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SÉRIE 5S OU VOCÊ IMPLANTA, OU VOCÊ IMPLANTA! Você sabe o que é 5S (ou pensa que sabe)? Volume I PDCA Editora Haroldo Ribeiro Autor de vários Best-Sellers sobre 5S 2 Copyright 2015 by PDCA Editora Rua Afonso Pena, 229 – Santa Paula CEP 09541-400 – São Caetano do Sul – SP – Brasil Telefone: 11-42271761 Site: www.pdca.com.br E-mail: pdca@terra.com.br ISBN 978-85-63402-11-0 ------------------------------------------------------------------------------------------ Depósito Legal na Biblioteca Nacional, conforme Decreto n° 1.825, de 20 de dezembro de 1907. ------------------------------------------------------------------------------------------ Direitos reservados e protegidos. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida por qualquer meio, sem autorização prévia do autor. O Código Penal Brasileiro determina no artigo 184 pena e sanções a infratores por violação de direitos autorais. Autor: Haroldo Ribeiro Capa: Renata Ribeiro Produção Técnica: PDCA Editora Consulte o site da PDCA para mais informações sobre o 5S CATALOGAÇÃO NA FONTE DO DEPARTAMENTO NACIONAL DO LIVRO Ribeiro, Haroldo Você sabe o que é 5S (ou pensa que sabe)? – Volume 1 Série 5S – Ou você implanta, ou você implanta! /Haroldo Ribeiro. São Caetano do Sul: PDCA Editora, 2015 ISBN 978-85-63402-11-0 1. Administração de empresas 2. Ambiente de trabalho – Administração 3. Controle de qualidade 4. Manutenção Industrial – Administração I. Título mailto:pdca@terra.com.br 3 Sobre o Autor Diretor da PDCA - Consultoria em Qualidade e Consultor especializado no Japão. Administrador de Empresas e Engenheiro Mecânico, Pós-Graduado em Manutenção Mecânica. Criador da “Certificação 5S” em 1996. Professor de Pós-Graduação da FEI - Faculdade de Engenharia Industrial, São Paulo, desde 2003. Engenheiro e Auditor da Qualidade Certificado pela ASQ – Estados Unidos, desde 1991. É criador dos maiores portais do mundo de 5S e TPM (desde 1996). Um dos primeiros examinadores do Prêmio Nacional da Qualidade (1994 e 1997). Tem passado a metodologia de implantação do 5S e TPM para várias empresas do Brasil, países latino-americanos (Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Colômbia, Costa Rica e México), Índia e Europa desde 1995. Tem artigos publicados no Japão e em várias revistas brasileiras. Proferiu palestras e treinamentos de 5S e TPM para mais de 50 mil pessoas desde 1990. 4 Conheça e adquira outros produtos do Autor Conheça todos os produtos do consultor com maior número de livros sobre 5S e TPM publicados no mundo acessando ao site www.pdca.com.br Para adquirir cursos digitais, acesse ao nosso site: www.loja.pdca.com.br Entre em contato com a PDCA Consultoria em Qualidade e peça uma proposta personalizada para livros, cursos e consultorias. PDCA Consultoria em Qualidade Rua Afonso Pena, 229 – Santa Paula São Caetano do Sul – SP - Brasil www.pdca.com.br pdca@terra.com.br Telefone: 11-42271761 mailto:pdca@terra.com.br 5 SUMÁRIO Introdução 06 CAPÍTULO 1 - Entenda os Conceitos e os Significados de cada “S” 11 Conheça a origem do 5S 12 Saiba o que significa cada “S” 13 Quais os fundamentos do 5S? 20 CAPÍTULO 2 - Conheça a dinâmica do 5S – Sequência, particularidades e prática de cada “S” 29 Por que a sequência dos “S”? 30 Quais as particularidades e como praticar cada “S”? 33 CAPÍTULO 3 – Quais os Benefícios e Resultados do 5S? 71 Quais os Benefícios do 5S? 72 Quis os Resultados do 5S? 74 CAPÍTULO 4 – Qual a relação entre 5S e outras ferramentas de gestão? 78 1. 5S e a Qualidade 79 2.5S e a ISO/TS 16949 80 3.5S e a Segurança 82 4.5S e o Meio Ambiente 84 5.5S e TPM 85 6. 5S e o Lean Manufacturing 86 7.5S e as Boas Práticas de Fabricação 88 Conclusão e Teste de Conhecimento 90 Anexos 102 Anexo 1 - Exemplos de Padrões de 5S 103 Anexo 2 - Exemplo de Itens para a implementação e Verificação de 5S 128 Referências 142 6 Introdução Desperdício, desorganização, sujeira, falha de comunicação e de autodisciplina. Seguramente estes problemas, preponderantemente causados por questões culturais, prejudicam as rotinas de Gerentes, Supervisores e Colaboradores no ambiente de trabalho, causando consequências negativas diversas. Imaginemos ambientes de trabalho onde as pessoas, em todos os níveis, usam racionalmente os recursos, mantêm os seus locais de trabalho limpos e organizados, tratam de consensar e divulgar regras para uma boa convivência e são autodisciplinadas para cumprir com rigor, e voluntariamente, as normas, as regras e os procedimentos. O 5S, desde que foi criado no Japão no final da década de 50, tem sido a metodologia mais eficiente para promover estas transformações culturais nas empresas de todo o mundo. Tive a oportunidade de trabalhar na primeira empresa brasileira que conseguiu implantar o 5S da maneira genuinamente brasileira. Era uma empresa de manutenção industrial localizada no polo petroquímico de Camaçari, na Bahia. Tinha 3.600 colaboradores e em 1989 resolveu implantar o sistema de qualidade total, baseado no estilo japonês, com o apoio da JUSE (União Japonesa de Cientistas e Engenheiros) e da Fundação Christiano Ottoni, de Minas Gerais. Tínhamos como orientadores deste projeto o professor Vicente Falconi e o consultor japonês Miyauchi. Ao visitar empresas vencedoras do Prêmio Deming, nossa Direção chegou à conclusão que trataria o 5S como base para este sistema. Como não havia naquela época empresas no Brasil para fazermos benchmarking, não havia consultorias nem literatura específicas sobre o tema, traduzimos um livro do japonês para o português e contratamos o Nishitai, consultor japonês especializado no tema. Formamos um grupo de estudo para entender os fundamentos e a metodologia do 5S e adequamos à nossa realidade. Depois de altos e baixos, conseguimos chegar a excelência, o que propiciou à empresa receber por duas vezes consecutivas o reconhecimento da Petrobrás como o seu melhor fornecedor de serviços. Como engenheiro de manutenção e facilitador da qualidade e posteriormente como gerente de uma das unidades de negócio, tive a oportunidade de participar e vicenciar grande parte desta experiência, vencendo as dificuldades, mas usufruindo posteriormente das vantagens desta transformação cultural. Os exemplos 7 que destaco são: redução de custos de materiais de consumo e apoio em torno de 20%; ferramentarias e almoxarifados passaram a ser self-service; convertemos 2/3 de nossos supervisores em técnicos de processos, já que as equipes passaram a ser autogerenciadas; as 320 pessoas de minha gerência foram isentas de “bater cartão”, resultando em um aproveitamento de tempo diário em torno de 50 minutos por pessoa; nossos banheiros eram mantidos limpos por mais tempo e o papel higiênico, toalha e sabão eram supridos pelos próprios colaboradores; eu conseguia dedicar 70% de meu tempo para melhorias de processos e visitas a clientes; por dois anos consecutivos os colaboradores ganharam 1,5 a mais de seus salários por cumprir as metas de produtividade; zeramos acidentes com e sem afastamento durante dois anos; aumentamos o número de sugestões de 1 para 5. Das sugestões apresentadas 60% foram implementadas (aproximadamente 950 sugestões/ano). A partir de 1995, quando criei a PDCA Consultoria em Qualidade, venho apoiando empresas da América Latina na implantação do 5S, trabalhando em todas as etapas de implantação e em todos os níveis de hierarquia (não tenho consultores associados). A maioria das empresas que me procura está implantando o 5S pela segunda ou terceira vez. Quando faço o diagnóstico do programa constato três problemas: (1) As pessoas não sabem o que é 5S; (2) As lideranças não conhecem a metodologia de implantação; (3) O programa 5S está focado apenas em auditorias. Após escrever dez livros sobre o tema desde 1994, resolvi disponibilizar uma série de três livroscujo objetivo é facilitar uma implantação efetiva e definitiva. Afinal, até quando a empresa tentará reimplantar ou revitalizar o 5S, já que sem ele, os programas de qualidade e produtividade continuarão com dificuldades para obter os resultados esperados, e a exigir esforços adicionais para a sua implantação e manutenção? A ideia de escrever os três volumes é para que o leitor tenha a liberdade de adquirir o volume que acredita ser mais útil e prioritário, levando em consideração as suas necessidades e a sua disponibilidade de leitura e de recursos financeiros. O volume 1 da série, denominado “Você sabe o que é 5S (ou pensa que sabe)?”, tem como objetivo apresentar os fundamentos e a real dimensão 8 do 5S. Quando em 1990 tive o primeiro contato com o 5S, a minha primeira impressão foi a mesma que tenho verificado na maioria dos profissionais que conheci, desde que iniciei meus trabalhos de consultoria, em 1995. Uma visão mecânica e limitada de atividades de ordem e limpeza. Levei em torno de três anos para concluir que o 5S é, preponderantemente, um processo de mudança cultural. Na tabela a seguir apresento as principais distorções de entendimento do 5S que percebo nas pessoas com quem tenho contato nas empresas: Os 5S Traduções mais comuns Visão limitada Visão ampliada SEIRI Utilização, Seleção, Classificação Descarte Uso racional dos recursos SEITON Organização, Ordenação, Arrumação Identificar e demarcar locais e recursos Organizar os recursos para facilitar o acesso tornando ao ambiente mais seguro e produtivo SEISO Limpeza, Inspeção Faxina (remover sujeira periodicamente) Cuidar da limpeza do ambiente desenvolvendo o senso de zelo SEIKETSU Padronização, Saúde, Higiene Padronizar identificações e sinalizações Padronizar cada um dos 3S Definir rotinas de 5S Definir regras de convivência Cuidar da higiene e saúde no ambiente de trabalho SHITSUKE Autodisciplina, Autocontrole Manter a ordem e a limpeza Cumprir rigorosamente normas, regras e procedimentos sem necessidade de cobrança Apesar da falha no entendimento dos conceitos e fundamentos, e da falta de visão da amplitude dos resultados do 5S não ser o único motivo do fracasso da implantação do programa nas empresas, é por aí que tudo começa a ir ao caminho errado. O nível de fracasso na implantação do programa 5S em empresas no Ocidente é estarrecedor. De cada 100 empresas, a maioria de médio e grande portes, apenas 20 conseguem manter o programa funcionando três anos após a implantação. Somente duas delas conseguem implantar todos os 5S. 9 O volume 2 da série, intitulado “Como formar a cultura do 5S na empresa”, apresenta um modelo para uma implantação sistemática do 5S, desde a sensibilização da alta direção até a sua excelência, com o objetivo de formar a cultura do 5S na empresa. O entendimento dos conceitos e a concordância dos seus objetivos, vistos neste Volume 1, não garantem que os profissionais, das diversas áreas e dos diversos níveis hierárquicos, transformem a prática do 5S em um hábito. O volume 2 também apresenta as principais dificuldades que as empresas enfrentam ao longo da implantação, e de que maneira algumas delas conseguem superá-las. Conhecendo estes fatores, a empresa poderá se antecipar aos possíveis problemas, ou encontrar meios confiáveis para chegar ao sucesso efetivo e definitivo. É isto que apresenta o volume 2 baseado na experiência daquelas empresas que chegaram a um nível de excelência classe mundial. Portanto, vale a pena conhecer esta metodologia no Volume 2. E o volume 3 da série, que denomino “Como fazer excelentes auditorias de 5S”, apresenta toda a sistemática de auditorias de 5S. O conteúdo é fruto de minha experiência na formação de auditores, na avaliação posterior das auditorias por eles realizados nas empresas que dou consultoria, e nas próprias auditorias que realizo desde 1990. A metodologia trata auditorias de 5S como parte de um processo educacional. Diferente da metodologia adotada na maioria das empresas, que tem o objetivo apenas de julgar a área, registrando problemas à revelia dos auditados, e expondo a área auditada por meio de notas que não levam em consideração as características das áreas auditadas, das circunstâncias no momento da auditoria e dos próprios argumentos dos auditados. Uma vez adotadas inadequadamente, as auditorias prejudicam a aceitação do 5S por parte dos auditados levando o programa ao descrédito, criando o círculo vicioso de preparação das áreas para auditorias (maquiagem), e da aplicação infundada de auditorias surpresas. Vale a pena conhecer esta metodologia no Volume 3. 10 Vamos ao Volume 1? Boa leitura! Haroldo Ribeiro www.pdca.com.br www.harib5s.blogspot.com pdca@terra.com.br http://www.pdca.com.br/ http://www.harib5s.blogspot.com/ mailto:pdca@terra.com.br 11 CAPÍTULO 1 Entenda os Conceitos e os Significados de cada “S” 12 Conheça a origem do 5S Após a derrota sofrida na Segunda Guerra Mundial, o Japão buscou na sua indústria a principal fonte de recuperação econômica. Como até aquele momento, a grande maioria dos produtos japoneses não gozava de boa reputação nos mercados europeus e norte-americano, a indústria necessitava produzir produtos de alta qualidade e com preços competitivos, o que exigia alta produtividade. Na tentativa de implantação de alguns sistemas de qualidade e produtividade utilizados nas empresas do ocidente na época, a indústria japonesa se deparou com várias limitações, principalmente de ordem cultural. Desperdício, desorganização, sujeira, falta de higiene, falta de procedimentos e falta de autodisciplina eram características muito comuns nos ambientes de trabalho japoneses daquela época. Por conta disto, foi criado um programa para atuar nestes tipos de problemas, com as seguintes características: (1) o programa tinha que ser de simples entendimento por qualquer pessoa, independente de seu nível acadêmico, hierárquico ou social; (2) tinha que ser praticado por toda a empresa; (3) que fosse capaz de melhorar as condições de trabalho no dia a dia, sem muito investimento; (4) e que fosse autossustentável, ou seja, tinha que ser praticado como um hábito. Isto ocorreu no final da década de 50, inicialmente para combater o desperdício, a desordem e a sujeira. Posteriormente para combater a falta de higiene e a indisciplina. Não há uma convergência de informações sobre quem criou o 5S. Alguns autores citam que foi criado pelo saudoso Dr. Kaoru Ishikawa, engenheiro químico japonês, principal pregador dos conceitos de qualidade total naquele país. Esta referência deve-se ao fato ter sido o Professor Ishikawa o responsável pela criação dos CCQs - Círculos de Controle da Qualidade, que tinham como princípio popularizar os conceitos de estatística aplicada à qualidade. Porém, não existe nenhuma citação nos seus próprios livros sobre esta suposta referência. 13 Após se transformar na segunda maior potência econômica mundial, na década de 80, o Japão passou a ser foco de pesquisas por empresas de outros países, desejando conhecer as ferramentas gerenciais utilizadas para justificar os seus grandes ganhos de produtividade (Qualidade Total, Sistema de Toyota de Produção; Manutenção Produtiva Total – TPM; Círculos de Controle de Qualidade – CCQ; o princípio de melhoria contínua - Kaizen). Como a maioria das empresas japonesas trata o 5S é uma base física e comportamental para o sucesso destas ferramentas gerenciais, o 5S passou a ser adotado por várias empresas do mundo. Desde o inicio da década de 90 quando foi iniciado o movimento pela Qualidade Total no Brasil, o 5S tem sido o único e o mais procurado programa para atuar sobre os problemas comportamentais nas empresas, principalmente para formar uma cultura de combate ao desperdício, à desordem, à sujeira, à falta de higiene e à falta de disciplina para manutenção da ordem e da limpeza. Amaioria das empresas que implanta o 5S no Brasil é motivada por se tratar de um programa corporativo da matriz, e/ou por estar associado a algum sistema de gestão, principalmente o Lean Manufacturing, o TPM (Manutenção Produtiva Total) e o WCM (Manufatura Classe Mundial), ou ao sistema de produção criado pela empresa. Algumas outras são motivadas por programa de Segurança Comportamental ou Normas ISO. Poucas têm o 5S dissociado de outras ferramentas. O ambiente que mais utiliza o 5S é o industrial, em função da existência de sistemas de produção e por desconhecimento que as empresas de serviço e de comércio têm sobre o tema. Saiba o que significa cada “S” A denominação 5S é devida às cinco atividades que fazem parte da metodologia, iniciadas pela letra “S”, quando pronunciadas em japonês: SEIRI – Utilização, Seleção, Classificação – Utilização adequada dos recursos e instalações evitando desperdícios. SEITON – Ordenação, Arrumação, Organização – Ordenação adequada dos recursos tornando o ambiente seguro e produtivo. SEISO – Limpeza, Inspeção – Limpeza com postura de Inspeção visando o zelo pelos recursos e instalações. 14 SEIKETSU – Padronização, Saúde e Higiene – Padronização de ambientes e atitudes e Sistemática para a manutenção dos 3S; Saúde e Higiene no ambiente de trabalho. SHITSUKE – Autodisciplina, Autocontrole – Autodisciplina para manter a ordem e a limpeza no dia a dia e para o cumprimento de normas, regras e procedimentos. Os quadros de 1 a 5 apresenta uma interpretação do Ideograma japonês para cada “S” feita pela Fundação Christiano Ottoni. 15 16 17 18 19 20 Quais os Fundamentos do 5S? O princípio de implantação do 5S pode ser mais bem entendido através do Diagrama de Hersey, reconhecido psicólogo norte-americano pela sua abordagem sobre comportamento das pessoas dentro das empresas. Hersey explica duas formas que promovem mudanças comportamentais no indivíduo. A Figura 1 apresenta as mudanças decorrentes de uma prática participativa, onde através do conhecimento da informação, as pessoas podem mudar as suas atitudes, depois mudam o seu comportamento pessoal e, por último, elas poderão promover uma mudança no comportamento coletivo. A Figura 2 apresenta as alterações oriundas de uma iniciativa direcionada, onde através de uma decisão tomada por uma liderança, há uma mudança do comportamento coletivo. Caso esta decisão permaneça por um tempo, há uma mudança no comportamento individual e posteriormente na atitude, até que o conhecimento seja internalizado. Vale a pena diferenciar "comportamento" de "atitude". Comportamento é a ação e atitude é a conscientização. O comportamento é o resultado de uma influência do meio. A atitude é o resultado de uma influência da consciência. O comportamento pode se transformar em uma atitude quando a ação é repetida várias vezes. A atitude pode se transformar em comportamento quando há uma coerência entre conhecimento e necessidade. Alguns exemplos podem elucidar a questão. 21 Figura 1 - Ciclo do Conhecimento (Natural) Figura 2 – Ciclo da Ação (Induzido) Atitudes Comportamento Individual Comportamento Coletivo Conhecimento Atitudes Comportamento Individual Comportamento Coletivo Conhecimento Atitudes Comportamento Individual Comportamento Coletivo Conhecimento Atitudes Comportamento Individual Comportamento Coletivo Conhecimento 22 O Cinto de Segurança Embora haja um consenso sobre os benefícios da utilização do cinto de segurança pelo motorista e pelos passageiros de um automóvel, há aqueles que, após tomar conhecimento das vantagens, passa a usá-lo, independente de uma fiscalização. Há outros que só usam o equipamento quando sentem o risco de serem multados. Através de uma boa campanha que envolva toda a sociedade e penalize os infratores, observa-se a mudança de comportamento coletivo. Caso esta campanha perdure, unindo conscientização (campanhas) e punição (multa), é possível que as pessoas passem a usar o cinto, não mais pela fiscalização, mas pela conscientização. Conclusão: As pessoas que usavam o cinto anteriormente, a partir do conhecimento, reviram suas atitudes e mudaram seus comportamentos. As pessoas que não usavam, tiveram que mudar seu comportamento por uma necessidade (livrar-se da punição). Mas com a frequência de uso e com mais informações, mudaram a sua atitude, ou seja, passaram a usar o cinto através da mudança de conhecimento. O Macaco e o Banho Gelado Não há um exemplo mais adequado para explicar a adequação do ser vivo ao ambiente que uma experiência com macacos feita por psicólogos comportamentalistas. Eles colocaram 5 macacos dentro de uma sala, cada um com um porte físico diferente do outro. Quando perceberam que os animais estavam famintos, colocaram um pouco de comida em um local onde somente um deles, por vez, poderia acessá-la. Não foi surpresa nenhuma ver que o macaco mais forte é quem se alimentou da pouca comida existente. Porém, no momento que o macaco tocou a comida, os demais receberam um banho de água gelada. O que ocorreu após a experiência se repetir algumas vezes? Isto mesmo, os demais macacos, sabendo que seriam castigados no momento que um deles se beneficiasse com o alimento, uniram-se e impediram o acesso de qualquer um deles. A experiência não terminou aí. Quando já havia uma acomodação com relação à comida pelos macacos, mesmo famintos, os cientistas trocaram um deles por outro. Como o novo inquilino não conhecia as regras, foi impedido de acessar à comida, mesmo faminto. A experiência se repetiu até que todos os macacos tivessem sido revezados. Naquele momento os cientistas 23 perceberam que, mesmo desconhecendo os efeitos do acesso à comida (o banho de água gelada), os macacos tinham adquirido o hábito de não fazê- lo. Conclusão: O ambiente tem uma forte influência sobre o comportamento. Exemplos como este, temos os costumes que adquirimos, dependendo do ambiente onde vivemos ou trabalhamos. O trem e o Metrô É comum nos países onde há uma carência na educação comportamental, uma diferença no comportamento das pessoas quando utilizam o trem urbano e quando utilizam o Metrô, embora sejam as mesmas. Normalmente sujam o trem e mantêm o metrô limpo. Por que isto ocorre? A resposta é simples. Enquanto os funcionários do metrô fiscalizam a venda clandestina de alimentos e mantêm a estação e os vagões sempre limpos e bem conservados, nem sempre ocorre o mesmo com o trem. Diferenças de comportamento como esta ocorrem entre feiras livres e hipermercados; entre banheiros de terminais de ônibus e de aeroportos; entre estádios de futebol e teatros. Ou seja, o ambiente físico influencia o comportamento coletivo. A partir de uma abordagem comportamentalista, fica mais fácil explicar a sistemática de implantação do 5S: Reconhecimento