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1 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
Lesões Precursoras e Neoplasias da Pele 
A PELE 
• Pele: 
o Constitui a primeira barreira protetora do indivíduo 
o Componente do sistema imune (ceratinócitos produzem citocina e Langerhans apresentam antígeno) 
o Sofre afecções próprias, mas também é sede de manifestação de outras doenças 
• Biópsia da pele: 
o Fácil de fazer e de relacionar com a lesão clínica macroscópica 
o É necessário estudar bem a lesão macroscópica in vivo e a história clínica antes da análise da biópsia 
▪ As manifestação clinicomacroscópicas são mais características e distintivas que as microscópicas 
▪ As neoplasias são praticamente as únicas dermatoses com quadro histológico diagnóstico 
▪ A histologia é normalmente utilizada de apoio para visualização de alterações estruturais mínimas 
o Deve-se selecionar amostras representativas quanto à configuração, à fase evolutiva e à localização da lesão 
o Se o quadro é polimórfico deve-se obter mais de uma amostra 
o Deve-se remover um fragmento da borda da lesão para observar os limites das alterações patológicas 
o Deve ter em média 10 a 15 mm de diâmetro 
o Deve atingir a hipoderme 
o O melhor anestésico local é a xilocaína a 2% 
o Deve-se distender o espécime em papel-filtro ou papelão antes de colocar no fixador 
NEOPLASIAS DA PELE 
• Originam-se na epiderme, na derme ou nos anexos cutâneos 
• Pode ser difícil de diferenciar as neoplasias verdadeiras de hiperplasias reativas ou regenerativas 
• Irradiações, traumatismos repetidos e substâncias carcinogênicas podem causar lesões pré-cancerosas 
• São divididas em neoplasias da epiderme, da derme, dos anexos, nevos pigmentados e melanomas 
TUMORES BENIGNOS DA EPIDERME 
• Papiloma: 
o Termo geral usado para indicar tumores benignos e hiperplasias tumoriformes caracterizados pela projeção 
de papilas dérmicas que elevam a epiderme 
o A epiderme aparece ondulada ou papilomatosa, com hiperceratose (aumento da espessura da camada 
córnea) e acantose (aumento da espessura da camada espinhosa) 
o Termo impróprio por ser muito genérico já que a papilomatose (projeção de papilas dérmicas acima do nível 
da superfície cutânea) ocorre em várias entidades 
BOGLIOLO 
 
 
2 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
• Ceratose seborreica: 
o Frequente em adultos e idosos 
o Exceto em palmas e plantas, é encontrada em 
qualquer parte do corpo, principalmente dorso, 
tronco e face 
o Lesão pequena, circunscrita, elevada, pardo-escura, 
com superfície rugosa e coberta de escamas 
gordurosas 
o Lesão de natureza neoplásica 
▪ Proliferação de células basaloides na epiderme 
▪ Grau variável de diferenciação escamosa 
▪ Pseudocistos córneos 
▪ Lesão bem delimitada acima do plano da epiderme 
▪ Figuras de mitose dispersas no epitélio 
o Possui vários tipos histológicos (hiperceratótico/papilomatoso, acantótico e adenoide) 
o Pode possuir muitas pérolas córneas e denso infiltrado de mononucleares (ceratose seborreica irritada) 
▪ Apresenta-se como lesão papulonodular na face de homens mais idosos (especialmente nas pálpebras) 
o Pode ser confundida com melanoma (se a lesão é hiperpigmentada ou traumatizada) 
o O aparecimento repentino de várias dessa lesão (Sinal de Leser-Trélat) está associado a neoplasias malignas 
(principalmente do estômago) 
• Nevo epidérmico: 
o Neoformação verruciforme e pardacenta com distribuição linear, formando às vezes excrescências córneas 
o São pápulas verrucosas amarelo-acastanhadas de margens irregulares principalmente em tronco e membros 
o Podem estar presentes ao nascimento ou surgir na adolescência 
o Pode estar associada com várias doenças ou síndromes (Ex.: Síndrome CHILD) 
o Há hiperceratose, papilomatose, acantose e alongamento dos cones epiteliais (simula acantose nigricante ou 
ceratose seborreica) 
• Corno cutâneo: 
o Expressão clínica empregada para descrever uma grande massa de ceratina que faz protuberância na pele 
o Podem existir várias lesões ou doenças na base do corno (Ex.: ceratose seborreica, carcinomas etc.) 
LESÕES PRÉ-CANCEROSAS 
• Ceratose actínica: 
o Placas cobertas de escamas secas, aderentes e pardacentas, medindo até 1 cm 
o Surge em pessoas idosas, sobretudo em áreas de exposição à luz solar (face, pescoço, dorso das mãos etc.) 
o É mais comum em pessoas de pele clara 
o Pode afetar mucosa dos lábios e conjuntiva 
Figura 32.40 Ceratose seborreica acantótica. Hiperceratose, 
papilomatose, acantose e pseudocistos córneos. 
 
