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Bronquiolite e Pneumonia

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PEDIATRIA 
 NOEMI ANDRADE| 5 SEMESTRE| UNIME 1 
 
BRONQUIOLITE AGUDA 
Dentre as síndromes respiratórias agudas do trato respiratório inferior, a bronquiolite é a mais 
comum e responsável por um grande número de hospitalizações em lactentes jovens. 
 A bronquiolite é uma síndrome respiratória aguda que acomete o trato respiratório inferior, 
mais especificamente o bronquíolo terminal, em crianças menores de 2 anos de idade. Os 
sintomas iniciais são obstrução da via aérea superior, febre e coriza, que evolui em 4 a 6 dias 
com tosse e sibilância. 
 
OBS: Lembrar que a sibilância é um sintoma muito importante para diferenciar se é uma 
bronquiolite de uma pneumonia. Na pneumonia vamos encontrar presença de crepitação na 
criança. Porém, isso não quer dizer que não tem sibilância presente em pneumonia. A 
sibilancia é mais comum em infecções virais do que em bacteriana. 
 
ETIOLOGIA 
A bronquiolite é predominantemente uma infecção viral do trato respiratório, sendo o vírus 
sincicial respiratório (VSR) o agente mais frequente. Menos comumente são encontrados os 
agentes: vírus parainfluenza, metapneumovírus humano, vírus influenza, adenovírus, rinovírus, 
coronavírus e bocavírus humano (descoberto em 2005). Muitos pesquisadores têm reportado 
agentes não-virais de bronquiolite, como o Mycoplasma pneumoniae, entretanto este não é um 
agente causador significante da doença em lactentes jovens. 
FISIOPATOLOGIA 
A bronquiolite é resultado de infecção e inflamação progressiva da mucosa respiratória em 
lactentes jovens. Após a infecção inicial do epitélio do trato respiratório superior, a replicação 
viral e a resposta do hospedeiro com mediadores inflamatórios progride para a superfície 
mucosa do trato respiratório inferior. A alteração histológica mais precoce é a necrose do 
epitélio com destruição das células ciliadas, seguida por infiltração linfocitária. Restos celulares 
e fibrina formam rolhas que obstruem parcial ou totalmente a luz bronquiolar. 
A submucosa torna-se edematosa, mas sem destruição do colágeno ou do tecido elástico. Em 
sua evolução normal, a regeneração da mucosa inicia-se em 3 a 4 dias, a partir das camadas 
basais, com reaparecimento dos cílios em cerca de 15 dias. Edema, muco excessivo, descamação 
epitelial e espasmo da musculatura lisa bronquiolar em resposta aos mediadores inflamatórios 
https://www.medicinanet.com.br/pesquisas/bronquiolite.htm
https://www.medicinanet.com.br/pesquisas/virus_sincicial_respiratorio.htm
https://www.medicinanet.com.br/pesquisas/virus_sincicial_respiratorio.htm
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levam à obstrução da via aérea inferior de pequeno calibre e, consequentemente, à formação 
de atelectasias. 
Nos primeiros meses de vida, o calibre da via aérea reduzido, a ausência da ventilação colateral 
efetiva pelos poros de Khon e a maior distensibilidade da caixa torácica são fatores que 
tornam grave a obstrução inflamatória que ocorre na bronquiolite. Além disso, a imaturidade 
imunológica do lactente com atividade reduzida de IgA secretora levam a um maior tempo de 
excreção viral e intenso acometimento bronquiolar, fenômeno que pode ser diminuído com a 
oferta de colostro e leite materno. 
VIA DE TRANMISSAO 
-O material infectado (secreções respiratórias de pessoas infectadas, superfícies ou objetos 
contaminados) atinge o organismo através das mucosas dos olhos, nariz e boca ou por 
inalação de gotículas derivadas da tosse ou espirro. 
O VSR- sobrevive nas mãos por 1 hora e nas superfície dura ate 24 horas. 
QUADRO CLINICO 
Os sinais e sintomas iniciais da bronquiolite são de infecção de via aérea superior como rinorréia 
copiosa, obstrução nasal e tosse. A criança apresenta anorexia e irritabilidade, porém seu 
estado geral é bom, diferenciando das infecções bacterianas. Após 3 a 7 dias do início do quadro, 
são observados sintomas como taquipnéia, sibilância, expiração prolongada e estertoração 
pulmonar, indicando um quadro obstrutivo de via aérea inferior. 
 
