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Universidade Estadual de Londrina CENTRO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE CURSO DE BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO SAQUE NO VOLEIBOL: UMA REVISÃO SOBRE OS ASPECTOS TÉCNICOS E TÁTICOS Daiane Cristina Veiga da Silva LONDRINA – PARANÁ 2011 i DEDICATÓRIA À Deus, pela paciência e determinação, Aos meus pais e irmão, que são meus alicerceares, Aos meus amigos essenciais que estiveram presentes nessa jornada, E, a Raquel Favreto que fez com muito amor e carinho as ilustrações. ii AGRADECIMENTOS À Deus por ser paciente e por me mostrar sempre o caminho certo. Por me acolher nos piores momentos. Por nunca me abandonar mesmo eu não merecendo. E as oportunidades por Ele dadas. Á minha mãe, minha grande guerreira e espelho, sempre me motivando, me mostrando sempre sua fé em mim, por me ajudar seja financeiramente, quanto emocionalmente, por nunca me permitir desistir principalmente nos primeiros anos, sempre estando de braços abertos quando voltava pra casa, com aquelas milhões de comidas deliciosas e pacientemente ouvindo todas as histórias do semestre. Sou grata à você! Ao meu pai, acho que nunca falaria isso, mas obrigada por todos os puxões de orelhas, pelas brigas e implicâncias, com certeza todas eram para meu bem, sou feliz por ter feito isso por mim. Obrigada por tudo, pai... Ao meu irmão, quando sai de casa você era um magrelo, moleque, hoje um homem de responsabilidade, sempre me tratando com carinho e amor, me ajudando nos apuros da vida. Sendo parceiro e companheiro mesmo de longe. Quantas saudades eu senti de você nesses anos, até das brigas. Amo você, obrigada. À minha família em geral por me apoiar e se orgulhar de mim. Obrigada! Ao meu professor orientador, por ter me ajudado e me acolhido enquanto eu estava perdida, sem tema, sem saber o que escrever e como escrever. Aos encontros produtivos e as experiências de vida trocadas. O meu muitíssimo obrigada, Prof. Marquinho por sua capacidade e paciência comigo. A minha amiga Raquel Favreto. Nem sei se você não tivesse me ajudado isso daqui seria possível. Foram altas brigas, puxões de orelhas, noites sem dormi, tudo isso só pra apoiar. Nem acredito que eu consegui. Você foi essencial nesse final de jornada. Obrigada pelas maravilhosas ilustrações, teve que estudar junto comigo para fazê- las. Obrigada minha linda, por tudo, sem sua parceria isso não seria viável. Aos amigos de cursos, sejam calouros ou veteranos, pelas risadas, experiências vividas. Sentirei enormes saudades, das vendas da AAAEF, das rifas, das arrecadações de dinheiro e principalmente das festas e armadas de todos os anos. Aos professores e funcionários, pois juntos trilhamos uma etapa importante de minha vida. iii Aos meus amigos Rodrigo Gonçalves e Marcelo Costa por um objetivo alcançado. Fundadores de uma Atlética. AAAEF campeã em tudo. Obrigada por tudo, seja desde as organizações de jogos, vendas de materiais, experiência, correria, por tudo. Vocês foram uma grande parcela de alegria dessa caminhada. E, a todos os outros que ajudaram construir esse sonho. Aos meus amigos de Americana, alguns especiais, Thaisi por tá sempre presente, mesmo que distante, por ser minha amiga de todas as horas, por ter me ajudado em quase tudo, Amo você, minha eterna Ruiva! À Nathy por ser sempre minha amiga, seja pra elogiar, criticar, pra festar ou qualquer outra coisa, menina sem você, eu não estaria aqui, lembra que foi você que me emprestou dinheiro para fazer o vestiba da UEL? Obrigada!!!! À Priscila, por sempre me perdoar das besteiras e Paula pela amizade... Obrigada por tudo. Aos meus amigos virtuais mais do que reais. Mel, obrigada pela ajuda, por ser essa pessoa maravilhosa, sempre me ajudando em tudo e mostrando sempre o certo, nunca me abandonando nas horas que mais precisei. Ao Ramon meu querido amigo por toda sua parceria. A Kau, por sua irmandade, carinho, conselhos. Oh Maninha TE AMO. À Taisa por sua compreensão, puxões de orelhas, amizade, cumplicidade e tudo mais. Agradeço a todos que fizeram parte dessa etapa, a Trupe do Pappi, Fran e Valmor, obrigada pelo carinho e experiência conquistada graças a empresa de vocês, aos inúmeros lugares que estagiei. Meu muitíssimo obrigada ao vôlei da UEL por ter me acolhido, depois de ter pensado que já tinha me aposentado da modalidade. Pelas risadas, jogos, calor, frio passados, pelas festas, cervejadas e afins que todas as meninas e meninos compartilharam comigo. Final de uma fase muito gostosa, de uma jornada de caídas e recuperações. Sempre com dificuldades, mas jamais me fizeram desistir, sem minha família, amigos e professores capazes esse sonho jamais poderia ser realizado. OBRIGADA!!!!! iv EPÍGRAFE “Não confunda derrotas com fracasso nem vitórias com sucesso. Na vida de um campeão sempre haverá algumas derrotas, assim como na vida de um perdedor sempre haverá vitórias. A diferença é que, enquanto os campeões crescem nas derrotas, os perdedores se acomodam nas vitórias”. Roberto Shinyashiki v SILVA, D. C. V. Saque no voleibol: Uma revisão sobre os aspectos técnicos e táticos. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Bacharelado em Educação Física. Centro de Educação Física e Esporte. Universidade Estadual de Londrina, 2011. RESUMO O voleibol é um dos esportes mais populares no mundo. Foi criado na América do Norte em 1896 e desde então vem evoluindo em suas regras, técnicas e táticas, tornando-se um esporte de alto nível. Um de seus fundamentos que mais mudou ao longo dos anos foi o saque, deixando de ser um mero iniciador de jogo para se tornar uma poderosa arma de ataque. Possui diversas técnicas e variações de execução, cada um com um objetivo diferente dentro da tática do jogo, porém visando o ponto direto, ou dificultando a recepção prejudicando o ataque adversário. O estudo tem como objetivo verificar a evolução técnica e a importância tática do saque no voleibol, além analisar detalhadamente o fundamento e suas implicações em um jogo. Tem como método análise da bibliografia especializada, focando em reunir os principais pontos do tema desde estudos mais antigos, até os mais atualizados. O aprendizado dos movimentos, juntamente com aprimoramento técnico, aliado ao conhecimento tático garante a boa execução do saque, fazendo-o como diferenciador de jogo. Espera-se que o presente estudo possa contribuir com grande valia ao processo pedagógico do ensino e aprendizagem do fundamento, trazendo informações para treinamentos de equipes intermediarias à alto nível e profissionais que atuam nessa área. Palavras-chave: Voleibol; Saque; Técnica; Tática. vi SILVA, D. C. V. Serve in volleyball: A review of the technical and tactical. Completion of Course Work. Course of Bachelor of Physical Education. Center for Physical Education and Sport. State University of Londrina, 2011. ABSTRACT Volleyball is one of the most popular sports in the world. It was created in North America in 1896 and since then has evolved in its rules, techniques and tactics, making it a high level sport. One of its foundations that have changed most over the years was the service, which is no longer a simple starter of the game, but a powerful weapon of attack. It has several variations and implementation techniques, each with a different purpose in the tactic of the game, but aiming at the direct point or hindering the reception harming the opponent's attack. The study aims to verify the technical development and tactical importance of the serve in volleyball, and drill into the ground and its implications in agame. Its method analysis of relevant literature, focusing on bringing together the key points of the theme from earlier studies, the most up to date. Learning the moves, along with technical improvement, combined with the tactical knowledge ensures proper execution of the service, making the game as a differentiator. It is hoped that this study will contribute great value to the educational process of teaching and learning of the foundation, providing information for training teams to the intermediate and high-level professionals working in this area. Keywords: Volleyball; service; technics; tactics. vii LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Movimentos do saque por baixo.................................................. 