do problema Problema é a diferença entre o que se tem e o que se deseja ter. É uma questão relativa e não absoluta, uma vez que a percepção do que se tem, e a expectativa do que se deseja ter, dependem da referência que as pessoas conhecem e das necessidades que elas precisam atendê-las. Dentro de uma empresa, o reconhecimento do problema pode ocorrer por iniciativa de algumas pessoas ou por iniciativa de seus acionistas, clientes, fornecedores ou órgãos fiscalizadores que representam a sociedade. Desperdício, desordem, sujeira, poluição, acidentes, defeitos, indisciplina, pouco comprometimento, quebra frequente de equipamentos e/ou dificuldade para a implementação de outras melhorias, são realidades de várias organizações e que demoram a serem reconhecidas. São problemas causados, muitas vezes, por deficiência no comportamento das pessoas, de todos os níveis e de 24 todas as áreas. São problemas que parecem pequenos quando isolados ou mal analisados, mas que geram um grande custo quando somados e associados a outros. São problemas que ocorrem a toda hora, a cada minuto, e que não são percebidos pelas lideranças.Desta forma, o primeiro momento da implantação do 5S é o reconhecimento e a inquietação com os problemas, cujas causas são deficiências comportamentais, e cujas consequências muitas vezes são drásticas. Busca da solução do problema Apesar de mais de meio século desde a sua criação no Japão, e de chegar ao ocidente desde a década de 80, o 5S ainda não é conhecido pela grande maioria das empresas. Mesmo que algumas delas estejam incomodadas com os problemas oriundos de aspectos comportamentais, não sabem que existe uma solução sistemática, simples, barata e devidamente experimentada para solucioná-los, que é o 5S. Primeiro: Conheça os conceitos do 5S As empresas passam a conhecer o 5S das diversas formas: iniciativa de algumas pessoas; participação em eventos (congressos, seminários, cursos, feiras, palestras, etc.); visita aos clientes e/ou fornecedores; sugestão de auditores ou consultores de sistemas da qualidade, segurança ou meio ambiente; leitura de artigos ou matérias em jornais e revistas. A impressão de quem tem o primeiro contato com o 5S é que se trata de um programa de ordem e limpeza (“housekeeping”). Aqueles que visitam instalações em fase mais avançada de implantação, e que não se aprofundam no tema, tendem a enxergar o 5S como uma ferramenta mais voltada para o embelezamento do local de trabalho. Isto significa, que o 5S parece ser uma coisa boa, mas que não tem nenhuma importância para uma empresa que pensa resolver seus problemas através de “mudanças tecnológicas”. Algumas pessoas passam a conhecer o 5S a partir de uma visão distorcida e experiências incompletas ou mal sucedidas de outras organizações ou instalações. Experiências mal sucedidas são aquelas que se limitam a implantação do 5S apenas com um treinamento relâmpago e massificado dos colaboradores, para depois se realizar o dia do descarte e da faxina. Experiências incompletas são aquelas 25 onde o estágio de implantação ainda é embrionário, cujo valor investido com a parte promocional se reverteu, por enquanto, em alguns materiais descartados. Uma distorção dos conceitos mais frequentemente cometida por muita gente que acredita conhecer o 5S é limitá-lo à parte dos 3 primeiros “S”. Esta questão é melhor abordada no decorrer deste livro. Segundo: Reconheça o 5S Conhecer o 5S não é determinante para implementá-lo. As pessoas precisam reconhecer o 5S como um processo educacional eficaz para resolver os problemas de ordem comportamental existentes na empresa. Só conhece a força do 5S quem já o vivenciou, quer seja desde a tenra idade, através da educação recebida dos pais e professores, quer seja em empresas que o implementaram. Só conhece a dimensão do 5S quem tem fé na educação como base de crescimento e sustentação do ser humano. A decisão de implantação do 5S não pode passar por uma simples equação contábil entre despesas e ganhos tangíveis, mas por um sentimento de que uma empresa só sobrevive a médio e longo prazos, se possuir um ambiente físico e comportamental voltado para a dignificação do ser humano. Isto significa que uma empresa não deve implantar o 5S com um objetivo meramente social ou por puro capricho de seu líder, mas objetivando ganhos de produtividade. Portanto, a prática do 5S passa por um motivo funcional, antes de uma visão apenas estética. A prática do 5S não pode estar dissociada dos objetivos maiores da empresa. Terceiro: Entenda os mecanismos do 5S O 5S se fundamenta em dois princípios básicos e interdependentes do comportamento das pessoas: o conhecimento (treinamento, conscientização) e o monitoramento (avaliação, crítica, reconhecimento). Isto significa que todo o planejamento para a implantação sistemática do 5S na empresa deve passar por estes dois princípios. Os conceitos do 5S devem ser do conhecimento de todas as pessoas, em todos os níveis. Isto exige técnicas de multiplicação, materiais didáticos e promocionais, além de reciclagem permanente. A forma como a empresa fará o controle da implantação, em todas as fases, é fundamental para o seu sucesso. 26 A introdução do 5S numa empresa provoca, em um primeiro momento, um movimento propício para uma mudança de comportamento coletivo. Isto ocorre em função da concentração dos treinamentos e de todo o marketing que precede o lançamento do 5S. Os 3 primeiros “S” (SEIRI, SEITON e SEISO) são puramente mecânicos (hardware), fazendo com que as pessoas utilizem os seus sentidos naturais para praticá-los. A experimentação mecânica com a prática dos 3 primeiros “S” é fundamental para a assimilação de seus conceitos. Desta forma, quando mais carente está o ambiente em relação aos sensos de utilização, ordenação e limpeza, mais forte é o aprendizado. Isto justifica a dificuldade que se tem na adesão do 5S por parte de pessoas que trabalham em escritórios. Após a eliminação dos problemas básicos com a prática dos 3 primeiros “S”, há um ambiente físico adequado e uma predisposição das pessoas em busca de satisfazer às suas necessidades suplementares (software), tratadas pelo SEIKETSU e pelo SHITSUKE. Outro fator importante para a velocidade de assimilação do 5S é a formação educacional de cada pessoa. Quando se trata com uma população adulta, a introdução de um comportamento que não faça parte de sua memória é mais difícil. Isto significa que as pessoas que aderem mais facilmente ao 5S são aquelas que já praticam estes conceitos de forma natural, em função da educação recebida ao longo de sua vida. Em um segundo momento, aderem ao 5S aquelas pessoas que experimentaram uma boa educação, mas que, em função da influência de alguns ambientes, relaxaram na prática de alguns aspectos. Porém, a implantação do 5S na empresa possibilita que estas pessoas façam um “resgate” daquilo que estava adormecido em suas memórias. A dificuldade maior é conquistar a adesão daqueles que efetivamente não vivenciaram alguns comportamentos alinhados com o 5S. E isto, independe do nível sócio econômico, acadêmico ou hierárquico. São estas pessoas as resistentes ao 5S. Somente assistindo as melhorias geradas no ambiente de trabalho, é que algumas se convencem e internalizam o 5S. Quarto: Diferencie 5S dos Programas de Ordem e Limpeza Por uma questão de desconhecimento sobre o 5S, muitas pessoas, inclusive da alta cúpula das empresas, confundem o 5S com programas de ordem e limpeza. A tabela 1 resume estas diferenças. 27 Programa de Ordem e Limpeza 5S Aplicável em ambientes onde as pessoas transitam Aplicável em ambientes onde as pessoas trabalham Foco na transformação do ambiente Foco na transformação das pessoas Metodologia indutiva com caráter de condicionamento, impondo padrões. Metodologia construtivista com caráter educativo, criando e acordando padrões. Transformação baseada em melhorias feitas por poucos Transformação baseada em críticas e sugestões feitas pela própria equipe beneficiada Transformações em curto prazo, mas com dificuldade para a manutenção. Transformação em médio prazo, mas com facilidade para a manutenção. Manutenção baseada em auditorias. Manutenção baseada em auditorias e atividades promocionais. Tabela 1 – Diferença entre 5S e Programas de Ordem e Limpeza Esta confusão de conceitos tem levado algumas empresas a se limitarem em atividades de ordem e limpeza (como sinônimo de faxina), porém muito mais preocupadas com a forma (resultado estético), do que com os conceitos educacionais (resultado funcional). O SEIRI, que no sentido japonês, significa a utilização racional de recursos para evitar desperdícios, indevidamente é tratado como uma atividade estanque de descarte do desnecessário, mesmo assim sem muito critério. O SEITON, cujo objetivo é tornar o acesso aos recursos mais rápido e seguro, erroneamente é tratado apenas com pintura e demarcação de piso e uma poluição de identificações, muitas vezes sem a mínima funcionalidade. O SEISO, que tem por finalidade aproveitar a atividade de limpeza para agregarvalor ao ambiente, atacando fontes de sujeira, locais de difícil acesso para limpar, operar, visualizar, reparar, repor, etc., normalmente é tratado, na prática, como uma simples faxina, tornado pessoas qualificadas em puros faxineiros, e parando algumas atividades produtivas à custo de uma limpeza apenas estética. Caso não ocorra um melhor entendimento destes conceitos, principalmente por parte das lideranças, os resultados que poderiam advir do 5S ficariam bastante limitados aos resultados advindos do “housekeeping”, nos ambientes onde as pessoas vivem ou trabalham, e o inverso nos ambientes 28 onde as pessoas apenas circulam. É recomendável que no inicio de implantação do 5S em uma empresa, sejam desenvolvidas atividades de “housekeeping” nos ambientes frequentados por pessoas de diversas áreas, tais como: vestiários, refeitórios, pavimentações, estacionamentos, etc. À medida que o 5S se desenvolva nos ambientes de trabalho, as atividades de “housekeeping”, natural e gradativamente, são reduzidas nestes ambientes coletivos. 29 CAPÍTULO 2 Conheça a dinâmica do 5S – Sequência, particularidades e prática de cada “S” 30 Por que a sequência dos “S”? Nas diversas literaturas a sequência dos “5S” é a mesma. Isto tem uma explicação. 1º S - SEIRI – A classificação dos recursos existentes no ambiente, separando o que fica e o que sai, desperta as pessoas para uma análise crítica do seu ambiente e para o rompimento de paradigmas sobre posse de objetos obsoletos. A cultura de que “um dia eu vou precisar” forma na pessoa uma postura conservadora, de individualismo, de acomodação e não estimula a capacidade de planejamento. Esta postura gera um alto custo para a empresa e para a pessoa. Pode-se até imaginar que a guarda de objetos obsoletos dificulta a circulação e renovação de “energias” no ambiente. Como os dois próximos “S” tratam de ordenação e limpeza, não seria inteligente estarmos organizando e limpando recursos obsoletos. 2º S - SEITON – A definição de locais de guarda, a busca de identificações e sinalizações que facilitem o acesso e a reposição e a revisão do layout, despertam as pessoas para um melhor planejamento de tempo e de esforço físico, não só delas próprias, como dos outros. As pessoas passam a observar que o acesso aos recursos e instalações não podem depender de sua memória, mas de uma sistematização para a sua função e para as atividades dos outros, principalmente em ambientes coletivos. Como os dois próximos “S” tratam de limpeza e padronização, não seria inteligente estarmos limpando recursos desordenados ou padronizando aquilo que não está ordenado em nível individual. 3º S - SEISO – O zelo pelos recursos e instalações é conseguida através de atividades de limpeza, pois é a partir dela que as pessoas passam a ter um reconhecimento de seu ambiente. A manutenção da limpeza feita pelos próprios usuários rompe o paradigma de que a limpeza é uma atividade puramente mecânica a ser desenvolvida por pessoas de "menor valor". Como os dois próximos “S” tratam de padronização, saúde e autodisciplina, não seria inteligente estarmos definindo regras e padrões de referência para a limpeza, e depois cobrando o seu cumprimento, sem que antes as pessoas tenham a predisposição para manterem limpos os seus ambientes. 31 4º S - SEIKETSU – A preocupação pela saúde visa aumentar a autoestima. O estabelecimento de padrões e de regras de convivência rompe o paradigma de que o convivio pacífico não ocorre sem tirar a individualidade das pessoas. Como o último “S” trata de autodisciplina, não seria inteligente exigir respeito ao coletivo se as pessoas não demonstram respeito por si próprias, descuidando de sua saúde. Tampouco não seria inteligente cobrar autodisciplina se as pessoas desconhecem normas e procedimentos e não participam do estabelecimento de regras de convivência. 5º S - SHITSUKE – A autodisciplina é o estágio mais elevado da educação do ser humano. É inteligente a sua colocação como o último dos “S”, pois não seria coerente cobrar o respeito ao próximo e às normas, se as pessoas convivem em um ambiente de desperdício, de desorganização, de sujeira, de falta de higiene e de padrões ou regras. Os outros “S” Algumas empresas, autores e consultores procuram ampliar o conceito original do 5S para 8S e, até 10S. Casualmente as atividades adicionais de cada metodologia não coincidem. Por conta disto, existem outros 10 “S”, quais sejam: SHIKARI-YARO – Determinação e união – É comprometer a alta direção na implantação do 5S SHIDO – Treinamento – É capacitar funcionários de todos os níveis nos conceitos do 5S. SETSUYAKU – Economia - É o combate aos desperdícios. SEISAN – Eliminação de perdas – É envolver funcionários de todos os níveis e áreas para eliminar todos os tipos de perdas. SEKININ-SHAKAI – Responsabilidade social – Compromisso que a organização e as pessoas que dela fazem parte devem ter para com a sociedade. SHITSUKOKU – Persistência – É ter constância de propósito, não se limitando a fazer o 5S somente no lançamento ou em vésperas de auditorias. SHUKAN – Hábito – É praticar o 5S como um hábito, independente da carga de trabalho ou de cobranças. 32 SHISEI-RINRI – Princípios morais e éticos - Ser capaz de voltar esforços de gestão para objetivos mais nobres, como o de aumentar a produtividade, a eficiência e a qualidade de um produto ou serviço. SEIDO – Padronização - É estabelecer normas, regras e procedimentos, que demonstrem como fazer certas as coisas, para manter um ambiente de trabalho adequado. SEISHOO – Coordenação - É unir esforços para conquistar um determinado objetivo. Como se não bastasse, há citações de mais dois sensos: O senso de custo e o senso de tempo. A realidade tem mostrado o seguinte: a) A própria estratégia de implantação do 5S já incorpora a necessidade do comprometimento da alta direção (Shikari-Yaro), e do treinamento para todos os envolvidos (Shido). Quando isto não ocorre, não é o fato da simples denominação das atividades que mudará o quadro; b) A prática do 5S já é um combate aos desperdícios (Setsuyaku) e às perdas (Seisan); c) É impossível elevar e manter o padrão de cada um dos “5S” sem que haja responsabilidade (Sekinin) e persistência (Shitsukoku); d) As atividades do Seiketsu já incluem a padronização (Seido); e) As práticas do 5S no dia a dia já envolvem a união dos esforços (Seishoo); f) As políticas e os valores da empresa são determinados pela Liderança, não necessitando de um programa participativo como o 5S para tal (Shisei-Rinri); g) À medida que as pessoas repetem as atividades dos 3 primeiros “S”, incorporam o hábito (Shukan). Ora, apenas algumas empresas conseguem implantar sistematicamente os 3 primeiros “S” (20%, em média). Implantar todos os 5 “S” é privilégio de poucas (2%, em média). Não é aconselhável, portanto, falar de 6S, 8S, 9S ou 10S, quando eles já estão embutidos no 5S, e quando as empresas estão sufocadas por uma grande quantidade de Sistemas, Programas ou Ferramentas Gerenciais (ISO 9001, ISO/TS 16949, ISO 14001, OHSAS 33 18001, SA8000, TQC, TPM, JIT, Kaizen, Lean Manufacturing, Gemba, 6 Sigma, BSC, WCM, FMEA, RCM; CCQ; PDCA, etc.). Quais as particularidades e como praticar cada “S” Para facilitar a prática efetiva de cada “S”, vale a pena conhecer as suas particularidades: 1. 1. Quais as particularidades do SEIRI O desperdício de recursos materiais é um hábito que prejudica às pessoas, às empresas, à sociedade e ao meio ambiente. Há uma palavra em japonês denominada “Mottainai”, que significa que "todas as coisas boas do mundo são sagradas, são presentes dos deuses aos homens. Logo, desperdiçar, seja o que for, é uma ofensa ao criador". Mahatma Gandhi fez a seguinte citação sobre o uso inadequado de recursos: “um objeto, mesmo que não tenha sido adquirido por meio de roubo, deve ser, no entanto, considerado como furtado, se o possuirmos sem dele precisarmos” Seguemalguns comentários sobre o SEIRI, que na prática forma a cultura de combate ao desperdício. Não confunda o SEIRI com “Descarte”. Normalmente o 5S nas empresas começa com o “Dia D”, ou “Dia da Grande Limpeza”. O Volume 2 apresenta maiores detalhes deste evento. Ele não tem o mesmo grau de refinamento a que se propõe o SEIRI. É normal, após o Dia D, ainda serem classificados e descartados diversos materiais. Isto acontece devido a três fatores: a) As pessoas só iniciaram o descarte no dia do lançamento; b) Não houve tempo e recursos de apoio suficiente para a seleção e/ou descarte; c) O critério de seleção utilizado ainda não teve o rigor desejado (isto é normal). 34 Além de algum descarte feito após o Dia D, o SEIRI contempla também as atividades de adequação dos recursos às necessidades da área (podendo resultar da aquisição de recursos faltantes); à otimização de recursos e à conservação de instalações e recursos utilizados no ambiente de trabalho. Portanto, o SEIRI deve ser visto como uma atividade de combate às perdas e aos desperdícios. Como fazer uma seleção adequada entre o necessário e o desnecessário Quando é solicitado para as pessoas descartarem aquilo que não é necessário àquele ambiente, a eficácia do SEIRI não é a desejada. Isto porque há uma tendência natural de as pessoas se apegarem aos objetos, achando que um dia terão necessidade deles. Quando se adota o método de retirar do ambiente todos os objetos (exceto instalações fixas), selecionando-os e posteriormente repondo o estritamente necessário, o procedimento tende a ser mais criterioso, resultando em um maior número de itens e quantidade de materiais descartados. A participação dos líderes imediatos, porém, continua sendo imprescindível para o sucesso do SEIRI. O melhor princípio para definir o que deve ser mantido no ambiente de trabalho é imaginar que os recursos são escassos. Usar a filosofia do “um só dá”. Para tanto, são importantes alguns pré-requisitos: Não desconfiar que vai haver o “esperto”, aproveitando-se do que está sendo colocado em instalações de uso comum, apropriando-se dos recursos que estão em boas condições físicas, indisponibilizando-os para os outros; Entender que quanto mais recursos estejam sob a responsabilidade de alguém, maior é a dificuldade de administrá-los, principalmente porque a existência destes recursos pode atrapalhar o acesso ao que realmente tem mais importância ou utilização, além de ocupar espaços; Não acreditar que recursos de pequeno valor unitário podem ser mal utilizados; ◊ Não imaginar que qualquer um poderá precisar do recurso descartado e não tê-los mais. Em caso de dúvida, é interessante que o assunto seja 35 discutido com outras pessoas, principalmente com o líder da área, para que a decisão seja compartilhada. Uma estratégia usada em algumas empresas ou áreas, é definir uma frequência para o descarte de materiais que se acumulam, ou que não foram descartados anteriormente por falta de conscientização. Isto é muito comum no descarte de documentos em áreas administrativas, em almoxarifados e oficinas de manutenção. Identifique e trate adequadamente a ala dos "conservadores" e a ala dos "liberais". Na fase de descarte de material é comum nos depararmos com a ala dos conservadores, ou seja, pessoas que resistem em manter guardadas as coisas que não têm utilização frequente. Por outro lado, devemos ter o cuidado com a ala dos liberais. Nesta ala estão as pessoas que, sem uma preparação adequada, descartam materiais úteis e necessários, sob a alegação que "foi a chefia quem mandou". Não se deve acreditar que as pessoas que mais descartam são as mais eficazes na prática do SEIRI. Muitas vezes, o descarte aleatório pode provocar sérios prejuízos à empresa. Para solucionar tais problemas, além da orientação e frequente acompanhamento dos respectivos líderes, responsáveis por determinadas equipes podem, de vez em quando, fazer visitas à área de descarte e avaliar o que está sendo descartado, tomando as providências necessárias. Nos casos de equipamentos, sobressalentes ou material de grande volume ou peso, que estão obsoletos ou sem perspectiva de utilização, mas que precisa de uma avaliação mais aprofundada, envolvendo áreas técnicas e/ou alto nível hierárquico, podem ser etiquetados sem necessitar transportá-los à área de descarte. Algumas empresas enviam fotografias destes materiais para a área de descarte com o objetivo de registrá-los e induzir os seus responsáveis em tratar definitivamente do assunto. 36 O responsável pela Contabilidade da empresa deve reforçar o procedimento com relação ao descarte de materiais que fazem parte do imobilizado, com o objetivo de evitar o descontrole. 1. 2. Como praticar o SEIRI 1. Marcar um dia e horário para que as pessoas possam fazer a classificação dos materiais (“Dia D”.); 2. Separar o necessário do desnecessário, o que está em excesso ou sem condição de uso. Para saber se o recurso é usado adequadamente ou está em excesso, comparar a utilização com outra pessoa que realiza tarefa similar ou consultar o responsável pela área; 3. Destinar adequadamente aquilo que é inútil ou em excesso. Na dúvida, discutir com a equipe e com a Liderança para evitar descartar o que é útil; 4. Manter em locais de uso coletivo, aquilo que é usado de vez em quando; 5. Colocar próximo ao local de trabalho o que é utilizado com frequência; 6. Tentar eliminar bancadas fechadas. Quando inviável, colocar portas transparentes; 7. Eliminar armários pessoais de postos de trabalhos operacionais; 8. Romper a cultura de as pessoas guardarem recursos sem previsão imediata de uso em gavetas, bancadas, caixas de ferramentas, armários e outros compartimentos fechados. 