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CLÍNICA DE PEQUENOS ANIMAIS SISTEMA DIGESTÓRIO INTRODUÇÃO ● Principais sintomas associados o Apetite: anorexia total ou parcial, apetite seletivo, parorexia/anormal ou inapropriado como coprofagia ou fitofagia (alimentação a base de vegetais) o Vômito: êmese ou regurgitação o Diarreia: líquida ou pastosa; hematoquesia ou melena ● Primeira abordagem: o Quando um animal chega a um consultório com estes sintomas, logo se associa a doenças do sistema digestório. Porém, existem problemas relacionados a outros sistemas que também podem ocasionar tais sintomas; por isso é importante entender a situação como um todo (uma boa analise clínica envolvendo todas as etapas necessárias). o Resenha: Um dos primeiros pontos a serem analisados é o perfil de identificação deste animal, pois vai ser um grande guia para o diagnóstico (espécie, raça, idade) o Anamnese Completa e Histórico: saber direcionar as perguntas, organizar pelos sistemas do corpo (quadro agudo, crônico ou intermitente, apetite normal, seletivo- um grande indicativo ou anorexia) o Exame Físico Completo: conseguir tirar informações (estado corpóreo, hidratação, palpação abdominal, temperatura, mucosas, linfonodos, FC / FR) o Lista de Diagnóstico Diferencial: antes de solicitar exames é fundamental fazer uma lista de diagnóstico diferencial (doenças que possuem os mesmos sintomas ou semelhantes), assim quando solicitar os exames conseguirá descartar as principais possibilidades. Sempre informar ao proprietário todas as possibilidades, para compreender a conduta clínica além de analisar não somente a doença, mas também as condições do tutor. Focar nos exames que consigam garantir diagnóstico, se possível realizar aqueles para acompanhamento. o Exames Complementares: hemograma, ureia/creatinina, ALT, FA, proteínas totais, albumina, ultrassom, RX, endoscopia, pesquisa de doenças infecciosas. SEM SUSPEITA NÃO TEM EXAME! o Tratamento: sintomática/direcionado a causa primaria. O mais importante é conseguir analisar o animal como um todo, assim poderá selecionar qual tratamento utilizar (mais agressivo ou não) PRINCIPAIS MEDICAÇÕES PARA O SISTEMA DIGESTÓRIO ANTIEMÉTICOS ONDANSETRONA (Ondansetrona ou Vonau) Medicamento de primeira escolha, mais em conta, porém, mais fraco, não resolve casos mais evoluídos. MAROPITAN (Cerenia) Medicamento escolhido em casos mais evoluídos, custo muito elevado. Normalmente quando Ondansetrona não resolve. Muito utilizado em gastroenterite viral. ANTIÁCIDOS RANITIDINA (Ranitidina) Anti-histamínico; Antagonista H2 Pouco eficiente, em casos mais evoluídos, como uma gastrite, é ineficaz. Sua capacidade de diminuir a produção de ácido clorídrico é muito baixa. OMEPRAZOL (Omeprazol, Gaviz e PetPrazol) Inibidor de bomba de Prótons, impede a produção de ácido clorídrico. Utilizado em casos mais avançados, como gastrite. Pode demorar até 3 dias para atingir o efeito máximo no organismo, por isso pode parecer que não está funcionando. PROTETORES DE MUCOSA SUCRALFATO (Sucralfato, Sucralfilm e Sucravet) ANTIBIÓTICO METRONIDAZOL (Metronidazol- barato, Stomorgyl-muito caro, Periodontil...) Antibiótico de eleição e exclusivo para o sistema digestório, pois consegue combater bactérias anaeróbicas-independem de 02, que normalmente são encontradas neste sistema (diferente do pulmão, que são encontradas bactérias aeróbicas-dependem de 02). LAXANTE LACTULOSE DIETA FLUIDOTERAPIA ● Observações para um bom exame clínico (observações mais específicas que o professor acrescentou durante a aula): o Cães quase nunca param de comer, mesmo que tenham problemas graves, inclusive em região oral. Quando o animal para de se alimentar dificilmente será por uma doença em região oral, por isso em casos com queixas de diminuição de apetite o exame físico desta região não é tão necessário. o Gatos quase sempre param de comer, principalmente por problemas