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Auditoria Financeira 1ª edição 2017 Auditoria Financeira 3 Palavras do professor Olá, seja bem vindo à disciplina de Auditoria Financeira. Mas afinal o que é Auditoria Financeira? Qual a importância desta disciplina para a sua atua- ção cotidiana como profissional? Ao escolher o curso de Ciências Contábeis cada um de vocês fez esta escolha profissional baseado na sua história de vida de cada um de vocês. Este desejo que você possui de se tornar um futuro contador ou um futuro auditor, o motiva a estar agora lendo este material educativo que eu enquanto professor, a partir de conhecimentos adquiridos ao longo de minha vida em contato com outros professores ou mediadores, me possi- bilita disponibiliza-los a vocês. Esta relação que agora estabelecemos de compartilhar o conhecimento se dá cotidianamente dentro e fora do meio acadêmico, mediada presen- cialmente ou virtualmente, ocorre na nossa relação com a nosso contato com profissionais da área contábil e da área de auditoria, sempre estamos ora aprendendendo, ora ensinando. A disciplina Auditoria Financeira que é uma disciplina que os capacitará para revisar as demonstrações contábeis, as demonstrações financei- ras, os registros e as transações de uma empresa, cuja finalidade é a de assegurar a segurança das informações e proporcionar credibilidade as demonstrações financeiras e contábeis. Você está preparado para este desafio? Você consegue se visualizar como um profissional apto para revi- sar as demonstrações contábeis de uma empresa, elaborando um relató- rio final para ser apresentado para os gestores da empresa? Então vamos lá! ... Dividida em oito unidades de aprendizagem nesta disciplina vamos refle- tir sobre o conceito e a função da auditoria nas organizações, sua impor- tância, seus papéis de trabalho e seu relatório final, de forma que possam nos ajudar a melhor exercer a nossa profissão. Sejam todos bem vindos e bom curso para todos!!! 1 4 Unidade de estudo 1 Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e Contábil Para iniciar seus estudos A Auditoria é a técnica contábil que visa obter elementos de modo a ter- -se convicção para julgar as demonstrações contábeis de uma entidade foram efetuados conforme os princípios de contabilidade fundamentais e se refletem a situação econômico da entidade, o resultado do período examinado e as demais situações e informações nele demonstrados. Objetivos de Aprendizagem • Conhecer o Conceito e os Tipos de Auditoria. • Conhecer os Princípios Básicos de Auditoria. 5 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e 1. Conceito de Auditoria A palavra auditoria vem de um termo em latim “audire”, que significa “ouvir”. Os primeiros povos a aplicarem a auditoria na contabilidade foram os ingleses, que na época utilizavam, como termo a palavra auditing, que nada mais eram que procedimentos técnicos contábeis que revisavam a contabilidade, por simples conferência. Mas se formos analisar na antiguidade, no Egito Antigo, os escribas já possuíam técnica de contabilidade, e revi- saram as informações relativas aos bens, especialmente no estoque e grãos. Esse método era tão antigo quanto a escrita. Mais adiante, nos séc. XV e XVI, a contabilidade como a conhecemos, foi desenvolvida pelos italianos, sendo que o primeiro Colégio de Contadores surgiu em Veneza, no ano de 1581. Os jovens aprendizes nessa época, passa- vam por um período de 6 anos de aprendizado, e após isso passavam por uma prova, para serem admitidos como alunos. A auditoria por esse período, se restringia a simples conferência das informações contábeis, e se restringia mais a parte operacional. Com o surgimento da Revolução Industrial, as organizações se tornaram mais complexas, exigindo por isso mesmo, um controle patrimonial/financeiro mais aprimorado. Com o surgimento dos tributos, circulação de capitais, investimento em mão de obra e patrimônio, a contabili- dade foi se tornando mais complexa, e a auditoria foi se evidenciando como uma técnica contábil mais apurada, e um importante recurso para orientar os fatos contábeis, e a estratégia da empresa para obtenção de mercado. Com a expansão de seus negócios e a globalização, as empresas têm a necessidade de revisar seus controles internos e todos os seus procedimentos operacionais, gerenciais, financeiros, bem como; também a necessidade de uma pessoa que auxiliasse na administração e na execução destas atividades. Surgiu então o auditor que realiza este trabalho de maneira periódica, que pode exigir ou não um certo grau de profundidade. Não neces- sariamente o papel do auditor, visa somente a área contábil/financeira da empresa, bem como também outras áreas não relacionadas com a financeira, principalmente para o fato de verificar-se se as normas internas da organização vêm sendo seguidas. Então, na atualidade como podemos definir hoje a auditoria? Hoje a auditoria é basicamente a analise sistemática das rotinas, procedimentos, informações de uma entidade, através de suas demonstrações financeiras. Sua fun- ção primordial, é oferecer as pessoas interessadas (sócios, sociedade, fisco, governo) um posicionamento neutro sobre esses números tendo como embasamento principal normas e procedimentos contábeis/financeiros. Então podemos dizer que a Auditoria é um exame analítico de uma determinada operação contábil, ou finan- ceira, cujo objetivo é atestar sua validade. 6 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e Figura 1 – Conceito de Auditoria Legenda: Conceito de Auditoria Fonte: https://pt.123rf.com Segundo as Normas Internacionais de Auditoria, a auditoria tem como principal objetivo expressar a opinião sobre as demonstrações contábeis e se estas foram elaboradas com adequações e diretrizes referentes aos Prin- cípios Fundamentais de Contabilidade, as normas da organização auditada, proporcionando credibilidade à Con- tabilidade. Ao profissional que é responsável pelos trabalhos de auditoria, dá-se o nome de auditor, e uma de suas prerro- gativas é ser essencialmente formado no Curso de Ciências Contábeis. Figura 2 – O Auditor Legenda: Profissional responsável pelos trabalhos de Auditoria Fonte: https://pt.123rf.com Conforme o Conselho Federal de Contabilidade, quando o auditor assume a responsabilidade pela auditoria de uma entidade, tem que se ter conhecimento suficiente desta entidade, de suas normas, de sua atividade, de sua atuação, de modo que assim, este profissional entenda todos os procedimentos realizados, e práticas contábeis 7 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e efetuadas que são relevantes a situação patrimonial e financeira da empresa, de maneira a atingir os objetivos propostos, dentro da legislação. Em seu aspecto sistêmico, a auditoria não só auxilia a administração da entidade, na tomada de decisões, bem como através de seus relatórios, evidencia erros, omissão ou fralde, para salvaguardar o patrimônio da entidade. Então a Auditoria objetiva, após a aplicação de procedimentos pautados em normas profissionais reconhecidas, expressar uma opinião no relatório do auditor sobre as demonstrações financeiras que em resumo abrange as práticas adotadas no Brasil, os Princípios Contábeis, as Normas Brasileiras de Contabilidade e a Legislação per- tinente. Os Princípios Fundamentais da Contabilidade (Pcs) tiveram sua origem diante da necessidade de realizar um procedimento uniforme na prática contábil e por extensão à auditoria. Principalmente pelo fato de elaborar e interpretar apropriadamente as demonstrações financeiras/contábeis. Hoje temos no Brasil os princípios contá- beis apresentados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) através da Resolução n. 750/1993, e redação dada pela Resolução CFC n. 1.282/2010; quais sejam: Princípio da Entidade; Princípio da Continuidade; Princípio da Oportunidade; Princípio do Registropelo Valor Original; Princípio da Competência e por último, Princípio da Prudência. Por princípio da entidade podemos entender que o Patrimônio da pessoa do sócio não se pode confundir com o Patrimônio da pessoa da empresa, ou seja, cada um possui própria Personalidade e Patrimônio próprios. Desta forma, os registros contábeis devem ser elaborados considerando-se o sócio como personalidade autônoma se comparado à empresa. Por Princípio da Continuidade “pressupõe-se que a entidade continuará suas atividades por tempo indeterminado e, portanto, livre de mensuração de tempo. Esse princípio determina que os registros contábeis devem ser feitos tendo como premissa principal que a empresa terá́ vida contínua e não terá fim. Por princípio da oportunidade pode-se entender como a mensuração e apresentação dos componentes patri- moniais de modo que produza informações que sejam reais e de confiança. A falta de integridade na divulgação das informações contábeis, podem ocasionar perda em sua importância, por isso é necessário equilibrar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação”. Em resumo, esse princípio menciona que os registros contábeis devem ser feitos oportunamente, ou seja, sempre no tempo correto. A escrituração dos fatos contá- beis deve integra e isenta de erros. O registro pelo valor original considera que os valores utilizados pela empresa devem ser lançados em moeda corrente nacional, e originados das transações que foram realizadas. O custo histórico e variações são conside- rados como referenciais de mensuração e devem ser utilizadas de diferentes formas. Essas variações do custo histórico ocorrem pelos seguintes fatores: a. custo corrente (valores na data das demonstrações contábeis); b. valor realizável (valor da venda do ativo ou do pagamento do passivo no decurso das operações); c. valor presente (valor presente do componente patrimonial); d. valor justo (valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo liquidado, em uma operação que não ocorre favorecimentos); e e. atualização monetária (atualização realizada em moeda corrente nacional). O registro pelo valor original significa que as transações devem ser registradas pelo seu valor histórico considerando, quando neces- sário, as variações do custo destas operações. O Princípio da competência estabelece que “o fato contábil deve ser reconhecido no período que ocorrer, inde- pendentemente do recebimento ou do pagamento”. Assim, as receitas e despesas, que entendemos como um grupo de contas que determinarão o lucro ou o prejuízo de uma empresa, devem ser registradas, no momento que ocorrerem (seja no momento da prestação do serviço ou no momento da colocação da mercadoria à dispo- sição do cliente), e isto entendemos como o fato gerador. 8 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e Por Princípio da prudência entendemos que deve ser adotado o menor valor para os componentes (contas) do ativo e de maior valor para os do passivo, por ser um entendimento mais justo, mais prudente. Desse modo, como princípio, indica que se houver duas situações idênticas que devam ser registradas na contabilidade, o senso con- tábil determina que devemos adotar sempre o que é mais prudente, mais sensato. Então adota-se maior despesa e menor receita, e valores menores para os bens e direitos (Ativo) e maiores para as obrigações (Passivo). O auditor também examina e pode avaliar o grau de confiança dos controles internos que a empresa possui, mas não se preocupa em identificar fraudes, a não ser que estas afetem as demonstrações contábeis em exame, em observância com a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 700/91, que aprovou as normas de audi- toria independente das demonstrações contábeis. Apesar da Auditoria ser regulamentada no país no início da década de 60 em função da exigência do Mercado de Capitais essa atividade nos últimos anos tem sofrido diversas modificações relacionadas a atividade auditorial principalmente pelo Conselho Federal de Contabilidade, que está buscando adequar essa atividade as Normas Internacionais de Contabilidade. As Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais (NBC P) definem regras de exercício profissional e classifi- cam-se em: • Geral (NBC PG); do Auditor Independente (NBC PA); do Auditor Interno (NBC PI); do Perito (NBC PP) As Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas (NBC T) definem conceitos doutrinários, regras e procedimentos aplicados de Contabilidade e classificam-se em: • Geral (NBC TG); • do Setor Público (NBC TSP); • de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica (NBC TA); • de Revisão de Informação Contábil Histórica (NBC TR); • de Asseguração de Informação Não Histórica (NBC TO); • de Serviço Correlato (NBC TSC); • de Auditoria Interna (NBC TI); • de Perícia (NBC TP); • de Auditoria Governamental (NBC TAG). A Auditoria Contábil, no Brasil, passou por uma reformulação normativa com base nos padrões estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), na condição de membro associado da Internacional Federativo of Accounting (IFAC), ou, traduzindo, Federação Internacional de Contadores, devidamente autorizado, e com o apoio do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon). Os auditores privados e públicos do Brasil, não possuem um Código de Ética ainda. Mas no que se refere aos audi- tores, quanto a obediência de Normas, existem normas de auditoria que trazem alguns preceitos éticos, princi- palmente a independência, responsabilidade, integridade e sigilo. No que se refere aos auditores públicos, estes também não possuem um código com normas éticas, mas há também regras e estudos que mencionam sobre a matéria, além dos relevantes preceitos da atual Constituição Federal, aplicados ao Auditor Público, e o Código de Ética dos Servidores Públicos do Governo Federal (Decreto n. 1.171de 22.06.94). Para as demonstrações financeiras/contábeis das Sociedades Anônimas (S/As), é adotado no Brasil, o que deter- mina a Lei n. 6.404/1976 que estabelece as seguintes demonstrações obrigatórias para este tipo de empresa: Balanço Patrimonial, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos Lucros ou Prejuízos acumu- 9 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e lados, opcionalmente substituída pela demonstração das mutações do Patrimônio Líquido, demonstração do Fluxo de caixa e demonstração do valor adicionado. As S/As, além de serem obrigatoriamente auditadas, devem elaborar, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Segundo as Normas do Conselho Federal de Contabilidade, a Auditoria Independente de Demonstrações Finan- ceiras tem como principal objetivo, verificar se as demonstrações financeiras e contábeis foram elaboradas de acordo com a estrutura de relatório financeiro que é um padrão estabelecido, que, no Brasil, é denominado prá- ticas contábeis brasileiras e compreendem: • legislação societária, • Normas Brasileiras de Contabilidade, emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, • pronunciamentos, interpretações e orientações emitidos pelo Comitế de Pronunciamentos Contábeis (CPC). • práticas adotadas pelas entidades em assuntos não regulados, desde que seja atendida à NBC T 1 — Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis emitida pelo Con- selho Federal de Contabilidade. O foco central dos trabalhos da Auditoria é o exame dessas demonstrações contábeis/financeiras, com o objetivo de emitir um relatório sobre sua adequação. O exame auditorial contábil tem como objetivo considerar a possibilidade de ocorrência de fraudes e erros. Na ocorrência relevante das mesmas, é função do auditor fazer observações em seu parecer ou expressar que suas análises foram realizadas de acordo com as Normas de Auditoria. Sendo assim, este exame não tem como pro- pósito descobrir fraudes e erros. Embora a auditoriacontábil seja um procedimento importante e indispensável para o controle de uma organi- zação, esta não deve ser considerada como imune a imperfeições ou falhas. A auditoria contábil muitas vezes é limitada no momento em que as imperfeições detectadas não assumem mais uma característica contábil, ou seja, abrangem, além dos controles patrimoniais, aspectos, como os voltados mais para a área de engenharia de produção ou de pesquisa operacional. Assim, a auditoria na área de custos pode detectar situações provenientes do conflito entre os custos-padrão com os custos reais, porém, mas não é capaz de identificar se essa divergência é decorrente de um desenho de projeto com baixa qualidade ou se é decorrente de uma regulagem de máquinas deficiente. Nesse sentido, essas situações, não são de competência da auditoria contábil. A auditoria confirma a própria finalidade da Contabilidade, avaliando se os registros estão corretos, os confir- mando aos administrados, ao fisco e até mesmo aos financiadores a fidedignidade das demonstrações contá- beis. Essa garantia, o da credibilidade, é um dos pontos centrais da auditoria. O auditor deve analisar essencialmente o controle interno da empresa, que tipo de negócio ele faz, interpretar as normas contábeis aplicadas para as principais práticas utilizadas pela empresa. O auditor quer saber essencial- mente onde estão os maiores problemas da empresa, e para chegar a essa conclusão, a análise dos demonstra- tivos é essencial, mas não é o único objeto de pesquisa. Esse levantamento inicial, geralmente é feito porque o auditor solicita para a empresa diversos documentos, além das demonstrações financeiras, e geralmente o trabalho do auditor não atinge 100% das documentações utilizadas pela empresa. Esse trabalho é feito por amostragem. Se o auditor identificar uma operação realizada de maneira incorreta, ele deve solicitar que a empresa realize as correções necessárias, sob pena de ter essa identificação mencionada nos relatórios finais de auditoria. Cabe a empresa, então, a não negar o fornecimento de documentações, essenciais a esse trabalho, nem tam- pouco, oferecer documentos falsos ou omitir a entrega de documentação, de modo a direcionar o trabalho do auditor, de maneira incorreta, porque a parte interessada, a empresa será a maior prejudicada, se assim proceder. 10 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e As possibilidade que o auditor pode atuar são as mais variadas, sendo que as principais relacionadas com seu trabalho, se refere a sua atuação em empresas que negociam ações em bolsas de valores, ou aquelas empresas que pretendem negociar. Estas empresas precisam passar por diversos procedimentos de auditoria. Os auditores também podem atuar em auditoria de instituições financeiras, em empresas de planos de saúde, e em sociedades sem fins lucrativos. Por fim, o auditor pode atuar também internamente dentro de empresas que realizam trabalhos de auditoria, inicialmente como trainee, ou como estagiário. Nestas empresas, geralmente obedece ao plano de carreira, conforme número de auditorias realizadas, e assim o profissional pode até mesmo a ter seu negócio próprio, como sócio de uma empresa de auditoria, e diretamente responsável pelas operações da empresa. E por fim, pode atuar como profissional independente, atuando de forma mais autônoma. Muitos auditores, após o período de trabalho em empresas de auditoria, respeitados os prazos previstos em lei para seu término, atuam mesmo como consultores empresariais; inclusive em empresas que realizaram traba- lhos de auditoria, por já possuírem notório conhecimento da atividade da empresa, e de sua área de atuação, por conhecerem os métodos que a empresa adota no mercado de trabalho e principalmente por conhecerem as principais técnicas que a empresa adota, e procedimentos contábeis efetuados. Figura 3 – Trabalho da Auditoria Legenda: Auditor realizando seu trabalho Fonte: https://pt.123rf.com Geralmente, as pessoas em um primeiro momento, quando se fala em auditoria em uma empresa, tem em mente, que será feita uma investigação da empresa, a fim de descobrir pontos obscuros nas operações finan- ceiras e contábeis, no entanto não é este o ponto chave da auditoria. Na realidade nem o é. Que fique claro que a auditoria está inserida dentro de um contexto em que se procura apurar pelo exame de documentos, fatos e origens contábeis financeiras, eventuais irregularidades e equívocos realizados, para acertos e correções em demonstrações futuras. A análise das demonstrações financeiras, se são integras e fidedignas; as formas utilizadas para a informação dos dados, se os sistemas utilizados pela empresa estão em conformidade com a legislação, se os ativos da empresa estão sendo protegidos pelos procedimentos contábeis/financeiros realizados; e se há economia e eficiência nestes procedimentos; tais os principais pontos que a auditoria analisa. 11 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e Por isso mesmo, este trabalho, o da auditoria, é um trabalho especialmente técnico, que em grande parte consiste em chegar se os procedimentos contábeis estão de acordo com as regras, tanto da empresa, como da legislação. E quem é responsável pela elaboração das Normas de Auditoria? Hoje estas normas são discutidas e promulgadas pelo CFC – Conselho Federal de Contabilidade que trabalha em conjunto com o Instituto de Auditores Independentes do Brasil (IBRACON), a CVM – Comissão de Valores Mobiliários, o Banco Central e a Superintendência de Seguros Privados. Por fim, as Normas são promulgadas pelo Conselho Federal de Contabilidade – CFC, através de Resoluções. Normas Brasileiras de Contabilidade e Auditoria http://www1.cfc.org.br/conteudo. aspx?codMenu=116 É importante mencionarmos, que não somente os fatos reportados pela contabilidade são objeto de análise da Auditoria, mas também outros fatos e situações que ocorrem na empresa, mas que refletirão nas análises e demonstrações financeiras da empresa. Um exemplo disso foi no ano de 2013, quando do aumento das passagens de ônibus na cidade de São Paulo, que desencadeou uma onda de protestos. A Prefeitura de São Paulo, na ocasião, contratou os serviços de uma con- ceituada empresa de Auditoria Independente, para realizar um estudo independente, imparcial e aprofundado, tanto nos documentos da prefeitura, como nos documentos das empresas concessionárias do serviço. Na ocasião a empresa de auditoria encontrou divergências contábeis apresentados nos documentos das conces- sionárias, e podemos dizer que com esses dados foi possível ganhar qualidade na prestação destes serviços e com isso, uma economia de dinheiro, de modo a refletir no custo destas passagens. Via de regra, não somente as empresas obrigadas por lei contratam serviços de auditoria. Mas podemos indagar: quais os benefícios então de realizar auditoria, em empresas que não são obrigadas a auditar? A resposta a esta indagação está no fato de que a auditoria pode ajudar a empresa a aumentar sua credibilidade junto a bancos, fornecedores e clientes; sem contar nas oportunidades que podem surgir para a empresa a médio e longo prazo. Diante disso, podemos dizer que a auditoria é uma ferramenta de gestão estratégica para a empresa porque os processos gerenciais passam a ser validados pela orientação dada pela auditoria após o exame de toda situação financeira e patrimonial da empresa. Mas ressalte-se que a auditoria não tem o papel de ser uma ferramenta fiscalizadora, como já dissemos anterior- mente. O objetivo não é ir atrás de irregularidades e fraudes, mas acompanhar processos, controles e dados; e verificar se estes estão refletindo a realidade. O objetivo é conduzir a empresa por um caminho confiável, para atingir eficiência profissional e leva-la a cumprir leis. Em tempos de crise, podemos afirmar que o papel do auditor e da auditoria como um todo, éde suma importân- cia, principalmente no fato de que um procedimento de auditoria eficaz, pode levar a empresa a reduzir custos, diminuir tempo gasto em processos desnecessários, e levar a empresa a uma economia real em tempos de crise, simplesmente com base em observações efetuadas nos relatórios financeiros/contábeis da cia. 12 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e Por isso mesmo o papel do auditor é de sua importância e responsabilidade, mas não menor é o papel da empresa como auxiliar neste trabalho, de modo a fornecer para o auditor todos os relatórios e informações necessárias para o bom desempenho de seu trabalho. Nesse sentido, tanto o auditor como a auditoria são solicitados para apurarem a responsabilidade e resguarda- rem a integridade da empresa, dos diretores e da liquidez das informações; como também para dar as informa- ções e garantias a todos os entes, s O auditor externo tem que ter independência absoluta no desempenho de seu trabalho, não deve aceitar quais- quer condições ou imposições da empresa. O auditor tem um contrato de prestação de serviço para com a empresa auditada, ele examina as demonstrações contábeis em por vezes, em alguma área específica ou proce- dimento específico. Sua finalidade é emitir relatório sobre a adequação das demonstrações contábeis em conformidade com as ativi- dades da empresa e em conformidade com a atividade que a empresa exerce. Este relatório deve ser totalmente independente, imparcial, e totalmente transparente. Dessa forma, a Auditoria é a peça fundamental na verificação de todas as demonstrações contábeis e relatórios gerenciais, sinalizando falhas que possam alertam para a necessidade de possíveis mudanças, ou mesmo de práticas adotadas pela empresa no uso de suas atribuições, sejam mercantis, sejam como prestadores de serviço. 1.1 – Modalidades de Auditoria De acordo com as atividades exercidas pela Auditoria, vamos mencionar a seguir os diversos tipos de modalida- des de Auditoria, de acordo com a atividade desenvolvida pela Auditoria nas organizações: Tabela 1 – Tipos de modalidades de Auditoria Auditoria de Gestão Auditoria cujo objetivo principal é emitir uma opinião voltada para a regularidade das contas, que averigua a execução de contratos, acordos, convênios ou ajustes, e a correta aplicação dos recursos, e principalmente, no zelo dos valores e do patrimônio das empresas e organizações. Auditoria Especial O objetivo principal é o de examinar fatos e/ou situações que estejam fora dos objetivos da empresa. Geralmente é realizada tendo como início fatos relevantes, de natureza incomum ou extraordinária, sendo realizada a pedido de autoridade competente, que podem ser: administração, sócios, acionistas entre outros. Auditoria de Logística Esta auditoria atua na logística da empresa, com o objetivo de verificar as principais atividades que compõem o negócio. 13 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e Auditoria de Riscos Geralmente é realizada decorrente dos riscos que a empresa possui, ou de fatos importantes que podem criar situações presentes ou futuras para a empresa, que podem até limitar a empresa a atingir seus objetivos. Auditoria de Sistemas Objetiva avaliar a segurança e vulnerabilidade dos sistemas (softwares) de uma organização. Fonte: Attie, William (1992, p. 55) Nesse sentido a Auditoria vem contribuindo para a melhoria das organizações, pois que seu trabalho realizado por profissionais gabaritados, tornam públicos a fidedignidade das demonstrações contábeis da empresa e tra- zem credibilidade para as demonstrações contábeis. Mas podemos dizer que além disso, a auditoria serve para assegurar a observância das políticas da empresa, demonstra que a empresa está seguindo a legislação de forma correta, e que suas normas e procedimentos estão em conformidade com as Normas contábeis e financeiras, refletindo a solidez da empresa no ambiente de negócios. Podemos concluir diante do que foi estudado, que quanto ao conceito, se analisarmos a auditoria de maneira isolada, ela assume um caráter genérico e corresponde a uma análise de um ou mais elementos que caracterizam uma situação de uma determinada organização empresarial. Essa análise pode ser feita por uma pessoa interna da empresa, chamada de auditor interno, ou então por uma entidade externa a organização, mas independente- mente de ser uma pessoa interna ou externa, deve assumir um caráter de total independência, e imparcialidade, no trabalho a ser executado. A organização, no qual é objeto do trabalho da auditoria, pode tratar-se de empresa pública e também de empresa privada. O trabalho da auditoria, via de regra, consiste genericamente, em uma análise exaustiva das informações finan- ceiras destas empresas, efetuadas de forma quantificada e qualificada, e principalmente com o objetivo de refe- rendar as informações contábeis/financeiras, de forma que traduza fidedignamente os números da empresa, da forma mais correta possível. Estas entidades que realizam o trabalho da auditoria, estão sujeitas a regras especificas, especialmente em sua conduta ética. De fato, as demonstrações financeiras, contábeis e gerenciais, são a principal fonte na tomada de decisão de uma organização, pois que auxiliam os financiadores da empresa, os sócios e acionistas, no objetivo traçado administrativo da empresa, e informam também os próprios trabalhadores, o Estado, clientes, fornecedores de um modo geral. Neste contexto, o fato da informação ser alvo de uma auditoria, não significa dizer que a entidade está sendo objeto de investigação, e que seus números divulgados, não reflitam a realidade; e é justamente o contrário, porque significam que seus números estão sendo referenciados por uma empresa, alheia a entidade, sem vínculo algum com a empresa. 14 Auditoria Financeira | Unidade de estudo 1 – Conceito e Modalidades de Auditoria Financeira e Até que ponto a Auditoria poderá evoluir ainda nas organizações? Diante disso, podemos dizer que como ciência, a Auditoria será independente da Contabilidade ou sempre será dependente desta como ciência? Guia de Controle para Empresas de Auditoria http://www1.cfc.org.br/conteudo. aspx?codMenu=117 Auditoria: Evolução com Ética, Responsabilidade, Independência, mas sem Bola de Cristal. Braulio Vilela - Auditoria e consultoria - http://www.bvauditoria.com.br/artigos03. html 15 Considerações finais Nesta Unidade você viu quais os conceitos de Auditoria e suas modalida- des. Aprendeu a história da Auditoria e sua importância nas organizações. A evolução das empresas no mercado interno e externo e a consequente competitividade nas diversas áreas do mercado, tornam as empresas reféns de informações precisas e reais, capazes de levá-las à eficiente tomada de decisão. A Auditoria surge para suprir estas necessidades. Nesse sentido, verificamos que a Auditoria como Disciplina complemen- tar da Contabilidade, assume um interesse de suma importância para as organizações como um todo. Referências bibliográficas 16 AUDITORIA externa independente do Instituto dos Auditores Independen- tes do Brasil. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. FIPECAFI. Manual de contabilidade das sociedades por ações. São Paulo: Atlas, 1995. IBRACON. Princípios contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1994. LEI DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1997 (Manual de Legislação Atlas, no 28). NORMA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE – NBCT. 18 2Unidade 2 Importância da Auditoria Financeira e Contábil Para iniciar seus estudos A Auditoria é um procedimento contábil responsável pela conferência e análise dos relatórios contábeis de uma empresa. Objetivos de Aprendizagem • Explanar sobre a aplicação da Auditoria Financeira: usuários (público alvo), objeto, objetivo; Papel da Auditoria; Métodos de Auditoria; Tipos de Auditoria;Auditoria das Demonstrações Financeiras; e, Diferenças de Auditoria Interna e Externa. 