Introdução à disciplina história do direito brasileiro

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DISCIPLINA FORMATIVA SOB UMA PERSPECTIVA CRÍTICA E INTERDISCIPLINAR.
COMO?
Assumindo uma FUNÇÃO CRÍTICA – ou seja, diferentemente das disciplinas dogmáticas dos cursos jurídicos que visam criar certezas acerca do DIREITO, a História do Direito deve problematizar o pressuposto básico de tais disciplinas.
E que pressuposto seria este? O de que o direito dos nossos dias é o RACIONAL, o NECESSÁRIO, o DEFINITIVO.
Enfatizando que o Direito existe sempre em um determinado formação social e que suas soluções estarão sempre referenciadas a um determinado ambiente, sendo portanto sempre soluções locais, independentemente do modelo teórico que se use para descrever as relações do Direito com os contextos sociais.

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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
De acordo com o historiador do direito ANTONIO MANUEL HESPANHA, o DIREITO se constitui como um sistema de legitimação, ou seja, como um sistema que produz efeitos de obediência consentida em todos aqueles que terão sua liberdade (ou suas liberdades) limitada (s) pelas normas;

O Direito portanto necessita de legitimação, tal como os poderes políticos, o que significa dizer que o Direito demanda a “produção” de um determinado consenso social a respeito não apenas de sua “inevitabilidade” na composição de uma “vida ordenada”, mas também acerca da necessidade de que seja obedecido;

Tal legitimação, segundo Max Weber, pode ser obtida a partir de vários complexos de crenças, ou seja de “estruturas de legitimação”, que se organizam em torno de determinados valores tais como a TRADIÇÃO (porque está estabelecido há muito tempo), o CARISMA (porque é inspirado por virtudes mágicas ou por Deus), a RACIONALIZAÇÃO (porque é racional e/ou eficiente) - no âmbito do mundo jurídico, alguns dos principais processos de legitimação, sobretudo a “legitimação tradicional”, dependem de argumentos de caráter histórico;

Muito mais do que se constituir como um sistema de normas voltadas para a regulação das relações sociais, assegurando padrões mínimos de convivência em sociedade, o Direito em boa medida cria os próprios valores sobre os quais se assentam tais padrões - na verdade, o Direito “imagina” a sociedade, criando a realidade com a qual opera.

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QUE CONDIÇÕES TEÓRICAS E IDEOLÓGICAS POSSIBILITAM O DESENVOLVIMENTO UMA HISTÓRIA CRÍTICA DO DIREITO?
O entendimento das normas jurídicas em seu movimento de integração nos complexos normativos da vida social.
A criação de uma consciência de que os “fatos históricos” não são independentes do olhar do historiador.
A compreensão da produção do Direito não apenas em suas vinculações com os processos sociais, mas também como um processo social dotado de relativa autonomia, e que modela “imaginários” e práticas sociais mais abrangentes.
A percepção que a história é descontínua onde continuidades e rupturas se sucedem ou convivem em um mesmo espaço, em um mesmo tempo.

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PERSPECTIVAS DA HISTÓRIA DO DIREITO
História “externa”
Trata do exame formal dos acontecimentos político-sociais que dão origem e influenciam as fontes clássicas do Direito.
História “interna”
Trata do estudo da vida dos institutos jurídicos e das instituições públicas e privadas.

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De acordo com ANTONIO CARLOS VOLKMER, pode-se conceituar a História do Direito “como parte da História geral que examina o Direito como fenômeno sócio-cultural, inserido em um contexto fático, produzido pela interação dos homens entre si e com o ambiente, e materializado evolutivamente através de fontes históricas, documentos jurídicos, agentes operacionais e instituições legais reguladoras;

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE