metabolismo, sendo mais rápido o desenvolvimento quando a temperatura ultrapassa 10 °C. Para o transporte interno, o alimento também deve permanecer com temperatura superior a 60 °C ou inferior a 10 °C. O preparo do alimento deve ocorrer o mais próximo possível do momento de ser servido. Os alimentos que serão preparados devem ser retirados da câmara ou geladeira em pequenas remessas e preparados de acordo com o fluxo de distribuição. 4.16 Pós-cocção Medidas que evitem e previnam a contaminação cruzada são essenciais a todas as atividades que envolvem os alimentos que passaram ou não por cocção. Para acelerar ou reduzir os processos que envolvem calor/frio, podem ser consideradas as seguintes etapas ou medidas de controle: • Fatiamento ou redução do tamanho (peças de carne). • Distribuição em pequenos volumes. • Arrumação nos equipamentos sem sobreposição. • Agitação de alimentos pastosos ou líquidos. 79 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS 4.17 Distribuição Nesta etapa, os alimentos são expostos para consumo imediato, porém sob controle de tempo e temperatura para não ocorrer multiplicação microbiana, desde que protegidos de novas contaminações. A) B) Figura 23 – Distribuição de alimentos Recomendam-se as seguintes medidas de controle: • Manter limpo todos os objetos para distribuição, bem como o uniforme, atentando-se à higiene pessoal e a do ambiente (mesas e balcão de distribuição), não deixando pessoas estranhas entrarem na cozinha sem proteção específica. • Fazer a distribuição em pequenos lotes garantindo que a temperatura não permaneça abaixo de 60 °C ou acima 10 °C, para garantir maior tempo de distribuição em temperaturas de segurança, seja para alimentos quentes ou frios, respectivamente. • Manter os alimentos para distribuição sempre cobertos com tampas ou fita filme para evitar contaminação, sempre que possível ou em situações de espera para distribuição. • Manter as preparações quentes e frias fazendo a combinação entre tempo e temperatura, conforme descrito no quadro seguinte. 80 Unidade I Quadro 11 – Critérios de tempo e temperatura para a distribuição dos alimentos (frios e quentes) Temperatura no alimento (ºC) Tempo máximo (horas) Alimentos frios Até 10 4 Entre 10 e 21 2 Alimentos quentes Abaixo de 60 1 Acima de 60 6 Adaptado de: Brasil (2004), São Paulo (2011) e São Paulo (2013). Os alimentos quentes que ultrapassarem os critérios de tempo e temperatura estabelecidos devem ser desprezados, se não forem consumidos imediatamente ou reaquecidos. Já os alimentos frios que ultrapassarem os critérios de tempo e temperatura estabelecidos também devem ser desprezados, se não forem consumidos imediatamente ou resfriados. As temperaturas dos alimentos em manutenção a quente e frio e em distribuição devem ser monitoradas por meio de formulário específico. 4.18 Sobras Sobras são alimentos excedentes prontos para consumo que não foram distribuídos ou que ficaram no balcão térmico ou refrigerado. Normalmente, recomenda-se a utilização somente daquelas que não foram distribuídas (que permaneceram em manutenção a quente ou a frio), quase sempre denominadas de sobras limpas. As sobras que permaneceram no balcão térmico ou refrigerado são denominadas sobras sujas, pois já foram manipuladas de uma forma ou de outra. O uso destas não é recomendado e se caracterizam como resto, devendo ser descartadas e recicladas como resíduo orgânico. De toda forma, os alimentos devem ser preparados conforme a programação/planejamento, para evitar as sobras, superprodução e/ou desperdícios. Vale destacar a Lei n. 11.575, de 25 de novembro de 2003, que dispõe sobre doação e reutilização de gêneros alimentícios e de sobras de alimentos. Lembrete Para os efeitos da Lei n. 11.575, entende-se como sobra o alimento que não foi distribuído e que foi conservado adequadamente, incluindo a sobra do balcão térmico ou refrigerado, quando se tratar de alimento pronto para o consumo. E restos como os alimentos já distribuídos ou ofertados ao consumidor. 81 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS Somente as sobras que tenham sido controladas e monitoradas podem ser utilizadas. No caso de haver sobras, usam-se os seguintes critérios para o seu aproveitamento: • Sobras quentes: — Reaquecidas a 70 °C/74 °C e mantidas a 60 °C ou mais para serem servidas por, no máximo, 6 horas. — Reaquecidas a 70 °C/74 °C e quando atingirem 60 °C/55 °C na superfície são resfriadas a 10 °C em 2 horas, para serem reaproveitadas em, no máximo, 24 horas. Se congeladas, o tempo de validade aumentará de acordo com a temperatura de armazenamento. — Alimentos que sofreram tratamento térmico e que são destinados à refrigeração são armazenados em recipientes ou utensílios com altura máxima de 10 cm, sendo cobertos quando atingirem a temperatura de 21 °C ou menos. • Sobras frias: — Refrigeradas de modo que a temperatura interna do alimento atinja 4 °C em 4 horas, podendo ser utilizadas em, no máximo, 24 horas. — Também podem ser reaproveitadas para pratos quentes, sendo levadas a tratamento térmico a 70 °C/74 °C e mantidas a 60 °C para distribuição por, no máximo, 6 horas. 