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Módulo de Didáctica das Línguas Bantu Curso de Licenciatura em Ensino Básico Faculdade de Ciências de Educação e Psicologia (FACEP) Departamento de Ensino Básico Universidade Pedagógica Rua João Carlos Raposo Beirão nº 135, Maputo Telefone: (+258) 21-320860/2 ou 21 – 306720 Fax: (+258) 21-322113 Centro de Educação Aberta e à Distancia Programa de Formação à Distância Av. de Moçambique, Condomínio Vila Olímpica, bloco 22 edifício 4, R/C, Zimpeto Telefone: (+258) 84 20 26 759 e-mail: cead@up.ac.mz / up.cead@gmail.com Ficha técnica Autoria: Lucério Gundane Revisão Científica: Ilídio Macaringue, Carlos Massango e Luís Eusébio Revisão da Engenharia de EAD e Desenho Instrucional: Malaquias Tsambe Revisão Linguistica: Salomão Massingue Edição técnica/Maquetização: Valdinácio Florêncio Paulo Layout da Capa: Valdinácio Florêncio Paulo Imagem base da Capa: Gaël Epiney Primeira Edição © 2017 Impresso e Encadernado por © Todos os direitos reservados. Não pode ser publicado ou reproduzido em nenhuma forma ou meio – mecânico ou eletrónico- sem a permissão da Universidade Pedagógica. Agradecimentos Em primeiro lugar, agradeço a DEUS, pela VIDA e pelo seu SUBLIME AMOR que me acompanha dia após dia. Em segundo, ao Prof. Doutor Geraldo Macalane, meu Director do Curso, pela orientação durante a cadeira de Metodologia de Ensino Bilingue, integrada no Mestrado em Linguística, edição 2013-2015, na qual pude adquirir abordagens teórico-práticas atinentes ao ensino bilingue em Moçambique. Em terceiro, quero, igualmente, expressar a minha profunda gratidão à minha família por tudo o que tem feito por mim, bem como o reconhecimento a todos os que não só tornaram possível a elaboração deste manual, mas também, sob o ponto de vista moral, expressaram o seu valor em diversos momentos. Por último, exprimir os meus sinceros agradecimentos a todos os docentes, em especial aos da UP – Maxixe, aos colegas do CEAD – Maputo, principalmente pelos métodos e técnicas de iniciação e de inserção técnico- científica a esta modalidade de ensino por eles proporcionados. Dedicatória À toda comunidade científica moçambicana, aos estudantes, pesquisadores de cursos de línguas, sobretudo, àqueles que se envolvem em pesquisas com vista à descrição e à sistematização de línguas moçambicanas do grupo bantu. Lista de abreviaturas CEAD Centro de Educação Aberta e à Distância CLG Curso de Linguística Geral EBA Ensino Básico à Distância EB Ensino Bilingue INDE Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação INE Instituto Nacional de Estatística L1 Língua Materna L2 Língua Segunda LA Língua Alvo LAD Dispositivo de Aquisição de Linguagem LB Língua bantu LE Língua estrangeira LP Língua Portuguesa LWC Língua de comunicação mais ampla MINEDH Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano PB Proto-Bantu PEA Processo de ensino e aprendizagem PEBIMO Programa Piloto de Ensino Bilingue em Moçambique PM Português de Moçambique SVO Sujeito-Verbo-Objecto TIC Tecnologias de Informação e Comunicação UniSaF Universidade Pedagógica/Sagrada Família UP Universidade Pedagógica Índice Visão Geral do Módulo i Unidade 1: Aquisição e desenvolvimento da língua (gem): pressupostos teóricos 1 Lição n° 1 3 Didáctica: conceitualização ........................................................................................................................................................... 3 1. Didáctica: conceitualização ............................................................................................................................... 4 Lição n° 2 9 Língua materna (L1), língua segunda (L2) e língua estrangeira (LE) .................................................................................... 9 2. Língua materna (L1), língua segunda (L2) e língua estrangeira (LE) ................................................................ 10 Lição n° 3 15 O processo de aprendizagem de línguas: teorias de aprendizagem .................................................................................. 15 3. O processo de aprendizagem de línguas ................................................................................................................ 16 3.1. Teorias de aprendizagem ......................................................................................................................................... 17 1.1.1. Teoria de aprendizagem mentalista .......................................................................................................... 18 3.1.2. Perspectiva behaviorista ...................................................................................................................................... 19 Lição n° 4 24 Aquisição e aprendizagem da L1 em contexto escolar .......................................................................................................... 24 4. Aquisição e aprendizagem da L1 ............................................................................................................................... 25 4.1. Princípios metodológicos da didáctica da L1....................................................................................................... 27 Unidade 2: Línguas bantu de Moçambique 33 Lição n° 5 35 Classificação das línguas bantu ................................................................................................................................................. 35 5. Classificação das línguas bantu ............................................................................................................................... 36 5.1. Situação linguística de Moçambique ..................................................................................................................... 38 Lição n° 6 43 Sistema fonético, fonológico e morfossintáctico das línguas bantu ................................................................................. 43 6. Sistema fonético, fonológico, morfológico e sintáctico das línguas bantu .................................................... 44 Unidade 3: O Currículo das línguas bantu no ensino primário em Moçambique 55 Lição n° 7 57 O Currículo das línguas bantu no ensino primário em Moçambique ................................................................................. 57 Motivações da introdução das línguas bantu no ensino primário em Moçambique ......................................... 58 7.1. Razões linguístico-pedagógicas ............................................................................................................................. 60 7.2. Razões culturais e identitárias .............................................................................................................................. 61 7.3. A língua como direito .............................................................................................................................................. 62 Lição n° 8 66 Educação bilingue: breve contextualização ............................................................................................................................. 66 8. Educação bilingue: breve contextualização ................................................................................................. 67 8.1. Modelos de educação bilingue ............................................................................................................................... 69 8.1.1. Modelo transicional (assimilacionista) ............................................................................................................... 71 8.1.2. Modelo de manutenção (pluralístico) ................................................................................................................73 8.2. Uma reflexão sobre o modelo de educação bilingue adoptado em Moçambique ...................................... 74 8.3. Noção de diglossia................................................................................................................................................... 79 Unidade 4: Planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem 83 Lição n° 9 85 Planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem ............................................................. 85 9. Planificação do processo de ensino e aprendizagem: definição dos objectivos educacionais ................. 86 9.1. Planificação do processo de ensino e aprendizagem ....................................................................................... 88 9.2. Avaliação do processo de ensino e aprendizagem ........................................................................................... 91 9.3. Organização do processo de ensino e aprendizagem ..................................................................................... 95 Unidade 5: Princípios metodológicos da didáctica de línguas: métodos 99 Lição n° 10 101 Princípios metodológicos da didáctica de línguas: método de ensino baseado em tarefas, em conteúdos e abordagem cooperativa ............................................................................................................................................................... 101 10. Ensino de línguas baseado em tarefas ................................................................................................................ 