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Exame físico abdominal

Resumão de semiologia para prova prática: exame físico geral e abdominal (ordem das manobras), achados de inspeção, palpação, percussão e ausculta, sons percussivos e intestinais, técnicas de palpação, sinais clínicos (Murphy, Blumberg, Cullen, Grey‑Turner, Joubert) e avaliação de fígado, vesícula e baço.

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Dalila Fassarella Corrêa 
 
SEMIO – Resumão prova prática 
Ordem exame físico (geral): INSpeção-PALpação-PERcussão-AUSculta 
Identificar 
• inspeção: tamanho, forma, simetria, posição e anormalidades 
• palpação: textura, temperatura, umidade, espessura, consistência, sensibilidade, dureza, percepção de frêmito, 
edema 
• percussão: intensidade, tonalidade, timbre 
 - maciço: regiões desprovidas de ar; tipo madeira → fígado, baço, coração 
 - timpânico: contém ar e membrana flexível; tipo tambor → intestinos, espaço de traube (livre) 
 - som claro pulmonar: depende da existência de ar dentro dos alvéolos → tórax normal 
 - submaciço: presença de ar em pequenas quantidades → ex.: infecção de um lobo pulmonar 
• ausculta: 
 - pulmonar (turbulência do ar nas vias aéreas – roncos, sibilos, estertores, ruídos adventícios) 
 - coração (bulhas cardíacas, sopros) 
 - abdome (ruídos hidroaéreos) 
 
Ordem exame físico (abdome): INSpeção-AUSculta-PERcussão-PALpação 
Identificar 
• inspeção: forma/contorno, simetria, hérnias, cicatriz umbilical, padrão venoso, pele (lesões elementares), 
movimentação da parede adominal (ondas peristalticas visíveis, pulsação de vasos) 
• ausculta: 4 quadrantes + região epigástrica (aorta – possíveis sopros – aneurismas; fístulas arteriovenosas ou 
compressões artérias) 
 - peristalse: ৹ aumentados: diarreia, oclusão intestinal mecânica 
 ৹ diminuídos/abolidos: íleo paralítico – silêncio abdominal 
 ৹ normais/presente 
 - sons: ৹ borborigmos: sons aéreos de tonalidade alta, formados pela passagem de líquidos e gases – “ronco 
 da barriga” 
 ৹ gargarejos: percebido quando é feita a palpação profunda e deslizante, especialmente no ceco; 
 além do ruído, também se tem a percepção tátil 
• percussão: tamanho dos órgãos (fígado, baço); pesquisar ascite, estimar excesso de gases nas vísceras ocas 
(obstruções, constipação intestinal) 
 - sons: ৹ timpânico: claro e timbre baixo; comum na região epigástrica (fundo gástrico) e na periumbilical 
 (intestino delgado) 
 ৹ maciço: sons breves com timbre baixo; fígado, baço 
 ৹ hipertimpanismo: é observado quando o conteúdo aéreo do TGI se apresenta aumentado 
 
 
 
• palpação: perguntar sobre possíveis locais de dor e deixar essa região por último; contato visual com o paciente; 
palpar na expiração 
 - superficial: ৹ mãos espalmadas, dedos em ligeira flexão; movimentos de vai e vem ou circulares 
 ৹ continuidade da parede abdominal, temperatura, sensibilidade, tonicidade, massas 
 superficiais e resistência 
 ৹ hipertonia da parede abdominal: contratura reflexa dos músculos abdominais da parede, com 
 aumento da tensão (vísceromotor); decorre de forte contração da musculatura (irritação 
 peritoneal por agente químico/infeccioso) 
 - profunda: procura massas (consistência, mobilidade, superfície, tamanho); além de palpar órgãos 
 abdominais (borda inferior do fígado, piloro, ceco, colo transverso, colo sigmoide, rim direito); força 
 aplicada: mínima, aprofundar no máximo 10 cm; pontos dolorosos: 
 ৹ cístico: rebordo costal direito com borda lateral do M. reto abdominal; compressão desse ponto 
 durante a inspiração se houver interrupção dela por dor, há o Sinal de Murphy – possível inflamação 
৹ Sinal de Cullen: equimose periumbilical 
৹ Sinal de Grey-Turner: equimose na 
região dos flancos direito e/ou esquerdo 
Sinal de Joubert: o som maciço é substituído por timpânico – ar na 
cavidade abdominal (ex: desaparecimento da macicez hepática) 
 
