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Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ➔ Os rins ocupam a posição retroperitoneal. Nos cães, eles estão presos à parede do abdômen (conseguindo palpar apenas o bordo caudal direito), enquanto que nos gatos eles apresentam-se soltos, facilitando a palpação. ➔ A urina é formada nos rins, desce pelo ureter, chega à bexiga onde é armazenada e é eliminada pela uretra. Funções ● Eliminar produtos tóxicos do metabolismo e regulação do volume hídrico, ou seja, participa do controle hídrico, atuando sob os rins, o hormônio antidiurético e eles sendo responsáveis pela perda de água no organismo, pois quando o rim apresenta problema, o paciente perde muita água podendo levar a poliúria/polidipsia ● Regulação da pressão arterial: produz a renina, ativa o Angiotensinogênio, aumentando a pressão arterial, aumentando a perfusão sobre os rins, isso faz com que aumente a filtração, já que ele é um órgão que necessita de muita perfusão, tendo a capacidade de se proteger das hipotensões; para produzir a renina, há vários estímulos como baixa perfusão renal ● Regular o balanço de eletrólitos: potássio e fósforo, sódio, cloreto, magnésio e cálcio ● Regulação do equilíbrio ácido-básico: capaz de excretar hidrogênio e reabsorver bicarbonato, então quando o rim não funciona direito, o organismo pode apresentar acidose metabólica 1 Sistema Urinário Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ● Regulação do metabolismo ósseo: produz enzima que ativa a vitamina D, responsável pela excreção de fósforo que está diretamente relacionado com o cálcio ● Produção de eritropoetina: ação sobre a medula óssea para produção de células vermelhas ➔ Apresenta duas porções importantes: córtex (onde estão localizados os néfrons, unidade funcional) e medula renal . ➔ O cálice renal: saída da pelve ➔ Pelve renal: região pouco perfundida, onde muitas vezes há dificuldade de tratamento em casos de infecções deste local. ★ 25% do DC é destinado aos rins, passando cerca de 1,2L de sangue por minuto, sendo muito disposto a lesões. Formação da urina O sangue entra pela arteríola aferente → passa pelo enovelado capilar do glomérulo (filtração glomerular, necessitando de várias questões, como a pressão arterial) → sai pela arteríola eferente → passa pelo túbulo contorcido proximal→ vai para a alça de Henle→ depois para o túbulo contorcido distal → ducto coletor→ e por fim, para o ureter. 2 Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras Glomérulo ➔ A filtração glomerular é dependente da pressão capilar, ou seja, se a pressão arterial estiver abaixo de 70 mmHg, normalmente já tem deficiência (comum de 70-90 mmHg). ➔ 20% do plasma renal é filtrado pelo glomérulo a cada minuto (220 ml/kg/h de fluido isotônico) por ex. um cão de 10 kg tem 2,2L de filtração por hora. ➔ Os rins filtram a água e solutos como sódio, potássio, aminoácidos e creatinina, mas eles não filtram as proteínas, isso ocorre por causa do tamanho dela (alto peso molecular) e a carga elétrica negativa (parede do endotélio também é negativa) ★ Parede endotelial negativa: quando ocorre glomerulonefrite, alguma inflamação, há depósito de anticorpos alterando a carga elétrica, levando a filtração de proteínas. Alça de Henle ➔ Local onde ocorre a concentração da urina. ➔ Tem a porção descendente que é relativamente permeável à água , permitindo a passagem dela, mas quase que totalmente impermeável aos solutos. ➔ Já a porção ascendente é onde ocorre a reabsorção de sódio e é impermeável à água. ➔ Quando ocorre uma poliúria, muitas vezes a medula renal vai perder a tonicidade pelo fato do rim filtrar muito rápido, levando a lavagem dela fazendo com o paciente demore mais para a recuperação do quadro. Túbulo contorcido distal Apresenta uma porção responsável pela reabsorção (10-15% de água e solutos). Ele tem a capacidade de filtrar, reabsorver, secretar (potássio e hidrogênio) e eliminar. Ducto coletor Urina basicamente pronto. Há ainda reabsorção de água, sódio e bicarbonato além de secretar potássio e bicarbonato. A doença renal ocorre quando os rins começam a perder a capacidade de concentrar a urina e/ou de manter a função de filtrar, reabsorver, excretar ou secretar. Nem todos os néfrons são usados, então há perda da reserva renal quando mais de 75% deles deixam de funcionar. 