102 10.1. Aprendizagem cooperativa .................................................................................................................................. 105 10.1.1. Vantagens do método de aprendizagem cooperativa ................................................................................. 106 10.2. Método de ensino baseado em conteúdos ...................................................................................................... 108 Unidade 6: Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique 113 Lição n° 11 115 Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique .................................................................................................................................................................................... 115 11. Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique ............................................................................................................................................................... 116 Unidade 7: Aprendizagem da leitura e escrita no ensino básico: modelos, estratégias e técnicas 125 Lição n° 12 127 Aprendizagem da leitura e escrita no ensino básico: modelos, estratégias e técnicas .............................................. 127 12. Aprendizagem da leitura e escrita: modelos, estratégias e técnicas ........................................................... 128 Lição n° 13 136 Ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares ............................................................................................................. 136 13. Ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares ........................................................................................... 137 Referências bibliográficas do Módulo 141 i Visão Geral do Módulo Introdução SEJA BEM-VINDO AO MÓDULO DE DIDÁCTICA DAS LÍNGUAS BANTU Nota preliminar Actualmente, o ensino e aprendizagem têm sido um principal campo de investigação, não só, tradicionalmente, em ciências atinentes à educação e à pedagogia, como também, diversas áreas de inserção técnico-científica, como, p. e., administração escolar, supervisão escolar, orientação educacional, filosofia, história, linguística, psicologia, didáctica, etc., vêm demonstrando grande interesse no estudo da prática educacional (ensino), não como uma actividade isolada da aprendizagem, mas como ferramentas ou elementos imprescindíveis para a compreensão do quotidiano quer do aluno, quer do professor. Por um lado, o ensinar e o aprender constituem, hoje em dia, um tema bastante complexo no quadro da didáctica geral visto que ambos, larga e positivamente, contribuem para a formação do homem, se se considerar a escola não meramente como uma instituição, mas, principalmente, como uma entidade que se integra dentro de um determinado contexto sociocultural, e, naturalmente, conducente à construção do conhecimento. Por outro lado, ainda que, sob o ponto de vista didáctico-metodológico, se distinga ensino da aprendizagem, é, pois, fundamental, que se observe minuciosamente todo o conjunto de práticas educativas que acompanham ambos os processos. ii Assim, este módulo surge no contexto do plano curricular de Licenciatura para o Ensino Básico, vigente na Universidade Pedagógica de Moçambique e visa proporcionar aos estudantes a aquisição de conhecimentos que lhes permitam conduzir o processo de ensino-aprendizagem, envolvendo uma língua materna (língua bantu). O mesmo se justifica pelo facto de a aprendizagem em contexto escolar de uma L1 ser uma tarefa muito complexa, pois exige-se que o professor saiba desenvolver a competência e as habilidades linguísticas e comunicativas que o aluno já adquiriu em contextos familiar e social. Assim, o futuro professor do Ensino Básico deve saber empregar uma didáctica que possibilite, de entre várias habilidades, desenvolver a L1 (língua bantu) nas quatro modalidades do uso da língua1; treinar tarefas comunicativas; explicitar o conhecimento gramatical e o funcionamento da língua; e criar situações-problema de carácter linguístico. Pretende-se que este módulo proporcione conhecimentos teóricos e práticos aos futuros professores de Ensino Básico para uma melhor compreensão reflexiva da acção didáctica de uma L1 em contexto social, escolar e histórico. Independentemente da formação ou inserção académico-científica, o presente Módulo destina-se a todos os estudantes de Linguística, estudantes de línguas, em particular, ao futuro professor do Ensino Básico e a todos aqueles que militam na área de ensino bilingue. Contudo, tratando-se de primeira edição, na consciência de que não é possível esgotar todos os conteúdos aqui, fica o convite para que me ofereçam críticas e sugestões destinadas principalmente ao melhoramento do Manual. O autor Lucério Gundane Março de 2017 1 Designadamente, compreensão (ouvir/ler) e produção (falar/escrever). iii Tome nota Competências do módulo Caro estudante, terminado o Módulo, você será capaz de desenvolver as seguintes competências: Desenvolve habilidades linguísticas, extralinguísticas e comunicativas na L1 (língua bantu); Conhece as condições históricas sociais e culturais que impulsionaram o surgimento das línguas bantu; Descreve o sistema fonético, fonológico, morfossintáctico das línguas bantu, bem como o seu sistema ortográfico; Desenvolve uma competência linguística, pragmática, comunicativa, discursiva e produtiva conforme a norma escolar; Descreve o currículo de língua bantu no Ensino Básico em Moçambique; Utiliza, com rigor, a L1, em conformidade com a norma escolar; Emprega estratégias, técnicas e métodos adequados ao ensino e aprendizagem da L1; Conduz o processo de ensino e aprendizagem num contexto multilingue. Objectivos do Módulo Caro estudante, quando terminar o estudo do Módulo de Didáctica das Línguas Bantu, você deve: Adquirir conhecimentos e noções básicas para o ensinoe desenvolvimento das competências e habilidades envolvidas no uso de uma L1; iv Usar métodos, estratégias, técnicas e materiais de ensino, aprendizagem e avaliação adequados para uma L1; Adquirir capacidades de auto-formação e actualização contínuas, no âmbito da didáctica de uma L1; Desenvolver capacidades científico-pedagógicas que visem à intervenção activa no ensino e aprendizagem de uma Língua Bantu em Moçambique. Objectivos específicos Caro estudante, especificamente, quando terminar o estudo do Módulo de Didáctica das Línguas Bantu, você deve ser capaz de: Descrever as condições socioculturais, históricas que impulsionaram o surgimento das línguas bantu; Descrever o sistema fonético, fonológico, morfossintáctico das línguas bantu, bem como o seu sistema ortográfico; Desenvolver a competência linguística, pragmática e comunicativa da sua L1, conforme a norma escolar; Explicar as razões que nortearam a introdução da educação bilingue em Moçambique; Descrever o currículo de língua bantu no ensino básico em Moçambique e o respectivo modelo adoptado; Diferenciar os processos de aquisição e da aprendizagem da língua materna; Conduzir o processo de ensino e aprendizagem na sua L1; Reflectir sobre diversas abordagens didáctico- metodológicas no âmbito do ensino e aprendizagem de línguas bantu no ensino básico em Moçambique; Produzir diversos materiais de apoio ao aluno a serem usados durante o ensino e aprendizagem. v Quem deve estudar este Módulo? Particularmente, este Módulo foi concebido para todos aqueles que estão inscritos no Curso de Licenciatura em Ensino Básico à Distância (EBA). Na eventualidade, o Módulo poderá interessar a todos os estudantes de Linguística, estudantes de cursos de línguas, em face dos seus objectivos que se cingem, na reflexão sobre os procedimentos didáctico-metodológicos atinentes ao ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique. Como está estruturado este Módulo? Este Módulo contém páginas introdutórias; uma lista completa de conteúdos; uma visão geral detalhada, que traz os aspectos-chave e contextualização da Didáctica das Línguas Bantu, principais objectivos, entre outras orientações de que o estudante precisa conhecer para completar o seu estudo. Em termos de conteúdos, o Módulo está estruturado em unidades. A unidade é constituída por um conjunto de lições. Note-se que cada unidade traz, inicialmente, uma introdução, objectivos e competências, seguindo-se as lições que a constituem. Por seu turno, cada lição inclui o tema de aula, os objectivos, o tempo necessário para a leitura da lição, a terminologia, um sumário e uma ou mais actividades para auto-avaliação e a bibliografia básica. Relativamente aos conteúdos, o Módulo comporta um total de sete unidades didácticas, divididas em 13 lições: a primeira unidade, além do quadro teórico sobre a didáctica, discute o processo de aprendizagem no contexto escolar; teorias de aprendizagem; princípios metodológicos da didáctica de L1; contradições e vi condições de ensino e aprendizagem da L1; a seguir, na segunda unidade, não só são classificadas e descritas as línguas bantu: seu aspecto fonético, fonológico, morfológico e sintáctico, assim como se faz alusão à situação linguística de Moçambique; a terceira unidade descreve o currículo de língua bantu no ensino básico em Moçambique: educação bilingue, o conceito ‘diglossia’; tipos de bilinguismo, motivações da introdução das línguas bantu em Moçambique; na quarta unidade propõem-se conteúdos atinentes à planificação, avaliação; organização