3 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
o Imunossuprimidos têm maior risco de desenvolver 
o Parece haver predisposição genética 
o É um marcador de risco para carcinoma escamoso, 
basocelular e melanoma (em 10% surge CCE) 
o O tipo histológico mais comum é o hiperceratótico 
▪ Faixas alternadas de hiperceratose e paraceratose 
(núcleos picnóticos retidos na camada córnea) 
recobrindo epitélio displásico e de tampões 
hiperceratótico nos óstios de ductos sudoríparos 
▪ Grau variável de displasia da epiderme envolvendo 
áreas interanexiais 
▪ Lesões com maior risco de transformação (no 
dorso das mãos, nos punhos e nos antebraços) 
o As lesões podem: 
▪ Limitar-se à camada basal 
▪ Ter brotamentos de epitélio atípico na derme 
papilar e, mais raro, células atípicas em torno dos 
anexos 
▪ Mostrar espessamento dos cones epiteliais com 
atipias acentuadas (ceratose solar bowenoide) 
▪ Apresentar infiltrado de mononucleares, 
degeneração de liquefação da camada basal e 
apoptose (ceratose solar liquenoide) 
▪ Apresentar aumento de melanina em 
ceratinócitos, melanócitos e macrófagos (formas 
pigmentadas) 
• Ceratose arsenical: 
o Devida à ingestão prolongada de arsênico inorgânico ou à aplicação tópica repetida de compostos arsenicais 
o Lesões córneas múltiplas nas extremidades, especialmente palmas e plantas 
o Pigmentação generalizada em confete, especialmente no tronco 
o Variam de hiperceratose e acantose a displasias e carcinoma in situ 
o 8% evoluem para carcinoma 
• Leucoplasia: 
o Termo clínico que caracteriza placas esbranquiçadas, bem circunscritas e pouco elevadas 
o Ocorre na mucosa bucal, na língua ou nos lábios da vulva 
o Causa desconhecida 
o Não é considerado leucoplasia se há irritação por fumo, traumatismo de dentes mal ajustados ou líquen plano 
o Quadro histológico semelhante ao da ceratose senil 
Figura 32.41 Ceratose actínica (solar). A. Pápulas 
ceratóticas em áreas expostas dos membros superiores em 
paciente com transplante de rim. B. Hiperceratose e atrofia 
da epiderme, que mostra perda da estratificação e atipias 
na camada basal, mas sem invadir a derme 
superior. C. Pleomorfismo e policromatismo nuclear das 
células escamosas. 
 
