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Artigo - PCP Utilização do Ms Project no Auxílio à Programação da Produção

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PCP: UTILIZAÇÃO DO MS PROJECT NO 
AUXÍLIO À PROGRAMAÇÃO DA 
PRODUÇÃO EM UMA INDÚSTRIA DE 
CALDEIRARIA. 
 
Everton Carlos Prado (UNIFEG) 
evertoncarlosprado@hotmail.com 
Edivaldo jose Moreira (UNIFEG) 
ediymoreira@hotmail.com 
Washington Luis Moreira Braga (UNIFEG) 
washington@unifeg.edu.br 
Gysele Lima Ricci (UNIFEG) 
gyricci@yahoo.com.br 
 
 
 
Resumo: Este estudo se baseia em um estudo de caso, que teve como 
objetivo propor a implantação de um sistema de PCP em Excel 
integrado com o MS Project em uma empresa de pequeno porte a fim 
de realizar uma gestão da produção eficiente sem grandes 
investimentos. Essa pesquisa foi realizada na região sul de Minas 
Gerais em uma pequena empresa do ramo de caldeiraria, 
desenvolvendo e implantando um sistema de PCP em Excel integrado 
com o MS Project, softwares de baixo custo de aquisição e 
manutenção. O trabalho de campo foi realizado em três fases: na 
primeira fase foi realizado o levantamento da situação atual PCP e as 
particularidades do ramo de caldeiraria. Na segunda fase foi 
desenvolvimento do sistema Excel com MS Project e na terceira fase 
foi realizada a implantação do sistema PCP em Excel integrado com o 
MS Project. Como principais resultados, observou-se que é possível 
realizar a gestão da produção de forma eficiente com a fusão entre 
dois softwares (Excel e MS Project), com baixa relação custo x 
benefício para a empresa e com resultado satisfatório no desempenho 
das atividades do PCP. Com o sistema é possivel atender as 
expectativas dos clientes, com confiabilidade e qualidade, controlar os 
estoque disponibilizando materiais nas quantidades certa e no 
momento exato da necessidade, organização da produção e 
disponibilizar informações necessárias para gerenciamento do sistema 
produtivo. 
 
Palavras-chaves: PCP; Programação da produção; MS Project. 
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO 
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção 
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012. 
 
 
 
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO 
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção 
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
1. Introdução 
O mercado cada vez mais competitivo está impactando na redução da margem de lucro das 
empresas. Esta redução ocorre para atender às exigências do cliente, gerando assim, a 
necessidade de altos investimentos no nível de serviço oferecido. Estes investimentos, 
normalmente não são revertidos em receita, portanto acarretam aumento de despesas. Outro 
fator que causa esta redução do lucro é que para a empresa continuar competitiva deve reduzir 
seu preço para igualar-se aos que são praticados no mercado. 
Esta redução da margem de lucro faz com que pequenos detalhes como otimização dos 
recursos disponíveis, gestão de materiais, diminuição do tempo de ciclo, redução de 
movimentações e eficiência produtiva, se tornem fatores importantes para o sucesso da 
empresa, por isto estes detalhes passaram a ter atenção especial por parte da gestão da 
produção e processo. 
A gestão da produção e processo, portanto, ganharam importância não só nas empresas de 
grande porte, mas também de médio e pequeno. Os empresários passaram a enxergá-las como 
investimentos em informações para tomada de decisão e não mais como despesas 
desnecessárias, Vollmann (2006) menciona que a preocupação com o Planejamento e 
Controle da Produção (PCP) tem uma presença maior nas grandes empresas. 
Neste trabalho observou-se a necessidade de uma pequena empresa em realizar uma boa 
gestão da produção sem realizar grandes investimentos. O artigo comprova que é possível 
realizá-la com a fusão entre dois softwares (Excel e MS Project), com baixa relação custo x 
benefício para a empresa, porque são softwares de fácil aquisição, baixo custo de manutenção 
e com resultado satisfatório no desempenho das atividades do PCP. 
Desse modo, este artigo teve como objetivo propor a implantação de um sistema de PCP em 
Excel integrado com o MS Project a fim de realizar uma gestão da produção eficiente sem 
grandes investimentos. 
 
