Prévia do material em texto
01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 1 Doenças Benignas da Mama Em humanos, as glândulas mamárias pareadas repousam no músculo peitoral na parede torácica superior. As mamas são compostas de epitélio e estroma especializados, que podem dar origem a lesões benignas e malignas. A mama humana contém de 6-10 sistemas de ductos principais. O epitélio escamoso queratinizado da pele de revestimento mergulha nos orifícios do mamilo e, então, abruptamente modifica-se para uma dupla camada de epitélio cuboidal, revestido os ductos. Uma sucessiva ramificação dos ductos maiores, finalmente, leva à formação da unidade ductal lobular terminal. A mama apresenta três estruturas fundamentais: o Apresenta ductos e lóbulos – se projetam a partir do mamilo e se ramificam, formando ductos segmentares (estruturas menores) e subsegmentares formando um “cacho de uva”, ductos terminais, até formar vários lóbulos constituindo essa parte funcional e secretora da mama. Formação tubular características que chegam até a porção lobular. Em volta dessas estruturas há tecido conjuntivo. Lóbulo é composto por ácinos e entre ele há tecido conjuntivo denso (interlobular) e há tecido adiposo, sendo a maior parte do estroma. Esses ácinos são formados por células epiteliais (cuboides), sendo e a porção mais interna, e em sua porção mais externa teremos células mioepiteliais que apresentam citoplasma vacuolizado, citoplasma mais escasso, são mais esbranquiçadas, apresentam características de contração que vão expulsar o leite da mama. Conjunto de ácidos forma um lóbulo e de cada lóbulo saem ductos terminal até chegar na porção do mamilo para que sai o leite para a criança ser amamentada. o Células epiteliais e mioepiteliais o Estroma de tecido conjuntivo (representa em torno de 10% do estroma mamário) e de tecido adiposo (compõe a maior parte do estroma mamário entre 80-90%) – 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 2 intralobular (se localiza dentro do lóbulo) e interlobular A composição dos ductos são as mesmas que a dos ácinos, sendo a porção mais interna por células epiteliais e externamente por células mioepiteliais. Observa-se o lúmen de células de epiteliais. Os ductos tem formas variadas conforme passam pelo trajeto para levar o leite para fora da mama. Qual a importância de estudar as alterações benignas das mamas? - Relacionada com uma importância clinica do que com um processo patológico em si. Tem um impacto muito grande na clinica, sendo necessário ser identificado. Quando a paciente apresenta um nódulo, independente da sua consistência, que os exames de imagem trazem uma suspeita de malignidade, automaticamente faz-se a biopsia, dependendo do diagnostico do patologista, terá um impacto imenso na vida da paciente, podendo ser submetida a cirurgia ou tratamentos mais radicais. Mastite Processo inflamatório nas mamas. Sendo suas principais causas processos inflamatórios, infecciosos ou de etiologia desconhecida. A mastite básica teremos um infiltrado inflamatório tendo as principais características clinicas como dor (variável), eritema (variável), edema, febre e outros. A mastite pode ser determinada de duas maneiras, crônicas ou agudas. Mastite Aguda de Lactação Maior incidência é a mastite aguda com infiltrado e/ou exsudato neutrófilo gerado através de fissuras que surgiu no mamilo através da sucção da criança, podendo surgir Ductos 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 3 infecção através da penetração de bactérias pela papila mamária através das fissuras e rachaduras, necessitando de um cuidado maior de desinfecção. O principal agente será o staphylococcus aureus e em menor incidência os estreptococos. Pode gerar dor, hiperemia, edema, calor e febre. O tratamento será através de antibiótico. Mulheres que estão amamentando e desenvolve uma mastite aguda de lactação, deve tratar para continuar a amamentar a criança. Não se deve para de amamentar a criança. Mastite Crônica Sendo a forma mais rara de mastite, seu aspecto crônica forma-se a partir da mastite aguda. Terá características de uma inflamação crônica, encontrando fibrose, infiltrado inflamatório linfomonuclear com histiócitos e plasmócitos. Mastite crônica granulomatosa Têm uma etiologia idiopática, acredita-se que seja autoimune, sem agente identificável. Acomete mais mulheres pardas. Pode ser associada a alguns agentes como alguns fungos (paracoccidioidomicose, histoplamose, actinomicose) ou micobactérias, sendo situações bem raras. São encontrados em pacientes imunossuprimidos (+ raro). Histologia: granuloma, necrose, destruição do parênquima. Abscesso subareolar residente Acomete principalmente mulheres adultas e está associados em 90% dos casos devido aos componentes lesivos da fumaça do cigarro e pode se apresentar com complicações do piercing. Ducto normal com suas células epiteliais, mas ao longo de uma determinada região do ducto transforma-se em um epitélio mais resistente, o epitélio escamoso, acontecendo nos grandes ductos, ductos lactíferos. Consegue-se observar essa transformação de tecido, sendo de um epitélio colunar simples para um epitélio escamoso capaz de produzir queratina podendo obstruir o ducto e gerando um processo inflamatório, concomitante a isso gera as fissuras → Metaplasia escamosa dos ductos lactíferos. Acredita-se que deficiência de vitamina A com a exposição de substâncias da fumaça do cigarro contribuem para essa Metaplasia. Ectasia Ductal Ocorre durante a 5-6ª década de vida (idade fértil). Não está associada ao fumo. As pacientes apresentam-se com uma massa periareolar mal definida à palpação que está frequentemente associada a secreção papilar espessa, branca, e, algumas vezes, à retração da pele. Dor e eritema são incomuns. Há dilatação do ducto subareolares, muitas vezes encontra-se material proteináceo dentro do ducto (+ claro), infiltrado inflamatório periductal bem característico e numerosos macrófagos xantomatosos que englobam/fagocitaram lipídeos. Descarga papila espessa e esbranquiçada. Estroma periductal: infiltrado infocitários circundando os ductos dilatados. 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 4 Necrose Gordurosa Morte de tecido adiposo, essa necrose, no caso da mama, ocorre devido ao caso de traumas, pós-cirúrgica, espontânea ou irradiação (radioterapia). O impacto será a causa da lesão. Apresenta infiltrado inflamatório, macrófagos xantomatosos e calcifica distróficas. Apresenta como uma massa indolor à palpação, espessamento ou retração da pele, firme ou endurecida, cotorno irregular, uma densidade mamográfica ou calcificações mamograficas. Áreas de adipócitos que perderam suas características e encontra-se infiltrado inflamatório e gerar calcificação o que causa essa apalpação mais rígida. Lesões agudas podem ser hemorrágicas e conter áreas centrais de necrose gordurosa liquefeitas. A região central das células gordurosas necróticas está inicialmente associada a um intenso infiltrado de neutrófilos misturado com macrófagos. Lobulite Linfocítica Esclerosante Também conhecida como mastopatia diabética. Associada à DM1 e doenças autoimunes, sugerindo etiologia autoimune subjacente. Massa palpável, bem definida, incolor, achado incidental nos exames de rastreamento do câncer de mama. Regressão espontânea ou após controle dos níveis glicêmicos. Processo inflamatório ao redor do ducto, tecido conjuntivo denso ao redor do processo inflamatório, sendo o estroma, sendo mais espesso devido o deposito de colágeno. Reações de Próteses Mamárias Podendo gerar inflamação aguda, podendo ocorrer após a inserção. Pode ter um deposito de tecido conjuntivo gerando fibrose e rejeição (com expulsão da prótese). Podetambém gerar rupturas formando uma reação inflamatória granulomatosa. Alterações Fibrocisticas Sendo as mais comuns das doenças benignas de mama. Ocorre em mais de 50% das mulheres em idade reprodutiva. Massa palpável, nódulos, descarga papilar, dor eventual, caráter cíclico com piora na “TPM”. Patogênese: desequilíbrio na resposta à estimulação hormonal cíclica e involução senil – excesso de estrógeno ou maior resposta do tecido mamária ao estrógeno circulante. 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 5 MACROSCOPICAMENTE: Encontra-se vários cistos de tamanhos diferentes com região de fibrose branco e denso. Alguns cistos são levemente azulados (cúpula azul) e encontra-se porção esbranquiçadas, sendo a parte de fibrose. MICROSCOPICAMETE: apresenta proliferação aumentada/ hiperplasia de todos os constituintes da mama (glândulas e ductos) e a formação de cistos devido a ação estrogênica. No cisto maior, identifica-se a metaplasia apócrina, células dos cistos são células que lembram estruturas glandulares das axilas. Encontra-se áreas de fibrose entre esses cistos, tecidos conjuntivo denso. Adenose Hiperplasia dos