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DIREITO CIVIL
Contratos em Espécie
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•	 doação inoficiosa (art. 549 do CC): é aquela que excede a parte do pa-
trimônio que poderia ser incluída em testamento. Ou seja, se houver her-
deiros necessários (ascendentes, descendentes ou cônjuge), o doador só 
pode dispor da metade de seus bens. A parte da doação que ultrapassar 
este limite será nula.
Art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no 
momento da liberalidade, poderia dispor em testamento.
•	 doação ao cônjuge adúltero (art. 550 do CC): tal doação poderá ser 
anulada, bastando que se verifique a infidelidade. Tal ação de anulação po-
derá ser proposta em um prazo decadencial de dois anos a contar do fim da 
sociedade conjugal.
Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro 
cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a socie-
dade conjugal.
•	 doação conjuntiva (art. 551 do CC): é a doação realizada para mais 
de uma pessoa.
Art. 551. Salvo declaração em contrário, a doação em comum a mais de uma pessoa 
entende-se distribuída entre elas por igual.
Parágrafo único. Se os donatários, em tal caso, forem marido e mulher, subsistirá na 
totalidade a doação para o cônjuge sobrevivo.
•	 doação à entidade futura (art. 554 do CC): é aquela cujo donatário é uma 
pessoa jurídica que ainda não existe, mas que será constituída. Caso tal cons-
tituição não ocorra em dois anos, ocorrerá a caducidade do ato. Trata-se de 
uma doação sob condição suspensiva.
Art. 554. A doação a entidade futura caducará se, em dois anos, esta não estiver 
constituída regularmente.
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Outro assunto muito cobrado em provas de concurso é a revogação da doação.
Em regra, a doação é irrevogável por vontade unilateral do doador, pois, a partir 
do momento em que ocorre a aceitação do donatário, passa a valer a máxima do 
pacta sunt servanda.
Art. 555. A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecu-
ção do encargo.
De acordo com o art. 555 do CC, a doação pode ser revogada em duas hipóteses:
•	 ingratidão do donatário: o donatário tem o dever de ser grato ao doador e, 
por isso, deve se abster de atos que constituem prova de ingratidão e revelem 
sua insensibilidade ao favor recebido.
•	 inexecução do encargo (art. 562 do CC): quando a doação for onerosa e o 
encargo não for cumprido, pode haver a revogação da doação.
Art. 562. A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo, se o 
donatário incorrer em mora. Não havendo prazo para o cumprimento, o doador poderá 
notificar judicialmente o donatário, assinando-lhe prazo razoável para que cumpra a 
obrigação assumida.
Sobre a revogação por ingratidão do donatário, temos os seguintes artigos 
do Código Civil:
Art. 557. Podem ser revogadas por ingratidão as doações:
I – se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio do-
loso contra ele;
II – se cometeu contra ele ofensa física;
III – se o injuriou gravemente ou o caluniou;
IV – se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este necessitava.
Art. 558. Pode ocorrer também a revogação quando o ofendido, nos casos do artigo an-
terior, for o cônjuge, ascendente, descendente, ainda que adotivo, ou irmão do doador.
Art. 559. A revogação por qualquer desses motivos deverá ser pleiteada dentro de 
um ano, a contar de quando chegue ao conhecimento do doador o fato que a autorizar, 
e de ter sido o donatário o seu autor.
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Art. 560. O direito de revogar a doação não se transmite aos herdeiros do doador, nem 
prejudica os do donatário. Mas aqueles podem prosseguir na ação iniciada pelo doador, 
continuando-a contra os herdeiros do donatário, se este falecer depois de ajuizada a lide.
Art. 561. No caso de homicídio doloso do doador, a ação caberá aos seus herdeiros, 
exceto se aquele houver perdoado.
Art. 563. A revogação por ingratidão não prejudica os direitos adquiridos por terceiros, 
nem obriga o donatário a restituir os frutos percebidos antes da citação válida; mas 
sujeita-o a pagar os posteriores, e, quando não possa restituir em espécie as coisas 
doadas, a indenizá-la pelo meio termo do seu valor.
Para finalizar o tópico das doações, temos o art. 564 do CC, que trata das doa-
ções que são consideradas irrevogáveis.
Art. 564. Não se revogam por ingratidão:
I – as doações puramente remuneratórias;
II – as oneradas com encargo já cumprido;
III – as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural;
IV – as feitas para determinado casamento.
4. Do Empréstimo
O Código Civil trata de duas modalidades de empréstimo: o comodato e o mútuo.
a) comodato: nos termos do art. 579 do CC, trata-se do empréstimo gratuito 
de um bem infungível pelo qual o comodante (dono da coisa) transfere sua 
posse ao comodatário por um determinado período.
Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com 
a tradição do objeto.
O comodato é chamado de um empréstimo de uso, ou seja, o bem é empres-
tado para ser usado e depois devolvido.
Como exemplo, temos a pessoa que empresta a casa de praia gratuitamente 
para um amigo passar as férias do mês de janeiro.
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Tal contrato envolve as seguintes pessoas:
•	 comodante: aquele que empresta;
•	 comodatário: aquele que toma emprestado.
É fundamental a gratuidade, pois, se houver um pagamento como contra-
prestação, teremos uma locação. Destaca-se também a infungibilidade do bem 
emprestado, ou seja, deve ser devolvido exatamente o mesmo bem que foi tomado 
como empréstimo, e não um bem semelhante.
Entretanto, o comodato poderá versar sobre um bem fungível e consumível, se 
houver sido contratado ad pompam vel ostentationem, como o empréstimo de uma 
cesta de frutas tropicais exóticas para ornamentação de um salão de festas.
Quanto à natureza jurídica do contrato de comodato, temos o seguinte:
•	 unilateral: só o comodatário assume obrigação;
•	 gratuito: apenas uma das partes aufere vantagens (comodatário);
•	 real: se perfaz com a tradição do objeto;
•	 típico: está previsto no Código Civil;
•	 não solene: a lei não exige forma especial para a celebração do contrato, 
podendo até ser realizado de forma verbal.
De forma semelhante à doação, o comodato é puro quando traduz um ato de 
simples liberalidade. É modal ou com encargo quando se impõe uma obrigação 
especial ao comodatário. Porém, ressalta-se que, segundo entendimento doutriná-
rio, a existência de encargo não retira a gratuidade, nem o animus comodandi da 
relação negocial.
Os artigos 580 a 585 do CC também tratam do assunto

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