A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
7 pág.
ABORDAGEM INICIAL AO TRAUMA

Pré-visualização | Página 1 de 3

Abordagem inicial ao traumaAbordagem inicial ao trauma
Medcurso 2020 (ATLS 10ª edição), ATLS 9ª edição.
Trauma = lesão caracterizada por alterações estruturais ou desequilíbrio fisiológico, decorrente de exposição aguda a várias formas de energia (mecânica, elétrica, térmica, química ou radioativa). Afeta superficialmente partes moles e/ou lesa estruturas nobres.
Politrauma = o paciente politraumatizado é aquele que apresenta lesões em dois ou mais sistemas de órgãos (tórax, abdome, trauma cranioencefálico, fratura de ossos longos, etc). é necessário que pelo menos uma, ou a combinação dessas lesões, represente risco vital para o paciente.
As mortes pelo trauma possuem distribuição trimodal:
1. Dentro de segundos a minutos do evento (50% dos óbitos), sendo as causas mais comuns a laceração da aorta, o traumatismo cardíaco e as lesões da medula espinal e ao tronco cerebral. A maior parte dos pacientes não consegue ser salva e a redução da mortalidade ocorre por meio de medidas preventivas (ex: educação no trânsito, sinalização adequada).
2. Dentro de minutos a horas do evento (30% dos óbitos), com hemorragia esplênica, lacerações hepáticas, fraturas pélvicas, hemopneumotórax, hematoma epidural, hematoma subdural. O atendimento adequado, com rápida avaliação e medidas de ressuscitação podem reduzir a moralidade. A “Golden hour” é o período na qual as medidas adequadamente empregadas aumentam a probabilidade da vítima sobreviver.
3. O terceiro pico de mortalidade ocorre várias horas até semanas após o acidente e ocorre, principalmente, por sepse e disfunção sistêmica de múltiplos órgãos.
Avaliação e atendimento iniciais
1. Preparação
2. Triagem
3. Exame primário
4. Reanimação
5. Medidas auxiliares ao exame primário e à reanimação
6. Exame secundário
7. Medidas auxiliares ao exame secundário
8. Reavaliação e monitoração contínuas após reanimação
9. Cuidados definitivos
Preparação
Fase pré-hospitalar:
· Segurança da equipe
· Manutenção das vias aéreas
· Estabilização da coluna cervical
· Imobilização do paciente com prancha longa rígida com coxins laterais para estabilização da cabeça
· Controle da hemorragia externa
· Remoção para o hospital mais próximo
Fase hospitalar
· Equipamentos que precisam estar disponíveis e testados: laringoscópio, tubos, solução de reanimação aquecida, equipamentos de monitoração e ventilação.
· A sala deve estar aquecida.
· Precauções padrão: todas as pessoas que entrarão em contato com o paciente devem usar avental, óculos, luvas, máscara, perneiras.
Triagem
· Em caso de múltiplas vítimas, mas o hospital tem capacidade de oferecer atendimento adequado a todas elas, os pacientes com risco de morte iminente e aquelas com lesões multissistemicas serão atendidas primeiro.
· Em caso de múltiplas vítimas e a gravidade das lesões ultrapassa a capacidade de atendimento, os pacientes com maior chance de sobreviver serão atendidos primeiro. 
Avaliação primária
O exame primário tem como objetivo a identificação e o tratamento prioritário de lesões que implicam em risco de vida.
A = vias aéreas
B = respiração
C = circulação e controle de hemorragia
D = disfunção neurológica
E = exposição
A - Avaliação e manutenção das vias aéreas com restrição de movimentos da coluna cervical
· A abordagem da via aérea é prioridade no exame primário.
· Em caso de trauma fechado, a imobilização da coluna cervical também é prioridade. No atendimento pré-hospitalar, a estabilização manual pode ser requerida durante a intubação endotraqueal. Caso o colar já tenha sido colocado e o paciente necessite de intubação, o colar pode ser removido enquanto uma pessoa faz a imobilização manual.
· O colar cervical pode ser removido no ambiente hospitalar em pacientes alertas (Glasgow 15), sem dor cervical, sem abuso de álcool ou drogas e com exame neurológico dentro da normalidade.