1. Revisão teórica 
1.1. Planejamento e controle da produção (PCP) 
O PCP tornou-se um dos setores importantes dentro de uma organização. Segundo Vollmann 
et al. (2006), muitas empresas perderam grandes oportunidades por não ter um PCP bem 
estruturado capaz de responder rapidamente as mudanças de cenários. 
O sistema de PCP tem como objetivo principal gerenciar todos os fluxos de materiais e a 
utilização de recursos (equipamentos e pessoas), respondendo as necessidades do cliente com 
base na capacidade produtiva da empresa, dos fornecedores e até mesmo dos clientes 
(VOLLMANN et al., 2006). 
O PCP exerce suas atividades em todos os níveis hierárquicos: curto, médio e longo prazo. O 
período de longo prazo está mais voltado para a estratégia da empresa através do 
planejamento estratégico da produção, baseado na estimativa de vendas e nas disponibilidades 
de recursos financeiros e produtivos, neste ponto o planejamento é realizado nas famílias de 
 
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO 
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção 
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
3 
produtos. No âmbito de médio prazo o PCP atua através do Plano Mestre de Produção (PMP), 
neste ponto, o planejamento já é bem mais detalhado com base nas previsões de vendas e nos 
pedidos já confirmados e considerando os produtos finais. No curto prazo é realizada a 
programação da produção, administração dos estoques, sequenciamento, emitindo e liberando 
as ordens de compras, fabricação e montagem, assim como o acompanhamento e controle da 
produção e gerando o relatório de avaliação e desempenho. (TUBINO, 2007) 
O PCP trabalha em todos os níveis recebendo informações de diversas áreas da empresa e 
transformando-as em relatórios, planejamento ou ordens. Conforme demonstra a Figura 1, o 
marketing informa a previsão das vendas e os pedidos em carteira, sendo utilizados no 
planejamento como a previsão de demanda. 
A previsão de demanda é definida por Tubino (2007) como a principal informação empregada 
na elaboração das atividades de planejamento e controle. A Engenharia de produtos fornece a 
estrutura do produto (lista de materiais, desenhos, modificações) utilizada para a “explosão” 
do produto no planejamento das necessidades de materiais. A Engenharia de processos 
informa os roteiros de produção e seus lead times para realizar a alocação de cada tarefa em 
seu recurso necessário considerando a sua capacidade. O setor de qualidade transmite o índice 
de refugo, para que o PCP no planejamento considere a quantidade de perda durante o 
processo. A manutenção informa os planos de manutenção, a disponibilidade e confiabilidade 
dos equipamentos para programar as possíveis paradas previstas na produção e também a 
devida atenção em relação à parada para quebra de equipamentos e, por fim, os suprimentos 
definem os lead times dos fornecedores para que o PCP possa realizar as ordens de compra 
garantindo que o material requerido esteja no momento necessário de sua utilização. 
 
 
Figura 1 - Fluxo de informações PCP. Fonte: Integração, flexibilidade e qualidade: os caminhos para um novo 
paradigma. Fonte: Martins e Sacomano (1994) 
 
1.2. Planejamento 
 
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO 
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção 
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
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Todo sistema de produção é responsável por responder as seguintes perguntas: “O que 
produzir e comprar?”, “Quanto produzir e comprar?”, “Quando produzir e comprar?”,“Com 
que recursos produzir?”(CORRÊA et al., 2007). 
Planejamento é definido como a formalização do que se pretende que aconteça em um 
determinado momento. Um plano não garante que um evento realmente aconteça, mas sim 
uma declaração de intenção de que aconteça. Embora os planos sejam baseados em 
expectativas, durante sua implementação algo pode não acontecer como esperado (SLACK, 
2009). 
Existem diversos acontecimentos que interferem no plano de produção os quais muitas vezes 
não foram levados em consideração durante a sua elaboração. Estes acontecimentos são 
apresentados por Slack (2009), tais como: 
 Alteração da demanda, ou seja, o consumidor pode mudar o que quer e quando quer; 
 Parada de máquina não programada – quebra e falta de energia; 
 Falta de colaboradores para operação e 
 Atraso na entrega dos fornecedores. 
No planejamento, é possível identificar os primeiros problemas em relação à capacidade 
produtiva da empresa, assim como antecipar soluções para diminuir o impacto durante a 
execução do plano, Corrêa et al. (2007) define a necessidade de se ter um planejamento 
devido as tomadas de decisões realizadas hoje terem seu efeito posterior e não instantâneo. 
Essa inércia exige das empresas uma boa visão do futuro, ou seja, um bom planejamento. 
O período do plano de produção varia muito da cultura e ramo de atuação da empresa, que 
pode ser de semanas, meses, trimestre ou até mesmo anos. Tubino (2007) afirma que este 
intervalo é definido através da velocidade de fabricação dos produtos incluídos no plano. Um 
bom exemplo é uma empresa de navios, pois como seu lead time de fabricação é muito alto, o 
seu planejamento deve ser em trimestres ou anos, enquanto uma algodoeira que tem sua 
produção limitada pela safra do algodão, seu planejamento deve ser em meses. 
 