do processo de ensino e aprendizagem e objectivos educacionais; A quinta unidade centra-se nalgumas abordagens sobre L1, L2, LE; e métodos e/ou técnicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem da L1; A sexta unidade está virada essencialmente a algumas propostas didáctico-metodológicas concernentes ao processo de ensino e aprendizagem em Moçambique; por fim, é na sétima unidade onde se discute o processo de aprendizagem de leitura e escrita no ensino básico, com enfoque às técnicas e estratégias, bem como ao desenvolvimento da língua em contexto familiar e social e aos pares. Habilidades de estudo Caro estudante! Para tirar maior proveito deste Módulo, você terá de buscar, através de uma leitura cuidadosa das fontes de consulta, a maior parte da informação ligada ao assunto abordado. Uma pergunta bem compreendida representa meia resposta, por isso, antes de resolver qualquer tarefa ou problema, você deve certificar se compreendeu a questão colocada. Deve fazer, sempre que possível, uma sistematização geral das ideias apresentadas na lição corrente. vii Precisa de apoio? Naturalmente, dúvidas são frequentes e comuns ao longo de qualquer outro tipo de estudo. Em face desta situação, você deverá consultar as obras e/ou manuais sugeridos no fim de cada lição pois, alguns, na eventualidade, podem estar disponíveis nos Centros de Ensino à Distância (centro de recursos) mais próximos. Caso enfrente dificuldades na resolução de exercícios, estude os exemplos semelhantes apresentados no Módulo. Caso a dúvida persistir, consulte a orientação que aparece no fim dos exercícios. Em caso de uma necessidade de explicação pormenorizada, recorra ao Departamento de Línguas, da Universidade Pedagógica, devendo, sempre que possível, contactar o autor do Módulo. Tarefas (avaliação e auto-avaliação) Caro estudante! Ao longo deste Módulo serão disponibilizadas várias tarefas e ou actividades que acompanharão o seu estudo. Tente, sempre que possível, com a juda dos seus colegas, bem como do tutor-local, solucioná-las. De lembrar que em situações de actividades e/ou trabalhos a serem realizados ou desenvolvidos, individual ou colectivamente em ambientes fora do Centro de Recursos, estas devem ser entregues ao Departamento que tutela o curso, através do tutor-geral. Chama-se, desde já, à atenção, o facto de você dever, obrigatoriamente, produzir trabalhos no âmbito das tarefas a serem realizadas, socorrendo-se sobretudo das TICs e, proceder ao seu devido envio, ao respectivo Departamento. vii i As avaliações constam do calendário académico do CEAD e sempre são marcadas pelo Chefe do Departamento em consonância com as avaliações dos cursos regulares. Em caso de impossibilidade de participar no dia marcado para a avaliação, você terá o direito de realizá-la oportunamente, mediante uma justificação convincente e com a autorização do Chefe ou Coordenador do Departamento de Ensino à Distância da sua Delegação. Uma parte importante da realização deste Módulo relaciona-se com a avaliação, que pretende ser inovadora, procurando romper com práticas didácticas baseadas exclusivamente em (2) testes escritos. Para tal, além de, pelo menos um teste semestral, a avaliação desta disciplina será baseada em pesquisas, quer bibliográficas, quer científicas, de acordo com os diferentes temas subjacentes ao plano de estudo, entre outros julgados pertinentes. Haverá, também, seminários em que se apresentarão e se discutirão trabalhos (individuais/grupos) cujos relatórios escritos serão entregues para a avaliação. Resumidamente, a avaliação consistirá na verificação do seu nível de compreensão e assimilação das matérias leccionadas, referentes a cada unidade temática. A avaliação final consistirá na exposição de uma aula na sua L1, cujos temas constam do plano curricular do ensino básico. Ícones de Actividades Caro estudante, para lhe ajudar a orientar-se no estudo deste módulo e facilmente foram usados marcadores de texto do tipo ícones. Os ícones foram escolhidos pelo CEMEC (Centro de Estudos Moçambicanos e Etnociência) da Universidade Pedagógica. Tomou-se em consideraçãoa ix diversidade cultural Moçambicana. Encontre, a seguir, a lista de ícones, o que a figura representa e a descrição do que cada um deles indica no módulo: 1. Exercício [enxada em actividade] 2. Actividade [colher de pau com alimento para provar] 3. Auto-Avaliação [peneira] 4. Exemplo/estudo de caso [Jogo Ntxuva] 5. Debate [fogueira] 6. Trabalho em grupo [mãos unidas] 7. Tome nota/Atenção [batuque soando] 8. Objectivos [estrela cintilante] 9. Leitura [livro aberto] 10. Reflexão [embondeiro] 11. Tempo [sol] 12. Resumo [sentados à volta da fogueira] x 13. Terminologia Glossário [Dicionário] 14. Video/Plataforma [computador] 15. Comentários [Balão de fala] 1. Exercício (trabalho, exercitação) – A enxada relaciona-se com um tipo de trabalho, indica que é preciso trabalhar e pôr em prática ou aplicar o aprendido. 2. Actividade - A colher com o alimento para provar indica que é momento de realizar uma actividade diferente da simples leitura, e verificar como está a ocorrer a aprendizagem. 3. Auto-Avaliação – A peneira permite separar elementos, por isso indica que existe uma proposta para verificação do que foi ou não aprendido. 4. Exemplo/Estudo de caso – Indica que há um caso a ser resolvido comparativamente ao jogo de Ntxuva em que cada jogo é um caso diferente. 5. Debate – Indica a sugestão de se juntar a outros (presencialmente ou usando a plataforma digital) para troca de experiências, para novas aprendizagens, como é costume fazer-se à volta da fogueira. 6. Trabalho em grupo – Para a sua realização há necessidade de entreajuda, que se apoiem uns aos outros 7. Tome nota/Atenção – Chamada de atenção 8. Objectivos – orientação para organização do seu estudo e daquilo que deverá aprender a fazer ou a fazer melhor 9. Leitura adicional – O livro indica que é necessário obter informações adicionais através de livros ou outras fontes. 10. Reflexão – O embondeiro é robusto e forte. Indica um momento para fortalecer as suas ideias, para construir o seu saber. http://www.freepik.com/index.php?goto=27&url_download=aHR0cDovL3d3dy5mbGF0aWNvbi5jb20vZnJlZS1pY29uL2ZpbGVfMTE4MDk4&opciondownload=318&id=aHR0cDovL3d3dy5mbGF0aWNvbi5jb20vZnJlZS1pY29uL2ZpbGVfMTE4MDk4&fileid=917606 http://www.freepik.com/index.php?goto=27&url_download=aHR0cDovL3d3dy5mbGF0aWNvbi5jb20vZnJlZS1pY29uL2NoYXQtY2lyY3VsYXItYnViYmxlLXdpdGgtbWVzc2FnZS10ZXh0LWxpbmVzXzUwMDEx&opciondownload=318&id=aHR0cDovL3d3dy5mbGF0aWNvbi5jb20vZnJlZS1pY29uL2NoYXQtY2lyY3VsYXItYnViYmxlLXdpdGgtbWVzc2FnZS10ZXh0LWxpbmVzXzUwMDEx&fileid=792302 xi 11. Tempo – O sol indica o tempo aproximado que deve dedicar á realização de uma tarefa ou actividade, estudo de uma unidade ou lição. 12. Resumo – Representado por pessoas sentadas à volta da fogueira como é costume fazer-se para se contar histórias. É o momento de sumarizar ou resumir aquilo que foi tratado na lição ou na unidade. 13. Terminologia/Glossário – Representado por um livro de consulta, indica que se apresenta a terminologia importante nessa lição ou então que se apresenta um Glossário com os termos mais importantes. 14. Vídeo/Plataforma – O computador indica que existe um vídeo para ser visto ou que existe uma actividade a ser realizada na plataforma digital de ensino e aprendizagem. 15. Balão com texto – Indica que existem comentários para lhe ajudar a verificar as suas respostas às actividades, exercícios e questões de auto-avaliação. 1 Unidade 1: Aquisição e desenvolvimento da língua (gem): pressupostos teóricos Pág. 2 - 32 Conteúdos U N ID A D E 1 Lição n° 1 3 Didáctica: conceitualização ......................................... 3 1. Didáctica: conceitualização ............... 4 Lição n° 2 9 Língua materna (L1), língua segunda (L2) e língua estrangeira (LE) ............................................................... 9 2. Língua materna (L1), língua segunda (L2) e língua estrangeira (LE) ............................... 10 Lição n° 3 15 O processo de aprendizagem de línguas: teorias de aprendizagem .............................................................15 3. O processo de aprendizagem de línguas ................................................................... 16 3.1. Teorias de aprendizagem ........................ 17 1.1.1. Teoria de aprendizagem mentalista ............................................................ 18 3.1.2. Perspectiva behaviorista ................... 19 Lição n° 4 24 Aquisição e aprendizagem da L1 em contexto escolar ...............................................................................24 4. Aquisição e aprendizagem da L1 ............ 25 4.1. Princípios metodológicos da didáctica da L1 ........................................................................ 