A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
91 pág.
O ENSINO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL_ Caminho para Construção de uma Educação Cidadã

Pré-visualização | Página 2 de 17

do aprendizado musical e a interferência negativa, embora indireta, 
causada no desenvolvimento cultural de nossa sociedade. 
 Porém, com a contribuição de estudos sobre o ensino musical, de forma 
contextualizada e significativa, pesquisadores do universo musical vêm lançando um 
novo desafio aos educadores musicais: a aplicação de um ensino pautado no 
interesse manifestado pela criança, onde ela terá mais prazer no processo de 
aprendizagem, do que, propriamente, em seu resultado final. 
 Assim, esta pesquisa tem a intenção de criar espaço para novas reflexões 
sobre o ensino da música nas escolas, enfocando-a como instrumento para 
construção da cidadania. 
 13 
 Para chegar a uma compreensão deste aspecto, buscou-se uma trajetória de 
pesquisa em que se pudesse investigar e comprovar a importância do ensino 
musical nas escolas como instrumento para promover uma educação cidadã. 
Neste enfoque, o segundo capítulo, aborda alguns conceitos de educação e 
cultura, envolvendo as funções da escola em seus aspectos de socialização e dos 
vínculos culturais provenientes da vida em sociedade. 
 No capítulo seguinte, são apresentadas questões relacionadas ao 
desenvolvimento da cognição, utilizando-se como principal referencial teórico, a 
Teoria da Cognição de Jean Piaget e suas implicações na Teoria de Cognição 
Musical elaborada por Keith Swanwick. 
 Na seqüência, o capítulo quatro discorre sobre visões da Educação Musical, 
apresentando um breve histórico da Educação Musical no Brasil e os modelos de 
ensino que vigoram atualmente. 
 O último capítulo, propõe orientações para o ensino da música voltado para a 
construção da cidadania. O modelo proposto busca oferecer ao aluno, visto como 
cidadão, seu direito de acesso ao saber, já iniciando esta prática no interior da 
escola. Ainda neste capítulo, são apresentados os materiais didáticos disponíveis 
para o apoio ao ensino musical. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 14 
 
 
 
 
 
2 EDUCAÇÃO E CULTURA 
 
Champlin (1995), apresenta vários conceitos de educação, segundo ele, por 
meio do ensino, ocorre a educação, que é o desenvolvimento e o cultivo sistemático 
das capacidades naturais. Isto se dá através do exemplo e da prática, ou seja, o 
conhecimento teórico e a experiência prática são parte do processo de 
desenvolvimento de habilidade diversas. No aspecto geral, o termo educação indica 
o ensino como um sistema, sendo, neste âmbito, sinônimo da palavra pedagogia. 
 
 
 
2.1 AS FUNÇÕES DA ESCOLA 
 
 
Entre as muitas necessidades que a escola atende, a que mais se destaca é a 
sua função de firmar as relações entre indivíduos, cuja finalidade maior é atender 
as demandas da sociedade mais ampla. Ao mesmo tempo em que o objetivo 
primeiro da escola é formar o indivíduo integral, ela deve estar atenta para 
direcionar esta formação visando a integração do indivíduo numa sociedade que 
possui o caráter coletivo (SACRISTÁN, 2002). 
 Tudo aquilo que, de alguma forma, passa a ter um significado importante em 
nossa vida pessoal é determinado pela sociedade da qual fazemos parte. A 
socialização é, portanto, fruto de nossa interação com o meio em que vivemos, 
 15 
sem deixarmos de considerar as influências advindas do sistema político-
econômico, religioso, artístico e também lingüístico. Assim, cada cultura produz 
uma marca específica, um perfil próprio (FERNANDES, 1996). 
 
2.1.1- Socialização 
 
 
 
O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), foi um dos grandes 
responsáveis por redirecionar a educação no último século. Sua concepção, de 
caráter funcionalista, revela que a consciência individual é formada pela sociedade, 
em oposição à concepção idealista que diz que a sociedade é moldada pelo espírito 
ou pela consciência humana. Neste aspecto, afirmava Durkheim que: 
 
a construção do ser social, feita em boa parte pela educação, é a 
assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios – 
sejam morais, religiosos, éticos ou de comportamento – que balizam 
a conduta do indivíduo num grupo. O homem mais do que formador 
da sociedade, é um produto dela (apud GUIMARÃES, 2006). 
 