1.3. Programação da Produção 
A programação é a primeira etapa das tarefas do PCP em curto prazo. Nela, são realizadas as 
ordens de produção e seu sequenciamento, assim como a administração dos estoques. Esta 
etapa acontece após o planejamento. 
Stevenson (2001) afirma que é através da programação que se obtém um equilíbrio entre 
custos e benefícios, buscando utilizar de modo eficiente todos os recursos disponíveis (mão de 
obra, equipamentos e instalações), além de diminuir o tempo de espera do cliente e estoque, 
assim como o tempo de processamento. 
A programação da produção determina a melhor configuração para utilizar a capacidade de 
recursos instalados na empresa. Uma programação bem realizada evita gargalos, que poderão 
surgir, filas de espera entre os processos, porém não é uma tarefa fácil porque em uma estação 
de trabalho deve processar diversos tipos de produtos e estes produtos devem ser processados 
em diversas outras estações de trabalho. (RITZMAN; KRAJEWSKI, 2005) 
 
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Esta é uma das etapas do PCP mais complicadas porque exige alinhar diversas informações de 
recursos variados, com capacidades produtivas diferentes e o pessoal com habilidades 
distintas. Neste ponto de alinhar estas informações, que Excel fica limitado e o MS Project 
consegue suprir estas limitações com competência (SLACK et al., 2009) 
Essa complexidade da programação da produção é citada por Slack et al. (2009) sendo que o 
número de possíveis configurações da produção aumenta rapidamente à medida que o número 
de atividades e processos aumentam, explicando de forma genérica para n trabalhos há n!(n 
fatorial) maneiras diferentes de configuração da produção. 
Conforme Fuchigami (2005), a natureza combinatória da programação é a primeira 
característica que a torna uma das atividades mais difíceis do PCP, porque o número de 
soluções possíveis cresce quando aumenta a variedade de tarefas, operações ou máquina. 
A melhor utilização dos recursos é determinada durante a programação, portanto ela é um dos 
principais fatores responsáveis pelo desempenho da empresa, uma boa programação significa 
que todos os recursos disponíveis na empresa estão sendo utilizado de forma eficiente, 
conforme afirma Stevenson (2001) uma programação bem elaborada gera uma vantagem 
competitiva, enquanto uma programação malfeita gera uma desvantagem competitiva. 
Um dos principais pontos da programação é a administração do estoque e é definido por 
Tubino (2007) como o planejamento e controle de todos os itens de produtos da empresa, 
matéria-prima, insumos, produtos em elaboração e produtos acabados, assim como definir o 
tamanho do lote e a forma de reposição do estoque. A administração do estoque é importante 
para programação a fim de garantir que não ocorra nenhuma parada do recurso por falta de 
material a ser processado. 
 No sequenciamento da programação é determinada qual tarefa deve iniciar primeiro na 
máquina ou no centro trabalho. Os critérios deste sequenciamento variam conforme a política 
da empresa e seu segmento. Existem diversos critérios, citados por Chase et al. (2006) como: 
 FCFS (first come, first served): Primeira tarefa que entra, primeiro a ser 
atendida/executada; 
 SOT (shortest operating time): Executar primeiro a tarefa com o menor tempo de 
operação; 
 DDATE (due date – earlist due date first): Executar primeiro a tarefa com data de 
entrega mais próxima; 
 STR (slack time remaining): Executar primeiro a tarefa com folga mais curta; 
 STR/OP (slack time remaining per operation): São executados primeiro a tarefa com o 
tempo de folga mais curto por números de operações; 
 CR (critical ration): A tarefa com a menor razão crítica é executada primeira; 
 LCFS (last come, first served): Última tarefa que entra, primeira a ser 
atendido/executada e 
 Ordem Aleatória: O supervisor e/ou operador escolhe qual tarefa executar primeiro. 
 
