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Apostila Desenvolvimeto e Comportamento Motor

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Desenvolvimento e 
Comportamento Motor
Professora Mestra Juliana Montenegro Seron
#CURRÍCULO LATTES# 
 
Professora Mestra Juliana Montenegro Seron 
 
● Mestre em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá; 
● Licenciada em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá; 
● Professora de Pós-Graduação pelo Grupo Rhema de Educação; 
● Professora de Educação Física do Ensino Médio – Colégio Axia; 
● Docente do Curso de Design Gráfico pelo UniFCV – Centro Universitário Cidade 
Verde; 
● Gestora Educacional pelo Colégio Axia; 
● Palestrante; 
● Coaching Educacional; 
● Coordenadora do curso de Educação Física na modalidade EAD pelo UniFCV – 
Centro Universitário Cidade Verde; 
 
Experiência com formação de professores, atua com cursos de capacitação docente e 
assessoria educacional. Trabalha com organização de eventos. Atua em cursos e 
palestras online. 
 
 Link do lattes: http://lattes.cnpq.br/3070192956405562 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DA APOSTILA 
 
Seja muito bem-vindo(a)! 
Se você se interessou pelo tema que iremos trabalhar nessa disciplina, já estamos 
nos entendendo. Começamos o processo de aprendizagem que tem tudo para render 
bons frutos. Estamos iniciando nossa jornada rumo ao fantástico universo do 
desenvolvimento humano, e vamos juntos conhecer cada etapa e adquirir muito 
conhecimento sobre o assunto. 
A partir de agora teremos um combinado que vai durar o tempo que estivermos 
aprendendo juntos sobre Desenvolvimento e Comportamento motor. Vamos nos 
enveredar pelos caminhos das aprendizagens motoras do ser humano, começando 
desde antes do nascimento, e só vamos parar lá na velhice. Na verdade, o movimento 
perpassa toda a vida humana, desde a concepção até a morte, e vamos explorar tudo 
isso de maneira intensa e, na medida do possível, leve. 
● Na Unidade I vamos conhecer os conceitos básicos do desenvolvimento 
humano e compreender o desenvolvimento motor e suas especificidades. Vamos 
conhecer modelos de desenvolvimento humano, bem como os aspectos que 
afetam as aprendizagens motoras. Para terminar a unidade iremos nos encantar 
pela famosa ampulheta proposta por Gallahue e Ozmun num livro que é 
considerado a “bíblia” do desenvolvimento motor. Ficou curioso(a)? 
● Já na Unidade II começaremos a desvendar cada uma das etapas do 
desenvolvimento motor. Na verdade, vamos começar desde antes do nascimento, 
conhecendo aspectos que o afetam e que podem ocorrer mesmo antes de nascer. 
Incrível não?! Vamos conhecer como acontece o crescimento pré-natal e infantil 
e tratar de duas etapas: a dos movimentos reflexos e a dos movimentos 
rudimentares. Partindo sempre de reflexões e questionamentos pertinentes e que 
te motivem a querer aprender mais. 
● Na sequência, na Unidade III, falaremos a respeito da infância, como uma 
fase essencial de aquisições de habilidades motoras. Tantas aprendizagens 
acontecem neste período. Vamos explorar a fase das habilidades motoras 
fundamentais, o próprio nome já nos diz o quão importante é essa etapa. Em 
seguida iremos conhecer aspectos da famigerada e tão maltratada adolescência, 
que, com todas as suas peculiaridades, é a fase das habilidades motoras 
especializadas e muito se tem para aprender sobre esse período. 
● Em nossa Unidade IV vamos finalizar o conteúdo dessa disciplina com a 
fase adulta e a velhice. Faremos um passeio pelo desenvolvimento humano, 
especificamente falando da motricidade, dos 25 até os 59 anos, num primeiro 
momento, e depois a partir dos 60 anos. 
 
Estou, a partir de agora, intimando você a se apaixonar e aprender muito comigo 
sobre um dos temas mais importantes para quem trabalha com seres humanos. Posso 
garantir que seus esforços para aprender e estudar tudo o que esse material oferecer 
não serão em vão. Você sempre vai lembrar das aprendizagens que venha a adquirir 
nesta disciplina. 
Espero que você aproveite cada linha desta apostila e cada vídeo deste material, 
devorando o conhecimento que ele fornece. Que esta disciplina contribua para seu 
crescimento pessoal e profissional. E lembre-se: sempre que sentir necessidade revisite 
suas anotações e o material desta aula. 
 
Gratidão sempre e excelente percurso! 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE I 
PLANO DE CONHECIMENTO 
Professora Mestra Juliana Montenegro Seron 
 
Plano de Estudo: 
➔ Introdução e conceitos; 
➔ Compreendendo o desenvolvimento motor; 
➔ Modelos de desenvolvimento humano; 
➔ Fatores que afetam o desenvolvimento motor; 
➔ Explanação do modelo teórico do desenvolvimento motor. 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
• Conceituar e contextualizar os principais termos utilizados que permeiam o 
desenvolvimento motor; 
• Compreender o desenvolvimento motor a partir de diferentes referenciais teóricos; 
• Conhecer os fatores que interferem no desenvolvimento motor típico considerando 
suas etapas. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Olá, caro(a) aluno(a). Daremos início à primeira unidade da disciplina de 
Desenvolvimento e Comportamento Motor. 
Nesse momento serão trabalhados alguns conceitos básicos que envolvem 
os diversos assuntos relacionados ao desenvolvimento e ao comportamento motor, 
necessários para que você possa estudar os próximos assuntos e aprender sobre 
aspectos do desenvolvimento humano. Para que você se torne o profissional que 
atue de maneira eficaz é necessário conhecer cada uma das etapas do 
desenvolvimento e os diversos aspectos que fazem parte de cada uma delas. 
Depois que conhecer alguns termos que iremos utilizar durante toda 
disciplina, você irá compreender o desenvolvimento motor, suas características e 
particularidades. Em seguida, aprenderá que existem diferentes modelos teóricos 
de desenvolvimento motor e, a partir de alguns referenciais teóricos selecionados, 
observará possibilidades de trabalho para o profissional da Educação Física. 
Vale lembrar que o desenvolvimento humano não é linear nem tampouco 
fixo, ou seja, sofre a influência de diversos aspectos e pode ser diferente de uma 
pessoa para outra, o que justifica a necessidade de que você conheça alguns 
modelos teóricos de desenvolvimento motor, buscando autores que estudam o 
assunto em suas pesquisas. Diante disso, ao término da unidade você irá conhecer 
os aspectos que podem interferir no desenvolvimento humano. Costumeiramente 
usamos para designar desenvolvimento motor os termos típico – quando as 
aprendizagens motoras estão acontecendo conforme o esperado para determinada 
idade; e atípico – quando algo nas ações motoras de um ser humano não acontece 
de acordo com o esperado e este demonstra não estar desenvolvendo as 
habilidades motoras de acordo com as tabelas de referência. Considerando o 
exposto, finalizo a unidade explicando um modelo teórico de desenvolvimento 
motor. 
Espero ter instigado sua curiosidade. A partir de agora te convido a ficar cada 
vez mais intrigado e entendido do assunto. 
Bons estudos! 
 
1 INTRODUÇÃO E CONCEITOS 
 
 
Neste tópico inicial você irá conhecer termos que serão utilizados durante 
toda a disciplina. É fundamental que, sempre que necessário, esta unidade seja 
retomada. Se achar melhor, monte uma tabela ou mapa mental desses termos para 
tê-los sempre à mão. São conceitos que fazem parte dos estudos em 
desenvolvimento humano e que dialogam, ou seja, existe uma relação entre eles, 
mas cada um tem aspectos específicos, que precisam ser conhecidos por você. Por 
isso recomendo que, ao estudar o tópico, vá montando anotações e recorra a elas 
sempre que precisar. 
 
1.1 Desenvolvimento, Maturação, Crescimento, Aprendizagem e outros 
Termos 
Neste tópico você irá conhecer termos e conceitos que serão utilizados de 
maneira recorrente na disciplina e na sua atuação como profissional da Educação 
Física. Para tanto, o embasamento teórico se deu em Gallahue e Ozmun (2013); 
Tani (2008); Fonseca (2008); Magill (2000) e Haywood e Getchell (2016).O desenvolvimento é entendido como o conjunto de processos de natureza 
biológica que representa as transformações que ocorrem em um organismo no 
decorrer da vida. Em se tratando de desenvolvimento humano, tal processo está 
relacionado a aspectos de ordem psíquica, também é fruto das frequentes relações 
e interações sociais que constrói, estabelece e promove no decorrer de sua vida. 
Sendo assim, em nós, seres humanos, o desenvolvimento abrange diversos 
aspectos, sendo: sociológico, biológico e psicológico. Considerando que tais 
dimensões funcionam de maneira interativa, formando o ser humano de maneira 
integral, temos complexidade e individualidade no mesmo ser. 
Ao tratarmos do desenvolvimento motor, falamos do conjunto de 
modificações no comportamento, nas ações motoras, de acordo com a idade. 
Constitui um processo complexo de alterações que, interligadas, envolvem 
aspectos de crescimento maturação de sistemas e aparelhos do corpo humano. O 
 
desenvolvimento motor tem início na concepção, se estende por toda a vida e 
termina ao morrer. 
Por crescimento entende-se o conjunto de modificações morfológicas do ser 
humano nos aspectos corporais, como composição e proporção dos segmentos, 
resulta da mensuração das transformações de hipertrofia – aumento de massa 
muscular – e de hiperplasia – aumento do número de células em órgãos ou tecidos. 
O crescimento é um processo permeado por mudanças hormonais complexas, 
manifestado em períodos mais e menos intensos. Portanto, não é um percurso 
linear e acaba por ser assimétrico, com momentos de maior ou menor estabilidade. 
Gallahue e Ozmun (2013, p. 30), na obra, considerada a “bíblia” do 
desenvolvimento motor, de título Compreendendo o desenvolvimento motor, 
apresentam as seguintes concepções (caro(a) aluno(a), recomendo que você grave 
este nome, será uma referência fundamental na sua área). 
 
Os termos crescimento e desenvolvimento são usados com 
frequência como sinônimos, mas há diferença de ênfase. No seu 
sentido mais puro, o crescimento físico refere-se ao aumento do 
tamanho do corpo do indivíduo ou de suas partes durante a 
maturação. Em outras palavras, crescimento físico é o aumento na 
estrutura do corpo provocado pela multiplicação ou aumento das 
células. No entanto, o termo crescimento muitas vezes é usado para 
se referir à totalidade das mudanças físicas e, assim, torna-se mais 
inclusivo, assumindo o mesmo sentido de desenvolvimento. [...] o 
desenvolvimento, no seu sentido mais puro, refere-se a mudanças 
no nível de funcionamento do indivíduo ao longo do tempo. [...] 
embora o desenvolvimento seja visto mais como o surgimento e a 
ampliação da capacidade de funcionar em um nível elevado, temos 
de reconhecer que o conceito de desenvolvimento é muito mais 
amplo e que ele é um processo cuja duração se estende pela vida 
inteira. 
 
A maturação é uma concepção estritamente biológica, expressa por um 
conjunto de modificações fisiológicas determinadas pelas especificidades 
genéticas. Apesar de encontrar o seu sentido de forma mais ampla e até mesmo 
como sinônimo de desenvolvimento, ou algumas vezes de aprendizagem, optamos 
por estabelecer maturação no patamar dos processos internos que geram 
alterações morfológicas ou do que tange ao potencial de aprendizagem e 
 
desenvolvimento do ser humano. Sobre maturação, Gallahue e Ozmun (2013, p. 
30) apresentam que 
 
refere-se a mudanças qualitativas, que permitem a progressão até 
níveis mais elevados de funcionamento. Quando vista a partir de 
uma perspectiva biológica, a maturação é primordialmente inata; ou 
seja, é determinada geneticamente e resistente a influências 
externas ou ambientais. A maturação é caracterizada por uma 
ordem de progressão fixa, em que o ritmo pode variar, mas a 
sequência de surgimento das características, em geral, não varia. 
 
Ao tratarmos de maturação nos referimos aos processos específicos que 
ocorrem em sistemas, como nervoso, ósseo, entre outros. Mesmo que possamos 
olhar aspectos maturacionais de cada um desses sistemas, é fato que existem entre 
eles uma espécie de comunicação expressa num mecanismo de regulação em 
conjunto, o que faz com que o organismo funcione de maneira harmônica. 
Segundo Haywood (2016, p. 21) 
 
Maturação denota o progresso em direção à maturidade física, ao 
estado de integração funcional ideal dos sistemas corporais de um 
indivíduo e à capacidade de reprodução. já o desenvolvimento 
continua o mesmo depois que se atinge a maturidade física. As 
mudanças fisiológicas não param ao final do período de crescimento 
físico: elas ocorrem durante toda a vida. 
 
Aspectos maturacionais são essenciais para o desenvolvimento motor e 
interferem nas aprendizagens das pessoas, ou seja, caso uma criança, adolescente 
ou adulto não esteja com seus sistemas “maduros” para desenvolver determinada 
habilidade ou competência, e isso está intimamente relacionado com a idade, ela 
pode não ocorrer. 
O que quero dizer com isso, aluno(a)? Pense na aprendizagem do andar pela 
criança, que acontece por volta dos 12 meses de vida. Pois bem, se não há 
minimamente a maturação dos sistemas nervoso, ósseo e muscular, a criança vai 
conseguir aprender a andar? Reflita sobre a situação por alguns instantes antes de 
continuar seus estudos... 
Mas vamos deixar claro que o desenvolvimento humano não depende 
exclusivamente da maturação, apesar de existirem linhas teóricas que defendem tal 
 
premissa. Neste material vamos trabalhar com a ideia de que para que o 
desenvolvimento ocorra de maneira saudável é necessário um conjunto de 
aspectos, entre esses a aprendizagem. 
Aprendizagem é entendida como o conjunto de adequações e ajustes da 
resposta a partir de uma vivência, que envolvem estruturas de tomada de decisão 
superiores. Constitui-se em processos de mudanças comportamentais derivados de 
experiências construídas em aspectos sócio afetivos, emocionais, neurológicos, 
ambientais e relacionais. 
Nesse sentido, a aprendizagem motora é o conjunto de processos motores 
e cognitivos relacionados às ações e à prática, e que acabam por modificar o 
comportamento motor. A aprendizagem motora vai estudar o desenvolvimento de 
aquisições motoras no decorrer da vida, quando, por exemplo, uma criança passa 
do não saber andar de bicicleta para o conseguir realizar tal ação motora com 
destreza e segurança e de que maneira todo o processo acontece. Nesta 
perspectiva serão estudados os aspectos que interferem na aquisição das 
habilidades motoras, bem como os mecanismos que atuam nas alterações do 
comportamento motor. 
De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 32), “aprendizado motor 
portanto, é o aspecto do aprendizado em que o movimento desempenha a principal 
parte. O aprendizado motor é uma mudança relativamente permanente no 
comportamento motor, resultando da prática ou da experiência passada”. 
Por controle motor entende-se os movimentos realizados e controlados, ou 
seja, os que são intencionais. Nesse caso são controlados voluntariamente pelo 
Sistema Nervoso Central e trabalham de maneira coordenada do sistema muscular 
e ósseo, numa relação entre sistema sensorial, meio ambiente e movimentos 
corporais. Para Gallahue e Ozmun (2013, p. 33) “é o aspecto do aprendizado e do 
desenvolvimento motor que lida com o estudo dos mecanismos neurais e físicos 
subjacentes ao movimento humano”. 
O termo comportamento motor refere-se às alterações no controle e no 
desenvolvimento motor e contempla aspectos de aprendizagem e dos processos 
maturativos relacionando a performance na realização dos movimentos corporais. 
 
Sendo assim, o comportamento motor estuda aprendizagem, controle e 
desenvolvimento motor. Estudando de que maneiras os movimentos são 
apreendidos, bem como as alterações sofridas no decorrer da vida em resposta aos 
fatores internos e externos. 
Por habilidade motora entende-se a execução de uma ação motora que 
tenhaum objetivo específico e, para tal, requer a realização de movimentos 
voluntários do corpo ou de membros, quais sejam: andar, correr, saltar, tocar um 
instrumento, entre outros. São os movimentos voluntários realizados pelo corpo 
para executar determinada tarefa. 
O termo movimento diz respeito às mudanças que observamos nas 
posições dos segmentos corporais, que culminam de atos motores subjacentes. 
E para terminar nosso glossário de verbetes fundamentais da disciplina 
vamos falar de experiência, entendida como aspectos ambientais que possibilitam 
a alteração do desenvolvimento no decorrer do processo de aprendizagem. As 
vivências da criança podem interferir no ritmo dos padrões de comportamento motor 
que surgem. Por isso é essencial que o ambiente seja saudável e que os estímulos 
proporcionados às pessoas sejam coerentes com as etapas de desenvolvimento, 
respeitem os níveis maturacionais e os interesses de acordo com a faixa etária. 
Ao iniciarmos esta unidade fiz uma sugestão que retomo agora, se, por 
acaso, você não fez. Agora que estudou diversos termos que serão utilizados no 
decorrer da disciplina, e bem provavelmente durante o curso, bem como em sua 
atuação profissional, monte uma tabela ou mapa mental do que foi trabalhado. 
Sempre que precisar ou tiver dúvida em relação a um desses verbetes recorra às 
suas anotações. 
 
 
 
 
 
2 COMPREENDENDO O DESENVOLVIMENTO MOTOR 
 No presente tópico iremos tratar do desenvolvimento motor: noções básicas 
e conceituais, aspectos históricos, métodos de estudo do desenvolvimento – 
longitudinal, transversal e longitudinal misto. Neste momento buscamos um aporte 
teórico essencial para construção dos saberes da disciplina e que irão contribuir de 
maneira significativa para as próximas unidades e para a sua formação profissional. 
 
2.1 Noções Básicas e Conceituais 
 Antes de mais nada, pense por alguns instantes na importância dos 
movimentos para a vida das pessoas. Isso mesmo... Pense no cotidiano das 
pessoas e o quanto o movimento corporal é fundamental para realização das 
inúmeras tarefas que executamos. 
Na verdade, tudo o que fazemos depende e envolve ações motoras, desde 
movimentos involuntários, como as batidas do coração ou a respiração, até os 
intencionais, como caminhar, digitar e tantos outros que executamos o tempo todo. 
 Por isso entender a maneira como tais movimentos são realizados, 
compreender o controle motor e aspectos de coordenação, realização de 
movimentos e de desenvolvimento é fundamental para entendermos a vida 
humana. 
 Ao conhecer o processo de desenvolvimento motor típico – quando se dá de 
maneira saudável e de acordo com o esperado para a idade, sem intercorrências – 
somos capazes de proporcionar estímulos adequados e orientações essenciais 
para que o ensino-aprendizagem ocorra de maneira eficaz. 
O que isso quer dizer na prática? Quando os profissionais da Educação, da 
Educação Física e até mesmo pais e responsáveis compreendem aspectos do 
desenvolvimento, estão aptos a selecionar estratégias, técnicas e atividades 
condizentes com as necessidades de desenvolvimento do aluno, o que os permite 
construir o planejamento de ensino pautado em referenciais que estudam o ser 
humano com base em suas especificidades, respeitando cada etapa de 
aprendizagem. O resultado são aulas mais significativas para o grupo, mais 
relevantes e que realmente desenvolvem habilidades essenciais para determinada 
 
faixa etária e promovem aprendizagens que serão importantes para os próximos 
conteúdos a serem aprendidos. 
Você pode estar se perguntando, mas e aquelas pessoas que têm 
desenvolvimento atípico, como crianças com transtornos do neurodesenvolvimento: 
Autismo, TDAH, Deficiência Intelectual; ou transtornos específicos de 
aprendizagem: Dislexia, Disortografia, Disgrafia, entre outros? De que serve 
conhecer aspectos e tabelas de referência de desenvolvimento motor? 
Pois bem, para essas pessoas, entender de desenvolvimento motor pelos 
profissionais que os atendem fornece um suporte consistente que contribui na 
intervenção, no processo terapêutico e na prescrição da medicação. 
Compreender os processos de desenvolvimento humano é necessário em 
diversos contextos da sua atuação profissional, quais sejam: escola, treinamento 
desportivo, academia, clínica, entre outros. Leia com atenção o que Gallahue e 
Ozmun (2013, p. 21) dizem sobre o assunto 
 
Sem noções sólidas sobre os aspectos do desenvolvimento do 
comportamento humano, podemos apenas intuir técnicas 
educativas e procedimento de intervenção apropriados. As 
instruções com base no desenvolvimento envolvem experiências de 
aprendizado que são não apenas adequadas à idade, mas também 
apropriadas e divertidas em termos de desenvolvimento. O 
fornecimento de instruções é um aspecto importante do processo 
ensino-aprendizado. As instruções, entretanto, não explicam o 
aprendizado; o desenvolvimento, sim. 
 
 E aí? Percebeu a importância de conhecer o desenvolvimento para intervir 
de maneira consistente e responsável? Sendo assim, podemos continuar nossos 
estudos... 
 Gostaria de esclarecer que para montagem deste material utilizei referenciais 
teóricos significativos sobre o tema, mas que não se configuram como verdades 
absolutas, pode ser que em suas pesquisas e estudos posteriores você encontre 
outras perspectivas e diferentes abordagens e linhas teóricas. Permita-se o debate 
entre os diferentes olhares e possibilite o diálogo e não o enfrentamento das teorias. 
 Feitos os devidos esclarecimentos, vou apresentar um esquema construído 
por David Gallahue e Ozmun (vai aparecer muitas vezes por aqui...) que consiste 
 
numa visão transacional sobre as causas do desenvolvimento motor. Neste 
momento gostaria que você observasse a imagem e buscasse exemplos do 
cotidiano que explicitem cada um dos fatores. Faça a tentativa! 
 
Figura 1 - Visão tradicional da relação causal no desenvolvimento motor 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 22). 
 
A Figura 1 mostra os diversos aspectos que atuam no desenvolvimento motor 
do ser humano e representam a maneira como estão interligados. Justamente por 
isso que o profissional da Educação Física deve estar atento às condições para o 
desenvolvimento dos seus alunos, lembrando sempre que para que uma 
aprendizagem aconteça deve estar em condições favoráveis: individuais, 
ambientais e da tarefa, como apresenta a figura. 
Para vencer a relação dicotômica que existe entre os aspectos biológicos e 
os ambientais a fim de compreender o desenvolvimento motor, Manoel (2008, p. 34) 
esclarece que 
 
 
[...] o desenvolvimento motor, nos últimos anos, é visto como um 
processo que envolve a emergência, a aquisição e o 
aperfeiçoamento de funções e habilidades a partir de um script que 
vai sendo escrito ao longo da experiência. A extensão do script, a 
gramática sobre a qual ele opera, é predeterminada pela nossa 
natureza (biológica) humana. 
 
É fundamental estudarmos o desenvolvimento como um processo contínuo 
que começa ao nascer e se estende durante toda a vida, terminando com a morte. 
Por isso devemos estudar o desenvolvimento em todas as idades, pensando que 
ocorre no decorrer da vida e que as aquisições e aprendizagens são progressivas 
e contínuas, ou seja, elas acontecem do mais simples para o mais complexo e 
dependem de aprendizagens anteriores para que possam evoluir. 
Ficou confuso? 
Exemplifico para esclarecer... Para aprender a correr, a criança deve primeiro 
andar, para andar deve aprender a ficar em pé, em equilíbrio, e assim 
sucessivamente. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 23), 
 
O processo de desenvolvimento, e, de modo mais específico, o 
processo de desenvolvimento motor, deve nos fazer lembrar 
constantemente da individualidade do aprendiz. Cada indivíduo tem 
um cronograma singular para a aquisição das capacidades de 
movimento e das habilidades de movimento.Embora o “relógio 
biológico” do indivíduo seja bem específico, quando se trata da 
sequência de aquisição das habilidades de movimento (maturação), 
a taxa e a extensão do desenvolvimento são determinadas 
individualmente (experiência) e sofrem drástica influência das 
demandas de performance das tarefas. 
 
 Sobre o desenvolvimento motor Haywood (2016, p. 4-5) aponta que deriva 
de diversos aspectos e os aponta ao afirmar que 
 
Primeiro, é um processo contínuo de mudanças na capacidade 
funcional. pense na capacidade funcional como a capacidade de 
existir - viver, mover-se e trabalhar - no mundo real. Esse é um 
processo cumulativo, em que os organismos vivos estão sempre em 
desenvolvimento, mas a quantidade de mudanças pode ser mais ou 
menos observável ao longo da vida. Segundo, o desenvolvimento 
está relacionado à idade (apesar de não depender dela). À medida 
que a idade avança, o desenvolvimento ocorre. Todavia, ele pode 
ser mais rápido ou mais lento em diferentes períodos, e suas taxas 
podem diferir entre pessoas da mesma idade. Cada indivíduo não 
 
necessariamente avança em idade e desenvolvimento na mesma 
proporção. Além disso, o desenvolvimento não para em uma idade 
em particular, mas continua ao longo da vida. Terceiro, o 
desenvolvimento envolve mudanças sequenciais. Um passo leva ao 
passo seguinte, de maneira irreversível e ordenada. essa mudança 
é resultado de interações internas do indivíduo e de interações entre 
o sujeito e o ambiente. Todos os componentes de uma espécie 
passam por padrões previsíveis de desenvolvimento, mas o 
resultado é sempre um grupo de indivíduos únicos. 
 
Ainda sobre desenvolvimento motor, temos um pesquisador da área da 
Educação Física, com uma abordagem inicialmente desenvolvimentista, Tani (2008, 
p. 317), que considera como ótimo o desenvolvimento motor que implica no 
 
[...] aumento da diversificação e complexidade do comportamento 
motor. Entende-se por aumento de diversificação o aumento na 
quantidade de elementos do comportamento e por aumento de 
complexidade, o aumento de interação entre os elementos de 
comportamento. 
 
No próximo tópico iremos conhecer, de maneira sucinta, os principais 
aspectos históricos que permeiam os estudos de desenvolvimento motor. Tais 
informações irão contribuir de maneira significativa para compreender a importância 
de estudar o tema na sua atuação profissional. O desenvolvimento motor 
transversaliza o trabalho do profissional de Educação Física, tendo em vista que o 
seu objeto de estudo é o corpo em movimento. 
 
2.2 Aspectos Históricos 
 Os primeiros estudos que tematizam o desenvolvimento motor partiram do 
princípio da maturação e foram encabeçados por Arnold Gesell (1928) e Myrtle 
McGraw (1935). Os pesquisadores defendiam a ideia de que “o desenvolvimento é 
função de processos biológicos inatos, que resultam em uma sequência universal 
de aquisição das habilidades de movimento pelo bebê” (GALLAHUE; OZMUN, 
2013, p. 23). Além disso, partiam do pressuposto de que o ambiente influencia o 
desenvolvimento, mas que de temporariamente, tendo em vista que os aspectos 
genéticos se sobrepunham aos fatores ambientais. 
 