9. Fazer inspeções periódicas para detecção de problemas de conservação em sua fase precoce. Usar o momento da utilização dos recursos e da limpeza da área para a inspeção; 10. Garantir que nenhum problema verificado causa uma condição insegura ou comprometa a qualidade do produto. Se isto ocorrer, isolar e sinalizar a área até que seja tomada uma ação efetiva; 11. Discutir com as lideranças as situações que dependem de uma decisão superior; 12. Planejar com a equipe de Manutenção o resgate das condições básicas de funcionamento; 13. Liberar equipamentos para manutenções corretivas e preventivas; 14. Utilizar os procedimentos da empresa para eliminar os problemas de conservação de acordo com a prioridade; 37 15. Manter controle sobre as pendências evitando que as solicitações sejam esquecidas; 16. Evitar solicitar um grande volume de pedidos em vésperas de auditorias. 2. 1. Quais as particularidades do SEITON Dicas para uma forma prática de ordenar materiais Convencionalmente em instalações centrais como almoxarifado, ferramentaria, documentação técnica, costuma-se guardar as coisas de acordo com o tipo de material (materiais de um mesmo tipo ficam juntos). A disposição destes materiais nem sempre obedece ao critério de frequência de utilização. Instalações centrais devem observar os itens que são mais frequentemente solicitados e devem ser colocados, em quantidade adequada, o mais próximo possível da entrada do usuário, mesmo que sejam guardados, lado a lado, tipos de materiais diferentes. Uma forma de manter a ordem também, é definir para cada item, onde guardá-lo e as quantidades máxima e mínima permitidas. Um estudo ergonômico também deve ser feito de forma que os materiais mais pesados fiquem posicionados em uma altura que permita o seu acesso sem maior esforço físico (linha da cintura). Materiais que fiquem armazenados em uma altura superior a 1,80 metro, devem ser acessados de maneira segura com equipamentos especiais. Lembre-se que a guarda de recursos deve ser feita de forma que o acesso e a reposição sejam imediatos Na execução do SEITON há uma preocupação das pessoas em apenas ordenar os recursos para facilitar o acesso. Com o decorrer do tempoos recursos ficam novamente desordenados, pois não há uma sistemática que induza as pessoas para reporem posição original. As seguintes sistemáticas são adotadas por algumas empresas na prática do SEITON: 38 a) Definição do local de guarda de cada recurso (um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar); b) Instalação de locais de guardas adequados à cada recurso, de forma que facilite o acesso e não comprometa a sua preservação; c) Identificação dos objetos e respectivos locais de guarda, inclusive utilizando cores. A comparação entre a identificação do objeto e a sinalização do local induzirá o usuário a repor o recurso no lugar pré- determinado; d) Confecção de gabaritos (formas ou silhuetas) no local de guarda coincidindo com o perfil do recurso. Além do gabarito ou silhueta acusar a ausência, induzirá o usuário à reposição adequada; e) Retirada de tampas e portas de armários, quando possível. Isto facilita o acesso visual imediato; f) Empilhamento lateral (um ao lado do outro) em vez de empilhamento horizontal (um sobre o outro). O empilhamento lateral impede a desordem facilitando a posterior reposição; g) Colocação de fitas em diagonais em pastas arquivadas uma ao lado da outra. Desta forma, a pasta retornará obrigatoriamente a mesma posição ao ser reposta; h) Confecção de quadros onde as pessoas que se ausentem do local de trabalho, escrevam seu nome, destino e horário previsto de retorno. Com isto a localização das pessoas e a transmissão de informações ficam facilitadas. Nem sempre rádios e celulares estão ligados para facilitar a localização. Desenvolva adequadamente os layouts Uma forma que permite uma boa racionalização de espaços e acesso rápido aos materiais necessários, é uma análise crítica de layouts, tanto de todo o ambiente quanto da guarda de todos os recursos. A discussão com o próprio usuário do ambiente ou operador da máquina ou equipamento, é de fundamental importância para o desenvolvimento de layouts práticos e eficientes. Visitas a processos similares e consultas ao pessoal técnico existente na empresa, são mecanismos que aceleram esta atividade, além da própria criatividade dos usuários. 39 Um problema que normalmente ocorre nesta fase é a solicitação das pessoas para troca dos recursos usados por novos, assim como a execução de "obras faraônicas". É bom ficar claro que muitas melhorias podem ser feitas sem desembolso de dinheiro. As melhorias que envolvem grandes recursos financeiros devem ser desenvolvidas pelo corpo técnico da empresa, embora sugerida por qual quer pessoa. Desenvolva o layout em três dimensões: a) Atente para Layout dos diversos ambientes É um estudo de layout de todos os ambientes. Normalmente é desenvolvido pelo corpo técnico, e geralmente não é avaliado dentro do 5S. b) Faça Layout do ambiente É um estudo de layout de cada ambiente. Normalmente é desenvolvido em equipe ou pelos respectivos responsáveis (líderes). c) Faça o Layout micro É o estudo de layout de cada item. Normalmente é desenvolvido pelo usuário do compartimento e operador da máquina/equipamento, com o apoio do líder. 2.2. Como praticar o SEITON 1. Identificar adequadamente todos os recursos e locais de guarda e ambientes para facilitar o acesso e evitar perda de tempo e riscos; 2. Se necessário, demarcar locais de guarda para induzir o usuário a repor cada recurso em seu devido local; 3. Instalar sinalizações adequadas que facilitem o acesso e evitem riscos. Adotar os padrões existentes na empresa ou, na ausência destas, Normas Técnicas ou Regulamentadoras; 4. Identificar adequadamente situações provisórias para facilitar a Gestão Visual, ou seja, para que todos saibam que a situação está sob controle; 40 5. Evitar identificações e sinalizações desnecessárias ou excessos que contaminem visualmente o ambiente. Ou seja, identificar aquilo que a ausência prejudica, e que a existência ajude; 6. Definir um lugar para cada recurso. O lugar deve ser adequado para as características e quantidade dos recursos, de maneira que o acesso seja fácil e seguro e a preservação seja garantida; 7. Evitar improvisar locais para guarda como parte externa de armários, piso embaixo da mesa e armários, parapeitos de janelas, divisórias e persianas, finais de corredores, espaço entre parede e armários ou prateleiras, boxes de banheiros, parte inferior de escadas, parte superior de tetos, etc.; 8. Ordenar os recursos e documentos de acordo com a disponibilidade de espaço e frequência de uso; 9. Utilizar ao máximo o espaço vertical; 10. Para evitar mistura, utilizar prateleiras, caixas e divisórias; 11. Repor o recurso no local original imediatamente após o uso; 12. Evitar acúmulos de documentos e recursos sobre mesas e bancadas; 13. Formar a cultura de deixar as mesas e bancadas livres de recursos no final de expediente e troca de turnos; 14. Garantir que os recursos permanentes do ambiente sejam distribuídos de tal forma que o acesso e a circulação sejam fáceis e seguras; 15. Caso o espaço seja incompatível com o volume, verificar a possibilidade de reduzir itens ou quantidades. Se for inviável, usar o máximo de espaço vertical através de prateleiras; 16. Discutir com as Lideranças e as áreas competentes, as melhorias de layout de maior complexidade e/ou que envolvam recursos financeiros não disponíveis. 3. 1. Quais as particularidades do SEISO Qual a diferença entre SEISO e “faxina”? A tradução do SEISO como “limpeza” induz as pessoas a associarem como uma atividade de remoção de sujeira (faxina) e de pouco valor agregado. O termo "inspeção" traduziria melhor o conceito do SEISO, pois “inspeção” transmite uma postura mais crítica no ato da limpeza, passando a ser encarada como uma oportunidade para detecção de anormalidades e suas 41 respectivas causas, promovendo posteriormente a sua eliminação ou bloqueio. Daí porque é importante que a limpeza seja feita pelo próprio usuário ou operador do equipamento. Desta forma, passa a ser uma atividade de alto valor agregado. A limpeza feita sem a postura de inspeção é incapaz de gerar melhorias no ambiente, limitando-se apenas à remoção da sujeira. Em uma fase inicial de implantação do 5S deve-se discutir qual a limpeza que será feita pelo usuário, e qual será feita pelo pessoal da limpeza. Normalmente estes são os exemplos de quem deve limpar tais sujeiras: Pessoal que trabalha no ambiente a) Sujeira provocada por um comportamento inadequado das pessoas que trabalham no ambiente; b) Sujeira provocada por uma deficiência dos equipamentos; c) Sujeira provocada por deficiências no processo de produção; d) Sujeira provocada por manuseio irregular de materiais. Pessoal da limpeza a) Recolhimento de sacos de lixo nas salas, oficinas, banheiros e áreas coletivas; b) Sujeira provocada por deficiências infraestruturais da empresa; c) Asseio de ambientes coletivos; d) Encerar pisos e limpar superfícies de vidro (janelas, divisórias, portas, etc.); e) Locais que exigem profissionais especializados e em alturas elevadas; f) Sugerir ao contratante ações para evitar a sujeira provocada pelos usuários (falta de tapete, manuseio, piso molhado, etc.). A remoção de sujeira de ambientes coletivos (área de circulação, refeitório, jardins, pavimentos, etc.), deve ser feita pelo pessoal da limpeza, porém a empresa deve ser bastante crítica em relação às anomalias de ordem comportamental que por acaso ocorram nestes ambientes. As pessoas que são afetadas por estas irregularidades devem analisar formas de induzir os frequentadores destes ambientes a terem um bom comportamento. Isto pode ser feito através de campanhas, cartazes e colocação de coletores de 42 resíduos. O papel do número 1 da empresa é de liderar o processo de inquietação com estas anomalias. As áreas onde existem turnos de trabalho podem ser divididas em várias partes, elegendo-se um turno responsável para cada área. Periodicamente pode ser feito um rodízio. Pratique o 5S eliminandoos “5K” O Professor Takasan do JIPM (Instituto Japonês para Manutenção de Planta) enfatiza que a limpeza feita com postura de inspeção proporciona a eliminação dos 5K: Kiken – Lugar Perigoso Kitanai – Lugar sujo e feio Kitsui – Trabalho pesado Kusai – Lugar fedorento, com mau cheiro Kurai – Lugar escuro Todas estas situações minimizam a dignidade do ser humano, reduzindo a sua autoestima. Por isto devem ser eliminadas, e um momento adequado para identificar estes "5K" é o da limpeza. Qual o conceito de “sujeira”? Geralmente quando uma empresa desenvolve o SEISO no ambiente de trabalho, preocupa-se apenas com a sujeira material, tais como: poeira, óleo, graxa, restos de materiais, pedaços de papel, materiais descartáveis, etc. Este é um entendimento limitado do SEISO. A empresa deve tratar a sujeira como todos os agentes que agridem ao meio ambiente, ou tudo que reduz gradativamente a capacidade e possibilidade de ação dos cinco sentidos, trazendo como consequência uma degradação do homem e das coisas que o cerca. A sujeira tem a característica de esconder o real. Estes são os exemplos de sujeiras e algumas consequências: Pouca iluminação: dificuldade de distinção de formas, cores, velocidade e falhas; perda da capacidade visual ao longo do tempo. 43 Odor desagradável: dificuldade de distinção de grau de deterioração e identificação de agentes agressivos à saúde; doenças ocupacionais. Ruído: dificuldade de distinção de sons, prejudicando a comunicação; perda da audição. Vibração: desgaste prematuro das instalações e fonte de geração de ruído; vida útil reduzida. Pó e poeira: enclausuramento das coisas, evitando percepção de anormalidades e aumentando o nível de desgaste das instalações (com a poeira, o tato passa a perceber o irreal); doenças crônicas e respiratórias. Portanto a eliminação da fonte de sujeira é, sobretudo, uma atividade de agregação de valor para o próprio homem. Por uma questão de prioridade, problemas de iluminação, de odor, de ruído e de vibração, são atacados pelo 5S somente no SEIKETSU. A limpeza deve ser feita com eficiência e chegar à superfície original. Para tanto, devem ser definidos o tipo de limpeza, o tempo estimado, o cronograma e os responsáveis. Deve ser criada uma rotina diária para os cinco à dez minutos de limpeza, evitando-se acúmulo de sujeira e garantindo a sua remoção em locais de difícil acesso físico e/ou visual. Combata os locais de difícil acesso Com o decorrer do tempo o ato da limpeza vai se incorporando às próprias atividades do profissional. A forma como uma tarefa é executada vai sendo modificada para gerar menos ou nenhuma sujeira. Porém, caso não seja estabelecida uma rotina e uma lista para limpeza dos locais de difícil acesso, definindo-se sua frequência e duração, a sujeira vai se acumulando nestes pontos, provocando condições irregulares (e às vezes inseguras). Uma postura mais ativa com relação à estes locais é eliminá-los, ou seja, tudo o que for de difícil acesso para visualização e/ou limpeza, deve ser questionado, para uma possível modificação do sistema, tornando-o mais facilmente acessível. 44 Conscientize a todos para que tratem a limpeza como parte da atividade No início de práticas do SEISO é comum as pessoas apontarem que a limpeza do ambiente, sendo feita pelo próprio usuário ou operador da máquina/equipamento, provocará uma perda de produtividade. O próprio líder geralmente pensa desta forma. Além disso, as pessoas acham que as atividades de varrer e limpar são uma humilhação. Para vencer estas resistências, podem ser usados os seguintes argumentos: a) Citar que a tarefa só estará concluída quando a sujeira gerada for removida do local de trabalho (a equipe deve entender que a limpeza faz parte da tarefa); b) Mostrar que a limpeza feita com a postura de inspeção é uma oportunidade para melhorar o processo; c) Lembrar que, com o tempo, as tarefas vão sendo executadas gerando pouca ou nenhuma sujeira. Equipes e pessoas devem ser críticas ao receber uma máquina ou ambiente de outra pessoa ou equipe. Imediatamente deve ser avaliado o nivel de limpeza encontrado, discutindo-se as irregularidades detectadas. Os líderes destas equipes devem se sentir responsáveis em solucionar os problemas que não foram resolvidos pela sua equipe. A justificativa que o volume de trabalho não permitiu a limpeza adequada, não deve ser aceita com facilidade, pois normalmente as equipes encontram-se nesta situação. Quando ocorrer algum acidente que provoque uma sujeira incomum, o fato deve ser tratado à parte, pois poderá haver necessidade de um apoio extra para remoção desta sujeira. Assim como foi sugerida para o SEITON, a limpeza deve ser executada em três etapas: a) Limpeza dos ambientes - Realizada em todos os ambientes. Normalmente é feita no “dia de lançamento do 5S”, ou periodicamente, em instalações ou pontos que acumulam sujeira com o tempo (independente da conduta das pessoas). b) Limpeza do ambiente - Realizada em cada compartimento. Pode ser feita pelo responsável ou pela equipe. Para tanto, é necessária a 45 disponibilização de recursos para a limpeza (vassoura, rodo, pano, detergente, dispositivos especiais, máquinas apropriadas, etc.). c) Limpeza micro - Realizada em cada item pelo seu usuário. Até que ponto é importante a pintura dos ambientes? É comum as pessoas desejarem pintar o ambiente de trabalho no início de implantação do 5S, principalmente atividades industriais, de manutenção e de armazenamento. Isto ocorre porque, sem dúvida, o ambiente pintado gera uma maior satisfação para o usuário; impressiona outras pessoas; demonstra uma transformação visual entre o antes e o depois do 5S, além de estimular a prática do asseio. Porém, a escolha do momento e amplitude correta para a realização da pintura não é tão fácil, uma vez que há um desembolso de recursos com material de pintura e, caso não sejam tomadas algumas precauções, como a eliminação de vazamentos de produtos, dentro de pouco tempo após a pintura, o ambiente retornará ao antigo padrão. Os ambientes devem ser pintados com cores claras, buscando comprometer as pessoas na busca e ataque das fontes de sujeira, pois com cor clara a sujeira é imediatamente detectada. Evidentemente deve ser escolhida tinta que tenha facilidade de limpeza (evitar tinta fosca). A cor clara também torna o ambiente mais agradável e as pessoas mais limpas, pois aquelas que trabalham com roupas sujas estão em sintonia com o ambiente, o qual também é sujo. À medida que tornamos o ambiente mais limpo, as pessoas também ficam mais limpas. Os líderes precisam oferecer um ambiente cujo padrão esteja acima da média da equipe. Se não proceder desta forma, o padrão comportamental das pessoas vai caindo, nivelando-se com o ambiente oferecido. Por exemplo, quando há um banheiro sem um padrão de higiene adequado: sem papel higiênico e sem papel toalha; vasos sanitários sujos (descargas quebradas, vasos entupidos, urina nas tampas); papéis sujos de fezes fora dos cestos; portas riscadas e com desenhos obscenos; mictórios com odor desagradável, etc., pode ser feito um trabalho de educação das pessoas. Reforma-se o banheiro; conserta-se tudo o que está quebrado; pinta-se as paredes e portas (a própria equipe, inclusive o líder, podem ajudar); faz-se uma campanha com cartazes e se discutem os problemas apresentados. Com o tempo estes 46 ambientes vão melhorando juntamente com os hábitos dos usuários. É um trabalho de persistência, mas que precisa ser feito. A própria equipe pode pintar o seu ambiente de trabalho, exceto em pontos altos ou aqueles que merecem uma pintura especial. Para tal, precisam receber informações técnicas sobre o método de pintura. A elaboração de um procedimento de pintura, um treinamento dado por pessoas habilitadas e os materiais para pintura, devem ser providenciados, sob o risco da atividade não ser bem feita e/ou um gastode materiais acima do normal. È comum, as pessoas pintarem pisos e equipamentos que estão incrustados de óleo ou com corrosão acelerada sem prepararem adequadamente a superfície. O resultado é uma pintura mal feita que em pouco tempo estará desgastada, provocando perdas de tempo e de recursos. 3.2. Como praticar o SEISO 1. Evitar sujar o ambiente de trabalho durante as atividades; 2. Evitar acumular sujeira ao longo do turno ou expediente. Limpar o ambiente imediatamente depois de detectada a sujeira; 3. Manter limpas as áreas de uso coletivo tais como: banheiros, vestiários, copa, restaurante, áreas externas, salas de reunião e treinamentos, etc. 4. Envolver as pessoas para identificar as fontes de sujeira da área e propor a sua extinção; 5. Elaborar plano para a extinção das fontes, Se necessário, consultar áreas técnicas, fabricantes de equipamentos ou fazer benchmarking com outras unidades ou empresas; 6. Conter a sujeira cuja fonte é inviável ou impossível de se eliminar, evitando que a sujeira se espalhe na área. 7. Definir uma frequência para cada tipo e lugar da sujeira acumulada de acordo com o nível de exigência do ambiente; 8. Providenciar os recursos adequados para cumprir a sistemática de limpeza (equipamentos, material de limpeza, dispositivos, pessoal qualificado e tempo das pessoas do próprio ambiente); 9. Garantir que a limpeza é feita com qualidade e na frequência definida; 10. Definir e distribuir coletores de acordo com o tipo, a frequência e o volume de cada tipo de resíduo gerado no ambiente; 47 11. Definir uma frequência adequada de retirada dos resíduos descartados nos coletores; 12. Em caso de coleta seletiva, padronizar as cores de acordo com cada tipo de resíduo, identificar o coletor e o local em que deve ser mantido. Especificar em cada coletor os tipos de resíduos que mais geram dúvidas para o usuário; 13. Verificar se as pessoas estão descartando os resíduos de maneira adequada. 4. 1. Quais as particularidades do SEIKETSU Entenda a diferença entre o SEIKETSU e cada um dos três primeiros “S” Nem sempre é fácil distinguir as atividades SEIRI, SEITON e SEISO, da atividade de SEIKETSU. Na prática, não há necessidade de se desgastar criando limites entre as atividades do 5S. O importante é a sua execução. Porém, para efeito didático, convém entender o que é SEIKETSU. O SEIKETSU é definição de regras para a prática dos três primeiros “S” (padronização), possibilitando um ambiente para práticas voltadas para a saúde do corpo e da mente. O SEIKETSU propõe mudanças na atitude das pessoas, enquanto as atividades SEIRI, SEITON e SEISO trabalham o comportamento. Caso o indivíduo faça algo com uma frequência elevada, há uma tendência natural das suas ações (comportamento) passarem a ser espontâneas (atitudes). Logo as atividades SEIRI, SEITON e SEISO são estágios que, quando bem desenvolvidos, funcionam como agentes de mudanças do homem, melhorando seu padrão educacional. O Seiketsu visa a perpetuação dos ganhos obtidos nas atividades do Seiri, Seiton e Seiso. Os três primeiros “S” cuidam do “hard”, ou seja, daquilo que é físico. São importantes porque, eliminar as inconveniências relativas aos costumes, ao 48 raciocínio, assim como ao comportamento de pessoas, que é o aspecto “soft”, não é uma coisa tão fácil. Quanto à eliminação das “sujeira visíveis”, acumuladas no local de trabalho, depende da participação de todos, a partir de uma reformulação na mentalidade das pessoas através da assimilação natural, à medida que se vai conduzindo as atividades dos três primeiros “S”. Quais os significados do SEIKETSU? Como já foi mencionada, a prática sistemática dos dois últimos “S” é recomendável quando os três primeiros estão consolidados (o nível de cada "S" é mantido acima de 90% em três avaliações consecutivas). O Seiketsu tem significado e tratativa diferentes de empresa para empresa. Aquelas que traduzem o Seiketsu como “Padronização” costumam dá uma conotação mais técnica ao 5S, assemelhando-o ao “Housekeeping”. Isto ocorre em unidades de fabricação e quando o 5S é coordenado por órgãos técnicos como Segurança do Trabalho, Produção, Manutenção ou um comitê responsável por alguma ferramenta de otimização de produção como “TPM”, “Kaizen”, “Just-in-Time”, “Lean Manufacturing”, etc. A maiorias das empresas traduz o Seiketsu como “Saúde e Padronização”. Outras traduzem como “Saúde, Higiene e Padronização, e poucas como “Saúde e Higiene”. Nestes casos elas dão uma conotação mais ampla e mais humanizada ao 5S, pois implementam ações voltadas para a saúde física e mental das pessoas. Quais as atividades são desenvolvidas no SEIKETSU? Além das atividades promocionais que são desenvolvidas ao longo da implantação e manutenção do 5S, algumas outras podem ser voltadas para o bem-estar do indivíduo, pois neste estágio as pessoas já estão receptivas às atividades que dependem de sua voluntariedade. As atividades do Seiketsu, compreendem a definição de padrões, a preocupação com a saúde ocupacional e a higiene no trabalho, a sistemática de para a manutenção e melhoria do 5S, e até a ampliação do 5S para ambientes eletrônicos. O Shitsuke cobrará aquilo que é definido no Seiketsu. 