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Apostila Clínica Médica de Cães e Gatos I

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CLÍNICA MÉDICA 
DE CÃES E GATOS I 
 
 
 
 
 
Felipe Carniel 
 2015 
2 
 
 
SUMÁ RIO 
MÓDULO RESPIRATÓRIO 
 
1. Distúrbios da cavidade nasal e seios paranasais 
 
05 
2. Pólipos nasofaríngeos 07 
3. Rinite linfoplasmocítica (rinite crônica canina idiopática) 08 
4. Infecção do trato respiratório superior dos felinos 09 
5. Aspergilose 10 
6. Criptococose 12 
7. Neoplasias da cavidade nasal 12 
8. Distúrbios da laringe e faringe 13 
9. Paralisia de laringe 14 
10. Síndrome da via aérea braquicefálica 14 
11. Distúrbios da traqueia e dos brônquios 15 
12. Condromalácia traqueal (colapso de traqueia) 15 
13. Traqueobronquite infecciosa (tosse dos canis) 18 
14. Trauma traqueal 19 
15. Bronquite crônica 19 
16. Asma felina 21 
17. Broncomalácia 24 
18. Pneumonias bacterianas 24 
19. Neoplasias pulmonares 25 
20. Neoplasias primárias 26 
21. Neoplasia pulmonar metastática 27 
22. Tromboembolismo pulmonar 27 
23. Edema pulmonar 28 
24. Doenças pleurais e diafragmáticas 29 
25. Hérnias diafragmáticas 29 
26. Efusão pleural 30 
27. Pneumotórax 33 
 
MÓDULO UROGENITAL 
 
28. Exame de urina 
 
35 
29. Insuficiência renal aguda 39 
30. Doença renal crônica 45 
31. Infecção do trato urinário 53 
32. Tipos especiais de ITU 55 
33. Corynebacterium urealyticum 55 
34. Cistite enfisematosa 56 
35. Doença do trato urinário inferior dos felinos 60 
36. Cistite intersticial 60 
37. DTUIF obstrutiva 61 
38. Urolitíases 67 
39. Estruvita 67 
40. Oxalato de cálcio 68 
41. Urato 68 
3 
 
42. Cistina 69 
43. Silicato 69 
44. Tratamento médico específico das urolitíases 69 
45. Orquite e epididimite 73 
46. Distúrbios prostáticos 74 
47. Hiperplasia prostática benigna 75 
48. Cistos de retenção e cistos para-prostáticos 76 
49. Prostatite e abcessos prostáticos 77 
50. Neoplasias prostáticas 78 
 
MÓDULO GASTROINTESTINAL 
 
51. Distúrbios gastrointestinais 
 
79 
52. Doenças da cavidade oral, da faringe e do esôfago 80 
53. Sialocele 80 
54. Periodontopatia 81 
55. Estomatite 82 
56. Gengivite e faringite linfocítica plasmocitária felina 82 
57. Miosite atrófica dos músculos mastigatórios 83 
58. Acalasia/disfunção cricofaringeana 84 
59. Disfagia faríngea 85 
60. Megaesôfago 85 
61. Esofagite 87 
62. Hérnia de hiato 88 
63. Doenças do estômago 88 
64. Gastrite aguda 88 
65. Gastrite crônica 89 
66. Gastrite crônica – Helicobacter 90 
67. Erosão/ulceração gástrica 90 
68. Diarreia aguda 91 
69. Parvovirose 91 
70. Coronavirose 93 
71. Toxocara canis 94 
72. Dipylidium caninum 94 
73. Ancylostoma caninum 94 
74. Giardíase 95 
75. Doenças da má absorção intestinal 95 
76. Gastroenterite bacteriana aguda/colite bacteriana 96 
77. Campilobacteriose 96 
78. Salmonelose 96 
79. Clostridiose 96 
80. Doença intestinal inflamatória/enteropatia inflamatória 97 
81. Enteropatia inflamatória linfocítica plasmocítica/colite linfocítica plasmocítica 97 
82. Colite linfocítica plasmocítica 98 
83. Doenças do pâncreas 99 
84. Pancreatite aguda 99 
85. Pancreatite crônica 101 
86. Insuficiência pancreática exócrina 101 
87. Doenças hepatobiliares dos caninos 103 
88. Encefalopatia hepática 104 
89. Hepatite crônica 105 
90. Hepatite aguda 106 
4 
 
91. Desvio portossistêmico congênito 107 
92. Doenças hepatobiliares dos felinos 108 
93. Lipidose hepática felina 108 
94. Doenças do trato biliar 110 
95. Colangites 110 
96. Colangite neutrofílica 110 
97. Colangite linfocítica 111 
98. Colangite crônica – infestação por trematódeos 112 
99. Cistos biliares 112 
100. Obstrução do ducto biliar extra-hepático 112 
101. Neoplasias 113 
102. Desvios portossistêmicos 113 
103. Hepatopatia tóxica 114 
 
TÓPICOS ESPECIAIS DE TERAPÊUTICA 
 
104. Fluidoterapia 
 
115 
105. Transfusão sanguínea 
106. Intoxicações 
107. Intoxicação por amitraz 
108. Intoxicação por naftaleno 
109. Intoxicação por metaldeído 
110. Intoxicação por organofosforado e carbamatos 
111. Intoxicação por cumarínicos 
112. Intoxicação por ferro 
113. Intoxicação por chumbo 
114. Intoxicação por zinco 
115. Intoxicação por cobre 
116. Intoxicação por arsênico 
117. Intoxicação por estricnina 
118. Acidente ofídico botrópico 
119. Acidente ofídico crotálico 
 
115 
116 
117 
117 
117 
118 
118 
118 
118 
119 
119 
119 
119 
120 
120 
ANTIBIOTICOTERAPIA 
 
120. Princípios para a utilização da antibioticoterapia 
 
121 
121. Resistência a antimicrobianos 121 
122. Quimioterápicos antimicrobianos 122 
123. Antibióticos 124 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
Clínica Médica 
de Cães e Gatos I 
Módulo das doenças 
respiratórias 
Felipe Carniel 
 
DISTÚRBIOS DA 
CAVIDADE NASAL E 
SEIOS PARANASAIS 
O nariz apresenta cinco principais 
funções: 
1. Funciona como passagem de ar 
que será direcionado aos 
alvéolos pulmonares; 
2. Umidifica e aquece o ar 
inspirado; 
3. Impede a passagem de grandes 
partículas para as porções 
inferiores do trato respiratório; 
4. Olfação: na porção mais dorsal 
da concha etmoidal é onde se 
encontra o maior numero de 
receptores olfatórios, por isso o 
cão e o gato dilatam as narinas 
quando precisam captar odores 
ambientais; 
5. Termorregulação. 
Já quanto aos seios paranasais, 
especula-se que sua função seja de 
proteção do encéfalo contra traumas 
frontais. 
A principal consequência de uma 
obstrução nasal é o animal respirar com 
a boca aberta. 
Espirro é específico de cavidade nasal e 
é caracterizado por uma rápida 
inspiração, seguida por uma 
involuntária, súbita e violenta expulsão 
do ar pelo nariz e boca. É o 
procedimento final de limpeza da 
mucosa nasal. 
Estridor é semelhante a um apito ou 
assovio e é característico de obstrução 
parcial da cavidade nasal. Estertor é 
semelhante a um ronco e está 
relacionado a uma alteração na laringe 
ou traqueia. Ambos são audíveis sem o 
estetoscópio. 
Secreções nasais: 
o Serosa: normal em pequena 
quantidade. Pode indicar 
infecção viral em gato 
(Calicivírus) ou início da 
secreção mucopurulenta; 
o Mucopurulenta: com ou sem 
hemorragia e indica processo 
inflamatório; 
o Hemorrágica (epistaxe): 
sangramento nasal. Um cão 
adulto a idoso sangrando pelo 
nariz provavelmente é uma 
neoplasia. Pode ser 
leishmaniose ou erliquiose 
também. 
Deformidade nasal geralmente é 
resultado de neoplasia. 
6 
 
Vale lembrar que exame radiográfico 
não fecha diagnóstico de cavidade 
nasal. O exame de cultura bacteriana é 
pouco válido, pois há muitas bactérias 
normalmente. 
Citologia: swab ou aspiração (fazer 
squash) – observam-se células e micro-
organismos. Citologia aspirativa para 
suspeita de neoplasia. 
História clínica e sinais clínicos 
A história clínica de pacientes com 
doença nasal frequentemente inclui 
secreção nasal, espirro, epistaxe, 
estertor e estridor (ambos podem 
ocorrer durante a inspiração, expiração 
ou ambos, em consequência da 
passagem do ar de forma turbulenta 
pela cavidade nasal parcialmente 
obstruída). A dispneia pode ser 
observada tanto em cães quanto em 
gatos, sendo mais frequente a dispneia 
inspiratória. Mesmo com dificuldade 
para respirar, os animais evitam abrir a 
boca nessas condições, fazendo isso 
apenas em últimos casos. 
Procedimentos diagnósticos 
O exame radiográfico da cavidade 
nasal pode ser realizado em projeções 
LL (latero-lateral), DV (dorso-ventral), 
VD (ventro-dorsal) com a boca aberta e 
tangencial (incidência realizada em 
superfícies curvas). A projeção LL tem 
valor limitado na avaliação, por que há 
sobreposição das câmaras