27 Aquisição e desenvolvimento da língua (gem): pressupostos teóricos 2 Introdução Nesta unidade, espera-se que você reflicta sobre o conceito Didáctica, como arte e como ciência. Aqui você irá discutir e diferenciar os processos de aquisição e aprendizagem de línguas. Esta unidade apresenta também as principais diferenças entre estes dois processos. Ainda nesta unidade, você irá aprender algumas teorias que explicam os processos de aquisição e a aprendizagem de línguas, bem como alguns princípios metodológicos atinentes à didáctica da L1. Objectivos da unidade Assim, ao terminar esta unidade você será capaz de: Definir Didáctica, como arte e/ou como ciência; Explicar os condicionalismos que intervêm na aquisição e no desenvolvimento da linguagem; Descrever os princípios metodológicos da didáctica de L1; Explicar as duas teorias de aprendizagem de línguas (mentalista e behaviorista); Explicar as diferenças entre aquisição e aprendizagem da língua (gem). Tome nota Terminada a unidade, você desenvolverá as seguintes competências: Define Didáctica, como arte e/ou como ciência; Descreve os processos de aquisição e o desenvolvimento da língua; Explica as teorias de aprendizagem (mentalista e behaviorista); Descreve os princípios metodológicos da Didáctica de L1. 3 Lição n° 1 Didáctica: conceitualização Introdução Nesta lição, você irá aprender os pressupostos teóricos da ‘didáctica’ – seu objecto de estudo, bem como os aspectos sobre os quais ela se interessa. Irá, também, relacionar o conceito didáctica com outras áreas, como, por exemplo, a pedagogia, assim como os seus vínculos com outras ciências. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos Conceitualizar didáctica na óptica de vários autores; Definir o objecto de estudo da didáctica; Relacionar didáctica e outras áreas científicas afins; Distinguir a didáctica da pedagogia. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 40 minutos para a leitura compreensiva desta lição Terminologia Didáctica, pedagogia, didáctica de línguas. 4 1. Didáctica: conceitualização Caro estudante, no âmbito da disciplina Didáctica Geral você definiu, na óptica de vários autores, didáctica e o seu objecto de estudo. Chamamos, desde já, a sua atenção à seguinte questão: Didáctica é, para si, uma ciência ou arte de ensino? NB: Depois de ter reflectido sobre a questão, recorde-se que muitos autores são da opinião de que a didáctica, seja arte/técnica, seja ciência, integra-se nas ciências pedagógicas, cujo objecto de estudo é o processo de ensino e aprendizagem. A didáctica caracteriza-se como mediação entre “o que”, “como” e “para que” desse processo, com a intenção de promover o encontro formativo entre o aluno e a matéria de ensino. Parauma melhor compreensão desta lição, veja, a seguir, como os autores definem didáctica: 1) Para Barba & Silva (s/d: 6/8) apud Masetto (1977: 32), enquanto a pedagogia2 é reconhecida tradicionalmente como arte e ciência de ensinar, a didáctica é o estudo do processo de ensino e aprendizagem em sala de aula e de seus resultados. Até ao final do século XIX, a didáctica encontrava seus fundamentos quase que exclusivamente na Filosofia. 2) Em conformidade com Libâneo (2013: 67), a Didáctica, na pedagogia tradicional, é uma disciplina normativa, um 2De acordo com Gil (1997, cit: 16), pedagogia provém do grego, paidós = criança e gogein = conduzir. A pedagogia referir-se-ia apenas à educação das crianças. Por essa razão, alguns autores preferem falar de androgogia, para se referir aos esforços sistemáticos destinados à formação de adultos. Para este autor, esta distinção não é necessária, pois, pedagogia é o conjunto de doutrinas, princípios e métodos de educação tanto para crianças quanto para adultos. 5 conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. A actividade de ensinar é centrada no professor, que expõe e interpreta a matéria. Na abordagem de Rodrigues et al. (2011: 1/2)3, como arte, a Didáctica não objectiva apenas o conhecimento pelo conhecimento, mas procura aplicar os seus próprios princípios à finalidade concreta que é a instrução educativa. Enquanto arte de ensinar, ela é tão antiga como o próprio ensino, pois, em todos os tempos houve exímios educadores que, guiados por uma fina observação e por um grande talento, conseguiram os melhores resultados no domínio do ensino e da educação 3) Como ciência, ela é recente. Seus primeiros passos datam do século XVII, apresentando-se como um conjunto apreciável de verdades, de experiências, de factos e de técnicas, que impõem o seu estudo a todos quanto se pretendam dedicar ao nobre trabalho da educação e do ensino. Sublinha, ainda, Gil (op. cit: 22) que a didáctica de ensino superior envolve não apenas os conteúdos que se pretendem verdadeiros em função das evidências científicas, mas também a componentes intuitivos e valorativos. 4) Na asserção de Libâneo (op. cit: 25/6), a Didáctica é o principal ramo de estudos da pedagogia. Ela investiga os fundamentos, condições e modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objectivos sociopolíticos e pedagógicos em objectivos de ensino, seleccionar conteúdos e métodos em função desses objectivos. 5) A Didáctica e as metodologias específicas das matérias de ensino formam uma unidade, mantendo, entre si, relações recíprocas. A Didáctica trata da teoria geral de ensino. As Cf. Rodrigues et al. (2011 : 1) apud Otão et al. (1965). In Revista Científica do ITPAC, Araguaína. V.4. N°.3. 2011. 6 metodologias específicas, integrando o campo da didáctica, ocupam-se dos conteúdos e métodos próprios de cada matéria na sua relação com fins educacionais. A Didáctica, com base em seus vínculos com a pedagogia, generaliza processos e procedimentos obtidos na investigação das matérias específicas, das ciências que dão embasamento ao ensino e à aprendizagem e das situações concretas da prática corrente, (Libâneo, 2013, p. 25/6). Agora que você reviu algumas notas de autores sobre a conceitualização da didáctica, seja arte, seja ciência, veja também que há uma estreita ligação da Didáctica com os demais campos do conhecimento pedagógico. Trata-se de áreas como, p. e., Filosofia, História da Educação, Sociologia da Educação, Psicologia da Educação, etc. Resumo da lição A Didáctica é, pois, uma das disciplinas da Pedagogia que estuda o processo de ensino por meio dos seus componentes – conteúdos escolares, o ensino e aprendizagem, para, com o embasamento na teoria da educação, formular directrizes orientadoras da actividade profissional dos professores. O seu objecto de estudo é o processo de ensino, campo principal da educação escolar. A didáctica investiga as condições e formas que vigoram no ensino. Auto-avaliação 7 Depois de ter aprendido esta lição, você deve resolver as seguintes actividades de auto-avaliação. Comece por ler atentamente todas as questões que lhe são apresentadas. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. Responda pela ordem que mais lhe convier, identificando, correctamente, cada uma das respostas. 1. Defina didáctica, primeiro como arte e depois como ciência. 2. Quais são as relações entre a pedagogia e a Didáctica? 3. Explique os vínculos entre a didáctica e outras ciências; 4. Explique por que existe uma unidade entre a didáctica e as metodologias específicas das matérias de ensino. Bibliográfia Básica 1. Althaus, Maiza T. Margraf. (2004). “Acção Didáctica no Ensino Superior: A Docência em Discussão”. In Revista Teoria e Prática da Educação. V.7. N.°1; (S/L); 2. Barbosa, Jane R. (2011). A Didáctica do Ensino Superior. 2.ª Edição. Curitiba: IESDE Brasil; 3. Gil, António. (1997). Metodologia do Ensino Superior. 3ª Edição. São Paulo: Atlas; 4. Libâneo, José. (2011). Didáctica. 2.ª Edição. Cortez: São Paulo; 5. Rodrigues, Leude Pereira et al. (2011). “O Tradicional e o Moderno Quanto à Didáctica no Ensino Superior”. In Revista Científica do ITPAC. Araguaína. V.4. N.° 3; 6. Santo, Eniel do Espírito & Luz, Luiz C. S. (2013). “Didáctica no Ensino Superior: Perspectivas e Desafios”. (s/l). In Revista Natal – RN. V. 1. N.º 8; 8 7. Silva, Regina Nogueira da & Borba, Ernesto Oliveira. (s/d). A Importância da Didáctica no Ensino Superior. (s/l); 8. Tochon, François V. (1995). A Língua como Projecto Didáctico. [Trad. Maria Vidal]. Porto: Porto Editor. 9 Lição n° 2 Língua materna (L1), língua segunda (L2) e língua estrangeira (LE) Introdução Depois de você ter cenceitualizado didáctica na óptica de alguns autores na lição anterior, tratando-se de um Módulo cujo foco é o processo de ensino e aprendizagem nas línguas bantu, que constituem L1 para a maior parte da população moçambicana, se lhe perguntássemos, por exemplo, qual é diferença entre L1 e L2, ou entre L2 e LE? Obviamente que enfrentaria algumas dificuldades. É nesta lição onde você vai poder distinguir estes conceitos, visto que, ao longo do Módulo, serão retomados em diversas unidades. Objectivos Ao completar esta lição, você deverá ser capaz de: Distinguir L1 da L2 e da LE; Descrever as características das L1, da L2 e da LE; Estabelecer a relação entre a aprendizagem da L2 e a da LE. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 60 minutos para a leitura compreensiva desta lição Terminologia Língua materna, língua segunda, língua estrangeira. 