49 Várias atividades definidas no Seiketsu devem ser de iniciativa da empresa, outras podem ser desenvolvidas pelas equipes de trabalho. Algumas áreas que foram mapeadas para efeito de auditoria dos 3 primeiros “S”, podem ser agrupadas para implementação e auditorias dos dois últimos “S” quando forem de responsabilidade das mesmas pessoas, uma vez que não se justifica fazer a separação. As principais atividades do Seiketsu são: 1. Criação de padrões de identificação, sinalização, pintura, demarcações Apesar de várias empresas tratarem a padronização das pinturas, identificações e das sinalizações ainda no Seiton , é durante a prática do Seiketsu que esta padronização é efetivada. Vale observar que podem ser definidos mais de um padrão para identificações de armários, gavetas, estantes, pastas e compartimentos. Porém, dentro de um mesmo local de trabalho deve haver uma uniformidade destas identificações. São objetos de padronização: Pintura, demarcação e sinalização de piso Pintura e identificação de equipamentos Identificação de ambientes e postos de trabalho Identificação de locais de guarda, incluindo compartimentos como gavetas, prateleiras, caixas, portas de armários e de bancadas, etc. ⇒ Identificação de pastas de documentos ⇒ Sinalização de segurança ⇒ Identificação de tomadas elétricas, etc. Devem ser feitas ou revisadas a sinalização e a identificação geral de ruas internas, prédios, unidades produtivas, portas externas e locais restritos. Normalmente é contratada uma empresa especializada que poderá fazer associação de cores e símbolos, facilitando a interpretação e o acesso, e dando uma identificação visual à empresa. Poderá ser feita alguma melhoria na sinalização das ruas como instalação de faixas de circulação e de travessia de pedestres; placas sinalizadoras de limites de velocidade; instalação de espelhos convexos em pontos estratégicos (saída de caminhões e empilhadeiras); placas identificadoras de produtos processados na planta, 50 apresentando as suas características, aplicações, riscos e como proceder em caso de acidentes; melhorias na sinalização de segurança (EPIs utilizados na área, sinalização de equipamentos de emergência, como macas, extintores, hidrantes, chuveiros, lava-olhos, etc.); sinalização em escadas apresentando o piso inferior e o superior, para facilitar o acesso e evitar deslocamentos desnecessários; etc. Cada padrão criado deve ser devidamente divulgado, inclusive definindo-se a data limite para que todas as áreas possam implementá-lo. 2. Implantação gradativa de “Controle Visual”; Com o desenvolvimento e aplicação crescente da eletrônica e da informática, as pessoas passaram a ignorar metodologias simples de controle,mas que produzem resultados extraordinários. Através de uma simples sinalização, incluindo símbolos e cores, pode se identificar se um determinado item ou processo está sob controle, ou não. Esta tem sido uma forma criativa e barata de promover melhorias na eficácia de controle de diversas empresas japonesas e, atualmente, em empresas ocidentais que estão implantando o 5S com sucesso. A exploração de símbolo e cores para as diversas indicações provoca redução de tamanho de letreiros e agilizam o acesso rápido ao que se procura. Uma técnica bastante utilizada para garantir a manutenção de ordem e evitar erros e acidentes é a implementação de mecanismos à prova de falha, denominados no Japão de “Poka-yokes”. São dispositivos desenvolvidos com muita criatividade pela equipe, observando-se aspectos de segurança, e que obrigam aos usuários a colocar ou repor os recursos sempre na posição definida. Isto pode ser feito com a utilização de gabaritos feitos de madeira, metal ou material sintético, que impedem a guarda do recurso em um local diferente do desejado, uma vez que não se encaixaria ali. Alguns “Poka- yokes” garantem a colocação ou retirada, numa sequencia obrigatória, de forma a evitar erros com trocas, faltas ou esquecimentos. Uma forma prática de se conhecer estas técnicas é visitar empresas que têm o 5S em estágio mais avançado, bem como participação em eventos de 5S, contratação de consultores com experiência e leitura em livros especializados e afins. 51 3. Criação e/ou fortalecimento de regras de convivência Uma vez que os problemas básicos de ordem e limpeza foram eliminados na prática dos três primeiros “S” , as pessoas criam ou fortalecem as regras de convivência, as normas e os procedimentos, com o objetivo de garantir o seu cumprimento e, por conseguinte, propiciar um ambiente de respeito ao próximo e aos processos anteriores (fornecedores externos e internos), e posteriores (clientes internos e externos). As regras, as normas e os procedimentos são consensados após a sua discussão e possíveis revisões, não somente no seu conteúdo, mas na sua formatação e linguagem. A partir do momento que as pessoas conhecem estas regras, normas e procedimentos, tendem a respeitá-los (atitude que será cobrada na prática do Shitsuke). É bom lembrar que as possíveis normas e procedimentos relacionados à qualidade, segurança e meio ambiente, podem ser revisadas no seu conteúdo e/ou linguagem para atender às reais necessidades do processo e ao entendimento das pessoas. 4. Definição de níveis de máximo e mínimo Em consenso, podem ser definidos os níveis de máximo e mínimo dos principais itens guardados em cada ambiente ou compartimento. 5. Definição de temporalidade de documentos Para os documentos que ainda não têm uma temporalidade definida, a equipe pode definir a periodicidade de manutenção e descarte. Isto pode acontecer identificando o prazo de retenção em cada documento, e/ou estipulando uma data para que seja feito um descarte massificado em vários tipos de documentos. Esta temporalidade também pode ser usada para documentos afixados em quadros de avisos ou de Gestão à Vista. 6. Tipos de recursos (móveis, máquinas, pastas, etc.); Também podem ser definidos por órgãos administrativos e/ou técnicos da empresa padrões para aquisição de vários tipos de recursos produtivos e de 52 apoio, tais como móveis, alguns equipamentos, ferramentas, caixas de ferramentas, carrinhos, bancadas, pastas de documentos, etc. A transformação para estes padrões deve ser gradativa, à medida que os recursos atuais estejam desgastados, que justifique a troca. 7. Criação de padrões de ordenação Uma forma prática de estimular a manutenção da ordem em um local de trabalho é afixar, em um local visível, uma ou mais fotos apresentando o padrão desejado da ordem. Este padrão visual é mais eficiente que qualquer descritivo. Porém, deve se ter o cuidado para não estabelecer como padrão uma condição utópica, fora da realidade de cada área no seu dia-a-dia. Por exemplo, se as mesas de um determinado local de trabalho normalmente contêm documentos que são processados, não adianta tirar a fotografia da mesa sem papel, mas sim com a quantidade que é tratada no dia, porém mantidos de forma ordenada, que facilite o acesso. Nos ambientes de uso coletivo, este recurso pode ser mais bem explorado, ou seja, uma quantidade maior de padrões. 8. Criação de padrões de limpeza Limpeza não é uma referência absoluta. O que é limpo para alguém, pode não ser para outras pessoas. Desta forma, é importante que sejam discutidos e desenvolvidos padrões visuais de limpeza. Para EPIs ou panos usados, pode ser discutido com a equipe o ponto onde, a partir dali, pode ser considerado o item como “sujo”, visando facilitar o descarte definitivo ou para lavagem/higienização. Este padrão fica exposto no próprio local de descarte, ou até mesmo no local de retirada de um item novo. Para instalações e recursos produtivos e de apoio, podem ser desenvolvidos “modelos” os quais devem ser mantidos permanentemente limpos. Evidente isto exigirá uma autodisciplina do responsável, além do monitoramento feito pelo líder ou responsável pela promoção do 5S naquele ambiente de trabalho. 53 9. Avaliação e correções de possíveis problemas ergonômicos A preocupação na utilização adequada dos recursos (Seiri), na facilidade de acesso (Seiton) e na limpeza do ambiente (Seiso), presentes na prática dos três primeiros “S” , dá uma ênfase ao processo, ou seja, está voltada para a funcionalidade do ambiente. Uma vez vencido o estágio de eliminação das deficiências funcionais, há um ambiente favorável para a detecção de problemas que podem comprometer a saúde das pessoas ao longo do tempo (ergononomia, ruido, iluminação, contaminação, etc). Apesar de algumas empresas argumentarem que já têm uma preocupação com estes fatores, com a prática do Seiketsu cria-se um estímulo para o aperfeiçoamento, principalmente a partir de uma análise mais crítica dos colaboradores em relação à utilização de equipamentos, móveis, instalações e ferramentas. São exemplos destes problemas: DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho, incluindo as Lesões por Esforços Repetitivos - LER); Outras doenças ocupacionais provocadas por poluições química e sonora e/ou por problemas de iluminação, ventilação, temperatura e umidade do ambiente de trabalho. Todos estes problemas são atacados por especialistas, fundamentados em análise científica. 10. Aplicação de exercícios de relaxamento físico e/ou mental Uma das alternativas propostas para se aliviar tensões localizadas provocadas por determinadas atividades é a aplicação de exercícios de relaxamento em grupo, tais como alongamentos, ioga, musicoterapia, Tai-Shi-Shuan, massagens e outros exercícios, sob coordenação de um especialista ou por um colaborador devidamente capacitado, denominados “ginástica laboral”. Estas atividades são normalmente realizadas em pequenos grupos, no próprio local e horário de trabalho, com duração entre 5 a 20 minutos, e por 54 voluntários devidamente orientados. Aparentemente, pode parecer que há uma perda de tempo com tais atividades, mas o resultado é o alívio da fadiga física e mental, gerando uma maior eficiência na realização do trabalho. É normal que no início destas atividades haja uma tímida adesão, principalmente em ambientes. Porém, com o tempo as pessoas vão percebendo os ganhos e até gostando destas atividades, principalmente porque “quebram” a monotonia do ritmo de trabalho. Também é normal, no decorrer de tais exercícios, algumas pessoas eventualmente não participarem alegando sobrecarga de trabalho naquele momento. Dependendo do estímulo do coordenador das atividades e dos próprios colegas, estas pessoas conseguem vencer a tentação de não praticá-los. 11. A implementação da “Motivação Visual” Um ambiente de trabalho normalmente apresenta um padrão tradicional,apenas com materiais que têm uma relação direta com o trabalho. Motivação visual é tudo aquilo que pode servir para tornar o ambiente de trabalho mais humanizado, alegre e descontraído, onde as pessoas sintam-se dignificadas. Estes elementos são discutidos em grupo para evitar alguns tipos de choques culturais e abusos, podendo gerar certa poluição visual ou descaracterização do ambiente de trabalho. 12. Realização de campanhas voltadas para a saúde física e mental (normalmente feitas para toda a empresa) Através de um levantamento feito pela área de Medicina do Trabalho, podem ser realizadas várias campanhas relacionadas à saúde física e mental das pessoas, priorizando o que há de mais carente nos seus hábitos, tais como: Combate ao sedentarismo: Estímulo à pratica do esporte através de palestras, abertura de turmas para a prática de esportes no grêmio da empresa, convênio com academias próximas da empresa ou nos bairros 55 onde residem os colaboradores, e até mesmo instalação de uma academia da própria empresa com o acompanhamento de um especialista (preparador físico); Campanhas contra dependência química: Realização de palestras suportadas por estruturas de apoio, sensibilizando os dependentes para os prejuízos da droga (principalmente o tabagismo e o alcoolismo). No caso do alcoolismo, a divulgação de endereços de associações de dependentes e ex-dependentes, tem sido a estratégia mais utilizada após as palestras. No caso do fumo, a própria sociedade tem criado mecanismos de pressionar e convencer o fumante a abandonar o vício. A proibição do fumo em ambientes fechados, como restaurantes, bares, aviões e em alguns prédios, as campanhas realizadas pelo governo e meios de comunicação, e a criação de algumas regras específicas dentro das empresas, têm levado alguns fumantes a reverem as suas posições. A criação de fumatórios (também denominados de fumódromos) em pontos afastados dos ambientes de trabalho tem sido uma estratégia de a empresa permitir a prática do fumo em suas dependências, sem prejudicar as pessoas que não fumam. Neste caso, os visitantes devem ser informados por sinalizações desde a entrada da empresa quanto da proibição do fumo nos ambientes de trabalho. Há empresas que partem para posturas mais radicais simplesmente proibindo a prática do fumo em quaisquer de suas dependências, obrigando o colaborador a deixar o seu maço de cigarros na portaria. Outro ponto atacado é o hábito que o fumante tem de largar pontas de cigarro ao longo de corredores, pavimentos e jardins. Além de uma campanha que pode ser feita neste sentido, a distribuição de cinzeiros com a devida sinalização em pontos estratégicos minimizam e até eliminam o problema. ⇒ Campanha contra o “stress”: Entrevistas feitas por psicólogos e palestras apresentando os fatores geradores, as consequências e as formas de administração do “stress”, tem sido a estratégia mais utilizada. Algumas causas internas da empresa podem favorecer um elevado “stress”, tais como: relacionamento “chefia-subordinado”; sobrecarga de trabalho provocada por subdimensionamento da equipe, limitações acadêmicas para o exercício pleno da função e momento delicado da empresa ou do ambiente, provocando o medo do desemprego ou do fechamento do negócio. Nestes casos cabe a área de Recursos Humanos desenvolver projetos corporativos, localizados, ou dar um tratamento 56 pessoal com o objetivo de reverter a situação. As causas externas são mais difíceis para a empresa administrar. As mais comuns são os conflitos familiares, os problemas de doenças crônicas na família, limitações na moradia (infraestrutura e distância), e a dificuldade em administrar o orçamento doméstico, levando as pessoas à perda de crédito por débitos acumulados em bancos e/ou no comércio, e até à ameaças quando recorrem aos “agiotas”. Nestes casos, a empresa pode desenvolver um projeto, a partir de um levantamento do perfil atual, composto por palestras envolvendo o(a) cônjuge e criando uma linha de empréstimo especial (juros baixos, carência razoável e prazo longo para a sua quitação). Campanha de educação alimentar: Com o apoio de um especialista (nutricionista), é desenvolvida uma campanha visando uma melhor educação alimentar, através de palestras e/ou panfletos, suportada pela disponibilização de um cardápio alternativo para pessoas que tenham problemas de obesidade e/ou intestinais. Podem ser afixadas no refeitório informações sobre a quantidade de calorias de cada tipo de refeição, fazendo uma comparação da quantidade de exercício necessário para queimá-las. Podem ser divulgadas informações sobre o tipo de vitamina que contém cada alimento apresentando quais partes do corpo são beneficiadas com a sua ingestão. Ainda podem ser apresentadas informações sobre técnicas de alimentação, como a degustação (envolvendo salivação e mastigação), a ingestão de líquidos, e até mesmo a importância do momento da alimentação para o convívio social e o relaxamento. Para fazer com que a campanha tenha um maior desdobramento, pode ser instituído na empresa o movimento chamado “vigilantes do peso”, onde as pessoas que fazem a adesão se comprometem a se fiscalizarem mutuamente na observância da dieta sugerida. Campanhas de prevenção de doenças: Apresentação de palestras e/ou panfletos buscando a sensibilização das pessoas para a prevenção de doenças cancerígenas, tais como o câncer de mama, câncer uterino; câncer de próstata; doenças sexualmente transmissíveis, como AIDS, cancro mole, cancro duro, sífilis, candidíase, gonorréia, condiloma, linfogranuloma, e campanhas de vacinação contra diversas doenças, onde a mais comum é a gripe. 57 13. Campanhas relacionadas ao meio ambiente O 5S tem um forte vínculo com o meio ambiente. A prática do Seiri beneficia diretamente ao meio ambiente através da prática dos mencionados 3R’s: Redução do consumo, Reutilização do recurso e Reciclagem do que foi usado. Mesmo com um possível sistema de gestão ambiental que exista na empresa, o 5S, por ter uma característica de um processo rotineiro, de fácil entendimento e de atingimento simultâneo em todos os níveis hierárquicos, pode ser utilizado para fortalecer as práticas previstas pelo sistema. Para aquelas que ainda não têm um sistema de gestão ambiental, uma campanha de 5S com ênfase no meio ambiente, demonstrando o impacto ambiental das contaminações de piso, da poluição química provocada por vazamentos e derramamentos, da própria sujeira do ambiente de trabalho e da prática deficiente de coleta seletiva, tendem a sensibilizar às pessoas para a mudança efetiva de suas atitudes. 14. Criação de áreas de lazer Várias empresas acordam com seus colaboradores a criação de área de lazer à medida que são disponibilizados espaços por conta de descarte de recursos obsoletos e/ou de sua otimização. Estas áreas de lazer são projetadas pelos próprios colaboradores, inclusive alguns de seus recursos são adquiridos com o dinheiro arrecadado entre eles. Exemplos: Mesa de ping-pong, pimbolim, sinuca, jogos de dominó, cartas, forno de micro-ondas, frigobar, etc. 15. Desenvolvimento de projetos sociais envolvendo o voluntariado (normalmente feita para toda a empresa) A responsabilidade social da empresa é um tema bastante discutido nos dias atuais. Entre outros projetos sociais que podem ser desenvolvidos contando com o voluntariado, a empresa poderia ter a aplicação do 5S fora dela com a participação voluntária de alguns colaboradores, mesmo que dentro de sua jornada de trabalho (devidamente planejada para não prejudicar as suas funções). A escolha de uma escola ou de um hospital público próximos às instalações da empresa ou em bairros onde os colaboradores residem, para 58 a implantação sistemática do 5S, é uma forma de expandir a dimensão do 5S de uma perspectiva funcional para um nível social, revertendo-se em melhorias naquelas instituições, como também o tornando mais simpáticoaos colaboradores. Outras iniciativas junto às comunidades, associações de moradores, feiras livres, instituições religiosas, agremiações, outras entidades sociais (Lions Clube, Rotary Clube, Maçonaria, etc.), ou instituições religiosas (pastorais, centros espíritas, etc.) também podem ser utilizadas, através de voluntariado e/ou com o apoio de uma Consultoria patrocinada pela empresa. 16. Atividades de Manutenção e Melhoria do 5S Estão relacionadas a seguir as rotinas que são aplicadas em empresas que têm sucesso com o 5S, com o objetivo de manter e melhorar o padrão dos três primeiros S. Autoavaliações Inspeções periódicas feitas pelos próprios responsáveis pelas áreas utilizando um check-list genérico ou específico. 5S da Segurança É uma rotina com datas, temas e duração definidas, onde as equipes discutem assunto(s) relacionado(s) à segurança do ambiente de trabalho e/ou relacionados à segurança pessoal, como choques elétrico, queimaduras, riscos com o gás de cozinha, primeiros socorros, etc. Os profissionais de segurança do trabalho podem auxiliar as equipes na seleção e abordagem do assunto. Ainda pode fazer parte desta rotina a inspeção em equipamentos de segurança coletivos e individuais. 59 17. 5S de 5 minutos São atividades, com frequência elevada, desenvolvidas por cada líder junto à sua equipe, discutindo pontos fortes e pontos de melhoria detectados no dia anterior. É um evento participativo, porém deve-se delimitar o tempo para que a discussão não se prolongue. Os casos que merecem uma discussão mais aprofundada devem ser tratados à parte. 18. 5S de ferramentas e instrumentos manuais São atividades desenvolvidas periodicamente com o objetivo de fazer com que as ferramentas e instrumentos sejam inspecionados em relação às condições físicas e à sua confiabilidade. 19. 5S do equipamento São atividades desenvolvidas periodicamente com o objetivo de fazer com que os equipamentos sejam limpos e inspecionados pelos próprios operadores em relação às suas condições operacionais. Normalmente é feita uma lista de verificação para orientar e garantir que as partes mais críticas serão inspecionadas. 20. 5S dos arquivos São atividades desenvolvidas periodicamente com o objetivo de garantir que o material arquivado realmente é necessário e está no local adequado. Isto serve também para arquivos de computador. 21. Faxinas São atividades desenvolvidas periodicamente pela própria equipe, visando eliminar a sujeira que se acumulou com o tempo. Esta sujeira pode ser oriunda do processo, quando se torna inviável fazer a limpeza após o término da atividade. A solução definitiva do problema pode já ter sido encontrada, porém depende de investimentos. Pode fazer parte desta faxina, o pessoal da limpeza. 