No final do século XIX aconteceram alguns estudos sobre a aprendizagem 
motora e, nesse momento, foram impulsionados pela Psicologia, com os 
pesquisadores Bryan e Harter (1897), ao tratar da aquisição de habilidades de 
manejo do código Morse. Posteriormente por Woodsworth (1899), com base na 
análise da relação entre precisão e velocidade nos movimentos das mãos. Franklin 
M. Henry (1964), a partir da psicologia experimental, considerado um dos principais 
pesquisadores das habilidades motoras, propõe estudos da coordenação motora 
ampla, observando ações motoras realizadas por todo o corpo em situações de 
jogos e ginásios. 
Henry teve como discípulos nas décadas de 70 e 80 Dick Schmidt e Craig 
Wrisberg, haja vista que Henry influenciou diretamente as áreas da Educação Física 
e da Cinesiologia – ciência que analisa os movimentos corporais. 
Após a segunda guerra mundial surgiram novos estudos sobre o 
desenvolvimento motor, por pesquisadores da área da Educação Física que 
trabalharam com as potencialidades da performance motora em crianças. Diferente 
de Gesell e McGraw, que trabalharam mais com bebês, Espenschade, Glassow e 
Rarick (1981) concentraram suas investigações em crianças em idade escolar. 
Depois da década de 60, os estudos acerca do desenvolvimento motor foram 
ampliando. Estudantes e pesquisadores se propuseram a investigar a aquisição dos 
padrões dos movimentos fundamentais e os meios subjacentes para tais 
aquisições, ou seja, quais aspectos interferem nas aprendizagens motoras. 
De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 24), 
 
Durante as décadas de 1980 e 1990, a ênfase do estudo do 
desenvolvimento motor de novo mudou de forma drástica. Em vez 
de focar o produto do desenvolvimento, como nas abordagens 
normativas/descritivas das três décadas precedentes, os 
pesquisadores passaram a enfatizar outra vez a compreensão dos 
processos subjacentes envolvidos no desenvolvimento motor. 
Embora a importância fundamental da hereditariedade tivesse sido 
reconhecida, agora era dada uma importância complementar às 
condições do ambiente do aprendizado e às exigências específicas 
da tarefa ou ação motora. 
 
 Com o surgimento de novas perspectivas e outras possibilidades de 
entendimento do desenvolvimento motor, os olhares para as aprendizagens foram 
 
se expandindo. Isso aconteceu também pois o desenvolvimento infantil foi sendo 
mais estudado e as particularidades da infância sendo analisadas e observadas 
com mais critérios. Durante muitos anos a criança era vista como um “adulto em 
miniatura” e bastava que ela fosse capaz de executar tarefas típicas da fase adulta 
para que a ela fossem dadas tarefas típicas da maturidade. 
Para ampliação das aprendizagens, no próximo tópico você irá conhecer 
alguns modelos de desenvolvimento humano a partir de diferentes referenciais 
teóricos, pesquisadores que se propuseram a estudar o fenômeno do 
desenvolvimento humano e, a partir disso, construíram teorias consistentes sobre o 
desenvolvimento do ser humano em perspectivas teóricas diversas. 
 
 
3 MODELOS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO 
 
 
 Neste tópico iremos conhecer algumas teorias que tratam do 
desenvolvimento humano em diferentes perspectivas. A proposta aqui é promover 
a ampliação de ideias sobre a maneira como acontece o desenvolvimento humano 
a partir de diferentes referenciais teóricos. Vale esclarecer que foram selecionados 
alguns pesquisadores que podem contribuir para sua aprendizagem, o que não quer 
dizer que sejam os únicos. 
 
3.1 Piaget – Teoria do Desenvolvimento Cognitivo 
 Uma das teorias mais exploradas pela Educação, idealizada por Piaget, a 
Teoria do Desenvolvimento Cognitivo, está entre as mais conhecidas por 
pesquisadores do desenvolvimento infantil. Piaget parte do desenvolvimento 
cognitivo para construir uma tabela de referenciais de aprendizagem, de acordo com 
a faixa etária da criança. Estuda a maneira como se aprende, do nascimento até os 
11 anos, principalmente, e sugere organizar em estágios, que podem ser 
observados na Tabela 1. 
Distinguindo quatro períodos de desenvolvimento cognitivo, quais sejam: 
sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal, Piaget 
afirma que o sujeito constrói esquemas de assimilação mentais para interpretar a 
realidade. 
 
 
 
Tabela 1 - Desenvolvimento cognitivo por estágios - Jean Piaget 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 58). 
 
A aprendizagem humana acontece por meio da adaptação, complementada 
por processos conhecidos como acomodação e assimilação, como pode ser 
observado no esquema a seguir: 
 
Figura 2 - Processos do desenvolvimento cognitivo de acordo com Piaget 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 59). 
 
 
Nesta perspectiva, Piaget (2011,p. 89) afirma que 
 
Levando em conta, então, esta interação fundamental entre fatores 
internos e externos, toda conduta é uma assimilação do dado a 
esquemas anteriores (assimilação a esquemas hereditários em 
graus diversos de profundidade) e toda conduta é, ao mesmo 
tempo, acomodação destes esquemas a situação atual. Daí resulta 
que a teoria do desenvolvimento apela, necessariamente, para a 
noção de equilíbrio entre os fatores internos e externos ou, mais em 
geral, entre a assimilação e a acomodação. 
 
 
3.2 Erik Erikson – Teoria Psicossocial 
 Conhecida como psicossocial, essa teoria apresenta fases-estágio para 
estudar o desenvolvimento humano. Embasado na experiência, Erikson defende 
que o desenvolvimento psicossocial sofre influência de aspectos motores e da 
educação pelo movimento no decorrer da vida, sendo o movimento o componente 
fundamental na relação de reciprocidade nas relações parentais. Para o autor, o 
contato físico e as experiências corporais oferecem suporte para o estado psíquico 
de confiança ou desconfiança estabelecido (GALLAHUE; OZMUN, 2013). 
A Tabela 2 mostra os estágios e as características da teoria proposta por 
Erikson. Para esse momento da sua formação, caro(a) aluno(a), este panorama é 
suficiente, já que a proposta aqui é apresentar teorias que possam dialogar com o 
desenvolvimento motor. 
 
Tabela 2 - Desenvolvimento psicossocial organizado em estágios - Erikson 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 55). 
 
 
 
3.3 Arnold Gesell – Teoria da Maturação 
 Gesell aborda na teoria da maturação do desenvolvimento e do crescimento 
que o aspecto principal para o desenvolvimento dos aspectos físicos e motores do 
comportamento humano é a maturação do sistema nervoso. Para o pesquisador, o 
desenvolvimento humano está pautado em adquirir uma gama de habilidades 
motoras rudimentares pelo bebê, e que essas capacidades atuam como indicadores 
fundamentais para o crescimento social e emocional do indivíduo. 
 Gallahue e Ozmun (2013, p. 44) esclarecem que Gesell 
 
descreveu várias idades em que as crianças se encontram em 
períodos “nodais” ou então “fora de foco” em relação ao seu 
ambiente. O estágio nodal é um período de maturação, durante o 
qual a criança exibe elevado grau de domínio em situações no 
ambiente imediato, apresenta equilíbrio de comportamento e 
geralmente é agradável. Estar fora de fora é o contrário: a criança 
exibe um baixo grau de domínio em situações no ambiente imediato, 
apresenta desequilíbrio ou problemas de comportamento e 
geralmente é desagradável. 
 
 Essa teoria atualmente não é largamente aceita, mas já serviu de base para 
orientar muitos estudos e pesquisas. 
 
3.4 Freud – Teoria Psicanalítica 
 A teoria psicanalítica proposta por Freud apresenta estágios e pode ser vista 
como um dos primeiros modelos do desenvolvimento humano, centrada na 
personalidade, trata de “estágios psicossexuais do desenvolvimento”, que 
 
[...] refletem várias zonas do corpo comas quais o indivíduo busca 
satisfazer o id (fonte inconsciente de motivos, desejos, paixões e 
busca de prazer) em determinados períodos etários gerais. O ego 
faz a mediação entre o comportamento de busca do prazer do id e 
o superego (senso comum, razão e consciência) (GALLAHUE; 
OZMUN, 2013, p. 43). 
 
 Freud organizou sua teoria nos seguintes estágios: oral, anal, fálico, latente 
e genital, com base nos locais de busca de prazer do ser humano e afirma que, 
cada estágio está relacionado com as sensações físicas e com as atividades 
motoras. 
 
 
3.5 Robert Havighurst – Teoria do Ambiente 
Essa abordagem parte do princípio de que, ao realizar uma tarefa e obter 
sucesso, o indivíduo fica feliz, o que garante êxito nas atividades posteriores. Caso 
a realização da tarefa não seja bem sucedida, o resultado será a infelicidade, 
desaprovação social e dificuldade. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 62), 
 
Em cada nível do desenvolvimento, a criança encontra novas 
demandas sociais. Essas demandas, ou tarefas, surgem a partir de 
três fontes. Primeiro, surgem da maturação física. Depois, surgem 
das pressões culturais da sociedade, como aprender a ler e a ser 
cidadão responsável. A terceira fonte de tarefas é o próprio 
indivíduo. As tarefas surgem da personalidade em maturação e dos 
valores e das aspirações próprias individuais. 
 
Para Havighurst, o professor tem papel fundamental nesse processo, pois 
pode planejar de maneira adequada o processo de ensino, “identificando as tarefas 
adequadas a determinado nível de desenvolvimento e tendo plena consciência de 
que o nível de prontidão da criança é influenciado por fatores biológicos, culturais 
e pessoais”, e que estes, por sua vez funcionam de maneira integrada (GALLAHUE; 
OZMUN, 2013, p. 62) 
Havighurst organizou as etapas do desenvolvimento da seguinte forma: fase 
do bebê e primeira infância – nascimento até 5 anos; segunda infância – 6 a 12 
anos; adolescência – 13 a 18 anos; adultez jovem – 19 a 29 anos; meia-idade – 30 
a 60 anos e terceira idade – 60 anos em diante. 
Segue uma tabela, trazida por Gallahue e Ozmun (2013), que apresenta os 
marcos do desenvolvimento a partir da teoria de Havighurst. Lembrando que as 
aprendizagens devem ser observadas de maneira ampla e com certa flexibilidade, 
haja vista que o ser humano pode apresentar alterações, considerando que o que 
temos em tabelas de referência são aproximações convenientes e não protocolos 
rígidos ou enquadramentos que determinam desenvolvimento humano. 
 
Tabela 3 - Períodos do desenvolvimento de acordo com a teoria de Havighurst 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 62-63). 
 
 
 
4 FATORES QUE AFETAM O DESENVOLVIMENTO MOTOR 
 
 Para começo de conversa reflita sobre as seguintes questões: 
● Todas as pessoas têm as mesmas habilidades motoras 
desenvolvidas? 
● Existem aprendizagens de movimento corporal que você consegue 
e outras pessoas que conhece não conseguem fazer? 
● Todas as crianças aprendem as ações motoras com a mesma idade? 
 
Pois bem, acredito que suas respostas para as perguntas foram negativas, 
tendo em vista que, mesmo entre irmãos gêmeos univitelinos, as aquisições das 
habilidades motoras podem ser diferentes. 
O que quero dizer com isso? Que apesar de existirem referências e tabelas 
para o desenvolvimento humano, e para o motor também, existem aspectos que 
interferem e influenciam diretamente na aprendizagem humana. E o objetivo deste 
tópico é exatamente esse: mostrar para você quais fatores podem afetar o 
desenvolvimento das aprendizagens motoras. 
Sabendo que existem os fatores individuais, que estão relacionados a cada 
ser humano particularmente, os fatores ambientais, que dizem respeito ao meio no 
qual a criança está inserida, e, por último, mas não menos importante, existem os 
aspectos relacionados às tarefas físicas, como questões étnicas e culturais. É 
imprescindível que nós, profissionais da Educação Física possamos conhecer cada 
um deles, para olhar o desenvolvimento motor e todas as variáveis que interferem 
na evolução saudável. 
 
4.1 Fatores Individuais 
 Aqui tratamos dos aspectos genéticos e hereditários. Quando falamos de 
similaridades, entendemos que existe uma tendência de que o desenvolvimento 
humano aconteça de forma ordenada e previsível, porém existem aspectos 
biológicos que podem alterar tal ordem e previsibilidade. 
 
 A direção do desenvolvimento é um desses aspectos individuais, está 
relacionada à maturação neuromotora e à progressão cefalocaudal – controle da 
musculatura partindo da cabeça em direção aos pés – e proximodistal – controle 
da musculatura e dos movimentos, partindo do centro do corpo para as 
extremidades, em direção às partes mais distantes. 
 
Assim como no desenvolvimento cefalocaudal, o conceito de 
proximodistal aplica-se tanto aos processos do crescimento como à 
aquisição das habilidades de movimento. Por exemplo, em relaçãoao crescimento, o tronco e a cintura escapular crescem antes dos 
braços e das pernas, que crescem antes dos dedos das mãos e dos 
pés. Na aquisição das habilidades, a criança mais nova é capaz de 
controlar os músculos do tronco e da cintura escapular antes dos 
punhos, das mãos e dos dedos. Esse princípio do desenvolvimento 
é usado com frequência nos primeiros anos de escola, quando são 
ensinados os elementos menos refinados da escrita antes do ensino 
dos movimentos mais refinados e complexos (GALLAHUE; 
OZMUN, 2013, p. 84-85). 
 
Tais aspectos se desenvolvem durante toda a vida e na velhice acontece o 
caminho inverso, ou seja, as ações motoras que os membros inferiores e superiores 
realizam tendem a perder a destreza e eficácia. Por isso é necessário que as 
pessoas se mantenham ativas durante toda a vida e continuem fazendo atividades 
físicas na terceira idade, para que não percam a capacidade de mobilidade corporal 
adquirida, tendo em vista que isso acontece biologicamente. 
 Outro aspecto é a taxa de crescimento, que pode sofrer interferência 
quando a criança é acometida por uma doença grave que, momentaneamente, pode 
afetar o seu padrão de crescimento. Esse fator é resistente à influência externa, ou 
seja, mesmo que haja alteração no crescimento no indivíduo, por doença ou 
prematuridade, a tendência é que a criança recupere os níveis de crescimento e 
alcance os colegas com idade aproximada a sua. Caso ocorra a permanência no 
atraso de crescimento essa diferença pode afetar o desenvolvimento motor de 
maneira significativa e o efeito disso está relacionado ao tempo de duração e da 
gravidade da carência, da idade em que tal fato ocorrer e do potencial de 
crescimento genético do indivíduo. 
 
 O entrelaçamento recíproco é um aspecto do indivíduo que corresponde 
ao “entrelaçamento coordenado, progressivo e intrincado dos mecanismos neurais 
dos sistemas musculares opostos em uma relação de maturidade crescente” 
(GALLAHUE E OZMUN, 2013, p. 85). Está relacionado à capacidade de diferenciar 
e integrar mecanismos motores e sensoriais, aumentando de maneira complexa 
dois processos diferentes, chamados de diferenciação e integração. 
 A diferenciação é relativa às ações motoras amplas que vão sendo 
progressivamente refinadas na infância e adolescência. Por exemplo, a pega de um 
objeto, primeiro ela é feita com a mão toda de maneira mais global e, à medida que 
o movimento vai sendo diferenciado, vai refinando até que a pega fica como 
pegamos no lápis de maneira madura, por volta dos 7 anos. O controle desses 
movimentos refinados se dá a partir da prática. 
 A integração acontece quando os músculos opostos e os sistemas sensoriais 
interagem de maneira coordenada. A criança mais nova vai dos movimentos pouco 
coordenados e imprecisos para ações motoras definidas, maduras e orientadas. 
Sobre os processos de diferenciação e integração Gallahue e Ozmun (2013, 
p. 86) esclarecem que 
 
[...] tendem a reverter-se quando a idade avança. Conforme a 
pessoa envelhece e as capacidades de movimento começam a 
regredir, a interação coordenada dos mecanismos sensoriais e 
motores frequentemente fica inibida. O grau de regressão das 
capacidades do movimento coordenado não é mera função da 
idade, mas sofre grande influência dos níveis de atividade e da 
atitude. 
 
Outro fator individual é a prontidão, que depende da junção de aspectos 
biológicos, ambientais e físicos, diz respeito a estar pronto para aprender 
determinada tarefa. Algumas variáveis interferem na capacidade de estar apto para 
aprender uma nova habilidade de movimento corporal, quais sejam, maturação 
psíquica e física, interação de maneira motivada, aprendizado de pré-requisitos e 
ambiente rico em estímulos. O aspecto da prontidão sofre influência direta do 
professor, ou seja, cabe a quem ensina observar se a criança está “madura” e já 
 
possui as aprendizagens necessárias para vivenciar um novo estímulo, que vai dar 
origem a uma nova habilidade. 
Os períodos de aprendizagem críticos e sensíveis estão relacionados à 
prontidão e aos momentos da vida nos quais os indivíduos estão mais suscetíveis 
a certos estímulos em relação a outros períodos. Por exemplo, a criança que não 
tem nutrição adequada ou carência de experiências motoras na primeira infância 
pode sofrer consequências negativas no desenvolvimento em uma idade mais 
avançada. 
Existem etapas sensíveis amplamente determinadas, durante os quais as 
pessoas estão aptas a aprender novas tarefas de forma mais eficaz e efetiva. Vale 
destacar que o aprendizado acontece durante toda a vida, ou seja, é possível 
aprender novas habilidades motoras ou de outra natureza em qualquer momento 
da vida, mas existem períodos em que ocorre a aprendizagem facilitada, em que 
existem condições favoráveis para tal. 
 O fator que trata das diferenças individuais está relacionado às 
singularidades que cada ser humano apresenta, ou seja, cada pessoa possui seu 
cronograma próprio de desenvolvimento, que deriva da hereditariedade somada à 
influência do ambiente. Mesmo que exista uma sequência para o desenvolvimento 
das características, o ritmo das aquisições pode variar. 
As habilidades filogenéticas são vistas na perspectiva da maturação, 
surgem de forma automática e resistem às influências externas, são 
 
[...] as tarefas de manipulação rudimentares de alcançar, pegar e 
soltar objetos; tarefas de estabilidade para adquirir controle sobre a 
musculatura ampla do corpo; e as capacidades locomotoras 
fundamentais de caminhar, saltar e correr são exemplos do que é 
considerado habilidade filogenética (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 
88). 
 
As habilidades ontogenéticas resultam de estímulos do ambiente e de 
oportunidades de aprendizagem. Exemplos como andar de bicicleta, nadar, não 
aparecem de maneira automática, mas devem ser aprendidos ou vistos e 
experimentados para que possam ser aprendidos pela criança, são fortemente 
 
influenciados por aspectos culturais e ambientais. De acordo com Gallahue e 
Ozmun (2013, p. 88), 
 
Embora haja uma tendência biológica para o desenvolvimento de 
determinadas habilidades em função de processos filogenéticos, 
seria simplista pressupor que, sozinha, a maturação é responsável 
pelo desenvolvimento motor. A extensão ou domínio de qualquer 
habilidade de movimento voluntário depende, em parte, da 
ontogenia, ou seja, do ambiente. Em outras palavras, oportunidades 
de prática, estímulo e instrução, a ecologia ou condições do 
ambiente contribuem significativamente para o desenvolvimento 
das habilidades de movimento ao longo da vida. 
 
 Apesar de existirem fatores individuais, ficou bastante claro que o papel do 
professor, dos estímulos e das vivências a serem oferecidas ao indivíduo 
constituem-se como essenciais na formação e no desenvolvimento das habilidades 
motoras. A aprendizagem depende de diversos aspectos, mas é imprescindível que 
seja oferecido à criança um ambiente saudável e favorável para aquisição de 
habilidades e competências quando se trata de movimento humano. 
 
4.2 Fatores Ambientais 
Quando falamos de fatores ambientais nos concentramos no comportamento 
das pessoas que convivem com as crianças, nas relações parentais estabelecidas 
e na maneira como tais relacionamentos afetam o desenvolvimento humano. 
A premissa básica para entendermos esse aspecto é que as crianças 
aprendem e passam grande parte da infância agindo por imitação. Isso mesmo, as 
crianças imitam muitas coisas que estão ao seu redor. O que justifica muitas vezes 
os pais “não saberem” a origem de determinados comportamentos, gestos ou falas 
de seus filhos. O fator conhecido como laços trata da interação recíproca que se 
estabelece entre mãe e filho, pai e filho, entre outras. Esta relação mútua pode atuar 
de maneira significativa no ritmo e na extensão do desenvolvimento da criança. 
O aspecto conhecido como estimulação e privação diz respeitoao nível de 
experiências a que o ser humano é submetido. O quanto o treinamento e a 
exposição a estímulos interferem no desenvolvimento de habilidades. Em 
contrapartida a carência e escassez de vivências pode “atrasar” tais aprendizagens. 
 
Apesar de existir um potencial biológico para que determinada habilidade seja 
desenvolvida, é fato que quando a criança é estimulada a experimentar diversas 
possibilidades de ação motora, o resultado é um repertório de habilidades e nível 
de destreza de acordo com o esperado para a idade ou até mesmo avançado se 
comparado com uma criança da mesma idade que vive em condições ambientais 
desfavoráveis em se tratando de estímulos ambientais. 
Tal aspecto é facilmente observado quando olhamos os intervalos escolares. 
Vemos meninos e meninas da mesma idade, mas com níveis de habilidades 
motoras bastante diversificados. 
 
4.3 Fatores das Tarefas Físicas 
Neste item precisamos olhar para aspectos como: etnia, classe social, 
gênero, formação étnica e cultural e, sem qualquer tipo de preconceito, olhar para 
tais fatores como passíveis de influenciar o crescimento e o desenvolvimento motor. 
Vamos exemplificar de maneira simples: se pensarmos na coordenação motora 
óculo pedal, quem desenvolve mais facilmente? Meninos ou meninas? 
Pois bem, de maneira geral, por questões culturais, os meninos são 
orientados para o futebol e suas habilidades muito precocemente, o que interfere 
na aquisição e aprimoramento das habilidades. 
Evidente que muitas afirmativas que fazíamos há algum tempo já não podem 
ser feitas atualmente, e assim as coisas vão sendo modificadas. Mas, como 
profissionais que lidam diariamente com desenvolvimento humano, é necessário 
refletir sobre diversas situações que fazem parte do nosso cotidiano e da nossa 
atuação profissional. 
A prematuridade é um aspecto bastante observado quando vamos tratar de 
desenvolvimento humano, mas especificamente das aquisições motoras. O 
nascimento prematuro pode acarretar efeitos a longo prazo e ocasionar diferenças 
nas aquisições motoras no decorrer da vida do indivíduo. Quando o bebê é 
submetido aos estímulos adequados e tem os atendimentos necessários, muitas 
vezes acaba progredindo de maneira satisfatória e acaba alcançando níveis de 
desenvolvimento de acordo com o esperado para a idade. Porém, se não houver 
 
um acompanhamento adequado e atendimento necessário, a criança pode ter seu 
desenvolvimento afetado. 
O aspecto que se refere aos transtornos de alimentação trata de situações 
como obesidade, compulsão alimentar, anorexia/bulimia, e entre crianças, 
adolescentes e adultos podem afetar de maneira acentuada o crescimento e 
desenvolvimento motor. A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco do 
aparecimento de doenças graves, como diabetes e hipertensão e estão associadas 
a várias situações negativas de saúde, como colesterol elevado, problemas 
hormonais, entre outros. 
A compulsão alimentar é um transtorno no qual o indivíduo apresenta 
descontrole nos episódios de alimentação com intervalos e quantidades irregulares. 
A anorexia/bulimia é um transtorno psíquico que deriva da aversão à comida e na 
autoinanição, podendo resultar em atraso no desenvolvimento ou até mesmo levar 
à morte. 
O nível de aptidão física de uma pessoa afeta no desenvolvimento motor, 
quando falamos das condições de força, velocidade, flexibilidade, resistência, entre 
outras capacidades relacionadas ao condicionamento físico, estamos também 
falando do desenvolvimento das habilidades motoras. Quanto mais treinamos e nos 
exercitamos, melhores são as nossas capacidades e consequentemente melhor 
será nosso condicionamento físico. 
O aspecto que trata da biomecânica trata dos princípios mecânicos do 
movimento corporal, numa relação com estabilidade, locomoção e manipulação. O 
ser humano é capaz de movimentar-se de muitas formas, mas é importante 
conhecermos alguns movimentos básicos que dão suporte para que todos os outros 
movimentos sejam aprendidos e realizados. Entre eles podemos citar o equilíbrio 
corporal, que dá base para muitos movimentos que realizamos. Como podemos 
andar se não somos capazes de manter o corpo em equilíbrio, em bipedia? O 
equilíbrio corporal sofre a ação da gravidade sobre o corpo e a maneira como 
respondemos corporalmente a ela. 
A força em situações como aplicação e recepção está relacionada à 
capacidade de contração e relaxamento que permite executar diversas ações 
motoras e serve de pré-requisito para que o corpo realize e aprenda uma variedade 
de movimentos corporais cada vez mais complexos. 
 
