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1 Oftalmologia Doenças externas, uveítes, tumores e vias lacrimais Doenças externas: Rol de doenças com manifestação e localização estrita a estruturas oculares externas, normalmente são geradoras de olho vermelho, podendo ter diversas causas para esse olho vermelho, mas deve tomar cuidado para a causa desse olho vermelho ser uveítes (apresentam sinais externos mas não necessariamente se restringem à camadas externas); História da Doença Atual (HDA) e História Patológica Pregressa (HPP) dão bons caminhos para o diagnóstico diferencial e para saber a gravidade do caso (se precisa de encaminhamento com urgência, se precisa passar colírio ou lubrificante) se tem doença reumática, se tem alguma doença infecciosa (toxoplasmose e herpes); Ex: mulher tem olho vermelho de longa data, apresenta também boca seca e é relatado pela mesma que tem Síndrome de Sjogren homem apresenta olho avermelhado há 2 dias, com secreção, coceira, começou de forma espontânea – sendo assim uma conjuntivite Inspeção das estruturas oculares externas: Inspeção “de fora para dentro” devendo começar pelas pálpebras para dentro do olho Inspeção estática e dinâmica da órbita avaliando se tem protusões, enoftalmo, lacerações, sinais flogísticos, bilateralidade/unilateralidades Inspeção estática e dinâmica das pálpebras Inspeção estática e dinâmica da conjuntiva bulbar e palpebral Inspeção dinâmica dos reflexos pupilares devendo incidir a luz diretamente e avaliar tanto o reflexo direto (própria pupila iluminada) e o indireto (estimula uma pupila e vê o reflexo consensual na outra pupila) Doenças externas corneanas: Úlceras de córnea: As queixas são de olho vermelho e dor ocular muito forte; não causa coceira, não tem secreção, não causa edema palpebral; Em alguns casos, com história e exame clínico compatível podemos iniciar o tratamento empírico Paciente que já teve vários episódios de herpes, sempre apresentando olho vermelho e dor ocular muito forte, ocorrendo quando abaixa a imunidade e ao ficar nervoso, aí nesse caso pode já iniciar o tratamento com Aciclovir (5 doses de 400mg por dia, durante 15 dias), porque a infecção por herpes vírus é muito agressiva, podendo se demorar para iniciar o tratamento perfurar e posteriormente precisa encaminhar para oftalmo Diagnóstico de certeza é laboratorial Tratamento depende da etiologia 2 -> Úlcera de córnea provável por ameba -> Úlcera de córnea provável por fungo Obs:Normalmente as úlceras de córnea são de etiologia bacteriana ou do herpes vírus, devendo tratar empiricamente para essas causas antes do paciente ser encaminhado para oftalmo de urgente. Precipitados ceráticos: Considerar uveítes em situações de inflamação ou infecção auto imune ou em traumas ocorre uma disputa entre as células de defesa e o eventual patógeno gerando perda da barreira hematoaquosa com isso ocorre a celularidade do humor aquoso (localizado na câmara anterior e este é acelular) causando entupimento da malha trabecular tendo tendência a aumentar a pressão e os imunocomplexos acabam grudando na córnea no caso de paciente com queixa de olho vermelho e dor ocular deve na inspeção iluminar bem o olho e olhar a córnea para ver se existe esses precipitados/pontilhados no olho, pois a presença disso é patognomônico que é uveíte, porém nem sempre irá ter esses precipitados. Devendo encaminhar para oftalmologista para iniciar o tratamento; Apesar de contato direto com o humor aquoso, em condições normais, os vasos sanguíneos da íris não transferem celularidade à este, em virtude de seus vasos terem a barreira hematoaquosa. Ceratites por olho seco: Acomete praticamente todas as mulheres pós menopausa (por volta dos 50 anos) causando ressecamento das mucosas; Existem causas que são endógena (perda do estrogênio) e patológica (Meibonite, Blefarite e Síndrome de Sjogren) causando alteração na qualidade do filme lacrimal, o qual hidrata pouco o olho e a córnea sofre, gerando assim o olho seco, e ao olhar o olho mesmo estando com lagrima este está seco; Tratamento prescrição de colírios lubrificantes e correção da etiologia como por ex: Meibonite, Blefarite, Síndrome de Sjogren; Conjuntiva: Inspeção estática e dinâmica das conjuntivas bulbar e palpebral (tarsal superior e inferior). 