60 22. Meses do 5S São inspecionados itens em cada mês. Exemplo na tabela 2: Mês Itens inspecionados Janeiro Conservação de instalações (piso, escada, guarda-corpo, corrimão, canaleta, etc.) Fevereiro Identificações e sinalizações (existência, eficiência e conservação) Março Mutirão de ordenação e limpeza Abril Áreas isoladas (verificar sinalização, eficiência e segurança) Maio Isolamentos térmicos e pintura Junho Iluminação (conservação das lâmpadas e eficiência da iluminação) Julho Arquivos eletrônicos (obsoletismo, ordenação) Agosto Equipamentos de Segurança (conservação, validade, nível de utilização) Setembro Vazamentos e derramamentos Outubro Mutirão de ordenação e limpeza Novembro Instalações elétricas (conservação e segurança) Dezembro Coleta seletiva (conservação, sinalização, distribuição, uso e retirada) Tabela 2 – Exemplo de itens inspecionados em cada mês A necessidade e a criatividade são os promotores das rotinas do 5S nas empresas. Portanto, cabe a cada empresa adotar as rotinas que estão de acordo com a sua cultura e com o seu momento. 4.2. Como praticar o SEIKETSU 1. Conhecer os padrões definidos pela empresa; 2. Elaborar plano de adequação, de acordo com a prioridade; 3. Adequar as identificações, sinalizações e demarcações aos padrões definidos pela empresa; 4. Consultar responsáveis pelos Padrões em caso de impossibilidade da adequação ou proposta de alteração do Padrão existente; 5. Manter a uniformidade em casos de ausência de Padrão. 6. Levantar com a equipe e a área médica possíveis problemas de saúde e de higiene pessoal; 7. Realizar estudo e plano para eliminar possíveis problemas, ou procedimentos para a convivência adequada com aqueles que não têm solução; 8. Analisar/Providenciar Mapa de Risco; 9. Prever campanhas para os problemas de higiene mais frequentes; 61 10. Caso haja ginástica laboral, garantir a participação de todos. 11. Realizar reuniões para discutir os problemas de 5S do dia-a-dia, no mínimo quinzenalmente; 12. Dividir responsabilidades pelo 5S, definindo as pessoas que serão responsáveis por cada espaço, principalmente os coletivos; 13. Realizar autoavaliação de 5S, no mínimo mensalmente; 14. Elaborar e divulgar Planos de Ação e resultados das auditorias; 15. Estabelecer, divulgar e monitorar regras para possíveis problemas comportamentais, mesmo que não estejam contemplados pelos 3 primeiros “S”; 16. Elaborar e instalar Padrões Fotográficos de Ordem e Limpeza nos ambientes de uso coletivo onde as demarcações do piso e as identificações de lugares de guarda são inviáveis ou inadequadas; 17. Estimular, registrar, analisar e implantar sugestões de melhorias para o 5S. 5. 1. Quais as particularidades do SHITSUKE O Shitsuke é o cumprimento rigoroso daquilo que for estabelecido entre as pessoas (regras de convivência), bem como das normas e procedimentos vigentes, sem necessitar monitoramento. É uma atitude de respeito ao próximo e à empresa. Quando o Shitsuke se consolida, pode-se afirmar que o mesmo acontece com o 5S. Há críticas sobre o porquê do SHITSUKE ser a última atividade do 5S, já que se torna impossível o desenvolvimento dos outros “S” sem que haja a disciplina. Evidentemente a crítica faz sentido, se for entendida desta forma. Porém, o fato do SHITSUKE ser o último “S” , é porque a sua prática efetiva só ocorre quando as quatro atividades (SEIRI, SEITON, SEISO e SEIKETSU) forem definidas e consolidadas. Além do mais, o que se quer não é apenas o cumprimento rigoroso do previsto (disciplina), mas o cumprimento autônomo e rigoroso do previsto (autodisciplina). Vale a pena observar que na prática do Shitsuke as pessoas têm uma preocupação maior com o próximo, fortalecendo o espírito de equipe. As formas mais frequentes e sistemáticas de se praticar o SHITSUKE, estão detalhadas a seguir: 62 Garantir que o que foi decidido será cumprido Costuma-se definir e implantar mudanças sem que antes haja uma discussão com os envolvidos. Talvez seja este um dos principais motivos das pessoas tenderem a não se comprometer em cumprir aquilo que foi definido. Poder- se-ia conseguir uma maior e mais fácil adesão às mudanças se as pessoas fossem envolvidas nas discussões até se chegar a um acordo. Para tanto, precisam de informações e do respeito às suas individualidades e limitações. Quando se adota uma política participativa no ambiente de trabalho, os líderes devem estar bem preparados técnica e gerencialmente. No início as pessoas não estão conscientes das decisões que estão tomando, pois tendem a ter uma visão limitada sobre o assunto discutido e um pensamento egoísta em relação aos resultados da mudança. Com o tempo, elas passam a ter um espírito de equipe, ao mesmo tempo em que se tornam mais críticas (e autocríticas) e mais conscientes de suas responsabilidades. Não se deve desistir quando uma tentativa em adotar uma administração participativa não dá bons resultados no início. É preciso ser persistente, corrigir as distorções e desenvolver um papel educador junto à equipe. O importante é ter a certeza que bons frutos ocorrerão a médio e longo prazos. Resumindo, discutir antes de definir, é a melhor forma decomprometer a equipe no cumprimento do estabelecido. Ser rigoroso na prática do SHITSUKE Uma vez a decisão sendo discutida com a equipe e posteriormente definida, a mesma tem que ser cumprida rigorosamente. É comum a conivência com o não cumprimento de muitas coisas que são estabelecidas no ambiente de trabalho: procedimentos operacionais, rotinas de manutenção, planos de trabalhos, planos orçamentário, normas administrativas, normas de segurança, prazos, etc. O que acontece é uma indisciplina generalizada por toda empresa, resultando em dois mundos: o oficial (o que está no papel) e o real (o que é praticado). Esta anomalia gera muita perda e abre precedentes para práticas muito mais vinculadas ao pensamento de cada indivíduo, que aquelas relacionadas às necessidades dos processos. Logo, o responsável 63 pelas decisões deve verificar o nível de cumprimento e fazer as devidas correções de rumos, não se satisfazendo com as irregularidades. Toda a empresa deve praticar o SHITSUKE As empresas costumam ter dois grandes desperdícios. O maior deles é o desperdício de talentos, o qual não discutiremos aqui. O segundo é o desperdício de tempo. Dentre os fatores desperdiçadores de tempo, está a falta de disciplina. Se a disciplina é um sinal de respeito ao próximo (ou a coletividade), a impontualidade, consequentemente, é um sinal da indisciplina. Com o objetivo de envolver toda a empresa em torno da disciplina, pode ser lançada uma campanha sobre pontualidade, pois a cultura do "tempinho de tolerância" beneficia aos faltosos e prejudica aos corretos. Esta campanha pode durar um mês, e convida as pessoas a cumprirem radicalmente os seus compromissos pontualmente. Reuniões, relatórios, informações, serviços e produtos, tudo é feito pontualmente. Segue abaixo um texto que pode ser utilizado numa campanha interna contra a impontualidade. Caro colega Você está chegando atrasado à este compromisso. Nós compreendemos você. Afinal, são tantos os compromissos e o volume de trabalho é tão grande, que fica quase impossível conciliar os horários marcados. Mas temos uma boa notícia para você: Nós estamos conseguindo isso. Como? muito simples. Estamos procurando administrar melhor o nosso tempo, exigindo de nós o cumprimento dos horários. Com isso, reduzimos o nosso tempo de espera (ociosidade), e evitamos prejudicar àqueles que costumam ser pontuais. Tomamos a liberdade de lhe sugerir essa sistemática nas reuniões que você vier a coordenar. Você vai gostar dos resultados. Campanha interna contra o desperdício de tempo. 64 A metodologia de distribuição deste texto é a seguinte: a) Imprime-se e plastifica-se o texto em um formato que caiba no bolso da camisa (12 x 8 cm), formando um cartão (pode ser amarelo); b) A pessoa que marca o compromisso leva para o local de encontro uma quantidade de cartões; c) Solicita-se à um dos convidados que chegou no horário definido que fique sentado junto à porta de entrada do local (lado de dentro); d) À medida que os atrasados cheguem ao local, recebem o cartão. Uma medida simples, criativa e simpática é acordar para a última pessoa que chegar atrasada a um compromisso presenteará os demais com algo barato e que todos gostam (balas, chocolates, sorvetes, etc.). Uma medida mais radical que algumas empresas tomam é orientar as pessoas a trancarem as portas das salas de reunião, após a hora marcada para o seu início. Neste caso, até as pessoas que ocupam níveis hierárquicos superiores, devem estar preparadas para atender tal procedimento, inclusive dando o exemplo. Com relação às reuniões, deve ser exigido como pré-requisito da pontualidade do início e término, um agendamento com a devida antecedência (que pode ter regra também). Tratamento dos sintomas de indisciplina Na aplicação do 5S deve ser adotada a postura de questionar o “por que” das irregularidades, evitando procurar quem a provocou. Procurando causas, em vez de culpados, o horizonte para responder as questões é bem mais amplo e as ações preventivas são mais eficazes. Não são raras as vezes que as pessoas praticam atos inadequados por questões culturais ou por limitações do ambiente, que podem não oferecer recursos e facilidades para que as pessoas revertam hábitos indesejados pela empresa, mas que foram resultantes pelas ações das pessoas ao longo de toda a sua vida. Não se deve pensar que o óbvio para uma pessoa mais educada também é óbvio para outras que não tiveram na sua vida a mesma oportunidade de educação. A indisciplina se caracteriza quando é praticada conscientemente, e não por uma questão de 65 hábito. Uma forma prática de se separar o que é um e o que é outro é quando, apesar do tema ter sido discutido e consensado em grupo, terem sido providenciados os recursos adequados para as boas práticas e para o cumprimento do que foi discutido, incluindo uma boa sinalização e afixação de avisos, determinadas pessoas ainda ousam a desobedecer. As atitudes que agridem sobremaneira a autoridade do líder e/ou a própria equipe, devem ser tratadas com a agilidade e o rigor necessário, de acordo com as normas da empresa. Geralmente as pessoas que, propositadamente desrespeitam as regras, as normas e os procedimentos, têm problemas no exercício de sua função, inclusive no inter-relacionamento. Logo, possíveis medidas disciplinares, servem como exemplo de respeito à política da empresa e ao próprio grupo, e não somente relacionadas ao 5S. Tratamento às pessoas ou às instalações que avançam lentamente no 5S Não existe nada mais desestimulante que se utilizar de outra pessoa, ou instalação, com um padrão de desempenho mais elevado, como parâmetro para criticar a pessoa, ou instalação, que estejam em um padrão mais baixo, quando há características muito diferentes entre o que se compara. É muito mais motivante mostrar como aquela pessoa, ou instalação, era no passado e onde ela pode chegar ao futuro. É comparando a pessoa, ou instalação, com ela própria, que se consegue motivação para avanços significativos no padrão do 5S. Respeitar às individualidades é um fator importante para evitar punições injustas com críticas e, até mesmo, medidas disciplinares. É imprescindível entender que: As pessoas encontram-se em estágios diferentes de educação; Quanto mais baixo o nível cultural maior é a dificuldade de entender os conceitos (embora explicitamente haja uma maior predisposição); Quanto mais “grosseira” for a atividade mais difícil são as transformações das instalações. 66 Logo, as exceções devem ser tratadas de maneira específica. Se há uma desconfiança de que uma determinada área não avança no padrão de 5S, podem ser feitos rodízios alternando vários responsáveis por determinado período de tempo. Caso a situação permaneça inalterada, tudo indica que o problema está nas características do ambiente, e não nas pessoas. Neste caso, possivelmente será necessário um maior investimento para reverter a situação. Medir o nível de disciplina Uma pessoa estranha à instalação (ou empresa) pode medir indiretamente o nível de disciplina dominante em um local, utilizando-se da observação da guarda das coisas. Se não existe local definido para a guarda, já significa que as pessoas não têm critério para a reposição ou guarda. Caso existam locais definidos e as coisas estão guardadas fora dos locais, constata-se até que ponto as pessoas não cumprem o estabelecido, indicando o baixo padrão de disciplina. Esta regra também é válida para o próprio responsável pela instalação (ou empresa), que as conjugando com outras observações, pode ter uma avaliação mais precisa do nível de disciplina, como, por exemplo, o cumprimento dos horários, das normas e dos prazos. Podem ser entrevistadas pessoas que mantém uma relação mais próxima e frequente com as pessoas ou processos que estão sendo avaliados, como o representante da empresa que gerencia aquele processo, clientes internos e externos eprofissionais que avaliam atividades de segurança, qualidade e meio ambiente. Eis abaixo uma lista de sintomas que podem demonstrar o nível de indisciplina em um ambiente de trabalho ou até mesmo em uma empresa: a) Pastas fora de sequencia; b) Mesas com muitos papéis; c) Resto de papel fora do cesto; d) Quadro de avisos desatualizado; e) Materiais fora de posição e/ou mal empilhados; f) Não utilização rigorosa dos equipamentos de proteção individual recomendados; 67 g) Filas no refeitório e no relógio de ponto antes do horário estabelecido; h) Camisas desabotoadas; i) Relógios com horários diferentes; j) Pessoas se ausentam sem informar o destino e/ou a previsão de retorno dos ausentes; k) Utilização inadequada de espaços de uso coletivo (água, energia, banheiro, copiadora, café/copa, corredores, jardins, estacionamentos, vestiários, pavimentos, periferias, refeitórios, etc.); l) Uso inadequado do telefone, inclusive de celulares; m) Uso inadequado de e-mails; n) Pessoas que falam muito alto; o) Disposição inadequada de avisos, calendários, lembretes, elementos decorativos, etc.; p) Prática inadequada do fumo; q) Atendimento grosseiro; r) Descumprimento de regras específicas; s) Falta de integração entre as pessoas; t) Roupas e calçados sujos e/ou desgastados; u) Material impróprio exposto no local de trabalho (adesivos, fotos obscenas, etc.); v) Alimentos misturados com materiais de trabalho; w) Pichações em paredes e portas de banheiros; x) EPIs largados, sujos e/ou utilizados inadequadamente; y) Prática deficiente da coleta seletiva; z) Documentos eletrônicos obsoletos e/ou guardados em diretórios inadequados e com denominação fora do padrão estabelecido. 68 A tabela 3 apresenta exemplos do que várias empresas estabelecem para o cumprimento de regras de convivência. Regra Monitoramento Não manter sobre as mesas documentos que ultrapassem a altura das divisórias Pedido imediato de redução e paga bala ou chocolate para quem detectar o problema Não largar nenhum material sobre armários O material será recolhido e entregue ao gerente da área Deixar as mesas livres de documentos no final do expediente ou durante ausência prolongada A mesa que contiver documentos não será feita a limpeza Não deixar materiais embaixo da mesa O local será fotografado e a fotografia ficará no quadro de avisos Atender telefone no máximo no terceiro toque. Apito pelos incomodados Falar baixo ao telefone Apito pelos incomodados Transferir chamadas quando sair do posto de trabalho Paga bala ou chocolate para quem detectar o problema Manter o quadro “onde estou” atualizado Paga bala ou chocolate para quem detectar o problema Largar documentos na impressora ou copiador Material será recolhido e entregue à Secretária Trocar garrafões de água mineral Quem troca recebe sorvete ou chocolate dos demais Colocar papel ou trocar tôner da copiadora Quem troca recebe sorvete ou chocolate dos demais Não colocar mais que X lembretes (post-it) em locais abertos Para cada “post-it” adicional é dada uma bala para quem detectou Não colocar material pornográfico ou políticos no posto de trabalho O local será fotografado e a fotografia ficará no quadro de avisos Não afixar papel diretamente na parede Para documento é dada uma bala por dia para quem detectou. Não encher lixeiras com embalagens ou grandes volumes descartados fora da normalidade É pago um sorvete ou chocolate para quem detectou. Não colocar sapatos embaixo da mesa O par de sapatos será colocado sobre a mesa Só participar de reuniões convocadas com X dias de antecedência Comunicar que não poderá participar da reunião convocada com antecedência inferior aos dias definidos Não chegar atrasado a reuniões Várias opções: Não participa da reunião Consta na ata quem chegou atrasado Recebe aplausos Recebe cartão amarelo Paga um mico definido por quem chegou no horário 69 Regra Monitoramento Não deixar celular ou rádio ligado em reuniões ou treinamentos Entregar o celular ou rádio ao coordenador da reunião ou instrutor Responder e-mails logo que receber Recebe e-mail com cópia para o chefe cobrando uma resposta Retornar ligações ou recados assim que os receber Ligar para o chefe informando o não retorno Afixar material particular apenas no espaço reservado no quadro de aviso. Todas as informações particulares têm uma data limite de retirada. O material será devolvido imediatamente após o vencimento. Se estiver fora do local, será colocado no lixo. Não passar “correntes” por e-mail Quem se sentir incomodado repassa o e-mail para o chefe de quem enviou informando a origem Comportamento adequado em locais de uso coletivo (banheiro, copa, sala de reuniões, áreas de lazer, refeitório, etc.) Quem flagrar recebe um brinde (bala, chocolate, sorvete, sobremesa, etc.) Pichações em portas de banheiros Sempre que houver pichação haverá um minuto de silêncio Um componente da equipe pintará a porta Em reincidências será criado mecanismo de “disque denúncia” e serão feitas investigações (não informar a metodologia). Em casos de comprovação, demissão sumária. Tabela 3 – Exemplo de Monitoramento de Regras de Convivência Na verdade, as práticas do Seiketsu e do Shitsuke contribuem para a Qualidade de Vida no Trabalho, conciliando a satisfação da pessoa consigo mesma (Seiketsu) e com as demais (Shitsuke). 5.2. Como praticar o SHITSUKE 1. Manter os “3S” no dia a dia; 2. Praticar as rotinas definidas pela empresa; 3. Definir responsáveis diretos por áreas mais problemáticas, apoiando e monitorando os avanços; 4. Tratar individualmente os problemas verificados no dia a dia, 5. Cumprir com rigor as Normas da empresa: Segurança, Saúde Ocupacional, Qualidade, Meio Ambiente, Administrativas, etc.; 6. Cumprir com rigor os procedimentos de trabalho, incluindo prazos, registros, etc.; 7. Cumprir com rigor possíveis regras de convivência; 70 8. Tratar individualmente os problemas verificados no dia a dia; 9. Envolver o maior número de pessoas nas melhorias do 5S, desde a implantação do Programa; 10. Se necessário, definir como responsáveis por áreas mais problemáticas, as pessoas menos pró-ativas; 11. Tratar adequadamente as sugestões apresentadas, inclusive dando feedback para aquelas inviáveis; 12. Reconhecer formalmente as sugestões dadas e implementadas através de registros fotográficos, divulgação e evento de reconhecimento periódico. 71 CAPÍTULO 3 Conheça os benefícios do 5S para convencer a sua equipe a praticá-lo 72 Quais os benefícios do 5S? Como o 5S é um processo educacional e muitas vezes é introduzido como base para outras ferramentas gerenciais, é difícil quantificar os seus benefícios, embora seja um desejo das empresas. Juntamente com o 5S é normal as empresas fazerem melhorias em outras funções como Produção (novos equipamentos, novos processos, novos sistemas); Manutenção (técnicas de confiabilidade e manutenibilidade); Qualidade (ISO 9001); Recursos Humanos (Políticas e/ou SA 8000), Segurança e Saúde Ocupacional (OHSAS 18001) e Meio Ambiente (ISO 14001). Seria desmerecer as iniciativas e investimentos oriundos das demais funções, associar determinados ganhos apenas ao 5S. Desta forma, cabe às pessoas que estão em poder de decisão reconhecer os problemas atuais do ambiente de trabalho (aspectos físicos e comportamentais), e analisar a viabilidade orçamentária para a implantação do 5S, sem vincular a implantação a resultados financeiros tangíveis. A tabela a seguir apresenta os principais benefícios de cada “S” 73 Os 5S Traduções mais comuns Principais benefícios SEIRI Utilização, Seleção, Classificação Combate ao desperdício Redução de custos Liberação de espaço Economia de tempo Ambiente mais seguro (recursos adequados e em boas condições) Redução de consumo de água, energia e recursos naturais (economia e redução de impactos ambientais) Equipamentose recursos em boas condições Destinação de recursos inúteis. SEITON Organização, Ordenação, Arrumação Agilidade para localizar e acessar ao que se procura Ambiente mais seguro (ordem dos recursos) Melhor planejamento Maior produtividade Menos estresse Melhor visualização do que serve e do que não serve Maior controle sobre as coisas, atividades e custos. SEISO Limpeza, Inspeção Ambiente mais seguro e mais agradável Maior controle sobre o estado de conservação Melhoria para o meio ambiente através do descarte adequado dos resíduos Maior zelo pelos recursos e instalações. SEIKETSU Padronização, Saúde, Higiene Ambiente mais seguro e saudável Autoestima mais elevada Prevenção de doenças Combate a poluição Bons hábitos Consenso na definição de regras de convivência SHITSUKE Autodisciplina, Autocontrole Hábito para a prática dos “S” anteriores Respeito ao próximo, independente de interesses ou cobranças Responsabilidade Reconhecimento Postura proativa Formação ou resgate de bons valores éticos e morais. 