10 2. Língua materna (L1), língua segunda (L2) e língua estrangeira (LE) Reflexao Antes de você continuar com a leitura, tente reflectir sobre os conceitos: L1, L2 e LE. Será que a L1 é a língua da mãe? Ou língua do pai? A L2 é sempre o português? A língua inglesa pode ser L2? Ou é sempre LE? Normalmente usa se com o mesmo sentido de Língua Materna (LM) para designar aquela que a pessoa adquire em primeiro lugar em relação a outras línguas que vai adquirindo e/ou aprendendo ao longo da vida. Em Moçambique e em muitos países africanos, a língua primeira ou materna da maioria é, geralmente, uma língua Africana. Comummente, a L1 refere-se à língua materna da criança, isto é, a primeira língua por meio da qual a criança interage com o meio social. É importante sublinhar que qualquer falante adquire, ao longo da sua vida, pelo menos uma língua (a sua Língua Materna ou L1). Na óptica de Silva (s/d: 99), língua materna (L1) é a primeira línguaadquirida por uma pessoa na infância, não correspondendo, esta, necessariamente, à língua oficial do país onde vive, que podemos designar de “língua dominante”. A maioria das pessoas adquire ainda uma outra língua, sendo que a sua aquisição pode dar-se em simultâneo com a L1 (no caso do bilinguismo) ou numa fase posterior. As crianças bilingues aprendem o segundo sistema linguístico como L2 e não como LE. Qual seria a diferença entre a L2 e a LE? A diferença essencial entre os dois conceitos reside no grau de exposição às duas línguas (uma criança bilingue é exposta, desde os primeiros meses de vida e ao longo de todo ou grande parte do seu período de aquisição e desenvolvimento linguístico, a duas línguas, 11 que adquire como línguas maternas), ao passo que uma língua estrangeira é aprendida sob as condições formais, geralmente em contexto escolar. Ainda sobre a L1, L2 e LE, veja algumas abordagens: Para Spinassé (2006: 4/5), o conceito língua materna é tratado, pela maioria dos autores, como uma denominação um tanto óbvia. Esse deve ser realmente de mais fácil denominação que os outros, porém pouco se encontram definições para o termo4. A L1 não é, necessariamente, a língua da mãe, nem a primeira língua que se aprende. Tão pouco se trata de apenas uma língua. Normalmente, é a língua que aprendemos primeiro e em casa, através dos pais e também, é frequentemente a língua da comunidade. Entretanto, muitos outros aspectos linguísticos e não-linguísticos estão ligados à definição. A caracterização de uma L1 como tal só se dá se combinarmos vários factores e se todos eles forem levados em consideração: a língua da mãe, a língua do pai, a língua dos outros familiares, a língua da comunidade, a língua adquirida em primeiro, a língua com a qual se estabelece uma relação afectiva, a língua do dia-a-dia, a língua predominante na sociedade, a de melhor status para o indivíduo, a que ele melhor domina, língua com a qual ele se sente mais à vontade, (Spinassé, 2006, p. 4/5). 4 Uma descrição simples e directa, contudo antiga, encontrada nas pesquisas foi a de Mues (1970) no livro Sprache: Was ist das? (“Língua: o que é isso?”): “Muttersprache ist die Sprache, die jeder Mensch als erste lernt und die somit die Grundlage seines Menschwerdens ist”. Essa definição é antiga e, por isso, cheia de lacunas, mas apresenta dois factores importantes: a justaposição com o conceito “primeira língua” e o factor identitário que carrega – a pessoa identifica-se, de alguma forma, com a língua materna. A aquisição da L1 é uma parte integrante da formação do conhecimento de um mundo do indivíduo, pois, junto à competência linguística se adquirem também os valores pessoais e sociais. A L1 caracteriza, geralmente, a origem e é usada, na maioria das vezes, no dia-a-dia. 12 Ainda na perspectiva de Spinassé (op. cit: 5), é sabido que uma segunda língua (L2) não é necessariamente uma segunda, no sentido de que haverá uma terceira, uma quarta, e assim por diante. “Segunda” está para “outra que não a primeira (a materna) ”, e a ordem de aquisição se torna irrelevante – desde que não se trate de mais uma L1. Dependendo de como a língua foi adquirida, ela pode ser classificada de uma forma ou de outra. Diferenciando, porém, do conceito de língua estrangeira; uma segunda língua é uma ‘não-primeira-língua’ que é adquirida sob a necessidade de comunicação e dentro de um processo de socialização. A aquisição de uma L2 e a aquisição de uma LE assemelham-se no facto de serem desenvolvidas por indivíduos que já possuem habilidades linguísticas de fala, isto é, por alguém que possui outros pressupostos cognitivos e de organização do pensamento que aqueles usados para a aquisição da L1. Do contrário, no processo de aprendizagem de uma LE não se estabelece um contacto tão grande ou tão intenso com a mesma. A grande diferença é que a LE não serve necessariamente à comunicação e, a partir disso, não é fundamental para a integração, enquanto a L2 desempenha um papel até mesmo vital numa sociedade, (Spinassé, 2006, p. 6). Ellis (1986) apud Spinassé (op. cit: 6) defende o ponto de vista de que a diferenciação entre a L2 e a LE não deve estar em factores psicolinguísticos, mas sim em sociolinguísticos. Numa segunda língua possui-se uma maior competência e uma maior performance, pois o meio ou a situação exige isso do falante – o aprendente de língua estrangeira dificilmente precisa de chegar a esse nível de conhecimento. Não existe, na verdade, uma “receita” para a diferenciação entre L1, L2 e LE. O status de uma língua também 13 pode variar com o tempo, é necessário apenas estabelecer uma outra relação com ela. Resumo da lição L1, L2 e LE Auto-avaliação Para você poder testar o seu nível de leitura e compreensão dos conteúdos, deve resolver as actividades de auto-avaliação. Leia atentamente as questões que lhe são apresentadas. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. Responda pela ordem que mais lhe convier, identificando, correctamente, cada uma das respostas. 1. O que entente por L1? 2. Estabeleça as principais diferenças entre L2 e LE. 3. Será que a L1 é a língua da mãe? A L2 é sempre o português? A língua inglesa pode ser L2? Ou é sempre LE? 14 Bibliográfia Básica 1. Molina, G. T. et al. (s/d). Corrent approaches and teaching methods. Bilingual Progammes. Faculty of Humanities and Education. University of Jaen; 2. Silva, Maria Cristina da (s/d). “A aquisição de uma Língua Segunda: muitas questões e algumas respostas”. In: Saber e Educar. Lisboa: Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa; 3. Spinassé, Karen Pupp. (2006). “Os conceitos Língua Materna, Segunda Língua e Língua Estrangeira e os falantes de línguas autóctones minoritárias no Sul do Brasil”. In: Revista Contingentia. UF do Rio Grande do Sul. Vol. 1. 15 Lição n° 3 O processo de aprendizagem de línguas: teorias de aprendizagem Introdução Esta lição aborda o processo de aprendizagem, com enfoque às teorias de aprendizagem (mentalista e behaviorista). Você terá a oportunidade de distinguir as duas teorias de aprendizagem de línguas, tentando relacioná-las com a lição que viu anteriormente. Objectivos Ao completar esta lição, você deverá ser capaz de: Explicar o desencadeamento do processo de aprendizagem; Descrever as teorias de aprendizagem; Explicar o processo de aprendizagem e desenvolvimento da língua em contexto familiar e social com base nas teorias de aprendizagem; Conhecer os precursores da teoria mentalista e behaviorista. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 60 minutos para a leitura compreensiva desta lição Terminologia Processo de aprendizagem, teorias de aprendizagem. 16 3. O processo de aprendizagem de línguas Se se lembra, o que é Didáctica? Caro estudante, você na lição anterior falou sobre a didáctica e viu que o seu foco é o processo de ensino e aprendizagem. Nesta lição você terá mais abordagens teóricas para diferenciar estes dois processos. Mas antes disso, comecemos com a seguinte questão: Para si, o que seria um processo de aprendizagem? Recorde-se que a prática educativa escolar se insere em contextos mais abrangentes. O ensino e aprendizagem são conceitos que se encontram indissociavelmente ligados. Constituindo, em parte, objecto da didáctica, torna-se fundamental determinar acções atinentes a cada processo e, como nos lembra Gil (op. cit: 20), ao falar-se do ensino, invocam-se conceitos que indicam o professor como elemento principal do processo. Já, ao se tratar de aprendizagem, evidenciam-se conceitos como, p. e.,descoberta, apreensão, modificação de comportamentos e aquisição de conhecimentos que se referem directamente aos alunos. Contudo, de acordo com Ribeiro (2003: 32), estes processos de educação e socialização começam na fase de criança, no seio familiar, sob o signo da dependência, e prosseguem até à vida adulta, sob a forma de participação no trabalho e na construção da sociedade, segundo proporções variadas e modalidades de educação informal e formal. Tendo em conta essas perspectivas e/ou visões, como definiríamos a aprendizagem? Veja as seguintes definições: A aprendizagem é o processo pelo qual as competências, habilidades, conhecimentos, comportamento ou valores são adquiridos ou modificados, como resultado de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação. Este processo 17 pode ser analisado a partir de diferentes perspectivas, de forma que há diferentes teorias de aprendizagem. A aprendizagem é uma das funções mentais mais importantes em humanos e animais e também pode ser aplicada a sistemas artificiais. A aprendizagem humana está relacionada à educação e desenvolvimento pessoal. Deve ser devidamente orientada e é favorecida quando o indivíduo está motivado. O estudo da aprendizagem utiliza os conhecimentos e teorias da neuropsicologia, psicologia, educação e pedagogia. A aprendizagem como um estabelecimento de novas relações entre o ser e o meio ambiente tem sido objecto de vários estudos empíricos em animais e seres humanos. O processo de aprendizagem pode ser medido através das curvas de aprendizagem, que mostram a importância da repetição de certas predisposições fisiológicas, de ‘tentativa e erro’ e de períodos de descanso, após o qual se pode acelerar o progresso5. NB: Caro estudante, aqui você pôde ver várias visões e abordagens em torno do conceito aprendizagem. Na Didáctica Geral, naturalmente, você estudou este conceito, caso queira aprofundar mais a sua definição, pode recorrer às páginas de internet ou mesmo consultar manuais ligados à didáctica, certamente que lá você encontre conteúdos que abordam o processo de aprendizagem. 