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Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 1 – ORGANIZAÇÃO EMPRESARIAL PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL INTRODUÇÃO Ao longo dos séculos, o ser humano sentiu-se intrigado com o funcionamento da mente humana. Filósofos e fisiologistas ponderaram as questões às quais a psicologia, nos dias de hoje, como ci- ência independente, procura responder. O psicólogo organizacional está preocupado em estudar e atuar como facilitador da interação entre pessoas e coordenações, colaborando para o desenvolvimento de ambas. Ainda, é responsá- vel por interferir nas metodologias de trabalho, na cultura organizacional, nos intercâmbios comuni- cativos entre muitos outros fatores da realidade institucional. 1. O QUE É PSICOLOGIA Psicologia é a ciência que estuda o compor- tamento humano e seus processos mentais. Me- lhor dizendo, a Psicologia estuda o que motiva o comportamento humano – o que o sustenta, o que o finaliza e seus processos mentais, que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendiza- gem, inteligência... A história da Psicologia, cuja etimologia deriva de Psique (alma) + Logos (razão ou conhecimen- to), se confunde com a Filosofia até meados do século XIX. Sócrates, Platão e Aristóteles deram o pontapé inicial na instigante investigação da alma humana: Para Sócrates (469/ 399 a C.), a principal ca- racterística do ser humano era a razão – aspecto que permitiria ao homem deixar de ser um animal irracional. Platão (427/ 347 a C.) – discípulo de Sócrates, conclui que o lugar da razão no corpo humano era a cabeça, representando fisicamente a psique, e a medula teria como função a ligação entre mente e corpo. Já Aristóteles (387/322 a C.) – discípulo de Platão – entendia corpo e mente de forma inte- grada, e percebia a psiqué como o princípio ativo da vida. Durante a “era cristã” – quando todo conheci- mento era produzido e mantido a sete chaves pela Igreja, Santo Agostinho e São Tomas de Aqui- no partem dos posicionamentos de Platão e Aris- tóteles respectivamente. Em 1649, René Descartes – filósofo francês – publica Paixões da Alma, reafirmando a separa- ção entre corpo e mente. Pensamento que domi- nou o cenário científico até o século XX. Alguns pesquisadores alegam que essa hipótese assumi- da por Descartes foi um subterfúgio encontrado para continuar suas pesquisas , desenvolvidas a partir da dissecação de cadáveres, com o apoio da Igreja e protegido contra a Inquisição. O fato é que no final do século XIX, os acadê- micos da época resolvem distanciar a Psicologia da Filosofia e da Fisiologia, dando origem ao que se chamou de Psicologia Moderna. Os compor- tamentos observáveis passam a fazer parte da investigação científica em laboratórios com o obje- tivo de se controlar o comportamento humano. Nesse sentido, os teóricos objetivam suas ações na tentativa de construir um corpo teórico consis- tente, buscando o reconhecimento, enfim, da Psi- cologia como ciência. É neste cenário investigativo que surgem três correntes teóricas: O Funcionalismo foi elaborado por William James (1842/1910) que teve a consciência como sua grande preocupação – como funciona e como o homem a utiliza para adaptar-se ao meio. No Estruturalismo, Edward Titchener (1867/1927) também se preocupava com a cons- ciência, mas com seus aspectos estruturais – percebiam a consciência , isto é, seus estados elementares como estruturas do Sistema Nervoso Central. O Associacionismo foi apresentado por Ed- ward Thorndike (1874/1949). Seu ponto de vista era que o homem aprende por um processo de associação de ideias – da mais simples para a mais complexa. Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 2 – No início do século XX, surgem mais três cor- rentes principais,que, por sua vez originaram a diversidade de correntes psicológicas, que conhe- cemos hoje: Behaviorismo – surgiu nos EUA com John Wat- son (1878/1958). Foi conhecida pela teoria S-R, ou seja, para cada resposta comportamental exis- te um estímulo. Gestaltismo – surgiu na Europa, mais precisa- mente na Alemanha, com Wertheimer, Köhler e Koffka, entre 1910 e 1912 e nega a fragmentação das ações e processos humanos, postulando a necessidade de se compreender o homem como uma totalidade, resgatando as relações da Psico- logia com a Filosofia. Psicanálise – teoria elaborada por Sigmund Freud (1856/1939) recupera a importância da afetividade e tem como seu objeto de estudo o inconsciente. Hoje, século XXI, os conhecimentos produzidos pela Psicologia e a complexidade e capacidade de transformação do ser humano, acabaram por am- pliar em grande medida sua área de atuação. Assim, a Psicologia, hoje, pode contribuir em vá- rias áreas de conhecimento, possibilitando cada área uma gama infinita de descobertas sobre o homem e seu comportamento, ou sobre o homem e suas relações. RESUMINDO: O que é psicologia: Ciência que estuda o com- portamento humano e seus processos mentais. Existem várias correntes teóricas como o Funcio- nalismo, Estruturalismo, Associacionismo, Beha- viorismo, Gestaltismo e Psicanálise. EXERCÍCIOS 1- Quando se deu início à chamada Psicologia Moderna? Explique: ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ 2- Faça a relação entre a corrente teórica e seus elaboradores: (1) Psicanálise ( ) Wertheimer, Kohler e Koffka. (2) Behaviorismo ( ) William James. (3) Funcionalismo ( ) Edward Thorndike. (4) Estruturalismo ( ) Edward Titchener. (5) Gestaltismo ( ) Sigmund Freud. (6) Associacionismo ( ) John Watson. 