na cavidade oral, por isso é imprescindível quando esses animais diminuem apetite, analisar minuciosamente esta região do corpo. Principalmente porque gatos fazem muitas lesões relacionadas com a cavidade oral, por exemplo: estomatites decorrentes de Herpes Vírus ou Calicevirus, ou ainda ocorre muito a formação de granulomas eusinofílicos (processo inflamatório). o Sempre que encontrar um nódulo deve-se realizar citologia, independente do tamanho ou aspecto. Principalmente em cavidade oral, tumores são decorridos de melanoma ou fibrosarcoma (crescimento rápido e muito invasivos, normalmente a cirurgia para retirada é muito agressiva e desconfigura o rosto do animal). SEMPRE INVESTIGAR TUMORES! DIAGNÓSTICO DIFENRENCIAL DE EMESE E REGURGITAÇÃO ● “O vômito é uma expulsão vigorosa dos índices do estômago e às vezes do intestino. O mecanismo inteiro é guiado e controlado pelo cérebro e por seu centro do vômito.” ● Fisiologia do vômito/êmese: o ação na zona quimiorreceptora de disparo/gatilho: Substâncias endógenas ou exógenas na circulação; irritação ou dilatação da mucosa gástrica (tumor, corpo estranho, torção gástrica...), cinetose (movimento). o ação direta no centro do vomito: via sensorial (visão, olfato, dor); centros encefálicos altos (ansiedade, medo, memória) ou cinetose (movimento). RELEMBRANDO CONCEITOS... ZONA QUIMIORRECEPTORA DE DISPAROQ/GATILHO “A zona de gatilho quimiorreceptora (ZGQ) é uma área do bulbo raquidiano que recebe entradas de drogas ou hormônios transmitidos pelo sangue, e se comunica com outras estruturas no centro de vômito para iniciar o vômito” CENTRO DO VOMITO “O quarto ventrículo do cérebro hospeda o centro do vômito. O assoalho do quarto ventrículo contém uma área chamada a zona do disparador do quimiorreceptor (CTZ). O CTZ contém os receptors para a dopamina, a serotonina, os opiáceo, o acetylcholine e a substância P. do neurotransmissor. Quando estimulado, cada um destes receptors causa os caminhos que conduzem a vomitar e a náusea” https://pt.wikipedia.org/wiki/Droga https://pt.wikipedia.org/wiki/Droga https://pt.wikipedia.org/wiki/Horm%C3%B4nio https://pt.wikipedia.org/wiki/Horm%C3%B4nio https://pt.wikipedia.org/wiki/Sangue https://pt.wikipedia.org/wiki/Sangue https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Centro_de_v%C3%B4mito&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Centro_de_v%C3%B4mito&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%B4mito https://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%B4mito ● Principais causas de êmese: o Infecção; Inflamação; substâncias tóxicas; anomalias congênitas; metabólicas; obstrutivas (corpo estranho ou neoplasias por exemplo) e dieta. PRINCIPAIS CAUSAS DE EMESE RELACIONADAS COM DOENÇAS OU É POR ATIVAÇÃO DA ZONA QUIMIORRECEPTORA, DEVIDO A SUBSTÂNCIAS NO SANGUE, OU POR IRRITAÇÃO DA MUCOSA GÁSTRICA! ● Aspecto de vômitos/êmese: Muitas vezes o veterinário se deixa levar simplesmente pelo aspecto do vomito, porém nem sempre será o fator determinante de qual doença o animal apresenta, podendo dar um diagnóstico equivocado. Existem outras questões que podem auxiliar melhor no diagnóstico, como frequência, estado geral do animal e etc. EXEMPLO DE ASPECTO DE VOMITOS/EMESE VOMITO DE SALIVA Aspecto viscoso, transparente ou esbranquiçado (parece uma “gosma”, clara de ovo). Pode indicar apenas um jejum, este aspecto não é muito indicativo de doenças. VOMITO COM “MATINHO” Diferente do que se diz, o animal que come grama não está fazendo isto para se tratar de um mal-estar, na realidade é uma situação comportamental, não existe um estudo que comprove claramente a razão para este comportamento. Ou seja, este aspecto de vomito não é necessariamente indicativo de doenças. Na realidade o que se observa é que os animais que ingerem “matinho” normalmente estão saudáveis. VOMITO DE CONTEÚDO BILIAR Esverdeado/Amarelado normalmente indica conteúdo