4.19 Transporte Os produtos/alimentos que necessitam de refrigeração/manutenção do frio devem ser transportados em recipientes isotérmicos, garantindo, assim, durante o transporte, a temperatura adequada. Para os veículos dos fornecedores, devem ser observados os seguintes critérios: • Higiene do veículo: condições de temperatura do carro no caso de mercadorias que necessitem de refrigeração, higiene de estrados e embalagens e condições do armazenamento da mercadoria no veículo. • Higiene dos entregadores: verifica-se se o colaborador está uniformizado adequadamente e completo, avaliando também a aparência e as condições de higiene. • Pontualidade da entrega e nota fiscal, quando for o caso. A cabine do condutor deve ser isolada da parte que contém alimentos, revestida de material liso, resistente, impermeável, atóxico e lavável. Todos os veículos de transportes devem ser fechados. 82 Unidade I Quadro 12 – Exigências em relação ao tipo de veículo para transporte de alimentos Características do transporte Tipos de produto Exigências Transporte aberto Bebidas engarrafadas; hortícolas e similares Constituído de material atóxico, de fácil limpeza e desinfecção Não deve ocasionar danos ou deterioração dos produtos. Transporte aberto com proteção Biscoitos; balas e chocolates; cereais e grãos a granel; cereais e grãos pré-embalados;seus derivados farináceos e alimentos processados à base de grãos e cereais; condimentos, temperos e especiarias; café; doces em pasta; água mineral pré-envasada; massas alimentícias secas; óleos; pós para preparo de alimentos e alimentos desidratados; sal; açúcar e adoçantes dietéticos; alimentos em geral acondicionados em embalagens hermeticamente fechadas (ex.: latas, vidros, filmes plásticos, Tetra Pak®, etc.); similares Constituído de material de fácil limpeza e desinfecção Protegidos com lona, plásticos e outros. Transporte fechado à temperatura ambiente (baú, containers e outros) Pão e produtos de panificação; produtos cárneos salgados, curados ou defumados; pescado salgado ou defumado; produtos de confeitaria; similares. Constituído de material atóxico, resistente, de fácil limpeza e desinfecção Imobilidade dos recipientes para garantia da integridade dos produtos. Transporte fechado isotérmico ou refrigerado Carnes e produtos cárneos; sucos e outras bebidas a granel; creme vegetal e margarina; alimentos congelados ou supergelados; sorvetes; gorduras em embalagens não metálicas; produtos de confeitaria que requeiram temperatura especial de conservação; refeições prontas para o consumo; similares — Constituído de material liso, resistente, impermeável e atóxico — Conservação: quente: acima de 60 °C refrigerado: 4 °C a 7 °C resfriado: 6 °C a 10 °C e/ou conforme especificações do fabricante congelado: (-18 °C) a (-12 °C) — Termômetros em perfeitas condições de funcionamento — Estrados, prateleiras, caixas, ganchos removíveis para facilitar a limpeza e desinfecção. Adaptado de: Brasil (2004), São Paulo (2011) e São Paulo (2013). Resumo Nesta unidade, foi possível abordar aspectos gerais sobre qualidade e sua relação com a segurança dos alimentos, de modo a facilitar o entendimento da interface desses aspectos com o controle higiênico-sanitário de alimentos. Nessa primeira parte, a abordagem sobre controle, garantia e gestão da qualidade e as principais normas ISO e algumas estratégias de qualidade, como o 5S, contribuiu para a compreensão de que a dimensão 83 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS da qualidade é bastante ampla e complexa na área de alimentos, particularmente em produção de refeições. Na sequência, partimos especificamente para o controle higiênico-sanitário, o que permitiu abordar o modelo de segurança de alimentos, constituído, genericamente pelas boas práticas, pelos procedimentos operacionais e a análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC), bem como pela ISO 22000. Depois, desenhamos um panorama das principais legislações nacionais importantes para o nutricionista que atuará em produção de refeições, particularmente em serviços de alimentação, incluindo a responsabilidade técnica e a vigilância sanitária de alimentos. Iniciou-se o estudo de todas as condições necessárias à produção segura de alimentos/refeições, passando pela descrição das principais áreas de um serviço de alimentação. Depois, foram detalhados os critérios de segurança e as medidas de controle em suprimentos (compras, recebimento e armazenamento), pré-preparo, preparo e distribuição. Exercícios