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Direitos Difusos e Coletivos
HENRIQUE DA ROSA ZIESEMER
Promotor de Justiça/SC
Mestre e Doutor em Ciência Jurídica
@prof.henrique.darosa
Direitos Difusos e Coletivos
 Teoria constitucional dos direitos difusos e coletivos;
 Ação civil pública - Lei n° 7.347/1985;
 Inquérito civil público;
 Proteção ao meio ambiente – processo coletivo ambiental princípios – ACP ambiental;
 Proteção aos patrimônios cultural, público e social;
 A tutela em juízo dos interesses individuais homogêneos, difusos e coletivos;
 Tutela de urgência, tutela de segurança, tutela de evidência e tutela inibitória no processo 
coletivo;
 Direitos fundamentais e direitos metaindividuais materiais;
 Lei n ° 4.717/1965 (Lei da Ação Popular)
 Direitos das pessoas com transtorno mental - Lei n° 10.216/2001
Direitos Difusos e Coletivos
 Da Defesa do Consumidor em Juízo (Lei n° 8.0781990);
 Mandado de segurança coletivo (Lei nº 12.016/2009);
 Mandado de injunção coletivo;
 Ação civil pública de improbidade administrativa (Lei nº 8.429/1992);
 Tutela coletiva no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei nº 8.069/1990);
 Ação civil pública para proteção dos investidores no mercado de valores mobiliários (Lei nº 
7.913/1989);
Direitos Difusos e Coletivos
 Direito urbanístico, leis 10.257/01, Lei 6.766/79;
 Direito da Criança e Adolescente;
 Direito ambiental, Código Florestal, Lei SNUC, 6.938/81;
 Direito do Consumidor 
 Estatuto da pessoa com deficiência 
 Improbidade administrativa e ação popular (8 blocos)
 Teses do STJ - sobre processo coletivo, consumidor, improbidade, criança e adolescente e 
ambiental - (10 blocos)
 Resolução de questões
Direitos Difusos e Coletivos
Direitos Difusos e Coletivos
 Evolução dos direitos humanos.
 Evolução do processo coletivo.
 1ª Geração ou dimensão: Direitos de liberdade – individualidade prevalece sobre o Estado;
 2ª Geração ou dimensão: Direitos de igualdade - Estado Social. Direitos Sociais;
 3ª Geração ou dimensão : Direitos de fraternidade e solidariedade – Direitos difusos, meio 
ambiente;
 4ª Geração ou dimensão: Segundo N. Bobbio, engenharia genética, bioética;
 5ª Geração ou dimensão: Paz mundial. Paulo Bonavides.
Direitos Difusos e Coletivos
 Tutela individual e coletiva 
 O ponto de partida é o Código de Processo Civil de 1973. Este código, segundo Teori
Zavascki, foi estruturado em tutela de conhecimento, tutela de execução e tutela
cautelar. (Processo Coletivo, 7ª ed).
 Segundo Teori, esse “sistema, por outro lado, foi moldado para atender à prestação da
tutela jurisdicional em caso de lesões a direitos individuais, mediante demandas
promovidas pelo próprio lesado”.
 De acordo com o art. 18 do Código de Processo Civil vigente: “Art. 18. Ninguém poderá
pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento
jurídico”.
 Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando
terceiros.
Direitos Difusos e Coletivos
 A ideia de processo individual perdurou por vários anos, até que a necessidade da
criação de novos mecanismos processuais foi verificada.
 A primeira fase de modificações deu início em 1985. De acordo com Zavascki, foi
“caracterizada pela introdução, no sistema, de instrumentos até então desconhecidos
do direito positivo, destinados (a) a dar curso a demandas de natureza coletiva, (b) a
tutelar direitos e interesses transindividuais, e (c) a tutelar, com mais amplitude, a própria
ordem jurídica abstratamente considerada” (idem, p. 18).
 A segunda fase de modificação iniciou a partir de 1994, com o fito de aperfeiçoar os
mecanismos então existentes. Importante mencionar que aqui está a se falar do
processo coletivo comum, que é aquele que trata da defesa direitos metaindividuais,
não relacionados com o controle abstrato de constitucionalidade.
Direitos Difusos e Coletivos
 Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhardt e Daniel Mitidiero mencionam que “A
utilização dos termos legitimação extraordinária e substituição processual no processo
coletivo tem a finalidade exclusivamente didática, já que não se pode conceber o
processo coletivo à luz de conceitos do processo individual.
 As noções de direitos essencialmente coletivos (direitos coletivos e direitos difusos) e
direitos acidentalmente coletivos (direitos individuais homogêneos), como é óbvio,
rompe com a noção de que o direito ou é próprio ou é alheio”. (Novo Código de
Processo Civil Comentado. 3ª ed. RT. P. 179)
Direitos Difusos e Coletivos
 Nesse sentido, houve a necessidade de superação de alguns dogmas:
 Direito Público e Direito Privado (Cleber Masson, Adriano Andrade e Landolfo Andrade. Interesses Difusos e Coletivos 
esquematizado. P.42.)
 A partição do direito objetivo em Direito Público e Direito Privado é herança do Direito 
Romano.
São consideradas de Direito público as regras que disciplinam relações entre o Estado e 
particulares em que predomine o interesse público, e de Direito privado todas as outras, entre 
particulares ou mesmo entre o Estado e particulares, desde que predomine o interesse 
privado.
Embora o Direito público veicule normas que visam primordialmente à salvaguarda do 
interesse
público, elas podem proteger, reflexamente, o interesse privado. Assim, por exemplo, embora 
seja o escopo maior do Direito penal a manutenção da paz social, ao tipificar a conduta do 
furto está, ao mesmo tempo, protegendo o direito privado à propriedade de cada um dos 
cidadãos.
Do mesmo modo, as normas de Direito privado tratam principalmente do interesse privado, 
embora, por vezes, sirvam também ao interesse público. É o caso do Direito de família, ramo 
do Direito privado que, enquanto regula as relações privadas afetas ao matrimônio, à união 
estável e ao parentesco, zela pela sobrevivência da família, instituição social cuja 
manutenção é de interesse público. 
Direitos Difusos e Coletivos
 Contudo, é de se ponderar que:
 A grande novidade do processo, desde o último quarto do século XX, tem sido a
possibilidade de tutelar esses direitos de forma mais e mais eficaz, por intermédio da
outorga de legitimidade a determinados órgãos. Mesmo direitos individuais, como na
hipótese do inciso III, podem ser tutelados coletivamente. Ver-se-á, adiante, como fica a
tutela individual desses direitos em face da possibilidade da tutela coletiva.
 Embora tenha sido objeto de capítulo específico, o que é pertinente insistir, neste passo, 
é que a coisa julgada, no sistema do Código de Processo Civil, segundo reza o art. 506 
do CPC/2015, atinge apenas quem tenha sido parte no processo, não beneficiando, 
nem prejudicando terceiros.
 Direito Processual Civil. 6ª Ed. 2019. Eduardo Arruda Alvim. P. 998-999
Direitos Difusos e Coletivos
 Nesse contexto, com o início da internacionalização dos direitos do homem conferido 
pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das 
Nações Unidas em 1948, e mais tarde, pela Conferência Internacional sobre o Meio 
Ambiente Humano, realizado em 1972, em Estocolmo, possibilitou o reconhecimento dos 
direitos fundamentais de terceira dimensão como o direito de todas as gerações, 
presentes e futuras, a um meio ambiente sadio, impulsionando, desse modo, o 
desenvolvimento e sistematização do direito processual coletivo (WOLKMER, 2003, p. 9), 
decorrente das fortes críticas contra a ineficácia do direito processual individual então 
vigente para tutelas desses direitos e interesses.
 Atendendo a esses reclamos registra-se o movimento de acesso à justiça como um dos 
responsáveis pelo desenvolvimento da tutela coletiva nos sistemas romano-germânicos, 
que, segundo a doutrina, se encontravam relativamente atrasados em relação à tutela 
coletiva de direitos dos ordenamentos jurídicos anglo-saxônicos.
Direitos Difusos e Coletivos
 O movimento de acesso à justiça, instigado pelo professor italiano Mauro Cappelletti, 
tratava das trêsondas de acesso à justiça, que estavam sendo implementadas para a 
solução dos grandes problemas da justiça em todo o mundo (CAPPELLETTI; GARTH, 
1998). 
 A tutela coletiva na proteção dos direitos transindividuais foi abordada na segunda 
onda, mas tratada na concepção da ação coletiva ativa, posto que à esta época, os 
grupos mal se organizavam para defenderem-se de lesões aos seus interesses razão pela 
qual muito menos forças possuíam para provocar lesões aos interesses de outrem.
 Nesse período, o direito processual coletivo no Brasil, também tendo por base a defesa, 
dos interesses e direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos foi desenvolvido e 
estruturado com base na legislação e doutrina italianas, e esta por sua vez, 
desenvolveu-se inspirado em influências estrangeiras, como as das experiências norte-
americanas. 
 Renato Woolley de Carvalho Martins. Rev. Ciênc. Juríd. Soc. UNIPAR, v. 18, n. 1, p. 105-119, jan./jun. 2015
Direitos Difusos e Coletivos
 Pode-se fazer uma relação entre ações coletivas e individuais, como se verifica do art. 
104 do Código de Defesa do Consumidor:
 Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, 
não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada 
erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não 
beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no 
prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva.
 A existência de ação coletiva não obsta o ajuizamento de ação individual, mesmo 
porque o art. 5º, XXXV da Constituição diz que “a lei não excluirá da apreciação do 
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.”
Direitos Difusos e Coletivos
 O Código de Processo Civil vigente, apesar de avançar em vários temas em sede de tutela
coletiva, perdeu a chance de avançar no processo coletivo.
 [...] não se pode passar ao largo da crítica de que o atual Código de Processo Civil perdeu
uma grande oportunidade de avançar no tema. Abordou-o de forma muito tímida,
possivelmente em razão de um outro projeto de lei que pretendia, à época, disciplinar
especificamente os processos coletivos. Houve apenas algumas referências pontuais sobre o
processo coletivo. Hugo Nigro Mazzilli critica esta omissão deliberada, ao ponderar que
décadas de utilização das ações coletivas se passaram, não havendo razão para que o
legislador, ao elaborar um novo CPC, não adentrasse no tema. Assim, como anota Mazzilli
“Dizer que o processo coletivo merece tutela à parte porque tem peculiaridades seria o
mesmo que dizer que os procedimentos especiais também o deveriam, e assim a ação
monitória, ou a suspensão dos processos coletivos ou individuais, ou o incidente de resolução
de demandas repetitivas, ou a conversão de ação individual em coletiva, ou a prática
eletrônica de atos processuais – tudo isso igualmente deveria ter sido deixado para a
legislação extravagante...” (Interesses e Direitos Difusos e Coletivos. Henrique da Rosa
Ziesemer;. Juspodivm. 2020. p. 70/71.
Direitos Difusos e Coletivos
 [...] Ainda em relação ao Código de Processo Civil e as demandas coletivas, é de se mencionar o art. 333 do CPC, vetado pela 
Presidência da República. Importa tratar do texto vetado, pois versava sobre inovação processual que poderia ser explorada no novo 
código, o que não acabou acontecendo. Tratava-se, in casu, da conversão da ação individual em ação coletiva, que vinha inicialmente 
exposta da seguinte forma, na redação original, posteriormente vetada. Segundo mencionava o texto rejeitado: 
 Art. 333. Atendidos os pressupostos da relevância social e da dificuldade de
formação do litisconsórcio, o juiz, a requerimento do Ministério Público ou da
Defensoria Pública, ouvido o autor, poderá converter em coletiva a ação individual que veicule pedido que:
I – tenha alcance coletivo, em razão da tutela de bem jurídico difuso ou coletivo,
assim entendidos aqueles definidos pelo art. 81, parágrafo único, incisos I e II, da
Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), e cuja
ofensa afete, a um só tempo, as esferas jurídicas do indivíduo e da coletividade;
II – tenha por objetivo a solução de conflito de interesse relativo a uma mesma
relação jurídica plurilateral, cuja solução, por sua natureza ou por disposição de
lei, deva ser necessariamente uniforme, assegurando-se tratamento isonômico
para todos os membros do grupo.