3.1. Teorias de aprendizagem Depois te ter falado sobre o processo de aprendizagem na lição anterior, agora você vai concentrar-se nas duas teorias de aprendizagem que se seguem. 5 Cf. Velásquez, Freddy. (2001). Enfoques sobre el aprendizaje humano. (s/l). 18 Tome nota As teorias de aprendizagem, de entre os vários objectivos, buscam reconhecer a dinâmica envolvida nos actos do processo de ensino e aprendizagem, partindo do reconhecimento da evolução cognitiva do Homem; o papel do professor na escola, etc. Trata-se, nomeadamente, da teoria comportamentalista (behaviorista), teoria cognitiva (mentalista) e teoria construtivista. Porém, nesta lição, serão aprendidas duas teorias (mentalista e behaviorista). 1.1.1. Teoria de aprendizagem mentalista Caro estudante, ao ler este sub-tema, você deve concentrar-se nos seguintes pontos: Quem é o mentor desta teoria? Qual é a tese que o autor defende? Qual é a funcionalidade da teoria no âmbito da aquisição e/ou aprendizagem de línguas? Piaget é o mentor desta teoria. A essência desta teoria é o desenvolvimento cognitivo linguístico da criança, ou seja, a linguagem faz parte de uma organização cognitiva mais vasta que obedece a mecanismos sensório-motores, que estão na base da função semiótica de que a linguagem é uma das manifestações. Piaget defende a existência de estágios para o desenvolvimento da linguagem. Apesar de não ser objecto de estudo nesta lição, a teoria inatista de Chomsky, sobre o desenvolvimento da linguagem, é interessante salientar que a teoria cognitivista/mentalista apresenta algumas semelhanças com a inatista. Veja os pontos em que estas duas teorias convergem e divergem: 19 É o seguinte: Ambas postulam a existência do meio para a aquisição da linguagem. No entanto, por um lado, as duas teorias diferem-se, visto que os inatistas advogam a independência no desenvolvimento linguístico, ou seja, para os inatistas a aquisição da linguagem não tem a ver com as diferentes fases do desenvolvimento cognitivo do falante. Por outro lado, os cognitivistas refutam este posicionamento, considerando que a apropriação da linguagem pela criança avança com o respectivo nível de desenvolvimento global. Slobin (1973) apud Maciel (1998) defende que as estruturas linguísticas profundas se modificam com a idade, à medida que aumenta a capacidade de operatividade e o espaço de armazenamento; aumento da compreensão das intenções linguísticas leva a criança para o domínio de uma nova complexidade formal, ao mesmo tempo que as respectivas estruturas internas se reorganizam de acordo com os princípios gerais da organização cognitiva. Em forma de conclusão, Segundo a teoria mentalista, o desenvolvimento da cognição processa-se, gradualmente, desde o nível mais básico dos processos sensório-motores até ao nível das funções mentais superiores. Note-se que a cognição (inteligência na perspectiva piagetiana) aparece como uma forma específica (mental) da adaptação biológica indispensável às trocas entre o organismo e o meio. 3.1.2. Perspectiva behaviorista Para finalizar esta lição, você agora irá focalizar a sua atenção na teoria behaviorista ou comportamentalista, tendo em conta as questões que se seguem: 20 Quem é o mentor desta teoria? Qual é a tese que o autor defende? Qual é a funcionalidade da teoria no âmbito da aquisição e/ou aprendizagem de línguas? Os seus defensores postulam que a linguagem é um comportamento verbal. As crianças ganham mestria do comportamento verbal através da interacção com o ambiente, imitando o que observam à sua volta. Em todo o caso, os behavioristas destacam o papel do meio, particularmente dos pais na aquisição da linguagem, ao considerarem como determinante na estabilização do comportamento linguístico da criança, o que significa que para o desenvolvimento da L1 da criança, é muito importante se verificar as variáveis ambientais, sendo que esta aquisição é determinada pela prática ou exercícios e não pela programação genética. Esta teoria refere, ainda, que são os estímulos do meio ambiente que condicionam as aprendizagens. Os behavioristas não se interessam pelo conhecimento linguístico do sujeito, mas da realização conseguida pelos indivíduos. O crescimento linguístico é visto como uma progressão que vai da produção aleatória de sons de comunicação verbal estruturada, que é atingida através dos processos gerais da aprendizagem que são: o condicionamento clássico, o condicionamento operante e a modelação por imitação. NB: Nos dois últimos parágrafos, o caro estudante pôde depreender a tese e os fundamentos da teoria Behaviorista. Então, recorde-nos o precursor da mesma. 21 Skinner (1957), como um dos mentores desta teoria, refere que a criança possui capacidades gerais de aprendizagem, que não são apenas para a linguagem (comportamento de cariz verbal), modeladas e reforçadas pelos falantes adultos, que privam com a criança e a quem ela imita, neste caso, destaca-se a aprendizagem e a influência do meio empírico. Durante as aulas que teve na cadeira Introdução aos Estudos Linguísticos, você aprendeu sobre o pai e fundador da Linguística Moderna, Ferdinand de Saussure. No parágrafo seguinte, vamos relacionar as duas teorias com a perspectiva Saussureana em relação à linguagem: Na visão de Saussure (1999), a língua6 é um facto social, no sentido de que é um sistema convencional adquirido pelos indivíduos no convívio social. Neste sentido, Saussure aponta a linguagem como a faculdade natural que permite ao Homem constituir uma língua.Em consequência, a língua caracteriza-se por ser um produto social da faculdade da linguagem. 6 Benveniste (1973) apud Mussalim & Bentes (2001.) observa que é dentro da língua, que o indivíduo e a sociedade se determinam mutuamente, pois, ambos só ganham existência pela língua. Este autor considera que a língua é manifestação concreta da faculdade humana da linguagem. Sendo assim, defende o exercício da linguagem pela utilização da língua, que o Homem constrói a sua relação com a natureza e com outros homens. A linguagem sempre se realiza dentro de uma língua, de uma estrutura linguística definida e particular, inseparável de uma sociedade definida e particular, logo, a língua e a sociedade não podem ser concebidas separadamente. 22 Resumo da lição Se prestou atenção, concluirá que o processo de aprendizagem de uma língua é complexo, se se partir da asserção segundo a qual a língua (gem) é um facto puramente social e cultural. As teorias de aprendizagem, embora cada uma com as suas abordagens e particularidades, elas apresentam muitas visões sobre o processo de aprendizagem de uma língua. Note-se que estas teorias mostram e descrevem as circunstâncias em que a aprendizagem ocorre, bem como os seus resultados. Auto-avaliação Depois de ter aprendido esta lição, você deve resolver as seguintes actividades de auto-avaliação. Comece por ler atentamente todas as questões que lhe são apresentadas. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. Responda pela ordem que mais lhe convier, identificando, correctamente, cada uma das respostas. 1. Explique, em que consiste o processo de aprendizagem. 2. O que entende por teorias de aprendizagem? 3. Discuta as teorias de aprendizagem, não se esqueça de fazer menção aos seus precursores. 23 Bibliográfia Básica 1. Gonçalves, Perpétua & Uamusse, Luis. (1997). Proposta da Adequação de programas e métodos de Ensino e Aprendizagem da Leitura para a 1.ª Classe ao Contexto das Zonas suburbanas de Maputo. Maputo: UME; 2. Krashen, Stephen. (s/d). Language acquisition and education, University Southern California; 3. Maciel, Carla A. (1998). Texto de apoio. Maputo: UEM; 4. Mussalim, Fernanda & Bentes, Anna Christina. (2001). Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez; 5. Stern, H. H. (1970). Perspectives on Second Language Teaching. Toronto: Ontario Institute for studies in education; 6. Xavier, M.S. & Mateus, M.H. (1992). Dicionário de termos linguísticos. Vol.2. Lisboa: Edição Cosmos; 7. Saussure, Ferdinand de. (1999). Curso de Linguística Geral. 2.ª Edição. [Trad: José Victor]. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 24 Lição n° 4 Aquisição e aprendizagem da L1 em contexto escolar Introdução Depois de termos falado sobre o processo de aprendizagem e desenvolvimento da língua, bem como das teorias de aprendizagem na lição anterior, essencialmente, nesta, pretende-se que você discuta, de forma minuciosa, os dois processos, aquisição e aprendizagem da L1 em contexto escolar. Ainda nesta lição, além das teorias subjacentes a cada processo, você irá aprender alguns princípios metodológicos da didáctica da L1. Objectivos Ao completar esta lição, você deverá ser capaz de: Distinguir aquisição da aprendizagem; Descrever algumas teorias no âmbito do processo de aquisição e aprendizagem de uma L1; Explicar alguns métodos usados na didáctica de L1; Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 90 minutos para a leitura compreensiva desta lição Terminologia Aquisição e aprendizagem da L1, princípios metodológicos da didáctica da L1. 