 
5 O MODELO TEÓRICO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR 
Metodologicamente, o desenvolvimento motor é categorizado de acordo com 
a idade cronológica, por meio da distribuição em grupos a partir das faixas etárias 
correspondentes. Nesse sentido, Gallahue e Ozmun (2013) destacam que não são 
protocolos fechados, mas sim escalas de tempo aproximadas que mostram os 
comportamentos observáveis durante um período da vida. 
A vida humana tem como uma das características justamente passar por 
diversas transformações no seu decorrer e por diversas etapas: ovo, embrião, feto, 
recém-nascido, criança, adolescente, adulto, idoso. Tais fases perpassadas pelo 
ser humano parte do conjunto de funções básicas peculiares ao processo como um 
todo, que são crescimento, desenvolvimento e maturação, incorporado às 
dimensões cognitiva, afetiva e social. É fundamental que possamos olhar o 
desenvolvimento humano de maneira holística, ou seja, como um todo, no qual as 
dimensões cognitiva, afetiva e motora atuam e funcionam de maneira integrada, 
para que possamos contribuir de maneira significativa em suas aprendizagens. Os 
domínios do desenvolvimento humano não atuam de maneira isolada ou 
independente, mas de forma interativa. Vou exemplificar... 
Quando estamos emocionalmente desestabilizados nossa capacidade de 
aprendizagem, ou seja, nossa cognição, acaba sendo afetada. A condição afetiva 
do ser humano interfere na cognitiva e nos movimentos corporais e assim por 
diante. 
Já que mencionamos os domínios de desenvolvimento humano, vamos 
entender de maneira sucinta cada um deles: 
Domínio motor: caracteriza as estruturas para identificar os movimentos 
corporais humanos. Atualmente, usamos o termo Psicomotor para designar esse 
domínio, por entender que mente e corpo são aspectos indissociáveis e se refletem 
nas habilidades motoras. São as transformações progressivas no comportamento 
motor, que ocorrem a partir de condições ambientais, interagindo com ambientes 
favoráveis de aprendizado. Nesse domínio estão as ações motoras básicas e 
 
fundamentais, como andar, correr, saltar, pegar, lançar etc. Além dessas, também 
as habilidades esportivas, laborais e específicas, como pilotar um avião. 
Domínio cognitivo: são as mudanças progressivas nas habilidades de 
pensamento, raciocínio e ação. É constituído de diversos processos mentais, tais 
como: atenção, concentração, memória, entre outros. 
Domínio afetivo: diz respeito à capacidade de interação e relacionamento 
que o ser humano aprende no decorrer da vida. As pessoas utilizam o movimento 
para se relacionarem com o mundo ao seu redor, com as pessoas, com os objetos, 
com a natureza. Esse domínio trata dos comportamentos sociais que são 
aprendidos quase em sua totalidade e podem ser melhorados. 
É de suma importância conhecer os domínios do desenvolvimento, tendo em 
vista que existe uma inter-relação entre eles. Nosso comportamento motor responde 
aos estímulos decorrentes das demais dimensões do desenvolvimento humano. 
Quando tratamos do desenvolvimento motor, buscamos referências que 
possam contribuir para entender as aquisições e aprendizagens no decorrer da vida, 
do nascimento até a velhice. Para nos ajudar no entendimento das aprendizagens 
motoras, irei apresentar a famosa “ampulheta” do desenvolvimento motor, propostapor Gallahue e Ozmun (2013), que mostra as etapas distribuídas por faixa etária. 
A ideia é que você comece a se familiarizar com ela. Para tanto, gostaria que 
você observasse a imagem a seguir e pensasse por alguns instantes em crianças 
e adolescentes do seu convívio, se assim for possível, que estejam em cada uma 
das etapas. 
 
 
 
Figura 3 - Fases e estágios do desenvolvimento motor 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 69). 
 
 Essa ampulheta apresenta as etapas do desenvolvimento motor, que, neste 
momento do material, serão brevemente apresentadas. Cada uma das etapas 
mostradas será devidamente tratada nas próximas unidades. Fique tranquilo(a), 
aluno(a), que ao término desta disciplina você irá conhecer todas as fases do 
desenvolvimento motor de maneira detalhada, a fim de que tais conhecimentos 
possam auxiliar sua prática. 
 Vale ressaltar que tal ampulheta sofreu algumas alterações, ao considerar 
que existem aspectos que interferem no desenvolvimento da motricidade, e ampliou 
o modelo para o que será apresentado na sequência. Observe com atenção quais 
alterações foram realizadas e tente, como num jogo das diferenças, detectar tais 
modificações. A nova versão foi chamada “ampulheta triangulada”. 
 
Figura 4 - Ampulheta triangulada proposta por Gallahue e Ozmun 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 76). 
 
 E então? Observou as inserções? Veja o que Gallahue e Ozmun (2013, p. 
76) afirmam sobre a figura 
 
Preenchimento da ampulheta individual com “areia” (i.e., substância 
da vida). A ampulheta representa a visão descritiva (produto) do 
desenvolvimento. O triângulo invertido representa a visão 
explicativa (processo) do desenvolvimento. Ambas são úteis à 
compreensão do desenvolvimento motor à medida que o indivíduo 
se adapta continuamente às mudanças na busca constante pela 
aquisição e manutenção do controle motor e da competência no 
movimento. 
 
Essa ampulheta fornece a visão descritiva de desenvolvimento humano, 
mostrando as fases típicas e os estágios de acordo com a faixa etária, do 
nascimento até a velhice. O triângulo invertido que atravessa a figura consiste numa 
orientação visual para observarmos aspectos como hereditariedade, meio e a 
maneira como interferem na realização das tarefas de aquisição e desenvolvimento 
das habilidades motoras. 
 
É fundamental estar atento(a) aos aspectos que interferem no 
desenvolvimento motor, como os autores colocam na imagem: hereditariedade e 
ambiente. Aspectos que podem ser herdados geneticamente e que fazem diferença 
na aquisição e desenvolvimento de aprendizagens motoras e aspectos ambientais 
como uma variável essencial na aprendizagem das ações motoras pelas pessoas. 
Na segunda, os profissionais que passam pela vida do indivíduo consistem em 
elementos fundamentais, ou seja, os estímulos recebidos pelas crianças serão 
decisivos no seu desenvolvimento saudável ou não. Esteja sempre atento(a) para 
a escolha das atividades e intervenções a serem realizadas para que sejam 
coerentes com as necessidades, interesses e etapas de desenvolvimento do grupo 
que atende. 
 Como podemos observar na própria ampulheta o desenvolvimento motor 
está organizado em estágios: reflexivo, rudimentar, fundamental e especializado. 
Essas etapas vão do nascimento até por volta de 12 anos de idade. A partir de 12 
anos o ser humano vai especializando os movimentos que já aprendeu e vai 
aprimorando suas habilidades motoras aprendidas anteriormente. 
Sobre o assunto Gallahue e Ozmun (2013, p. 80) esclarecem que 
 
A aquisição de competências no movimento é um processo 
extensivo, que começa com os movimentos reflexos iniciais do 
recém-nascido e continua por toda a vida. O processo pelo qual o 
indivíduo passa pelas fases dos movimentos reflexo, rudimentar e 
fundamental, até chegar, finalmente, a fase das habilidades do 
movimento especializado e influenciado por fatores da tarefa, do 
indivíduo e do ambiente. 
 
 Para esta unidade do material ficaremos por aqui. Daqui em diante iremos 
conhecer cada etapa do desenvolvimento motor e suas particularidades 
 
 
 
SAIBA MAIS 
Vamos falar sobre Psicomotricidade? 
Durante a unidade tratamos do Desenvolvimento Motor numa perspectiva 
essencialmente desenvolvimentista e foram apresentadas diversas perspectivas 
teóricas e a fundamentação pautada em autores que, em seus estudos, 
privilegiaram as ações motoras como objeto de estudo. Neste momento trago uma 
ciência que tem por objetivo ampliar o olhar para a aprendizagem e para a 
realização dos movimentos corporais. 
Diante disso, apresento a definição de Psicomotricidade de acordo com a 
Associação Brasileira de Psicomotricidade (2019, on-line) e convido você a se 
encantar por essa área, que olha para os movimentos humanos de maneira mais 
abrangente e além da simples execução física deles. 
“’Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de 
movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito 
cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.’ 
(Associação Brasileira de Psicomotricidade) 
‘A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção unificada da pessoa, que inclui 
as interações cognitivas, sensório motoras e psíquicas na compreensão das 
capacidades de ser e de expressar-se, a partir do movimento, em um contexto 
psicossocial. Ela se constitui por um conjunto de conhecimentos psicológicos, 
fisiológicos, antropológicos e relacionais que permitem, utilizando o corpo como 
mediador, abordar o ato motor humano com o intento de favorecer a integração 
deste sujeito consigo e com o mundo dos objetos e outros sujeitos.’ (Costa, 2002) 
‘Em razão de seu próprio objeto de estudo, isto é, o indivíduo humano e suas 
relações com o corpo, a Psicomotricidade é uma ciência encruzilhada... que utiliza 
as aquisições de numerosas ciências constituídas (biologia, psicologia, psicanálise, 
sociologia, linguística...) Em sua prática empenha-se em deslocar a problemática 
cartesiana e reformular as relações entre alma e corpo: O homem é seu corpo e 
NÃO - O homem e seu corpo’. (Jean-Claude Coste, 1981) 
 
A psicomotricidade pode também ser definida como o campo transdisciplinar que 
estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre o 
psiquismo e a motricidade. 
Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma 
integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e 
motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. A 
psicomotricidade possui as linhas de atuação educativa, reeducativa, terapêutica, 
relacional, aquática [...]”. 
Fonte: Associação Brasileira de Psicomotricidade (2019). 
#SAIBA MAIS# 
 
 REFLITA 
“Se uma pessoa não pode aprender da maneira que é ensinada, é melhor ensiná-
la da maneira que pode aprender” (Marion Welchmann). 
 
O desenvolvimento depende de história e contexto. Cada pessoa desenvolve-se 
dentro de um conjunto específico de circunstâncias ou condições definidas por 
tempo e lugar. Os seres humanos influenciam seu contexto histórico e social e são 
influenciados por eles. Eles não apenas respondem a seus ambientes físicos e 
sociais, mas também interagem com eles e os mudam (PAPALIA; OLDS; 
FELDMAN, 2006). 
#REFLITA# 
 
 
 
 
https://www.pensador.com/autor/marion_welchmann/
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Então, caro(a) aluno(a), chegamos ao término desta unidade, que foi 
recheada de conhecimento. Repleta de conceitos, busquei apresentar a disciplina 
de maneira a estimular diversas curiosidades em você. É fundamental que neste 
momento você faça um balanço das aprendizagens adquiridas durante o percurso. 
Para isso irei retomar o que vimos: conceitos de aprendizagem, desenvolvimento, 
maturação e crescimento para que fosse estabelecido o primeiro contato com a 
disciplina, lembrando que esses termos serãolargamente utilizados durante sua 
vida acadêmica e em sua atuação profissional. 
Em seguida começamos a entender do que se trata esse tal 
desenvolvimento motor, suas características, sua relevância na vida do ser 
humano e porque é tão importante conhecer seus aspectos e suas particularidades. 
Continuamos nossos estudos falando de diversas perspectivas teóricas que 
dialogam com o desenvolvimento motor e contribuem para entender de que maneira 
acontece o desenvolvimento humano. E chegamos, então, na etapa de estudos que 
fomos investigar o que pode interferir nas aquisições motoras do ser humano, que 
aspectos podem prejudicar ou potencializar a aprendizagem dos movimentos pelas 
pessoas. Nesse momento vimos o quanto é fundamental o papel do professor e a 
escolha das intervenções feitas por ele. 
E, por fim, mas não menos importante, conhecemos a famosa ampulheta 
proposta por Gallahue e Ozmun, que, acredite, vai povoar muito seus pensamentos 
no decorrer da disciplina que estamos cursando e deste curso. Ela nos mostra, de 
maneira figurada, que existem etapas para as aprendizagens motoras, que elas 
funcionam de maneira hierárquica e organizam o desenvolvimento motor de forma 
esquemática. 
Antes de convidar você a partir para a próxima unidade, gostaria de ressaltar 
a relevância de explorar as indicações que fiz neste material, as referências que 
sugiro para complementar seus estudos e fazer desta disciplina o diferencial na sua 
profissão. 
Feita esta breve revisão podemos partir para as próximas unidades do nosso 
estudo. Preparado(a)? 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Caro(a) aluno(a), 
Neste momento da unidade sugiro algumas leituras que podem contribuir para 
melhorar seus estudos sobre o tema que estamos conhecendo. Sugiro que, 
mediante leitura dos textos sugeridos, você faça anotações e apontamentos por 
escrito junto com os materiais que utiliza na disciplina. Essas leituras podem 
fomentar uma série de aprendizagens novas e instigar possíveis investigações que 
irão fazer de você o(a) profissional diferenciado(a) que o mercado busca na 
atualidade. 
 
DESENVOLVIMENTO MOTOR: PASSADO, PRESENTE E FUTURO 
http://www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2010/05/desenvolvimento-
motor-presente-passado-e-futuro.pdf 
 
AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR DE CRIANÇAS COM 
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM 
http://www.scielo.br/pdf/rbcdh/v12n1/a06v12n1 
 
DESENVOLVIMENTO HUMANO 
https://www.academia.edu/22315624/Diane_E._Papalia_-
_Desenvolvimento_Humano.PDF 
 
ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE ENSINO, APRENDIZAGEM E 
DESENVOLVIMENTO 
https://www.redalyc.org/pdf/374/37415106.pdf 
 
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO: O PAPEL DA MEDIAÇÃO 
http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/jul_2009
/aprendizagem_desenvolviemnto_sforni.pdf 
 
http://www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2010/05/desenvolvimento-motor-presente-passado-e-futuro.pdf
http://www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2010/05/desenvolvimento-motor-presente-passado-e-futuro.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbcdh/v12n1/a06v12n1
https://www.academia.edu/22315624/Diane_E._Papalia_-_Desenvolvimento_Humano.PDF
https://www.academia.edu/22315624/Diane_E._Papalia_-_Desenvolvimento_Humano.PDF
https://www.redalyc.org/pdf/374/37415106.pdf
http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/jul_2009/aprendizagem_desenvolviemnto_sforni.pdf
http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/jul_2009/aprendizagem_desenvolviemnto_sforni.pdf
 
LIVRO 
 
• Título: Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem 
• Autor: Vitor da Fonseca 
• Editora: Artmed 
• Sinopse: Neste livro, Vitor da Fonseca apresenta um levantamento das principais 
linhas de conceituação do desenvolvimento psicomotor, conseguindo superar o 
desafio de unificar concepções de distintas disciplinas e de vários autores oriundos 
de diferentes culturas. O resultado é a mais completa e compreensível descrição do 
modo como funciona a psicomotricidade. 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: O enigma de Kaspar Hauser 
• Ano: 1975 
• Sinopse: Um filme alemão ocidental de 1974, um dos mais celebrados do 
diretor Werner Herzog. O trabalho, cujo título significa, em tradução literal, "cada um 
por si e Deus contra todos" narra a história de Kaspar Hauser, uma criança 
abandonada envolta em mistério, encontrada na Alemanha Ocidental do século 
XIX, com alegadas ligações à família real de Baden. O filme fez parte da competição 
para a Palma de Ouro no Festival de Cannes 1975, em que ganhou três prêmios. 
O filme de Werner Herzog é baseado no livro "Kasper Hauser oder die Trägheit des 
Herzens", de Jakob Wassermann, publicado em 1908, que, por sua vez, retrata o 
caso de um adolescente encarcerado na Alemanha do século XIX até a idade de 16 
anos, quando teve seu primeiro contato verbal e social. Somente depois disso pôde 
ser observado algum desenvolvimento de Kaspar Hauser na linguagem e na 
socialização com outros indivíduos. 
Devido à aquisição tardia de uma língua materna, fora do período crítico da infância, 
Kasper Hauser nunca desenvolveu a competência linguística de um falante nativo, 
principalmente no que concerne à sintaxe. Além disso, outras habilidades sociais 
foram seriamente prejudicadas, ainda que ele fosse capaz de aprendizagem de 
disciplinas. Tal episódio demonstra a importância da linguagem no processo 
socializador de um indivíduo. 
• Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Wplj0ITkwho 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filme
https://pt.wikipedia.org/wiki/1974_no_cinema
https://pt.wikipedia.org/wiki/Werner_Herzog
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kaspar_Hauser
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha_Ocidental
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX
https://pt.wikipedia.org/wiki/Baden
https://pt.wikipedia.org/wiki/1975
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jakob_Wassermann
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquisi%C3%A7%C3%A3o_da_linguagem
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_materna
https://pt.wikipedia.org/wiki/Falante_nativo
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Processo_socializador&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Processo_socializador&action=edit&redlink=1
https://www.youtube.com/watch?v=Wplj0ITkwho
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE. O que é 
Psicomotricidade. 2019. Disponível em: https://psicomotricidade.com.br/sobre/o-
que-e-psicomotricidade/. Acesso em: 25 abr. 2020. 
 
FONSECA, V. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. 2.ed. São Paulo: 
Artmed, 2008. 
 
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J.C. Compreendendo o desenvolvimento motor: 
bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. São Paulo: Phorte, 2013. 
 
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento Motor ao Longo da Vida. 
6. edição. São Paulo: Artmed, 2016. 
 
MAGILL, R. A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: 
Edgard.Blücher, 2000. 
 
MANOEL, E. J. O estudo do desenvolvimento motor: tendências e perspectivas. 
In: TANI, G. Comportamento motor: Aprendizagem e Desenvolvimento. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan 2008. 333 p. 
 
PAPALIA, D. E.; OLDS, S. W.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento Humano. 8. 
ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 
 
PIAGET, J. Seis estudos de Piaget. 25. ed. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2011. 
 
TANI.G, Comportamento motor: Aprendizagem e Desenvolvimento. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 
 
 
 
UNIDADE II PRIMEIRA INFÂNCIA 
Professora Mestra Juliana Montenegro Seron 
 
Plano de Estudo: 
➔ Fase pré-natal e infantil; 
➔ Reflexos infantis e estereótipos rítmicos; 
➔ Habilidades motoras rudimentares; 
➔ Percepção infantil. 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
● Conceituar e contextualizar os aspectos que afetam no desenvolvimento 
motor e que acontecem na fase pré-natal; 
● Compreender as características do crescimentoinfantil nas fases pré-natal e 
no período da infância no que tange o desenvolvimento motor; 
● Entender as particularidades do desenvolvimento desde o período 
gestacional até a infância; 
● Conhecer as etapas de desenvolvimento motor do movimento reflexo e do 
movimento rudimentar; 
● Entender a percepção infantil e de que maneira são desenvolvidas as 
percepções. 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Caro(a) estudante, 
É com satisfação que dou início à nossa Unidade II desta disciplina. Durante 
nossos estudos você terá a oportunidade de compreender o começo do 
desenvolvimento infantil, quando pensamos numa perspectiva cronológica. Isso 
mesmo. Vamos começar esta caminhada estudando o desenvolvimento motor 
antes do ser humano ter nascido, na fase que chamamos de pré-natal, olhando para 
aspectos que acontecem durante a gestação, no que se refere ao crescimento e 
desenvolvimento. Com base nas teorias de desenvolvimento que já estudamos, 
estamos falamos da origem das aprendizagens e do comportamento motor. 
Pensando em contribuir em sua formação de maneira significativa, iremos 
explorar aspectos do desenvolvimento desde a fase pré-natal, por entender que 
nesse período acontecem diversas situações que devem ser aprendidas e que 
interferem na vida futura e nas intercorrências ao longo do desenvolvimento. 
Neste momento da disciplina nós iremos conhecer a base da ampulheta 
proposta por Gallahue e Ozmun (2013), que foi apresentada a você na primeira 
unidade, a dos movimentos reflexos, que são aqueles realizados pelo bebê, e a fase 
dos movimentos rudimentares, ou seja, iremos explorar o desenvolvimento motor 
do nascimento até 2 anos de idade. 
Se buscarmos historicamente, durante muito tempo a infância não era vista 
com suas particularidades e especificidades. A criança era vista como “adulto em 
miniatura” e socialmente bastava que ela fosse capaz de realizar as tarefas típicas 
da vida adulta para que ela assumisse diversas responsabilidades, dando adeus à 
infância e tudo àquilo que uma criança precisa para se desenvolver como ser 
humano. 
Hoje existem inúmeros estudos que apontam para o quanto esse período da 
vida é fundamental para as etapas futuras e o quanto existe uma base de 
aprendizagens que acontece na infância e que são aprendizagens essenciais e 
habilidades necessárias, que serão utilizadas em muitas outras demandas, como 
na alfabetização, por exemplo. 
 
Vamos, então, conhecer as duas primeiras fases do desenvolvimento motor: 
movimento reflexo e movimento rudimentar? 
 
 
 
1 FASE PRÉ-NATAL E INFANTIL 
 
 Neste tópico iremos começar a explorar o desenvolvimento motor, partindo 
da etapa pré-natal, que corresponde aos 9 meses ou 40 semanas de gestação, que 
pode, por diversos fatores, durar mais ou menos tempo. Vamos apresentar aqui 
uma série de aspectos que podem acontecer nesse período e podem também ser 
controlados, e, por sua vez, impactam o desenvolvimento motor do bebê e no 
decorrer da vida. Em seguida iremos tratar da taxa de crescimento pré-natal e 
infantil, sabendo que em nenhum momento da vida o corpo humano cresce como 
desde a concepção até os dois anos aproximadamente. 
Pensando na velocidade de crescimento que acontece nesse período de que 
formas o movimento se comporta? E as aprendizagens motoras? 
Neste tópico iremos conhecer aspectos da gestação que interferem no 
desenvolvimento, ou seja, condições de antes ou durante a gravidez que aumentam 
o risco da criança ter intercorrência e consequências no seu desenvolvimento. Em 
seguida vamos entender como acontece o crescimento pré-natal e durante a 
infância. 
 
1.1 Fatores Pré-Natais que Afetam o Desenvolvimento 
 Existem diversos fatores que afetam o desenvolvimento da criança e podem 
inclusive interferir futuramente no aprendizado de diversas habilidades e que 
acontecem durante a gestação. 
 Os fatores nutricionais e químicos estão relacionados à alimentação da 
mãe durante o período da gravidez. Se tais aspectos irão realmente interferir no 
desenvolvimento vai depender de algumas variáveis, tais como: “a condição do feto, 
o grau de abuso nutricional ou químico, a quantidade ou dosagem, o período da 
gravidez” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 100). O risco para o feto se dá quando 
existe um ou mais desses fatores apresentados. 
 Especificamente como aspecto nutricional temos a má nutrição pré-natal, 
que podem ter como resultado a má nutrição do feto, da placenta ou da mãe. A 
nutrição materna adequada significa que a mulher não ingere a quantidade 
 
necessária de nutrientes diariamente, o que contribui significativamente para a 
saúde geral da mãe e do bebê e, em alguns casos, impede deficiências de 
nascimento. Existem diversos estudos que associam determinados nutrientes a 
menor incidência de doenças, como, por exemplo, a ingestão do ácido fólico e a 
redução de deformidades do tubo neural que ocasiona a mielomeningocele ou 
espinha bífida. 
 Um dos aspectos químicos que pode causar danos no desenvolvimento 
infantil é o uso de medicamentos e drogas pela mãe. Como a parede da placenta é 
“porosa”, é possível que substâncias a penetrem e atinjam o feto. Medicamentos 
comprados rotineiramente nas farmácias, sem necessidade de receita ou 
acompanhamento médico podem causar danos para o feto. Por isso o cuidado com 
a gestante e os medicamentos a serem usados durante a gravidez são necessários, 
principalmente em determinados períodos da gestação. 
 Você já deve ter lido algo ou ouvido falar em doenças que acometem o 
universo infantil e que podem ser associadas ao uso de determinados remédios. 
Muitas vezes são pesquisas em andamento ou especulações, mas existe uma 
relação íntima do uso de medicamentos com o desenvolvimento do bebê e o 
surgimento de doenças. Sempre que for considerada a possibilidade de que uma 
disfunção seja associada ao uso de medicamentos durante a gestação devem ser 
considerados os seguintes fatores: período da gravidez que foi tomado, dose, tempo 
que tomou o remédio, predisposições genéticas do feto, interação dos quatro 
aspectos. 
A tabela a seguir mostra alguns exemplos de medicamentos que ocasionam 
efeitos na criança quando usados durante a gestação. 
 
 
 
Tabela 1 - Efeitos de medicamentos usados durante a gestação que podem afetar 
o desenvolvimento 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 111). 
 
Por outro lado, existem aqueles medicamentos que são “necessários”, ou 
seja, que a mãe precisa tomar, pois estão em tratamento médico ou por mal-estar. 
Evidente que quando existe o acompanhamento médico saudável, o profissional vai 
receitar remédio em último caso. Vários medicamentos, sem receita, apresentam 
potencial para prejudicar o desenvolvimento do feto. A tabela a seguir mostra 
algumas doenças que a mãe pode ter, qual medicação é administrada e quais seus 
possíveis efeitos. 
 
Tabela 2 - Drogas usadas durante a gestação e seus possíveis efeitos no bebê 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 112). 
 
 
Por último vamos falar sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas durante a 
gravidez. Você já ouviu falar sobre a Síndrome Alcoólica Fetal ou do Alcoolismo 
Fetal? Pois bem, está relacionada ao abuso de álcool durante a gestação e a 
maneira como tal hábito afeta o desenvolvimento do feto. Essa síndrome, além de 
causar alterações nas características faciais, traz como consequências atrasos no 
desenvolvimento psicomotor. 
Sobre o uso de álcool e tabaco na gestação Gallahue e Ozmun (2013, p. 
113) explicam que 
 
Embora o álcool e o tabaco sejam considerados por muitos como 
drogas que alteram a mente ou o humor, nos falaremos elas em 
separado por causa da frequência de uso e para amplificar os 
potenciais perigos. Foi relatado variavelmente que há mais de um 
milhão de mulheres alcoolistas em idade fértil. O feto é afetado duas 
vezes mais rápido do que a mãe pelo consumo de álcool e com o 
mesmo nível de concentração. 
 
 O usode álcool e tabaco durante a gestação é muito mais comum do que 
imaginamos e pode trazer consequências significativas no desenvolvimento do feto 
e para as aquisições psicomotoras da criança. 
 Não podemos esquecer do uso de drogas ilícitas, como maconha, cocaína, 
anfetaminas, entre outras. Só para você ter uma ideia, o uso de cocaína durante a 
gestação indica para os bebês risco de mortalidade, morbidade e distúrbios de 
desenvolvimento e de comportamento a longo prazo. 
Observe a Tabela 3 e veja as possíveis decorrências do uso de drogas 
ilícitas. 
 
 
 
Tabela 3 - Efeitos do uso de drogas ilícitas na gestação e recém-nascidos 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 113). 
 
 Muitas vezes a mãe não fornece tais informações sobre a gestação do bebê, 
ou seja, ela pode não dizer que fez uso de drogas durante a gravidez, mas é 
fundamental que os profissionais que trabalham com aprendizagem e 
desenvolvimento humano tenham conhecimento de que tais influências existem e 
podem ser a causa de disfunções no desenvolvimento da criança. Nesse sentido, o 
que devemos fazer? Buscar estratégias para estimular essa criança/adolescente, 
buscando amenizar suas dificuldades e dar condições para que ele tenha autonomia 
e possa desenvolver o maior número de habilidades possível. 
 Vamos agora conhecer os aspectos hereditários que podem afetar o 
desenvolvimento. No caso estão relacionados aos genes, aos aspectos genéticos 
do indivíduo e podem ser expressos de duas formas: transtornos com base em 
cromossomos ou distúrbios baseados em genes. 
 