4 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
▪ Hiperceratose, acantose e paraceratose (mais acentuada) 
▪ Graus variados de atipias celulares 
• Doença de Bowen: 
o Neoplasia intraepitelial de células escamosas da pele, sem 
invasão (carcinoma in situ) 
o Mais comum em idosos e pessoas de pele clara 
o As lesões aparecem principalmente na cabeça, no tronco, nas 
extremidades e na região genital 
o Placa vermelho-fosca, de contorno irregular e coberta de 
escamas ou crostas, com discreta infiltração 
o Etiologia provavelmente multifatorial, incluindo radiação UV e 
agentes químicos (Ex.: arsênico) 
o Células disceratóticas isoladas na epiderme, com núcleo grande 
e hipercromático, às vezes vacuolizadas 
▪ Disceratose é a ceratinização precoce das células 
epidérmicas, que mostram citoplasma eosinofílico e núcleo 
picnóticos e escuro 
o Figuras de mitose em vários níveis da epiderme 
o Ocorrem alterações histológicas semelhantes em mucosas 
(eritroplasia de Queyrat) 
• Ceratose por PUVA: 
o Ocorre após exposição prolongada a PUVA (psoraleno + UVA) 
▪ Fototerapia usada no tratamentode psoríase 
▪ Também aumenta o risco de câncer de pele, especialmente carcinoma escamoso 
o Lesões ceratóticas múltiplas em áreas não expostas ao sol, como tronco e coxas 
o Verrugas hiperceratóticas ou pápulas descamativas de até 1 cm 
o Histologicamente, há hiperceratose com paraceratose focal, papilomatose e acantose 
o Lesões bem circunscritas com atipias nucleares discretas em 50% dos casos 
TUMORES MALIGNOS DA EPIDERME 
• Ceratoacantoma: 
o Pode ser considerado neoplasia benigna, neoplasia pseudomaligna ou variante do carcinoma escamoso 
o Mais comum em mulheres e em maior idade (6ª e 7ª década) 
o Ocorre um crescimento rápido (1 a 3 meses) seguido de regressão espontânea (3 a 6 meses) 
o Localizado principalmente nas regiões expostas (face, pescoço, dorso das mãos etc.) 
o Nódulo pequeno com cratera central contendo material córneo coberto por escamas ou crosta 
o Pode atingir mais de 3 cm (ceratoacantoma gigante) 
Figura 32.42 Doença de Bowen. Hiperceratose e 
acantose com alongamento dos cones epiteliais; 
perda da estratificação epidérmica com atipias 
celulares e células disceratóticas isoladas. 
 
5 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
o Aspectos histológicos: 
▪ A depressão central é repleta de ceratina e células paraceratóticas 
▪ Óstio mais estreito que a base (bordas da lesão tendem a envolvê-la) 
▪ Proliferação de células escamosas bem diferenciadas, com atipias discretas 
▪ Ceratinócitos com citoplasma vítreo, brilhante e eosinofílico 
▪ Infiltrado inflamatório de mononucleares na derme 
o Lesões mais antigas apresentam hipercromasia nuclear, mitoses e ceratinização isolada (sugerindo carcinoma 
espinocelular bem diferenciado) 
o Forma-se uma cicatriz deprimida quando a lesão é eliminada 
 
Figura 32.43 Ceratoacantoma. A. Nódulo com tampão córneo central. B. Proliferação epitelial com disceratose. As bordas da lesão englobam 
tampão córneo central. 
• Carcinoma de células escamosas (CCE) / Carcinoma espinocelular / Carcinoma epidermoide: 
o Tumor maligno invasivo constituído pela proliferação de células espinhosas 
o 15% das neoplasias epiteliais malignas da pele 
o Pode surgir em qualquer lugar da pele, principalmente áreas expostas (pescoço, face, braços, dorso das mãos) 
o Causas: 
▪ Radiações (UVB, PUVA, raios X) 
❖ Radiação UV causa mutações no DNA (formação de dímeros de timina) e reduz a resposta imunitária 
▪ HPV (anogenital, periungueal, carcinoma verrucoso, epidermodisplasia verruciforme) 
▪ Carcinógenos químicos (arsênico, hidrocarbonetos) 
▪ Infecções crônicas (lúpus vulgar, MH, sífilis etc.) 
▪ Doenças congênitas (albinismo e xeroderma pigmentoso) 
o Pode se desenvolver em pele normal, mas normalmente origina de uma lesão pré-cancerosa, úlceras crônicas 
e cicatrizes de queimadura 
o Pode ser complicação de outras lesões cutâneas (Ex.: Líquen plano, prurigo nodular etc.) 
o É uma lesão nodular com quantidade variada de ceratina e pode sofrer ulceração 
o Histologicamente há massas irregulares de células epidérmicas que crescem em superfície e infiltram a derme 
o Em geral tem evolução rápida e dá metástases linfáticas e viscerais precoces 
 
