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Intervenções Inovadoras Psicopedagogia em Diferentes Contextos de Aprendizagem Resumo - Unidade I A intervenção psicopedagógica se trata de um conjunto de ações que parte do diagnóstico inicial até estratégias de atuação aplicadas com o intuito de resgatar os conhecimentos escolares de uma criança ou jovem considerada deficitária naquele período ou etapa de desenvolvimento. Ao passar pela intervenção psicopedagógica, a criança ou o jovem terá condições de prosseguir com seus estudos ou aprender a lidar com limites que alguma dificuldade possa apresentar durante o seu processo de desenvolvimento, tanto nos aspectos cognitivos quanto motores, sociais e emocionais. Todavia, você consegue identificar quais são as demandas de uma avaliação ou orientação psicopedagógica? Quais são as situações em que as ações do profissional psicopedagogo são necessárias? A demanda pelos psicopedagogos em diferentes contextos de atuação sempre parte por meio de um caso concreto, ou seja, uma situação da qual algum estudante manifesta uma dificuldade ou um problema de comportamento observado pelos professores ou mesmo pela família. Além disso, com base nos estudos de Bonals e Cano (2008) outras principais demandas levadas ao psicopedagogo são: “ A pergunta pelo processo de ensino e aprendizagem da classe. A análise da sequência didática em sala de aula. A flexibilização do currículo. A apropriação por parte das escolas de um modelo inclusivo. Os processos de mudança metodológica das escolas. A facilitação dos procedimentos de ajuste à diversidade dos alunos em geral. A disponibilidade de contextos educacionais mais saudáveis para todos. A análise da organização e do funcionamento das escolas (BONALS; GONZÁLEZ, p.25, 2008). A análise de cada uma dessas demandas de intervenção deve seguir igualmente para diferenciar as atuações convenientes daquelas que não se pode permitir sem redefinir previamente. É fundamental caracterizar cada uma das demandas que o psicopedagogo recebe para entender, de fato, o máximo possível daquilo que se pede e, por isso, a análise de demanda é extremamente relevante. Isso significa que o profissional não pode confundir uma queixa e transformar em uma demanda de intervenção psicopedagógica sem avaliar profundamente. Esta deve ser compreendida como parte fundamental das dificuldades de aprendizagem, visto que consiste em um momento de muita importância no processo psicopedagógico, afinal, para que o profissional atue, será estabelecida uma relação entre o processo de intervenção e o diagnóstico das dificuldades. Isso significa que, por estarem intimamente relacionados, terá também que compreender do que se tratam as dificuldades de aprendizagem. As dificuldades de aprendizagem caracterizam-se pelo distanciamento entre o que a criança, o jovem ou o adulto deveria ser capaz de fazer e o que realmente consegue fazer. Esse distanciamento torna-se muito mais perceptível quando se adentra aos contextos escolares manifestados, sobretudo pelo baixo desempenho. O funcionamento a baixo a idade cronológica do sujeito e seu quociente intelectual, além de interferir significantemente no rendimento acadêmico ou na vida cotidiana, exigindo um diagnóstico alternativo em caso de déficits sensoriais (SÁNCHEZ, p. 16, 2003). De acordo com os estudos de Smith e Strick (2012), as dificuldades são os “(...) problemas neurológicos que afetam a capacidade do cérebro de entender, recordar ou comunicar informações” (SMITH; STRICK, 2012, p. 38). Portanto, podem afetar a percepção visual, a linguagem oral e escrita, os aspectos motores, o raciocínio lógico, a capacidade de atenção e até a maturidade social. São causadas, sobretudo, por fatores biológicos e psicoemocionais e, também, por influências ambientais. Fatores escolares podem influenciar no agravamento dessas dificuldades, uma vez que a escola é o ambiente no qual são evidenciadas. Ao aprender um novo conhecimento, toda pessoa passa por uma certa transitoriedade entre o aprender e o não aprender. Isso quer dizer que cada conteúdo trabalhado nem sempre será imediatamente apropriado, pois aprender algo novo exige tempo para ser devidamente adequado e, na medida que o aprendizado ocorre, o avanço no desenvolvimento da criança ou do jovem deve acompanhar. Nesse sentido, cabe ao profissional investigar quais são os obstáculos que impedem a aprendizagem e como intervir de forma assertiva. Confira o passo a passo de como o psicopedagogo pode realizar a intervenção psicopedagógica. 1- Fazer uma avaliação psicopedagógica. 2 - Destacar as possíveis causas que deram origem à dificuldade de aprendizagem. 3 - Definir a base teórica que norteará a prática. 5 - Elaborar as estratégias de intervenção e aplicá-las. 4 - Desenvolver o projeto de intervenção baseado nas necessidades de aprendizagem do estudante ou do grupo em questão. 