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Toxinfecções Alimentares (Intoxicações e Infecções Alimentares) Ana Gabriela Lopes Fernandes 2 Introdução Em todo o mundo, centena de milhões de pessoas são afetadas por doenças causadas por alimentos contaminados; Os grupos mais vulneráveis são os lactentes, crianças pequenas e idosos; As doenças transmitidas pelos alimentos podem ser classificadas como INFECCÇÕES ou INTOXICAÇÕES. Introdução (Ellie, 2008) IMPACTO DAS TOXINFECÇÕES ALIMENTARES NA POPULAÇÃO Toxinfecções Alimentares Um total de 48 trabalhadores da Usina Termoelétrica Governador Leonel Brizola procuraram assistência médica no primeiro final de semana de agosto de 2012, provavelmente após a ingestão de alimentos contaminados na sexta feira, 3. Oito desses trabalhadores ficaram em observação durante o sábado e receberam alguns dias de afastamento médico. Uma trabalhadora grávida ficou dois dias internada e mais de três dias afastada do trabalho. A gerência da Termoelétrica informou que encaminhou ofício à Vigilância Sanitária para que esta verificasse se houve contaminação da água ou dos alimentos. Ainda não houve uma conclusão sobre as razões da contaminação. O Sindipetro Caxias cobrou da gerência da Termoelétrica a emissão das respectivas Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) de todos os trabalhadores que adoeceram. A gerência garantiu a emissão das CATs a partir da segunda feira, 13 de Agosto Fonte: http://www.fup.org.br/2012/noticias/sindicatos/sindipetro-caxias/2219590- sindicato-denuncia-intoxicacao-alimentar-de-trabalhadores-de -termoeletrica- em-duque-de-caxias Foi notificado, em dezembro de 2007, um surto de toxinfecção alimentar em 54 funcionários de uma empreiteira da construção civil a serviço em uma refinaria do município de Cubatão, SP. A Vigilância Sanitária Municipal coletou amostras de alimentos preparados no dia seguinte da notificação e de águas utilizadas na empresa produtora de alimentos e no restaurante da empreiteira, os resultados foram comparados aos padrões microbiológicos estabelecidos pela Resolução RDC n°12/2001 e pela Portaria n°518/2004. Coliformes totais foram observados nas amostras de água da empresa e do restaurante; coliformes termotolerantes foram identificados na amostra de carne assada servida no restaurante da empresa. Staphylococcus coagulase positiva, Bacillus cereus, Salmonella spp e clostrídios sulfito-redutores não foram detectados. Este relato mostra a importância do trabalho em conjunto entre os serviços de saúde municipais e o laboratório de saúde pública. FONTE: http://eteavare.com.br/arquivos/1040_684.pdf 7 O MPT/RN quer garantir condições adequadas de trabalho nas obras do Aeroporto de São Gonçalo. O termo de ajustamento de conduta firmado pelo Consórcio Engeport foi devido ao surto alimentar sofrido pelos trabalhadores da obra do aeroporto, em dezembro de 2013, o que foi notificado em jornais locais. Na ocasião, 60 trabalhadores foram atendidos com sintomas de intoxicação alimentar pela Unidade de Pronto-atendimento (UPA) de Macaíba. Os dados estão nas fichas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação Compulsória, que foram devidamente preenchidos pela UPA e encaminhadas ao MPT/RN. Com o TAC nº 69/2014, além de melhorar a higiene no preparo dos alimentos, o consórcio terá que doar R$70 mil à UPA de Macaíba, como forma de compensação à coletividade, pelo dano causado, e ao Sistema Único de Saúde, que suportou os custos com o atendimento aos trabalhadores. FONTE: http://www.prt21.mpt.gov.br/imprensa-noticias.php?noticia=466 Tipos de Contaminação Química: ingestão de alimentos contaminados por agrotóxicos, raticidas, inseticidas e por metais (chumbo e mercúrio); Natural: ingestão de espécies tóxicas de plantas, cogumelos, peixes, moluscos, mexilhões etc.; Microbiológica: ingestão de alimentos contaminados por microorganismos. (Frank, 2010) Infecções alimentares Definições Ingestão de alimentos contaminados por microrganismos infecciosos, que invadem o organismo causando danos aos tecidos. (Ex.: Salmonella e Campylobacter jejuni.) (Ellie, 2008) Intoxicações alimentares Ingestão de alimentos contaminados com toxinas químicas ou microrganismos. (Ex.: Staphylococcus aureus, Clostridium botulinum) Definições (Ellie, 2008) 11 Definições 12 Definições Surto Epidêmico de Origem Alimentar FORMAS DE TRANSMISSÃO E CONTAMINAÇÃO DOS ALIMENTOS Toxinfecções Alimentares O homem pode contaminar os alimentos através de suas excretas ou partes do corpo; Principais pontos de transmissão: fezes, nariz, boca, mãos, secreção