6 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
▪ Metástases preferencialmente em linfonodos 
regionais, fígado, pulmões e cérebro 
▪ Lesões em lábios ou ouvidos têm maior índice 
de recorrência e metástase 
o Classificação de Broders: 
▪ Relacionada à porcentagem bem diferenciada 
da lesão 
❖ Grau I: 75% ou mais 
❖ Grau II: 50% ou mais 
❖ Grau III: 25 a 50% 
❖ Grau IV: Menos de 25% 
▪ A diferenciação é em direção a ceratinização (bem diferenciados formam pérolas córneas) 
▪ Quanto menos diferenciado (Grau IV) pior é o prognóstico 
o Outros fatores de pior prognóstico: 
▪ Tumor > 2 cm de diâmetro ou > 0,4 cm de espessura 
▪ Neurotropismo 
▪ Imunossupressão 
▪ Lesões recorrentes 
▪ Surgimento em queimaduras, após radiação ou como complicação de úlceras 
• Carcinoma basocelular (CB): 
o Neoplasia maligna cutânea mais prevalente (75%) 
o É um tumor com malignidade apenas local (pode ser curado por cirurgia) 
o Acomete preferencialmente idosos acima da 6ª década, pessoas de pele clara e homens 
o Pode ocorrer em qualquer área, principalmente nas áreas expostas ao sol (principalmente face) 
o Está associado a defeitos na via de sinalização Hedgehog e mutação no TP53 
▪ Normal: Gene PTCH → Codifica um receptor da via Hedgehog que forma o complexo SMO → SMO se 
liga ao seu agonista (SHH) → SMO é liberada do complexo e ativa o fator de transcrição GLI 1 → Estimula 
a proliferação celular controlada (normal) 
▪ Alterado: Mutação no gene PTCH (mecanismo desconhecido) → SMO desliga-se do complexo → 
Ativação continuada de GLI 1 → Proliferação anormal das células 
o Aspectos clínicos/macroscópicos: 
▪ Subtipo nodular/ulcerativo (45 a 60%) 
❖ Forma nódulo de bordas cilíndricas e com ulceração central (ulcus rodens) 
❖ Mais frequente na face e no pescoço 
▪ Difuso ou infiltrativo (4 a 17%) 
❖ Placa branco-amarelada, esclerótica, com telangiectasia na superfície e depressão central 
Figura 32.44 Carcinoma de células escamosas bem 
diferenciado, com pérolas córneas 
 
7 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
❖ Mais frequente na face e no pescoço 
▪ Superficial/multifocal (15 a 35%) 
❖ Placas eritematoescamosas infiltrados de contornos irregulares 
❖ Mais frequente no tronco 
▪ Pigmentado (1 a 7%) 
❖ Simula lesões melanocíticas 
▪ Fibroepitelioma de Pinkus 
❖ Aparece no tronco e nas coxas e simula pólipo fibroepitelial 
 
Figura 32.45 Carcinoma basocelular. Aspectos clínicos. Tipos: superficial (A), nodular (B), nodulopigmentado (C), noduloulcerado (D) e 
esclerodermiforme (E). (continua) 
o Aspectos histológicos: 
▪ Proliferação de células basaloides 
▪ Massas de tamanhos variados, com paliçada periférica e halo claro entre a lesão e a derme 
▪ Padrão de crescimento nodular (lesão única) ou multicêntrico (várias pequenas lesões) 
▪ Pode apresentar variantes histológicas (adenoide, ceratótico, fibrosante e de células gigantes) 
 
8 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
o Pode ser formado por focos de células de diferenciação escamosa (carcinoma metatípico/basespinocelular) 
▪ Padrão de crescimento infiltrativo → Pior prognóstico 
 