Nos transtornos com base em cromossomos podemos citar a Síndrome de 
Down como um dos mais conhecidos. A também chamada Trissomia do 21 afeta 
os pares cromossômicos da ordem genética do ser humano e traz diversas 
consequências de ordem fenotípica. Quando observamos o desenvolvimento motor 
de uma criança com Síndrome de Down, temos os seguintes distúrbios: “(1) atrasos 
no surgimento e inibição dos reflexos primitivos e posturais, (2) hipotonia e 
hiperflexia e (3) atrasos substanciais no alcance dos marcos motores” (GALLAHUE; 
OZMUN, 2013, p. 115). 
 Vamos parar um pouco aqui, aluno(a)... Com a inclusão e o aumento 
significativo de pessoas com deficiência nas escolas e convivendo socialmente 
amparadas no princípio da equidade, acredito que é fundamental olhar para este 
público, que tem direito de acessibilidade e de aprendizagem. Não podemos 
esquecer jamais que o nosso trabalho deve se pautar no direito que TODOS têm de 
aprender. 
Nesse sentido, vou fazer aqui uma orientação breve e eficaz. Sempre que 
você tiver que contribuir na aprendizagem e no desenvolvimento de uma pessoa 
com deficiência, busque estudar o diagnóstico e saber quais são as limitações, 
causas, consequências, quadro clínico, aspectos neurobiológicos, comorbidades, 
entre outros. Só assim é possível que o seu trabalho seja realmente assertivo e 
promova os estímulos necessários para atender o indivíduo dentro das suas 
capacidades. Além disso é essencial conhecer e explorar as potencialidades do 
sujeito, valorizando, assim, aquilo que é capaz de fazer e não somente enfatizando 
sua dificuldade. 
Agora podemos continuar! 
Os distúrbios baseados em genes são os defeitos genéticos e variam muito 
quanto às consequências. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 116), 
 
A gravidade do defeito depende de o gene mutante se encontrar em 
um cromossomo autossômico ou ligado ao sexo, em um único gene 
ou também no seu correspondente. Atraso e retardo no 
funcionamento motor e cognitivo em geral não estão presentes em 
mutações autossômicas dominantes. 
 
 
A tabela a seguir apresenta, de forma sucinta, o defeito no gene e a condição 
que deriva dele e pode ser explorada a fim de entender esse fator. 
 
Tabela 4 - Problemas com genes comuns no nascimento 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 118). 
 
Como fatores pré-natais que afetam o desenvolvimento humano temos ainda 
os ambientais, como a exposição à radiação e aos poluentes químicos – chumbo 
e mercúrio, por exemplo. 
Os problemas médicos, como doenças sexualmente transmissíveis, 
infecções maternas, desequilíbrios hormonais, incompatibilidade do fator Rh, 
gravidez na adolescência e a Toxoplasmose, também podem afetar o 
desenvolvimento do feto e, consequentemente, o decorrer da vida e das 
aprendizagens futuras. 
Por essas e outras razões que fazer o acompanhamento médico, bem como 
ter os cuidados necessários da mãe e do bebê durante a gravidez, é essencial e 
pode diminuir os casos de deficiências e distúrbios que acometem o 
desenvolvimento infantil. 
Evidente que algumas das situações apresentadas não podem ser 
controladas e estão relacionadas a alterações genéticas, mas existem diversas 
intercorrências que podem ser tratadas ou evitadas com cuidados básicos que 
envolvem saúde pública, maternagem, entre outros. 
 
 
 
1.2 Crescimento Pré-Natal e Infantil 
Esse tópico irá tratar da taxa de crescimento, desde a concepção até o final 
do período que temos um bebê, aos 2 anos de idade. Vale ressaltar que em nenhum 
outro momento da vida crescemos em tamanho e mudamos as proporções como 
acontece da concepção até a infância, considerando crescimento típico e saudável, 
sem intercorrências ou qualquer doença ou problemas que possam interferir no 
crescimento. 
O crescimento começa na concepção e segue de maneira ordenada durante 
o período pré-natal. Espermatozóide e óvulo se fundem na fecundação, formando 
o zigoto, que vai se implantar na parede uterina e, nesse momento, começa a 
gravidez. Da segunda semana até o segundo mês é o período chamado de 
embrionário, do terceiro mês até o parto temos o período fetal. Mas quando tratamos 
de desenvolvimento, consideramos o desenvolvimento por trimestre. Na imagem 
vemos a proporção de crescimento de 14 dias após a formação do zigoto até 15 
semanas de gestação, num desenho do embrião em tamanho real. 
 
Figura 1 - Esquema de um embrião - tamanho real 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 131). 
 
 
 
Na tabela a seguir você pode observar os marcos de desenvolvimento 
embrionário e fetal durante a gestação. 
 
Tabela 5 - Crescimento e desenvolvimento pré-natal 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 133). 
 
 Após o nascimento, o crescimento infantil é ainda mais impressionante. O 
bebê nasce como um ser muito pequeno, indefeso, com repertório de movimentos 
bastante restrito e de posição predominantemente horizontal e torna-se uma criança 
que tem tamanho maior, autonomia para realizar ações motoras, posição corporal 
verticalizada e fisicamente ativa, em menos de 12 meses. Sobre o assunto Gallahue 
e Ozmun (2013, p. 132-134) escrevem que 
 
O crescimento físico do bebê tem influência definida sobre o seu 
desenvolvimento motor. O tamanho da cabeça, por exemplo, afeta 
o desenvolvimento das capacidades de equilíbrio. O tamanho da 
mão influencia o modo de contato com objetos de tamanhos 
diferentes, e o desenvolvimento da força influencia o surgimento da 
locomoção. 
 
 Ao observar a figura a seguir você pode perceber a relação de proporção das 
partes do corpo, o tamanho da cabeça em relação ao tronco, por exemplo, como 
 
vai mudando com o passar do tempo. O esquema mostra até 12 anos, quando 
consideramos ainda como criança (a partir dessa idade já temos a adolescência). 
 
Figura 2 - Modificações na forma e proporção do corpo antes e após o nascimento 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 134). 
 
 No segundo ano de vida o crescimento do corpo ainda é rápido, mas diminui 
um pouco em relação ao primeiro ano. Existe uma pequena diferença na altura e no 
peso dos meninos em relação ao das meninas. Daqui para frente o crescimento da 
cabeça diminui, o de tronco é moderado e os membros passa a ser mais rápido. 
Nesse caso, mãos e pés passam, a partir dos anos, a crescer mais rapidamente, o 
que chamamos, na Unidade I, de proximodistal. Se, porventura,você sentir 
necessidade, volte e dê uma olhada quando tratamos dos conceitos cefalocaudal e 
proximodistal. 
 
 
2 REFLEXOS INFANTIS E ESTEREÓTIPOS RÍTMICOS 
 
 
 Neste tópico, se, por acaso, você tem ou teve contato com algum bebê, vai 
reconhecer facilmente o conteúdo que irei apresentar. Vamos estudar os reflexos e 
os padrões de comportamento motor estereotipados que os bebês fazem e que 
mostram informações relevantes para compreendermos o desenvolvimento da 
motricidade humana. 
 Os recém-nascidos parecem se movimentar de maneira aleatória e somente 
em uma direção. Realizam movimentos espontâneos que aparentemente parecem 
não ter sido estimulados. Em outras situações parecem executar um movimento 
específico quando são tocados em determinada parte do corpo, como, por exemplo, 
quando tocamos a palma da mão do bebê e ele responde fechando os dedos, como 
se segurasse o nosso dedo. Esses movimentos, chamados de reflexos, aparecem 
logo ao nascer e vão sumindo com a idade. 
Por mais que pareçam aleatórios, existem algumas ações motoras que o 
bebê realiza e que são consideradas marcos referenciais no desenvolvimento, que 
são base para outras habilidades posteriores de locomoção, alcance para pegar e 
postura ereta. Vamos pensar naquela lógica de realização de movimento que já 
havíamos comentado... Aprendemos a andar porque anteriormente nos colocamos 
em bipedia, a correr porque desenvolvemos a capacidade de andar com destreza e 
assim vamos compondo um repertório de habilidades motoras que acontecem de 
maneira contínua e progressiva. 
Para você ter uma ideia, existem até nomes – como reflexo de Moro – para 
os movimentos reflexos que o bebê precisa realizar para que seja avaliado seu 
desenvolvimento. O médico pediatra vai fazer as devidas análises investigando com 
manobras simples a resposta do recém-nascido, muitas vezes são diagnosticados 
distúrbios do Sistema Nervoso Central somente observando os movimentos 
reflexos realizados pelo recém-nascido. 
 
Os reflexos primitivos são aqueles relativos à conquista de nutrição e de 
proteção que o bebê instintivamente necessita. Começam na fase fetal e duram o 
primeiro ano de vida, são eles: reflexo de Moro e de alarme, que acontece quando 
“coloca-se o bebê na posição supino e dá-se um tapinha em seu abdome ou produz-
se alguma sensação de insegurança de apoio”, como mostra a figura a seguir, em 
quem (a) é a fase de extensão e (b) é a fase de flexão (GALLAHUE; OZMUN, 2013, 
p. 143). 
 
Figura 3 - Reflexo de Moro - duas fases 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 144). 
 
 Esse reflexo pode ocorrer até o sexto mês de vida, passado esse período, 
se ele persistir pode ser indicativo de disfunção neurológica. Conseguem perceber 
porque é tão importante conhecer as etapas do desenvolvimento motor e suas 
peculiaridades? 
 Além desse, temos como primitivos os reflexos de busca e sucção, quando 
o bebê, ao ser estimulado ao redor da boca virar a cabeça em direção à fonte de 
estimulação. Os reflexos mãos-boca, “quando se esfrega levemente a base da 
palma, causa contração dos músculos do queixo, erguendo-o” (GALLAHUE; 
OZMUN, 2013, p. 145). 
 Outro movimento reflexo do bebê é o de preensão palmar, quando há o 
estímulo palmar, os dedos se fecham em volta do objeto, sem usar o polegar. É 
uma pega bastante forte a ponto de sustentar a criança se for suspendida. Esse 
reflexo acontece do nascimento até quatro meses de vida e 
 
 
A intensidade da resposta tende a aumentar durante o primeiro mês 
e diminui aos poucos depois disso. Uma preensão fraca ou a 
persistência do reflexo após o primeiro ano pode ser um sinal de 
atraso no desenvolvimento motor ou de hemiplegia, quando ocorre 
em um único lado (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 145). 
 
 Mais duas formas de movimentos são consideradas primitivas: reflexos de 
Babinski e preensão plantar e reflexos tônicos assimétricos e simétrico do 
pescoço. O primeiro é aquele ocorrido ao tocar a sola do pé do bebê, que provoca 
a extensão dos dedos e posteriormente, com o sistema neuromuscular maduro a 
resposta é a contração dos dedos quando estimulamos a sola dos pés. 
 O segundo está relacionado à posição que a cabeça assume quando 
colocamos o bebê em posição supino ou com o corpo de lado, conforme mostra a 
imagem abaixo, na qual (a) é o reflexo tônico assimétrico do pescoço e (b, c) 
representam o reflexo tônico simétrico do pescoço: 
 
Figura 4 - Reflexo tônico assimétrico e simétrico do pescoço. 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 147). 
 
 Existem também os reflexos posturais, que são: o Reflexo de 
endireitamento labiríntico e óptico, quando a criança é colocada em pé e 
inclinada para frente, para trás ou para um dos lados e ela responde ao estímulo 
tentando voltar a posição ereta com a cabeça, tem a ver com a visão e com a 
necessidade de equilíbrio corporal da criança. 
 
 
No reflexo de endireitamento labiríntico, os impulsos que emergem 
do otólito do labirinto fazem com que o bebê mantenha o 
alinhamento apropriado da cabeça em relação ao ambiente, 
inclusive quando outros canais sensórios (i.e., a visão e o tato) são 
excluídos. O reflexo de endireitamento labiríntico surge pela 
primeira vez em torno do segundo mês e persiste até cerca de 6 
meses de idade, quando a visão geralmente se toma um fator 
importante. O reflexo continua ao longo do primeiro ano como 
reflexo de endireitamento ótico. Esse último, junto com seu similar 
mais primitivo, ou seja, o reflexo de endireitamento labiríntico, ajuda 
o bebê a colocar a cabeça e o corpo na posição ereta e a manter 
essa posição e contribui para o movimento do bebê para a frente, 
que ocorre em torno do final do primeiro ano (GALLAHUE; OZMUN, 
2013, p. 147). 
 
O Reflexo de flexão dos braços para manter a posição ereta pelo bebê, se o 
seguramos pelos braços sentado e inclinamos o corpo para trás, a tendência é que 
ele flexione os braços para voltar à posição, como quando brincamos de serra, 
serra. Os Reflexos de paraquedas e de extensão “são movimentos protetores dos 
membros na direção da força aplicada” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 149), 
conforme mostra a figura: 
 
Figura 5 - Reflexo de paraquedas 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 149). 
 
Os Reflexos de endireitamento do pescoço e do corpo acontecem 
quando colocamos o bebê na posição supina, com a cabeça de lado, e o corpo vai 
se movimentando de acordo com os movimentos que a cabeça realiza, buscando 
estar alinhado com a cabeça. O Reflexo de engatinhar é quando colocamos o bebê 
na posição pronada e pressionamos a sola do seu pé, num movimento reflexo ele 
vai se colocar na posição de engatinhar, tanto com as pernas quanto com os braços. 
 
O Reflexo primário de marcha automática é quando o bebê é colocado na 
posição ereta sob uma superfície plana e ele “anda”, faz a troca da passada, como 
se estivesse andando. O Reflexo de nadar é aquele que vemos em propagandas 
ou reportagens sobre bebês, que consiste em colocar o bebê dentro da água na 
posição pronada, de maneira reflexa, a resposta do bebê é se movimentar como se 
estivesse realmente nadando, a impressão que temos é que ele sabe nadar. 
Todos os movimentos reflexos apresentados são fundamentais no 
desenvolvimento do bebê e tem um tempo de duração para acontecer. Eles 
demonstram que existe ou não um SNC que está se desenvolvendo de maneira 
saudável e que não existe nenhuma intercorrência, mostra um desenvolvimento 
neurotípico. A tabela a seguir é um resumo das aprendizagens do bebê e pode te 
ajudar a verificar diferentes aspectos dessa etapa do desenvolvimento. 
 
Tabela 6 - Marcos do desenvolvimento do bebê 
 
 
 
 
Fonte: Haywood (2016, p. 104-105). 
 
2.1 Estereótipos Rítmicos 
Quanto aos estereótipos rítmicos, eles são comportamentos motores que o 
bebê faz repetidas vezes espontaneamente e tem um certo ritmo nos movimentos, 
eles nos mostram que o desenvolvimento motor humanoacontece num sistema 
auto-organizado, dedicado em ampliar o controle motor. 
A partir de pesquisas realizadas existem mais de 40 comportamentos desta 
natureza e podem ser observados em diversas partes do corpo, quais sejam: pernas 
e pés, torso, braços, mãos e dedos, cabeça e face. 
Nas pernas e pés o que vemos com maior frequência são os chutes. No torso, 
o mais comum é aquele em que o bebê, quando colocado de barriga para baixo, faz 
um arco com as costas e vira uma “canoa”. Movimentos estereotipados rítmicos de 
braços, mãos e dedos mais frequentes são acenar e esmurrar. E com a cabeça e 
face são os que fazem “não” e “sim”. 
É fundamental ficar atento à persistência desses comportamentos após 1 
ano de idade, quando eles fazem parte do desenvolvimento motor infantil e a 
maneira com que o bebê os realiza. Alterações observadas quanto à frequência, 
persistência ou tipologia podem ser indicativo de alguma alteração no 
 
desenvolvimento do SNC e devem ser comunicados aos profissionais que 
acompanham o bebê. 
Vale lembrar que na carteira de acompanhamento do bebê, na qual são 
colocadas as vacinas e as consultas médicas, existe uma tabela de referência com 
alguns marcos de desenvolvimento, que pode ser utilizada como demonstrativo das 
aprendizagens. 
 
 
3 HABILIDADES MOTORAS RUDIMENTARES 
 
 
 Dando continuidade aos nossos estudos, iremos conhecer aspectos do 
desenvolvimento motor que estão na segunda fase da ampulheta do Gallahue e 
Ozmun. Lembra dela? 
 Isso mesmo, vamos falar da etapa conhecida como Fase Motora Rudimentar. 
Neste tópico iremos aprender sobre três categorias de movimentos essenciais para 
o desenvolvimento infantil, que acontecem normalmente entre 1 e 2 anos de idade, 
a de estabilidade, locomoção e manipulação, que são classificadas de acordo 
com a intencionalidade. Diversas aprendizagens acontecem nesse período e são a 
base para aprendizagens futuras. 
 Para que a criança fique em pé, um longo caminho de controle de partes do 
corpo vai sendo percorrido, desde o controle de cabeça e pescoço, em seguida o 
de tronco. Feito isso a criança vai aprender a sentar, num primeiro momento com o 
apoio, até conseguir firmar o tronco para que sente sem apoio e então consiga ficar 
em pé. Primeiro ela fica em pé segurando em objetos e buscando contato para se 
equilibrar, até que é capaz de ficar em bipedia com segurança. Todas essas etapas 
precisam ser ultrapassadas para que a criança possa começar a andar. Esse 
processo é uma das categorias de movimento, chamada de estabilidade, que, 
segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 159) “é a mais básica das três categorias de 
movimento, pois todo movimento voluntário envolve um elemento de estabilidade”. 
 Na tabela a seguir você pode observar as tarefas de estabilidade numa 
sequência desenvolvimental, bem como a respectiva idade que ocorre tal 
aprendizagem na fase motora rudimentar. 
 
Tabela 7 - Capacidades de estabilidade rudimentar - sequência e idade aproximada 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 160). 
 
 Enquanto você estiver estudando as aquisições motoras da fase rudimentar, 
e durante a disciplina, tente pensar numa criança aprendendo e vivendo cada uma 
das aprendizagens. 
 Uma das necessidades básicas do bebê é explorar o espaço ao seu redor e 
a categoria da locomoção dá condições para tal. Aqui encontramos ações motoras, 
tais como rastejar, engatinhar e executar a marcha ereta. É fundamental que uma 
habilidade não substitua a outra e que o bebê realize todas para que ocorra o 
desenvolvimento saudável. Comumente ouvimos comentários sobre o fato de que 
a criança andou sem ter engatinhado, do ponto de vista do desenvolvimento motor 
não é recomendado que isso ocorra, pois os estímulos e habilidades desenvolvidas 
ao engatinhar são essenciais para aprendizagens futuras. 
 O rastejar consiste em se locomover pelo espaço de barriga para baixo, 
arrastando o corpo sob a superfície, de modo que o bebê é capaz de controlar a 
cabeça, o pescoço e o tronco. Geralmente usa os braços para se locomover e pode 
alcançar objetos que estão a sua volta, deslizando o tronco pelo espaço. 
 
 Engatinhar é diferente, é uma evolução do rastejar, já que o tronco não tem 
contato com o chão. Nesse movimento braços e pernas se movimentam em 
oposição de maneira rítmica e coordenada para realizar a ação. 
 A marcha ereta ou andar envolve estabilidade corporal. Assim que o bebê 
conseguir se colocar em pé de forma equilibrada ele vai, então, iniciar a realização 
da passada, que, num primeiro momento, vai ser executada de maneira imprecisa, 
irregular e hesitante. Até conseguir realizar o andar com segurança e maturidade, 
para, então, realizar algumas variações dessa habilidade, como andar de lado ou 
de costas. 
 Na tabela a seguir você poderá visualizar as capacidades locomotoras 
rudimentares de acordo com a idade. 
 
Tabela 8 - Capacidades locomotoras rudimentares - sequência e idade aproximada 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 162). 
 
 Por fim, neste tópico veremos as capacidades manipulativas, que, assim 
como as outras, acontecem no decorrer de uma série de estágios. Essas 
capacidades possibilitam ao ser humano ter o mundo ao alcance das suas mãos, 
promovem o primeiro contato com objetos no ambiente imediato. Estamos falando 
de ações motoras como alcançar, de preensão e de soltar. 
 Nos primeiros meses de vida o bebê começa a ajustar os olhos com as mãos 
para estar em contato com objetos, por vezes alternando o olhar entre o objeto 
desejado e a mão. Isso acontece como preparação para que, posteriormente ele 
possa alcançá-lo e segurá-lo. 
 
 A preensão está relacionada ao movimento que o bebê realiza quando 
colocamos algo na palma se sua mão e ele o pega. Até o quarto mês de vida essa 
ação motora é reflexa e não intencional. A partir de 5 meses o bebê tem capacidade 
para alcançar o objeto e estar em contato com ele, já tem firmeza para isso. Aos 10 
meses o movimento de preensão já é coordenado e realizado em um movimento 
único e contínuo. Aos 14 meses sua capacidade de preensão já é muito semelhante 
à de um adulto. Essa habilidade é fundamental para o desenvolvimento da escrita 
da criança, estimular a pega de diferentes objetos desde os primeiros meses de 
vida vai fazer com que a criança adquira destreza na realização de tal habilidade. 
 O soltar é nossa última capacidade rudimentar manipulativa e consiste em 
abrir a mão e deixar o objeto que está segurando sair da mão. Até os 14 meses a 
criança não tem domínio motor para realizar tal ação, ela somente segura o objeto. 
A partir dos 6 meses de vida é capaz de segurar e, por vezes, ela balança o 
chocalho e parece até estar com “raiva”, num movimento até frenético, o que é 
justificado quando sabemos que, na verdade, ela ainda não sabe soltar. 
 Quando ela aprende a soltar os objetos, passa a executar essa ação motora 
como uma brincadeira e “solta” repetidamente para que o adulto pegue. Com 18 
meses a criança já tem domínio motor para realização de movimentos, como 
alcançar, pegar e soltar, ou seja, existe uma gama de movimentos que já possibilita 
uma série de brincadeiras. 
 Observe a tabela das capacidades manipulativas e esteja atento para as 
ações específicas a serem aprendidas e com que idade deve acontecer. 
 
 
 
Tabela 9 - Capacidades manipulativas rudimentares - sequência e idade 
aproximada 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 165). 
 
Vale ressaltar que desenvolver as capacidades de estabilidade, locomoção 
e manipulação dependem de maturação biológica e neuromotora e de aprendizado, 
ou seja, a criança vai adquirir tais habilidades mediante estímulos, ambiente 
favorável e saúde do SNC e bom funcionamento do corpo. Lembrando que essas 
capacidades servem de base para as aquisições que iremos aprender nas próximas 
unidades desta disciplina e que estão na fase do movimento fundamental e na fase 
do movimentoespecializado. 
 
 
4 PERCEPÇÃO INFANTIL 
 
 
 Vamos terminar esta unidade falando das percepções infantis. O objetivo 
deste tópico é tratar dos sentidos humanos e de como eles se desenvolvem. Existe 
uma relação bastante estreita do sistema perceptivo com o motor, o que Gallahue 
e Ozmun (2013) denominam de sistema perceptivo-motor. 
 Antes de começarmos nossos estudos pelas percepções humanas e como 
elas se formam na infância e porque devemos estudá-las, gostaria de dar algumas 
dicas. Sempre que tiver que selecionar uma atividade ou estratégia para crianças, 
lembre-se da seguinte ordem: CORES-FORMAS-DESENHOS-IMAGENS-
NÚMEROS-LETRAS. 
 Achou estranho? Eu explico! Coloquei na ordem o que nós, seres humanos, 
captamos primeiro e identificamos visualmente. As cores são os elementos de mais 
fácil identificação pela visão humana, em seguida vem as formas simples: círculo, 
quadrado, triângulo, retângulo – depois você pode colocar outras formas, tanto 
geométricas como não geométricas. Então use desenhos, que são representações. 
Depois utilize as imagens, como as fotos. Os números e as letras são símbolos que 
representam quantidades e sons, respectivamente. Para a criança a linguagem 
simbólica vai sendo apreendida no decorrer da infância e demora um pouco para 
internalizar. Você pode misturar os elementos nas brincadeiras, atividades e jogos 
que vai aplicar. 
 Voltando... Primeiro vamos entender o que significa percepção, segundo 
Gallahue e Ozmun (2013, p. 174) 
 
[...] refere-se a qualquer processo em que informações sensórias ou 
sensações são interpretadas ou recebem significado em relação ao 
que está ocorrendo com a própria pessoa. O perceptivo-motor 
refere-se ao processo de organização das informações recebidas e 
das informações armazenadas, que leva a um ato ou a uma 
performance motora evidente. Todo movimento voluntário envolve 
um elemento de percepção. Os estudiosos do desenvolvimento 
motor devem preocupar-se com o desenvolvimento perceptivo por 
sua importante ligação entre os processos perceptivo e motor. 
 
 
 Os sentidos são a nossa porta de conexão com o meio externo, todas as 
informações são captadas pelos sentidos humanos. 
 No bebê a percepção se desenvolve mais rápido que a motricidade. Existem 
alguns sentidos que são extremamente aguçados no bebê. Como ele reconhece a 
mãe, se até os 6 meses de vida ainda não tem visão nítida? 
 Na verdade, o reconhecimento da mãe, assim como em outros animais, se 
dá pela voz e pelo cheiro. O bebê passa todo o período da gestação ouvindo a voz 
da mãe como uma caixa acústica, por isso quando nasce reconhece com facilidade 
a voz da mãe e responde quando ouve. Você já deve ter visto alguns vídeos que 
circulam na internet em que o bebê está chorando e se acalma quando uma peça 
de roupa da mãe é colocada próxima a ele. O cheiro faz com que a criança entenda 
a presença da mãe e fique calma. 
 O neonato não tem acuidade visual, mas responde a intensidade da luz. Com 
6 meses, devido à maturidade do sistema nervoso central e do periférico a acuidade 
visual, já tem a visão nítida. 
 A Tabela 10 mostra o desenvolvimento da percepção de acordo com o tempo 
de vida do bebê. Lembrando que o estímulo adequado é fundamental nesse período 
e que a criança deve estar exposta a brinquedos e objetos que sejam condizentes 
com a idade dela e respeitem sua etapa de desenvolvimento. 
 
Tabela 10 - Desenvolvimento de determinadas capacidades sensoriais dos bebês 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 184). 
 
 Estimular o bebê com sons, músicas infantis, aromas e cheiros, sabores e 
gostos, texturas e afins é fundamental para o desenvolvimento das percepções e 
de todo sistema sensorial. Sempre com cautela e respeitando o desenvolvimento 
infantil e suas particularidades. A alimentação, de acordo com a Organização 
Mundial de Saúde, deve ser de fonte exclusivamente materna até os seis meses de 
vida. Passado esse tempo, é fundamental que a criança seja estimulada a ingerir 
alimentos in natura, pouco processados e com menos aditivos possível. (BRASIL, 
2002) 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Integração sensorial – O que é, qual sua importância e dicas de como 
estimular 
A Integração Sensorial é a capacidade de receber, organizar e processar a 
informação que chega pelos diferentes canais sensoriais (olhos, ouvidos, mãos, 
pés, boca e pele) e produzir uma resposta motora adequada. Parte das habilidades 
de autoajuda está na consciência do próprio corpo, onde e em qual posição no 
ambiente e isso se desenvolve através do processamento sensorial. 
As crianças que apresentam desordens de processamento sensorial poderão exibir 
atrasos nas aquisições motoras grossas e finas, de equilíbrio, de coordenação, de 
comportamento e dificuldade na transição alimentar (deixar a mamadeira e passar 
a comer frutas, papas e alimentos em pedaços). 
Crianças com T21 podem apresentar diferenças na forma de processar os estímulos 
sensoriais tendo como resultado final, dificuldade nas habilidades motoras, na 
alimentação e na exploração de objetos e brinquedos (limitando o brincar). 
Isso acontece devido ao atraso no desenvolvimento cerebral e pode se agravar por 
internações frequentes no início da vida e pela eventual superproteção dos pais e 
cuidadores. 
A boa notícia, é que a estimulação sensorial correta pode leva à adaptação, 
resultando na melhora das respostas ao ambiente, da percepção corporal, da 
exploração do meio e do comportamento no geral. 
Adiante, algumas dicas de como estimular o sistema sensorial em casa: 
• Sempre que possível, permita que a criança ande descalça em diferentes 
superfícies – areia, grama, piso gelado, terra, tapetes, cimento. 
• Na hora da alimentação, ofereça pedaços maiores do que ela estiver comendo, 
para que segure na mão, passe no rosto, faça “meleca” com a comida, 
experimentando as diferentes sensações e texturas dos alimentos. 
• No banho, deixe que a água do chuveiro caia em seu rosto, de forma gradual para 
não assustar. Mude a temperatura da água sempre que possível. 
 