1.4. Controle da produção 
 
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO 
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção 
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O controle da produção é responsável por assegurar que a programação seja cumprida e 
identificar os possíveis problemas para que o PCP realize as decisões para corrigi-los em 
tempo hábil para não interferir na programação das ordens de produções. 
De acordo com Tubino (2007, p. 163)o objetivo do acompanhamento e controle da produção 
é realizar uma ligação entre o planejamento e a execução das atividades operacionais, 
identificando os desvios do programado para fornecer ao responsável informações para 
realizar a correção. 
No controle da produção a coleta e a análise de dados são fundamentais para a produção de 
produtos conforme os padrões de mercados, a rapidez com que estas falhas são detectadas 
determina a eficácia da sua correção. O acompanhamento da produção é utilizado no plano de 
produção. (RODRIGUES; INÁCIO, 2009). 
O PCP deve basear o acompanhamento e o controle da produção nos indicadores de 
desempenho que retratam a situação real do processo produtivo e seu desempenho, a fim de 
identificar os desvios na programação. A quantidade de indicadores varia conforme a cultura 
da empresa. 
Wanderley et al.(2003) afirma que o sistema de avaliação de desempenho na função produção 
é uma forma de verificar se o sistema produtivo está de acordo com a estratégia da empresa. 
Este sistema de desempenho é um conjunto de indicadores e relatórios que avaliam se a 
produção está cumprindo com as metas estabelecidas na estratégia da empresa. 
Várias decisões são tomadas com base nestes indicadores, como por exemplo, investir em 
compra de máquinas e equipamentos, reduzir ou aumentar mão de obra em um determinado 
setor e até mesmo em deixar de produzir uma linha de produtos. Os indicadores dãosuporte 
ao gerenciamento da empresa como um todo, porque o que não se pode medir não pode ser 
gerenciado (FALCONI, 1992). 
 
2. Métodos e análise dos dados 
O método de pesquisa utilizado neste trabalho foi o estudo de caso, que segundo Lakatos 
(2010) é um levantamento de determinado caso sob todos os seus pontos de vista. 
A pesquisa caracteriza-se como quantitativa na qual o pesquisador expressa relações entre as 
variáveis e identifica o fato estudado, visando à precisão e controle (LAKATOS, 2010). 
O trabalho foi desenvolvido em uma empresa de Fabricação de Serviços Especiais (FASE), 
indústria de pequeno porte do ramo de caldeiraria, situada na cidade de Guaxupé - MG, sendo 
que 90% de sua fabricação são apenas para um cliente (empresa multinacional) e os outros 
10% para clientes bem diversificados. 
O trabalho de campo foi realizado em oito meses e dividido em três fases: 1- Levantamento 
da situação atual PCP e as particularidades do ramo de caldeiraria, 2 - Desenvolvimento do 
sistema Excel com MS Project e 3 – Implantação e análise dos resultados. 
Na primeira fase o levantamento da situação atual do PCP foi realizado através de uma 
pesquisa de campo informal, dados estatísticos com fontes em documentos históricos e 
acompanhamento do processo produtivo. Na segunda fase, foi desenvolvido o sistema 
baseado na literatura buscando adequar as particularidades da empresa. Na terceira fase, fez-
 