biliar, o que pode indicar um refluxo do duodeno para o estomago e em seguidafoi expelido. Normalmente quando se tem o vomito com esse aspecto as pessoas dizem que se tem problemas na vesícula biliar, porém, na realidade ela está cumprindo muito bem sua função de produzir o líquido, o problema na realidade está na porção do intestino que provocou o refluxo. Alguns animais podem apresentar este comportamento durante a vida toda, vomito esverdeado matinal, que normalmente indica apenas um jejum prolongado, podendo ser resolvido com alimentação durante a noite, conhecida como síndrome do vomito bilioso. Ou seja, o fato de ter bile no estomago indica na realidade apenas um movimento antiperistáltico que ocasionou um refluxo do conteúdo intestinal para o estomago. VOMITO COM SANGUE Vomito com presença de pontos com sangue. O mais preocupante, pois indica lesão na mucosa gástrica, este animal deve ser trato com urgência, pois isto pode ocasionar uma úlcera. VOMITO COMPLETAMENTE SANGUINOLENTO Animal em estado gravíssimo, não deve nem ser tirado do hospital, exige internação imediata, indica lesão de grau elevadíssimo na mucosa. VOMITO COM ALIMENTOS NÃO DIGERIDOS CASO CLÍNICO canino, SRD, > 10 anos de idade histórico de anorexia há 3 dias e êmese com evolução para hematêmese e PU / PD desidratação leve / moderada Palpação abdominal com desconforto em região epigástrica mucosas hipocoradas Tᶛ, linfonodos, auscultação normais, taquipnéico O possível diagnóstico para este animal, seria uma doença renal, cetoacidose diabética, neoplasia e alguns outros, indicativos de um animal para esta idade e com esses sintomas. Analisa-se, não somente os sintomas em questão, mas todo o perfil do animal. Assim sendo, diminui muito as possibilidades. • Êmese: o O primeiro sinal que se antecipa é a saliva em excesso, mais do que o ser é capaz de engolir, a segunda consequência é hiperventilação (involuntária), então se inicia o processo ativo, fecha o piloro faz contração abdominal e ocorre movimento antiperistáltico que promove a liberação do conteúdo estomacal pela boca. Resumindo: ▪ antecedido por náusea • salivação excessiva • ânsia ▪ processo ativo ▪ conteúdo estomacal • alimento parcialmente digerido (não obrigatoriamente, pois depende do tempo que o animal comeu) • pH ácido (parâmetro inutilizado na clínica) • Regurgitação: o Animais que apresentam este sintoma, irão ter algum problema de esôfago (estenose, obstrução, ou alguma dificuldade na contração da musculatura esofágica que fez com que o alimento não consiga chegar ao estômago) o O processo de regurgitação é passivo (reflexo de expulsão gerado na glote), apesar de apresentar mímica de vômito. ▪ não há náusea prévia ▪ processo passivo ▪ alimento não chega ao estômago • alimento não digerido • pH tende a alcalino ▪ pode estar ou não relacionado à dieta DILATAÇÃO ESOFÁGICA / MEGAESÔFAGO (COME MUITO+VOMITA TUDO) • Possíveis causas: • doença esofágica obstrutiva (“melhor”, por ainda ter a possibilidade de tratamento cirúrgico) • persistência do 4º arco aórtico direito (muito comum em filhotes, fazendo com que haja uma compressão do esôfago por um ligamento) • estenose por esofagite, corpo estranho, neoplasia • alteração da motilidade esofágica • miastenia gravis • Neuropatias periféricas, hipotireoidismo? • Idiopático • Discussão: • histórico / sintomas esperados • alterações no exame físico • exame diagnóstico • tratamento ▪ obstrutivo ▪ alteração de motilidade • Sintoma: • sem pneumonia aspirativa (primeiro estágio) ▪ apetite voraz, regurgitação (dificilmente o tutor irá relatar, mas sim vômito crônico), relato de emagrecimento • com pneumonia aspirativa (complicação mais comum) ▪ anorexia, tosse produtiva, secreção nasal e dispneia. Com histórico anterior de polifagia e êmese • Conduta diagnóstica: • anamnese • ex. físico (desidratação é uma possibilidade, pode estar com estado geral bom) • RX de tórax