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2º SEMESTRE ??? ESTÉTICA E HISTÓRIA DA ARTE MUNDIAL II Créditos e Copyright MARTINI, Fátima Regina Sans. Estética e História da Arte Mundial II. Fátima Regina Sans Martini. Santos: Núcleo de Educação a Distância da UNIMES, 2007. p. (Material didático. Curso de Licenciatura em Artes Visuais). Modo de acesso: www.unimes.br 1. Ensino a distância. 2. Artes Visuais. 3. História da Arte CDD 700 Este curso foi concebido e produzido pela Unimes Virtual. Eventuais marcas aqui publicadas são pertencentes aos seus respectivos proprietários. A Unimes Virtual terá o direito de utilizar qualquer material publicado neste curso oriunda da participação dos alunos, colaboradores, tutores e convidados, em qualquer forma de expressão, em qualquer meio, seja ou não para fins didáticos. Copyright (c) Unimes Virtual É proibida a reprodução total ou parcial deste curso, em qualquer mídia ou formato. UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PLANO DE ENSINO CURSO: Licenciatura em Artes Visuais COMPONENTE CURRICULAR: Estética e História da Arte Mundial II SEMESTRE: 2° CARGA HORÁRIA TOTAL: 80 horas EMENTA: Compreende a formação de conceitos de Estética e História da Arte mundial, do período do Barroco ao século XXI, a partir das concepções históricas, sociais, filosóficas e culturais, investigando a formação dos estilos artísticos. OBJETIVO GERAL: Conhecer e classificar a história do século XVII ao século XX e os elementos que constituem a Arte desses períodos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Unidade I Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais, geradores de sistemas simbólicos. Analisar e refletir os critérios culturalmente constituídos e embasados em conhecimentos afins, de caráter histórico. Investigar, compreender, refletir e valorizar os vários processos e diferentes instrumentos e dispositivos culturais e históricos do século XVII. Unidade II Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais, geradores de sistemas simbólicos. Analisar e refletir os critérios culturalmente constituídos e embasados em conhecimentos afins, de caráter histórico. Investigar, compreender, refletir e valorizar os vários processos e diferentes instrumentos e dispositivos culturais e históricos do século XVIII. Unidade III Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais, geradores de sistemas simbólicos. Analisar e refletir os critérios culturalmente constituídos e embasados em conhecimentos afins, de caráter histórico. Investigar, compreender, refletir e valorizar os vários processos e diferentes instrumentos e dispositivos culturais e históricos da primeira metade do século XIX. Unidade IV Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais, geradores de sistemas simbólicos. Analisar e refletir os critérios culturalmente constituídos e embasados em conhecimentos afins, de caráter histórico. Investigar, compreender, refletir e valorizar os vários processos e diferentes instrumentos e dispositivos culturais e históricos de meados ao final do século XIX. Unidade V Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais, geradores de sistemas simbólicos. Analisar e refletir os critérios culturalmente constituídos e embasados em conhecimentos afins, de caráter histórico. Investigar, compreender, refletir e valorizar os vários processos e diferentes instrumentos e dispositivos culturais e históricos do início ao final do Século XX. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: Unidade I O século XVII. A França e a Inglaterra no século XVII; a Cultura do século XVII e a Arte Barroca na Itália, Países Baixos, Espanha e Holanda. O Estado Moderno Absolutista, A cultura e a arte do século XVII, Escultura e pintura barroca, Pintura barroca – Países baixos, Pintura barroca – Espanha, A pintura francesa no Barroco. Unidade II O século XVIII. O Estado Modernista; A França e a Inglaterra no século XVIII; a Cultura do século XVIII e a Arte Rococó; O Iluminismo: a Estética. A arquitetura e a decoração do século XVIII; Jardins e Afrescos. Final do século XVII e início do século XVIII, Arquitetura - Decoração – Jardins, A pintura de afrescos – A pintura rococó, A pintura rococó francesa e inglesa, Final do século XVIII. As Revoluções. Unidade III Primeira metade do século XIX. Final do século XVIII; as Revoluções. A Cultura do início do século XIX; a Arte Neoclássica na arquitetura, pintura e escultura, na França, Inglaterra e América do Norte e o Romantismo; Estética e teoria da Arte; O Realismo e a Arte dos Pré-Rafaelitas em meados do século. Neoclássico e Romantismo, Poéticas. Temas heroicos e conservadores, Estética – Neobarroco e Romantismo, Meados do Século XIX. Fim do Romantismo, Realismo e Pré-Rafaelitas. Unidade IV Meados ao final do século XIX; a Cultura da segunda metade do século XIX. Final do século XIX; Estética; A Arte do período: Impressionismo, Pintura japonesa, Pontilhismo, Pós Impressionismo, Simbolismo, Art Nouveau e os artistas independentes. Expressão e comunicação. Universo da cor - Gravuras japonesas, Impressionismo, Final do século XIX – Pontilhismo, A arte do final do século XIX, Final do século XIX – Complexidades, Expressão e Comunicação. Tema transversal - Identidade cultural, contextos visuais, cotidiano e visualidade. Tema transversal - Relações entre imagens e o poder. Unidade V Do início ao final do Século XX. Início do século XX - O expressionismo, Fauvismo, Abstracionismo, Cubismo. Picasso, Futurismo ao Dadaísmo, Surrealismo – Escola de Paris, Meados do século XX, Informalismo. Pintura gestual, Op Art. Pop Art. Ambientes e Instalações, Final do século XX. BIBLIOGRAFIA BÁSICA: GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. JANSON E JANSON. História Geral da Arte. Mundo Moderno. São Paulo: Martins Fontes, 2006. PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo: Ática, 2007. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: ARGAN, G.C. Arte Moderna, do Iluminismo ao movimento contemporâneo. São Paulo: Cia das Letras, 2001. ARNOLD, Dana. Introdução à História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. BATTISTONI FILHO, Duílio. Pequena História da Arte. Campinas, SP: Papirus, 2004. MASON, Antony. História da Arte Ocidental - Da Pré-história ao Século 21. Rideel, 2010. WÖLFFLIN, Heinrich. Conceitos fundamentais da História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2001. METODOLOGIA: A disciplina está dividida em unidades temáticas que serão desenvolvidas por meio de recursos didáticos, como: material em formato de texto, vídeo aulas, fóruns e atividades individuais. O trabalho educativo se dará por sugestão de leitura de textos, indicação de pensadores, de sites, de atividades diversificadas, reflexivas, envolvendo o universo da relação dos estudantes, do professor e do processo ensino/aprendizagem. AVALIAÇÃO: A avaliação dos alunos é contínua, considerando-se o conteúdo desenvolvido e apoiado nos trabalhos e exercícios práticos propostos ao longo do curso, como forma de reflexão e aquisição de conhecimento dos conceitos trabalhados na parte teórica e prática e habilidades. Prevê ainda a realização de atividades em momentos específicos como fóruns, chats, tarefas, avaliações a distância e Prova Presencial, de acordo com a Portaria de Avaliação vigente. Sumário Aula 01_O Estado Moderno Absolutista 9 Aula 02_A cultura e a arte do século XVII 12 Aula 03_Escultura e Pintura Barroca 17 Aula 04_Pintura Barroca – Países Baixos 20 Aula 05_Pintura Barroca – Espanha 23 Aula 06_A pintura francesa no Barroco 25 Aula 07_Final do século XVII e início do século XVIII 29 Aula 08_Arquitetura - Decoração – Jardins 34 Aula 09 _A pintura de afrescos – A pintura rococó 37 Aula 10_A pintura rococó francesa e inglesa 41 Aula 11_Final do século XVIII - As Revoluções 44 Aula 12_Neoclássico e Romantismo 47 Aula 13_Poéticas - Temas heroicos e conservadores 51 Aula 14_Estética – Neobarroco e Romantismo. 55 Aula 15_Meados do Século XIX. Fim do Romantismo 59 Aula 16_Realismo e Pré-Rafaelitas.61 Aula 17_Universo da cor – Gravuras japonesas 63 Aula 18_Impressionismo 65 Aula 19_Final do século XIX – Pontilhismo 68 Aula 20_A arte do final do século XIX 71 Aula 21_Final do século XIX – Complexidades 74 77 Aula 22_Expressão e Comunicação 78 Aula 23_Início do século XX - O expressionismo 80 Aula 24_Fauvismo 84 Aula 25_Abstracionismo 86 Aula 26_Cubismo - Picasso 90 Aula 27_Futurismo ao Dadaísmo 92 Aula 28_Surrealismo – Escola de Paris. 95 Aula 29_Meados do século XX 98 Aula 30_Informalismo - Pintura gestual 101 Aula 31_Op Art e Pop Art - Ambientes e Instalações. 104 Aula 32_Final do século XX. 109 Aula 01_O Estado Moderno Absolutista Olá! Com esta aula, iniciamos nosso curso e damos continuidade aos nossos estudos de História da Arte. Após a nova estrutura do Estado Moderno, a Europa do século XV sentiu crescente necessidade de capitais para ampliar seu comércio. Em razão do monopólio comercial exercido pelos turcos no Oriente, pelos árabes na África e pelos venezianos no Mediterrâneo, as mercadorias como perfume, seda, tapetes, pedras preciosas, marfim e especiarias se tornaram valiosas. Decididos a vencer, a burguesia europeia e o Estado deram início à expansão marítima ao longo de rotas não exploradas, fundando núcleos colonizadores, explorando recursos naturais e comercializando novos produtos. O ESTADO MODERNO ABSOLUTISTA O absolutismo consolidou-se após a formação dos Estados Modernos, favorecido por lutas religiosas e pelo mercantilismo. A Espanha foi, no século XVI, com Felipe II, a maior potência europeia. Com um vasto império e dispondo de grande quantidade de ouro e prata, obtido em suas terras nas Américas, a Espanha monopolizou o comércio. O excesso de metal precioso acarretou a alta geral dos preços de diversos produtos, provocando a revolta dos Países Baixos que se separaram auxiliados pela Inglaterra. A derrota sofrida pela Espanha, ao querer vingar-se da Grã-Bretanha, marcou o fim da supremacia espanhola. A nova mentalidade dos homens do séc. XVI conduziu a um profundo descontentamento de fundo religioso que acabou provocando a ruptura do mundo cristão. Com a Reforma[1] e Contrarreforma[2] o poder político da Igreja Católica Apostólica Romana enfraqueceu, aumentando o poder dos reis. A ASCENSÃO DA FRANÇA NOS SÉCULOS XVI E XVII No século XVI, a França foi o cenário de violentas lutas religiosas entre católicos e protestantes calvinistas, as quais só tiveram fim no reinado de Henrique IV com o Edito de Nantes[3]. Em meados do século XVII, a França ampliou seus domínios e conquistou enorme projeção. Internamente, o poder do rei foi sendo centralizado[4]. No reinado de Luís XIV, os nobres foram atraídos para a corte e a rica burguesia foi favorecida na indústria e comércio. O rei encarnando o símbolo do absolutismo deu à França o máximo de esplendor e projeção, merecendo o título de rei-sol, com uma corte das mais brilhantes e luxuosas. A situação social, porém, não era boa, com a nobreza vivendo ociosamente. No campo, os nobres empobreciam e os camponeses mais ainda, enfrentando fome e doenças. Com a revogação do Edito de Nantes, o rei católico forçou os protestantes a abandonarem o país, levando seus pertences e a capacidade de trabalho. Enfim, a coligação das nações europeias contra as excessivas pretensões do rei Luís XIV, conduziu o fim da supremacia francesa. INGLATERRA Tal como na França, o absolutismo na Inglaterra evoluiu do Estado Moderno, a partir da dinastia Tudor[5] e se impôs na dinastia Stuart[6], com a formação da Grã-Bretanha. No reinado de Carlos I, a Inglaterra voltou a ser agitada por questões religiosas, sociais e econômicas, levando-o a ser preso, condenado por omissão e decapitado em 1649. A execução de um monarca foi um fato inédito na Europa, mostrando a intolerância do povo ao regime absolutista. Com a morte do rei, a Inglaterra tornou-se uma republica dirigida com poderes plenos por Cromwell, que se intitulou Lorde Protetor. A Inglaterra assegurou o domínio dos mares e o controle da rede mercantilista. Após anos de agitações, a coroa inglesa foi oferecida a Guilherme III de Orange em 1689, que devolveu ao país suas liberdades democráticas. Através de um governo orientado pelo parlamento, a Inglaterra se afirmou como nação politicamente mais avançada. SAIBA MAIS Sobre as Reformas religiosas e os Estados absolutistas em: ORDOÑEZ, M. 1999. O livro é de fácil leitura e você pode aprimorar o conhecimento em História, se for necessário. Esse conhecimento é a base para um juízo da Arte da Idade Moderna e Contemporânea. ______[1] A Reforma iniciou-se na Alemanha com Martinho Lutero em 1517 e seus numerosos adeptos enfrentaram a resistência dos governantes alemães até 1555, quando Carlos V assinou a Paz de Augsburg. Calvino difundiu sua doutrina na Suíça, nos Países Baixos, na França e na Escócia. Na Inglaterra o rei abraça o Anglicanismo, por motivos pessoais. [2] A Contrarreforma foi promovida pela Igreja de Roma no intuito de reestruturar suas instituições e acompanhar as mudanças que haviam se operado na Europa com a expansão do protestantismo. [3] O Edito de Nantes concedeu liberdade de culto aos protestantes em 1598. [4] O poder do rei foi sendo centralizado com o apoio do Cardeal Richelieu na regência de Maria de Médici e reinado de Luís XIII; e o Cardeal Mazzarino no início do reinado de Luís XIV. [5] Dinastia Tudor – Henrique VII e XVIII, Maria Tudor e Elisabete I. [6] Dinastia Stuart – Jaime I, Carlos I e II e Jaime II. Aula 02_A cultura e a arte do século XVII Os reis absolutistas sustentavam uma numerosa e luxuosa corte de nobres, que consumia grande parte da riqueza do Estado. As colônias se tornaram importantes no fornecimento de produtos valiosos a preços baixos. A França e Inglaterra entraram na corrida colonial, logo após Espanha e Portugal, garantindo o poder absoluto em suas nações. A CULTURA DO SÉCULO XVII Não existe uma ruptura entre o gosto do século XVI, equilibrado, gracioso, harmonioso, e o gosto do século XVII, extravagante. O século XVII, chamado de Barroco nada mais foi do que a extrema manifestação do classicismo, saturado e esgotado, renovado em novas formas. O Barroco nasceu como o Renascimento, na Itália, difundindo-se primeiro no sul da Europa e na Holanda, para depois tornar-se um estilo universal. Inicialmente sóbrio, dentro do espírito da Contrarreforma, o Barroco entregou-se na segunda metade do século XVII a uma grande liberdade de imaginação. Os exemplos estão nas igrejas monumentais, nos contrastes de luz e sombra, e grande quantidade de afrescos, esculturas e colunas; nos palácios suntuosos, nas imponentes escadarias e cercados de parques geometricamente traçados. Na literatura os grandes representantes do século foram Cervantes[1] na Espanha e Molière[2] na França, entre outros. Na música, foram desenvolvidos o oratório e o melodrama, com Vivaldi[3] e Bach[4], entre outros. A função da arte no século XVII é de converter e aumentar o número de fiéis católicos romanos. As igrejas se tornam imponentes e douradas, as esculturas são executadas para serem vistas de baixo, o horror e a ternura, o espaço ilusório e as diagonais, as figuras realistas e a luz misteriosa fazem parte do mesmo projeto. A mitologia se faz presente sem ideias necessariamente religiosas. O Barroco exprime o imponderável, visando o infinito, pois nem os tetos limitam o espaço. Existem diferenças e semelhanças entre a Arte do Renascimento e a Arte do Barroco. Podemos afirmar que a maioria dos temas trabalhados na pintura e escultura barroca são semelhantes aos aplicados na Arte do Renascimento. No entanto, a interpretação dos mesmos temas recebe tratamento diferenciado nos dois estilos. No Renascimento, os artistas procuram se aproximar da formalidade, do racionalismo e do idealismo do período clássico, aplicando, com moderação, diferenças formais e técnicas. Buscam sobretudo o equilíbrio, a harmonia e austeridade. Na Arte barroca, os mesmos temas são tratados com exuberância e dramaticidade; o dinamismo e a procura pelo realismosão metas desejadas pelos artistas que, às vezes,chegam ao decorativo no produto final, muito próximo do período helenístico. Embora essas diferenças não ocorram todas ao mesmo tempo durante todo o período histórico do Barroco, uma certeza se tem: Ambos os estilos se aproximam, admiram-se e interpretam a Arte e a cultura grega. ARQUITETURA E PALÁCIOS Depois de Andréa PALLADIO (1508-1580) e as cópias da Villa Rotonda[5], inicia-se um novo movimento criador na arquitetura italiana, onde se destacam Gian Lorenzo BERNINI (1598 – 1680) e Francesco BORROMINI (1599 – 1667). O conjunto da Praça São Pedro, sob projeto de Gian Lorenzo Bernini, é uma perfeita síntese do estilo Barroco. A colunata e o espaço central constituem o acesso à basílica de São Pedro em Roma. Construído entre 1625 e 1633, no estilo já considerado Barroco, o Palácio de Barberini recebe projeto de Carlo MADERNO (1556-1629) e Francesco BORROMINI (1599-1667). A obra foi terminada por Gian Lorenzo BERNINI. Atualmente, o Palazzo Barberini acolhe parte da importante Galeria Nacional de Arte Antiga, em Roma. As ideias introduzidas por Borromini são exploradas em Turim, o maior centro da arquitetura barroca, por Guarino GUARINI (1624-1683), arquiteto e grande matemático. É dele o projeto do Palácio Carignano, construído entre 1670 e 1679. O movimento ondulante repete-se por toda fachada barroca. 1 Características gerais da Arquitetura Emprego das ordens arquitetônicas, colunatas, pilastras, frontão triangular, arquitrave, frisos, arco romano, arcadas e abóbodas. Interpretações individuais com mais liberdade. Procura por formas que transmitam emoção e tensão. Uso de ritmos na estrutura; volumes mais flexíveis e funções diversas para os elementos clássicos. Na arquitetura barroca as formas côncavas e convexas criam uma parede ondulante. O movimento é ascendente, quebrando as estruturas clássicas. A Arquitetura Barroca tem o propósito de impressionar e causar emoções. As construções monumentais se juntam aos espelhos d’água, aos jardins geométricos, aos parques e bosques. Nas igrejas construídas e decoradas nesse tempo, compreende-se a pompa e exibição do ouro e estuque, usados deliberadamente para suscitar uma visão de glória celestial. 2 Palácios Os palácios do Barroco tardio são frequentemente composições gigantescas, as quais podem ser do tipo castelo, residência de campo ou casa senhorial. Considerado um dos maiores do mundo o Palácio de Versalhes, na França, possui 2 mil janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. Construído pelo rei Luís XIV, o Rei Sol, a partir de 1664, foi por mais de um século modelo de residência real na Europa. A Galeria dos Espelhos, no Palácio de Versalhes, originalmente chamada de Grande Galeria, deve seu nome aos 357 espelhos que adornam suas paredes. Com 73 metros de comprimento por 13 de largura, foi construída por Jules HARDOUIN-MANSART (1646-1708) entre 1678 e 1684 e apresenta mármores, esculturas em bronze e pintura em trompe-l’oeil.[6] A galeria de quadros e a biblioteca tomam a forma de um gabinete comprido, com um lado constituído de uma série de portas alinhadas; e o outro lado, com vista externa. Um elemento importante no palácio barroco é o jardim, de formas geométricas severas à maneira francesa ou romântica, incluindo paisagem natural como os jardins ingleses. Os jardins do período do barroco são imensos, com uma série de avenidas, terminando em uma via circular, onde se encontra o espelho d'água com um monumento. O espelho d’água também serve para refletir o palácio e o céu, criando a noção do infinito. Os monumentos recebem cavalos e figuras barrocas. Os reis absolutistas vivem em público desde o nascimento até a morte. No palácio vive toda a corte e o jardim é frequentado por todos seus súditos e até mendigos. SAIBA MAIS MAINSTONE, M. & R. O Barroco e o século XVII. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981, pp. 75-76. TRIADÓ, Juan-Ramón. A Arte barroca. São Paulo: Martins Fontes, 1991, p. 26-27. ______ [1] Cervantes e Saavedra, Miguel de (1547-1616) Romancista, dramaturgo e poeta espanhol. A mais importante obra em castelhano é Don Quixote de La Mancha. [2] Molière, Jean-Baptiste Poquelin, (1622-1673) É considerado um dos mestres da comédia satírica do teatro francês, utilizando as suas obras para criticar os costumes da época. Teve um papel de absoluta importância na dramaturgia francesa, até então muito dependente da temática da mitologia grega [3] Vivaldi, Antônio Lucio (1678-1741) foi um sacerdote e compositor de música barroca italiana. [4] Bach, Johann Sebastian (1685-1750) Músico e organista do período barroco da música erudita, considerado um dos maiores e mais influentes compositores da história da música. [5] Villa Rotonda palacete com quatro pórticos, construído entre 1567 e 1570, em Vicenza, Itália. Projeto de Andréa PALLADIO (Pádua, Itália, 1508 – Maser, Itália, 1580) [6] Trompe l’oeil - pintura ilusionista. Técnica que utiliza meios picturais para causar percepções ilusórias. Empregada na arquitetura, escultura e pintura. Aula 03_Escultura e Pintura Barroca A Arquitetura barroca tem o propósito de impressionar e causar emoções. As construções monumentais se juntavam aos espelhos d’água, aos jardins geométricos, aos parques e bosques. Nas igrejas construídas e decoradas nesse tempo, compreende-se a pompa e exibição do ouro e estuque, usados deliberadamente para suscitar uma visão de glória celestial. ESCULTURA BARROCA No Barroco a Arquitetura e a Escultura se confundem. As esculturas impregnadas de caráter didático misturam misticismo, heroísmo e erotismo nas formas côncavas e convexas. Entre os grandes artistas do período se encontram: Gian Lorenzo BERNINI (1598-1680) e Annibale CARRACCI (1560-1609) Ref. Imagem: Power point. Arquivo Gif. 480 x 360 pixels. 8 bits. 99,9 KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 22 ago. 2014. PINTURA O desenvolvimento da pintura, saindo do impasse do maneirismo para um estilo muito mais rico em possibilidades do que o dos grandes mestres anteriores foi, em alguns aspectos, semelhante ao da arquitetura barroca. Na grande pintura de TINTORETTO Jacopo Robusti (Veneza, Itália, 1518-1594) e de Doménikos Theotokópoulos EL GRECO (Reino de Candia, atual ilha grega de Creta,1541- Toledo, Espanha, 1614) vimos o crescimento de algumas ideias que adquiriram importância cada vez maior na arte do século XVII, como a ênfase sobre a luz e cor, o desprezo pelo equilíbrio simples e a preferência por composições mais complicadas. Não obstante, a pintura do século XVII não é apenas uma continuação do estilo maneirista. (GOMBRICH, 2000) A palavra – Barroco – significa irregular, ao contrário da harmonia e da ordem presentes no classicismo. Uma suposta anarquia e um excesso de ornamentos, onde se trabalha com as emoções. Na pintura barroca encontram-se formas abertas e fechadas; muita luz e grandes sombras opacas; destruição dos limites e contornos; utilização de grandes figuras no primeiro plano e redução ousada nos motivos do fundo. Independente das novidades, surge “uma tentativa de suscitar no observador o sentimento de inesgotável, incompreensibilidade e infinidade de representação – uma tendência que domina toda a arte barroca.” (HAUSER, 2003, p. 447) Os traços dramáticos do barroco são encontrados na escultura e na pintura dos: Italianos: Michelangelo Merisi da CARAVAGGIO (Milão, Itália, 1571 - Porto Ercole, Itália, 1610); Annibale CARRACCI (Bolonha, Itália, 1560 - Roma, 1609) GUERCINO Giovanni Francesco Barbieri (Cento, Itália, 1591 - Bolonha, 1666); Pietro da CORTONA (Cortona, Itália, 1596 - Roma, 1669) e Guido RENI (Bolonha, 1575 - 1642) Espanhóis: Diego Rodrigues de Silva Y VELÁZQUEZ (Sevilha, Espanha, 1599 - Madrid, 1660) e Bartolomé Esteban Perez MURILLO (Sevilha, 1618 - Cádiz, 1682) Franceses: Nicolas POUSSIN (Les Andelys, França, 1594 - Roma, Itália,1665); Claude LORRAIN ou Claude Gellée (Chamagne, Vosges in Lorraine, França, c. 1600/5 - Roma, Itália, 1682) e Georges de LA TOUR (Vic-sur-Seille, Lorraine, França,1593 - Lunéville, Lorraine, França, 1652) Países Baixos: Peter Paul RUBENS (Siegen, Alemanha, 1577- Antuérpia, Bélgica, 1640) e Antoon VAN DYCK ou Sir Anthony VAN DYCK (Antuérpia, Bélgica, 1599 - Londres, Reino Unido, 1641) Frans HALS (Antuérpia, Bélgica, c.1580 - Haarlem, Países Baixos, 1666), REMBRANDT Harmenszoon van Rijn (Leida, Países Baixos,1606 - Amsterdam, Holanda, 1669) e Jan VERMEER ou Johannes VERMEER (Delft, Países Baixos, 1632 -1675) Um dos principais artistas responsáveis por obras que transitam do estilo Barroco final para o novo estilo, Rococó, é Giambattista TIEPOLO ou Giovanni Battista Tiepolo (Veneza, Itália, 1696 - Madrid, Espanha, 1770). PINTURA BARROCA - ITÁLIA 1 Caravaggio Uma das personalidades mais fascinantes da História da Arte que encarnou o artista em conflito com as convenções sociais, ideal da época, Michelangelo Merisi da CARAVAGGIO (1571-1610) conquistou fama ao utilizar um traço vigoroso e o uso dramático do claro-escuro. Os quadros de Caravaggio, com um cristianismo livre dos dogmas teológicos, atraíram tanto os protestantes quanto os católicos. Aula 04_Pintura Barroca – Países Baixos Roma continua sendo o melhor ponto de observação para contemplar o panorama da pintura. Os artistas desejam livrar-se do maneirismo e do classicismo exagerado da renascença. PINTURA BARROCA - PAÍSES BAIXOS 1 Rubens A admiração pela Itália e pela cultura latina clássica marcou toda a obra de Peter Paul RUBENS (1577-1640). Foi uma combinação de dotes incomparáveis na organização de grandes composições coloridas e na energia eufórica das figuras que deu a Rubens uma fama e um êxito como nenhum pintor conhecera. O Barroco era um estilo de obra no qual Rubens brilhava e para o qual sua personalidade afetuosa, sua erudita formação europeia e sua religião católica eram idealmente talhadas. Na obra de Rubens, as alegorias e fábulas clássicas se destacavam vivas e atuais. Ref. Imagem: Original date/time: 20 jul. 2011 16.00. Camera make. model: SONY DSC-TX1. Exposure time: 1/15s. ISO speed: 400. 3246 x 2500. 72 dpi. 24bits. DSC03129 JPEG. 2,60 MB. MARTINI, Fátima RS. 12 mai. 2012. Power Point. Gif. 480 x 360 pixels. 8 bits. 98,8 KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 22 ago. 2014. 2 Van Dyck O mais famoso discípulo de Rubens, Anthony VAN DYCK (1599 -1641), muito mais novo que o mestre, não tardou em adquirir virtuosidade na representação da contextura e superfície dos objetos, quer fosse seda, renda ou pele. Uma das obras mais conhecidas e encantadoras de van Dick é Cinco filhos de Charles I, 1637. Óleo sobre tela; 163.2 x 198.8; Royal Collection, Reino Unido. 3 Frans Hals Nos quadros de Frans HALS (c.1580 - 1666) os modelos são captados em um instante e fixados para sempre na tela. Testemunhamos o artista a manipular ágil e rapidamente o pincel, através do qual faz surgir a imagem de um cabelo despenteado ou de uma manga enrugada. Um dos quadros mais conhecidos é O Alegre Beberrão ou A Militiaman Holding a Berkemeyer, ou Merry Drinker c. 1628/1630. Óleo sobre tela, 81x 66.5. Rijks Museum, Amsterdam, Holanda. Os olhos brilhantes, a boca meio aberta, a mão erguida, o copo de vinho em desequilíbrio, nada foge à impressão do iminente. 4 Vermeer Jan VERMEER ou Johannes VERMEER (1632 -1675) deixou poucos quadros. As raras obras apresentam figuras simples no interior das casas holandesas. Seus quadros são naturezas-mortas com seres humanos, pintados de forma laboriosa e com precisão nas texturas das roupas e objetos. Vermeer suaviza os contornos, deixando a firmeza e solidez numa combinação nunca alcançada por outros. A obra A Leiteira ou The Milkmaid, c. 1660. Óleo sobre tela, 45.5 × 41. Rijks Museum, Amsterdam, Holanda, Países Baixos é uma das mais célebres do artista. 4 Rembrandt O maior pintor da Holanda, no entanto, é REMBRANDT Harmenszoon van Rijn (1606 - 1669, uma geração após Hals e Rubens, mais jovem que van Dyck e Velásquez. Seus autorretratos contam sua vida, sem vaidade, sem pose, mas um olhar penetrante disposto a aprender mais e mais acerca dos segredos do rosto humano. Viveu muito bem no início de sua carreira, para depois de diversas crises, viver em quase ruína. Obra prima de complexidade barroca, a mais célebre tela de Rembrandt é A Ronda Noturna ou Militia Company of District II under the Command of Captain Frans Banninck Cocq, 1642. Óleo sobre tela, 379.5 × 453.5. Rijks Museum, Amsterdam, Holanda. No quadro, o artista retrata a Companhia de Milícia do Capitão Banning Cocq e, no centro, a figura de Saskia (1612-1642), sua primeira mulher. A obra foi realizada para o salão da guilda de arcabuzeiros. Rembrandt foi o primeiro a pintar figuras em um retrato de grupo fazendo algo. O Capitão, vestido de preto, diz ao Tenente para iniciar a marcha. Os guardas estão entrando em formação. Aula 05_Pintura Barroca – Espanha Na última aula, observamos algumas obras de artistas do século XVII. Percebemos que cada um deles apresenta um estilo e uma mensagem. A arte barroca não tem um caráter único, e sim as tendências mais diversas florescendo simultaneamente. Rubens representa a idade de ouro da arte flamenga com a junção da Igreja católica sob o governo espanhol. Na Holanda, entretanto, os artistas seguem a burguesia protestante e representam temas independentes, introduzindo paisagens locais, natureza morta, interior de aposentos, atitudes familiares, motivos considerados apenas acessórios à arte italiana e católica. A expansão da arte protestante força a igreja a utilizar a arte produzida sob o Estado católico como divulgação de sua doutrina. Os artistas espanhóis sob o regime da Contrarreforma produzem, assim, uma arte voltada para a corte religiosa. PINTURA BARROCA - ESPANHA Grande emoção, drama e tema religioso, composição teatral, o uso de claros e escuros, iluminação a partir de um ponto, pinceladas mais soltas e cores luminosas são empregados na Arte barroca espanhola. Porém, de modo geral, são proibidos: os nus, as figuras sensuais e os temas pagãos. Sob influência da arte italiana de Caravaggio, o realismo e naturalismo entram nas composições artísticas. 1 Murillo O artista espanhol, Bartolomé Esteban Perez MURILLO (1618 - 1682) recebeu influência das obras de van Dick e Rubens, artistas dos Países Baixos. Da Espanha recebeu influência das obras de Velásquez. 2 Velásquez Na Espanha, Diego Rodrigues de Silva Y VELÁSQUEZ (1599 -1660) absorveu o programa do naturalismo de Caravaggio e devotou sua arte à observação desapaixonada da natureza, independentemente de leis e convenções. Membro da corte de Filipe IV, o artista transformou os retratos da família real, como num passe de mágica, em algumas das mais fascinantes pinturas que o mundo até hoje viu, embora esses homens e mulheres retratados não fossem ideais de beleza. Na obra As Meninas, ou The Family of Felipe IV, 1656. Óleo sobre tela, 318 x 276. Museu Nacional do Prado, Madrid, Espanha; o artista representa-se na tela pintando junto ao cavalete. No centro, apresenta-se a princesa Margarida. Os rostos de seus pais, o rei e rainha, estão refletidos no espelho da parede do fundo. Velásquez nos apresenta o que os reis estão vendo: um grupo de pessoas entrando em seu estúdio. Aula 06_A pintura francesa no Barroco Verificamos nas aulas anteriores a arte Barroca italiana, holandesa e espanhola, com as características próprias das regiões. Apesar das diferenças no modo de representar, todos pertenciam ao século XVII, um século de paixões, de descobertas e um período em que os homens descobriam o gosto por colecionar. Veja nesta aula um pouco da arte francesa e suas particularidades. PINTURA BARROCA - FRANÇA A arte francesa alcança um estilo próprio, independente de Roma, no apogeu do governo de Luís XIV (1660-1685) quando se tornou a nação mais poderosa da Europa nos fins do século XVII. A esse estilo, próprio, eles chamam de Antiguidade Clássica, onde a analogia entre a pintura e a literatura se estreita. 1 Poussin O maior dos mestres acadêmicos foio francês Nicolas POUSSIN (1594-1665), que fez de Roma sua cidade adotiva, estudando as estátuas clássicas com fervoroso empenho para imprimir em sua visão de terras de outrora, beleza e dignidade, como imagens em devaneios. 2 Lorrain Se Poussin desenvolveu as qualidades heroicas da paisagem ideal, o paisagista francês Claude LORRAIN ou Claude Gellée (1600/5-1682), acentuou os seus aspectos idílicos. As imagens supostamente de paisagens clássicas, combinavam torres e ruínas, em jardins arranjados, impregnadas de luz dourada e prateada. Fig. 7: Desembarque de Cleópatra. LORRAIN, Claude (Claude Gellée) (1600/5-1682) Desembarque de Cleópatra 1642–43. 119x168. Museu do Louvre, Paris, França. Ref. Imagem: Original date/time: 11 jul. 2008 06:58. Camera make.model: SONY. DSC-T70. Exposure time: 1/15s. ISO speed: 400. 1024x734 pixels. 72 dpi. 24bits. DSC0204 JPG. 115 KB. MARTINI, Fátima RS. 23 ago. 2014. FINAL DO SÉCULO XVII – MOVIMENTOS INTELECTUAIS O Renascimento trouxe a afirmação do homem, do seu espírito de iniciativa, de suas possibilidades intelectuais. No século XVII começou a ganhar força a ideia de que o homem poderia chegar à verdade e a dominar a natureza através da razão e da experiência. Como consequência, os novos conceitos passaram a ser aplicados sistematicamente pelos estudiosos nos vários campos do saber. Francis Bacon[1] e René Descartes[2] foram os primeiros estudiosos que investigaram e analisaram os fenômenos naturais à luz da razão e definiram um método científico ressaltando o valor da experiência, chegando a origem da ciência moderna através de Galileu[3], Newton[4], Copérnico[5] e Kepler[6]. O movimento intelectual resultante chamou-se Iluminismo, com ideias inovadoras, propondo-se resolver por meio da razão, problemas sociais, políticos, econômicos e culturais. Filósofos, como Locke[7] formulou teorias dos direitos do homem e a enciclopédia é criada para se difundir as novas ideias e os escritores levam à monarquia suas obras baseadas na abolição de antigos privilégios da aristocracia e os direitos dos cidadãos na participação do governo. Na economia, nasce o liberalismo econômico vindo a favorecer a livre iniciativa de banqueiros, comerciantes e industriais. FINAL DO ESTILO BARROCO NAS ARTES Quando se entra nas igrejas construídas e decoradas nesse tempo, compreende-se a pompa e a exibição das pedras preciosas, de ouro e estuque, como usados deliberadamente para suscitar uma visão de glória celestial. Arquitetos, pintores e escultores foram convocados para transformar igrejas em grandiosas exibições. Essa arte suprema da decoração teatral foi desenvolvida por artistas como GUERCINO Giovanni Francesco Barbieri (1591-1666) e Pietro da CORTONA (1596-1669). As cenas lotam as molduras dos tetos, transbordando em nuvens carregadas de imagens. Os artistas eram soberbos decoradores de interiores, famosos por sua habilidade no trabalho de estuque e grandes afrescos em Trompe l’oeil. O arquiteto que mais trabalhou essa tendência foi Johann Balthasar NEUMANN (1687-1753). Entre suas admiráveis obras, encontra-se o Palácio Episcopal de Wurzburgo, no estilo Barroco final, contendo um salão decorado no estilo do século XVIII. FINAL DO BARROCO - A PINTURA DE AFRESCOS O maior pintor representante do período final do Barroco e início do Rococó foi Giovanni Battista TIEPOLO (1600 -1682). Veneziano de nascimento e formação, o domínio da luz e da cor e a graça da pincelada levaram sua fama além da terra natal. SAIBA MAIS Leia “O conceito de Barroco” em HAUSER, Arnold. História Social da Arte e da Literatura. São Paulo: Martins Fontes, 2003, pp. 442 a 452. Assista o filme Moça com brinco de pérola. Um filme delicado e bem feito. Veja se você tiver a oportunidade. [1] Bacon, Francis (1561-1626). Professor de Direito, publica em 1605, Da Proficiência e do Progresso do Saber Divino e Humano. Em 1622, publica História Natural. [2] Descartes, René (1596-1650). Escreve em 1637, Discurso do Método. Em 1641, Meditações sobre os Princípios da Filosofia. [3] Galileu Galilei, astrônomo e físico italiano (1564-1642) [4] Isaac Newton (1642-1727), cientista inglês, desenvolve a Teoria da Gravidade. [5] Copérnico, Nicolau (1473-1543) Astrônomo e matemático. Desenvolveu a teoria heliocêntrica do Sistema Solar. Cônego de Igreja, administrador, jurista, astrólogo e médico. [6] Kepler, Johannes (1571-1630) Astrônomo. Formulou as três leis fundamentais da mecânica celeste, conhecidas como leis de Kepler. Dedicou-se também ao estudo da óptica. [7] Locke, John (1632-1704) foi um filósofo do predecessor Iluminismo. Tinha como noção de governo o consentimento dos governados diante da autoridade constituída, e, o respeito ao direito natural do homem, de vida, liberdade e propriedade. Aula 07_Final do século XVII e início do século XVIII O absolutismo, no século XVII, ganhou força nas mãos de monarcas poderosos. Com Luís XIV, auxiliado por grandes homens de visão comercial e cultural, a França alcançou o apogeu na Europa. O século XVII foi chamado de Idade do Barroco, nome de um estilo que se caracterizou pela tendência ao maravilhoso e extravagante. FINAL DO SÉCULO XVII – ARQUITETURA INGLESA Coube ao arquiteto Sir Christopher WREN (1632-1723) a tarefa de reconstruir as igrejas de Londres após o terrível incêndio em 1666. Nas obras inglesas, permanecem a sobriedade e ecos do classicismo Renascentista e o estilo Barroco inicial. FINAL DO SÉCULO XVII E INÍCIO DO SÉCULO XVIII A IDADE DA RAZÃO: O ILUMINISMO O princípio do Iluminismo surgiu no Renascimento e se propagou na cultura filosófica e científica do século XVII, através da exaltação da pesquisa e entusiasmo pela técnica. Nascido na Inglaterra, difundido pela França, o Iluminismo pregou a razão, a liberdade do espírito, a livre crítica e a tolerância religiosa, contrapondo-se ao peso da tradição, ao absolutismo eclesiástico e monárquico e, em geral, a todos os preconceitos do passado. Os iluministas acreditavam que, derrotadas as convenções, triunfaria a razão. Sonhavam com um mundo perfeito, sem guerras e sem injustiças sociais. Entre os defensores do humanismo encontravam-se os filósofos: Hume[1], Voltaire[2], Rousseau[3], Montesquieu[4], Lessing [5]e Kant[6]. Na literatura, os principais escritores foram Goethe[7] e Schiller[8], que escreveram sobre a instrução social e o melhoramento moral dos homens, a elegância dos costumes, o prazer da intimidade e o amor pela vida. A música, por sua vez, também soube traduzir o novo gosto: Em Viena, desenvolveu-se o gosto pelo clássico da sonata, com Haydn[9] e da sinfonia com Mozart[10]. O iluminismo leva alguns soberanos, chamados de déspotas esclarecidos, a amenizar os impostos, incentivando a agricultura e estimulando a educação, como Catarina II da Rússia[11] Maria Teresa e José II da Áustria[12] A ESTÉTICA A PARTIR DO SÉCULO XVIII A partir de meados do século XVIII, os tratados e conceitos em Arte do Renascimento e do Barroco vão sendo substituídos para um nível teórico mais elevado, ou seja, por uma filosofia da arte ou Estética. A Estética é um ramo da filosofia que tem o objetivo de estudar a natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda entre outras coisas, o julgamento e as emoções estéticas, as diferentes formas de arte, do trabalho artístico, e a ideia de obra de arte e de criação. Nunca a teoria e a fruição das artes tinham sido tão comentadas quanto no século XVIII por filósofos e ensaístas ingleses. Parece que o impulso estético emergiu do fundo da natureza humana para a consciência e os homens passaram a dar-se conta da palavra e do conceito de estética. Nesse período, a Estética estava ligada aos conceitos de arte e beleza, que hoje julgamos ultrapassados, mas não podemos esquecer o fato de que, em todos os outros sentidos, o movimento foi fértil e revolucionário. Hume, por exemplo, acreditava que os preconceitos de idade e tempo, o temperamento e a sociedade não podiam interferir na reação à obra de arte. Esse pensamento permaneceu e foi fundamental para os novosconceitos modernistas. A substituição da razão pelo sentimento acontece a partir do final do século XVII, quando os críticos passam a acreditar, “que a literatura e a arte não devem ser julgadas segundo cânones clássicos de correção, mas antes, pela atração direta que exercem sobre homens de sensibilidade” (OSBORNE, 4ª edição, p. 145) A tendência no século XVIII se acentua cada vez mais no destaque e importância da emoção e do sentimento da apreciação. Termos, como sentimento, emoção, impressão, imaginação, sensibilidade, passaram a ser as novas deixas numa tendência para afirmar o princípio fundamental da resposta individual contra a autoridade da razão e da regra. (OSBORNE, 4ª edição, p. 145) Conceitos como gosto, apreensão estética, sentimento como fonte de experiência estética, emoção romântica, são desenvolvidos pelos filósofos do século XVIII. A teoria de que a nossa apreensão da beleza é uma questão de sentimento e a teoria de que ela é uma forma de intuição direta, relacionada com a percepção dos sentidos, seguiram cursos paralelos de pensamento, que atravessaram quase todos os escritos teóricos do século XVIII. (OSBORNE, 4ª edição, p. 148) Baumgarten[13], em 1735, escreveu sobre os problemas da Estética, os quais foram desenvolvidos em A Crítica do Juízo[14], livro lançado por Kant[15] em 1790. Na obra filosófica, Kant indicou a origem do conflito entre o padrão universal de gosto e o reconhecimento de que sentimento e emoção são essenciais para a apreciação estética. Hegel[16] continuou a discussão em Estética, utilizando a dialética[17]. A definição de gênio, como aquele que dá as regras na arte e que recebe o dom natural foi descrita por Kant e foi aceita como uma qualidade importante que o artista deve ter para a produção de uma obra de arte. ___ [1] Hume, David (1711 - 1776) foi um filósofo e historiador escocês. Foi entre outros, uma das figuras mais importantes do chamado iluminismo escocês. [2] Voltaire ou François-Marie Arouet (1694 - 1778) foi um poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês. [3] Rousseau, Jean-Jacques (1712 - 1778) Filósofo suíço, escritor, teórico político. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, Rousseau é também um precursor do romantismo. [4] Montesquieu (1689 - 1781) escritor e filósofo francês. Célebre pela sua teoria da separação dos poderes. [5] Lessing, Gotthold Ephraïm, considerado um dos maiores escritores alemães do século XVIII, é um autor de extrema importância para o neoclassicismo de Goethe e Schiller. [6] Kant, Immanuel (1724-1808) Em 1790 publica Crítica da Faculdade de Julgar. [7] Goethe, Johann Wolfgang Von (1749- 1832) Escritor alemão, além de cientista e filósofo. Uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. [8] Schiller, Johann Christoph Friedrich Von (1759 - 1805) Poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão. Um dos líderes do movimento literário romântico alemão. [9] Haydn, Franz Joseph (1732 - 1809) Um dos mais importantes compositores do período clássico e, ao lado de Mozart e Beethoven, um dos mais apreciados mundialmente. Viveu a maior parte de sua vida na Áustria, como músico da corte. [10] Mozart, Wolfgang Amadeus (1756 - 1791) foi um compositor e músico da música erudita, um dos expoentes máximos da música clássica. [11] Catarina da Rússia (1762-1796) leva o domínio da Rússia até o Mar Negro. [12] A Casa de Habsburgo foi uma das famílias mais importantes da História da Europa. A família tem origem no século XII e floresceu sob o comando de Maria Teresa (1717 - 1780) e seu filho José II (1741 - 1790). O século de Maria Teresa e de José II foi a época de apogeu da monarquia austríaca. Seus reinados correspondem ao florescimento da cultura da Europa central. A unidade do Império se viu assegurada pela língua alemã e pela centralização do poder. [13] Baumgarten, Alexandre Gotlieb (1714-1762) denominou de Estética a ciência das sensações. [14] Crítica do Juízo (1790) trata das noções de beleza e da arte, buscando, desse modo, uma passagem que una o mundo da natureza ao mundo moral onde reina a liberdade. [15] Kant, Immanuel (1724-1808) Passou a vida investigando o universo espiritual do homem. Sua obra constitui a fonte da qual brota a maior parte das reflexões dos séculos XIX e XX. [16] Hegel, Georg Willhem Friedrich (1770 -1831) foi um filósofo alemão. Recebeu sua formação em um seminário da Igreja Protestante em Württemberg, onde manteve amizade com o futuro filósofo Friedrich Schelling. Deixaram-lhe fascinado as obras de Spinoza, Kant e Rousseau, assim como a Revolução Francesa. Muitos consideram que Hegel representa o cume do movimento alemão no que se refere ao idealismo filosófico do século XIX. [17] Dialética: Arte do diálogo ou da discussão. Na filosofia hegeliana, parte-se do pressuposto de que a negatividade é inerente ao real e o positivo só se realiza através do negativo. Aula 08_Arquitetura - Decoração – Jardins Luís XIV, rei da França, deixou construído um novo mapa político da Europa. A moda, a cultura e as maneiras elegantes da vida das classes altas do século XVIII em todo mundo refletiam os exemplos dos franceses. A arte barroca imperava nos palácios e nas igrejas. A ARQUITETURA BARROCA E A DECORAÇÃO NO ESTILO ROCOCÓ. Após a morte do Rei Sol em 1715, a França entra no período da Regência, pois Luís XV, seu neto, era jovem demais para assumir o trono, deixando uma nobreza livre para sair da vigilância real na corte de Versalhes. Os palacetes longínquos já não interessavam à nova geração e Paris era a cidade procurada para a construção das elegantes residências. Os espaços dos terrenos urbanos, porém, exigiam construções mais modestas do que os grandes palácios apresentando como consequência uma decoração interior mais delicada e confortável. O melhor exemplo dessa mudança é a construção do palacete para a Madame de Pompadour[1] a favorita do rei Luís XV, no parque de Versalhes. Chamado de Petit Trianon, Versalhes, 1762 a 1768, é uma construção clássica, com o interior íntimo, planejado para que seus donos tivessem a liberdade que não tinham na corte. O prazer é o princípio da Arte Rococó. O ROCOCÓ A palavra rococó deriva de rocaille, uma espécie de decoração de conchas ou seixos usados em grutas e jardins na Itália e França. A arquitetura clássica, com suas sóbrias colunas e cuidadosas proporções adquirem vida nos capitéis coríntios que agora sobem ou descem se enrolando e se contorcendo num crescente vigor. As formas vigorosas e angustiadas do barroco se transformam em gavinhas encaracoladas e em formosas conchas que se movimentam em delicada sensualidade. Enquanto os artistas barrocos transmitem sua mensagem de modo simples e convincente e a arquitetura barroca sustenta o dogma político e religioso, a decoração rococó afirma o princípio do prazer, seja em resposta à gloriosa salvação, seja diante da reação dos sentidos e imaginação da aristocracia. Mas se na França os artistas usaram de recursos construtivos na adaptação do espaço e uma decoração mais graciosa, os outros Estados Absolutistas refletiram na Arte as preocupações e os preconceitos da sociedade. A Áustria e os Estados alemães se mantiveram no tocante às crenças religiosas, fiéis à Igreja Católica, adaptando-se muito bem ao novo estilo. O arquiteto que mais trabalhou nessa tendência e nos legou uma obra inigualável foi Johann Balthasar NEUMANN (1687-1753) responsável pela construção do Palácio Episcopal de Wurzburgo, na Baviera; onde dividiu o projeto com Johann Lukas Von Hildebrandt e Johann Maximilian Von Welsch, no estilo Barroco final. Neumann construiu uma obra emblemática do barroco germânico, onde no coração do palácio se encontra uma monumental escadaria com frescos pintados por Giovanni Battista TIEPOLO (1696-1770) O Palácio de Schönbrunn (Schloss Schönbrunn) construído entre 1696 e 1701, em Viena, na Áustria é um exemplo de arquitetura barroca e interior decorado no estilo Rococó DECORAÇÃO ROCOCÓ Detalhescaracterísticos encontrados no estilo Rococó nos palácios do século XVIII: Fachada de dois ou três andares; janelas maiores, sem ornamentos; paredes internas divididas, onde se encaixam painéis pintados ou espelhos. Cores pastéis e paredes brancas. Muito dourado, lustres venezianos em quantidade muito grande numa mesma sala, móveis no estilo Luís XV, relógios e porcelanas, escadarias abertas com corrimão de ferro fundido, tapeçarias, uma construção circular, que servia de zoológico ou ambiente de caça, ou para ouvir música ou, ainda, para ser usada como uma espécie de motel, chamada de pavilhão. Finalmente, os jardins ligados à natureza, mais leves e amplos do que o barroco. JARDINS NO ESTILO ROCOCÓ A primeira sugestão de que se podia modificar a paisagem em volta de uma construção, partiu dos pintores. Os italianos chamaram de pitoresco, o modo de pintar castelos, torres e ruínas clássicas envoltas em jardins idealizados. Daí, foi apenas um passo para que jardineiros, arquitetos e clientes aplicassem esse princípio na criação de jardins e parques. Onde não houvesse edifícios históricos numa paisagem que atraíssem o olhar, estes eram projetados e construídos; onde não corresse água, abriam-se canais, erguiam-se colinas e escavavam-se vales. A geometria das grandes alamedas e dos canteiros de flores era quebrada de forma acidental, mas, na verdade, cuidadosamente planejada. Árvores e gramados imitavam a natureza. Os jardins franceses no século XVIII se transformaram em projetos desvairados circundando casas que imitavam ruínas, construções as mais estranhas e bizarras, edifícios góticos e pagodes[2]. Em inglês, as construções inúteis e fúteis eram chamadas de folly. 1] Poisson, Antoinette, conhecida como Madame de Pompadour (1721-1764) foi uma das mulheres mais poderosas de sua época. Criada para ser amante do rei Luís XV de França. Teve aulas de grego, inglês e piano. Apresentada ao rei por seu tutor, tornou-se amante real e conselheira do rei. [2] Pagode é uma construção que imita os templos chineses. O gosto chinês foi uma moda extrema, pois desenvolveu-se a partir da década de 1720. Floresceu ao longo de todo o século e recebeu o nome de Chinouserie. Aula 09 _A pintura de afrescos – A pintura rococó Observamos a arquitetura barroca do final do século XVII transformada e adaptada para o novo estilo francês, os jardins e os interiores no mais puro rococó francês. Acredito que você irá se encantar com os afrescos e a pintura desse período em que a sensualidade, delicadeza e intimidade convivem com a exuberância do estilo da realeza francesa do século XVII. Uma arte tão extravagante quanto o barroco. OBSERVEM Até aqui, os estilos demoravam, às vezes séculos para se transformarem. Mas com a modernidade, você perceberá que novos estilos surgem muito mais rapidamente. Uma construção, porém, não pode ser derrubada por questão de um novo estilo que venha a surgir, por isso você deve ficar atento nas datas das construções, quando folheia um livro ou viaja na Internet, olhando fotos e reconhecendo estilos e períodos. Você verá, com certeza, muitos edifícios acabados exteriormente e interiormente em diversos estilos. É comum encontrarmos uma construção no estilo Barroco e o seu interior no estilo Barroco, Rococó e até Neoclássico. Também é possível uma construção no estilo Barroco sofrer alterações em sua fachada, recebendo por exemplo portas e janelas em um estilo posterior. Também deve-se ficar atento às datas de construção quanto ao Neobarroco, neoclássico, neogótico, neorrenascentista, pois são releituras de períodos. Não se fala aquela construção é barroca, para uma construção executada em 1900, mas fala-se "aquele edifício foi executado no estilo barroco." Também, a partir do século XVIII, iniciamos certa divisão de estilos conforme a região. Fique atento! Nessa unidade, por exemplo, existem grandes diferenças entre estilo Rococó francês e Rococó Inglês. PINTURA DE AFRESCOS Na arte Rococó existe um prazer e uma alegria que não se observa em outro estilo. O Salão elíptico, chamado de Kaisersaal (um dos salões do Palácio Episcopal de Wurzburgo, na Baviera) executado por Balthasar NEUMANN (1687-1753) e decorado em branco, ouro e tons pastel, é um exemplo da transformação da arquitetura barroca final em decoração de interiores no estilo rococó, com a ajuda da pintura de afrescos. O teto do salão foi pintado pelo veneziano Giovanni Battista TIEPOLO (1696-1770) em 1751 e exprime a jovialidade e despreocupação da nobreza no período do século XVIII. As paredes e tetos brancos são cobertos com desenhos ornamentais, rendilhados e ondulados. O teto como uma membrana, proporciona tantas aberturas ilusionistas de toda espécie que deixa de ser sentido como um limite espacial. Nestas aberturas, [...] abre-se um céu azul e nuvens banhadas de sol, com uma ou outra criatura alada a vagar nessa vastidão sem limites, orlada por sólidos grupos de figuras. (JANSON, 1992, p. 521) Fig. 10: Kaisersaal. Palácio Episcopal de Wurzburgo. Salão elíptico decorado em branco, ouro e tons pastel. Ref. Imagem: Power Point. Kaiserssal Gif. 480 x 360 pixels. 8 bits. 139 KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 27 ago. 2014. A ACADEMIA REAL O surgimento de Academias nos moldes da Antiguidade clássica se deu já no final do século XVI com as associações de artistas que ambicionavam uma formação teórica ao lado do fazer artístico. Em 1663, estabeleceu-se, na Academia Real de Pintura e de Escultura de Paris, as regras que determinaram um padrão específico de arte mundial. Nesse momento os membros acadêmicos dividiram-se em facções a favor do desenho e a favor da cor. Os conservadores eram a favor do desenho e do ideal francês de Nicolas POUSSIN (1594-1665) e os artistas a favor da cor procuravam inspiração em Peter Paul RUBENS (1577-1640). Quando Luís XIV morreu, em 1715, a influência de Rubens dominava os artistas do período. SÉCULO XVIII Neste século em que, pouco a pouco, a cidade prevaleceu sobre o campo e grandes massas humanas, começaram a concentrar-se nos centros urbanos, a arte, a escultura; e a pintura, sobretudo, trataram frequentemente da volta à natureza. Os franceses Jean Antoine WATTEAU (1684-1721), Jean-Baptiste Siméon CHARDIN (1699-1779); François BOUCHER (1703-1770); Jean-Honoré FRAGONARD (1732-1806); e os ingleses William HOGARTH (1697 -1764); Thomas GAINSBOROUGH (1727-1788) e Sir Joshua REYNOLDS (1723-1792) foram mestres na pintura de paisagens. O espírito renovador conduziu, igualmente, a um profundo estudo das ciências, em que o progresso foi enorme, e ao espírito aventureiro, mas também científico, da exploração de terras desconhecidas. Nascia assim uma nova civilização destinada a desenvolver-se plenamente no século XIX, quando novas ideias e uma renovação do gosto levariam a humanidade a novos rumos. SAIBA MAIS JONES, Stephen. A Arte do século XVIII, 1988, p. 26-30. Leia sobre a arquitetura, os jardins e a natureza do século XVIII nas pp. 56 a 73. Conheça mais sobre a Estética e as teorias da Arte em HEGEL, Georg W.F. Estética in Coleção Os Pensadores. Tradução Orlando Vitorino. São Paulo: Nova Cultural, 1999, pp. 27-113 e 259-288. Aula 10_A pintura rococó francesa e inglesa A PINTURA ROCOCÓ FRANCESA As excitantes possibilidades do uso da tinta pelo pintor flamengo Peter Paul Rubens, levaram outros artistas a realizar experimentos numa pintura muito mais informal. No período da regência[1], enquanto se aguardava a maioridade do herdeiro Luís XV, a corte mudou-se de Versalhes para Paris, entrando em contato com os ricos comerciantes. A próspera classe média tornou-se, então, consumidora dos pequenos quadros para uso doméstico, adaptando a pintura rococó para um estilo mais feminino, delicado e íntimo. Na pintura desaparecem os contrastes de claro-escuro, sombra e luz, passando para as tonalidades claras e luminosas. Os artistas mais conhecidos desse período são: Os franceses Jean Antoine WATTEAU (1684-1721), Jean-Baptiste Siméon CHARDIN (1699-1779); François BOUCHER (1703-1770); Jean-Honoré FRAGONARD (1732-1806).Jean-Marc NATTIER (1685-1766) pintor preferido das filhas de Luís XV é mais conhecido pelos retratos refinados e embelezados, e pelas pinturas em miniatura. O artista Jean-Baptiste GREUZE (1725-1805) é classificado atualmente como um pintor do Rococó tardio, visto que tendia para um estilo mais próximo da pintura heroica. 1- Watteau O primeiro e mais destacado dos artistas considerados do estilo Rococó é Jean Antoine WATTEAU (1684-1721) que também projetou decorações de interiores para os palácios da nobreza. Watteau começou a pintar suas próprias visões em obras onde se vive em alegres piqueniques em parques de sonho, saraus musicais com belas damas e enamorados graciosos; uma sociedade em que todos se vestem de sedas e não trabalham. Embarque para Cítera, de 1717. Um óleo sobre tela, que se encontra-se no acervo do Museu do Louvre, em Paris, é uma de suas obras mais apreciadas. 2- Chardin O artista Jean-Baptiste Siméon CHARDIN (1699-1779) produziu uma obra em que retratou a vida doméstica da burguesia, de forma calma, forte e límpida. 3- Boucher François BOUCHER (1703 -1770) tornou-se famoso pintando quadros da mais famosa favorita de Luís XV, a marquesa de Pompadour. 4- Fragonard Jean-Honoré FRAGONARD (1732-1806), discípulo de Boucher, pintou abertamente os gostos sensuais dos clientes, expressando a sociedade da época. Sua pintura lembra a espontaneidade e colorido de Rubens e a delicadeza dos volumes do veneziano Tiepolo. Uma das obras mais conhecidas de Fragonard é O Balanço (Swing). Uma obra sensual, exemplo da Arte rococó francesa, executada em 1767. Um óleo sobre tela.Presente no The Wallace Collection, Hertford House, em Londres, Inglaterra. As pinturas do Rococó na França lembram um tempo infinitamente distante, onde a vida bucólica e os devaneios faziam parte da sociedade em tempo integral. Mas reparem nas diferenças entre a arte francesa de meados do século XVIII e a arte inglesa do mesmo período. Lembrando que o inglês nesse período convive mais intimamente com o campo e com as novas ideias iluministas. A PINTURA ROCOCÓ INGLESA 1- Hogarth Willian HOGARTH (1697-1764) o mais brilhante artista do começo do século assimilou o livre manuseio da tinta e das cores pastel da arte rococó, escarnecendo implacavelmente as convenções inglesas. 2- Gainsborough Thomas GAINSBOROUGH (1727-1788) pintou obras primas no estilo, retratando pessoas com a graça e espiritualidade da época, unindo a pintura de paisagens rurais ao fundo. O pintor nunca permitiu que, em suas obras, a paisagem ficasse em segundo lugar. 