19 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil 1. Aplicação da Auditoria Financeira Figura 1– Aplicação da Auditoria Legenda: Aplicação da Auditoria Fonte: https://pt.123rf.com/search.php?word=calculadora&srch_lang=pt&imgtype=&Submit=+&t_word=&t_lang=pt&ord erby=0&sti=niunfztabie6q8g1t5|&mediapopup=49370568 A administração de uma sociedade tem como objetivo principal, apresentar as demonstrações contábeis e divul- gações necessárias e esclarecedoras à empresa, seja ela privada ou pública. É de suma importância o parecer dos auditores sobre os demonstrativos pois, representa confiabilidade às informações fornecidas. Todos devemos saber de alguma forma, se as informações sobre os recursos gerados e aplicados, o resultado operacional, a variação patrimonial, os números do caixa, se obedeceram aos padrões usuais aceitos pelas nor- mas contábeis. Como dimensionar se esses controles e técnicas contábeis, estão em obediência às normas regu- lamentadoras? A NBC TA 01 – Estrutura Conceitual que define os elementos e os objetivos de um trabalho de asseguração, identificando os trabalhos e as Normas Técnicas de Auditoria (NBC TA), Normas Técnicas de Revisão (NBC TR) e Normas para Outros Trabalhos de Asseguração (NBC TO). Ela proporciona orientação e referência para: • profissionais de contabilidade na prática de auditoria; • outros envolvidos em trabalhos de asseguração, incluindo os usuários previstos do relatório de assegu- ração; e, • emissão de normas técnicas (NBC TA, NBC TR e NBC TO) pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). As NBC TA, NBC TR e NBC TO descrevem todos os princípios básicos e procedimentos essenciais para orientação dos auditores quanto aos trabalhos de asseguração. É aí neste espaço que a auditoria mostra sua importância. Valendo-se de normas e padrões de natureza téc- nica e ética claramente determinados, a auditoria torna-se elemento importante no sistema de informações da empresa, de aferição de desempenho e prestação de contas da administração. A auditoria não substitui a 20 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil função da administração da empresa; não se deve ter em mente que se há uma estrutura administrativa forte, não é necessária a auditoria; ou, ao contrário, se a estrutura organizacional tem auditor é porque sua estrutura administrativa é deficiente. O administrador deve contar com a auditoria para que possa ter à disposição dos usuários e níveis decisórios, dados informativos e concisos. E é papel da auditoria realizar uma avaliação independente com relação à posição patrimonial e financeira da organização. Não há como interpretar que tenha conflitos entre o trabalho do administrador que iniba o trabalho do auditor e vice-versa. O que não é possível é assumir a ideia de que as funções são descartáveis entre si. Seria o mesmo que um time no qual o atleta acumula também as funções de técnico e de jogador. O administrador é parte do sistema contábil e de controle interno; portanto, seu julgamento, discernimento e estratégias são canalizados para certos limites, e a avaliação independente dos profissionais de auditoria, juntamente com suas técnicas e experiência. O contador deve conhecer densamente as técnicas de apresentação das demonstrações contábeis. Já o auditor, deve conhecer detalhadamente as técnicas para poder avaliar se essas demonstrações contábeis representam coerentemente a posição patrimonial e financeira da organização. Claro que a auditoria independente guarda uma relação direta e acentuada com os negócios. Consequente- mente, o nível de interesse em ter demonstrações contábeis com parecer de auditores depende do método de trabalho do empresário, do envolvimento do acionista, da responsabilidade do administradores e sócios. Outro aspecto de fundamental importância: quando acompanhado do parecer dos auditores independentes, o grau de confiabilidade é outro. Um exemplo característico sobre a confiabilidade das informações está relacionado com os dados estatísticos de desempenho das empresas, extraídos de demonstrações contábeis, nem sempre (ou quase nunca) submetidas à auditoria. Não queremos dizer que esteja de todo errado, mas não há absoluta segurança de que os princípios de contabilidade, que garantem a adequada medição de variação patrimonial, foram seguidos. Além do que, o sistema contábil e de controle interno, geralmente é direcionado para assegurar com relativa certeza, que as transações contábeis-financeiras, foram corretamente contabilizadas, permitindo informações financeiras práticas, confiáveis e úteis. De certa forma, estamos diante de um processo de conscientização, tanto da parte das empresas, como da parte dos contadores, necessários para o trabalho do auditor. O público usuário deve solicitar, e o empresário aceitar, que a auditoria, como parte integrante do sistema de informações econômico-financeiras, realize o seu trabalho. Devemos insistir. Se necessário, vamos estudar e reformular as normas e aprimorar os princípios fundamentais da contabilidade em função da realidade econômica; vamos estabelecer uma linguagem simples, desenvolver padrões tecnicamente perfeitos, porém acessíveis. Em um levantamento feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base nos demonstrativos financei- ros das empresas, chegou-se à conclusão que existem situações a serem observadas pelas empresas, principal- mente as companhias abertas, quanto aos itens mais relevantes do balanço patrimonial destas empresas. O prin- cipal problema identificado, segundo a CVM, é a omissão de informações relevantes, principalmente nas notas explicativas que acompanham os balanços patrimoniais. Esse problema deve-se, talvez, ao fato de os normativos exigindo mais transparência, serem uma novidade para as companhias, em função das mudanças contábeis para o padrão internacional IFRS. A atividade fundamental do auditor independente, é expressar uma opinião sobre as demonstrações contábeis. A auditoria é disciplinada pela NBC TA 200 – Objetivos Gerais do Auditor Independente e a Condução da Audi- toria em Conformidade com Normas de Auditoria. Para fins desta Norma, os termos a seguir possuem os signifi- cados a eles atribuídos: • Responsáveis pela governança são os indivíduos que possuem responsabilidade pela supervisão geral das empresas. • Administração são os indivíduos que possuem responsabilidade executiva mas que não são os sócios da empresa. 21 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil De acordo com a Resolução 820/1997 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), por sua natureza, a auditoria constitui “o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis, consoante os Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabili- dade e, no que for pertinente, a legislação específica”. A auditoria das demonstrações contábeis é um conjunto de procedimentos técnicos que objetiva a emissão de relatórios, obedecendo aos Princípios de Contabilidade. Este procedimento previne situações que dê margem a fraudes. Também é função da auditoria, resguardar o patrimônio da organização auditada. O profissional de auditoria surgiu da necessidade que os usuários tinham de obter informações contábeis inde- pendentes e objetivas da situação econômica e financeira da organização. No entanto, com o crescimento da função de auditoria, fez-se também necessário um desenvolvimento pros- pectivo e mais estrito da norma que regula sua aplicação, com a finalidade de permitir garantias aos usuários de uma informação com todas as suas características, desde o ponto de vista das ciências das comunicações, ou seja, uma informação clara, acessível, confiável, com conteúdo, formato e que adquira valor quando se faça uso dela, devendoser organizada para poder ser ajustada às necessidades daqueles que a utilizam, segundo Con- senza e Grateron (2003). A auditoria contábil é aplicada às companhias abertas, sociedades e empresas que integram o sistema de distri- buição de valores mobiliários, art. 26 da Lei no 6.385/76. Também terão suas demonstrações auditadas regularmente as empresas que: • faturarem mais que R$ 300 milhões por ano; • possuírem ativos superiores a R$ 240 milhões, Lei no 11.638/2007. Atualmente, não há qualquer imperativo legal nos termos da Lei no 11.638/2007 que obrigue as sociedades limitadas de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras. Assim, não existe obrigação de cumprir o art. 289 da Lei no 6.404/76. A auditoria independente é obrigatória para entidades filantrópicas que arrecadem mais de R$ 2,4 milhões. A Lei Federal no 12.101/2009 define o parâmetro: As entidades filantrópicas que tenham faturamento superior a R$ 2,4 milhões por ano, são obrigadas a apresentar suas demonstrações contábeis devidamente auditadas por auditor independente, legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade e desobrigadas de ter o seu registro na CVM, conforme item VIII do art. 29 da Lei no 12.101/2009. Essa lei tomou como base os valores previstos na Lei Complementar no 123/2006. O limite estabelecido por essa lei, é o mesmo aplicado para fatu- ramento-limite das Microempresas e da Empresa de Pequeno Porte. Assim, havendo alterações destes limites, automaticamente será alterado o teto de faturamento que torna obrigatória a ação da auditoria independente. As empresas Sociedades Anônimas (com capital aberto), instituições financeiras (bancos, financeiras, distribuido- ras, corretoras), companhias de seguro, fundações públicas, fundos de previdência complementar e sociedades de grande porte, estão obrigadas a submeter suas demonstrações contábeis ao exame de auditoria independente. 2. O Papel da Auditoria A auditoria como ciência contábil pode ter objetivos específicos que podem ou não estar relacionados à conta- bilidade de uma empresa, daí a existência de diferentes usuários e objetivos. As expectativas da economia, com a enorme variação de preços, taxas de juros que alcançam patamares jamais vistos, a perspectiva de um ajuste fiscal, reforma tributária e previdenciária, todas essas tendências são visivel- 22 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil mente fortes na atual conjuntura de mercado. Nesse sentido, pode ou não haver cortes em despesas; já não existem muitas opções para aumento de receitas. A empresa, utilizando-se disto, pode remodelar-se para adquirir solidez necessária para o início de suas opera- ções e, principalmente, manter-se no mercado. Neste caso, o auditor passa a ser de muita utilidade na empresa, pois assegura meios de atrair investidores e possíveis acionistas. Assim, a auditoria como ciência, passou a ter um reconhecimento maior de suas atividades. Porém, muitas empresas enxergam a auditoria como um custo para a empresa, e não como um benefício. A NBC TA 570 – Continuidade Operacional trata da responsabilidade do auditor independente, na auditoria de demonstrações contábeis, em relação ao uso do pressuposto de continuidade operacional, pela administração, na elaboração das demonstrações contábeis. De acordo com o pressuposto de continuidade operacional, a enti- dade é vista como continuando em operação em futuro previsível. As demonstrações contábeis, para fins gerais, são elaboradas com base na continuidade operacional, a menos que a administração pretenda liquidar a enti- dade ou interromper as operações, ou não tenha nenhuma alternativa realista além dessas. As demonstrações contábeis, para propósitos especiais, podem ou não ser elaboradas de acordo com uma estrutura de relatório financeiro para a qual o pressuposto de continuidade operacional é relevante (por exemplo, o pressuposto de continuidade operacional, não é relevante para algumas demonstrações contábeis elaboradas para fins fiscais em algumas circunstâncias). Quando o uso do pressuposto de continuidade operacional é apropriado, ativos e passivos são registrados considerando que a entidade será capaz de realizar seus ativos e liquidar seus passivos no curso normal dos negócios. A responsabilidade do trabalho de auditoria é ampla, e o responsável deve ter total independência. Lembrando que existe questões legais envolvidas, que podem gerar, inclusive, a possibilidade de o auditor responder pro- cesso jurídico, caso cause prejuízos a terceiros, em razão do trabalho ser executado de forma incorreta. Estas situações, que se espera encontrar em um auditor, tais como independência, confidencialidade, responsa- bilidade e capacitação profissional, fazem da auditoria uma profissão de destaque e, em função disso, deve ser mais devidamente explorada. O trabalho de auditoria pode ser de grande interesse da empresa, e a conclusão destes trabalhos podem gerar um custo-benefício muito importante para a empresa, tais como: assessoria no planejamento estratégico e tri- butário da empresa, novas práticas no controle de atividades e patrimoniais; podem gerar uma avaliação de desempenho novos para as atividades da empresa, e atualização de sistemas de informações e gestão; possíveis planos de reorganização societária e, via de regra, pode gerar expansão de atividades. A ação da auditoria independente faz com que esta profissão deixe de ser vista como um custo para a empresa, para assumir uma postura como grande instrumento de apoio à gestão da empresa. 2.1. Métodos de Auditoria Os métodos aplicados no trabalho de auditoria, podem ser de dois tipos: o de retrospecção e o de análise, pelo trabalho técnico a ser realizado. O trabalho de retrospecção é uma técnica de auditoria em que se verificam fatos passados, que já ocorreram na empresa. Já a técnica de análise, o fator predominante é a conduta de trabalho na técnica de auditoria utilizada. 23 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil Geralmente, as execuções dos trabalhos envolvem: levantamento das rotinas administrativa, financeira e contá- bil; planejamento do trabalho de auditoria; levantamento das provas documentais; relatório final de auditoria e por fim, certificados. Em cada uma dessas fases, a técnica de auditoria fornece processos de execução que serão devidamente estu- dados no desenvolver do presente trabalho, constituindo matéria ou objeto da pesquisa e da orientação profis- sional. A norma é exercer a verificação sobre fatos passados e em todas as verificações usar a decomposição de todos os elementos do fato, isto é, sua análise. 2.2. Tipos de Auditoria Auditoria de demonstrações financeiras Para entender o conceito de auditoria de demonstrações financeiras é necessário, primeiro, entender sua função. As demonstrações contábeis/financeiras, devem observar alguns requisitos, dentre os quais: • informar aos usuários dos critérios adotados; • apresentar parecer de terceiros (alheios à empresa), sobre a confiabilidade das demonstrações contábeis. Para informar aos usuários, são obedecidas as regras conhecidas como princípios e normas de contabilidade, com o objetivo de elaborar as demonstrações financeiras e avaliar o patrimônio e sua apresentação. Quanto à apresentação do relatório de auditoria a terceiros, alheios à empresa, o auditor pode emitir parecer técnico sobre sua finalidade. Auditoria operacional ou de gestão A auditoria conhecida como auditoria operacional, tem como propósito a análise dos objetivos da empresa, com a finalidade de medir a eficiência da gestão operacional da empresa. Geralmente, sua técnica é na medição dos métodos adotados pela empresa, com a finalidade de avaliar se os recursos da empresa estão sendo usados de forma eficiente e se estão sendo alcançados os objetivos operacionais da empresa. Em resumo, a auditoria ope- racional é um processo de avaliação de desempenho. Principaisobjetivos da auditoria de gestão: • Participação da auditoria em todos os processos da empresa. • Avaliação de indicadores que buscam estabelecer padrões de excelência na empresa. 24 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil Tipos de auditoria operacional ou de gestão As auditorias operacionais podem ser: a. Revisão limitada: o auditor examina as transações da empresa de modo global ou analítico, porém sem ter a necessidade de aplicar as normas de auditoria. Para esse tipo de trabalho, o auditor emite um relató- rio longo (ressaltando que os serviços não foram executados segundo as normas) comentando como se compõem os saldos das contas sem entrar no mérito de examinar ou não, segundo a sua conveniência, os respectivos comprovantes hábeis e também sem a obrigatoriedade de observação dos inventários físicos. b. De caixa: específica para determinar a extensão de fraudes. c. Parciais: constituindo-se em: » auditoria apenas em determinados setores. Exemplos: exame das contas à receber; faturamento e cobrança; eficiência do setor de crédito; confirmações etc.; » auditoria para determinar responsabilidades contingentes (processos em andamento, cálculos de juros, correção e outras obrigações); » auditoria de estoques e custos de produção. d. De fusão ou incorporação de empresas. e. De avaliação dos negócios para fins de aquisição. f. De ativos fixos, de investimentos etc. A auditoria das Demonstrações Financeiras/Contábeis é o único tipo de auditoria que o auditor emite um rela- tório final. Natureza A auditoria interna é um trabalho executado pelo próprio auditor funcionário da empresa, e o objetivo principal é melhorar as operações da empresa, de forma a melhorar a atividade em si. Auditoria tributária A auditoria tributária objetiva o exame e a avaliação de planejamento tributário quanto ao pagamento e recupe- ração de impostos. Auditoria de sistemas A auditoria de sistemas objetiva aperfeiçoar a utilização de recursos de processamento de dados, e diminuir os riscos envolvidos nos processos de geração de informações Objetiva também, o exame e avaliação das estruturas lógica, de controle e segurança de sistemas. 25 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil Auditoria de compliance Tem como objetivo de trabalho, o cumprimento das normas e procedimentos estabelecidos pela empresa. Auditoria ambiental A auditoria ambiental é um trabalho que revisa as normas da empresa, em relação à sustentabilidade e o meio ambiente. Auditoria na saúde A auditoria hospitalar geralmente é aplicada nas áreas de saúde. Auditorias especiais Os trabalhos de auditoria especial independem de designação formal, devendo, porém, ser objeto de relató- rio específico circunstanciado dos fatos examinados, elaborado em caráter restrito ou confidencial. Incluem-se nesta modalidade os exames de fraudes, irregularidades, desmobilização, aquisição, fusão, cisão e incorporação de empresas, contratos especiais de grande vulto, entre outros, conforme Jund (2007). 2.3. Auditoria das Demonstrações Financeiras O auditor deve conhecer bem o sistema contábil e os controles internos aplicados pela empresa, isso é necessá- rio para determinar os procedimentos de auditoria a serem realizados, tais como: conhecimento do sistema de contabilidade da empresa; confiabilidade das informações do sistema contábil, e por fim, a confiabilidade dos controles internos da empresa. 26 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil Figura 2 – Auditoria das Demonstrações Financeiras Auditoria das Demonstrações Financeiras Fonte: https://pt.123rf.com/search.php?word=auditoria&t_word=auditing&t_lang=pt&srch_lang=pt&imgtype=2&searcho pts=&selectFresh=&num_ppl=&color=&exclude=&mediapopup=45050492 O auditor deve sempre revisar os procedimentos contábeis adotados pela empresa, sejam os aplicados no exer- cício anterior e naquele exercício em que o trabalho de auditoria está sendo realizado. O auditor deve verificar os procedimentos contábeis que foram utilizados no exercício anterior, e se o trabalho do exer- cício anterior foi examinado por outro auditor, deve-se analisar todos os relatórios elaborados por estes auditores. Caso seja contratada uma nova empresa para a realização da auditoria, esta deve fazer um estudo comparativo, para verificar quais foram os critérios adotados no exercício anterior. Se for a primeira vez que a empresa contrata uma auditoria, cabe ao auditor responsável, explicar os procedimentos e a metodologia de trabalho a serem adotados. Quando o auditor verifica que a empresa utilizou de procedimentos contábeis que não atendem aos Princípios de Contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade vigentes, ele deve conversar a respeito disso com a administração da empresa, caso contrário, deve emitir uma ressalva no relatório de auditoria. 2.4. Diferenças de Auditoria Interna e Externa A auditoria pode ser geral/sintética ou detalhada/analítica. Nesse sentido, tanto o auditor interno como o auditor externo, deve realizar: um controle cujo objetivo é proteger o patrimônio da empresa; e um sistema de contabilidade capaz de fornecer dados para emitir de forma satisfa- tória as demonstrações contábeis. Auditoria interna A auditoria interna não é obrigatória. Geralmente serve como um instrumento de apoio à gestão da empresa. A auditoria operacional ou interna no pronunciamento NBC T 12 é definida da seguinte maneira: “A auditoria interna constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo examinar a integridade, adequação 27 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil e eficácia dos controles internos e das informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da entidade.” A auditoria operacional é um trabalho de avaliação dentro da empresa, que é executada pelo auditor, funcionário da empresa, de confiança dos dirigentes. Seu principal objetivo é auxiliar todos os membros da administração no desempenho efetivo de suas funções e responsabilidades. Este trabalho compreende exames, análise, avaliações e levantamentos metodologicamente estruturados, para a avaliação da integridade, adequação e eficácia dos processos. O auditor interno tem interesse por tudo que ocorre na empresa, para ter uma visão mais abrangente, mais com- pleta das operações que estão sob sua análise, principalmente: • À aplicação de controles internos; • Cumprimento de procedimentos da empresa; • Proteger e resguardar ativos da empresa; • Avaliação da qualidade dos padrões da empresa; • Melhorias operacionais. A auditoria interna, portanto, auxilia a administração da empresa, no desempenho da gestão. Por ser empregado da empresa, o auditor interno perde sua independência profissional. As responsabilidades da auditoria interna na empresa devem ser claras e definidas, obedecendo as normas da empresa. O auditor interno deve informar e assessorar a empresa e coordenar as atividades com outros profissionais liga- dos à empresa. No desempenho de seu trabalho, o auditor não tem responsabilidade direta pelas atividades que realiza. A independência é fator primordial para a auditoria interna, porque: • O responsável pelas atividades de auditoria tem que reportar-se a um executivo para que seu trabalho seja autorizado e para que os assuntos abordados sejam realmente efetivados. • A objetividade é essencial à auditoria. O auditor não deve implantar procedimentos, mas pode elencar recomendações de padrões de controle para a empresa fazer. Um dos objetivos do auditor é examinar a eficiência dos controles internos da empresa. A principal finalidade do trabalho de auditoria, é avaliar a qualidade das normas da empresa e os procedimentos operacionais adotados pela empresa. A NBC TA 610, que dispõe sobre a utilização do trabalho de auditoria interna, trata da responsabilidade do audi- tor independente, quando ele utilizao trabalho dos auditores internos. Isso inclui: (a) utilizar o trabalho da função de auditoria interna na obtenção de evidência de auditoria; e, (b) utilizar os auditores internos para prestar assis- tência direta ao auditor independente, fazendo parte da equipe e trabalhando sob a direção, supervisão e revisão do auditor independente. No Brasil não existe nenhum regulamento que proíba que o auditor utilize a assistência direta de auditores inter- nos da empresa. O contador deve ter conhecimento profissional e sempre se atualizar quanto às Normas Brasileiras de Contabili- dade e das técnicas contábeis, assim como na área de auditoria. 28 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil O contador deve manter conhecimento profissional e constantes atualizações tanto quanto às Normas Brasilei- ras de Contabilidade e de técnicas contábeis, bem como na área de auditoria, para que o trabalho de auditoria, quando realizado, seja facilitado. Além disso, deve atuar de maneira imparcial e responsável, limitado à sua atuação. Sua equipe de apoio deve ter capacitação profissional. Também deve prestar assessoria ao Conselho Fiscal ou órgãos equivalentes, quando solicitado. Auditoria externa Segundo o CFC, a auditoria externa compreende “o conjunto de procedimentos técnicos que têm por objetivo a emissão de um parecer sobre sua adequação, consoante os Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e no que for pertinente, à legislação específica”. O objetivo da auditoria externa é a emissão de relatório final sobre as demonstrações contábeis da empresa. A auditoria externa é executada por profissionais que não possuem nenhuma ligação com a empresa auditada. Um exemplo é a auditoria exigida pelo Banco Central, trabalho típico de auditor externo independente. Nela, a extensão e a profundidade dos exames devem cingir-se à necessidade de certificar o balanço. Não importa que o trabalho alcance eventos detalhados, as mais minuciosas operações se necessário; continua sendo trabalho de auditoria externa. O auditor externo, dada a credibilidade que oferece ao mercado, se constitui numa figura de inestimáveis servi- ços à empresa. O auditor independente deve manter uma atitude mental também independente, com competência profissional e grau de independência junto à empresa. A responsabilidade do auditor independente sobre as demonstrações contábeis vai até o último dia de prestação de serviços de auditoria. A Instrução CVM no 381/2003 dispõe sobre a divulgação, pelas empresas auditadas, de informações sobre a prestação, pelo auditor independente, de outros serviços que não sejam de auditoria externa. As empresas audi- tadas deverão divulgar a política ou procedimentos adotados pela companhia para evitar a existência de conflito de interesse, perda de independência ou de objetividade de seus auditores independentes. A NBC TA – Estrutura Conceitual identifica o relacionamento entre três partes (auditor independente, a parte responsável e os usuários previstos) e estabelece mais quatro elementos que necessariamente devem estar pre- sentes em um trabalho de asseguração executado por um auditor independente, que são: objeto apropriado; critérios adequados; evidências apropriadas e suficientes; relatório de asseguração escrito de forma apropriada. Diferenças entre auditoria externa e interna Existem diferenças fundamentais entre o auditor interno e o auditor externo, sendo as principais: • extensão dos trabalhos: o trabalho do auditor interno é determinado pela gerência da empresa, enquanto o do auditor externo é determinado pelas normas da empresa ou da legislação; 29 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil • direção: o auditor interno dirige seus trabalhos para que os controles internos funcionem, o do auditor externo, são determinados para que as demonstrações contábeis sejam apresentadas a terceiros; • responsabilidade: a responsabilidade do auditor interno é para com a empresa, ao passo que a respon- sabilidade do auditor externo geralmente é mais abrangente; • métodos: os métodos de trabalho de ambos são os mesmos. Auditoria interna versus externa Embora as técnicas sejam semelhantes, auditoria interna e auditoria externa possuem diferenças: Auditoria externa • não existe vínculo empregatício com a empresa auditada; • os exames das operações são feitos principalmente para atender a sócios, acionistas, investidores, e demais interessados. Auditoria interna • existe vínculo empregatício com a empresa auditada; • os exames das operações são feitos principalmente visando aos aspectos de eficiência operacional/ administrativa. Podemos concluir que a diferença básica entre a auditoria interna e a externa, refere-se ao grau de independên- cia existente. O sucesso do auditor independente, em um mercado altamente sofisticado, deve-se única e exclusivamente, ao elevado grau de capacidade e especialização e à independência no exercício de sua atividade. Isto não menospreza o auditor que, embora subordinado à empresa, mantém também seu grau de indepen- dência e seu alto grau de conhecimento técnico e sobre as normas internas da empresa, inclusive melhor que o auditor externo. Seus relatórios apenas terão menor influência no campo externo, pois são dirigidos à presidência da empresa. Geralmente, os trabalhos que são examinados pelo auditor interno coincidem com os trabalhos examinados pelo auditor externo. O trabalho do auditor interno e do auditor externo consiste no exame de papéis de trabalho, e com isto é reduzido o tempo de permanência do auditor externo na empresa e reduzido o custo dos honorários a serem pagos para o auditor externo. O auditor independente executa inúmeros outros serviços, sem que tenha de emitir sua opinião em consonância com as normas de auditoria. Ele simplesmente apresenta um relatório longo das observações colhidas sobre o trabalho executado. Exemplo: trabalho sobre uma concorrência, cujo relatório não será divulgado ao público. Pode ser contratado para analisar a fusão e incorporação de empresas, efetuar levantamento e preparar diag- nóstico da empresa para fins de aquisição de outras empresas para seus clientes, pode efetuar investigações para dimensionar o montante de roubos, fraudes. O controle e fiscalização desses atos é feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Lei das Sociedades por Ações estabelece os princípios que presidem o mercado de valores mobiliários; à CVM compete atuar nesse mercado como agente encarregado de fazer cumprir as normas estabelecidas em favor do 30 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil próprio mercado e de seus intervenientes. A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. No exercício de suas atribuições, a CVM poderá examinar registros contábeis, livros de registros contábeis, livros e documentos das pessoas sujeitas à sua fiscalização; intimá-las a prestar informações, sob pena de multa; requisitar informações de órgãos públicos, autarquias e empresas públicas; determinar às companhias abertas a republicação de demons- trações financeiras e outros dados; apurar infração mediante inquérito administrativo; e, aplicar penalidades. A auditoria externa somente é exercida por contador ou bacharel em Ciências Contábeis ou seu equiparado legal, registrado no Conselho Regional de Contabilidade. É proibido ao técnico de contabilidade exercer a auditoria externa. Os objetivos da administração com a auditoria são úteis para a organização e não devem atuar dentro de um espírito de fiscalizar; mas sim ajudar na solução de problemas ao invés de criá-los. Qual o diferencial competitivo de mercado de uma empresa que possui procedimentos de auditoria de outra empresa que não o possui? Técnicas de Amostragem utilizadas nas empresas de Auditoria http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1519-70772006000100006 Guia deControle para Empresas de Auditoria http://www1.cfc.org.br/conteudo.aspx?codMenu=117 31 Considerações finais Nesta unidade você viu quais as funções da auditoria, seu papel, funcio- nalidade, objetivo e objeto. Aprendeu as principais diferenças entre Auditoria Interna e Externa. Verificou a importância da Auditoria nas Organizações, e os tipos de Audi- toria existentes. Referências bibliográficas 32 ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1988. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas e procedimentos de auditoria. 3. ed. Rio de Janeiro: CFC, 1991. COSENZA, J. P. GRATERON, I. R. G. A auditoria da contabilidade criativa. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília – DF, ano 32, n. 143, p. 42-61, set./out. 2003. CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2012. FERNANDES, A. M. Auditoria das demonstrações contábeis. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2011. FRANCO, H.; MARRA, E. Auditoria contábil. São Paulo: Atlas, 1985. IBRACON. Princípios contábeis: normas e procedimentos de auditoria. São Paulo: Atlas, 1988. JUND, S. Auditoria. 