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se implantação do sistema e coleta das informações através dos formulários e relatórios e a 
analise destas informações de forma estatística. 
1ª Fase: 
Na primeira fase foi realizado o levantamento da situação atual PCP e as particularidades do 
ramo de caldeiraria. O levantamento da situação atual do PCP foi realizado através de uma 
pesquisa de campo informal, dados estatísticos com fontes em documentos históricos e 
acompanhamento do processo produtivo. 
No processo produtivo da empresa existem duas formas de vendas: produtos ou serviços. Na 
venda de serviços, o cliente envia o material para realizar um ou mais processos com suas 
especificações através do desenho. Esta modalidade de serviços atinge apenas 20% do setor 
produtivo, enquanto na venda de produtos o cliente especifica-a através de desenhos ou relato 
verbal da peça. O programador por sua vez, desenha esta peça no Auto Cad e realiza a 
programação da máquina de corte sempre buscando otimizar a chapa de aço a ser cortada (são 
programadas várias peças em uma mesma chapa e lote de corte). A Fase realiza os processos 
de corte, furação, dobra, estampa e solda. Uma peça pode passar por todos ou apenas em 
alguns destes processos. Não existe um fluxo padrão de produção, ou seja, uma peça pode ser 
cortada, furada e dobrada, enquanto outra peça pode ser cortada, dobrada e furada. 
A programação é realizada através dos pedidos em carteira, tendo em vista que o sistema de 
produção é sob encomenda que segundo Tubino (2007) neste sistema os produtos estão 
muitos ligados aos clientes, assim como seu projeto e especificações, de modo que a produção 
não pode ser preparada com antecedência, especialmente com geração de estoques 
intermediários para reduzir o lead time do produto. 
A Fase está com um ótimo crescimento de vendas e de tecnologia desde 2008 e as boas 
perspectivas de mercado indicam um crescimento maior para os próximos três anos. Com isto, 
o diretor percebeu a necessidade de obter um sistema para auxiliar na gestão da produção, e 
após analisar as alternativas de mercado, decidiu desenvolver o sistema em Excel, pois era a 
que mais otimizava a relação custo x benefício. 
Ter uma gestão da produção e processos através de softwares para pequenas e até mesmo para 
médias empresas não é uma tarefa fácil. Tendo em vista que softwares consolidados no 
mercado têm custos de aquisição e manutenção altos e softwares de menores expressões não 
são garantia de sucesso. Por causa destes motivos, o Excel do pacote Microsoft vem sendo 
utilizado em grande proporção nas empresas para gestão da produção, com algumas 
limitações, porém de forma eficaz e com baixos custos de aquisição e manutenção. 
Na empresa, antes da implantação do sistema, era realizada apenas uma gestão dos pedidos 
em carteira através do Excel e ocorriam diversos problemas como estoques de produtos que 
não tinham pedidos em carteira, foram produzidos em excesso. Como o produto é sob 
encomenda, tinha sempre o risco de não ser repetido o pedido deste produto e, portanto ficar 
obsoleto. 
Outros problemas identificados eram na compra de matéria-prima tanto em excesso como em 
escassez, porque o controle era realizado de forma visual e não sistemática. Acontecia perda 
de produção por parte do operador, que sempre após finalizar uma tarefa ficava indeciso sobre 
qual seria a próxima a ser realizada, pois não existia informação do sequenciamento da 
produção, havia falta de dimensionamento da capacidade produtiva que acarretava diversos 
atrasos nos pedidos e falta de informação da eficiência produtiva da indústria. A tomada de 
 
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decisões em relação ao processo fabril era baseada na experiência do diretor e não nas 
informações da real situação da indústria. 
2ª Fase: 
Na segunda fase foi realizado o desenvolvimento do sistema Excel com MS Project. Foi 
desenvolvido o sistema baseado na literatura buscando adequar as particularidades da empresa 
Durante o desenvolvimento deste sistema em Excel, pode-se notar algumas limitações nas 
suas funções, principalmente na complexidade de realizar a programação, no momento de 
organizar as tarefas levando em consideração diversas informações tais como a capacidade 
produtiva, predecessores, disponibilidade do recurso, tempo de entrega, entre outros. O MS 
Project, além de suprir estas limitações, oferece também diversos outros recursos como 
gráficos e relatórios que permitem ao programador verificar a situação atual da programação, 
identificar possíveis problemas futuros e tomar decisões de ajustes na configuração da 
produção. 
3ª Fase: 
Na terceira fase foi proposta a implantação do sistema de PCP em Excel integrado com o MS 
Project. Fez-se a implantação do sistema e posteriormente foram coletadas as informações 
através dos formulários e relatórios e a análise destas informações de forma estatística. 
A programação é iniciada no Excel que realiza a explosão dos processos produtivos, gerando 
tarefas a serem realizadas em cada recurso e com padronização para exportar para o MS 
Project. O Excel tem bastante facilidade para gerar estas tarefas na primeira etapa da 
programação, tendo em vista que é um software desenvolvido pela Microsoft para o sistema 
operacional Windows e é uma ferramenta de planilha eletrônica com diversas funções para 
cálculo. Porém, na segunda etapa da programação, que consiste nas organizações das tarefas 
determinando o momento inicial e final de cada uma, ele tem muitas limitações quando se 
trata de alinhar as várias tarefas em conjuntos e alocadas em diversos recursos e suas 
restrições. 
A complexidade de informações a serem consideradas e os cálculos que devem ser 
executados, tornam a utilização do Excel muito difícil e o resultado não muito satisfatório. 
Neste ponto, a integração com o MS Project é necessária, importando as tarefas a programar 
que foram geradas pelo Excel. 
O MS Project é um software também desenvolvido pela Microsoft com o objetivo de 
gerenciar um projeto, realizar um planejamento, controlar o progresso e custosdo projeto. 
Existem diversos recursos, tais como os relatórios e gráficos que permitem realizar este 
gerenciamento. 
No MS Project, o programador tem condições de redistribuir os recursos através de uma 
função do programa de forma automática, que leva em consideração a disponibilidade de hora 
de cada recurso, assim como a predecessora de cada tarefa e suas prioridades. O programa 
fornece também diversas funções como relatório da utilização dos recursos que permite 
visualizar os gargalos, caminhos críticos e recursos ociosos, inclusive simular de forma fácil 
qual o impacto na programação, caso os recursos gargalos façam horas extras ou acréscimo de 
um turno. 
 