74 Quais os resultados do 5S? Há dificuldades para se levantar resultados tangíveis relacionados ao 5S em função da contribuição de outras variáveis para avanços que ocorrem nas empresas dos fatores de Produtividade, Custos, Segurança e Meio Ambiente, Qualidade, Atendimento e Motivação. Apesar de as empresas terem interesse em levantá-los, até para justificar o investimento no programa, a maioria conclui que o 5S é a base para a melhoria destes fatores por se tratar de um processo educacional, sem buscar obrigatoriamente a comprovação de resultados. Seguem alguns resultados apresentados por empresas do Brasil relacionados ao 5S: Banco regional 4573 itens recolhidos 777 itens vendidos 1546 itens doados Unidade de uma cervejaria multinacional 170.000 itens recolhidos 180 toneladas de material reciclável 6896 itens descartados Oficina de Manutenção de mineradora multinacional Aumento da disponibilidade da frota de caminhões de 67,40% para 74,82% em 2 anos Redução de custos com manutenção de caminhões de R$ 152.500,00 para R$ 53.300,00 em 2 anos Construção de uma estrada de 44 km por uma construtora de grande porte Redução de 10% dos custos indiretos Melhoria da produtividade em 30% Redução a zero do índice de absenteísmo 75 Siderurgia de grande porte Evoluiu de até 250 acidentes/ano em suas usinas para um máximo de 4 em 2000 Elevou a reciclagem da água de 57 para 97% Construtora de grande porte Aplicou o 5S em mais de 100 obras, no Brasil e no exterior, com grande sucesso Apesar das dificuldades naturais do setor, com alta rotatividade típica dos sistemas de contratação de obras, treinou um número superior a 20 000 pessoas, contribuindo para o setor como um todo Influenciou o Exército Brasileiro a adotar o 5S, ajudou escolas e levou o conceito às famílias dos seus colaboradores Fabricante japonesa de eletroeletrônicos Em 4 anos reduziu o consumo de energia em 8% Diminuiu a produção de resíduos em 83,3% Indústria química de grande porte privatizada Foi contabilizado um ganho de cerca de 3,l milhões de reais com a reutilização de recursos já na primeira fase do 5S Mineradora de grande porte Redução de acidentes de 39 em 1996, para 5 em 4 anos Em pesquisa realizada pela UFJF, 92,7% dos colaboradores concordam que o 5S trouxe melhorias para eles Mineradora de grande porte Disponibilizados 14 a 20 milhões de dólares de bens patrimoniais e de consumo 75% de redução de custo com limpeza e iluminação 65% de redução da emissão de relatórios gerenciais Redução de 75% de tempo gasto em reuniões Redução de 80% do número de pedidos de compra de material de expediente Unidade de extração e produção da Petrobrás Descarte de 6750 kg de material de escritório (reaproveitados : 4.720 kg) Descarte de 35000 kg de material operacional Descarte de 7000 kg de papel para reciclagem 76 Refinaria da Petrobrás Descarte de 14000 itens diversos (disponibilizados 1200 itens) Descarte de 14500 kg de papel Redução do desperdício de alimentos no restaurante de 122 kg/dia para 14 kg/dia Montadora de caminhões e ônibus Descarte de 450 toneladas de material operacional Disponibilização de mais de 6000m2 de área Desinvestimento de quase 8 milhões de dólares Indústria de bebidas 171000 itens descartados 181 toneladas de material reciclável R$ 400 arrecadados em leilões de material descartado pelo funcionários Banco do Brasil (uma das unidades de apoio) 18363 itens disponibilizados 26 toneladas de papel reciclável 337 caixas de material de expediente devolvido ao almoxarifado Descartados um volume de 2 caminhões de lixo Área de 2359 liberada em uma instalação Administração de aeroportos 9 milhões com descarte de materiais Concessionária de energia elétrica (quando era estatal) Descartados 1300 toneladas de itens diversos Estatal de energia elétrica Descartadas 851 toneladas de materiais e equipamentos Descartadas 33.000 unidades em excesso 150 Toneladas de documentos/papéis foram para o lixo. 10792 m2 de área de escritório liberada na Avenida Paulista. Indústria cerâmica Recuperados 3,4 milhões de dólares 77 Sede de um grande banco 3 Andares esvaziados na Av. Paulista-São Paulo (13 empresas do Grupo foram transferidas para os lugares esvaziados) Indústria de papel e celulose Descarte na ordem de 400 toneladas em 8 anos Ganho de espaço da ordem de 30% Sede de um grupo químico francês Redução de 40% dos arquivos Envio de 500 caixas de documentos para o arquivo inativo Descarte de 3 toneladas de papéis 400 kg de materiais ociosos foram reaproveitados (parte doada para escolas) 20 Gb de arquivos virtuais descartados A seguir é feita uma apresentação didática mostrando a forte inter-relação entre 5S e outras ferramentas gerenciais. 78 CAPÍTULO 4 Qual a relação entre 5S e outras ferramentas de gestão? 79 1. 5S e a Qualidade Uma vez perguntado ao saudoso Kaoru Ishikawa, japonês responsável pela disseminação das Ferramentas da Qualidade no Japão a partir de 1948, de como as empresas deveriam implementar um sistema da Qualidade, ele respondeu categoricamente: “Varrendo”. Posteriormente, esta simples citação passou a ser ampliada pelas empresas japonesas para os conceitos do 5S. O SEIRI prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados, na quantidade adequada, que os utilizemos de maneira adequada e que estejam em plenas condições de uso. Documentos e registros da qualidade atualizados mantidos e utilizados nos ambientes de trabalho; instrumentos calibrados e aferidos; equipamentos em boas condições de uso e com um plano de manutenção preventiva atualizado; matéria-prima e sobressalentes em boas condições de uso e indicadores e gráficos atualizados são apenas alguns exemplos de como o SEIRI contribui para a qualidade. O SEITON consiste em ter locais de trabalho com locais definidos e adequados para a guarda de cada recurso. Sempre que necessário, os recursos, ambientes e locais de guarda devem estar identificados e sinalizados. A rastreabilidade de matéria-prima, produtos sub-acabados e produtos acabados em qualquer ambiente ou fase do processo, é bastante facilitada quando o ambiente tem este “S” praticado por todos. O SEISO tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações. A limpeza feita com a postura de inspeção gera, não só um ambiente limpo, mas uma postura mais pró-ativa e cria uma maior intimidade entre a pessoa e os meios de produção. Esta postura se estende inconscientemente para os cuidados com máquinas, equipamentos, instrumentos e outros recursos, fundamental para a obtenção da qualidade. O SEIKETSU resulta em pessoas com menor desgaste físico e mental, condição básica para a continuidade da qualidade ao longo do dia de trabalho. Um ambiente mais humanizado,mais ergonômico e mais 80 padronizado tem relação direta com a concentração e motivação das pessoas para o trabalho, gerando uma qualidade de acordo com o especificado. O SHITSUKE não se limita apenas a manter os 3 primeiros “S” no dia-a-dia, mas também prega que as normas da qualidade e os procedimentos de trabalho, sejam cumpridas voluntariamente pelas pessoas, sem depender de monitoramento ou cobranças. Fica difícil entender como uma empresa certificada na ISO 9001 tenha um baixo nível de 5S. Se isto ocorre, seguramente a qualidade está custando caro e a certificação provavelmente é mantida pelo esforço de um número limitado de pessoas, principalmente em vésperas de auditorias. Por isto, para fazer da qualidade um hábito e, até mesmo, um valor, o 5S deve ser tratado com uma base física e comportamental para um sistema efetivo e verdadeiro da qualidade de qualquer empresa. 2. 5S e a ISO/TS 16949 A ISO/TS 16949 é uma especificação técnica internacional que tem requisitos específicos da ISO 9001 para as empresas que participam da indústria automobilística. Quem visita uma área de montagem nestas empresas fica surpreso, na maioria das vezes, com o alto nível de organização e limpeza. Porém, quem nelas trabalha e/ou tem a oportunidade de conhecer outras áreas menos visitadas e auditadas, verifica um padrão bem mais baixo nestes dois fundamentos. O 5S é um forte aliado da ISO/TS 16949, pois forma uma cultura geral e natural na empresa, evitando que problemas oriundos de áreas e pessoas não auditadas pela norma prejudiquem a qualidade e segurança das peças fabricadas, os indicadores de desempenho, e até o atendimento aos requisitos específicos de cada cliente. O SEIRI prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados, na quantidade adequada, que os utilizemos de maneira adequada e que estejam em plenas condições de uso. Documentos e registros atualizados mantidos e utilizados nos ambientes de trabalho (análises críticas, registro de auditorias, controle de calibração de instrumentos, registros da qualidade, procedimentos operacionais, etc.); instrumentos calibrados e aferidos; equipamentos em boas condições de uso e com um plano de 81 manutenção preventiva atualizado; matéria-prima e sobressalentes em boas condições de uso e indicadores e gráficos atualizados são apenas alguns exemplos de como o SEIRI contribui para a ISO/TS 16949. O SEITON consiste em ter locais de trabalho com locais definidos e adequados para a guarda de cada recurso. Sempre que necessário, os recursos, ambientes e locais de guarda devem estar identificados e sinalizados. Os produtos não conformes devem estar devidamente segregados e identificados de tal forma que não haja risco de serem confundidos com os que estão conforme. A rastreabilidade de matéria- prima, produtos sub-acabados e produtos acabados em qualquer ambiente ou fase do processo é bastante facilitada quando o ambiente tem este “S” praticado por todos. O SEISO tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações. A limpeza feita com a postura de inspeção gera, não só um ambiente limpo, mas uma postura mais pró-ativa e cria uma maior intimidade entre a pessoa e os meios de produção. Esta postura se estende inconscientemente para os cuidados com máquinas, equipamentos, instrumentos e outros recursos, fundamental para atender aos requisitos da ISO/TS16949. O SEIKETSU, resulta em pessoas com menor desgaste físico e mental, condição básica para a continuidade da qualidade ao longo do dia de trabalho. Um ambiente mais humanizado, mais ergonômico e mais padronizado tem relação direta com a concentração e motivação das pessoas para o trabalho, gerando uma qualidade de acordo com o especificado. O SHITSUKE não se limita apenas a manter os três primeiros “S” no dia-a- dia, mas também prega que todos os requisitos de uma norma sejam rigorosamente cumpridos, independente de cobranças ou monitoramento. Não é difícil imaginar a grande vantagem que o 5S promoveria para determinada montadora de veículos, caminhões e ônibus, se todas as suas áreas e todos os seus fornecedores praticassem o 5S, bem como a facilidade de adequação à ISO/TS 16949 quando esta prática fosse somada aos recursos técnicos e ao seu sistema de gestão. 82 3. 5S e a Segurança Algumas empresas, literaturas e consultorias costumam adicionar a Segurança ao Programa 5S, passando a denominá-lo “Programa 6S”. Porém, quando nos aprofundamos nos conceitos genuínos do 5S descobrimos que cada um dos “S” já inclui a segurança das instalações e do trabalho à medida que os praticamos. O SEIRI prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados, na quantidade adequada, que os utilizemos de maneira adequada e que estejam em plenas condições de uso. O SEIRI critica severamente improvisações e problemas de conservação que gerem riscos, além de criticar a utilização inadequada que possa gerar uma condição insegura. O SEITON consiste em ter locais de trabalho com locais definidos e adequados para a guarda de cada recurso. Sempre que necessário, os recursos, ambientes e locais de guarda devem estar identificados e sinalizados, possibilitando um acesso seguro e rápido por todas as pessoas que trabalhem ou circulem no ambiente de trabalho. Um layout eficiente e seguro e a manutenção da ordem, também fazem parte deste Senso. Tudo isto, torna o ambiente de trabalho mais seguro. O SEISO tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações. Para tal, a eliminação de fontes sujeira e a postura de inspeção durante a limpeza geram um ambiente mais seguro por ter menos ou nenhuma sujeira, e por possibilitar a detecção precoce de anormalidades, incluindo condições inseguras. O SEIKETSU tem uma relação direta com a Segurança, já que neste Senso são discutidos problemas ergonômicos, de contaminação dos ambientes e de higiene pessoal como utilização adequada de banheiros, vestiários, copas e EPIs. O SHITSUKE não se limita apenas a manter os três primeiros “S” no dia-a- dia, mas também prega que as normas de segurança e os procedimentos de trabalho sejam cumpridos voluntariamente pelas pessoas, sem depender de monitoramento ou cobranças. 83 Para áreas operacionais o 5S não é só o “Amigo” da Segurança, ele é o seu “Irmão Gêmeo”, já que em várias situações a prática de 5S e de segurança se confundem em uma só. Em Resumo: O 5S é a Base para a segurança comportamental. A Figura 3 mostra o exemplo de uma empresa metalúrgica de 2500 empregados comparando a evolução do 5S com a Taxa de Frequência de Acidentes. O resultado é muito claro: à medida que o 5S avança há redução de condições e atos inseguros. Figura 3 – Exemplo da relação entre o 5S e a Taxa de Acidentes em uma empresa de grande porte 84 4. 5S e o Meio Ambiente O 5S tem sido a maneira mais prática para disseminação da consciência sobre Meio Ambiente dentro das empresas, em todos os níveis hierárquicos e em todas as áreas. Sem perceber, as pessoas ao praticarem o 5S contribuem sobremaneira para a política de meio ambiente e a busca ou manutenção da certificação ISO 14001. O SEIRI prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados, na quantidade adequada, que os utilizemos de maneira adequada e que estejam em plenas condições de uso. O SEIRI critica severamente a aquisição e consumo desnecessário de recursos, inclusive de água e energia. Também sugere que as pessoas compartilhem recursos de pouca utilização e que reutilizem os recursos até o seu limite (desde que não comprometam a eficiência e a segurança da atividade). Na prática isto tem tudo a ver com os 3R ou 4R tradicionais do Meio Ambiente: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Refletir. O SEITON consiste em ter ambientes de trabalho com locais definidos e adequados para a guarda de cada recurso. Sempre que necessário, os recursos, ambientes e locais de guarda devem estar identificadose sinalizados. A manutenção da ordem dos recursos nestes ambientes facilita a localização e o acesso, evitando a aquisição ou solicitação indevida de novos recursos (problema que ocorre em ambientes desordenados). O SEISO tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações. Para tal, a eliminação de fontes de alguns tipos de sujeira pode gerar uma redução do consumo de recursos naturais como lubrificantes, matéria-prima e produtos, reduzindo também a quantidade de resíduos a serem tratados ou descartados. O SEIKETSU propõe a humanização do ambiente de trabalho. Redução de ruídos e contaminação, utilização de plantas ornamentais e a padronização da prática da coleta seletiva são atividades normalmente desenvolvidas pelas empresas neste “S” e que tem relação direta com o meio ambiente. 85 O SHITSUKE não se limita apenas a manter os três primeiros “S” no dia-a- dia, mas também prega que as normas de meio ambiente, principalmente a coleta seletiva, sejam cumpridas voluntariamente pelas pessoas, sem depender de monitoramento ou cobranças. Devido ser um processo de mudança cultural através de boas práticas no dia-a-dia, o 5S pode ser usado como uma ferramenta para iniciar a implementação de uma nova consciência para o meio ambiente. 5. 5S e o TPM Em 1979 a Nippon Zeon, petroquímica japonesa, lançou o TPM, Manutenção Produtiva Total, com o objetivo de aumentar a eficiência global de seus equipamentos. Apesar de tratar o 5S como uma das atividades da Manutenção Autônoma, a empresa concluiu que, sem um nível avançado das práticas do 5S o TPM, apresentava muita dificuldade de avançar nos equipamentos piloto e na disseminação por outros equipamentos. Após enfatizar o 5S como base para o TPM, todos os pilares do TPM tiveram muito mais facilidade de serem executados e a empresa passou a ter resultados rápidos e sólidos a tal ponto de conseguir ganhar o Prêmio PM concedido pelo JIPM (Japan Institute of Plant Maintenance). O SEIRI prega que além da racionalização de recursos, que é um dos objetivos do Pilar Melhorias Específicas, Focadas ou Individuais, a necessidade de se manter em boas condições todas as instalações, recursos e equipamentos. A restauração das condições básicas dos equipamentos é uma das atividades iniciais da Manutenção Autônoma e da Manutenção Planejada. O SEITON recomenda que todos os recursos tenham seu local de guarda definidos e identificados, isto inclui equipamentos e seus diversos pontos. Exemplos: Tags; sinalização de sentidos de fluxo e de rotação; sinalização de mínimos e máximos; sinalização de pontos de inspeção; sinalização de riscos. Ou seja, todo o Controle Visual necessário para facilitar as atividades do Operador e do Mantenedor e para evitar riscos. 86 O SEISO é a atividade do 5S mais relacionada ao Pilar de Manutenção Autônoma, já que a limpeza feita com postura de inspeção, traz como resultados a identificação e eliminação das fontes de sujeira e a detecção de desgastes em sua fase embrionária. Com isto o operador se torna um importante aliado da Manutenção para o aumento da disponibilidade operacional do equipamento O SEIKETSU motiva ao operador manter a sua área de trabalho livre de contaminações e seu uniforme sempre limpo. Para tanto, vazamentos e derramamentos provocados por problemas de conservação e/ou que acarretam o desgaste acelerado de partes dos equipamentos são atacados. O SHITSUKE contribui para vários aspectos do TPM: confiabilidade dos apontamentos feitos pelo operador; garantia de que os check-lists são utilizados de maneira adequada; manutenção da limpeza do equipamento independente de cobranças ou auditorias; cumprimento das normas e dos procedimentos; melhor relacionamento entre operadores e mantenedores, e postura pró-ativa dos operadores para sugerir melhorias. O pilar de Manutenção Autônoma já prega a prática do 5S no equipamento a partir da primeira etapa e na periferia do equipamento na sexta etapa. Porém, a prática do 5S em todas as áreas operacionais facilita a disseminação do TPM; na área de Manutenção o 5S facilita a ordem e a limpeza das oficinas e dos locais de trabalho, a conservação de dispositivos e ferramentas, a confiabilidade das informações e o cumprimento das normas, procedimentos e prazos; no almoxarifado de sobressalentes, a fácil localização e a preservação de sobressalentes é um dos principais resultados do 5S. 6. 5S e o Lean Manufacturing O sucesso do Lean Manufacturing, independente de ser tratado como sistema ou ferramenta de gestão, depende não somente de toda uma reengenharia no sistema de produção e de logística, como também de mudanças físicas e comportamentais dos ambientes de trabalho. É comum o desenvolvimento de o Lean ter dificuldade para avançar justamente quando o nível de 5S da empresa ainda deixa a desejar. Por isto, a maioria das empresas que implanta o Lean Manufacturing já trata o 5S como sua base física e 87 cultural, ou seja, enquanto planejam e treinam pessoas chaves no Lean, disseminam a prática do 5S em todas as áreas e em todos os níveis de hierarquia. O SEIRI é a forma simples e cultural de se praticar o conceito proposto pelo Lean, ou seja, ter e manter no local de trabalho apenas o estritamente necessário. No fluxo de materiais no processo produtivo, a filosofia “just-in- time”, que é o foco do pensamento Lean, é praticada naturalmente pelas pessoas à medida que o conceito do SEIRI está devidamente internalizado. Isto significa que toda a Análise do Valor desenhada pela Engenharia de Produção é apoiada pelas pessoas de todos os níveis hierárquicos e áreas com a cultura do 5S. O SEITON recomenda que todos os recursos tenham seu local de guarda definidos e identificados. A distribuição adequada dos recursos no ambiente também é tratada em consenso com as pessoas de cada ambiente de trabalho racionalizando tempo e espaço, tornando o ambiente de trabalho mais seguro e produtivo. Por último, o Senso de Ordenação faz com que as pessoas tenham o hábito de repor os recursos nos locais definidos, identificados e sinalizados. Nenhum sistema Lean funciona com um ambiente de trabalho desorganizado. O SEISO promove um ambiente de trabalho limpo. Porém, esta preocupação com a limpeza faz com que as pessoas inspecionem com uma visão crítica o seu ambiente de trabalho, e isto contribui para a detecção de problemas de conservação em sua fase precoce, reduzindo riscos de quebras repentinas de máquinas e equipamentos, além da detecção de outros problemas, tais como: materiais em excesso ou faltando; materiais fora dos locais de guarda; materiais sem utilização; falta de identificação de recursos ou locais de guarda; recursos sem locais definidos; falta de sinalização de segurança; etc. O resultado de um ambiente com estas práticas favorece sobremaneira a operacionalização do Lean. O SEIKETSU forma a cultura da higiene no local de trabalho, contribuindo para a preservação adequada dos materiais do processo (matéria-prima, produto semi-acabado, produto acabado). A melhoria da saúde das pessoas com a higiene e com a eliminação de problemas ergonômicos, diminuem a 88 fadiga e o absenteísmo e aumentam a autoestima das pessoas. Este tipo de ambiente é essencial para o incremento da eficiência do Lean Manufacturing. O SHITSUKE contribui para a prática espontânea do sistema desenhado pela Engenharia, sem necessidade de monitoramento ou cobranças. As pessoas neste estágio se sentem autônomas para cumprir tudo o que foi estabelecido, e costumam ter uma postura pró-ativa e antecipada para os possíveis desvios em relação ao que foi planejado. A empresa que trata o 5S apenas como uma atividade paralela do Lean, e não como uma base, seguramente tem ou terá dificuldade para fazer o sistema “rodar”. Com isto, a sua operacionalização dependerá da atuação intensa de poucas pessoas, que são as mesmas responsáveis e “afogadas” por outros programas concorrentes.7. 5S e as Boas Práticas de Fabricação É normal nas indústrias de alimentos e derivados, produtos farmacêuticos e cosméticos, a aplicação das Boas Práticas de Fabricação (BPF), conhecidas como GMP (Good Manufacturing Practices), para atender às respectivas legislações (Codex-Alimentarius, FDA, ISO, APPCC, etc.). O 5S contribui para a formação de uma cultura adequada à estas práticas, não somente nos ambientes diretamente monitorados, mas também em todas as outras áreas da empresa. O SEIRI prega que devemos ter no ambiente de trabalho os recursos adequados e que estejam em plenas condições de uso. Improvisações que geram riscos à saúde, à segurança e à higiene do ambiente de trabalho e que podem ser fontes de contaminação são criticadas no 5S. Ou seja, o 5S cria a cultura nas pessoas de ter no local de trabalho apenas os recursos úteis e em boas condições, e isto é fundamental para as Boas Práticas de Fabricação. O SEITON consiste em ter locais de trabalho adequados para a guarda de cada recurso, e que cada um deles seja devidamente identificado. Um dos riscos para as Boas Práticas de Fabricação é justamente a desordem e a deficiência de identificações de produtos e insumos. 