§ 1º Além do Ministério Público e da Defensoria Pública, podem requerer a
conversão os legitimados referidos no art. 5º da Lei no 7.347, de 24 de julho
de 1985, e no art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de
Defesa do Consumidor).
§ 2º A conversão não pode implicar a formação de processo coletivo para a
tutela de direitos individuais homogêneos.
§ 3º Não se admite a conversão, ainda, se:
I – já iniciada, no processo individual, a audiência de instrução e julgamento; ou
II – houver processo coletivo pendente com o mesmo objeto; ou
III – o juízo não tiver competência para o processo coletivo que seria formado. 
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 333 [...] § 4º Determinada a conversão, o juiz intimará o autor do requerimento para que, no prazo 
fixado, adite ou emende a petição inicial, para adaptá-la à tutela coletiva.
 § 5º Havendo aditamento ou emenda da petição inicial, o juiz determinará a
intimação do réu para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 (quinze) dias.
 § 6º O autor originário da ação individual atuará na condição de litisconsorte
unitário do legitimado para condução do processo coletivo.
 § 7º O autor originário não é responsável por nenhuma despesa processual
decorrente da conversão do processo individual em coletivo.
 § 8º Após a conversão, observar-se-ão as regras do processo coletivo.
 § 9º A conversão poderá ocorrer mesmo que o autor tenha cumulado pedido
de natureza estritamente individual, hipótese em que o processamento desse
pedido dar-se-á em autos apartados.
 § 10. O Ministério Público deverá ser ouvido sobre o requerimento previsto no
caput, salvo quando ele próprio o houver formulado. 
Direitos Difusos e Coletivos
 O artigo rejeitado buscava conferir celeridade e segurança jurídica a temas (e não direitos específicos) 
que fossem dotados de relevância social e também em razão de dificuldade de formação de 
litisconsórcio. Observa-se que, em que pese a boa intenção do legislador, o dispositivo em apreço poderia 
gerar conflitos sistêmicos, porquanto a interpretação da relevância social é dotada de alta carga de 
subjetividade, de modo que o CPC poderia gerar mais problemas jurídicos do que efetivamente resolvê-
los, indo na contramão do que preceitua. Da mensagem de veto da Presidência da República, colhe-se 
Razões dos vetos: “Da forma como foi redigido, o dispositivo poderia levar à conversão de ação
individual em ação coletiva de maneira pouco criteriosa, inclusive em detrimento do interesse das partes. 
O tema exige disciplina própria para garantir a plena eficácia do instituto. Além disso, o novo Código já 
contempla mecanismos para tratar demandas repetitivas. No sentido do veto manifestou-se também a 
Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. (Ziesemer. Idem., p. 72)
 Todavia, pode-se dizer que o CPC avançou em alguns aspectos. Para Ricardo de Barros Leonel: “[...] é 
correto afirmar que, embora o Código de Processo Civil/2015 não tenha propriamente disciplinado o 
processo coletivo, procurou oferecer alternativas para a tutela de situações que podem efetivamente ser 
tratadas tanto no processo coletivo, como, paralelamente, em processos individuais submetidos ao regime 
de julgamento de casos repetitivos. (Manual do Processo Coletivo, 4ª ed. 2017).
 No caso, trata-se do IRDR, com previsão no art. 976 do CPC:
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivasquando houver, simultaneamente:
 I - efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão 
unicamente de direito;
 II - risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica.
 § 1º A desistência ou o abandono do processo não impede o exame de mérito do 
incidente.
 § 2º Se não for o requerente, o Ministério Público intervirá obrigatoriamente no incidente 
e deverá assumir sua titularidade em caso de desistência ou de abandono.
 § 3º A inadmissão do incidente de resolução de demandas repetitivas por ausência de 
qualquer de seus pressupostos de admissibilidade não impede que, uma vez satisfeito o 
requisito, seja o incidente novamente suscitado.
 § 4º É incabível o incidente de resolução de demandas repetitivas quando um dos 
tribunais superiores, no âmbito de sua respectiva competência, já tiver afetado recurso 
para definição de tese sobre questão de direito material ou processual repetitiva.
Direitos Difusos e Coletivos
 INSTITUCIONAL (STJ Notícias)
 12/01/2021 06:55
 STJ reforça gestão de precedentes ao criar núcleo com foco nas ações coletivas
 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) instituiu o Núcleo de Ações Coletivas (NAC), integrado à
estrutura do Núcleo de Gerenciamento de Precedentes (NUGEP), o qual passa a ser
chamado NUGEPNAC. O novo núcleo foi criado por meio da Resolução STJ/GP 29/2020. O
normativo também criou a Comissão Gestora de Precedentes e de Ações Coletivas
(COGEPAC), para coordenar o NUGEPNAC.
 Com o NAC, o tribunal pretende reforçar o monitoramento dos julgamentos das ações
coletivas e promover maior efetividade da prestação jurisdicional na tutela dos interesses
transindividuais.
 Para o presidente do STJ, ministro Humberto Martins, a instituição do NAC fortalece a gestão
de precedentes existente no STJ – que já funciona de forma efetiva com relação aos recursos
repetitivos. "Com o NUGEPNAC, teremos mais rapidez, efetividade e segurança jurídica no
acompanhamento da tramitação e do julgamento de ações envolvendo direitos coletivos.
Mais um serviço do Tribunal da Cidadania voltado para a melhoria da qualidade da
prestação jurisdicional", enfatiza Martins.

https://bdjur.stj.jus.br/jspui/handle/2011/149392
Direitos Difusos e Coletivos
 Resolução do CNJ
 Os Núcleos de Ações Coletivas estão sendo instalados em todos os tribunais do país, em
cumprimento da Resolução 339/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo
é dar mais eficácia a essas ações, que, até agora, vinham sendo julgadas sem que os
tribunais tivessem como monitorar os temas ou delimitar os titulares dos direitos em
discussão. Um dos resultados mais importantes que se espera desse controle é a
possibilidade de divulgar amplamente, e de forma organizada, as informações sobre os
processos coletivos, de modo a evitar o ajuizamento de ações individuais semelhantes.
 Com a formação dos núcleos – explica Priscila Motta, assessora do NUGEPNAC –, "será
possível uniformizar a gestão dos procedimentos referentes às ações coletivas, bem como
realizar estudos e levantamentos de dados com o intuito de subsidiar políticas
administrativas relacionadas aos temas, auxiliar os tribunais na gestão dos seus acervos e
contribuir com magistrados, Ministério Público e Defensorias Públicas na priorização da
conciliação de conflitos e no julgamento dessas ações".

https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/3454
Direitos Difusos e Coletivos
 - O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, no uso de suas atribuições legais
e regimentais tendo em vista a Lei nº 4.717/65, a Lei nº 7.347/85, a Lei nº 8.078/90, e o contido
no Processo SEI/CNJ nº 13437/2019,
 CONSIDERANDO que as ações coletivas são instrumento importante no sentido da realização
do direito material, do acesso à justiça e da prestação jurisdicional, com economia processual,
efetividade, duração razoável do processo e isonomia;
 CONSIDERANDO as dificuldades relacionadas com questões processuais como legitimidade,
competência, identificação e delimitação dos titulares dos interesses ou direitos difusos, coletivos
em sentido estrito e individuais homogêneos, bem como dos respectivos beneficiados, de
possível conexão, continência, litispendência ou coisa julgada com outras ações coletivas ou
individuais e do alcance, da liquidação, do cumprimento e da execução de títulos judiciais
coletivos;
 CONSIDERANDO a necessidade de efetiva implementação e funcionamento adequado do
Cadastro Nacional de Ações Coletivas, instituído pela Resolução Conjunta CNJ/CNMP nº 2/2011,
e de banco nacional de dados que permita ampla consulta às informações para a otimização do
sistema de julgamento das ações de tutela dos direitos coletivos e difusos; [...]

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4717.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7347orig.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/935
Direitos Difusos e Coletivos
 Rodrigo Picon de Carvalho. Direitos Difusos e Coletivos. 2019. 2ª ed.
 Microssistema Processual Coletivo:
 Cada pessoa possui uma gama gigantesca de direitos previstos na Constituição
Federal ou em legislações esparsas, como a saúde, a educação, o lazer, a vida, a
liberdade e a segurança. Para a defesa de seus direitos, violados na iminência de
violação, a pessoa pode utilizar do Poder Judiciário ou de métodos extrajudiciais
de resolução de conflito.

Alguns direitos, entretanto, não pertencem somente a uma pessoa, e sim toda
a coletividade – sendo que a violação deste direito afeta, diretamente, uma gama
de pessoas. Por exemplo: o transporte público que deixa de passar em um
determinado bairro, ou um lote de uma mercadoria que vem estragada, a
degradação de um rio, dentre outros. Tais situações não afetam somente uma
única pessoa, mas toda a coletividade. Não se consegue, perante o órgão judicial
ou extrajudicial, a proteção integral ao direito da coletividade, uma vez que a
pessoa sozinha não pode defender o direito de terceiros (vedação do artigo 18 do
Código de Processo Civil). (p.8)
Direitos Difusos e Coletivos
 [...] Após a Constituição de 1988, inúmeros textos legislativos trouxeram à tona direitos transindividuais
passíveis de proteção de uma classe, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei 7.853/89, o 
Estatuto do Idoso, o Estatuto da Igualdade Racial, o Estatuto do Torcedor e o Estatuto do Jovem. Contudo, 
a legislação de proteção aos direitos transindividuais acabou ficando completamente dispersa em 
diversos textos legais distintos, sendo que cada lei servia apenas para uma classe específica. Ao mesmo 
tempo, não existe um texto que determina como funciona a proteção aos direitos transindividuais, como 
um Código Processual. A Lei 13.105/05 até tentou determinar a conversão da ação individual em coletiva 
(artigo 333), mas tal determinação foi vetada na época.

Para evitar que cada processo pertinente a um tipo de ação coletiva tivesse seu próprio regramento, 
criou-se o legislador a conexão entre as diversas legislações, permitindo-se a aplicação de um dispositivo 
legal de uma legislação em outro de outra legislação, desde que não seja contrário a este. 
 A tal sistema damos o nome de microssistema processual coletivo. O microssistema processual coletivo é 
de suma importância, tendo em vista que une todas as legislações dispersas referentes à tutela de direitos 
difusos e coletivos em uma só, como se fosse um Código próprio, até o legislador infraconstitucional criar 
uma legislação que visa abarcar toda a legislação processual referente aos direitos transindividuais. (p.9-
10)
Direitos Difusos e Coletivos
 [...] Ademais, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual, por 
força do princípio da integração, as Leis 4.717/1965, 7.347/1985, 8.078/1990 e 8.429/1992, 
dentre outras, compõem um microssistema processual coletivo, com o objetivo de 
propiciar uma adequada e efetiva tutela dos bens jurídicos por elas protegidos, não 
havendo óbice à utilização de normado Código de Defesa do Consumidor à Ação Civil 
Pública, no caso. REsp 1788797/MS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, 
julgado em 05/11/2019, DJe 18/11/2019.
 [...] O microssistema de defesa dos interesses coletivos privilegia o aproveitamento do 
processo coletivo, possibilitando a sucessão da parte autora pelo Ministério Público ou 
por algum outro colegitimado, mormente em decorrência da importância dos interesses 
envolvidos em demandas coletivas. EDcl no REsp 1405697/MG, Rel. Ministro MARCO 
AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 17/09/2019.
Direitos Difusos e Coletivos
 ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE
2015. AÇÃO POPULAR AJUIZADA NA ORIGEM. DEFERIMENTO, PELA CORTE A QUO, DO PEDIDO DE
INDISPONIBILIDADE PATRIMONIAL DA PARTE DEMANDADA. ART. 7º DA LEI N. 8.429/92. APLICABILIDADE.