simples (mais difícil pois o esôfago fica colabado) e contrastado (Esofagograma). Indica um contraste onde não deveria haver, normalmente deveria ser digerido e não ficar parado neste local. Em casos de persistência do 4º arco aórtico direito o contraste irá parar próximo ao coração • endoscopia somente após confirmação radiográfica e se necessário para algum procedimento (não se usa ultrassom em tórax) • Tratamento geral: • tratar a causa de base (Qualquer causa que provoque diminuição da motilidade do músculo não é possível ser tratado, apenas obstrução que pode ter intervenção cirúrgica, mas não é certeza de cura) • dieta pastosa e manter em posição bipedal, por pelo menos 20-30 minutos. • Antibioticoterapia INJETÁVEL em caso de pneumonia aspirativa (principal consequência de megaesôfago, por causa de bronca aspiração). IMPORTANTE Deve sempre esperar o tempo mínimo de digestão do contraste, pois há um grande risco de bronco aspiração durante o exame. • colocação de tubo esofágico ou gástrico (a longo prazo se torna inútil) ▪ paliativo e não efetivo a médio / longo prazo ▪ prognóstico reservado, grandes chances do animal ser eutanasiado futuramente CASO CLÍNICO Felino, SRD, adotado recentemente, passou por uma cirurgia de castração. Durante o pós-cirúrgico foi observado episódios constantes de vômito pelo proprietário, juntamente com polifagia, após 30 dias o tutor levou o animal ao veterinário. Durante a consulta foi oferecido alimento ao animal, que demonstrou comportamento de polifagia. Após a ter ingerido o alimento no consultório, começou a demonstrar mímica de vômito liberando conteúdo pastoso “gosmento”, que em seguida o animal comeu, confirmando o comportamento polifágico. O possível diagnóstico para esta situação é um Megaesôfago. A provável causa: durante a cirurgia ocorreu um refluxo que provocou uma esofagite, durante o pós-cirúrgico, o animal permaneceu com aquela irritação provocando episódio de êmese constante, agravando o caso e provocando uma estenose que mais tarde viraria um Megaesôfago. O QUÊ O PRIMEIRO VETERINÁRIO PODERIA TER FEITO? Após a primeira queixa de vômito, ou suspeita de esofagite pós-cirúrgica, o veterinário poderia ter tido a seguinte conduta: TRATAMENTO DA ESOFAGITE, primeiramente não provocar vômitos, não utilizar pró- cinéticos, mas sim lavagem gástrica, administração de sucralfato e algum antiemético com omeprazol. GASTRITE AGUDA • Possíveis causas: • antinflamatório não esteroidal (devido a exageros em tratamentos de causas simples) ▪ inibidores da Cox1 ▪ principal causa principalmente em cães ▪ É PROIBIDO DAR DICLOFENACO PARA CÃES, LEVA AO ÓBITO! Provoca gastrite e doença renal. • corticosteroides • doenças metabólicas (ex. renal, hepática) • dieta inadequada / agentes irritantes • corpo estranho • doenças infecciosas • pancreatite • Sintomas: • anorexia, vômito (não é principal sintoma, quando vomita já está mais avançado o caso) • melena (confirmação de gastrite, pois confirma ferimento gástrico pela presença de sangue digerido) • hematêmese nos casos mais graves • pode ter desconforto abdominal e queimação (principal sintoma) ▪ raramente dor abdominal e postura anti-álgica (postura em que o paciente consegue diminuir a dor, como se encurvar etc.) • Diagnóstico: • anamnese, ex. físico ▪ quando um animal chega com queixa de vomito no consultório muitos veterinários já associam a gastrite e começam a fazer palpação no abdome no animal. Porém a principal queixa deve ser o desconforto abdominal, por isso não é indicado apertar esta região, pois causará muita dor, deve ir com calma (fazer um carinho etc.) ▪ fitofagia? • ex. complementares ▪ hemograma ▪ bioquímico: FR, FH ▪ RX, US ▪ endoscopia (apenas em casos crônicos) • Tratamento: • manejo alimentar • anti-eméticos (ondansetrona) • antri-ácido (ranitidina, omeprazol) • protetor de mucosa (sucralfato)• fluidoterapia *RELER TEXTO DE VOMITO CRONICO EM