3 Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ➔ Lesão renal que leva a redução da função em até 48h, ou seja, comprometimento do parênquima renal em cerca de 70% e pode ocorrer por agressão tóxica, isquêmica ou infecciosa ➔ Fatores que predispõe estão relacionados ao fato do rim ser um órgão altamente perfundido, fazendo com que ele seja exposto a uma grande quantidade de substâncias tóxicas, infecciosas, imunocomplexos, além disso, processos isquêmicos também facilitam a lesão por causa da alta taxa metabólica do rim. ➔ Ele apresenta grande superfície endotelial por onde passam os vasos (capilares glomerulares), expondo o endotélio glomerular a várias substâncias circulantes. ➔ As elevadas taxas metabólicas dos túbulos contorcidos proximais e da alça de Henle promovem a alta necessidade de oxigenação e energia. O rim recebe substâncias tóxicas que ao entrar nas células renais, se tornam mais tóxicas (ex. antibióticos) Etiologias: pré-renais, renais ou pós-renais. Causas ● Pré-renais: baixo fluxo sanguíneo, baixa perfusão ou alta resistência vascular. Tudo aquilo que compromete o fluxo sanguíneo glomerular e a oxigenação do parênquima renal. Ex. situações de choque (hipovolêmico, hemorrágico e séptico), diminuição do débito cardíaco (ICC, arritmias, parada cardíaca), hipotensão anestésica, trauma, queimaduras cutâneas (com grande perda de plasma) e trombose renal. ● Renais: aquelas que ocorrem no próprio parênquima renal; como uma progressão de uma lesão pré-renal poderia iniciar um processo inflamatório por falta de perfusão levando a isquemia renal que avança em lesão renal. Ex. nefrotoxicidade, antinflamatórios, doença vascular renal (avulsão, trombose, estenose), doenças renais primárias (pielonefrites, leptospirose, hepatite infecciosa), imunomediadas, neoplasias (linfoma) ● Pós-renais: obstrução ou retenção de produtos tóxicos no organismo. Ex. urólitos em uretra ou bexiga, coágulos sanguíneos, massas intra ou extra-luminal. ★ Considerar que os animais podem ficar azotêmicos. O paciente está urêmico quando as taxas de uréia e creatinina estão altas, concomitante com os sinais clínicos. Fisiopatologia ➔ Quando fatores isquêmicos/tóxicos/infecciosos levam a alteração na produção de energia e na respiração das células renais, essas células normalmente necessitam de alta taxa metabólica e energética e quando privadas dessa energia/oxigenação, ocorre uma falha na bomba de 4 Doença renal aguda Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras sódio-potássio, aumentando então o sódio intracelular, levando a edema celular que causa a diminuição da luz (passagem do fluido glomerular pelo túbulo) e morte celular ➔ Isso fazcom que gere debris celulares que obstrui a luz do túbulo, levando a aumente a pressão de dentro do túbulo pro fluido glomerular, fazendo com que a pressão glomerular diminua e não consiga fazer a filtração. ★ Se ocorrer em muitos néfrons, compromete a função renal. ➔ A perda da função renal leva a uremia (aumento dos níveis de uréia e creatinina – marcadores de lesão renal). Fases ● Indução: não manifesta sinais clínicos ● Manutenção: lesão já ocorreu e o animal começa a apresentar sinais (paciente já está na clínica) ● Recuperação: dependendo do grau da lesão, o rim tem capacidade de se recuperar Sinais clínicos São inespecíficos , acomete normalmente animais idosos que passaram por situações de estresse orgânico, lesando os rins; depressão, letargia, mesma quantidade de urina ou diminui (normal: 1-2 mg/kg/h), desidratação prolongada, afetando o rim; vômito, diarréia, estomatite urêmica, dorso arqueado como sinal de dor renal, bradicardia, enterocolite urêmica Exames complementares ● Hemograma variável ● urinálise com densidade diminuída (menor que 1,025), cilindros granulosos indicam que há lesão aguda, uréia e creatinina com aumento progressivo, eletrólitos séricos com aumento de potássio, em situações de anúria/oligúria ● ECG sugerindo que o potássio está aumentado em casos de bradicardia ou arritmias 5 Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ● Ultrassonografia indicando o córtex aumentado ● Hemogasometria (Classificação da doença renal aguda) Tratamento O tratamento tem o objetivo de estimular a diurese (por não ter a hemodiálise então para eliminar os produtos tóxicos circulantes, seria através da urina), corrigir as alterações eletrolíticas , ácido-básicas e complicações sistêmicas. Sempre considerar alguma enfermidade associada (cardiopatias, leptospirose) ➔ Terapia inicial para reposição de volume – fluido glicofisiológica ★ Para hipercalemia e acidose metabólica: bicarbonato de sódio 1-5 mEq/kg adicionado a um cristalóide sem cálcio ➔ Após mais ou menos 1h de fluido, deve-se avaliar a diurese (lembrando: 1-2mg/kg/h). Em caso de oligúria, entrar com diuréticos Furosemida – dose inicial 1-3 mg/kg, após 1h 4-6 mg/kg e após 2-3h 6-8 mg/kg 6 Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ★ A Furosemida atua na porção grossa da alça de Henle que ocorre a reabsorção de sódio, bloqueando a ação e eliminando-o junto com a água, mas para que ela funcione, deve-se chegar fluido na porção grossa e com isso a DRA não gera fluido para que ela atue. ➔ Diuréticos ● Furosemida + dopamina 0,5-3 microg/kg/min (ação glomerular aumentando a filtração) OU ● Manitol 25% 0,5-1 g/kg IV 15 a 20 min OU ● Glicose 10-20% 25-50ml/kg em 1-2h ★ Se a oligúria persistir após 12-18h de terapia, é preciso fazer diálise peritoneal (coloca-se líquido dialítico dento do abdome, que irá absorver os produtos tóxicos, mas tem efeitos colaterais como peritonite, além do manejo adequado) ➔ Fluidoterapia de manutenção: atenção ao potássio (aumentado ou diminuído)! ➔ Antieméticos: Ondansetrona e Maropitant são melhores; Metoclopramida 1-2 mg/kg IV em 14h (pouco eficiente em pacientes com uremia) ➔ Inibidores da bomba de próton: Omeprazol, Pantoprazol ➔ Antibioticoterapia: paciente imunodeprimido + cateteres venosos/uretrais, podendo levar a complicações por bactérias. ➔ Dieta sem proteína preferencialmente, enriquecer com vitaminas Prognóstico Depende se o paciente é oligúrico ou não e do grau de azotemia. ★ cuidado com o uso de AINES! ➔ Perda das funcionalidades renais, como regulação hídrica, eletrolítica e ácido-básica, eliminação de uréia e produção de eritropoetina. ➔ A doença renal é aquele processo em que há perda da função renal progressivamente enquanto a IR é aquele que o paciente não consegue manter as funções (também chamada de falência renal) Etiologias ➔ Nefrite intersticial crônica idiopática ➔ Glomerulonefrite ➔ Amiloidose ➔ Linfoma ➔ Pielonefrites ➔ Secundária a lesão renal 7 Doença renal crônica Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ➔ Cistos renais (gatos Persas) ➔ PIF Epidemiologia: cães adultos a idosos, com predisposição racial (Cocker Spaniel, Lhasa apso, Shih tzu, Doberman, Golden); acomete gatos idosos a partir dos 10 anos, sendo mais comum na Maine Coon, Abissínia, Siamês e Azul da Rússia. Fisiopatologia ➔ Começa com uma agressão renal primária (ex. leishmaniose), que levou à deposição de imunocomplexos no glomérulo, acarretando em processo inflamatório , reduzindo o número de néfrons e aumentando a taxa de filtração (hiperfiltração ) dos remanescentes, aumentando então a perda de proteína pelos néfrons ilesos e lesando as células mesangiais (responsáveis pela produção de substâncias da membrana basal do endotélio), fazendo com que ocorre uma hialinização glomerular (morte) o que leva a redução de néfrons. ➔ Há vários metabólitos tóxicos (amônia, creatinina, fenóis, fosfato, PTH, renina e gastrina) quando o rim entra em processo de doença renal. Consequências clínicas (multissistêmica) ● Geniturinárias: urina clara (densidade baixa), poliúria