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GASTROENTEROLOGIA 
 
 
Isabelle Gualberto Souza – MedFip XXII 
 
DOENÇA DO REFLUXO GASTROENSOFÁGICO (DRGE) 
 
• Refluxo: fisiológico, principalmente após as refeições; normal, todo mundo tem de forma fisiológica 
• Doença do refluxo: os refluxos acontecem com maior frequência, com maior duração e normalmente 
apresentam sintomas associados. 
EPIDEMIOLOGIA 
• Doença muito comum → distúrbio gastrointestinal alto mais comum 
• 20-40% da população 
• Acomete qualquer idade, mas prevalência aumenta ao decorrer da vida 
FISIOPATOLOGIA 
• Refluxo ácido – mais comum 
• Refluxo alcalino – refluxo representado pelo retorno de conteúdo biliar para o esôfago. 
• Refluxo por gás – refluxo caracterizado pelo retorno de gás do estômago para o esôfago. 
Mecanismos que previnem o refluxo ou atunuam o refluxo: 
• Supraesofágico: produção de saliva, deglutição intacta 
• Corpo esofágico: peristaltismo primário e secundário intactos; Tight junctions intactas 
• Junção esofágástrica: RTEEI infrequente; tônus EII intacto, EII sobreposto ao diafragma. 
• Gástrico: motilidade gástrica normal 
Mecanismos que predispõem à ocorrência de refluxo 
• Supraesofágico: xerostomia, deglutição comprometida 
• Corpo esofágico: hipomotilidade, peristaltismo fragmentado, motilidade esofágica ineficaz, 
contratilidade ausente, tight junctions do esôfago. 
• Junção esofagogástrica: RTEEI frequente, EEI hupotensivo, Hérnia de hiato. 
• Gástrico: gastroparesia, hipersecreção 
Simplificando: 
• Relaxamento transitório do EII exacerbado → relaxamento patológico do esôfago → principal fator → não 
associado à deglutição (patológico) 
• Hipotenia do EEI 
• Hérnia hiatal → nem toda hérnia hiatal gera DRGE. 
• Acid pocket → bolsão de ácido “boiando” acima do bolo alimentar → mais sintomas após maiores refeições – 
termo novo; 
• Gastroparesia → dificuldade do clearence gástrico → retorno do conteúdo gástrico → piora dos sintomas ou 
surgimento 
• Dismotilidade esofágica 
 
FATORES DE RISCO 
• Obesidade → principal! Manejo alterado! “Pedra” no tratamento 
• Gestação → mecanismo hormonal → 30-50% das gestantes 
• Medicações → predispor ao surgimento --: BCC, nitratos, antidepressivos 
GASTROENTEROLOGIA 
 
 
Isabelle Gualberto Souza – MedFip XXII 
• Alimentos → cafeína, álcool, gordura, chocolate e hortelã – não é certeza, mas evitar determinados alimentos 
segundo alguns guidelines. 
• Tabagismo. 
 
DIAGNÓSTICO CLÍNICO 
Sintoma típicos 
• Pirose – queimação retroesternal 
• Regurgitação – fazer diagnóstico diferencial com vômito 
Sintomas atípicos 
• Rouquidão 
• Pigarro 
• Tosse crônica 
• Sensação de “globus” faríngeo – sensação de “bolo” parado no esôfago. 
• Dor torácica → diagnóstico diferencial com angina pectoris → sempre avaliar os fatores de risco para o 
diagnóstico. 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
• Acalásia – ausência das contrações rítmicas do 
esôfago 
• Esofagite eosinofílica -> impactação alimentar, 
disfagia, achados típicos na endoscopia 
• Divertículo esofágico → idosos, halitose, 
disfagia 
• Esofagite infecciosa 
• Eructações patológicas → deglutição seguidas 
elimação de ar. 
• Síndrome da ruminação → comportalmental 
• Síndromes funcionais → sintomas refratários às 
medidas iniciais, exames normais, critérios 
específicos → critérios específicos do ROMA 
IV. 
DIAGNÓSTICO COM EXAMES 
• pHmetria: método mais utilizado para o diagnóstico da DRGE. Pode ser convencional ou por impedância. 
a) convencional (só diagnostica refluxo ácido – menos utilizada – índice de De Meestrer > 14,7), 
b) Inpedanciometria (mais preferível – vê todos os tipos de refluxo – Tempo de exposição ácida TEA > 
6% ou TEA 4-6% + > 80 episódios em refluxo de 24 horas) 
• Endoscopia: importante. Graus avançados de esofagite (Los Angeles graus C ou D; complicações: Barret, 
estenose péptica). Tenho que saber o que procurar: hérnia hiatal, esofagite. 
Como interpretar a endoscopia na DRGE 
a) Normal → não afasta DRGE 
• Alterações discretas → não diagnostica DRGE → Ex.: esofagite grau A ou B de los angeles. Só se faz 
diagnóstico com esofagites grau C/D ou complicações: Barret, estenose péptica 
Quando solicitar exames complementares? 
• Pacientes com sintomas atípicos 
• Pacientes com sinais de alarme: perda de peso, disfagia, odinofagia, sangramento 
• Refratários a terapia inicial 
• Pacientes com fatores de risco para esôfago de barret: 50 anos, sexo masculino, obesidade, sintomas 
prolongados 
Classificação de los angeles 
GASTROENTEROLOGIA 
 