3- Sócrates, Platão e Aristóteles deram o pontapé inicial na instigante investigação da alma humana. Explique: ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ 2. CONTEXTUALIZAÇÃO A Psicologia é uma ciência que procura com- preender o comportamento do ser humano. Investiga uma série de fenômenos próprios do animal homem: a percepção, a emoção, o dese- jo, a patologia, a aprendizagem, o desenvolvi- mento, o comportamento, entre muitos outros. Com isso, podemos inferir que o campo da Psico- logia é muito amplo e lida com questões fascinan- tes para todos os interessados em compreender de maneira mais apurada a si mesmos e as outras pessoas. É um conhecimento imprescindível para os profissionais que têm de lidar de modo direto com outras pessoas. Para os profissionais ligados à Organização, a psicologia vem, até hoje, desenvolvendo recursos para otimizar a qualidade do ambiente de traba- lho, seja através da análise do sujeito em sua ati- vidade e na sua relação com outros indivíduos ou através da análise da própria estrutura organiza- cional. Pretendemos, portanto, apresentar, através de nossa disciplina algumas das contribuições da psicologia que ajudam o gestor a compreender melhor o sujeito humano e sua Organização. 1 – Teoria Motivacional de Maslow: Hierarquia das Necessidades Abraham Maslow Segundo Maslow, as necessidades dos seres humanos estão colocadas hierarquicamente em função de seu caráter de urgência e sua força. Quando as necessidades mais imperativas (as necessidades primárias) estão satisfeitas, as ne- cessidades posteriores fazem pressão no sentido de conseguir a satisfação. Acompanhando cada tipo de necessidade em função de sua força, po- demos colocá-las em forma de uma pirâmide. Na base desta pirâmide, estariam as necessidades mais básicas e vitais para os seres humanos (as necessidades primárias). A seguir, até se chegar ao topo, estariam as necessidades secundárias. Maslow distingue dois tipos de necessidades pri- márias: necessidadesfisiológicas e necessida- des de segurança e três tipos de necessidades secundárias: necessidades sociais, necessida- des de estima e necessidade de autorrealiza- ção. Para um melhor entendimento de cada uma dessas necessidades, vamos explicá-las porme- norizadamente: Necessidades Fisiológicas – Referem-se às carências a nível biológico dos indivíduos, que os levam a desejar água, repouso, comida, oxigênio. São necessidades prioritárias, pois a própria so- brevivência depende delas. Se a pessoa não tem o que comer, é evidente que sua motivação será a de alimento. Se a pessoa não tem o que beber, será impelida a buscar saciar sua sede. Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 3 – Quando esse tipo de necessidade não está satisfeita, ela governa de maneira absoluta o comportamento do indivíduo, a ponto de tudo mais ser supérfluo para ele. Seu foco de atenção, será, portanto, a busca de satisfazer tais necessidades. Entre as necessidades fisiológicas, destacamos: respiração, alimentação, bebida, repouso, hi- giene e sexo. Necessidades de Segurança – Incluem a prote- ção, a estabilidade, a ordem, a predição, a or- ganização, a preferência pelo conhecido. Se por acaso esse tipo de necessidade não for satis- feita, como conseqüência, teremos a ansiedade. É fácil perceber, por exemplo, como a desconfiança, o medo, a falta de tranquilidade, aumentam em épocas que a segurança do indivíduo está em jogo. Nesses momentos, nossa tendência natural é a de nos protegermos e buscarmos segurança, pois, como necessidade primária, ela é também vital para nossa sobrevivência. Diante do perigo, outras necessidades ficam em suspenso até que possamos nos sentir seguros o suficiente para satisfazê-las. Necessidades Sociais – Direcionam o indivíduo na busca de relações afetivas com outras pesso- as, bem como no sentido de procurar um lugar no grupo social. Esta tendência abrange o desejo crescente do sujeito procurar relações íntimas. Se estas necessidades não forem correspondidas, há possibilidades da pessoa desenvolver perturba- ções psicológicas. Entre as necessidades sociais destacamos: sentimento de pertença, aceita- ção, associação, amizade e compreensão. Necessidades de Estima – Dividem- se em duas categorias: as relacionadas com a auto-estima, como a confiança, a independência, a compe- tência, o amor próprio, e as relacionadas com a estima das outras pessoas em relação a nós pró- prios, como por exemplo, o respeito, o prestígio, o reconhecimento, a apreciação e a importân- cia. Quando estas necessidades estão satisfeitas, nos tornamos mais fortes e preparados para po- tencializar nossas vocações e realizar nossos de- sejos. Entretanto, se tais necessidades não forem supridas, tal situação nos conduz a sentimentos de inferioridade, de fraqueza e de incapacidade. Necessidades de Autorrealização – Último pa- tamar na pirâmide de Maslow, esta necessidade nos remete a nossa realização pessoal, a con- secução de nosso potencial. Tal necessidade leva-nos a realizar aquilo para que somos feitos. Um ator sente um enorme desejo de representar, de estar no palco. Um escritor anseia produzir uma obra. Cada sujeito ouve uma voz dentro de si que diz: “seja verdadeiro em função da tua natu- reza”. Trata-se de uma necessidade que corres- ponde ao cumprimento de nossas potencialida- des. Aplicando a teoria de Maslow à motivação ge- rencial, teríamos as seguintes opções para suprir cada nível de necessidade: Necessidades Fisiológicas: pagamento, férias, períodos de descanso durante o trabalho, inter- rupções para a refeição, toaletes, ar limpo, água e ambiente com temperatura adequada. Necessidades de Segurança: desenvolvimento do funcionário, condições de segurança no traba- lho, planos de antiguidade, planos de economia e poupança, planos de saúde, direito à pensão, in- denização por demissão e sistema de queixas formal. Necessidades Sociais: grupos de trabalho for- mais e informais, clubes vitalícios, atividades pa- trocinadas pela empresa e um ambiente que esti- mule o contato social. Necessidades de Estima: liderança, reconheci- mento, elogios, prêmios, promoção, ouvir as idei- as e sugestões. Necessidades de Autorrealização: completar atribuições desafiadoras, desenvolver trabalhos criativos, desenvolver habilidades e aproveitar aptidões. RESUMINDO: Contextualização: Teoria de Maslow. Aplicando- se a teoria de Maslow a motivação gerencial, terí- amos as seguintes opções para suprir cada nível de necessidade: fisiológicas, segurança, sociais, de estima e de autorrealização. EXERCÍCIOS 1- Relacione: (1) Necessidades de autorrealização (2) Necessidades sociais (3) Necessidades fisiológicas (4) Necessidades de segurança (5) Necessidades de estima ( ) pagamento, férias, ar limpo, água, etc. ( ) grupos de trabalho, clubes vitalícios,etc. ( ) liderança, reconhecimento, elogios, etc. ( ) desenvolver trabalhos criativos, etc. ( ) planos de saúde, direito a pensão, etc. 2- A ciência investiga uma série de fenômenos próprios do animal homem. Cite alguns: ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 4 – 3. DEZOITO MOTIVADORES Dean Spitzer em seu livro, SUPERMOTIVA- ÇÃO, reconhece oito desejos básicos do ser hu- mano. São eles: desejo de atividade, desejo de pro- priedade, desejo de poder, desejo de afiliação, desejo de competência, desejo de realização, de- sejo de reconhecimento e desejo de significado. No capítulo oito do seu livro, Spitzer propõe dezoito maneiras de motivar os indivíduos dentro de seu ambiente de trabalho, baseado nos oito desejos que ele considera como natural no ser humano. Segundo ele, quando esses desejos po- dem ser experimentados, gera-se grande motiva- ção. Sigamos, portanto, suas sugestões. 3.1. O PODER DOS MOTIVADORES 1) AÇÃO Os seres humanos são mais motivados quan- do estão ativamente envolvidos naquilo que reali- zam. De maneira geral, os indivíduos querem to- mar parte, e não ser apenas observadores. Lamentavelmente, grande parte do trabalho atual é sedentário. O homem não foi constituído para ficar passivo durante a maior parte de suas horas de trabalho. A tendência presente e cres- cente em direção ao trabalho do conhecimento nos conduziu, em verdade, a um trabalho mais sedentário. Com a automação, a necessidade dos funcionários se locomoverem pelo ambiente de trabalho ficou acentuadamente reduzida. Muitos trabalhadores passam grande parte de seu horário de trabalho sentados, juntos a um telefone, a uma mesa, ao computador ou outro equipamento. Usar a ação como motivador significa garantir que os funcionários tenham um trabalho mais pro- dutivo (mas não atarefado), que os mantenha físi- ca e mentalmente ocupados. Com alguma criatividade, outras formas ativas de trabalho podem ser facilmente encontradas, mesmo dentro das limitações existentes. Por e- xemplo, os funcionários podem usar o tempo de paralisação do equipamento mais ativa e produti- vamente, prevenindo problemas interagindo com clientes e fornecedores internos. 2) DIVERSÃO Diversão no trabalho? Para os mais tradicio- nais, os dois termos podem parecer incoerentes. A ausência de diversão é algo visível na maioria dos locais de trabalho. Mas a diversão energiza as pessoas e elas precisam de pausas para recarre- gar a bateria. Não há nada mais motivador do que um ambiente de trabalho divertido. Mesmo que poucas tarefassejam divertidas, um contexto agradável pode ser incorporado a quase qualquer tarefa. Para que um trabalho se torne menos entediante, podemos interpor ativi- dades como comemorações, humor, surpresas, presentes e festas. A diversão não é apenas moti- vadora mas fornece um alívio bem‐vindo às cons- tantes (e emocionalmente desgastantes) pressões no local de trabalho. Por exemplo, quando a pressão cresce, uma empresa pode oferecer bebidas e salgadinhos grátis. Se as coisas ficam sérias demais em uma outra organização, os gerentes vestem fantasias e visitam diversas áreas para injetar um pouco de humor. Uma outra empresa patrocina uma disputa da “piada do dia”. Outra ainda seleciona funcionários para “ele- var o moral” em cada departamento. As organiza- ções que patrocinam atividades descontraídas descobrem que esses eventos de baixo custo fa- zem uma grande diferença no moral dos funcioná- rios. Neste momento, talvez você esteja se pergun- tando o que essas atividades de diversão aparen- temente frívolas têm a ver com o trabalho. O obje- tivo de usar a diversão como motivador não é en- treter os funcionários, ma os tornar mais vigoro- sos e, consequentemente, mais produtivos. Essas atividades quebram a rotina, estimulam a criativi- dade, liberam energia e dão aos funcionários algo que esperar. 