Questão 1. (Enade 2007) Uma UAN utiliza o sistema de autosserviço no processo de distribuição das refeições. O cardápio oferece diversos molhos que podem ser acrescentados a pratos frios e quentes. Esperando garantir a qualidade higiênico-sanitária dos molhos, o nutricionista dessa UAN optou por usar recipientes de menor dimensão, de modo a se fazer a reposição contínua dos alimentos durante o período de distribuição. Considerando que, além da referida medida adotada pelo nutricionista, outros procedimentos retardam o crescimento microbiano em preparações durante a distribuição de refeições em UANs, assinale a opção correta acerca desses procedimentos. A) O emprego da temperatura adequada na fase de preparo dos molhos quentes impede o crescimento microbiano durante a fase de distribuição. B) A disposição dos molhos nas mesas do refeitório garante a qualidade desses molhos durante o período de distribuição. C) Durante a distribuição, é adequado que os molhos frios sejam mantidos em balcões refrigerados, com temperaturas não superiores a 10 °C, preferencialmente abaixo de 5 °C. D) Durante a distribuição, os molhos quentes devem ser mantidos em balcões térmicos em temperatura acima de 90 °C. 84 Unidade I E) Durante o período de distribuição, o reabastecimento dos molhos frios por um mesmo copeiro evita a contaminação cruzada. Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: o controle da temperatura deve ser realizado em todas as etapas do processo de produção de alimentos e, ainda, ressalta-se que a temperatura adequada na fase de preparo do molho apenas diminui o risco de crescimento. B) Alternativa incorreta. Justificativa: a qualidade dos molhos depende do controle do binômio tempo e temperatura em todas as fases de preparo do molho até seu consumo, assim como do controle da qualidade da matéria-prima, controle de higiene ambiental, equipamentos e pessoal. C) Alternativa correta. Justificativa: segundo a RDC 216/04, para conservação sob refrigeração ou congelamento, os alimentos devem ser previamente submetidos ao processo de resfriamento, que deve ser realizado de forma a minimizar o risco de contaminação cruzada e a permanência do mesmo em temperaturas que favoreçam a multiplicação microbiana. A temperatura do alimento preparado deve ser reduzida de 60 °C (sessenta graus Celsius) a 10 °C (dez graus Celsius) em até duas horas. Em seguida, ele deve ser conservado sob refrigeração a temperaturas inferiores a 5 °C (cinco graus Celsius). D) Alternativa incorreta. Justificativa: segundo a RDC 216/04, para conservação a quente, os alimentos devem ser submetidos à temperatura superior a 60 °C por, no máximo, 6 horas. E) Alternativa incorreta Justificativa: o que evita a contaminação cruzada é a correta higienização pessoal e sanitização dos utensílios. Questão 2. (Enade 2009) Restaurantes são locais propícios à contaminação dos alimentos durante os processos de pré-preparo e preparo, se não forem atendidas as condições adequadas de boas práticas na manipulação. Com base nessas informações, avalie os itens a seguir: 85 HIGIENE E LEGISLAÇÃO DE ALIMENTOS I – Durante o pré-preparo, para se evitar a contaminação cruzada, é importante reduzir o número de funcionários envolvidos. II – É importante, no recebimento de alimentos in natura, avaliar as características organolépticas dos produtos, registrar as temperaturas, a data de fabricação, a validade, o número do lote e as condições do transporte. III – No armazenamento de diferentes produtos em um único equipamento de refrigeração, deve-se separar os alimentos prontos nas prateleiras inferiores, os pré-processados nas intermediárias, e os in natura nas superiores. IV – O pré-preparo de alimentos em temperatura ambiente não deverá ultrapassar 30 minutos e, durante o preparo, deverão ser adotados cuidados com a manutenção da temperatura em níveis seguros (70 °C em todas as partes do alimento). Estão corretas somente as afirmativas A) I e II. B) III e IV. C) I e III. D) II e IV. E) I e IV. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: o número de funcionários pode ter relação com este tipo de contaminação em decorrência de mais situações de manipulação com aumento da possibilidade de cruzamento, mesmo em situações nas quais a equipe é treinada. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: alimentos in natura exigem que sejam avaliados outros aspectos que não necessariamente a data de fabricação, dependendo das suas características. 86 Unidade I III – Afirmativa incorreta. Justificativa: deve ocorrer o contrário, ou seja, separar os alimentos prontos nas prateleiras superiores e os alimentos inferiores nas prateleirasinferiores. IV – Afirmativa correta. Justificativa: estes cuidados relacionados ao binômio tempo e temperatura são requisitos preconizados pela legislação vigente.