23 Figura 2 - Movimentos do saque lateral....................................................... 26 Figura 3 - Movimentos do saque tipo tênis.................................................. 28 Figura 4 - Movimentos do saque flutuante................................................... 31 Figura 5 - Movimentos do saque viagem..................................................... 32 Figura 6 - Modelo zonal referente a Zona de Origem do Saque de voleibol de alto nível masculino................................................................ 34 Figura 7 - Modelo zonal referente a ZOS1 (Zona de Origem do Saque na posição 1) de voleibol.................................................................. 35 Figura 8 - Modelo zonal referente a ZOS6 (Zona de Origem do Saque na posição 6) de voleibol.................................................................. 36 Figura 9 - Modelo zonal referente a ZOS5 (Zona de Origem do Saque na posição 5) de voleibol.................................................................. 36 Figura 10 - Modelos de direções do saque do voleibol de alto nível.............................................................................................. 37 viii LISTA DE SIGLAS, ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS. ACM - Associação Cristã de Moços 12 FIVB - Federação Internacional de Voleibol 19 ZOS1 - Zona de Origem de Saque da Posição 1 34 ZOS5 - Zona de Origem de Saque da Posição 5 35 ZOS6 - Zona de Origem de Saque da Posição 6 35 SUMÁRIO RESUMO v ABSTRACT vi LISTA DE FIGURAS vii LISTA DE SIGLAS, ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS viii 1. INTRODUÇÃO...................................................................................... 12 1.1. Problema............................................................................................... 13 1.2. Justificativa............................................................................................ 14 1.3. Objetivos ............................................................................................... 14 2. MÉTODOS ............................................................................................ 15 3. REVISÃO DE LITERATURA................................................................ 16 3.1. O Saque no Jogo de Voleibol................................................................ 16 3.2. Evolução do Saque............................................................................... 17 3.3. Análise Técnica do Saque..................................................................... 20 3.4. Tipos de Saque..................................................................................... 20 3.4.1. Saque por Baixo.................................................................................... 22 3.4.1.1. Gesto técnico......................................................................................... 23 3.4.1.2. Erros frequentes.................................................................................... 24 3.4.2. Saque Lateral........................................................................................ 25 3.4.2.1. Gesto técnico......................................................................................... 25 3.4.2.2. Erros frequentes.................................................................................... 26 3.4.2.3. Saque lateral (tipo flutuante)................................................................. 26 3.4.2.4. Saque lateral (tipo gancho)................................................................... 27 3.4.3. Saque Tipo Tênis.................................................................................. 27 3.4.3.1. Gesto técnico......................................................................................... 27 3.4.3.2. Erros frequentes.................................................................................... 29 3.4.4. Saque Flutuante.................................................................................... 29 3.4.4.1. Gesto técnico......................................................................................... 30 3.4.4.2. Erros frequentes.................................................................................... 31 3.4.5. Saque Viagem....................................................................................... 31 3.4.5.1. Gesto técnico......................................................................................... 32 3.4.5.2. Erros frequentes.................................................................................... 33 3.5. Variações no Saque.............................................................................. 33 3.6. Aspectos Táticos................................................................................... 37 3.6.1. Tática Coletiva....................................................................................... 39 3.6.2. Tática Individual..................................................................................... 40 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 44 5. REFERÊNCIAS..................................................................................... 45 12 1 INTRODUÇÃO O voleibol é um dos esportes mais praticados do mundo. Sua origem começou na América do Norte, em meados de 1896 por WILLIAM C. MORGAN, diretor de Educação Física da ACM (Associação Cristã de Moços). (MacLAREN, 1990). No Brasil, há indícios de que a modalidade foi praticada pela primeira vez no ano de 1915, no Colégio Marista de Recife-Pernambuco, mas fontes oficiais indicam que o Voleibol foi introduzido no Brasil em torno de 1916/1917 na Associação Cristão de Moços de São Paulo. (MARCHI JR, 2001). A popularidade do esporte no país tomou proporções significativas após 1984, quando a seleção masculina conseguiu uma medalha de prata inédita nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Sua coroação veio alguns anos depois, com o ouro nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona. Dentre outros resultados do voleibol brasileiro na história, citam-se dois títulos olímpicos, três Campeonatos Mundiais e nove títulos da Liga Mundial, no masculino. No feminino, o Brasil soma oito títulos do Grand Prix e a inédita medalha de ouro olímpica em 2008. Sem mencionar inúmeros títulos de menor expressão, como Campeonatos Sul-Americanos e Pan-Americanos. Esse histórico vitorioso é reflexo de um bom trabalho nas categorias de base, comprovado pela quantidade de títulos conquistados, levando o Brasil a ser considerado entre os melhores do mundo nos últimos anos (ROCHA, 2000). Tais resultados trouxeram o voleibol a uma popularidade relevante no país, sendo considerado o segundo esporte mais praticado depois do futebol. Segundo Boâs, (2008) essa popularidade implicou na massificação da modalidade proporcionando a prática desde crianças até adultos. Fato que ocorre principalmente pelo apoio e incentivo por parte de instituições organizacionais. O voleibol é provavelmente oesporte que mais mudou suas regras, sem se descaracterizar. Adaptou-se e tornou-se um jogo atrativo tanto ao público praticante, quanto ao espetáculo proporcionado pela televisão. Antes, visto como um jogo monótono e longo, hoje é uma das modalidades mais versáteis e dinâmicas no cenário esportivo mundial. A evolução do Voleibol tem-se caracterizado por crescentes exigências do foro tático e técnico, com consequentes repercussões ao nível da especialização funcional dos jogadores. Tais evoluções levaram à especialização funcional do 13 levantador, mais tarde alargada para os atacantes, fundamentalmente pontas e centrais, posteriormente o oposto. Mais recentemente, com a alteração das regras, surgiu um novo jogador, o Líbero. (MAIA & MESQUITA 2006). O jogo de voleibol