3) VARIEDADE Os seres humanos prosperam na diversidade. Funcionários precisam de um mínimo de varieda- de para se manterem vigorosos e despertos. A rotina pode ser confortável, mas também é dese- nergizante. (Incidentalmente, o tédio resultante da rotina no trabalho é uma das principais causas de acidentes industriais). A variedade no trabalho pode ser oferecida por meio de um número infinito de formas: reorga- nização do ambiente físico, mudanças temporá- rias nas atribuições de trabalho, rotatividade de cargos, maior contato com o cliente (em especial para funcionários que não têm esse contato regu- larmente), visitas a outras áreas da empresa, trei- namento cruzado, ampliação/enriquecimento de funções, envolvimento em projetos de equipe e, como vimos anteriormente, atividades de diver- são. A variedade pode ser aplicada a qualquer car- go ou área de trabalho. Não defendemos mudan- ças contínuas (ocasionalmente, desmotivadoras), porém a mudança eventual mantém os funcioná- rios revitalizados, aprimora seus sentidos e con- servam seu desempenho em níveis mais altos. Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 5 – A variedade não só motiva, mas, por meio dela, os funcionários desenvolvem novas habilidades e experiência valiosa, tornando ainda mais produti- vas suas contribuições para a organização. 4) INPUT Uma ótima maneira de adicionar variedade ao trabalho é solicitar aos funcionários sugestões para melhorar o trabalho. Eles estão repletos de ideias. Cada funcionário é um recurso incalculável e matriz potencial de informações criativas que po- dem ajudar a otimizar a organização. Tal ideia, lamentavelmente, ainda não é unâ- nime. Um determinado funcionário falou em nome de muitos outros em sua organização quando ex- pressou sua frustração em relação à abordagem gerencial tradicional da empresa: “Em todos esses anos que exerço essa fun- ção, nunca conheci alguém na gerência que per- guntasse a um de nós como nos sentimos em relação à forma como as coisas são feitas por aqui”. Os funcionários querem participar e desejam ter suas ideias solicitadas. Desejam contribuir com sugestões. Querem ajudar a solucionar pro- blemas e tomar decisões. A gerência libera uma enorme quantidade de energia criativa, quando demonstra interesse nas contribuições de seus funcionários. Quando solicitados a contribuir, trabalham mais tempo e com mais empenho para alcançar as metas organizacionais, realizar planos, imple- mentar ideias e seguir decisões. Trabalham com muito mais energia quando sabem que são suas ideias (pelo menos parcialmente), e não apenas ideias da gerência. 5) COMPARTILHAMENTO DE INTERESSES Pode ser decepcionante para muitos funcioná- rios, trabalharem para enriquecer outras pessoas ‐ os proprietários da empresa, acionistas e investi- dores. Embora nem todos possam ter uma empresa, todo funcionário pode compartilhar a propriedade da organização. Cada vez mais, as organizações estão “com- partilhando interesses” com seus funcionários. Ainda que tais esforços tendam a ser voltados para âmbito financeiro, também podem assumir outras formas; por exemplo, compartilhamento do processo decisório e da liderança. Os programas mais comuns de compartilha- mento de interesses incluem planos de proprieda- de de ações, planos de compra de ações, partici- pação nos lucros e ganhos. Iniciativas assim concorrem significativamente para o novo sentimento dos funcionários de serem donos parciais de suas empresas. Os funcionários que costumam se mostrar habitualmente negligen- tes ou até desdenhosos em relação às decisões da gerência, estão começando a prestar bastante atenção a elas. As pesquisas mostram conclusivamente que os funcionários com algum interesse na proprie- dade de sua organização tendem a ter uma moti- vação muito mais forte para um bom desempenho em quase tudo o que fazem. 6) ESCOLHA Possivelmente, o traço mais marcante dos indivíduos é sua capacidade para escolher. Esse é um dos mais notáveis motivos pelos quais o lazer é tão motivador – tal atividade está repleta de opções! O simples fato de ter uma opção pode fazer um indivíduo se sentir melhor em relação à exe- cução até mesmo de uma tarefa extremamente repetitiva. Com frequência, supervisores e gerentes tra- tam funcionários adultos como se fossem crianças e impõe o que devem ou não fazer. Como a vida fora do trabalho é cheia de opções, os funcioná- rios repetidas vezes se perguntam por que não podem fazer mais escolhas no trabalho. A escolha libera uma força motivacional incrí- vel, aumentando o sentimento de autonomia, au- todeterminação e controle dos funcionários sobre suas próprias vidas. Em um experimento notável, um botão foi ins- talado em uma linha de montagem e os funcioná- rios foram informados de que poderiam apertá‐lo para interromper a produção sempre que detec- tassem um problema de qualidade ou segurança. A produtividade e a qualidade melhoraram drasticamente, embora o botão nunca tenha sido apertado. 7) RESPONSABILIDADE Muitos gerentes tradicionais pensam que os funcionários furtam‐se a responsabilidade. Entretanto, o que eles, em verdade fazem, é evitar um acúmulo de trabalho disfarçado de mai- or responsabilidade. Se a responsabilidade for verdadeira, eles a aceitarão de bom grado. Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 6 – Isso me faz lembrar a história de uma faxineira que surpreendeu sua supervisora ao fazer a se- guinte reclamação: “Tudo o que faço é limpar as pias e o chão. Por que nunca limpo as privadas?” Isso chocou sua supervisora, que achava es- tar poupando a faxineira preferida da parte mais desagradável do trabalho! Ela não valorizou a importância que os funcionários atribuem à res- ponsabilidade total. Até um trabalho desagradável como limpar banheiros perde sua integridade quando a responsabilidade é dividida. Hoje muitas organizações estão começando a perceber que a “nova geração” de funcionários quer mais responsabilidade, e não menos. Os funcionários devem ter a oportunidade de experi- mentar a satisfação de planejar e executar uma tarefa por conta própria, do início ao fim, sem ter de pedir permissão constantemente. Quando os funcionários têm maior responsabilidade sobre o trabalho que executam, o nível de motivação é muito mais alto.Trata‐se do seu trabalho, e não da gerência! 8) OPORTUNIDADE DE LIDERANÇA A liderança não é apenas um privilégio reser- vado a alguns escolhidos; ela deve ser amplamen- te compartilhada. Infelizmente, muitos gerentes pensam que somente um limitado percentual da força de trabalho possui potencial para liderança. A maioria dos supervisores e gerentes não valoriza a liderança e não percebe o quanto os funcionários ficam entusiasmados em desempe- nhar algumas vezes o papel de líder. A maioria dos funcionários não deseja ser diretor executivo ou presidente, mas gostaria de “chefiar” alguma atividade. Como a maior parte das pessoas já assumiu responsabilidade de liderança em algum momento de suas vidas pessoais (seja como pai, professor, treinador ou líder cívico), por que não deveria ter acesso a essa oportunidade no trabalho? As or- ganizações estão repletas de atividades à espera de um líder. Com a ênfase cada vez maior no tra- balho de equipe e no envolvimento dos funcioná- rios, deve haver oportunidade de liderança para todos. Essas oportunidades podem envolver a parti- cipação em uma equipe de melhoria, a direção de um projeto‐piloto ou simplesmente a organização de um evento social. A liderança, mesmo modes- ta, aumenta a motivação dos funcionários e seu comportamento tanto com a tarefa quanto com a empresa. Organizações altamente motivadoras criam um ambiente no qual os funcionários estão ansiosos por assumir a liderança, e não por seguir o líder. 9) INTERAÇÃO SOCIAL Apesar das dificuldades de transporte e das frustrações inerentes ao local de trabalho tradicio- nal, quando se depara com a opção de escolha entre o trabalho na empresa ou em casa, uma maioria esmagadora continua escolhendo a fábri- ca ou o escritório. Os seres humanos prosperam no contato social e a maioria dos ambientes de trabalho está repleta de oportunidades ricas e variadas de interação social. Interação social não significa apenas ba- te‐papo na sala de descanso ou perto do bebe- douro. A interação social produtiva inclui ativida- des diversas como discussões em pequenos gru- pos, atribuições de trabalho cooperativos, aconse- lhamento aos colegas, compartilhamento de habi- lidades, resolução cooperativa de problemas, re- lacionamento com clientes‐fornecedores internos e interface com clientes externos. Grande parte das pessoas quer auxiliar seus semelhantes e algumas organizações incentivam esse desejo criando redes de ajuda e grupos de apoio nos quais há um grande compartilhamento de informações, recursos e experiências. Nesse ambiente, os funcionários não passam a maior parte de seu tempo livre em uma socialização improdutiva, mas conversando com outros funcio- nários sobre formas alternativas de melhorias. 10) TRABALHO EM EQUIPE A forma mais intensa de interação social é o trabalho em equipe. Os que já participaram de atividades de equipes bem gerenciadas experi- mentaram seu efeito motivacional poderoso. Já foi dito que “se você pergunta às pessoas quais foram suas experiências de vida mais ricas, elas lhe contarão experiências vividas como parte de uma equipe”. Todavia, simplesmente unir as pessoas em grupos não garante o trabalho em equipe. A mar- ca registrada do real trabalho em equipe é a si- nergia. Essa palavra é derivada do grego syn – coo- peração e do grego érgon – trabalho. Sinergia significa que o desempenho da equipe é mais do que a soma dos esforços individuais de cada membro. É a ação ou esforço simultâneo. Nos esportes, equipes com jogadores talento- sos freqüentemente derrotam equipes muito mais talentosas. Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 7 – Quando as equipes estão trabalhando de for- ma sinérgica, dois mais dois podem ser igual a sete! Até na Harvard Business School, o baluarte tradicional do individualismo, o currículo de mes- trado foi recentemente reformulado, a fim de enfa- tizar o trabalho em equipe. Pessoas em toda parte estão chegando à mesma conclusão: “Nenhum de nós é tão esperto quanto todos nós!” 11) UTILIZANDO O TALENTO DE CADA UM “Um dos principais determinantes da motiva- ção e do comportamento de um funcionário com uma empresa é sua percepção de como está sen- do utilizado”. A maioria dos funcionários tem talentos que dificilmente são utilizados. Esses talentos podem ser habilidades de traba- lho e conhecimento (por exemplo, operação de equipamento), habilidades genéricas (por exem- plo, comunicação) ou características de personali- dade (por exemplo, persistência). Pesquisas reve- lam que todo indivíduo pode fazer pelo menos uma coisa melhor do que outras dez mil pessoas! De fato, todo funcionário guarda um grande núme- ro de talentos ocultos. Quando as pessoas são contratadas, trazem consigo uma ampla gama de habilidades desen- volvidas em sua formação e experiência de traba- lhos