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Caso clínico 1: paciente feminino, 45 anos, sem comorbidades, vem ao OS por IVAS. Triagem: PA: 170x100 mmHg, assintomática. 
 
O que fazemos? 
Resposta: tranquilizar o paciente, receitar sintomáticos para IVAS e dar alta. 
 
Caso clínico 2: paciente homem, 83 anos, HAS, DM, TBG, adesão difícil aos medicamentos, assintomático, vem ao serviço de 
saúde para “medir a pressão”. Triagem: classificado como amarelo por PA 210x120 mmHg. Enfermagem pergunta se pode fazer o 
captopril. 
 
O que fazemos? 
Resposta: não medicar no PS e reforçar a adesão medicamentosa para o paciente. 
 
Ponto principal: hipertensão no PS não tem que focar no valor da PA, mas sim tratar a lesão de órgão alvo! Tratar a PA é 
pensar com a cabeça de ambulatório, aqui o foco é Pronto Socorro. 
 
Pseudocrise hipertensiva 
• Situações de estresse físico e psicológico tem como resposta fisiológica o aumento da pressão e frequência cardíaca do 
paciente > isso é o normal; 
• Como tratar: tratar o que está fazendo a pressão subir > se cefaleia: analgésico. Se ansioso: tranquilizar o paciente, 
medidas comportamentais ou ansiolíticos se for caso grave. 
 
Urgência hipertensiva 
• Quando a PAS > 180 ou PAD > 120 mmHg; 
• SEM EVIDÊNCIA de lesão aguda ou piora de lesão crônica de órgão alvo; 
• Prestar atenção em pacientes com a PA alta de forma crônica, como o paciente do caso 2. Abaixar muito a pressão do 
paciente pode levar a um AVC ou síndrome coronariana; 
• Como tratar: conversar com o paciente, com a família, reforçar a necessidade da adesão medicamentosa para que a 
pressão se mantenha no valor correto e ser ajustada a longo prazo; 
• Emergências hipertensivas são 95% dos casos de hipertensão que chegam no PS. 
• 5% dos casos são os que matam os pacientes. 
 
Emergência hipertensiva 
• São os 5% que precisamos de atenção total para o paciente não ir a óbito; 
• Pacientes com PAS > 180 ou PAD > 120 mmHg + lesão aguda de órgão alvo ou pior da lesão crônica; 
• Pode ocorrer progressão da lesão caso a PA não seja controlada; 
• MEDIDAS (mnemônico) > para lembrar das causas que levam à hipertensão na emergência: 
o Medicamentos (início ou suspensão abrupta); 
o Edema agudo de pulmão ou Encefalopatia hipertensiva; 
o Dissecção aguda de aorta; 
o Insuficiência renal; 
o Drogas (anfetamina, cocaína); 
o AVC; 
o Síndrome coronariana aguda. 
 
Sistematizando a avaliação 
1. Buscar sinais de alarme de lesão de órgãos alvo; 
a. Neurológico: nível de consciência, se o paciente está agitado ou torporoso, se a pupila está fotorreagente e em 
assimetria, se tem papiledema, se está convulsionando; 
b. Cardiológico: verificar se tem dor torácica, dispnéia, presença de B3 e B4, sopro novo; 
c. Pulmonar: uso de musculatura acessória, dispneia, se está estertorando; 
d. Abdome: se há dor abdominal, massa pulsátil no abdome (pensando em dissecção de aorta abdominal); 
e. Vascular: sempre avaliar 6 pulsos: carotídeos, radiais e femorais > se estão presentes e simétricos > pensando 
em dissecção aguda de aorta; 
f. Renal: conversar com o paciente para confirmar se há redução de diurese, urina espumosa, hematúria; 
g. Medicações e drogas: começou algum medicamento novo ou usou algum tipo de droga? 
2. Se qualquer um desses acima estiver presente: SINAL VERMELHO > CLASSIFICAÇÃO VERMELHA! 
3. Investigar melhor o paciente > não adianta só dar medicação e enviar para casa > afastar os 5% mais graves; 
 
Exames complementares, quando vão ajudar > na emergência: sim. Na urgência e pseudocrise: não precisa quase sempre! 
• Exames gerais > hemograma, creatinina, ureia, sódio e potássio; 
• Marcadores de hemólise > bilirrubinas, haptaglobina (padrão ouro), DHL e reticulócitos; 
• Rx e ECG > pensando em síndrome coronariana aguda ou edema agudo de pulmão; 
• Troponina e CKMB > se pensamos em síndrome coronariana aguda; 
• BNP > pensando em edema aguda ou diagnóstico diferencial de insuficiência respiratória; 
• TC ou RNM de crânio > se sinal neurológico, suspeitando de AVC ou outra causa; 
• Angio TC de tórax > quando pensamos em disseção aguda de aorta. 
 
Como conduzir com medicamentos para a emergência hipertensiva 
• TRIDIL (nitroglicerina) 
o Diluir 1 ampola (50 mg – 10 ml) em 240 ml de SG 5% ou SF 0,9%; 
o Dose: 5 a 100 mcg/min (1,5 a 60 ml/h); 
o Início: 5 mcg/min (1,5 ml/h); 
o Manutenção: aumentar 5 mcg/min (1,5 ml/h) a cada 5 minutos até a pressão alta); 
o ATENÇÃO: primeira opção para pacientes com síndrome coronariana aguda. 
• NIPRID (nitroprussiato) 
o Diluir 1 ampola (50 mg – 2 ml) em 248 ml de SG 5% (não pode ser em SF nesse caso); 
o Dose: 0,25 a 10 mcg/kg/min (se 70 kg = 5 a 200 ml/h); 
o Início: 0,25 mcg/kg/min (se 70 kg = 5 ml/h); 
o Manutenção: aumentar de 0,25 mcg/kg (se 70 kg = 5 ml/h) a cada 5 minutos até a pressão alvo. 
o Lembrar: 
▪ PA INVASIVA: pequenos aumentos podem gerar grande variação de pressão, por isso precisa ser bem 
monitorado; 
▪ Medicamento fotossensível > colocar em equipo fotoprotetor; 
▪ Pode fazer vasodilatação coronariana e roubar fluxo das coronárias com lesão > então preferir o 
Tridil em caso de doença coronariana aguda. 
• CAPTOPRIL: 12,5 mg VO > não é a melhor opção > fazer inicialmente e encaminhar para serviço de mais alta 
complexidade; 
• CLONIDINA: 0,2 mg VO > também não é a melhor opção; 
• HIDRALAZINA: 12,5 mg VO > também não é a melhor opção; 
• NIFEDIPINA sublingual: proscrito para uso em pronto socorro > não usar > baixa muito rápido a pressão, levando 
ao maior risco de AVC ou síndrome coronariana.

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