9. ed. Rio de Janeiro: Impetus/Campus, 2007. JUND FILHO, S. L. Auditoria: conceitos, normas, técnicas e procedimen- tos. 6. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2004. MAUTZ, R. K. Princípios de auditoria. São Paulo: Atlas, 1985. 2 v. MOTTA, J. M. Auditoria: princípios e técnicas. São Paulo: Atlas, 1988. 33 Auditoria Financeira | Unidade 2 - Importância da Auditoria Financeira e Contábil NASI, A. C. Auditoria independente: caminhos percorridos e perspectivas futuras. Revista Brasileira de Contabi- lidade, Brasília, (84):15-22, set. 1993. SANTOS, W. A. Características e alcance da auditoria no setor governamental. Revista Brasileira de Contabi- lidade, Brasília, (79):64-73, jul. 1992. VAINI, L. C. O auditor do futuro. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília, (81):33-6, dez. 1992. 35 3Unidade 3 Demonstrações Financeiras e Contábeis Para iniciar seus estudos As Demonstrações Contábeis, também conhecidas como Demonstrações Financeiras, são relatórios contábeis necessários para análise econômico- -financeira de uma organização. Para que a análise possa refletir os resultados da empresa, é necessá- rio que o auditor tenha plena convicção dos números apresentados nas Demonstrações, bem como observar se todos os procedimentos reco- mendados pelas normas vigentes foram seguidos pela empresa. Objetivos de Aprendizagem • Apresentação das demonstrações contábeis mais relevantes para uso nos processos de auditoria financeira; • Balanço Patrimonial (BP); • Demonstração de Resultado do Exercício (DRE); • Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL); • Demonstrações de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA); • Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC); e, • Demonstração do Valor Adicionado (DVA). 36 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis 1 – Apresentação das demonstrações contábeis mais relevantes para uso nos processos de auditoria financeira Figura 1 – Demonstrações Financeiras Demonstrações Financeiras Fonte: https://pt.123rf.com/search.php?word=financeiro&srch_lang=pt&imgtype=&t_word=financial&t_lang=pt&oriSearc h=demonstra%E7%E3o+financeira&sti=mqwhcst0b5k4loi7au|&mediapopup=46713412 As demonstrações financeiras e as Demonstrações Contábeis assim denominadas pela Lei nº 6.404/76, são rela- tórios elaborados com base na escrituração financeira exercida pela empresa. Na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.185/2009, em seu item 9, menciona que “as demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posição patrimonial e financeira e do desemprenho da entidade”. O principal objetivo das Demonstrações Financeiras/Contábeis, é proporcionar a um grande número de usuários, informação sobre posição Patrimonial e Financeira, bem como posição do Caixa da empresa e seu desempenho. Também tem como objetivo também, demonstrar como os gestores aplicam os recursos da empresa, e apresen- tar seu resultado na tomada de decisão, conforme disciplina em seus artigos 176 a 178 da Lei nº 6.404/76. O artigo 176 da Lei nº 6.404/76 determina que ao fim de cada exercício social, a empresa elabore os seguintes relatórios contábeis/financeiros: 37 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis • Balanço Patrimonial; • Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA); • Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); • Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC); e, • Demonstração do Valor Adicionado. No entanto, no artigo 86, parágrafo 2º., dispensa as empresas a elaborar as Demonstrações de Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA), caso a empresa elabore o Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). É importante salientarmos também que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), só está obrigatória a empresas Sociedades Anônimas que tenham Capital Aberto e também para empresas Companhias com capital fechado, mas que tenham Patrimônio Líquido de 2 milhões de Reais. Esta empresa também está dispensada da elaboração do Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC). A Lei nº 6.404/76 também menciona as seguintes situações quanto as Demonstrações Financeiras/Contábeis: • As demonstrações de cada exercício serão publicadas e deverão ser indicados também os valores do exercício anterior. • Contas contábeis semelhantes poderão ser agrupadas, pequenos saldos, agregados, desde que seus valores não ultrapassem 0,1 (um décimo) do valor do grupo. • As demonstrações contábeis devem ser acompanhadas por Notas Explicativas. • As demonstrações contábeis de companhias abertas devem ser auditadas por Auditores Independentes registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As demonstrações contábeis, elaboradas em consonância aos princípios de contabilidade aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), devem especificar natureza, data e período a que se referem. As demonstrações financeiras/contábeis devem ainda ser transcritas no livro Diário ou em livro próprio reservado para esse fim. A Lei nº 6.404/76, ainda determina no artigo 289, que: • As Sociedades Anônimas de Capital Aberto são obrigadas a publicar as demonstrações financeiras, anu- almente, em publicação oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme a sede da compa- nhia, ou em outro jornal de grande circulação editado na mesma localidade. • A CVM poderá́ ainda determinar que as demonstrações financeiras sejam feitas, também publicadas, em jornal de grande circulação nas localidades que as ações da companhia estejam sendo negociadas. • As publicações das demonstrações financeiras deverão ser expressas em Reais. • Também podem ser disponibilizadas as demonstrações financeiras na internet. De acordo com o artigo 175 da Lei das Sociedades por Ações, quem define a data de encerramento das Demons- trações Financeiras, é o estatuto da empresa; contudo, na prática, é adotado o exercício financeiro pela legislação fiscal, ou seja, de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. 38 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis Qual a finalidade de termos tantas Demonstrações Contábeis Financeiras obrigatórias para as empresas? 2. Balanço Patrimonial Figura 2 – Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial Fonte: https://pt.123rf.com/search.php?word=balan%E7o+patrimonial&srch_lang=pt&imgtype=&t_ word=balance+sheet&t_lang=pt&oriSearch=financeiro&sti=loqdpavmy12gysdy6b|&mediapopup=41803661 O Balanço Patrimonial tem por finalidade demonstrar de forma qualitativa e quantitativa, a situação patrimonial e financeira da empresa. Essa demonstração deve ser estruturada de acordo com o art. 178 da Lei nº 6.404/76 e seguindo também os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Além disso, as companhias abertas e demais entidades devem obedecer também o pronunciamento técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) 26 (R1). O Balanço Patrimonial é uma demonstraçãocontábil, obrigatória, sendo que essencialmente sua apresentação é de forma sintética com ordenação de saldos monetários de todos os valores que integram o patrimônio da empresa em determinada data. 39 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis No Balanço Patrimonial são apresentadas as contas contábeis que representam o patrimônio da empresa em determinado momento com seus respectivos valores, de modo que seja permitido uma análise da situação patri- monial e financeira da mesma. No Balanço Patrimonial temos elementos que compõem o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido da empresa em determinado momento. 2.1. Ativo Figura 3 – Contas de Ativo Contas de Ativo Fonte: https://pt.123rf.com/search.php?word=aplica%E7%E3o+financeira&start=300&t_word=financial%20 application&t_lang=pt&imgtype=&oriSearch=aplica%E7%F5es%20dinheiro&searchopts=&itemsperpage=100&sti=lrlrw1 eqh9g8vw31sm|&mediapopup=46401115 O Ativo compreende os bens e direitos da empresa, portanto as aplicações. Os componentes do Ativo são com o fim a que se destinam, que geralmente varia conforme o objetivo social da empresa. No Ativo, as contas são elencadas em ordem decrescente de grau de liquidez, classificadas inicialmente neste grupo, a conta caixa, por representar a moeda em espécie de posse da empresa e assim sucessivamente para as demais contas deste grupo, sempre obedecendo o prazo em que o bem ou direitos se convertem em moeda. Liquidez é a facilidade de se converter um item em moeda. 40 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis 2.1.1 Classificação do Ativo: Segundo o Parágrafo Primeiro do artigo 178 da Lei nº 11.941/09, a conta de Ativo é dividida nos seguintes grupos: • Ativo Circulante: Em síntese, podemos dizer que são classificados no Ativo Circulante o dinheiro e os direitos que podem ser con- vertidos em dinheiro durante o ciclo operacional da empresa, e também compreende as despesas do exercício seguinte (art. 179, I, Lei nº 6.404/76). O Ativo Circulante possui os seguintes subgrupos: Disponibilidades, Direitos Realizáveis e Despesas do Exercício Seguinte. • Ativo Não Circulante No Ativo Não Circulante são classificados os bens e direitos que não são tão facilmente convertidos em dinheiro durante o ciclo operacional da empresa. O Ativo Não-Circulante possui os seguintes subgrupos: Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Ativo Imobilizado e Ativo Intangível 2.2. Passivo Figura 4 – Contas de Passivo Contas de Passivo Fonte: https://pt.123rf.com/search.php?word=peso+dinheiro&start=200&t_word=weight%20money&t_ lang=pt&imgtype=&oriSearch=homem%20dinheiro&searchopts=&itemsperpage=100&sti=od5y9f32rzuypmw2jw|&med iapopup=67918124 41 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis No Passivo representamos as obrigações da empresa, tanto para com terceiros, quanto para os sócios da empresa e podemos dizer que nele compreende as origens de recursos. No Passivo, as contas são dispostas em ordem decrescente de exigibilidade, ou seja, quanto menor o prazo de vencimento das obrigações nele contidos, mais no início do grupo do passivo esta conta deve ser classificada. Podemos dizer que, segundo o Parágrafo Segundo, do art. 178 da Lei nº 11.941/09, o Passivo é classificado nos seguintes grupos: • Passivo Circulante: Nesse grupo estão classificadas as obrigações da empresa cujo pagamento se espera que ocorra dentro do exercício social da empresa. • Passivo Não Circulante: São classificadas no Passivo Não Circulante as obrigações da empresa cujo venci- mento do título esteja inserido após o exercício social, ou seja, geralmente se referem aos mesmos itens classificados no passivo circulante, mas com vencimento em prazo superior ao exercício seguinte. • Patrimônio Líquido: O Patrimônio Líquido é representado pela diferença entre o valor do Ativo e do Pas- sivo, que em resumo, é o valor contábil que pertence à empresa. Segundo o Parágrafo Segundo, do art. 179 da Lei nº 11.638/07, o Patrimônio Líquido é dividido nos seguintes subgrupos: • Capital Social, Reservas de Capital, Ajustes de avaliação patrimonial, Reservas de lucros, Ações em tesou- raria, Lucros ou Prejuízos acumulados. 3. Demonstração do Resultado do Exercício Para entendermos este demonstrativo temos que passar alguns conceitos do que é nele demonstrado. O Demonstrativo do Resultado do Exercício representa a diferença entre as receitas recebidas pela empresa, menos as despesas em um determinado período assim entendido: Ocorre Lucro quando as receitas forem maiores que as despesas (R > D) Ocorre Prejuízo quando as receitas forem menores que as despesas (R < D) E o resultado é nulo quando as receitas forem iguais as despesas (R = D). 3.1. Diferenças entre Receita e Despesa. Receita: Podemos definir receita conforme o texto que consta no item 4.25 do pronunciamento conceitual básico do CPC (R1): “aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do Patri- mônio Líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade”. A receita surge no curso das atividades que a empresa exerce geralmente e pode ser designada por uma varie- dade de nomes, tais como: vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 42 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis Despesa: Podemos definir as despesas conforme está expressa na alínea b do item 4.25 do pronunciamento conceitual básico do CPC (R1): “como decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incrementos em passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade”. Diante do exposto, podemos dizer que a Demonstração do Resultado do Exercício demonstra como ocorre a formação do resultado do exercício, mediante confronto entre as contas de receitas, contra as contas de custos e despesas incorridas no exercício. Essa demonstração deve ser apresentada na posição vertical e discriminando seus componentes de forma orde- nada. A Demonstração do Resultado do Exercício apresentará as receitas do período, independente se foram recebidas ou não; apresentará também as despesas, independente se foram pagas ou não. Nas normas brasileiras, pelo CPC, quanto a estrutura da demonstração do resultado do período, nos itens 81 ao 105 do pronunciamento técnico CPC 26 (R1), que manteve a obrigatoriedade de elaboração e divulgação da demonstração do resultado do exercício prevista na legislação societária, mas substituiu do título da demons- tração para a expressão “do exercício” por “do período”. Assim, esse componente das demonstrações contábeis passará a ser denominado de demonstração do resultado do período. Normas Brasileiras de Contabilidade e Auditoria: <http://www1.cfc.org.br/conteudo.aspx?codMenu=116> De acordo com os itens 82 e 98 do pronunciamento técnico CPC 26 (R1), a demonstração do resultado do perí- odo deve divulgar, no mínimo, as seguintes operações • receitas; • custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços prestados; • lucro bruto; • despesas com vendas; • despesas gerais e administrativas; • outras despesas e receitas operacionais; • resultado de investidas pelo método de equivalência patrimonial; • ganhos e perdas de capital; • resultados antes das receitas e despesas financeiras; • despesas financeiras; 43 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis • receitas financeiras; • resultado antes dos tributos sobre o lucro; • despesa com tributos sobre o lucro; • resultado líquido do período. 4. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) A Lei nº 11.638/07 tornou obrigatória a apresentação da DMPL, completando o conjunto de Demonstrações Contábeis a serem publicadas pelasempresas. Essa demonstração tem como objetivo principal, demonstrar as transformações ocorridas no patrimônio líquido das empresas durante o exercício contábil. A entidade deve apresentar na DMPL: a. o resultado abrangente do período, separando o montante total atribuído aos proprietários da empresa controladora e o montante correspondente à participação dos não controladores; b. para cada componente do patrimônio líquido, as alterações nas políticas contábeis e as correções dos erros; c. para cada componente do patrimônio líquido, conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando as mutações decorrentes: » do resultado líquido; » de cada item dos outros resultados abrangentes; e, » de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário (integralizações e as dis- tribuições realizadas, bem como modificações nas participações societárias que não implicaram na perda do controle da empresa). O patrimônio líquido apresenta o capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados, se legalmente admitidos, os lucros acumulados. A empresa deve apresentar na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, os dividendos reconhecidos como distribuição de lucro aos proprietários durante o período contábil. As alterações no patrimônio líquido da empresa, devem refletir o aumento ou a redução nos seus ativos durante o período. A elaboração da DMPL sempre tem origem nas transformações ocorridas no Patrimônio Líquido, demonstrando quais contas sofreram alteração e os respectivos montantes. O patrimônio líquido é o elemento mais importante na análise patrimonial, pois suas transformações impactam diretamente no lucro dos sócios. Assim, a análise da demonstração das mutações do patrimônio líquido é útil para que os sócios saibam se tiveram ou não lucros com a empresa, além de identificar as mutações ocorridas. 44 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é facultativa pelas empresas, mas de acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da Lei das S/A, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) poderá ser incluída nesta demonstração. Em resumo, a DMPL é uma demonstração que é mais completa e abrangente do que a DLPA, uma vez que sua movimentação afeta todas as contas do patrimônio líquido durante o exercício social. 5. Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA) A DLPA demonstra as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados, portanto no Patrimônio Líquido. De acordo com o artigo 186, Parágrafo 2º da Lei nº 6.404/76, a empresa “poderá, à sua opção, incluir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimô- nio líquido”. A DLPA é obrigatória para as sociedades limitadas e outros tipos de empresas, conforme menciona a legislação do Imposto de Renda (art. 274 do RIR/99). A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) deverá conter: 1. o saldos iniciais do período e ajustes de períodos anteriores; 2. Lucros do exercício; e, 3. Transferências de reservas, dividendos, e lucros incorporados ao capital. 6. Demonstrativo do Fluxo de Caixa (DFC) O objetivo da demonstração do fluxo de caixa (DFC) é buscar informações sobre as entradas e saídas de caixa de uma empresa. O DFC tem como objetivo verificar a capacidade da empresa em gerar fluxo de caixa e equivalentes. A demonstração dos fluxos de caixa, se usada com as demais demonstrações contábeis existentes, fornecem muitas informações que permitem avaliar as mudanças nos ativos da empresa e sua capacidade em mudar estes montantes. A Conta Caixa corresponde dinheiro em espécie e depósitos bancários. Já os equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, e estão sujeitas a mudança de valor. Os Fluxos de Caixa correspondem às entradas e saídas das contas caixa e equivalentes de caixa. Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais são: a. recebimentos de caixa: » podem ocorrer pela venda de mercadorias e prestação de serviços; » podem ocorrer pelo recebimento de royalties, honorários, comissões e outras receitas; » podem ocorrer pelo recebimento de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice; » podem ocorrer decorrentes de contratos recebidos e mantidos para negociação imediata. 45 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis b. pagamentos de caixa: » podem ocorrer decorrente de pagamento a fornecedores de mercadorias e serviços; » podem ocorrer decorrentes de pagamentos de caixa a empregados ou por conta de serviços prestados; » podem ocorrer pelo pagamento de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice; » podem ocorrer pelo pagamento de impostos sobre a renda; » podem ocorrer pelo pagamento de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis para venda futura. a. pelo pagamento pela aquisição de ativo imobilizado, intangíveis e outros Ativos não circulantes; b. são recebimentos resultantes da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo. Exemplos de fluxos de caixa resultantes das atividades de financiamento são: a. caixa recebido pela emissão de ações e integralização de capital social; b. pagamentos a sócios e/ou investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade; c. amortização de empréstimos e financiamentos; e d. pagamentos de arrendamentos mercantis financeiros. Existem ainda operações de financiamento e investimento que não afetam o caixa. Isso ocorre quando há́, simul- taneamente, um financiamento e um investimento. Como exemplo, pode-se citar um financiamento a longo prazo, para aquisição de um ativo imobilizado de igual valor. É preciso ressaltar que antes de apurar o efetivo fluxo de caixa, o contador deve fazer as reclassificações necessá- rias no balanço patrimonial para que as informações geradas no DFC não fiquem distorcidas. 7. Demonstrativo do Valor Adicionado (DVA) O objetivo principal da DVA é verificar a riqueza gerada pela entidade e sua respectiva distribuição para governo, funcionários, bancos e sócios. Alguns modelos de balanços sociais incluem a DVA como forma de fornecer informações socioeconômicas aos usuários da informação contábil. Tanto a DVA quanto o balanço social são cada vez mais utilizados pelas empre- sas brasileiras para divulgarem tais informações, além dos impactos sociais e ambientais. Alguns cuidados devem ser observados na construção da DVA, pois, apesar de possuir nomenclaturas muito parecidas com as apresentadas pela DRE, podem causar interpretações equivocadas. Um dos objetivos principais da DVA é o reconhecimento do valor agregado da empresa que vai contribuir para a formação do produto interno bruto (PIB). Cabe salientar que a DVA se tornou uma publicação obrigatória com o advento da Lei nº 11.638/07 que alterou a Lei nº 6.404/76. 46 Auditoria Financeira | Unidade 3 - Demonstrações Financeiras e Contábeis Acesse estes sites: Tax Contabilidade: <http://www.tax-contabilidade.com.br/matTecs/matTecsIndex. php?idMatTec=323> Banco do Brasil: <http://www.bb.com.br> Unafisco Sindical: <http://www2.unafisco.org.br/tributacao/41/report03.htm> Apresentação das Demonstrações Contábeis: <http://cfc.org.br/wp-content/uploads/2016/02/NBC_TSP_1_audiencia.pdf> 47 Considerações finais Nesta unidade você viu quais os principais Demonstrativos Contábeis, sua aplicação, e objetivo. Aprendeu a identificar algumas contas que são demonstradas nestes Demonstrativos. E por fim, verificou a importância destas Demonstrações para os sócios e acionistas das empresas. Referências bibliográficas 48 CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas e procedimentos de auditoria. 3. ed. Rio de Janeiro: CFC, 1991. FRANCO, H.; MARRA, E. Auditoria contábil. São Paulo:Atlas, 1985. IBRACON. Princípios contábeis: normas e procedimentos de auditoria. São Paulo: Atlas, 1988. JUND, Sérgio. Auditoria. 9. ed. Rio de Janeiro: Impetus/Campus, 2007. JUND FILHO, Sérgio Lopes. Auditoria: conceitos, normas, técnicas e pro- cedimentos. 6. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2004. MAUTZ, R. K. Princípios de auditoria. São Paulo: Atlas, 1985. 2 v. MOTTA, J. M. Auditoria: princípios e técnicas. São Paulo: Atlas, 1988. VAINI, Luiz Carlos. O auditor do futuro. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília, (81):33-6, dez. 1992. 50 4Unidade 4Papéis de Trabalho Para iniciar seus estudos Todo auditor deve documentar os pontos relevantes que foram encontra- dos em seu trabalho, com o objetivo de fundamentar seu relatório final e também para comprovar que a atividade foi executada de acordo com as Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis, e também de acordo com a NBC – T – 11 – IT – 02 que registra as evidências obtidas durante a execução dos trabalhos. De acordo com uma das normas de auditoria, o auditor deve elaborar papéis de trabalho que fundamentem sua opinião para que, ao final da auditoria, seja emitido o relatório do trabalho realizado. Os papéis de trabalho representam o registro de todos os procedimentos realizados durante a execução da auditoria e constituem a documentação essencial para a feitura dos trabalhos. Integram todos os procedimentos rea- lizados pela auditoria, seja em papel, ou mesmo por meio eletrônico, de forma que assegure o trabalho do auditor e o fim primordial a que se destinam. Os papéis de trabalho servem essencialmente para: • Ajudar, através da análise de documentos auditorias anterior- mente realizadas; • Facilitar uma revisão do trabalho de auditoria realizado; • Registrar o trabalho executado, para fundamentar o relatório final do auditor. O principal objetivo dos papéis de trabalho é representar as evidências do trabalho executado e também como prova necessária para o relatório final do auditor. 51 Objetivos de Aprendizagem Forma e Conteúdo dos Papéis de Trabalho • Confidencialidade • Descrição e Características dos Papéis de Trabalho • Normas e Organização dos Papéis de Trabalho 52 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho 1. Forma e conteúdo dos papéis de trabalho Figura 1– Papéis de Trabalho de Auitoria Legenda: Papéis de Trabalho de Auditoria ID da imagem: 49150800 https://pt.123rf.com/search.php?word=pap%E9is+&srch_lang=pt&imgtype=&t_word=roles&t_lang=pt&oriSearch=pap% E9is+auditor&sti=mghgapo3bdbpxpy5yv|&mediapopup=49150800 O auditor, quando inicia suas atividades, deve registrar nos papéis de trabalho as informações referentes ao pla- nejamento de auditoria quanto à natureza, a oportunidade e a extensão dos trabalhos a serem realizados; bem como, ao final, o resultado obtido e a conclusão da auditoria. Nos papéis de trabalho devem ser incluídos o pensamento do auditor em relação a todas as questões significati- vas que chamaram sua atenção no decorrer dos trabalhos, juntamente com a conclusão a que chegou - inclusive em áreas que envolvem questões de difícil fundamentação. A extensão dos papéis de trabalho irá depender de estudo profissional, e não é necessário documentar todas as questões que o auditor tratar. Entretanto, toda matéria que for relevante deve ser motivo de análise de papéis de trabalho. Ao dimensionar a extensão dos papéis de trabalho, e a metodologia para elaborá-los, o auditor deve considerar que futuramente outro auditor (com ou sem experiência anterior) pode vir a examinar os trabalhos desta auditoria. 53 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho Porém, o conteúdo dos papéis de trabalho, podem vir a ser afetados pelas seguintes questões: • • Grau de dificuldade do trabalho; • • Complexidade da atividade da empresa; • • Condição dos sistemas contábeis da empresa, e condições de controles internos da empresa; • • Supervisão e revisão dos trabalhos executados por equipe especializada; • • Tecnologias utilizadas nos trabalhos. Os papéis de trabalho são elaborados, dimensionados e organizados de forma a atender ao objetivo do trabalho e satisfazer o que o auditor considera importante para o trabalho ser realizado, e podem ser alterados para cada auditoria. Quando há uma padronização nos papéis de trabalho, isto pode melhorar a eficiência dos trabalhos, e sua utiliza- ção pode facilitar diversos aspectos, inclusive a delegação de tarefas. Também pode oferecer um melhor controle de qualidade do trabalho. Entre os papéis de trabalho padronizados, podemos citar os seguintes: listas de proce- dimentos, cartas de saldos das contas, termos de inspeções de caixa, termo de inspeção de controle de estoque e de outros termos de inspeção de ativos. O auditor no desempenho de seu trabalho pode usar quaisquer documentos e demonstrações utilizados pela empresa, desde que considere importante sua utilização. Os papéis de trabalho podem incluir: • informações da estrutura da empresa; • cópias de documentos, como contratos e atas; • informações das atividade da empresa; • processos de planejamento, incluindo programas de auditoria; • avaliação dos riscos da auditoria; • avaliação e conclusões do auditor; • análises das principais transações da empresa; • análises de indicadores da empresa; • registro dos procedimentos de auditoria realizados; • informar se o trabalho de auditoria foi executado por equipe técnica;indicação da pessoa que realizou auditoria e quando o fez; • procedimentos relativos às demonstrações contábeis auditadas por outro profissional de auditoria; • cópias de comunicações internas da empresa; • cartas de responsabilidade da administração; • cópias das demonstrações contábeis ou de outros demonstrativos financeiros. 54 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho No caso de auditorias realizadas em vários períodos consecutivos, podem ser reutilizados papéis de trabalho anteriores, desde que sejam atualizados. Conforme o Código de Ética Profissional do Contador, para fins de fiscalização pelo CRC, o auditor independente tem que apresentar toda a documentação utilizada. Ao conduzir um trabalho de auditoria inicial, com relação a saldos iniciais, o auditor deve observar: • Se os saldos iniciais contêm discrepâncias que afetam as demonstrações contábeis do período corrente; • Se os procedimentos contábeis foram utilizados de forma apropriada e se estes refletem os saldos iniciais do período corrente. O trabalho de auditoria inicial confirma: • • Se as demonstrações contábeis do período anterior foram ou não auditadas; e/ou, • • Se as demonstrações contábeis do período anterior foram realizadas por outro auditor. Os saldos iniciais são os saldos contábeis existentes no início do período e baseiam-se nos saldos finais de perí- odo anterior. 2. Confidencialidade, custódia e propriedade dos papéis de trabalho O auditor tem que adotar procedimentos de auditoria em seu trabalho que sejam apropriados para manter a propriedade dos papéis de trabalho pelo prazo de cinco anos, a partir da data de emissão de seu relatório. A con- fidencialidade dos papéis de trabalho é dever do auditor em função deste prazo. Os papéis de trabalho são de propriedade exclusiva do auditor. Partes destes papéis podem, a seu critério, ser disponibilizados à empresa auditada. Quando solicitados por outras pessoas alheias à empresa e até mesmo pelo próprio auditor (depois de findo os trabalhos), ou por outro auditor, somente podem ser disponibilizados se a empresa auditada autorizar, conforme consta na NBC P 1.6. 55 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho 2.1. Preparação de um papel de trabalho Figura 2 – Preparação de um Papel de Trabalho Legenda: Preparação de um Papel de Trabalho ID da imagem : 36086112 https://pt.123rf.com/search.php?word=auditor&srch_lang=pt&imgtype=&t_word=auditor&t_lang=pt&oriSearch=pap%E 9is&sti=mh7exo273jwkmy0kc3|&mediapopup=36086112 As habilidadestécnicas dos auditores estão refletidas no papel de trabalho que eles preparam. Um auditor eficiente realiza seu trabalho de acordo com as normas de auditoria, criando papéis de trabalho com máxima utilidade. Para conseguir esse objetivo, o auditor deve: • fazer o trabalho completo, utilizando-se de todos os dados necessários; • organizar e arquivar os papéis de trabalho de forma facilitada para uma rápida identificação por aqueles que deles necessitem no futuro (diretores e gerentes de auditoria). Os papéis de trabalho são completos quando apresentam todas as informações necessárias, demonstrando todos os dados significativos de todos os registros, juntamente com a metodologia e técnica aplicada na verifica- ção de todos os dados necessários à preparação do relatório. Cada situação deve estar devidamente explicada no relatório do auditor. Conforme os trabalhos prosseguem, o auditor deve incluir nos papéis de trabalho, comentários e elucidações que mais tarde irão fazer parte do relatório de auditoria. Os papéis de trabalho devem incluir notas e explicações que indiquem claramente o que foi feito pelo auditor no desenvolvimento dos trabalhos, procedimentos realizados, opinião sobre a qualidade dos itens examinados, e adequação dos controles internos. Os papéis de trabalho podem ser examinados por terceiros durante os pro- 56 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho cedimentos de auditoria, desde que autorizados pelo auditor, uma vez que são de sua propriedade. Pode ocorrer de serem solicitados por supervisores ou gerentes de auditoria (com o objetivo de medir a eficiência do trabalho) e, por isso mesmo, devem ser autoexplicativos, completos, legíveis e bem arquivados, para evitar explicações adicionais quando a auditoria for finalizada. 