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Figura 2 – Informação das OP´s no MS Project. Fonte: Sistema Excel com MS Project 
O gráfico de Gantt permite uma visão de toda a programação com resumo das informações de 
cada tarefa e pode-se observar quando um recurso fica ocioso aguardando material para 
processar ou qual é o recurso que está atrasando toda a programação. No relatório “Uso da 
Tarefa”, é possível analisar em cada recurso qual o tempo de cada tarefa e seu custo. 
 
 
Figura 3 – Gráfico de Gantt no MS Project. Fonte: Sistema Excel com MS Project 
 
Nesta etapa da programação, o MS Project realiza todas estas funções de forma muita mais 
fácil e prática do que o Excel. O programador pode realizar a programação com uma gama 
maior de ferramentas e informações na tomada de decisão de priorização de cada tarefa a ser 
produzida, com aumento de disponibilidade de recursos, além de simular facilmente várias 
configurações da linha de produção. 
 
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Após realizar todos os ajustes necessários na programação, o programador deve exportar os 
dados para o Excel, a fim de gerar as novas ordens de produção (OP´s) ou alterar o início das 
antigas. Este processo de programação é finalizado retornando ao MS Project e atualizando a 
programação. Nesta etapa, o MS Project importa as ordens de produção em aberto e em 
produção e seus respectivos dados. Assim o programador pode realizar um acompanhamento 
e controle da programação. Este processo deve ser feito também a cada apontamento de OP 
realizado no Excel, com isto, assegura que a programação no sistema em MS Project esteja 
sempre atualizada com o que realmente está acontecendo na linha de produção. 
No MS Project, o acompanhamento da produção pode ser realizado através do gráfico Gantt 
de controle que exibe a porcentagem de trabalho já realizado de cada tarefa com facilidade 
para identificar atrasos, os caminhos críticos e os gargalos durante a produção. 
 
2.1. Acompanhamento do sistema de PCP em Excel integrado com o MS Project 
A implantação do sistema Excel e MS Project na FASE teve sua duração de oito meses e 
dividida nas três fases já citadas. O escopo do sistema está dividido nos processos abaixo: 
 Administração dos pedidos em carteira; 
 Controles de estoque de matéria-prima e produtos intermediários e em elaboração; 
 Programação da produção através do MS Project e 
 Controle e acompanhamento da produção e seus indicadores de desempenho e metas. 
No quadro abaixo são apresentados os resultados da implantação deste sistema Excel com MS 
Project, comparando as situações anteriores e atuais de cada processo na gestão da produção. 
Quadro 1: Demonstração de resultados da implantação 
Processo Situação Anterior Situação Atual 
Resultados 
Esperados 
Administração 
dos Pedidos 
Realizada em Excel 
com informações de 
porcentagem do total 
de atrasos 
Realizada em Excel com 
informações dos 
relatórios por data de 
entrega, valorização dos 
pedidos em aberto e 
status do pedido (atender 
com estoque ou 
programado ou a 
programar). 
Visão simples e 
eficiente dos 
pedidos em 
carteira, de forma a 
responder rápido ao 
cliente a situação 
do seu pedido. 
Controle dos 
Estoques de 
produtos 
acabados 
Não existia este 
controle 
Realizado em Excel, 
com informações dos 
movimentos de entrada e 
saída, pedidos em 
abertos e ordens de 
produção programada. 
A disponibilidade 
dos produtos no 
momento e 
quantidade correta, 
sem faltar nem 
exceder. 
Controle dos 
Estoques de 
Controlado de forma O Excel faz o controle 
do estoque assim como 
A matéria prima 
disponível quando 
 