vaginal, urina, ferimentos; Exemplos: Transmissão Direta (Ellie, 2008) Outras Formas de Transmissão Transmissão Indireta Há um transporte de excretas até os alimentos por meio de vetores: baratas, ratos, moscas. Transmissão Ambiental Material animal (urina, fezes, pêlo, saliva) contamina o ambiente passando para o alimento; Quando microrganismos estão presentes no solo ou na água passando para o alimento antes que este seja colhido. (Ellie, 2008) Controle de contaminação Higienização dos Equipamentos Formas de Armazenamento Controle de Temperatura Tempo e Conservação de Matéria-prima Toxinfecções Alimentares Manipulação e Preparo adequado (Elly, 1994) Condições para evitar o desenvolvimento de microrganismos (Hobbs e Roberts, 1999) Potencial de Risco dos Alimentos 18 INFECÇÕES E INTOXICAÇÕES DE ORIGEM ALIMENTAR E SUA PREVENÇÃO Toxinfecções Alimentares Doenças e Organismos Causadores Fonte Mais Frequente Sintomas Gerais Métodos de Prevenção Salmonelose - Bactéria Salmonella Ovos crus ou malcozidos, carne bovina, aves, leite in natura, entre outros Náusea, febre, calafrios, vômito, cólicas abdominais, diarreia e dor de cabeça; dura de 1 a 2 dias; pode ser fatal. Métodos higiênicos para manusear alimentos; cozinhar os alimentos completamente; refrigerar alimentos imediatamente e devidamente. E. Coli - Bactéria Escherichia coli b Carnes malcozida, leite não pasteurizado e derivados de leite, água contaminada Diarreia forte com sangue, cólicas abdominais, insuficiência renal aguda; dura 8 dias; pode ser fatal. Cozinhar carne completamente; evite leite in natura e derivados de leite; use métodos higiênicos para manusear os alimentos; use água tratada ou fervida. Shigelose Bactéria Shigella (>30 tipos) Contato pessoal, alimentos crus, saladas, laticínios; água contaminada. Diarreia com sangue, calafrios, vômito, caibrãs, febre; dura de 2 a 14 dias. Use métodos higiênicos para manusear os alimentos; cozinhe os alimentos completamente; refrigeração apropriada. (Forsythe, 2002) 21 Doenças e Organismos Causadores Fonte Mais Frequente Sintomas Gerais Métodos de Prevenção Botulismo (produzido pela bactéria Clostridium Botulinum) Ambiente anaeróbico de baixa acidez (enlatados, conservas) Sintomas no sistema nervoso, incluindo visão dupla, incapacidade de engolir, dificuldade de falar e paralisia progressiva do sistema respiratório; frequentemente fatal Métodos adequados para alimentos pouco ácidos; evitar alimentos comercialmente preparados com lacres avariados ou latas amassadas, inchadas ou rachadas. Intoxicação alimentar pela bactéria Staphylococcus Aureus) Toxina presentes nas carnes bovinas, aves, produtos com ovos, atum, Diarreia, náusea, vômito, cólicas abdominais e fadiga; sintomas semelhantes aos da gripe. Métodos higiênicos para manusear os alimentos; cozinhar os alimentos completamente; refrigeração adequada (Forsythe, 2002)SEGURANÇA ALIMENTAR NA PREVENÇÃO DAS TOXINFECÇÕES Toxinfecções Alimentares Realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis. SEGURANÇA ALIMENTAR Fonte: https://www.fao.org.br/download/UTFBRA064AnexoITermoReferencia.pdf PROGRAMAS DE SEGURANÇA ALIMENTAR Sistema APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) BPF (Boas Práticas de Fabricação) POP Procedimento Operacional Padronizado Resoluções da ANVISA Resolução n°216 – regulamento técnico de boas práticas para serviços de alimentação Resolução RDC n°12 – Padrões microbiológicos sanitários para alimentos e determina os critérios para conclusão e interpretação dos resultados das análises microbiológicas de alimentos destinados ao consumo humano. Resolução RDC n°275 – Regulamento técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados (POP) aplicados nos estabelecimentos Produtores/Industrializados de alimentos e a lista de verificação das boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/Industrializados de Alimentos Boas Práticas de Fabricação (BPF) Toxinfecções Alimentares Conjunto de princípios e regras para o correto manuseio de alimentos, abrangendo, desde as matérias primas, até o produto final, de forma a garantir a saúde e integridade do consumidor; O regulamento técnico sobre as condições Higiênico Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para a indústria de Alimentos está descrito na Portaria n°326 de 30 de Julho de 1997/ Ministério da Saúde (MS) Boas Práticas de Fabricação Fonte: SENAI/DN,2002 10 Regras de Ouro para elaboração higiênica de alimentos Escolher matérias primas processadas de forma higiênica; Cozinhar bem os alimentos; Consumir imediatamente os alimentos cozidos; Armazenar cuidadosamente os