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Resumo: GONÇALVES, Williams e MIYAMOTO, Shiguenoli. Os militares na política externa brasileira.

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TEXTO 6: Os Militares na Política Externa Brasileira: 1964-1984
Autores: Williams da Silva Gonçalves e Shiguenoli Miyamoto
1. Introdução 
- Política externa e processo decisório 
O autor começa falando um pouco sobre o que é política externa e como o processo decisório a influencia. Para ele, a PE é o instrumento que o Estado vai utilizar para se relacionar com os demais países e para satisfazer seus objetivos. 
As particularidades de cada país e como se dá o processo decisório interno, se o regime é democrático ou não e se possuem órgãos especializados como diplomacia e forças armadas, vão trazer a originalidade de cada PE.
Como o professor já afirmou em aula e próprio texto também, para esses objetivos serem alcançados não depende somente do Estado em questão mas também dos demais Estados do Sistema Internacional. Isso não será diferente durante o período da ditadura, existem linhas gerais para a PE que os militares pensaram (com suas nuances de acordo com cada pessoa que estava no topo do comando do país) mas que muitas vezes vão ser impedidas, influenciadas, adaptadas devido a recepção que os demais países tiveram, principalmente com relação aos EUA. 
O processo decisório é muito influenciado pelo regime que o Estado se encontra, democrático ou autoritário. No regime democrático há a participação dos diversos setores da sociedade com seus diversos interesses influenciando e pressionando a PE para determinado rumo (opinião pública), devido a disputa interna de interesses a PE dificilmente iria agradar somente um lado de forma absoluta. “Os objetivos nacionais assim apurados aproximam as posições de todos que, intensa ou episodicamente, participam do processo.” ( p. 212) 
Já em regimes autoritários, processo decisório passa por um círculo muito pequeno de pessoas. Essas pessoas que detém o poder causam uma forte ideologização e a opinião pública não existe devido a censura. Nesse sentido, o autor afirma que esse abismo entre os objetivos dos poderosos e a realidade social faz com que uma crise externa se transforme rapidamente em crise interna. A ditadura é um exemplo. A crise do petróleo de 1973 e do regime Bretton Woods que vai atingiu em cheio o Brasil e provocou uma crise interna que foi o pontapé para o fim do regime.
Citações:
“A política externa é uma das dimensões da vida do Estado. E por meio dela que o Estado se relaciona com os demais Estados, projetando sua imagem e explorando as possibilidades que se oferecem à satisfação das necessidades da nação.” (p. 211)
“Nos regimes autoritários o processo decisório desenrola num espaço exíguo. Há mais forte ideologização dos atores e tende a prevalecer a posição das forças que detêm o monopólio do poder de Estado. A falta de representação e a censura impedem a influência da opinião pública. Nos regimes fechados, os objetivos nacionais emanam diretamente dos que manipulam as rédeas do poder, os quais sobrepõem sua percepção e seus interesses exclusivos aos interesses gerais da nação.” (p. 213)
	- Os militares e a política externa brasileira 
O golpe de 1964 deu início a um novo comportamento das forças armadas, estas agora passam a exercer o poder de estado e não mais se contentam com poder moderador. 
Segundo o autor, a grande diferença desse golpe foi seu caráter calculista. Os militares criaram um programa para por fim a tensão entre capital e trabalho e desenvolver o país da forma que ELES julgavam ser a melhor. Dentro desse programa estava também mudanças profundas na política externa. 
Para a nova PE, o grande teórico da época foi Golbery do Couto e Silva com o livro Geopolítica do Brasil. O grande objetivo era fazer do Brasil uma grande potência mundial.
Objetivos teóricos gerais:
1. Base teórica: geopolítica germânica e norte-americana, influência realista de Morgenthau
2. Ideologia: visão da bipolar do mundo, anticomunismo profundamente rígido 
3. Brasil sendo projetado para o cenário mundial e exercendo supremacia continental 
Em relação aos EUA, Golbery pensava da seguinte forma: “Seu projeto geopolítico objetivava inserir positivamente o Brasil na estratégia de defesa do Ocidente” (p.214) 
Fazer os EUA (o Ocidente como um todo) enxergarem a grande importância do Brasil na luta contra o comunismo. Assim, os EUA teriam de ajudar a economia brasileira e preencher a carências de defesa do país. Tendo certeza que o Atlântico Sul estaria protegido do comunismo com a ajuda do Brasil. 