3- Reynolds Sir Joshua REYNOLDS (1723-1792) Retratista cuidadoso e competente, seu talento desenvolveu-se, sobretudo, após estudar os mestres renascentistas e os artistas do estilo barroco. [1] Período da regência na França: de 1715 a 1723. Aula 11_Final do século XVIII - As Revoluções Nas aulas anteriores observamos a arte francesa no período chamado de rococó, ou Luís XV, e a arte inglesa no final do século XVIII. FINAL DO SÉCULO XVIII – TEMPO DE REVOLUÇÕES As ideias liberais do Iluminismo baseadas no princípio de que o governo deveria existir em beneficio e não para o prestigio dos povos, estimularam movimentos revolucionários destinados a acabar com o absolutismo. Após a Guerra dos Sete Anos com a França, a Inglaterra inicia um período em que o Parlamento regulamenta leis que descapitalizam o comércio das colônias em benefício da Metrópole. Em 1773, o Parlamento autoriza a venda de chá na América, prejudicando os comerciantes americanos, resultando em várias manifestações revoltosas nas colônias. No dia 04 de Julho de 1776, num congresso em Filadélfia, delegados das colônias proclamam a Declaração de Independência, apoiados pela França. Visando minar a Inglaterra, a França ainda ajudou economicamente os americanos, entrando numa crise financeira, que trouxe à tona vários problemas, inclusive acelerando o processo da Revolução Francesa. REVOLUÇÃO FRANCESA O exemplo dos Estados Unidos influenciou diretamente a França, descontente com as desigualdades existentes no velho regime absolutista. A fim de equilibrar as finanças, o rei Luís XVI[1] encarregou vários ministros de elaborar programas de reformas, que esbarraram diretamente na aristocracia e no clero. Constituiu-se a Assembleia Nacional, a fim de extinguirem-se os privilégios dos nobres e clero, dando à França uma constituição dentro de ideias divulgadas pelo Iluminismo. Foi o primeiro passo para abolir o poder absoluto do rei, o qual, considerando essa atitude um desafio, concentrou tropas reais às portas de Paris e Versalhes. O povo armado tomou de assalto a fortaleza de Bastilha em 14 de Julho de 1789, forçando o rei a fugir com suas tropas e os nobres a se refugiarem em outras cortes, deixando o país. A Assembleia Constituinte decretou a abolição de todos os privilégios e antigos direitos feudais, aprovando a Constituição, que marcou o fim do absolutismo, confiando o governo a três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Ao rei cabia apenas o direito de um veto bastante restrito, passando a ser chefe representativo da nação. Luís XVI, que fora confinado pelo povo no Palácio das Tulherias, reconhecendo a gravidade da situação tentou fugir com a família para juntar-se aos nobres no exterior, mas próximo à fronteira da Bélgica, foi preso e reconduzido à França. Temendo uma agressão das monarquias europeias e, ao mesmo tempo, desejando difundir no exterior os ideais revolucionários, a Assembleia Nacional declarou guerra à Áustria e aos prussianos. Após a vitória francesa sobre os prussianos, a Convenção Nacional depôs Luís XVI e proclamou a República. O rei foi julgado e guilhotinado em janeiro de 1793, levando várias nações europeias, como Áustria, Prússia, Inglaterra, Rússia, Espanha e Portugal, a se aliarem contra a França. Em face do perigo, a Convenção chamou às armas 300.000 homens e criou o Comitê de Salvação Pública, chefiado por Robespierre[2]. Milhares de pessoas morreram no período chamado de Terror. Com a mobilização das massas, a França não mais precisou do líder que foi preso e guilhotinado também. O Regime de Terror foi substituído pelo Diretório de 1795 a 1799. ARQUITETURA NO FINAL DO SÉCULO XVIII - INGLATERRA No final do século XVIII, autores ingleses lançam romances e poemas com temas medievais e românticos. Horace WALPOLE (1717-1797), autor de um desses romances constrói uma casa de campo no estilo gótico como um castelo. Construções e reformas no estilo Neogótico proliferam no período, expandindo-se por todo final do século XVIII e início do século XIX em quase todas as regiões do mundo. Um dos principais exemplos é o Palácio de Westminster. Construído no século XII, incorpora o estilo Neogótico ainda em voga na Inglaterra, após reforma, em meados do século XIX. Enquanto, no mesmo período, os arquitetos Sir William CHAMBERS (1723-1796), Robert ADAM (1728-1792) e seu irmão James, disputam projetos inovadores com construções e jardins no estilo chinês, ou palacetes totalmente inspirados nas construções greco-romanas. A ARTE DO FINAL DO SÉCULO XVIII – VISÃO NEOCLÁSSICA A descoberta de Pompeia e Herculano, em meados do século XVIII, sob as cinzas, fez de Nápoles um forte ponto de interesse[3], depois de Roma, para os entusiastas neoclássicos. Magníficas edições de desenhos arquitetônicos estimulavam a imaginação dos novos arquitetos, que viajavam para Roma, estudando os mausoléus, monumentos e templos em ruínas. O ideal de Paris, reconstruída e adornada com nobres edifícios públicos e grandiosos planos de urbanização estava no âmago dos criativos arquitetos franceses. As construções de pequenos hotéis e residências absorvem o estilo Neoclássico. _____ [1] Luís XVI de Bourbon (1754-1791). Rei da França de 1774 a 1791. Vacilante, mal aconselhado por sua esposa austríaca Maria Antonieta da Áustria, não pôde evitar a Revolução nem tornar-se líder popular, por não compreender as aspirações do povo. [2] Maximilien François Marie de Robespierre (1758-1794). Líder revolucionário francês juntocom Danton e Marat. Em 1794, mandou executar Danton. [3] Somente no início do século XIX iniciaram-se as escavações, por profissionais e engenheiros. Aula 12_Neoclássico e Romantismo Na aula anterior, falamos sobre o estilo da Arte Rococó. Comentamos sobre a pintura de nome pitoresco na Itália e a adaptação na elaboração de jardins românticos de meados do século XVIII. Esse romantismo estava de acordo com os ideais iluministas em que a natureza era, de certo modo, adaptada aos sentimentos humanos e à vida social. Essas novas ideias foram diversificadas e teorizadas no período conhecido como Arte Neoclássica. NAPOLEÃO BONAPARTE Com um governo mais brando, a França permitiu que um homem forte, como Napoleão Bonaparte[1] tomasse o poder, de início como 1º Cônsul em 1802, depois como Imperador em 1804. No Império, a França ganhou vitórias militares e consolidou várias reformas. Mas em 1814, Napoleão foi vencido e a França restaurou a monarquia dos Bourbon, subindo ao trono o irmão de Luís XVI, o rei Luís XVIII. Napoleão foi derrotado novamente na batalha de Waterloo[2] após cem dias do seu retorno triunfal. Abdicando novamente foi deportado para Santa Helena, uma pequena ilha do Atlântico, onde morreu em 1821. CONGRESSO DE VIENA Entre os anos de 1814 e 1815, as grandes nações aliadas reuniram-se em Viena, a fim de deliberar como garantir a paz à Europa e estabelecer um equilíbrio de forças entre as várias potências. Do congresso resultou um novo mapa na Europa, traçado segundo três princípios fundamentais: Legitimidade, Fortalecimento dos Estados limítrofes com a França e equilíbrio de forças entre as nações. A ARTE NO INÍCIO DO SÉCULO XIX Em fins do século XVIII, atinge-se a época moderna propriamente dita, quando a Revolução Francesa de 1789, pôs fim a tantos pressupostos que haviam sido tomados por verdadeiros; durante séculos, se não por milênios. As raízes das inquietações artísticas remontam os primórdios do século XVIII, quando artistas começam a se descontentar com a tradição artística e empenham-se em criar um gênero de pintura para um novo público. ACADEMIA A palavra Academia derivou do nome da residência onde o filósofo grego Platão ensinava seus discípulos e foi gradualmente aplicada às reuniões de homens eruditos em busca de sabedoria. No século XVIII, essas academias assumiram a função de ensinar arte a estudantes e apresentar os mestres famosos. Sob patrocínio régio, manifestando o interesse que o rei tomava pelo florescimento das artes em seu reino, as academias, porém, se distanciavam dos pintores vivos e modernos. Para remediar tal situação, as academias em Paris e Londres, começaram a organizar exposições anuais de seus membros. Essas exposições converteram-se em eventos sociais que serviram de tema de conversação da sociedade que faziam ou desfaziam reputações. Alguns artistas desprezaram a arte oficial das academias, surgindo um choque de opiniões entre aqueles que atraíam o público e aqueles que se viam excluídos. Talvez o efeito mais imediato e visível dessa profunda crise tenha sido que os artistas buscaram por toda a parte novos tipos de assuntos. De súbito, os artistas sentiram-se livres para escolher diversos temas que apelassem para a imaginação e despertassem o interesse. NEOCLÁSSICO E ROMANTISMO O Neoclassicismo é um ressurgimento da arte da Antiguidade Clássica, mais coerente com os primeiros classicismos, enquanto o Romantismo, referindo-se a uma atitude de espírito, é mais difícil de definir, tendo como fonte de inspiração a literatura, com uma nova gama de assuntos, emoções e atitudes. PINTURA A pintura do novo estilo começa como uma reação, em nome da razão e da natureza, contra o artificial na arte Barroca e Rococó, que adotavam os clássicos e a teoria acadêmica de Nicolas POUSSIN (1594-1665); conjugando-os com o maior número possível de pormenores arqueológicos colhidos das escavações de Pompeia. Essa ruptura com as tradições é realizada em parte por americanos que trabalham na Inglaterra, como Benjamin WEST (1738-1820) e John Singleton COPLEY (1738-1815), dispostos a tentar novas experiências. Suas obras realizadas sobre cenas históricas, fez com que muitos artistas pintassem somente momentos históricos por mais de cem anos subsequentes. Artistas como STUBBS (1724-1806), John Henry FUSELI ou Johann Heinrich FÜSSLI (1741-1825), William BLAKE (1757-1827) também rompem com as técnicas antigas em estilos diferentes e independentes. 1- West O quadro A Morte do General Wolfe, um óleo sobre tela, pintado em 1770, em Londres, por Benjamim WEST (1738 – 1820), artista de origem americana, dá origem às pinturas heroicas, representadas sem ligação com a mitologia. A obra se encontra no National Gallery of Canada, Ottawa. Canadá. 2- Copley Em Watson e o tubarão, um óleo sobre tela, executado em 1778, John Singleton COPLEY (1738 - 1815) representa o exato momento em que acontece o ataque fatal do animal. Presente no acervo de Ferdinand Lammot Belin Fund. National Gallery of Art. Washington, DC. O quadro A Morte do Major Peirson, de 1784, representa o ataque das tropas francesas em Jersey, contra as tropas inglesas, em 1781. O lugar era um ponto estratégico para a Independência Americana (1776 - 1781). A paz e a independência do novo país (constituído pelas treze colónias da costa atlântica) foi reconhecida pelo Tratado de Paris de 1783. O major Peirson morre logo no início da batalha, mas Copley representa-o no momento da vitória britânica, abaixo da bandeira da união. O óleo sobre tela faz parte da Tate Collection, em Londres, Inglaterra. 3-Stubbs O inglês George STUBBS (1724-1806) sofreu por ser reconhecido somente como pintor de animais, um gênero considerado inferior. O museu de Liverpool, na Inglaterra está repleto de obras do artista. ______ [1] Napoleão Bonaparte (1769-1821) foi o dirigente da França a partir de 1799 e foi Imperador de França de 18 de Maio de 1804 a 6 de Abril de 1814, adotando o nome de Napoleão I. [2] Batalha de Waterloo, a 18 de Junho de 1815 na Bélgica, foi um combate decisivo entre forças francesas, britânicas, russas, prussianas, austríacas. Ocorreu durante os Cem Dias de Napoleão, entre seu exército de 72 mil homens recrutados às pressas e o exército aliado de 68 mil homens comandados pelo britânico Wellington. Aula 13_Poéticas - Temas heroicos e conservadores Na aula anterior, observamos as primeiras rupturas com as antigas tradições. POÉTICA DO SUBLIME O termo Sublime entra em uso no final do século XVIII como uma nova categoria estética, distinta do que seria considerado beleza e do que se denominava pitoresco. O termo remete a uma ampla gama de reações estéticas e a uma nova sensibilidade voltada para os aspectos extraordinários e grandiosos da natureza. Para o sublime, a natureza é ambiente hostil e misterioso que desenvolve no indivíduo um sentido de solidão. Em pleno período em que a arte remete ao passado clássico, a poética do sublime, apoia-se na ideia do temor à natureza, interpelando os valores reinantes ligados à ordem, ao equilíbrio e à objetividade. O sublime se dirige ao ilimitado, ultrapassando o homem e todas as medidas ditadas pelos sentidos. 1- Fuseli É do pintor suíço, John Henry FUSELI, também conhecido por Johann Heinrich FÜSSLI (1741-1825), a obra em óleo sobre tela, Pesadelo,1781. A obra encontra-se no Detroit Institute of the Arts, Detroit, Estados Unidos. A figura da mulher é neoclássica. O diabo e o cavalo vêm de um mundo imaginário do folclore medieval. Fuseli mistura a arte neoclássica com o neogótico. 2- Blake Visionário, o poeta, tipógrafo e pintor inglês, Willian BLAKE (1757-1827) produziu seus próprios poemas, com o texto gravado e ilustrações pintadas à mão e sentia grande admiração pela Idade Média e pelas iluminuras da época. Do acervo da Tate Collection, na Inglaterra, uma das obras mais conhecidas do artista é Newton, de 1795. POÉTICA DO PITORESCO Os italianos chamaram de pittoresco, o modo de pintar castelos, torres e ruínas clássicas envoltas em jardins idealizados, noestilo rococó francês. Os jardineiros, arquitetos e clientes aplicaram esse princípio na criação de jardins e parques. Onde não houvesse edifícios históricos numa paisagem que atraíssem o olhar, estes eram projetados e construídos; onde não ocorresse água, abriam-se canais, erguiam-se colinas e escavavam-se vales. A geometria das grandes alamedas e dos canteiros de flores era quebrada de forma acidental, mas, na verdade cuidadosamente planejada. Árvores e gramados imitavam a natureza. Esse romantismo estava de acordo com os ideais iluministas em que a natureza é de certa forma arrumada para se adaptar aos sentimentos humanos e à vida social. Outro ramo da pintura que tirou grande proveito da nova liberdade do artista em sua escolha de temas foi a pintura paisagística; que não era bem vista, sendo considerada um ramo secundário da arte. Graças ao espírito romântico do final do Século XVIII, os grandes artistas se dedicaram a esse tipo de pintura. Dois paisagistas ingleses ficaram famosos e mostraram esse tema bem diferente: John CONSTABLE (1776 -1837) e Joseph Mallord William TURNER (17751851). Na Alemanha encontramos o artista Caspar David FRIEDRICH (1774-1840) 1 Constable O pintor inglês, John CONSTABLE (1776 -1837) pintava o que via com seus próprios olhos e desprezava todos os artifícios que alguns artistas utilizavam para transformar um quadro eficiente e agradável. Seus quadros apresentam uma pintura comedida e simples, sem pretensão de ser mais impressionante que a própria natureza. 2 Turner As obras de Joseph Mallord William TURNER (17751851) são plenas de luz, cor e movimento. 3 Friedrich Caspar David FRIEDRICH (1774-1840) refletiu em suas paisagens, o estado de espírito da poesia lírica romântica. Também classificado como Gótico-romântico. NEOCLASSICISMO Os elementos e valores da arte clássica (grega e romana) são resgatados no período chamado de Neoclassicismo. Inicia-se por volta de 1770, na França e Inglaterra, e estende-se para o resto dos países europeus, chegando ao apogeu em 1830. Entre as mudanças filosóficas, ocorridas com o iluminismo, e as sociais, com a revolução francesa, a arte torna-se eco dos novos ideais da época: subjetivismo, liberalismo, ateísmo, heroísmo e democracia. A arte, dessa forma, recorre à equilibrada e democrática antiguidade clássica. Na pintura, o tema principal é a antiguidade greco-romana. As figuras parecem fazer parte de uma encenação teatral e são desenhadas numa posição fixa, como que interrompidas no meio de uma solene representação. Na pureza das linhas e na simplificação da composição, busca-se uma beleza deliberadamente estática. Os contornos são claros e bem delineados, as cores, puras e realistas, e a iluminação, límpida. As figuras são rígidas, sem vida, e os rostos, completamente sem expressão, simulando máscaras das antigas tragédias gregas. As túnicas e capas caem em dobras pesadas e angulosas, cobrindo as formas do corpo. Um enquadramento arquitetônico fecha a composição atrás e nos lados. O fato histórico se subordina à teatralização e ao passado. PINTURA DE TEMAS HEROICOS E TEMAS CONSERVADORES Os revolucionários franceses consideravam-se gregos e romanos renascidos, e suas pinturas e obras arquitetônicas refletiam o gosto que era designado como grandeza romana. Há uma incidência maior do desenho e da linha sobre a cor. O heroísmo e o civismo são temas muito explorados neste período. Dentre os artistas desse período encontram-se: Jacques-Louis DAVID (1748-1825); e Jean-Auguste-Dominique INGRES (1780-1867) 1 David O principal artista do estilo neoclássico, com temas heroicos, é o pintor oficial do governo revolucionário francês, Jacques Louis DAVID (1748-1825) 2 Ingres O principal pintor conservador, na primeira metade do século XIX, é Jean-Auguste-Dominique INGRES (1780-1867). Discípulo e seguidor de David, Ingres admirava a arte heroica da antiguidade clássica. Sua obra é coerente na representação de formas e possui fria clareza na composição. SAIBA MAIS Sobre as diferenças entre as poéticas do sublime e pitoresco em: ARGAN, G. C. Arte Moderna. São Paulo: Cia. das Letras, 2001, pp. 17 a 20. Aula 14_Estética – Neobarroco e Romantismo. Observamos, nas aulas anteriores, a diversidade da pintura do final do século XVIII e início do século XIX, com os artistas que romperam as tradições e procuraram novas soluções picturais. ESTÉTICA Segundo Kant, em Crítica do Juízo, a beleza artística deve estar livre de regras, mas condicionada ao talento ou gênio de quem produz a arte. Ou seja, a produção do gênio condiciona a legalidade da imaginação. Os conceitos de gênio, inspiração e imaginação foram considerados elementos do romantismo, em que o artista expressava os próprios sentimentos através da aptidão mental natural e consequentemente através da obra de arte o espectador estabelecia um contato emocional com o artista. A inspiração era para os românticos a fonte do próprio ser e a imaginação o meio de transcender as limitações da experiência individual, através do espírito inventivo e da originalidade. A imaginação era destaque na filosofia de Hume, que afirmava que o pensamento é a fonte de ideias, por conseguinte a fonte das imagens. A concepção de gênio e a originalidade estavam ligadas no processo de criação. [...] tomou corpo uma noção muito bem definida de gênio artístico como tipo psicológico, assaz apreciada entre os românticos, uma pessoa dotada de um sentido anormalmente robusto de vocação, que trabalha espicaçada por um sentimento obsessivo de compulsão, expresso na necessidade angustiada de dar vazão a capacidades latentes – de “ser ele mesmo” – ou descobrir alguma verdade transcendental e inexprimível, que só se pode concretizar numa determinada forma de arte. (OSBORNE, 4ª edição, p.191) No fervor do entusiasmo romântico, as noções de inspiração e imaginação se uniram à ideia do gênio artístico. O ROMANTISMO NA LITERATURA O Romantismo definiu-se como escola literária nas letras universais, a partir do final do século XVIII. Na Alemanha, em 1774, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), publicou o romance Werther, um verdadeiro marco do novo movimento literário, de cor violentamente romântica, um documento eloquente do chamado mal do século. Essa obra escrita aos 24 anos, em parte autobiográfica, teve enorme repercussão em toda Europa, provocando verdadeira mania de suicídio. Em 1781, Schiller, publicou Os Salteadores, inaugurando a volta ao passado histórico, e mais tarde o drama Guilherme Tell, em que transformou seu personagem em herói nacional lutando pela independência. Na Inglaterra, o Romantismo se manifestou nos primeiros anos do século XIX, com destaque para Lorde Byron e Walter Scott, autor do célebre Ivanhoé, onde desenvolveu o gênero romance histórico. Mas, se coube à Alemanha e à Inglaterra um papel pioneiro com relação à nova tendência, a França fez o papel de divulgar o Romantismo. Com a chegada do romantismo, alguns artistas trilham caminhos semelhantes, compartilhando o gosto pelos temas exóticos e patrióticos e os traços limpos e carregados de tensão; o que torna difícil estabelecer limite entre uma ou outra tendência. No Romantismo, toda a forma de expressão individual é única e insubstituível, e esta é a grande aquisição que a Revolução deu à arte. O movimento Romântico passa a ser uma luta de libertação, não só contra as academias, igrejas, patronos, críticos e mestres, mas também contra o próprio princípio da tradição, da autoridade e das normas. Sem a atmosfera intelectual criada pela Revolução, esta luta era inconcebível e a ela se deve o seu desencadeamento e a sua influência. Toda a arte moderna é, até certo ponto, o resultado deste combate romântico pela liberdade. NEOBARROCO 1- Goya Francisco José de GOYA y Lucientes (1746-1828), pintor espanhol da mesma geração dos neoclassicistas franceses não renunciou ao que aprendera com os antigos mestres em favor da grandeza clássica, apesar de ver com olhos diferentes os modelos do passado.O artista abandonou o Rococó por um estilo Neobarroco inspirado em Velásquez e Rembrandt. Goya pintou a nobreza sem compaixão, revelando sem piedade toda a ambição e vazio de seus modelos. 