89 O SEISO tem como principal objetivo a manutenção da limpeza de ambientes e instalações através da eliminação de fontes sujeira. Várias deficiências estruturais e comportamentais que são atacados neste Senso contribuem diretamente para o GMP. Exemplos: Vazamentos de óleo; derramamento de produtos; presença de insetos; falha na sistemática de limpeza ou no seu descumprimento; coletores de resíduos inadequados, mal distribuídos, transbordando, com resíduos misturados, etc. O SEIKETSU não se limita apenas aos ambientes monitorados, mas em áreas periféricas e pessoas de outras áreas que poderiam trazer contaminações, como profissionais e recursos da Manutenção, que não são obrigatoriamente constantes nas áreas de fabricação. O SHITSUKE, Senso de Autodisciplina, não se limita apenas a manter os três primeiros “S” no dia-a-dia, mas também prega que os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) sejam praticados sem necessidade de monitoramento ou cobrança. Exemplos: Uniformes limpos e bem cuidados; higiene pessoal; identificação adequada de rótulos, bulas ou cartuchos; lavagem adequada de equipamentos e recursos de apoio e manutenção dos recursos, produtos e insumos nos seus devidos lugares. O cumprimento rigoroso dos procedimentos por todos, e em todos os momentos, evitam a contaminação do produto que é o objetivo principal do GMP. A diferença maior entre as empresas que têm o GMP, sem obrigatoriamente ter o 5S, e aquelas que o têm, é que a cultura da higiene muitas vezes fica restrita apenas às áreas de fabricação. Isto não garante que, em um ou outro momento, variáveis não monitoradas adequadamente, como pessoas e recursos, não contaminem o produto, uma vez que as áreas de suas origens podem não estar com a cultura de utilização e ordenação adequada de recursos, de limpeza dos locais de trabalho, de higiene pessoal e de autodisciplina no cumprimento de regras, normas e procedimentos, que são conceitos genuínos do 5S. 90 Conclusão 91 Neste Volume 1 foram apresentados os fundamentos, as dicas de como praticar, os benefícios, os resultados e os exemplos da Padrões de 5S. O conhecimento e entendimento destas informações é o primeiro passo rumo ao sucesso do 5S. No volume 2 é apresentada uma metodologia experimentada que leva as empresas a formar a cultura do 5S em todos os níveis e áreas. Veja abaixo os tópicos que são apresentados com detalhes. CAPÍTULO 1 - Revisão do Volume 1 - Fundamentos do 5S Origem do 5S Significado de cada “S” Como praticar cada “S” Benefícios do 5S Relação entre 5S e algumas ferramentas de gestão CAPÍTULO 2 - Tenha uma visão geral da metodologia que leva o 5S à classe mundial CAPÍTULO 3 - Quais as preocupações e dificuldades para a implantação do 5S e as minhas recomendações Quais as preocupações iniciais? Quais as principais dificuldades para a implantação? CAPÍTULO 4 - Fases 1 a 4 - Quais os passos sólidos entre a decisão da implantação e o Lançamento do 5S (Dia D)? 1. Fase 1 – Sensibilize as pessoas estratégicas 2. Fase 2 – Estruture a equipe de implantação do 5S 3. Fase 3 – Desenvolva e execute treinamentos com ênfase nos 3 primeiros “S” 4. Fase 4 – Garanta um excelente lançamento do 5S CAPÍTULO 5 - Fase 5 - Quais os passos sólidos após o Lançamento até a consolidação dos 3 primeiros “S”? 1. Como se comporta a maioria das empresas após o lançamento do 5S (“Day After”)? 2. Quais as atividades promocionais de 5S mais usadas pelas empresas? 3. Sistematize a prática dos três primeiros “S” (Seiri, Seiton e Seiso) 4. Como praticar os três primeiros “S” 5. Como desenvolver sistemática de reconhecimento que realmente 92 motive as pessoas CAPÍTULO 6 - Fases 6 a 9 - Quais os passos sólidos entre a consolidação dos 3 primeiros “S” até a Certificação 5S? 1. Fase 6 – Planeje adequadamente a implementação dos 2 últimos “S” 2. Fase 7 – Implemente os 2 últimos “S” 3. Fase 8 – Garanta a prática contínua do 5S 4. Fase 9 – Como Certificar as áreas e/ou a empresa em 5S Conclusão e Teste de Conhecimento Anexos Anexo 1 - Critérios de Avaliação do 5S - PDCA - Consultoria em Qualidade - Revisão 13 Anexo 2 - Exemplo de Check-list de 3S Anexo 3 - Exemplo de Padrão de Limpeza - Operacional Anexo 4 - Exemplo de procedimento para descarte Anexo 5 - Exemplo de Sistemática de Reconhecimento de 5S Anexo 6 - Exemplo de tabela de entrevistas para áreas afetadas Anexo 7 - Exemplo de Manual do 5S Anexo 8 - Exemplo de Plano de Implantação do 5S - Empresas de médio e grande Portes Anexo 9 - Exemplos de procedimento para estruturação de arquivos eletrônicos 93 No volume 3 é apresentada uma sistemática para uma excelente auditoria de 5S, baseada na minha experiência executando auditorias de 5S desde 1990. Veja abaixo os tópicos que são apresentados com detalhes. CAPÍTULO 1 - Revisão do Volume 1 – Você sabe o que é 5S (ou pensa que sabe)? Origem do 5S Significado de cada “S” Como praticar cada “S” Benefícios do 5S Relação entre 5S e algumas ferramentas de gestão CAPÍTULO 2 – Revisão do Volume 2 – Como formar a cultura do 5S na empresa Fases 1 a 4 - Da Implantação ao Lançamento do 5S Fase 5 - Do Lançamento à consolidação dos 3 primeiros “S” Fases 6 a 9 - Da Consolidação dos 3 primeiros “S” até a Certificação 5S CAPÍTULO 3 – Informações básicas para se fazer excelentes auditorias de 3S e 5S Para que fazer auditoria de 5S? Quais os fundamentos para uma boa auditoria de 5S? Quais as características do Auditor de 5S? Quais as vantagens de ser um Auditor de 5S? Quais as vantagens de ser auditado pelo 5S? CAPÍTULO 4 – Como fazer excelentes auditorias de 3S e 5S Planeje adequadamente as auditorias CAPÍTULO 5 - Dicas para o Auditor O que fazer antes da auditoria? O que fazer durante a auditoria? O que fazer após a auditoria? O que fazer para consensar as notas entre os auditores? O que fazer para apresentar as notas para o auditado? O que fazer após a conclusão da auditoria? CAPÍTULO 6 – Como fazer auditoria de Certificação 5S Critérios para a Certificação Critérios de avaliação Conclusão e Teste de Conhecimento 94 Anexos Anexo 1 - Critérios de Avaliação do 5S - PDCA - Consultoria em Qualidade - Revisão 13 Anexo 2 - Exemplo de Check-list de 3S Anexo 3 - Exemplo de tabela de entrevistas para áreas afetadas Anexo 4 - Exemplo de Padrão de Limpeza - Operacional Anexo 5 - Exemplo de Padrão de Ordem Anexo 6 - Exemplo de formulário de avaliação da autodisciplina e proatividade Anexo 7 – Procedimento para a Certificação 5S 95 A seguir aplicamos um teste para o leitor aferir o nível de aprendizado sobre os conceitos de cada “S”. No final, consulte o gabarito e verifique qual o resultado de acordo com a tabela abaixo: Nível de acertoClassificação Recomendação Menor que 50% Ruim Estudar mais os capítulos 1 e 2 Entre 50 e 60% Razoável Estudar mais os “S” que apresentaram mais erros Entre 61 e 80% Bom Você já pode dar treinamento básico de 5S Entre 81 e 90% Muito Bom Você está preparado para ler e estudar o Volume 2 Acima de 90% Excelente Que tal ser consultor? 96 Teste seu Conhecimento Marque na coluna da direita o número de 1 a 5 de acordo com cada um dos “S” (procure não consultar as páginas anteriores). 1. SEIRI; 2. SEITON; 3. SEISO; 4. SEIKETSU; 5. SHITSUKE # Descrição Resposta (1 a 5) 1 A altura de interruptores dificulta o acesso 2 A disposição de cabos elétricos provoca riscos 3 A identificação dos locais de guarda não está padronizada 4 A maioria dos prazos não é cumprida 5 A pintura das tubulações não está padronizada 6 A posição de alguns móveis dificulta a circulação e o acesso 7 A prática do 5S ainda não é espontânea 8 A retirada de alguns recursos desordena os demais 9 Algumas identificações estão apagadas 10 Algumas pessoas despejam óleo no esgoto 11 Algumas pessoas não consultam caixa de entrada de e-mails 12 Algumas pessoas não estão utilizando os recursos ergonômicos oferecidos pela empresa 13 Algumas pessoas não fazem ginástica laboral 14 Algumas pessoas não usam os EPIs exigidos 15 Algumas pessoas se alimentam em locais não higiênicos 16 Algumas pessoas usam celular em reuniões contrariando as regras 17 Algumas reuniões são iniciadas com atraso 18 Alguns equipamentos com problemas de conservação 19 Alguns locas de guarda são inadequados 20 Alguns mecânicos não estão fazendo o histórico dos serviços conforme procedimento 21 Alguns operadores não estão apontando registros nos formulários 22 Alguns operadores não fazem a limpeza de acordo com o padrão estabelecido 97 # Descrição Resposta (1 a 5) 23 Alguns recursos de uso esporádico estão dentro de armários não compartilhados 24 Alguns recursos são guardados em locais de difícil acesso visual 25 Área do café com açúcar derramado na mesa e no piso 26 Armários posicionados em locais que dificultam a abertura de portas 27 As de regras de convivência estão devidamente divulgadas 28 As pessoas deixam a copa suja após o uso 29 As pessoas demoram a retornar do almoço, contrariando as regras do setor 30 As pessoas não obedecem às regras do fumo 31 As pessoas não têm iniciativa para renegociarem prazos em casos de atrasos 32 As tomadas elétricas não estão com uma identificação padronizada 33 Banheiros com água no piso 34 Cadeiras da sala de treinamento não são ergonômicas 35 Cadeiras de escritórios não ergonômicas 36 Definição de sistemática de reconhecimento dos avanços de 5S 37 Definição de temporalidade para descarte dos diversos tipos de documentos. 38 Desenvolvimento de padrões de referência em ordem e limpeza 39 Desperdício de água e energia 40 Divisão de áreas e responsabilidades pelo 5S 41 Divulgação dos resultados das auditorias e autoavaliações de 5S, inclusive com fotografias 42 Empilhamento de documentos dificulta a localização 43 Estabelecimento de prazos para solução de problemas de 5S 44 Falta de alguns recursos necessários ao ambiente 45 Falta definir local para bolsas 46 Falta demarcação de veículos no estacionamento 47 Falta identificação em prateleiras e compartimentos fechados 48 Falta identificação em várias pastas de documentos 49 Falta padronizar os itens das caixas de ferramentas dos mecânicos 50 Falta rotina para higienização de ar condicionado 51 Falta sinalização de acesso a vários locais do ambiente 98 # Descrição Resposta (1 a 5) 52 Falta sinalização de segurança em alguns pontos 53 Falta sinalização de segurança na entrada da subestação elétrica 54 Ferramentas da Manutenção largadas na área de produção 55 Frequência de retirada dos resíduos das lixeiras insuficiente 56 Há alguns produtos defeituosos sem a devida identificação 57 Há mistura de lixo na coleta seletiva 58 Há um volume de recursos maior que o espaço disponível 59 Há vários recursos empilhados dificultando o acesso 60 Identificação padronizada de pastas de documentos 61 Iluminação inadequada 62 Instalações elétricas precárias provocando riscos 63 Lâmpadas sem funcionar 64 Lixeiras transbordando 65 Manchas nas paredes 66 Não há identificação de ambientes e postos de trabalho 67 Não há lixeira suficiente para o volume de lixo gerado 68 Não há locais definidos para vários recursos do ambiente 69 Não há procedimento para a limpeza 70 Não há providências para alguns problemas de conservação 71 Não há regras para atrasos em reuniões 72 Não há um padrão para a sinalização do piso 73 Não há uma identificação padronizada de equipamentos 74 Não há uma sinalização padronizada para os avisos de segurança 75 O procedimento de limpeza só é cumprido quando sobra tempo 76 Óleo de empilhadeira derramando no piso do almoxarifado 77 Óleo no piso 78 Papéis no piso 79 Papéis usados largados no piso do banheiro 80 Paredes com rebocos irregular 81 Poeira gerada no ambiente sem o devido controle 82 Ponta de cigarro em cantos de parede 83 Reciclagem de 5S para os novos colegas 99 # Descrição Resposta (1 a 5) 84 Recursos desnecessários são mantidos no ambiente 85 Recursos espalhados de forma que a localização é dificultada 86 Recursos improvisados dentro das bancadas gerando perdas 87 Resíduos de serviços da Manutenção deixados nos equipamentos 88 Reuniões relâmpagos para discutir os problemas de 5S 89 Sala da copiadora com grampos e restos de papéis no piso 90 São encontrados problemas comportamentais durante as autoavaliações 91 São feitas autoavaliações mensais de 5S 92 São mantidos alguns itens acima do nível máximo sinalizado 93 Sinalização de sentido de fluxo, de rotação e de níveis de produto 94 Sujeira atrás do armário 95 Sujeira em locais de difícil acesso 96 Sujeira na parede 97 Tubulações com isolamentos térmicos quebrados 98 Várias sinalizações estão em locais de difícil acesso visual 99 Vazamento de produtos contaminando o piso 100 Vazamentos de óleo em algumas máquinas 100 Gabarito do Teste # “S” # “S” # “S” # “S” 1 2 26 2 51 2 76 3 2 2 27 4 52 1 77 3 3 4 28 3 53 2 78 3 4 5 29 5 54 1 79 3 5 4 30 5 55 3 80 1 6 2 31 5 56 5 81 3 7 5 32 4 57 2 82 3 8 2 33 3 58 2 83 4 9 2 34 4 59 2 84 1 10 5 35 4 60 4 85 2 11 5 36 4 61 4 86 1 12 5 37 4 62 1 87 3 13 4 38 4 63 1 88 4 14 5 39 1 64 2 89 3 15 4 40 4 65 3 90 5 16 5 41 4 66 4 91 4 17 5 42 2 67 3 92 5 18 1 43 4 68 2 93 4 19 2 44 1 69 3 94 3 20 5 45 2 70 1 95 3 21 5 46 2 71 4 96 3 22 5 47 2 72 4 97 1 23 1 48 2 73 4 98 2 24 2 49 4 74 4 99 3 25 3 50 4 75 5 100 1 101 Conheça e adquira os produtos do Consultor Haroldo Ribeiro 5S e TPM Livros e e-books sobre 5S e TPM Diagnósticos, cursos, palestras e consultorias presenciais 5S Auditorias de Certificação 3S e 5S TPM Diagnóstico da Manutenção (antes da implantação) Diagnóstico do TPM (após a implantação) Entre no site agora, acesse aos maiores portais de 5S e TPM do mundo e adquira os produtos do autor www.pdca.com.br 102 ANEXO 1 Exemplos de Padrões de 5S 103 Este anexo apresenta vários exemplos de Padrões de vários ambientes utilizados pelas empresas, como referência para que todos os ambientes similares possam adotá-los. Padrão de Escritório • Distribuição adequada dos recursos para facilitar circulação e acesso • Ambiente apenas com os recursos de escritório e com o que é útil • Locais adequados para cada recurso, inclusive objetos pessoais como roupa, bolsa, sapatos, etc. • Locais de guarda e recursos identificados e demarcados para facilitar a manutenção da ordem • Mesas apenas com os documentos que são usados no dia a dia. Lembrar que mesa não é arquivo • Não deixar materiais no piso, tais como: caixas, ferramentas, peças, etc. • Gavetase armários ordenados, sem empilhamentos ou misturas de recursos. 104 105 106 107 108 109 110 111 Padrão de Sala de Reunião e de Treinamento • Padrão de ordem utilizando-se fotografias, demarcações e sinalizações. • Frequência de limpeza e responsáveis, incluindo registro da limpeza em formulário afixado na sala. • Recursos estritamente necessários à sala. Não utilização da sala para outros fins • Regras para utilização dos equipamentos e da sala afixadas em local de fácil acesso • Coletores de acordo com os resíduos gerados na sala. 112 113 Padrão de Oficinas • Definição, identificação e demarcação de áreas de entrada e saída de equipamentos. • Identificação de cada equipamento ou parte, inclusive o que está liberado. • Distribuição adequada de equipamentos, armários, bancadas e demais recursos móveis para facilitar circulação e acesso. Prever local para equipamentos em manutenção (caixa, prateleira, palete, etc.). • Bancadas apenas com equipamento ou parte em manutenção • Interior de bancadas sem peças reservas ou que podem ser utilizadas • Armários e prateleiras adequados para guarda de ferramentas, dispositivos, equipamentos aguardando manutenção. • Carros ou caixas adequados para guarda de ferramentas • Locais adequados para guarda de EPIs e recursos pessoais • Locais de guarda e recursos identificados e demarcados para facilitar a manutenção da ordem • Gavetas e armários ordenados, sem empilhamentos ou misturas de recursos. • Coletores adequados e identificados para os resíduos gerados • Frequência de limpeza adequada e responsáveis, incluindo locais de difícil acesso, áreas comuns e retirada de resíduos de coletores. 114 115 116 117 118 119 120 121 Padrão de Almoxarifado e Ferramentaria • Compatibilidade entre espaço e volume de materiais. Se necessário, utilizar o máximo de espaços verticais através de um maior volume de prateleiras. • Definição e identificação de endereços em ruas e prateleiras • Definição e demarcação de área de recebimento de materiais • Identificação de materiais estocados • Distribuição adequada de prateleiras e paletes para facilitar circulação e acesso • Ausência de materiais diretamente nos pisos, em cantos de parede ou na parte superior de prateleiras. • Preservação adequada de cada tipo de material, incluindo o respeito aos riscos por incompatibilidades, quedas de materiais, incêndios ou contaminação de piso. 122 • Frequência de limpeza adequada e responsáveis, incluindo locais de difícil acesso, prateleiras e parte inferior de paletes. • Utilização de cortinas ou coberturas plásticas para redução de acúmulo de pó nas prateleiras e materiais. 123 Padrão de Coletores de Resíduos, Panos e EPIs • Compatibilidade entre tamanho e tipo do coletor com o volume de cada tipo de resíduo gerado no ambiente e com a frequência de retirada • Distribuição adequada dos coletores de acordo com o que é gerado em cada posto • Identificação e demarcação dos coletores de acordo com o padrão de coleta seletiva do cliente • Conservação e limpeza dos coletores • Prática da coleta seletiva de acordo com o padrão da empresa. 124 125 126 Padrão de Banheiros e Vestiários • Instalações adequadas, de acordo com a quantidade de usuários (ver Legislação com Representante da Segurança) • Conservação das instalações prediais, elétricas e hidráulicas. • Frequência de limpeza adequada de acordo com o nível de sujidade • Disponibilização de materiais de higiene: papel toalha, papel higiênico, sabonete. • Armários pessoais adequados, bem conservados e identificados (vestiários). • Avisos educativos para uso do mictório e vaso sanitário (descarga), para o descarte de papel toalha e higiênico e para uso da pia. • Regras afixadas em local de fácil acesso para guarda de materiais pessoais, como: toalha, sapatos, EPIs, etc. (vestiários) • Ausência de pichações em portas e armários. 127 128 ANEXO 2 Exemplo de Itens a implementação e Verificação de 5S Geral Item a Implementar/Verificar S Não há recursos em excesso 1º Não há recursos sendo improvisados 1º Não há recursos úteis misturados com inúteis 1º Não há recursos passíveis de descarte 1º Há previsão de uso recente para todos os recursos mantidos nos locais de trabalho 1º Não há falta de recursos 1º Quadro de avisos e Gestão à Vista com informações atualizadas 1º Relógios de parede funcionando e com horário correto 1º Calendários de parede com data atualizada 1º Estado de conservação das instalações prediais, elétricas e hidráulicas 1º Estado de conservação dos equipamentos não compromete a segurança e funcionalidade 1º Estado de conservação dos recursos de apoio não compromete a segurança e funcionalidade 1º Há providência para todos os problemas de conservação 1º Identificação de ambientes 2º Identificação de postos de trabalho 2º Identificação de mesas/bancadas 2º Identificação de gavetas de mesas 2º Identificação de gavetas 2º Identificação de armários, estantes e prateleiras 2º Identificação de suportes e outros locais de guarda 2º Identificação de pastas/caixas de documentos 2º Identificação de tomadas elétricas (tensão) 2º Identificação de disjuntores existentes nos ambientes 2º Sinalização de acesso aos ambientes 2º Sinalizações de segurança 2º Sinalização de piso para pedestres e áreas de trabalho 2º Demarcação de piso para guarda de materiais 2º Número reduzido de curvas nos corredores 2º Cantos de Corredores demarcados em diagonais 2º Identificação de equipamentos em locais de fácil acesso 2º Sinalização de sentido de fluxo em corredores e escadas 2º 129 Geral Item a Implementar/Verificar S Identificação do ramal no aparelho telefônico 2º Demarcação de pontos de entrada e saída com linhas tracejadas 2º Identificação de cadeiras reguláveis para evitar trocas 2º Indicação de capacidade máxima de carga em elevadores, talhas e pontes rolantes 2º Identificação de materiais e equipamentos provisoriamente mantidos na área 2º Estado de conservação das identificações e sinalizações não prejudica a interpretação por potenciais usuários 2º Há providência para todas as deficiências de Identificação e sinalização 2º Os locais de guarda de todos os recursos utilizados pelo processo estão definidos (são do conhecimento de potenciais usuários) 2º O tipo de material e o formato dos locais de guarda dos recursos utilizados pelo processo são adequados 2º Os locais de guarda de todos os recursos estão de acordo com a frequência de utilização 2º Há locais de guarda adequados e definidos para todos os recursos pessoais (EPIs, Bolsa, Calçados, Roupa, Guarda-chuva, Apostilas, Livros, etc.). 