3 Conjuntiva bulbar: Deve inspecionar pedindo ao paciente para movimentar o olho nas 9 posições do olhar. Conjuntivites infecciosas: Através da análise de sinais semiotécnicos como: presença ou não de secreção amarelada, prurido, edema de pálpebras tendo suspeita de suas causas que podem ser bacteriana, viral e atópica Tratamento etiológico comumente feito pelos sinais clínicos e normalmente não espera culturas laboratoriais; Diagnóstico definitivo é feito através das culturas laboratoriais; Conjuntivite viral secreção mais hialina Conjuntivite bacteriana aspecto purulento, secreção amarelada, mais espessa Tratamento para conjuntivite infecciosa bacteriana Vigamox, Zymar, Ciprofloxacino, Tobramicina – sendo que a posologia consiste em 1 gota de 2/2 horas nos 2 primeiros dias de tratamento e 1 gota de 4/4 horas por mais 5 dias. Conjuntivite Atópica (alérgica): HPP de atópia e conjuntivites alérgicas de repetição; Quadro arrastado, sempre tendo sintomatologia de irritação ocular com episódios de agudizações, então é uma conjuntivite grave, que causa muito incômodo; É comum ser bilateral; Tratamento pode incluir medicações antialérgicas orais, mas deve incluir colírios (ação direta local), como por ex: Cromolerg, Patanol-S, Lastacaft. O colírio corticoide na fase aguda deve ser considerado se houver a certeza do diagnóstico. Conjuntivite Neonatal: Conjuntivite purulenta que ocorre em neonatos até 4 semanas de vida por contato com secreções vaginais maternas contaminadas, sendo usualmente contraída em partos via vaginal e incomum em parto cesariana. 4 Patógenos mais frequentes Chlamydia trachomatis (mais comum) e Neisseria gonorrhoeae (mais grave, tendo complicações mais rápidas); Profilaxia pós parto imediato com 1 gota de Nitrato de Prata a 1% em ambos olhos Método de Crede Após instituído a conjuntivite o tratamento deve ser internado com medicação EV; Hiposfagma: Consiste numa doença leve, não tendo relação com aumento da pressão do olho e o glaucoma; Quando é hiposfagma espontâneo nem apresenta sintomatologia; Deve seguir a propedêutica de examinar bem a conjuntiva; Como diagnóstico diferencial da hiposfagma deve observar se não tem corpo estranho conjuntival ou algum trauma devendo examinar a conjuntiva bulbar e tarsal; Causa frequente por alterações da pressão arterial – em casos de muita força no parto normal, ao espirar e para evacuar pode gerar rompimento das artérias oculares gerando hiposfagma; Pterígio: Forte componente genético; Fator importante de crescimento exposição aos raios solares (UV); Normalmente não gera baixa de visão porém, pode gerar astigmatismos por irregularidade corneana; Tratamento é cirúrgico (indicação dependente); Pinguécula: Queixa do paciente é estar com uma “carninha/massa na região do olho”; Degeneração conjuntival localizada por depósito de proteína, cálcio e gordura (colesterol); Normalmente de cor amarelada; Mais comum em conjuntiva nasal; Pode ter em alguns pacientes sintomas de irritação ocular como ardência e coceira; Tratamento deve ser feito nos casos que tem irritação ocular, sendo feito com lágrimas artificiais e colírios corticoides, dificilmente é realizado cirurgia para remoção; Atenção à HDA e HPP, pois pode ser confundida com Esclerite Nodular; Pingueculite: É uma inflamação da pinguécula; Sintomatologia irritaçãoocular e coceira Tratamento corticoide, colírio tipo AINE 5 Esclerites/Episclerites: Condição que afeta a camada escleral e episclera; Geradora de maior sintoma doloroso (dor na movimentação do olho) do que simples irritação; HPP de doenças reumatológicas (artrite reumatoide e espondilite anquilosante) e esclerites prévias; Flictênula: Vesícula pequena adjacente ao limbo esclero corneano associada a congestão vascular; Decorre da reação de