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Ao exame físico, observa-se taquipnéia, retração subcostal e intercostal, supraclavicular, até 
batimento de asa de nariz e gemido expiratório. À inspeção, o tórax apresenta-se 
hiperexpandido e com aumento do diâmetro ântero-posterior. O hipertimpanismo aparece à 
percussão pulmonar e, à ausculta, roncos, sibilos e estertoração pulmonar podem estar 
presentes. Nos casos mais graves, os sibilos podem não ser auscultados se a passagem de ar 
pela via aérea estiver muito diminuída. Conjuntivite, rinite e otite média aguda podem 
frequentemente acompanhar os quadros de bronquiolite. 
FATORES DE RISCO 
-Prematuridade extrema (IG<29 semanas) 
-Lactente <4 meses 
- Doença pulmonar crônica (displasia 
broncopulmonar) 
-Cardiopatia congênita 
-Imunnodeficiencia 
-Defeito anatômico da via aérea 
-Doença neurológica de base 
-Fatores ambientais (creche, fumante passivo) 
DIAGNOSTICO 
O diagnóstico é clinico. Vamos avaliar os sintomas como a presença de uma infecção de vias 
aéreas inferiores com presença de sibilos, estertores grossos, esforço respiratório, 
descompensação da oxigenação, FC, FR. 
Após a sugestão do diagnostico, podemos colher exames laboratorias como hemograma, 
gasometria arterial, eletrólito, PCR. Uma hemocultura, quando tiver uma infecção bacteriana 
associada. 
 
 
 
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Critérios de internação 
 Por presença de apneia, esforço respiratório importante, cianose central, taquipneia (FR>70ipm), 
saturação de O2 persistentemente baixa, desidratação, problemas sociais. 
DIAGNOSTICO DIFERENCIAL 
A bronquiolite pode ser confundida com uma variedade de afecções agudas e crônicas. A 
infecção de vias aéreas superiores é um diagnóstico diferencial que pode ser descartado à 
ausculta, uma vez que não se encontra expiração prolongada, sibilos e estertoração pulmonar 
nessa condição. Pneumonia, aspiração de corpo estranho, doença cardíaca congênita, anel 
vascular e síndromes aspirativas, como na doença do refluxo gastroesofágico, também devem 
ser descartados. 
A asma deve ter uma grande importância no diagnóstico diferencial da bronquiolite. História 
recorrente de episódios de sibilância, reversíveis com uso de broncodilatadores, e história 
pessoal ou familiar de atopia e alergia ajudam a realizar o diagnóstico de asma. Entretanto, 
durante o primeiro episódio de sibilância, é difícil distinguir bronquiolite de asma. 
TRATAMENTO 
Em crianças saudáveis, a 
bronquiolite tem um curso 
autolimitado e a terapia 
consiste em medidas de 
suporte, mantendo o 
paciente com a oxigenação 
adequada e bem hidratado. 
MEDIDAS DE SUPORTE 
Medidas de Suporte 
A cabeceira do leito deve 
estar elevada a 35°, 
mantendo os ombros 
elevados e o pescoço apoiado em um coxim impedindo a inclinação do pescoço sobre os 
ombros, o que diminui a ventilação. A criança não deve ser muito manuseada e deve 
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permanecer aquecida, junto da mãe para acalmá-la. A alimentação deve ser suspensa se a 
taquidispnéia for muito intensa, a fim de prevenir a aspiração pulmonar de alimentos ingeridos, 
porém a suspensão da dieta deve ser o mais breve possível. 
Fluidoterapia 
A criança com bronquiolite pode ter dificuldade em manter uma hidratação adequada, por 
aumento das perdas (taquipnéia, febre e vômitos) ou por diminuição da dieta líquida 
(inapetência e dificuldade de ingestão). A fluidoterapia parenteral, portanto, torna-se necessária 
em alguns casos. 
Suporte Respiratório 
A oxigenioterapia pode ser realizada por meio de cânula nasal, tenda ou máscara facial, para 
manter a saturação de oxigênio maior que 95 %. Vale lembrar que fatores como febre, acidose 
e hemoglobinopatias interferem na acurácia do oxímetro de pulso. Crianças com pressão de 
dióxido de carbono maior que 55 mmHg, hipoxemia, a despeito da oferta adequada de oxigênio, 
e/ou apnéia podem requerer ventilação assistida, com ou sem intubação