2- Gericault Jean-Louis André Théodore GÉRICAULT (1791-1824) é classificado também como pintor Neobarroco e Romântico. A obra mais conhecida de Géricault é A Jangada do Medusa, executada em 1819. Um ícone do Romantismo. ROMANTISMO 3- Delacroix O ponto de convergência entre a arte Neoclássica, o Romantismo e o Neobarroco é a arte de Ferdinand Victor Eugène DELACROIX (1798-1863) de caráter complexo, revolucionário e rebelde na aceitação dos padrões da Academia. Delacroix acredita que a cor é mais importante que o desenho e a imaginação mais que o saber. Nos seus quadros não existe clareza nos contornos, nenhuma modelação na utilização de luz e sombra, nenhuma pose e comedimento na composição. O romantismo está presente no movimento e no instantâneo da cena. O ano de 1824 é crucial para a pintura francesa. Géricault morre, Ingres regressa à França vindo da Itália e obtém o primeiro êxito público. A exposição de Constable em Paris é uma revelação e Delacroix é consagrado como o principal pintor francês do período, com a obra O Massacre de Chios (1822/24). Aula 15_Meados do Século XIX. Fim do Romantismo Nas aulas anteriores, ficamos conhecendo um pouco da história da Europa no início do século XIX: a queda do império francês de Luís XVI, a ascensão e a queda do império de Napoleão Bonaparte, que terminou no Congresso de Viena quando as resoluções trouxeram o equilíbrio de forças entre as nações. MEADOS DO SÉCULO XIX As deliberações do Congresso de Viena conseguiram por algum tempo manter certo equilíbrio de forças no continente europeu. No entanto, a divisão da Polônia, a união da Bélgica e Holanda, a submissão da Finlândia à Rússia, a fragmentação dos territórios alemães e italianos e o recrudescimento da política colonialista europeia, constituíram-se nos principais focos de agitação e de revolta, trazendo à tona duas correntes políticas que se alastraram na Europa do século XIX: O Liberalismo: Baseado na doutrina do direito natural, de Locke e Montesquieu, lutou pela conquista das liberdades individuais. O Nacionalismo: O Nacionalismo surgiu com a Independência dos Estados Unidos da América em 1776 e com a Revolução Francesa em 1789, firmando-se entre os povos que tinham a mesma origem ou fatores culturais. As ideias liberal-nacionalistas tiveram repercussão na França, que em 1830, derrubou o governo absolutista da dinastia dos Bourbon, instituindo o duque Luís Felipe de Orleans, com um regime monárquico liberal, ao lado da Inglaterra, em contraste com as monarquias absolutistas da Áustria, Rússia e Prússia. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL As profundas modificações ocorridas na estrutura da sociedade do século XIX tiveram suas raízes na chamada Revolução Industrial que, resultante do emprego de novas técnicas e novos métodos de produção, provocou, no espaço de dois séculos, um crescimento econômico mundial excepcionalmente rápido. FIM DO ROMANTISMO Se a Revolução Francesa mudou a situação em que os artistas viviam e trabalhavam, a Revolução Industrial, na Inglaterra, começou a destruir as próprias tradições do sólido artesanato. No passado, a demanda era facilmente satisfeita pelos artistas porque, embora suas obras fossem diferentes, eles se assemelhavam pelo período. Com a unidade da tradição desaparecendo, as relações entre artistas e clientes ficaram difíceis. Para o homem de negócios, o artista era um impostor que exigia preço muito alto pelo seu trabalho. Em contrapartida, os artistas começaram a chocar o burguês, nas obras e no modo de vestir-se. Pela primeira vez, tornou-se verdade que a arte é um perfeito meio para expressar a individualidade. A arte do século XIX difere, pois do passado, porque justamente a arte oficial deixou de ser aceita. Artistas solitários como Honoré DAUMIER (1808-1879), Jean-François MILLET (1814-1875) e Jean Baptiste-Camille COROT (1796-1875) tiveram coragem e persistência, examinando as convenções em termos críticos e criando novas possibilidades para a arte, sendo reconhecidos, principalmente depois da morte. Paris tornara-se a capital artística da Europa no século XIX, tal como Florença tinha sido no século XV e Roma no século XVII. 1- Millet Jean-François MILLET (1814-1875) foi um dos fundadores da Escola de Barbizon[1] na França rural, conhecido como percussor do realismo, pelas suas representações de trabalhadores rurais. Em 1849, abdica definitivamente da Escola de Barbizon para se dedicar por inteiro às suas representações de trabalhadores rurais das mais diversas áreas. Suas obras sobre camponeses foram consideradas sentimentais para alguns, exageradamente piegas para outros, mas a verdade é que as obras de Millet, em nenhum momento suscitaram indiferença. Na tepidez de seus ocres e marrons, no lirismo de sua luz, na magnificência e dignidade de suas figuras humanas, o pintor manifestava a integração do homem com a natureza. _____ [1] A Escola de Barbizon, perto da floresta de Fontainebleau, foi fundada para os artistas pintarem somente temas rurais. Aula 16_Realismo e Pré-Rafaelitas. Observamos ao longo da última aula, o final do período romântico na Arte e o início do movimento do Realismo que buscou aproximar-se da sociedade da época. REALISMO Durante a revolução de 1848[1], um grupo de artistas reuniu-se numa aldeia francesa para seguir o programa de Constable em observar a natureza. O Realismo existiu sempre, porque a imaginação tem necessariamente por base a observação e a experiência. Na observação da vida, com o propósito de se fazer arte, há duas atitudes: a da franca subjetividade e de um ardente desejo de impassível objetividade. As duas atitudes coexistem, ora com predominância de uma, outras vezes, de outra. 1- Courbet O pintor que deu o nome ao movimento do Realismo foi Jean Désiré Gustave COURBET (1819-1877), quando, em 1855, resolveu pintar cenas da vida camponesa tal como era, com homens e mulheres trabalhando no campo, ao contrário dos românticos que utilizavam a imaginação como uma fuga da realidade. Segundo suas ideias, o artista moderno devia reger-se pela sua experiência direta, devia ser um realista. Na exposição de Paris de 1855, obras de Ingres e Delacroix receberam lugar de destaque, mas as de Courbet foram recusadas. Para que o público pudesse conhecê-las, foram expostas num barracão por sua conta, com o título de Manifesto do Realismo. PRÉ-RAFAELITAS O retorno para antes de Rafael. Um grupo de pintores ingleses, também preocupados com a realidade, envereda, porém para um caminho diferente. Esse grupo queria retornar à arte primitiva anterior,a arte de Rafael, autodenominando-se Irmandade Pré-Rafaelitas. A Irmandade encontrou apoio nas teorias do crítico inglês John Ruskin[2]. Porém, a admiração pela perspectiva ingênua e espontânea dos primitivos é diferente da vontade em se obter o mesmo efeito numa época posterior; por isso o êxito alcançado não foi muito satisfatório. _____ [1] Revolução Liberal – Ocorreu em 1848, em Paris, no governo do rei Luís Felipe. Aproximadamente 3 mil pessoas morreram, ocasionando a ruptura definitiva dos projetos políticos de burgueses e socialistas. Nas eleições, no mesmo ano o povo francês escolheu Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, proclamado até 1870 de Napoleão III. [2] John Ruskin (1819-1900) Escritor, crítico de arte, poeta e desenhista. O pensamento de Ruskin vincula-se ao Romantismo, que dá ênfase a sensibilidade subjetiva e emotiva em contraponto com a razão. Esteticamente, Ruskin apresenta-se como reação ao Classicismo e com admiração ao medievalismo. A partir de 1851, foi um defensor inicial e patrono da Irmandade Pré-Rafaelitas. Aula 17_Universo da cor – Gravuras japonesas Observamos, nas aulas anteriores, as inquietações dos pintores e escritores do início até meados do século XIX, o que causou movimentos artísticos e novas formas de representação. Vamos continuar.Sir Isaac Newton (1642-1727), em 1666, desenvolveu a pesquisa da teoria da cor como resultado do processo refrativo do raio de luz, passando por um prisma. No final do século XIX, as pesquisas de Chevreul (1786-1889) ajudaram no desenvolvimento da teoria, classificando algumas tonalidades naturais percebidas pelo olho humano e as sensações das cores ou percepção visual. A teoria das misturas de cores foi de muita importância para os Impressionistas, pois trouxe a possibilidade de se estudar os efeitos de cores secundárias, mais brilhantes através de pinceladas distintas, deixando para o cérebro fazer a mistura no processo de síntese aditiva. Com o desenvolvimento da teoria de cor e a percepção visual, o caminho estava aberto para a revolução artística na França iniciada por Edouard MANET (1832 – 1883) 1- Manet Edouard MANET (1832-1883) foi pioneiro em utilizar a luz e as manchas de cor na pintura. Muitas telas de Manet são releituras de obras antigas com uma estrutura pictural livre de sombras e delineamentos. Um dos seus quadros mais famosos é Almoço na Relva ou Dejeuner sur l’herbeen, executado em 1863. Um óleo sobre tela, que se encontra no Musée d'Orsay, Paris, França. Manet abandona os antigos preceitos para inovar no estilo, na elaboração da composição e no assunto, utilizando contrastes de sombra e luz para o contorno das figuras. Os personagens não parecem integrados no bosque em manchas, e a profundidade é quase ausente. Com a obra Manet inaugura e impõe maior liberdade nas representações pictóricas. GRAVURAS JAPONESAS A vitória do Impressionismo teve dois aliados: a fotografia, que assumiu a arte pictórica e a cromotipia japonesa. No século XVIII, os japoneses escolheram cenas da vida humilde como tema de suas xilogravuras coloridas, sendo os artistas do círculo de Manet os primeiros a apreciar a beleza dessas estampas. 1- Hokusai O mestre das gravuras japonesas Katsushika HOKUSAI (1760-1849) representou imagens inesperadas e não convencionais realçando a obra, que sempre se apresentou de forma delicada. Uma das mais conhecidas é a gravura A Onda côncava do mar profundo ou A Grande Onda de Kanagawa, executada em cerca de 1826 a 1833. A composição dramática nunca deixa de estimular a imaginação. Uma onda monstruosa ergue-se em garras de espuma sobre três barcos frágeis. Os homens tornam-se insignificantes perante a fúria ameaçadora. O pico do Monte Fuji aparece ao longe, no céu cinzento, semelhante à outra onda. Uma das cópias se encontra na Biblioteca do Congresso em Washington, D.C., EUA. 2- Utamaro Kitagawa UTAMARO (1754-1806) mostrou figuras cortadas por cortinas ou a margem da gravura. Esse arrojado desdém por uma regra elementar da pintura europeia exerceu grande efeito sobre os impressionistas. Aula 18_Impressionismo Na aula anterior observamos o desenvolvimento da teoria da cor e sua aplicação na pintura. Vimos também a descoberta das Gravuras executadas no século XIX, por artistas japoneses, com a visão, técnicas e sensibilidade diferentes dos ocidentais. IMPRESSIONISMO Com o desenvolvimento da teoria de cor e a percepção visual o caminho estava aberto para a revolução artística na França iniciada por Edouard Manet. Nas obras de Claude MONET (1840 – 1926), Pierre-Auguste RENOIR (1841-1919), Camille PISSARRO (1830-1903), Edgar DEGAS (1834-1917) e Alfred SISLEY (1839-1899) o Impressionismo se desenvolveu, e como movimento prolongou-se nas obras dos artistas: Frédéric BAZILLE (1841-1870), Gustave CAILLEBOTTE (1848-1894), Mary CASSATT (1844-1926), Berthe MORISOT (1841-1895), James Abbott McNeill WHISTLER (1834-1903), Thomas EAKINS (1844-1916), John Singer SARGENT (1856-1925), entre outros. Esses jovens artistas consideravam que a arte tradicional representava a natureza baseada numa concepção errônea. Acostumados a trabalhar dentro de estúdios, os pintores conservadores representavam os volumes e solidez por meio de sombras e luz, esquecendo-se de que, ao ar livre, as gradações do escuro para a luz eram menos contrastantes. Ao ar livre, as partes iluminadas parecem muito mais brilhantes do que no estúdio e as sombras não são somente cinzas ou negras, pois os reflexos de luz dos objetos circundantes afetam a cor das partes não iluminadas. Enfim, esses pintores descobriram que não vemos objetos individuais, mas uma brilhante mistura de matizes que se combina em nossa mente. Em 1863, os pintores acadêmicos recusaram-se a mostrar as obras de Manet na exposição oficial O Salão dos Artistas Franceses. As obras condenadas foram exibidas no Salão dos Recusados, onde compareceram críticos dispostos a se divertirem. Levou algum tempo até o público aprender que, para apreciar um quadro impressionista, teria que recuar alguns metros e desfrutar o milagre de ver as manchas se organizarem e ganharem vida. A crítica sofreu uma perda de prestígio e a luta dos Impressionistas tornou-se valiosa legenda dos inovadores em arte. 1- Monet Entre os artistas que se juntaram a Manet, Claude MONET (1840-1926), foi o que mais lutou com os amigos para que abandonassem o estúdio e pintassem somente frente ao motivo. Em 1874, Monet e seu grupo, organizaram uma exposição, onde a tela Impressão: Nascer do Sol, pintada em 1872, deu o título ao grupo de Impressionistas. A obra atualmente encontra-se no Musée Marmottan Monet/Fondation Monet Giverny, Paris, França. O artista realizou-se plenamente na estética impressionista, usufruindo do sucesso ainda em vida. 2- Renoir Pierre-Auguste RENOIR (1841-1919) manteve até o fim o interesse pela figura humana. Renoir e Monet pintaram lado a lado no Balneário La Grenouillère e em Argenteuil, perto de Paris, formando o núcleo do grupo impressionista. Alegres cenas, grupos de pessoas e reflexos d’água são elementos presentes em suas obras. O artista buscou maior consistência para sua obra após visita à Itália entre 1881 e 1882, onde as figuras tornaram-se mais imponentes e formais, abordando temas da mitologia clássica. Nos seus últimos anos de vida, também se dedicou à escultura, com o auxílio de assistentes. 3- Pissarro O mais velho e o mais comedido dos artistas do grupo, Camille PISSARRO (1830-1903) participou de todas as exposições dos Impressionistas. 4- Degas Edgar DEGAS (1834-1917),impressionado pela possibilidade de ir adiante ao desprezo com as regras convencionais, realçou a impressão de espaço e formas sólidas, vistas de ângulos os mais inesperados. Para isso buscou no balé os seus temas, em vez de sair ao ar livre. 5- Sisley Alfred SISLEY (1839-1899) não avançou nos quesitos sensação e percepção perante o novo estilo, como seu amigo Monet, mas produziu uma obra digna e laboriosa, a qual o classificou entre os amigos impressionistas. OUTROS ARTISTAS IMPRESSIONISTAS Os americanos foram os primeiros a aceitar o estilo impressionista, mas com o decorrer das décadas novos artistas passaram a apreciar e se incluir no estilo. 1- Wistler James Abbott McNeill WHISTLER (1834-1903), americano que vivia na Europa, compartilhou o entusiasmo de seus colegas pelas gravuras japonesas e trabalhou em composições de delicados padrões. 2- Eakins Thomas EAKINS (1844-1916), Thomas EAKINS (1844-1916), influenciado por Courbet e Manet, mostrou em sua obra um realismo expresso de forma quase sinistra e indicou, ainda, em suas obras, a influência de Velásquez. 3- Cassatt Mary CASSATT (1844-1926), refletiu em suas obras a influência dos amigos Manet e Degas na perspectiva obliqua, na composição plana e nas formas simplificadas no emprego da cor. Aula 19_Final do século XIX – Pontilhismo Nas aulas anteriores, nós vimos um pouco da história política e social do século XIX. Nesta aula, retornaremos ao tema da Revolução Industrial a qual, apesar de ter melhorado as condições gerais da humanidade, também causou graves problemas sociais. 2ª FASE DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E FINAL DO SÉCULO XIX A partir de 1860, houve um aumento demográfico nas cidades com a migração de camponeses, em busca de salários regulares e melhores condições econômicas, constituindo-seuma nova classe social - o proletariado. A situação foi se agravando nos centros industriais, com o salário baixo, longos períodos de trabalho e falta de apoio às normas assistenciais, conduzindo a chamada questão social, assim são formados os sindicatos. Partindo das profundas desigualdades sociais, vários pensadores opuseram-se ao liberalismo econômico, propondo novas teorias sob o nome de Socialismo: Socialismo Utópico, Científico e Cristão. Ao lado das conquistas sociais, o Estado e a economia tornaram-se interdependentes e os problemas tornaram-se políticos. A partir de 1880, as grandes potências lançaram-se à divisão econômica e política do mundo, tentando restabelecer o equilíbrio entre as nações na base da riqueza e do poder. A expansão colonialista recebeu o nome de Imperialismo. Em nenhum outro continente o Imperialismo colonialista implantou-se tão rapidamente como na África. Em vinte anos, noventa por cento das terras africanas passaram para as mãos da Europa. Na Ásia, a China resistiu à penetração europeia, na guerra do Ópio e na Revolta dos Boxers, conservando seu território independente. O Japão modernizou-se, mas manteve-se livre, mesmo após se aproximar dos ocidentais. Entre 1870, com a guerra franco-prussiana e 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, o mundo assistiu à projeção da Alemanha como grande potência e um extraordinário progresso técnico industrial com importantes conquistas no campo das ciências. A ARTE DO FINAL DO SÉCULO XIX – PONTILHISMO A oitava e última exposição coletiva impressionista, foi dominada por artistas da nova geração, os chamados pós-impressionistas. Entre os artistas dessa geração se encontram: Georges-Pierre SERAUT (1859-1891), Paul SIGNAC (1863-1935) e Henri Edmond Cross, que colocaram em prática uma nova técnica pictórica: O Pontilhismo, também chamado de Divisionismo. Apoiando-se no conhecimento científico da cor, esta técnica usa a divisão sistemática das cores puras, para fundi-las no olho de quem observa a pintura a certa distância. 1 Seraut A figura principal do Pontilhismo foi Georges-Pierre SERAUT (1859-1891), que desenvolveu a teoria da ótica das cores. Aplicando as pequenas pinceladas, o artista confere uma clara luminosidade atmosférica à sua pintura, conseguindo representar as luzes e sombras com o uso das cores complementares. Uma das obras mais conhecidas de Seraut é Domingo de Verão na Grande Jatte, executada de 1884 a 1886, apresentando o mesmo tema dos impressionistas: o dia ensolarado e as pessoas passeando as margens do rio. A obra, também chamada de Tarde de Domingo na Grande Jatte, se encontra no Instituto de Arte de Chicago. 2 Signac Paul SIGNAC (1863-1935) aplicou a técnica de Seraut, porém com pinceladas curtas em vez de pontinhos, de modo que a pintura passa a ter uma semelhança com um mosaico, com cores ousadas e vibrantes. ESTÉTICA E FILOSOFIA DA ARTE Após Kant e Schiller, durante as primeiras décadas do século XIX, a Filosofia da Arte foi tratada, com reflexões que percorreram todo o século XX, por Hegel e Schelling[1], idealistas alemães. Uma reflexão que tem como um dos seus fins últimos justificar a existência e o valor da Arte, determinando, no conjunto das criações do espírito humano, a função que ela desempenha, ao lado da ciência, da religião, da moral e, também, fato digno de nota, ao lado da própria filosofia (NUNES, 1966, p.27) Friedrich Schiller desenvolveu algumas de suas teorias a partir dos conceitos de Kant sobre a sensibilidade em relação ao juízo do gosto. Para Schiller, ao entendimento e à sensibilidade vem juntar-se o impulso lúdico, uma manifestação de ordem espiritual. A sensibilidade submetida ao entendimento assegura o conhecimento teórico e o impulso lúdico transita entre a sensibilidade e o entendimento, transformando-se em impulso artístico. A obra de arte, portanto, revelaria a atitude do artista perante a vida. Goethe também dizia que a arte muito antes que a beleza já existia e sempre se manifestou pela criação de imagens expressivas. Schelling afirma que o consciente e o inconsciente são aspectos parciais de um todo maior e só a intuição artística pode reconstruir esse Absoluto. Em Schelling e Hegel, portanto, a Arte encontra-se subordinada ao conhecimento racional e se traduz através da criação artística. ------------ [1] Friedrich Wilhelm Joseph Von Schelling (1775-1854) foi um filósofo alemão, um dos representantes do Idealismo alemão, assim como Hegel. Aula 20_A arte do final do século XIX O sentimento de inconformismo levou os artistas desse período ao mais longe possível na arte da representação e nos métodos empregados. Por instantes, artistas da nova geração acreditaram que nada mais havia para ser explorado. No entanto, novos padrões e objetivos diversos estavam por chegar. FINAL DO SÉCULO XIX EM BUSCA DE NOVOS PADRÕES – PÓS-IMPRESSIONISMO O termo Pós-Impressionismo é introduzido para designar o período seguinte ao movimento Impressionista, quando se destacaram pintores como Paul CÉZANNE (1839-1906), Paul GAUGUIN (1848-1903), Vincent Willem VAN GOGH (1853-1890) e Henri de TOULOUSE-LAUTREC (1864-1901). A partir de 1880, partindo dos conceitos desenvolvidos pelos Impressionistas, esses artistas adotaram um estilo próprio, cada qual levando a pintura para direções diferentes. 