• Passe pelas mãos, pés e rosto, texturas diferentes, vindas de peças de roupas, 
bolinhas, brinquedos, gelo, algodão… 
• Faça massagem com hidratante ou óleo (prescrito pelo pediatra) diariamente. 
• Faça gelatina colorida em forminha de gelo, coloque em uma bacia e permita que 
a criança brinque, experimente o sabor e a textura (inclusive pelo corpo). 
• Brinque de massinha de modelar, massinha de areia, água, tinta guache, giz de 
cera, sempre buscando sensações diferentes. 
• Brincar de pular, correr, subir e descer de locais também é um ótimo estímulo. 
É importante saber que cada criança pode ter um distúrbio diferente, sendo 
necessária uma avaliação específica, que pode ser realizada por terapeuta 
ocupacional ou fisioterapeuta, com um plano terapêutico individualizado. 
Se a criança tiver oportunidades, ela tentará experimentar, explorar, saber o que ela 
pode fazer com tudo o que está a sua volta. Desde que seja seguro, deixe-a livre 
para testar e descobrir o mundo! 
 
Fonte: Biemann (2019). 
 
#SAIBA MAIS# 
 
REFLITA 
 
A motricidade animal adaptou-se em termos sensório-motores à Natureza e 
transformou alguma da sua ecologia, mas a motricidade humana (no sentido de 
atos, gestos e ações), em particular as praxias aprendidas culturalmente, 
transformou radicalmente a Natureza e criou um novo mundo envolvimental, ou 
seja, criou a Civilização, preservou e transmitiu a Cultura, o que é algo diferente e 
de uma superioridade e excelência experiencial verdadeiramente incomensurável. 
Fonte: Fonseca (2018, p. 10). 
 
#REFLITA# 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Olhando para esta unidade fiquei impressionada com a quantidade de 
informações e conhecimento que foram trabalhadas e o quanto tudo que estudamos 
aqui é demasiado importante. 
Começamos esta unidade falando da fase pré-natal e dos aspectos que 
envolvemo período da gestação. Precisamos olhar para esse momento com 
delicadeza e saber que muitos estudos apontam sua importância e como pode 
interferir no desenvolvimento do ser humano no decorrer da vida. 
Então fizemos um passeio “fofo” pelas aprendizagens do bebê, desde os 
movimentos reflexos até quando ele aprende a andar. Fomos conhecendo as 
aprendizagens que fazem parte desses momentos para tornar nosso trabalho 
responsável e assertivo. Entendemos o quanto é essencial que os estímulos 
aconteçam adequadamente e vimos que o papel da família e dos profissionais deve 
ser pautados em referências. 
Isso porque só fomos até 2 anos de idade. Vem muito mais por aí! 
Terminamos a unidade vendo as percepções humanas e falamos dos 
sentidos, como eles se desenvolvem enquanto são bebês e o quanto é essencial 
trabalhar os estímulos visuais, táteis, olfativos, auditivos, gustativos para o 
desenvolvimento humano. 
Vamos continuar nossos estudos. Espero que, até agora, você, assim como 
eu, tenha gostado e ficado cada vez mais intrigado(a) de conhecer uma das 
dimensões do desenvolvimento humano. 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Responda sem titubear: Quantos sentidos nós, seres humanos, temos? 
Se você respondeu 5 sentidos eu diria que sua resposta está desatualizada… Isso 
mesmo… 
Pesquisas apontam que o corpo humano tem outros sentidos que vêm sendo 
descobertos e explorados… No texto sugerido você irá conhecer um pouco mais 
sobre o assunto, sobre a importância da Integração Sensorial para o 
desenvolvimento humano e de que maneiras os sentidos estão em consonância 
com diversas das nossas aprendizagens. Caso seu nível de curiosidade aumente, 
fique à vontade para explorar muitos outros textos, artigos, livros e vídeos que a 
internet oferece sobre o tema. 
 
Acesse: http://centroevolvere.com.br/blog/aprenda-sobre-a-importancia-da-
integracao-sensorial-no-desenvolvimento-infantil/ 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 • Autor: Kathleen M. Haywood e Nancy Getchell 
• Editora: Artmed 
• Sinopse: Traz, como diferencial, uma abordagem voltada para a avaliação, 
estimulando o leitor a observar e a examinar como as interações individuais e o 
ambiente colaboram para as mudanças nos movimentos de uma pessoa. Cada 
capítulo traz uma vivência real, com situações comuns do dia a dia. Além disso, os 
termos principais, destacados no texto, são explicados na margem da página, 
facilitando o entendimento. 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: Precisamos falar sobre Kevin 
• Ano: 2011 
 
• Sinopse: Eva (Tilda Swinton) mora sozinha e teve sua casa e carro pintados de 
vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida com um novo emprego 
e vive temerosa, evitando as pessoas. O motivo desta situação vem de seu 
passado, da época em que era casada com Franklin (John C. Reilly), com quem 
teve dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Lucy (Ursula Parker). Seu 
relacionamento com o primogênito, Kevin, sempre foi complicado, desde quando 
ele era bebê. Com o tempo a situação foi se agravando, mas, mesmo conhecendo 
o filho muito bem, Eva jamais imaginaria o que ele seria capaz de fazer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BIEMANN, A. A. Integração sensorial – o que é, qual sua importância e dicas de 
como estimular. 2019. Disponível em: 
https://www.elo21down.com.br/2019/01/17/integracao-sensorial-o-que-e-qual-sua-
importancia-e-dicas-de-como-estimular/. 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois 
anos. Brasília: Ministério da Saúde; Organização Pan-Americana de Saúde, 2002. 
 
FONSECA, V. da. Neuropsicomotricidade: ensaio sobre as relações entre corpo, 
motricidade, cérebro e mente. Rio de janeiro: Wak Editora, 2018. 
 
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: 
bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. São Paulo: Phorte, 2013. 
 
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento Motor ao Longo da Vida. 
6. ed. São Paulo: Artmed, 2016. 
 
 
 
UNIDADE III 
INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 
Professora Mestra Juliana Montenegro Seron 
 
Plano de Estudo: 
➔ Conceitos e Definições de crescimento e desenvolvimento na infância; 
➔ Habilidades motoras fundamentais; 
➔ Conceitos e Definições de crescimento e desenvolvimento na adolescência; 
➔ Habilidades motoras especializadas; 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
• Conceituar e contextualizar o crescimento e o desenvolvimento no período da infância 
e da adolescência; 
• Compreender a fase motora fundamental, bem como as aprendizagens que fazem parte 
desta etapa; 
• Estudar as características da fase da adolescência a partir do desenvolvimento motor 
num diálogo com as dimensões social afetiva e cognitiva; 
• Entender a fase motora especializada e suas particularidades; 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à Unidade III da disciplina Desenvolvimento 
e comportamento motor. Nesta unidade iremos começar conhecendo a fase motora 
fundamental e o que tem de mais importante nesse período, até chegar na adolescência. 
Vamos percorrer um caminho de aquisições de habilidades motoras que vai de 3 
a 7 anos, a fase fundamental, e de 7 a 14 anos ou mais, a fase especializada. 
Lembra da ampulheta do Gallahue e Ozmun? Falei que iríamos retomar algumas 
vezes durante nossos estudos, não é?! 
Lembre-se que o desenvolvimento humano não pode ser algo engessado e que, 
apesar de existirem padrões de aquisições e aprendizagens, é necessário sempre 
observar os aspectos que interferem no desenvolvimento. Cada criança é única e, 
portanto, o tempo de aprendizagem pode ser diferente de uma para outra, o que não 
muda é a ordem, a sequência. 
Na fase motora fundamental é que acontece o amadurecimento de capacidades 
motoras essenciais, como coordenação, lateralidade, equilíbrio, estruturação temporal, 
estruturação espacial, consciência corporal, esquema corporal, que são um pré-requisito 
para realização de muitas tarefas que executamos em nosso cotidiano, como ler, 
escrever, dirigir, entre outras. 
Na fase motora especializada todo repertório motor adquirido vai sendo 
aprimorado. Nessa etapa ocorre a associação dos movimentos maduros e refinados e 
dos movimentos complexos e específicos, e esses, por sua vez, sofrem adaptações de 
acordo com as condições de determinada atividade, do cotidiano ou de uma prática 
desportiva. 
Convido você para estudar comigo essas duas fases marcantes no 
desenvolvimento da motricidade e que devem ser observadas com cuidado, pois são 
determinantes em muitos aspectos do desenvolvimento humano. 
 
 
 
 
 
 
1 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO NA INFÂNCIA 
 
 
 O desenvolvimento na fase da infância é demarcado por modificações que são 
incrementadas regularmente nos diversos domínios: cognitivo, socioafetivo e 
psicomotor. O peso, a altura e a massa muscular durante a infância aumentam 
regularmente. O crescimento nesse período não é tão intenso quanto na fase de bebê, 
diminui gradativamente até o famoso “estirão”, que acontece na adolescência – 
falaremos sobre ele ainda nesta unidade. 
Sobre o crescimento na infância, Gallahue e Ozmun (2013, p. 189) afirmam que 
 
As proporções corporais mudam acentuadamente durante o início da 
infância devido às várias taxas de crescimento do corpo. De modo 
gradual, o peito torna-se mais largo do que o abdome, e a protrusão do 
estômago diminui. Quando os pré-escolares chegam ao primeiro ano da 
escola, as suas proporções corporais lembram bastante as de crianças 
mais velhas. No início da infância, o crescimento ósseo é dinâmico, e o 
sistema esquelético e particularmente vulnerável à má nutrição, fadiga e 
doenças. Os ossos consolidam-se em um ritmo rápido no início da 
infância e apresentam um atraso de crescimento de cerca de três anos 
em crianças que sofrem privações. 
 
 Quanto ao desenvolvimento no início da infância, a principal ocupação da criança 
é brincar,considerada equivalente ao trabalho para o adulto. Brincar para a criança é 
coisa séria. A criança brinca para entender o mundo ao seu redor, e pela vivência com 
as brincadeiras ela vai ampliando seu repertório de habilidades, tanto motoras quanto 
cognitivas e socioafetivas. 
 
O brincar das crianças e o modo primário pelo qual aprendem sobre seus 
corpos e potencialidades de movimento. Também é um importante 
facilitador do crescimento cognitivo e afetivo da criança mais nova, assim 
como importante recurso para o desenvolvimento tanto das habilidades 
amplas quanto das finas (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 193-194). 
 
 Nesse período as crianças irão desenvolver funções cognitivas essenciais que 
resultam em pensamento lógico e na capacidade de formular conceitos. Piaget (2011), 
que nos conhecemos na Unidade I desta disciplina, com sua teoria do desenvolvimento 
 
cognitivo, deu o nome de pré-operatória a essa fase. Alguns aspectos são bastante 
recorrentes na criança, quais sejam, o egocentrismo e a visão do mundo a partir de si 
mesmas; o entendimento das coisas de forma literal; senso de autonomia e de iniciativa; 
aumento da curiosidade e exploração; experimentação de novas ações motoras; 
formação do autoconceito; imaginação criativa, entre outras. 
Sendo assim, os profissionais devem entender as características de 
desenvolvimento, os limites e as potencialidades das crianças nessa etapa. Somente 
assim é possível organizar de maneira eficaz as experiências e vivências que 
representam as necessidades e os interesses dos alunos, bem como estar condizente 
com o nível de desenvolvimento do grupo. 
 A seguir você irá conhecer as principais características de desenvolvimento, 
separadas por domínio: motor, cognitivo e afetivo. Para fins didáticos, organizei em 
formato de quadro algumas das aprendizagens essenciais que acontecem durante o 
período que estamos estudando. 
 
Quadro 1 - Características de cada um dos domínios do desenvolvimento humano: 
motor, cognitivo e afetivo 
DOMÍNIO DO 
DESENVOLVIMENTO 
HUMANO 
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 
MOTOR ✔ Altura entre 83,8 e 119,4 cm, peso entre 11,3 e 24 kg para meninos 
e meninas; 
✔ Rápido desenvolvimento das percepções, mas confusão frequente 
das sensações corporais, senso de direção e espaço-temporal; 
✔ Controle de esfíncteres com episódios esporádicos de eliminação de 
urina e fezes; 
✔ Facilidade de realização de movimentos unilaterais, mas os 
bilaterais como skipping com dificuldade. 
✔ Tem bastante energia e correm mais do que andam, descansam em 
períodos bastante curtos; 
✔ Vestem-se sozinhas, precisando de auxílio para ações refinadas 
como abotoar ou ajustar as roupas; 
 
✔ Funções e processos corporais regulados; 
✔ Meninos e meninas são fisicamente bastante similares; 
✔ Coordenação motora ampla definida, porém, a fina em processo; 
✔ Dificuldade de esforço visual de curta distância por tempo 
prolongado. 
COGNITIVO ✔ Consegue verbalizar ideias e pensamentos; 
✔ Imaginação fantasiosa que permite imitar ações e símbolos; 
✔ Capacidade investigativa e de descoberta; 
✔ Aprende por meio das brincadeiras e das práticas o como e o porquê 
das coisas do mundo; 
✔ Transita da necessidade de autossatisfação para estabelecimento 
dos comportamentos sociais. 
AFETIVO ✔ São egocêntricas e tem dificuldade de compartilhamento e de 
convivência; 
✔ Temem viver novas situações e precisam se sentir seguras; 
✔ Diferenciam certo de errado; 
✔ Crianças com 2 e 4 anos tem comportamento instável, enquanto com 
3 e 5 anos demonstram estabilidade comportamental e docilidade; 
✔ Desenvolvem rapidamente o autoconceito, precisando de orientação 
coerente e reforço positivo constante. 
Fonte: a autora. 
 
Nessa etapa é necessário oferecer experiências em que a criança possa vivenciar 
diversas possibilidades de movimentos e explorar ambientes e materiais diversificados. 
As atividades devem buscar estimular a resolução de problemas, otimizando a 
criatividade e fomentando a curiosidade. À medida que a criança vai aprendendo o que 
está sendo ensinado, é fundamental que o nível de complexidade da tarefa vá sendo 
intensificado, para que haja o desafio e ocorra o aprendizado. 
 A correta execução das ações motoras deve ser trabalhada, mas não com ênfase 
na performance de movimento. Lembre-se: todo movimento tem técnica. Se porventura 
a criança aprende que pode andar na ponta dos pés, assim ela irá fazer, e fazendo o 
movimento da maneira errada pode prejudicar seu desenvolvimento. O trabalho com a 
 
criança deve ser pautado no respeito às diferenças, entendendo que cada uma tem um 
ritmo de aprendizagem próprio, desde que o progresso seja visível em seu 
desenvolvimento. 
 A abordagem deve ser sempre multissensorial, ou seja, aquela que privilegia a 
diversidade de experiências e vivências, fazendo uso da estimulação sensorial em todos 
as possibilidades. 
 Existem alguns aspectos que interferem na curva de crescimento e no 
desenvolvimento infantil, quais sejam: nutrição precária e inadequada – pobreza em 
nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo, deficiências prolongadas e 
excessos alimentares; exercícios e lesões que causam hipertrofia ou atrofia dos 
músculos ou lesões na placa de crescimento; doença, clima, emoções e condições 
incapacitantes; tendências seculares, que estão relacionadas ao aumento na taxa de 
crescimento de determinada geração. 
Esteja atento às características que envolvem o crescimento das crianças e aos 
aspectos que devem ser considerados quando tratamos do desenvolvimento infantil. 
Sempre olhe o desenvolvimento de maneira integral, a partir de diversos aspectos, 
considerando que os domínios funcionam numa inter-relação. O profissional responsável 
vai ter consciência de que o desenvolvimento psicomotor está associado a questões 
sociais e afetivas, que, por sua vez, têm uma relação direta com a cognição e aspectos 
da inteligência humana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 HABILIDADES MOTORAS FUNDAMENTAIS 
 
 
 Entre 2 e 7 anos de idade a criança está na fase que desenvolve as habilidades 
motoras fundamentais (HMFs), é nesse período que deve ocorrer a exposição intensa 
da criança a uma multiplicidade de experimentações e vivências que possibilitem 
aquisição efetiva de condutas motoras básicas, expressas numa sequência formada por 
estágios e etapas que representam de maneira progressiva a aquisição das habilidades 
motoras. 
 Tais habilidades derivam das aprendidas na etapa anterior, dos movimentos 
rudimentares, que já estudamos. Sobre a fase que iremos estudar agora, Gallahue e 
Ozmun (2013, p. 207) afirmam que 
 
Agora as crianças são capazes de explorar o potencial de seus corpos 
quando se movimentam no espaço (locomoção), tem maior controle 
sobre a própria musculatura em oposição a gravidade (estabilidade) e 
dispõem de crescente habilidade no estabelecimento de contatos 
controlados e precisos com os objetos do seu ambiente (manipulação). 
 
 É uma fase que serve para descobrir como executar vários movimentos de 
estabilização, locomoção e manipulação, inicialmente de maneira isolada e depois 
combinados. Como, por exemplo, primeiro a criança anda, pega ou lança, executa um 
movimento de cada vez. Nessa etapa ela vai aperfeiçoar a execução dessas habilidades 
isoladamente e vai aprender a executar de maneira combinada, ou seja, ela vai andar 
lançando uma bola e pegando ao mesmo tempo. 
A figura a seguir mostra, de maneira esquemática, a ação motora de pegar a bola 
e de que forma os aspectos do ambiente e o propósito da tarefa operam sobre a pessoa 
executando o movimento, gerando o resultado. 
 
 
 
Figura 1 - Exemplo de pegar uma bola: restrições em ação 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 207). 
 
Se, por um lado, é importante compreender como as restrições atuam 
sobre a criança, resultando em um nível específico de performance, por 
outro, o mais importante é considerarque as restrições da tarefa e do 
ambiente podem ser manipuladas por professores, técnicos e médicos 
para promover o seu desenvolvimento motor (GALLAHUE; OZMUN, 2013, 
p. 207-208). 
 
 As limitações individuais, ambientais, e da tarefa interferem na performance 
motora da criança, mas podem ser modificadas pelos professores, técnicos ou médicos, 
a fim de contribuir no desenvolvimento de habilidades motoras. 
As crianças que estão em desenvolvimento dos padrões motores fundamentais 
aprendem a reagir de maneira controlada e com competência motora aos diversos 
estímulos. O controle motor vai aumentando gradativamente mediante prática, e o 
movimento passa a ser executado de maneira segura, discreta e contínua. 
 Essas HMFs são influenciadas por fatores maturacionais, ambientais e por fatores 
da tarefa, que consiste no quanto a criança está exposta a esses estímulos. Embora a 
maturação tenha um papel significativo na aprendizagem e desenvolvimento dos 
padrões de movimento, não pode ser vista como única influência. As condições 
ambientais, como oportunidades de vivência, instrução e cenário, ocupam papel 
fundamental no nível máximo que os padrões de movimento alcançam. 
 
 Por que é tão importante que a criança desenvolva de maneira saudável as 
HMFs? Para responder a essa pergunta, convido os pesquisadores que têm me auxiliado 
na montagem de todo este material, Gallahue e Ozmun (2013, p. 208): 
 
O desenvolvimento das HMFs e essencial para o alcance da proficiência 
em vários esportes, jogos e danças de uma cultura. Elas consistem em 
blocos básicos para um movimento eficiente e efetivo e oferecem às 
crianças modos de explorar os seus ambientes, de adquirir 
conhecimentos sobre o mundo ao seu redor. As HMFs em 
desenvolvimento podem ser consideradas como letras ou caracteres de 
um alfabeto em uma cartilha para aprendizes. Esses caracteres fornecem 
a base para o aprendizado das palavras (habilidades motoras 
combinadas), que depois permitiram às crianças a produção de 
sentenças e parágrafos (habilidades esportivas e sequências de dança 
específicas) por meio da reestruturação das letras em várias 
combinações. Se os princípios básicos dos caracteres e das letras não 
forem assimilados, as crianças terão um desenvolvimento linguístico 
deficiente. 
 
 Todo movimento aprendido passa por etapas. Inicialmente a execução é 
imprecisa e, mediante prática é que a criança é capaz de executar com destreza. A 
maestria na execução das ações motoras vai depender da orientação que é dada e da 
repetição da vivência. Numa situação de avaliação psicomotora é possível saber em qual 
estágio a criança se encontra com base na execução da tarefa. Os estágios que iremos 
conhecer agora são: inicial, elementar e maduro. 
 Estágio inicial: são as primeiras tentativas de execução dos movimentos. 
Geralmente aos 2 anos de idade os movimentos de locomoção, manipulação e 
estabilização da criança estão na fase inicial. Evidente que pode ser diferente de uma 
criança para outra, mas de maneira geral é o que acontece. Nesse estágio os 
movimentos são caracterizados por elementos que faltam, que são restritos ou marcados 
em sequência, nos quais a criança usa o corpo de maneira exagerada, realizados com 
dificuldade. 
Estágio elementar/emergente: aqui os movimentos já mostram maior controle 
motor e coordenação rítmica, realizados de maneira sincronizada entre elementos de 
tempo e espaço. Os movimentos são mais coordenados, mas ainda restritos e 
exagerados. Crianças com desenvolvimento típico evoluem significativamente nessa 
 
fase, muitas vezes vemos até mesmo adultos com desenvolvimento estagnado nesse 
estágio. 
Estágio maduro/proficiente: as ações motoras são realizadas de maneira 
coordenada, controlada e mecanicamente eficiente. A maior parte das HMFs podem ser 
adquiridas por crianças entre 5 e 6 anos de idade com maestria. As habilidades 
manipulativas, como rebater, derrubar, entre outras, por necessitarem de 
acompanhamento e interceptação de objetos, acabam se desenvolvendo um pouco 
depois, devido aos requisitos e motores serem mais sofisticados para execução dessa 
tarefa. 
A figura a seguir apresenta a aprendizagem do chute, desde o estágio inicial até 
que o movimento seja realizado com maturidade. Pode-se observar que, a cada etapa, 
a criança vai modificando o gesto motor e isso está relacionado aos diversos aspectos 
que já foram apresentados neste material. 
 
Figura 2 - Sequência da aprendizagem do chute 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 235). 
 
Segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 208) 
 
 
O desenvolvimento das HMFs e essencial para o alcance da proficiência 
em vários esportes, jogos e danças de uma cultura. Elas consistem em 
blocos básicos para um movimento eficiente e efetivo e oferecem às 
crianças modos de explorar os seus ambientes, de adquirir 
conhecimentos sobre o mundo ao seu redor. As HMFs em 
desenvolvimento podem ser consideradas como letras ou caracteres de 
um alfabeto em uma cartilha para aprendizes. Esses caracteres fornecem 
a base para o aprendizado das palavras (habilidades motoras 
combinadas), que depois permitiram às crianças a produção de 
sentenças e parágrafos (habilidades esportivas e sequências de dança 
especificas) por meio da reestruturação das letras em várias 
combinações. Se os princípios básicos dos caracteres e das letras não 
forem assimilados, as crianças terão um desenvolvimento linguístico 
deficiente. De modo similar, no desenvolvimento motor, a capacidade de 
movimentar-se com facilidade, combinando várias HMFs, fica 
comprometida quando a criança não adquire a competência motora 
básica durante os primeiros anos. 
 
Diante disso, as atividades motoras precisam auxiliar os alunos no conhecimento 
do próprio corpo e no domínio do repertório das habilidades fundamentais, a fim de 
contribuir de forma positiva para desenvolver as capacidades psicomotoras, cognitivas e 
socioafetivas. 
 Quando tratamos das habilidades motoras fundamentais estamos falando de 
manipulação, tais como: arremessar, pegar, chutar, volear, rebater. É fundamental 
entendermos que, para que tais ações motoras sejam aprendidas, é necessário que a 
criança seja ensinada e que as etapas sejam respeitadas, da inicial, passando pela 
elementar, até que a realização do gesto motor esteja madura. O tempo de prática 
destinado a aprender as habilidades de manipulação, bem como as estratégias utilizadas 
farão diferença na aquisição delas. 
Como habilidade de locomoção temos cinco possibilidades no desenvolvimento 
motor: corrida, galope, skip, saltos e saltitos. Para ilustrar o desenvolvimento progressivo 
de uma das capacidades, trago a seguir uma figura que mostra o skipping. 
 
 
 
Figura 3 - Sequência da aprendizagem do skipping 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 256). 
 
2.1 A Criança e seu Desenvolvimento Físico 
Nesse tópico iremos tratar da aptidão física relacionada à saúde e aptidão motora 
das crianças. Segundo especialistas, esse assunto deve preocupar não somente 
professores de Educação Física, mas também médicos, técnicos e demais profissionais 
da Educação, pois está relacionado à diversos aspectos, como alimentação, atividade 
física e hábitos de vida. Para esta disciplina iremos focar nas capacidades físicas, mas 
é preciso estar atento a todos os aspectos que envolvem a saúde das crianças, desde 
os nutricionais até as práticas de lazer e exposição aos equipamentos eletrônicos. 
Nos últimos anos o número de criança com indícios de sobrepeso e obesidade 
vem se tornando cada vez mais significativo. O que torna necessário que olhemos para 
esse tema com cuidado e que o tornemos um dos conteúdos escolares. De acordo com 
Gallahue e Ozmun (2013, p. 274) 
 
A definição de aptidão física e um passo necessário para o 
estabelecimento de padrões para crianças. Embora não haja consenso a 
respeito do termo aptidão física, usaremos a seguinte definição como 
guia:“aptidão física e um estado positivo de bem-estar, influenciado por 
atividade física regular, constituição genética e adequação nutricional". 
Em termos mais específicos, pode ser dividida em aptidão física 
relacionada à saúde e aptidão motora ou relacionada a performance. 
 