· A avaliação radiográfica da coluna cervical é necessária somente na presença de algum dos seguintes fatores: idade maior que 65 anos, parestesias em extremidade, mecanismo perigoso de trauma (queda maior que 1 metro, sobrecarga axial, colisão em veículo motorizado e colisão em bicicleta).
· 80% dos óbitos por trauma da coluna são causadas por luxação atlas-occipital e fraturas de C1-C2. A fratura de Hangerman (avulsão de arcos de C2 e fratura de C2 sobre C3) é a segunda fratura cervical mais comum e geralmente está associada a fraturas de crânio e mandíbula.
Via aérea
· Indivíduos sem prejuízo da fonação dificilmente apresentarão obstrução significativa das vias aéreas, devendo este sinal ser observado imediatamente no primeiro atendimento. Nestes casos, apenas a administração de O2 sob máscara facial a 11 L/min é necessária.
· O comprometimento das vias aéreas pode se manifestar de forma súbita ou progressiva, neste último caso através de agitação, na presença de hiPóxia, ou letargia, quando predomina a hipercapnia.
· Em vítimas com rebaixamento do nível de consciência, a patência da via aérea deve ser estabelecida rapidamente com chin-lift ou jaw-thrust.
· É fundamental a inspeção da via aérea para avaliar presença de sangue, vômito, corpo estranho, os quais devem ser aspirados rapidamente (laringoscopia direta seguida de sucção). Vômitos intensos requerem lateralização em bloco na prancha rígida, com proteção da coluna e aspiração da via aérea com sonda de ponta rígida.
· O acesso definitivo à via aérea é necessário em casos de apneia, necessidade de proteger a via aérea inferior contra aspiração de sangue ou conteúdo gástrico, comprometimento iminente das vias aéreas (lesão por inalação, fraturas faciais, convulsões reentrantes), TCE necessitando de hiperventilação ou na incapacidade de manter oxigenação adequada com ventilação sob máscara.
Principais métodos de via aérea definitiva no trauma
Uma via aérea definitiva implica em uma cânula endotraqueal (com balão insuflado) adequadamente fixada e conectada a um sistema de ventilação assistida com mistura enriquecida em O2.
As vias aéreas definitivas incluem: intubação orotraqueal, intubação nasotraqueal, cricotireoidostomia cirúrgica e traqueostomia cirirgica.
Intubação orotraqueal: é a forma preferencial. Devemos evitar trauma cervical, mantendo-a retificada (um auxiliar faz a estabilização cervical manualmente). A intubação assistida por droga (sequencia rápida) é um método anestésico que permite uma intubação orotraqueal rápida e não traumática. Geralmente é indicada em indivíduos que necessitam de rápido controle da via aérea, mas possuem reflexo do vômito preservado. 
Antes da intubação, a sequência a ser seguida consiste em: 
· Pré-oxigenação com O2 a 100%
· Pressão sobre a cartilagem cricoide
· Administração de anestésico de ação rápida (etomidato, na dose de 0,3 mg/kg)
· Infusão de bloqueador neuromuscular (succinilcolina, na dose de 1-2 mg/kg)
· Após a intubação, a pressão sobre a cartilagem cricoide deixa de ser exercida
· Usar um dispositivo que mede o CO2 expirado (capnógrafo ou método colorimétrico)
Intubação nasotraqueal às cegas: é um método menos utilizado, exige que o paciente esteja alerta e colaborativo. Pode causar necrose por pressão nas partes moles e sinusite. As contraindicações são apneia e trauma de face.
Via aérea de difícil acesso
· Combitubo ou tubo esôfago-traqueal (não é via aérea definitiva): é um dispositivo empregado de forma transitória que permite acesso às cegas. É utilizado geralmente em ambiente pré-hospitalar.
· Guia pra intubação traqueal, introdutor de tubo endotraqueal de Eschmann ou bougie: pode ser usada quando as cordas vocais não são visualizadas na laringoscopia.
· Máscara laríngea (não é via aérea definitiva): a passagem desse dispositivo não é simples e requer treinamento adequado. 
· Cricotireoidostomia por punção: é um método transitório com indicações específicas. Suas indicações são: trauma maxilofacial extenso, distorção anatômica resultante de trauma no pescoço, incapacidade de visualizar as cordas vocais (presença de sangue, edema). É realizada por punção com agulha seguida pela passagem de uma cânula de

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.