UTILIZAÇÃO DOS INSTITUTOS E MECANISMOS DAS NORMAS
QUE COMPÕEM O MICROSSISTEMA DE TUTELA COLETIVA. PRECEDENTES DO STJ. PRESENÇA DOS
REQUISITOS PARA A DECRETAÇÃO DA MEDIDA DE CONSTRIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO MINUCIOSA PELO
ACÓRDÃO RECORRIDO. AGRAVO INTERNO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROVIDO PARA,
CONHECENDO DO AGRAVO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. DIVERGINDO DO RELATOR,
MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. AgInt no AREsp 1404410 / SC. Ministro BENEDITO GONÇALVES.
DJe 25/11/2020

Direitos Difusos e Coletivos
 HABEAS CORPUS COLETIVO. PROCESSO PENAL. PRISÃO PREVENTIVA. PRESOS QUE TIVERAM A LIBERDADE 
PROVISÓRIA CONDICIONADA AO PAGAMENTO DE FIANÇA. CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19. 
RECOMENDAÇÃO N. 62/CNJ. EXCEPCIONALIDADE DAS PRISÕES. ORDEM CONCEDIDA. EXTENSÃO DOS 
EFEITOS PARA TODO O TERRITÓRIO NACIONAL.
 2. Inicialmente, os arts. 580 e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, dão azo à permissibilidade do writ 
coletivo no sistema processual penal brasileiro. Ademais, o microssistema de normas de direito coletivo 
como a Lei da Ação Civil Pública, o Código de Defesa do Consumidor, a Lei do Mandado de Segurança, a Lei 
do Mandado de Injunção, entre outras, autoriza a impetração do writ na modalidade coletiva. 
 HC 568693 / ES HABEAS CORPUS 2020/0074523-0. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR. DJe 16/10/2020

Direitos Difusos e Coletivos
 O processo coletivo dá um salto no Brasil a partir das décadas de 80 e 90:
 Constituição:
 Art. 5º LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato 
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade 
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo 
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
 Art. 129, III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio 
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
 Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do 
Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, 
fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em 
todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e 
gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição 
Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1
Direitos Difusos e Coletivos
 Evolução do processo coletivo no Brasil
 No Brasil, o desenvolvimento do processo coletivo foi bastante influenciado pela doutrina 
italiana e pela norte-americana. Apesar de já existir a ação popular desde antes (Lei 4.717/65), a 
doutrina costuma vincular o SURGIMENTO do processo coletivo no Brasil com a Lei 6.938/1981 (Lei 
Nacional da Política do Meio Ambiente), que tinha um dispositivo que dizia que o MP protegeria o 
meio ambiente por meio da ação civil pública.
 A CONSOLIDAÇÃO do processo coletivo só ocorreu em 1985, com a Lei de Ação Civil Pública 
(7.347/85). Essa lei resolveu o problema dos bens ou direitos de titularidade indeterminada, mas 
não o problema dos bens e direitos cuja tutela individual é inviável e os bens e direitos cuja tutela 
coletiva é recomendável. Esses últimos dois problemas só foram efetivamente solucionados com o 
Código de Defesa do Consumidor, em 1990.
 Em 1990 ocorreu a POTENCIALIZAÇÃO do processo coletivo, com o surgimento do CDC, que 
permitiu que o processo coletivo pudesse tutelar as massas e atender aos bens e direitos cuja tutela 
individual é inviável e aos cuja tutela coletiva é recomendável. 
 João Paulo Lordelo. Manual Prático de Processo coletivo. 8ª ed. 2018. p.6.
Direitos Difusos e Coletivos
 “A década de 1990 foi muito profícua em termos de legislação. Apesar de ter iniciado com forte
turbulência política, por conta de uma renúncia presidencial, após um período também
turbulento em um regime de governo não democrático, muitas das principais leis que hoje
utilizamos foram produzidas neste período. Destas, podem ser destacadas a Lei 8.069/90,
conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei 8.137/90, a Lei de crimes contra a
ordem tributária e relações de consumo, Lei 8.072/90, ou Lei de crimes hediondos, além do
presente diploma, conhecido amplamente como Código de Defesa do Consumidor.” (Ziesemer.
Interesses e Direitos Difusos e Coletivos. Juspodivm, 2018, p. 295)
 Código de Defesa do Consumidor
 Estatuto da Criança e do Adolescente
 Lei 8.625/93 – LONMP
 LC 75/93 - MPU
 Lei 7.347/85 - ACP
 Lei 4.717/65 - AP
 Lei 6.938/81 - LPNMA
 LC 80/94 - LODP
 Lei 12.016/09 - LMS
Direitos Difusos e Coletivos
 Fundamentos da ação coletiva (João Paulo Lordelo - http://www.joaolordelo.com)
 “a) Fundamento sociológico e Acesso à Justiça. As ações coletivas permitem a resolução
 de demandas pretensões retidas, principalmente de consumidores, relativas a bens e
 serviços de massa. b) Fundamento político e Principio da economia processual. Tais ações
permitem a solução de diversos conflitos por meio de um só processo.”
 Para adequar-se à “sociedade de massa”, onde despontavam conflitos envolvendo 
coletividades mais ou menos extensas, desprovidas de personalidade definida, cuja 
vinda a juízo de todos os ofendidos era, senão impossível, extremamente difícil, era 
necessário desenvolver um processo de massa, ou seja, instrumentos processuais de 
defesa coletiva [...] (Masson, Andrade & Andrade. Idem. P, 38) 
Direitos Difusos e Coletivos
 “A tutela coletiva visa a propiciar um mais adequado acesso à justiça. Mas não compõe um ramo 
diferenciado do direito processual. Os seus institutos fundamentais valem igualmente para ela (nos títulos 
seguintes ver-se-á que os mecanismos de tutela coletiva podem e devem ser estudados à luz dos institutos 
fundamentais do processo civil), embora muitas vezes devam sofrer algumas adaptações ou até mesmo 
alterações.” GONÇALVES, Marcus Rios. Coleção sinopses jurídicas 26 - Tutela de interesses difusos e coletivos.
 Processo Coletivo: “compreendido como o conjunto de normas e princípios que regem o equacionamento dos
conflitos envolvendo direitos ou interesses coletivos em sentido amplo, desse suas origens, sua evolução, com
dados úteis colhidos no Direito Comparado, sua configuração atual, seus institutos e, finalmente, suas perspectivas.”
(Ricardo Barros Leonel. Manual do Processo Coletivo. 4ª ed. 2017. Malheiros. P. 25)
 “Processo Coletivo é aquele instaurado por ou em face de um legitimado autônomo, em que se postula um direito
coletivo lato sensu ou se afirma a existência de uma situação jurídica coletiva passiva.” (João Paulo Lordelo. Idem.)
 Direito Coletivo: “é a designação genérica para as duas modalidades de direitos transindividuais: o difuso e o
coletivo strictu sensu. É denominação que se atribui a umaespecial categoria de direito material, nascida da
superação, hoje indiscutível, da tradicional dicotomia entre interesse público e interesse privado.” (Teori Zavascki.
Processo Coletivo. RT. 2006 P. 42.)
 A questão referente ao processo e ao direito coletivo refere à necessidade de adoção de uma fórmula instrumental
nova, a fim de solucionar os conflitos decorrentes da mudança social.
Direitos Difusos e Coletivos 
 Ação Civil Pública x Ação Coletiva:
 Segundo Daniel Amorim Assumpção Neves, há três correntes (Manual de Processo Coletivo. P. 82. 4ª ed. 
Juspodivm):
 a) Ação Civil Pública é a ajuizada pelo Ministério Público enquanto ação coletiva é a ajuizada 
pelos demais legitimados coletivos;
 b) Ação Civil Pública é a que tutela direitos difusos e coletivos, únicos previstos na lei 7.347/85, 
ao passo que ação coletiva tutelaria os individuais homogêneos, com previsão no CDC;
 c) Ação Civil Pública é regulamentada pela lei 7.347/85 e ação coletiva, pela lei 8.078/90.
 O nome da ação não faz diferença, pois a finalidade das três ideia é a mesma. Segundo Neves, 
busca-se destacar as diferenças entre as espécies de direito material tutelado e algumas 
especificidades existentes (p.83). 
Direitos Difusos e Coletivos
 Os interesses difusos, quando ‘surgiram’ (rectius: quando foram reconhecidos),
despertaram a curiosidade geral, tendo sido inicialmente vistos como ‘um personaggio
assolutamente misterioso’. Assim também, a sua acessibilidade à justiça foi de início – e
durante bom tempo- vista com fortes reservas, o que se explica por um dado jurídico-
cultural [...] Mancuso. Interesses difusos. 9ª ed. p. 132.
 Ainda há resistência no mundo jurídico em relação ao trato com os direitos
metaindividuais, o que pode ser visto (ou não visto) no Código de Processo Civil atual,
que perdeu a chance de avançar no tema.
 Mancuso menciona que há um antigo temor da pulverização do poder estatal, uma barreira
de ordem política, que ficaria disseminada entre grupos portadores de interesses
metaindividuais. Poderia haver risco para a tripartição dos poderes, gerando uma
concorrência entre eles. (p.135)
Direitos Difusos e Coletivos
 Modelos de tutela jurisdicional dos direitos coletivos
 No mundo afora, destacam-se dois modelos de tutela jurisdicional dos direitos coletivos:
 a) Modelo das Verbandsklage (ações associativas) è Tem origem ítalo-francesa-alemã e é adotado pela 
Europa-Continental (salvo Escandinávia). É muito deficitário. Características: * Especial legitimação ativa das 
associações, com a escolha de um “sujeito supraindividual” para tutelar em nome próprio o direito que passa 
ser considerado como próprio. Ex: associações de consumidores, associações ambientais. *fragmentariedade. 
 b) Modelo das Class Action è Tem origem norte-americana e foi muito difundido no Brasil. É mais pragmático, 
voltado para a proteção integral do direito. Características: * A legitimidade do indivíduo ou de um grupo de 
indivíduos, qual é sujeito ao controle jurisdicional da “adequada representação”. * Vinculatividade da coisa 
julgada para toda a classe, quer beneficiando-a, quer prejudicando0a, no caso da improcedência da ação.
* Adequada notificação para aderir à iniciativa aos indivíduos, visando proteger o “direito de colocar-se a 
salvo da coisa julgada” (right to opt out). * Atribuição de amplos poderes ao juiz (defining function), o que 
distingue esse modelo do modelo tradicional de litígio (vinculado predominantemente a atividade das partes 
e a uma radical neutralidade judicial).
 A tendência mundial é a universalização do modelo das class action, tanto nos ordenamentos do common law
como do civil Law, a exemplo do Brasil. A especial abertura do ordenamento brasileiro aos modelos norte-
americanos se deve à forte influência da nossa tradição constitucional. 
 João Paulo Lordelo (idem. p.7)
Direitos Difusos e Coletivos
 O processo coletivo pode ser classificado quanto ao objeto em comum, por meio das
ações que versam sobre direitos metaindividuais e não relacionados com o controle
abstrato de constitucional ide (ação civil pública, ação popular); especial, sendo as ações
que tratam de controle abstrato de constitucionalidade (ADI, ADPF). – João Paulo Lordelo.
 O Código de Processo Civil não regulou o processo coletivo e vetou a parte referente à
transformação de ações individuais em coletivas (art. 333 do CPC). Assim, permanecem as
leis especiais regulando o tema, em especial por conta do art. 318 do CPC.
 Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em 
contrário deste Código ou de lei.
 Parágrafo único. O procedimento comum aplica-se subsidiariamente aos demais 
procedimentos especiais e ao processo de execução.
Direitos Difusos e Coletivos
 Autonomia do direito processual civil e sua relação com os outros ramos do direito
 O direito material é composto de normas que regulam as relações jurídicas entre as
pessoas, enquanto o direito processual estabelece as regras que regulam uma função
estatal, que é a jurisdicional; por outras palavras, o direito processual regula o exercício
da função jurisdicional (do Estado). Os princípios que informam o direito processual são
próprios, na medida em que se trata de ramo do direito público, distintos daqueles que
informam os sub-ramos do direito material, especialmente quando se tratar de relação
de direito privado.