2.2. Pontos essenciais do Papel de Trabalho Quando o auditor elabora os papéis de trabalho, deve levar em consideração: • concisão: os papéis de trabalho devem ter clareza para que outras pessoas os entendam; • objetividade: os papéis de trabalho devem ser objetivos, ou seja, devem demonstrar para a empresa e a outros profissionais, onde o trabalho de auditoria quer chegar; • lógica: os papéis de trabalho devem ser elaborados de forma lógica para entendimento; • completude: os papéis de trabalho devem ser completos, ou seja, devem observar os pontos essenciais que neles deverão estar demonstrados. 3. Normas gerais para preenchimento dos Papéis de Trabalho Figura 2 – Normas Gerais para Preenchimento dos Papéis de Trabalho Legenda: Normas Gerais para Preenchimento dos Papéis de Trabalho ID da imagem: 12358653 https://pt.123rf.com/search.php?word=normas+&srch_lang=pt&imgtype=&t_word=standards&t_lang=pt&oriSearch=nor mas+auditoria&sti=mo3kwh7o6gu526opye|&mediapopup=12358653 57 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho A elaboração dos papéis de trabalho deve seguir um padrão definido e claro. Os procedimentos utilizados devem ser mencionados e deve constar, também, o indicativo dos resultados obtidos. O auditor deve observar que o seu trabalho deve ter condições de ser examinado e compreendido por outro audi- tor, sem que deixe dúvidas. Quanto aos papéis de trabalho, podemos dizer que devem obedecer às normas de auditoria. Todos os procedimen- tos utilizados devem estar devidamente explicados; devem também incluir dados e todas as informações neces- sárias que expliquem o papel de trabalho, e devem, por fim, estar limpos e em bom estado. Assim que terminar o trabalho de auditoria, os papéis de trabalho devem estar em condições de serem devidamente arquivados. A não observância dessas regras determinará a existência de falhas nos papéis de trabalho, falhas essas que, na realidade, constituem-se em falhas da própria auditoria realizada. 3.1. Organização dos Papéis de Trabalho 1. Quanto à organização dos papéis de trabalho: • relatórios preparados pelos departamentos de contabilidade, financeiro e fiscal, e também pelo auditor; • memorandos e cartas circulares da empresa; • outros tipos de documentação preparada para o trabalho de auditoria. 2. Arquivamento dos papéis de trabalho: Os papéis de trabalho devem ser organizados quanto à sua finalidade. O ideal é mantê-los em pastas apropriadas. As pastas são definidas em função do volume dos papéis de trabalho utilizados na auditoria. Estas pastas são separadas em dois grupos: uma pasta conhecida como permanente (geralmente consultados diariamente de forma constante), e pasta corrente (geralmente composta de materiais utilizados no exercício em que se está sendo executado o trabalho). 3. Quanto à organização dos papéis de trabalho, geralmente devem ser padronizados: devem detalhar todas as contas contábeis utilizando-se como referência o razão contábil, e devem conter células mestras que demons- tram o trabalho de auditoria efetuado. 58 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho Figura 3 – Organização dos papéis de trabalho Organização dos papéis de trabalho Fonte: www.portaldeauditoria.com.br 4. Tipos de papéis de trabalho Um papel de trabalho é o registro do trabalho que o auditor realiza, a fim de dar suporte ao seu relatório final de auditoria. Embora haja diferenças nos papéis de trabalho elaborados, os padrões geralmente definidos são os seguintes: • • análises das contas contábeis; • • lançamentos de acertos contábeis que devem ser realizados; • • quais conciliações contábeis devem ser feitas; • • análise dos balancetes utilizados no trabalho de auditoria; • • pontos que devam ser corrigidos conforme recomendações dos auditores; • • programas de auditoria que foram utilizados. 59 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho O auditor constantemente enfrenta novos problemas, que exigem a elaboração de outros modelos de papel de trabalho, ou melhoria dos relatórios antigos utilizados. Uma das características do bom auditor é sua capacidade de idealizar o papel de trabalho de acordo com as necessidades que o problema de auditoria apresenta. 5. Forma e conteúdo dos papéis de trabalho Todo papel de trabalho deve conter: • • referência do papel de trabalho – número de identificação no ângulo superior direito; • • título da célula – natureza e objetivo da célula. Figura 4 – Exemplo de Papel de Trabalho Exemplo de Papel de Trabalho Fonte: www.portaldeauditoria.com.br • células mestras –nome do grupo ou subgrupo de contas contábeis do balanço; • • células analíticas – tipo de análise ou o procedimento que foi aplicado no programa de auditoria; • • data – indicar a data a que se refere o trabalho. 60 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho Figura 5 – Modelo de célula mestra Modelo de célula mestra Fonte: www.portaldeauditoria.com.br As células-mestras contêm o nome do grupo e subgrupo de contas do balanço patrimonial ou do resultado do exer- cício; devem conter: saldos do exercício anterior; saldos do exercício corrente; ajustes e saldos finais após os ajustes. Células-suportes. Duas grandes categorias: a. Programas de auditoria: • devem conter a elaboração dos programas de auditoria utilizados e os procedimentos e as etapas que contenham informações sobre os controles utilizados pela contabilidade da empresa. b. Papéis de Trabalho comprobatórios do trabalho de auditoria: • folhas que contêm informações e recomendações da auditoria. Os papéis de trabalho são arquivados após os trabalhos de auditoria. 6. Características básicas dos Papéis de Trabalho Os papéis de trabalho devem ser completos, devem ser esclarecedores e conter todas as informações que sejam relacionadas com as demonstrações contábeis. Um conjunto ou grupo de papéis de trabalho deve ser, também, cuidadosamente controlado por referências cruzadas. A natureza da contabilidade é tal, que uma informação constante de um ponto nos papéis de traba- lho, é frequentemente relacionada com uma informação contida em outro. Sempre que uma folha de trabalho contenha alguma informação que apoie ou se baseieem outra folha de trabalho, é prática habitual indicar o fato em ambos os papéis. Outras exigências dos papéis de trabalho individuais são as de que cada folha tenha um cabeçalho completo, contendo o nome da empresa sob exame, o nome da conta analisada, ou a descrição dos testes de auditoria que ela registra, bem como a data do exame. 61 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho Cada folha de trabalho deve também, ser rubricada ou assinada pelos auditores que, individualmente, tenham contribuído para seu preparo. Normalmente, a data em que o trabalho foi completado é registrada juntamente com as iniciais, para o caso de surgir qualquer dúvida quanto à sequência ou duração de determinadas medidas de verificação. Para ser útil, a folha de trabalho não deve ser apenas completa, mas também legível. Não há dúvida de que uma folha de trabalho cuidadosamente elaborada e preparada com esmero é mais fácil de revisar e causa melhor impressão como prova. Há também a possibilidade de que os hábitos de trabalho negligentes possam também conduzir a um raciocínio negligente e, portanto, a verificação inadequada. 7. Codificação e Arquivo dos Papéis de Trabalho A fim de que os papéis desejados possam ser facilmente encontrados, é essencial a elaboração de um sistema de codificação. Cada folha do papel de trabalho deve ter uma identificação, letra ou número, ou ambos, para que essas folhas sejam distintas das demais. Este índice identifica, então, a folha específica, indicando onde ela pode ser encontrada no arquivo. Quando terminada a auditoria, e emitido o relatório final, os papéis de trabalho devem ser arquivados em lugar seguro porque estarão sujeitos a verificações constantes. Os papéis de anos anteriores, que estarão sujeitos a manuseio somente em casos esporádicos, serão levados para outro arquivo, chamado “arquivo morto”. Os arquivos devem ser organizados de forma que os papéis sejam encontrados de forma fácil e segura. Figura 6 – Codificação dos Papéis de Trabalho Codificação dos Papéis de trabalho Fonte: www.portaldeauditoria.com.br 62 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho 8. Métodos para referenciar Papéis de Trabalho As informações que devem constar nos papéis de trabalho devem ser referenciadas: a. É composto de uma letra e um número para identificação; b. Referências das principais contas para as células mestras; c. referências nas células comprobatórias; d. ordenação das células comprobatórias: » os programas de auditoria precedem as células que contêm detalhes; e. Sequência numérica. 9. Ordenação dos Papéis de Trabalho 1. BT – Balanço de Trabalho Utilizamos o resumo das células mestras BT – Balanço de Trabalho como um balancete das seções. Este Papel de Trabalho deve apresentar, abaixo do nome da empresa, os dizeres “Balanço de Trabalho” ou outros que tenham o mesmo objetivo. 2. Células mestra As células mestras contêm: • • título dos grupos ou subgrupos de contas das demonstrações financeiras; • • os saldos finais do exercício anterior; • • os saldos não auditados do período submetido a exame; • • espaço para ajustes e reclassificações; • • os saldos auditados do período submetido a exame referenciados no resumo das células mestras (BT). 3. Células de suporte ou detalhadas: Os papéis de trabalho devem documentar todos os trabalhos efetuados. As células de suporte devem demonstrar os dados da empresa: nome, seção e finalidade. O critério para elaboração e arquivo destas células também respeita tudo o que já vimos até aqui, partindo, por- tanto, do geral para o específico, o que significa, neste caso, arquivar, pela ordem, os seguintes papéis de trabalho ou células: 63 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho a. Os programas de auditoria Os programas de auditoria que estão sendo realizados, devem atingir os principais departamentos da empresa. Geralmente, são referenciados com a letra da seção seguida das iniciais PA (Programas de Auditoria) ou PT (Pro- gramas de Trabalho) e o número de ordem sequencial. Exemplo: a PTA significa que esta é a primeira célula do programa de trabalho da Seção A – Disponível. Os programas de auditoria recebem esta referência específica, porque podem ser utilizados em mais de um exer- cício e, quando isto ocorre, são transferidos da pasta do exercício anterior para a pasta do exercício corrente. Neste caso, teremos colunas “Feito por” e “Referência” para cada exercício. b. O índice da seção Quando o volume de células ou uma seção for grande, normalmente preparamos e arquivamos logo após os programas de auditoria, um índice que indica os aspectos de maior interesse contidos na seção. c. A conclusão geral da seção Nesta célula, vamos reproduzir de modo conciso e claro um resumo do que foi feito e dos resultados obtidos na seção. A redação das conclusões de auditoria dá oportunidade de se demonstrar conhecimentos dos objetivos do trabalho de auditoria. Embora o teor das conclusões possa variar, deve constar, no mínimo, opinião sobre os seguintes tópicos: • • adequação dos procedimentos de controle interno estabelecidos pela empresa; • • adequação do escopo do trabalho de auditoria; • • apresentação razoável das contas examinadas de acordo com os princípios de contabilidade e aplicação uniforme desses princípios; • • considerações sobre as características intrínsecas dos saldos contidos na seção, tais como: são direitos efetivos do cliente; estão vinculados a alguma operação; o numerário está efetivamente disponível; as obrigações estão corretamente classificadas em curto e longo prazos; são despesas compatíveis com as operações da empresa etc. A elaboração da conclusão, embora tenha por base o serviço já efetuado, exige bastante atenção do auditor e irá refletir o grau de entendimento deste sobre o que representam os valores contidos na seção e sobre o modo como foram auditados. 4. Células de comentários sobre assuntos relevantes: • • pontos para atenção (relatórios); • • explicação de flutuações relevantes; • • falhas de controle interno e exceções. Caso haja assuntos relevantes que se deseja abordar de modo resumido, mas com mais detalhes do que aqueles apresentados na conclusão, abordar-se-ão em CÉLULAS específicas para tais comentários. Como ocorre em todos os demais casos, a redação dos comentários deve ser clara, concisa e completa, indicando onde se pode encontrar o teste no qual foi levantado o assunto-objeto do comentário. Naturalmente, cada assunto deverá ser abordado individualmente e, para facilitar a ordenação, eles poderão ser numerados, de forma que saber-se-á onde começa e termina cada um dos comentários. 64 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho 5. Células específicas da visita final (auditoria de balanço). 6. Células específicas das visitas preliminares (avaliação do controle interno). É difícil prever todos os tipos de células específicas que serão elaboradas em cada visita. Em geral, tais células estarão ligadas com a execução de testes específicos. 10. Marcas ou Ticks feitos nos Papéis de Trabalho – Indicativo que o trabalho foi feito O trabalho do auditor é baseado na análise documental, por isso o auditor deve mencionar em seus papéis de trabalho tudo o que foi analisado em seu trabalho. Portanto, é interessante que o auditor registre as vantagens da utilização de “ticks” nos seus papéis de trabalho. Vantagens: • os ticks nos papéis de trabalho elimina a necessidade de repetição; • os ticks nos papéis de trabalho facilitam quaisquer revisões que sejam feitas. Regras básicas: • devem ser feitos em vermelho; simples, claros e objetivos; e devem seguir um padrão; Figura 7 – Modelo de uma Célula Suporte Modelo de uma Célula Suporte Fonte: www.portaldeauditoria.com.br 65 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho As explicações dos ticks realizados, devem ter explicações claras e objetivas, feitas na mesma folha em que foram anotados. Figura 8 – Modelo de umaCélula Suporte Legenda: Modelo de uma Célula Suporte Fonte: www.portaldeauditoria.com.br 11. Normas de Organização dos Papéis de Trabalho Comentários explicativos Folhas mestras e Trabalho Substantivo As folhas mestras são preparadas por títulos das demonstrações financeiras ou contas, de modo a poderem ser confrontadas diretamente com os saldos do balancete. Ao designar os índices das folhas mestras, devem ser evitadas as letras já usadas nas seções Avaliação de Riscos e Planejamento, Administração do Trabalho, Trabalho de Outros, Relatórios Financeiros e Ciclos de Processamento de Transações. O trabalho substantivo de suporte é indexado, sequencialmente, atrás das folhas mestras. Todo o trabalho substantivo é arquivado separadamente das outras seções do trabalho, na sequência indicada mais à frente. As normas seguintes são aplicáveis a um ambiente manual de auditoria: • um índice alfabético de letras simples indica um título do ativo das demonstrações financeiras; • um índice alfabético de letras duplas indica um título do passivo ou patrimônio das demonstrações financeiras; • um índice numérico indica um título da demonstração de resultados. 66 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho Folhas mestras em Pequenos Trabalhos Em algumas situações, o uso de folhas mestras pode ser desnecessário, tais como em clientes muito pequenos, ou em outras circunstâncias nas quais poderá ser mais eficiente preparar apenas um balancete de trabalho (ou incluir uma cópia do balancete do cliente) que lista todas as contas do razão geral. Nesses casos, o trabalho subs- tantivo poderia ser organizado nas seções indicadas mais à frente, fazendo-se referência cruzada do trabalho de comprovação dos saldos do razão geral, diretamente, para o balancete. Conclusões sobre os Saldos Finais de Contas ou Títulos das Demonstrações Financeiras As conclusões consideradas apropriadas sobre o trabalho substantivo, devem cobrir os objetivos específicos do trabalho de auditoria executado em um saldo de conta em particular ou título da demonstração financeira. Tal conclusão, geralmente, é escrita no programa de auditoria correspondente, ou na folha-mestra. Conclusões nos saldos finais de contas ou títulos das demonstrações financeiras em adição a (mas que não substituem): • conclusões que são suportadas pelos resultados da aplicação de procedimentos específicos de auditoria (por exemplo: conclusões sobre a execução de testes de aderência e testes substantivos de detalhes); e, • conclusões sobre problemas significativos de auditoria, contabilidade, apresentação das demonstrações financeiras e relatório, encontrados durante a auditoria. Exemplo: Contas a receber Objetivos de Auditoria para Contas a Receber Os principais objetivos a alcançar na auditoria das Contas a Receber são para determinar que: • as Contas a Receber são direitos válidos da companhia e estão devidamente registradas na data do balanço; • as Contas a Receber incluem todos os valores devidos à companhia na data do balanço; • a provisão para contas duvidosas é adequada, mas não excessiva; • as Contas a Receber estão devidamente descritas nas demonstrações financeiras e todas as divulgações (notas) pertinentes (incluindo divulgações dos valores de contas caucionadas, descontadas ou de qual- quer outra forma dadas em garantia ou vendidas) foram efetuadas. Toda conclusão sobre Contas a Receber deve responder a esses objetivos. Um exemplo de conclusão apropriada sobre Contas a Receber, uma vez que o nosso trabalho de auditoria tenha sido completado, é o seguinte: Em minha opinião: • o saldo de Contas a Receber em ______ de _______________ de _______, representa direitos válidos da companhia, que estão devidamente registrados, e inclui todos os valores devidos à companhia; • a provisão para contas duvidosas é adequada, mas não excessiva; 67 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho • as contas a receber estão devidamente descritas e classificadas nas demonstrações financeiras e todas as divulgações adequadas foram efetuadas. Preparo de Conclusões sobre Saldos Finais Em situações em que o sócio e/ou gerente encarregado indique a necessidade de conclusão sobre os saldos finais, poderão ser preparadas uma ou mais conclusões que cubram todos os procedimentos de auditoria. Isso pode ser conseguido preparando-se: (a) uma conclusão global; ou, (b) conclusões separadas que, em conjunto, cubram todos os objetivos de auditoria. Normas gerais para preenchimento dos Papéis de Trabalho A elaboração dos papéis de trabalho deve seguir um padrão definido e claro. Todos os procedimentos efetuados devem estar mencionados, demonstrando a profundidade dos testes em relação a cada montante. O auditor quando preencher o papel de trabalho, deve verificar se este papel de trabalho poderá ser examinado e compreendido por outro auditor. Se isto não acontecer, o papel de trabalho não estará correto. Regras básicas: 1. Obedecer às normas de auditoria. 2. Nas conclusões devem seguir os princípios contábeis. 3. Devem indicar os objetivos a que se quer chegar. 4. Devem incluir informações relevantes ou irrelevantes observadas. 5. Devem ser limpos e claros e em boa ordem. 6. Devem conter todas as informações que possam ser úteis à empresa. 7. Devem incluir os dados de fácil identificação. 8. Deve-se conter as recomendações para uma próxima auditoria. 9. No término dos trabalhos, devem estar prontos para arquivamento. A não observância dessas regras, determinará a existência de falhas nos papéis de trabalho, falhas essas que, na realidade, constituem-se em falhas da própria auditoria realizada. Expomos, a seguir, breve elenco das falhas mais comuns que, se evitadas, concorrerão para a perfeição do trabalho: 1. A falta de evidência de criteriosa avaliação dos controles internos para justificar se foram considerados adequados ou inadequados. 2. Deixar de anotar quando se esclarecem os problemas surgidos no decorrer da auditoria. 3. Deixar de conciliar e esclarecer as diferenças surgidas com as respostas aos pedidos de confirmação direta. 4. Deixar de verificar, e evidenciar, o atendimento e os ajustes propostos no exercício anterior. 5. Não ter providenciado a obtenção de cartas do cliente certificando a inexistência de passivos não conta- bilizados, de compromissos futuros e, ainda, quanto aos inventários dos estoques. 68 Auditoria Financeira | Unidade 4 - Papéis de Trabalho 6. Deixar de assimilar os procedimentos de auditoria executados. 7. Não segregar convenientemente, no saldo de caixa, a parte que representa existências efetivas daquela representar despesas ou adiantamento para despesas. 8. Não obter suporte suficiente para as conclusões da auditoria. 9. Deixar de analisar e evidenciar as correções monetárias do imobilizado, dos investimentos e do patrimô- nio líquido. 10. Deixar de assinalar o significado dos símbolos e sinais usados. Auditoria em Foco http://auditoriaemfoco.blogspot.com.br/2011/03/normas-de-auditoria.html Por que são utilizados Papéis de Trabalho em um trabalho de auditoria? Dicas para Elaborar os Papéis de Auditoria http://www.portaldeauditoria.com.br/tematica/relaud_dicasparaconfeccionarorel.htm 69 Considerações finais Nesta unidade você viu quais os principais Papéis de Trabalho utilizados em um trabalho de auditoria e sua utilidade e aplicação. Aprendeu a elaborar o papel de trabalho. E por fim, verificou a importância da utilização dos Papéis de Trabalho para a elaboração do relatório final de auditoria. Referências bibliográficas 70 CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas e procedimentos de auditoria. 3. ed. Rio de Janeiro: CFC, 1991. FRANCO, H.; MARRA, E. Auditoria contábil. São Paulo: Atlas, 1985. IBRACON. Princípios contábeis: normas e procedimentos de auditoria. São Paulo: Atlas, 1988. JUND, S. Auditoria. 9. ed. Rio de Janeiro: Impetus/Campus, 2007. JUND FILHO, S. L. Auditoria: conceitos, normas, técnicas e procedimen- tos. 6.ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2004. MAUTZ, R. K. Princípios de auditoria. São Paulo: Atlas, 1985. 2 v. MOTTA, J. M. Auditoria: princípios e técnicas. São Paulo: Atlas, 1988. VAINI, L. C. O auditor do futuro. Revista Brasileira de Contabilidade, Bra- sília, (81):33-6, dez. 1992. 5 72 Unidade 5 Planejamento de auditoria Para iniciar seus estudos Planejamento de auditoria é um processo que é iniciado na fase de avalia- ção para a contratação dos serviços de auditoria. Nesta ocasião, devem ser levantados todos os elementos necessários sobre a atividade da empresa, as suas operações, a legislação que se aplica à atividade operacional da empresa, os sistemas utilizados, os relatórios emitidos e outras situações determinantes, para dimensionar o trabalho a ser executado. A conclusão do planejamento só será concluída quando o auditor completar este tra- balho inicial. Estas informações servirão para elaborar a proposta de serviços que com- põem a documentação necessária e servirão de comprovação de que o auditor executou estas etapas de acordo com as Normas de Auditoria Independente. Objetivos de Aprendizagem • Elaborar o conteúdo do planejamento da auditoria • Uniformizar os procedimentos contábeis • Realizar os meios de prova no planejamento da auditoria • Aplicar as técnicas e os principais procedimentos de auditoria 73 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.1 Breve introdução sobre o planejamento da auditoria Figura 5.1 – Planejamento da auditoria. Fonte: <https://pt.123rf.com/search.php?word=planejamento+auditoria&srch_lang=pt&imgtype=&t_ word=planning+audit&t_lang=pt&oriSearch=planejamento&sti=luk4q7x07vk7iu1rcd|&mediapopup=46612094>. O planejamento da auditoria serve para realizar uma avaliação inicial do que será realizado em uma empresa. Assim, um planejamento adequado auxilia o auditor nas seguintes situações: • A ter atenção apropriada às áreas mais importantes da auditoria. • A identificar e resolver problemas que possam acontecer. • A se organizar para realizar o trabalho de auditoria. • A formar e direcionar a equipe de trabalho adequando capacidades e competências. O auditor deve planejar seu trabalho sempre direcionado pelas Normas Profissionais de Auditor Independente, obedecendo a prazos e compromissos assumidos por contrato com a empresa. O planejamento tem como pre- missa o nível adequado de conhecimento sobre a atividade da empresa, os fatores econômicos, a legislação que se aplica sobre as operacionais da empresa. O planejamento deve considerar alguns fatores na execução dos trabalhos: • Conhecimento das práticas contábeis, dos controles internos e das áreas importantes (avaliando o volume de transações e complexidade das atividades) da empresa. • Extensão dos procedimentos de auditoria que serão aplicados. • Necessidade de utilizar o trabalho de outros auditores. • Avaliar o conteúdo de relatórios e outras informações entregues à empresa. • Obedecer a prazos estabelecidos por entidades reguladoras ou fiscalizadoras. Quando o planejamento da auditoria exigir a designação de equipe técnica especializada, esta deve ser a orien- tada e supervisionada pelo auditor, que assumirá a responsabilidade pelos trabalhos executados. Isso deve ser previsto de modo que forneça segurança aos trabalhos. Este planejamento e os programas de trabalho executados devem ser revisados e atualizados sempre. 74 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria Quando a realização de uma auditoria é feita pela primeira vez, e no exercício anterior outro auditor realizou o exame das demonstrações contábeis, o planejamento deve constar os seguintes procedimentos: • Observar se os saldos de abertura do exercício não contêm interpretações erradas que, de alguma maneira, influem nas demonstrações contábeis atuais. • Verificar se os saldos de encerramento do exercício anterior são os mesmos dos saldos de abertura do exercício atual. • Averiguar se as práticas contábeis do exercício atual possuem o mesmo padrão das práticas contábeis adotadas no exercício anterior. • Notar se existem fatos relevantes que possam alterar atividades da empresa. • Perceber se existem fatos relevantes no exercício anterior que foram ou não revelados por auditoria ante- riormente realizada. A NBC TA 510 (Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas de Auditoria), Trabalhos Iniciais – Saldos Iniciais, trata a responsabilidade do auditor em relação aos valores de saldos iniciais provenientes do trabalho de audito- ria inicial (primeira auditoria realizada na empresa). Não trata somente dos valores de saldos iniciais das demons- trações contábeis, mas também de outros assuntos que precisam ser divulgados existentes no início do período. Quando as demonstrações contábeis exigem informações comparativas, as orientações estão na NBC TA 710. Já a NBC TA 300 trata de orientações adicionais referentes a atividades da auditoria, antes do início dos trabalhos. Esta etapa de trabalho estabelece a estratégia dos trabalhos a serem executados na empresa que será auditada, que vai desde a contratação dos serviços até a extensão dos trabalhos, muitas vezes conhecida como plano de auditoria ou programa de auditoria. Estas informações na avaliação dos serviços (conforme está previsto nas Normas Profissionais de Auditor Inde- pendente aprovadas pelo Conselho Federal de Contabilidade) servem de base para a elaboração do planeja- mento da auditoria. O auditor deve levar em conta que este planejamento é um processo que se inicia na contratação dos serviços, ou seja, são levantadas todas as informações necessárias para se conhecer o tipo de atividade e a legislação apli- cável às atividades da empresa, além dos relatórios operacionais para determinar a natureza do trabalho a ser executado. A conclusão deste planejamento da auditoria só se findará quando o auditor completar os trabalhos preliminares. Estas informações obtidas e aquelas levantadas para fins de planejamento da auditoria compõem a documenta- ção comprobatória de que o auditor executou estas etapas seguindo as Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis. Muitas delas serão confirmadas durante os trabalhos de campo e implica a necessi- dade de o auditor revisar e ajustar à medida que for executando os trabalhos. O programa de auditoria deve ser preparado por escrito de modo a facilitar o entendimento de todos os procedi- mentos de auditoria a serem executados e de forma a realizar uma correta divisão do trabalho. O detalhamento destes procedimentos deve esclarecer tudo o que o auditor necessita para examinar o sistema contábil e os con- troles internos da empresa auditada. Devem ficar bem claras, no programa de auditoria, as diversas etapas para a aplicação dos procedimentos e os exames que serão efetuados. Além disso, servem como guia e controle para a execução dos trabalhos e abran- gem todas as áreas da empresa a serem examinadas pelo auditor. Existe um documento que o auditor elabora chamado de carta-proposta: é a formalização de todas as condições de trabalho que será executado. O trabalho de auditoria deve ter um encadeamento lógico, considerado como ponto de partida, envolvendo as seguintes etapas: 75 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria • Avaliação dos controles internos • Planejamento dos trabalhos • Elaboração de programas de trabalho, das folhas de controle (folhas-mestre e analíticas) e do relatório Quando o auditor se utilizar dos trabalhos realizados por auditores internos, deve incluir, na documentação utili- zada, todas as conclusões realizadas pelo trabalho do auditor interno e todos os procedimentos por ele utilizados. Este planejamento não é uma fase isolada da auditoria, e sim é um processo no qual, em muitas ocasiões, inicia após a conclusão de auditoria anteriormente realizada até a conclusão do trabalho da auditoria atual. O plane- jamento inclui a consideração realizada à época em relação a atividades desempenhadase os procedimentos de auditoria que foram concluídos antes da realização de procedimentos adicionais de auditoria. A NBC TA 320 trata a responsabilidade do auditor quanto à aplicação do conceito de materialidade no planeja- mento e na execução de auditoria de demonstrações contábeis. A NBC TA 450 avalia as distorções identificadas durante os trabalhos de auditoria e explica como a materialidade é aplicada na avaliação das distorções identifi- cadas durante o trabalho e as distorções não corrigidas, caso existam, nas demonstrações contábeis. A estrutura de relatórios financeiros e sua apresentação são frequentemente discutidas quanto à materialidade: • Omissões relevantes quando influenciam nas decisões econômicas tomadas com base nas demonstra- ções contábeis. • Observação sobre quais assuntos são de relevância para os usuários das demonstrações contábeis. O auditor precisa ter conhecimento das atividades da empresa, de forma que possa identificar procedimentos relevantes que possam afetar as demonstrações contábeis. Dentre os principais objetivos do planejamento da auditoria, podemos mencionar: • Obter conhecimento das atividades da empresa, a fim de identificar quais procedimentos são de signifi- cativa relevância e que possam afetar as demonstrações contábeis. • Propiciar que os serviços contratados de auditoria sejam entregues nos prazos e compromissos esta- belecidos. • Assegurar que sejam quantificadas monetariamente as áreas mais importantes da empresa e que estes valores estejam devidamente demonstrados em suas demonstrações contábeis. • Identificar os problemas potenciais que possam afetar as atividades da empresa. • Identificar a legislação mais condizente com a empresa. • Dimensionar a extensão do trabalho a ser efetuado e se este está condizente com os termos da proposta de serviços para a realização do trabalho. • Definir qual será a divisão das tarefas na equipe de trabalho, se houver. • Quando houver equipe de profissionais envolvida, que seja facilitada a supervisão dos serviços executados. • Possibilitar que a coordenação do trabalho possa ser efetuada por outros auditores. • Buscar que os auditores internos também coordenem o trabalho. • Identificar prazos de entrega de relatórios. Outros objetivos podem ser fixados, segundo a forma de execução de cada trabalho, principalmente quando houver outras partes relacionadas. 