anteriores, muitas aparentemente não rela- cionadas à sua função. As habilidades intelectuais dos trabalhadores norte‐americanos, por exemplo, são subutilizadas. Esse banco de talentos ocultos é amplamente ignorado na maioria das organizações, pois não se adapta às descrições de cargos dos funcioná- rios. Algumas organizações estão percebendo o valor de permitir que os funcionários compartilhem seus pontos fortes utilizando‐os como instrutores, treinadores, tutores dos colegas e mentores. Elas estão compreendendo que os funcioná- rios serão mais eficazes e se sentirão mais moti- vados se puderem usar e compartilhar as habili- dades que já possuem. Em uma empresa, um “diretório de habilidades” foi estabelecido para identificar as habilidades ocultas dos funcionários e os supervisores são avaliados em relação à sua eficiência na utilização desse banco. 12) APRENDIZADO Os funcionários têm uma forte ânsia de aper- feiçoar sua competência e de colocar em prática suas habilidades. Os seres humanos nascem com curiosidade insaciável e desejo de aprender. O local de trabalho é um ótimo espaço para o aprendizado. A maior parte das organizações possui muitas oportunidades de treinamento, e há um grande número de novas habilidades a domi- nar e uma enorme quantidade de novos conheci- mentos a adquirir. As organizações patrocinam rotineiramente programas extensivos de educação e treinamento, mas os resultados desse treina- mento tendem a ser frustrantes. O aprendizado só é motivador se, como resultado, os funcionários se sentirem mais competentes ‐ mas, lamenta- velmente, isso não costuma ocorrer. Infelizmente, muitos funcionários consideram os programas de treinamento patrocinados pela empresa desinteressantes, irrelevantes e até uma ameaça à sua autoestima. O treinamento formal é somente uma das mui- tas formas por meio das quais os funcionários podem adquirir e desenvolver habilidades. Outros métodos incluem indicação de mentores, delega- ção, rotatividade, ampliação e enriquecimento de cargos, participação em equipes e em resolução de problemas. 13) TOLERÂNCIA AOS ERROS Babe Ruth foi expulso do jogo mais vezes do que qualquer outro jogador da liga profissional de beisebol na história. Albert Einstein admitiu que mais de 90% de suas ideias estavam erradas. Thomas Alva Edison gabava‐se de ter fracassado mais de mil vezes antes de inventar a luz elétrica. Franz Kafka em vida só foi admirado, pelos seus livros, por um pequeno grupo de amigos e amantes da literatura. Vincent Van Gogh vendeu apenas um quadro durante sua vida. Igor Stra- vinski foi literalmente expulso da cidade por aman- tes da música furiosos quando ele apresentou pela primeira vez sua mais famosa composição musical. Na verdade, a maioria dos inovadores desco- briu que seus sucessos normalmente sucederam fracassos.Se alguma das figuras de maior sucesso da história “fracassaram” algumas vezes, então por que o trabalhador comum tem de se sentir tão fracassado quando comete um erro? Se os fun- cionários souberem que podem cometer erros que não sejam impropriamente censurados ou puni- dos, trabalharão com muito mais energia para atingir o sucesso ‐ para lutar por melhorias, esta- belecer metas desafiadoras, alcançá‐las e usar mais suas habilidades criativas ao longo do pro- cesso. Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 8 – 14) SISTEMA DE AVALIAÇÃO Muita gente treme apenas em pensar em ser avaliada. Não é a avaliação que os funcionários abominam, porém a maneira como é executada com frequência. Os mesmos funcionários poderi- am ficar aterrorizados apenas com a ideia de jogar basquete, ping‐pong, voleibol ou futebol sem mar- car pontos. Pontuar é possivelmente o aspecto isolado mais motivador de esportes e jogos e tem a mes- ma importância no trabalho. Sem o placar, não há vencedor. De fato, os indivíduos adoram ser ava- liados, desde que o sistema de medidas seja justo e não ameaçador. O fato de que as “coisas que são medidas são realizadas” é bastante familiar. Quando estatísti- cas sobre a qualidade são mantidas, os funcioná- rios levam a qualidade a sério. Quando a segu- rança está sendo avaliada, os funcionários se comportam de forma mais segura, Quando os custos estão sendo controlados, os funcionários observam mais atentamente suas despesas. O simples fato de manter uma pontuação fornece estímulo forte para um melhor desempenho. 15) MELHORIA As metas podem se tornar sufocantes, quando são demasiadamente grandes. São as melhorias contínuas, e não as grandes inovações, que ofe- recem aos funcionários uma fonte permanente de motivação. A maioria das pessoas se sente muito bem quando consegue uma pequena vitória em algum aspecto de sua vida. E, quando experimen- ta a melhoria, quer mais. Melhoria não quer dizer sucesso da noite para o dia. Envolve uma série de pequenos sucessos em direção a sucessos maiores. A melhoria gra- dativa é a forma mais confiável de alçar qualquer resultado final. Muitas empresas norte‐americanas desperta- ram, recentemente, para a realidade do poder da melhoria contínua. O diretor executivo de uma grande companhia aérea demonstrou sua com- preensão em relação à melhoria contínua quando pediu o seguinte a cada funcionário: “Consiga mais um passageiro”. O acréscimo de um passageiro a cada voo somou milhares de dólares à receita anual dessa empresa. 