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Marina Falcão 
UNIT 
 
Necrose 
 
Necrose é o tipo de morte celular que está associado à perda da integridade da membrana e extravasamento 
dos conteúdos celulares, culminando na dissolução das células, resultante da ação degradativa de enzimas nas 
células lesadas letalmente. Os conteúdos celulares que escapam sempre iniciam uma reação local do hospedeiro, 
conhecida como inflamação, no intuito de eliminar as células mortas e iniciar o processo de reparo subsequente. As 
enzimas responsáveis pela digestão da célula são derivadas dos lisossomos das próprias células que estão 
morrendo ou dos lisossomos dos leucócitos que são recrutados como parte da reação inflamatória às células mortas. 
ASPECTOS MORFOLÓGICOS 
 
ALTERAÇÕES CITOPLASMÁTICAS 
As células necróticas exibem aumento da eosinofilia, atribuível em parte às proteínas citoplasmáticas 
desnaturadas que se ligam à eosina e, em parte, à perda do RNA citoplasmático, perdendo a basófila. A célula pode 
ter aparência homogênea mais vítrea do que as células viáveis, principalmente por causa da perda de partículas de 
glicogênio. 
 
ALTERAÇÕES NUCLEARES 
• CARIÓLISE: Ausência de núcleos nas células, provavelmente devido à atividade da desoxirribonuclease 
(DNase). 
• PICNOSE: Retração e adensamento do núcleo, com perda da individualidade dos grânulos de cromatina. 
• CARIORREXE: Fragmentação do núcleo. Dentro de 1-2 dias, o núcleo da célula morta desaparece 
totalmente. 
 
 
 
TIPOS 
 NECROSE DE COAGULAÇÃO: é a forma de necrose tecidual na qual a arquitetura básica dos tecidos 
mortos é preservada por, pelo menos, alguns dias. Os tecidos afetados adquirem textura firme. 
Supostamente, a lesão desnatura não apenas as proteínas estruturais, como também as enzimas, 
bloqueando assim a proteólise das células mortas; como resultado, células anucleadas e eosinofílicas 
Marina Falcão 
UNIT 
 
persistem por dias ou semanas. Os leucócitos são recrutados para o sítio da necrose e suas enzimas 
lisossômicas digerem as células mortas. Finalmente, os restos celulares são removidos por fagocitose. A 
necrose de coagulação é característica de infartos (áreas de necrose isquêmica) em todos os órgãos 
sólidos, exceto o cérebro. Macroscopicamente, a área atingida é esbranquiçada e fica circundada por um 
halo avermelhado. 
 
 
 NECROSE LIQUEFATIVA: é observada em infecções bacterianas focais ou, ocasionalmente, nas infecções 
fúngicas porque os micróbios estimulam o acúmulo de células inflamatórias e as enzimas dos leucócitos a 
digerirem (“liquefazer”) o tecido. Por motivos desconhecidos, a morte por hipóxia, de células dentro do 
sistema nervoso central, com frequência leva a necrose liquefativa. Seja qual for a patogenia, a liquefação 
digere completamente as células mortas, resultando em transformação do tecido em uma massa viscosa 
líquida. Finalmente, o tecido digerido é removido por fagocitose. A região adquire consistência mole, 
semifluida. 
 
 
 
 NECROSE GANGRENOSA não é um padrão específico de morte celular, mas o termo ainda é usado 
comumente na prática clínica. Em geral, é aplicado a um membro, comumente a perna, que tenha perdido 
seu suprimento sanguíneo e que sofreu necrose de coagulação, envolvendo várias camadas de tecido. 
Quando uma infecção bacteriana se superpõe, a necrose de coagulação é modificada pela ação liquefativa 
das bactérias e dos leucócitos atraídos (resultando na chamada gangrena úmida). 
 
Marina Falcão 
UNIT 
 
 
 NECROSE CASEOSA: é encontrada mais frequentemente em focos de infecção tuberculosa. O termo 
caseoso (semelhante a queijo) é derivado da aparência friável branco-amarelada da área de necrose. Ao 
exame microscópico, pela coloração de hematoxilina e eosina, o foco necrótico exibe uma coleção de 
células rompidas ou fragmentadas, com aparência granular amorfa rósea. Diferentemente da necrose de 
coagulação, a arquitetura do tecido é completamente obliterada, e os contornos celulares não podem ser 
distinguidos. A área de necrose caseosa é frequentemente encerrada dentro de uma borda inflamatória 
nítida; essa aparência é característica de um foco de inflamação conhecido como granuloma. 
 
 
 NECROSE GORDUROSA: Refere-se a áreas focais de destruição gordurosa, tipicamente resultantes da 
liberação de lipases pancreáticas ativadas na substância do pâncreas e na cavidade peritoneal. Isso ocorre 
na emergência abdominal calamitosa conhecida como pancreatite aguda. Nesse distúrbio, as enzimas 
pancreáticas que escapam das células acinares e dos ductos liquefazem as membranas dos adipócitos do 
peritônio, e as lipases dividem os ésteres de triglicerídeos contidos nessas células. Os ácidos graxos 
liberados combinam-se com o cálcio, produzindo áreas brancas gredosas macroscopicamente visíveis 
(saponificação da gordura), que permitem ao cirurgião e ao patologista identificar as lesões. Ao exame 
histológico, os focos de necrose exibem contornos sombreados de adipócitos necróticos com depósitos de 
cálcio basofílicos circundados por reação inflamatória. 
 
Marina Falcão 
UNIT 
 
 NECROSE FIBRINOIDE: É uma forma especial de necrose, visível à microscopia óptica, geralmente 
observada nas reações imunes, nas quais complexos de antígenos e anticorpos são depositados nas 
paredes das artérias. Os imunocomplexos depositados, em combinação com a fibrina que tenha 
extravasado dos vasos, resulta em aparência amorfa e róseo-brilhante. 
 
 
 NECROSE GOMOSA: Trata-se de uma variedade de necrose por coagulação na qual o tecido necrosado 
assume aspecto compacto e elástico como borracha (goma), ou fluido e viscoso como a goma-arábica; é 
encontrada na sífilis tardia (goma sifilítica).

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