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Direitos Difusos e Coletivos HENRIQUE DA ROSA ZIESEMER Promotor de Justiça/SC Mestre e Doutor em Ciência Jurídica @prof.henrique.darosa Direitos Difusos e Coletivos Teoria constitucional dos direitos difusos e coletivos; Ação civil pública - Lei n° 7.347/1985; Inquérito civil público; Proteção ao meio ambiente – processo coletivo ambiental princípios – ACP ambiental; Proteção aos patrimônios cultural, público e social; A tutela em juízo dos interesses individuais homogêneos, difusos e coletivos; Tutela de urgência, tutela de segurança, tutela de evidência e tutela inibitória no processo coletivo; Direitos fundamentais e direitos metaindividuais materiais; Lei n ° 4.717/1965 (Lei da Ação Popular) Direitos das pessoas com transtorno mental - Lei n° 10.216/2001 Direitos Difusos e Coletivos Da Defesa do Consumidor em Juízo (Lei n° 8.0781990); Mandado de segurança coletivo (Lei nº 12.016/2009); Mandado de injunção coletivo; Ação civil pública de improbidade administrativa (Lei nº 8.429/1992); Tutela coletiva no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei nº 8.069/1990); Ação civil pública para proteção dos investidores no mercado de valores mobiliários (Lei nº 7.913/1989); Direitos Difusos e Coletivos Direito urbanístico, leis 10.257/01, Lei 6.766/79; Direito da Criança e Adolescente; Direito ambiental, Código Florestal, Lei SNUC, 6.938/81; Direito do Consumidor Estatuto da pessoa com deficiência Improbidade administrativa e ação popular (8 blocos) Teses do STJ - sobre processo coletivo, consumidor, improbidade, criança e adolescente e ambiental - (10 blocos) Resolução de questões Direitos Difusos e Coletivos Direitos Difusos e Coletivos Evolução dos direitos humanos. Evolução do processo coletivo. 1ª Geração ou dimensão: Direitos de liberdade – individualidade prevalece sobre o Estado; 2ª Geração ou dimensão: Direitos de igualdade - Estado Social. Direitos Sociais; 3ª Geração ou dimensão : Direitos de fraternidade e solidariedade – Direitos difusos, meio ambiente; 4ª Geração ou dimensão: Segundo N. Bobbio, engenharia genética, bioética; 5ª Geração ou dimensão: Paz mundial. Paulo Bonavides. Direitos Difusos e Coletivos Tutela individual e coletiva O ponto de partida é o Código de Processo Civil de 1973. Este código, segundo Teori Zavascki, foi estruturado em tutela de conhecimento, tutela de execução e tutela cautelar. (Processo Coletivo, 7ª ed). Segundo Teori, esse “sistema, por outro lado, foi moldado para atender à prestação da tutela jurisdicional em caso de lesões a direitos individuais, mediante demandas promovidas pelo próprio lesado”. De acordo com o art. 18 do Código de Processo Civil vigente: “Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico”. Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Direitos Difusos e Coletivos A ideia de processo individual perdurou por vários anos, até que a necessidade da criação de novos mecanismos processuais foi verificada. A primeira fase de modificações deu início em 1985. De acordo com Zavascki, foi “caracterizada pela introdução, no sistema, de instrumentos até então desconhecidos do direito positivo, destinados (a) a dar curso a demandas de natureza coletiva, (b) a tutelar direitos e interesses transindividuais, e (c) a tutelar, com mais amplitude, a própria ordem jurídica abstratamente considerada” (idem, p. 18). A segunda fase de modificação iniciou a partir de 1994, com o fito de aperfeiçoar os mecanismos então existentes. Importante mencionar que aqui está a se falar do processo coletivo comum, que é aquele que trata da defesa direitos metaindividuais, não relacionados com o controle abstrato de constitucionalidade. Direitos Difusos e Coletivos Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhardt e Daniel Mitidiero mencionam que “A utilização dos termos legitimação extraordinária e substituição processual no processo coletivo tem a finalidade exclusivamente didática, já que não se pode conceber o processo coletivo à luz de conceitos do processo individual. As noções de direitos essencialmente coletivos (direitos coletivos e direitos difusos) e direitos acidentalmente coletivos (direitos individuais homogêneos), como é óbvio, rompe com a noção de que o direito ou é próprio ou é alheio”. (Novo Código de Processo Civil Comentado. 3ª ed. RT. P. 179) Direitos Difusos e Coletivos Nesse sentido, houve a necessidade de superação de alguns dogmas: Direito Público e Direito Privado (Cleber Masson, Adriano Andrade e Landolfo Andrade. Interesses Difusos e Coletivos esquematizado. P.42.) A partição do direito objetivo em Direito Público e Direito Privado é herança do Direito Romano. São consideradas de Direito público as regras que disciplinam relações entre o Estado e particulares em que predomine o interesse público, e de Direito privado todas as outras, entre particulares ou mesmo entre o Estado e particulares, desde que predomine o interesse privado. Embora o Direito público veicule normas que visam primordialmente à salvaguarda do interesse público, elas podem proteger, reflexamente, o interesse privado. Assim, por exemplo, embora seja o escopo maior do Direito penal a manutenção da paz social, ao tipificar a conduta do furto está, ao mesmo tempo, protegendo o direito privado à propriedade de cada um dos cidadãos. Do mesmo modo, as normas de Direito privado tratam principalmente do interesse privado, embora, por vezes, sirvam também ao interesse público. É o caso do Direito de família, ramo do Direito privado que, enquanto regula as relações privadas afetas ao matrimônio, à união estável e ao parentesco, zela pela sobrevivência da família, instituição social cuja manutenção é de interesse público. Direitos Difusos e Coletivos Contudo, é de se ponderar que: A grande novidade do processo, desde o último quarto do século XX, tem sido a possibilidade de tutelar esses direitos de forma mais e mais eficaz, por intermédio da outorga de legitimidade a determinados órgãos. Mesmo direitos individuais, como na hipótese do inciso III, podem ser tutelados coletivamente. Ver-se-á, adiante, como fica a tutela individual desses direitos em face da possibilidade da tutela coletiva. Embora tenha sido objeto de capítulo específico, o que é pertinente insistir, neste passo, é que a coisa julgada, no sistema do Código de Processo Civil, segundo reza o art. 506 do CPC/2015, atinge apenas quem tenha sido parte no processo, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Direito Processual Civil. 6ª Ed. 2019. Eduardo Arruda Alvim. P. 998-999 Direitos Difusos e Coletivos Nesse contexto, com o início da internacionalização dos direitos do homem conferido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, e mais tarde, pela Conferência Internacional sobre o Meio Ambiente Humano, realizado em 1972, em Estocolmo, possibilitou o reconhecimento dos direitos fundamentais de terceira dimensão como o direito de todas as gerações, presentes e futuras, a um meio ambiente sadio, impulsionando, desse modo, o desenvolvimento e sistematização do direito processual coletivo (WOLKMER, 2003, p. 9), decorrente das fortes críticas contra a ineficácia do direito processual individual então vigente para tutelas desses direitos e interesses. Atendendo a esses reclamos registra-se o movimento de acesso à justiça como um dos responsáveis pelo desenvolvimento da tutela coletiva nos sistemas romano-germânicos, que, segundo a doutrina, se encontravam relativamente atrasados em relação à tutela coletiva de direitos dos ordenamentos jurídicos anglo-saxônicos. Direitos Difusos e Coletivos O movimento de acesso à justiça, instigado pelo professor italiano Mauro Cappelletti, tratava das trêsondas de acesso à justiça, que estavam sendo implementadas para a solução dos grandes problemas da justiça em todo o mundo (CAPPELLETTI; GARTH, 1998). A tutela coletiva na proteção dos direitos transindividuais foi abordada na segunda onda, mas tratada na concepção da ação coletiva ativa, posto que à esta época, os grupos mal se organizavam para defenderem-se de lesões aos seus interesses razão pela qual muito menos forças possuíam para provocar lesões aos interesses de outrem. Nesse período, o direito processual coletivo no Brasil, também tendo por base a defesa, dos interesses e direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos foi desenvolvido e estruturado com base na legislação e doutrina italianas, e esta por sua vez, desenvolveu-se inspirado em influências estrangeiras, como as das experiências norte- americanas. Renato Woolley de Carvalho Martins. Rev. Ciênc. Juríd. Soc. UNIPAR, v. 18, n. 1, p. 105-119, jan./jun. 2015 Direitos Difusos e Coletivos Pode-se fazer uma relação entre ações coletivas e individuais, como se verifica do art. 104 do Código de Defesa do Consumidor: Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. A existência de ação coletiva não obsta o ajuizamento de ação individual, mesmo porque o art. 5º, XXXV da Constituição diz que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.” Direitos Difusos e Coletivos O Código de Processo Civil vigente, apesar de avançar em vários temas em sede de tutela coletiva, perdeu a chance de avançar no processo coletivo. [...] não se pode passar ao largo da crítica de que o atual Código de Processo Civil perdeu uma grande oportunidade de avançar no tema. Abordou-o de forma muito tímida, possivelmente em razão de um outro projeto de lei que pretendia, à época, disciplinar especificamente os processos coletivos. Houve apenas algumas referências pontuais sobre o processo coletivo. Hugo Nigro Mazzilli critica esta omissão deliberada, ao ponderar que décadas de utilização das ações coletivas se passaram, não havendo razão para que o legislador, ao elaborar um novo CPC, não adentrasse no tema. Assim, como anota Mazzilli “Dizer que o processo coletivo merece tutela à parte porque tem peculiaridades seria o mesmo que dizer que os procedimentos especiais também o deveriam, e assim a ação monitória, ou a suspensão dos processos coletivos ou individuais, ou o incidente de resolução de demandas repetitivas, ou a conversão de ação individual em coletiva, ou a prática eletrônica de atos processuais – tudo isso igualmente deveria ter sido deixado para a legislação extravagante...” (Interesses e Direitos Difusos e Coletivos. Henrique da Rosa Ziesemer;. Juspodivm. 2020. p. 70/71. Direitos Difusos e Coletivos [...] Ainda em relação ao Código de Processo Civil e as demandas coletivas, é de se mencionar o art. 333 do CPC, vetado pela Presidência da República. Importa tratar do texto vetado, pois versava sobre inovação processual que poderia ser explorada no novo código, o que não acabou acontecendo. Tratava-se, in casu, da conversão da ação individual em ação coletiva, que vinha inicialmente exposta da seguinte forma, na redação original, posteriormente vetada. Segundo mencionava o texto rejeitado: Art. 333. Atendidos os pressupostos da relevância social e da dificuldade de formação do litisconsórcio, o juiz, a requerimento do Ministério Público ou da Defensoria Pública, ouvido o autor, poderá converter em coletiva a ação individual que veicule pedido que: I – tenha alcance coletivo, em razão da tutela de bem jurídico difuso ou coletivo, assim entendidos aqueles definidos pelo art. 81, parágrafo único, incisos I e II, da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), e cuja ofensa afete, a um só tempo, as esferas jurídicas do indivíduo e da coletividade; II – tenha por objetivo a solução de conflito de interesse relativo a uma mesma relação jurídica plurilateral, cuja solução, por sua natureza ou por disposição de lei, deva ser necessariamente uniforme, assegurando-se tratamento isonômico para todos os membros do grupo. § 1º Além do Ministério Público e da Defensoria Pública, podem requerer a conversão os legitimados referidos no art. 5º da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985, e no art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). § 2º A conversão não pode implicar a formação de processo coletivo para a tutela de direitos individuais homogêneos. § 3º Não se admite a conversão, ainda, se: I – já iniciada, no processo individual, a audiência de instrução e julgamento; ou II – houver processo coletivo pendente com o mesmo objeto; ou III – o juízo não tiver competência para o processo coletivo que seria formado. Direitos Difusos e Coletivos Art. 333 [...] § 4º Determinada a conversão, o juiz intimará o autor do requerimento para que, no prazo fixado, adite ou emende a petição inicial, para adaptá-la à tutela coletiva. § 5º Havendo aditamento ou emenda da petição inicial, o juiz determinará a intimação do réu para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 (quinze) dias. § 6º O autor originário da ação individual atuará na condição de litisconsorte unitário do legitimado para condução do processo coletivo. § 7º O autor originário não é responsável por nenhuma despesa processual decorrente da conversão do processo individual em coletivo. § 8º Após a conversão, observar-se-ão as regras do processo coletivo. § 9º A conversão poderá ocorrer mesmo que o autor tenha cumulado pedido de natureza estritamente individual, hipótese em que o processamento desse pedido dar-se-á em autos apartados. § 10. O Ministério Público deverá ser ouvido sobre o requerimento previsto no caput, salvo quando ele próprio o houver formulado. Direitos Difusos e Coletivos O artigo rejeitado buscava conferir celeridade e segurança jurídica a temas (e não direitos específicos) que fossem dotados de relevância social e também em razão de dificuldade de formação de litisconsórcio. Observa-se que, em que pese a boa intenção do legislador, o dispositivo em apreço poderia gerar conflitos sistêmicos, porquanto a interpretação da relevância social é dotada de alta carga de subjetividade, de modo que o CPC poderia gerar mais problemas jurídicos do que efetivamente resolvê- los, indo na contramão do que preceitua. Da mensagem de veto da Presidência da República, colhe-se Razões dos vetos: “Da forma como foi redigido, o dispositivo poderia levar à conversão de ação individual em ação coletiva de maneira pouco criteriosa, inclusive em detrimento do interesse das partes. O tema exige disciplina própria para garantir a plena eficácia do instituto. Além disso, o novo Código já contempla mecanismos para tratar demandas repetitivas. No sentido do veto manifestou-se também a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. (Ziesemer. Idem., p. 72) Todavia, pode-se dizer que o CPC avançou em alguns aspectos. Para Ricardo de Barros Leonel: “[...] é correto afirmar que, embora o Código de Processo Civil/2015 não tenha propriamente disciplinado o processo coletivo, procurou oferecer alternativas para a tutela de situações que podem efetivamente ser tratadas tanto no processo coletivo, como, paralelamente, em processos individuais submetidos ao regime de julgamento de casos repetitivos. (Manual do Processo Coletivo, 4ª ed. 2017). No caso, trata-se do IRDR, com previsão no art. 976 do CPC: Direitos Difusos e Coletivos Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivasquando houver, simultaneamente: I - efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão unicamente de direito; II - risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica. § 1º A desistência ou o abandono do processo não impede o exame de mérito do incidente. § 2º Se não for o requerente, o Ministério Público intervirá obrigatoriamente no incidente e deverá assumir sua titularidade em caso de desistência ou de abandono. § 3º A inadmissão do incidente de resolução de demandas repetitivas por ausência de qualquer de seus pressupostos de admissibilidade não impede que, uma vez satisfeito o requisito, seja o incidente novamente suscitado. § 4º É incabível o incidente de resolução de demandas repetitivas quando um dos tribunais superiores, no âmbito de sua respectiva competência, já tiver afetado recurso para definição de tese sobre questão de direito material ou processual repetitiva. Direitos Difusos e Coletivos INSTITUCIONAL (STJ Notícias) 12/01/2021 06:55 STJ reforça gestão de precedentes ao criar núcleo com foco nas ações coletivas O Superior Tribunal de Justiça (STJ) instituiu o Núcleo de Ações Coletivas (NAC), integrado à estrutura do Núcleo de Gerenciamento de Precedentes (NUGEP), o qual passa a ser chamado NUGEPNAC. O novo núcleo foi criado por meio da Resolução STJ/GP 29/2020. O normativo também criou a Comissão Gestora de Precedentes e de Ações Coletivas (COGEPAC), para coordenar o NUGEPNAC. Com o NAC, o tribunal pretende reforçar o monitoramento dos julgamentos das ações coletivas e promover maior efetividade da prestação jurisdicional na tutela dos interesses transindividuais. Para o presidente do STJ, ministro Humberto Martins, a instituição do NAC fortalece a gestão de precedentes existente no STJ – que já funciona de forma efetiva com relação aos recursos repetitivos. "Com o NUGEPNAC, teremos mais rapidez, efetividade e segurança jurídica no acompanhamento da tramitação e do julgamento de ações envolvendo direitos coletivos. Mais um serviço do Tribunal da Cidadania voltado para a melhoria da qualidade da prestação jurisdicional", enfatiza Martins. https://bdjur.stj.jus.br/jspui/handle/2011/149392 Direitos Difusos e Coletivos Resolução do CNJ Os Núcleos de Ações Coletivas estão sendo instalados em todos os tribunais do país, em cumprimento da Resolução 339/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo é dar mais eficácia a essas ações, que, até agora, vinham sendo julgadas sem que os tribunais tivessem como monitorar os temas ou delimitar os titulares dos direitos em discussão. Um dos resultados mais importantes que se espera desse controle é a possibilidade de divulgar amplamente, e de forma organizada, as informações sobre os processos coletivos, de modo a evitar o ajuizamento de ações individuais semelhantes. Com a formação dos núcleos – explica Priscila Motta, assessora do NUGEPNAC –, "será possível uniformizar a gestão dos procedimentos referentes às ações coletivas, bem como realizar estudos e levantamentos de dados com o intuito de subsidiar políticas administrativas relacionadas aos temas, auxiliar os tribunais na gestão dos seus acervos e contribuir com magistrados, Ministério Público e Defensorias Públicas na priorização da conciliação de conflitos e no julgamento dessas ações". https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/3454 Direitos Difusos e Coletivos - O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, no uso de suas atribuições legais e regimentais tendo em vista a Lei nº 4.717/65, a Lei nº 7.347/85, a Lei nº 8.078/90, e o contido no Processo SEI/CNJ nº 13437/2019, CONSIDERANDO que as ações coletivas são instrumento importante no sentido da realização do direito material, do acesso à justiça e da prestação jurisdicional, com economia processual, efetividade, duração razoável do processo e isonomia; CONSIDERANDO as dificuldades relacionadas com questões processuais como legitimidade, competência, identificação e delimitação dos titulares dos interesses ou direitos difusos, coletivos em sentido estrito e individuais homogêneos, bem como dos respectivos beneficiados, de possível conexão, continência, litispendência ou coisa julgada com outras ações coletivas ou individuais e do alcance, da liquidação, do cumprimento e da execução de títulos judiciais coletivos; CONSIDERANDO a necessidade de efetiva implementação e funcionamento adequado do Cadastro Nacional de Ações Coletivas, instituído pela Resolução Conjunta CNJ/CNMP nº 2/2011, e de banco nacional de dados que permita ampla consulta às informações para a otimização do sistema de julgamento das ações de tutela dos direitos coletivos e difusos; [...] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4717.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7347orig.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/935 Direitos Difusos e Coletivos Rodrigo Picon de Carvalho. Direitos Difusos e Coletivos. 2019. 2ª ed. Microssistema Processual Coletivo: Cada pessoa possui uma gama gigantesca de direitos previstos na Constituição Federal ou em legislações esparsas, como a saúde, a educação, o lazer, a vida, a liberdade e a segurança. Para a defesa de seus direitos, violados na iminência de violação, a pessoa pode utilizar do Poder Judiciário ou de métodos extrajudiciais de resolução de conflito. Alguns direitos, entretanto, não pertencem somente a uma pessoa, e sim toda a coletividade – sendo que a violação deste direito afeta, diretamente, uma gama de pessoas. Por exemplo: o transporte público que deixa de passar em um determinado bairro, ou um lote de uma mercadoria que vem estragada, a degradação de um rio, dentre outros. Tais situações não afetam somente uma única pessoa, mas toda a coletividade. Não se consegue, perante o órgão judicial ou extrajudicial, a proteção integral ao direito da coletividade, uma vez que a pessoa sozinha não pode defender o direito de terceiros (vedação do artigo 18 do Código de Processo Civil). (p.8) Direitos Difusos e Coletivos [...] Após a Constituição de 1988, inúmeros textos legislativos trouxeram à tona direitos transindividuais passíveis de proteção de uma classe, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei 7.853/89, o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Igualdade Racial, o Estatuto do Torcedor e o Estatuto do Jovem. Contudo, a legislação de proteção aos direitos transindividuais acabou ficando completamente dispersa em diversos textos legais distintos, sendo que cada lei servia apenas para uma classe específica. Ao mesmo tempo, não existe um texto que determina como funciona a proteção aos direitos transindividuais, como um Código Processual. A Lei 13.105/05 até tentou determinar a conversão da ação individual em coletiva (artigo 333), mas tal determinação foi vetada na época. Para evitar que cada processo pertinente a um tipo de ação coletiva tivesse seu próprio regramento, criou-se o legislador a conexão entre as diversas legislações, permitindo-se a aplicação de um dispositivo legal de uma legislação em outro de outra legislação, desde que não seja contrário a este. A tal sistema damos o nome de microssistema processual coletivo. O microssistema processual coletivo é de suma importância, tendo em vista que une todas as legislações dispersas referentes à tutela de direitos difusos e coletivos em uma só, como se fosse um Código próprio, até o legislador infraconstitucional criar uma legislação que visa abarcar toda a legislação processual referente aos direitos transindividuais. (p.9- 10) Direitos Difusos e Coletivos [...] Ademais, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual, por força do princípio da integração, as Leis 4.717/1965, 7.347/1985, 8.078/1990 e 8.429/1992, dentre outras, compõem um microssistema processual coletivo, com o objetivo de propiciar uma adequada e efetiva tutela dos bens jurídicos por elas protegidos, não havendo óbice à utilização de normado Código de Defesa do Consumidor à Ação Civil Pública, no caso. REsp 1788797/MS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2019, DJe 18/11/2019. [...] O microssistema de defesa dos interesses coletivos privilegia o aproveitamento do processo coletivo, possibilitando a sucessão da parte autora pelo Ministério Público ou por algum outro colegitimado, mormente em decorrência da importância dos interesses envolvidos em demandas coletivas. EDcl no REsp 1405697/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 17/09/2019. Direitos Difusos e Coletivos ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. AÇÃO POPULAR AJUIZADA NA ORIGEM. DEFERIMENTO, PELA CORTE A QUO, DO PEDIDO DE INDISPONIBILIDADE PATRIMONIAL DA PARTE DEMANDADA. ART. 7º DA LEI N. 8.429/92. APLICABILIDADE. UTILIZAÇÃO DOS INSTITUTOS E MECANISMOS DAS NORMAS QUE COMPÕEM O MICROSSISTEMA DE TUTELA COLETIVA. PRECEDENTES DO STJ. PRESENÇA DOS REQUISITOS PARA A DECRETAÇÃO DA MEDIDA DE CONSTRIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO MINUCIOSA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. AGRAVO INTERNO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROVIDO PARA, CONHECENDO DO AGRAVO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. DIVERGINDO DO RELATOR, MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. AgInt no AREsp 1404410 / SC. Ministro BENEDITO GONÇALVES. DJe 25/11/2020 Direitos Difusos e Coletivos HABEAS CORPUS COLETIVO. PROCESSO PENAL. PRISÃO PREVENTIVA. PRESOS QUE TIVERAM A LIBERDADE PROVISÓRIA CONDICIONADA AO PAGAMENTO DE FIANÇA. CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19. RECOMENDAÇÃO N. 62/CNJ. EXCEPCIONALIDADE DAS PRISÕES. ORDEM CONCEDIDA. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. 2. Inicialmente, os arts. 580 e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, dão azo à permissibilidade do writ coletivo no sistema processual penal brasileiro. Ademais, o microssistema de normas de direito coletivo como a Lei da Ação Civil Pública, o Código de Defesa do Consumidor, a Lei do Mandado de Segurança, a Lei do Mandado de Injunção, entre outras, autoriza a impetração do writ na modalidade coletiva. HC 568693 / ES HABEAS CORPUS 2020/0074523-0. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR. DJe 16/10/2020 Direitos Difusos e Coletivos O processo coletivo dá um salto no Brasil a partir das décadas de 80 e 90: Constituição: Art. 5º LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; Art. 129, III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm#art5lxxiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1 Direitos Difusos e Coletivos Evolução do processo coletivo no Brasil No Brasil, o desenvolvimento do processo coletivo foi bastante influenciado pela doutrina italiana e pela norte-americana. Apesar de já existir a ação popular desde antes (Lei 4.717/65), a doutrina costuma vincular o SURGIMENTO do processo coletivo no Brasil com a Lei 6.938/1981 (Lei Nacional da Política do Meio Ambiente), que tinha um dispositivo que dizia que o MP protegeria o meio ambiente por meio da ação civil pública. A CONSOLIDAÇÃO do processo coletivo só ocorreu em 1985, com a Lei de Ação Civil Pública (7.347/85). Essa lei resolveu o problema dos bens ou direitos de titularidade indeterminada, mas não o problema dos bens e direitos cuja tutela individual é inviável e os bens e direitos cuja tutela coletiva é recomendável. Esses últimos dois problemas só foram efetivamente solucionados com o Código de Defesa do Consumidor, em 1990. Em 1990 ocorreu a POTENCIALIZAÇÃO do processo coletivo, com o surgimento do CDC, que permitiu que o processo coletivo pudesse tutelar as massas e atender aos bens e direitos cuja tutela individual é inviável e aos cuja tutela coletiva é recomendável. João Paulo Lordelo. Manual Prático de Processo coletivo. 8ª ed. 2018. p.6. Direitos Difusos e Coletivos “A década de 1990 foi muito profícua em termos de legislação. Apesar de ter iniciado com forte turbulência política, por conta de uma renúncia presidencial, após um período também turbulento em um regime de governo não democrático, muitas das principais leis que hoje utilizamos foram produzidas neste período. Destas, podem ser destacadas a Lei 8.069/90, conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei 8.137/90, a Lei de crimes contra a ordem tributária e relações de consumo, Lei 8.072/90, ou Lei de crimes hediondos, além do presente diploma, conhecido amplamente como Código de Defesa do Consumidor.” (Ziesemer. Interesses e Direitos Difusos e Coletivos. Juspodivm, 2018, p. 295) Código de Defesa do Consumidor Estatuto da Criança e do Adolescente Lei 8.625/93 – LONMP LC 75/93 - MPU Lei 7.347/85 - ACP Lei 4.717/65 - AP Lei 6.938/81 - LPNMA LC 80/94 - LODP Lei 12.016/09 - LMS Direitos Difusos e Coletivos Fundamentos da ação coletiva (João Paulo Lordelo - http://www.joaolordelo.com) “a) Fundamento sociológico e Acesso à Justiça. As ações coletivas permitem a resolução de demandas pretensões retidas, principalmente de consumidores, relativas a bens e serviços de massa. b) Fundamento político e Principio da economia processual. Tais ações permitem a solução de diversos conflitos por meio de um só processo.” Para adequar-se à “sociedade de massa”, onde despontavam conflitos envolvendo coletividades mais ou menos extensas, desprovidas de personalidade definida, cuja vinda a juízo de todos os ofendidos era, senão impossível, extremamente difícil, era necessário desenvolver um processo de massa, ou seja, instrumentos processuais de defesa coletiva [...] (Masson, Andrade & Andrade. Idem. P, 38) Direitos Difusos e Coletivos “A tutela coletiva visa a propiciar um mais adequado acesso à justiça. Mas não compõe um ramo diferenciado do direito processual. Os seus institutos fundamentais valem igualmente para ela (nos títulos seguintes ver-se-á que os mecanismos de tutela coletiva podem e devem ser estudados à luz dos institutos fundamentais do processo civil), embora muitas vezes devam sofrer algumas adaptações ou até mesmo alterações.” GONÇALVES, Marcus Rios. Coleção sinopses jurídicas 26 - Tutela de interesses difusos e coletivos. Processo Coletivo: “compreendido como o conjunto de normas e princípios que regem o equacionamento dos conflitos envolvendo direitos ou interesses coletivos em sentido amplo, desse suas origens, sua evolução, com dados úteis colhidos no Direito Comparado, sua configuração atual, seus institutos e, finalmente, suas perspectivas.” (Ricardo Barros Leonel. Manual do Processo Coletivo. 4ª ed. 2017. Malheiros. P. 25) “Processo Coletivo é aquele instaurado por ou em face de um legitimado autônomo, em que se postula um direito coletivo lato sensu ou se afirma a existência de uma situação jurídica coletiva passiva.” (João Paulo Lordelo. Idem.) Direito Coletivo: “é a designação genérica para as duas modalidades de direitos transindividuais: o difuso e o coletivo strictu sensu. É denominação que se atribui a umaespecial categoria de direito material, nascida da superação, hoje indiscutível, da tradicional dicotomia entre interesse público e interesse privado.” (Teori Zavascki. Processo Coletivo. RT. 2006 P. 42.) A questão referente ao processo e ao direito coletivo refere à necessidade de adoção de uma fórmula instrumental nova, a fim de solucionar os conflitos decorrentes da mudança social. Direitos Difusos e Coletivos Ação Civil Pública x Ação Coletiva: Segundo Daniel Amorim Assumpção Neves, há três correntes (Manual de Processo Coletivo. P. 82. 4ª ed. Juspodivm): a) Ação Civil Pública é a ajuizada pelo Ministério Público enquanto ação coletiva é a ajuizada pelos demais legitimados coletivos; b) Ação Civil Pública é a que tutela direitos difusos e coletivos, únicos previstos na lei 7.347/85, ao passo que ação coletiva tutelaria os individuais homogêneos, com previsão no CDC; c) Ação Civil Pública é regulamentada pela lei 7.347/85 e ação coletiva, pela lei 8.078/90. O nome da ação não faz diferença, pois a finalidade das três ideia é a mesma. Segundo Neves, busca-se destacar as diferenças entre as espécies de direito material tutelado e algumas especificidades existentes (p.83). Direitos Difusos e Coletivos Os interesses difusos, quando ‘surgiram’ (rectius: quando foram reconhecidos), despertaram a curiosidade geral, tendo sido inicialmente vistos como ‘um personaggio assolutamente misterioso’. Assim também, a sua acessibilidade à justiça foi de início – e durante bom tempo- vista com fortes reservas, o que se explica por um dado jurídico- cultural [...] Mancuso. Interesses difusos. 9ª ed. p. 132. Ainda há resistência no mundo jurídico em relação ao trato com os direitos metaindividuais, o que pode ser visto (ou não visto) no Código de Processo Civil atual, que perdeu a chance de avançar no tema. Mancuso menciona que há um antigo temor da pulverização do poder estatal, uma barreira de ordem política, que ficaria disseminada entre grupos portadores de interesses metaindividuais. Poderia haver risco para a tripartição dos poderes, gerando uma concorrência entre eles. (p.135) Direitos Difusos e Coletivos Modelos de tutela jurisdicional dos direitos coletivos No mundo afora, destacam-se dois modelos de tutela jurisdicional dos direitos coletivos: a) Modelo das Verbandsklage (ações associativas) è Tem origem ítalo-francesa-alemã e é adotado pela Europa-Continental (salvo Escandinávia). É muito deficitário. Características: * Especial legitimação ativa das associações, com a escolha de um “sujeito supraindividual” para tutelar em nome próprio o direito que passa ser considerado como próprio. Ex: associações de consumidores, associações ambientais. *fragmentariedade. b) Modelo das Class Action è Tem origem norte-americana e foi muito difundido no Brasil. É mais pragmático, voltado para a proteção integral do direito. Características: * A legitimidade do indivíduo ou de um grupo de indivíduos, qual é sujeito ao controle jurisdicional da “adequada representação”. * Vinculatividade da coisa julgada para toda a classe, quer beneficiando-a, quer prejudicando0a, no caso da improcedência da ação. * Adequada notificação para aderir à iniciativa aos indivíduos, visando proteger o “direito de colocar-se a salvo da coisa julgada” (right to opt out). * Atribuição de amplos poderes ao juiz (defining function), o que distingue esse modelo do modelo tradicional de litígio (vinculado predominantemente a atividade das partes e a uma radical neutralidade judicial). A tendência mundial é a universalização do modelo das class action, tanto nos ordenamentos do common law como do civil Law, a exemplo do Brasil. A especial abertura do ordenamento brasileiro aos modelos norte- americanos se deve à forte influência da nossa tradição constitucional. João Paulo Lordelo (idem. p.7) Direitos Difusos e Coletivos O processo coletivo pode ser classificado quanto ao objeto em comum, por meio das ações que versam sobre direitos metaindividuais e não relacionados com o controle abstrato de constitucional ide (ação civil pública, ação popular); especial, sendo as ações que tratam de controle abstrato de constitucionalidade (ADI, ADPF). – João Paulo Lordelo. O Código de Processo Civil não regulou o processo coletivo e vetou a parte referente à transformação de ações individuais em coletivas (art. 333 do CPC). Assim, permanecem as leis especiais regulando o tema, em especial por conta do art. 318 do CPC. Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário deste Código ou de lei. Parágrafo único. O procedimento comum aplica-se subsidiariamente aos demais procedimentos especiais e ao processo de execução. Direitos Difusos e Coletivos Autonomia do direito processual civil e sua relação com os outros ramos do direito O direito material é composto de normas que regulam as relações jurídicas entre as pessoas, enquanto o direito processual estabelece as regras que regulam uma função estatal, que é a jurisdicional; por outras palavras, o direito processual regula o exercício da função jurisdicional (do Estado). Os princípios que informam o direito processual são próprios, na medida em que se trata de ramo do direito público, distintos daqueles que informam os sub-ramos do direito material, especialmente quando se tratar de relação de direito privado. O direito processual, todavia, enquanto regulamentador de uma função soberana do Estado (a jurisdicional), é ramo do direito público, pouco importando que no caso concreto esteja em pauta conflito entre particulares. Direito Processual Civil. 