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1 GINECOLOGIA 5 Marina Prietto DSTs E ÚLCERAS GENITAIS SIFÍLIS PRIMÁRIA: Ag. Etiológico: Treponema pallidum – Bactéria gram negativa (espiroqueta) Contaminação: Contato sexual – penetrando pele e mucosa; TIPOS DE LESÃO: − Também chamada de cranco duro; − Lesão ulcerosa ÚNICA; − Indolor; − Bordas BEM delimitadas; − Base endurecida − Fundo limpo − Rosa/avermelhada; Informações importantes: ▪ É altamente infectante (grande número de treponemas dentro da lesão); ▪ Duração de 2 a 6 semanas; ▪ Vai desaparecer espontaneamente (risco de evolução para as fases sequentes); ▪ Fator de risco: porta de entrada para o HIV LINFADENOPATIA É comum estar associado, com um padrão: − Regional | Unilateral | Múltiplo | Indolor | Não supurativa (sem sinal flogistico); DIAGNÓSTICO: Padrão ouro: Microscopia de campo escuro (pesquisa direta do treponema); Sorologias: TESTES NÃO TREPONEMICOS: VDRL Demora para positivar: 2 a 3 semanas após o cranco; 3 a 6 semanas depois da infecção inicial Indicação principal é para monitoramento do tratamento. TESTES TREPONÊMICOS: FTA-Abs (anticorpo contra o treponema); − É positivado após 1 a 2 semanas da infecção; − É sensível e específico; − Entretanto: UMA VEZ POSITIVO = SEMPRE POSITIVO; 2 GINECOLOGIA 5 Marina Prietto SOBRE O CMIA: CMIA (ensaio imunológico quimiolumnescente magnético) é um teste treponêmico para rastreio de sífilis. - Caso seja positivo, solicitar um teste não treponêmico (VDRL) aliado a outro treponêmico diferente (FTA-Abs ou TPHA). - E sempre lembrar de oferecer orientações de prevenção primária (uso de preservativos) e secundária (rastreio de outras ISTs). TRATAMENTO: ▪ Penicilina benzatina IM – 2.400.000 UI – dose única; ▪ 1.200.000 UI em cada nádega do paciente; Terapêuticas alternativas: ▪ Doxiciclina VO | Ceftriaxone IM Parceiros sexuais devem ser SEMPRE, avaliados e devidamente tratados. SE gestante apresentar um treponemico positivo, indica-se: iniciar o tratamento imediatamente com penicilina benzatina e solicitar um teste não treponêmico como o VDRL para a confirmação EM CASOS DE GESTANTES: Se RN, filho de mãe que não fez tratamento para sífilis e que só foi diagnosticada no momento do trabalho de parto. Nestes casos, o RN deve ser submetido à realização de VDRL do sangue periférico, hemograma, radiografia de ossos longos e punção lombar para análise do líquor. O resultado da avaliação liquórica que nos permite dizer que há neurossífilis, é: - Qualquer um dos seguintes = VDRL reagente, celularidade > 25 células/mm3 ou proteínas > 150 mg/dl. - Diante disso, o tratamento deve ser feito com penicilina cristalina por 10 à 14 dias SE no dia do parto o VDRL mostrou um aumento maior que 2 titulações (Era 1/2 e hoje está 1/64) isso pode ter ocorrido porque essa gestante se reinfectou após o tratamento. Devendo investigar o feto para iniciar o tratamento. Suspeitar de sífilis congênita quanto: ▪ RN com lesões eritematobolhosas (pênfigo palmoplantar) e choro durante a manipulação dos membros, que provavelmente é causada devido a uma osteocondrite (pseudoparalisia de Parrot), além de outras alterações inespecíficas. HERPES: É a IST ulcerativa mais comum. Ag. Etiológico: Herpes simplex vírus (tipo 1: oral e tipo 2: genital); Transmissão: contato sexual; APRESENTAÇÃO: PRIMEIRA INFECÇÃO: ▪ Incubação por 6 dias; ▪ Apresenta-se de forma mais intensa/severa; ▪ Associação de sintomas gerais: febre, mialgia e mal estar; ▪ Uma vez infectado, não se elimina mais o vírus, ele fica em período de latência 3 GINECOLOGIA 5 Marina Prietto LATÊNCIA VIRAL: O herpes simples ascende pelos nervos periféricos sensoriais, penetrando no núcleo das células dos gânglios sensitivos, em seu período de latência. REATIVAÇÃO VIRAL (RECORRÊNCIA) ▪ Fatores desencadeantes (quadros infecciosos, estresse, luz solar, frio intenso, uso de ATB prolongado, imunodeprimidos); ▪ Apresenta-se com sintomas menos intensos ▪ Sintomas prodrômicos (prurido, formigamento, queimação no local da lesão) Momento ideal para inicial para o início do tratamento (redução do quadro); TIPO DA LESÃO: INICIA-SE: Vesículas agrupadas/congruentes sobre base eritematosa. Em seguida, apresenta-se com: − Úlceras arredondadas − Bordas lisas − Dolorosas E por fim, a fase de crosta até o desaparecimento completo. OBS: O colo do útero também pode ser acometido, apesar de não ser comum: A queixa principal será um corrimento intenso, podendo ou não estar com um sangramento. LINFADENOPATIA Em 50% dos casos, com um padrão: Inguinal | Bilateral | Doloroso | DIAGNÓSTICO: ▪ Clínico (as lesões são muito características); ▪ Esfregaço de Tzanck Raspagem da lesão visualizada no microscópio; Achado: células epiteliais gigantes, multinucleadas com inclusões intranucleares; ▪ Sorologias ▪ Cultura do vírus (principalmente na fase de vesícula) TRATAMENTO 1º EPISÓDIO? Aciclovir VO 400mg – 8 em 8h, por 7 dias; 4 GINECOLOGIA 5 Marina Prietto RECIDIVA? Aciclovir VO 400mg – 8 em 8h, por 5 dias; MAIS DE 6 EPISÓDIOS NO ANO? Aciclovir 400mg – 12 em 12h, por 6 MESES; GESTANTES: Aciclovir VO – Podem ser tratados em qualquer trimestre. IMUNOSSUPRIMIDOS OU EM LESÕES EXTENSAS: Aciclovir EV de 5 a 8 mg/kg de 8 a 8h por 5 a 7 dias; CANCRO MOLE OU CANCROIDE: Ag. Etiológico: Haemophilus ducreyi (Bactéria – coco bacilo gram negativo); Transmissão sexual; TIPO DA LESÃO: Lesões possuem um padrão: ▪ Múltiplas (auto inoculação); ▪ Dolorosas ▪ Borda irregular; ▪ Base amolecida ▪ Fundo irregular/exsudato necrótico ▪ Fétido e amarelado (as vezes) LINFADENOPATIA Aparece em 50% dos casos; Unilateral em 2/3 dos casos; Localização mais comum é a inguino crural (bubão); Pode supurar e fistulizar; DIAGNÓSTICO: ▪ Clínico pela característica das lesões; ▪ Cultura da lesão; ▪ PCR; ▪ Bacterioscopia com coloração de gram; TRATAMENTO: 1ª opção terapêutica: ▪ Azitromicina 1g VO – dose única OU ▪ Ceftriaxona 500mg IM – dose única; 5 GINECOLOGIA 5 Marina Prietto LINFOGRANULOMA VENÉREO (LGV) Ag. Etiológico: Chamydia trachomatis – Sorotipos: L1, L2 e L3 – (Bactéria gram negativa intracelular) Transmissão sexual; TIPO DA LESÃO: ▪ FASE DE INOCULAÇÃO: Fase onde apresenta-se uma pápula/pústula indolor. Desaparece espontaneamente ▪ INICIA UMA DISSEMINAÇÃO LINFÁTICA A linfodenopatia inguinal acorrem 1 a 6 semanas após a lesão inicial. ▪ QUE PODE GERAR SEQUELAS Podendo supurar e até fistulizar. Pode apresentar sintomas gerais como febre, mal estar, prostração, anorexia, sudorese noturna. LINFADENOPATIA Apresenta-se como: ▪ Unilateral em 70% dos casos; ▪ Normalmente é o motivo que leva o paciente para consulta ▪ Pode supurar e até fistulizar; ▪ Orifícios múltiplos DIAGNÓSTICO: Pode ser: Clínico Cultura da lesão PCR Sorologia para clamídia; TRATAMENTO: 1ª OPÇÃO: Doxiciclina 100mg 12/12h VO por 21 dias; OUTRA OPÇÃO: Azitromicina 1g VO 1vez por semana, por 3 semanas. o Preferencial em gestantes 6 GINECOLOGIA 5 Marina Prietto DONAVANOSE: Ag. Etiológico: Klebsiella granulomatis (Bacilo gram negativo) Transmissão sexual; TIPO DA LESÃO: Apresenta-se em: − Úlceras; − Múltiplas (espelhos) − Bordas bem delimitadas − Fundo bem avermelhado; − Sangra facilmente − Pode vir associada a uma destruição tecidual LINFADENOPATIA Podem surgir pseudobubões (granulações subcutâneas na região inguinal, quase sempre unilaterais); DIAGNÓSTICO:Esfregaço ou biopsia: Presença dos Corpúsculos de Donovan (corpos intracelulares com largas células mononucleares) TRATAMENTO: 1ª OPÇÃO: Doxiciclina 100mg 12/12h VO por 21 dias; OUTRA OPÇÃO: Azitromicina 1g VO 1vez por semana, por 3 semanas ou até cicatrização da lesão.