 
 A aptidão física em crianças com menos de 6 anos é pouco estudada e 
encontramos uma carência de informações sobre o tema na literatura. Você pode estar 
pensando que são questões relacionadas somente aos adultos, mas não são. 
E quando falamos de aptidão física relacionadas à saúde, a que habilidades nos 
referimos? Estamos falando da capacidade de resistência cardiovascular, força 
muscular, flexibilidade, resistência muscular e composição corporal. Quanto aos 
componentes da aptidão motora tem-se: coordenação, equilíbrio, velocidade, agilidade 
e potência. 
Consegue perceber o quanto é essencial que possamos olhar para a aptidão física 
no desenvolvimento do ser humano durante a infância e adolescência?! Se pararmos 
para pensar, são esses componentes que citamos que nos possibilitam realizar todos os 
movimentos corporais que nos permitem viver de maneira saudável. 
Na sequência irei colocar duas tabelas que estão presentes no livro 
Compreendendo o desenvolvimento motor, do Gallahue e Ozmun, que irão fornecer 
diversos elementos para entender as capacidades relacionadas à aptidão física. Vale 
ressaltar que a criança deve ser “testada” de acordo com a etapa de desenvolvimento 
em que se encontra e com suas condições. Cada criança tem um tempo de 
aprendizagem e deve ser estimulada para que possa desenvolver habilidades e 
competências que lhe permitam ter uma vida saudável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 1 - Medidas de aptidão física relacionada à saúde 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 284). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 2 - Medidas de aptidão física relacionada ao desempenho 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 285). 
 
 O desenvolvimento motor e as aprendizagens dependem dos componentes 
apresentados, como coordenação e equilíbrio. Assim que a criança demonstra controle 
de coordenação e equilíbrio, está apta a melhorar a capacidade de força muscular. As 
medidas de aptidão motora melhoram de maneira linear. 
 
 
 
2.2 Desenvolvimento Perceptivo-Motor 
 O desenvolvimento perceptivo-motor tem uma relação íntima com o 
desenvolvimento motor infantil. Embora progridam em ritmos diferentes, as capacidades 
motoras são afetadas pelas perceptivas e vice-versa. 
Todos os movimentos voluntários que realizamos estão envolvidos com um 
elemento da percepção. A partir do nascimento a criança interage com o ambiente por 
meio das percepções e das ações motoras. Em torno de 2 anos os olhos já estão 
anatomicamente e fisiologicamente prontos, porém as habilidades perceptivas ainda não 
estão maduras. Por isso a criança consegue olhar fixamente em determinado objeto, 
acompanhar sua movimentação e avaliar aspectos desse elemento, como tamanho e 
forma, ainda assim, carecem de muito refinamento. 
O desenvolvimento motor sofre influência da acuidade visual, da percepção das 
imagens planas, percepção de profundidade e coordenação visomotora. Na criança as 
habilidades de percepção visual são restritas quando comparadas às do adulto. Quanto 
mais vivências e experiências estimularem o aprendizado motor perceptivo da criança, 
melhor ela desenvolverá a plasticidade de reação às situações motoras diversas. 
São aspectos do desenvolvimento da percepção visual infantil: acuidade visual 
– capacidade de diferenciar detalhes em ambientes estáticos e dinâmicos –, percepção 
da figura-fundo – separar visualmente os objetos dos seus vizinhos –, percepção de 
profundidade – condição de avaliar a distância dos elementos em relação a si mesma 
–, coordenação visomotora – integrar olhos e mãos para rastrear e pausar em objetos 
ao redor. Esses aspectos são desenvolvidos na criança até os 12 meses de vida. 
Geralmente as crianças que apresentam falhas na aprendizagem perceptivo-
motora sofrem restrições ambientais ou estímulos precários. 
Famos sobre perceptivo-motor até agora e buscamos ajuda de Gallahue e 
Ozmun (2013, p. 298) para esclarecer porque os termos estão juntos neste tópico. 
 
Há hífen no termo perceptivo-motor por duas razões. Em primeiro lugar, 
significa que a atividade de movimento voluntário depende de algumas 
formas de informação perceptiva. Todos os movimentos voluntários 
envolvem um elemento de consciência perceptiva, resultante de algum 
tipo de estimulação sensorial. Em segundo lugar, o hífen indica que o 
desenvolvimento das capacidades perceptivas do indivíduo depende, em 
parte, da atividade motora. As capacidades perceptivo-motoras são 
 
aprendidas. Assim, elas usam o movimento como um importante meio de 
concretização do aprendizado. 
 
São considerados componentes perceptivos-motores a consciência corporal, a 
consciência espacial, a consciência direcional que, envolve lateralidade e 
direcionalidade, a consciência temporal, que envolve o ritmo. Esses aspectos devem ser 
trabalhados nas aulas de Educação Física e nos diversos momentos de estimulação que 
fazem parte das atividades escolares. Os programas de estimulação psicomotora 
privilegiam o trato com as habilidades apresentadas, haja vista que são essenciais para 
o desenvolvimento do ser humano nas dimensões cognitiva e socioafetiva, e contribuem 
para a formação do aluno de maneira integral. A seguir você pode observar quais fatores 
estão relacionados aos componentes perceptivo-motores. 
 
Figura 4 - Fatores relacionados aos componentes perceptivo-motores 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 301). 
 
 É de suma importância que os profissionais da Educação conheçam 
detalhadamente os aspectos do desenvolvimento infantil; saibam as habilidades motoras 
que devem ser aprendidas, as percepções que a criança desenvolve, a relação entre as 
aprendizagens motoras e as percepções e tudo mais que faz parte do repertório motor. 
Todos esses aspectos são decisivos nas aprendizagens futuras e servem de base para 
algumas aprendizagens formais que acontecem na escola, como aquilo que devemos 
aprender em Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, entre outras disciplinas que 
contemplam a grade curricular da escolarização. 
 
 Muitas vezes dificuldades de aprendizagem são justificadas por situações de 
déficits psicomotores ou atrasos/falhas no desenvolvimento motor, que ocorrem por 
diversos fatores que já foram explorados neste material. 
 Para terminar o tópico, falaremos sobre o autoconceito na infância. Por 
autoconceito entendemos: crença de que podemos nos descrever, em palavras, para os 
outros. Está relacionado com a imagem ou percepção que a criança tem de si mesma e 
como se vê. A construção do autoconceito começa na infância e perpassa a vida de uma 
pessoa. Devemos estar sempre atentos ao modo como a criança constrói uma ideia de 
si mesma, e isso deve ocorrer de maneira saudável. A formação do autoconceito pela 
criança tem muita influência do meio e da maneira como as relações são estabelecidas. 
 Frases como “ela é preguiçosa” ou “ele não sabe escrever/ler” são destrutivas 
no processo de formação do autoconceito e acabam contribuindo negativamente no 
entendimento que a criança faz de si mesma. Certa vez, li uma frase em algum lugar, 
que faz muito sentido para o assunto e eu gostaria de compartilhar com você. A frase 
era assim: uma criança agredida verbalmente e menosprezada pelos pais não é 
capaz de deixar de amá-los, então deixa de amar a si mesma... 
 Forte não?! Mas é exatamente isso que acontece. O meio e a maneira como o 
adulto conceitua a criança interfere no entendimento que faz de si mesma e na maneira 
como ela irá também formar o autoconceito, porque as crianças têm no adulto a 
referência e buscam nele a segurança que precisam. 
 A família atua como primeiro espelho para a criança se construircomo ser 
humano, e posteriormente ela vai encontrando outras possíveis referências para que 
possa se espelhar, como na escola, os professores, o grupo de amigos na adolescência, 
entre outros. 
 
 
 
 
3 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO NA ADOLESCÊNCIA 
 
 
 
Chegou a hora de falarmos da etapa da adolescência, uma fase da vida tão cheia 
de particularidades, que precisa ser vista e entendida em suas características. Neste 
tópico vamos tratar do crescimento e da maturidade biológica na adolescência. Iremos 
conhecer o que seria o famoso estirão que acontece nesse período da vida e que 
interfere nas aprendizagens motoras. Trataremos de puberdade e outros assuntos 
relacionados à adolescência. 
 A passagem da infância para a adolescência é demarcada por um conjunto de 
acontecimentos físicos e culturais, que, juntos, cooperam para o crescimento e 
desenvolvimento motor. As pesquisas apontam que o período da adolescência tem se 
estendido devido à associação de implicações biológicas e culturais. 
 Durante a adolescência ocorre a aceleração da curva do crescimento. Dos 
meninos entre 12 e 17 anos, normalmente 1 ano após o aumento dos testículos; eles 
crescem em torno de 10 centímetros no ano de crescimento máximo. Das meninas 
acontece entre 9,5 e 13,5 anos; elas crescem 9 centímetros no ano de crescimento 
máximo. Geralmente os meninos ficam mais fortes e altos que as meninas. No aspecto 
crescimento existem essas diferenças entre os gêneros. 
 A puberdade depende de aspectos genéticos e ambientais e tem início em 
diversas idades. A adolescência é a preparação para a vida adulta, que sofre influência 
de aspectos biológicos, considerando que no final da infância e início da adolescência 
temos o aparecimento da maturação sexual. O marco inicial da vida adulta é, 
culturalmente, a independência financeira e emocional da família. 
 No início da adolescência temos aumentos somatizados de peso e altura. A idade, 
duração e intensidade do estirão vão variar de acordo com a genética e com aspectos 
individuais. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 315), 
 
O genótipo (herança genética) estabelece as fronteiras do crescimento 
individual. No entanto, o fenótipo do indivíduo, ou seja, o modo como o 
seu genótipo se expressa em características observáveis e mensuráveis, 
como altura e peso, pode ser influenciado pelas condições do ambiente, 
como nutrição e exercício. Para cada genótipo, é possível haver 
 
expressão de uma ampla variedade de genótipos. Ainda que 
pudéssemos responder por todos os fatores genéticos que contribuem 
para a altura e o peso de uma pessoa, seria impossível prever com 
exatidão quais seriam as medidas de altura e de peso, pois ambos são 
modelados, em certo grau, pelo fenótipo singular de cada um (p. ex., 
fatores ambientais). 
 
 O estirão a que nos referimos dura em torno de 4 anos e meio. É variável, 
enquanto alguns estão terminando o processo, outros ainda nem iniciaram. Na figura a 
seguir você pode ver o pico de velocidade da altura de homens e mulheres em números, 
de acordo com a faixa etária. 
 
Figura 5 - Pico de altura em relação à idade 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 317). 
 
 Em relação ao peso, as mudanças durante a adolescência são grandes. 
Geralmente o pico de velocidade é mais demorado nos meninos que nas meninas. 
Porém nas meninas acontece entre 6 a 12 meses antes do que acontece nos meninos. 
 Nos meninos o ganho de peso ocorre devido ao aumento da massa muscular e 
da altura, que são bastante significativos na adolescência. Sendo que o peso é bastante 
afetado por fatores ambientais, como hábitos alimentares. O ganho de peso pode ser 
observado na figura a seguir. 
 
Figura 6 - Ganho de peso em relação à idade 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 319). 
 
 Os fatores de crescimento são variáveis e devem ser consideradas quando 
estudamos o desenvolvimento motor, pois interferem nas aprendizagens. 
 
 
 
4 HABILIDADES MOTORAS ESPECIALIZADAS 
 
 
 
 
 Estamos no último tópico desta unidade. Aqui iremos conhecer a etapa do 
desenvolvimento motor em que ocorre o aprimoramento dos movimentos fundamentais 
adquiridos nas etapas anteriores. Isso mesmo! Durante os anos anteriores, a criança, 
que agora já não está mais na infância e sim na adolescência, vai adquirindo um 
repertório diversificado de habilidades motoras e passando por cada um dos estágios do 
desenvolvimento motor, conforme a ampulheta proposta por Gallahue e Ozmun (2013), 
que estamos utilizando como referência na disciplina. Lembrou da conhecida ampulheta 
proposta por Gallahue e Ozmun? 
 A fase que antecede a que iremos estudar agora é a das habilidades motoras 
fundamentais. Entre 2 e 7 anos acontece o aprendizado de uma série de ações motoras 
de locomoção, manipulação e estabilização. A partir disso, tudo o que foi aprendido na 
fase motora fundamental será aprimorado, refinado e especializado de maneira 
elaborada e combinada, na fase motora especializada, como o próprio nome diz. Os 
movimentos passam a ser aplicados como instrumentos em diversas atividades motoras, 
cada vez mais complexas, com maior nível de exigência. Estão presentes em situações 
do cotidiano, em situações recreativas e nas diversas modalidades esportivas. 
 Para que o indivíduo passe para a etapa do movimento especializado, deve estar 
proficiente na etapa do movimento fundamental, conforme mostra a Figura 7. 
 
 
 
Figura 7 - Relação entre habilidades motoras fundamentais e especializadas 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 333). 
 
 Como nas demais fases do desenvolvimento motor, aqui também as 
aprendizagens acontecem em estágios, quais sejam: transitório, de aplicação e 
permanente. 
No estágio transitório, que vai dos 7 aos 10 anos, o indivíduo é capaz de fazer 
associações, combinações e aplicações das habilidades motoras fundamentais no 
desempenho das habilidades especializadas nas modalidades esportivas. De acordo 
com Gallahue e Ozmun (2013, p. 334), “é caracterizado pelas primeiras tentativas do 
indivíduo de refinar e combinar habilidades de movimento proficientes. Esse é o período 
em que os aspirantes a atleta aprendem a treinar para aumentar a habilidade na 
performance”. 
Dos 11 aos 13 anos temos o estágio de aplicação, no qual ocorre a busca por 
participar de atividades específicas. Cresce quantitativamente a habilidade, a precisão 
de movimentos, o desempenho motor. Nesse estágio são exploradas habilidades mais 
complexas que serão utilizadas em atividades avançadas. Ocorre a participação mais 
intensa em esportes que exigem maior precisão de movimentos. Durante este estágio 
 
 
[...] o indivíduo torna-se mais consciente dos valores e das limitações 
físicas pessoais e, de modo adequado, foca certos tipos de esporte em 
ambientes tanto recreativos como competitivos. A ênfase está em 
melhorar a proficiência. A prática e fundamental para desenvolver graus 
de habilidade mais elevados (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 334). 
 
 O próximo é o estágio permanente, a partir dos 14 anos, considerado o auge do 
desenvolvimento motor, definido como período da diversidade de movimentos que foram 
adquiridos e serão utilizados no decorrer da vida. No entanto, quando pensamos em 
conteúdos para ensinar algum esporte especificamente, em especial para crianças, é 
fundamental que o professor tenha um conjunto de conhecimentos a respeito da etapa 
de desenvolvimento que a criança está, bem como suas características, para que o 
trabalho seja feito com responsabilidade, respeitando a necessidade de aprendizagem e 
o ritmo de cada faixa etária. 
O estágio que estamos conhecendo também pode ser conhecido como estágio 
de uso ao longo da vida. Conforme Gallahue e Ozmun (2013, p. 335), 
 
[...] os indivíduos em geral reduzem a abrangência de suas buscas 
esportivas, escolhendo algumas poucas atividades para engajamento 
regular em ambientes competitivos, recreativos oucotidianos. Maior 
especialização e refinamento das habilidades ocorrem no estágio de 
treinamento para competir e para participar. A maximização da 
performance e o objetivo-chave desse estágio. Das habilidades 
esportivas em que se adquiriu domínio, e colocada ênfase no nível ótimo 
da preparação de aptidão física, psicológica e tática. As atividades ao 
longo da vida são escolhidas com base em interesses, capacidades, 
ambições, disponibilidade e experiências prévias do indivíduo. Nesse 
estágio, muitas vezes, as oportunidades de participação são limitadas, 
em função das crescentes responsabilidades e dos compromissos. 
 
 Interessante pensar que quanto mais habilidades e potencial de movimento 
temos, menores são as oportunidades de praticarmos esportes não é mesmo?! 
Considerando que quanto mais velhos, mais responsabilidades diversas assumimos, 
com estudos, trabalhos e outras tarefas e, por vezes, não conseguimos tempo para 
vivenciar modalidades esportivas variadas e encontrar aquela que mais nos 
familiarizamos. É evidente que quanto mais velhos ficamos, se não seguimos carreira de 
atleta ou não fazemos parte de algum time ou equipe desportiva, acabamos praticando 
menos esporte, em virtude da rotina de atividades. 
 
 
SAIBA MAIS 
 
POR QUE A ATIVIDADE FÍSICA NA INFÂNCIA É IMPORTANTE? 
Uma das maiores alegrias da vida é ver uma criança correndo e brincando, 
dançando e se divertindo, com saúde e disposição, seja nos parques, na rua, ou em 
uma sala cheia de brinquedos. Ou seja, qualquer atividade física na infância. 
Mas, é impressão minha, ou quase não estamos mais 
vendo crianças andando de bicicleta, de patins, correndo, e subindo em árvores? 
Sim, é verdade, a nova tecnologia chegou para todos, até para as crianças. 
Não precisamos ir muito longe para ver uma criança de quatro anos já com 
o celular do pai, do irmão, mexendo e vendo animações virtuais, pulando e 
saltitando apenas com os dedinhos, mas seu corpo extremamente parado em uma 
cadeira, sofá, ou até mesmo no chão, onde a interação acontece apenas entre ela 
e sua tela, do celular ou tablet. 
E aí que chega a seguinte interrogação: e a socialização com as demais 
crianças? E a fantasia de ser criança? E o movimento motor para chegar à idade 
adulta? E a saúde, aonde fica? 
Pois o corpo necessita de movimentos, o ser humano necessita de interação, 
socialização, precisa manipular e sentir, precisa tocar, e a infância é o período onde 
as descobertas entram! 
Portanto, o texto abaixo descreve a importância da atividade física na infância 
e os benefícios do exercício físico. Vamos lá? 
Atividade física na infância 
A atividade física na infância, ou o movimento do corpo, tem um papel 
essencial para o desenvolvimento infantil! Esses movimentos expressam emoções, 
ampliam a postura corporal, auxiliam na linguagem corporal, e desenvolvem a 
capacidade afetiva e intelectual. 
● Habilidades Motoras do Movimento 
● Caminhar 
● Correr 
https://blogeducacaofisica.com.br/psicomotricidade-esporte-para-criancas/
https://blogpilates.com.br/12-beneficios-do-pilates-que-voce-precisa-saber-o-numero-4-vai-te-surpreender/
https://blogeducacaofisica.com.br/12-atividades-na-educacao-infantil/
 
● Saltar 
● Habilidades Manipulativas do Movimento 
● Arremesso de Objeto 
● Chute de Bola 
● Recepção de Algum Item, 
● Ou até como Cortar um Papel 
● Habilidades Estabilizadores do Movimento 
 
● Tentar Manter a Postura Vertical 
● Ter Domínio do Corpo 
● Rolar 
● Andar sobre uma Faixa 
● Corda no Chão 
Todas essas habilidades devem ser estimuladas dentro da atividade física na 
infância, e uma vez que esta etapa não seja trabalhada, a criança perde, e 
infelizmente não recupera na idade adulta. 
As mudanças do desenvolvimento motor e até afetiva ou emocional, ocorre no 
período da educação infantil, e é na infância onde se constroem o desenvolvimento 
psicológico e as habilidades motoras, e isto inclui atividades/ brincadeiras das 
crianças na infância. 
O brincar no trabalho pedagógico é uma tarefa estratégica, utilizando de atividades 
para garantir o aprimoramento das habilidades motoras. 
E conforme esta criança avança com a idade, essas funções que foram 
desenvolvidas ao longo do período auxiliam na melhora da capacidade de seus 
movimentos e habilidades e uma maior capacidade de controlar seus movimentos. 
O brincar é onde a fantasia toma conta da realidade, e assim as atividades vão 
acontecendo naturalmente. 
Freire (1997) afirma que a criança é para ser educada e não adestrada, sendo 
assim, as atividades desenvolvidas pelas crianças devem levá-las a pensar, a terem 
consciência da ação corporal que estão realizando. 
https://blogeducacaofisica.com.br/ensino-da-natacao/
 
Independentemente de qual seja o conteúdo escolhido, os processos de ensino e 
aprendizagem devem considerar as características dos alunos em todas as suas 
dimensões: 
1. Cognitiva 
2. Corporal 
3. Afetiva 
4. Ética 
5. Estética 
6. Relação Interpessoal 
7. Inserção Social 
É com toda clareza que a infância é uma fase importantíssima para os 
desenvolvimentos de habilidades e comportamentos, que perduram ao longo da 
vida. 
Benefícios da atividade física na infância 
Há 3 décadas ainda víamos crianças brincando nas ruas, com seus colegas e 
vizinhos de porta, víamos mais crianças andando de bicicleta e brincando de pique 
esconde. 
Os parques muitas vezes eram morros de areia de construção, os tijolos dos 
vizinhos, e qualquer objeto que levasse a criança a imaginar uma situação no seu 
mundo imaginário. 
Porém, hoje temos crianças presas em paredes de tijolos, chamadas casas, que 
mais parece uma prisão com muitos equipamentos eletrônicos. 
O nível de obesidade infantil está se tornando algo comum na sociedade atual. 
Isso, porque a falta de espaço no ambiente de casa, a falta de estrutura das cidades 
grandes, e dos colégios e escolas fazem com que a criança se desmotive para 
brincar ou fazer qualquer atividade, gerando assim um corpo parado, sem 
movimento, e atrás de telas virtuais. 
E para piorar: uma imensidade alimentos industrializados, devido à praticidade do 
dia a dia. Os tornando assim, seres pequeninos, acima do peso, depressivos e com 
doenças que antes aparecia apenas em pessoas adultas ou idosas. 
https://blogeducacaofisica.com.br/sedentarismo-7-atos-tornam-nem-percebe/
https://blogpilates.com.br/magic-circle-exercicios/
 
A prática da atividade física pode aumentar a autoestima de qualquer pessoa, mas 
para a criança, gera uma alegria imensurável, aquele sorriso no rosto, as mãos 
sujas de manipular algo diferente, a socialização de um convívio com demais 
crianças da mesma idade, o humor e a autoconfiança. 
A socialização com outras crianças é essencial, porque há brincadeiras individuais, 
mas há outras brincadeiras que são coletivas e que precisam deste convívio, e 
dentro dessas brincadeiras há regras, que devem ser orientadas a todos pelo 
professor, que tem papel essencial nesta etapa. 
Pois os jogos coletivos ou brincadeiras que envolvam ganhos e perdas, levam a 
criança a lidar com este equilíbrio. 
A questão de saúde e estética também é importante, pois hoje o índice de crianças 
com diabetes e colesterol elevado, e um circunferência abdominal altíssima, faz com 
que haja uma reflexão sobre o quão doente será este indivíduo na idade adulta. 
E a atividade física influencia nesta questão, pois um corpo ativo, é um corpo 
saudável! 
Muito se questiona que exercício físico para a criança é prejudicial, porém a 
atividade física pode ser uma brincadeira ativa na qual a criança se movimenta 
brincando, e os benefícios, são muitos. Dos quais: 
● Estimula o Crescimento e Desenvolvimento 
● Melhora Postura e Equilíbrio 
● Fortalece Ossos, Músculos e Articulações 
● Tem Domínio do Corpo 
● Autoestima Elevada 
● Socialização 
● Promove a Saúde 
● Minimiza a Obesidade e Depressão 
● Minimiza Doenças relacionadas aoSedentarismo 
Devemos ressaltar que toda atividade, brincadeira ou exercício, deve entreter e ser 
do gosto da criança, para que seja algo prazeroso. E assim seja aproveitada a 
atividade física na infância. 
https://blogpilates.com.br/pilates-e-crossfit-flexibilidade/
https://blogeducacaofisica.com.br/sedentarismo-7-atos-tornam-nem-percebe/
 
Concluindo… 
O exercício físico ou qualquer atividade, é bem-vinda em qualquer idade da vida, 
porém, é na infância que os movimentos são trabalhados. 
A atividade deve ser inserida desde os primeiros meses da vida, estimulando esta 
criança a manipular objetos diferenciados, engatinhar, segurar e puxar. 
É importante que qualquer atividade seja feita de forma prazerosa, e que este 
importante do movimento do corpo perdure até a velhice. 
A atividade física na infância, de forma bem orientada, só trará benefícios ao corpo e 
a mente. Muito além do lado estético, temos a saúde, porém a mente deve estar em 
equilíbrio também! 
 
Fonte: Zapelini (2018). 
 
#SAIBA MAIS# 
 
REFLITA 
 
“Na brincadeira, a criança está sempre acima da média da sua idade, acima de seu 
comportamento cotidiano; na brincadeira, é como se a criança estivesse numa 
altura equivalente a uma cabeça acima da sua própria altura”. 
 
Fonte: Vigotski (2008, p. 35). 
 
#REFLITA# 
 
 
 
 
https://blogeducacaofisica.com.br/adesao-e-aderencia-ao-exercicio-fisico/
https://blogeducacaofisica.com.br/infografico-beneficios-da-hidroginastica/
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Chegamos ao término da Unidade III da disciplina e, com isso, vale a pena 
lembrar o percurso de aprendizado que fizemos até aqui. Posso assegurar que os 
estudos desta unidade são extremamente importantes para sua atuação 
profissional, pois constituem a base da formação motora do ser humano. 
Conhecemos a fase motora fundamental e a especializada, passamos pela 
etapa da infância e caminhamos pela adolescência para chegar até aqui. 
Vimos que existem diversas ações motoras que precisam ser aprendidas 
pela criança em determinado momento do desenvolvimento e que são essenciais 
para sua vida. Entendemos a importância dos estímulos adequados e de um 
ambiente saudável para que o aprendizado aconteça. Vimos também que cada ser 
humano tem um ritmo para desenvolver as habilidades motoras e que existem 
aspectos que interferem nisso. 
O papel do professor como mediador de aprendizagem é fundamental nesse 
processo e deve atuar como um incentivador. Para a criança, o meio é um facilitador 
e a ludicidade deve estar presente sempre, já que brincar é um excelente meio para 
aprender e entender o mundo que a cerca. 
Sendo assim, minha dica é que sempre que sentir necessidade volte às 
unidades anteriores, reveja os vídeos, a apostila e o material de apoio para que se 
sinta seguro(a) em atuar. 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
As sugestões de leitura desta unidade estão relacionadas a uma discussão 
recorrente na área da Educação Física e em outras áreas que olham para o 
desenvolvimento da criança. Falam do fenômeno esporte e da esportivização 
precoce, bem como as implicações que acarretam no desenvolvimento infantil de 
acordo com as peculiaridades da infância. A intenção aqui não é demonizar o 
esporte, nem tampouco sugerir a proibição da prática, mas suscitar a reflexão para 
a inserção das práticas desportivas na infância de maneira lúdica, respeitando as 
condições e interesses da criança. 
 