hipersensibilidade a antígenos bacterianos normalmente Estafilococos; Desaparecimento comumente espontâneo; Usualmente pode prescrever colírios antibióticos; Blefarite: Deve olhar os cílios do paciente na inspeção observa-se os cílios com “caspinhas” Causa frequente de olho vermelho; Normalmente é bilateral; Quadro mais arrastado do que a conjuntivite; Aumento de secreção gordurosa entre os cílios e pálpebras alterando a qualidade do filme lacrimal causando olho vermelho, prurido, irritação ocular, edema de pálpebras e olho seco; Pode estar associado a infecção bacteriana concomitante o Estafilococos; Tratamento consiste em higiene diária dos cílios e pálpebras, preconiza-se uso de xampus específicos ou infantis (xampu da Johnson). Pode-se também usar pomadas associação (antibiótico + corticoide) e colírios lubrificantes; Meibonite: Inflamação nas glândulas de meibonius causando alteração na bioquímica da lágrima gerando olho seco e olho vermelho; Normalmente é bilateral; Quadro mais arrastado do que a conjuntivite; Geralmente ocorre em paciente com pele oleosa, dermatite seborreica; Tratamento visa desinflamar as glândulas de meibonius restaurando a bioquímica normal da lágrima, pode-se fazer uso de pomadas com corticosteroides aplicadas sobre as glândulas + suplementação de lubrificação prescrevendo lágrimas artificiais diárias; Obs: antes de prescrever corticoides, afastar possíveis lesões herpéticas/fúngicas 6 Cuidado com uso de lápis ao everter pálpebras costuma passar o lápis exatamente sobre as glândulas de meibonius, causando inflamação nessa glândula e posteriormente pode desencadeia o terçol. Então, o uso correto do lápis é passar na fileira dos cílios. Hordéolo – popular “terçol”: É uma inflamação da glândula de Meiboniuns, a qual produz sebo (cor esbranquiçada/amarelada); Apresentando dor + sinais flogísticos locais em pálpebra unilateral, sendo frequente prurido e não apresenta febre/ sinais sistêmicos; Tratamento compressa com bolsa térmica morna local, pois visam superficializar e fluidificar secreção sebácea para que a glândula drene a secreção, se necessário (em mulheres) prescreve AINE oral. Deve passar pomada ocular em associação à critério clínico que consiste em profilaxia a infecção secundária – celulite havendo dessa forma diminuição da inflamação local; Calázio: Status pós hordéolo ocorre quando teve erro no tratamento do hordéolo por ex. ao se fazer compressa gelada e com isso o organismo faz uma capsula em volta da glândula de meiboniuns; É bem circunscrito e não tem inflamação; Tratamento cirúrgico, então não adianta prescrever pomadas e compressas; Herpes Zoster Oftálmico: Respeita linha média, é unilateral e segue trajeto nervoso; Lesões vesiculares fase inicial, são transmissíveis Lesões com aspecto crostoso fase final, não são transmissíveis Causa dor intensa Normalmente ocorre em imunossuprimidos, imunodepremidos (idosos) e nos pacientes que passam por período de estresse; 7 Tratamento irá depender do estado geral e na idade do paciente, no caso de idoso e criança deve internar (tratamento EV) independente do estado geral, já em adultos vai depender do estado geral se deve internar ou realizar tratamento domiciliar. Sendo que o tratamento é constituído por Aciclovir/Vanciclovir, devendo fazer analgesia forte com opióides/derivados; Celulite orbitária: É uma condição infecciosa que ocorre devido picada de abelha/pernilongo havendo pertuito e com isso a bactéria entra e acaba fazendo uma infecção na orbita do olho; Apresenta sinais flogísticos locais (febre/calor, dor, rubor, edema) e tem ausência de história de trauma; Tratamento em crianças, idosos e adultos em mal estado geral deve fazer antibioticoterapia EV com internação; Edema palpebral por reação alérgica: Ocorre por reação alérgica aguda/anafilaxia Sem sinais infecciosos locais/sistêmicos não tem calor local com isso é edema frio que aparece muito rapidamente (em minutos), não tem dor, não tem febre, pode ter rubor É binocular, porém não precisa ser simétrico Tratamento