6 - Proceder a avaliação do desenvolvimento do estudante durante e após o processo de aplicação da intervenção. A intervenção psicopedagógica, assim como as dificuldades de aprendizagem, são situações nas quais o psicopedagogo coloca seus conhecimentos à prova, uma vez que inserirá em seu campo de atuação na busca pela resolução dos obstáculos de aprendizagem. Uma vez identificados os obstáculos, o psicopedagogo poderá corroborar para a reconstrução da trajetória de aprendizagem do estudante, de modo a tornar possível o estabelecimento da conexão com a própria capacidade de aprender e, assim, criar condições para a promoção da interação entre sujeito e objeto de conhecimento, propondo estratégias diferenciadas para que a qualidade da aprendizagem esteja assegurada de forma gradual. Para iniciar o processo de intervenção psicopedagógica, a anamnese inicial, a avaliação e o diagnóstico são essenciais para o desenho da intervenção mais adequada às necessidades dos sujeitos. O primeiro passo para iniciar uma intervenção está na realização de uma investigação, que possibilita a disposição de informações relevantes sobre a situação na qual pretende-se atuar. Trata-se de um processo compartilhado de coleta e análise de dados relevantes da situação de ensino-aprendizagem. Considera-se, nesse levantamento, as características dos contextos escolar, familiar e social com o intuito de tomar decisões que visam à promoção de mudanças no contexto de atuação. De acordo com Colomer, Masot e Navarro (2008, p. 16) a investigação psicopedagógica “(...) desenvolve-se em colaboração com o conjunto de participantes no processo: os alunos, a família, a escola, outros profissionais etc.(...) têm um caráter interdisciplinar, com contribuições próprias da competência de cada um”. Em outras palavras, é função do psicopedagogo, dentro da escola, no consultório ou em outros contextos, “(...) procurar identificar e diagnosticar as possíveis causas da limitação na aprendizagem apresentada por alguns alunos e sua relação com a aprendizagem” (BASTOS, 2015, p. 21). A anamnese é o principal ponto de partida. Uma anamnese é uma espécie de entrevista inicial, na qual busca-se, por meio de questionamentos, levantar a maior quantidade de informações relevantes sobre o problema no qual o psicopedagogo deverá intervir. Toda anamnese deve iniciar-se pela descrição da queixa, que nada mais é do que a situação que levou a criança ou o adolescente ao psicopedagogo. Destaca-se que a queixa inicial trata de um dos indicativos que precisam ser analisados. É importante ter em mente que outros fatores poderão surgir no decorrer do processo e, por isso, a anamnese é o ponto crucial para iniciar o processo de diagnóstico. Com a queixa apresentada, deve-se partir para a entrevista com os pais (ou responsáveis). Existem muitos modelos de questionários de anamnese disponíveis, mas é o psicopedagogo quem deverá elaborar o próprio modelo, que pode, inclusive, ser modificado com base na idade, no período ou na situação de queixa. Embora possam haver questões diferenciadas, as áreas de indagação predominantes em uma anamnese referem-se a quatro aspectos: 1) Antecedentes Natais; 2) Doenças; 3) Desenvolvimento;e 4) Aprendizagem e seus desdobramentos. A realização da entrevista inicial com base nas grandes áreas, seja com o sujeito seja com a família, é considerada um dos pontos cruciais de um bom diagnóstico, por buscar informações significativas acerca da história do sujeito na família, relacionadas ao passado, presente e projeções para o futuro. Nesse contexto, o psicopedagogo deverá deixar os entrevistados à vontade, “para que todos se sintam com liberdade de expor seus pensamentos e sentimentos sobre a criança para que possam compreender os pontos nevrálgicos ligados à aprendizagem” (WEISS, 2003, p. 62). Paín (1985, p. 42) acredita que é justamente o levantamento da história vital que nos permitirá “detectar o grau de individualização que a criança tem com relação à mãe e a conservação de sua história nela” (PAÍN, 1985, p. 42). Além disso, informações sobre as circunstâncias do parto são importantes, como saber se a criança nasceu prematuramente, se houve falta de dilatação, se foi empregado o fórceps ou se ocorreu o adiamento de intervenção de cesárea, por exemplo, pois “costuma ser causa da destruição de células nervosas que não se reproduzem e também de posteriores transtornos, especialmente no nível de adequação perceptivo-motriz” (PAÍN, 1985, p. 43). Nessa parte da anamnese, é fundamental saber se a gravidez foi desejada ou não, se foi aceita pela família, se a criança foi adotada etc. O cenário levantado determinará vários outros aspectos, como os afetivos, dos pais em relação ao filho, relações entre irmãos etc. Posteriormente, é importante saber sobre se houve algum tipo de doença, pois há aquelas que, se não detectadas, podem gerar sérias consequências no desenvolvimento ou mesmo superproteção dos familiares, ocasionando desenvolvimento mais lento ou imaturidade no sujeito. No contexto da investigação de doenças, não deve esquecer-se dos períodos de vacinação, ou seja, deve-se levar em conta se a criança foi devidamente vacinada. Na sequência, questões sobre as primeiras aprendizagens são extremamente relevantes e se referem ao desenvolvimento. Nessa etapa, deverão ser levadas em consideração as aprendizagens relacionadas aos contextos não escolares ou informais, por exemplo: como aprendeu a usar a mamadeira; como