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Diarreia

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coli. Os fatores de risco mais importantes são a ingestão de água e alimentos 
(aves domésticas) contaminados. Nos países em desenvolvimento, o contato com animais é outro fator de 
risco importante. A enterite secundária à infecção pelo Campylobacter tem período de incubação de 2 a 5 
dias e é, quase sempre, autolimitada, raramente exigindo abordagem terapêutica específica. Manifesta-se 
por febre, dores abdominais em cólica e diarreia, com duração habitual do quadro diarreico de 2 a 3 dias. 
A dor abdominal pode se prolongar por mais alguns dias. O aspecto das fezes varia de aquoso a 
sanguinolento, dependendo da intensidade da infecção e do tempo de enfermidade. Uma característica 
importante é a possibilidade de desencadear a síndrome de Guillain-Barré, o que acontece em 1 de cada 
1.000indivíduos infectados. 
- Clostridium difficile: bactéria Gram-positiva, responsável por 15 a 20% dos casos de diarreia secundária 
ao uso de antibióticos e de praticamente todos os casos de colite pseudomembranosa. Inicialmente 
considerado microrganismo habitualmente presente no intestino de indivíduos saudáveis. Em estudo sobre 
sua prevalência nessa população, entretanto, foi demonstrado em menos de 3% desses indivíduos. É 
ingerida na forma de esporos e, se encontra microbiota alterada pelo uso de antibióticos ou outros fatores, 
converte-se na forma vegetativa. Produz toxinas (A e B) que provocam aumento da permeabilidade 
intestinal e destruição das células epiteliais colônicas. Manifesta-se sob a forma de diarreia aquosa em 
indivíduos com história de uso recente de antibióticos (3 ou mais dias). Pode ser grave o suficiente para por 
em risco a vida do paciente. 
- Clostridium perfringens: bactéria Gram-positiva, anaeróbica, geralmente em forma de esporos. É 
abundante no meio ambiente, ocorrendo com frequência no intestino humano. Transmitida, geralmente, por 
alimentos contaminados, como carnes e maioneses. 
Bloqueia a absorção de água através de enterotoxinas, provocando diarreia aquosa. 
- Escherichia coli: bastonete Gram-negativo, não formador de esporos, flagelado. Em relação às 
manifestações abordadas neste capítulo, interessa a E. coli diarreiogênica, que inclui cinco diferentes 
sorotipos com características patogênicas individuais: enteroinvasiva (EIEC), enterotoxigênica (ETEC), 
enteroagregante (EAEC), enteropatogênica (EPEC) e entero-hemorrágica (EHEC). 
É transmitida por alimentos e água contaminados com fezes humanas ou de animais, raramente podendo 
ocorrer transmissão pessoa a pessoa. Atuam por meio da produção de enterotoxinas, que estimulam a 
secreção de cloro e reduzem a absorção de sódio, e de citotoxinas, que agridem o epitélio intestinal, 
alterando sua estrutura. As características da diarreia dependem do sorotipo. A diarreia aquosa está 
associada à infecção pelos sorotipos EPEC, ETEC e EAEC, ao passo que os sorotipos EIEC e EHEC 
causam disenteria. A EHEC produz a toxina Shiga, que pode causar complicações sistêmicas graves, 
incluindo síndrome hemolítico-urêmica. 
- Salmonella: bastonete Gram-negativo, transmitido por ovos, aves domésticas, leite e outros alimentos 
contaminados. A S. typhimurium está intimamente relacionada com gastroenterites, enquanto a S. typhi está 
mais relacionada a efeitos sistêmicos tóxicos (febre tifoide). Produz enterotoxinas que estimulam secreção 
de cloro, e invadem a mucosa, ativando eventos inflamatórios. Manifesta-se inicialmente por diarreia 
aquosa, seguida de diarreia sanguinolenta. Na infecção pela S. typhi, a diarreia é o evento menos importante, 
uma vez que os eventos sistêmicos são proeminentes e podem ser graves. 
- Shigella: bastonete Gram-negativo, transmitido por via fecal-oral e por meio de alimentos e água 
contaminados. Produz enterotoxina potente, além de penetrar nas células colônicas, provocando 
degeneração do epitélio e inflamação da lâmina própria, o que resulta em descamação e ulceração. Os 
sintomas surgem após um período de incubação de um a dois dias. A fase inicial, de enterite, manifesta-se 
por diarreia aquosa, seguida por colite, com diarreia mucossanguinolenta. 