2º Há facilidade para a localização visual de todos os recursos 2º O acesso aos recursos é facilitado de acordo com a frequência de uso 2º Quadro de Avisos e Gestão à Vista com espaços delimitados e identificados para cada tema 2º Ausência de avisos colados diretamente em paredes, divisória e vidros de portas e janelas 2º O acesso aos recursos não desordena os demais 2º Há facilidade para a reposição dos recursos nos respectivos locais de guarda 2º O volume dos recursos está de acordo com o espaço disponível 2º Não há mistura de recursos incompatíveis 2º Não há recursos provisórios prejudicando a funcionalidade, segurança e bem- estar do ambiente 2º Não há recursos fora do local de guarda 2º Distribuição dos recursos permanentes não gera perda de tempo ou risco 2º Há plano para eliminar possíveis problemas de layout 2º Quadro de Avisos e Gestão à Vista com informações alinhadas pela margem superior e em ângulos retos 2º Postos de trabalho sem sujeira provocada pelas pessoas 3º Locais de uso coletivo sem sujeira provocada pelas pessoas3º Locais de difícil acesso sem sujeira provocada pelas pessoas 3º As pessoas cumprem com rigor a sistemática de limpeza 3º Não há fonte de sujeira gerando riscos de acidentes que possa ser eliminada 3º Há providências para possíveis fontes de sujeira que não geram riscos de acidentes 3º 130 Geral Item a Implementar/Verificar S Há frequência estabelecida para a limpeza periódica de todo o ambiente 3º A frequência estabelecida para a limpeza atende as necessidade do ambiente nos aspectos de funcionalidade, higiene e bem-estar 3º A sistemática de limpeza inclui os locais de difícil acesso visual e físico 3º Há recursos materiais suficientes e adequados para a remoção da sujeira, inclusive tempo das pessoas 3º Os coletores são adequados para o tipo e a quantidade dos recursos descartados no dia-a-dia 3º A localização e quantidade dos coletores facilitam o descarte 3º Os coletores estão limpos e bem conservados 3º Há sinalização e identificação que facilitam a localização dos coletores e o descarte adequado 3º O descarte está ocorrendo de acordo com o estabelecido 3º A frequência de retirada dos resíduos é adequada e é cumprida 3º Padronização das sinalizações e demarcações de piso 4º Padronização das cores de equipamentos e instalações 4º Padronização de identificação de equipamentos e meios de produção 4º Padronização de identificação de ambientes e postos de trabalho 4º Padronização de identificação de locais de guarda 4º Padronização de identificação de pastas e caixas de documentos 4º Padronização da sinalização de segurança 4º Padronização da identificação de tomadas elétricas 4º Implementação de Controle Visuais para facilitar a manutenção da ordem (demarcações, gabaritos, divisórias, silhuetas, cores, definição de mínimos e máximos, poka-yokes, etc.) 4º Instalação de fotos nas portas de armários para demonstrar o conteúdo 4º Higiene pessoal (limpeza das roupas, calçados e outros EPIs) 4º Inspeção dos equipamentos de Segurança de uso coletivo instalados nas áreas (extintores, hidrantes, macas, etc.) 4º Controle de possíveis problemas que afetam a saúde ocupacional (Planos para eliminação e Procedimento para a convivência adequada) 4º Rotina de limpeza de filtros de ar-condicionado e de bebedouros 4º Higiene nos locais de uso coletivo (banheiros, vestiários, copas, bebedouros, etc.) 4º Frequência adequada de reuniões relâmpagos 4º Divisão das áreas e respectivos responsáveis 4º Autoavaliações por área dividida 4º Plano de ação para os problemas verificados no dia a dia, nas autoavaliações e nas auditorias 4º Definição e divulgação de regras de convivência para possíveis problemas comportamentais 4º 131 Geral Item a Implementar/Verificar S Definição de sistemáticas de reconhecimento da própria área 4º Discussão e divulgação de resultados do 5S 4º Padrões visuais de ordem e limpeza 4º Registros de melhorias (Antes e Depois) 4º Treinamento de novos funcionários 4º Definição de responsáveis por pastas de arquivos eletrônicos compartilhados 4º Eliminação de arquivos eletrônicos obsoletos 4º Organização racional de Drives, Pastas e Documentos Eletrônicos, principalmente os compartilhados 4º Definição de frequência de limpeza de arquivos eletrônicos 4º Criar uma rotina eficaz para o tratamento de correios eletrônicos 4º Manter no dia a dia apenas os recursos úteis no ambiente de trabalho 5º Manter no dia a dia o ambiente de trabalho ordenado 5º Manter no dia a dia o ambiente de trabalho limpo 5º Não largar materiais e resíduos em outras áreas 5º Cumprir com rigor as Normas de Segurança, Qualidade, Meio Ambiente e Administrativas, inclusive participação na ginástica laboral (quando existente), sem necessidade de cobrança 5º Cumprir com rigor os procedimentos de trabalho, inclusive prazos, sem necessidade de cobrança 5º Cumprir com rigor as regras de convivência, inclusive pontualidade, sem necessidade de cobrança 5º Apresentar sugestões de melhorias para o 5S 5º Manter no dia a dia a organização dos Drives, Pastas e Documentos Eletrônicos, de acordo com o estabelecido 5º Realizar a limpeza de arquivos eletrônicos de acordo com a frequência estabelecida 5º Responder prontamente os correios eletrônicos 5º 132 Processos Contínuos Item a Implementar/Verificar S Ausência de Andaimes inúteis 1º Ausência de improvisações (gambiarras) 1º Otimização de armário para guarda de dispositivos usados pelos diversos turnos 1º Tags de Equipamentos 2º Sinalização de sentido de fluxo 2º Caps instalados 2º Isolamento adequado de áreas com riscos 2º Sinalização de equipamentos liberados para manutenção 2º Suportes adequados para dispositivos de testes 2º Sinalização de equipamentos vitais 2º Critério para guarda de chaves de válvula 2º Lugares adequadas para guarda de capacetes e luvas quando não estão em uso 2º Ausência de resíduos de manutenção (isolamentos, parafusos, juntas, etc.) 3º Ausência de contaminação de piso 3º Ausência de fugas de produtos 4º Manufatura Item a Implementar/Verificar S Ausência de armários de uso pessoal em meio às máquinas 1º Implementação de Kanban 4º Implementação de Poka-Yokes 4º Oficinas Item a Implementar/Verificar S Ausência de sobressalentes, ferramentas e material de consumo em excesso nas caixas de ferramentas, gavetas ou armários individuais 1º Eliminação de portas em armários e bancadas para evitar guardas desnecessárias. Se for inviável, instalar portas transparentes de acrílico ou policarbonato 1º Ausência de materiais sem previsão de uso 1º Identificação de chegada e saída de equipamentos 2º Identificação da situação do equipamento (não liberado, liberado) 2º Definição e adequação de locais para equipamentos em manutenção 2º Instalação de avisos para uso adequado de máquinas operatrizes 2º Sinalização no piso das áreas de trabalho diferentemente das áreas de circulação 2º Identificação de setores (Mecânica, Elétrica, Usinagem, etc.) 2º Utilização de proteção na área de solda (biombos, cortinas, paredes, exaustores, etc.) 2º Procedimento adequado para evitar acúmulo de sujeira ao longo do dia (sujou, limpou) 3º 133 Oficinas Item a Implementar/Verificar S Descarte adequado de óleos, graxas e materiais contaminados 3º Ausência de alimentos em interiores de caixas, gavetas e armários 4º Guarda adequada de EPIs 4º Silhueta em quadro de ferramentas para facilitar a reposição 4º Equipamentos e Instalações Item a Implementar/Verificar S Identificação com etiquetas dos vazamentos nas tubulações 2º Sinalização de emissões de gases quando for o caso 2º Sinalização de abertura e fechamento nas válvulas 2º Eliminação e/ou redução de locais de difícil acesso para limpar 3º Instalação de contenções de vazamentos de óleo ou produtos quando a extinção da fonte for inviável 3º Identificações padronizadas 4º Sinalização de partes móveis 4º Sinalização de sentido de fluxo e de rotação 4º Sinalização e/ou pintura padronizada de acordo com o produto 4º Identificação do produto nas conexões das tubulações 4º Sinalização das faixas de trabalho de manômetros e termômetros 4º Sinalização de níveis de máximo e mínimo de lubrificantes nos tanques 4º Instalação de janelas de inspeção transparentes para facilitar a detecção de problemas em sua fase precoce 4º Subestações Elétricas e CCMs Item a Implementar/Verificar S Identificação nas portas de acesso 2º Sinalização de Segurança de acordo com a Legislação 2º Ausência de materiais estanhos 1º Procedimento adequado para a limpeza provocada por ações da natureza 3º Capinagem adequada das áreas "a céu aberto" 3º Lugares adequados para guarda de materiais, equipamentos, dispositivos, desenhos e outros documentos 2º 134 Tratamento de Efluentes Item a Implementar/Verificar S Conservação adequada das visa de acesso 1º Ausência de materiaislargados na periferia da área 1º Sinalização de acesso á área 2º Capinagem adequada na periferia da área e dos equipamentos 3º Sala de Controle, banheiro e escritório estruturados, bem conservados, limpos e ordenados 3S Central de Resíduos Item a Implementar/Verificar S Layout adequado de acordo com os tipos e volume dos resíduos 2º Identificação da área, das baias e coletores 2º Lugares adequados e identificados para Resíduos Perigosos 2º Ausência de transbordamento nas baias e/ou coletores 3º Paradas de Manutenção Item a Implementar/Verificar S Anéis de teste devidamente inspecionados 1º Lista de plaquetas de vazamentos atualizada 1º Disponibilidade de raquetes e dispositivos de teste de trocadores 1º Especificações de Solda disponibilizadas para os soldadores 1º Quadro de profissionais presentes atualizada, por supervisão 2º Identificação de gavetas dos arquivos de desenhos 2º Desenhos e documentos ordenados nas gavetas e armários 2º Ausência de documentos ou materiais largados nas mesas, pisos da sala ou sobre arquivos 2º Identificação da área de chegada e de saída de materiais 2º Definida e identificada área para materiais de serviços pendentes 2º Identificação com cartões de todos os equipamentos e acessórios 2º Caixas disponíveis e adequadas para guarda de peças de equipamentos que necessitam cuidados de preservação 2º Identificação de válvulas e instrumentos testados e liberados 2º Sinalização destacada para todas as peças e acessórios que devem ser tratados em regime de emergência e urgência 2º Caixas apropriadas para parafusos, porcas e arruelas 2º Ausência de luvas, trapos, ferramentas e materiais de consumo largados 2º Há palete para colocar spools e periféricos desmontados para manutenção ao equipamento 2º Identificação adequada de todos os dispositivos de montagem e desmontagem 2º Juntas metálicas devidamente identificadas no almoxarifado ou ferramentaria 2º Instalação de etiquetas de liberação de testes de trocadores pelos inspetores 2º 135 Paradas de Manutenção Item a Implementar/Verificar S Há locais definidos e adequados para coleta de raquetes (prateleira específica) 2º Os feixes de trocadores calor identificados 2º As bandejas de Torres em local apropriado e identificadas 2º Os parafusos e porcas devidamente inspecionados, grafitados e guardados em sacos ou caixas 2º Definição e identificação de todos os locais para colocação de equipamentos e partes desmontadas (trocadores, bandejas, Spools, etc.) 2º Há estaleiro adequado para os materiais de andaime 2º Andaimes liberados para a desmontagem sinalizados adequadamente 2º Há local adequado para ferramental e para material de consumo, inclusive para aqueles que devem ficar protegidos de chuva 2º Ferramental e material de consumo devidamente ordenados 2º Há área adequada para funilarias novas e as que serão reutilizadas 2º Há paletes e cartões de identificações para o palete e para cada caixa de funilaria 2º Há plásticos transparentes para cobrir caixas que estão expostas à água de chuva em função de sua geometria 2º Há local coberto e controlado para o material isolante e os refratários 2º Há local definido para tintas, consumíveis e dispositivos 2º As tintas, consumíveis e dispositivos nos locais definidos 2º Há local ou caçamba para sacos de material removido, evitando-se acúmulos na periferia dos equipamentos 2º Há local ou palete para material que será usado na manutenção dos equipamentos, evitando-se a desordem 2º Ausência de materiais largados na área (caps, flanges cegos, engates, mangueiras, raquetes, dispositivos, tambores de resíduos) 2º Há tomadas de fácil acesso para teste de lixadeiras e outras ferramentas elétricas na Ferramentaria ou Almoxarifado 2º Nome do encarregado responsável no crachá de cada executante 2º Há coletores adequados para cada tipo de resíduo gerado nos postos de trabalho 3º Há coletores para resíduos líquidos oriundos da desmontagem do equipamento 3º Os equipamentos liberados devidamente limpados pela Operação 3º Limpeza adequada dos equipamentos pelos mecânicos antes de enviá-los para a oficina 3º Equipamentos entregues pela Operação devidamente limpos, livres de qualquer sujeira que pode provocar problemas à saúde das pessoas ou contaminação do solo 3º As lixeiras estão disponíveis e sinalizadas em vários pontos para induzir a limpeza permanente 3º Inspeções rigorosas na ordem, limpeza e segurança no dia-a-dia pelos Operadores 4º Preenchimento antecipado das Permissões de Trabalho de serviços prolongados. A liberação, contanto, segue rigorosamente as Normas 4º Sistema de filas única para requisição de materiais na Ferramentaria ou Almoxarifado 4º 136 Paradas de Manutenção Item a Implementar/Verificar S Sistema de atendimento rápido na Ferramentaria ou Almoxarifado 4º Todas as lixadeiras são inspecionadas na devolução à Ferramentaria ou Almoxarifado 4º Laboratório Item a Implementar/Verificar S Ausência de equipamentos fora de uso ou em excesso 1º Identificação de todas as portas de armários e gavetas 2º Identificação de todas as salas 2º Lugares adequados para colocação de amostras 2º Armários e prateleiras que facilitem o acesso e a reposição com segurança 2º Tapete junto às pias 3º Restaurante/Refeitório Item a Implementar/Verificar S Layout adequado da cozinha e do refeitório 2º Local adequado para a guarda de recursos dos usuários no momento da refeição (EPIs, Pastas, etc..) 2º Disponibilidade de coletores adequados para descarte de lixo orgânico e material reciclado 3º Fluxo adequado e higiênico dos usuários 4º Local e recursos para a higienização pelos usuários 4º Avisos educativos adequadamente instalados em pontos estratégicos 4º Armazém/Depósito/Almoxarifado Item a Implementar/Verificar S Ausência de materiais e equipamentos fora de uso 1º Placa informativa de horário de atendimento 2º Espaço adequado para o volume 2º Aproveitamento máximo de espaços verticais 2º Catalogação de materiais e endereços em local de fácil acesso. Se possível automatizado 2º Lugar e espaço adequado para Recebimento de Materiais 2º Identificação de itens provisoriamente mantidos no local 2º Ausência de materiais estranhos ao setor 2º Placa informativa "Onde Estou" para ausência em horário de funcionamento, informando previsão de retorno 2º Fita com marcas do volume estocado, afixada por trás, identificando a dimensão atual do estoque 2º 137 Placa, requisição de reposição preenchida, ou fundo falso (quando o item é guardado em caixas ou gavetas) no ponto de reposição do estoque 2º Ambientes e locais adequados para armazenamento de produtos químicos e inflamáveis 2º Ausência de materiais fora de endereços e lado externo de armários 2º Dispositivos e materiais adequados para contenção de possíveis vazamentos de produtos químicos e inflamáveis 3º Sistemática de limpeza de prateleiras e paletes 3º Ausência de fezes da animais 3º Procedimento eficaz para guarda e destinação de materiais de compra direta 4º Procedimento eficaz para guarda de materiais não inventariados e/ou a alienar 4º Materiais apoiados em superfícies verticais ou inclinadas verticalmente - Pintar a silhueta do material na superfície de apoio 4º Materiais apoiados em superfícies horizontais ou inclinadas horizontalmente - Pintar silhueta, demarcar área ocupada, fazer furos para apoiar o material ou fazer gabaritos de isopor, madeira ou aço, de acordo com o perfil do material 4º Recursos que facilitem o autosserviço, quando for viável (etiquetas de material resistente com a identificação do usuário do material. Ao retirar o material o usuário afixa a etiqueta no local onde estava o material) 4º Sinalização apropriada para produtos químicos e inflamáveis (Diagrama de Hommel) 4º Controle de retirada de materiais fora do horário de funcionamento 4º EscritóriosItem a Implementar/Verificar S Definição e adequação para guarda de material de uso pessoal (bolsa, pasta, guarda-chuva, casaco, capacetes, rádios, sapatos, EPIs, etc.) 2º Quadro "Onde Estou" instalado em ponto estratégico 2º Demarcação de raio de abertura no piso atrás de portas para evitar acidentes 2º Identificação de cada bandeja de documentos 2º Demarcação com fita adesiva do perfil da base de cada material que fica sobre a mesa 2º Fundo de “isopor”, madeira ou material sintético, e recortar perfis da base do material a ser colocado na gaveta 2º “Orelhas” de identificação de pastas suspensas dos arquivos com cores diferentes para cada gaveta 2º Índice de pastas de cada gaveta de arquivo na sua parte frontal. Se não for estético, disponibilizar uma pasta com índice em local de fácil acesso 2º Escaninhos para armazenamento de formulários 2º Regras para quantidade de armários e gavetas para guarda de material de uso pessoal 4º Regras para comportamento que afeta a outras pessoas (equipamento de som, uso de celular, materiais em divisórias ou áreas de circulação, temperatura do ar-condicionado, fotografias em paredes comuns, etc.) 4º 138 Escritórios Item a Implementar/Verificar S Regras para comportamento que afeta a imagem do ambiente (excessos sobre as mesas, materiais no piso, papéis pendurados em parede e divisória, papéis embaixo de vidros nas mesas, adesivos em monitores, etc.) 4º Regras para uso adequado de áreas comuns (banheiros, copa, ilha de impressão, salas de reunião ou de apoio, corredores, etc.) 4º Fitas adesivas transversais e coloridas nos dorsos das pastas e caixas para garantir que a reposição será sempre na mesma posição 4º Fitas penduradas nas saídas de ar-condicionado para sinalizar quando os mesmos estiverem em funcionamento ou não 4º Regras para desligar computadores e apagar lâmpadas 4º Regras para recolher documentos das mesas no final de expediente 4º Salas de Treinamento/Reunião/Auditórios Item a Implementar/Verificar S Ausência de materiais e equipamentos estranhos às Salas 1º Disponibilidade de material de apoio em armário ou gaveta devidamente identificados 1º Sinalização de "Livre" ou "Ocupada" nas portas que não têm janelas de vidro 2º Sistemática para reserva das Salas 4º Disponibilidade de informações para uso de equipamentos eletrônicos 4º Instalação em local de fácil acesso do Padrão de Ordem e Limpeza que deve ser deixado o ambiente após o uso 4º Avisos em pontos estratégicos para os principais problemas comportamentais 4º Arquivo Item a Implementar/Verificar S Ausência de arquivos fora de prazo de retenção 1º Ausência de documentos sem necessidade de arquivamento 1º Espaço adequado para o volume 2º Identificação e sinalização do ambiente por Setor de origem dos documentos 2º Identificação de prateleiras e armários 2º Identificação de caixas, livros e outros documentos 2º Aproveitamento máximo de espaços verticais e horizontais. Se possível uso de arquivos deslizantes 2º Catalogação de documentos e endereços em local de fácil acesso. Se possível automatizado 2º Lugar e espaço adequado para Recebimento e Despacho de Documentos 2º Identificação de tempo de retenção nas caixas de documentos 2º 139 Áreas Externas/Estacionamento Item a Implementar/Verificar S Conservação das instalações prediais, elétricas e hidráulicas 1º Espaço compatível com o volume de automóveis, motocicletas e bicicletas 2º Sinalização adequada para acesso ao estacionamento (visitantes, terceiros, funcionários, vagas exclusivas, etc.) 2º Demarcação no piso para facilitar a ordem 2º Sinalização de Prédios e Setores em pontos estratégicos e padronizadas 2º Área demarcada para circulação de pedestres nas ruas (não é faixa de travessia de pedestres) 2º Disponibilização de coletores de resíduos em pontos estratégicos 3º Sistemática adequada de limpeza e conservação de calçadas, ruas internas e jardins 3º Sinalização de segurança nas ruas internas e externas de acordo com a Legislação do Trânsito 4º Avisos em local estratégico para atendimento a caminhoneiros e visitantes, quando for o caso 4º Avisos em local estratégico sobre uso do fumo e prática de coleta seletiva, quando for o caso 4º Portaria Item a Implementar/Verificar S Ausência de revistas e jornais antigos na recepção 1º Layout adequado para receber visitantes, inclusive caminhoneiros 2º Lugares adequados para guarda de material pessoal dos vigilantes, dos funcionários e de visitantes (quando for o caso) 2º Claviculário adequado e bem identificado para guarda de chaves 2º Lista telefônica atualizada dos funcionários da empresa 2º Ausência de poluição visual em paredes 4º Entrega de material de fácil entendimento sobre as principais Normas da empresa 4º Disponibilidade de desenho apresentando a localização de prédios e setores 4º Procedimento padronizado para atender visitantes e caminhoneiros 4º 140 Sala de Motorista Item a Implementar/Verificar S Avisos educativos para os principais problemas comportamentais 4º Monitoramento frequente do padrão de ordem e limpeza 4º Quando viável, instalação de recursos para distração (TV, jogos, revistas) 4º Quando viável, disponibilização para autosserviço (forno micro-ondas, preparo de café, chá, chimarrão, etc.) 4º Estruturação adequada para as boas práticas da ordem, da limpeza e da higiene pessoal (cadeiras, mesa, banheiro, coletores de resíduos, etc.) 3S Vestiários/Banheiros Item a Implementar/Verificar S Conservação adequada das instalações e dos armários 1º Ausência de pichações em armários e portas 1º Disponibilização de recursos para manutenção da limpeza e ordem pelo próprio usuário (escova, material de consumo reserva em armários ou prateleiras, odorizador, detergente, desinfetante, compactador de papel toalha, etc.) 1º Identificação de armários, mesmo que seja com números catalogados pela Vigilância Patrimonial 2º Sinalização imediata para itens com problema de funcionamento 2º Instalação do registro da limpeza em local apropriado para facilitar o controle pelos próprios usuários 2º Ataque às possíveis fontes de sujeira provocadas por layouts deficientes, problemas de conservação, falta de tapetes, falta de proteção nos boxes, etc. 3º Frequência de limpeza de acordo com a quantidade de usuários 3º Avisos criativos para os principais problemas comportamentais 4º Manutenção de materiais para higiene pessoal (papel toalha, sabão líquido, papel higiênico) 4º 141 Ambulatório Médico Item a Implementar/Verificar S Instalar artifícios de distração na sala de espera (TV, revistas e jornais atualizados, etc.) 1º Divulgação de fácil acesso de horários de atendimento, inclusive pelo médico 2º Identificação de cada sala 2º Sinalização de acesso aos banheiros 2º Identificação e controle de data de validade de medicamentos 2º Placa informativa "Onde Estou" para ausência em horário de funcionamento, informando previsão de retorno 2º Inspeção adequada da ambulância (conservação, combustível e materiais de apoio aos primeiros socorros) 4º 142 Referências ABRANTES, José. 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