alimentos cozidos; Reaquecer bem os alimentos; Evitar o contato de alimentos crus e cozidos; Fonte: SENAI/DN,2002 28 10 Regras de Ouro para elaboração higiênica de alimentos Lavar sempre as mãos; Manter todas as superfícies da cozinha limpas; Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais; Utilizar água potável 29 Outras regras para elaboração higiênica dos alimentos Comunicar ao supervisor quando estiver doente; Resfriar rapidamente alimentos perecíveis ; Não usar ovos trincados ou rachados; Higienizar os vegetais Mantenha-se atualizado sobre as Normas e Procedimentos técnicos; 30 (Frazier e Westhoff, 1992; Hobbs e Roberts,1999; SENAI/DN, 2002) Apresentação Pessoal 31 POP (Procedimentos Operacionais Padronizados) São instruções seqüenciais para a realização das operações Higienização das instalações, equipamentos e móveis; Controle integrado de vetores e pragas; Higienização do reservatório; Higiene e Saúde dos Manipuladores Fonte: SENAI/DN,2002 POP de Higienização da Caixa d’água Feche o registro, retire toda a água da caixa d’água Feche a saída de água da caixa d’água Retire a sujeira Lave as paredes e o fundo da caixa d’água com água e sabão. Os utensílios, como vassoura, escova, rodo e pano, devem ser de uso exclusivo Abra a caixa de água e retire todo o sabão com água corrente Feche a caixa de água Prepare a solução desinfetante, diluindo 1litro de água sanitária em 5 litros de água. Esse volume é apropriado para uma caixa d’água de 1000 litros Espalhe a solução nas paredes e fundo da caixa d’água com uma broxa ou pano. Aguarde por 30 minutos Enxágue a caixa d’água com água corrente, retirando todo o resíduo de desinfetante Esgote toda a água acumulada Encha a caixa d’água 33 NR 24 – Condições Sanitárias de Conforto no Ambiente de Trabalho 24.1 Instalações Sanitárias 24.2 Vestiários 24.3 Refeitórios 24.3.10 Água potável, fornecida por meio de copos individuais, ou bebedouro de jato inclinado e guarda protetora 24.3.11 Lavatórios individuais ou coletivos e pias instalados nas proximidades do refeitório ou nele próprio 24.3.14 Proibe-se a utilização do refeitório para depósito 24.4 Cozinhas 24.4.11 Lavatório dotado de água corrente, dispondo de sabão e toalhas 24.4.12 Tratamento de lixo 24.4.13 Manipuladores de alimentos disponham de sanitário e vestiário próprios 24.5 Alojamento 24.6 Condições de Higiene e de conforto por ocasião das refeições 24.6.1.1 Trabalhadores de terceirizada terão as mesmas condições de higiene e conforto 24.6.2 Orientações sobre a importância das refeições adequadas e hábitos alimentares saudáveis 24.6.3 Garantir condições de conservação e higiene adequadas e os meios para aquecimento Fonte: http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr24.htm Considerações Finais A contaminação biológica de alimentos é um problema de saúde pública no Brasil. A falta de fiscalização permanente da produção, conservação e comercialização de alimentos pelos serviços estaduais e municipais de vigilância sanitária provocando aumento das toxinfecções. Adoção de sistemas de segurança alimentar, normas e resoluções promovem a melhoria das condições higiênico sanitárias, para que desta forma possa reduzir os níveis de contaminação dos alimentos. A elucidação dos surtos de toxinfecções e o conhecimento dos principais alimentos envolvidos podem gerar dados aos órgãos de saúde pública capazes de nortear as ações de vigilância à saúde. Considerações Finais Bibliografia Brock, T.D.; Madigan, M.T.; Martinko, J.M. e Parker, J., Biology of Microorganisms Editado pela Prentice -Hall International, Inc, 1991. Ellie, W. Nutrição : Aplicações. v.2, Editora Cengage Learning, 2008, 528 p. Elly, A.R. Intoxicaciones alimentarias de etiologia microbiana. Zaragoza: Acribia, 1994, 208 p. Steveson, K.E.; Bernard, D.T 1995. HACCP Establishing Hazard Analysis Critical Control Point Programs: A workshop manual. 2nd. Ed. The Food Processors Institute. Washington, D.C. Food hygiene, microbiology and HACEP. 3.ed. Dordrecht: Kluwer Academic, 2001, 449 p. Forsythe, S.J. Microbiologia da segurança alimentar. Editora Artmed, 2002, 424p. Frank, G. Introdução à nutrição humana. Guanabara Koogan, 2 ed. 2010, 317. Frazier,W.C.; Westhoff, D.C. Microbiología de los alimentos. Zaragoza: Acribia, 1992, 698p Hobbs,B.C.; Roberts, D. Toxinfecções e controle higiênico-sanitário de alimentos. São Paulo: Varela, 1999, 376p Jay, J.M. Microbiologia moderna de los alimentos. Zaragoza: Acribia, 2002, 661p Bibliografia Toxinfecções Alimentares (Intoxicações e Infecções Alimentares) Ana Gabriela Lopes Fernandes http://www.ifpb.edu.br/