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Christophe Dejours- Trabalho vivo:
Trabalho e emancipação pp. 59- 67
Toda atividade normativa capaz de
produzir acordos e ligações entre
os membros de um coletivo nem
sempre resulta em resultados
neutros, sob uma perspectiva ética
O caso das situações de trabalho em
risco
O trabalho às vezes implica
enfrentar situações ruins para a
saúde física e mental. Ex: O
policial ser baleado, o comediante
ser humilhado pelo público, um
marceneiro se expõe a inalação de
pó de serragem e etc…)
Esses malefícios inerentes à tarefa
apresentam incidências diretas e
indiretas sobre o funcionamento
físico e psíquico.
Isso suscitam conflitos
intrapsíquicos que demandam a
construção e implementação de
estratégias de defesa que não
podem ser comprovadamente
ajustadas às necessidades
específicas do impacto psíquico
que determina cada um dos
prejuízos em causa.
Essas defesas impedem os poderes
do pensamento; desempenham um
papel importante como propulsores
subjetivos da servidão e
dominação; podem contribuir à
formação da violência coletiva e
até da violência de massa
Trabalhar envolve não apenas
produzir mas também de
proteger-se contra os riscos do
trabalho
Estratégias individuais de defesa
Diante do trabalho repetitivo os
trabalhadores desenvolvem com
frequência estratégias de defesas
destinadas a lutar contra o
aborrecimento, angústia (De agir
como um robô), medo e etc..
Pensar e ter consciência de sua
própria condição já é uma fonte
suplementar de sofrimento.
Com isso, os indivíduos tentam
parar de pensar, o que não é fácil.
Apenas alguns trabalhadores mais
dotados conseguem de fato fugir
pelo devaneio
A grande maioria não consegue
pois a atividade repetitiva bloqueia
de fato o livre pensamento que
busca se livrar da situação.
Gostariam de se deixar levar pela
imaginação mas são alcançados
pelas tarefas
Outro recurso é se apoiar nessas
atividades repetitivas o maior
desempenho possível. É uma
autoaceleração, tem ritmo
desenfreado onde o pensamento
com o tempo diminuiu, porém ao
desacelerar o ritmo e a cadência os
pensamentos voltam a persistir.
Funciona como uma anestesia
Esses indivíduos começam a adotar
esse comportamento de
autoaceleração fora do trabalho
também. O lazer será destinado a
atividades que o esgotam de forma
que seja difícil dar margem a algo.
Com isso a imaginação e
pensamento continuam longe
A embotadura (enfraquecimento,
desgaste) do pensamento e da
afetividade pode ser obtida pelo
ativismo.
A falta de flexibilidade psíquica e
afetiva, intolerância e inaptidão
para fantasia podem pesar na
@PSICOALUNOSS
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economia das relações amorosas e
eróticas, com incidências sérias
sobre o desenvolvimento
psicoafetivo das crianças
A estratégia de defesa pela
autoaceleração funciona como uma
“ repressão”
Repressão X Recalque: Repressão
é uma paralisia do pensamento
enquanto o recalque é o contrário.
É uma atividade do pensamento
muito intensa.
Termo Animal laborans de Hannah
Arendt
Sobrecarga do trabalho =
Atarefamento (Termo de Hannah
Arendt)
A condição de Animal laborans
não é apenas sobre trabalhadores
submetidos a trabalhos repetitivos
mas atinge também outros
trabalhadores em outros setores
Segundo Hannah, em razão desse
atarefamento o pensamento político
e de ação do homem moderno
poderiam sofrer um processo
progressivo de involução
Estratégias coletivas de defesas
Essas estratégias coletivas de
defesa construídas em uma
comunidade de trabalho reúnem os
esforços de todos para a proteção
dos efeitos desestabilizadores para
cada um e do confronto de riscos
que em primeiro momento é o
mesmo para todos
Essas estratégias associam de
modo geral condutas paradoxais
sobre como assumir riscos, não
manifestação pública de medo e
sofrimento, resistência ao
sofrimento, virilidade,
demonstração de desprezo e
enfrentamento quanto ao risco e
etc…
É uma estrutura complexa e exige a
participação de todos
Vontade de reverter
simbolicamente a posição em
relação ao risco. De vítima
impotente e passiva a atitudes de
provação e escárnio pelo qual
afirma ter controle da situação.
Eufemismo coletivo dos riscos
Negação concertada da
coletividade sobre a percepção do
risco
É uma forma de não pensar nos
riscos durante a atividade
criminosa
Sem essa negação seria difícil
realizar a tarefa
Todos esses mecanismos de defesa
vão contra o ato de pensar. É a
negação da percepção da realidade
Além dos pontos negativos, tem o
lado “positivo” que seria o valor
adaptativo
Porém, adotar essas medidas
acarreta na redução da
subjetividade e na resistência à
mudança
As estratégias de defesa tem por
objetivo combater os efeitos
psíquicos deletérios ( danosos,
degradantes)
Os constrangimentos
organizacionais patogênicos são
determinados pelas relações de
dominação, das quais não podem
ser consideradas apenas
consequência, são também
instrumentos
É também pelo viés da organização
do trabalho que as relações sociais
se estabelecem
@PSICOALUNOSS
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As estratégias coletivas e
individuais de defesa que tem
como objetivo primário proteger a
saúde mental, de forma secundária
constituem poderosos móveis para
a servidão voluntária e para a
reprodução da dominação
As ideologias defensivas
Quando a empresa endurece seus
métodos de gestão ou mudam a
direção da empresa as defesas
podem se mostrar insuficientes
O coletivo de defesa corre o risco
de ser ameaçado em sua coesão por
essa mesma desconfiança que faz
com que cada um seja mais frágil
frente a luta contra o medo
Frente a esse contexto de ameaça a
força e atração do coletivo se
reforça sobre um regime de
denúncias contra o inimigo
comum. Radicalização das posturas
defensivas. Violência da esclusão,
perseguições linchamento e etc..
Quando os indivíduos são geridos
pelo medo não se fala mais em
estratégias de defesa e sim em
ideologias defensivas
Formação de uma massa não
organizada: desestruturação das
ligações de cooperação
Formação de uma massa não
organizada
O medo é o propulsor que realiza a
mutação da massa organizada para
a não organizada
O medo catalisa a formação de um
tipo de ligações reacionais novas: a
coesão coletiva contra o inimigo
comum podendo alcançar a
violência intencional contra o alvo
designado no exterior (inimigo),
interior (traidor) ou nos bodes
expiatórios
É uma ligação alimentada pelos
ódios individuais
@PSICOALUNOSS

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