 
Isabelle Gualberto Souza – MedFip XXII 
Separa as lesões de esofagite erosiva de acordo com a gravidade, para se estabelecer o tratamento. 
Observa-se o tamanho e o tipo das erosões (confluência → lesões que se unem às outras). São quatro tipo, sendo 
que somente os dois últimos são considerados diagnóstico de DRGE à endoscopia. 
A: erosões < 5 mm, não confluentes 
B: erosões > 5 mm, não confluentes 
C: erosões confluentes em <75% da circunferência 
D: erosões confluentes em >75% da circunferência 
Esôfago de barret 
Complicação “comum” de DRGE; condição em que o tecido que reveste o esôfago é susbtituído por tecido 
semelhante ao do revestimento do intestino → processo chamado de metaplasia intestinal. 
• Maior risco para adenocarcinoma de esôfago. 
• Etiologia desconhecida, mas oa DRGE é o 
principal fator de risco para desenvolver a 
doença 
• Diagnóstico: endoscopia e biópsia. 
• Tratamento: medicamentos, terapias ablasivas 
endoscópicas (IBP’s), ressecção endoscópica 
da mucosa e cirurgia. Importante também 
mudanças na dieta para reduzir o risco de 
desenvolvimento da doença. 
• Manometria: não diagnóstica, faz diagnóstico 
diferencial. Podemos identificar distúrbios 
motores associados. 
TRATAMENTO 
Medidas não farmacológicas 
• Perda ponderal: pacientes obesos → diminuição da pressão no EEI → principal 
• Elevação da cabeceira (15 a 20 cm) 
• Preferir decúbito lateral esquerdo + higiene do sono 
• Medidas alimentares (restrições alimentares) e medicamentosas (evitar medicamentos: BCC, nitratos, 
benzodiazepínicos, tricíclicos, anticolinérgicos etc) – esperar 3 horas para se deitar 
Medidas farmacológicas 
IBP’s: inibidores da bomba de prótons – principal classe → são os prazóis. 
b) Bloqueio irreversível da via final secretória – meia vida 1,5-2hrs 
c) tomar 30-45 minutos antes das refeições. 
d) Posologia: 1-2x/dia. 
e) Complicações: supercrescimento bacteriano, pneumonia, def. B12 e magnésio. 
Principais: 
• Omeprazol: 20 a 40 mg – 1 a 2x ao dia 
• Pantoprazol: 20 a 40 mg – 1 a 2x ao dia 
• Esomeprazol: 20 a 40 mg – 1 a 2x ao dia 
• Lansoprazol: 15 a 30 mg 1-2x ao dia 
• Rabeprazol: 10 a 20 mg 1 a 2x ao dia 
• Dexlansoprazol: 30-60 mg 1x ao di
Bloq H2: menos eficazes: bloqueio reversível de apenas uma via secretória – terapia adjunta com IBP. 
a) Posologia: 2x ao dia; 
b) Taquifilaxia: diminuição consideravelmente rápida da resposta. Aqui acontece pela interação com os 
receptores de H2. 
Principais: 
• Ranitidina: 75 a 150mg 2x ao dia 
GASTROENTEROLOGIA 
 
 
Isabelle Gualberto Souza – MedFip XXII 
• Cimetidina 200 a 400mg 2x ao dia 
• Famotidina: 10 a 20mg 2x ao dia 
• Nizatidina: 75 a 150mg 2x ao dia 
Antiácidos → sintomas esporádicos – terapia adjunta – 
a) nunca monoterapia 
b) utilizado em pacientes que precisam de alívio imediato porém de curta duração. 
c) Útil em gestantes e sintomas esporádicos. 
Procinéticos. Ex.: Domperidona → não se usa rotineiramente, não utilizar como monoterapia; controverso (pacientes 
com gastroparesia). 
GASTROENTEROLOGIA 
 
 
Isabelle Gualberto Souza – MedFip XXII

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