 O direito processual, todavia, enquanto regulamentador de uma função
soberana do Estado (a jurisdicional), é ramo do direito público, pouco
importando que no caso concreto esteja em pauta conflito entre particulares.
Direito Processual Civil. 6ª Ed. 2019. Eduardo Arruda Alvim. P. 77- 92.
Direitos Difusos e Coletivos
 Princípios do processo coletivo
 Antes de tudo, é de se ponderar que o processo coletivo está inserido na ordem jurídica
brasileira, devendo respeitar a Constituição e todos os seus princípios que regem os demais
processos judiciais. Assim, os princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório,
juiz natural, celeridade, dentre outros, devem ser respeitados.
 Princípios informativos do processo universal: (Paulo Roberto de Gouvêa Medida – Teoria Geral do Processo. Juspodivm 3ª
ed. 2017. p. 80)
 Princípio lógico: escolha dos atos e formas mais aptas para descobrir a verdade e evitar
erros;
 Princípio jurídico: proporcionar aos litigantes igualdade na demanda e justiça na decisão;
 Princípio político: prover os direitos privados de máxima garantia social com o mínimo
sacrifício de liberdade individual;
 Princípio econômico: fazer com que as lides não sejam tão dispendiosas a ponto de se
poder dizer que a justiça civil é feita só para os ricos.
Direitos Difusos e Coletivos
 Princípio do amplo acesso à justiça, por meio do qual se busca potencializar a distribuição da justiça por meio da
tutela transindividual, facilitando a solução de milhares de causas e trazendo segurança jurídica.
 Princípio da economia processual, de modo que uma ação coletiva que busca a solução para várias causas
semelhantes é mais célere e econômica do que várias individuais que buscam o mesmo objeto.
 Princípio da indisponibilidade, diz que o autor da ação coletiva não pode abdicar de seu objeto. Este princípio é
flexibilizado pela possibilidade de desistência fundada, prevista na Lei da Ação Civil Pública.
 Princípio do interesse (ou primazia) no conhecimento do mérito. Aqui, busca-se o conhecimento e 
pronunciamento da questão de mérito.
 Princípio do máximo efeito da tutela coletiva, por meio do qual a decisão em processo coletivo não pode 
prejudicar, mas somente beneficiar as pessoas. Isto se dá em razão do fato que a legitimação para o 
ingresso das ações é extraordinária e independe de qualquer autorização.
 Princípio da integratividade, por meio do qual, em razão do microssistema de tutela coletiva, aplica-se a 
integração de vários diplomas em prol daquele, como os arts. 19 e 21 da LACP.Direitos Difusos e Coletivos
 Princípio da máxima efetividade do processo coletivo. Decorre dos poderes judiciais para dar 
azo às demandas, alinhando-se ao ativismo judicial.
 Princípio da máxima prioridade jurisdicional da tutela coletiva. Por meio deste princípio, evita-
se a proliferação dos processos individuais.
 Princípio da prioridade na tramitação. Deve o processo coletivo ter tratamento preferencial 
sobre as ações individuais, devido à quantidade de pessoas afetadas por este tipo de 
relação
processual. Não possui previsão legal. (Rodrigo Picon de Carvalho. Direitos Difusos e Coletivos. 2019)
 Princípio da não taxatividade do processo coletivo. A legislação processual coletiva permite a 
possibilidade de impetrar toda e qualquer ação capaz de propiciar a adequada e efetiva tutela 
da defesa dos direitos transindividuais. Apesar da impossibilidade de transformação da ação 
individual em coletiva, dado o veto ao artigo 333 do CPC, pode-se impetrar ação normalmente 
individual na modalidade coletiva, visando a devida proteção dos direitos transindividuais. (Rodrigo 
Picon de Carvalho. Idem) – Vide. Arts. 83 do CDC e art. 212 do ECA.
Direitos Difusos e Coletivos
 Distinção entre interesses e direitos? Meramente acadêmica.
 Conceito legal de direitos e interesses difusos e coletivos:
 Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida
em juízo individualmente, ou a título coletivo.
 Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
 I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os
transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e
ligadas por circunstâncias de fato;
 II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os
transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de
pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base;
 III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem
comum.
Direitos Difusos e Coletivos
 É tranquilo que os interesses ou direitos difusos e os interesses ou direitos coletivos 
(também denominados coletivos propriamente ditos, coletivos “stritcto sensu”, ou 
coletivos em sentido estrito) são espécies do gênero interesses ou direitos coletivos “lato 
sensu” (também denominados coletivos em sentido amplo, transindividuais, 
metaindividuais, supraindividuais) (Masson, Andrade&Andrade idem. P. 43)
 Direitos essencialmente coletivos são os difusos e coletivos.
 Direitos acidentalmente coletivos são os individuais homogêneos.
 O objeto indivisível significa que a ofensa ao direito de um corresponde à ofensa ao direito 
de todos.
 Todos os titulares estão inseridos na mesma situação de fato
 Impossível de se determinar quem seriam os titulares exatamente.
Direitos Difusos e Coletivos
 Quando o inciso I menciona que são transindividuais, significa dizer que transcende,
supera a individualidade. A natureza indivisível diz respeito à indivisibilidade do bem
jurídico tutelado, sendo impossível de contar seus titulares, mas todos eles ligados por
uma circunstância de fato. (Henrique da Rosa Ziesemer. Interesses e Direitos Difusos e Coletivos. Juspodivm. P.378)
 Os interesses ou direitos coletivos, inciso II, por sua vez, também possuem a
característica da transindividualidade e indivisibilidade, mas seus titulares estão
interligados entre si por alguma relação jurídica. Um grupo ou uma categoria de pessoas,
por exemplo. Aqui, há a possibilidade da determinação dos titulares, que se afiguram pela
mesma relação jurídica que fazem parte. (idem. P. 379)
 Já no inciso III, fala-se em direitos ou interesses individuais homogêneos, sendo
conceituado como de origem comum. A origem comum é o fato comum que gera a defesa
do direito. É permitida pela lei sua tutela a título coletivo, mesmo não havendo a relação
jurídica base, como prevista no inciso anterior. (idem. P. 379)
Direitos Difusos e Coletivos
 Atuação das instituições – Tutela individual x Tutela coletiva.
 Ministério Público atua na tutela individual de direitos indisponíveis e na tutela coletiva.
 Normas de regência: Art. 127 da Constituição Federal, Lei 8.625/93, Código de Processo 
Civil e entendimento jurisprudencial.
 Ministério Público atua como parte ativa ou fiscal da lei. No caso de parte ativa, ajuíza 
ações para defesa dos direitos que lhe são incumbidos. Utiliza-se, para tanto, do 
processo civil coletivo, em especial a lei 7.347/85, Lei da Ação Civil Pública, sem 
prejuízo de outras ferramentas que a lei lhe conferir. 
Direitos Difusos e Coletivos
 STF: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FORNECIMENTO DE 
MEDICAMENTOS. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE ATIVA. DEFESA DE DIREITOS 
SOCIAIS E INDIVIDUAIS INDISPONÍVEIS. PRECEDENTES. 1. A Constituição do Brasil, em 
seu artigo 127, confere expressamente ao Ministério Público poderes para agir em defesa 
de interesses sociais e individuais indisponíveis, como no caso de garantir o fornecimento 
de medicamentos a hipossuficiente. 2. Não há que se falar em usurpação de competência 
da defensoria pública ou da advocacia privada. Agravo regimental a que se nega 
provimento. (RE 554088 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 
03/06/2008, DJe-112 DIVULG 19-06-2008 PUBLIC 20-06-2008 EMENT VOL-02324-06 PP-
01237 RCJ v. 22, n. 142, 2008, p. 90-91)
Direitos Difusos e Coletivos
 Código de Processo Civil:
 Art. 176. O Ministério Público atuará na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses 
e direitos sociais e individuais indisponíveis.
 Art. 177. O Ministério Público exercerá o direito de ação em conformidade com suas atribuições 
constitucionais.
 Art. 178. O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir como fiscal da ordem 
jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição Federal e nos processos que envolvam:
 I - interesse público ou social;
 II - interesse de incapaz;
 III - litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.
 Parágrafo único. A participação da Fazenda Pública não configura, por si só, hipótese de intervenção do 
Ministério Público.
 Art. 179. Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público:
 I - terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do processo;
 II - poderá produzir provas, requerer as medidas processuais pertinentes e recorrer.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
Direitos Difusos e Coletivos
 Defensoria Pública
 Atuação da Defensoria Pública
 Constituição Federal
 Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado,
incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação
jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos
direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do
art. 5º desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)
 Lei Complementar nº 80/1994
 Organiza a Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e prescreve normas gerais para
sua organização nos Estados, e dá outras providências.
 Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras:
 VII – promover ação civil pública e todas as espécies de ações capazes de propiciar a adequada tutela dos
direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos quando o resultado da demanda puder beneficiar
grupo de pessoas hipossuficientes; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
Direitos Difusos e Coletivos
 I – prestar orientação jurídica e exercer a defesa dos necessitados, em todos os 
graus; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
 VIII – exercer a defesa dos direitos e interesses individuais, difusos, coletivos e individuais
homogêneos e dos direitos do consumidor, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da
Constituição Federal; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
 X – promover a mais ampla defesa dos direitos fundamentais dos necessitados,
abrangendo seus direitos individuais, coletivos, sociais, econômicos, culturais e
ambientais, sendo admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua
adequada e efetiva tutela; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
 XI – exercer a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e do adolescente,
do idoso, da pessoa portadora de necessidades especiais, da mulher vítima de violência
doméstica e familiar e de outros grupos sociais vulneráveis que mereçam proteção
especial do Estado; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
Direitos Difusos e Coletivos
 STF - E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO – PLENA LEGITIMIDADE ATIVA “AD CAUSAM” DA
DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA TUTELAR DIREITOS E INTERESSES DIFUSOS
DE QUE SÃO TITULARES PESSOAS NECESSITADAS – ORIENTAÇÃO QUE PREVALECE NO SUPREMO TRIBUNAL
TRIBUNAL EM RAZÃO DE JULGAMENTO FINAL, COM REPERCUSSÃO GERAL, DO RE 733.433/MG –
SUCUMBÊNCIA RECURSAL – (CPC, ART. 85, § 11) – NÃO DECRETAÇÃO, NO CASO, ANTE A AUSÊNCIA DE
CONDENAÇÃO EM VERBA HONORÁRIA NA ORIGEM – AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (ARE 1110876 AgR,
Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 29/06/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169
DIVULG 17-08-2018 PUBLIC 20-08-2018)
 STF - EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. REGÊNCIA:
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/1973. LEGITIMIDADE ATIVA DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL
PÚBLICA (INC. II DO ART. 5º DA LEI N. 7.347/1985, ALTERADO PELO ART. 2º DA LEI N. 11.448/2007). TUTELA DE
INTERESSES TRANSINDIVIDUAIS (COLETIVOS STRITO SENSU E DIFUSOS) E INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS.
ACESSO À JUSTIÇA. NECESSITADO: DEFINIÇÃO SEGUNDO PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO QUE GARANTEM A
EFETIVIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS PREVISTAS NOS INCS. XXXV, LXXIV E LXXVIII DO ART. 5º DA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. A LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL
PÚBLICA NÃO ESTÁ CONDICIONADA À COMPROVAÇÃO PRÉVIA DA HIPOSSUFICIÊNCIA DOS POSSÍVEIS
BENEFICIADOS PELA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU
OBSCURIDADE. A QUESTÃO SUSCITADA PELA EMBARGANTE FOI SOLUCIONADA NO JULGAMENTO DO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 733.433/MG, EM CUJA TESE DA REPERCUSSÃO GERAL SE DETERMINA: “A
DEFENSORIA PÚBLICA TEM LEGITIMIDADE PARA A PROPOSITURA DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM ORDEM A
PROMOVER A TUTELA JUDICIAL DE DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS DE QUE SEJAM TITULARES, EM TESE,
PESSOAS NECESSITADAS” (DJ 7.4.2016). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (ADI 3943 ED,
Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-153 DIVULG
31-07-2018 PUBLIC 01-08-2018)
Direitos Difusos e Coletivos
Processo individivual Processo Coletivo
Tratamento atômico do conflito. Tratamento molecular do conflito.
Alta possibilidade de decisões contraditórias. Menor possibilidade de decisões contraditórias.
Conflito entre pessoas determinadas. Conflitos entre pessoas indeterminadas (podem 
ser determináveis, algumas vezes, só por grupo).
Legitimação ordinária. Legitimação extraordinária ou autônoma.
Coisa julgada interpartes. Possibilidade de coisa julgada erga omnes ou 
ultrapartes,
Destinatário da indenização: vítima ou sucessores. Destinatários da indenização: se divisível, vítima 
ou sucessores; se indivisível, fundo (art. 13 LACP)
Sem intervenção em políticas públicas em regra. Processo altruísta (não é a somatória dos direitos 
individuais, mas síntese deles – fim comum.
(Cadernos Sistematizados. 2019.1. Difusos e coletivos. P. 14)
Direitos Difusos e Coletivos
 MPGO – 60º concurso – Prova II
 46. Considerando o que ensina a melhor doutrina brasileira acerca das características básicas dos
interesses difusos, assinale a alternativa incorreta:
 a) De acordo com os ensinamentos de Rodolfo de Camargo Mancuso, os interesses difusos apresentam as
seguintes notas básicas: indeterminação dos sujeitos, indivisibilidade do objeto, intensa conflituosidade,
duração efêmera, contingencial. 
 b) Para Ricardo de Barros Leonel, reportando-se a Hugo Nigro Mazzilli, os difusos são interesses que se
referem a grupos menos determinados de pessoas, entre as quais inexiste um vínculo jurídico ou fático 
muito preciso, possuindo objeto indivisível entre os membros da coletividade, compartilhável por número 
determinável de pessoas.
 c) Na análise de Édis Milaré, o principal divisor de águas entre os interesses difusos e coletivos está na
titularidade, sendo certo que os primeiros pertencem a uma série indeterminada e indeterminável de sujeitos,
enquanto os últimos relacionam-se a uma parcela também indeterminada, mas determinável de pessoas.
 d) Na síntese precisa de Celso Bastos, a característica primordial do interesse difuso é a sua descoincidência
com o interesse de uma determinada pessoa. Ela abrange, na verdade, toda uma categoria de indivíduos
unificados por possuírem um denominador fático qualquer em comum. 
Direitos Difusos e Coletivos
 MPGO – 60º Concurso – Prova I
 47- Segundo lição de Hugo Nigro Mazilli, entre o interesse público e privado, hó interesses 
metaindividuais ou coletivos, referentes a um grupo de pessoas, que excedem o âmbito 
individual mas não cbegam a constituir interesse público. A definiçíio legal de Direitos ou 
Interesses Difusos, Coletivos ou Individuais Homogêneos encontra-se exposta no artigo 81 do 
Código de Defesa do Consumidor (Lein. 8.078/90). Segundo o mencionado diploma legal:
 a)Constituem interesses ou direitos coletivos, os transindividuais, de natureza indivisível, de que 
sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;
 b)Constituem interesses ou direitos difusos, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja 
titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação 
jurídica base;
 c)Constituem interesses ou direitos individuais homogêneos os decorrentes de origem comum;
 D)Constituem interesses ou direitos coletivos, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam 
titulares pessoas determinadas e ligadas por circunstâncias de fato.

Direitos Difusos e Coletivos
 MPSC 2019 – Processo Coletivo
 46ª QUESTÃO: ( V ) Diversos diplomas legislativos foram editados, dentro da sistemática 
da tutela coletiva, para regulamentar interesses individuais específicos/ou institutos 
específicos e dentre estes diplomas, podemos incluir o Estatuto da Criança e do 
Adolescente.
 47ª QUESTÃO: (V) O microssistema da tutela coletiva é o conjunto formado pelas normas 
processuais, materiais e heterotópicas sobre processo coletivo nas diversas normas 
jurídicas positivadas em nosso ordenamento jurídico. 
Direitos Difusos e Coletivos 
 Teses selecionadas do STJ
 3) No âmbito do Direito Privado, é de cinco anos o prazo prescricional para ajuizamento da 
execução individual em pedido de cumprimento de sentença proferida em ação civil pública. 
(Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 515)
 7) A liquidação e a execução individual de sentença genérica proferidaem ação civil coletiva 
pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da 
sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do 
que foi decidido, levando-se em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade 
dos interesses metaindividuais postos em juízo (arts. 468, 472 e 474, CPC e 93 e 103, CDC). (Tese 
julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 480)
 9) A abrangência nacional expressamente declarada na sentença coletiva não pode ser 
alterada na fase de execução, sob pena de ofensa à coisa julgada.
Direitos Difusos e Coletivos 
 10) Os efeitos e a eficácia da sentença no processo coletivo não estão circunscritos a lindes 
geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido.
 13) Ajuizada ação coletiva atinente a macrolide geradora de processos multitudinários, 
suspendem-se as ações individuais, no aguardo do julgamento da ação coletiva.
 3) A Defensoria Pública detém legitimidade para propor ações coletivas na defesa de direitos 
difusos, coletivos ou individuais homogêneos.
 7) A ilegitimidade ativa ou a irregularidade da representação processual não implica a extinção 
do processo coletivo, competindo ao magistrado abrir oportunidade para o ingresso de outro 
colegitimado no pólo ativo da demanda.
Direitos Difusos e Coletivos
 Processo civil coletivo;
 Ricardo Barros Leonel elenca as seguintes leis que regem o processo coletivo:
 Lei da Ação Popular;
 Lei da Ação Civil Pública;
 Defesa das pessoas portadoras de deficiência;
 Defesa dos investidores no mercado de valores mobiliários;
 Defesa da Criança e do Adolescente;
 Improbidade Administrativa;
 Defesa da ordem econômica e livre concorrência;
 Legislação orgânica do Ministério Público.
Direitos Difusos e Coletivos
 Defesa da Ordem urbanística;
 Defesa do Idoso;
 Estatuto de Defesa do Torcedor;
 Interação da legislação vigente: sistema integrado de tutela dos interesses 
metaindividuais;
 O processo coletivo e o Código de Processo Civil.
Direitos Difusos e Coletivos
 Ação Civil Pública – Lei 7.347/1985. A Constituição fala uma única vez em ação civil pública, no 
art. 129, III (Função Institucional do Ministério Público)
 A LACP – Lei da Ação Civil Pública (Lei 7.347/1985) – foi fruto de estudos e debates envolvendo
professores e profissionais do direito que, a partir de meados da década de 1970, sob influência
da doutrina italiana e das class actions dos países de sistema jurídico common law, notaram a
necessidade de desenvolver ferramentas processuais mais adequadas para a solução dos
conflitos de interesses transindividuais. (Masson, Andrade&Andrade. idem, p. 63)
 Instituída como Lei 7.347, de 1985, a Lei de Ação Civil Pública é, atualmente, a legislação mais 
importante dentro da matéria Direitos Difusos e Coletivos, ainda que tenha sido a segunda a ser 
editada sobre o assunto (após a Lei de Ação Popular).
 Nesta lei existem os principais artigos a serem utilizados sobre o tema, servindo como base para 
qualquer tipo de ação coletiva (com exceção da Ação Popular). Por exemplo: o inquérito civil e o Termo 
de Ajustamento de Conduta são dois institutos trazidos pela Lei de Ação Civil Pública e que podem ser 
utilizados na defesa de qualquer direito difuso ou coletivo por ocasião do microssistema processual 
coletivo. É muito comum, inclusive, os legitimados para propor ação coletiva impetrarem Ações Civis 
Públicas para defesa de direitos difusos ou coletivos de crianças ou adolescentes (Estatuto da Criança 
e do Adolescente), de idosos (Estatuto do Idoso), dentre outros, ainda que nestas leis não determinem 
qual o tipo e nome da ação coletiva que será proposta. (Rodrigo Picon de Carvalho. Idem) 
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de
responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados:
 l - ao meio-ambiente; Lei 6.938/81
 ll - ao consumidor; Lei 8.078/90
 III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
 IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. Residual
 V - por infração da ordem econômica; Lei 12.529/2011 (Sistema de Defesa da
Concorrência)
 VI - à ordem urbanística. Lei 6.766/79 e Lei 10.257/01
 VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. Lei 12.288/2010
(Estatuto Igualdade Racial)
 VIII – ao patrimônio público e social. (Lei 8.429/92 e Lei 12.846/2013)
Direitos Difusos e Coletivos
 IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo.

O quarto inciso do art. 1º desta Lei abre margem para que a Ação Civil Pública possa ser 
utilizada na defesa de todo e qualquer direito difuso, coletivo ou individual homogêneo existente, 
fortalecendo o microssistema processual coletivo. Dessa forma, pode-se aplicar a Ação Civil 
Pública, p.ex., para defesa
dos direitos das pessoas com deficiência – seja mental, seja física, das crianças e dos 
adolescentes, dos idosos, dos jovens (Estatuto do Jovem; Lei 12.852/13), dos torcedores (Lei 
10.671/03); para defesa da igualdade racial (Estatuto da Igualdade Racial; Lei 12.288/10), a 
moralidade administrativa e os princípios
basilares da Administração Pública e até os direitos humanos, quando a coletividade ou um 
grupo contido dentro desta for vítima. (Rodrigo Picon de Carvalho. Idem)
Direitos Difusos e Coletivos
 A ação civil pública busca uma tutela preventiva ou ressarcitória, por força dos arts. 1º e 3º. 
Obrigação de fazer ou não fazer ou condenação em dinheiro.
 Admite-se a condenação em danos morais coletivos cumulada com outra obrigação (fazer ou 
não fazer):
 [...] O STJ já reconheceu o cabimento da aplicação cumulativa da indenização por danos morais
coletivos com a condenação ao cumprimento de obrigações de fazer e não fazer no âmbito da
ação civil pública, inclusive, com fundamento no art. 3º da Lei n. 7.347/85. Confira-se: REsp
1.269.494/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 24/9/2013, DJe
1º/10/2013. (STJ REsp 1355574/SE - 2016)
 A tutela da ação civil pública versa sobre os direitos transindividuais previstos nos incisos do 
art. 1º.
 A expressão “qualquer outro interesse difuso ou coletivo” torna o rol exemplificativo.
Direitos Difusos e Coletivos
 "12. O dano moral coletivo é categoria autônoma de dano que não se identifica com os 
tradicionais atributos da pessoa humana (dor, sofrimento ou abalo psíquico), mas com a 
violação injusta e intolerável de valores fundamentais titularizados pela coletividade 
(grupos, classes ou categorias de pessoas). Tem a função de: a) proporcionar uma 
reparação indireta à lesão de um direito extrapatrimonial da coletividade; b) sancionar o 
ofensor; e c) inibir condutas ofensivas a esses direitos transindividuais."(REsp
1502967/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/08/2018, 
DJe 14/08/2018)
Direitos Difusos e Coletivos
 ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. EDIFICAÇÃO IRREGULAR EM 
ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL E EM TERRENO DE MARINHA. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO E 
LICENÇAS AMBIENTAIS MPERIOSAS. REPARAÇÃO INTEGRAL DO DANO AMBIENTAL. MEDIDAS PARA
RECUPERAÇÃO E COMPENSAÇÃO PELO PERÍODO EM QUE FORAM DESRESPEITADAS AS NORMAS 
AMBIENTAIS. CABÍVEL A CUMULAÇÃO DAS CONDENAÇÕES IN CASU. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL 
2020/0078428-0. Ministro FRANCISCO FALCÃO. DJe 23/09/2020
Direitos Difusos e Coletivos
 MPGO – 60º Concurso 20/10/2019
 50. “Em virtude da evolução do sistema da responsabilidade civil, o dano extrapatrimonial, anteriormente 
relacionado somente ao ferimento de aspectos da personalidade individual, passou a também ser admitido 
com relação a direitos pertencentes it sociedade como um todo. Com efeito, a partir da CF/88, surgiram feixes de 
interesses cuja proteção ultrapassa a esfera meramente individual, sendo, assim,reconhecidos bens de 
titularidade coletiva, cuja preservação importa à toda coletividade” (STJ. 3º Turma. REsp 1.737.412/SE, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2019 (Info 641)). Acerca da temática conceitual e da jurisprudência 
dominante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinale a alternativa incorreta:

 A) O dano moral coletivo é espécie autônoma de dano que está relacionada à integridade psicofisica da coletividade, 
bem de natureza estritamente transindividual e que, portanto, não se identifica com aqueles tradicionais atributos da 
pessoa humana (dor, sofrimento ou abalo psíquico), amparados pelos danos morais individuais.
 B) O dano moral coletivo não se confunde com o somatório das lesões extrapatrimoniais singulares, 
submetendo-se, porém, ao princípio da reparação integral, cumprindo, ademais, funções específicas.
 C) No dano moral coletivo, a função punitiva — sancionamento exemplar ao ofensor — é, aliada ao caráter 
preventivo — de inibição da reiteração da prática ilicita — e ao princípio da vedação do enriquecimento ilícito do 
agente, a fim de que o eventual proveito patrimonial obtido com a prática do ato irregular seja revertido em favor da 
sociedade.
 D()Não basta a mera infringência à lei ou ao contrato para a caracterização do dano moral coletivo. E essencial
 que o ato antijurídico praticado atinja alto grau de reprovabilidade e transborde os lindes do individualismo, afetando, 
por sua gravidade e repercussão, o círculo primordial de valores sociais.
Direitos Difusos e Coletivos
 A competência em sede de ação civil pública é prevista no art. 2º:
 Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo
juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa.
 ATENÇÃO: Há situações específicas, como previstas no ECA e no Estatuto do Idoso (art. 80),
que serão abordadas adiante.
 O local do dano é a regra. A competência é funcional e territorial, afigurando-se como absoluta.
Observar a competência da Justiça Federal prevista na Constituição. Deve-se atentar para o
Código de Defesa do Consumidor quando trata de direitos individuais homogêneos.
 Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente para a causa a justiça
local:
 I - no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de âmbito local;
 II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de âmbito nacional ou
regional, aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência
concorrente.
 Observar a competência em razão de dano local, regional ou nacional, de acordo com sua
extensão ou regras de abrangência jurídica (circunscrição, comarcas, seção judiciária, etc...)
Direitos Difusos e Coletivos
 PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. RAZÕES QUE NÃO ENFRENTAM O FUNDAMENTO
DA DECISÃO AGRAVADA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO DE ÂMBITO REGIONAL.
INEXISTÊNCIA. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. LOCAL DO DANO. PRECEDENTES. REEXAME
DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Nos termos dos artigos 93, I, do CDC e 2º da Lei nº
7.347/1985, é assente perante este Superior Tribunal de Justiça que a competência para
processamento e julgamento da ação civil pública por danos locais é absoluta/funcional, no foro
do próprio lugar do dano. Precedentes. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria
fático-probatória (Súmula 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento.
 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. AgInt no REsp 1625700 / AC. Relatora. Ministra Maria
Isabel Gallotti. Julgado em 0/12/2020. DJe 11/12/2020.
Direitos Difusos e Coletivos
 ECA: Art. 209. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do local onde
ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão, cujo juízo terá competência absoluta para
processar a causa, ressalvadas a competência da Justiça Federal e a competência originária
dos tribunais superiores.
 Lei 10.741/03: Art. 80. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do domicílio
do idoso, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, ressalvadas as
competências da Justiça Federal.
 STJ: [...] 4. No mais, a competência da Vara da Infância e da Juventude é absoluta e justifica-
se pelo relevante interesse social e pela importância do bem jurídico a ser tutelado, bem
como por se tratar de questão afeta a direitos individuais, difusos ou coletivos do infante, nos
termos dos arts. 148, inciso IV, 208, § 1º, e 209, do Estatuto da Criança e do Adolescente. 5. Por
fim, porquanto o Estatuto da Criança e Adolescente é lex specialis, ele prevalece sobre a
regra geral de competência das Varas Cíveis, quando o feito envolver a defesa dos interesses
individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da adolescência, protegidos pela
Constituição e pela Lei. (REsp 1749422/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,
julgado em 20/09/2018, DJe 17/12/2018)
Direitos Difusos e Coletivos
 PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. RAZÕES QUE NÃO ENFRENTAM O FUNDAMENTO 
DA DECISÃO AGRAVADA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO DE ÂMBITO REGIONAL. 
INEXISTÊNCIA. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. LOCAL DO DANO. PRECEDENTES. REEXAME 
DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Nos termos dos artigos 93, I, do CDC e 2º da Lei nº 
7.347/1985, é assente perante este Superior Tribunal de Justiça que a competência para 
processamento e julgamento da ação civil pública por danos locais é absoluta/funcional, no foro 
do próprio lugar do dano. Precedentes. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria 
fático-probatória (Súmula 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. AGRAVO 
INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2016/0239165-5. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI. DJe 
11/12/2020
 PROCESSUAL CIVIL. TUTELA DA SAÚDE. INTERESSES E DIREITOS METAINDIVIDUAIS. COMPETÊNCIA 
ABSOLUTA. ART. 2º, CAPUT, DA LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA (LEI 7.347/1985). ART. 209 DO ESTATUTO DA 
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI 8.069/1990). ART. 80 DA LEI 10.741/2003 (ESTATUTO DO IDOSO). ART. 93 
DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (LEI 8.078/1990). DEMANDAS SOBRE SAÚDE PÚBLICA EM QUE 
O ESTADO DE MATO GROSSO SEJA PARTE. ARTS. 44 E 52, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC/2015. 
COMPETÊNCIA CONCORRENTE. FORO DO DOMICÍLIO DO AUTOR. OPÇÃO LEGISLATIVA INAFASTÁVEL. 
RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2020/0235110-3. Ministro HERMAN BENJAMIN. DJe 
01/12/2020.
Direitos Difusos e Coletivos
 Vamos ver como o tema foi cobrado no o MPSP? 92º Concurso:
 80. Um legitimado ativo decide ajuizar ação civil pública para defesa da pessoa idosa em caso 
afeto à Justiça Estadual. São diversos os foros de domicílio do idoso, do domicílio do réu e do 
local no qual o dano foi produzido. O foro competente será o do local
 A- em que o dano foi produzido.
 B- do domicílio do réu.
 C- do domicílio do idoso ou do réu, a critério do autor.
 D- do domicílio do idoso ou do local em que o dano foi produzido, a critério do autor.
 E- do domicílio do idoso.
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 3º A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de
obrigação de fazer ou não fazer.
 PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ.
 AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL.
CUMULAÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER COM O DE PAGAR INDENIZAÇÃO.
POSSIBILIDADE. SÚMULA 629/STJ.
 1. O presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3/STJ: "Aos recursos
interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de
março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC".
 2. Nos termos da Súmula 629/STJ, "Quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu
à obrigação de fazer ou à de não fazer cumulada com a de indenizar".
 3. Agravo interno não provido.
 (AgInt no REsp 1702981/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA,
julgado em 12/03/2019, DJe 15/03/2019)
Direitos Difusos e Coletivos
 STJ - PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. CONSTRUÇÃOIRREGULAR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. COSTÃO ROCHOSO -
MANGARATIBA/RJ. DEMOLIÇÃO. DANOS MORAIS COLETIVOS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO 
CPC/1973. NÃO VERIFICADA. INÉPCIA DA INICIAL POR FALTA DE DOCUMENTO HÁBIL A 
COMPROVAR O PLEITO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. DISCUSSÃO PELA 
DESNECESSIDADE DE EIA/RIMA. ANÁLISE DE LEI ESTADUAL. SÚMULA 280 DO STF. INCIDÊNCIA. 
NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL PELO IBAMA E PELA FEEMA. AUSÊNCIA DE 
IMPUGNAÇÃO. SÚMULAS N. 283 E 284/STF. CUMULAÇÃO INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS 
COLETIVOS COM CONDENAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO FAZER NO 
ÂMBITO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES.
 [...] XII - Por fim, em relação ao alegado descabimento de indenização por danos morais, por ser "[...] 
inteiramente incompatível com o interesse difuso, especialmente em se tratando de ações civis 
públicas relacionadas à tutela do meio ambiente [...] (fl. 551), tem-se que o entendimento preconizado 
pelo acórdão recorrido encontra-se em perfeita sintonia com a jurisprudência desta Corte. (AgInt no 
AREsp 1239530/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/10/2018, 
DJe 24/10/2018)
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: (Redação dada pela Lei
nº 11.448, de 2007).
 I - o Ministério Público;
 II - a Defensoria Pública;
 III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
 IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista;
 V - a associação que, concomitantemente:
 A legitimidade é chamada de concorrente disjuntiva. Vários são os legitimados, havendo
previsão constitucional no art. 129, §1º da Constituição. A Ordem dos Advogados do Brasil vem
sendo admitida como legitimada em casos pontuais pelo Superior Tribunal de Justiça. Contudo,
o Estatuto do Idoso, em seu art. 81, III, coloca a OAB no rol de legitimados para a propositura
de ações cíveis fundadas em interesses difusos, coletivos, individuais indisponíveis ou
homogêneos.
 No caso do inciso V, a associação necessita de requisitos concomitantes. Estar constituída há
pelo menos um ano e a pertinência temática de suas atividades com o direito que pretende
tutelar.
 O Ministério Público, se não for parte, atua como fiscal da lei.
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11448.htm#art2
Direitos Difusos e Coletivos
 Sobre a legitimidade para ação civil pública:
 Ministério Público: Art. 129, III, da CF: Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e
social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
 Lei 8.625/93: Art. 25. Além das funções previstas nas Constituições Federal e Estadual, na Lei
Orgânica e em outras leis, incumbe, ainda, ao Ministério Público: IV - promover o inquérito civil
e a ação civil pública, na forma da lei:
 a) para a proteção, prevenção e reparação dos danos causados ao meio ambiente, ao
consumidor, aos bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, e
a outros interesses difusos, coletivos e individuais indisponíveis e homogêneos;
 b) para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público ou à
moralidade administrativa do Estado ou de Município, de suas administrações indiretas ou
fundacionais ou de entidades privadas de que participem;
Direitos Difusos e Coletivos
 STF: O Tribunal, por unanimidade, apreciando o tema 561 da repercussão geral, conheceu
parcialmente do recurso extraordinário e, nessa parte, negou-lhe provimento, nos termos
do voto do Relator. Em seguida, fixou-se a seguinte tese: "O Ministério Público tem
legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública que vise anular ato administrativo de
aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público". Ausente, justificadamente, o
Ministro Roberto Barroso. Presidência do Ministro Dias Toffoli. Plenário, 25.10.2018.
RE 409356
 STF: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FORNECIMENTO DE
MEDICAMENTOS. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE ATIVA. DEFESA DE DIREITOS
SOCIAIS E INDIVIDUAIS INDISPONÍVEIS. PRECEDENTES. 1. A Constituição do Brasil, em
seu artigo 127, confere expressamente ao Ministério Público poderes para agir em defesa
de interesses sociais e individuais indisponíveis, como no caso de garantir o fornecimento
de medicamentos a hipossuficiente. 2. Não há que se falar em usurpação de competência
da defensoria pública ou da advocacia privada. Agravo regimental a que se nega
provimento. (RE 554088 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em
03/06/2008, DJe-112 DIVULG 19-06-2008 PUBLIC 20-06-2008 EMENT VOL-02324-06 PP-
01237 RCJ v. 22, n. 142, 2008, p. 90-91)
Direitos Difusos e Coletivos
 Constituição Federal
 Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do
Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático,
fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em
todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e
gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição
Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)
 Lei Complementar nº 80/1994
 Organiza a Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e prescreve
normas gerais para sua organização nos Estados, e dá outras providências.
 Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras:
 VII – promover ação civil pública e todas as espécies de ações capazes de propiciar a adequada
tutela dos direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos quando o resultado da
demanda puder beneficiar grupo de pessoas hipossuficientes; (Redação dada pela Lei
Complementar nº 132, de 2009).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
Direitos Difusos e Coletivos
 VIII – exercer a defesa dos direitos e interesses individuais, difusos, coletivos e individuais
homogêneos e dos direitos do consumidor, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da
Constituição Federal; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
 X – promover a mais ampla defesa dos direitos fundamentais dos necessitados,
abrangendo seus direitos individuais, coletivos, sociais, econômicos, culturais e
ambientais, sendo admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua
adequada e efetiva tutela; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
 XI – exercer a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e do adolescente,
do idoso, da pessoa portadora de necessidades especiais, da mulher vítima de violência
doméstica e familiar e de outros grupos sociais vulneráveis que mereçam proteção
especial do Estado; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1
Direitos Difusos e Coletivos
 Sobre autarquias, empresas públicas, fundações ou SEM (inciso IV)
 São as autarquias, fundações ou empresas públicas e as sociedades de economia mista 
membros da Administração Pública Indireta, na qual os entes federados delegam a competência 
de determinada função sua a uma pessoa jurídica pública criada especificamente para esse fim. 
Damos o exemplo do INSS, as universidades federais, a Caixa Econômica Federal e o Banco do 
Brasil.
 Tais pessoas jurídicas podem acionar judicialmente para defesa de direitos difusos e coletivos. É 
importante salientar que o Código de Defesado Consumidor, o Estatuto da Criança e do 
Adolescente e o Estatuto do Idoso, que vieram posteriormente à Lei de Ação Civil Pública não 
colocaram como legitimados os membros da Administração Pública Indireta. Como não 
declararam expressamente a impossibilidade de os mesmos acionarem judicialmente para 
defesa de direitos difusos e coletivos do consumidor, da criança e adolescente e dos idosos, 
respectivamente, estas podem fazer uso da ação coletiva por ocasião do microssistema 
processual coletivo. (Rodrigo Picon de Carvalho. Idem)
Direitos Difusos e Coletivos
Sobre as associações
RE 573232/SC Repercussão Geral
 Tese
 I – A previsão estatutária genérica não é suficiente para legitimar a atuação, em Juízo, de
associações na defesa de direitos dos filiados, sendo indispensável autorização expressa,
ainda que deliberada em assembleia, nos termos do artigo 5º, inciso XXI, da Constituição
Federal;
 II – As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, são
definidas pela representação no processo de conhecimento, limitada a execução aos associados
apontados na inicial.
 Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do
STF, realizada em 09/12/2015.
Direitos Difusos e Coletivos
 AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 
ASSOCIAÇÃO. DIREITOS OU INTERESSES DIFUSOS. LEGITIMIDADE ATIVA. NÃO 
INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N.º 5/STJ.
 1. Jurisprudência Superior Tribunal de Justiça no sentido de que as associações de classe atuam 
como representantes processuais, sendo obrigatória a autorização individual ou assemblear dos 
associados, conforme julgado no Recurso Extraordinário n.º 573.232.
 2. Esse entendimento, todavia, não se aplica na hipótese de a associação buscar em juízo 
a tutela de interesses ou direitos difusos - art. 82, IV, do CDC.
 3. Não se trata, na hipótese dos autos, de revisão de interpretação conferida pelo Tribunal de 
Justiça de origem à cláusula contratual ou de revisão do conteúdo fático-probatório dos autos.
 4. Não apresentação pela parte agravante de argumentos novos capazes de infirmar os 
fundamentos que alicerçaram a decisão agravada.
 5. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO.
 (AgInt no REsp 1712880/MG, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA 
TURMA, julgado em 09/12/2019, DJe 13/12/2019)
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 5º : Ainda sobre a legitimidade.
 § 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo
habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes.
 Ação Civil Pública - Litisconsórcio e Assistência (arts. 113 e 124 do Código de Processo Civil)
 Hugo Nigro Mazzilli entende pela possibilidade de litisconsórcio inicial e ulterior em ação civil pública.
Na mesma esteira, a regra estipulada pelo §2º do art. 5º da Lei 7.347/85 deve ser aplicada a quaisquer
dos colegitimados (A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo, 29ª ed. p. 414). “§ 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras
associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das
partes.”
 “Sabemos que, se um colegitimado ativo ingressar em ação civil pública ou coletiva já ajuizada, e se
aditar a inicial para alterar ou ampliar o objeto do processo (pedido ou causa de pedir), teremos
litisconsórcio ulterior; entretanto, se ele ingressar no processo, mas não alterar esse objeto, será
assistente litisconsorcial” (idem. P. 417)
 CPC: Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença influir
na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido.
Direitos Difusos e Coletivos
 § 3º Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público
ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. (Redação dada pela Lei nº 8.078, de 1990)
 O Ministério Público só se obriga a assumir a titularidade ativa quando houver desistência infundada ou
abandono. No caso de desistência fundada, pode o MP concordar com os argumentos do autor e não
assumir a titularidade. Ainda pode ser que a ação em questão seja desde seu nascedouro temerária ou
manifestamente improcedente, onde o Ministério Público também não se obriga a assumir o polo ativo.
 STJ - 4. O Ministério Público está autorizado a assumir a titularidade ativa da ação coletiva já em curso. Esta
possibilidade não se restringe às hipóteses de desistência infundada ou de abandono da causa pela
associação legitimada, mencionadas a título exemplificativo pelo legislador. Exegese do art. 5º, §3º, da Lei
7.347/85. Precedentes. (REsp 1635238/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
11/12/2018, DJe 13/12/2018)
 § 4.° O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse social
evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser
protegido. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990)
 Providência de caráter excepcional
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art112
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art113
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 Sobre o §4º:
 AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA 
(FAIXA I). VÍCIOS CONSTRUTIVOS. LEGITIMIDADE ATIVA DA ASSOCIAÇÃO. DISPENSA DO REQUISITO 
TEMPORAL. RELEVÂNCIA DO INTERESSE SOCIAL. DIREITO À MORADIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. 
A associação constituída há menos de 1 (um) ano possui legitimidade para ajuizamento de ação civil 
pública, em razão de vícios construtivos nos imóveis adquiridos pelo Programa Minha Casa Minha Vida, 
por mais de 500 (quinhentas) famílias de baixa renda (Faixa I), em situação de extrema vulnerabilidade 
jurídica. 2. A dispensa do requisito temporal de pré-constituição justifica-se pelo objetivo da ação coletiva 
que envolve o direito à moradia, previsto no art. 6º da Constituição Federal como direito fundamental. 3. 
Agravo interno a que se nega provimento. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2019/0313814-6. 
Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE. DJe 08/05/2020


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 Art. 5º : Ainda sobre a legitimidade.
 § 5.° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito
Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei. (Incluído pela
Lei nª 8.078, de 11.9.1990) (Vide Mensagem de veto)
 Há duas posições a respeito, sendo atualmente, a mais aceita, no sentido da viabilidade do
litisconsórcio entre MPs.
 § 6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de
ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de
título executivo extrajudicial. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990) (Vide Mensagem de
veto)
 O TAC, como título executivo, pode ser ajuizado ou protestado em cartório.
 CPC: Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de
mediação e conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos no
âmbito administrativo, tais como: III - promover, quando couber, a celebração de termo de
ajustamento de conduta.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art113
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/Mensagem_Veto/anterior_98/vep664-L8078-90.htm#art92p
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art113
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/Mensagem_Veto/anterior_98/vep664-L8078-90.htm#art92p
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 STJ - ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
LITISCONSÓRCIO ATIVO FACULTATIVO ENTRE MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, ESTADUAL E
DO TRABALHO. ARTIGO 5º, § 5º, DA LEI N 7.347/1985. COMUNHÃO DE DIREITOS FEDERAIS,
ESTADUAIS E TRABALHISTAS.
 1. Nos termos do artigo 5º, § 5º, da Lei n. 7.347/1985: "admitir-se-á o litisconsórcio
facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do DistritoFederal e dos Estados na
defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei.“3. Assim, o litisconsórcio ativo
facultativo entre os ramos do MPU e os MPs dos Estados, em tese, é possível, sempre que
as circunstâncias do caso recomendem, para a propositura de ações civis públicas que
visem à responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados ao meio-ambiente,
ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico e paisagístico, à
ordem econômica e urbanística, bem como a qualquer outro interesse difuso ou
coletivo, inclusive de natureza trabalhista. 6. Dessa forma, diante da pluralidade de
direitos que a presente demanda visa proteger, quais sejam: direitos à ordem
econômica, ao trabalho, à saúde e ao consumidor, é viável o litisconsórcio ativo entre o
MPF, MPE e MPT. (REsp 1444484/RN, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 18/09/2014, DJe 29/09/2014)
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 6º Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a iniciativa do Ministério
Público, ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil e
indicando-lhe os elementos de convicção.
 Qualquer pessoa tem a faculdade e o servidor público tem a obrigação de provocar a iniciativa
do MP, podendo configurar responsabilidade administrativa ou criminal a depender do caso.
 Art. 7º Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem conhecimento de fatos
que possam ensejar a propositura da ação civil, remeterão peças ao Ministério Público para as
providências cabíveis.
 Mesma situação narrada acima.
 A lei estipula as formas de comunicação ao Ministério Público. A obrigação de comunicar ao
Ministério Público recai sobre o servidor, em razão do contido no art. 37 da Constituição. O
servidor público pode ser responsabilizado criminal e administrativamente se não procede de
acordo com o comando legal. Da mesma forma os juízes e tribunais no exercício de suas
funções têm o dever comunicar o MP, quando tiverem conhecimento de fatos que “possam”
ensejar a propositura de ACP.
 A matéria é regulada pela Resolução 23/2007 do CNMP, que versa sobre o inquérito civil.
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 Art. 8º Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as
certidões e informações que julgar necessárias, a serem fornecidas no prazo de 15 (quinze)
dias.
 A lei da ação civil pública foi escrita em outro contexto. Hoje, a lei de acesso à informação, lei
12.527/11 supre a maior parte das necessidades.
 Lei 12.527/11: Art. 7o O acesso à informação de que trata esta Lei compreende, entre outros, os
direitos de obter: I - orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem
como sobre o local onde poderá ser encontrada ou obtida a informação almejada; II -
informação contida em registros ou documentos, produzidos ou acumulados por seus órgãos
ou entidades, recolhidos ou não a arquivos públicos; V - informação sobre atividades exercidas
pelos órgãos e entidades, inclusive as relativas à sua política, organização e serviços; VI -
informação pertinente à administração do patrimônio público, utilização de recursos públicos,
licitação, contratos administrativos;
 § 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de
qualquer organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo
que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis.
 O inquérito civil é exclusividade do Ministério Público.
 § 2º Somente nos casos em que a lei impuser sigilo, poderá ser negada certidão ou informação,
hipótese em que a ação poderá ser proposta desacompanhada daqueles documentos, cabendo
ao juiz requisitá-los.
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da
inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento
dos autos do inquérito civil ou das peças informativas, fazendo-o fundamentadamente.
 § 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão remetidos,
sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao Conselho Superior do
Ministério Público.
 § 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja homologada ou
rejeitada a promoção de arquivamento, poderão as associações legitimadas apresentar
razões escritas ou documentos, que serão juntados aos autos do inquérito ou anexados
às peças de informação.
 § 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do Conselho
Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu Regimento.
 § 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, designará,
desde logo, outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação.