Figura 32.46 Carcinoma basocelular. A. Massas de células basaloides envolvidas por espaços claros. B. Massas de células basaloides em 
conexão com a epiderme e o folículo piloso. 
o Pode ser misto ou combinado (lado a lado com áreas de carcinoma espinocelular) 
o Pode estar associado à síndrome do carcinoma basocelular nevoide (síndrome de Gorlin) 
▪ Herança autossômica dominante → Nascem com 
perda de um alelo no PTCH 
▪ Durante a vida perdem o outro alelo de PTCH por 
ação de agentes mutagênicos variados (Ex.: UV) 
▪ Carcinomas basocelulares múltiplos na 
adolescência associados a outros acometimentos 
❖ Ceratocistos odontogênicos da mandíbula 
❖ Anormalidades esqueléticas 
❖ Calcificação ectópica 
❖ Pits nas palmas e plantas 
• Doença de Paget: 
o Carcinoma subjacente que invade a 
epiderme 
▪ Pode originar da invasão de 
neoplasia maligna in situ 
originada em ducto sudoríparo intraepidérmico 
▪ Pode originar também por disseminação de 
carcinoma de glândula sudorípara 
o Formas mamária (células do carcinoma da mama 
invadem a epiderme do mamilo e aréola) e 
extramamária 
▪ Pode localizar-se em regiões ricas em glândulas 
apócrinas (Ex.: áreas genital e axilar) 
Figura 32.47 Carcinoma misto ou combinado. Associação de 
carcinoma basocelular sólido e carcinoma escamoso 
moderadamente diferenciado. 
Figura 32.48 Doença de Paget. A. Placa eritematosa com 
secreção e crostas serosas na aréola e no 
mamilo. B. Epiderme permeada por células grandes e 
pálidas, com distribuição pagetoide. 
 
9 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICASRAUL BICALHO – MEDUFES 103 
o A lesão cutânea é uma área eritematoescamosas escura, bem delimitada, às vezes eczematoide e crostosa 
o Histologicamente, a epiderme fica permeada por células de Paget (grandes e pálidas, isoladas ou agrupadas) 
TUMORES DE FOLÍCULOS PILOSOS 
• Nevos melanocíticos: 
o Tumor formado por células névicas (células pigmentadas ou capazes de formar pigmento) 
o Originam-se de melanócitos (células derivadas da crista neural capazes de sintetizar melanina) 
o Anormalidades nos genes RAS e BRAF → Transtornos na regulação da multiplicação celular → Proliferação 
anormal de melanócitos 
o Surgem tipicamente na infância ou adolescência (pessoas brancas terão 15 a 40 nevos durante a vida) 
o São pequenas lesões planas ou elevadas, de consistência mole, cor da pele ou pardacentas, claras ou escuras 
o Nevo intradérmico: 
▪ Forma lesões elevadas (pequenos nódulos), com grau variado de pigmentação 
▪ As células névicas formam ninhos, massas ou cordões irregulares rodeados de colágeno na derme 
▪ Células monomórficas (mas podem ser encontradas células multinucleadas) 
▪ Na derme inferior as células névicas podem ser fusiformes e dispostas em colunas 
▪ A epiderme suprajacente pode ser atrófica por compressão ou hiperceratótica e acantótica (nevo 
melanocíticos verrucoso) 
▪ Às vezes encontram-se grandes folículos pilosos (nevo melanocíticos piloso) 
o Nevo de junção / Nevo juncional: 
▪ Células proliferadas formam ninhos na junção dermoepidérmica 
▪ 1ª etapa na formação de nevos (componente de junção indica atividade do nevo) 
▪ Em geral é achatado ou pouco elevado, liso e desprovido de pelo 
▪ Indistinguível clinicamente do nevo intradérmico ou do nevo composto 
❖ Lesões + elevadas, – pigmentadas, superfície lisa ou verrucosa e pelos → Sinaliza nevo intradérmico 
❖ Lesões – elevadas (achatado/plano), + pigmentadas, lisas e sem pelos → Sinaliza nevo juncional 
▪ Nevos na região palmoplantar e na genitália normalmente são do tipo juncional 
▪ Mais comum em crianças 
▪ Células névicas formam ninhos que parecem estar desprendendo da epiderme 
▪ Células ovoides, com contornos nítidos, citoplasma homogêneo 
❖ Núcleo grande, pálido e arredondado ou ovoide 
❖ Podem conter ou não melanina (mas são DOPA-positivas) 
 