76 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria De acordo com a NBC TA 200, Objetivos Gerais do Auditor Independente e a Condução da Auditoria em Confor- midade com Normas de Auditoria, para que sejam atingidos os objetivos do auditor, devem ser utilizados proce- dimentos estabelecidos nas NBC TA relevantes, quando se planejar e executar a auditoria. Se um objetivo que exista em uma NBC TA e que é relevante não poder ser cumprido, o auditor deve realizar uma avaliação se isso o impedirá de cumprir os objetivos gerais de auditoria e se isso exige que ele, em conformidade com as NBC TA, modifique sua opinião ou mesmo desista do trabalho. 5.2 Informações e Condições para Elaborar o Planejamento da auditoria Figura 5.2 – Condições para elaborar o planejamento da auditoria. Planejamento de auditoria Fonte: <https://pt.123rf.com/search.php?word=planejamento+post+it&srch_lang=pt&imgtype=&t_ word=planning+post+it&t_lang=pt&oriSearch=planejamento+auditoria&sti=m74cwoej4n3hxfl29h|&mediapo pup=63734383>. O planejamento da auditoria deve ser realizado de forma que duas áreas sejam examinadas a princípio, para que se determine a natureza, a extensão, a data dos testes e os eventuais procedimentos de auditoria a serem reali- zados para as diversas contas do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício da empresa. Estas áreas são a de controle interno e a de revisão analítica. 5.3 Conhecimento das atividades da empresa O planejamento pressupõe nível de conhecimento das atividades da empresa por parte do auditor, fatores eco- nômicos internos e externos, legislação aplicável às atividades e práticas operacionais que a empresa adota. 77 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.3.1 Fatores econômicos É necessário que o auditor tenha conhecimento do negócio da empresa a ser auditada - principalmente quanto aos fatores econômicos: • Atividade econômica na área de atuação da empresa e fatores internos e externos que possam influen- ciar seu desempenho, tais como: inflação, crescimento, recessão, deflação, desemprego, situação polí- tica, entre outros. • Taxas de juros e as condições de financiamento. • Políticas governamentais, tais como: monetária, fiscal, cambial e de importação/exportação. • Controle sobre capitais. Esta análise é a base para identificar riscos internos e externos que possam afetar a continuidade dos negócios da empresa, a possível existência de contingências fiscais, legais, trabalhistas, previdenciárias, comerciais, ambien- tais, bem como a obsolescência do estoque e da idade das imobilizações, além de outros aspectos do negócio que possam ter impacto nas demonstrações contábeis. É recomendável que, se constatadas, estas sejam discutidas, previamente, entre o auditor e a administração da empresa a ser auditada. O conhecimento da legislação que pode afetar a empresa a ser auditada é de fundamental importância para que o auditor avalie os impactos que a não observação das normas podem ter nas demonstrações contábeis. Neste sentido, devem ser considerados: • Impostos, taxas e contribuições a que a empresa está sujeita a pagar. • Contribuições sociais a que a entidade está sujeita a pagar. • Regulamentação própria do setor de atividade da empresa. • Informações que a empresa deve fornecer para terceiros (bancos, companhias abertas, seguradoras, fun- dos de pensão etc.) em função das atividades que desempenha. 5.3.2 Práticas operacionais da entidade Dentre as transações que devem constar no objeto social da empresa, temos: a natureza das atividades, o tipo de operações que a empresa realiza, a localização das instalações da empresa, os principais produtos que fabrica ou serviços que executa, os mercados de atuação, a identificação dos clientes e fornecedores, os controles geren- ciais e até mesmo a interferência da administração nas atividades empresariais. O conhecimento das atividades da empresa é de fundamental importância para identificar os riscos da auditoria. 5.3.3 Competência da administração A administração da empresa tem responsabilidade pelo registro, controle, análise e aprovação das transações comerciais. O conhecimento da competência da administração serve para que o auditor tenha uma percepção da estrutura da empresa. Por isso, é necessário considerar os seguintes itens: 78 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria • Estrutura corporativa • Formas de relacionamento com funcionários, controladores, clientes e fornecedores • Formas de eleição da administração • Composição do capital social da empresa e as modificações que ocorreram • Estrutura organizacional da empresa • Plano estratégico da administração • Aquisições, fusões, incorporações, cisões efetuadas no período ou efeitos decorrentes dessas operações • Independência da administração na tomada de decisões • Frequência das reuniões da administração e o teor e grau das decisões tomadas A administração possui algumas responsabilidades na execução dos trabalhos de auditoria e por isso deve per- mitir acesso a todas as informações de que tenha conhecimento e que sejam relevantes na apresentação das demonstrações contábeis. 5.3.4 Práticas contábeis adotadas No planejamento da auditoria, o auditor deve procurar abranger todo o conhecimento detalhado das práticas contábeis adotadas pela empresa de forma que faça uma avaliação adequada das demonstrações contábeis. A alteração das práticas contábeis em diversos exercícios pode determinar algumas modificações, quando reali- zada a comparação das demonstrações contábeis de diferentes exercícios.Nesse caso, o auditor deve: • Comparar as práticas contábeis adotadas nos diferentes exercícios • Realizar uma dimensão de seus efeitos na posição patrimonial e financeira e no resultado da empresa. 5.3.5 Sistema contábil e de controles internos O conhecimento do sistema utilizado na contabilidade e de seus controles internos é de fundamental importân- cia para o planejamento de auditoria e muito necessário para determinar a natureza e a extensão dos trabalhos, devendo o auditor: • Ter conhecimento do sistema de contabilidade utilizado pela empresa e se existe integração entre eles, para fins de controle interno • Avaliar o grau de confiança das informações geradas pelos sistemas que a empresa possui • Avaliar o grau de confiança dos controles internos adotados pela empresa, obtidos por meio de procedi- mentos de controle. 79 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.3.6 Áreas importantes da entidade A identificação das áreas mais importantes da empresa está relacionada diretamente ao tipo de negócio. Uma indústria difere de uma empresa de comércio ou daquelas que são de prestação de serviços, por exemplo. Existem muitos tipos de empresas, dos mais variados portes e que atuam em diferentes atividades e mercados. Por isso, o auditor deve iniciar analisando a natureza do negócio e, a partir daí, fazer uma definição do tipo de planejamento que deve ser feito para o trabalho de auditoria. O conhecimento do negócio e da atividade passa pela identificação dos produtos e serviços, do mercado de atuação, do perfil dos clientes e fornecedores, das formas de comercializar os produtos, dos custos de pessoal, impostos e matéria-prima. Esta identificação deve abranger: • Verificação dos casos que têm efeitos relevantes nas demonstrações contábeis e nas transações comer- ciais que a empresa realiza. • Localização da empresa. • Política de pessoal adotada na empresa. • Identificação de clientes importantes, participação de fatia do mercado, políticas de preços, margens de lucro, qualidade dos produtos e serviços, estratégias de mercado. • Identificação de fornecedores importantes, avaliação da qualidade dos produtos e serviços, garantias de entrega, prazo dos contratos, importações, formas de pagamento e formas de entrega dos produtos. • Inventários: quantidades, tipos de armazenamento. • Franquias, licenças, marcas, patentes e registros existentes. • Investimentos em pesquisa e desenvolvimento. • Ativos, passivos e transações em moeda estrangeira. • Legislação, normas e regulamentos. • Estrutura do passivo e níveis de endividamento. • Qualidade e consistência das informações gerenciais da empresa. • Índices e estatísticas de desempenho. 5.3.7 Volume de transações A avaliação do volume de transações deve ser feita para que o auditor independente tenha: • Conhecimento e dimensão adequada de volumes mais significativos. • Identificação de como as normas são seguidas, as fases, as pessoas envolvidas e os controles inter- nos adotados. • Definição de amostras e dimensão do volume das transações. 80 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.3.8 Complexidade das transações O grau de complexidade das transações é um fator determinante para que o auditor possa encontrar meios de realizar seu trabalho. Deve-se levar em conta que: • O grau de complexidade das transações de uma empresa necessitar de profissionais mais experientes ou de haver uma supervisão mais direta quando da sua execução. • As operações mais complexas podem conter erro e fraude, com uma frequência mais acentuada, caso não existam controles. • Transações complexas podem ocorrer em um período mais longo para a realização do negócio. • Empresas com operações complexas exigem maior grau de especialização. 5.3.9 Entidades associadas, filiais e partes relacionadas O auditor, para realizar seu trabalho, deve considerar no planejamento a existência de empresas controladas, coligadas, filiais e unidades operacionais. Por isso, é necessário: • Definir se o planejamento atingirá essas partes relacionadas. • Definir natureza, extensão e procedimentos de auditoria a serem adotados em relação a essas empresas vin- culadas à auditada, podendo inclusive ter a necessidade de elaborar um programa de auditoria específico. • Entender a natureza das operações e o volume das comercializações com essas empresas relacionadas. • Verificar que situações semelhantes podem ocorrer com o planejamento nas filiais e unidades opera- cionais, pois estas podem ter, além das atividades próprias, outras decorrentes. Pode ocorrer também que em muitas destas entidades as unidades operacionais tenham autonomia, como se fossem outras empresas, cabendo ao auditor realizar essa avaliação. 5.3.10 Trabalho de outros auditores independentes, especialistas e auditores internos No planejamento de auditoria, deve ser considerada a participação de auditores internos da empresa e de espe- cialistas na execução do trabalho. Nestas circunstâncias, o auditor deve levar em consideração: • O uso do trabalho de outros auditores, em especial quando os investimentos da empresa são relevantes. • Pode acontecer de ser necessária a revisão de papéis de trabalho de outros auditores que realizaram tra- balho anterior. • Se o auditor de uma empresa que for investidora de outra não examina as demonstrações contábeis daquelas investidas, quando os ativos representarem relevância nos ativos desta empresa que auditar, deve considerar se pode assumir o trabalho. 81 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria • A utilização do trabalho de auditores internos deve ser avaliada quando os serviços forem contratados, porque, ao elaborar seu planejamento, o auditor deve ter noção clara do envolvimento com a auditoria interna da empresa auditada e se a auditoria interna vai dar um suporte ao trabalho. • A utilização de especialistas pode ocorrer em duas situações: quando o profissional é contratado pelo auditor que realizará o trabalho, respondendo este pelo trabalho daquele (nesta situação, o planeja- mento do trabalho é facilitado, devido à vinculação); a segunda situação ocorre quando o especialista é contratado pela empresa auditada sem vínculo empregatício. • Quando utilizar o trabalho de auditores internos, devem ser incluídos na documentação de auditoria a avaliação do trabalho dos auditores internos e os procedimentos de auditoria realizados por ele. 5.3.11 Natureza, conteúdo e oportunidade dos pareceres e relatórios Quando é contratado um serviço de auditoria, o auditor deve identificar com a administração da empresa os rela- tórios a serem por ele emitidos obedecendo aos prazos estabelecidos e para apresentação, além dos conteúdos destes relatórios. 5.3.12 Exigências e prazos estabelecidos por órgãos reguladores Conforme a NBC TA 300, Planejamento da Auditoria de Demonstrações Contábeis, o auditor tem que estabelecer uma estratégia que defina o plano de auditoria. Muitas atividades têm normas estabelecidas por órgãos regula- dores e devem cumpridas pela empresa. Deve ser verificado como está o cumprimento dessas normas e se devem ser emitidos relatórios específicos sobre estas. Logo após efetuar o planejamento, o auditor deve considerar: • Se as atividades estão sujeitas a controles de regulamentação por organismos oficiais. • Identificação das exigências quando da avaliação dos trabalhos a serem executados na empresa auditada (conforme estabelece a NBC P 1 – Normas Profissionais de Auditor Independente). • Deve estar suficientemente informado quanto às penalidades a que está sujeito pelo não cumprimento dos prazos. • Sempre que a empresa auditada estabelecer prazos para o auditor, deve formalizar tais circunstâncias à administração. 82 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.4 Conteúdo do planejamento Figura 5.3 – Conteúdo do planejamento da auditoria. Fonte: <https://pt.123rf.com/search.php?word=planejamento+auditoria&srch_lang=pt&imgtype=&t_word=planning+audit&t_lang=pt&oriSearch=planejamento+post+it&sti=oeh1444px8v7khub8l|&mediapo pup=47212895>. 5.4.1 Cronograma No planejamento, devem constar as etapas e as épocas em que os trabalhos serão realizados, conforme a pro- posta de prestação de serviços. No cronograma de trabalho, devem ficar evidentes as áreas, as unidades e onde a auditoria atuará. 5.4.2 Procedimentos de auditoria No planejamento, devem estar documentados todos os procedimentos da auditoria e sua aplicação, com o obje- tivo de comprovar se todos os pontos da empresa relevantes estão cobertos pelo trabalho do auditor. 5.4.3 Relevância e planejamento O auditor tem que considerar no planejamento da auditoria a ocorrência de fatos relevantes que possam afe- tar a empresa. 83 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.4.4 Riscos de auditoria O auditor deve considerar no planejamento os riscos de auditoria para que o trabalho seja programado ade- quadamente. 5.4.5 Pessoal designado Quando apontar o trabalho de equipe técnica, no planejamento devem ser previstas a orientação e a supervisão do auditor, que tem total responsabilidade pelos trabalhos executados, pelo planejamento e pela execução dos trabalhos realizado, inclusive quando houver equipe técnica especializada. 5.4.6 Épocas oportunas dos trabalhos Para que sejam definidas as épocas mais corretas para a realização dos trabalhos de auditoria, o auditor deve considerar: • A proposta de trabalho aprovada pela empresa • Se existem épocas cíclicas nos negócios da empresa • Os períodos em que a presença física do auditor é recomendável • Períodos adequados para a inspeção dos estoques da empresa • Se o momento é o mais adequado para solicitar confirmações de saldos • Se existe a necessidade de cumprimento de prazos fixados pela própria empresa ou por órgãos reguladores • Fatores econômicos que podem afetar a empresa, tais como mudanças de política econômica ou apro- vação de legislação ou normas reguladoras específicas que podem influenciar os negócios da empresa • Possibilidade de utilizar trabalhos de auditores internos para subsídio ao seu trabalho, para cumprir o cronograma de trabalho definido no planejamento • Existência de fatos relevantes que possam afetar os negócios da empresa • Prazos para a emissão de relatórios dos trabalhos realizados Com relação às horas estimadas para os trabalhos, ao elaborar a proposta de trabalho, o auditor deve apresentar uma estimativa de honorários e horas ao cliente – conforme determinação das Normas Profissionais de Auditoria Independente –, na qual esteja previsto o cumprimento (igualmente no planejamento da distribuição das horas) de todas as etapas do trabalho a ser realizado. 5.4.7 Supervisão e revisão A supervisão e a revisão devem ser planejadas de forma que atinjam desde a etapa inicial até o final do trabalho contratado com a empresa. 84 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.4.8 Indagações à administração para concluir o planejamento Embora seja a proposta de trabalho elaborada pelo auditor e aceita pela empresa que forneça a base para o pro- cesso de preparação do planejamento da auditoria, esta deve ser debatida com a administração da empresa, para confirmar se as informações obtidas podem ser utilizadas na condução dos trabalhos. 5.4.9 Revisões e atualizações no planejamento e nos programas de auditoria O planejamento deve ser sempre revisto como forma de o auditor avaliar se existem modificações nos procedi- mentos de auditoria a serem aplicados. Atualizações no planejamento e nos programas de auditoria devem ser documentados nos papéis de trabalho. 5.5 Planejamento da primeira auditoria Figura 5.4 – Planejamento da primeira auditoria. Fonte: <https://pt.123rf.com/search.php?word=auditoria+futuro&srch_lang=pt&imgtype=&t_word=Future+audit&t_lang =pt&oriSearch=auditoria&sti=n2gfz8fii9r89f4tmz|&mediapopup=65556215>. A primeira auditoria em uma empresa sempre requer alguns cuidados especiais: • Se a entidade nunca passou por auditoria • Se a entidade foi auditada em período anterior • Se a entidade não foi auditada em período anterior, porquanto as demonstrações contábeis servirão de base para comparação Nesta circunstância, o auditor independente deve incluir no planejamento da auditoria: análise dos saldos de abertura, procedimentos contábeis adotados pela empresa, padronização dos procedimentos contábeis, iden- tificação de relevantes eventos no exercício anterior e revisão dos papéis de trabalho anteriormente realizados. 85 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria Na Resolução CFC no 1.035/2005, o planejamento de auditoria independente deve contemplar diversas situa- ções que permitam ao auditor obter evidências ou provas para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis auditadas. Em uma primeira auditoria, é recomendado que o auditor obtenha evidências suficientes, sejam do exercício atual ou anterior, principalmente quando estas influenciam nas demonstrações contábeis do exercício atual. 5.6 Saldos de abertura O auditor deve examinar e confrontar todos os saldos e registros contábeis das contas que componham o balanço patrimonial e verificar a sua consistência. 5.7 Procedimentos contábeis adotados O auditor deve observar os princípios de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade adotados pela empresa. No exercício anterior, há a necessidade de comparação principalmente quanto aos procedimentos contá- beis adotados. Para se certificar dos procedimentos contábeis adotados no exercício anterior, cabe ao auditor proceder a um exame sumário daqueles adotados pela entidade, inclusive pelo que constam nas respectivas demonstrações contábeis. Se o exercício anterior foi examinado por outro auditor independente, devem ser analisados o parecer dos audi- tores e o conteúdo das demonstrações contábeis, inclusive as notas explicativas, como fonte de informação para uma avaliação, pela auditoria, do exercício a ser auditado. 5.8 Uniformidade dos processos contábeis A comparação das demonstrações contábeis de dois exercícios depende dos procedimentos contábeis adotados. Quando o planejamento da auditoria é realizado, os procedimentos contábeis adotados no exercício são compa- rados com os adotados no exercício anterior. Caso os procedimentos contábeis adotados não atendam aos princípios de contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade aceitos, o auditor deve debater isso com a administração da empresa. 86 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.9 Eventos relevantes subsequentes ao exercício anterior Quando em uma primeira auditoria forem constatadas situações relevantes, elas devem ser discutidas com a administração da empresa e, se as demonstrações contábeis foram examinadas por outros auditores indepen- dentes, deve ser motivo de debate com estes auditores, para se inteirar dos fatos e das situações. 5.10 Revisão dos papéis de trabalho Na primeira auditoria, o auditor deve avaliar a necessidade de revisão dos papéis de trabalho, a qual o auditor independente deve verificar a sua necessidade e dos relatórios elaborados por outro auditor. 5.11 Planos de auditoria O plano de auditoria consiste em uma série de notas que abrange o objetivo geral e a maneira de conduzir os trabalhos. Na fase de planejamento, o auditor deve estabelecer o nível de relevância nos planos e na auditoria. Devem ser determinadas as unidades a serem auditadas para medir essa evidência. O planejamento da auditoria consiste no trabalho que o auditor realiza para elaborar uma estratégia de trabalhos a serem executados, tais como: grau de conhecimento da atividade da empresa auditada; se a empresa possui ou não auditoria interna; quais os procedimentos a serem aplicados; quais relatórios entregues; qual equipe técnica que fará parte dos trabalhos. 5.11.1 Modelo de carta-proposta Ao representante apropriado da administração ou aos responsáveispela governança da empresa ABC: Fomos solicitados por V. Sas. a examinar as demonstrações contábeis da Empresa ABC, que com- preendem o balanço patrimonial de 31 de dezembro de 20X1, e as respectivas demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo em 31 de dezembro de 20X1, incluindo as respectivas notas explicativas. Temos o prazer de confirmar nossa aceitação e nosso entendimento desse trabalho de auditoria por meio desta carta. Nosso exame será conduzido com o objetivo de expressar nossa opinião sobre as demonstrações contábeis. Nosso exame será conduzido de acordo com as normas profissionais e éticas relativas à auditoria independente, emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Essas normas requerem o cum- primento das exigências éticas e que a auditoria seja planejada e executada com o objetivo de obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis estão livres de distorção relevante. Uma auditoria envolve a realização de procedimentos para obtenção de evidência de auditoria a respeito dos valores e divulgações nas demonstrações contábeis. Os procedimentos selecionados 87 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria dependem do julgamento do auditor, incluindo a avaliação dos riscos de distorção relevante das demonstrações contábeis, independentemente se causada por fraude ou erro. Uma auditoria inclui, também, a avaliação da adequação das práticas contábeis usadas e a razo- abilidade das estimativas contábeis feitas pela administração, bem como a avaliação da apresen- tação geral das demonstrações contábeis. Devido às limitações inerentes de auditoria, juntamente com as limitações inerentes de controle interno, há um risco inevitável de que algumas distorções relevantes podem não ser detectadas, mesmo que a auditoria seja adequadamente planejada e executada de acordo com as normas de auditoria. Em nossa avaliação de risco, o auditor considera o controle interno relevante para a elaboração das demonstrações contábeis da entidade, para planejar procedimentos de auditoria que são apropriados nas circunstâncias, mas não para fins de expressar uma opinião sobre a eficácia do controle interno da entidade. Entretanto, comunicaremos por escrito quaisquer deficiências sig- nificativas no controle interno relevantes para a auditoria das demonstrações contábeis que iden- tificarmos durante a auditoria. Nosso exame será conduzido com base no fato de que a administração reconhece e entende que é responsável: • pela elaboração e adequada apresentação das demonstrações contábeis de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil; • pelo controle interno que a administração determinar ser necessário; • para permitir a elaboração de demonstrações contábeis livres de distorção relevante, independentemente se causada por fraude ou erro; e • acesso a todas as informações relevantes de que a administração tem conhecimento para a elaboração das demonstrações contábeis, como registros, documentação e outros assun- tos; • informações adicionais que o auditor pode solicitar da administração para fins da audi- toria; e • acesso irrestrito às pessoas dentro da entidade que o auditor determinar como necessá- rio para obter evidência de auditoria. Como parte de nosso processo de auditoria, solicitaremos da administração confirmação por escrito sobre declarações feitas a nós em relação à auditoria. Esperamos contar com a total cooperação de sua equipe durante nossa auditoria. Inserir outras informações, como acordos de honorários, faturamento e outros termos específi- cos, conforme apropriado. Relatório a ser emitido. Inserir a devida referência para a forma e o conteúdo esperados do relatório de auditoria inde- pendente. A forma e o conteúdo do nosso relatório podem precisar ser alterados considerando nossas cons- tatações decorrentes da auditoria. 88 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria Favor assinar e nos devolver a cópia desta carta anexada, indicando seu reconhecimento e con- cordância com os termos para realização da nossa auditoria das demonstrações contábeis, e sua concordância com eles, incluindo nossas respectivas responsabilidades. Firma de auditoria Crepaldi Auditores Independentes Assinatura e “de acordo” em nome da Empresa ABC ..................................................................................... Nome e Cargo Data (Disponível em: <http://www.contabilidadeagora.com/news/nbcta210-concordancia-com-os- -termos-do-trabalho-de-auditoria/>). 5.12 Finalidade dos planos de auditoria A preparação de um plano de auditoria para um serviço contratado tem em vista a primeira norma de execução do trabalho de campo, conforme está descrita no boletim do Instituto Americano de Contadores Públicos Cer- tificados (AICPA, n.p.): “O trabalho deve ser adequadamente planejado e os assistentes, se existirem, devem ser adequadamente supervisionados”. Ainda que no passado sempre tenhamos planejado nosso trabalho, aquele tipo de planejamento costumava ser um tanto informal e raramente constava de um documento escrito. Quanto a este ponto, vale dizer que nos últi- mos anos tem havido muita discussão sobre a falta de elementos comprobatórios nos papéis de trabalho e nas folhas de anotações escritas sobre um plano de auditoria adequado, o que tem embaraçado muitos auditores. Por meio da preparação de um plano de auditoria, estamos seguindo as normas de auditoria geralmente aceitas e, ao mesmo tempo, produzimos uma prova escrita de que normas foram efetivamente observadas. 5.13 Responsabilidade pela preparação do plano de auditoria Ainda que a redação do plano de auditoria fique a cargo de qualquer outra pessoa, a responsabilidade sempre cabe ao supervisor designado pela empresa. A empresa deve estimular o treinamento deste supervisor em benefício do trabalho de auditoria. Quando o sênior é chamado a preparar a maior parte do plano, isto quer dizer que ele assume determinadas responsabilidades e, ao mesmo tempo, está exercitando seu treinamento. O plano que é preparado dentro destas regras exige do sênior uma cuidadosa planificação, pois ele se encon- tra na melhor posição para obter todas as informações necessárias. Posteriormente, a aprovação do plano pelo gerente constitui uma verdadeira revisão do trabalho do sênior. Ainda que seja relativamente simples emitir instruções sobre a observância de novos conceitos, não estamos totalmente seguros de que essas instruções foram observadas. E mesmo que tenham sido seguidas, ainda resta apurar se foram entendidas e executadas de acordo com o conceito original. 89 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria Se cabe ao sênior preparar a maior parte do plano, o gerente deve lhe explicar quais os objetivos do plano e o seu valor na condução da auditoria. É óbvio que o gerente deve estar convencido deste fato. O sênior não deve pensar que o plano deve ser preparado apenas porque consta no manual de auditoria ou porque foi preparado no ano anterior. As referências-mestres e a precedente são a maneira mais fraca de justificar instruções. Ao contrário, a pessoa que recebe instruções deve estar convencida de sua utilidade. Deve ser sempre lembrado ao sênior que a prepa- ração do plano o ajudará a metodizar seu raciocínio e dará os elementos comprobatórios de que foram observa- das as normas de auditoria geralmente aceitas, além de uma ideia geral sobre a maneira de conduzir os trabalhos e possibilitará melhor coordenação do trabalho entre ele e seu supervisor. O plano aprovado constitui uma série de instruções nas quais ele pode confiar. 5.14 Ocasiões em que o plano deve ser preparado A maneira mais fácil de preparar um plano de auditoria é escrevê-lo no término dos trabalhos. Nessa ocasião, todos os fatos e números são definitivos e não haverá quaisquer dúvidas sobre os detalhes do plano que foi seguido. Este procedimento, todavia, é altamente indesejável, poisanula a finalidade de preparar um plano de auditoria. O plano deve ser preparado antes, e não depois, de terminados os trabalhos. O momento mais conveniente para a preparação de um plano deveria ocorrer dentro desta sequência de fatos: • Conferência com o cliente dos prazos de encerramento das contas e dos problemas especiais • Preparação do plano preliminar de auditoria • Quando foi completada a avaliação do controle interno, quais as falhas e os pontos fortes listados • Revisão do plano preliminar de auditoria À medida que progride o trabalho, o plano de auditoria e o programa de auditoria originais deverão ser revisados, segundo as necessidades. Na prática, é possível que não seja observada essa sequência de fatos, em virtude da urgência para dar início à auditoria, a fim de manter os auditores permanentemente ocupados e para obter imediatamente certas informa- ções, tais como as respostas de circularizações. Nesses casos, o trabalho deve acontecer apenas quando forem realizados todos os esforços para formalizar um plano de auditoria no início dos trabalhos (antes de preparar o plano não constitui uma desculpa para atrasar sua preparação ou adiá-lo para o final). 5.15 Maneira de preparar os planos de auditoria Os planos de auditoria não devem seguir um estereótipo, e sim devem ser preparados especificamente para cada auditoria. Normalmente, isto é feito em reuniões do supervisor da empresa com o cliente. Um dos métodos recomendáveis é o de o gerente preparar com o sênior o esquema básico do plano e depois encarregá-lo de completar os detalhes. Daí em diante, o gerente revisa o plano completo e devolve ao sênior as partes reescritas, se for o caso. 90 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria Uma vez que o plano foi preparado, é necessário evitar que o serviço planejado permaneça inacabado. Sob o aspecto legal, o auditor poderá se encontrar em situação muito embaraçosa se for comprovado que ele tinha consciência de que deveria ter feito certo trabalho e, no entanto, deixou de aplicar os procedimentos exigidos. Por outro lado, poucos são os planos antecipadamente preparados que são seguidos em toda a sua extensão. Podem ocorrer alterações em virtude de fatos encontrados durante o trabalho, podem ser descobertas falhas adicionais no controle interno ou podem surgir novos problemas de ordem técnica. É possível, também, que o cliente modifique o plano de encerramento das contas ou que ocorram muitos outros fatos que provoquem alterações no plano original. Assim, à medida que vai se desenvolvendo a auditoria, o plano deve ser revisado de acordo com as circunstân- cias e devem ser tomadas as providências necessárias para que todo o trabalho planejado seja efetivamente executado. Se algumas partes do plano ficarem superadas, o plano deverá indicar claramente as razões para a mudança ou essas partes deverão ser destruídas. No planejamento da auditoria, o auditor pode se utilizar de técnica a fim de medir as unidades a serem auditadas na empresa para obtenção de evidências para seu trabalho de auditoria. 