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Resumo Medicalização e Judicialização da educação - Psicologia Escolar

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RESUMO 
PSICOLOGIA ESCOLAR 
 
MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO 
Quando as questões da vida social que afetam o sujeito 
fazem com que ele apresente sintomas, no processo de 
medicalização esse adoecimento é considerado uma 
patologia do próprio indivíduo. São questões 
identificadas considerando apenas próprio sujeito. 
Nesse sentido, os problemas da esfera da vida humana 
são transformados em questões biológicas. A pessoa é 
tratada como causa e origem do problema. Aqui, o 
contexto não é considerado como produtor do 
adoecimento, então ele não é tratado, e sim o sujeito. 
A vida cotidiana é transformada numa doença. Isso 
produz uma epidemia de diagnósticos. 
A indústria farmacêutica investe mais em marketing 
(para vender o medicamento) do que em pesquisa e 
desenvolvimento, e o medicamento é o instrumento 
que mantém a cultura da medicalização. 
SOCIEDADE MEDICALIZADA 
 O Brasil é o 2º país com maior consumo de Ritalina 
(metilfenidato - droga da obediência); 
 Ano 2000: 71000 caixas; 
 Ano 2008: 1.147.000 caixas. 
A disponibilidade de medicamentos cria a necessidade 
de automedicação; a precarização dos equipamentos 
públicos de saúde no Brasil contribui com a cultura da 
medicalização (demora na marcação de consultas e 
exames, etc). Além disso, o processo de medicalização 
nega os direitos conquistados pelo Estatuto da Criança 
e do Adolescentes (ECA), no sentido de patologizar a 
criança. 
Há também uma naturalização dos aspectos sociais 
patologizantes: trânsito, condições de 
trabalho precárias, etc. 
Reducionismo biológico: reduzimos qualquer problema 
da esfera humana a uma causa biológica, sem 
considerar os aspectos sociais e do contexto em que o 
sujeito ocupa. 
 
 
 
 
 
MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO 
A concepção dominante é de que a questão levantada 
pela queixa escolar é de ordem individual e orgânica. 
Existe uma ideologia que explica o fracasso escolar 
pelos próprios atores da escola; e uma política pública 
que busca no aluno a causa das suas dificuldades. 
 Projetos de lei na esfera macro 
» PL 321/2004: Programa Estadual para 
Identificação e Tratamento da Dislexia na 
escola (ir até a escola e identificar crianças 
com dislexia, sem levar em consideração os 
processos de ensino e aprendizagem); etc; 
 Esfera micro 
» Boletim escolar 
» Individualização da queixa e encaminhamento 
(não se leva em consideração as diferenças 
individuais no processo de aprendizagem) 
» Tirocínio diagnóstico 
» Problemas familiares aparecem como 
justificativa dos comportamentos desviantes 
*O primeiro passo do psicólogo escolar é romper com a 
esfera micro. 
 
DA EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE 
É comum que ignorem a história do processo de 
escolarização, mas se o problema foi identificado na 
escola, deve ser tratado na escola. 
É necessário incrementar a formação dos profissionais 
de saúde quanto a compreensão dos problemas de 
escolarização. A definição das dificuldades escolares 
como "transtornos" alivia a família e a escola, porque o 
problema e solução foram "descobertos". 
O DSM leva em consideração sintomas externos, e 
mantém a questão da medicalização, gerando 
diagnósticos classificatórios e não explicativos. 
A dislexia, segundo o DSM-5, está ligada ao processo de 
alfabetização e letramento. No protocolo diagnóstico, 
não se investigam as questões intraescolares ou a 
história do processo de escolarização do sujeito. A 
pergunta que fazemos é: como ocorreu o processo de 
alfabetização? 
*Há evidências de que a orientação de pais tem mais 
eficácia do que a medicalização. 
 
 Por que patologizar os processos de escolarização?; 
 TDAH, TOD e dislexia são transtornos do aluno ou 
patologizas produzidas no sistema escolar?; 
 A vida confinada (escola - muros) e longe da 
natureza contribui com a medicalização e quadros 
depressivos nos alunos e professores. Aumento de 
casos de depressão, ideação suicida, automutilação 
e violência; 
 Professores diagnosticados com síndrome de 
Burnout (mas não se fala das condições precárias de 
trabalho que levam ao Burnout). 
 
 
 
 
Populações que mais sofrem com a medicalização: 
crianças em idade escolar, adolescentes e adultos em 
privação de liberdade, usuários que necessitam de 
atenção em saúde mental, pessoas com mais de 60 anos 
Análise do processo, não só do produto 
 
 
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COMO DESMEDICALIZAR A ESCOLA? 
 Compreender que o processo de aprendizado não 
acontece apenas na sala de aula; 
 Ouvir as crianças; 
 Proporcionar passeios, visitas de campo, excursões 
e contato com a natureza; 
 Desspatologizar a infância e adolescência; 
 Oferecer alternativas que instiguem o desejo do 
aluno por permanecer na escola; 
 Reorganizar a rotina da escola, pensando no 
equilíbrio entre as atividades escolares e o brincar; 
 Tornar o professor menos controlador e mais 
mediador. 
 
JUDICIALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO 
A fragilidade do diálogo entre os elementos que 
integram o processo de escolarização (gestores, 
professores, pais, alunos) causa problemas na busca por 
soluções dos conflitos cotidianos da escola, o que faz 
com que esses conflitos sejam judicializados e 
resolvidos pela justiça. Exemplos de judicialização da 
educação: 
 Matrícula; 
 Aceleração de estudos (superdotados que avançam 
séries só têm esse direito expresso em legislação); 
 Brigas e/ou acidentes no interior da escola: quando 
acontece algo com a criança e a família processa a 
escola. Ex: uma criança quebrou o braço e a mãe 
entrou na justiça. Como consequência, a diretora 
proibiu que as crianças brincassem no intervalo dali 
em diante.