GATOS- FOCO EM DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL* 14/08 DIAGNOSTICO DIFERENCIAL DE DIARREIA • Definição: • aumento no conteúdo de água nas fezes acompanhada ou não pelo aumento da frequência. (Não obrigatoriamente terá aumento de volume ou de frequência) • MORRER DE DIARREIA É MORRER DE DESITRAÇÃO! • Primeira abordagem • Resenha, idade, espécie, raça (filhotes / jovem/adultos/idosos) • Abordagem inicial • histórico clínico / anamnese ▪ apetite normal, seletivo ou anorexia (Normalmente se continuar comendo, deve ser de menor gravidade!) ▪ quadro agudo, crônico ou intermitente ▪ número de eventos ▪ tenesmo (sensação dolorosa na bexiga ou na região anal, com desejo contínuo, mas quase inútil, de urinar ou de evacuar) • exame físico ▪ estado corpóreo ▪ Temperatura (não é um parâmetro que necessariamente aponta um quadro infeccioso) ▪ palpação abdominal ▪ hidratação (normalmente pacientes com desidratação que pode ser severa e provocar óbito) ▪ mucosas ▪ FC, FR, linfonodos • Tipos de fezes • intestino delgado (volumosa cheia de gases, que normalmente não se torna crônica, geralmente está associada a algum evento isolado). A longo prazo se torna uma preocupação maior, pois o animal emagrece muito já que não está absorvendo os alimentos. • Grosso (normalmente líquida, contínua que o animal irá ter vontade constantemente de defecar- uma indicação de colite por exemplo). Costuma causar maior desidratação, por isso se torna mais preocupante a curto prazo. Fezes com muco também podem ser indicações de problemas de intestino delgado (na porção do final é onde há uma grande lubrificação para saída das fezes). • Melena (associado ao Intestino Delgado), não necessariamente associada a diarreia. Fezes enegrecidas. • Hematoquesia (normalmente associado ao intestino grosso). • Causas • etiologias ▪ infecciosa • parasitárias, protozoárias, virais e bacterianas • O exame de eleição é o COPROPARASITOLÓGICO! Porém pela dificuldade de coleta, normalmente o animal já sai da clínica em tratamento, mesmo sem a confirmação do exame. ▪ nutricional • dieta, alergia ou intolerância alimentar • Normalmente o animal está bem no estado geral, o problema é percebido quando o animal come (principalmente quando come alimentos diferentes de sua rotina- UVA PASSA É TÓXICA!) ▪ metabólicas • IR, IH, pancreatite • Normalmente alterações metabólicas para causar sintomas, estarão associadas a outros fatores, como polidipsia, poliúria... ▪ Neoplasia (mais comum em animais senis) ou CE (mais comum em jovens) • Exames complementares • hemograma • coproparasitológico • uréia/ cratinina • ALT, FA, albumina • US / RX • ELISA • Tratamento suporte • em caso de êmese ▪ ondansetrona e omeprazol • restrição alimentar ▪ alimento rico em carboidratos pois possui uma alta digestibilidade, e pobre em gordura. Restrição proteica/fibra, pois aumenta o trânsito gastrointestinal. • manter a volemia e a hidratação ▪ fluidoterapia • antibioticoterapia ▪ metronidazol (antibiótico de eleição), Sulfas (diarreia crônica, pois tem efeito anti-inflamatório na mucosa intestinal, mas não pode ser uso crônico pois provoca diminuição de produção lacrimal, ceratoconjuntivite seca (KCS)); Amoxacilina+clavulanato GEH VIRAL (GASTRO- ENTERITE-VIRAL) - ANIMAL NÃO COME BEM! • Parvovírus / Coronavírus • Idade o Filhotes (< 1 ano de idade) - DOENÇA DE FILHOTE! o Adultos possuem imunidade para combater o vírus, mesmo que não sejam vacinados, se tiverem a doença ela terá sintomas muito brandos. • histórico o Queixa de proprietário: “Animal que para de comer, durante o dia fica apático, durante o dia diarreia branda e a noite solta diarreia líquida” o apetite seletivo prévio ou anorexia o diarreia aguda e progressiva, liquida e odor fétido (muitas pessoas dizem que é um cheiro característico, porém, na realidade é cheiro de ferrugem, pois há muito sangue-ferro nas fezes) o geralmente associado a êmese • exame físico o apatia intensa o desidratação clínica (a desidratação clínica não é um efeito automático, como o quadro se torna muito agudo, o animal muitas vezes está hipotenso, desidratado, porém não aparente no turgor cutâneo). Normalmente acaba utilizando o modo de desidratação presumida, onde não se vê, mas deduz que tenha. o hipertermia ou hipotermia (extremidades frias) o liquido em alças intestinais o mucosas congestas o ODOR FÉTIDO • diagnóstico o ELISA (SNAP®) o PCR o Clínico – Mais indicado, pois os outros exames garantem muito falso negativo, por isso normalmente não é utilizado, serve mais para comprovação/fins legais, processos etc. • tratamento o fluidoterapia agressiva (em muitos casos os animais morrem, pois não ficam internados e desidratam muito) o ondansetrona, omeprazol, ranitidina. O MAROPITAN É UTILIZADO COMO PRIMEIRA OPÇÃO, NORMALMENTE O ANIMAL SE APRESENTA EM UM CASO AGUDO MUITO SEVERO, JUNTO COM RANITIDINA+ OMEPRAZOL! o antibiótico? – Em teoria nunca se deve fazer, pois nunca se usa preventivamente. Porém, na pratica sempre se faz, pois, o risco de sepse pelas bactérias do intestino é alto. VERMINOSE • Nematoides - redondos o ancylostoma sp, toxocara sp - são os causadores de diarreia • cestoides - achatados o dipylidium sp – NÃO CAUSA DIARREIA, pode ter verme nas fezes, mas não diarreia, comum animais adultos. (verme que parece um arroz) • idade o filhotes (< 1 ano de idade) - ADULTOS SÃO ASSINTOMÁTICOS, normalmente chegam a causar sintomas como diarreia, em adultos, quando esta não é a única causa. • histórico o diarreia pastosa a líquida o apetite normal ou parorexia (geofagia-comer terra). o Geralmente não há êmese (geralmente não vomitam, mas pode vomitar verme pela carga parasitária excessiva). • exame físico – “animal feinho, magrinho na frente barrigudo atrás” o caquexia, pelame opaco o abdômen abaulado, mucosas hipocoradas o palpação abdominal sem maiores alterações • diagnóstico o coproparasitológico • tratamento o nematoides ▪ fembendazol ou albendazol: 3 dias e após 14 dias. Sem esses medicamentos, animais que apresentam doença clínica, causadas por nematoides, não curam! o cestoides ▪ praziquantel: sem esses medicamentos, animais que apresentam doença clínica, causadas por cestoides, não curam! Em dose única e repetir após 14 dias ▪ Lembrando que o principal cestoide Dipylidium possui uma parte do ciclo de vida hospedado na pulga, então deve-se ter um controle rígido de ectoparasitas. ▪ associação de febantel (quando metabolizado no fígado se torna fembendazol), praziquantel e palmoato de pirantel (Ex: DRONTAL, CANEX COMPOSTO): Drontal, é um medicamento comumente usado na doença clínica de verminose, pois possui amplo espectro, porém, não é regulado para dose correta que combate nematoides (pois normalmente fazem dose única), o correto para nematoides seriam 3 doses. O mais indicado é não usar na doença clínica, no caso de nematoides (na dúvida, só lembrar que cestoides não causam diarreia). ▪ IVERMECTINA: não é utilizado para tratamento de verminose clínica. Se faz uso de prevenção. Pois existem outros medicamentos que são muito mais efetivos e menos tóxicos para serem utilizados. o dar vermífugo constantemente é desnecessário, pois os ricos de contaminação de vermes não são tão altos na maior parte dos animais criados em casa, aqueles que vivem em sítio e lugares de risco que possuem maiores indicações para o uso constate, do contrário, não é necessário. PROTOZOÁRIOS E COCCIDIAS • protozoários o giárdia - A causa mais comum de diarreia hoje o tritrichomonas foetus (gatos) ▪ literatura complementar (www.jodyGookin.com) Trichomonads são protozoários que residem como parasitas ou comensais de cavidades corporais úmidas, quentes e anaeróbicas de seus hospedeiros. Aproximadamente 19 anos atrás,a tricomonose do intestino grosso do gato foi descrita e identificada como causa de diarréia crônica. O