Acesse: 
● https://www.efdeportes.com/efd133/a-esportivizacao-da-educacao-fisica.htm 
● https://www.efdeportes.com/efd195/esportes-e-adolescencia-uma-pratica-
possivel.htm 
● http://www.scielo.br/pdf/rbme/v11n5/27591.pdf 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
• Título: Educação de corpo inteiro: Teoria e Prática da Educação Física 
• Autor: João Batista freire 
• Editora: Scipione 
• Sinopse: O livro mostra que corpo e mente devem ser entendidos como 
componentes que integram o mesmo organismo e ressalta a importância do 
exercício no aprendizado global do aluno dentro da escola, de forma a estabelecer 
um elo entre o movimento e o desenvolvimento mental da criança. A obra coloca a 
Educação Física como matéria semelhante às outras, em que o professor é, acima 
de tudo, um educador, com uma visão clara e abrangente sobre o ensino, a qual se 
apoia no desempenho, por parte da criança, de um trabalho com sentido e 
amplitude. Veja nesse livro: a pedagogia do movimento na primeira e na segunda 
infâncias; cognição, motricidade, competição, socialização, afetividade; a educação 
física e as outras disciplinas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: Estrada para a glória 
• Ano: 2006 
• Sinopse: Pela primeira vez na história, uma equipe formada majoritariamente por 
negros disputa a final. É o time da Texas Western, os Miners. Não precisa nem dizer 
a discriminação que sofreram. Tudo isto foi muito bem retratado no bom filme 
Estrada para a glória (2006). Baseado em uma história real, esse filme é um ótimo 
retrato de um tenebroso período da vida dos EUA, em que a discriminação racial 
era algo que beirava o absurdo. O filme mostra a trajetória vitoriosa de uma equipe 
formada por 7 negros e 5 brancos: além do preconceito externo, a equipe tinha que 
conviver com a desconfiança entre os próprios jogadores que, comandados por um 
treinador com visão, conseguem superar as desavenças, descrenças e 
intolerâncias, para conseguirem entrar para a história do esporte nos Estados 
Unidos. 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: 
bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. São Paulo: Phorte, 2013. 
 
PIAGET, J. Seis estudos de Piaget. 25. ed. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2011. 
 
VIGOTSKI, L. S. A brincadeira e seu papel no desenvolvimento psíquico da criança. 
Revista Virtual de Gestão de Iniciativas Sociais, jun. 2008. 
 
ZAPELINI, T. A. Por que a atividade física na infância é importante? 2018. Disponível 
em: https://blogeducacaofisica.com.br/atividade-fisica-na-infancia/. 
 
 
 
UNIDADE IV 
IDADE ADULTA E O SEU DESENVOLVIMENTO 
Professora Mestra Juliana Montenegro Seron 
 
Plano de Estudo: 
➔ Conceitos e Definições de desenvolvimento motor na idade adulta; 
➔ Conceitos e definições da terceira idade; 
➔ Aspectos do desenvolvimento motor e da vida do idoso. 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
• Conceituar e contextualizar o desenvolvimento motor da idade adulta; 
• Compreender as especificidades do desempenho motor do adulto; 
• Entender as alterações fisiológicas que acontecem na fase adulta; 
• Conhecer aspectos da terceira idade; 
• Compreender a importância do desenvolvimento psicossocial para o idoso. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 Chegamos à quarta e última unidade desta disciplina. Pois bem, caro(a) aluno(a), 
nesta etapa iremos falar sobre a idade adulta e os processos de envelhecimento. 
Conheceremos a maneira como o corpo humano responde, com o passar do tempo, às 
mudanças que acontecem. 
 A gente sempre ouve expressões como: “depois dos 30 o metabolismo fica 
lento... depois dos 40 a gente come menos e precisa se exercitar o dobro... ah, 
você vai ver como as coisas mudam depois dos 50 anos...” 
Nesta unidade do material iremos falar exatamente disso, sobre as modificações 
fisiológicas, anatômicas, comportamentais, entre outras, que levam o nosso corpo – isso 
mesmo, NOSSO CORPO, porque todos iremos envelhecer, é o curso natural da vida – 
a funcionar de maneira diferente. 
É evidente que as pessoas percebem os resultados dessas mudanças. É por isso 
que os profissionais que, de certa forma, atuam no desenvolvimento humano, precisam 
ter conhecimento sobre as transformações relacionadas à idade nos diversos sistemas 
que afetam o corpo humano e de que maneiras a sua atuação pode contribuir nessa 
jornada de envelhecimento. 
 Nesta unidade buscaremos entender os efeitos que manter-se fisicamenteativo 
têm sobre o processo de envelhecimento e como a atividade física é importante para a 
manutenção da saúde, na previsão da longevidade e do envelhecimento saudável. 
 A expectativa de vida da população vem aumentando significativamente nas 
últimas décadas, o que nos resta saber é de que maneira isso tem acontecido. É fato 
que o envelhecimento implica em diversas limitações e dificuldades, inclusive físicas. 
Agora, a maneira como as pessoas querem passar por essa etapa é fruto das escolhas 
feitas por cada um. 
 Vamos lá conhecer a idade adulta e os aspectos que envolvem o envelhecimento 
do ser humano. 
 
 
 
 
 
1 ENTENDENDO A IDADE ADULTA 
 
Dando início ao primeiro tópico desta unidade, iremos falar sobre a idade adulta. 
Da mesma maneira que o crescimento e o desenvolvimento nas outras fases da vida 
podem ser afetados por condições adversas, isso também acontece na fase adulta, 
considerando que a execução das tarefas motoras nessa etapa pode sofrer 
comprometimento devido a processos sofridos pelo sistema fisiológico em função da 
idade pelo envelhecimento. 
Atualmente são utilizados alguns termos para designar essa fase, tais como: 
adultez, adultescência, andragogia, adultidade, entre outros. A alguns desses nem 
estamos familiarizados ainda, mas adianto que a ideia é olhar para essa etapa da vida, 
assim como fizemos com as outras, entendendo que existem características peculiares 
e que devem ser estudadas. Quando compreendemos aspectos específicos de cada 
etapa da vida humana somos capazes de buscar meios para passar por cada fase, 
respeitando suas características e da maneira mais saudável possível. 
A idade adulta é permeada por fatos e feitos que levam as pessoas a agir, pensar 
e tomar decisões de modos distintos, não estamos vivendo mais uma fase de 
aprendizagens e de vivências que possibilitam estar em constante equilíbrio emocional. 
Não podemos generalizar, mas “ser adulto” implica em ter know-how para lidar com 
muitas demandas e ainda enfrentar, no decorrer dessa etapa, as mudanças fisiológicas 
que acontecem. As demandas a que me refiro são relativas à profissão, relacionamentos, 
vida pessoal, entre outras. 
Nesta unidade vamos conhecer as diversas mudanças que ocorrem na vida 
adulta. Vale ressaltar que o desenvolvimento deriva da interação entre aspectos 
individuais, da natureza da tarefa e das condições ambientais. Podemos destacar que 
existem mudanças fisiológicas relacionadas à idade que acontecem no sistema 
musculoesquelético, no sistema nervoso central, no sistema circulatório e respiratório, 
na composição corporal e nos sistemas sensoriais. Lembrando que existe uma relação 
entre o domínio motor e o psicossocial já que a prática de exercícios tem um efeito sobre 
os aspectos psicológicos especificamente em adultos de meia-idade e idosos. Fique 
tranquilo que todos esses assuntos serão tratados no decorrer desta unidade. 
 
Muitas vezes o envelhecimento traz como consequência restrições na realização 
de determinadas ações motoras ou dificuldades na execução de tarefas que, até então, 
eram realizadas com certa facilidade. Conforme a idade vai avançando, aspectos das 
nossas dimensões motora, cognitiva e afetiva interagem de maneiras diferentes e 
acabam afetando nosso comportamento motor. De acordo com Gallahue e Ozmun 
(2013, p. 379), 
 
Quando entramos na vida adulta, vivenciamos uma série de mudanças 
físicas e fisiológicas que afetam o nosso comportamento. De modo 
similar, a medida que damos prosseguimento a nossa vida, mudanças 
em nossas capacidades afetivas e cognitivas alteram o modo como 
respondemos ao ambiente. Conforme abordado nos capítulos anteriores, 
esses domínios não são mutuamente exclusivos, mas estão 
intricadamente inter-relacionados. As suas relações ficam evidentes 
quando um indivíduo mais velho compensa a redução do tempo de 
reação relacionada à idade usando estratégias cognitivas diferentes para 
realizar a tarefa. Nós também vemos a associação entre os diferentes 
domínios quando indivíduos mais velhos apresentam declínios na auto 
competência e na autoestima à medida que mudanças na força muscular 
relacionadas à idade começa a limitar as suas capacidades de realização 
das habilidades funcionais na vida diária. 
 
 Vale ressaltar que a expectativa de vida da população tem aumentado década 
após década, com base em pesquisas e dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), anualmente. Fato esse que acontece em decorrência de 
vários fatores, entre eles, a melhoria na qualidade de vida, a prevenção de doenças, o 
cuidado e o tratamento de doenças que antes causavam a morte, a melhoria na saúde 
pública, as condições de saneamento básico, o surgimento de vacinas e prevenção 
contra diversos males que acometiam a vida adulta. 
 Para você ter uma ideia, quem nascia no ano de 1900 tinha como expectativa de 
vida em torno de 47 anos, o que em números atuais seria considerado absurdo, já que 
a média de vida atual é de 77 anos. 
 Apesar do cenário ser favorável e muitas mudanças ambientais terem favorecido 
o aumento na expectativa de vida das pessoas, as características individuais constituem 
papel determinante se a pessoa vai ou não seguir a tendência atual de viver até 80 ou 
90 anos com qualidade de vida. 
 
 A neurociência nos traz que o término da adolescência ocorre em torno de 24 
anos, o que nos leva a entender que a fase adulta começa a partir de então. De acordo 
com Silva (2004), a idade adulta vai de 25 a 44 anos – adulto-jovem –, o envelhecimento, 
por sua vez, é classificado em quatro etapas, a saber: meia-idade (45 a 59 anos), idoso 
(60 a 75 anos), ancião (75 a 90 anos) e velhice extrema (90 anos em diante). 
 Na idade adulta ocorrem algumas mudanças fisiológicas que merecem nossa 
atenção. Entenda que essas modificações são gradativas e dependem de diversos 
aspectos. Já vimos que os fatores ambientais interferem de maneira significativa no 
desenvolvimento motor do ser humano. Adultos ativos fisicamente e que buscam hábitos 
de vida saudáveis, de certa forma, “retardam” os efeitos do envelhecimento. Por outro 
lado, aqueles que contrariam essa lógica costumam antecipar as consequências do 
envelhecimento. 
 O sistema musculoesquelético tem diversas funções e acaba sofrendo algumas 
alterações com o envelhecimento, como a redução da estatura. Para você ter uma ideia, 
as mulheres podem perder 5 cm entre 25 e 75 anos. Doenças como a osteoporose e a 
osteopenia podem acometer pessoas na idade adulta. Atividade física regular e 
exercícios apropriados podem contribuir para minimizar os sintomas dessas doenças, 
mantendo a força muscular que sustenta a coluna. 
 Com a osteoporose ocorrem mudanças esqueléticas, como na estatura e no 
encurvamento da coluna, como mostra a imagem a seguir. 
 
Figura 1 - Mudanças esqueléticas com osteoporose 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 386). 
 
 
 Vale ressaltar que existem diversos fatores de risco associados à osteoporose e 
que, diante da incidência de casos que podemos encontrar, coloco neste material uma 
tabela que os apresenta de maneira clara e objetiva. 
 
Tabela 1 - Fatores de risco associados à osteoporose 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 388). 
 
Outro aspecto fisiológico que muda na idade adulta é a força muscular e acaba 
afetando diretamente os músculos e as articulações. Usamos a força em diversas 
situações da vida diária e em atividades esportivas, a massa muscular diminui à medida 
que são reduzidos o número e tamanho das fibras musculares. Isso acontece de meados 
para o final da vida adulta. A perda progressiva da massa muscular que acontece com o 
envelhecimento é chamada de sarcopenia. Atingimos nosso vigor máximo de força 
muscular antes dos 30 anos, depois disso ocorre a redução natural. Segundo Gallahue 
e Ozmun (2013, p. 287) 
 
A força muscular é essencial para a performance dehabilidades motoras, 
sejam elas relacionadas a performance esportiva de alto nível ou a vida 
funcional diária. Com a idade, a estrutura e a função do sistema 
 
musculoesquelético mudam. Estruturalmente, os indivíduos apresentam 
a sarcopenia ou atrofia da massa muscular esquelética. A massa 
muscular diminui à medida que se reduzem o número e o tamanho das 
fibras musculares de meados até o final da vida adulta. Do ponto de vista 
funcional, a redução na força muscular parece ser paralela a essa perda 
de tecido muscular. 
 
Os mesmos autores afirmam que 
 
Há uma tendência geral nas mudanças na função muscular relacionadas 
com a idade, mas se observa, também, imensa variabilidade entre os 
indivíduos. A perda de massa muscular observada à medida que os anos 
passam também e afetada pelos níveis individuais de atividade física e 
uso muscular. Além disso, as demandas da função muscular de várias 
tarefas afetam o resultado da performance da tarefa (GALLAHUE; 
OZMUN, 2013, p. 390). 
 
Além da força muscular, as articulações e os tecidos conjuntivos também sofrem 
modificações, pois parecem perder a flexibilidade. Em torno de 20 anos temos o ápice 
da flexibilidade articular e, depois disso, nossa capacidade de flexibilidade vai 
degradando à medida que os anos passam. A maior parte disso resulta da perda de água 
que ocorre no tecido conjuntivo e que tem efeito sob os ligamentos e tendões, 
aumentando sua rigidez. Em idosos as consequências são observadas nas atividades 
da vida diária, com a perda da estabilidade articular. 
Algumas doenças estão relacionadas à perda da mobilidade articular, as artrites, 
como a osteoartrite, que causa não somente limitação em determinadas ações motoras, 
mas pode restringir por completo alguns movimentos. 
Ainda pensando nas alterações fisiológicas que ocorrem a partir da idade adulta, 
temos as mudanças no Sistema Nervoso Central (SNC) – cérebro e medula espinhal. 
Ocorre a perda de neurônios que não serão substituídos. De acordo com Gallahue e 
Ozmun (2013, p. 392), 
 
Outras manifestações que parecem estar relacionadas com a idade são 
as formações anormais, incluindo entrelaçamentos neurofibrilares, placas 
senis e acumulação de lipofuscina. Essas formações com frequência são 
chamadas de 
marcadores da idade, pois aparecem no cérebro mais velho e aumentam 
em número enquanto continua o processo de envelhecimento. 
 
 
 Além disso, o cérebro humano, ao envelhecer, recebe uma quantidade menor de 
oxigênio, o que pode causar hipóxia, que prejudica o funcionamento neurológico típico. 
Algumas doenças, como o Alzheimer, são decorrentes do funcionamento anormal do 
SNC. 
Vale ressaltar que existe a neuroplasticidade, que é a capacidade que o cérebro 
tem de se reorganizar e de se modificar. É um processo contínuo de reorganização dos 
circuitos neuronais, que possibilita que o idoso mantenha a saúde neurológica, mesmo 
considerando as alterações que o sistema nervoso sofre com o avançar da idade. 
Os sistemas respiratório e circulatório também têm suas funções reduzidas com 
o envelhecimento. Quando envelhecemos nosso coração e vasos sanguíneos passam 
por modificações que podem interferir no seu funcionamento. As paredes das artérias 
perdem elasticidade, tornando-as mais rígidas, a formação de gordura nas paredes das 
artérias são alguns dos exemplos de consequências do envelhecimento no sistema 
circulatório, que afetam as tarefas cotidianas das pessoas e podem causar doenças 
cardiovasculares. Mais alterações podem acontecer no sistema circulatório, como: as 
válvulas do coração e os vasos engrossam e enrijecem, interferindo na sua eficácia. 
Os órgãos que fazem parte da respiração também mudam com o envelhecimento. 
Problemas posturais podem causar alterações na respiração, comprimindo o tórax e 
dificultando o trabalho dos pulmões. Ocorre a diminuição da absorção máxima de 
oxigênio, uma parte resulta do envelhecimento, outra se dá em virtude da falta de 
atividade física. Nesse sentido o treinamento aeróbico em adultos seria o mais 
recomendado, tendo em vista que potencializa os níveis de oxigênio no corpo e melhora 
sua capacidade de absorção. Além de que atividade aeróbica melhora o potencial 
cognitivo, justamente em função do aumento do volume de oxigênio. 
A composição corporal é modificada com o advento da idade adulta e o passar 
dos anos. Ocorre o aumento do peso corporal geral e da massa corporal até os 60 anos, 
depois dessa idade a tendência é diminuir. A gordura abdominal aumenta e essa gordura 
localizada está relacionada a condições como diabetes e obesidade. Dois fatores são 
considerados significativos nesse processo de ganho de peso, o estilo de vida das 
pessoas, que têm o nível de atividade física reduzido, e a diminuição natural da taxa 
 
metabólica basal, que representa a eficácia do gasto energético. Segundo Gallahue e 
Ozmun (2013, p. 396) 
 
Quando ganham peso além do que é considerado saudável, os adultos 
mais velhos reduzem a sua mobilidade, o funcionamento físico e a 
independência. Assim, aumenta o risco da necessidade de serviços de 
apoio, e a capacidade de realizar as atividades da vida diária se reduzem. 
 
 A idade adulta e o envelhecimento modificam os sistemas sensoriais. Os olhos e 
os ouvidos mudam anatomicamente com a idade, o que altera a captação da informação 
e, consequentemente, a emissão das informações visuais, auditivas e proprioceptivas 
para o cérebro ocorre de forma insuficiente ou distorcida. 
 A visão é o sentido que predomina nas habilidades de movimento, a diminuição 
da qualidade visual com a idade avançada pode impactar diretamente as atividades 
funcionais e adaptativas. Uma doença oftalmológica comum em decorrência do 
envelhecimento e que interfere na qualidade visual das pessoas é a cataratas. Com 
intervenção cirúrgica é possível resolver o problema, mas é fato que as pessoas idosas 
têm sua competência visual reduzida e isso acaba interferindo na realização de 
atividades e tarefas do cotidiano. 
 A audição não é considerada primordial na realização da maior parte das tarefas 
motoras, pois “as informações auditivas podem ser extremamente valiosas para fornecer 
feedback em uma série de situações de movimentos” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 
398), mesmo assim, é essencial saber que consiste em um dos aspectos que sofre com 
o avanço da idade e pode prejudicar o convívio social e situações do cotidiano dos 
idosos. 
 Por fim, com o avanço da idade, ocorrem alterações na propriocepção, que, 
segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 399), 
 
[...] refere-se ao senso de posição e consciência do corpo. Um dos 
principais métodos de recepção de informações proprioceptivas é por 
meio do sistema vestibular. A principal função do sistema vestibular é 
fornecer informações relativas aos movimentos e a posição da cabeça. 
 
Comumente adultos e idosos sentem tonturas e vertigens. Tal fato pode estar 
relacionado às alterações na propriocepção e no sistema vestibular. 
 
No próximo tópico desta unidade iremos conhecer alguns aspectos da idade 
adulta a partir do desempenho motor e do desenvolvimento psicossocial do ser humano. 
 
 
2 O ADULTO E O DESENVOLVIMENTO 
 
 
Neste tópico iremos abordar o desempenho motor do ser humano na idade 
adulta. Portanto vamos conhecer aspectos da performance motora de pessoas com 
idade entre 25 e 59 anos, conforme apresentamos no início desta unidade. Para 
começarmos essa conversa, apresento uma afirmação de Gallahue e Ozmun (2013, 
p. 280) sobre os aspectos que interferem no desempenho motor de uma pessoa: 
 
O comportamento motor exibido por um indivíduo depende da 
interação de uma série de variáveis categorizadas por: (1) a 
natureza da tarefa; (2) as condições ambientais; e (3) as 
características cognitiva, afetiva e psicomotora do indivíduo. A 
natureza da tarefa envolve elementos como o grau de dificuldade, 
duração e necessidade de velocidade ou precisão.O adulto mais 
velho cuja visão está enfraquecida as vezes não é capaz de realizar 
bem uma tarefa específica que envolva velocidade. No entanto, se 
não houver exigências de tempo, o indivíduo consegue completar a 
tarefa com elevado grau de sucesso. 
 
O ser humano tem uma melhoria das capacidades motoras adquiridas na 
infância durante a adolescência e atinge seu máximo potencial de desenvolvimento 
das habilidades motoras na vida adulta. Isso mesmo, entre 25 e 30 anos atingimos 
o ápice do desempenho motor, quando estamos com níveis excelentes do estado 
físico e fisiológico e acontece a etapa de estabilização. Já desenvolvemos e 
aprimoramos muitas habilidades motoras e agora somos competentes na 
realização. Usamos nosso repertório motor com maestria e em diversas e 
complexas situações da vida diária e em eventos desportivos quando necessário. 
Nessa etapa, a curva de desenvolvimento está estável, considerando que 
atingimos o limiar máximo de competência na performance motora. É evidente que 
isso acontece desde que as condições ao longo da vida tenham sido favoráveis e o 
indivíduo mantenha-se ativo fisicamente. A idade adulta, por sua vez, ainda é 
dividida em dois momentos, conforme já mencionado anteriormente, de 25 a 44 
anos temos o chamado adulto-jovem e com idade entre 45 a 59 anos está o grupo 
da meia-idade. 
 
Existem algumas diferenças do primeiro para o segundo grupo citado, entre 
25 e 44 anos de idade é que ocorre o período da estabilização e que temos o auge 
da performance e da maturação do sistema motor. Contudo a partir dos 45 anos 
ocorre o leve declínio do desempenho motor em detrimento das alterações que 
foram estudadas no tópico 1 desta unidade. 
Vamos entender que entre 25 e 44 anos o indivíduo executará as tarefas 
motoras do cotidiano com competência e, à medida que a idade vai avançando os 
declínios na performance motora vão acontecendo. De acordo com Gallahue e 
Ozmun (2013, p. 410), 
 
A maioria dessas mudanças envolve declínio na realização bem-
sucedida de tarefas. Essas mudanças prejudiciais à performance 
motora resultam de degeneração nos sistemas fisiológicos 
relacionada com a idade, fatores psicológicos relacionados com a 
idade, mudanças ambientais, demandas da tarefa ou alguma 
combinação dessas quatro variáveis. [...] A interação de diversas 
variáveis, algumas relacionadas com a idade, dita se o indivíduo vai 
experimentar declínio em uma tarefa motora específica. 
 
 Quando pensamos no sistema motor, alguns sistemas fisiológicos sofrem 
alterações e merecem ser estudados neste tópico. São eles: tempo de reação, 
equilíbrio e controle postural, marcha e atividades da vida diária (AVDs). 
O tempo de reação é o intervalo de tempo entre captar o estímulo do meio 
e iniciar a resposta motora, como, por exemplo, acionar o pedal do freio ao sinal de 
pare ao dirigir. O tempo de reação é um componente primordial para realização de 
muitas tarefas motoras que realizamos. 
Uma vez que os outros sistemas estão envolvidos, o tempo de receber o 
estímulo, assim como o tempo de integração motora e de descarga motora vão 
prejudicar o tempo de reagir, causando a demora na resposta motora nas diversas 
tarefas diárias. Desse modo, a execução da maior parte das ações motoras pode 
significar algum tipo de perigo sempre que o tempo de reação está prejudicado. 
Caminhar num trajeto com desnível ou frear bruscamente no trânsito, quando 
necessário, podem ser tarefas difíceis, pois há necessidade de reagir rapidamente. 
 
Quando acometidos por essa dificuldade, adultos de meia-idade acabam 
optando por realizar as tarefas mais devagar e com maior precisão, uma vez que 
não são mais capazes de executar determinadas ações motoras com rapidez. 
O equilíbrio e controle postural consistem em controlar a posição corporal 
no espaço com estabilidade e orientação. O controle da posição do corpo é 
essencial para a realização de diversas tarefas do cotidiano, envolve basicamente 
dois sistemas: musculoesquelético e neurológico. Os elementos do sistema 
musculoesquelético, necessários para manutenção do equilíbrio, são: a amplitude 
de movimento das articulações do corpo; flexibilidade da espinha; especificidade 
muscular; interações biomecânicas dos segmentos corporais conectados. Quanto 
aos componentes neuronais, têm-se: os processos motores, que envolvem a 
organização dos grupos musculares na execução de determinado movimento; o 
processo sensorial, que envolve a relação entre os sistemas visual, vestibular e 
somatossensorial; e os processos mentais superiores, que envolvem o 
processamento das informações captadas pelos sentidos e a resposta motora a ser 
realizada. 
Os adultos com mais idade têm maneiras diferentes dos jovens para 
recuperar a estabilidade depois de sofrer alguma perturbação do equilíbrio corporal. 
E alguns aspectos devem ser considerados – peso, altura e tamanho do pé – como 
decisivos para orientação e equilíbrio das pessoas. 
O controle postural tem uma estreita relação com o tempo de reação, sendo 
um aspecto essencial para o desempenho motor. Nas ações motoras que 
realizamos diariamente está presente o desequilíbrio postural em diversos 
momentos. Para tanto, é necessário aplicar práticas que possibilitem manter o 
equilíbrio e a orientação da postura corporal. Tais estratégias devem ser adotadas 
tanto nas situações que ocorrem o desequilíbrio, quanto naquelas em que se pode 
antecipar para evitar a perda do equilíbrio postural. 
Quanto tratamos da marcha estamos falando do caminhar, que, a princípio, 
parece uma tarefa simples de ser executada. Mas que, por exigir a interação do 
SNC, dos músculos, das articulações de vários sistemas sensoriais, além de 
 
aspectos gravitacionais e ambientais, torna-se uma ação motora complexa. De 
acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 418-419) 
 
Neurologicamente, caminhar inclui a combinação intrincada de 
ações voluntárias e reflexas. Os músculos e as articulações do 
tornozelo, do joelho, da pelve e, em certo grau, do tronco e dos 
ombros são componentes vitais de um padrão de marcha eficiente. 
O processo da marcha utiliza informações obtidas dos sistemas 
visual, auditivo e vestibular, e também de outros sistemas. As forças 
relacionadas com a gravidade terrestre estão envolvidas na 
constante alteração do centro de gravidade do corpo e no constante 
restabelecimento da base de apoio durante o ciclo da caminhada. 
Condições ambientais, como a superfície ou os objetos colocados 
no caminho de quem está andando, podem alterar o padrão da 
marcha. 
 