10 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
❖ Podem ser fusiformes iguais células de Schwann 
▪ Pode ser confundido com melanoma maligno precoce (epiderme permeada por células névicas atípicas 
desorganizando-a associado à denso infiltrado inflamatório de melanóforos na derme) 
o Nevo composto: 
▪ Possui elementos de nervo juncional e de nevo intradérmico (ninhos na epiderme, derme e transição) 
▪ Em sua maturação (e migração) as células névicas sofrem modificações (sinal de benignidade) 
❖ Na derme superior: Células cuboides, com citoplasma abundante e grânulos de melanina 
❖ Na derme média: Células menores com menos melanina 
❖ Na derme inferior: Células com núcleos fusiformes e raramente contendo melanina 
o Nevo de Spitz: 
▪ Nevo composto com características histológicas de melanoma 
▪ Surge em crianças até a puberdade 
▪ Células névicas fusiformes ou epitelioides na junção dermoepidérmica e na derme superior 
▪ Estroma edematoso e ectasia de linfáticos e capilares 
o Nevo azul: 
▪ Pequeno nódulo mole, redondo ou oval, azul-ardósia ou preto-azulado 
▪ Melanócitos e Melanófagos misturados na derme média e profunda 
▪ Melanócitos dispostos em massas irregulares, longos e fusiformes, pigmento mais delicado (DOPA+) 
▪ Melanófagos são macrófagos com melanina fagocitada, pigmentos mais grosseiros (DOPA-) 
o Nevo melanocítico congênito: 
▪ Relativamente comum 
▪ Lesões múltiplas presentes ao nascimento 
▪ Pode ser juncional ou intradérmico, mas a 
maioria é composto 
▪ Pode ser pequeno, médio ou grande (este 
maior de 20 cm e com risco de associação 
com melanoma) 
❖ Lesões pequenas normalmente têm 
distribuição dérmica superficial, 
perivascular e perianexial 
❖ Lesões maiores normalmente têm infiltração difusa, estendendo-se ao subcutâneo 
Figura 32.60 Nevos melanocíticos congênitos. A. Nevo melanocítico 
congênito médio. B. Nevo melanocítico congênito grande 
 
11 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
▪ Figuras de mitose (+ comuns no grande) levantam a suspeita de melanoma 
▪ Forma desenhos na pele que simulam calção de banho, forro, cachecol, colete e vários outros 
▪ Pode envolver a leptomeninge, cursando sem sintomas ou com hidrocefalia 
o Nevo de Clark / Nevo displásico: 
▪ Associa-se a maior risco de melanoma 
▪ Pode ser esporádico (lesão isolada e baixo risco de melanoma) 
▪ Pode ser familial (Síndrome do nevo displásico) 
❖ Herança autossômica dominante 
❖ Lesões múltiplas (até centenas de nevos), mais comuns no tronco 
❖ Casos de melanoma na família 
❖ Aspecto macroscópico segue a regra ABCDE (A – Assimetria / B – Bordas irregulares / C – Cores 
diferentes / D – Diâmetro maior que 6 mm / E – Evolução com mudança de tamanhos e contorno) 
▪ Trata-se de nevo composto com atipias celulares evidentes (núcleos irregulares e hipercromáticos) 
▪ Cones epiteliais alongados, às vezes fundindo suas bases 
▪ Infiltrado de mononucleares, melanófagos e fibrose linear na derme 
 
Figura 32.58 Nevos melanocíticos. Aspectos clínicos. A. Nevo melanocítico juncional. B. Nevo azul. C. Nevo de Spitz. D. Nevo de Clark. E. Nevo 
de Sutton ou nevo halo. F. Nevo melanocítico intradérmico. G. Nevo melanocítico composto. H. Nevo melanocítico pigmentado e piloso. 
 