Rejeição a qualquer possibilidade fora do eixo ocidental (ciência, democracia e cristianismo) seja comunismo ou os países não-alinhados. 
Brasil não estava completamente sujeito aos EUA mas, claramente, tinha de dar preferência ao aliado. A originalidade de Golbery é demonstrar os ganhos geopolíticos que os EUA poderia ter com o Brasil equipado militarmente e inserido em um projeto desenvolvimentista. 
O projeto foi levado a cabo até que as possibilidades fossem esgotadas com a crise econômica internacional. 
Citações:
“Para o historiador Hélio Silva, o movimento de 64 marcou o fim do papel tradicional de poder moderador dos militares e inaugurou uma nova fase, em que estes passaram a exercer efetivamente o poder de Estado6” (p. 213)
“Por outro lado, o que diferenciou esse golpe das intervenções armadas anteriores foi o seu caráter calculista.” (p. 213) 
“Seu projeto geopolítico objetivava inserir positivamente o Brasil na estratégia de defesa do Ocidente.” (p.214) (em referência a Golbery Silva da EGN) 
“A marca registrada dessa reflexão era a rigidez que imputava à bipolarização do sistema internacional. Sob essa ótica maniqueísta, rejeitava a possibilidade de uma opção fora do Ocidente (ciência, democracia e cristianismo) e do mundo comunista (totalitarismo e ateísmo). O bloco afro-asiático e os não-alinhados nada mais representavam do que opções ainda hesitantes pelo comunismo.” (p. 214) 
2. Governo Castelo Branco: a vitória dos círculos concêntricos (1964 – 1967) 
É uma forte guinada a mudança da política externa independente praticada por Goulart para a política externa que será aplicada pelos militares. Um dos motivos para o golpe foi a intensa polarização que ocorreu no campo político e também em política externa, principalmente com relação a Cuba. 
Assim, o autor afirma que para a elaboração da política externa no primeiro governo militar houve um tom “acentuadamente emocional” e com o passar do tempo a racionalidade para a defesa do “interesse nacional” voltou. 
Dessa forma, no começo houve a reaproximação com os EUA com muitas declarações de fidelidade ao bloco capitalista, de reconhecimento da hegemonia estadunidense e de condenação a qualquer tipo de socialismo. 
As decisões governamentais passaram a serem tomadas pelo pequeno Conselho de Segurança Nacional. Nesse momento, começa aplicação da estratégia de “segurança e desenvolvimento”. Colocar a segurança como o foco e entender o papel do Brasil no cenário internacional, levando em conta que não possuindo artefato nuclear não poderia completamente independente como os países nuclearizados. Nesse sentido, a entrada do conceito de segurança coletiva é importante. O guarda-chuva nuclear norte-americano é essencial, ao mesmo tempo que se buscavam ajudar na defesa hemisférica. 
“A segurança coletiva era, pois indispensável, para se caminhar na direção do desenvolvimento.” (p. 217)
As forças armadas estavam indo na direção contrária a tendência mundial seguindo a lógica de acirramento da Guerra Fria sendo que naquele ano as potências estavam dialogando um pouco mais (Deténte). A visão de que a Guerra Fria havia chegado no terceiro mundo com Cuba e Vietnã. Logo, Castelo Branco rompeu relações com Cuba por ela gerar instabilidade na região. 
Círculos concêntricos é o conceito que Castelo Branco usou em seu discurso sobre a PE (olhar a primeira citação) 
Primeiro círculo concêntrico: América Latina: a estratégia do governo era se aproximar e fortalecer laços diplomáticos. O objetivo não foi bem-sucedido pois o país se recusou a participar do programa integracionista