1- Cezanne Paul CÉZANNE (1839-1906) é considerado um dos maiores pintores do Pós-Impressionismo. Com uma vasta obra influenciou profundamente quase todos os artistas e movimentos do início do século XX. O artista visualizava uma arte que possuísse algo de grandeza e serenidade que os velhos mestres clássicos haviam conseguido. Suas paisagens banhadas de luz são firmes e sólidas, apresentando distância e profundidade. Entre as inúmeras obras do artista, encontra-se a série de pinturas da querida montanha de Sainte-Victoire, executada por volta de 1900. 2- Van Gogh Enquanto Cèzanne tentava transformar o Impressionismo num estilo mais severo e clássico, Vincent Willem VAN GOGH (1853-1890) tomava caminho oposto. O dinamismo que anima todas as pinceladas em sua obra faz, de cada uma delas, um gesto gráfico onde a cor determina o conteúdo. Absorvendo lições do Impressionismo, das gravuras japonesas e do pontilhismo, pintou em pontos e pinceladas de cor puras. Dispersou as cores e comunicou sua excitação. Com uma arte simples e despojada, propiciando alegria e consolo ao ser humano, Vincent van Gogh trabalha junto a uma escrita pessoal, a qual domina todos os seus quadros cheios de luz e vibração. 3- Gauguin Tal como van Gogh, Eugène Henri Paul GAUGUIN (1848-1903), começou a pintar relativamente tarde na vida e como ele, foi autodidata. As pinceladas rápidas com tons baixos, do início, passam para cores vibrantes e contornos nítidos. As formas representadas são planas e simplificadas. As cores não naturais animam a composição realçando e dando valor simbólico ao ser humano. Uma de suas obras mais comentadas é No Mercado, executado em 1892, onde as imagens egípcias e taitianas se fundem num rico colorido. A dura realidade dessas mulheres se transforma em fantasia. A obra também é conhecida por: Ta Matete, Le Marché, ou The Market e se encontra no Kunstmuseum Basel, em Basileia, na Suíça. 4- Toulouse-Lautrec Henri Marie Raymond de TOULOUSE-LAUTREC (1864-1901) ,ao contrário dos Impressionistas, preferiu a luz fria e artificial dos ambientes fechados. Grande parte de sua obra reproduz a vida noturna parisiense, pouco se importando em representar as nuances de luz que encantavam os Impressionistas. A partir das primeiras impressões em esboço, desenvolve as imagens vigorosas numa pintura rápida, quase um desenho com pincel, sem perder a espontaneidade da ideia original. Com suas litogravuras tornou-se um dos maiores artistas gráficos de sua época. ESCULTURA O maior artista do período é François-Auguste-René RODIN (1840-1917) O artista rompeu com o passado clássico e levou toda arte da escultura para a modernidade. Uma das obras mais conhecidas é O Pensador. A partir de uma estátua menorexecutada no final do século XIX, Rodin produziu o molde de O Pensador em escala maior, terminado em 1902, do qual recebeu 20 cópias em bronze. Uma das cópias tornou-se propriedade da cidade de Paris, graças a uma contribuição organizada pelos admiradores de Rodin e foi colocada em frente ao Panthéon de Paris em 1906. A escultura foi levada para o Hotel Biron, transformado em Museu Rodin, em 1919. SAIBA MAIS Sobre os Impressionistas, o Pós-impressionismo e sobre a escultura do período em JANSON, H. W. História da Arte. Tradução J. A. F. de Almeida e. São Paulo: Martins Fontes, 1992, pp.621-624 e 634-646. Esta aula foi importante, porque apresenta um panorama da sociedade intelectual e artística do final do século XIX. Deste modo, torna-se mais fácil compreender as tendências estéticas e transformações na arte do século XX. Aula 21_Final do século XIX – Complexidades O Impressionismo, com Manet, Monet, Degas, Renoir e Pissarro; e o Pós-impressionismo, com Cézanne, Toulouse Lautrec, Gauguin e Van Gogh, foram movimentos que, acima de tudo, tentaram integrar a arte por meio da exploração de todos os efeitos visuais que o homem pudesse captar em um período e universo em que a multiplicidade de informações e imagens avançava rapidamente. FINAL DO SÉCULO XIX COMPLEXIDADES – CONTRADIÇÕES O fim do século XIX é um período de grande prosperidade. Os artistas se sentiam marginalizados e estavam cada vez mais descontentes com as finalidades e os métodos da arte que agradava ao público. Em 1890, surge uma nova arte, denominada Art Nouveau, influenciando as artes decorativas. O movimento estético não podia tolerar livros mal impressos ou ilustrações que meramente contavam uma história, sem levar em conta o efeito delas na página impressa. Alguns artistas simbolistas conquistam a Europa com ilustrações inspirados em Whistler e nas gravuras japonesas, ao mesmo tempo em que incluem as novas concepções artísticas. As características marcantes da Arte do final do século XIX podem ser esboçadas por três principais movimentos artísticos: 1- Naturalismo O movimento do Naturalismo foi liderado pelos Impressionistas em uma tentativa de compreensão do fenômeno visual através de uma documentação pictórica dos efeitos de luz refletido pelos objetos, juntamente com a aplicação das novas descobertas óticas ao respeito das cores, teoria desenvolvida pelos artistas do Pontilhismo. 2- Simbolismo O movimento do Simbolismo surgiu com alguns artistas acrescentando o subjetivo e o enigmático às conquistas impressionistas. 3- Ornamental O movimento Ornamental é conhecido por Art Nouveau, na França; Liberty, na Inglaterra ou ainda Secessão na Alemanha, e foi empregado na decoração de interiores, nas artes decorativas, na arquitetura e na pintura. SIMBOLISMO É a arte baseada na representação das imagens do mundo das ideias. A expressão na pintura deve ser a mesma utilizada na linguagem, ou seja, livre para misturar o concreto e o abstrato. Para os Simbolistas, definir de forma absoluta o objeto é destruir o prazer do conhecimento gradativo e intuitivo de sua verdadeira natureza, portanto eles devem se apresentar por meio de símbolos. Os artistas que seguiram Gauguin se apelidaram de Nabis, que significa profeta, em hebraico. Os simbolistas descobriram alguns artistas, descendentes do romantismo, que colocavam a visão interior acima da observação da natureza, como Gustave MOUREAU, Aubrey BEARDSLEY (1872-1898), Jean-Édouard VUILLARD (1868-1940) e Odilon REDON (1840-1916) 1- Redon Odilon REDON (1840-1916) é considerado o mais importante dos pintores da arte simbolista. O mundo de Redon é constituído de imagens fantásticas e perturbadoras, evocando contradições visuais inquietantes. Essas imagens foram, posteriormente, exploradas pelos Surrealistas no século XX. ORNAMENTAL - ART NOUVEAU – SECESSÃO - LIBERTY O estilo Art Nouveau é, principalmente, um estilo de decoração, baseado em padrões lineares de curvas sinuosas, sugerindo frequentemente lírios aquáticos. Durante os anos de 1890 e começo de 1900, sua influência infiltrou-se nas artes aplicadas, nas obras de joalheria, na Arquitetura e nas obras de alguns artistas. O sucesso do Art Nouveau, com seu deliberado afastamento das tradições ocidentais, foi um sintoma de fermentação entre artistas e arquitetos, cansados da rotina. Em 1897, surge a Secessão de Viena, na Áustria, liderados por Gustav KLIMT (1862-1918), com o objetivo de elevar o nível das artes e ofícios no país, através da ligação com o Art Nouveau francês. Na mesma Viena do final do século XIX, enquanto Sigmund Freud sondava a mente humana, Klimt insinuava-se no íntimo da agonizante sociedade vitoriana com suas telas, revelando o desencanto e a frustração antecipada do trágico destino. Partindo da arte floral, recheada de ornamentos, o artista anunciava uma nova era na história da pintura, no processo de abstração dos motivos retirados da natureza e suas associações simbólicas. 1- Klimt Gustav KLIMT (1862 – 1918) é o elo de passagem da pintura figurativa para a pintura abstrata. Na obra O Beijo, 1907/8, o esplendor decorativo chega ao extremo, com belos motivos florais. O erotismo explode em desejo nas figuras enlaçadas se beijando. Embrulhadas em roupas que parecem compostas de mosaicos em fulgurante tecido dourado, as figuras angulosas gozam um momento de paixão. A obra, uma pintura a óleo, prata e pequenas placas de ouro sobre tela se encontra na Österreichische Galerie Belvedere, Viena, na Áustria. ARTISTAS INDEPENDENTES NA PASSAGEM DOS SÉCULOS XIX PARA O XX Alguns artistas são considerados independentes por não se adaptarem aos movimentos e estilos dominantes do período. Outros, pela produção única, e ainda outros, por estarem na frente dos novos movimentos, mas fora do período em que são classificados. Entre eles: John Singer SARGENT (1856-1925), Henry ROUSSEAU (1844-1910), Edvard MUNCH (1863-1944). 1- Sargent John Singer SARGENT (1856-1925). Pintor de retratos magníficos e surpreendentes, e de paisagens em óleo e aquarela. Filho de americanos, estudou na Itália, Alemanha e na França( Paris). 2- Rousseau Henry ROUSSEAU (1844-1910). Considerado o mais importante dos artistas primitivos, sempre em busca de uma pintura naturalista, Rousseau copiava a natureza à sua maneira. Nos seus quadros, as regras de proporção, perspectiva e luz são desprezadas. A riqueza de sua imaginação sobressai especialmente nas cenas florestais, pintadas nos últimos anos de sua vida, onde pinta as plantas exóticas ampliadas, combinadas com flores e frutos de sua imaginação e animais selvagens. 3- Munch Edvard MUNCH (1863-1944). Artista da Noruega, uma das primeiras contribuições da Escandinávia à pintura moderna, sua obra materializa os fantasmas do homem do século XX: a solidão, angústia, desespero e marca o início do Expressionismo. Sua obra mais conhecida é O Grito, também chamada de Scream, de 1893. A obra é uma pintura executada com têmpera e crayon, e se encontra no Nasjornalmuseet, em Oslo, na Noruega. SAIBA MAIS Acerca dos Impressionistas, do Pós-impressionismo e sobre a Escultura do período, em JANSON, H. W. História da Arte. Tradução J. A. F. de Almeida e. São Paulo: Martins Fontes, 1992, pp. 621-624 e 634-646. Leia sobre o movimento e os artistas do Art Nouveau em REYNOLDS, Donald. A Arte do século XIX. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. pp. 110-120. Aula 22_Expressão e Comunicação Na aula anterior aprendemos a reconhecer os diversos estilos desenvolvidos no final do século XIX. Avaliamos também as obras e os artistas independentes do mesmo período. ESTÉTICA E AS TEORIAS DA EXPRESSÃO E DA COMUNICAÇÃO AS FORMAS SIMBÓLICAS De acordo com Ernt Cassirrer [1] a Linguagem, o Mito, a Ciência e a Arte são formas simbólicas, as quais revelam a atividade formadora do pensamento. A partir de suas teorias, a palavra Símbolo passou a ser o conjunto de formas, as quais possuem um significado e cuja função é deixar claro o que significa. Segundo Nunes (1966, p. 99) “A arte, como forma simbólica, é uma formade conhecimento para o artista que cria e para a consciência que contempla o produto de sua criação.” As teorias da expressão da arte subordinam-se às teorias que consideram a arte como instrumento de comunicação emocional. Expressão é o conjunto de efeitos exteriores do pensamento, os quais refletem os estados psíquicos, sentimentais e emotivos. Benedetto Croce [2] escreveu que a Arte nasce da intuição de sentimentos, a partir de conceitos abstratos procedentes do conhecimento científico e filosófico, que são convertidos em expressão sentimental ou emotiva,e que o artista converte em imagens. Enfim, o artista é capaz de superar a expressão natural de suas emoções e criar as imagens que as exprimem. Foram os expressionistas, “que nos primeiros anos do século, encontraram no pensamento de Fiedler [3] um apoio teórico para seu programa de dar importância não ao que o artista vê, e sim ao que deixa ver”. (ARGAN, 2001, p. 172) O DISTANCIAMENTO DA BELEZA No final do século XIX e início do século XX, os artistas se afastam de obras que implicam em beleza e se aproximam de composições chamadas de expressionistas. Entre os primeiros artistas a explorarem as novas possibilidades, após Van Gogh, está Edvard Munch. ____ [1] Cassirer, Ernst (1874-1945) Filósofo alemão, realizou estudos de direito, literatura e filosofia germânica. Cassirer deixou a Alemanha durante o governo de Adolf Hitler e foi para a Suécia, e em 1941 foi dar aula na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Cassirer expandiu o campo da crítica kantiana a todas as formas de atividade humana. Para Cassirer, as formas simbólicas revelam também o fato mítico, estético ou social. Pode-se dizer que Cassirer transformou a Crítica da Razão Pura em uma crítica da cultura. Em 1923, é publicado o livro Filosofia das formas simbólicas. [2] Croce, Benedetto (1866-1952) foi um filósofo idealista italiano. [3] Fiedler, Konrad (1841-1895) foi um crítico de arte alemão. Aula 23_Início do século XX - O expressionismo Reconhecemos e avaliamos na Unidade anterior, a história do final do século XIX e as diferenças e diversos estilos desenvolvidos no período. Aprendemos a reconhecer a Arte Impressionista e Pós-impressionista, as quais resultaram em estilos que foram desenvolvidos e transformados em um variado e discordante número de estilos artísticos por todo século XX. Costuma-se, inclusive, situar o início da arte moderna do século XX a partir dos experimentos estéticos realizados por Paul Cézanne nas décadas de 1870 a 1880. O MUNDO NO INÍCIO DO SÉCULO XX Do fim do Século XIX até a eclosão da Primeira Guerra em 1914, são numerosas as pequenas guerras na Europa e nas colônias europeias. A Guerra dos Boers, na África do Sul, os movimentos de rebelião na Irlanda, crises sucessivas no Marrocos, guerra na Itália com a Etiópia, guerra entre a Itália e a Turquia de 1911 a 1912 e a guerra da Áustria com a Sérvia. A Alemanha, um país tradicionalmente agrícola, tornou-se um gigante na produção e no comércio mundial, com sua Revolução Industrial e o esforço germânico. Os vínculos comerciais se estendiam da Ásia até a América Latina, sobrepujando a França e aproximando-se da Inglaterra, o que não era motivo de satisfação para determinados países. Na Rússia, em 1905, ocorre uma revolução contra o regime do Czar que é abafada. No mesmo ano, a Rússia é derrotada na guerra contra o Japão, sendo a primeira vez, na Idade Moderna, que um país asiático vence um país europeu. Na China surge a revolta dos Boxers em 1900 contra a presença europeia, sendo massacrados milhares de estrangeiros e chineses simpatizantes do Ocidente. Em Saravejo, o arquiduque Fernando e sua esposa são assassinados por um anarquista sérvio. A Áustria declara guerra a Sérvia, invadindo-a apoiada pela Alemanha. A Rússia toma o lado da Sérvia. Em Primeiro de agosto de 1914, a Alemanha declara guerra à Rússia; dois dias depois à França e em 04 de agosto a Inglaterra declara guerra à Alemanha. Estava iniciada a Primeira Guerra Mundial, que veio mudar completamente a sociedade no Século XX e seria a semente da Segunda Guerra em 1939. Em 1917, os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha, fortalecendo os Aliados com todo seu potencial econômico e industrial. Seguem-se várias derrotas alemãs, resultando em Onze de Novembro de 1918 a declaração de um armistício com o fim da guerra e a derrota da Alemanha e seus parceiros. Oito milhões de mortos foi o balanço trágico da loucura. Neste período acontecem grandes avanços nas ciências e tecnologia, fatos que mudaram a maneira de viver e de pensar da sociedade, como a descoberta da radioatividade, o avanço da química e da medicina e a teoria da Relatividade de Einstein, abrindo para o homem um novo Universo. As teorias de Freud, com a psicanálise abrem, também, um novo universo interno da mente. Aula 23 - ARTE DO INÍCIO DO SÉCULO XX – O EXPRESSIONISMO Durante a revolução artística que atingiu o seu clímax antes da 1ª Guerra Mundial, a admiração pela escultura negra foi, de fato, um dos entusiasmos que reuniu jovens de todas as tendências. Algumas máscaras tribais atraíram fortemente uma geração que procurava uma saída para o impasse da arte ocidental. A beleza ideal e a fidelidade à natureza não interessavam mais, enquanto a expressividade intensa, a clareza de estrutura e a simplicidade da técnica negra eram as respostas para as indagações. As experiências do Expressionismo são, talvez, as mais fáceis de explicar. Os artistas da nova corrente não se preocuparam em inovar materiais, técnicas e suportes, mas mudaram o tratamento às imagens, distorcendo-as com o uso da cor, luz e espaço. Desenhando diretamente com a cor, os expressionistas exprimiram de maneira sugestiva o sofrimento. O movimento Expressionista encontrou seu solo mais fértil na Alemanha, entre os anos de 1905 e 1930, quando a sociedade alemã estava passando por problemas sociais. Os artistas alemães eram considerados rebeldes e desenvolveram uma arte de resistência e sofrimento, expressando os sentimentos íntimos de maneira apaixonada e intensa. Ao contrário do Impressionismo que interpreta o mundo exterior em formas belas, o expressionismo expressa as emoções, de forma nervosa, angulosa e deformada. O primeiro grupo formado denominou-se A Ponte ou Die Brücke, em alemão, com Emil Hansen ou Emil NOLDE (1867-1956), Ernst Ludwig KIRCHNER (1880-1938), Otto MUELLER (1874-1930) e Erich HECKEL (1883-1970). Os artistas do grupo entendiam o conjunto da obra como uma “ponte” entre o passado e o futuro. A estética das obras do Die Brücke Group é intencionalmente reduzida ao essencial, e as formas simples e deformadas, sem indício de perspectiva, são evidenciadas pelo contraste de tons saturados. As cores, muitas vezes, complementares recebem uma linha forte de contorno. Como consequência de algumas discussões internas e dos diferentes desenvolvimentos artísticos de cada um, o grupo se dissolveu em 1913. 1- Nolde Emil Hansen ou Emil NOLDE (1867-1956) apresenta uma obra, a qual sempre choca o público devido à quantidade e vivacidade das cores, com perspectiva e personagens deformados, influência de Van Gogh, Edvard Munch e James Ensor. Na década de 40, Nolde foi proibido de pintar pelos nazistas, que consideravam sua pintura incitadora de revoltas e imoral. Após a Segunda Guerra, Nolde volta a pintar, principalmente aquarelas. 2- Kirchner Ernst Ludwig KIRCHNER (1880-1938) A produção do artista inclui a pintura, escultura e o trabalho gráfico. Influenciado por Van Gogh e Munch, aplicou a cor viva e o drama na sua obra. 3- Mueller Otto MUELLER (1874-1930) se feriu ao servir o exército, durante a Primeira Guerra Mundial, mas ao contrário dos colegas do grupo, não foi afetado pela guerra. Após a guerra, viajou pela Europa e foi ativo como professor de pintura até o fim. 4- Heckel Fundador do grupo com outros expressionistas, Erich HECKEL (1883-1970) admirava as obras de Edvard Munch. A maioria das obras do artista foram retiradas dos museus e muitas foram destruídas pelos nazistas.Outros artistas também representaram o movimento expressionista: O austríaco, Oscar KOKOSCHKA (1886-1980); o francês, Georges ROUAULT (1871-1958); Chaim Soutine, um emigrante da Europa oriental e o anglo-irlandês, Francis BACON (1909-1992). 1- Bacon Francis BACON (1909-1992), inglês, criou uma tensão quase insustentável entre a violência chocante de sua visão e a beleza luminosa de suas pinceladas. 