 Basicamente três elementos fazem parte da execução da marcha: 
progressão – padrão rítmico para ativar os músculos de pernas e do tronco, 
movimentando o corpo na direção pretendida –; controle postural – recompor e 
manter a postura adequada – e adaptação – julgar mudanças ambientais e do 
organismo e adequar de imediato. 
 A execução da marcha acontece em duas fases, a primeira é a de apoio, na 
qual os dois pés estão no chão, seguida da fase de balança, que temos um dos pés 
no ar e o outro no chão. Na fase de apoio ocorre uma pressão contrária à superfície, 
que impulsiona o corpo na direção pretendida. Na fase do balanço é preciso 
responder aos propósitos de progressão, bem como do controle da postura, além 
disso, é necessário fazer ajustes quanto aos possíveis obstáculos. Numa 
progressão normal de marcha, cada fase corresponde a 50% da execução, caso 
haja qualquer alteração nesse percentual podemos entender que houve 
modificação no padrão do movimento. 
 E, por fim, vamos falar das atividades da vida diária, as AVDs. Aqui os 
adultos jovens e os de meia-idade não sofrem grandes prejuízos na execução 
dessas tarefas, pois estão relacionadas às ações motoras cotidianas, como escovar 
os dentes, levantar-se da cama, trocar de roupas, tomar banho, entre outras. Apesar 
de ocorrer um declínio das capacidades motoras em adultos de meia-idade,geralmente até os 59 anos é possível realizar tais atividades sem a necessidade de 
auxílio, salvo em caso de doenças. 
 Quando falamos de indivíduos fisicamente ativos, então, a chance de 
continuarem realizando as AVDs sem grande comprometimento aumenta 
significativamente. O que acontece é que, com o passar dos anos, é necessário que 
sejam feitas algumas adaptações ambientais para que as pessoas possam executar 
as AVDs sem dificuldade, como colocar barras de apoio no banheiro, assim, mesmo 
com a perda parcial da capacidade de equilíbrio corporal, a pessoa pode realizar, 
de maneira independente, suas atividades. 
 O trabalho com atividades motoras, principalmente em adultos de meia-
idade, deve privilegiar a melhora das capacidades motoras necessárias para 
realização das AVDs, tendo em vista que a ideia é praticar atividade física para não 
sofrer os efeitos do envelhecimento, nem tampouco antecipar os danos causados 
pela degeneração de alguns sistemas, como já estudamos nesta disciplina. 
A proposta para este grupo deve ser pautada em melhoria das capacidades 
físicas e de coordenação, para que possam continuar realizando as tarefas do 
cotidiano de maneira independente. 
 Outro aspecto que precisamos estar atentos no desenvolvimento humano é 
o psicossocial, que se inter-relaciona com o domínio motor. Gallahue e Ozmun 
(2013, p. 400) afirmam que 
 
Vários aspectos do domínio motor influenciam o estado psicológico 
e as características sociais dos adultos. O exercício, um estilo de 
vida fisicamente ativo e a capacidade de realizar as habilidades da 
vida diária são fatores orientados para o movimento que tem efeito 
positivo sobre o modo como os adultos sentem-se a respeito de si 
mesmos e também sobre o modo como os 
outros os veem. Declínios progressivos na ‘performance motora, a 
redução da força muscular e a incapacidade de realizar as tarefas 
domésticas são condições do domínio motor que afetam de modo 
negativo as perspectivas psicológicas e as interações sociais dos 
adultos. Em numerosas situações, o domínio motor interage com o 
domínio psicossocial. Quando há melhora da autoestima do 
indivíduo e da sua imagem corporal após vários meses de 
treinamento com peso ou quando adultos se reúnem para a 
caminhada matinal no calçadão da cidade, observamos influências 
positivas da performance motora sobre o comportamento 
psicossocial. 
 
 
 Em contrapartida, quando pessoas com problemas motores precisam 
frequentar clínicas especializadas e ficam inseguras ou deprimidas, são observados 
aspectos negativos. Fatores psicológicos e motores interagem de diversas formas. 
Quando as pessoas participam de programas de exercícios físicos, logo são 
percebidas melhoras em estado de depressão, consciência da imagem corporal, 
sensação de bem-estar, entre outros. 
 Em virtude das mudanças causadas pelo envelhecimento, muitas pessoas 
apresentam dificuldade em lidar com a imagem corporal de maneira saudável, o 
que pode ocasionar até mesmo transtornos psíquicos. 
 
 
3 O IDOSO EM QUESTÃO 
 
 
Os tópicos 3 e 4 desta unidade serão destinados a falar do idoso em especial, 
ou seja, iremos falar de pessoas que tem 60 anos ou mais. No tópico 3 iremos 
conhecer as principais alterações fisiológicas que acontecem e as mudanças no 
desempenho motor advindas da idade avançada, bem como as necessidades da 
pessoa idosa e os cuidados necessários para melhor atendê-los no tocante às 
limitações motoras. 
A área da ciência que estuda o processo de envelhecimento é chamada de 
Gerontologia. Assim como nas outras fases do desenvolvimento humano, é 
necessário olhar para as particularidades da vida e do funcionamento do organismo 
do idoso para poder intervir e contribuir de maneira expressiva e significativa, 
ajudando esse grupo, que tem necessidades específicas, a envelhecer da melhor 
forma possível, respeitando sua condição. 
Sugiro que, se você tem interesse em trabalhar com idosos, leia com atenção 
o Estatuto do Idoso, basta uma pesquisa rápida na internet e você terá acesso ao 
documento na íntegra #ficaadica. 
Quem se dedica a estudar a gerontologia vai conhecer disciplinas como a 
biologia, a psicologia e a sociologia, a fim de entender esse grupo a partir de 
diferentes perspectivas para “tentar identificar os mecanismos que fazem a pessoa 
envelhecer e o modo como isso afeta a vida cotidiana dos indivíduos” (GALLAHUE; 
OZMUN, 2013, p. 382). 
A partir dos 60 anos algumas perdas são intensificadas quanto à capacidade 
de realização de movimento corporal. No tópico 1 desta unidade vimos diversos 
aspectos que sofrem mudanças com o avanço da idade e com o envelhecimento. 
Pense que a cada década o prejuízo nas condições fisiológicas vai aumentando, a 
perda das capacidades é gradativa e o surgimento de doenças em decorrência do 
envelhecimento é fato. 
Podemos retomar alguns desses prejuízos causados pelo envelhecimento, 
quais sejam: mobilidade articular em decorrência da rigidez das articulações, 
 
tendões e ligamentos, chegando até ao rompimento em casos graves; fraturas 
ósseas com facilidade como resultado de quedas devido à perda da força muscular 
e dificuldade de equilíbrio e controle postural; doenças do SNC, como Parkinson, 
Alzheimer ou demência, que interferem na capacidade de realização de tarefas 
simples do cotidiano; além das perdas no funcionamento do sistema sensorial, 
como visão e audição. 
Em muitos casos, a debilidade relacionada ao envelhecimento acontece em 
decorrência do estilo de vida das pessoas, do comportamento, da alimentação e de 
fatores ambientais, portanto, podem ser modificadas. 
Lembra que falamos sobre o desempenho motor em adultos jovens e de 
meia-idade? Então, todos aqueles danos causados pelo envelhecimento, a partir 
dos 60 anos são intensificados. Algumas perdas são até mesmo irreversíveis, como 
é o caso do equilíbrio e do controle postural. Para diminuir os danos causados, é 
necessário dispor de estratégias que possam compensar as dificuldades. Praticar 
atividade física, enfatizando o trabalho de flexibilidade articular, pode melhorar a 
força muscular, melhorando a estabilidade e a habilidade articular. A atividade física 
é reconhecidamente a alternativa na diminuição das quedas decorrentes das 
dificuldades causadas pelo envelhecimento. 
Nos idosos especificamente a habilidade da marcha fica comprometida em 
diversos aspectos, como: velocidade curta; extensão do passo reduzida; ritmo 
diminuído; amplia a largura do passo; ampliação da fase de apoio; aumenta o tempo 
que fica em duplo apoio; diminui a fase de balanço; reduz o balanço dos braços; 
diminui a flexão de quadril, joelho e tornozelo; o pé fica mais plano ao chocar do 
calcanhar com o solo; estabilidade dinâmica reduzida no apoio; contrai a potência 
para gerar impulso; redução da potência de absorção no choque de calcanhar. 
Esse conjunto de mudanças no caminhar dos idosos os torna mais 
suscetíveis a quedas ou perdas do equilíbrio corporal. A tabela a seguir mostra 
alguns fatores de risco em relação a quedas e quais seriam as estratégias de 
intervenção. 
 
Tabela 2 - Fatores de risco de queda e possibilidades de intervenção 
 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 419). 
 
Gallahue e Ozmun (2013) apresentam uma tabela com sugestões para 
auxiliar os idoso nas atividades da vida diária em ambiente doméstico: 
 
Tabela 3 - Auxílio nas atividades da vida diária em ambiente doméstico 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 421). 
 
 
Os mesmos autores trazem ainda algumas orientações para auxiliar adultos 
mais velhos quando vão adquirir novas habilidades, que podem ser vistas na tabela 
a seguir: 
 
Tabela 4 - Sugestões para auxiliar os idosos ao adquirir novas habilidades 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 422). 
 
É de suma importância conhecer as especificidades dessa etapa da vida, a 
fim de poder atender esse grupo de pessoas que tem necessidades especiaise 
carece de atendimento que respeite suas demandas. 
Vale ressaltar que o envelhecimento é um processo que faz parte da vida de 
todas as pessoas e que pode ser passado de maneira saudável quando o indivíduo 
opta por um estilo de vida pautado em atividade física regular e adequada, 
alimentação balanceada e cuide das condições psicológicas, fator esse que iremos 
tratar no próximo e último tópico desta unidade. 
 
 
4 O IDOSO E A VIDA SOCIAL 
 
No presente tópico iremos estudar aspectos do desenvolvimento 
psicossocial do idoso, bem como a sua socialização. Lembrando que estamos 
falando de pessoas com mais de 60 anos de idade que, por vezes, dependendo do 
estilo de vida, são acometidas por doenças ou sofrem limitações decorrentes do 
envelhecimento e precisam de auxílio para realizar as atividades e tarefas da vida 
diária. Não é regra que todas as pessoas com mais de 60 anos terão as mesmas 
limitações e condições de vida que carecem de ajuda. Com o aumento da 
expectativa de vida e mudanças nos hábitos cotidianos é possível ter uma velhice 
saudável e poder viver bem apesar das condições e restrições causadas pelo 
envelhecimento. 
Uma das alternativas para uma velhice melhor é manter uma vida social. 
Existem grupos de idosos no mundo que estão se organizando para morar juntos 
em comunidades e envelhecer entre os pares. O que é considerada uma prática 
saudável para pessoas idosas, que, por vezes, acabam a vida sozinhas. 
Envelhecer bem é um conceito multidimensional e envolve “o engajamento 
apoiado em atividades sociais e produtivas, a manutenção de um elevado 
funcionamento físico e cognitivo e a prevenção de doenças e incapacitações”. 
(GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 404) Na Tabela 5 você pode observar algumas 
percepções errôneas sobre os adultos mais velhos que são muito comuns na 
sociedade. 
 
 
 
Tabela 5 - Ideias equivocadas sobre adultos mais velhos 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 405). 
 
Existe uma visão estigmatizada na sociedade de que o idoso é “incapaz”, o 
que torna essa fase da vida ainda mais complicada aos olhos de quem a vive. Por 
isso é fundamental conhecer uma base científica sobre as características deste 
período. 
Pensando ainda no conceito do “envelhecer bem”, a figura a seguir mostra 
uma interseção dos fatores que levam a esse objetivo. 
 
Figura 2 - Fatores que resultam no envelhecimento saudável 
 
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 405). 
 
 
Em relação ao desenvolvimento psicossocial do idoso, é fundamental 
falarmos do papel da família nesse processo, que tem como propósito proteger, 
oferecer afeto e garantir a sua identidade social. Consideram-se modificações na 
estrutura familiar e na sua evolução, nos papéis tradicionais e nas relações entre as 
diversas gerações que fazem parte de um mesmo núcleo familiar. Tudo isso pode 
interferir significativamente na qualidade das relações estabelecidas. 
Pesquisas mostram que trabalhadores mais velhos tendem a ser mais 
estáveis, ter menos faltas e se envolver menos em acidentes do que jovens. 
Atualmente vemos a crescente participação de pessoas que, mesmo depois da 
aposentadoria, continuam atuando no mercado de trabalho de maneira formal ou 
na informalidade, pois muitas vezes são os mais velhos que provem por maior parte 
do sustento de uma família. Tais aspectos sociológicos mudam as relações sociais 
do idoso, que é visto como economicamente ativo na sociedade contemporânea. 
Quando falamos dos fatores de socialização e pensamos num processo 
excelente de envelhecimento no que tange às relações interpessoais, devemos 
conhecer duas abordagens: a Teoria da Atividade e Teoria do Desengajamento. 
A primeira “sugere que, à medida que ficam velhos, os adultos precisam de 
interação com outras pessoas e atividade física continuada para ficarem felizes e 
satisfeitos” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 403). 
As abordagens são opostas no entendimento do que seria envelhecer bem 
e a segunda propõe que “à proporção que envelhece, a pessoa começa a perder 
os relacionamentos, aos poucos abandona os interesses do passado, e, no final, 
afasta-se da sociedade” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 403). 
Ambas apresentam uma visão do processo de envelhecimento com base na 
socialização e consideram como marco sociológico para o adulto mais velho a 
aposentadoria. Interessante pensar que algumas pessoas desejam e degustam, 
outras fogem e outras sofrem com esse momento. 
Numa relação com o domínio motor, Gallahue e Ozmun (2013, p. 403) 
afirmam que 
 
Os aspectos do domínio motor podem ter papel benefício ou 
prejudicial nas várias etapas desse processo. A manutenção de um 
 
estilo de vida fisicamente ativo pode reduzir a apreensão a respeito 
das mudanças de vida representadas 
por esse evento. A participação em esportes por toda a vida ou em 
atividades de lazer, como golfe, tênis, ciclismo ou caminhadas, pode 
abrandar de algum modo as transições potencialmente difíceis da 
aposentadoria, fornecendo desafios e diversão ao aposentado, 
dentro de uma estrutura que pode ser regulada por expectativas 
realistas. Além disso, como descrito em vários exemplos nos 
capítulos anteriores, permanecer fisicamente ativo pelo maior tempo 
possível pode ajudar a retardar o surgimento de problemas de 
saúde e a dependência em relação a outras pessoas para a 
performance das habilidades da vida diária. 
 
 Outro aspecto social que precisa ser apresentado e discutido é a 
discriminação dos idosos, que diz respeitos aos preconceitos. A ideia de que os 
idosos têm deficiências motoras e cognitivas e devem ser tratados como crianças é 
um exemplo disso. Existe uma aversão às pessoas mais velhas por acharem que 
têm pouco valor para a sociedade ou que somente consomem recursos. 
Adolescentes e adultos mais jovens consideram os idosos menos aptos na 
realização de atividades físicas, inferiorizando-os. 
Vale ressaltar que isso não é uma regra social e que muitas vezes acontece 
em decorrência de aspectos culturais e da maneira como os idosos são vistos 
socialmente. Conhecer para educar as pessoas de todas as idades quanto à 
necessidade de respeitar os idosos e compreender que muitas situações que 
acontecem com eles são em decorrência das mudanças advindas do 
envelhecimento é papel da sociedade, das famílias e do poder público. Afinal de 
contas, um dia todos seremos idosos e estaremos no mesmo lugar que eles estão 
atualmente. 
 
 
SAIBA MAIS 
 
A Importância da Atividade Física na Terceira Idade 
Os padrões que marcam as normas de conduta social vão se aproximando cada 
vez mais do lema de se ter uma vida saudável, considerando a atividade física como 
um elemento a mais na forma de viver e nos hábitos diários. Se o corpo é o 
instrumento que permite que uma pessoa se desloque, se relacione se expresse e 
intervenha em seu meio social, é justo cuidar bem dele. 
Já por volta dos 30 anos de idade os indivíduos começam a perder massa muscular 
e possuem uma forte tendência a aumentar o percentual de gordura. E perda de 
massa muscular significa perda de força, o que tende a se agravar com o tempo. O 
envelhecimento traz consigo inúmeras transformações no corpo do idoso; e a 
diminuição do desempenho físico talvez seja o mais percebido pelas pessoas. Isso 
porque na terceira idade o organismo já não é como antes; os corpos não são mais 
tão flexíveis e os movimentos não são tão ágeis. As articulações perdem mobilidade 
e elasticidade, as lesões degenerativas como a osteoporose transformam o osso de 
um estado consistente para esponjoso; o aparelho bronco-pulmonar sofre 
alterações, inclusive o pulmão tem seu peso reduzido; no sistema cardiovascular, a 
capacidade do coração diminui, a pressão se eleva, diminuindo a circulação 
sanguínea. Certos indivíduos da terceira idade possuem a reserva funcional tão 
baixa que atividades cotidianas aparentemente fáceis (banhar-se, vestir-se e 
alimentar-se sozinho) tornam-se bastantedifíceis. 
A diminuição da força muscular é o fator mais diretamente relacionado com a 
independência funcional de idosos. E o sedentarismo como fator agregado chega a 
ser assustador ao se avaliar as consequências para a saúde. Segundo pesquisas, 
o idoso tem perda de até 5% da capacidade física a cada 10 anos, e tem 
possibilidade de recuperar 10% dessa capacidade através de atividades físicas 
adequadas. 
A atividade física oferece importantes benefícios à população da terceira idade, tais 
como, a prevenção e diminuição de problemas cardiovasculares, pulmonares, 
 
auxilio no controle da diabetes, artrite, doenças cardíacas, fortalecimento muscular, 
manutenção da densidade óssea entre outros benefícios; proporcionando melhorias 
significativas no equilíbrio, na velocidade de andar, no reflexo, na ingestão 
alimentar, diminuição da depressão, e prevenindo a tão temida osteoporose e suas 
consequências degenerativas. 
Já é comprovado que a hipertrofia muscular e a força aumentada, tem um impacto 
substancial nas atividades da vida diária e na atividade funcional do idoso, uma vez 
que os protege contra lesões. Evidenciando uma vez mais, que a prática de 
exercícios produz efeitos protetores contra a evolução de doenças crônicas 
degenerativas, aumenta a expectativa de vida, e acima de tudo melhora o estado 
de saúde do indivíduo, o que faz do exercício uma importante estratégia de Saúde 
Pública. 
Os problemas musculoesqueléticos preexistentes podem ser um impedimento para 
o começo de uma atividade, pois mais de 50% dos idosos envolvidos em programas 
de exercícios desenvolvem lesões que são exacerbações de condições 
preexistentes. Lembrando ainda, que a osteoartrose afeta 85% de todas as pessoas 
com 70 anos de idade ou mais. Ou seja, é importante saber se (e quais) as 
atividades limitam essa população. Por isso, é imperativo que a atividade seja 
orientada por um profissional competente e responsável, que observe e respeite o 
limite do idoso. 
Dentre tantas opções de atividades físicas, o ideal é que o idoso escolha uma onde 
possa executar exercícios que lhe agradem e motive, gerem bem estar e qualidade 
de vida; seja ela a musculação, a yoga, o pilates, a caminhada, a natação, etc. Pois, 
a prática regular de atividade física de maneira adequada às necessidades e 
realidade física, psicológica e social do idoso, pode significar a diferença entre uma 
vida autônoma ou não. 
 
Fonte: Dias (2004). 
 
 #SAIBA MAIS# 
 
 
 
REFLITA 
 
“A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e 
gradualmente chegar aos 18” 
Escrito por Mark Twain (1835-1910,) inspirou o conto de F. Scott Fitzgerald, dando 
origem ao filme “O curioso caso de Benjamin Button” 
 
“Vivemos em uma cultura obcecada com a juventude que está constantemente 
tentando nos dizer que, se não somos jovens, e não estamos brilhando, e não 
somos gostosos, que não importamos. Eu me recuso a deixar que um sistema ou 
uma cultura ou uma visão distorcida da realidade me digam que eu não sou 
importante. Eu sei que só sabendo quem e o que você é, você pode começar a 
aproveitar a plenitude da vida. Todos os anos devem nos ensinar uma lição valiosa. 
Se você entende a lição realmente depende só de você” (Oprah Winfrey). 
 
#REFLITA# 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Caro(a) aluno(a), chegamos ao final da Unidade IV dessa disciplina. Nos 
últimos quatro tópicos estudados percorremos a idade adulta e a velhice. Vimos que 
a adultez se divide em dois momentos fundamentais da vida humana, aquele em 
que acontece o auge das capacidades motoras, quando chegamos ao ápice da 
nossa condição física, se for possível. Mas passamos disso para o declínio de 
muitas das habilidades que passamos a vida toda adquirindo, desenvolvendo e 
aprimorando. 
A partir dos famigerados 45 anos iniciamos o processo de perda de muito 
que conquistamos ao longo da vida. A partir dos 60 anos, então... as coisas ficam 
mais lentas, mais difíceis e algumas tarefas que eram fáceis de serem realizadas 
agora só podem ser feitas mediante auxílio de materiais ou de terceiros. 
Entendemos que isso faz parte do desenvolvimento e aceitamos. O que nos 
resta fazer diante disso é aceitar. 
Claro que não! 
Vimos também que é possível envelhecer bem e cada vez melhor, que existe 
a possibilidade de retardar os efeitos do envelhecimento e tornar a velhice mais uma 
fase da vida, com suas particularidades, podendo ser vivida com maestria, com 
leveza e de maneira saudável. 
Estudamos algumas alternativas alcançáveis para enfrentar as mudanças do 
envelhecimento com elegância e respeitando as condições. Buscar um estilo de 
vida que promova o envelhecimento saudável é uma questão de escolha e papel de 
cada um. 
Não vamos esquecer que antecipar o envelhecimento também é possível, 
você pode ter 30 anos e já estar vivendo como alguém de 60, tudo vai depender 
dos hábitos que tem construído em seus dias. 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Olá, aluno(a). 
Como a última unidade da nossa disciplina está dedicada a entender como 
acontece o desenvolvimento motor na fase adulta e na velhice, selecionei alguns 
artigos que tratam da saúde dos idosos. A partir dos 60 anos muita coisa muda no 
funcionamento do organismo humano e deve ser olhado com cuidado e atenção por 
todos, pela família e pelo poder público, ao dispor de campanhas e atendimento a 
esse grupo de pessoas que tem necessidades muito específicas. Pesquisas 
certificam o quanto faz diferença bons hábitos de vida no envelhecimento humano. 
Aproveite cada um dos textos e, se esse público é de seu interesse profissional, 
busque ainda mais aprofundamento. 
 
● http://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/13895/10971 
● https://www.redalyc.org/pdf/408/40818308.pdf 
● https://www.efdeportes.com/efd175/desenvolvimento-motor-em-adultos.htm 
● http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/LinhaGuiaSaudeIdoso_2018_atualiz.
pdf 
 
LIVRO 
 
 
• Título: Crescimento e desenvolvimento motor 
• Autor: Eliane Denise Araújo Bacil, Michael Silva e Oldemar Mazzardo 
• Editora: Intersaberes 
• Sinopse: Conhecer como é o desempenho motor do ser humano em todas as 
etapas da vida é essencial para os profissionais da Educação Física. Afinal, não é 
apenas na infância e na adolescência que encontramos informações preciosas 
sobre o desenvolvimento do corpo humano. Também a idade adulta e a idosa 
guardam suas particularidades e estudar as habilidades e os limites de 
movimentação dos nossos corpos nessas fases é uma oportunidade rica e 
inspiradora! Compreenda melhor a performance motora que podemos esperar do 
corpo humano ao longo da vida e perceba os diferentes cuidados que precisam ser 
tomados na prática de atividades físicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://livrariaintersaberes.com.br/book-author/eliane-denise-araujo-bacil/
https://livrariaintersaberes.com.br/book-author/michael-silva/
https://livrariaintersaberes.com.br/book-author/oldemar-mazzardo/
 
FILME/VÍDEO 
 
• Título: Eternos campeões 
• Ano: 2011 
• Sinopse: Este documentário vivaz acompanha atletas que participam de 
competições para idosos e provam que a idade não diminui o espírito esportivo. 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
DIAS, J. A Importância da Atividade Física na Terceira Idade. 2004. Disponível 
em:https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/a-importancia-
da-atividade-fisica-na-terceira-idade/18853. 
 
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: 
bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. São Paulo: Phorte, 2013. 
 
IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2019. Em 
2018, expectativa de vida era de 76,3 anos. Disponível em: 
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-
noticias/releases/26104-em-2018-expectativa-de-vida-era-de-76-3-anos. 
 
SILVA, N. Ser adulto: alguns elementospara discussão deste conceito para a 
formação de professores de adultos. Millenium - Revista do Instituto 
Politécnico de Viseu, n. 29, Junho de 2004. Disponível em: 
http://www.ipv.pt/millenium/Millenium29/35.pdf. Acessado em: Abril de 2020. 
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/26104-em-2018-expectativa-de-vida-era-de-76-3-anos
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/26104-em-2018-expectativa-de-vida-era-de-76-3-anos
http://www.ipv.pt/millenium/Millenium29/35.pdf
CONCLUSÃO GERAL 
 
Caro(a) aluno(a), 
 
Construí este material com muito capricho para que ele fosse realmente 
significativo em sua formação, para que fizesse diferença em sua vida. Cada linha 
escrita, cada material selecionado e os vídeos apresentados foram feitos pautados em 
referenciais renomados sobre o tema abordado. Busquei trazer para você as 
informações essenciais para sua formação e atuação profissional referentes ao 
desenvolvimento e comportamento motor. Para tanto, apresentamos conceitos basilares 
sobre o tema, que serão utilizados em diversas áreas e que podem auxiliar na construção 
dos planejamentos de trabalho, nos relatórios de aprendizagens, entre outros. 
Inicialmente fizemos uma caminhada pelo desenvolvimento humano para 
podermos entender o desenvolvimento e o comportamento motor com mais propriedade. 
Desde a concepção, na formação do ovo, quando ainda não há um embrião até a velhice. 
E a cada etapa fomos explorando aspectos da motricidade, da cognição e da socio 
afetividade. Entendendo que o ser humano não é fragmentado, que as dimensões 
funcionam de maneira interligada. 
A cada etapa aprendida, a lembrar: período pré-natal, nascimento e perinatal, 
infância, adolescência e idade adulta, fomos conhecendo as principais aquisições 
motoras, como elas acontecem e de que maneiras podemos potencializar tais 
aprendizagens. 
Além disso fomos verificando também os fatores que interferem nas aquisições 
motoras, afinal de contas, nem todo mundo aprende do mesmo jeito e no mesmo 
momento. Por isso é tão importante conhecer o desenvolvimento humano e suas 
particularidades. 
Agora já entendemos que é fundamental ter referências de aprendizagens para 
poder saber se o desenvolvimento está acontecendo de maneira saudável ou não. E, a 
partir disso, poder intervir com consciência e responsabilidade. 
Pronto! Agora você está apto(a) a desenvolver seu trabalho pautado em 
conhecimento científico e não em teorias de senso comum. Ainda que muitas vezes o 
conhecimento popular nos ajude. Está pronto para aplicar tudo o que aprendeu nesta 
disciplina. Pode começar observando as pessoas no seu entorno e como estão suas 
aprendizagens. 
 
Voilà! Sucesso e faça seu trabalho sempre com muito amor. 
 
Quem sabe nos encontramos em outra oportunidade. Abraço. 
 
	CAPA E CONTRACAPA
	revisado APRESENTAÇÃO
	revisado UNIDADE I
	revisado UNIDADE II
	revisado UNIDADE III
	revisado UNIDADE IV
	revisado CONCLUSÃO
	CAPA E CONTRACAPA

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