depende da gravidade e os demais sinais clínicos devendo realizar exame completo, então deve deixar o paciente em observação e administrar Fenergan IM (antialérgicos/anti-histamínicos). Considerar uso de adrenalina em ocorrência simultânea de outros sinais clínicos – choque anafilático; Uveítes: Causa frequente de olho vermelho; Não terá lacrimejamento, ardência e irritação; Possui etiologias diversas infecciosas, autoimunes e traumáticas Sintomas comuns baixa visão aguda, dor ocular, dor à movimentação dos olhos É considerada uma urgência oftalmológica pelos seus graves riscos à visão do paciente, com isso a simples suspeita clínica deve motivar o encaminhamento com urgência ao oftalmologista. Atenção à HDA se tem déficit à visão, dor ocular, dói à movimentação ocular Atenção à HPP se tem doenças reumáticas, história de uveíte prévia, tem ou teve doenças infecciosas (DST´s) Tratamento dependente da etiologia -> Infecção por toxoplasmose, pois o toxoplasma “come” toda a retina 8 Tumores oculares: Podem se localizar em todos os tecidos oculares, sendo primários ou metastáticos; Prognóstico depende de precocidade do diagnóstico e da agressividade do seu tipo histológico; Diagnóstico anatomopatológico Se apresentar sinais de ulceração, heterocromia, aspecto heterogêneo, formato irregular, exagerado suprimento vascular deve encaminhar para oftalmologista Retinoblastoma: -> É visível uma alteração do reflexo vermelho no teste do olhinho; Tumor intra ocular primário maligno mais comum em crianças; Afeta 1:20.000 nascidos; Origem de células imaturas retinianas (epitélio embriogênico); Responsável por metade das crianças com leucocoria; Ambos sexos igualmente afetados; É bilateral em 25-30%; Etiologia é variada podendo ser devido a forma hereditária (autossômica dominante), não-hereditária e por deleção cromossômica; 80% tem diagnóstico antes dos 3-4 anos de idade; Proptose normalmente tardia; Melanoma de Coróide: Pode ser de foco primário (indo para pulmão, fígado e mama) ou pode ser metastático originário desses focos primários; Oncologistas encaminham para os oftalmos e vice versa; O aspecto desse melanoma normalmente é escuro, mas pode ser amelanótico; Exame que deve solicitar ultrassom 9 Aniridria em crianças Tumor de Wilms: Crianças que tem aniridria preconiza-se fazer USG de abdômen total para ver se tem o tumor de Wilms renal. Tumores malignos: Apresenta os limites irregulares, aspecto mais heterogêneo e frequentemente ulcerados; Diagnóstico de certeza é anátomo patológico; Um tumor desse tipo mesmo que “pequeno/simples” pode gerar uma margem cirúrgica bem grande e em alguns casos tem que tirar osso e outros tecidos além da pele; Vias lacrimais: Produção e escoamento da lágrima; Importância para nutrição da córnea (avascular); Obstruções em alguns pontos da via lacrimal gera épifora (lacrimejamento) e infecções; Qualquer disfunção em uma dessas camadas(aquosa, lipídica e mucosa) gera olho seco que consiste em produzir lagrima “ruim”; Obstruções das vias lacrimais: Obstrução deve ser entendida como “água podre” e com isso a bactéria começa a colonizar essa região que está com água parada e provoca uma infecção gerando a Dacriocistite. 10 Dacriocistite: É uma condição infecciosa recorrente na obstrução das vias lacrimais. Congênita ocorre em recém nascidos, até os 6 meses pode haver abertura espontânea do canal lacrimal ocorrendo estímulo através de massagens locais; Adquirida individuo desenvolve obstrução da via lacrimal em qualquer outra fase da vida, normalmente é devido acidentes; Tratamento na vigência da dacriocistite (infecção) é preconizado o tratamento medicamentoso com antibioticoterapia (Cefalexina 500 mg de 6/6 horas 12 dias; AINE oral); posteriormente deve programar cirurgia de Dacriocistorrinostomia (reconstrução da via de escoamento lacrimal) quando estiver sem vigência de infecção; Exame de dacriocistografia injeta contraste no ponto lacrimal e tira uma radiografia, com isso esse exame consegue dizer se está entupido e onde está entupido.