5.16 Conteúdo dos planos de auditoria Geralmente, nenhum plano de auditoria deve conter tantos detalhes que possa ser considerado um programa de auditoria. Nas auditorias pequenas, é preparado um plano para cada cliente. Algumas vezes, pode ser prepa- rado para um grande cliente um plano-piloto, em formato adaptado para um sistema de índices de referências e abrangendo os aspectos gerais da auditoria, com planos separados para cada uma das empresas subsidiárias e divisões. De qualquer forma, os planos de auditoria devem abranger comumente os seguintes pontos: • Objetivos: é a definição clara do alcance dos trabalhos. • Problemas especiais: devem ser escritos em detalhes os problemas que poderão ser encontrados no tra- balho de auditoria. • Previsões de horas e esquema de trabalho: a previsão de horas constitui uma parte essencial do plano de auditoria, pois serve de instrumento de controle na condução dos trabalhos. Deve ser preparada com detalhes, para que não ocorram variações. • Documentações e informações complementares: o plano deve conter também uma lista de todas as instruções especiais emitidas pelo cliente, uma relação dos serviços distribuídos para outros escritórios, o plano de encerramento de contas preparado pelo cliente, listas das análises a serem fornecidas pelo cliente e outras notas de utilidade na condução da auditoria. Se, entretanto, notarmos que a previsão de horas está crescendo excessivamente em uma determinada área, poderemos solicitar ao cliente que nos forneça assistentes para nos ajudar na preparação de quadros demons- trativos e análises ou para realizar tarefas rotineiras de escritório. Outra vantagem na preparação da previsão de horas com detalhes é podermos determinar se estamos gastando tempo demais em áreas de menos importância para a auditoria, tais como caixa e despesas pré-pagas. 91 Auditoria Financeira | Unidade 5: Planejamento de auditoria 5.17 Objetivos do programa de auditoria Antes de iniciar qualquer trabalho de auditoria, convém ter preparado um programa de auditoria, que é um rol de medidas de verificação a serem aplicadas e devem ser claramente demonstradas. O programa de auditoria consiste em plano de trabalho para exame de área específica. Ele prevê os procedimen- tos que deverão ser aplicados para se alcançar o resultado desejado. Muito já foi dito a favor e contra os programas de auditoria (que deveriam ser padronizados, que limitam a ima- ginação do auditor e assim por diante). Não pretendemos explorar ou reprisar os mesmos argumentos e, por isso, consideramos o programa como um suplemento dos planos de auditoria. A Comissão de Normas de Contábeis e Procedimentos de Auditoria já levou em consideração esses problemas e expediu recomendações de que deve ser estimulada a preparação de programas de auditoria detalhados que possam ser adotados para muitos outros tipos de serviços além dos rotineiros, considerando os seguintes itens: • Quando deve ser preparado o programa; • Quem deve preparar o programa; • O que deve ser incluído no programa; • Qual a utilidade do programa; • Qual a vantagem de não se preparar o programa. No planejamento de um programa de auditoria, devem ser efetuadas várias considerações: a responsabilidade do auditor na apuração de erros; as formas em que o programa de auditoria foi realizado. Acesse o site: <http://www.portaldeauditoria.com.br>. Apresentação das demonstrações contábeis. Disponível em: <http://cfc.org.br/wp-content/ uploads/2016/02/NBC_TSP_1_audiencia.pdf> 92 Considerações finais Nesta unidade, você viu qual é o objetivo do planejamento de auditoria e sua importância para o trabalho do auditor. Aprendeu também a identificar alguns documentos básicos utilizados pelos auditores em seu trabalho de auditoria em uma empresa. E por fim, verificou a importância do planejamento de auditoria para realizar um plano de auditoria eficiente. Referências bibliográficas 93 CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas e Procedimentos de Auditoria. 3. ed. Rio de Janeiro: CFC, 1991. 95 6Unidade 6 Normas de Auditoria Para iniciar seus estudos As Normas de Auditoria Interna, Independente e de Asseguração, estabe- lecem regras e procedimentos de conduta que devem ser utilizadas como parâmetros para o exercício da profissão de auditor. Objetivos de Aprendizagem • Conceituar as Normas de Auditoria, sua aplicação e importância, destacando sua relevância na atividade do auditor. 96 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria 1. Conceito A atividade de Auditoria no Brasil é regulamentada por diversas normas, tanto para os profissionais quanto para a técnica, na qual iremos elucidar detalhadamente no decorrer deste estudo. Existem diversos órgãos que estão relacionados com a fiscalização regulamentação e controle da auditoria, seguem alguns deles: • CRC – Conselho Regional de Contabilidade: é a entidadede classe dos contadores e tem como principal finalidade o registro e fiscalização do exercício da profissão contábil. • CFC – Conselho Federal de Contabilidade: é o responsável pela elaboração das Normas Brasileiras de Contabilidade. • CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis: tem como objetivo a emissão de Pronunciamentos Técni- cos, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, considerando a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais. • CVM – Comissão de Valores Mobiliários: É uma entidade autárquica vinculada ao Ministério da Fazenda que funciona como órgão fiscalizador do mercado de capitais no Brasil. • IFAC – (International Federation of Accountants/Federação Internacional de Contadores): Organização mundial que representa a profissão contábil. • IASB - (International Accounting Standards Board/Normas Internacionais de Contabilidade): responsável pela revisão e publicação das IFRS (International Financial Reporting Standard/Norma Internacional de Relatórios Financeiros) que são pronunciamentos com normas internacionais de contabilidade, na qual, o Brasil é representado pelo CFC e IBRACON. • FASB – (Financial Accounting Standards Board): é uma entidade privada cujo objetivo principal é desen- volver os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP) nos Estados Unidos da América. O FASB é res- ponsável pela publicação dos FAS (Statements of Financial Accounting Standars/Normas de Contabili- dade Financeira). • IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil: tem por objetivo, entre outros, elaborar nor- mas e procedimentos relacionados com auditoria e perícias contábeis. • AUDIBRA – Instituto dos Auditores Internos do Brasil: é uma pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, que tem por objetivo principal a promoção do desenvolvimento da auditoria interna, mediante a troca de ideias, reuniões, conferências, intercâmbio com outras instituições, congressos, publicações de livros e revistas e divulgação da importância da auditoria interna junto a terceiros. As Normas Brasileiras de Contabilidade classificam-se como: Profissionais e Técnicas, onde, as Profissionais estabelecem a conduta para o exercício da profissão e as Técnicas estabelecem os conceitos doutrinários, a estrutura técnica e os procedimentos a serem aplicados. 97 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria Figura 1 – Normas Legenda: Conformidade, Regras, Regulamentos e Diretrizes Fonte: https://br.123rf.com/photo_19912256_as-palavras-compliance,-normas,-regulamentos-e-orienta. html?&vti=mh1bd7x247q7fodbjz 2. Aplicação das Normas Vamos iniciar com as Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais, que utilizam as seguintes nomenclaturas: • NBC PG – Normas aplicadas aos Profissionais de Contabilidade em Geral, imperativa aos Auditores; • NBC PA - Normas aplicadas aos Auditores Independentes; e, • NBC PI – Normas aplicadas aos Auditores Internos. 98 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria Figura 2 – Normas Profissionais NORMAS RESOLUÇÃO CFC DESCRIÇÃO NBC PA 01 1.201/90 Controle de Qualidade para Firmas (Pessoas Jurídicas e Físicas) de Auditores Independentes NBC PA 11 1.323/11 Revisão Externa de Qualidade pelos Pares NBC PA 12 1.377/11 Educação Profissional Continuada NBC PA 13 1.109/07 Exame de Qualificação Técnica para Registro no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) NBC PA 290 1.311/10 Independência - Trabalhos de Auditoria e Revisão Legenda: Descritivo das Normas Profissionais Fonte: Elaborado pelo autor (2017). Agora passaremos para as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas, que são normas mais holistas, porém, devem ser consideradas pelo profissional da auditoria, quais sejam: • NBC TS – Normas Técnicas Societárias; • NBC TSP – Normas Técnicas do Setor Público; • NBC TE – Norma Técnica Específica; • NBC TA – Norma Técnica de Auditoria Independente; • NBC TI – Normas Técnicas do Auditor Interno; • NBC TR – Norma Técnica de Revisão; • NBC TO – Norma Técnica de Asseguração; e, • NBC TSC – Normas Técnicas para Serviços Correlatos. Figura 3 – Normas Técnicas NORMA RESOLUÇÃO CFC DESCRIÇÃO NBC TA DOU 25/11/15 Estrutura Conceitual para Trabalhos de Asseguração NBC TA 200 DOU 05/09/16 Objetivos Gerais do Auditor Independente NBC TA 210 DOU 05/09/16 Concordância com os Termos do Trabalho de Auditoria NBC TA 220 DOU 05/09/16 Controle de Qualidade da Auditoria de Demonstrações Contábeis 99 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria NBC TA 230 DOU 05/09/16 Documentação de Auditoria NBC TA 240 DOU 05/09/16 Responsabilidade do Auditor em Relação à Fraude NBC TA 250 1.208/09 Consideração de Leis e Regulamentos na Auditoria de Demonstrações Contábeis NBC TA 260 DOU 04/07/16 Comunicação com os Responsáveis pela Governança NBC TA 265 1.210/09 Comunicação de Deficiências de Controle Interno NBC TA 300 DOU 05/09/16 Planejamento da Auditoria de Demonstrações Contábeis NBC TA 315 DOU 05/09/16 Identificação e Avaliação dos Riscos de Distorção Relevante por meio do Entendimento da Entidade e do seu Ambiente NBC TA 320 DOU 05/09/16 Materialidade no Planejamento e na Execução da Auditoria NBC TA 330 DOU 05/09/16 Resposta do Auditor aos Riscos Avaliados NBC TA 402 1.215/09 Considerações de Auditoria para a Entidade que utiliza a Organização Prestadora de Serviços NBC TA 450 DOU 05/09/16 Avaliação das Distorções Identificadas durante a Auditoria NBC TA 500 DOU 05/09/16 Evidência de Auditoria NBC TA 501 1.218/09 Evidência de Auditoria - Considerações Específicas para itens Selecionados NBC TA 505 1.219/09 Confirmações Externas NBC TA 510 DOU 05/09/16 Trabalhos Iniciais - Saldos Iniciais NBC TA 520 1.221/09 Procedimentos Analíticos NBC TA 530 1.222/09 Amostragem em Auditoria NBC TA 540 DOU 05/09/16 Auditoria de Estimativas Contábeis, Inclusive do Valor Justo, e Divulgações Relacionadas NBC TA 550 1.224/09 Partes Relacionadas NBC TA 560 DOU 05/09/16 Eventos Subsequentes NBC TA 570 DOU 04/07/16 Continuidade Operacional NBC TA 580 DOU 05/09/16 Representações Formais NBC TA 600 DOU 05/09/16 Considerações Especiais - Auditorias de Demonstrações Contábeis de Grupos, incluindo o Trabalho dos Auditores dos Componentes 100 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria NBC TA 610 DOU 29/01/14 Utilização do Trabalho de Auditoria Interna NBC TA 620 1.230/09 Utilização do Trabalho de Especialistas NBC TA 700 DOU 04/07/16 Formação da Opinião e Emissão do Relatório do Auditor Independente sobre as Demonstrações Contábeis NBC TA 701 DOU 04/07/16 Comunicação dos Principais Assuntos de Auditoria no Relatório do Auditor Independente. NBC TA 705 DOU 04/07/16 Modificações na Opinião do Auditor Independente NBC TA 706 DOU 04/07/16 Parágrafos de Ênfase e Parágrafos de Outros Assuntos no Relatório do Auditor Independente NBC TA 710 DOU 05/09/16 Informações Comparativas - Valores Correspondentes e Demonstrações Contábeis NBC TA 720 DOU 05/09/16 Responsabilidade do Auditor em Relação a Outras Informações Incluídas em Documentos que Contenham Demonstrações Contábeis Auditadas NBC TA 800 DOU 22/02/17 Considerações Especiais - Auditorias de Demonstrações Contábeis Elaboradas de acordo com Estruturas de Contabilidade para Propósitos Especiais NBC TA 805 DOU 22/02/17 Considerações Especiais - Auditoria de Quadros Isolados das Demonstrações Contábeis e de Elementos, Contas ou Itens Específicos das Demonstrações Contábeis NBC TA 810 DOU 22/02/17 Trabalhos para a Emissão de Relatório sobre Demonstrações Contábeis Condensadas NBC TO 3000 DOU 25/11/15 Trabalho de Asseguração Diferente de Auditoria e Revisão NBC TR 2400 DOU 30/10/13 Trabalhos de Revisão de Demonstrações Contábeis NBC TR 2410 1.274/10 Revisão de Informações Intermediárias Executada pelo Auditor da Entidade NBC TI 01 NBC T 12 Da Auditoria Interna Legenda: Descritivo das Normas Profissionais Fonte: Elaborado peloautor (2017). 101 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria 3. Importância das Normas de Auditoria A auditoria é um dos instrumentos de controle mais importantes para os administradores das empresas, pois através da análise e certificação da auditoria nos controles internos e nas demonstrações contábeis, é que se identifica se os processos internos e políticas definidas pela empresa, estão sendo seguidos, principalmente, em consonância com as Normas Brasileiras de Contabilidade. As normas profissionais – NBC TP, conduzem o auditor para a realização de suas tarefas de forma imparcial, zelosa, cética, responsável e criteriosa. As NBC TA – Conduzem o auditor de forma técnica no trabalho do material utilizado. As normas técnicas de audi- toria são convergentes com as normas internacionais. Elas vão sendo aperfeiçoadas e periodicamente consolidadas no decorrer dos anos, através de pronunciamentos, e assim afastando lacunas ou interpretações dúbias relativas ao trabalho do auditor. As Normas de Auditoria são imprescindíveis para a profissão, para adequar e padronizar a correta verificação dos saldos financeiros e contábeis, analisar os controles e verificar a fragilidade. As normas definem quais os procedimentos devem ser adotados na auditoria, define os critérios de materiali- dade e os riscos envolvidos. O objetivo das normas também é a regulação da profissão, garantindo a qualificação técnica dos auditores através da educação continuada. No Brasil, a legislação é presente em todas as áreas de atividade profissional, e não seria diferente para a audi- toria, que tem por objeto o conjunto de controle do patrimônio administrativo, os quais compreendem papeis, fichas, arquivos e as demonstrações financeiras e contábeis. Figura 4 – Importância das Normas Legenda: Sem normas resulta em desorganização Fonte:https://br.123rf.com/search.php?word=bagun%C3%A7a&srch_lang=br&imgtype=&t_word=mess&t_lang=br&oriS earch=mesa+telefone&sti=lyw01vidbmhptrt83a|&mediapopup=42625044 102 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria Se os órgãos regulamentadores e fiscalizadores não existissem? E, se não houvesse as Nor- mas de Auditoria, como seria? 4. Aplicação das Normas de Auditoria Neste tópico, estudaremos a aplicação das Normas. Iniciaremos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade do Profissional de Auditoria – NBC PA. NBC PA 01 – Controle de Qualidade para Firmas: Esta norma destaca o controle de qualidade para auditores (pessoas jurídicas e físicas) que executam o trabalho de auditoria. Tem como objetivo, manter o controle de quali- dade para obter segurança razoável, a fim de que todos os profissionais envolvidos cumpram as normas técnicas e as exigências éticas relevantes na emissão dos relatórios sobre as demonstrações contábeis e demais relatórios. A citada norma destaca ainda, que o profissional deve ter independência de pensamento, que nada mais é que a postura cética que permite a apresentação da conclusão sem os efeitos da influência que possam comprome- ter o julgamento. O item 16, desta norma regulamenta que: A firma deve estabelecer e manter um sistema de controle de qualidade que inclua políticas e procedimentos que tratam dos seguintes elementos: (a) responsabilidades da liderança pela qualidade na firma; (b) exigências éticas relevantes; (c) aceitação e continuidade do relacionamento com clientes e de trabalhos específicos; (d) recursos humanos; (e) execução do trabalho; e, (f) monitoramento. NBC PA 11 – Revisão Externa de Qualidade pelos Pares: Esta norma aplica-se, exclusivamente, ao auditor com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esta norma foi criada objetivando assegurar a qualidade dos trabalhos desenvolvidos pelos auditores, no seu item 4 explana que: Revisão pelos Pares é o exame realizado por auditor independente nos trabalhos de auditoria exe- cutados por outro auditor independente, visando verificar se: (a) os procedimentos e as técnicas de auditoria utilizados para execução dos trabalhos nas empre- sas clientes estão em conformidade com as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas e Profis- sionais, editadas pelo CFC e, quando aplicável, com outras normas emitidas por órgão regulador; 103 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria (b) o sistema de controle de qualidade desenvolvido e adotado pelo Auditor está adequado e con- forme o previsto na NBC PA 01 – Controle de Qualidade para Firmas (Pessoas Jurídicas e Físicas) de Auditores Independentes. A norma informa ainda que, o auditor deve submeter-se à Revisão pelos Pares, no mínimo, uma vez a cada ciclo de quatro anos. NBC PA 12 – Educação Profissional Continuada: Esta norma tem o objetivo de regulamentar o Programa de Educação Continuada exercida pelos contadores na atividade de auditoria independente. A norma determina que o auditor deverá cumprir no mínimo 40 pontos por ano-calendário, sendo, no mínimo oito pontos com atividades de conhecimento, e comprovar, mediante relatório de atividade e documentos relativos à atividade de educação no órgão de classe - CRC de sua jurisdição -, até o dia 31 de janeiro do ano subsequente. Cabe lembrar que, o descumprimento das disposições da norma constitui infração do profissional, podendo acarretar a baixa do registro no CNAI – Cadastro Nacional de Auditores Independentes. NBC PA 13 – Exame de Qualificação Técnica: Tem por objetivo examinar o nível de conhecimento e compe- tência técnico-profissional dos auditores independentes. O exame de qualificação técnica é composto de prova escrita, contemplando questões para respostas objetivas e dissertativas. Os conhecimentos exigidos são: a) Ética Profissional; b) Legislação Profissional; c) princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Con- tabilidade, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade; d) Auditoria Contábil; e) Legislação Societária; f) Legislação e Normas de Organismos Reguladores do Mercado; e, g) Língua Portuguesa Aplicada. O profissional obterá a aprovação mediante acerto de no mínimo 50% das questões objetivas e 50% das ques- tões dissertativas elencadas nas provas, ocorrendo a aprovação no Exame de Qualificação Técnica para registro no Cadastro nacional de Auditores Independentes (CNAI). O resultado será publicado no Diário Oficial da União e a certidão de aprovação será divulgada no site do CFC. A avaliação será aplicada pelo menos uma vez em cada ano. NBC PA 290 – Independência Trabalho de Auditoria e Revisão: Esta norma trata-se da independência com os clientes para os trabalhos de auditoria. A independência é a condição essencial e absoluta para atingir as conclu- sões nos trabalhos desenvolvidos pela auditoria, no item 7 desta norma, cita que: Os conceitos sobre a independência devem ser aplicados por Auditores para: (a) identificar ameaças à independência; (b) avaliar a importância das ameaças identificadas; (c) aplicar salvaguardas, quando necessário, para eliminar as ameaças ou reduzi-las a um nível aceitável. Quando o auditor avalia que salvaguardas apropriadas não estão disponíveis ou não podem ser apli- cadas para eliminar as ameaças ou reduzi-las a um nível aceitável, o auditor deve eliminar a circuns- tância ou relacionamento que cria as ameaças, declinar ou descontinuar o trabalho de auditoria. O auditor deve usar julgamento profissional ao aplicar estes conceitos sobre a independência. Portanto, o contador que executa a função de auditor, tem diversas regras a serem atendidas, como atualização constante da profissão e, acima de tudo, a ética, o ceticismo e a independência. 104 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria Figura 5 – Normas Profissionais Legenda: O Auditor e as Normas para sua profissão Fonte:https://br.123rf.com/search.php?word=auditoria&srch_lang=br&imgtype=&Submit=+&t_word=&t_lang=br&orderb y=0&sti=n5qbwfc2o9waucoqpf|&mediapopup=22836423 Independência de pensamento: atitude que permite a apresentação de conclusão que não sofraconsequências de influências que comprometam o julgamento profissional, permi- tindo que o auditor atue com integridade, objetividade e ceticismo. Glossário Agora vamos elencar algumas Normas Técnicas de Auditoria, tendo em vista a diversidade de normas, conforme demonstrado no item 2 desta unidade, como: NBC TA, NBC TO, NBC TR e NBC TI, porém, neste material iremos ressaltar somente as relacionadas com este estudo. NBC TA – Estrutura Conceitual: Esta norma define e descreve o trabalho de auditoria. Ela proporciona a orien- tação para os profissionais de contabilidade na prática de auditoria. Porém, ela não estabelece normas próprias e sim princípios básicos, procedimentos essenciais e respectiva orientação, para a execução dos trabalhos de forma precisa e segura. A Estrutura Conceitual, define dois tipos de trabalhos de asseguração: a) trabalhos de asseguração razoável, também chamada de auditoria das demonstrações financeiras; e, b) trabalho de asseguração limitada que é denominada de revisão. 105 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria No Trabalho de asseguração, o auditor independente expressa uma conclusão para aumentar a confiabilidade nas demonstrações financeiras. NBC TA 200 – Objetivos Gerais do Auditor Independente: Trata-se das responsabilidades do auditor indepen- dente na elaboração da auditoria. A confiabilidade nos relatórios e demonstrações contábeis são agregadas após a opinião do profissional de auditoria, para isso, as normas exigem que o auditor tenha segurança razoável e que o material analisado está livre de distorções relevantes. Figura 6 – Segurança Razoável Segurança Razoável Planejamento e execução dos trabalhos, a um nível de risco baixo. Legenda: Esclarecimento Fonte: Fonte: Elaborado pelo autor (2017). O objetivo do auditor é aumentar o grau de confiança nas demonstrações e relatórios financeiros e contábeis da empresa, mediante a sua opinião através de suas conclusões. NBC TA 210 – Concordância com o Trabalho de Auditoria: Esta norma contempla basicamente a continuidade do trabalho de auditoria. Deve haver concordância entre as partes interessadas, relativas às condições prévias do trabalho de auditoria e um entendimento entre o auditor independente, a administração e os responsáveis pela governança corporativa sobre o escopo da auditoria. Quando houver limitação no alcance dos trabalhos do auditor imposta pelos administradores, o auditor não deve aceitar o trabalho, pois não existem condições prévias para a execução de seus trabalhos. NBC TA 220 – Controle de Qualidade da Auditoria de Demonstrações Contábeis: Esta norma também se refere às responsabilidades do auditor, e deve ser analisada e interpretada em conjunto com a NBC TA 200. No item 6 desta norma, assim foi elucidado o objetivo do auditor: O objetivo do auditor é implementar procedimentos de controle de qualidade no nível do traba- lho que forneçam ao auditor segurança razoável de que: (a) a auditoria está de acordo com normas técnicas e com as exigências legais e regulatórias aplicáveis; e, (b) os relatórios emitidos pelo auditor são apropriados nas circunstâncias. NBC TA 230 – Documentação de Auditoria: Estabelece requisitos sobre a forma de apresentação e a finalidade da documentação. O objetivo desta norma é fazer com que o auditor, ao preparar a documentação, ele forneça: a) registro suficiente e apropriado do embasamento do relatório do auditor; e, b) evidências de que a auditoria foi planejada e executada em conformidade com as normas e as exigências legais e regulamentares aplicáveis. 106 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria Documentação de auditoria ou papéis de trabalho, é o registro dos procedimentos executa- dos pelo auditor, da evidência da auditoria relevante obtida e conclusões alcançadas. NBC TA 240 – Responsabilidade quanto à Fraude e Erro: A diferença entre a fraude e o erro está na intenção do fato. A responsabilidade do auditor é identificar esta situação. O risco de não detectar uma fraude é mais alto do que não descobrir o erro. As fraudes podem ser: falsificação de documentos, omissão deliberada nos registros, ou falsas representações ao auditor, ocultar ou não divulgar fatos que possam afetar os registros contábeis como des- vio de estoque, apropriação indevida de ativos, venda de sucatas sem o devido retorno do valor da venda ao caixa da empresa, entre outras. O item 10 desta norma, cita os objetivos do auditor quanto aos trabalhos perante as fraudes: (a) identificar e avaliar os riscos de distorção relevante nas demonstrações contábeis decorrente de fraude; (b) obter evidências de auditoria suficientes e apropriadas sobre os riscos identificados de distorção relevante decorrente de fraude, por meio da definição e implantação de respostas apropriadas; e, (c) responder adequadamente face à fraude ou à suspeita de fraudes identificada durante a audi- toria. Figura 7 – Fraude Legenda: Fraude de desvio de ativos nas empresas Fonte:https://br.123rf.com/search.php?word=fraude&srch_lang=br&imgtype=&Submit=+&t_word=&t_lang=br&orderby= 0&sti=lamph5nc4gnxvhb1ll|&mediapopup=14405526 107 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria NBC TA 250 – Consideração de Leis e Regulamentos na Auditoria: Refere-se à responsabilidade quanto às leis e regulamentos sobre as demonstrações contábeis. Esta responsabilidade é da administração da empresa auditada e não do auditor. O profissional de auditoria deve se certificar que os registros estão em conformidade com as normas, e isso não ocorrendo, e se o fato for relevante, deverá constar em suas conclusões. NBC TA 265 – Comunicação de Deficiência de Controles Internos: Esta norma trata da responsabilidade do auditor de informar de maneira apropriada, aos responsáveis pela administração da empresa auditada, as defici- ências nos controles internos. O auditor deve ter a sua opinião formada e a certeza de que a avaliação no controle interno demonstrou fragilidade e, consequentemente, sua ineficácia. Esta norma especifica quais deficiências identificadas pelo auditor devem ser comunicadas aos responsáveis pela empresa. As deficiências no controle interno existem quando o controle é elaborado de tal forma que não consegue pre- venir, ou detectar e corrigir tempestivamente, distorções nas demonstrações contábeis. Seguem alguns exemplos de deficiência significativa nos controles internos: • Desvios efetuados nos estoques sem que sejam percebidos; • Desvios no “caixinha” da empresa e operações financeiras irregulares; • Identificação de fraude, que não foi prevenida pelo controle interno da empresa; • Evidências de incapacidade da administração de supervisionar a elaboração dos relatórios financeiros e contábeis. NBC TA 300 – Planejamento da Auditoria: Norteia o auditor no desenvolvimento dos trabalhos e define o escopo e limitação da auditoria. Um planejamento eficaz é o caminho para o bom desenvolvimento e resultado da auditoria. Quando o auditor faz um bom planejamento, ele pode explorar mais as áreas importantes, fazer um trabalho organizado, pode otimizar o tempo, resultando na seleção dos membros da equipe com capacidade e compe- tência adequadas para mensurar o nível de riscos e alocação apropriada nas tarefas. O objetivo desta norma é auxiliar o auditor a planejar a auditoria de forma a realizá-la de maneira eficiente e eficaz. O Planejamento não é uma fase isolada da auditoria, mas um processo contínuo e interativo. O auditor poderá discutir o planejamento com o administrador da empresa auditada, com o intuito de facilitar os trabalhos, porém, o planejamento sempre será de responsabilidade do auditor. NBC TA 315 – Identificação e Avaliação dos Riscos de Distorção: O objetivo da criação desta norma é para con- duzir o auditor a identificar e avaliar os riscos de distorção relevante independente se causada por fraude ou erro. Os procedimentos que o auditor deve proceder na avaliação de riscos, conforme o item 6 danorma, são: (a) indagações à administração, às pessoas apropriadas da auditoria interna (se houver essa fun- ção) e a outros na entidade que, no julgamento do auditor, possam ter informações com possi- bilidade de auxiliar na identificação de riscos de distorção relevante causados por fraude ou erro; (b) procedimentos analíticos; (c) observação e inspeção. O risco de negócio resulta de condições, eventos, circunstâncias, ações ou falta delas que venham afetar a capa- cidade da empresa de alcançar suas metas e objetivos. O risco significativo é o risco de distorção relevante que requer atenção especial na auditoria. 108 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria O auditor deve verificar nos controles internos da empresa, se esta possui processo que possa identificar o risco de negócio e avaliar a probabilidade de sua ocorrência. Se a empresa possui este processo, o auditor deve intera- gir com o intuito de obter conhecimentos quanto ao resultado deste processo. Para um bom desempenho e atingir o resultado adequado de seu trabalho, o auditor deve entender também, do sistema de informação utilizado na empresa, conversando com os profissionais da área de tecnologia da infor- mação e obter os conhecimentos quanto a inserção das informações, áreas relacionadas e o resultado. Distorção é a diferença entre o valor, classificação, apresentação ou divulgação de um item, que pode ser decorrente de erro ou fraude. Glossário NBC TA 320 – Materialidade no Planejamento e na Execução da Auditoria: Trata-se de aplicar o conceito de mate- rialidade no planejamento. A estrutura de relatórios financeiros geralmente discute o conceito de materialidade. Para a auditoria significa valor ou valores fixados pelo auditor. Geralmente corresponde a uma porcentagem selecionada como ponto de partida, como o resultado informado como lucro antes do imposto, lucro bruto, total das despesas. O auditor estabelece o percentual de acordo com o referencial. Ele pode entender que para uma empresa com fins lucrativos, o lucro antes do imposto deva ser 5%. Já para a empresa sem fins lucrativos, que 1% seja apro- priado para a receita total. A materialidade é fixada pelo auditor para reduzir a probabilidade de distorções não corrigidas e não detectadas, não afetem as demonstrações. A definição da materialidade é essencial para definir o tamanho da amostra analisada pelo auditor. Para defi- nir a amostra de auditoria, primeiro é necessário verificar quanto cada conta contábil do Balanço Patrimonial e Demonstrativo do Resultado (DRE) representa no total e das Demonstrações Financeiras. Isso geralmente é feito através de uma análise de balanço horizontal e vertical. NBC TA 500 – Evidência de Auditoria: Abrange as informações utilizadas pelo auditor para chegar às conclu- sões que fundamentam a sua opinião. Algumas evidências de auditoria são adquiridas para testar os registros contábeis. A seleção de itens para testes e a obtenção de evidencias, podem ser a seleção de todos os itens, onde será o exame de 100%, seleção de itens específicos, e a amostragem de auditoria. A aplicação de qualquer um desses meios ou de uma combinação deles, pode ser utilizada a critério do auditor, dependendo dos riscos de distorção relevante relacionado aos itens que estão sendo testados. NBC TA 501 – Itens Selecionados: O auditor deve selecionar os itens com finalidade de obter evidência de auditoria apropriada e suficiente. Se o saldo do estoque for relevante para as demonstrações contábeis, o auditor deverá acompanhar a contagem física para avaliar os procedimentos da administração, e os controles internos da empresa. NBC TA 510 – Saldos Iniciais: O trabalho de auditoria inicial, significa que a empresa ainda não foi auditada, não tendo assim, os saldos iniciais ou foi auditada por outro auditor independente. Antes de iniciar os trabalhos o auditor deve se certificar que os saldos iniciais contêm distorções que afetam de forma relevante as demonstra- ções contábeis, por meio de conferência dos saldos transportados do ano anterior para o período corrente, revi- são dos papéis de trabalho do auditor independente antecessor para obter evidência quanto aos saldos iniciais. 