2- Rouault Na França, Georges ROUAULT (1871-1958), herdeiro da técnica do Pós-impressionista Van Gogh, pintou suas obras com pinceladas selvagens e rápidas. Seus quadros afirmam a fé religiosa e nos lembram os vitrais góticos com as cores brilhantes e as formas delineadas de preto. Na obra Os Juízes, de 1908, a composição apresenta os rostos dos três juízes brilhando no escuro como máscaras medonhas. Espero que você aprofunde seus conhecimentos. A pesquisa é de fundamental importância para armazenar repertório teórico. Até a próxima aula! Aula 24_Fauvismo Na aula anterior, examinamos e avaliamos a Primeira Guerra Mundial e o surgimento do Expressionismo. FAUVISMO Em 1905, no Salão de Arte em Paris, um grupo de jovens pintores escandaliza a crítica e o público com a força explosiva de sua pintura, de cores fortes e contrastantes. O espaço é constituído apenas pela cor, sem o apelo de claros-escuros, não existe preocupação com a perspectiva clássica, nem a tentativa de se sugerir uma terceira dimensão. Sem copiar a natureza, os artistas extraem as sensações, modificam a realidade a até se abstraem do real. Os críticos apelidaram esses artistas de Fauves, feras em francês, nascendo assim o movimento artístico denominado Fauvismo. O movimento era composto por vários grupos de estilos individuais, e se solidificou no encontro de Henri MATISSE (1869-1954) com André DERAIN (1880-1954) quando pintaram as primeiras telas Fauves. Albert MARQUET (1875-1947) Maurice de VLAMINCK (1876-1958) e Raoul DUFY (1877-1953) também participaram do movimento, entre outros artistas. 1- Derain André DERAIN (1880 – 1954) desempenhou a função de catalisador das diferentes ideias dos diversos membros do grupo. O artista era estudioso da pintura Gótica e da arte negra com suas manifestações folclóricas e populares, trazendo essa influência para a pintura, nas cores contrastantes e vivas. 2- Matisse Henri Matisse (1869-1954) é o próprio símbolo do Fauvismo, não apenas por ter marcado a direção do movimento, mas porque se manteve fiel até o fim. Na pintura, os objetivos de Matisse foram atingidos quase integralmente por meio do uso da cor que, em si, tem um valor expressivo. Gradativamente, o artista buscou libertar a cor de sua tradicional função naturalista como nas pinturas japonesas, onde a cor existe de forma independente, imbuída de uma beleza expressiva própria. A influência de Cézanne fez-se sentir nas composições simples e figurativas da sua obra. As cores arrojadas e as formas simples e sólidas se uniram de forma equilibrada na obra de Matisse. Na velhice, o artista dedicou-se ao trabalho de recortar papeis coloridos e construir estruturas onde as cores vivas e brilhantes não obedeciam ao desenho, mas estabeleciam formas próprias. Uma de suas obras mais conhecidas é A Linha Verde, de 1905. No lugar de sombra e luz, planos de cor proporcionam profundidade no retrato da esposa Amélie. PESQUISE MAIS Sobre fauvistas e expressionistas em ARGAN, G.C. Arte Moderna. São Paulo: Cia das Letras, 2001, pp. 227 a 262. Aula 25_Abstracionismo Nas aulas anteriores, enquanto o mundo ainda se escandalizava com o Impressionismo e os expressionistas, Matisse e seus amigos Derain e Dufy já consideravam esses estilos ultrapassados. Nessa Unidade, talvez você esteja se perguntando se absorverá tantas informações, principalmente porque são, de fato, muitos artistas e muitos estilos. São tantos ismos! Mas não se assuste! Aprenda a reconhecer e a avaliar calmamente os estilos e seus representantes. Aos poucos, você será capaz de reconhecer as principais obras e artistas. Em 1910, o movimento da Arte Abstrata rompeu definitivamente com o figurativo e libertou as artes da realidade. Os pintores abstratos eliminaram todos os elementos secundários, usando apenas o essencial: cor e forma. A experimentação da doutrina do Expressionismo encorajou os artistas na indagação se a arte não poderia ser mais pura, eliminando-se por completo o tema e baseando-se somente nos efeitos das cores e formas, a exemplo da música que se consegue entender sem o apoio de palavras. O expressionismo conhece desdobramentos como O Cavaleiro Azul ou Der Blaue Reiter, grupo criado em 1911 por Franz MARC (1880-1916) e Vassily KANDINSKY (1866-1944). ARTE ABSTRATA Kandinsky foi um dos primeiros artistas a experimentar uma pintura sem qualquer objeto reconhecível. A convicção de que era possível e importante gerar uma comunhão espiritual com as formas, encorajaram-no a expor as primeiras tentativas de música cromática, as quais inauguraram definitivamente a Arte abstrata. As duas principais correntes do movimento Abstrato foram: o Expressionismo Abstrato, e o Concretismo e Abstracionismo Geométrico. EXPRESSIONISMO ABSTRATO O abstracionismo, inaugurado por volta de 1910, tem como fundamento a realização de uma arte independente do mundo externo e da realidade visível, ou seja, uma obra composta apenas por elementos puros, como as formas, as linhas e as cores. Os artistas representantes desse movimento se manifestaram após a Primeira e Segunda Guerra Mundial. 1- Kandinsk Vassily KANDINSKY (1866-1944) concebe a pintura abstrata inspirada em conceitos metafísicos sobre o triunfo do espírito sobe a matéria, sintetizando a música, e a correspondência entre sons e cores. Em 1913, o artista desenvolve e pinta duas das obras mais conhecidas: Composição VI, em óleo sobre tela, com 195 por 300 cm, presente no State Hermitage Museum, St.Petersburg, Russia e Composição VII, em óleo sobre tela, com 200 por 300 cm, presente no State Tretyakov Gallery, Moscou, Rússia. Com essas obras Kandinsk participa na Armory Show[1] em Nova Iorque e obtém reconhecimento do novo movimento. Em 1914 com a guerra, o artista se desloca para a Suíça, desfazendo o grupo artístico. De 1933 a 1944, de origem russa, residente em Paris, Kandinsky adquire a nacionalidade francesa. ABSTRACIONISMO GEOMÉTRICO O Abstracionismo geométrico desenvolveu-se a partir de 1915, na Rússia, a partir do Construtivismo de Kazimir MALEVICH (1878-1935), que abandonou totalmente, em suas obras, os princípios figurativos. Porém, foi Piet MONDRIAN (1872-1944) quem chegou mais perto da Abstração Geométrica. Seguindo caminhos paralelos, participaram do movimento Abstrato: François KUPKA, o grupo holandês ligado à revista De Stijl, defensora das ideias do Neoplasticismo e a Escola Bauhaus, fundada em 1919, na Alemanha. 1- Mondrian O artista, que também participou da revista De Stijl, Piet MONDRIAN (1872-1944), desenvolveu uma obra a partir da ordem horizontal e vertical, ao excluir as diagonais e as curvas. A expressão Neoplasticismo foi criada a partir de sua obra. Com o tempo, Mondrian se liberta dos próprios conceitos e investe com mais liberdade em suas composições. ARQUITETURA DO INÍCIO DO SÉCULO XX Na Espanha, Antoni Placid GAUDÍ i Cornet (1852-1926) desenvolveu uma arquitetura inspirada literalmente no Art Nouveau, estilo predominante do final do século XIX, na Europa, baseado nas curvas sinuosas, aberturas arredondadas, praticamente sem superfícies planas e linhas retas. A Casa Milá, um bloco de apartamentos construído em Barcelona, de 1905 a 1907, é um exemplo das construções arrojadas do artista arquiteto. Em 1984, conhecida popularmente pelo nome de La Pedrera, a Casa Milá, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Charles Rennie MACKINTOSH (1868-1928), da Escócia, o belga, Henry VAN DE VELDE (1863-1957), o holandês, Gerrit Thomas RIETVELD (1888-1965) e o francês de origem suíça, Charles-Edouard Jeanneret-Gris, conhecido por LE CORBUSIER (1887-1965), entre outros, provocarammudanças radicais nas grandes construções modernas e originaram estudos e projetos na área da funcionalidade dos edifícios. Ao eliminarem os ornamentos dos estilos anteriores, os novos arquitetos romperam definitivamente com a tradição na construção. Um arquiteto que se destacou nos Estados Unidos foi Frank Lloyd WRIGHT (1867-1959) um dos primeiros a construir no estilo Cubista. As residências construídas por ele se destacam por serem adequadas ao ambiente e são denominadas de Arquitetura orgânica. _____ [1] Armory Show foi uma exposição inaugurada em Nova Iorque em 1913, onde foi descoberta a Arte Moderna pelos americanos. Foram expostas cerca de 1600 obras das quais um terço eram de arte europeia. Aula 26_Cubismo - Picasso Observamos na aula anterior os estilos referentes ao Expressionismo Abstrato e ao Abstracionismo Geométrico. Vamos continuar. Os antecedentes da revolução cubista já tinham se esboçado na retrospectiva de Cèzanne, quando o artista apresentou obras em que ao contrário do Impressionismo, mostrava figuras com geometria, de contornos marcados e solidamente definidos. Os adeptos ao movimento, entre eles Pablo PICASSO (1881-1973) e Georges BRAQUE (1882-1963) assumem a disposição de reproduzir a solidez e densidade do objeto, introduzindo uma nova figuração de volumes, decompondo a forma e organizando planos e estruturas. O Cubismo recebeu três denominações no seu decurso histórico: 1. Primeira fase O espaço torna-se mais profundo, a cor passa a ser limitada e os elementos supérfluos são eliminados. As Senhoritas de Avignon executado em 1907 de Pablo PICASSO (1881-1973) é um exemplo dessa fase inicial. A obra se encontra no MoMA, NY. 2. Segunda fase De 1909 a 1911, recebe o nome de Cubismo Analítico, onde os objetos perdem a realidade e são representados por fragmentos, a perspectiva é abandonada e as cores são pouquíssimas. O instrumento musical está quase sempre presente. Somente algumas áreas sugerem a forma das figuras. Picasso e Braque descobrem o Cubismo de Colagens e juntos executam muitas telas aplicando essa técnica. Um bom exemplo é o óleo sobre tela O Português, executada entre 1911 e 1912 por Georges BRAQUE (1882-1963). Acervo do Kunstmuseum Basel, Basileia, Suíça. 3. Terceira fase De 1911 a 1916, denomina-se Cubismo Sintético. Caracterizado por novas técnicas de colagem com as cores voltando a participar da composição, com papeis coloridos colados diretamente na tela, às vezes com camadas sobrepostas. A ornamentação geométrica é de melhor entendimento e a composição prevalece sobre o tema. Arlequim, executado em 1915, por Pablo Picasso é um exemplo dessa fase. A obra faz parte do acervo do MoMA, NY. CUBISMO Além de Georges BRAQUE (1882-1963) e Pablo PICASSO (1881-1973), Ferdinand LÉGER (1881-1955) e Juan GRISS (1887-1927) entre outros foram artistas que também se dedicaram às pesquisas modernas do Cubismo. 1 Picasso O início da pintura de Picasso, ao chegar a Paris em 1900, agrada aos expressionistas e naturalistas. São as chamadas Fase Azul e Fase Rosa. A partir de 1907, o artista, estimulado pelo vigor dessa arte, passa a pintar figuras totêmicas e máscaras para, logo depois, interessar-se pela pintura de Cèzanne, observando a natureza em termos de esferas, cones e cilindros. Picasso é, sem dúvida, uma das mais vigorosas inteligências do século. [...] A partir de 1914, já não é possível identificar a trajetória de sua atividade polimorfa (é pintor, artista gráfico, escultor, ceramista) com uma linha de pesquisa ou uma sucessão de fases. [...] Picasso não se filia a nenhum movimento, mas intervém em todos. [...] Por cerca de quarenta anos, dirige de cima, a “política” da arte, e indiretamente também o mercado; ele é o vértice da escala de valores. (ARGAN, 2001, pp.341-342) Três guerras e muitas mulheres marcaram a vida de Picasso e foram determinantes no rumo de sua arte. Aula 27_Futurismo ao Dadaísmo Observamos na aula anterior a formação do Cubismo, interpretado por Picasso e Braque, um movimento que revolucionou a Arte Moderna com as consequências mais diversas. FUTURISMO Em 1912, o grupo Futurista, liderado por Filippo Tommaso Godoy MARINETTI (1876-1944), proporcionou uma grande exposição, onde participaram os italianos: Umberto BOCCIONI (1882– 1916), Gino SEVERINE (1883-1966), Carlo CARRÀ (1881-1966), Luigi RUSSOLO (1885-1947) e Giacomo BALLA (1871-1958) exaltando a beleza das máquinas e a velocidade. O movimento do Futurismo morreu logo após à Primeira Guerra Mundial (1914-1918) O único artista fora do grupo a produzir uma obra futurista foi o ítalo-americano Joseph STELLA (1880-1946), que em 1917 pintou A Ponte do Brooklyn. Em 1939, Stella pintou novamente o mesmo tema, em óleo sobre tela: The Brooklyn Bridge: Variação sobre um Velho Tema. A obra se encontra no Whitney Museum of American Art, em New York. SUPREMATISMO Os futuristas russos, acima de tudo, modernistas, acolheram a industrialização, mas não glorificaram as máquinas, muito menos como instrumento de destruição. O tema de suas obras era o conjunto dos elementos visuais e a organização formal. O Suprematismo foi a primeira manifestação artística russa representada por Kazimir MALEVICH (1878-1935). O arquiteto e artista Vladimir TATLIN (1885-1953), teórico do Construtivismo também contribuiu com o Suprematismo. O apogeu do Suprematismo declinou após 1920, quando seus seguidores desertaram para outros movimentos. BAUHAUS Sediada em Weimar, efervescente reduto intelectual, a Bauhaus foi criada como uma escola experimental, na crença de que professores com vivência em campos diferentes poderiam colaborar na formação de uma nova geração de pintores, arquitetos e designers. Mentor espiritual e primeiro diretor da Escola, Walter Gropius[1] considerava as artes visuais um componente essencial no programa educativo. A Bauhaus notabilizou-se pela liberdade e pela inovação de seu ensino em que os alunos eram estimulados a pensar e criar fora dos parâmetros acadêmicos dominantes. No começo dos anos 30, porém, com a crise econômica e a ascensão do nazismo criou-se um clima hostil para a Bauhaus, resultando na transferência da escola para Dessau[2], até fechar definitivamente em 1933. No quadro de professores estavam: Paul KLEE (1879-1940), Lyonel FEININGER (1871-1956), Herbert BAYER (1900-1985), Lazlo MOHOLY-NAGY (1895-1946), Oskar SCHLEMMER (1888-1943), Josef ALBERS (1888-1976) entre outros mestres importantes. 1- Klee Na década de Vinte, o arquiteto Walter Gropius convidou o suíço Paul KLEE (1879-1940) para juntar-se ao grupo Bauhaus, em Weimar, como mestre na oficina de artefatos de vidro. Klee trouxe uma importante contribuição para a escola, desenvolvendo exercícios técnicos que examinavam as qualidades básicas da linha, plano e texturas. Na década seguinte, Klee lecionaria nos institutos de Weimar e Dessau. Além de várias exposições na Europa, o trabalho de Klee atravessou o Atlântico e foi exibido em Nova York, pela primeira vez, em 1924. Em 1931, o pintor deixou a Bauhaus e foi nomeado para a Düsseldorf Academy. Em 1932, Klee foi violentamente atacado pelos nazistas. Retornando a Berna, na Suíça, próximo à pobreza, desenvolveu sua fase artística derradeira, baseada na simplicidade. No fim de sua vida, mergulhou no estudo de ideogramas com imagens representativas reduzidas ao mínimo, expressadas por símbolos e fantasias. Na Alemanha, alguns de seus trabalhos foram expostos em uma exibição considerada de arte degenerada. Uma de suas obras mais conhecidas é Cena Romanesca, 1921. Uma Litografia colorida. A obra se encontra no Indianapolis Museum of Art, Indianapolis, EUA. [1] Gropius, Walter (1883-1969) Arquiteto alemão. [2] Dessau, cidade alemã, onde foi construído o edifício da Bauhaus de 1925 a 1926. Aula 28_Surrealismo – Escola de Paris. Na aula anterior, fizemos um resumo da arte futurista e a arte funcional exercida na Bauhaus, um edifício muito comentado da arquitetura moderna e importante escola de artes e ofícios que alterou o designmoderno. Na História da Arte, o período entre 1906 e 1914, caracterizou-se por uma intensa agitação, com grandes manifestações na arte. Mesmo durante a Primeira Guerra e nos anos que se seguiram, o movimento das artes não estacionou. DADAÍSMO Em 1916, surgiu a primeira manifestação Dada na cidade de Zurique, na Suíça, a qual tinha se tornado um refúgio para artistas europeus. Uma obra Dada se reconhece pelos objetos livremente compostos de forma irônica e socialmente mordaz, ou a construção de máquinas sem função ou ainda desenhos e pinturas satirizando obras anteriores de artistas famosos. Fazem parte ainda desse movimento que durou de 1916 a 1922: os franceses Marcel DUCHAMP (1887-1968) e Francis-Marie Martinez PICABIA (1879-1953); e os alemães Hugo BALL (1886-1927), Max ERNST (1891-1976), Hans ARP (1886-1966) e Kurt Schwitters (1887-1948); entre outros. 1- Duchamp Marcel DUCHAMP (1887-1968), que já tinha causado espanto na Armory Show, em Nova York, no ano de 1913 ao expor Nu descendo uma Escada, em 1912, continuou no caminho perturbador, com obras como prateleiras com objetos para limpar neve, ou uma Mona Lisa de bigodes. Uma de suas obras mais conhecidas e comentadas é Roda de Bicicleta, de 1913. O artista executou uma cópia de 1964, a qual se encontra no Indiana University Art Museum. A obra se resume em uma roda de metal apoiada sobre banco de madeira. ARTE FANTÁSTICA O poder da nostalgia domina as fantasias do judeu russo, Marc CHAGALL (1887-1985) cuja obra é um conto de fadas cubista, tecido de recordações fantasmagóricas de contos populares russos e provérbios judaicos. SURREALISMO Em 1924, alguns artistas fundaram o Surrealismo, definindo os seus objetivos na teoria fortemente cercada de conceitos psicanalíticos. Na prática, a transposição do sonho para a tela não funcionou sem uma certa orientação, mas o Surrealismo estimulou várias técnicas novas de provocar e explorar os efeitos do acaso. Entre os artistas, encontram-se: Max ERNST (1891-1976), que combinou colagem e frotagge[1], para criar uma extraordinária riqueza de imagens, como num sonho; René MAGRITTE (1898-1967), que executou obras intrigantes, mas de forma consciente, apresentando enigmas dentro de uma atmosfera de sonho; Giorgio DE CHIRICO (1888 -1978), Joan MIRÓ (1893 – 1983) e um dos mais importantes do movimento, o excêntrico Domingo Felipe Jacinto DALI i Domènech (1904-1989). 1- De Chirico O artista grego, Giorgio DE CHIRICO (1888-1978) cria a pintura metafísica e tem suas obras reconhecidas na Itália. A maioria de suas obras é poética e fascinante, mas ao mesmo tempo sinistra e inquietante. 2- Miró Durante os anos Vinte, em Paris, Joan MIRÓ (1893 – 1983) associou-se à poetas e pintores da vanguarda surrealista que se reuniam em torno de André Breton (1896-1966), o porta-voz desse movimento. 