pode ser estruturado entre os fundamentos de saque, recepção, levantamento, ataque, bloqueio e defesa. Cada um deles possui características próprias, que quando bem desenvolvidas e treinadas podem ser o diferencial de uma equipe. Dentre estes o saque, o ataque e o bloqueio são os responsáveis diretos na conquista de pontos durante uma partida. Apesar de o ataque ser o maior pontuador do jogo, o saque apresenta-se como uma habilidade técnica muito importante. No voleibol moderno o saque é visto como primeiro ataque. Um bom saque é uma das armas mais eficazes de desestruturar a recepção adversária, deixando sua defesa em vantagem ante o ataque do oponente. Além disso, é o único fundamento do voleibol onde não há a interferência da equipe adversária, colocando-o em vantagem sobre os demais. Esse fundamento tecnicamente pode ser executado de diversas formas, sendo que são mais comuns o saque por baixo na iniciação, e o saque flutuante com e sem salto e o saque viagem nos níveis intermediário e alto rendimento. Inicialmente na história do voleibol o saque era descrito como mero iniciador de jogo, assim como nas categorias iniciantes. Com as mudanças nas regras e evoluções técnico-táticas da modalidade, o saque passou a ser olhado de forma diferente. O presente trabalho tem como objetivo principal o estudo detalhado das técnicas e táticas aplicadas ao fundamento de saque no voleibol, salientando a sua importância dentro do jogo, e seus fatores decisivos. 1.1 Problema Quais são os aspectos técnico-táticos do saque no contexto do jogo de voleibol, sua evolução e influência na atualidade? 14 1.2 Justificativa Dado a escassez de literatura referente a aspectos técnicos do saque no voleibol, visto que perante as mais recentes alterações das regras, não foram feitas grandes atualizações sobre o tema, o saque no voleibol parece ser um tema sugestivo, considerando não somente seu conceito histórico de iniciador do jogo, mas o fato de atualmente, ser um elemento decisivo, dado sua eficiência na interferência na construção do ataque adversário. Vale considerar dados históricos desde sua origem, seu desenvolvimento até sua execução forma ofensiva no voleibol atual, conteúdo de grande importância para um aspecto didático pedagógico do ensino e aprendizagem quanto para o treinamento de nível intermediário até o alto rendimento. 1.3 Objetivos Verificar a evolução das técnicas de saque ao longo dos anos. Analisar a importância dos aspectos táticos do saque no contexto do jogo de voleibol. 15 2 MÉTODOS O trabalho foi realizado a partir da análise de livros e artigos científicos nacionais e internacionais, publicadas a partir do ano de 1972, através de mecanismos de busca com as seguintes palavras-chaves: História do voleibol, Regras do voleibol, Saque, Serviço, Tática e Técnica do Voleibol. Esta revisão foi realizada em quatro etapas: Pesquisar e selecionar os artigos encontrados com as palavras-chaves. Leitura analítica, que consiste em selecionar dentre o material encontrado, artigos diretamente ligado ao tema proposto. Leitura crítica, que consiste em excluir artigos não tenham como foco principal do trabalho o tema proposto. Estruturação do trabalho com base na bibliografia selecionada. Os fatos, eventos, técnicas e dados que foram citados no estudo teve como base as referências pesquisadas, seguindo a estrutura proposta, e visando atingir os objetivos acima descritos. O texto foi escrito de forma clara, descritiva e técnica, de forma a esclarecer os pontos principais do tema da melhor forma, solucionando os problemas previamente citados. 16 3 REVISÃO DA LITERATURA 3.1 O Saque no Jogo de Voleibol A importância individual dos fundamentos para a boa execução de uma jogada e determinação de um ponto ou um erro. Cada fundamento, desde o saque, recepção, levantamento, ataque, bloqueio, influencia diretamente na atuação da equipe para o próximo movimento. A distribuição do ataque depende diretamente da defesa e do passe, assim como dela depende a boa execução do ataque. O bloqueio depende diretamente do ataque adversário, e da mesma forma, dele depende a boa execução da defesa. No entanto, dentro desse ciclo, o único fundamento que não depende diretamente de uma atuação anterior, é o saque. (RUIZ & HERNANDES, 2003). O saque é originalmente descrito como o ato de golpear a bola com uma das mãos, colocando-a em jogo. Também conhecido por “serviço”, é um dos fundamentos que mais desenvolveu tecnicamente e taticamente, impulsionado pelas várias mudanças de regras do voleibol na historia. À vista de tanta evolução, o saque já pode ser descrito como primeiro ato de ataque de uma equipe. Em virtude de tais mudanças, a força aplicada à bola em alguns tipos de saque, assemelha-se à aplicada ao ataque. Com um ponto positivo, não pode mais ser bloqueado. O saque é efetuado no início de uma jogada, sem que o jogador que o realiza dependa da atuação de qualquer outro movimento anterior. Isto o torna um fundamento importantíssimo à tática da equipe, já que sua execução é influenciadora direta da recepção adversária, determinando, na maioria das vezes, a qualidade do ataque que se segue. Segundo Costa et. al, (2011) existe forte relação entre o saque, a recepção e a organização do ataque. Ao analisarem a Liga Mundial de 2001 com equipes adultas masculinas, perceberam que recepções de “fraca” qualidade (recepções que não permitiram o ataque organizado) se associavam positivamente com o efeito de erro no ataque e recepções de “boa” qualidade (recepções que permitiram o ataque organizado) com o efeito de ponto. 17 Um dos objetivos do saque, claro, é de se fazer o ponto direto, mas, nem sempre isso é possível. Se o sacador não conseguir seu objetivo de fazer o ponto direto, dificultar sua recepção já é uma grande vantagem. Quando a bola é mal recepcionada, dificulta a armação do ataque adversário. Nesse caso, na maioria das vezes, o levantador só terá como opção levantar bolas altas nas extremidades da rede ou bolas ruins. Isso, com certeza, facilitando a ação dos bloqueadores. (PALAO; SANTOS; UREÑA, 2004) Apesar de ser a situação em que o atleta tem mais tempo e controle para a execução do fundamento, alguns aspectos tendem a ser tão importantes quanto à qualidade técnica dos movimentos. Condições físicas como a geometria da quadra, posição da rede, posição da defesa adversária, são fundamentais para a tática do saque. (DEPRÁ; MARGAROTTO JUNIOR, 2010). Os mesmos autores desenvolveram um estudo específico quanto à trajetória do saque. A avaliação tática implícita nesta questão é extremamente importante na análise tática tanto individual quanto coletiva do fundamento iniciador do rally. Segundo ele, a trajetória da bola no saque é o elo físico entre o sacador e o receptor. 3.2 Evolução do Saque Estudando o avanço do voleibol durante as décadas, pode-se fazer um paralelo com a evoluçãodo saque, inicialmente por baixo, com intuito de lançar a bola sobre a rede para iniciar o jogo, apenas, até os tipos mais usados atualmente, visando o ponto direto, ou interferência indireta no ataque subsequente. Seguindo a linha do tempo com as mais significativas mudanças nas regras do voleibol, percebe-se claramente a ligação direta da evolução do saque com tais mudanças. Segundo Shondell, (2005) as primeiras regras bem definidas no voleibol foram: A bola não podia parar nas mãos; O jogador não podia tocar na bola uma segunda vez, a menos que outro jogador a tivesse tocado; O jogo duraria até a marcação de 15 pontos; 18 A rede deveria estar a 2,43 m do chão para o masculino e 2,24 para o feminino. Algumas regras sofreram alterações a partir daí, mas foi depois da segunda guerra mundial que o jogo ganhou determinações bem definidas e mais fáceis de serem interpretadas. Santos Neto, (2004) enumera tais definições da seguinte forma: “Uma melhor definição foi dada a ideia de bloqueio; O serviço foi limitado à uma área de 3 metros na linha de fundo, sendo necessária que cada jogador mantivesse sua posição durante o serviço; Não haveria mais pontos por erros de