trichomonad foi identificado como Tritrichomonas foetus com um genótipo que é forma distinta de T. fetus venéreo de bovinos. A infecção é agora reconhecida para ser distribuída gato cinzento andando na sala de exame em todo o mundo e é considerada uma das causas infecciosas mais comuns de colite no gato doméstico. A infecção é comum em gatis e abrigos, e embora a remissão da diarréia possa ocorrer com o tempo, a persistência da infecção é comum e pode durar a vida toda. O diagnóstico baseia-se na demonstração de T. foetus nas fezes com base na microscopia de luz, cultura de protozoários ou amplicação de PCR usando primers específicos para espécies. Felino T. feto é resistente a todos os medicamentos anti-protozoários comumente usados. O ronidazol é atualmente a única droga demonstrada como eficaz na eliminação de T. fetus de gatos, no entanto, esta droga tem uma estreita margem de segurança e a resistência clínica é cada vez mais reconhecida. Quanto mais aprendemos sobre tricomonose em gatos, mais complicada e controversa a infecção se tornou, indo do que deveríamos chamar o organismo para saber se deveríamos ou não tentar tratá-lo. • coccídea-raro o coccidiose, isospora • idade o qualquer idade • histórico o diarreia pastosa, geralmente branda e renitente e intermitente (DIARREIA QUE VAI E VOLTA! “DIARREIA DO PAPAI”) o apetite seletivo, mas raramente causa anorexia (não para de comer) o como não há queixas claras, como desidratação, apatia etc. Parece que o animal comeu algo que não deveria. o importante • exame físico o não há hipertermia o raramente causa desidratação clínica ou caquexia • diagnóstico o giárdia ▪ coproparasitológico (3x por flutuação com sulfato de zinco). Apenas confirma que não é giárdia após 3 vezes, porém é inviável. ▪ ELISA (SNAP®) - Pode dar falso negativo o coccidia / isospora ▪ coproparasitológico o tritrichomonas ▪ PCR das fezes / coproparasitológico • tratamento o giárdia (independente do resultado dos exames, se os sintomas parecem com giárdia, o animal sai da clínica em tratamento, pois é uma doença que mais se comprova com o resultado do tratamento do que com exames, já que podem ter vários falsos negativos) ▪ fembendazol OU metronidazolo (não usar juntos) o coccidias e isospora ▪ sulfas o tritrichomonas foetus ▪ metronidazol ▪ ronidazol o associação de metronidazol+ sulfas (GIARDICID); medicação comum de ser administrada nesses casos por ter amplo espectro, porém se for giárdia não precisava usar sulfa, além do mais é um medicamento muito caro. o Key point ▪ todos os contactantes devem ser tratados, sintomáticos ou não ▪ é necessário higienização do ambiente e fômites com amônia quaternária ▪ todos os animais devem ser lavados INTOLERÂNCIA OU ALERGIA À DIETA • A intolerância é uma resposta não imunológica a dieta ou algum componente o diarreia isolada • A alergia é uma resposta inflamatória ou imunemediada a algum componente o diarreia crônica o doença inflamatória intestinal ▪ linfocítica-plasmocítica ▪ eosinofílica • idade o geralmente adultos jovens • histórico (doença inflamatória intestinal) o diarreia crônica o emagrecimento o Intolerância ou alergia a dieta • exame físico o raramente caquexia o não há febre ou desidratação o alças intestinais espessadas (?) • diagnóstico o endoscopia ou laparotomia para biópsia e o histopatológico! • tratamento da doença inflamatória intestinal o mudança da dieta para hipoalergênica ▪ proteína inédita ▪ proteína hidrolisada o prednisolona o reposição de cobalamina o Intolerância ou alergia a dieta o diarreia responsiva ao metronidazol ▪ disbiose / inflamatória / giárdia CORPO ESTRANHO • idade o geralmente jovem o idosos com doença intestinal obstrutiva ▪ neoplasia • histórico o diarreia ou constipação aguda o anorexia • exame físico o palpação abdominal ▪ presença de estrutura palpável ▪ gases e sensibilidade o desidratação • diagnóstico o ultrassom ou RX • tratamento