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Obstetrícia e fertilidade em bovinos

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são estimuladas quando o feto e/ou membranas fetais entram no
canal pélvico. Uma conseqüência inicial é a ruptura do alantocórion
com escape de fluido alantóide aquoso (bolsa d'água).
Durante este estágio o bezerro é gradualmente expelido devido
a contrações abdominais e também contrações miometrais. O maior
esforço de expulsão ocorre com a passagem da cabeça através da
vulva e o tórax através do canal pélvico e vulva.
3.10 3.0 estágio do parto (Duração média de 6 horas)
As contrações uterinas continuam por vários dias após o nas-
cimento do bezerro, tomando-se progressivamente menos fréqentes
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e menos vigorosas. Estas auxiliam no destacamento normal da pla-
centa que ocorre com resultado de:
. Desenvolvimentoe maturação da placenta devido a alterações en-
dócrinas descritas na seção 3. 6 .
. Ruptura do cordão umbilical com rápida perda sangüínea da parr
te fetal da placenta com encolhimento dos seus vilos.
. Distorção da carúncula pelas contrações miometrais, causando
destacamento docotilódone pela separação do vilo das criptas as-
sociadas.
. O peso da placenta exerce força de tração.
. Persistência das contrações uterinas, expelindo a placenta.
3 . 11 Ambiente do parto
Para um parto bem-sucedido com nascimento de bezerro vivo
e fêmea saudável, é necessário bom ambiente. Deve ser convenien-
te, se surgirem problemas, internação antecipada e efetiva. Parto
em campo bem gramado e drenado é recomendável, entretanto, boa
observação pode às vezes tornar-se difícil. Quando o parto for em
local fechado, são necessários as seguintes condições:
. A vaca deve ser separada do restante do rebanho no início do
1.° estágio (seção 3.7) ou antes.
. Baia, limpa, aqueci da, bem ventilada, com boa cama, ilumi-
nação adequada e tamanho suficiente para permitir procedimentos
obstétricos a serem realizados (5 x 4m).
. Um método de contenção da vaca pela cabeça.
. Habilidade de observar a vaca sem perturbá-Ia.
. Suprimento adequado de água fresca para beber.
. Ausência de objetos salientes que possam ferir a vaca, o peão ou
veterinário cirurgião.
3 . 12 Indução prematura do parto
A indução prematura do parto é possível através da adminis-
tração de hormôniosexógen05, que mimetizam algumas das altera-
ções endócrinas resumidas na seção 3. 6 .
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Hormôniosusadosna indução
. Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) - impraticável, mui-
to caro.
. Corticosteróides hidrossolúveis de curta ação, em geral, betameta-
sona, dexametasona, flumetasona na dose de 20-30mg por vaca.
. Ésteres insolúvens de longa duração ou suspensões, em geral, fe-
nilproprionato de dexametasona, dose de 20-30mg por vasa.
. Prostaglandina F2(Zou análogos, em geral, cloprostenol, dinoprost,
fenprostalene, luprostiol (vide seção 1.13 para doses), ou prosta-
glandina E2 - não disponível comercialmente.
. Combinação de ésteres de corticosteróides de longa duração e
prostaglandina F2'(Z e análogos.
Indicações para indução
. Para reduzir a possibilidade de distocia devido a desproporção
feto-maternal associada a gestação prolongada, imaturidade materna
ou a conformação do bezerro.
. Para manter um padrão sazonal, adiantando o momento do parto,
particularmente para coincidir com a disponibilidade de crescimento
de pasto para produção de leite.
. Para adiantar o momento do parto numa vaca sofrendo de doença
ou injúria, de modo que possa ser mandada para abate de emergência.
Requisitos
. Conhecimento da data de serviço de IA ou estimativa correta.
. Pelo menos 26"0 dias de gestação para o nascimento de bezerros
viáveis.
. Discussão detalhada entre o cirurgião veterinário e proprietário
de modo que as possíveis conseqüências da indução prematura se-
jam conhecidas.
. Acomodação adequada para parto se grupos de animais forem in-
duzidos ao mesmo tempo.
. Bom padrão de criação com disponibilidade de pessoal experimen-
tado, capaz de criar bezerros prematuros.
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Procedimentos
. Se forem usados corticosteróides, as vacas ou novilhas deveriam
ser examinadas para eliminar a presença de doença infecciosa. Anti-
bióticos de amplo espectro podem ser usados profilaticamente.