12 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
 
Figura 32.59 Nevos melanocíticos. Aspectos histológicos. A. Nevo melanocítico intradérmico. B. Nevo melanocítico juncional. C. Nevo 
melanocítico com-posto. D. Nevo de Spitz. E. Nevo azul. 
• Lentigo: 
o Lentigo juvenil: 
▪ Caráter benigno 
▪ Pequenas máculas lisas e pardo-escuras 
▪ Surge em crianças em qualquer região da pele 
o Lentigo maligno / Lentigo solar: 
▪ Lesão mácula pardacenta e plana de bordas irregulares 
▪ Há variações de intensidade da pigmentação (aspecto mosqueado) 
▪ Surge em idosos, principalmente na face (região malar, nariz e fronte), dorso das mãos ou antebraço 
▪ Proliferação de melanócitos na camada basal da epiderme (pode simular nevo juncional) 
 
13 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
▪ Pode evoluir para melanoma 
• Melanoma: 
o Ocorre principalmente na pele, mas pode ser em outros locais (globo ocular / úvea, TGI etc.) 
o Tumor maligno cutâneo mais letal 
o Lesões diagnosticadas precocemente podem ser curadas 
o Mais comum em adultos 
o Ocorre ocasionalmente em crianças, principalmente na presença de fatores de risco 
▪ Xeroderma pigmentoso 
▪ Nevo congênito gigante 
▪ Melanoma familial 
▪ Imunossupressão 
▪ Transmissão transplacentária também tem sido relatada 
o O melanoma da pele pode surgir de diferentes formas 
▪ Sem qualquer lesão prévia (melanoma de novo), que é o mais comum 
▪ Associado a um nevo melanócito preexistente (congênito ou adquirido) 
▪ Associado a um nevo de Clark (síndrome do nevo displásico familial) 
▪ Associado a um nevo azul (muito raramente) 
o Etiopatogênese multifatorial (fatores genéticos e raciais) 
o Majoritariamente esporádico (10% são hereditários) 
o A exposição excessiva à luz ultravioleta (UVA e UVB) é o elemento mais importante na maioria dos casos 
▪ A radiação induz a formação de radicais livres e forma dímeros de timina 
▪ Melanina tem efeito protetor contra a radiação solar (menor incidência de melanoma em negros) 
▪ Indivíduos com defeitos de reparo no DNA (Ex.: Xeroderma pigmentoso) têm maior risco de desenvolver 
o Algumas anormalidades genômicas estão associadas com o melanoma 
▪ Alterações no controle do ciclo celular (mutação no gene CDKN2A → Proliferação celular descontrolada) 
▪ Ativação da proliferação celular (mutação nos genes BRAF,RAS e PTEN → Ativa vias RAS e PI3K) 
▪ Atividade da telomerase (mutação no gene da telomerase → telomerase permanece ativa) 
o Tem pior prognóstico se localizado nas regiões superior das costas, posterior do braço, do pescoço ou do 
couro cabeludo (áreas “BANS” do inglês) 
 
14 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
o É mais comum e tem maior mortalidade em homens 
▪ Nas mulheres são menos infiltrativos ao primeiro e exame e predominam nas pernas 
▪ Nos homens predominam no dorso, na cabeça e no pescoço 
o Os achados clínicos mais importantes seguem a regra ABCDE igual ao nevo displásico (Assimetria, Bordas 
irregulares, Cores variadas, Diâmetro maior que 6 mm e Evolução com mudança de tamanho e contorno) 
o Lesão plana (fase de crescimento radial / in situ) → Aparecimento de nódulo (fase de crescimento vertical) 
o Irritação e sangramento significam crescimento rápido do tumor (pior prognóstico) 
o O melanoma é dividido em 4 tipos diferentes na origem, na evolução e no prognóstico 
 
Figura 32.61 Melanoma maligno. Aspectos clínicos. A. Lentigo maligno in situ. B. Melanoma maligno extensivo superficial in situ. C. Melanoma 
maligno nodular. D. Melanoma maligno acral ulcerado. 
o Melanoma do lentigo maligno: 
▪ Transformação em melanoma ocorre 10 a 15 anos após aparecimento do lentigo 
❖ Indicada pelo aparecimento de pequenas tumorações preto-azuladas 
▪ Na maioria dos casos (80-90%) há uma sobrevida de 5 anos 
o Melanoma extensivo superficial ou pagetoide: 
 