Dalila Fassarella Corrêa 
 
 da vesícula biliar 
 ৹ epigástrico: metade da linha xifo-umbilical; sensibilidade associada a úlcera perfurada 
 ৹ ureterais: 2 pontos bilaterais nas bordas laterais do M. reto abdominal com uma linha imaginária 
 que passa pela cicatriz umbilical e outra que passa pelas espinhas ilíacas anterossuperiores 
 ৹ apendicular (McBurney): junção do terço distal da cicatriz umbilical até a espinha ilíaca 
 anterossuperior; na compressão desse ponto, se houver dor à descompressão súbita – Sinal de 
 Blumberg – é sinal de inflamação peritoneal 
• medição da circunferencial abdominal – altura da cicatriz umbilical 
Fígado 
inspeção: nódulos ou massas → abaulamentos ou elevações; cicatrizes; inspeção lateral e tangelcialmente 
percussão: som maciço 
 - hepatimetria: percussão digito-digital 
 caso dor 
palpação: na inspiração do paciente; análise de: borda (espessura) – fina ou romba 
 superfície – regular/lisa ou irregular 
 sensibilidade – indolor ou dolorosa 
 consistência – elástica (normal) ou firme (aumentada) ou diminuída 
manobras: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vesícula biliar 
palpação: condições patológicas 
→ ponto cístico 
 - magros: rebordo costal direito e a borda externa do músculo reto abdominal 
 - obesos: linha da crista ilíaca direita, umbigo, rebordo costal 
 
 
 
Baço 
percussão: Espaço de Traube: do 6e espaço intercostal, com o rebordo costal esquerdo e a linha axilar anterior 
 - traube livre – som timpânico 
 - traube ocupado – som maciço – esplenomegalia 
palpação: 
 
 
 quando palpável, avaliar consistência, 
 sensibilidade, bordos 
 
Sinal de Torres-Homem: abscesso hepático 
Lemos-Torres: a partir da 
identificação do bordo inferior 
por meio da percussão ou 
desde o quadrante inferior do 
abdome 
Mathieu ou mãos em garra: mãos 
paralelas sobre o hipocôndrio direito; 
dedos em garra abaixo do rebordo 
costal direito 
Doenças: cirrose hepática, 
asterixis/flapping 
Sinal de Murphy: dor a inspiração profunda na 
compressão do ponto cístico – paciente cessa a 
inspiração – indica colecistite crônica ou colelitíase 
Sinal de Couvoisier-Terrier: vesícula palpável e 
distendida, indolor – paciente, geralmente, ictérico 
– indica tumor de pâncreas e/ou das vias biliares 
Posição de Shuster: decúbito lateral direito, perna 
direita estendida e coxa esquerda fletida sobre o 
abdome em ângulo de 90°; com ombro esquerdo 
elevado sobre a cabeça 
Dalila Fassarella Corrêa 
 
Ascite 
- muitas causas, a mais comum é a cirrose hepática 
- o acúmulo pode ser ocasionado por: diminuição da síntese de albumina (fígado), hipertensão portal, retenção de 
sódio/água 
 
palpação: 
 
 
 
 
 
 
outros sinais clínicos – indicam apendicite 
- rovsing: compressão fossa ilíaca esquerda → colón descendente → cólon transverso → cólon ascendente 
- psoas: decúbito lateral esquerdo, coxa direita estendida → dor no QID 
- obturador: decúbito dorsal, flexão coxa direita, joelho fletido, rotação externa do membro → dor na região 
hipogástrica 
Nomenclatura médica (termos) 
▪ Odinofagia: dor retroesternal durante a deglutição – deve-se a avaliar o tipo de alimento que desencadeia a dor, 
líquido ou sólido. 
▪ Disfagia: sensação de dificuldade na deglutição – avaliar a consistência do alimento (sólido X pastoso X líquido). 
▪ Pirose: “azia” – sensação de queimação retroesternal. Pode estar acompanhada de regurgitação. Deve-se avaliar a 
relação com alimentos/medicamentos e o horário que aparece. 
▪ Regurgitação: volta do alimento à cavidade oral ou de secreções contidas no esôfago/estômago. 
▪ Eructação: “arroto” – gases do estômago são expelidos pela boca; avaliar a relação com alimentos, alterações 
emocionais e situações de ansiedade. 
▪ Soluços: contrações bruscas do diafragma. Avaliar os horários que aparecem, a frequência (isolado ou crises) e a 
duração. 
▪ Sialorreia/sialose/ptialismo: produção excessiva de secreção salivar. 
▪ Náuseas: sensação de enjoo que precede o vômito. Avaliar o horário que aparece e a relação com a alimentação. 
▪ Vômitos: eliminação forçada do conteúdo pela boca. Avalia-se a quantidade, frequência. 
 - Vômito em jato: sem náuseas 
 - Vômito incoercível: não se pode conter 
 - Hematêmese: vômito com sangue 
▪ Flatulência: puns – relacionado com a ingestão de alimentos. 
▪ Dispepsia: conjunto de sintomas constituídos de desconfortoepigástrico, empanzinamento, sensação de distensão 
por gases, náuseas, intolerância a certos alimentos. 
▪ Plenitude pós-prandial: sensação desagradável de persistência prolongada dos alimentos no estômago – “barriga 
pesada” 
▪ Icterícia: coloração da pele e mucosas pela impregnação do pigmento biliar. Pode provocar: 
 - colúria (urina escura – tipo Coca-Cola) 
 - acolia (fezes brancas). Avalia-se a intensidade e duração. 
Macicez móvel: decúbito dorsal; percussão das regiões dos flancos D e E – som maciço; região epigástrica – som 
timpânico; paciente decúbito lateral – mudança de som maciço para timpânico no flanco oposto ao do decúbito 
Semicirculo de Skoda: pontos imaginários da região epigástrica de um flanco a outro; mudança de som timpânico 
para o maciço (área deve ser marcada); exame +: concavidade voltada para cima 
piparote: mão espalmada no flanco e mão colateral faz piparote 
Dalila Fassarella Corrêa 
 
▪ Dor abdominal – queixa mais frequente. Avalia-se as características da dor: 
 - Localização corporal 
 - Irradiação 
 - Periodicidade – diária, matutina, noturna, vespertina 
 - Caráter – queimação, furando, transfixante (“facada”) 
 - Intensidade 
 - Fator de melhora 
 - Fator de piora 
 - Fator precipitante 
 - Sintomas associados 
 - Cronologia – evolução 
▪ Defesa abdominal: reflexo víscero motor, cujo estímulo advém de inflamação peritoneal – geralmente, ocorre a 
diminuição da peristalse (íleo paralítico). 
▪ Ritmo intestinal: variável (3x ao dia – 3x na semana) – influenciado pelo peso, dieta, uso de medicamentos, 
atividade física, estresse. 
▪ Obstipação/constipação: diminuição da frequência de eliminação (menor que 3x na semana). Associada a 
dificuldade de evacuar, presença de fezes ressecadas e endurecidas. Causas idiopáticas (defeito na motilidade do 
cólon), dieta pobre em fibras, sedentarismo. 
▪ Tenesmo: sensação de evacuação incompleta – vontade constante de defecar, apesar de não haver necessidade – 
é a dor espasmódica referida após a evacuação. 
▪ Diarreia: aumento de evacuações (+ de 3x ao dia), diminuição da consistência fecal e com fezes incompletamente 
formada (presença de restos alimentares). Avalia-se o volume, duração, consistência, odor. 
▪ Esteatorreia: aumento da gordura nas fezes. 
▪ Disenteria: diarreia + cólicas intensas com fezes mucossanguinolentas. 
▪ Hemorragias digestivas: divididas em alta (HDA) e baixa (HDB) pelo ângulo formado pela junção duodenojejunal. 
 → HDA: 
 • Hematêmese: vômito com sangue vivo 
 • Melena: fezes negras – borra de café – e odor prútrido, as fezes são escuras, pois o sangue é digerido junto 
 com o alimento. 
 → HDB 
 • Enterorragia: sangramento volumoso associado a dor abdominal – pode eliminar apenas sangue, sem 
 fezes. 
 • Hematoquezia: eliminação de sangue durante a evacuação – pequena quantidade. Esse sangramento retal 
 é separado das fezes.

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