. Corticosteróides de curta ação induzirão parto 2-5 dias após a'
aplicação ou após 260 dias de gestação.
. Corticosteróides de longa ação são efetivos em cerca de 240 dias
de gestação; o tempo de intervalo da aplica~ão ao parto é variável.
. Uma única injeção de prostaglandina F2X ou análoso induzirá o
parto após os 255 dias de gestação, dentro de 2-3 dias da aplicação.
. Indução prematura (210-250 dias de gestação) pode ser conse-
guida pela aplicação de corticosteróide de longa duração. Aplicação
de fenilproprionato de dexametasona, seguido 11 dias após à apli-
cação de prostaglandina F2cxou análogo, o que induzirá o parto em
48 horas.
Problemas
. Relaxamento e amaciamento suficiente da vulva, períneo e liga-
mentos pélvicos nem sempre ocorrem seguidos ao uso de prosta-
glandinas. Melhores resultados têm sido obtidos com corticosteróides.
. .É comum a retenção da placenta - a possibilidade aumenta
quanto mais cedo é induzido o parto.
. A involução uterina (vide seção 5.5) pode ser retardada e pode
haver maior tendência para vacas desenvolverem endometrites. Não
parece haver nehum efeito adverso sobre a fertilidade subseqüente.
. Embora exista alguma evidência de nível reduzido de imunoglo-
bulinas no colostro de vacas induzidas com corticosteróides, isto
não parece aumentar a susceptibilidade dos bezerros a doenças ou
reduzir sua viabilidade, desde que não sejam muito prematuros.
3 . 13 Retardando o parto
É possível retardar temporariamente o processo do parto, de
modo que não ocorra em momentos inconvenientes, especialmente
à noite na ausência de supervisão adequada, ou talvez de modo a
permitir que ocorra relaxamento da vagina, vulva e períneo em
novilhas.
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Um agoQista/32cloridrato de clenbuterol ("Planipart", Boehrin-
ger Inglheim ttd, Brackenell, Berkshire) estimula os ~ receptores do
miométrio causando relaxamento da musculatura lisa e abolindo as
contrações uterinas.
. Para retardar Q parto: O,3mg de cloridrato de clenbuterol (tOml),
via intramuscular, seguido de uma segunda injeção de O,21mg(7ml),
4 horas depois, inibirá o parto por 8 horas após a 2.a injeção.
Para melhorar o relaxamento: regime similar com itnervalo de
pelo menos 4 horas entre doses sucessivas.
. Se a cérvix estiver totalmente dilatada e o 2.° estágio tiver co-
meçado (vide seção 3.8), não deve ser usado.
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4 - CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO
4.1 Introdução
Em se tratando de distocia ou assistindo um parto normal,
atenção também deve ser dispensada ao bezerro e seu bem-estar.
Detalhes de peso normal ao nascimento são dados na Tabela 3. 1 .
4.2 Adaptação ao ambiente
Durante o final da gestação e processo de parto, o bezerro
pasas por alterações de maturação que permitem sobreviver livre-
mente em novo ambiente.
Muitas dessas mudanças são induzi das por modificações endó-
crinas que iniciam o ato do parto (vide seção 3.6), em particular
a elevação nos níveis de coriÍcosteróides, estrógenos e prostaglandi-
nas. São exemplos dessas modificações: desenvolvimento de surfa-
tante pulmonar permitindo respiração normal, mudanças na compo-
sição da hemoglobina, habilidade do bezerro em controlar a homeos-
tase de glicose, fechamento do forame oval e dueto arterioso.
4.3 Procedimentos imediatos com o recém-nascido
As seguintes ações são necessárias:
. Checar se o bezerro está vivo palpando seu coração ou pulso da
carótida, avaliando os reflexos.
. Limpar o muco das narinas e cavidade oral.
. Colocar o bezerro de cabeça para baixo, de modo que possam
ser drenados os fluidos do trato respiratório superior (a maior parte
do fluido provavelmente origina-se do abomaso).
. Assegurar que a respiração espontânea esteja presente e que as
vias aéreas estejam livres.
. Checar o umbigo para evidência de hemorragia dos vasos. Se for
grave, pinçar e ligar.
. Checar anormalidades congênitas óbvias (vide seção 8.11).
. Assegurar que a vaca aceite o bezerro, para que

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