16) DESAFIO Depois de um tempo, qualquer trabalho pode vir a ser monótono, desde que seja desafiador o bastante. A maioria das pessoas saudáveis busca um desafio em suas vidas. Algumas escalam montanhas; outras mergu- lham, outras praticam voo livre, outras esquiam, outras ainda praticam rafting ou se engajam em esportes competitivos. Os desafios têm a proprie- dade fantástica de fazer aparecer o que melhor existe em cada um de nós. No trabalho, pode ocorrer o mesmo. Quase todo funcionário responderá vigorosamente aos desafios apropriados. Mesmo que, a princípio, haja oposição aos novos desafios, a maioria de fato prospera em situações que os força além de suas “zonas de conforto”. Quando o trabalho é por demais fácil, os fun- cionários se tornam complacentes e tendem a se acomodar aos hábitos. Entretanto, diversas vezes testemunhei que, quando desafiados a alcançar uma meta valorizada, funcionários antes entedia- dos atingem níveis espetaculares de desempe- nho. Um departamento de uma grande fábrica, fa- moso por sua falta de segurança, mobilizou moti- vação suficiente dos funcionários para reduzir o número de acidentes a quase zero em uma ques- tão de meses (e não de anos, como imaginava a gerência). A competição também é uma grande fonte de desafio ‐ especialmente quando é contra outras empresas ou contra um padrão de excelência. Os funcionários querem desafios, mas não querem ser punidos se não conseguirem alcançar uma tarefa ambiciosa. Quando não se sentem amea- çados, eles sempre preferem metas desafiadoras a metas fáceis. 17) VALORIZAÇÃO Em uma pesquisa sobre motivação nas em- presas, trabalhadores de produção e supervisores foram solicitados a classificar uma lista de motiva- dores de um a dez em ordem de importância. Es- ses trabalhadores classificaram “a valorização de um trabalho bem feito” como motivador número um. Em contrapartida, os supervisores classifica- ram esse mesmo motivador em oitavo lugar! Essa diferença de percepção é uma das principais ra- zões pelas quais a maioria dos trabalhadores se sente depreciada no trabalho. Poucos superviso- res e gerentes percebem como a valorização é importante para o funcionário. Afinal, eles pen- sam: “Os funcionários não são pagos para fazer um bom trabalho?” E a valorização é um dos motivadores mais poderosos, mais baratos e mais “portáteis” dispo- níveis. Um “obrigado” sincero pode ser dito em qualquer lugar e a qualquer hora, não custa abso- lutamente nada e pode ser mais poderoso sob o ponto de vista motivacional do que uma bonifica- ção substancial em dinheiro. Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 9 – Quantos funcionários fazem um excelente tra- balho e nunca recebem reconhecimento especial? Frequentemente deixamos de dizer aos fun- cionários o quanto apreciamos seu trabalho até que eles se aposentem. Em seu discurso de despedida, um servente de escola prestes a se aposentar disse: “Às vezes é no último dia de trabalho que você percebe o quanto sua contribuição foi apreciada... e o quanto sentirão sua falta”. Por que, na maioria das vezes, esperamos o último minuto para mostrar aos funcionários o quanto o valorizamos? 18) IMPORTÂNCIA Para obter real empenho de seus funcionários, a empresa deve fazer com que eles acreditem na importância do que estão fazendo. Atualmente, os funcionários querem mais do que o trabalho de rotina. Querem sentir que estão fazendo algo que vale a pena. Querem participar de “missões importantes”. Muitas pessoas que não demonstram entusi- asmo por seu trabalho, dedicam centenas de ho- ras sem receber coisa alguma a causa políticas e filantrópicas nas quais acreditam piamente. Por exemplo, uma representante de vendas de uma grande empresa que tinha dificuldade em cumprir sua cota mensal, era sempre a vendedora número um de rifas para sua igreja. Em algumas organizações, os funcionários que executam tarefas repetitivas consideram seu trabalho insignificante, enquanto outros em orga- nizações praticamente idênticas consideram es- sas tarefas uma “missão”. Conheci muitos funcionários que dedicam tem- po e esforço extraordinários a projetos nos quais realmente acreditam. Esses funcionários são energizados por uma noção estimulante de missão pessoal. Quando as pessoas estão de fato comprometidas, nada as detém. Conheci um diretor executivo que se orgulha- va de sua capacidade de fazer com que os fun- cionários trabalhassem “noventa horas por sema- na... adorando!” Outras organizações precisam aprender a explorar esse desejo profundo de importância que todos os funcionários trazem para o trabalho. RESUMINDO: Dean Spitzer reconhece oito desejos básicos do ser humano. Spitzer propõe dezoito maneiras de motivar os indivíduos dentro do ambiente de tra- balho, baseado nestes oito desejos. São elas: ação, diversão, variedade, input, compartilhamen- to de interesses, escolha, responsabilidade, opor- tunidade de liderança, interação social, trabalho em equipe, utilizando o talento de cada um, a- prendizado, tolerância aos erros, sistema de ava- liação, melhoria, desafio, valorização e importân- cia. EXERCÍCIOS1- Quais são os oito desejos básico do ser huma- no, segundo Dean Spitzer? ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ 2- Explique algumas das maneiras de motivar os indivíduos dentro do seu ambiente de trabalho, conforme abaixo: Diversão no trabalho= ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ Compartilhamento de interesses= ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ Oportunidade de liderança= ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ Aprendizado= ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ Desafio= ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ Técnico em Transações Imobiliárias – Organização Empresarial – módulo I – 10 – TEXTO ADICIONAL O Psicólogo Organizacional e a Globalização Psicóloga Ana Lúcia Pereira O psicólogo organizacional é frequentemente discriminado pelo meio acadêmico e pelos estu- dantes de psicologia, por ser supostamente coni- vente com práticas administrativas que nem sem- pre levam em consideração as necessidades dos trabalhadores. É acusado também de esquecer sua responsabilidade social e colaborar com a exclusão social, com a retirada dos mecanismos de proteção ao trabalhador e com o esmagamento da individualidade do mesmo, tudo isso em prol do atendimento das necessidades de seu emprega- dor. Em função das exigências da globalização, as empresas têm procurado adaptar-se às necessi- dades do mercado internacional e adotado a filo- sofia do “quem não almoçar será jantado”. Para atender tal demanda, cada vez mais, novas práti- cas administrativas têm sido exportadas e implan- tadas nas empresas, não levando, muitas vezes, em consideração o contexto cultural e social do país. E com os empregados, o sistema não é me- nos impiedoso: “adapta-se ao novo sistema ou está fora da empresa”. Afinal de contas, imagine o psicólogo, tão “boa praça”, tão engajado com as questões sociais, concordar com um sistema que, entre outras “atrocidades”, convence o desempre- gado de que se no mercado de trabalho não exis- te lugar para ele, a culpa é única e exclusivamente dele mesmo que não conseguiu contribuir com a empresa sendo um profissional com todos os re- quisitos de um “super homem”: criatividade, res- ponsabilidade, facilidade para resolver problemas e para trabalhar em equipe, disponibilidade para trabalhar “25” horas por dia e, ainda assim, prati- car esportes e ter uma vida social ativa, bom hu- mor constante e nem sinal de estresse. Isso por- que talvez não seja interessante para os detento- res do poder que os desempregados percebam que não são eles, na verdade, os grandes respon- sáveis por sua situação. Que o desemprego en- frentado no Brasil é estrutural, ou seja, conse- quência do avanço tecnológico, que foi pouco a pouco trocando homens por máquinas. Que mes- mo em países onde a grande maioria da popula- ção é considerada suficientemente qualificada, o desemprego é presente, pois a questão é numéri- ca: existem mais pessoas para trabalhar que pos- tos de trabalho disponíveis. Mas será que é cruzando os braços e torcendo o nariz para as organizações e para os colegas que nelas trabalham, que os psicólogos estarão contribuindo para a conscientização dos trabalha- dores sobre seus próprios limites, direitos e ne- cessidades? E mais, não estarão abrindo mão de um valioso espaço de questionamento, que pode- ria amenizar os transtornos da atual situação? Será como observador passivo, em seu con- sultório, que o psicólogo fará com que emprega- dores percebam a importância de considerar as necessidades de seus funcionários ao estabelecer suas metas de crescimento e lucratividade? Será que o profissional de psicologia enquanto observador passivo é menos conivente com o sistema do que aquele que está na empresa di- zendo “amém” às ordens do chefe? Acreditamos que tais perguntas deveriam servir de reflexão a todos os psicólogos que preferem simplesmente fazer críticas não construtivas ao psicólogo organizacional. Quanto a nós, fazemos coro a Codo, quando afirma que: “(...) o psicólogo deveria estar na indústria, refle- tindo conscientemente para tentar subverter suas funções. Franzindo o nariz e se recusando a cum- prir tão “vil papel”, os defensores desse tipo de crítica fazem coro exatamente ao sistema, pois reivindicam pelo avesso a neutralidade da ciência, que denunciam como falsa, e poupam os industri- ais do incômodo de ter entre suas fileiras um pro- fissional preocupado com a defesa dos direitos do trabalhador”. Se é inevitável que a globalização traga consi- go exclusão social e prejuízo aos direitos traba- lhistas, não adianta o psicólogo simplesmente “ser contra” a globalização. Precisa sim, juntamente com empregados e empregador, repensá-la de forma a oferecer ao trabalhador contrapartidas que possam amenizar seus prejuízos. Mas para que isso seja possível, é necessário, antes de tudo, conhecer os conceitos que permeiam tal prática, pois não é possível criticar e sugerir mu- danças a respeito de fatos que não dominamos. É preciso entender a linguagem e as expectativas dos empresários sim, para a partir delas sugerir- mos mudanças que levem em consideração o bem-estar dos trabalhadores. SAIBA MAIS CODO, W. (1994). O papel do psicólogo na orga- nização industrial (notas sobre o “lobo mau” em psicologia.). São Paulo: Brasiliense. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Motivação nas organizações. São Paulo: Atlas, 1997. FADIMAN, James & FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 1986. SPECTOR, Paul. Psicologia nas Organizações. São Paulo: Saraiva, 2002. Material de apoio: http://www.conhecereagir.com.br/psiorganiz.htm http://psicocuriosidades.blogspot.com/2009/10/psi cologia-organizacional-e-rh.html http://www.conhecereagir.com.br/psiorganiz.htm http://psicocuriosidades.blogspot.com/2009/10/psicologia-organizacional-e-rh.html http://psicocuriosidades.blogspot.com/2009/10/psicologia-organizacional-e-rh.html