foi o processo de desfraldamento; como passou a utilizar o copo, a colher; como se deram os controles tanto biológicos quanto emocionais; como adquiriu a fala, a alimentação, o sono. A ideia é saber se o desenvolvimento ocorreu de forma esperada ou se houve algum tipo de defasagem acerca do desenvolvimento geral. Com relação a esse aspecto, o objetivo é descobrir “(...) em que medida a família possibilita o desenvolvimento cognitivo da criança – facilitando a construção de esquemas e deixando desenvolver o equilíbrio entre assimilação e acomodação” (WEISS, 2003, p. 66) Para finalizar a aplicação da anamnese inicial, o psicopedagogo deve verificar informações relevantes sobre as aprendizagens, tanto a assistemática (social) quanto a sistemática (escolar) no contexto escolarizado. Exemplos de perguntas que o psicopedagogo pode realizar . Nesse momento, é fundamental investigar sobre a criança. Perguntas como se a criança gosta ou gostou de ir à escola, como se sente ao aprender novos assuntos, se recebe ajuda nos estudos em casa, como a família da criança reage frente a suas dificuldades e, ainda, se possui dificuldades (de leitura, escrita, algum problema de fala etc.). Quanto maior o repertório de questões, maior é a possibilidade de chegar ao diagnóstico. Durante a entrevista, o psicopedagogo pode, inclusive, sentir a necessidade de realizar outras questões que não estavam previstas. A queixa apresentada e a detecção inicial com base na anamnese podem converter-se em demanda, ou seja, em uma intervenção. Com a relação da anamnese inicial, o psicopedagogo tem a possibilidade de identificar características e dinâmicas fundamentais para traçar o histórico clínico da aprendizagem, do desenvolvimento psicoemocional, a interação social e os aspectos cognitivos. Destaca-se a necessidade da realização da anamnese de forma criteriosa, sem o exercício do juízo de valor; isso significa que, durante a realização, não se deve corrigir ou advertir a família ou o paciente sem a plena realização do diagnóstico, da metodologia, da abordagem e, sobretudo, estabelecer a isenção necessária ao trabalho psicopedagógico. Todos os pontos apresentados precisam ser considerados no momento da realização desta etapa, antes de iniciar a avaliação e o diagnóstico. 3 aula- A INVESTIGAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: avaliação e diagnóstico das necessidades dos estudantes. Com base nos estudos de Rubinstein (1992, p. 51), “a investigação de todo o processo de aprendizagem leva em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para, valendo-se desta investigação, entender a constituição da dificuldade de aprendizagem”. Reforça-se que, durante o diagnóstico psicopedagógico, o psicopedagogo deve ter muita atenção à postura, ao discurso, bem como às atitudes dos investigados, visto que são pistas importantes para conseguir atingir questões a serem desvendadas. Coma e Alvarez (2008, p. 27) defendem que “por trás de toda avaliação há sempre um julgamento técnico com base no critério, mediado por um enfoque conceitual, técnicas e instrumentos não neutros que são uma medida interpretativos da realidade”. Com a anamnese inicial, a avaliação e o diagnóstico das necessidades dos estudantes são os próximos passos para o planejamento e a intervenção psicopedagógica. Com a queixa e os dados coletados por essa entrevista, o profissional terá elementos dos quais pode partir para a próxima fase do diagnóstico, como a aplicação de testes psicopedagógicos. Esta etapa também é conhecida como triagem. Os Testes Psicopedagógicos tratam-se de recursos que ajudam o profissional na identificação dos problemas e seus níveis de dificuldades de aprendizagem , seja no campo da fala, de leitura e escrita e outros que podem ser identificados. Para o momento da triagem, a escolha dos tipos de testes que inicialmente podem ser aplicados deve estar de acordo com o que o psicopedagogo percebe logo na anamnese ou com base na própria queixa, conforme já mencionado. Desde os primeiros contatos, a criança ou o adolescente deve encontrar um espaço apropriado e já organizado com diversos materiais pedagógicos dispostos estrategicamente. Por meio da aplicação dos testes, ocorrem as primeiras interações entre o profissional e o sujeito atendido. Cabe ao psicopedagogo garantir que esse contato inicial seja agradável, fazendo com que a criança ou o adolescente manifeste, entre outros aspectos de seu desenvolvimento e aprendizagem, preferências, aversões, nível de independência emocional e cognitivo, linguagem e conhecimentos adquiridos, isto é, todas as manifestações do sujeito no que se refere aos campos cognitivo e afetivo em situação de aprendizagem. Existe variedade de testes e abordagens para a realização da avaliação para, assim, chegar ao diagnóstico. As mais comumente utilizadas são as sessões lúdicas centradas na aprendizagem, as provas psicométricas, as provas projetivas, as provas específicas e a análise do ambiente, bem como outras formas de verifificação das dificuldades e seus níveis. Pdf Aula 4 – 1 UNIDADE - O PLANO DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICO em diferentes contextos de aprendizagem