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matéria-prima visual gera a necessidade de 
compra de matéria prima 
ocorre a 
necessidade de 
produção e sua 
compra na 
quantidade exata. 
Programação da 
Produção 
Realizada através da 
experiência do 
programador, 
analisando o estoque e 
os pedidos em carteiras 
de forma visual. 
O sistema realiza a 
programação de forma 
sistemática levando em 
consideração todas as 
informações necessárias. 
O sistema auxiliou 
na otimização de 
todos os recursos, 
assim como o 
balanceamento da 
linha de produção. 
Sequenciamento 
da programação 
Ocorria de duas 
formas: O operador 
recebia ordem verbal 
do seu líder ou 
procurava no estoque 
intermediário quais 
peças estavam na fila 
para processar e 
decidia por um lote. 
Relatório com o 
seqüenciamento das 
ordens de produção. 
Ganho de agilidade 
no setup. O 
operador sabe qual 
o próximo lote a 
produzir, além de 
produzir o que 
realmente é 
necessário no 
momento. 
Controle de 
Produção 
Sem controle da 
produção 
Relatórios de 
indicadores de 
desempenho (eficiência, 
paradas, qualidade, taxa 
de operação) 
Retrata o que 
ocorre na produção 
para tomada de 
decisão do gerente 
e diretor. 
 
3. Considerações finais 
O trabalho demonstra a importância de realizar uma gestão da produção eficiente e que o 
sucesso da empresa está ligado diretamente a esta gestão, isto porque atua em todos os 
âmbitos da empresa: estratégico, tático e operacional. 
Neste trabalho, ficou comprovado que se pode realizar uma gestão da produção eficiente sem 
grandes investimentos, utilizando uma fusão entre dois softwares como Excel e MS Project de 
custos baixos. No estudo de caso, a empresa FASE necessitou investir no software MS 
Project, tendo em vista que o Excel veio instalado na compra de todos os computadores. 
O custo x benefício alcançado foi satisfatório porque sem realizar grandes investimentos o 
diretor da empresa tem, após a implantação, informações para a tomada de decisão, além é 
claro da otimização de todos os seus recursos, diminuindo assim os seus custos, tornando a 
empresa mais competitiva no mercado. 
Ficou evidente que somente o sistema não é garantia para o sucesso da empresa, pois apenas 
dá suporte ao gerenciamento da produção, depende muito da equipe responsável pela 
manipulação do sistema e das decisões tomadas. 
Analisando que o sistema atingiu o primeiro objetivo, realizar a programação e o controle da 
produção, existe outras possibilidades de melhorias: 
 
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO 
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção 
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
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 Adicionar ao sistema um controle de qualidade, pois a produção de peças não 
conforme é alta e não ocorre nenhuma análise sistemática; 
 Realizar o planejamento da produção mensal, hoje realiza a programação a cadatrês 
dias e 
 Adicionar ao sistema simulador da capacidade produtiva a média de vendas, de forma 
mais automática. 
Referências 
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vantagem competitiva. Porto Alegre: Bookman, 2006. 
CORRÊA, H.L..; GIANESI, I.G.N.; CAON, M.. Planejamento, Programação e Controle 
da Produção. São Paulo: Atlas, 2007. 
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Fundação Cristiano Ottoni. 1992. 
FUCHIGAMI, H.Y.. Métodos Heurísticos Construtivos para o Problema de Programação da 
Produção em Sistemas Flow Shop Híbridos com Tempos de Preparação das Máquinas 
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Produção). Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 
2005. 
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para um novo paradigma produtivo. Revista Gestão e Produção, São Carlos, v. 1, n. 2, p. 153-
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estude de caso em uma empresa metalúrgica, In: Emepro, 5, 2009, Viçosa. 
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Atlas, 2009. 
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2001. 
TUBINO, D.F.. Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 
2007. 
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Planejamento & Controle da Produção para o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. 
Porto Alegre: Bookman, 2006. 
WANDERLEY, C.de A.; MEIRA, J.M.; MIRANDA, L.C. . A Importância dos 
Indicadores de Custos para a Função Produção. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE 
http://lattes.cnpq.br/0634283724256002
http://lattes.cnpq.br/8204968147626364
 
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO 
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção 
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
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CUSTOS, 8. ANAIS DO VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE CUSTOS, PUNTA 
DEL ESTE, 2003.

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