6ª Ed. 2019. Eduardo Arruda Alvim. P. 77- 92. Direitos Difusos e Coletivos Princípios do processo coletivo Antes de tudo, é de se ponderar que o processo coletivo está inserido na ordem jurídica brasileira, devendo respeitar a Constituição e todos os seus princípios que regem os demais processos judiciais. Assim, os princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório, juiz natural, celeridade, dentre outros, devem ser respeitados. Princípios informativos do processo universal: (Paulo Roberto de Gouvêa Medida – Teoria Geral do Processo. Juspodivm 3ª ed. 2017. p. 80) Princípio lógico: escolha dos atos e formas mais aptas para descobrir a verdade e evitar erros; Princípio jurídico: proporcionar aos litigantes igualdade na demanda e justiça na decisão; Princípio político: prover os direitos privados de máxima garantia social com o mínimo sacrifício de liberdade individual; Princípio econômico: fazer com que as lides não sejam tão dispendiosas a ponto de se poder dizer que a justiça civil é feita só para os ricos. Direitos Difusos e Coletivos Princípio do amplo acesso à justiça, por meio do qual se busca potencializar a distribuição da justiça por meio da tutela transindividual, facilitando a solução de milhares de causas e trazendo segurança jurídica. Princípio da economia processual, de modo que uma ação coletiva que busca a solução para várias causas semelhantes é mais célere e econômica do que várias individuais que buscam o mesmo objeto. Princípio da indisponibilidade, diz que o autor da ação coletiva não pode abdicar de seu objeto. Este princípio é flexibilizado pela possibilidade de desistência fundada, prevista na Lei da Ação Civil Pública. Princípio do interesse (ou primazia) no conhecimento do mérito. Aqui, busca-se o conhecimento e pronunciamento da questão de mérito. Princípio do máximo efeito da tutela coletiva, por meio do qual a decisão em processo coletivo não pode prejudicar, mas somente beneficiar as pessoas. Isto se dá em razão do fato que a legitimação para o ingresso das ações é extraordinária e independe de qualquer autorização. Princípio da integratividade, por meio do qual, em razão do microssistema de tutela coletiva, aplica-se a integração de vários diplomas em prol daquele, como os arts. 19 e 21 da LACP.Direitos Difusos e Coletivos Princípio da máxima efetividade do processo coletivo. Decorre dos poderes judiciais para dar azo às demandas, alinhando-se ao ativismo judicial. Princípio da máxima prioridade jurisdicional da tutela coletiva. Por meio deste princípio, evita- se a proliferação dos processos individuais. Princípio da prioridade na tramitação. Deve o processo coletivo ter tratamento preferencial sobre as ações individuais, devido à quantidade de pessoas afetadas por este tipo de relação processual. Não possui previsão legal. (Rodrigo Picon de Carvalho. Direitos Difusos e Coletivos. 2019) Princípio da não taxatividade do processo coletivo. A legislação processual coletiva permite a possibilidade de impetrar toda e qualquer ação capaz de propiciar a adequada e efetiva tutela da defesa dos direitos transindividuais. Apesar da impossibilidade de transformação da ação individual em coletiva, dado o veto ao artigo 333 do CPC, pode-se impetrar ação normalmente individual na modalidade coletiva, visando a devida proteção dos direitos transindividuais. (Rodrigo Picon de Carvalho. Idem) – Vide. Arts. 83 do CDC e art. 212 do ECA. Direitos Difusos e Coletivos Distinção entre interesses e direitos? Meramente acadêmica. Conceito legal de direitos e interesses difusos e coletivos: Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. Direitos Difusos e Coletivos É tranquilo que os interesses ou direitos difusos e os interesses ou direitos coletivos (também denominados coletivos propriamente ditos, coletivos “stritcto sensu”, ou coletivos em sentido estrito) são espécies do gênero interesses ou direitos coletivos “lato sensu” (também denominados coletivos em sentido amplo, transindividuais, metaindividuais, supraindividuais) (Masson, Andrade&Andrade idem. P. 43) Direitos essencialmente coletivos são os difusos e coletivos. Direitos acidentalmente coletivos são os individuais homogêneos. O objeto indivisível significa que a ofensa ao direito de um corresponde à ofensa ao direito de todos. Todos os titulares estão inseridos na mesma situação de fato Impossível de se determinar quem seriam os titulares exatamente. Direitos Difusos e Coletivos Quando o inciso I menciona que são transindividuais, significa dizer que transcende, supera a individualidade. A natureza indivisível diz respeito à indivisibilidade do bem jurídico tutelado, sendo impossível de contar seus titulares, mas todos eles ligados por uma circunstância de fato. (Henrique da Rosa Ziesemer. Interesses e Direitos Difusos e Coletivos. Juspodivm. P.378) Os interesses ou direitos coletivos, inciso II, por sua vez, também possuem a característica da transindividualidade e indivisibilidade, mas seus titulares estão interligados entre si por alguma relação jurídica. Um grupo ou uma categoria de pessoas, por exemplo. Aqui, há a possibilidade da determinação dos titulares, que se afiguram pela mesma relação jurídica que fazem parte. (idem. P. 379) Já no inciso III, fala-se em direitos ou interesses individuais homogêneos, sendo conceituado como de origem comum. A origem comum é o fato comum que gera a defesa do direito. É permitida pela lei sua tutela a título coletivo, mesmo não havendo a relação jurídica base, como prevista no inciso anterior. (idem. P. 379) Direitos Difusos e Coletivos Atuação das instituições – Tutela individual x Tutela coletiva. Ministério Público atua na tutela individual de direitos indisponíveis e na tutela coletiva. Normas de regência: Art. 127 da Constituição Federal, Lei 8.625/93, Código de Processo Civil e entendimento jurisprudencial. Ministério Público atua como parte ativa ou fiscal da lei. No caso de parte ativa, ajuíza ações para defesa dos direitos que lhe são incumbidos. Utiliza-se, para tanto, do processo civil coletivo, em especial a lei 7.347/85, Lei da Ação Civil Pública, sem prejuízo de outras ferramentas que a lei lhe conferir. Direitos Difusos e Coletivos STF: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE ATIVA. DEFESA DE DIREITOS SOCIAIS E INDIVIDUAIS INDISPONÍVEIS. PRECEDENTES. 1. A Constituição do Brasil, em seu artigo 127, confere expressamente ao Ministério Público poderes para agir em defesa de interesses sociais e individuais indisponíveis, como no caso de garantir o fornecimento de medicamentos a hipossuficiente. 2. Não há que se falar em usurpação de competência da defensoria pública ou da advocacia privada. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 554088 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 03/06/2008, DJe-112 DIVULG 19-06-2008 PUBLIC 20-06-2008 EMENT VOL-02324-06 PP- 01237 RCJ v. 22, n. 142, 2008, p. 90-91) Direitos Difusos e Coletivos Código de Processo Civil: Art. 176. O Ministério Público atuará na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses e direitos sociais e individuais indisponíveis. Art. 177. O Ministério Público exercerá o direito de ação em conformidade com suas atribuições constitucionais. Art. 178. O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir como fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição Federal e nos processos que envolvam: I - interesse público ou social; II - interesse de incapaz; III - litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana. Parágrafo único. A participação da Fazenda Pública não configura, por si só, hipótese de intervenção do Ministério Público. Art. 179. Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público: I - terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do processo; II - poderá produzir provas, requerer as medidas processuais pertinentes e recorrer. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm Direitos Difusos e Coletivos Defensoria Pública Atuação da Defensoria Pública Constituição Federal Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014) Lei Complementar nº 80/1994 Organiza a Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e prescreve normas gerais para sua organização nos Estados, e dá outras providências. Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras: VII – promover ação civil pública e todas as espécies de ações capazes de propiciar a adequada tutela dos direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos quando o resultado da demanda puder beneficiar grupo de pessoas hipossuficientes; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 Direitos Difusos e Coletivos I – prestar orientação jurídica e exercer a defesa dos necessitados, em todos os graus; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). VIII – exercer a defesa dos direitos e interesses individuais, difusos, coletivos e individuais homogêneos e dos direitos do consumidor, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). X – promover a mais ampla defesa dos direitos fundamentais dos necessitados, abrangendo seus direitos individuais, coletivos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, sendo admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). XI – exercer a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e do adolescente, do idoso, da pessoa portadora de necessidades especiais, da mulher vítima de violência doméstica e familiar e de outros grupos sociais vulneráveis que mereçam proteção especial do Estado; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5lxxiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 Direitos Difusos e Coletivos STF - E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO – PLENA LEGITIMIDADE ATIVA “AD CAUSAM” DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA TUTELAR DIREITOS E INTERESSES DIFUSOS DE QUE SÃO TITULARES PESSOAS NECESSITADAS – ORIENTAÇÃO QUE PREVALECE NO SUPREMO TRIBUNAL TRIBUNAL EM RAZÃO DE JULGAMENTO FINAL, COM REPERCUSSÃO GERAL, DO RE 733.433/MG – SUCUMBÊNCIA RECURSAL – (CPC, ART. 85, § 11) – NÃO DECRETAÇÃO, NO CASO, ANTE A AUSÊNCIA DE CONDENAÇÃO EM VERBA HONORÁRIA NA ORIGEM – AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (ARE 1110876 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 29/06/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169 DIVULG 17-08-2018 PUBLIC 20-08-2018) STF - EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. REGÊNCIA: CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/1973. LEGITIMIDADE ATIVA DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA (INC. II DO ART. 5º DA LEI N. 7.347/1985, ALTERADO PELO ART. 2º DA LEI N. 11.448/2007). TUTELA DE INTERESSES TRANSINDIVIDUAIS (COLETIVOS STRITO SENSU E DIFUSOS) E INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS. ACESSO À JUSTIÇA. NECESSITADO: DEFINIÇÃO SEGUNDO PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO QUE GARANTEM A EFETIVIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS PREVISTAS NOS INCS. XXXV, LXXIV E LXXVIII DO ART. 5º DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. A LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA NÃO ESTÁ CONDICIONADA À COMPROVAÇÃO PRÉVIA DA HIPOSSUFICIÊNCIA DOS POSSÍVEIS BENEFICIADOS PELA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU OBSCURIDADE. A QUESTÃO SUSCITADA PELA EMBARGANTE FOI SOLUCIONADA NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 733.433/MG, EM CUJA TESE DA REPERCUSSÃO GERAL SE DETERMINA: “A DEFENSORIA PÚBLICA TEM LEGITIMIDADE PARA A PROPOSITURA DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM ORDEM A PROMOVER A TUTELA JUDICIAL DE DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS DE QUE SEJAM TITULARES, EM TESE, PESSOAS NECESSITADAS” (DJ 7.4.2016). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (ADI 3943 ED, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-153 DIVULG 31-07-2018 PUBLIC 01-08-2018) Direitos Difusos e Coletivos Processo individivual Processo Coletivo Tratamento atômico do conflito. Tratamento molecular do conflito. Alta possibilidade de decisões contraditórias. Menor possibilidade de decisões contraditórias. Conflito entre pessoas determinadas. Conflitos entre pessoas indeterminadas (podem ser determináveis, algumas vezes, só por grupo). Legitimação ordinária. Legitimação extraordinária ou autônoma. Coisa julgada interpartes. Possibilidade de coisa julgada erga omnes ou ultrapartes, Destinatário da indenização: vítima ou sucessores. Destinatários da indenização: se divisível, vítima ou sucessores; se indivisível, fundo (art. 13 LACP) Sem intervenção em políticas públicas em regra. Processo altruísta (não é a somatória dos direitos individuais, mas síntese deles – fim comum. (Cadernos Sistematizados. 2019.1. Difusos e coletivos. P. 14) Direitos Difusos e Coletivos MPGO – 60º concurso – Prova II 46. Considerando o que ensina a melhor doutrina brasileira acerca das características básicas dos interesses difusos, assinale a alternativa incorreta: a) De acordo com os ensinamentos de Rodolfo de Camargo Mancuso, os interesses difusos apresentam as seguintes notas básicas: indeterminação dos sujeitos, indivisibilidade do objeto, intensa conflituosidade, duração efêmera, contingencial. b) Para Ricardo de Barros Leonel, reportando-se a Hugo Nigro Mazzilli, os difusos são interesses que se referem a grupos menos determinados de pessoas, entre as quais inexiste um vínculo jurídico ou fático muito preciso, possuindo objeto indivisível entre os membros da coletividade, compartilhável por número determinável de pessoas. c) Na análise de Édis Milaré, o principal divisor de águas entre os interesses difusos e coletivos está na titularidade, sendo certo que os primeiros pertencem a uma série indeterminada e indeterminável de sujeitos, enquanto os últimos relacionam-se a uma parcela também indeterminada, mas determinável de pessoas. d) Na síntese precisa de Celso Bastos, a característica primordial do interesse difuso é a sua descoincidência com o interesse de uma determinada pessoa. Ela abrange, na verdade, toda uma categoria de indivíduos unificados por possuírem um denominador fático qualquer em comum. Direitos Difusos e Coletivos MPGO – 60º Concurso – Prova I 47- Segundo lição de Hugo Nigro Mazilli, entre o interesse público e privado, hó interesses metaindividuais ou coletivos, referentes a um grupo de pessoas, que excedem o âmbito individual mas não cbegam a constituir interesse público. A definiçíio legal de Direitos ou Interesses Difusos, Coletivos ou Individuais Homogêneos encontra-se exposta no artigo 81 do Código de Defesa do Consumidor (Lein. 8.078/90). Segundo o mencionado diploma legal: a)Constituem interesses ou direitos coletivos, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; b)Constituem interesses ou direitos difusos, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; c)Constituem interesses ou direitos individuais homogêneos os decorrentes de origem comum; D)Constituem interesses ou direitos coletivos, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas determinadas e ligadas por circunstâncias de fato. Direitos Difusos e Coletivos MPSC 2019 – Processo Coletivo 46ª QUESTÃO: ( V ) Diversos diplomas legislativos foram editados, dentro da sistemática da tutela coletiva, para regulamentar interesses individuais específicos/ou institutos específicos e dentre estes diplomas, podemos incluir o Estatuto da Criança e do Adolescente. 47ª QUESTÃO: (V) O microssistema da tutela coletiva é o conjunto formado pelas normas processuais, materiais e heterotópicas sobre processo coletivo nas diversas normas jurídicas positivadas em nosso ordenamento jurídico. Direitos Difusos e Coletivos Teses selecionadas do STJ 3) No âmbito do Direito Privado, é de cinco anos o prazo prescricional para ajuizamento da execução individual em pedido de cumprimento de sentença proferida em ação civil pública. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 515) 7) A liquidação e a execução individual de sentença genérica proferidaem ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levando-se em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo (arts. 468, 472 e 474, CPC e 93 e 103, CDC). (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 480) 9) A abrangência nacional expressamente declarada na sentença coletiva não pode ser alterada na fase de execução, sob pena de ofensa à coisa julgada. Direitos Difusos e Coletivos 10) Os efeitos e a eficácia da sentença no processo coletivo não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido. 13) Ajuizada ação coletiva atinente a macrolide geradora de processos multitudinários, suspendem-se as ações individuais, no aguardo do julgamento da ação coletiva. 3) A Defensoria Pública detém legitimidade para propor ações coletivas na defesa de direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos. 7) A ilegitimidade ativa ou a irregularidade da representação processual não implica a extinção do processo coletivo, competindo ao magistrado abrir oportunidade para o ingresso de outro colegitimado no pólo ativo da demanda. Direitos Difusos e Coletivos Processo civil coletivo; Ricardo Barros Leonel elenca as seguintes leis que regem o processo coletivo: Lei da Ação Popular; Lei da Ação Civil Pública; Defesa das pessoas portadoras de deficiência; Defesa dos investidores no mercado de valores mobiliários; Defesa da Criança e do Adolescente; Improbidade Administrativa; Defesa da ordem econômica e livre concorrência; Legislação orgânica do Ministério Público. Direitos Difusos e Coletivos Defesa da Ordem urbanística; Defesa do Idoso; Estatuto de Defesa do Torcedor; Interação da legislação vigente: sistema integrado de tutela dos interesses metaindividuais; O processo coletivo e o Código de Processo Civil. Direitos Difusos e Coletivos Ação Civil Pública – Lei 7.347/1985. A Constituição fala uma única vez em ação civil pública, no art. 129, III (Função Institucional do Ministério Público) A LACP – Lei da Ação Civil Pública (Lei 7.347/1985) – foi fruto de estudos e debates envolvendo professores e profissionais do direito que, a partir de meados da década de 1970, sob influência da doutrina italiana e das class actions dos países de sistema jurídico common law, notaram a necessidade de desenvolver ferramentas processuais mais adequadas para a solução dos conflitos de interesses transindividuais. (Masson, Andrade&Andrade. idem, p. 63) Instituída como Lei 7.347, de 1985, a Lei de Ação Civil Pública é, atualmente, a legislação mais importante dentro da matéria Direitos Difusos e Coletivos, ainda que tenha sido a segunda a ser editada sobre o assunto (após a Lei de Ação Popular). Nesta lei existem os principais artigos a serem utilizados sobre o tema, servindo como base para qualquer tipo de ação coletiva (com exceção da Ação Popular). Por exemplo: o inquérito civil e o Termo de Ajustamento de Conduta são dois institutos trazidos pela Lei de Ação Civil Pública e que podem ser utilizados na defesa de qualquer direito difuso ou coletivo por ocasião do microssistema processual coletivo. É muito comum, inclusive, os legitimados para propor ação coletiva impetrarem Ações Civis Públicas para defesa de direitos difusos ou coletivos de crianças ou adolescentes (Estatuto da Criança e do Adolescente), de idosos (Estatuto do Idoso), dentre outros, ainda que nestas leis não determinem qual o tipo e nome da ação coletiva que será proposta. (Rodrigo Picon de Carvalho. Idem) Direitos Difusos e Coletivos Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: l - ao meio-ambiente; Lei 6.938/81 ll - ao consumidor; Lei 8.078/90 III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. Residual V - por infração da ordem econômica; Lei 12.529/2011 (Sistema de Defesa da Concorrência) VI - à ordem urbanística. Lei 6.766/79 e Lei 10.257/01 VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. Lei 12.288/2010 (Estatuto Igualdade Racial) VIII – ao patrimônio público e social. (Lei 8.429/92 e Lei 12.846/2013) Direitos Difusos e Coletivos IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. O quarto inciso do art. 1º desta Lei abre margem para que a Ação Civil Pública possa ser utilizada na defesa de todo e qualquer direito difuso, coletivo ou individual homogêneo existente, fortalecendo o microssistema processual coletivo. Dessa forma, pode-se aplicar a Ação Civil Pública, p.ex., para defesa dos direitos das pessoas com deficiência – seja mental, seja física, das crianças e dos adolescentes, dos idosos, dos jovens (Estatuto do Jovem; Lei 12.852/13), dos torcedores (Lei 10.671/03); para defesa da igualdade racial (Estatuto da Igualdade Racial; Lei 12.288/10), a moralidade administrativa e os princípios basilares da Administração Pública e até os direitos humanos, quando a coletividade ou um grupo contido dentro desta for vítima. (Rodrigo Picon de Carvalho. Idem) Direitos Difusos e Coletivos A ação civil pública busca uma tutela preventiva ou ressarcitória, por força dos arts. 1º e 3º. Obrigação de fazer ou não fazer ou condenação em dinheiro. Admite-se a condenação em danos morais coletivos cumulada com outra obrigação (fazer ou não fazer): [...] O STJ já reconheceu o cabimento da aplicação cumulativa da indenização por danos morais coletivos com a condenação ao cumprimento de obrigações de fazer e não fazer no âmbito da ação civil pública, inclusive, com fundamento no art. 3º da Lei n. 7.347/85. Confira-se: REsp 1.269.494/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 24/9/2013, DJe 1º/10/2013. (STJ REsp 1355574/SE - 2016) A tutela da ação civil pública versa sobre os direitos transindividuais previstos nos incisos do art. 1º. A expressão “qualquer outro interesse difuso ou coletivo” torna o rol exemplificativo. Direitos Difusos e Coletivos "12. O dano moral coletivo é categoria autônoma de dano que não se identifica com os tradicionais atributos da pessoa humana (dor, sofrimento ou abalo psíquico), mas com a violação injusta e intolerável de valores fundamentais titularizados pela coletividade (grupos, classes ou categorias de pessoas). Tem a função de: a) proporcionar uma reparação indireta à lesão de um direito extrapatrimonial da coletividade; b) sancionar o ofensor; e c) inibir condutas ofensivas a esses direitos transindividuais."(REsp 1502967/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/08/2018, DJe 14/08/2018) Direitos Difusos e Coletivos ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. EDIFICAÇÃO IRREGULAR EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL E EM TERRENO DE MARINHA. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO E LICENÇAS AMBIENTAIS MPERIOSAS. REPARAÇÃO INTEGRAL DO DANO AMBIENTAL. MEDIDAS PARA RECUPERAÇÃO E COMPENSAÇÃO PELO PERÍODO EM QUE FORAM DESRESPEITADAS AS NORMAS AMBIENTAIS. CABÍVEL A CUMULAÇÃO DAS CONDENAÇÕES IN CASU. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL 2020/0078428-0. Ministro FRANCISCO FALCÃO. DJe 23/09/2020 Direitos Difusos e Coletivos MPGO – 60º Concurso 20/10/2019 50. “Em virtude da evolução do sistema da responsabilidade civil, o dano extrapatrimonial, anteriormente relacionado somente ao ferimento de aspectos da personalidade individual, passou a também ser admitido com relação a direitos pertencentes it sociedade como um todo. Com efeito, a partir da CF/88, surgiram feixes de interesses cuja proteção ultrapassa a esfera meramente individual, sendo, assim,reconhecidos bens de titularidade coletiva, cuja preservação importa à toda coletividade” (STJ. 3º Turma. REsp 1.737.412/SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2019 (Info 641)). Acerca da temática conceitual e da jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinale a alternativa incorreta: A) O dano moral coletivo é espécie autônoma de dano que está relacionada à integridade psicofisica da coletividade, bem de natureza estritamente transindividual e que, portanto, não se identifica com aqueles tradicionais atributos da pessoa humana (dor, sofrimento ou abalo psíquico), amparados pelos danos morais individuais. B) O dano moral coletivo não se confunde com o somatório das lesões extrapatrimoniais singulares, submetendo-se, porém, ao princípio da reparação integral, cumprindo, ademais, funções específicas. C) No dano moral coletivo, a função punitiva — sancionamento exemplar ao ofensor — é, aliada ao caráter preventivo — de inibição da reiteração da prática ilicita — e ao princípio da vedação do enriquecimento ilícito do agente, a fim de que o eventual proveito patrimonial obtido com a prática do ato irregular seja revertido em favor da sociedade. D()Não basta a mera infringência à lei ou ao contrato para a caracterização do dano moral coletivo. E essencial que o ato antijurídico praticado atinja alto grau de reprovabilidade e transborde os lindes do individualismo, afetando, por sua gravidade e repercussão, o círculo primordial de valores sociais. Direitos Difusos e Coletivos A competência em sede de ação civil pública é prevista no art. 2º: Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa. ATENÇÃO: Há situações específicas, como previstas no ECA e no Estatuto do Idoso (art. 80), que serão abordadas adiante. O local do dano é a regra. A competência é funcional e territorial, afigurando-se como absoluta. Observar a competência da Justiça Federal prevista na Constituição. Deve-se atentar para o Código de Defesa do Consumidor quando trata de direitos individuais homogêneos. Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente para a causa a justiça local: I - no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de âmbito local; II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente. Observar a competência em razão de dano local, regional ou nacional, de acordo com sua extensão ou regras de abrangência jurídica (circunscrição, comarcas, seção judiciária, etc...) Direitos Difusos e Coletivos PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. RAZÕES QUE NÃO ENFRENTAM O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO DE ÂMBITO REGIONAL. INEXISTÊNCIA. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. LOCAL DO DANO. PRECEDENTES. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Nos termos dos artigos 93, I, do CDC e 2º da Lei nº 7.347/1985, é assente perante este Superior Tribunal de Justiça que a competência para processamento e julgamento da ação civil pública por danos locais é absoluta/funcional, no foro do próprio lugar do dano. Precedentes. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. AgInt no REsp 1625700 / AC. Relatora. Ministra Maria Isabel Gallotti. Julgado em 0/12/2020. DJe 11/12/2020. Direitos Difusos e Coletivos ECA: Art. 209. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, ressalvadas a competência da Justiça Federal e a competência originária dos tribunais superiores. Lei 10.741/03: Art. 80. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do domicílio do idoso, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, ressalvadas as competências da Justiça Federal. STJ: [...] 4. No mais, a competência da Vara da Infância e da Juventude é absoluta e justifica- se pelo relevante interesse social e pela importância do bem jurídico a ser tutelado, bem como por se tratar de questão afeta a direitos individuais, difusos ou coletivos do infante, nos termos dos arts. 148, inciso IV, 208, § 1º, e 209, do Estatuto da Criança e do Adolescente. 5. Por fim, porquanto o Estatuto da Criança e Adolescente é lex specialis, ele prevalece sobre a regra geral de competência das Varas Cíveis, quando o feito envolver a defesa dos interesses individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da adolescência, protegidos pela Constituição e pela Lei. (REsp 1749422/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2018, DJe 17/12/2018) Direitos Difusos e Coletivos PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. RAZÕES QUE NÃO ENFRENTAM O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO DE ÂMBITO REGIONAL. INEXISTÊNCIA. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. LOCAL DO DANO. PRECEDENTES. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Nos termos dos artigos 93, I, do CDC e 2º da Lei nº 7.347/1985, é assente perante este Superior Tribunal de Justiça que a competência para processamento e julgamento da ação civil pública por danos locais é absoluta/funcional, no foro do próprio lugar do dano. Precedentes. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2016/0239165-5. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI. DJe 11/12/2020 PROCESSUAL CIVIL. TUTELA DA SAÚDE. INTERESSES E DIREITOS METAINDIVIDUAIS. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. ART. 2º, CAPUT, DA LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA (LEI 7.347/1985). ART. 209 DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI 8.069/1990). ART. 80 DA LEI 10.741/2003 (ESTATUTO DO IDOSO). ART. 93 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (LEI 8.078/1990). DEMANDAS SOBRE SAÚDE PÚBLICA EM QUE O ESTADO DE MATO GROSSO SEJA PARTE. ARTS. 44 E 52, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC/2015. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. FORO DO DOMICÍLIO DO AUTOR. OPÇÃO LEGISLATIVA INAFASTÁVEL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2020/0235110-3. Ministro HERMAN BENJAMIN. DJe 01/12/2020. Direitos Difusos e Coletivos Vamos ver como o tema foi cobrado no o MPSP? 92º Concurso: 80. Um legitimado ativo decide ajuizar ação civil pública para defesa da pessoa idosa em caso afeto à Justiça Estadual. São diversos os foros de domicílio do idoso, do domicílio do réu e do local no qual o dano foi produzido. O foro competente será o do local A- em que o dano foi produzido. B- do domicílio do réu. C- do domicílio do idoso ou do réu, a critério do autor. D- do domicílio do idoso ou do local em que o dano foi produzido, a critério do autor. E- do domicílio do idoso. Direitos Difusos e Coletivos Art. 3º A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. CUMULAÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER COM O DE PAGAR INDENIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA 629/STJ. 1. O presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". 2. Nos termos da Súmula 629/STJ, "Quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à obrigação de fazer ou à de não fazer cumulada com a de indenizar". 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1702981/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/03/2019, DJe 15/03/2019) Direitos Difusos e Coletivos STJ - PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. CONSTRUÇÃOIRREGULAR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. COSTÃO ROCHOSO - MANGARATIBA/RJ. DEMOLIÇÃO. DANOS MORAIS COLETIVOS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC/1973. NÃO VERIFICADA. INÉPCIA DA INICIAL POR FALTA DE DOCUMENTO HÁBIL A COMPROVAR O PLEITO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. DISCUSSÃO PELA DESNECESSIDADE DE EIA/RIMA. ANÁLISE DE LEI ESTADUAL. SÚMULA 280 DO STF. INCIDÊNCIA. NECESSIDADE DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL PELO IBAMA E PELA FEEMA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. SÚMULAS N. 283 E 284/STF. CUMULAÇÃO INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS COLETIVOS COM CONDENAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO FAZER NO ÂMBITO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. [...] XII - Por fim, em relação ao alegado descabimento de indenização por danos morais, por ser "[...] inteiramente incompatível com o interesse difuso, especialmente em se tratando de ações civis públicas relacionadas à tutela do meio ambiente [...] (fl. 551), tem-se que o entendimento preconizado pelo acórdão recorrido encontra-se em perfeita sintonia com a jurisprudência desta Corte. (AgInt no AREsp 1239530/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/10/2018, DJe 24/10/2018) Direitos Difusos e Coletivos Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: (Redação dada pela Lei nº 11.448, de 2007). I - o Ministério Público; II - a Defensoria Pública; III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; V - a associação que, concomitantemente: A legitimidade é chamada de concorrente disjuntiva. Vários são os legitimados, havendo previsão constitucional no art. 129, §1º da Constituição. A Ordem dos Advogados do Brasil vem sendo admitida como legitimada em casos pontuais pelo Superior Tribunal de Justiça. Contudo, o Estatuto do Idoso, em seu art. 81, III, coloca a OAB no rol de legitimados para a propositura de ações cíveis fundadas em interesses difusos, coletivos, individuais indisponíveis ou homogêneos. No caso do inciso V, a associação necessita de requisitos concomitantes. Estar constituída há pelo menos um ano e a pertinência temática de suas atividades com o direito que pretende tutelar. O Ministério Público, se não for parte, atua como fiscal da lei. http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11448.htm#art2 Direitos Difusos e Coletivos Sobre a legitimidade para ação civil pública: Ministério Público: Art. 129, III, da CF: Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; Lei 8.625/93: Art. 25. Além das funções previstas nas Constituições Federal e Estadual, na Lei Orgânica e em outras leis, incumbe, ainda, ao Ministério Público: IV - promover o inquérito civil e a ação civil pública, na forma da lei: a) para a proteção, prevenção e reparação dos danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, aos bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, e a outros interesses difusos, coletivos e individuais indisponíveis e homogêneos; b) para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público ou à moralidade administrativa do Estado ou de Município, de suas administrações indiretas ou fundacionais ou de entidades privadas de que participem; Direitos Difusos e Coletivos STF: O Tribunal, por unanimidade, apreciando o tema 561 da repercussão geral, conheceu parcialmente do recurso extraordinário e, nessa parte, negou-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. Em seguida, fixou-se a seguinte tese: "O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública que vise anular ato administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público". Ausente, justificadamente, o Ministro Roberto Barroso. Presidência do Ministro Dias Toffoli. Plenário, 25.10.2018. RE 409356 STF: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE ATIVA. DEFESA DE DIREITOS SOCIAIS E INDIVIDUAIS INDISPONÍVEIS. PRECEDENTES. 1. A Constituição do Brasil, em seu artigo 127, confere expressamente ao Ministério Público poderes para agir em defesa de interesses sociais e individuais indisponíveis, como no caso de garantir o fornecimento de medicamentos a hipossuficiente. 2. Não há que se falar em usurpação de competência da defensoria pública ou da advocacia privada. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 554088 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 03/06/2008, DJe-112 DIVULG 19-06-2008 PUBLIC 20-06-2008 EMENT VOL-02324-06 PP- 01237 RCJ v. 22, n. 142, 2008, p. 90-91) Direitos Difusos e Coletivos Constituição Federal Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014) Lei Complementar nº 80/1994 Organiza a Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e prescreve normas gerais para sua organização nos Estados, e dá outras providências. Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras: VII – promover ação civil pública e todas as espécies de ações capazes de propiciar a adequada tutela dos direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos quando o resultado da demanda puder beneficiar grupo de pessoas hipossuficientes; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 Direitos Difusos e Coletivos VIII – exercer a defesa dos direitos e interesses individuais, difusos, coletivos e individuais homogêneos e dos direitos do consumidor, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). X – promover a mais ampla defesa dos direitos fundamentais dos necessitados, abrangendo seus direitos individuais, coletivos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, sendo admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). XI – exercer a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e do adolescente, do idoso, da pessoa portadora de necessidades especiais, da mulher vítima de violência doméstica e familiar e de outros grupos sociais vulneráveis que mereçam proteção especial do Estado; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5lxxiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp132.htm#art1 Direitos Difusos e Coletivos Sobre autarquias, empresas públicas, fundações ou SEM (inciso IV) São as autarquias, fundações ou empresas públicas e as sociedades de economia mista membros da Administração Pública Indireta, na qual os entes federados delegam a competência de determinada função sua a uma pessoa jurídica pública criada especificamente para esse fim. Damos o exemplo do INSS, as universidades federais, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Tais pessoas jurídicas podem acionar judicialmente para defesa de direitos difusos e coletivos. É importante salientar que o Código de Defesado Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto do Idoso, que vieram posteriormente à Lei de Ação Civil Pública não colocaram como legitimados os membros da Administração Pública Indireta. Como não declararam expressamente a impossibilidade de os mesmos acionarem judicialmente para defesa de direitos difusos e coletivos do consumidor, da criança e adolescente e dos idosos, respectivamente, estas podem fazer uso da ação coletiva por ocasião do microssistema processual coletivo. (Rodrigo Picon de Carvalho. Idem) Direitos Difusos e Coletivos Sobre as associações RE 573232/SC Repercussão Geral Tese I – A previsão estatutária genérica não é suficiente para legitimar a atuação, em Juízo, de associações na defesa de direitos dos filiados, sendo indispensável autorização expressa, ainda que deliberada em assembleia, nos termos do artigo 5º, inciso XXI, da Constituição Federal; II – As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, são definidas pela representação no processo de conhecimento, limitada a execução aos associados apontados na inicial. Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do STF, realizada em 09/12/2015. Direitos Difusos e Coletivos AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ASSOCIAÇÃO. DIREITOS OU INTERESSES DIFUSOS. LEGITIMIDADE ATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N.º 5/STJ. 1. Jurisprudência Superior Tribunal de Justiça no sentido de que as associações de classe atuam como representantes processuais, sendo obrigatória a autorização individual ou assemblear dos associados, conforme julgado no Recurso Extraordinário n.º 573.232. 2. Esse entendimento, todavia, não se aplica na hipótese de a associação buscar em juízo a tutela de interesses ou direitos difusos - art. 82, IV, do CDC. 3. Não se trata, na hipótese dos autos, de revisão de interpretação conferida pelo Tribunal de Justiça de origem à cláusula contratual ou de revisão do conteúdo fático-probatório dos autos. 4. Não apresentação pela parte agravante de argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos que alicerçaram a decisão agravada. 5. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. (AgInt no REsp 1712880/MG, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/12/2019, DJe 13/12/2019) Direitos Difusos e Coletivos Art. 5º : Ainda sobre a legitimidade. § 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes. Ação Civil Pública - Litisconsórcio e Assistência (arts. 113 e 124 do Código de Processo Civil) Hugo Nigro Mazzilli entende pela possibilidade de litisconsórcio inicial e ulterior em ação civil pública. Na mesma esteira, a regra estipulada pelo §2º do art. 5º da Lei 7.347/85 deve ser aplicada a quaisquer dos colegitimados (A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo, 29ª ed. p. 414). “§ 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes.” “Sabemos que, se um colegitimado ativo ingressar em ação civil pública ou coletiva já ajuizada, e se aditar a inicial para alterar ou ampliar o objeto do processo (pedido ou causa de pedir), teremos litisconsórcio ulterior; entretanto, se ele ingressar no processo, mas não alterar esse objeto, será assistente litisconsorcial” (idem. P. 417) CPC: Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido. Direitos Difusos e Coletivos § 3º Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. (Redação dada pela Lei nº 8.078, de 1990) O Ministério Público só se obriga a assumir a titularidade ativa quando houver desistência infundada ou abandono. No caso de desistência fundada, pode o MP concordar com os argumentos do autor e não assumir a titularidade. Ainda pode ser que a ação em questão seja desde seu nascedouro temerária ou manifestamente improcedente, onde o Ministério Público também não se obriga a assumir o polo ativo. STJ - 4. O Ministério Público está autorizado a assumir a titularidade ativa da ação coletiva já em curso. Esta possibilidade não se restringe às hipóteses de desistência infundada ou de abandono da causa pela associação legitimada, mencionadas a título exemplificativo pelo legislador. Exegese do art. 5º, §3º, da Lei 7.347/85. Precedentes. (REsp 1635238/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/12/2018, DJe 13/12/2018) § 4.° O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990) Providência de caráter excepcional http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art112 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art113 Direitos Difusos e Coletivos Sobre o §4º: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA (FAIXA I). VÍCIOS CONSTRUTIVOS. LEGITIMIDADE ATIVA DA ASSOCIAÇÃO. DISPENSA DO REQUISITO TEMPORAL. RELEVÂNCIA DO INTERESSE SOCIAL. DIREITO À MORADIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A associação constituída há menos de 1 (um) ano possui legitimidade para ajuizamento de ação civil pública, em razão de vícios construtivos nos imóveis adquiridos pelo Programa Minha Casa Minha Vida, por mais de 500 (quinhentas) famílias de baixa renda (Faixa I), em situação de extrema vulnerabilidade jurídica. 2. A dispensa do requisito temporal de pré-constituição justifica-se pelo objetivo da ação coletiva que envolve o direito à moradia, previsto no art. 6º da Constituição Federal como direito fundamental. 3. Agravo interno a que se nega provimento. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2019/0313814-6. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE. DJe 08/05/2020 Direitos Difusos e Coletivos Art. 5º : Ainda sobre a legitimidade. § 5.° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990) (Vide Mensagem de veto) Há duas posições a respeito, sendo atualmente, a mais aceita, no sentido da viabilidade do litisconsórcio entre MPs. § 6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990) (Vide Mensagem de veto) O TAC, como título executivo, pode ser ajuizado ou protestado em cartório. CPC: Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de mediação e conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito administrativo, tais como: III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/Mensagem_Veto/anterior_98/vep664-L8078-90.htm#art92p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/Mensagem_Veto/anterior_98/vep664-L8078-90.htm#art92p Direitos Difusos e Coletivos STJ - ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LITISCONSÓRCIO ATIVO FACULTATIVO ENTRE MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, ESTADUAL E DO TRABALHO. ARTIGO 5º, § 5º, DA LEI N 7.347/1985. COMUNHÃO DE DIREITOS FEDERAIS, ESTADUAIS E TRABALHISTAS. 1. Nos termos do artigo 5º, § 5º, da Lei n. 7.347/1985: "admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do DistritoFederal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei.“3. Assim, o litisconsórcio ativo facultativo entre os ramos do MPU e os MPs dos Estados, em tese, é possível, sempre que as circunstâncias do caso recomendem, para a propositura de ações civis públicas que visem à responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico e paisagístico, à ordem econômica e urbanística, bem como a qualquer outro interesse difuso ou coletivo, inclusive de natureza trabalhista. 6. Dessa forma, diante da pluralidade de direitos que a presente demanda visa proteger, quais sejam: direitos à ordem econômica, ao trabalho, à saúde e ao consumidor, é viável o litisconsórcio ativo entre o MPF, MPE e MPT. (REsp 1444484/RN, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2014, DJe 29/09/2014) Direitos Difusos e Coletivos Art. 6º Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a iniciativa do Ministério Público, ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil e indicando-lhe os elementos de convicção. Qualquer pessoa tem a faculdade e o servidor público tem a obrigação de provocar a iniciativa do MP, podendo configurar responsabilidade administrativa ou criminal a depender do caso. Art. 7º Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem conhecimento de fatos que possam ensejar a propositura da ação civil, remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis. Mesma situação narrada acima. A lei estipula as formas de comunicação ao Ministério Público. A obrigação de comunicar ao Ministério Público recai sobre o servidor, em razão do contido no art. 37 da Constituição. O servidor público pode ser responsabilizado criminal e administrativamente se não procede de acordo com o comando legal. Da mesma forma os juízes e tribunais no exercício de suas funções têm o dever comunicar o MP, quando tiverem conhecimento de fatos que “possam” ensejar a propositura de ACP. A matéria é regulada pela Resolução 23/2007 do CNMP, que versa sobre o inquérito civil. Direitos Difusos e Coletivos Art. 8º Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as certidões e informações que julgar necessárias, a serem fornecidas no prazo de 15 (quinze) dias. A lei da ação civil pública foi escrita em outro contexto. Hoje, a lei de acesso à informação, lei 12.527/11 supre a maior parte das necessidades. Lei 12.527/11: Art. 7o O acesso à informação de que trata esta Lei compreende, entre outros, os direitos de obter: I - orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem como sobre o local onde poderá ser encontrada ou obtida a informação almejada; II - informação contida em registros ou documentos, produzidos ou acumulados por seus órgãos ou entidades, recolhidos ou não a arquivos públicos; V - informação sobre atividades exercidas pelos órgãos e entidades, inclusive as relativas à sua política, organização e serviços; VI - informação pertinente à administração do patrimônio público, utilização de recursos públicos, licitação, contratos administrativos; § 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis. O inquérito civil é exclusividade do Ministério Público. § 2º Somente nos casos em que a lei impuser sigilo, poderá ser negada certidão ou informação, hipótese em que a ação poderá ser proposta desacompanhada daqueles documentos, cabendo ao juiz requisitá-los. Direitos Difusos e Coletivos Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças informativas, fazendo-o fundamentadamente. § 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público. § 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja homologada ou rejeitada a promoção de arquivamento, poderão as associações legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão juntados aos autos do inquérito ou anexados às peças de informação. § 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do Conselho Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu Regimento. § 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, designará, desde logo, outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação. Direitos Difusos e Coletivos Art. 10. Constitui crime, punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, mais multa de 10 (dez) a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, a recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público. Previsão criminal que objetiva dar força às requisições do Ministério Público. Crime doloso. Deve haver prova inequívoca que o destinatário recebeu a requisição. Recusar é negar, retardar é atrasar, e omitir é não prestar os dados de forma proposital. Há a possibilidade imputação de ato de improbidade administrativa por descumprimento de requisição do Ministério Público. STJ: [...] 