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DisciplinaLaboratório de Leitura e Interpretação de Textos14 materiais128 seguidores
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UFF \u2013 Laboratório de leitura e interpretação de textos 
Tópico 4 \u2013 Recursos sintático-semânticos e discursivos da prosa acadêmica
Fontes:
JUBRAN, Célia Cândida Abreu Spinard. Funções-textuais interativas dos parênteses. In: NEVES, M. H. de M. (org.). Gramática do português falado. v.vii:Novos estudos. São Paulo: Humanitas:FFLCH/SP, Campinas, Editora da Unicamp, 1999. p.131-158.
LEIBRUDER, Ana Paula. O discurso da divulgação científica. In:BRANDÃO, Helena Nagamine (Org.). Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel, discurso político, divulgação científica. 2.ed. São Paulo: Cortez, 2001. p.229-253.
SWALES, John M. Research genres \u2013 exploration and applications. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.
 Segundo Leibruder (2001, p.239-247), o discurso da divulgação científica pode apresentar as seguintes estratégias linguístico-discursivas, ou elementos didatizantes, tipificadores de marcas de objetividade:
Voz do cientista, cuja autoridade atribui um caráter de confiabilidade e veracidade ao argumento defendido, como em: \u201cA psiquiatra Nora Volkow, do Laboratório Nacional Brookhaven, em Nova York, defende a tese de que...\u201d 
Apagamento do sujeito: \u201cO espaço reservado ao sujeito é preenchido pela voz dos objetos e das ideias tratados pelo texto, os quais passam a falar por si só, sem interferências de uma instância subjetiva. Assim, ao encobrir sua existência, o autor confere ao texto um caráter de universalidade e, portanto, de neutralidade, legitimando, dessa maneira, o seu discurso. Com isso, procura-se substituir o ponto de vista de um sujeito situado num tempo e especo definido, por uma perspectiva supostamente universal, objetiva, já que proveniente das próprias coisas. 
 Ex. Livre, a dopamina causaria a sensação de euforia típica do uso dessa droga. 
Índice de subjetividade, que constata a presença do sujeito discursivo no texto de divulgação científica. Os elementos didatizantes que os codificam são: definição, nomeação, exemplificação, comparação metáforas e parafrasagem.
Definição: Corresponde à enunciação de características próprias e essenciais de um objeto ou Idea. Trata-se de um processo que requer exatidão e, no caso do discurso de divulgação científica, didaticidade no uso da linguagem.
Ex.: Os neurotransmissores são substâncias envolvidas na comunicação entre as células nervosas, os neurônios. 
Nomeação: Trata-se da denominação de um objeto ou Idea, cujas características próprias e essenciais já foram enunciadas. É, portanto, o processo inverso da definição. 
Ex.: Pesquisas recentes indicam que um hormônio produzido pelo hipotálamo, denominado fator liberador do hormônio luteinizante (FLHL), pode intensificar o desejo sexual, mesmo na ausência de testosterona.
Exemplificação: A percepção de conceitos mais abstratos pode se tornar mais compreensível através de situações concretas. A expressão metalinguística por exemplo é, sem dúvida, o índice mais frequentemente usado para introduzir esse recurso.
Comparação: A percepção de que existem semelhanças ou diferenças entre coisas, seres e ideias leva-nos a estabelecer comparações ou analogias, recursos largamente empregados na explicação de fenômenos ou conceitos pouco familiares ao leitor leigo. A comparação consiste na aproximação de dois campos semânticos semelhantes. Quanto à sua estrutura, a comparação é codificada através de expressões metalinguísticas como: assim, da mesma forma que, como, imagine que, seja, tal qual, tal como, etc.
Metáforas: A o empregar uma metáfora, o autor pode ser revelar como aquele que interpreta os fatos a partir de um ponto de vista determinado historicamente e, portanto, perpassado pela subjetividade. Tomada em sentido figurado significa literalmente \u2018transporte\u2019. A metáfora ocorre quando há propriamente uma transferência de um determinado termo para um campo semântico distinto daquele ao qual é comumente associado. Nesse caso, o sentido original se modifica de acordo com o novo contexto.
Ex.: Os receptores são uma espécie de \u2018porto celular\u2019, onde uma determinada substância atraca. O \u2018atracamento\u2019 faz com que sejam abertos \u2018canais\u2019, também localizados na membrana da célula, que levam outros neurônios a \u2018dispararem\u2019.
Parafrasagem: Consiste na explicação de termos ou expressões técnicas através de outros provenientes do uso comum, Formalmente, esse elemento é introduzido por expressões metalinguísticas do tipo isto é, ou seja.
Ex.: Volkow verificou que os neurônios de viciados sofrem uma redução no volume de receptores, isto é, ficam mais \u2018apertados\u2019. 
O discurso da divulgação e da prosa científica, em geral, utilizam estratégias linguístico-discursivas como: discurso relatado (que inclui tanto o discurso direto \u2013 voz do cientista-, quanto o indireto \u2013 relato proveniente de outra voz); partícula se, índice de indeterminação do sujeito; verbos na 3ª. pessoa do singular, voz passiva e nominalização.
Segundo Jubran (1999), os parênteses, travessões ou vírgulas podem exercer, dentre outras, as seguintes funções:
-exemplificação;
- função de esclarecimento, detalhando dados tipicamente relevantes, atendendo à regra de clareza, que faz parte do acordo contratual estabelecido entre os participantes da interação discursiva. Pode sinalizar observação, ressalva, retoque e correção, explicitação do significado de palavras (função tipicamente metalingüística): ou seja, isto é ;
- retomada de tópico (assunto tratado anteriormente);
- autoqualificação (nós que estamos aqui nesse sindicato...) \u2013 quando se explica quem fala;
- desconhecimento do assunto (ah aí você pegou porque eu não sei não...); 
- manifestações atitudinais do locutor com relação ao assunto (acredito eu, penso eu, que dizer é a minha opinião...);
- evocar conhecimento partilhado (como nós sabemos, como se sabe em geral...)- efeito de aproximação do leitor;
- teste de compreensão do interlocutor (você está entendendo?);
- chamar a atenção do interlocutor (preste bem atenção);
Segundo Swales (2004), a estrutura mais prototípica de uma dissertação ou tese, sintetizada na sigla IMRD, é a seguinte;
- introdução (definição do objeto de estudo, justificação, relevância, objetivos, perguntas ou hipóteses de trabalho);
- revisão de literatura (por vezes, incluída na introdução; atualização ou síntese de estudos anteriores relevantes indicadores do estado de arte de uma dada área de conhecimento; citações integrais ou parciais);
- metodologia (materiais, corpora e procedimentos analíticos);
- resultados;
- discussão;
- conclusões (implicações, recomendações, projeções ou desdobramentos futuros).
 A extensão de uma conclusão é variável: de 3 a 4 páginas até 10. Uma monografia contém, em média, 50 páginas; uma dissertação, de 50 a 100 e uma tese de 100 a 200 páginas. Esse quantitativo, contudo, pode variar em função da área de saber. 
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