serviço; Contatos simultâneos de dois jogadores serão considerados apenas um.” Até então, o saque era realizado por baixo, sem intuito de pontuar diretamente. Guilherme, (1979) relata que em meados de 1944, no primeiro Campeonato Brasileiro, foram realizados os primeiros saques de costas, que foi repetido por alguns poucos jogadores em 1951, no primeiro Campeonato Sul- Americano, realizado no Rio de Janeiro. Esse tipo de saque, que consistia em ficar de costas para a rede, lançar a bola para o alto, e num meio giro do corpo golpear a bola com a mão espalmada, caiu em desuso. Na década de 50 os atletas adotaram o saque por cima, tipo tênis (RUIZ & HERNANDES, 2003). Em 1953, no Congresso realizado em Budapeste, foi decidida a proibição da "cortina" (atrapalhar a visualização do adversário) feita durante o serviço e limitou-se a invasão na quadra adversária com o pé que ultrapassava totalmente a linha central (SANTO NETO, 2004). Até a década de 80 as regras evoluíram com questão ao uso da antena, bloqueio e pressão da bola. Em 1984 fica proibido o bloqueio ao saque, nas Olimpíadas de Los Angeles. Nesta época, o saque mais utilizado era o tipo tênis e o saque balanceado, de origem oriental. No início década de 80 surgiu o saque “jornada nas estrelas” no Brasil, adaptado de um saque por baixo feito para cima, cerca de 20 metros de altura. Bernard aproveitava a influência da luz dos holofotes, junto com uma velocidade de aproximadamente 70 km/h da bola descendo em linha reta, causando um efeito devastador. Chegava a ser engraçado e causar alvoroço na torcida a reação do time adversário procurando a bola. (BIZZOCHI, 2004) 19 Ainda nos anos 80, Willian e Renato usavam o saque batizado de “Viagem ao fundo do mar”. Seguindo a linha contrária, este era feito rápido e rasante, um saque tipo tênis com rotação em suspensão, sendo um dos mais utilizado atualmente. Acompanhando a evolução do esporte, a FIVB introduziu uma série de mudanças regulamentares que afetam de diversas maneiras a capacidade ofensiva do saque (GARCIA-TORMO et al., 2006). Em 1994 foi aprovado o aumento da área do saque para toda a linha de fundo da quadra, no mínimo 9 metros. Possibilitou a realização do saque em diversas novas trajetórias, dificultando a recepção do time adversário, e consequentemente o rendimento de seu ataque (regra 1.4.2.; FIVB, 2011). Antes a área de saque era do lado direito da quadra e possuía apenas três metros. Posteriormente em 1999, foi aprovada a possibilidade da bola proveniente do saque tocar na rede (Regra 10.2; FIVB, 2011). Esse ponto foi de extrema importância para o desenvolvimento da técnica do saque. Após essa mudança, os jogadores poderiam ser menos cautelosos na execução, e mais agressivos, aspectos que impulsionaram o saque aos modelos conhecidos hoje. Outro fato de extrema importância, que atinge diretamente a forma com que o saque influencia o jogo, é a forma de pontuação utilizada atualmente, por pontos corridos. Instituída em 1999, o sistema rally point scoring, (rally de pontos corridos) veio deixar o jogo mais dinâmico, além de determinar mais importância ao erro de saque. Atualmente outras alterações regulamentares ainda são incluídas, e algumas afetam indiretamente o serviço, visto que atingem diretamente sua recepção. A introdução do jogador especialista da defesa e recepção – o libero (Regra 19; FIVB, 2011) e a permissividade do primeiro toque de recepção (Regra 11.2; FIVB, 2011) são exemplos claros. Seguindo por essa vertente, chega-se aos tipos de saques realizados atualmente. Serão estudados detalhadamente todos os tipos de serviços mais aplicados e suas variações técnicas e táticas. 20 3.3 Análise Técnica do Saque De modo geral, o saque pode ser definido como a iniciação do rally, quando o jogador da posição 1 golpeia a bola solta no ar. Este deverá estar atrás da linha de fundo da quadra, em qualquer lugar dos 9 metros desta. Tecnicamente como fundamento pontuador, o saque e seus movimentos, em vários tipos, se assemelham muito com os gestos do ataque. Desde as posições iniciais, saltos, até a mão atingir a bola. A análise desses movimentos permite o aperfeiçoamento da técnica do fundamento, e de seus objetivos. A execução do saque em geral necessita de habilidades específicas do atleta, além dos fatores psicológicos. Bizzochi, (2004) cita a necessidade das capacidades físicas: coordenação dinâmica geral, equilíbrio estático, coordenação viso motora, agilidade, mobilidade da cintura escapular, força de sustentação dorsal (preparação para o saque), potência abdominal, força isométrica de punho e dedos (saque), e velocidade de deslocamento (volta para a quadra). Além disso, são necessárias as habilidades de lançar, rebater e habilidades locomotoras. Neste momento do estudo deixando de lado as questões psicológicas do atleta que interferem no serviço, o estudo será focado nos movimentos principais dos diversos tipos de saque, suas variações e erros frequentes. Desta forma, buscando a excelência na execução técnica do fundamento, para poder aplicá-la a tática, aos diversos momentos e situações do jogo. 3.4 Tipos de Saques Existem diversos tipos de saques, classificados por cada autor com variações de nomenclaturas. Alguns dos tipos de saques descritos são comuns ao estudo de vários autores, enquanto os demais são apenas variações destes, notados por diferentes tipos de encaixe de bola e mudanças de movimentos. Bordini, (1999) cita diversos estudos, dos quais são destacados os seguintes: 21 Barros Junior, (1979) classifica o saque em sete tipos: Saque por baixo; Saque balão; Saque tênis; Saque balanceado; Saque arremesso de peso; Saque japonês; Saque tênis flutuante. Brunoro, (198X) classifica o saque em cinco tipos: Saque por baixo; Saque por cima (tipo tênis); Saque lateral; Saque lateral por cima (jornada nas estrelas); Saque em suspensão (viagem ao fundo do mar). Fiedler, (1982) classifica o saque em dois tipos apenas: Saques com efeitos: Saque por baixo; Saque de vela (variação do saque por baixo); Saque por cima de frente; Saque tipo gancho; Saque sem efeitos: Floting frontal (saque forma americana); Floting lateral (saque forma japonesa). Ribeiro, (2004) classifica o saque em três tipos, dos quais são os mais utilizados na atualidade: Saque por baixo; Saque por cima; Saque viagem (este se diferencia do saque por cima, por ser executado em suspensão). 22 Selecionando os tipos de saque mais citados pelos autores,de maior importância para o voleibol atual e seu aprendizado, destacam-se as seguintes variações do fundamento: Saque por baixo; Saque lateral (flutuante e tipo gancho); Saque tipo tênis; Saque flutuante (com e sem saltos); Saque viagem. 3.4.1 Saque por Baixo É caracterizado principalmente por atingir a bola por baixo, visando principalmente levar a bola ao outro lado de forma segura, sem pretensões de ponto direto. Necessita de menos força que o saque por cima, assim como de menos habilidades físicas, força e conhecimento técnico do esporte. Por esse motivo o saque por baixo é geralmente feito por crianças e iniciantes, que ainda não desenvolveram habilidades motoras ou força para executá- lo de outras maneiras (ROCHA, 1990). Inicialmente aplicado perto da linha da quadra, deve ser incentivado o uso de efeitos na bola e afastamento para a execução, dificultando cada vez mais a recepção deste. (BIZZOCHI, 2004). Era utilizado no início da história do voleibol, e sofria variações quanto o posicionamento (de frente, de lado, de costas) e a trajetória (saque alto, saque rasante, saque médio e saque curto). Ainda existem variações como a mão de ataque, espalmada ou fechada. Em geral segue a mesma linha de movimentos em suas variações, com exceção do “Jornada das Estrelas”. 