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 Art. 10. Constitui crime, punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, mais multa
de 10 (dez) a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, a recusa, o
retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil,
quando requisitados pelo Ministério Público.
 Previsão criminal que objetiva dar força às requisições do Ministério Público. Crime
doloso. Deve haver prova inequívoca que o destinatário recebeu a requisição. Recusar é
negar, retardar é atrasar, e omitir é não prestar os dados de forma proposital. Há a
possibilidade imputação de ato de improbidade administrativa por descumprimento de
requisição do Ministério Público.
 STJ: [...] 5. Tratando-se de crime formal, basta que haja, por parte do paciente, a recusa, o
retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil,
quando requisitados pelo Ministério Público, sendo despiciendo o ajuizamento ou não de
ação civil pública. (HC 367.376/MG, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado
em 08/11/2016, DJe 17/11/2016)
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 Art. 11. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o
juiz determinará o cumprimento da prestação da atividade devida ou a cessação da
atividade nociva, sob pena de execução específica, ou de cominação de multa diária, se
esta for suficiente ou compatível, independentemente de requerimento do autor. (ver art.
21 LACP)
 Esta multa tem a finalidade de exigir o cumprimento da obrigação principal. A multa deve
desestimular a prática ou perpetuação do dano.
 CDC - Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não
fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.
 § 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será admissível se por elas
optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático
correspondente.
 § 2° A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa (art. 287, do Código
de Processo Civil).
Direitos Difusos e Coletivos
 A tutela específica é preferível à tutela pelo equivalente em dinheiro, porque essa espécie
de tutela é a única que entrega ao vitorioso exatamente aquilo que ele obteria se não
precisasse do processo, em razão do cumprimento voluntário da obrigação pelo devedor.
[...] O art. 84, do CDC, tanto em seu caput como no § 1.º, demonstra de forma clara a opção
do legislador pela tutela específica, reservando à tutela reparatória uma posição
secundária no âmbito da satisfação judicial de obrigações. O § 1.º, em especial, prevê que
a conversão em perdas e danos somente será admissível se por elas optar o autor ou se
impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente ao
cumprimento voluntário da obrigação, sendo que o Superior Tribunal de Justiça também
permite a conversão quando a obtenção da tutela específica for extremamente onerosa ao
devedor. (Manual de Direito do Consumidor. 6ª ed. Flávio Tartuce& Daniel Amorim. A. Neves. Gen. Método. 2017)
 O art. 84 do CDC não cria um novo procedimento no sistema processual, apenas prevê 
algumas técnicas procedimentais para a efetiva tutela do titular de direito que tenha como 
objeto obrigações de fazer e não fazer. São, entretanto, regras de extrema relevância que 
merecem análise mais aprofundada. Em termos procedimentais, a efetivação da tutela 
segue as regras consagradas no Novo Código de Processo Civil. (Tartuce & Amorim. idem.)
Direitos Difusos e Coletivos
 Princípio da congruência ou correlação no processo coletivo.
 O princípio da congruência ou da correlação tem previsão nos artigos 141 e 492 do 
Código de Processo Civil e estabelece uma relação entre o pedido e a sentença. 
 Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado 
conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte.
 Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como 
condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi 
demandado.
 Em que pese o processo coletivo possuir característica especiais, com a ampliação dos 
poderes do juiz, sua decisão deve guardar relação com o pedido da causa, sob pena 
de inovação e excesso de decisão. Os poderes do juiz, estabelecidos no art. 11 da lei 
7.347/85 e art. 84 do Código de Defesa do Consumidor não altera, esta relação, mas 
somente a forma com que ela é satisfeita. Este é o posicionamento de Ricardo Barros 
Leonel e Hugo Nigro Mazzilli. 
Direitos Difusos e Coletivos
 Art. 12. Poderá o juiz conceder mandado liminar, com ou sem justificação prévia, em decisão sujeita a
agravo.
 Este dispositivo deve ser lido em conjunto com as tutelas provisórias de urgência previstas no art. 294 e
seguintes do Código de Processo Civil.
 Da mesma forma, o agravo mencionado é regulado pelo Código de Processo Civil.
 “O artigo 12 também deve ser interpretado em consonância com o Código de Processo Civil, em
especial na parte que trata das tutelas provisórias. O mandado liminar a que se refere o dispositivo em
comento pode ser concedido tanto do ponto de vista acautelatório como a fim de adiantar efeitos da
sentença.” (Ziesemer. Idem. P. 121)
 § 1º A requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada, e para evitar grave lesão à ordem, à
saúde, à segurança e à economia pública, poderá o Presidente do Tribunal a que competir o conhecimento
do respectivo recurso suspender a execução da liminar, em decisão fundamentada, da qual caberá agravo
para uma das turmas julgadoras, no prazo de 5 (cinco) dias a partir da publicação do ato.
 § 2º A multa cominada liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável
ao autor, mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento.
 A multa liminar possui a mesma finalidade da multa diária, no intuito de forçar o cumprimento da ordem
judicial.
Direitos Difusos e Coletivos
 O Estatuto do Idoso, lei 10.741/01 também dispõe sobre o tema:
 Art. 83. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não-fazer, o
juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao adimplemento.
 § 1o Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia
do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação
prévia, na forma do art. 273 do Código de Processo Civil.
 § 2o O juiz poderá, na hipótese do § 1o ou na sentença, impor multa diária ao réu,
independentemente do pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a
obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm#art273
Direitos Difusos e Coletivos
 O CDC também dispõe sobre o tema
 Art. 84 § 3° Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de
ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após
justificação prévia, citado o réu.
 § 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor multa diária ao réu,
independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação,
fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito.
 § 5° Para a tutela específica ou para a obtenção do resultado prático equivalente, poderá o
juiz determinar as medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas
e pessoas, desfazimento de obra, impedimento de atividade nociva, além de requisição de
força policial.
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 PASSO A PASSO DA TUTELA PROVISÓRIA (Processo Coletivo)
 Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência.
 A tutela provisória é aquela concedida antes da definitiva, em caráter precário, mediante a
apreciação de requisitos específicos para o caso concreto.
 Urgência: probabilidade do direito e perigo da demora da prestação jurisdicional.
 Evidência: Não possui o perigo da demora como requisito, possuindo como requisitos os incisos
do art. 311 do Código de Processo Civil: I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o
manifesto propósito protelatório da parte; II - as alegações de fato puderem ser comprovadas
apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em
súmula vinculante; IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos
constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.
 A tutela provisória é precária e pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo (art. 296).
 A tutela provisória só pode ser requerida ao juiz da causa. Quando for antecedente, somente
pode ser requerida ao juiz competente para conhecer do pedido principal.
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 TUTELA DE URGÊNCIA
 Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a 
probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
 A expressão urgência indica imediatismo ou pressa. No caso do art. 300, a pressa se justifica em 
razão da probabilidade, ou força do direito e o perigo ou receio de dano ou risco ao resultado útil 
do processo. Ou seja, ou se concede a tutela provisória de forma urgente, ou aquilo que se 
deseja ao final pode se perder ou deteriorar. 
 § 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia.
 STJ – [...] 4. A concessão de tutela provisória de urgência ou de evidência em ações que 
objetivem a proteção do meio ambiente é possível quando presentes os requisitos 
previstos nos artigos 300 e 311 do CPC/2015. (REsp 1755105/MS, Rel. Ministro HERMAN 
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/10/2018, DJe 16/11/2018)
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 Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, 
sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer 
outra medida idônea para asseguração do direito.
 Do entendimento doutrinário sobre o assunto:
 A tutela de urgência pode ser concedida desde o início do processo (liminarmente) ou 
após justificação prévia [...] A demora do processo pode atingir de forma decisiva o direito 
pleiteado pela parte. O legislador, atento a tal fato, criou a figura da Tutela Antecipada 
requerida em caráter antecedente, com o objetivo de conceder aos sujeitos do processo 
formas de afastar os prejuízos gerados pelo tempo total até a ultimação do processo. 
 (GOMES, Ricardo. Tutela Provisória no Novo CPC: Tutela de Urgência e da Evidência. Resumo. https://www.pontodosconcursos.com.br/artigo/14437/ricardo-gomes/tutela-provisoria-no-
novo-cpc-tutela-de-urgencia-e-da-evidencia-resumo-sistematico-de-todo-o-assunto-confiram?gclid=EAIaIQobChMIwMq4q_DO3gIVDg6RCh3hQwbDEAAYASAAEgJEH_D_BwE Acesso em 
26/03/2021). 
 Dentro da ideia de tutela de urgência,imprescindível conjugar o dispositivo com as diversas leis 
que tratam das ações coletivas no direito brasileiro. Está-se a falar, entretanto, do processo 
coletivo comum, que versa sobre a defesa de direitos metaindividuais. Neste ponto, pode-se 
fazer o “link” com o art. 12 da Lei 7.347/85, assim como o art. 5º, caput, que menciona a ação 
principal e a cautelar:
https://www.pontodosconcursos.com.br/artigo/14437/ricardo-gomes/tutela-provisoria-no-novo-cpc-tutela-de-urgencia-e-da-evidencia-resumo-sistematico-de-todo-o-assunto-confiram?gclid=EAIaIQobChMIwMq4q_DO3gIVDg6RCh3hQwbDEAAYASAAEgJEH_D_BwE
Direitos Difusos e Coletivos
 Esses são, em sínteses os principais dispositivos que versam sobre tutela provisória, nas
leis especiais que versam sobre tutela coletiva. É de se observar que a tutela provisória é
gênero, dos quais as tutelas de urgência e evidência são espécies. As alterações do
código de processo civil são aplicáveis a processo coletivo, por força do princípio da
integratividade, contudo, persistem, por exemplo, as diferenças conceituais e práticas no
que toca à antecipação de tutela e tutela cautelar, esta mencionada no art. 301 do Código
de Processo Civil, destinada, na forma da lei, a assegurar o direito. Quando se faz
referência ao processo coletivo, trata-se da defesa em juízo dos direitos coletivos, difusos
e individuais homogêneos. (Ziesemer)
 Nas palavras de Ricardo Barros Leonel:
 “Insista-se que o resultado prático da medida antecipatória se identifica total ou
parcialmente com a satisfação espontânea do direito, ao passo que o resultado da
conservativa consiste em assegurar a satisfação do direito. Ambas – a cautelar
(meramente conservativa) e a antecipação (satisfativa) – ostentam idêntica função, de
harmonizar as necessidades de segurança jurídica e efetividade da jurisdição”. (LEONEL. Ricardo
Barros. Manual do Processo Coletivo. 4ª edição, revista, ampliada e atualizada de acordo com o CPC/2015. São Paulo. Malheiros, 2017. P. 385.)
Direitos Difusos e Coletivos
 “Desta forma, as regras diversas que tratam de medidas antecipatórias nos vários temas
sobre processo coletivo, devem ser lidos em conjunto com o Código de Processo Civil
vigente. É de se esclarecer, inclusive, que a nova sistemática prevista no CPC torna mais
clara a ideia do que vem a ser medida antecipatória, separando-a por espécie. Não há
impeditivo para esta integração, mormente porque os diferentes diplomas dialogam entre
si no mesmo sentido. Ricardo Barros Leonel, inclusive, aduz que “todas essas
modificações são aplicáveis, evidentemente, ao processo coletivo. (Leonel. Idem. P. 384)
 Assim, primeiramente, deve-se identificar o tipo de ação coletiva, de modo a verificar suas
necessidades de urgência; após, verificar o tipo de tutela provisória que se enquadra no
caso concreto; a seguir, explicar os requisitos legais dentro do caso concreto e onde eles
se enquadram, fazendo a leitura em conjunto com a ação coletiva em questão, seja geral
ou específica, como ação civil pública, idoso, consumidor, etc...Deve-se, ainda mencionar
a integração entre os diplomas legislativos tratados na peça prática e explicar ao Juiz
exatamente o que se pretende com a medida e os riscos de sua não concessão naquele
momento. (Ziesemer)
Direitos Difusos e Coletivos
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