5. Tratando-se de crime formal, basta que haja, por parte do paciente, a recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público, sendo despiciendo o ajuizamento ou não de ação civil pública. (HC 367.376/MG, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 08/11/2016, DJe 17/11/2016) Direitos Difusos e Coletivos Art. 11. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz determinará o cumprimento da prestação da atividade devida ou a cessação da atividade nociva, sob pena de execução específica, ou de cominação de multa diária, se esta for suficiente ou compatível, independentemente de requerimento do autor. (ver art. 21 LACP) Esta multa tem a finalidade de exigir o cumprimento da obrigação principal. A multa deve desestimular a prática ou perpetuação do dano. CDC - Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. § 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será admissível se por elas optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente. § 2° A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa (art. 287, do Código de Processo Civil). Direitos Difusos e Coletivos A tutela específica é preferível à tutela pelo equivalente em dinheiro, porque essa espécie de tutela é a única que entrega ao vitorioso exatamente aquilo que ele obteria se não precisasse do processo, em razão do cumprimento voluntário da obrigação pelo devedor. [...] O art. 84, do CDC, tanto em seu caput como no § 1.º, demonstra de forma clara a opção do legislador pela tutela específica, reservando à tutela reparatória uma posição secundária no âmbito da satisfação judicial de obrigações. O § 1.º, em especial, prevê que a conversão em perdas e danos somente será admissível se por elas optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente ao cumprimento voluntário da obrigação, sendo que o Superior Tribunal de Justiça também permite a conversão quando a obtenção da tutela específica for extremamente onerosa ao devedor. (Manual de Direito do Consumidor. 6ª ed. Flávio Tartuce& Daniel Amorim. A. Neves. Gen. Método. 2017) O art. 84 do CDC não cria um novo procedimento no sistema processual, apenas prevê algumas técnicas procedimentais para a efetiva tutela do titular de direito que tenha como objeto obrigações de fazer e não fazer. São, entretanto, regras de extrema relevância que merecem análise mais aprofundada. Em termos procedimentais, a efetivação da tutela segue as regras consagradas no Novo Código de Processo Civil. (Tartuce & Amorim. idem.) Direitos Difusos e Coletivos Princípio da congruência ou correlação no processo coletivo. O princípio da congruência ou da correlação tem previsão nos artigos 141 e 492 do Código de Processo Civil e estabelece uma relação entre o pedido e a sentença. Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Em que pese o processo coletivo possuir característica especiais, com a ampliação dos poderes do juiz, sua decisão deve guardar relação com o pedido da causa, sob pena de inovação e excesso de decisão. Os poderes do juiz, estabelecidos no art. 11 da lei 7.347/85 e art. 84 do Código de Defesa do Consumidor não altera, esta relação, mas somente a forma com que ela é satisfeita. Este é o posicionamento de Ricardo Barros Leonel e Hugo Nigro Mazzilli. Direitos Difusos e Coletivos Art. 12. Poderá o juiz conceder mandado liminar, com ou sem justificação prévia, em decisão sujeita a agravo. Este dispositivo deve ser lido em conjunto com as tutelas provisórias de urgência previstas no art. 294 e seguintes do Código de Processo Civil. Da mesma forma, o agravo mencionado é regulado pelo Código de Processo Civil. “O artigo 12 também deve ser interpretado em consonância com o Código de Processo Civil, em especial na parte que trata das tutelas provisórias. O mandado liminar a que se refere o dispositivo em comento pode ser concedido tanto do ponto de vista acautelatório como a fim de adiantar efeitos da sentença.” (Ziesemer. Idem. P. 121) § 1º A requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia pública, poderá o Presidente do Tribunal a que competir o conhecimento do respectivo recurso suspender a execução da liminar, em decisão fundamentada, da qual caberá agravo para uma das turmas julgadoras, no prazo de 5 (cinco) dias a partir da publicação do ato. § 2º A multa cominada liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável ao autor, mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento. A multa liminar possui a mesma finalidade da multa diária, no intuito de forçar o cumprimento da ordem judicial. Direitos Difusos e Coletivos O Estatuto do Idoso, lei 10.741/01 também dispõe sobre o tema: Art. 83. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não-fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao adimplemento. § 1o Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia, na forma do art. 273 do Código de Processo Civil. § 2o O juiz poderá, na hipótese do § 1o ou na sentença, impor multa diária ao réu, independentemente do pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm#art273 Direitos Difusos e Coletivos O CDC também dispõe sobre o tema Art. 84 § 3° Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia, citado o réu. § 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito. § 5° Para a tutela específica ou para a obtenção do resultado prático equivalente, poderá o juiz determinar as medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas, desfazimento de obra, impedimento de atividade nociva, além de requisição de força policial. Direitos Difusos e Coletivos PASSO A PASSO DA TUTELA PROVISÓRIA (Processo Coletivo) Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência. A tutela provisória é aquela concedida antes da definitiva, em caráter precário, mediante a apreciação de requisitos específicos para o caso concreto. Urgência: probabilidade do direito e perigo da demora da prestação jurisdicional. Evidência: Não possui o perigo da demora como requisito, possuindo como requisitos os incisos do art. 311 do Código de Processo Civil: I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. A tutela provisória é precária e pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo (art. 296). A tutela provisória só pode ser requerida ao juiz da causa. Quando for antecedente, somente pode ser requerida ao juiz competente para conhecer do pedido principal. Direitos Difusos e Coletivos TUTELA DE URGÊNCIA Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. A expressão urgência indica imediatismo ou pressa. No caso do art. 300, a pressa se justifica em razão da probabilidade, ou força do direito e o perigo ou receio de dano ou risco ao resultado útil do processo. Ou seja, ou se concede a tutela provisória de forma urgente, ou aquilo que se deseja ao final pode se perder ou deteriorar. § 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. STJ – [...] 4. A concessão de tutela provisória de urgência ou de evidência em ações que objetivem a proteção do meio ambiente é possível quando presentes os requisitos previstos nos artigos 300 e 311 do CPC/2015. (REsp 1755105/MS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/10/2018, DJe 16/11/2018) Direitos Difusos e Coletivos Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito. Do entendimento doutrinário sobre o assunto: A tutela de urgência pode ser concedida desde o início do processo (liminarmente) ou após justificação prévia [...] A demora do processo pode atingir de forma decisiva o direito pleiteado pela parte. O legislador, atento a tal fato, criou a figura da Tutela Antecipada requerida em caráter antecedente, com o objetivo de conceder aos sujeitos do processo formas de afastar os prejuízos gerados pelo tempo total até a ultimação do processo. (GOMES, Ricardo. Tutela Provisória no Novo CPC: Tutela de Urgência e da Evidência. Resumo. https://www.pontodosconcursos.com.br/artigo/14437/ricardo-gomes/tutela-provisoria-no- novo-cpc-tutela-de-urgencia-e-da-evidencia-resumo-sistematico-de-todo-o-assunto-confiram?gclid=EAIaIQobChMIwMq4q_DO3gIVDg6RCh3hQwbDEAAYASAAEgJEH_D_BwE Acesso em 26/03/2021). Dentro da ideia de tutela de urgência,imprescindível conjugar o dispositivo com as diversas leis que tratam das ações coletivas no direito brasileiro. Está-se a falar, entretanto, do processo coletivo comum, que versa sobre a defesa de direitos metaindividuais. Neste ponto, pode-se fazer o “link” com o art. 12 da Lei 7.347/85, assim como o art. 5º, caput, que menciona a ação principal e a cautelar: https://www.pontodosconcursos.com.br/artigo/14437/ricardo-gomes/tutela-provisoria-no-novo-cpc-tutela-de-urgencia-e-da-evidencia-resumo-sistematico-de-todo-o-assunto-confiram?gclid=EAIaIQobChMIwMq4q_DO3gIVDg6RCh3hQwbDEAAYASAAEgJEH_D_BwE Direitos Difusos e Coletivos Esses são, em sínteses os principais dispositivos que versam sobre tutela provisória, nas leis especiais que versam sobre tutela coletiva. É de se observar que a tutela provisória é gênero, dos quais as tutelas de urgência e evidência são espécies. As alterações do código de processo civil são aplicáveis a processo coletivo, por força do princípio da integratividade, contudo, persistem, por exemplo, as diferenças conceituais e práticas no que toca à antecipação de tutela e tutela cautelar, esta mencionada no art. 301 do Código de Processo Civil, destinada, na forma da lei, a assegurar o direito. Quando se faz referência ao processo coletivo, trata-se da defesa em juízo dos direitos coletivos, difusos e individuais homogêneos. (Ziesemer) Nas palavras de Ricardo Barros Leonel: “Insista-se que o resultado prático da medida antecipatória se identifica total ou parcialmente com a satisfação espontânea do direito, ao passo que o resultado da conservativa consiste em assegurar a satisfação do direito. Ambas – a cautelar (meramente conservativa) e a antecipação (satisfativa) – ostentam idêntica função, de harmonizar as necessidades de segurança jurídica e efetividade da jurisdição”. (LEONEL. Ricardo Barros. Manual do Processo Coletivo. 4ª edição, revista, ampliada e atualizada de acordo com o CPC/2015. São Paulo. Malheiros, 2017. P. 385.) Direitos Difusos e Coletivos “Desta forma, as regras diversas que tratam de medidas antecipatórias nos vários temas sobre processo coletivo, devem ser lidos em conjunto com o Código de Processo Civil vigente. É de se esclarecer, inclusive, que a nova sistemática prevista no CPC torna mais clara a ideia do que vem a ser medida antecipatória, separando-a por espécie. Não há impeditivo para esta integração, mormente porque os diferentes diplomas dialogam entre si no mesmo sentido. Ricardo Barros Leonel, inclusive, aduz que “todas essas modificações são aplicáveis, evidentemente, ao processo coletivo. (Leonel. Idem. P. 384) Assim, primeiramente, deve-se identificar o tipo de ação coletiva, de modo a verificar suas necessidades de urgência; após, verificar o tipo de tutela provisória que se enquadra no caso concreto; a seguir, explicar os requisitos legais dentro do caso concreto e onde eles se enquadram, fazendo a leitura em conjunto com a ação coletiva em questão, seja geral ou específica, como ação civil pública, idoso, consumidor, etc...Deve-se, ainda mencionar a integração entre os diplomas legislativos tratados na peça prática e explicar ao Juiz exatamente o que se pretende com a medida e os riscos de sua não concessão naquele momento. (Ziesemer) Direitos Difusos e Coletivos CONTINUA -> -> ->