23 3.4.1.1 Gesto técnico Segundo Bojikian, (2003) e Bizzochi, (2004) é possível classificar os momentos do serviço da seguinte forma: Fase preparatória: O jogador deve posicionar-se de frente para a quadra, com o tronco ligeiramente inclinado à frente. As pernas devem estar afastadas e ligeiramente flexionadas para dar maior sustentação ao corpo. Com distanciamento lateral da largura dos ombros e o pé contrario ao braço que irá realizar o saque à frente. Desta forma o peso do corpo estará recaindo mais sobre a perna de trás, que auxiliará no envio da bola à quadra. A bola estará segura a frente, com o braço que não irá sacar quase totalmente estendido. O braço que irá golpear a bola deve ser estendido para trás acima da linha dos ombros. O jogador deve olhar a quadra adversária antes da execução. Execução: A bola segura a frente do corpo poderá ser lançada acima, no máximo 30 cm de altura, ou segura até o momento em que a mão de ataque irá golpear a bola. O braço de ataque deve seguir estendido em sua trajetória até a mão atingir a bola, espalmada ou fechada. Nesse momento, o corpo deve projetar-se a frente, através da extensão dos membros inferiores, até então flexionados. Este movimento irá jogar o peso do corpo para a perna posicionada a frente, auxiliando no envio da bola a quadra. A perna que estava posicionada atrás é naturalmente levada à frente. Finalização do movimento: A passada dada a frente no fim da execução do saque já é o primeiro passo de retorno do jogador à quadra para se preparar para uma eventual defesa. Figura 1: Movimentos do saque por baixo. 24 Quanto às variações é possível destacar pequenas alterações nos movimentos: Saque alto: A bola é golpeada na altura da cintura, colocando-se o corpo mais sob ela; Saque rasante: golpeado na frente do corpo e na altura dos joelhos; Saque médio: é dado num ponto intermediário entre os dois anteriores; Saque curto: executado com uma desaceleração no braço que golpeia a bola, fazendo-a cair logo após passar pela rede. Saque lateral: Executado com o jogador posicionado lateralmente em relação à quadra, com o braço que irá atacar a bola paralela à linha de fundo da quadra, e a perna esquerda ligeiramente à frente. O braço de ataque sai de trás e ataca a bola no ponto mais baixo, depois que ela foi lançada. Saque de costas: O jogador posiciona-se de costas para a quadra, lança a bola para o alto, e num meio giro do corpo golpear a bola. Mão espalmada: O ataque da bola com a mão espalmada da mais precisão ao saque, além de preparar o aprendiz ao impacto do saque por cima. Mão fechada: O ataque com a mão fechada da mais força ao saque, ideal para quem não tem força para o golpe com a mão aberta. Mas deve ser usado apenas para iniciantes, devendo ser substituído por saque de maior precisão assim que este adquirir força muscular suficiente. 3.4.1.2 Erros frequentes Posição inicial das pernas trocadas; Braço que irá golpear a bola, semi-flexionado; Bola lançada muito alta, tornando difícil o golpe mais preciso; Não utilizar o movimento correto com as pernas para sacar; 25 3.4.2 Saque Lateral Bizzochi, (2004) define o saque lateral como o saque feito de lado para a quadra, com o braço estendido e acima da cabeça. Menciona que esse tipo de saque é confundido com o saque tênis flutuante. Muito utilizado antigamente, pelas equipes orientais e antigo bloco socialista, conhecido então também como saque “japonês”. Caiu em desuso no voleibol moderno esse tipo de saque, já não é mais tão realizado, principalmente pelas equipes masculinas. No começo da história da modalidade era muito utilizada por apresentar uma trajetória flutuante a bola. Esse serviço era bastante complexo, ou seja, necessitando treinamento especifico e habilidade para executa-lo. (BRUNORO, 198X) O beneficio desse saque comparado ao saque tipo tênis é dar descanso os músculos utilizados na realização do ataque. Sendo assim, evitando lesões, traumas articulares por excesso de trabalho, e sobrecarga na musculatura especifica. (BIZZOCHI, 2004) O autor Durrwachter, (1984) afirma que o encurtamento da fase descendente da trajetória do voo condicionado pela torção ascendente permite um grande impacto de força e possibilita ataques extremamente fortes. No entanto, a difícil técnica e a falta de um bom controle ótico sobre a área visada trazem um risco maior. 3.4.2.1 Gesto técnico Fase preparatória: Lateralmente para a rede, o jogador posiciona com os pés e pernas afastadas. Brunoro, (198X) indica que os pés estejam voltados para onde quer sacar. O ombro contrario a mão que irá sacar deve estar posicionado para a frente da quadra. A bola poderá ser segura com as duas mãos, ou apenas com a mão contraria à que vai golpear a bola. 26 Execução: A bola deve ser lançada à frente do executante com altura suficiente para que seja possível realizar o movimento de saque. O braço contrário é elevado, o mesmo serve como equilíbrio (assemelha-se ao saque tipo tênis). Finalização do movimento: O jogador tem que voltar rapidamente para a quadra, apressar-se para voltar ao jogo, já que este está de lado para a quadra, todavia atentar-se para que a “pressa” não prejudique o serviço. Figura 2: Movimentos do saque lateral. 3.4.2.2 Erros frequentes Lançamento inadequado, ou para frente, ou para trás; Virar- se antecipadamente na direção do saque; Ausência de virada, ou virada antecipada. 3.4.2.3 Saque lateral (tipo flutuante) O saque lateral tipo flutuante é uma variação do saque lateral no qual não se imprime rotação à bola. Neste tipo a bola deve ser lançada o mais baixo possível, procurando acertar a bola exatamente no centro e atrás. O tronco e o braço não devem continuar o movimento após tocarem a bola, devem ser freados. (ROCHA, 1990) 27 3.4.2.4 Saque lateral (tipo gancho) Durrwachter, (1984) caracteriza que o saque lateral tipo gancho como o encurtamento da fase descendente da trajetória do vôo condicionado pela torção ascendente permite um grande emprego da força e possibilita cortadas extremamente fortes. No entanto, a difícil técnica e a falta de um bom controle ótico sobre a área visada trazem um risco maior. O saque tipo gancho mostra uma corrida, inicial. A força do saque aumenta sensivelmente através de um passo preparatório com a esquerda no lançamento, um passode impulso e o rápido passo para frente com a perna esquerda. 3.4.3 Saque Tipo Tênis O saque tipo tênis, ou saque por cima, é principalmente caracterizado pela mão do jogador atingir a bola no alto de sua trajetória, acima da cabeça do que o executa, a fim de mandá-la a quadra adversária. Recebe este nome pois deriva do saque do tênis. (BIZZOCHI, 2004). Este tipo de serviço possui movimentos característicos com os do ataque, os movimentos de braços e posição do tronco (BOJIKIAN, 2003). Sua função é bem mais ofensiva que o saque por baixo comum. Bizzochi, (2004) explica que o fato da bola batida de cima aproximando-se a altura da rede, permite o uso de força e efeito, tornando a recepção bem mais difícil. 3.4.3.1 Gesto técnico Fase preparatória: O jogador deve posicionar-se atrás da linha de fundo da quadra, de frente para o lugar que deseja mandar a bola. A bola deve estar segura pelas duas mãos, pela mão contrária, ou até pela mão a que irá bater e, os braços devem estar estendidos ao longo do corpo. As pernas devem estar afastadas 28 lateralmente com a largura dos ombros, ou com a perna contrária ao braço que irá bater posicionada à frente. Lançamento da bola: A bola deverá ser lançada a frente do corpo, em direção ao ombro de ataque, a uma altura acima da cabeça do jogador, aproximadamente 1,5m. O movimento de lançamento da bola leva os braços para cima. Neste momento, para dar equilíbrio ao corpo, o braço que irá bater na bola deve ser levado para trás, posicionando-se semi-flexionado, a um ângulo de 90º em relação ao ombro. O outro braço irá subir até um pouco acima da linha do ombro, e deverá permanecer estendido a frente do corpo. O tronco deve permanecer em posição normal. Execução: O braço de ataque bem estendido irá encontrar a bola na altura adequada, enquanto o outro braço descerá. A bola deve ser atingida em um único ponto pela mão em forma de concha, de modo que a palma e os dedos toquem a bola por um breve momento. Esta deve seguir reta até passar sobre a rede. Enquanto isso acontece uma rápida flexão no tronco. O peso do corpo até então apoiado na perna de trás, será transferido para a perna da frente. Finalização do movimento: O braço que atingiu a bola deve prosseguir seu movimento com o punho contraído. A troca de apoio das pernas levará naturalmente a perna de trás para frente, sendo a primeira passada do retorno do jogador à quadra. Figura 3: Movimentos do saque tipo tênis. Assim como todos os fundamentos do voleibol, o saque tipo tênis possui variações específicas para cada momento de jogo, como a força imprimida à bola, 29 sua trajetória, a distância do sacador em relação à linha, a direção do saque, o uso de salto, e a aplicação de rotação e efeito à bola. Dentre essas variações destacam, dois tipos de saque são utilizados de forma mais frequente e tem mais importância para o voleibol de alto nível atual, Rocha, (1990) classifica o saque tipo tênis em suspensão como com rotação (saque viagem) e sem rotação (flutuante). Essa é a classificação utilizada pela maioria dos autores, como Bojikian, (2003) e Bizzochi, (2004). Esses dois tipos de saque variam do saque tipo tênis básico descritos acima por vários fatores, e dada à devida importância de cada um deles. 