ácinos, sendo uma proliferação aumentada dessas células e seu volume. Vários ácinos formam os lóbulos, com a hipercelularidade, terá consequentemente um aumento do tamanho e volume do lóbulo. Hipercelularidade de todos os constituintes. Fibrose que ocorre entre os ácinos, no estroma intralobular que ganha mais colágeno se transformando em tecido conjuntivo denso, era tecido conjuntivo frouxo. Hiperplasia das células mioepiteliais (seta branca), continuam com suas características, mas há hiperplasia celular. Só deveria encontrar essa hiperplasia durante a amamentação. Acredita-se que esse aumento será por conta da interferência de estrógeno. Adenose Esclerosante Forma mais comum de adenose e surge nas UDLTs. Mamografia ou achado incidental na 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 6 biópsia. Chama atenção como uma massa palpável, uma densidade radiológica ou calcificação. Proliferação de ácinos, hiperplasia de todas as células, mas há preservação da camada luminal e mioepitelial - se limita na unidade funcional. Estroma mais dentro e está mais localizado. Limitada na unidade ducto terminal funcional. Adenoma Esclerosante Complexa Projeta-se seu estroma formando uma estrutura radial em formato de estrela, denominada cicatriz central pode ser confundida com câncer de mama, devido sua característica macroscópica semelhante. Para diferencia-las deve-se fazer a biopsia. É a única lesão benigna de ocorrência comum que forma massas irregulares e pode intimamente mimetizar carcinoma invasivo e pode intimamente, macroscopicamente e Histologicamente. Pequenos túbulos com hiperplasia epitelial e arranjo arquitetônico a partir de uma cicatriz central envolto por tecido conjuntivo fibroso. Hiperplasia Epitelial sem Atipia Hiperplasia de células da porção epitelial/ luminais e mioepiteliais preenche e distente ductos e lóculos (não há alterações genéticas especificas). 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 7 Relacionando à estados de hiperestrogenismo. Não se encontra nenhuma alteração genética especifica. Normal = células dispostas em uma bicamada bem determinada com lúmen. Na hiperplasia da bicamada, elas invadem o lúmen, tendo uma proliferação das células. A luz é preenchida por uma mistura de populações celulares, luminais e mioepiteliais. Hiperplasia Epitelial Atípica Proliferação ductal (HDA) e lobular (HLA) com atipias celulares. Se há hiperplasia epitelial atipia, significa que pode haver uma hiperplasia epitelial com atipia e nesse caso haverá alterações genéticas bem estabelecidas dando características bem determinadas, como perda de e-caderina, perda de cromossomo 16, ganho de cromossomo 17. Apresenta características histopatológicas que lembram carcinoma in sito, o que diferenciará será a porcentagem de alterações, pleomorfismo celular e numero de mitoses atípica, hipercelularidade – menos de 50% será hiperplasia epitelial atípica; com mais de 50% já se identifica como carcinoma in sito Carcinoma In sito – não ultrapassa a lâmina basal. Papilomas Intraductais Crescimento papilar neoplasia benigno que pode ocorrer em qualquer parte do sistema ductal (desde o mamilo até o UDLT). Formam as projeções papilas. Podendo ocorrer em qualquer ducto. Aumento do volume subareolar. Proliferação intraductal com presença de papilas. Mais frequente em mulheres na pré- menopausa e manifesta-se com secreção sanguinolenta e aumento do volume subareolar. 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 8 Fibroadenoma de mama Tumor fibroepitelial benigno mais comum, que surge do estroma mamário intralobular. Mais frequente em mulheres jovens entre 20- 30 anos. Em geral são únicos, podendo ser múltiplos em algumas pacientes. Apresenta característica clara na macroscópica. Epitélio hormonalmente responsivo, aumento do tamanho durante a gestão. Crescimento circunscrito, indolor e pode apresentar certa mobilidade. Podendo surgir do estroma mamário. Tumor bifásico – alteração na porção estromal tanto na porção epitélio – proliferação mesenquimal (de estroma), gerando alteração dos ductos, formando ductos em fenda. Nódulo indolor, firmes, crescimento lento, circunscritos e móveis. Tumor Phyllodes Tumor fibroepitelial benigno. Extremamente raro. Surge no estroma mamário. Faixa etária superior àquela do fribroedema - 50-60 anos. Normalmente são benignos, propensão a recorrência local quando não totalmente retirados. Pode se apresentar em três