15 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
▪ Forma mais comum de melanoma 
▪ Situa-se geralmente em áreas não expostas (principalmente pernas em mulheres e dorso em homens) 
▪ Pode surgir em áreas não cutâneas, como mucosas (onde são mais agressivos) 
▪ Apresenta variações na tonalidade da cor escura e na saliência sobre a pele 
▪ Raramente mede mais de 2,5 cm 
▪ Pode ser hipopigmentada ou amelanótica 
▪ Origina-se por transformação maligna de melanoma pagetoide in situ 
❖ Aumento da enduração 
❖ Aparecimento de ulceração e hemorragia 
▪ O índice de sobrevida de 5 anos é de 70% 
o Melanoma nodular: 
▪ 10 a 15% dos melanomas 
▪ Tumoração elevada, nodular, intensamente pigmentada, que cresce com rapidez e ulcera 
▪ Pode ser amelanótico (raramente) 
▪ Mais frequente em tronco, cabeça e pescoço (pode atingir também retina e mucosas justacutâneas) 
▪ Ocorre em média aos 40 anos 
▪ A lesão quase sempre é única, mede de 1 a 2 cm e tem cor escura a acinzentada 
▪ Não tem crescimento radial/horizontal detectável (sempre cresce verticalmente/profundamente) 
▪ Surge principalmente em pele normal (sem lesão pré-cancerosa) 
▪ Metástases linfáticas (inicialmente) e sanguíneas (principalmente fígados, pulmões e pele) 
▪ Ulceração é sinal de pior prognóstico 
▪ Sobrevida de 5 anos em 50 a 60% dos pacientes (quando tratados antes de metástases) 
o Melanoma acral lentiginoso: 
▪ 2 a 8% dos melanomas em pele branca 
▪ É o tipo mais comum em afrodescendentes 
▪ Surge em palmas e plantas, áreas ungueais e periungueais 
▪ Principalmente na região plantar cresce rapidamente e ulcera (pior prognóstico) 
▪ Metástases precoces 
▪ Sobrevida de 5 anos em apenas 10 a 15% dos casos 
 
16 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
 
Figura 32.62 Melanoma maligno. Aspectos histológicos. A. Melanoma lentiginoso in situ. B. Melanoma extensivo superficial in situ. C. Melanoma 
nodular ulcerado. 
o Comportamento / Evolução dos melanomas: 
▪ Todos os 4 tipos têm as alterações inicialmente na junção dermoepidérmica (aparecimento de células 
névicas atípicas na camada basal que invadem a derme) 
▪ As células malignas de um lado permeiam a epiderme até a camada córnea provocando ulceração e de 
outro infiltram-se na derme 
▪ Nos tipos pagetoide e nodular predominam células epitelioides e no lentigo maligno células fusiformes 
▪ A profundidade da lesão pode ser em diferentes níveis de Clark (associado ao prognóstico) 
❖ Nível I: Limitado à epiderme → Sobrevida em 100% dos casos 
❖ Nível II: Invasão da derme papilar → Sobrevida em 72 a 92% dos casos 
❖ Nível III: Invasão até os vasos subpapilares → Sobrevida em 46 a 65% dos casos 
❖ Nível IV: Invasão da derme reticular → Sobrevida em 31 a 54% dos casos 
❖ Nível V: Invasão da hipoderme → Sobrevida de 12 a 48% 
▪ A espessura dos tumores é o marcador isolado de prognóstico mais importante (Índice de Breslow) 
❖ Tumores menores que 0,76 mm: Não dão metástases 
 
17 ANATOMIA E FISIOLOGIA PATOLÓGICAS RAUL BICALHO – MEDUFES 103 
❖ Tumores entre 0,76 e 1,5 mm: Comportamento imprevisível 
❖ Tumores maiores que 1,5 mm: Metástases frequentes 
▪ Há alguns outros fatores de pior prognóstico 
❖ Invasão linfática e ulceração (aumenta o risco de metástases) 
❖ Presença de melanófagos, cicatrização horizontal, ilhotas de células tumorais e telangiectasia 
(principalmente em lesões superficiais) 
❖ Índice mitótico elevado 
❖ Infiltração peri e intraneural (aumenta o risco de recorrência) 
❖ Lesão-satélite (nódulo separado e distinto da lesão principal com pelo menos 0,05 mm) → Aumenta 
o risco de recorrência local, metástases em linfonodos regionais e redução da sobrevida 
▪ Infiltração linfocítica geralmente é ausente nas lesões invasivas (bom fator prognóstico)

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