- Staphylococcus: coco Gram-positivo. A diarreia causada por esse microrganismo está relacionada à 
contaminação de alimentos e produção de toxina termoestável, cuja ingestão causa diarreia e vômitos. Os 
sintomas surgem 2 a 8 horas após a ingestão e tendem a regredir espontaneamente em até 48 horas. As 
fezes apresentam aspecto aquoso. 
- Vibrio cholerae: bacilo Gram-negativo, com flagelo polar, transmitido principalmente por água 
contaminada. Provoca diarreia por meio de uma potente toxina que estimula o AMP cíclico, ocasionando a 
redução da absorção de sódio e a secreção de cloreto. A diarreia secundária a essa infecção é aquosa, 
extremamente volumosa e coloca a vida do paciente em risco por desidratação. 
- Yersinia enterocolitica: bacilo Gram-negativo. Responsável por quadros de diarreia aguda, linfadenite 
mesentérica, ileíte terminal e pseudoapendicite. Transmitido por leite cru, água e alimentos contaminados, 
vegetais crus e de animais para pessoas. A diarreia é usualmente aquosa, porém, pode ser sanguinolenta 
nos casos severos. Os vômitos podem estar presentes em 10% a 40% dos casos. 
→ Fungos: 
- Candida Albicans: fungo comensal, presente habitualmente no trato gastrointestinal. 
Torna-se patogênico em situações específicas que envolvem imunodepressão, uso de corticosteroides e uso 
de antibióticos. Possivelmente causa diarreia por inibição da lactase. Produz enzima proteolítica que 
degrada a mucina. A diarreia secundária a essa infecção é aquosa e, às vezes, explosiva. 
→ Protozoários: 
- Cryptosporidium: transmitido por meio da ingestão de oocistos presentes em água e alimentos 
contaminados, podendo ser transmitido também de uma pessoa para outra e de um animal para uma pessoa. 
Tem ação predominantemente secretora, mas pode se associar a atrofia vilositária e infiltrado inflamatório 
da lâmina própria. Desencadeia diarreia aquosa, que pode ser prolongada. 
- Giardia lamblia: protozoário flagelado, binucleado, é um dos parasitas intestinais mais comuns em todo 
o mundo. Sua transmissão ocorre a partir da ingestão de cistos em água contaminada, podendo ser 
transmitido de uma pessoa para outra em lugares com más condições de higiene. 
A patogênese ainda não é completamente entendida, mas sabe-se que pode provocar destruição da borda 
em escova das células epiteliais, assim como induzir resposta imune do hospedeiro. Infestações maciças 
podem resultar em má absorção, tanto pelas lesões da mucosa como, em algumas situações, pelo 
impedimento mecânico da absorção de nutrientes provocada pelo revestimento da mucosa em decorrência 
da enorme quantidade do protozoário. A apresentação clínica varia de ausência de sintomas a diarreia 
aquosa. Pode se tornar crônica, causando má absorção e perda de peso. 
- Entamoeba histolytica: espécie patogênica do gênero Entamoeba, é transmitida por meio da ingestão de 
cistos maduros a partir de água, alimentos ou mãos contaminadas. 
Produz enzimas proteolíticas que provocam ulcerações, hemorragia e, até mesmo, perfuração. A infestação 
por esse protozoário pode não ter qualquer manifestação clínica aparente, mas pode se manifestar como 
quadro de amebíase invasiva intestinal, com colite disentérica, apendicite, megacólon tóxico e ameboma, e 
extraintestinal (peritonite, abscesso hepático e outras). 
→ Nematoide: 
- Strongyloides stercoralis: a infestação por esse helminto acontece por meio da penetração de larvas 
filariformes através da pele. Em situações especiais, como constipação intestinal, alterações da motilidade 
intestinal e moléstia diverticular dos cólons, a permanência da larva rabditiforme por tempo prolongado no 
intestino pode favorecer sua evolução para larvas filariformes, iniciando um ciclo de infestação interna, a 
autoinfecção. Essa condição pode estar exacerbada em indivíduos imunocomprometidos,

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