3.4.3.2 Erros frequentes Lançamento da bola muito atrás da cabeça do jogador; Lançamento da bola muito a frente do jogador; O braço permanece o tempo todo reto; A mão não espalmada durante a execução; Flexão indevida de punho. 3.4.4 Saque Flutuante O saque tipo tênis flutuante possui uma trajetória irregular que dificulta muito a recepção adversária, pois a bola percorre sua trajetória sem rotação, “parada”, sustentada pelas correntes de ar (BOJIKIAN, 2003). Bizzochi, (2004) ainda diz que esse efeito faz a bola oscilar levemente, e quando perde velocidade, tem uma queda repentina, surpreendendo o oponente. A execução desse tipo de saque exige menos força do jogador que o executa, e por isso é um saque muito utilizado no voleibol feminino, seu efeito tático é de grande eficiência nessa categoria, sendo o saque de mais incidência no voleibol de alto nível entre as mulheres, e entre os homens utilizado com menor frequência, 30 como um saque colocado em algum lugar específico da quadra com a intenção de tirar o jogador defensor da sua posição, dificultando o ataque. 3.4.4.1 Gesto técnico Segundo Bizzochi, (2004), o salto não precisa da potencia do saque viagem, e a bola pode ser lançada apenas na terceira passada. A altura da bola deve ser suficiente apenas para o braço de ataque realizar a extensão. A queda deve ser para frente, iniciando as passadas de retorno ao jogo. Fase preparatória: A posição inicial assemelha-se com a do saque tipo tênis, a bola segura a frente, posicionamento de frente para a quadra adversária, pernas afastadas na largura do ombro, com a perna contrária à mão responsável pelo saque à frente. Lançamento da bola: A bola deve ser lançada no terceiro passo do jogador, à frente, com as duas mãos ou com a mão contrária ao ataque à bola. Nesse momento, o impulso para jogar a bola ao alto leva as duas mãos para cima. Ao lançar a bola, o jogador se prepara para o salto, e a mão que irá atacar a bola é levada para trás, com o braço a 90º em relação ao tronco. Execução: A bola será alcançada no ponto mais alto do salto do jogador, e golpeada em linha reta a quadra adversária. Esse tipo de saque possui uma característica importante quanto ao efeito aplicado à bola. A força utilizada para o golpe deve ser controlada, e o movimento da mão deve ser barrado ao atingir a bola, evitando que ela gire durante sua trajetória, e obtendo o efeito flutuante, enquanto se encaminha a quadra adversária. Finalização do movimento: Com o ataque à bola, o corpo faz uma flexão leve, e a queda no chão deve ser seguida do passo que levará o jogador a sua posição de defesa. 31 Figura 4: Movimentos do saque flutuante. 3.4.4.2 Erros frequentes Lançamento da bola muito à frente ou atrás da cabeça do jogador; Pouca força ao rebater a bola; O braço permanece o tempo todo reto; A mão não espalmada durante a execução; Flexão indevida de punho; Falta de coordenação nas passadas. 3.4.5 Saque Viagem O saque em suspensão com rotação tem como principal característica a força e a potência adquiridas pelo salto do jogador ao atingir a bola. A altura da bola ao ser golpeada permite que sua trajetória seja rasante, mais forte e mais rápida que os outros saques. É muito comum principalmente nas categorias masculinas de médio e alto nível (ROCHA, 1990). Tem potência que o saque flutuante, devido à quantidade de giros dado pela bola. Aproveita as correntes de ar para ganhar mais velocidade e cair mais rapidamente. Segundo Bizzochi, (2004) o passador adversário consegue prever a trajetória da bola, no entanto, é mais difícil reagir a tempo. A força da bola em sua trajetória assemelha-se ao ataque. 32 Esse tipo de saque apresenta o maior nível de erro, é o saque de mais risco no jogo. Em contrapartida é o tipo de saque que mais pontua diretamente, sendo por ace ou a recepção incorreta, não possibilitando o levantamento e o ataque adversário. 3.4.5.1 Gesto técnico Fase preparatória: A posição inicial é idêntica a do saque tipo tênis. O jogador deve estar a uma distância da linha do fundo da quadra. O lançamento da bola deve se dar na primeira passada, para que o jogador mantenha a potência do salto e atingir a bola no momento adequado. Execução: O jogador deve dar 3 passos, sendo que dois segurando a bola. No fim do segundo passo a bola deve ser lançada a frente, coordenando a terceira passada com o impulsopara o salto, alcançando a bola em seu ponto mais alto. A partir do salto, os movimentos são idênticos a um ataque de fundo. Finalização do movimento: O jogador deve cair com os dois pés na quadra, já dando as passadas necessárias para o seu retorno à região onde estará para a defesa. Figura 5: Movimentos do saque Viagem. Os movimentos devem ter algumas variações essenciais para imprimir maiores efeitos à bola, a fim de atingir o objetivo do serviço. Bizzochi (2004) classifica da seguinte maneira: 33 Quanto à força: longo, curto, ou sem peso; Quanto à trajetória: Alto, rasante ou médio; Quanto à distância do sacador em relação à linha de fundo; Quanto à direção da bola: diagonal ou paralela. 3.4.5.2 Erros frequentes Bola lançada em altura insuficiente; Falta de coordenação nas passadas; Lançamento da bola muito a frente ou muito atrás. 3.5 Variações no Saque Cada tipo de saque carrega uma série de variações possíveis de movimentos, que irão determinar sua eficácia. Segundo Ugrinowitsch e Uehara, (2006) os saques por cima, além das classificações descritas anteriormente, podem variar de acordo com a trajetória, rotação da bola, presença ou não de salto. Trajetória do saque: Quando golpeada pelo sacador, a bola pode variar em relação à sua trajetória, de forma rasante ou parabólica. Os saques cuja bola tem uma trajetória rasante tendem a passar mais próximas da rede, atingindo o fundo da quadra com maior velocidade e força, dificultando o trabalho da recepção. As bolas com trajetória parabólica são mais lentas e teoricamente mais fáceis de recepcionar, estas normalmente são direcionadas para cair mais próximas à rede. São bolas fáceis de direcionar a um ponto específico (infiltração do levantador) e portando são muito utilizadas taticamente para desestruturar a recepção adversária a dar continuidade a jogada. Bizzochi, (2004) ainda classifica a trajetória da bola em curta, que desloca o passador para frente, 34 dificultando o passe, e o saque caindo à frente, que embora passe a aparência de um saque forte, tem a velocidade controlada pelo sacador para apenas passar da rede, caindo à frente da defesa adversária. Rotação da bola: Ao realizar o movimento de saque, o jogador tem a opção de aplicar rotação a bola. Essa rotação determina a dificuldade que se aplica ao passador adversário. Bolas que recebem o efeito de rotação possuem uma trajetória melhor determinada, possibilitando ao adversário prever o local que a bola irá cair, facilitando sua recepção. A bola sem rotação, ou flutuante, possui uma trajetória incerta, seguindo normalmente sem peso, surpreendendo o sistema defensivo oponente. Presença ou não de salto: O uso do salto no saque possibilita a trajetória rasante da bola de forma mais eficiente, fazendo com que esta siga de cima para baixo, comparando-se a um ataque de fundo de quadra, e torna-se muito difícil de recepcionar quando bem executado. No entanto, é um fator que traz muito risco a execução do saque. Os saques sem salto são classificados como mais seguros, com menor índice de dificuldade. Estes são mais utilizados nas categorias de base ou no voleibol feminino. Além disso, ainda destacam-se as zonas de origem e direções do saque, que compõem fatores importantes em sua execução técnica e tática, definidas individualmente ou pelo técnico da equipe. Zonas de Origem de Saque: Figura 6: Modelo zonal referente a Zona de Origem do Saque de voleibol de alto nível masculino. 