tipos, benignos, bordeline e malignos (maior taxa mitótica, pleomorfismo celular, celularidade estromal e bordas infiltrativas). Se diferencia nas características histopatológicas - numero de mitose, pleomorfismo celular, se existem bordar infiltradas ou não, quantidade de estroma. IMAGEM: achados estromais com numero de células aumentado. Bem heterogêneo, sem grande alterações nas celularidades. Caso Clínico 1 Mulher, 32 anos, 4D4P, refere o aparecimento de um nódulo na mama esquerda. Sua história médica pregressa é negativa para história familiar de câncer de mama. O exame físico revelou uma massa de 3 cm, firme e pouco definida, sensível à palpação. O exame de US mostrou uma massa de 4cm, com aspecto sólido e bordas mal definidas, que foi classificada como suspeita e a obtenção de biopsia foi recomendada. Os achados da biópsia são mostrados na imagem. 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 9 IMAGEM: estroma mamário envolvido por infiltrado inflamatório, com muitos linfócitos e plasmocitos estamos diante de uma inflamação crônica. Parte rosa será o estroma mamário que está sendo infiltrado pelo processo inflamatório. Caso Clínico 2 Mulher, 48 anos, apresenta um nódulo mal delimitado na mama, medindo 1 cm, localizado na região subareolar da mama esquerda. A paciente também relata história de secreções mamilares proteináceas espessas, sem sangue, na mesma mama. Sua história médica anterior é insignificante. A avaliação por US revela ducto dilatado, com paredes espessas, favorecendo um processo benigno. Uma biópsia excisional foi realizada e forneceu a histologia abaixo. IMAGEM: ducto central está dilatado com secreção proteica em seu interior, há inflamação crônica no estroma periductal. Estroma denso ao redor, sendo um estroma mamário intralobular – tecido conjuntivo denso. Caso Clínico 3 Mulher, 64 anos, queixa-se do aparecimento de uma massa firme de 5 cm na mama. A história médica anterior da paciente é normal, exceto pela hipertensão, sem antecedentes familiares de câncer de mama. O exame físico revelou uma massa ampla e firme,medindo 5 cm. As imagens da mamografia e da US classificam a lesão como suspeita de malignidade. Uma biópsia foi realizada e forneceu a histologia abaixo. Após obter o diagnostico a paciente foi questionada sobre os acontecimentos mais relevantes dos últimos meses e relatou que sofreu um acidente de carro há 3 meses, que resultou em traumatismo na região torácica. IMAGEM: vários vacúolos com um citoplasma esbranquiçado, não se identifica as limitações da célula. Identifica-se necrose de tecido adiposo e infiltrado inflamatório (necrose gordurosa), com i infiltração de longa data pode encontrar uma calcificação fazendo com que o nódulo fique mais firme na apalpação. Caso Clínico 4 Mulher, 45 anos, queixa-se de um nódulo firme na mama que surgiu há 4 meses. Sua história médica anterior é significativa para DM1 e tireoidite de Hashimoto. O exame físico revela uma massa firme e relativamente delimitada na mama direita. A massa é indolor à palpação. A mamografia e o exame de US revelaram uma massa sólida com bordas focalmente mal definidas. A lesão é classificada como suspeita e a realização de biópsia é recomendada. O resultado da biópsia revela a história abaixo. IMAGEM: estroma mamário envolvido por região de fibrose e infiltrado inflamatório periductal. lúmen bem definido vê-se um ducto. Tecido conjuntivo denso e fibroso. Caso Clínico 5 01.10.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 22 – Profa. Renata Nunes 10 Mulher, 28 anos, queixa-se do aparecimento de um nódulo na mama esquerda há vários meses. A paciente ficou preocupada quando desenvolveu dor associada à massa. A história médica anterior da paciente é irrelevante e não há antecedentes família com câncer de mama. O exame físico revelou massas firmes e densas com vaga modularidade e um nódulo de 1 cm, sensível e circunscrito. A US revelou uma lesão cística na área palpável. O cisto foi aspirado com agulha e foi obtido um líquido claro. A biópsia excisional das lesões foi realizada e forneceu achados abaixo. IMAGEM: hipercelularidade, ou seja, a hiperplasia dos constituintes mamários (ductos e glândulas). A porção central pode-se ver um cisto com secreção mamaria. Encontra-se outros cistos ao redor da mama, sem contar com as porções primarias e ductos. Referencia Robbins & Cotran Patologia — Bases Patológicas das Doenças, Capítulo 23: A Mama