3- Dali O mais notável dos Surrealistas, no entanto, é Domingo Felipe Jacinto DALI i Domènech (1904-1989) com uma vasta obra iconográfica. Metamorfose de Narciso, ou Metamorphosis of Narcissus, de 1937 é uma das pinturas mais hipnóticas e intensas das obras do surrealismo. Narciso, na Mitologia Grega, é um jovem belíssimo que se apaixona pela própria beleza, no caso, seu reflexo na água. O amor inatingível que o definha até a morte. Os deuses, então, o transformam em flor. A pintura em óleo sobre tela se encontra na Tate Modern de Londres, Reino Unido. ESCOLA DE PARIS Nome aplicado a diversos pintores independentes que frequentaram Paris até 1930, produzindo obras tradicionais, entre eles Pierre BONNARD (1867– 1947) e Amedeo MODIGLIANI (1884 – 1920) 1- Modigliani Máscaras africanas e Arte medieval serviram de inspiração para Amedeo MODIGLIANI (1884 – 1920), que desenvolveu formas simplificadas, em formato alto e estreito. Modigliani mudou da Itália para Paris em 1906 e estabeleceu-se na região de Montparnasse, em Paris, na França. SAIBA MAIS Leia sobre a Arte Fantástica em JANSON, H. W. História da Arte. Tradução J. A. F. de Almeida e. São Paulo: Martins Fontes, 1992, pp. 689 a 694. A Escola de Paris e todos que a frequentaram em ARGAN, G.C. Arte Moderna. São Paulo: Cia das Letras, 2001, pp. 340-352. _____ [1] Frotagge é uma técnica de pintura em que se utiliza papel amassado. Aula 29_Meados do século XX Retornemos um pouquinho. Observamos e aprendemos a reconhecer os seguintes estilos artísticos: Expressionismo, Abstracionismo, Expressionismo Abstrato, Abstracionismo Geométrico, Cubismo, Futurismo, Suprematismo, Escola Bauhaus, Dadaísmo, Surrealismo e Escola de Paris. Nessa aula, teremos um resumo da história de meados do século XX e, nas aulas seguintes, novos movimentos na arte. Anime-se! Há muita arte e artistas maravilhosos para você conhecer. MEADOS DO SÉCULO XX Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha e seus aliados se consideraram vítimas de uma abominável injustiça, fazendo nascer o apoio dos alemães aos partidos ultranacionalistas, dos quais o partido Nacional Socialista dos Trabalhadores, liderado por Adolf Hitler foi o principal beneficiário. Nas conferências após a vitória dos aliados, foram criados novos Estados à custa de territórios russos, alemães e austro-húngaros. A Europa decaiu como potência econômica e os Estados Unidos à dominação econômica. Enquanto isso, a política imperialista de Adolf Hitler causava preocupações. SEGUNDA GUERRA MUNDIAL Em 1939, surgiu um incidente que assinalou o começo da Segunda Guerra: a exigência do corredor polonês pela Alemanha. Em 03 de Setembro de 1939, a França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Na primavera de 1940, os alemães desfecharam violentas ofensivas contra as nações neutras rapidamente ocupadas. A França foi invadida e a Inglaterra ficou sozinha para continuar a luta, auxiliada pelas armas e navios enviados pelos neutros Estados Unidos. Em Junho de 1941, o exército nazista invadiu a União Soviética. O Exército Vermelho, tomado de surpresa, sofreu várias derrotas, no entanto, passado o impacto inicial, iniciaram a resistência e os alemães foram obrigados a recuar, sofrendo terríveis perdas também pelo inverno rigoroso. Nesse período, passaram a existir dois grupos: os Aliados, agrupando vários países sob a liderança de Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética; e o Eixo, com a participação de Alemanha, Itália e Japão. Em 1943, os alemães sofreram a mais terrível derrota diante dos russos, perdendo 350 mil homens e o mito de invencibilidade. No Atlântico, as forças navais anglo-americanas conseguiram eliminar a ameaça dos submarinos alemães e tropas aliadas invadiram o sul da Itália, prendendo Mussolini. No ano de 1944, as forças nazistas recuaram em todas as frentes. No dia 06 de Junho de 1944, o Dia D, após o desembarque de centenas de milhares de soldados, a França foi libertada e os Aliados avançaram rumo à Alemanha. Ao mesmo tempo, no Leste, o Exército Vermelho avançou, libertando os países da Europa Centro-Oriental. Mussolini foi executado por guerrilheiros antifascistas e em 30 de Abril, Hitler suicidou-se em Berlim. Em Maio de 1945, a resistência chegou ao fim, com o III Reich em ruínas. Em Berlim, se encontraram os exércitos anglo-americano e soviético. Em Agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram duas bombas atômicas. A primeira em Hiroshima, matando 80 mil pessoas. No dia 09, um outro ataque atômico foi realizado contra a cidade de Nagasaki. As bombas marcaram uma nova etapa na história da humanidade. Os japoneses se renderam no dia 16 de Agosto, encerrando dessa forma a mais terrível das guerras. O MUNDO PÓS-GUERRA Após terminar a guerra na Europa e no Japão, cerca de cem milhões de mortos, inúmeras cidades destruídas, campos abandonados, administração desorganizada, fome e miséria faziam parte da reconstrução. Os Estados Unidos saíram com extraordinário poder econômico, político e militar e a União Soviética foi fortalecida e cercada de países socialistas. Foi criada a Organização das Nações Unidas, a ONU, e todos os países do mundo tornaram-se meros espectadores do confronto USA x URSS. Iniciava-se a Era daGuerra Fria, que atingiu todos os países do mundo e durou mais de 40 anos. Os dois países, possuidores de arsenal atômico, ameaçavam-se mutuamente. Um pesadelo, que influenciou todos os países do mundo. A ARTE APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL O mundo, após 1945, estava diferente. A depressão, o militarismo, o comunismo, a revelação dos crimes de guerra, acabaram ou diminuíram drasticamente os sonhos dos artistas abstratos. Os artistas russos se esconderam na obscuridade, a Bauhaus foi fechada e os arquitetos exilados. Os anos do pós-guerra viram artistas solitários trabalhando em abstrações individuais. Segundo Gooding, “A pintura era concebida como uma ‘ação’ heroica e solitária, carregada de risco, mas que levava, quando bem sucedida, à emocionante descoberta de uma imagem original e reveladora.” (GOODING, 2002, p.66) SAIBA MAIS Procure aprofundar-se mais nas questões da Segunda Guerra Mundial e suas consequências. A juventude da época ficou marcada por uma profunda decepção quanto aos valores existentes. A partir da década de 1950, as gerações caracterizaram-se por uma intensa revolta contra as normas sociais e uma total falta de confiança no futuro. Este sentimento era representado pelo uso de drogas, pela liberdade sexual, cabelos longos, música agitada, frenética adoração por ídolos, aproximação de religiões e filosofias orientais e o horror ao militarismo. Mais do que nunca, a sociedade do século XX transformou a forma de fazer e ver a Arte. Aula 30_Informalismo - Pintura gestual Na aula anterior, observamos a história da Segunda Guerra Mundial e o mundo pós-guerra. INFORMALISMO. EXPRESSIONISMO ABSTRATO. PINTURA GESTUAL O início da Arte Informal, em Paris e Nova York, predominou durante cerca de dez a quinze anos. Em muitas obras, a presença de determinados signos e manchas, aos quais, às vezes, o artista nem deu importância, recebia interpretação do observador que contribuía para concluir a obra, apresentada como aberta à interpretação. A Arte Informal caminhou em duas direções: nos Estados Unidos, recebeu o nome de Expressionismo Abstrato e, na Europa, de Pintura gestual. Entre as principais figuras do Expressionismo Abstrato estabelecidas em Nova York encontravam-se os artistas, Arshile GORKY (1904-1948), Mark ROTKO (1903-1970), Willem DE KOONING (1904-1997) e Jackson POLLOCK (1912-1956). 1- Pollock Jackson POLLOCK (1912-1956) inaugurou a pintura gestual, empregando o sistema de espargir a tinta direto do tubo, em uma rápida ação, cobrindo a tela toda, estendida no solo, de preferência. Essa arte recebeu o nome de Action painting. 2 Gorky Inicialmente Cubista e com influência Surrealista, Arshile GORKY (1904-1948) desenvolveu um estilo que partia do surrealismo automático para um campo expressivo, anunciando o Expressionismo Abstrato. 3 - Rotko Mark ROTKO (1903-1970) chegou a um estilo próprio no final da década de Quarenta, apresentando imagens distorcidas nas bordas da pintura, exigindo uma contemplação demorada da obra aparentemente simples. A partir da década de 50, a Pintura Gestual perdeu gradativamente a posição dominante, mas a sua força ainda não estava gasta. Um grupo de artistas transformou o movimento gestual num estilo chamado de Pintura em Campo de Cor, no qual a tela é manchada com leves e transparentes aguadas de cor. Entre os artistas desse movimento está Paul JENKINS (1923-2012), com uma pintura repleta de cores ondulantes. Outros artistas trabalharam em cima de texturas grosseiras e esburacadas, como o espanhol Antoni TAPIES (1923-2012) e o italiano Alberto BURRI (1915) manifestando toda angustia e melancolia por um mundo devastado. 1- Stella A partir da década de 60, Frank STELLA (1936) renuncia às pinturas no estilo Expressionismo Abstrato e se dedica a pintura construtivista e abstrata geométrica, com tendência minimalista. Uma de suas pinturas mais conhecidas é Marrakech, de 1964. A obra, em resina alquídica fluorescente, se encontra no Metropolitan Museum of Art, NY. GRUPO COBRA Movimento artístico europeu, criado em 1948. Os componentes do grupo foram influenciados por estilos como o surrealismo e o expressionismo abstrato, porém acrescentaram uma linguagem figurativa. O nome do grupo – CoBrA – combina as letras das cidades de origem dos principais artistas: Asger JORN (1914-1973), de Copenhagen; Guillaume Cornelis van BEVERLOO (1922-2010), de Bruxelas; Constant NIEUWENHUYS (1920-2005) e Karel APPEL (1921-2006) de Amsterdam. O grupo se manteve até o início da década de Cinquenta. Um dos seguidores da mesma linguagem é o artista holandês Theo WOLVECAMP (1925-1992). A partir do Abstracionismo Informal em meados do século XX, surgiram outros movimentos, como a Pop Art, a Op Art, o Minimalismo, a Arte Conceptual, Ambientes, Instalações, Hiperrealismo; a fotografia fantástica, documental e abstrata e a arte digital. ESCULTURA A escultura evoluiu como a pintura. Em meados dos anos 60, artistas americanos e europeus iniciaram um processo de conscientização ambiental x consumismo aplicado em suas obras O material extremo da escultura de ambiente é a própria terra. As primeiras destas obras, realizadas por Michael HEIZER (1944), Robert SMITHSON (1938-1973), CHRISTO Javacheff (1935) e Robert MORRIS (1931), ficaram conhecidas como A Arte da Terra ou Land Art. Uma das obras mais conhecidas de Robert SMITHSON, é Molhe em espiral, executada em 1970, no Grande Lago Salgado, em Utah, Estados Unidos. Um dos melhores exemplos da Land Art. Aula 31_Op Art e Pop Art - Ambientes e Instalações. Vimos, na aula anterior, a Arte do Abstracionismo Informal, que recebeu o nome de Expressionismo Abstrato, nos Estados Unidos; e, na Europa, de Pintura gestual. Observamos, ainda, os trabalhos realizados em Escultura em meados do século XX. OP ART A Op Art concentrou-se, sobretudo, na ilusão de ótica e no rigor não-figurativo, consistindo em construções, cujo efeito depende da luz e do movimento, explorando os aspectos do aparelho visual. O precursor da Op Art foi o húngaro Victor VASARELY (1908-1997), criador da arte cinética cinética ou plástica do movimento. O estilo foi desenvolvido por diversos artistas em vários países. Entre eles: os americanos, Richard ANUSZKIEWICZ (1930) e Kenneth NOLAND (1924-2010) e a inglesa, Bridget RILEY (1931). 1- Vasarely Victor VASARELY (1908-1997) desenvolveu, até as últimas consequências, as noções de movimento e espaço-tempo em pintura. Na França, trabalhou com as formas geométricas puras e com a alternância cromática e produziu obras que chamaram a atenção pelos contrastes e sensação de movimento. POP ART Alguns artistas, em meados da década de Cinquenta, compreenderam que os produtos da arte comercial, como a fotografia, anúncios, ilustrações e revistas em quadrinhos, faziam parte do mundo moderno, portanto, deviam ser examinados, não desprezados como vulgar. Entre os pioneiros da Arte Pop Americana, se encontram os artistas: Andy WARHOL (1928-1987) Andrew WARHOL (1928-1987), Jasper JOHNS (1930) e Roy LICHTENSTEIN (1923-1997). 1- Johns Talvez o mais importante dos primeiros artistas considerados como da Pop Art seja Jasper JOHNS (1930). O artista começou a pintar, com grande precisão, objetos vulgares como bandeiras, alvos, algarismos e mapas, criando uma obra de extrema perfeição e originalidade. A pintura executada em 1958, com o título de Três Bandeiras é uma das mais famosas, em Encáustica sobre óleo. A obra se encontra no Metropolitan Museum of Art, NY. 2- Lichtenstein Roy LICHTENSTEIN (1923-1997) recorreu às imagens das tiras de Histórias em Quadrinhos. Seus quadros passam por uma interpretação, permanecendo fiel ao espírito do original, graças às inúmeras alterações do pormenor escolhido. 3- Warhol O artista Andy WARHOL, Andrej Varhola Jr. (1928-1987) foi o pintor mais representativo da Pop Art dos anos 60, na América. Multiplicou objetos de consumo, onde pretendeu mostrar a essência da cultura popular. Na multiplicação de figuras, procurou provocar diferenças de luz. Entre os artistas do período da Pop Art,encontram-se David HOCKNEY (1937) e Edward HOPPER (1882-1967), o criador da arte do movimento na escultura, Alexander CALDER (1898-1976); e os pintores Foto-realistas ou Hiper-realistas. 1- Hopper O pintor Edward HOPPER (1882-1967) foi influenciado pela Escola do Caixote de Lixo ou Ash Can School[1]. Hopper utilizou a técnica da observação instantânea, concentrando-se no que ficou conhecido como Arquitetura vernácula[2] Própria das cidades americanas – fachadas, restaurantes, lojas e hotéis – que mais ninguém julgava digno de ser pintado. Uma das obras mais conhecidas e admiradas do artista é Notívagos, de 1942. Um óleo sobre tela, de 84.1x152.4. A obra se encontra no Art Institute of Chicago, Chicago, Illinois, EUA. 2- Calder Alexander CALDER (1898-1976) trabalhou com materiais industriais na construção de engenhosos móveis. O artista foi o primeiro a explorar o movimento na escultura e um dos poucos artistas a criar uma nova forma – o Mobile. Calder ocupa lugar especial entre os escultores modernos. Criador dos stabiles, sólidas esculturas fixas, e dos móbiles, placas e discos metálicos unidos entre si por fios que se agitam tocados pelo vento, assumindo as formas mais imprevistas. Outros artistas ligados a Pop Art levaram sua obra a todo o ambiente físico, não se limitando à superfície plana da tela limitada. Para vencerem a distância entre a imagem e a realidade, adicionaram objetos tridimensionais. Nesses ambientes, alguns artistas reuniram pintura, colagem e encenação teatral. Um dos pioneiros foi o artista Robert RAUSCHENBERG (1925-2008). 1- Rauschenberg A obra de Robert RAUSCHENBERG (1925-2008) reuniu a pintura tradicional e o ecletismo dos meios de expressão. O artista especializou-se em História da Arte, música, escultura, anatomia e Moda, e ainda, se dedicou aos mais diversos experimentos, proporcionando estrutura para as concepções artísticas inovadoras. No final de década de 60, principalmente na cidade de Nova York, surge uma nova tendência artística: A retomada da pintura figurativa e Realista. Essa tendência contraria, de certa forma, a arte moderna e contemporânea que caminha ao lado da arte abstrata e do minimalismo. Dentre as técnicas do hiper-realismo, os artistas utilizam a fotografia como suporte, pintando sobre a imagem revelada no papel, por exemplo, Robert COTTINGHAM (1935), Audrey FLACK (1931) e Richard Thorpe MCLEAN (1934). O uso do aerógrafo, que nunca toca a tela e que, portanto, não deixa impressas as marcas do gesto e do pincel, permitindo o controle da quantidade de tinta a ser empregada e sua distribuição regular. E o recurso à superfície espelhada, como as prateleiras transparentes com vidros e pratarias, que duplicam os reflexos, de Don EDDY (1944). Nas décadas de 60 e 70, o movimento da Pop Art reuniu diversas perspectivas nas mãos de artistas como: George SEGAL (1924-2000), Tom WESSELMANN (1931-2004), Eduardo PAOLOZZI (1924-2005), Claes OLDENBURG (1929), Richard HAMILTON (1922-2011), Edward KIENHOLZ (1927-1994) e Judy PFAFF (1946) FILOSOFIA E HISTÓRIA DA ARTE NO SÉCULO XX Muitos dos conceitos sobre a Arte do século XX provêm e são constituídos por três principais teorias: 1- Teoria da Gestalt Os princípios do pensamento psicológico e muitos dos experimentos em Arte do século XX provêm da teoria da Gestalt e foi desenvolvida plenamente por Rudolf Arnheim em Arte e Percepção Visual, publicado em1954. Os autores que marcaram o início dos estudos perceptuais no final do século XIX foram: Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Koffka[3]. O ponto de partida para a psicologia da Gestalt foi a explicação dos acontecimentos aparentemente simples considerando-se o caráter real da experiência de vida. 2- Fenomenologia A obra Fenomenologia da Percepção foi publicada em 1945 em Paris e em 1950 em Nova York, por Maurice Merleau-Ponty[4]. O autor desenvolve o conceito do fenômeno após a percepção do objeto na consciência. 3- Teoria da pura visibilidade Um dos mais influentes filósofos e historiadores da arte do século XX, do Heinrich Wölfflin[5], escreveu o livro consagrado, Conceitos Fundamentais da História da Arte, em 1950 em Nova York. (1] Ash Can School funcionava como celeiro de ideias regionalistas e realistas, principalmente no período dos anos 30 da Depressão americana. Fizeram parte dela George Bellows (1982-1925) e Robert Henri (1865-1929). Na década de 50, a escola é determinante no desenvolvimento da Pop Art. [2] Arquitetura vernácula que tem caráter local ou regional. [3] KOFFKA, Kurt (1886-1941) Foi um dos fundadores do gestalt, com Max WERTHEIMER (1880-1943) e Wolfgang KÖHLER (1887-1967). Publicou Os Princípios da Psicologia da Gestalt, em 1935. [4] MERLEAU-PONTY, Maurice (1908-1961). Filósofo francês. Desenvolveu os conceitos da fenomenologia. [5] WÖLFFLIN, Heinrich (1864-1945). Escritor, filósofo, crítico e historiador da arte do século XX. Lecionou nas Universidades de Basileia, Berlin, Munique e Zurique. Aula 32_Final do século XX. Vimos nas aulas anteriores alguns estilos e movimentos a partir da segunda metade do século XX até os anos da década de 1970, aproximadamente. PÓS-MODERNISMO O Pós-Modernismo é um termo cujo significado, com frequência, leva à confusão e discussões sobre as características deste movimento. Isto aconteceu também com o Modernismo, resultando em inúmeras polêmicas sobre o seu verdadeiro sentido. Nos anos 80, os teóricos da arte e os críticos, conseguindo ver uma linha mestra de estilos definem: O Pós-Modernismo é uma reação ao Modernismo. Os estilos dos últimos 50 anos foram pouco compreendidos e a sua retomada leva a uma melhor compreensão de suas influências na arte contemporânea. Assim, surge a abundância do emprego da palavra novo. Neoexpressionismo, Neo figurativo, Neo geométrico, Neoconceitual, enfim o termo neo ou novo é utilizado banalmente para designar estilos baseados nos velhos movimentos de Arte. O que antes era plágio transforma-se em apropriação. NEO-EXPRESSIONISMO Ocorre no final dos anos 70, a partir de obras de artistas alemães: Georg BASELITZ (1938), Stefan SZCZESNY, Anselm KIEFER (1945), Markus LÜPERTZ (1941), Sigmar POLKE (1941-2010) e Werner BUTTNER (1954). A memória da guerra e as marcas deixadas pelo nazismo no país são referências para os artistas alemães. As manifestações nem sempre se caracterizam pelos mesmos elementos, mas podemos dizer que a linguagem figurativa surge sobreposta ao abstrato, onde os objetos são captados de modo intuitivo, apresentando o fundo com manchas e franjas de cor. 1- Kiefer Anselm KIEFER (1945) aborda questões de ordem moral colocadas pelo Nazismo. Desenvolvendo os grandes temas do Romantismo com uma perspectiva moderna, Kiefer tenta tecer os fios quebrados da história alemã. Na Itália o Neoexpressionismo é chamado de Transvanguarda, e os representantes são: Sandro CHIA (1946) e Francesco CLEMENTE (1952), entre outros. Nos Estados Unidos, o movimento é chamado de Bad Painting, e tem como representantes: Jean-Michel BASQUIAT (1960-1988), Julian SCHNABEL (1951), Robert LONGO (1953) e Eric FISCHL (1948), entre outros. 2- Basquiat Jean-Michel BASQUIAT (1960-1988) acompanhou os artistas considerados Neoexpressionistas, nos anos 80, principalmente Schnabel. Com o tempo os garfites realizados em prédios abandonados em Manhattan, em NY, ganharam fama. 3- Fischl O tema escolhido por Eric FISCHL (1948) é a corrupção e a decadência do modo de vida da classe média alta americana. Levantando a cortina, o artista explora a realidade das ilusões e anseios da juventude americana, entre eles a obsessão sexual. É muito cedo para traçar uma cronologia[1] sobre os artistas e as obras contemporâneas, visto que precisamos, em termos de história, de pelo menos um distanciamento de no mínimo vinte anos, senão mais. Encerro essa última Unidade com as palavras de Argan: Lembremos que a arte, em todo o seu passado, foi um modo de experiência individual, um trabalho manual transposto numa comunicação conceitual. Numa sociedade de cultura de massa, o pensamento e a memóriada arte também poderão ser, se estiver salvaguardada a liberdade dos indivíduos, os impulsos criativos que, provindo das profundezas da história, haverão de gerar uma experiência individual recapituladora, porém não destruidora, da experiência coletiva. (ARGAN, 2001, p. 593) E espero que você tenha apreciado conhecer um pouco da História da Arte. Um grande abraço, Profª Me. Fátima Regina Sans Martini [1] Cronologia - Ciência cuja finalidade é a de determinar as datas e a ordem dos acontecimentos históricos, principalmente descrevendo e agrupando numa sequência lógica. Espécie de classificação, tabela ou lista de acontecimentos na ordem do tempo.