35 A zona de origem do saque é o local no fundo da quadra que o sacador realiza o movimento. Segundo o modelo de Gebrands e Murphy (apud MORAES, 2009) são classificadas como ZOS1, ZOS6 e ZOS5. Moraes, (2009), destaca que a grande maioria (59,9%) dos saques são realizados da Zona de Saque ZOS 1, e menor frequência (15,3% e 24,8%) para as zonas ZOS 6 e ZOS 5. Rocha, (2001) ainda cita que o saque realizado próximo à linha de fundo da quadra é mais utilizado (79,5%) e apenas 13,4% dos saques tem sua origem a mais de um metro da linha de fundo da quadra. Essas posições definidas podem ser escolhidas diante de uma série de fatores. Proximidade do sacador, quando for receber; esquema tático definido por ele ou pelo seu treinador; entre outros. Bizzochi, (2004) descreve a utilização do saque nas zonas ZOS 1, ZOS 6 e ZOS 5. ZOS 1: É a posição que melhor se enquadra para quem joga na posição 1, pois é próximo de sua posição de defesa. Pode imprimir muita velocidade quando realizado a esquerda do passador da posição 5 ou para diagonal longa na posição 1. Figura 7: Modelo zonal referente a ZOS1 (Zona de Origem do Saque na posição 1) de voleibol. ZOS 6: É um saque menos utilizado pois limita as opções de diagonais, e portanto se justifica apenas quando a intenção é sacar no jogador da posição 6, tem uma fácil recepção principalmente quando o jogador (líbero) responsável pela recepção está nessa posição. 36 Figura 8: Modelo zonal referente a ZOS6 (Zona de Origem do Saque na posição 6) de voleibol. ZOS 5: Assim como o saque realizado na posição ZOS 1, essa zona de origem de saque permite maior velocidade ao sacador que tem sua zona de defesa na posição 5, tem resultado quando a intenção é sacar a direita do passador da posição 1 ou para a diagonal longa na posição 5. Figura 9: Modelo zonal referente a ZOS5 (Zona de Origem do Saque na posição 5) de voleibol. Direções do Saque: Garcia-Tormo, et.al. (2006) classifica as direções de saque como paralelas, diagonais médias e diagonais longas. Assim como os resultados obtidos por Bailasha, Lozano et.al (apud GARCIA-TORMO, et al., 2006) é possível observar uma maior incidência de saques com direções Diagonais Médias e Paralelas, com 45,4% e 38,8%, respectivamente. As variações de direção de saque tem a interferência direta da Zona de Origem de saque escolhida e do destino do saque na quadra adversária. 37 Figura 10: Modelos de direções do saque do voleibol de alto nível. 3.6 Aspectos Táticos Desenvolvidos os aspectos técnicos quanto ao saque e os seus tipos, já é viável discorrer sobre a tática no voleibol e as implicações do saque dentro do jogo. Para Weineck, (2003) só é possível o emprego da tática depois de um bom desenvolvimento técnico. Nos esportes coletivos, a todo o momento é exposto a cada atleta uma tarefa a ser executada, e com ela, uma tomada de decisão rápida. A tática esportiva pode ser definida como a capacidade de avaliar as situações e oportunidades do jogo, formando um plano de ação para executar tal tarefa, atingindo a meta desejada. Segundo Silva e Junior, (2005) a tática e a estratégia tem significados diferentes dentro do jogo coletivo. A estratégia se relaciona com fatores externos às situações de jogo, planejados previamente por um técnico ou treinador, com base em fatores como o placar do jogo, time adversário, etc. Já a tática é vinculada a ação do jogador no momento do jogo, sua tomada de decisão instantânea baseada na situação atual, aliada a técnica previamente adquirida. PARALELAS DIAGONAL MÉDIA DIAGONAL LONGA 38 Para os autores Matsudaira, Toyoda, e Saito (apud BÔAS, 2008), a tática é definida como: técnicas individuais totais somadas às jogadas utilizadas por uma equipe para obter bom resultado em um jogo. Ela deve respeitar as regras e as condições do jogo, as qualidades físicas, técnicas e mentais dos jogadores, bem como as habilidades combinadas na equipe, e naturalmente, as táticas adversárias. Torres, (1998) define o conhecimento tático como o conhecimento da “experiência vivida”, adquiridos conforme a bagagem de jogo, e não explicitas verbalmente. Garganta (1997) destaca ainda a importância do atleta gerir regrasde funcionamento, e não usar conceitos pré-estabelecidos, afinal, a tática de jogo depende diretamente dos conhecimentos técnicos individuais desenvolvidos, e das relações coletivas entre os jogadores de uma equipe e seus adversários. Segundo Volpert (apud GRECO, 1998): Para treinar as capacidades táticas existem 3 condições básicas a serem respeitadas: o ordenamento tempo-espacial das ações, a flexibilidade do comportamento tático e a disponibilidade de alternativas de decisão. Portanto, para obter êxito no objetivo final do jogo, o jogador precisa: Saber ordenar-se tempo-espacialmente: timing da ação; Sua ação deve ser flexível diante das diferentes situações; Deve ter um repertório amplo e variado de soluções. Bizzochi, (2000) dispõe os principais pontos a serem observados a fim de definir a tática de um jogo: Capacidade técnica do grupo; Raciocínio tático; Condições físicas; Tática do adversário. Condições técnicas, emocionais e físicas do adversário. Agentes externos; Estratégia na competição. Dentro do jogo de voleibol, a tática é aplicada a cada fundamento ou ação de jogo, a tomada de decisão sobre o tipo e a força do saque, na recepção e no passe, no momento do levantamento ao jogador mais adequado a realizar o ataque, na finta 39 do atacante, na colocação do bloqueio, na defesa, passe, e assim por diante. Nenhum dos momentos do jogo fica alheio à tática, e nenhum deles deixa de ser influenciado pela escolha tática feita no momento anterior. Baseados nesse conceito, sendo assim possível pressupor que a tática aplicada ao saque pode influenciar em toda a jogada subsequente a ele. A tática pode ser classificada dentro de um esporte em tática coletiva e tática individual. A tática coletiva inclui principalmente as ações da equipe como um todo dentro do esquema tático. Já a individual, é a ação de cada elemento da equipe e sua influencia no esquema tático. Na execução do fundamento do saque, a tática individual pode ser bem visível, já que neste momento, o jogador que irá sacar a bola para o jogo está sozinho e não sofre de interferência direta de nenhuma ação de outro jogador anteriormente. A decisão do tipo de saque ou sua execução propriamente dita depende exclusivamente de si, embora possa ser influenciado por outros jogadores ou pelo treinador. 