109 Auditoria Financeira | Unidade 6 - Normas de Auditoria NBC TA 530 – Amostragem em Auditoria: Consiste em uma análise inferior a 100% dos itens, no entanto, que a quantidade seja uma amostra razoável que possibilite o auditor concluir sobre todos os itens. Ao definir a amostra, o auditor deve considerar a finalidade do procedimento, e reduzir o risco a um nível mínimo aceitável. NBC TA 610 – Utilização do Trabalho de Auditoria Interna: Havendo um auditor interno na empresa, o auditor independente poderá utilizar o trabalho já realizado, porém, deverá determinar em que extensão irá utilizar e se aquele trabalho é adequado para os fins da auditoria. Para isso será avaliada a competência técnica do auditor interno, o objetivo da auditoria interna e se o trabalho foi realizado com total independência e zelo profissional. NBC TI 01 – Auditoria Interna: Esta norma tem caráter de auxiliar o auditor interno em suas funções. Informa que o profissional deve preservar sua autonomia e deve ter o máximo de zelo e imparcialidade na realização dos trabalhos e na exposição das conclusões. Se o auditor interno achar pertinente, poderá realizar trabalhos de forma compartilhada com outras áreas da empresa, seguindo a habilitação técnica e legal dos participantes. Quando previamente estabelecido com a empresa, o profissional interno deverá apresentar os seus papéis de trabalho ao auditor independente, quando esse achar conveniente. As Normas e Resoluções poderão ser encontradas na íntegra no site do Conselho Federal de Contabilidade disponível no endereço: <http://cfc.org.br/legislacao/>, aqui fizemos apenas uma explanação resumida, com o intuito de situar vocês quanto às Normas de Auditoria. 110 Considerações finais Nesta unidade, você estudou as Normas de Auditoria, onde foram con- templados os seguintes conhecimentos: • O Conceito; • A aplicação das normas; • A Importância das Normas de Auditoria; e, • Aplicação das Normas de Auditoria. Importante salientar, que as Normas de Auditoria têm a finalidade de padronizar os trabalhos de auditoria entre todos os profissionais da área; definem o que é essencial em uma auditoria como: planejamento, defi- nição de escopo, limitação do trabalho, elaboração de papéis de trabalho completos, que contenham o histórico da auditoria realizada e as evidên- cias e pontos de recomendação, definição da materialidade, tamanho da amostra etc. As normas de auditoria são muito importantes para os auditores iniciantes, que ainda não têm a prática do dia a dia. Elas ensinam como fazer, o que deve ser observado para apurar se houve fraude ou erro, e o que não pode faltar em uma auditoria. Depois que adquire experiência prática, as normas são incorporadas ao cotidiano do auditor. Conforme explanado no decorrer dos estudos, existem diversos norma- tivos que regulamentam a atividade da auditoria, se tornando imprati- cável comentar sobre todas em uma unidade de estudo, porém, para um aprofundamento da matéria, sugiro que acessem a página da internet do Conselho Federal de Contabilidade, onde você encontrará todas as nor- mas e resoluções. Referências bibliográficas 111 Conselho Federal de Contabilidade. Normas Brasileiras de Contabili- dade – NBC PA – Do Auditor Independente – Brasília, 2012. IBAÑEZ, M. B. et al. Normas Brasileiras de Contabilidade. Porto Alegre: CRC/RS, 2016. Dutra, T. A. de G. L. et al. Manual de Auditoria Financeira. Brasília: TCU, 2015. Conselho Federal de Contabilidade. A Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Disponível em: <http://cfc.org.br/tecnica/normas- -brasileiras-de-contabilidade> Acesso em: 08 maio 2017. 7 113 Unidade 7 Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial Para iniciar seus estudos Nesta unidade veremosas práticas adotadas pelos auditores para extrair as evidências suficientes para fundamentar seu Relatório de Auditoria, através dos exames nas contas do Ativo, Passivo e as de Resultado. Objetivos de Aprendizagem • Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Ativo; • Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Passivo; e, • Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Resultado. 114 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial 7.1 Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial O Programa de Auditoria é executado quando as ideias ou decisões relativas ao que fazer, como e por que fazer, são convertidas em procedimentos de auditoria. O programa deve contemplar no mínimo os seguintes requisitos: • O objetivo do trabalho; • Aspectos fundamentais de controles internos; • Os procedimentos de auditoria e o momento em que serão efetuados; e, • A extensão dos trabalhos para que se obtenha segurança e confiabilidade nas evidências. O auditor deve planejar junto à sua equipe, a realização da análise de contas relacionadas. Vejamos alguns exemplos: • O exame dos Estoques pode ser correlacionado com o de Compras, Contas a Pagar e Custo de Mercadoria Vendida; • O exame de Contas a Receber, pode-se relacionar com a auditoria das contas de Caixa e Bancos; • A auditoria de Patrimônio Líquido deve ser analisada juntamente com a dos Dividendos; e, • A auditoria relativa aos Encargos Sociais com a Folha de Pagamento. 7.2 Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Ativo O escopo do programa de auditoria nas contas do ativo são: a. Observar se foram respeitados os Princípios Fundamentais de Contabilidade; b. Confirmar a existência física dos estoques; c. Assegurar que os objetos contabilizados realmente existem; d. Certificar que as contas a receber são autênticas e têm origens legais; e, e. Precisar se as contas foram devidamente classificadas. De acordo com a NBC T 11, o auditor ao iniciar os procedimentos da auditoria, deve seguir algumas técnicas para o melhor resultado da análise, sendo: a. Inspeção – exame de registros, documentos e de ativos tangíveis; b. Observação – acompanhamento de processo ou procedimento quando de sua execução; c. Investigação e Confirmação – obtenção de informações junto a pessoas ou entidades conhecedoras da transação, dentro ou fora da entidade; d. Cálculo – conferência da exatidão aritmética de documentos comprobatórios, registros e demonstrações contábeis e outras circunstâncias; e, e. Revisão Analítica – verificação do comportamento de valores significativos, mediante índices, quocientes, quantidades absolutas ou outros meios, com vistas à identificação de situação ou tendências atípicas. 115 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial Figura 1 Legenda: Processo da Circularização Fonte: Elaborado pelo autor (2017). Para melhor entendimento, segue um modelo de carta de circularização para os bancos, a fim de conferência dos saldos bancários registrados nas Demonstrações Financeiras. Figura 2 CARTA DE CIRCULARIZAÇÃO (BANCOS) ..............................,................... de........................de.................... (local) (dia) (mês) (ano) ........................................................................... (nome completo do destinatário) ........................................................................... (endereço completo do destinatário) ........................................................................... (CEP , Cidade e Estado) Prezado (s) Senhor (es) EXCLUSIVAMENTE PARA FINS DE CONFERÊNCIA, solicitamos informar, diretamente a (NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA OU DO AUDITOR), cito a rua (endereço completo, rua, número, bairro, CEP, cidade e estado); os saldos ou posições das contas mantidas nesse estabelecimento por nossa empresa, em ........... de ..................................... de ..................., dentre as seguintes: (dia) (mês) (ano) a) contas correntes; b) contas vinculadas, garantidas e especiais; c) títulos descontados, caucionados e em cobrança; d) outras contas. Atenciosamente, ................................................................... (carimbo e assinatura autorizada do cliente Legenda: Modelos de Carta de Circularização Fonte: www.portaldeauditoria.com.br 116 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial Agora vamos nos aprofundar nos procedimentos de auditoria nas contas do Ativo, como: • 2.1 Caixa e Bancos; • 2.2 Contas a Receber; • 2.3 Estoques; e, • 2.4 Imobilizado. 7.2.1 Caixa e Bancos O trabalho do auditor nas contas Caixa e Banco, consiste em analisar e verificar a veracidade dos registros e, para tanto, devem ser observados os seguintes objetivos: a. Verificar a autenticidade dos saldos; b. Analisar os fundos apresentados, se realmente abrangem a totalidade existente; c. Exame dos valores efetivamente disponíveis; e, d. Verificar os valores que dependem de avaliação se foram convertidos e considerados corretamente. Para a constatação sobre a posição das contas caixa e bancos, o auditor deverá obedecer aos procedimentos mínimos obrigatórios: a. Verificar se a escrituração das contas em determinada data apresentam saldos disponíveis, incluindo todas as operações do período examinado e tão somente deste período; b. Verificar se a escrituração obedeceu aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, aplicados de maneira uniforme em relação ao exercício anterior; c. Verificar se a escrituração foi feita com base na legislação em vigor, inclusive atendendo os requisitos de ordem fiscal; d. Verificar se os saldos indicados em determinada data estão representados por confirmações idôneas ou se foram examinadas fisicamente pelo auditor. Assim, os exames que o auditor deve seguir para auditar as contas do caixa e bancos de maneira satisfatória e atendendo os procedimentos obrigatórios, são: • É impraticável o exame de todas as operações do exercício. Sendo assim, para chegar a uma conclusão satisfatória, o auditor deve realizar testes, ficando a extensão destes ligados diretamente à eficiência dos controles internos. Para isso, o auditor deve estudar o sistema de controle interno da auditada, utilizando um método de avaliação adequado. Com base na avaliação, o auditor estabelecerá a natureza, a extensão e a profundidade dos exames e testes; • Deve ter profundo conhecimento dos Princípios Fundamentais de Contabilidade, além dos procedimen- tos adotados pela empresa; • Somente podem constar do caixa comprovantes de despesas idôneos; • Deve obter confirmação direta e independente dos saldos bancários (Carta de Circularização); 117 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial • Quando os saldos bancários dos extratos fornecidos pela empresa não coincidem com os saldos apre- sentados no Balanço Patrimonial deve ser solicitado a conciliação bancária; e, • Os fundos de caixa devem ser inspecionados pelo auditor, através de contagens físicas. Figura 3 Legenda: Controle do dinheiro Fonte: ID Imagem 4690542.https://pt.123rf.com/search.php?word=46905426&srch_lang=pt&imgtype=2&t_ word=46905426&t_lang=pt&oriSearch=moderno+processo&mediapopup=46905426 Para um controle eficiente e eficaz na conta Caixa e Bancos, a empresa deve adotar alguns processos básicos, como: • Toda a entrada de numerário deve ser conferida com os documentos que a geraram; • Os estoques de cheques em branco devem ficar sob custódia e garantidos contra extravios ou uso indesejado; • Adiantamento a terceiros, quando não prestada conta no dia, devem ser convenientemente contabilizados; • As conciliações devem ser diárias, e os saldos entre os boletins de caixa e a conta razão devem ser con- feridos, assim como o saldo bancário contabilizado, deverá estar de acordo com os saldos dos extratos; e • Devehaver rodízio entre o pessoal de caixa para dificultar as manipulações de bens e numerários e segre- gação de função. Quem realiza os pagamentos e controla os recebimentos não pode também realizar a contabilização e conciliações. Quando estas regras não forem adotadas pela empresa auditada, deve ser objeto de recomendação do auditor para melhorar o desempenho dos controles internos. 118 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial Uma das regras básicas para um bom sistema de controle, é a segregação das funções. Jamais o responsável pelo caixa deverá ter qualquer ingerência com os registros contábeis ou outro setor que possibilite acesso em operações que possam resultar em fraude. 7.2.2 Contas a Receber As contas a receber representam um dos ativos mais importante para a empresa, é o compromisso dos clientes de pagar um produto ou serviço. Os procedimentos adotados pelo auditor são: • Exame do razão contábil da conta de clientes, selecionando amostragem de lançamentos mais relevantes; • Confrontar o relatório das contas a receber na data do saldo analisado com o saldo do Balanço na conta clientes, e solicitar as conciliações de saldos divergentes; • Investigação através do exame detalhado da documentação suporte; • Analisar a variação do saldo de contas a receber, obtendo explicação para as duplicatas incobráveis ou em atraso, e verificar a existência de atrasos superiores a 180 dias para constituição de provisão de devedores duvidosos; • Determinar a existência e representatividade dos devedores duvidosos; e, • Verificar se foram utilizados os Princípios de Contabilidade geralmente aceitos. O controle interno sobre as contas a receber é ajustado de forma diversa entre as empresas, dependendo da materialidade, mas basicamente podemos dizer que: • Segregação de tarefas, as pessoas que contabilizam e conciliam as contas a receber não podem ter rela- ção com caixa, bancos, estoque, faturamento ou baixa de contas incobráveis, e, • A baixa dos incobráveis só pode ser realizada com autorização da administração e deve ser documentada. 7.2.3 Estoques Os principais objetivos do trabalho de auditoria na conta dos estoques são: • Existência: Certifica que as quantidades e valores apresentados nos relatórios existem fisicamente; • Cut-Off: Certifica que o item está registrado de acordo com sua competência; • Abrangência: Certifica que todas as quantidades e saldos de estoques estão adequadamente e integral- mente contabilizados; e 119 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial • Avaliação: Verificar se estão em consonância com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e com os métodos de avaliação de estoque permitidos pelo Fisco, como, PEPS ou Custo médio. Os procedimentos e itens a serem observados na auditoria, para constatar as evidências suficientes para a emis- são do relatório são: • Quais os locais que existem estoques e a disposição física; • Tipos e quantidades de estoques existentes nestes locais; • Sistema de recebimentos de mercadorias, matérias primas etc.; • Sistema de custo adotado; • Método de avaliação de mercadorias e das matérias primas; • Existência de estoque oferecido como garantia e/ou em poder de terceiros; • Análise do Relatório de Controle de Inventário de Estoque; • Exame de notas fiscais de compra de mercadorias para o estoque; • Verificação de itens obsoletos ou vencidos que ainda permaneçam no estoque e contabilizados; e, • Acompanhamento de contagem física; Quanto a este último item, “contagem física”, o auditor deve considerar: a natureza dos controles internos; o risco de desvios materiais; as condições do estoque; verificar as instruções de inventário; período de contagem; o tipo de teste a ser realizado; e, para isso, se direcionado ou por amostragem. Com base nestas informações, o auditor terá condições de estabelecer um plano detalhado dos trabalhos a serem executados, se certificando da veracidade para embasar o conteúdo de seu Relatório. Figura 4 Legenda: Estoques Fonte: ID Imagem 24460696 https://pt.123rf.com/search.php?word=24460696&srch_lang=pt&imgtype=2&t_word=24460696&t_lang=pt&oriSearch= 46905426&mediapopup=24460696 120 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial 7.2.4 Imobilizado As contas do ativo imobilizado também são muito importantes para a avaliação da auditoria, tendo em vista que a depreciação reflete sobre o lucro do exercício. As verificações devem abranger os seguintes itens: amortizações, exaustões, obsolescência, ociosidade, reavalia- ções corretas, contabilização, venda e existência física dos bens. Em conformidade com o objetivo da auditoria, deve ser analisado o sistema de controle interno em uso, para determinar qual a confiabilidade neste controle e verificado existência de Sistema de Controle Patrimonial de Bens e se existe identificação dos bens através de etiquetas e se estes encontram-se no Relatório de Controle Patrimonial fornecido. O trabalho do auditor deve estar focado em: • Avaliar os testes de impairment realizados pela empresa; • A existência, propriedade e posse dos bens; • Os critérios e a extensão das depreciações ou amortizações e conferir os cálculos de amortização no período; verificar a consistência em relação ao período anterior e reconciliar o valor amortizado como respectiva conta de despesa na Demonstração do Resultado do Exercício; • Certificar-se de que os ativos intangíveis foram testados para sua recuperabilidade, de acordo com o CPC 1, onde estabelece que: um ativo não deve estar registrado por valor superior ao seu valor de recuperação. Quando este for o caso, o valor do ativo deve ser reduzido (impairment) ao seu valor de recuperação; • No mínimo a cada exercício, a empresa deve analisar a existência ou não de indicadores de impairment em seus ativos; e, • Ágio deve ser testado no mínimo uma vez ao ano, mesmo que não existam indicadores de impairment; O teste de impairment consiste em calcular o valor de recuperação do respectivo ativo e compará-lo com seu valor contábil. Glossário 121 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial 7.3 Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Passivo As contas que representam as obrigações da empresa se enquadram no Passivo Circulante e no Passivo Não Circulante. O auditor, através de estudo prévio no Balanço Patrimonial, deve eleger as contas mais relevantes a serem auditadas. Os objetivos da auditoria, na verificação das contas do passivo são: verificar se os controles internos da empresa transmitem a confiabilidade e constatação que todas as obrigações estão contabilizadas, e principalmente se existem documentos para respaldar os registros; verificar o grau de endividamento da empresa e se há risco de falência ou concordata; verificar os saldos pendentes de pagamento, sua origem e motivo de inadimplência. As contas que geralmente são auditadas, devido à relevância e influência na empresa são: • 3.1 Fornecedores; • 3.2 Empréstimos e Financiamentos; • 3.3 Encargos Sociais a Pagar; • 3.4 Tributos a Pagar; • 3.5 Provisão de Contencioso, e, • 3.6 Patrimônio Líquido. 7.3.1 Fornecedores Os principais objetivos da auditoria na conta fornecedores são: • Verificar se as compras são efetuadas a partir de um planejamento; • Verificar se as compras foram realizadas pelos preços de licitação (quando for o caso); • Determinar a segurança dos controles internos observados para o pagamento das obrigações com os fornecedores; • Verificar a idoneidade das notas fiscais de compras e se foram autorizadas pela alçada competente; • Havendo volume de contas em atraso relevante, se foi realizado uma provisão; • Verificar a adequada contabilização das operações de compras, de acordo com os Princípios Fundamen- tais de Contabilidade, realizando a análise de algumas notas fiscais de entrada, observandose foram contabilizadas dentro da competência correta; e, • Verificar se os saldos a pagar a fornecedores foram confirmados, via Carta de Circularização ou verifica- ção de existência de nota fiscal de entrada de suporte. É relevante que a empresa adote algumas diretrizes a serem seguidas com o intuído de prevenir erros e fraudes. A seguir vamos citar alguns exemplos: a. Segregação de funções de compra, recepção, registro e pagamento de compras; b. Adoção de formulários padronizados ou sistemas de informatização para ordens de compras, requisi- ções, transferências internas etc.; 122 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial c. Manutenção do cadastro de fornecedores atualizados e registrados conforme a política da empresa, veri- ficando sua idoneidade no mercado, e se a empresa permanece em operação; d. Realizar uma tomada de preço com os fornecedores, tendo um mínimo de três orçamentos; e. Fixação de estoques mínimos e máximos, como forma de orientar o ponto do pedido; f. Sistema de aprovação das requisições e conferência; e, g. Conciliação periódica entre os registros fiscais e registros contábeis. Figura 5 Legenda: Cadastro Fornecedores e Lista de Preços Fonte: ID Imagem: 26075872 https://pt.123rf.com/search.php?word=CADASTRO+&srch_lang=pt&imgtype=2&t_word=register&t_lang=pt&oriSearch=S UPPLIERS&mediapopup=26075872 Quando o auditor entender necessário, pode enviar Cartas de Circularização para as empresas cuja empresa auditada, tenha mantido maior volume de operações. 7.3.2 Empréstimos e Financiamentos Para a auditoria dos Empréstimos e Financiamentos, é necessário obter da empresa as seguintes informações e realizar os seguintes procedimentos: • Extrato bancário dos empréstimos e financiamentos na data do Balanço; • Verificar se o saldo contábil do Balanço está de acordo com o saldo informado nos extratos de emprésti- mos e financiamentos; • Verificar todos os Contratos e aditivos dos empréstimos e financiamentos até a data do Balanço; 123 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial • Verificar se existem empréstimos em moeda estrangeira, assim como analisar o cálculo de variação cam- bial decorrente destes empréstimos; e, • Verificar a segregação contábil de curto e longo prazo, se estão contabilizadas corretamente no Passivo Circulante e Não Circulante. Os empréstimos e financiamentos são contabilizados por ocasião de sua contratação pelo regime de competên- cia. Ou seja, o valor incorrido e não pago, referente aos encargos financeiros (juros, comissões, correção monetá- ria, IOF, variação cambial sobre o valor do principal) deve ser provisionado na data das Demonstrações Financeiras. Adicionalmente, os encargos financeiros pagos antecipadamente, devem ser apropriados ao resultado de acordo com o prazo do contrato do empréstimo ou financiamento. 7.3.3 Encargos Sociais a Pagar Para a realização da auditoria nos Encargos Sociais a pagar, é necessário analisar as folhas de pagamento do perí- odo analisado, as guias de recolhimento de INSS, FGTS e os Relatórios de Provisões de Férias e Décimo Terceiro sintético e analítico, assim como, as conciliações do período analisado. Deve ser verificado se há existência de saldo na conta salários a pagar, sua composição e motivo da pendência; se existem adiantamentos a funcionários ainda não descontados em folha; se há provisões de 13º e férias e se o montante está de acordo com o total da remuneração e número de funcionários, verificar se estão sendo efetu- ados os recolhimentos de FGTS e INSS. 7.3.4 Tributos a Pagar A finalidade da auditoria na conta de tributos a pagar, é verificar se os tributos estão sendo apurados, contabili- zados e pagos corretamente. Esta conferência é realizada através da análise das guias de recolhimento e conci- liações contábeis. Para isso, o auditor deve: • Confrontar o valor da análise com o razão contábil; • Verificar se existem itens antigos ou anormais na análise; • Confrontar os saldos com os livros fiscais; • Testar a base de cálculos; • Analisar a flutuação dos saldos ao longo do ano em relação ao faturamento (especialmente para os impostos cuja base de cálculo seja o faturamento); e, • Testar o recolhimento subsequente dos impostos. 124 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial 7.3.5 Provisão de Contencioso A auditoria deverá verificar se a empresa tem contabilizado Provisão de Contencioso Trabalhista ou Tributário, no caso afirmativo, verificar se esta provisão está suportada por Carta de Advogados, comprovando sua existência e a estimativa provável de cada processo judicial. 7.3.6 Patrimônio Líquido (PL) Para realização de auditoria do PL é necessário analisar as seguintes informações e documentos: • Saldo do PL no início do exercício; • Ajustes de exercícios anteriores; • Subscrições e aumentos de capital social; • Contribuições para as reservas de capital social; • Constituições e reversões de ajustes de avaliação patrimonial; • Lucro ou prejuízo líquido do exercício; e, • Cálculo e contabilização de dividendos propostos. Devem ser fornecidos à auditoria, todas as atas de reuniões do Conselho de Administração da empresa se houver, o Contrato Social da empresa e últimas alterações, e as Demonstrações do Resultado Abrangente e Demonstra- ção de Lucros e Prejuízos Acumulados (DMPL). Deve ser observado pela auditoria se existe saldo na conta de Lucros Acumulados, pois a mesma não deve possuir saldo, devendo este estar todo distribuído ou contabilizado em Reservas de Lucros. 7.4 Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Resultado As receitas e despesas contabilizadas no Demonstrativo de Resultado (DRE) são testadas, para fins de auditoria, através de seleção de lançamentos mais relevantes constantes no razão contábil, das contas de despesas e recei- tas. Depois de selecionada a amostragem, deverá ser analisada a documentação suporte destes lançamentos (notas fiscais de entradas e serviços adquiridos pela empresa e notas fiscais de saídas emitidas pela empresa). A auditoria nas contas de resultado tem como objetivos: • Determinar se todas as receitas, custos e despesas do período auditado estão devidamente comprovados e contabilizados; • Determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que beneficiem exercí- cios futuros estão corretamente diferidos; • Verificar se todas as despesas, custos e receitas estão contabilizados em conformidade com os Princípios Fundamentais de Contabilidade; e, • Analisar se as receitas, as despesas e custos estão corretamente classificados nas demonstrações contábeis. 125 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial Na auditoria de despesas e receitas, os itens mais importantes a serem observados, é se as mesmas foram contabilizadas nas datas corretas de competência e se tem um documento idôneo para suportar estas receitas ou despesas. As contas que geralmente são auditadas, devido a relevância e influência na empresa são: • 4.1 Receitas; • 4.2 Despesas; e, • 4.3 Custo. Figura 6 Legenda: Receita Fonte: ID Imagem 53858318 https://pt.123rf.com/search.php?word=53858318&srch_lang=pt&imgtype=2&t_word=53858318&t_lang=pt&oriSearch= CADASTRO&mediapopup=53858318 7.4.1 Receitas As Receitas de uma empresa podem ser divididas em dois grupos dependendo da sua natureza: as operacio- nais, derivadas do exercício da atividade da empresa; e, a receita não operacional que não deriva da atividade da empresa. O objetivo do programa de auditoria para as contas de receita, são: • Determinar se as mesmas estão contabilizadas de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade; • Determinar se as receitas estão classificadas corretamente; • Verificar se todas as receitas foram devidamente comprovadas; e, • Analisar se as receitas não atribuídas ao período ou quebeneficiem exercícios futuros estão correta- mente diferidas. 126 Auditoria Financeira | Unidade 7 -Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial 7.4.2 Despesas Esta conta representa o consumo ou a utilização de bens e serviços no processo de produzir a receita da empresa. Deverão ser analisadas as rubricas de despesas que têm maior representatividade sobre o total de despesas do DRE, tais como: Despesas de Pessoal, Despesas administrativas (depreciações, aluguéis, manutenção e serviços) e Despesas de Vendas e Comerciais. As despesas são testadas para fins de auditoria, através de seleção de lançamentos mais relevantes constantes no razão contábil das contas de despesas. Depois de selecionada a amostragem, deverá ser analisada a docu- mentação suporte destes lançamentos (notas fiscais de entrada e serviços), verificando sua idoneidade, se estão contabilizadas na competência correta e se estas despesas foram aprovadas pela alçada competente. 7.4.3 Custos Os custos analisados pela auditoria são aqueles que compõe o custo da mercadoria vendida (CMV). É realizado uma conferência do valor total do custo baixado, informado no Relatório de Inventário Estoque, com o total de custo das mercadorias vendidas informado no DRE, assim como, também é feito um comparativo de proporcionalidade entre a variação da receita de vendas e a variação dos custos de mercadoria vendidas no perí- odo analisado. Compartilhe suas ideias com seus pares no fórum. Essa é uma ótima oportunidade de aprendizagem! 127 Considerações finais Nesta unidade você estudou os Programas de Auditoria das Contas do Balanço Patrimonial, onde foram contemplados os seguintes conheci- mentos: • Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Ativo; • Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Passivo; e, • Práticas Adotadas para Auditar as Contas de Resultado. Foram abordados os objetivos do auditor ao elaborar a auditoria, a forma e os pontos importantes para auditar as contas do Ativo, como Caixa Ban- cos, Clientes e Estoques. Compreendemos também, as contas do Passivo, como Fornecedores, Empréstimos e Financiamentos, Encargos Sociais e Tributos a Pagar, Patri- mônio Líquido. E encerramos com as contas de resultado, como Receitas, Despesas e Custos. Dentre os principais itens que devem ser observados no trabalho de audi- toria são: a. verificar se receitas e despesas estão contabilizadas pela sua data correta de competência; b. verificar se existem documentos idôneos suportando estas con- tabilizações, contas contábeis de clientes, fornecedores, conten- cioso, bancos devem ter seus saldos circularizados com confirma- ção externa de seus saldos, a fim de evitar fraudes. De todas as formas, sempre o objetivo do auditor é coletar as evidências de forma que ele possa elaborar seu Relatório de forma robusta e livre de qualquer distorção, haja vista, ser o resultado do seu trabalho. Referências bibliográficas 128 ALMEIDA, M. C. de. Auditoria: um curso moderno e completo. São Paulo: Atlas, 1996. ATTIE, W. Auditoria: Conceito e Aplicações. São Paulo: Atlas, 2000. SÁ, A. L. de. Curso de Auditoria. São Paulo: Atlas, 2000. Conselho Federal de Contabilidade. Normas Brasileiras de Contabili- dade – NBC PA – Do Auditor Independente. Brasília, 2012. Conselho Federal de Contabilidade, A Estrutura das Normas Brasilei- ras de Contabilidade. Disponível em: <http://cfc.org.br/tecnica/normas- -brasileiras-de-contabilidade>Acesso em: 08 mai 2017. Portal de Auditoria, Modelos de Cartas de Circularização. Disponível em <www.portaldeauditoria.com.br>. Acesso em: 18 mai 2017. Conselho Regional de Contabilidade e IBRACON – Curso de Atualização em Auditoria - Ciclo de Auditoria 2011 – Porto Alegre, RS - CRC/RS e IBRACON. Portal de Contabilidade, Normas Brasileiras de Contabilidade. Dis- ponível em <http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/t11.htm>. Acesso em: 18 mai 2017. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Disponível em http://static.cpc. mediagroup.com.br/Documentos/27_CPC_01_R1_revis%C3%A3o08. pdf. Acesso em: 18 mai 2017. 8 130 Unidade 8 Relatório de Auditoria Para iniciar seus estudos O relatório do auditor deve expressar, clara e objetivamente a sua opinião, sobre as Demonstrações Financeiras da entidade e todos os aspectos rele- vantes de acordo com os requisitos da estrutura do tipo de relatório de auditoria que será emitido. Objetivos de Aprendizagem • Mostrar como, de forma clara e objetiva, a redação do relatório técnico dos auditores e a quem destina-se. 131 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria 8.1 Redação do Parecer (Relatório) Técnico Primeiramente, cabe esclarecer que a nomenclatura “parecer” foi alterada para “relatório” desde 1º de janeiro de 2010 conforme a resolução 1320/11: Em 27 de novembro de 2009, o CFC emitiu novas normas de auditoria (NBC TAs), convergidas com as normas internacionais de auditoria (ISAs). Essas novas normas trouxeram uma série de alterações, destacando-se, entre elas, a nova forma e conteúdo do Relatório do Auditor Indepen- dente, anteriormente denominado Parecer do Auditor Independente, que deve ser utilizado pelos auditores independentes para as auditorias de demonstrações contábeis dos exercícios findos em, ou a partir de, 31 de dezembro de 2010. Todas as fases da auditoria são de suma importância para o desenvolvimento do trabalho, porém, o relatório é a peça mais importante, pois nele o auditor informa o resultado de seu trabalho. Nesta fase, o auditor deve revisar os papéis de trabalho assegurando que todas as etapas da auditoria foram cumpridas e concluir se os objetivos da auditoria foram alcançados e se as evidências foram suficientes para fundamentar sua conclusão. A redação do relatório técnico deve ser clara, imparcial, objetiva e de fácil compreensão, e deve dar aos leitores em geral, uma noção exata da análise do auditor e sua conclusão. A entrega: o reláorio deve ser encaminhado à Diretoria, ao Conselho de Administração ou à Assembleia de Acio- nistas da empresa cujas demonstrações financeiras estão sendo auditadas. O Relatório do auditor deve aludir, via de regra, no mínimo de três parágrafos, contendo: • Primeiro Parágrafo: É a introdução, onde o profissional identifica as Demonstrações Financeiras em exame, a identificação da empresa e a definição das responsabilidades da administração e dos auditores, onde o profissional evidencia a responsabilidade por ele assumida; • Segundo Parágrafo: É a extensão dos trabalhos do auditor, referenciando que o exame foi efetuado em conformidade com as normas de auditoria, de acordo com o planejamento, considerando a relevância dos saldos e volume das transações, o controle interno da empresa, avaliação das práticas e das estima- tivas contábeis adotadas. • Terceiro Parágrafo: Onde deve constar a opinião sobre as Demonstrações Financeiras examinas e citadas no primeiro parágrafo. É muito importante ressaltar que, a data do término do trabalho de campo, deve ser o mesmo do relatório. O Relatório que não expressa a verdadeira opinião do auditor de forma sucinta e objetiva, poderá acarretar na má avaliação de todo o trabalho realizado e, consequentemente, afetar a credibilidade de todo o processo de auditoria. 132 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria Figura 1 – Sucesso na finalização dos trabalhos Legenda: Sucesso na finalização dos trabalhos Fonte: ID Imagem 49117379 Então, resumidamente, o relatório tem a seguinte finalidade: deve conter a princípio três parágrafos, e o resul- tado obtido, depende da forma como ele foi elaborado. Veja a seguir: Figura 2 – Resumo do Relatório de Auditoria Deve ser Deve conter Informar o resultado do trabalho de auditoria. Claro Introdução, onde o auditor identifica as Demonstrações Financeiras em exame, e as responsabilidades. Atestado que verificou em sua análise a anormalidade e a comunicou. É o documento mais importante na auditoria: é o Produto do auditor.Objetivo A extensão dos trabalhos, citando os fatos constatados e de relevância, sempre em conformidade com as Normas Brasileiras de Contabilidade. Boa avaliação de seu trabalho. Informar e atestar que a empresa auditada mantém suas Demonstrações Contábeis em consonância com as Normas. Bem escrito A conclusão da auditoria, com sugestões e recomendações para melhoras efetivas. Um trabalho bem documentado com provas e evidências sobre as Demonstrações Financeiras. A adequação da posição patrimonial e financeira da empresa auditada. Imparcial Procedimentos não observados. Responsabilidade pelo conteúdo do parecer. Legenda: Resumo do Relatório de Auditoria Fonte: Elaborada pelo autor (2017). 133 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria Quanto às responsabilidades, este é um tópico que deve ser explorado mais um pouquinho, então, vamos nos aprofundar no assunto. Em conformidade com o que descreve a norma NBC T 11 consultada no site portal de contabilidade, o auditor deve mencionar em seu relatório, as responsabilidades da administração e as suas, evidenciando que: • administração é responsável pela preparação e pelo conteúdo das demonstrações contá- beis, cabendo ao contabilista que as assina a responsabilidade técnica; e, • o auditor é responsável pela opinião que expressa sobre as demonstrações contábeis objeto dos seus exames. Para se certificar das responsabilidades da administração, o auditor deve obter uma carta da administração, que evidencie a responsabilidade pelas informações, dados e a apresentação das demonstrações financeiras sub- metidas ao exame de auditoria. A carta de responsabilidade deve ser emitida e assinada pela administração da empresa, na mesma data do Relatório dos auditores sobre as Demonstrações Financeiras em conformidade com a NBC T 11.01, que regulamenta a Carta de Responsabilidade da Administração: Como nem todas as evidências podem ser obtidas através de documentos, mas também a par- tir de informações verbais da administração, das gerências e do responsável pela contabilidade, torna-se necessário a certificação através da Carta de Responsabilidade da Administração. O auditor pode se fundamentar de inúmeras formas de confirmação da administração sobre os atos e fatos de gestão. Atas de reuniões do Conselho de Administração e Diretoria, cartas, memorandos, ofícios, podem ser uti- lizados como documentos suficientes à comprovação de transação Conforme já explanado, o auditor, através de seu relatório assume responsabilidade técnica-profissional, por- tanto, é indispensável que o relatório obedeça às normas estabelecidas nas NBC TA e PA. Existem diversos tipos de Relatórios: • Relatório sem ressalvas; • Relatório com ressalvas; • Relatório adverso; e, • Relatório com abstenção de opinião. A seguir vamos comentar sobre cada um deles e exemplificar através de modelos extraídos do Portal de Conta- bilidade e adaptados pelo Novo Modelo de Relatório divulgado em 2016, no sítio Conselho Federal de Contabi- lidade. a) Relatório sem ressalvas O Relatório sem ressalvas, é emitido quando as demonstrações contábeis foram elaboradas de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade, os princípios foram apli- cados em uniformidade, os exames de auditoria foram aplicados de acordo com as normas de auditoria e as demonstrações financeiras contêm todas as exposições informativas necessárias, resumindo, quando o auditor estiver convicto que todos os aspectos relevantes foram observados e informados nas Demonstrações Financei- ras. O auditor não deve emitir o Relatório sem ressalva quando houver discordância com a administração da entidade a respeito do conteúdo ou forma de apresentação das demonstrações financeiras, às práticas contábeis utiliza- das e limitações no seu trabalho 134 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria a.1) Exemplo de Relatório sem ressalvas conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade (2016). RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Aos Administradores e Acionistas (Quotistas) da NOME DA ENTIDADE AUDITADA Cidade – Estado 1. Examinamos as demonstrações contábeis individuais e consolidadas da (NOME DA ENTIDADE) que compreendem o balanço patrimonial individual e consolidado em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx e as respectivas demonstrações individuais e consolidadas do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Nossa res- ponsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria e compreenderam, entre outros procedimentos: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume de transações e os sistemas contábil e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contá- beis divulgados; e (c) a avaliação das práticas e estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da sociedade, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto. 3. Em nossa opinião, as demonstrações contábeis individuais e consolidadas acima referidas apresen- tam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira, individual e consolidada, (NOME DA ENTIDADE AUDITADA) em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx, o desempenho individual e consolidado de suas operações e os seus fluxos de caixa individuais e consolidados para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). Local e data: NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA: CRC-(UF):......... NOME DO AUDITOR SIGNATÁRIO: Contador: CRC-(UF):......... 135 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria a.2) Quando o exercício anterior foi auditado por outros auditores conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade (2016): RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Aos Administradores e Acionistas (Quotistas) da NOME DA ENTIDADE AUDITADA Cidade – Estado 1. Examinamos as demonstrações contábeis individuais e consolidadas da (NOME DA ENTIDADE) que compreendem o balanço patrimonial individual e consolidado em 31 de dezembro de 20xx e as respec- tivas demonstrações individuais e consolidadas do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria e compreenderam, entre outros procedimentos: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume de transações e os sistemas contábeis e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgados; e (c) a avaliação das práticas contábeis e estimativas mais representativas adotadas pela administração da sociedade, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto. 3. As demonstrações contábeis do exercício encerrado em 31 de dezembro de 20xx, apresentadas para fins comparativos, foram auditadas por outros auditores independentes, cujo parecer datado de ..... de ...... de 20xx, não continha ressalva. 4. Em nossa opinião, as demonstrações contábeis individuaise consolidadas acima referidas apresen- tam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira, individual e consolidada, (NOME DA ENTIDADE AUDITADA) em 31 de dezembro de 20xx, o desempenho individual e consolidado de suas operações e os seus fluxos de caixa individuais e consolidados para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). Local e data: NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA: CRC-(UF) ......... NOME DO AUDITOR SIGNATÁRIO Contador: CRC-(UF) ......... 136 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria b) Relatório com ressalvas conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformi- dade com o Conselho Federal de Contabilidade. Este Relatório é utilizado quando o auditor, ao finalizar o seu trabalho conclui que o efeito da ressalva, não é relevante a ponto de emitir o relatório adverso ou de abstenção de opinião. Deve conter os mesmos parâme- tros do Relatório sem ressalva, porém, no parágrafo que consta a opinião do auditor, este deve ser modificado, demonstrando de forma clara todas as razões que respaldaram sua opinião utilizando as expressões – “exceto por”, “exceto quando” ou “com exceção de”, da mesma forma, o parágrafo relativo a extensão deve ser alterado, caso haja limitação dos trabalhos de auditoria. b.1) Exemplo de Relatório com ressalvas conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade (2016). RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Aos Administradores e Acionistas (Quotistas) da NOME DA ENTIDADE AUDITADA Cidade - Estado 1. Examinamos as demonstrações contábeis individuais e consolidadas da (NOME DA ENTIDADE) que compreendem o balanço patrimonial individual e consolidado em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx e as respectivas demonstrações individuais e consolidadas do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Nossa res- ponsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com……. 3. Em nossa opinião, as demonstrações contábeis individuais e consolidadas acima referidas apresen- tam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira, individual e consolidada, (NOME DA ENTIDADE AUDITADA) em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx, o desempenho individual e consolidado de suas operações e os seus fluxos de caixa individuais e consolidados para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). 4. Não examinados, nem foram examinadas por outros auditores independentes, as demonstrações contábeis do exercício findo em 31 de dezembro de 20xx, cujos valores são apresentados para fins comparativos e, consequentemente, não emitimos opinião sobre elas. Local e data: NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA: CRC-(UF) ......... NOME DO AUDITOR SIGNATÁRIO Contador CRC-(UF) ......... 137 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria b.2) Apontando o motivo da ressalva conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade (2016). RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Administradores e Acionistas (Quotistas) da NOME DA ENTIDADE AUDITADA Cidade - Estado 1. Examinamos as demonstrações contábeis individuais e consolidadas da (NOME DA ENTIDADE) que compreendem o balanço patrimonial individual e consolidado em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx e as respectivas demonstrações individuais e consolidadas do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Nossa res- ponsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria e compreenderam, entre outros procedimentos: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume de transações e os sistemas contábeis e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contá- beis divulgados; e (c) a avaliação das práticas contábeis e estimativas mais representativas adotadas pela administração da sociedade, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto. 3. A provisão para créditos de liquidação duvidosa constituída pela sociedade em 31 de dezembro de 20xx é de R$.............. . Todavia, nossos exames indicaram que tal provisão não é suficiente para cobrir as perdas prováveis na realização de tais créditos, sendo a insuficiência não provisionada, naquela data, de aproximadamente R$ ............... Consequentemente, em 31 de dezembro de 20xx, o resultado do exercício e o patrimônio líquido estão superavaliados em aproximadamente R$..............., líquido dos efeitos tributários. 4. Em nossa opinião, as demonstrações contábeis individuais e consolidadas acima referidas apresen- tam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira, individual e consolidada, (NOME DA ENTIDADE AUDITADA) em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx, o desempenho individual e consolidado de suas operações e os seus fluxos de caixa individuais e consolidados para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). Local e data: NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA: CRC-(UF) ......... NOME DO AUDITOR SIGNATÁRIO Contador CRC-(UF) ......... 138 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria b.3) Salientando a nota explicativa que deu origem a ressalva, conforme modelo divulgado no Portal de Con- tabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade. Exemplo: Nota explicativa da diretoria às demonstrações financeiras: “20.- A companhia não contabilizou a depreciação sobre o imóvel fabril localizado na cidade de ......., no montante de R$ ......, por considerar ter o mesmo sido valorizado no exercício, tendo em vista a pavimentação da estrada de acesso à capital do estado ocorrida no período.” RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Administradores e Acionistas (Quotistas) da NOME DA ENTIDADE AUDITADA Cidade - Estado 1. Examinamos as demonstrações contábeis individuais e consolidadas da (NOME DA ENTIDADE) que compreendem o balanço patrimonial individual e consolidado em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx e as respectivas demonstrações individuais e consolidadas do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Nossa res- ponsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria e compreenderam, entre outros procedimentos: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume de transações e os sistemas contábeis e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contá- beis divulgados; e (c) a avaliação das práticas contábeis e estimativas mais representativasadotadas pela administração da sociedade, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto. 3. Em nossa opinião, exceto quanto ao fato mencionado na Nota Explicativa nº 20 e os reflexos que dele possam advir, estimados em R$ ....., líquido da provisão de impostos sobre os resultados, as demons- trações contábeis individuais e consolidadas acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira, individual e consolidada, (NOME DA ENTI- DADE AUDITADA) em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx, o desempenho individual e consolidado de suas operações e os seus fluxos de caixa individuais e consolidados para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). Local e data: NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA: CRC-(UF) ......... NOME DO AUDITOR SIGNATÁRIO Contador CRC-(UF) ......... 139 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria c) Relatório adverso conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade. Neste Relatório o auditor emite a opinião que as demonstrações contábeis não representam adequadamente a situação patrimonial e financeira da empresa, nem o resultado das operações, as origens e aplicações de recursos não estão de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). O auditor deve emitir relatório adverso quando verificar que as demonstrações financeiras estão incorretas e incompletas, e deve incluir também, a descrição clara de todas as razões que fundamentaram sua opinião. c.1) Exemplo de Relatório adverso conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade (2016). RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Aos Administradores e Acionistas (Quotistas) da NOME DA ENTIDADE AUDITADA Cidade – Estado 1. Examinamos as demonstrações contábeis individuais e consolidadas da (NOME DA ENTIDADE) que compreendem o balanço patrimonial individual e consolidado em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx e as respectivas demonstrações individuais e consolidadas do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Nossa res- ponsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com…….. 3. Nos exercícios de 20xx e 20xx, a entidade não contabilizou os encargos financeiros compreendidos de juros, correção monetária e variação cambial sobre os empréstimos e financiamentos em divisas estrangeiras a curto e longo prazos no montante anual de R$ 700 mil e R$ 300 mil, respectivamente. Como consequência, os resultados dos exercícios findos em 31 de dezembro daqueles exercícios, estão demonstrados a maior em valores equivalentes aos mencionados acima, respectivamente, R$ 700 mil e R$ 300 mil. 4. Em nossa opinião, considerando a relevância dos efeitos dos fatos mencionados no item 3, as demonstrações contábeis mencionadas no item 1, não representam adequadamente em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da .......... (NOME DA ENTIDADE AUDITADA), em 31 de dezembro de 20xx e 20xx, nem o resultado de suas operações, nem as mutações de seu patrimônio líquido e tampouco as origens e aplicações de seus recursos referentes aos exercícios findos naquelas datas, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de rela- tório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). Local e data: NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA CRC-(UF) ..... NOME DO AUDITOR SIGNATÁRIO Contador CRC-(UF) ... 140 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria d) Relatório com abstenção de opinião conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade. O Relatório com abstenção de opinião, é emitido quando o auditor deixa de expressar a sua opinião sobre as demonstrações contábeis, visto que em sua análise e exames não obteve comprovações suficiente para funda- mentar a sua opinião. Como regra, este relatório deve ser emitido quando ocorrer limitação significativa na execução dos trabalhos do auditor. d. 1) Exemplo de Relatório com abstenção de opinião conforme modelo divulgado no Portal de Contabilidade e atualizado em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade (2016). RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES Aos Administradores e Acionistas (Quotistas) da NOME DA ENTIDADE AUDITADA Cidade - Estado 1. Examinamos as demonstrações contábeis individuais e consolidadas da (NOME DA ENTIDADE) que compreendem o balanço patrimonial individual e consolidado em 31 de dezembro de 20xx e de 20xx e as respectivas demonstrações individuais e consolidadas do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Nossa res- ponsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis. 2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). 3. Tendo em vista terem os trabalhos de auditoria sido contratados após 31 de dezembro de 20xx, não acompanhamos os inventários físicos dos estoques naquela data, nem foi possível satisfazermo-nos sobre a existência dos estoques mediante aplicação de procedimentos alternativos de auditoria. 4.Considerando a relevância do fato mencionado no item 3, a extensão dos exames não foram sufi- cientes para expressarmos uma opinião sobre as demonstrações contábeis da (NOME DA ENTIDADE AUDITADA), conforme mencionado no item 1. Local e data: NOME DA EMPRESA DE AUDITORIA: CRC-(UF) ......... NOME DO AUDITOR SIGNATÁRIO Contador CRC-(UF) ......... 141 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria As NBC TA 700, NBC TA 705 e NBC TA 706, definem o novo layout do Relatório de Auditoria, antigamente conhe- cido como “Parecer”, sua estrutura, forma e conteúdo e impõe ao auditor colocar parágrafos de “ênfase” e pará- grafos de “Outros Assuntos”, em seu relatório de auditoria independente, utilizando o título “Base para opinião com ressalva,” “Base para opinião adversa” ou “Base para abstenção de opinião”, conforme apropriado, quando o relatório tiver sua opinião modificada (ou seja for com ressalva ou adverso). Quando for um Relatório sem Res- salva, o auditor deve colocar apenas uma seção no Relatório com o título “Opinião”, conforme modelo abaixo divulgado no sítio do Conselho Federal de Contabilidade, normatizado pela CTA 10: RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Examinamos as demonstrações contábeis da Companhia ABC, que compreendem o balanço patri- monial em 31 de dezembro de 20xx e as respectivas demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nesta data, assim como o resumo das principais práticas contábeis e demais notas explicativas. Responsabilidade da administração sobre as demonstrações contábeis A administração da empresa é responsável pela elaboração e adequada apresentação dessas demons- trações contábeis de acordo com a Lei XYZ da Jurisdição X e pelos controles internos que ela deter- minou como necessários para permitir a elaboração de demonstrações contábeis livres de distorçãorelevante, independentemente se causada por fraude ou erro. Responsabilidade dos auditores independentes Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis com base em nossa auditoria, conduzida de acordo com as normas brasileiras e internacionais de auditoria. Essas normas requerem o cumprimento de exigências éticas pelo auditor e que a auditoria seja pla- nejada e executada com o objetivo de obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis estão livres de distorção relevante. Acreditamos que a evidência de auditoria obtida é suficiente e apropriada para fundamentar nossa opinião. Opinião Em nossa opinião, as demonstrações contábeis da Companhia ABC pelo exercício findo em 31 de dezembro de 20xx foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, de acordo com a Lei XYZ da Jurisdição X. [Local [Nome do auditor independente (pessoa física ou jurídica)] [Nome do profissional] [Números de registro no CRC da firma de auditoria e do profissional que assina o relatório] [Assinatura do auditor independente] 142 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria Cabe ressaltar, que mesmo havendo alteração na redação do parecer, o escopo da auditoria continua sendo o mesmo, e esta alteração é para todas as empresas que possuam as suas demonstrações financeiras auditadas. Para melhor fixação, segue o quadro de forma resumida de alguns pontos relativos a possíveis causas que o audi- tor emite os Relatórios sem ressalva, com ressalva, adverso e com abstenção de opinião, como seja: Figura 3 – Resumo das causas dos Relatórios de Auditoria Tipos de Relatório Evento Tipo de Evento Termos Utilizados Interpretação do Relatório Relatório sem ressalva - Transporte dos saldos do exercício anterior e o atualmente auditado; - Registros contábeis e financeiros Registros contábeis estão em consonância com aplicação das práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas internacionais de relatório financeiro (IFRS) Representam adequadamente em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da empresa Sem ressalva Relatório com ressalva Uniformidade na aplicação dos Princípios Contábeis Mudança de avaliação dos estoques (custo médio x PEPS) - Exceto; - Com exceção Com ressalva Relatório Adverso Demonstrações em desacordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade Um ou mais itens estão em desacordo (contabilização do IR, da folha de pagamento, regime de caixa) - Exceto Demonstração não reflete a real situação patrimonial da empresa Negativa de Relatório ou Relatório Adverso Limite no escopo do trabalho - Falta de confirmação de dinheiro depositado em conta; - Falta de contagem física de estoques; - Falta de confirmação de clientes - Exceto, com exceção; - Não estamos em condições de emitir relatório sobre os fatos revelados; - As demonstrações contábeis não representam adequadamente a real situação patrimonial da empresa Considerar a relevância 143 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria Com ressalva ou Relatório com abstenção Incertezas de eventos futuros - Continuidade das atividades da empresa; - Realização de processos trabalhistas; - Perda significativa de mercado; - Implantação de nova unidade ou encerramento de atividades Parágrafo de ênfase, logo após o parágrafo de opinião Com ressalva ou abstenção Legenda: Resumo das causas dos Relatórios de Auditoria Fonte: Elaborada pelo autor (2017). Figura 4 – Demonstrações contábeis auditadas com relatório sem ressalvas Legenda: Demonstrações contábeis auditadas com relatório sem ressalvas Fonte: ID Imagem 48197891 144 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria 7.2. A quem destina-se O Relatório de auditoria é um documento que transmite a confiabilidade das demonstrações financeiras, por- tanto, suas informações destinam-se aos: • Acionistas; • Diretores da empresa; • Administradores; • Analistas de mercado; • Entidades financeiras; • Fornecedores. O relatório de auditoria independente, é um documento que as empresas utilizam para demonstrar, de forma clara, responsabilidade e credibilidade junto aos investidores. Figura 5 – Empresa bem-sucedida Legenda: Empresa bem-sucedida Fonte: ID Imagem 33309549 Os bancos também necessitam das demonstrações financeiras auditadas, a fim de se precaverem de possíveis perdas de investimentos, e verificar se a empresa tomadora do empréstimo possui situação patrimonial e finan- ceira condizentes com os Balanços Patrimoniais e verificar o seu grau de liquidez e endividamento de curto e longo prazo. 145 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria Figura 6 – Instituição Financeira Legenda: Instituição Financeira Fonte: ID Imagem 25325074 Os Diretores e Administradores necessitam que as Demonstrações Financeiras sejam auditadas e que o auditor emita seu relatório, para que eles possam tomar as decisões corretas e se certificar que a política da empresa está sendo eficaz e eficiente. Já os fornecedores precisam da garantia de que a empresa possui situação patrimonial e financeira suficientes para pagar as compras efetuadas pela empresa auditada. Assim, não basta o Balanço Patrimonial, é necessário que as demonstrações sejam certificadas pelo auditor. Quais são os tipos de Relatórios da Auditoria Independente? A empresa tem a liberdade de escolher o seu Auditor Independente, assim, se o auditor efe- tuar seu trabalho de forma elucidativa, clara, objetiva e com responsabilidade, certamente no exercício seguinte, ele auditará novamente as demonstrações contábeis desta empresa. 146 Auditoria Financeira | Unidade 8 - Relatório de Auditoria Compartilhe suas impressões com seus colegas! A participação no fórum é uma atividade enriquecedora! 147 Considerações finais Nesta unidade, você estudou os Relatórios de Auditoria, onde foram con- templados os seguintes conhecimentos: • Redação dos relatórios técnicos; • Tipos de relatório; e, • A quem destina-se. Conforme já explanado nos tópicos anteriores, o relatório de auditoria é a peça mais importante do trabalho de auditoria realizado em campo. Haja vista, ser o resultado do trabalho do auditor, e é nele que o profissio- nal vai transcrever toda a sua opinião sobre as demonstrações contábeis da empresa auditada, através das evidências encontradas. A finalidade do relatório é para tomada de decisão da administração da entidade, também para atrair investidores, para a concessões de emprés- timos junto às financeiras e para assegurar a fidedignidade da entidade quanto à sua situação patrimonial e financeira ou em caso de relatório adverso ou de abstenção, para alertar o mercado financeiro sobre a pos- sibilidade de extinção desta entidade Referências bibliográficas 148 Conselho Federal de Contabilidade. Normas Brasileiras de Contabili- dade – NBC PA – Do Auditor Independente – Brasília, 2012. IBAÑEZ, M. B. et al. Normas Brasileiras de Contabilidade. Porto Alegre: CRC/RS, 2016. Conselho Federal de Contabilidade. A Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Disponível em: http://cfc.org.br/tecnica/normas-bra- sileiras-de-contabilidade.Acesso em: 08 mai. 2017. Portal da Contabilidade. Disponível em <http://www.portaldecontabili- dade.com.br/nbc/1105.htm>. Acesso em: 12 mai. 2017. ______. Disponível em <http://www.portaldecontabilidade.com.br/ modelos/parecer.htm>. Acesso em: 12 mai. 2017. ______. Disponível em < http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/ t1101.htm>. Acessoem: 12 mai. 2017. Conselho Federal de Contabilidade. Disponível em <http://www1.cfc.org. br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2011/001336>. Acesso em 12 mai. 2017.