 
Embora Durkheim não tenha elaborado um método pedagógico, sua teoria 
caracterizou a Educação como um bem social e suas idéias contribuíram para uma 
melhor compreensão do significado do papel do professor e da escola, removendo o 
caráter individualista característico das escolas filosóficas alemães. 
Em seu texto, A educação como processo socializador: função 
homogeneizadora e função diferenciadora (apud PEREIRA,1977), Durkheim exibe a 
essência de sua pesquisa relacionada à educação. 
O termo educação, na maioria das vezes, comporta um sentido muito 
abrangente, abarcando tudo aquilo que exerce influência sobre o homem. E aqui, o 
 16 
que interessa ao autor, é a analise da influência que os adultos exercem sobre as 
crianças e adolescentes. 
 Engajado neste objetivo, perpassa por vários filósofos, tentando reunir suas 
idéias para, delas, extrair uma definição concisa. Nesta trajetória, compreende que 
cada sociedade possui um sistema próprio de educação1, que visa atender aos seus 
específicos interesses. “Há, pois, a cada momento, um tipo regulador de educação 
do qual não nos podemos separar sem vivas resistências, e que restringem as 
veleidades dos dissidentes” (PEREIRA, 1977, p. 38). 
Em seus estudos sobre a formação e o desenvolvimento dos sistemas de 
educação, percebeu que era necessário conhecer o passado da humanidade, já que 
tudo o que rege a educação atualmente teve sua origem nele. A história comprova 
que os moldes utilizados para o desenvolvimento dos sistemas educacionais 
dependeram da religião, da organização política, do grau de desenvolvimento das 
ciências e do estado das indústrias, sem os quais, seria impossível compreender a 
formação do sistema de educação. 
Após considerar os sistemas educativos existentes à época, os sistemas 
anteriores e compará-los, foi possível absorver elementos comuns, que auxiliaram 
na construção de sua definição. Dois elementos em comum foram encontrados: uma 
geração de adultos e uma geração de indivíduos jovens, crianças e adolescentes. 
Além de reunir estes elementos essenciais, foi preciso também, entender os 
aspectos uno e múltiplo do sistema de educação. 
 
 
 
1 Neste sentido, estudos recentes confirmam o pensamento de Durkheim. Segundo Santos (1996), a 
formação de grupos sociais diferentes ocorrem devido ao comportamento característico que cada 
grupo desenvolve por si só; ou seja, condutas próprias que marcam a vida em comum em todas as 
sua instâncias. 
 17 
 
Há um conjunto de idéias que envolvem a natureza humana no transcorrer da 
história: a sociedade, os direitos e deveres, as diversas faculdades, o indivíduo, o 
progresso, a ciência e outros. Todo esse conjunto é o que forma a base do “espírito 
nacional” (PEREIRA, 1977, p. 41), resultado da educação que se instala com seu 
objetivo de fixar na consciência dos educandos tais idéias, independente de raça, 
classe social ou mesmo carreira que vierem a escolher. Assim, tanto do ponto de 
vista intelectual, físico ou social, esse fato vem comprovar que cada grupo social 
faz o homem certo ideal. E “esse ideal é, até certo ponto, o mesmo para todos os 
indivíduos” (Idem, p. 41). Neste aspecto se dá o caráter uno da educação, a partir 
daí, ela se diferencia de acordo com os meios particulares que cada grupo social 
encerra em sua complexidade. 
 
Esse ideal, ao mesmo tempo uno e diverso, é que constitui a parte 
básica da educação. Ele tem por função suscitar na criança: 1) um 
certo número de estados físicos e mentais, que a sociedade a que 
pertença considera como indispensáveis a todos os seus membros; 
2) certos estados físicos e mentais, que o grupo social particular 
(castas, classe, família, profissão) considera igualmente 
indispensáveis a todos que o formam.