3.6.1 Tática Coletiva Greco, (1998) afirma que a tática coletiva se define pela sucessão simultânea de ações da equipe em forma de “conceitos” conforme um determinado plano de ação. Silva e DeRose, (2005) completam ainda que na tática coletiva, tanto equipe como seus integrantes, interagem com: os oponentes, o elemento utilizado para vencer o adversário (bola), com os companheiros e consigo mesmo. As ações realizadas dentro de um jogo coletivo, inclusive no voleibol, se caracterizam por uma série de fatores percebidos instantaneamente pelo indivíduo que a executa, contudo, toda a equipe ao seu redor contribui para a realização desta ação, seja através de posicionamentos, fintas, marcações, ou até mesmo verbalmente, como instruções ou jogadas ditadas. A tática coletiva caracteriza-se principalmente pela interferência direta ou indireta de toda a equipe, mesmo que a ação seja realizada por um único jogador. O saque, embora seja o fundamento mais individual dentro do jogo, deve observar alguns detalhes coletivos da tática, para que se bem realizado 40 individualmente, possa ter o resultado esperado dentro do coletivo. Rocha (1990) propõe o emprego da tática coletiva através de instruções do treinador antes do jogo, a cerca de: Que saque domina sua equipe; Que sistema de recepção domina o adversário; Que sistema de ataque utiliza. Cada um desses itens deve ser determinante para a escolha do saque no momento oportuno, cabendo ao jogador o emprego da tática individual para saber qual deles possuirá melhores resultados. Matias, Giacomini, Greco, (2004) exemplificam a tática coletiva através da organização da defesa a partir do saque da própria equipe. Com a realização do saque, toda a equipe já se posiciona para a defesa a partir do tipo de serviço realizado, e de sua recepção pela equipe adversária. “A Seleção abriu 14/5 e todos pareciam querer fazer o último ponto. Mauricio, Paulão e Tande forçaram seus saques e erraram. Mas os holandeses não conseguiam sequer reduzir a vantagem. Quando Negrão foi para o saque, olhou para os outros. Não tinha certeza do placas. Era melhor arriscar ou só passar para o outro lado? “Dá porrada”, disse Tande, “Enfia a mão”, confirmou Paulão. Marcelo voou, soltou a bomba e colocou o Brasil em outro patamar do voleibol. Depois, houve o choro, a festa, os abraços.” (VALPORTO, 2007 p. 87). 3.6.2 Tática Individual A tática individual tem como característica principal o comportamento de um jogador perante uma situação de jogo na qual é necessária uma tomada de decisão (geralmente rápida), em que a observação dos fatores tempo, espaço e situação são imprescindíveis para a escolha do movimento técnico, dentro do seu repertório, que melhor se aplica ao objetivo. (GRECO, BENDA, 1998) Visto que a tática individual depende diretamente da boa execução técnica do fundamento, recomenda-se que o jogador tenha bem desenvolvido as técnicas de 41 saque, seus vários tipo, assim como uma boa concentração para que elementos psicológicos não interfiram no serviço. Para a realização do saque, o jogador deve planejar o efeito que deseja causar na equipe adversária. Rocha, (1990) cita os vários fatores a serem observados pelo jogador para a escolha do saque que irá realizar. Posição da recepção da equipe adversária: Dificultar a recepção do serviço e atrapalhar o ataque subsequente é os principais objetivos do saque, sendo assim, a posição da recepção adversária define os locais onde se pode sacar. A realização do saque nos espaços livres dificulta a recepção, sacar diretamente no jogador que está pronto para atacar dificulta sua corrida, atrapalhando a maior força de ataque do time; sacar no jogador que está próximo a rede ou na infiltração que arma a jogada também define mais dificuldade do time adversário de estruturar perfeitamente o seu ataque. Saber explorar: Avaliar as principais fraquezas do time adversário e explorá- las pode definir um bom rendimento ao saque. Sacar diretamente no jogador que tem mais dificuldade de recepcionar a bola, ou no jogador que foi substituído recentemente, dificultam a recepção e o passe para o levantador. Ambiente: A quadra e o clima podem deixar o saque mais ou menos eficiente. Sacar alto quando a iluminação é ruim, usar de elementos como vento e sol em quadras abertas, recomenda-se o saque alto e forte nesses casos (a exemplo do “jornada nas estrelas”) quando em ginásios, recomenda-se o uso de saque tipo tênis flutuante ou balanceado. Fatores psicológicos: As possibilidades de explorar os fatores psicológicos do jogo podem determinar a má recepção do saque da equipe adversária, como cita Bizzochi, (2004), sacar no jogador que tem mais dificuldade de recepção, que está nervoso ou alterado psicologicamente, que acabou de entrar, que foi recém-punido, que acabou de errar ou que está contundido. Situações fundamentais: O uso das oportunidades durante o jogo pode ser 42 muito bem aplicada ao saque. O jogador que o executa deve ficar atento a elas. Sacar de forma segura quando o adversário tem uma formação que o favoreça não perder o saque após o pedido de tempo, supondo fortalecimento do adversário durante o mesmo; variação dos tipos de saque, direções, distâncias, a fim de surpreender o adversário e não permitindo que ele o preveja; dirigir a bola no jogador que se encontra mais nervoso, por exemplo quando reclama da arbitragem. Observação doadversário: Alguns fatores podem ser observados nos jogadores responsáveis pelo passe da equipe adversária. Bizzochi, (2004) disponibiliza alguns exemplos de estudos a serem feitos no time adversário a fim de escolher o saque que melhor terá resultados. Explorar o lado ruim do passador, estudando cuidadosamente seu posicionamento a fim de proteger esse lado menos favorável da sua defesa, e procurando meios de atingir exatamente aquele ponto. Observar a preferencia de ataque do passador entre partir para o ataque mais próximo ou mais distante da rede, e força-lo a fazer o contrário. Estudar a facilidade do passador em deslocar-se em saques realizados a altura do peito ou baixos, explorando o movimento que irá causar maior desconforto e dificuldade. Diferenciar do tipo de saque utilizado pelo adversário, já que muitas vezes o saque mais utilizado pelo oponente pode significar também que este tenha maior facilidade em defendê-lo. Além disso, Greco, (2007) propõe uma sistematização das situações próprias do jogo, analisando-as quanto aos estímulos identificados pelo atleta, e a escolha adequada da ação do mesmo. Para a realização do saque, o jogador deve perceber: A armação da recepção do adversário; Posição do levantador; Espaços vazios; Jogador de melhor e pior recepção; 43 Jogadores que participam da recepção e do ataque; Placar. E baseado nesses dados deve-se tomar as seguintes decisões: Tipo de saque, incluindo o local de saque; Variações do saque: velocidade, altura, distância, direção e posição de onde sacar. Quando analisadas todas as variantes, o saque tende a ser mais eficiente dentro do esquema tático do jogo, possivelmente até mesmo determinante, é possível afirmar inclusive, que o time que possui a melhor tática e técnica de saque, tem grande vantagem sobre o adversário. 44 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com as mudanças de regras ajustadas para o desenvolvimento da modalidade no cenário mundial, o saque ganhou uma maior importância no contexto do jogo juntamente com seu desenvolvimento técnico-tático. O estudo detalhado deste fundamento, tanto em questões técnicas, quanto táticas podem levar o atleta ou uma equipe a atingir excelência na prática, que implicará em um resultado de sucesso. Pode-se observar que o saque nas equipes de alto rendimento é um dos fundamentos mais treinados, no entanto, nas categorias de base (iniciantes e intermediários) nem sempre esta dedicação é observada. Muitos deixam de dar a devida atenção no treino deste fundamento que poderia ser um diferencial em suas equipes. Ainda podemos destacar que não somente o aprendizado dos movimentos, mas também o aprimoramento técnico, aliado ao conhecimento tático garante a boa execução do saque, fazendo-o como diferenciador de jogo, a fim de potencializar a ação individual resultando efeitos dentro da equipe. Desta forma o presente estudo pode contribuir com grande valia ao processo didático e pedagógico do ensino e aprendizagem do fundamento, trazendo informações para o processo de treinamento de equipes intermediarias, alto rendimento e à professores que atuam nestas dimensões. No entanto, sugere-se a realização de mais estudos referentes ao fundamento para o desenvolvimento da modalidade. 45 5 REFERÊNCIAS BAILASHA, N. Effectiveness of serves used during 12th feminine African Volleyball Clubs Championship. 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