e polidipsia, desidratação comum em felino, proteinúria ● Gastrintestinais: semelhantes à DRA – gastropatia urêmica podendo levar a necrose de ponta de língua ● Vasculares: hipertensão arterial ● Eletrolítica: hipopotassemia (ativação da aldosterona) – gatos são mais sensíveis, podendo apresentar fraqueza muscular e ventroflexão do pescoço ● Hematopoiéticas: diminuição da produção da eritropoetina que leva a anemia normocrômica não regenerativa ● Pulmonares: pneumonites urêmicas 8 Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ● Neurológico: encefalopatia urêmica (níveis muito elevados de uremia, levando a ataxia, incoordenação, convulsões, coma) ● Metabolismo ósseo: Hiperparatireoidismo renal (consequência do aumento do fósforo sérico, anormalidade na relação Ca:P, aumento do PTH e diminuição da vitamina D ativa) ★ Hiperparatireoidismo renal: IR diminui os néfrons funcionais que deixam de produzir a hidroxilase renal, diminuindo a produção de calcitriol, absorção intestinal de Ca, o que leva a hipocalcemia (diminuição do cálcio sérico). Paralelamente, há diminuição da excreção renal de fósforo, aumento de fósforo sérico, estímulo da produção de PTH, levando a retirada de cálcio dos ossos e hiperplasia das paratireóides. Sinais clínicos Inespecíficos, como poliúria, polidipsia, depressão, fadiga, fraqueza, perda de peso e desnutrição ou específicos, como mucosas pálidas, desidratação, vômito, estomatite e melena. Complicações ➔ Desenvolvimento do hiperparatireoidismo secundário, disfunção plaquetária (contagem de plaquetas normal, mas função inadequada), anemia regenerativa, hipertensão, distúrbios gastrintestinais, acidose metabólica, distúrbios metabólicos (resistência à insulina e eutireóideo doente) ➔ A dosagem da elevação da concentração de Dimetilarginina é um novo marcador para lesão renal. Ela aumenta no estágio inicial da lesão, quando há redução de 40% da atividade do rim, enquanto que a creatinina apenas quando for 75%. Além de não sofrerinterferência da massa corporal. ➔ Outro método é a relação proteína-creatinina na urina: < 0,2 não proteinúrico 0,2-0,5 limítrofe > 0,5 proteinúrico 9 Maria Lídia Nascimento de Resende UFLA - Universidade Federal de Lavras ➔ Já baseado na pressão arterial, considera-se que o paciente é normotenso quando PAS <150 e PAD <96 mmHg grave quando PAS >180 e PAD >120 mmHg. ➔ Estágio 1: aumento persistente da dimetilarginina >14 microg/dl já sugere reduzida função renal e pode ser usada com a creatinina menor que 1,4-,16 microg/dl (valor normal), ou seja, antes dos valores da creatinina subir, o paciente já é considerado com doença renal. ➔ Estágio 2: baixo escore corporal, dimetilarginina acima de 25 microg/dl, pode indicar que o grau de disfunção renal foi subestimado, considerando então o tratamento para o estágio 3. ➔ Estágio 3: baixo EC, dimetilarginina >45 microg/dl. Fatores que promovem a lesão renal Aguda: desidratação, hipovolemia, obstrução urinária e fármacos (aminoglicosídeos, AINE, iECA, agentes radiográficos de contraste IV) Crônico: hipertensão arterial, proteinúria, dieta inadequada, infecção trato urinário, nefrolitíase e urolitíase. Tratamento ➔ Estágio 1 ● Identificar e tratar as lesões pré e pós-renais ● Monitorar PA (<160) com uso de Benazepril em cães e Amlodipina em gatos ● Monitorar a proteinúria ● Retirar fármacos nefrotóxicos ➔ Estágio 2 ● Idem 1 + ● Reduzir ingestão de fosfato (<4,6 mg/dl de fósforo sérico) ● Dieta renal ● Monitorar o fósforo sérico ● Avaliar potássio sérico e suplementar caso necessário ● Quelantes intestinais de fósforo: hidróxido de alumínio, carbonato de alumínio/cálcio ou acetato de cálcio- dose inicial 60 mg/kg/dia dividida e junto com a alimentação ➔ Estágio 3 ● Idem 2 + ● Tratar complicações sistêmicas (ex. antiemético, estimulantes de apetite, vitamina C, complexo B, xilocaína, fluidoterapia constante) ● Monitorar uréia e níveis de creatinina ● Manter internado até recuperação (caso não seja paciente terminal). ★ Casos de urgência: diálise peritoneal 10