25 4. Aquisição e aprendizagem da L1 Caro estudante, você definiu o processo de aprendizagem na lição anterior. Ainda se lembra? Aqui irá estudar outro processo, a aquisição. Partindo do pressuposto de que a aquisição da L1 e aprendizagem da L1 e/ou da L2 são processos diferentes, depois de ver o que os autores abordam sobre esta matéria, tente relacionar os dois conceitos, com enfoque nas semelhanças e diferenças. Para Xavier & Mateus (1992: 49), a aquisição da língua é um processo através do qual o indivíduo aprende a sua língua materna, adquirindo as regras de funcionamento dessa língua por simples exposição à sua utilização no contexto em que está inserido. NB: A partir desta perspectiva, entende-se que o termo aquisição só se aplica ao processo natural de interiorização de uma LM. Porém, este pensamento é contraposto por Dias et al. (2009: 82/3)7. Estes referem que, em Moçambique, por exemplo, a aquisição da L1 como um processo inconsciente (como um desenvolvimento da 7 Dias et al. (op. cit) levantam uma série de indeterminações, sobretudo face à imagem que muitos tinham da aquisição como um fenómeno exclusivo à L1. Numa tentativa de desmistificação desta ‘aparente ou efectiva’ indeterminação, sugere-se a análise das visões de outros estudiosos desta matéria. Com efeito, Krashen (s/d: 8), embora alguns teóricos usem estes dois conceitos de um modo afim, refere-se ao facto de estes processos serem antagónicos. Ao longo deste processo (aquisição), o aprendente da L2 não toma consciência do processo em curso, muito menos dos seus resultados. Contrariamente à perspectiva de Krashen (op. cit), que se serve dos binómios ‘consciente’ e ‘inconsciente’ para distinguir a aquisição da L1 da aprendizagem da L2, Mclaughlin (1987: 56/7) recorre aos termos ‘formal’ e ‘informal’. Este autor defende que a expressão aquisição da L2 se refere ao processo em que se adquire uma nova língua, num ambiente natural sem instruções formais. O indivíduo, geralmente, está inserido na comunidade da LA (língua alvo), onde tem a oportunidade de interagir com os falantes nativos, com uma razoável frequência. 26 língua que o indivíduo atinge num contexto social através da interacção) se difere da aquisição da L2 (que é um processo mais consciente da língua), particularmente em situação escolar, onde o ensino da língua é concebido como uma série de actividades, que visam levar a efeito uma aprendizagem, tendo em conta as capacidades, os interesses e as faculdades de atenção e assimilação do aprendente. Pronto! Aqui você vai encontrar a principal diferença entre aquisição e aprendizagem: Podemos notar que a aquisição da L1 resulta de um processo natural de interacção entre o indivíduo e o meio social em que está inserido, usando-se a língua em comunicação significativa, diferindo-se, assim, da aprendizagem, que é resultante da experiência na sala de aula (um processo guiado e orientado), no qual o aprendente é levado a voltar a sua atenção para a forma e aprender as regras gramaticais. A aprendizagem da L2 implica uma situação de aprendizagem ‘formal’, com aprendizagem de regras, correcção de ‘erros’, etc., num ambiente artificial (a sala de aula), no qual um aspecto da gramática é apresentado de cada vez. Em síntese, a hipótese de aquisição/aprendizagem de Krashen é criticada por certos teóricos, como é o caso de Mclaughlin (1987) apud Menezes (op. cit: 563), pelo facto de se colocar a distinção entre a aquisição e aprendizagem na dicotomia processo ‘consciente’ e ‘inconsciente’, visto que nenhum destes processos pode ser verificado empiricamente a ponto de se saber com precisão que se está diante da aquisição ‘inconsciente’ ou da aprendizagem ‘consciente’. NB: Veja as teorias: de (i) universais linguísticos e (ii) do discurso no âmbito da aprendizagem da L1! 27 Entre as diferentes teorias que se podem destacar na aprendizagem da L1, pode se apontar a teoria dos universais linguísticos, tambémconhecida como teoria da gramática universal, segundo a qual existe um comportamento linguístico, biológico e inato, que é comum a todas as pessoas. Os defensores desta teoria refutam a tese da existência de um período crítico, que consiste no atrofiamento do LAD8 no período após a puberdade. Os proponentes desta teoria avançam igualmente que, se todas as pessoas utilizam estratégias universais no processo de aquisição de L1 e de L2, é de esperar que erros semelhantes ocorram nos dois processos. A par da teoria dos universais linguísticos, tem-se a teoria do discurso, que advoga que o indivíduo não só desenvolve a competência na L1 através de um input apropriado, mas também por meio de uma interacção entre falantes nativos e falantes não nativos. 4.1. Princípios metodológicos da didáctica da L1 Depois de ter falado sobre os processos de aquisição e aprendizagem de línguas no ponto anterior, agora você vai poder conhecer alguns procedimentos metodológicos concernentes à didáctica da L1. Mas antes disso, reflicta sobre a questão que se segue: Será que os métodos usados para a didáctica da L2 são os mesmos para o ensino e aprendizagem da L1? Para o ensino da L1 pode-se promover actividades orientadas em dois sentidos, a conhecer: ensino virado para a forma e ensino virado para o conteúdo. O ensino virado para a forma preocupa-se pela estrutura da frase, ou seja, uma boa produção textual, obedecendo às estruturas gramaticais, enquanto o ensino virado para o conteúdo se preocupa pela mensagem veiculada pelos enunciados. 8 Do inglês: language acquisition divice, defendido por Noam Chomsky. 28 Reflexão Agora reflicta: Qual desses métodos é mais ideal para o ensino e aprendizagem da L1? Tome nota! Estudos recentes sobre a Metodologia de Ensino Bilingue em contextos cuja maioria linguística é tratada como minoria (veja- se Patel, 2006; Almeida e Filhos 2007; Beker, 1993; Cavalcanti, 1999; Cummins, 1980) defendem que se deve enveredar pelo ensino virado ao conteúdo, ou seja, pela abordagem comunicativa/competência comunicativa9, que envolve o conhecimento não apenas do sistema linguístico em si como também de outros elementos e/ou formas extralinguísticas, como, por exemplo, o comportamento gestual ou social do indivíduo guiado por aspectos culturais ou morais aceites pela comunidade onde se encontra. Stern (1970: 64) afirma que a presença da L1 no indivíduo, aprendendo uma L2 é um factor que não pode ser ignorado. Este autor refere que as regras e hábitos de uma L1 interferem na aprendizagem da segunda língua. Contudo, o processo de aquisição da L1 pode apoiar-se nos princípios de aprendizagem da L2, se se partir do pressuposto segundo o qual a aprendizagem de uma língua, seja primeira, seja segunda, é sistemática. Neste sentido, a busca pela compreensão da aprendizagem da L1 no contexto escolar tem resultado numa pluralidade de hipóteses, não obstante, a convergência de muitos 9 Assim, do ponto de vista de Metodologias de Ensino de Línguas Moçambicanas, o conceito de abordagem comunicativa emprega-se em situações onde o programa é organizado não somente em termos de elementos gramático-estruturais, mas também, e, talvez, prioritariamente, em termos de como esses elementos estruturais são utilizados para realizar funções comunicativas em eventos de fala, dependendo dos papéis sociais/psicológicos, cenários e tópicos que um grupo de alunos necessite para manusear a língua de maneira apropriada. 29 teóricos no postulado segundo o qual, na aprendizagem da L2 há uma interferência da L1. Veja agora os dois tipos de gramática para o ensino e aprendizagem da L1! Gramática implícita, em que a criança aprende no seu meio social, de uma forma assistemática, isto é, na ausência de um orientador. Esta aprendizagem apresenta algumas vantagens, tais como: privilégio à aprendizagem com o meio social, sobretudo com outras crianças, é uma aprendizagem espontânea em que a criança não se sente inibida. Contudo, o demérito desta aprendizagem consiste na fossilização de erros, na medida em que não existe nenhum orientador para sanar possíveis erros. Gramática explícita – consiste na presença de um orientador (professor), num meio apropriado (escola). Neste caso, a gramática explícita ocorre num contexto formal, a criança adquire a língua e as suas regras, tem um orientador. O ensino desta gramática anda paralelamente com o ensino virado para a forma, onde o professor providencia os materiais de consulta e, conscientemente, o aprendente da L1 adquire a língua na base de regras. A probabilidade de fossilizar estruturas agramaticais é relativamente menor. Porém, nesta aprendizagem, o falante fica limitado às regras, não desfrutando de uma liberdade na produção da linguagem (língua). 30 Resumo da lição De forma resumida, depois de ter aprendido os conteúdos que fazem a lição, você pode concluir que: A aquisição da língua é um processo através do qual o indivíduo adquire a sua língua materna; Aprendizagem é resultante da experiência na sala de aula (um processo guiado e orientado), no qual o aprendente é levado a voltar a sua atenção para a forma e aprender as regras gramaticais. Entretanto, a aquisição de uma L1 e a de uma L2 são processos diferentes. Para o ensino da L1, pode-se promover actividades orientadas em dois sentidos: ensino virado para a forma e ensino virado para o conteúdo. Ainda para o ensino de uma L1, pode-se recorrer a dois tipos de gramática: implícita e explícita. Auto-avaliação Depois de você ter aprendido os princípios metodológicos da didáctica da L1, bem como algumas teorias atinentes ao ensino e aprendizagem da L1, a seguir propomos algumas actividades para você avaliar as suas leituras. Lembre-se, comece por ler atentamente todas as questões que lhe são apresentadas. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. Responda pela ordem que mais lhe convier, identificando, correctamente, cada uma das respostas. 1. O que entende por aquisição de uma L1? 2. Descreva algumas actividades e/ou princípios que podem ser desenvolvidos no âmbito do ensino e aprendizagem da L1. 3. Apresente os pressupostos da teoria dos universais linguísticos, também conhecida como teoria da gramática universal. 31 Bibliográfia Básica 1. Krashen, Stephen. (s/d). Language acquisition and education. California: University Southern California; 2. Maciel, Carla A. (1998). Texto de apoio. Maputo: UEM; 3. Mussalim, Fernanda & BENTES, Anna Christina. (2001). Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez. 33 Unidade 2: Línguas bantu de Moçambique Pág. 34 - 53 Conteúdos U N ID A D E 2 Lição n° 5 35 Classificação das línguas bantu .............................. 35 5. Classificação das línguas bantu ............ 36 5.1. Situação linguística de Moçambique . 38 Lição n° 6 43 Sistema fonético, fonológico e morfossintáctico das línguas bantu .......................................................... 43 6. Sistema fonético, fonológico, morfológico e sintáctico das línguas bantu ..................................................................... 44 Línguas bantu de Moçambique 34 Introdução Continuamos a chamar a sua atenção, pois, nesta unidade, você irá encontrar conteúdos que abordam aspectos ligados às línguas bantu, concretamente as faladas em Moçambique. Nela, irá conhecer a estrutura e funcionamento destas línguas, facto que lhe irá permitir uma maior abordagem e descrição sobretudo da sua língua materna. Além destesconteúdos, no geral, você irá conhecer a situação linguística de Moçambique. Objectivos da unidade Ao terminar esta unidade, você deve ser capaz de: Descrever as características das línguas bantu; Classificar as línguas bantu faladas em Moçambique; Descrever a situação linguística de Moçambique; Descrever o sistema fonético, fonológico e morfossintáctico das línguas bantu, bem como o sistema ortográfico padronizado das línguas bantu. Tome nota Terminada a unidade, você desenvolverá as seguintes competências: Descreve as características das línguas bantu; Classifica, com base nalgumas perspectivas, as línguas bantu faladas em Moçambique; Descreve o sistema fonético, fonológico e morfossintáctico das línguas bantu, bem como o sistema ortográfico padronizado das línguas bantu. 35 Lição n° 5 Classificação das línguas bantu Introdução Para você conduzir o processo de ensino e aprendizagem na sua L1 precisa, antes de tudo, de conhecer o funcionamento da língua em questão. Tente, na medida do possível, concentra-se, uma vez que os conteúdos desta lição envolvem conhecimentos profundos da linguística teórica e africana, todos eles aprofundados em cursos de linguística. De forma resumida, nesta lição, você encontrará duas perspectivas no âmbito da classificação das línguas africanas, a genealógica e a tipológica e a situação linguística de Moçambique. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Descrever bases teóricas que impulsionaram a expansão de línguas bantu; Classificar as línguas bantu a partir de várias teorias; Conhecer a situação linguística de Moçambique. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 60 minutos para o estudo desta lição. Terminologia Línguas bantu, classificação de línguas bantu, situação linguística de Moçambique. 36 5. Classificação das línguas bantu Caro estudante! Antes de você ver a classificação das línguas africanas, veja o que alguns estudiosos sistematizaram no início do século XIX. No início do século XIX, vários estudiosos de Linguística Bantu (cf. Edwin Norris, Adrien Balbi, Liechtenstein, Lepsius, F. Muller, W. Bleek, D. F. Bleek, Westermann, C. Meinhof, A. Werner, A. Drexel, Sir Johnston, Doke) sistematizaram, em diversas publicações, as relações genéticas entre línguas africanas, classificando-as em famílias, sub-famílias, zonas, grupos, etc., e estabeleceram as suas bases estruturais, quer ao nível fonético- fonológico, morfológico, quer ao nível morfosemântico de itens lexicais e gramaticais. Quais são os métodos usados para a classificação das línguas africanas? Quando se fala de classificação das línguas africanas, no quadro da linguística comparativa, destacam-se, sobretudo, dois métodos, nomeadamente, tipológico e genealógico, ou seja, as duas mais importantes classificações das línguas africanas são de Guthrie (1967/71) que é tipológica e a de Greenberg (1955) que é genealógica. a) Método genealógico: A hipótese básica para a classificação genealógica é que, no passado, diversas línguas tinham sua origem numa única proto-língua e, para determinar relações genealógicas, era preciso comparar a forma e o significado dos morfemas lexicais e gramaticais dessas línguas. É neste contexto que Greenberg (1955) estabelece (4) famílias10, sendo 10Greenberg classifica e divide as línguas africanas em 4 principais famílias, sub- famílias e grupos. Relativamente à família temos: (i) línguas afro-asiáticas, também designadas por camítico-semíticas, esta cobre toda a África do Norte, 37 a família Níger-Kordofaniano a que o grupo Bantu pertence, que se estende desde a África Central l, Oriental até à Meridional. Em conformidade com a perspectiva de Greenberg (1955), as línguas bantu faladas em Moçambique pertencem à família Congo- Kordofaniano, sub-família Níger-Congo. Em Moçambique, ainda que não haja consenso sobre o número exacto de línguas Bantu, dados de vários autores indicam cerca 20 línguas com ortografia padronizada que são faladas em todas as províncias. Agora vamos praticar! Você acaba de aprender a visão de Greenberg sobre a classificação das línguas africanas. Ora vejamos! Como poderíamos, por exemplo, classificar ou estabelecer a relação genética do dialecto Xikhambani, falado no Distrito de Panda na província de Inhambane? Veja o esquema que se segue: Família Congo-Kordofaniana Sub-família Níger-Congo Grupo de línguas Bantu Língua Citshwa Dialecto Xikhambani b) Método tipológico: Guthrie (1967-71) classificou as línguas Bantu faladas em Moçambique em quatro zonas, nomeadamente: Zona G, P, N e S. segundo Ngunga (2004), de acordo com esta classificação, existem (8) grupos linguísticos (Swahili, Yao, Makhuwa-Lomwe, Nyanja, Nsenga-Sena, Shona, Copi e Tswa-Ronga e o número de línguas Etiópia, Somália e uma parte da Tanzânia. Esta família divide-se em 5 sub- famílias, igualmente diferenciadas, designadamente, o berbere, o egípcio antigo, o cuxítico, o semítico e o chádico; (ii) Congo-Kordofaniano; (iii) família Nilo- sahariana, e (iv) por fim, família khoi-san. 38 varia de grupo para grupo, uma vez que nem todas línguas moçambicanas foram inventariadas por Guthrie. Observe alguns exemplos: De acordo com esta classificação, vamos codificar algumas línguas bantu faladas em Moçambique11: Citshwa (S.51) Cicopi (S/61) Emakhuwa (P.31) Xirhonga (S.54) Gitonga (S.62) Cindau (S.15) Ciwute (S.13b) Cinyanja (N.31) Shimakonde (P.23) Kimwani (G.45) Ciyaawo (P.21) Cisena (N.44) Xichangana (S.53) Depois de você ter visto os dois métodos usados na classificação das línguas africanas, com enfoque às línguas bantu faladas em Moçambique, chamamos, a seguir, a sua atenção, para uma análise detalhada da situação linguística de Moçambique. 5.1. Situação linguística de Moçambique Moçambique é, tal como a maioria de países africanos, um país multilingue e multicultural. De acordo com Ngunga et al. (2011: 1), dados do Recenseamento Geral da População realizado em 2007 indicam que as línguas africanas do grupo Bantu continuam a constituir o principal substracto linguístico de Moçambique por serem línguas maternas de mais de 80% de cidadãos de cinco anos de idade ou mais. Os mesmos dados indicam que cerca de quinze milhões de moçambicanos de cinco ou mais anos de idade (10.8%) falam português como língua materna e (0.23%) falam línguas estrangeiras 11 (cf. Ngunga, 2004: 46/8) 39 que não são especificadas. Porém, INE (2010)12 ilustra que além do Português, de línguas Bantu, de línguas de origem estrangeira, línguas ‘não conhecidas’, as línguas de Sinais são usadas como línguas maternas por pessoas de 5 ou mais anos de idade. Veja-se a tabela a seguir: Tabela 1: Distribuição de línguas faladas por população de 5 ou mais anos de idade Nº Língua Fala ntes % Província onde se fala 1 Makhuw a 4.097.788 26. 1 Cabo Delgado, Nampula, Niassa, Sofala Zambézia 2 Portugu ês 1.693.024 10. 8 Todas as províncias de Moçambique 3 Changa na 1.660.319 10. 5 Gaza, Maputo, Maputo Cidade, Inhambane, Niassa 4 Sena 1.218.337 7.8 Manica, Sofala, Tete, Zambézia 5 Lomwe 1.136.073 7.2 Nampula, Niassa, Zambézia 6 Nyanja 903.857 5.8 Niassa, Tete, Zambézia 7 Chuwab o 716.169 4.8 Zambézia, Nampula, Sofala 8 Ndau 702.464 4.5 Manica, Sofala 9 Tshwa 693.386 4.4 Inhambane, Gaza, Maputo, Sofala 10 Nyungw e 457.292 2.9 Manica, Tete 11 Yaawo 341.796 2.2 Niassa, Cabo Delgado 12 Copi 303.740 1.9 Gaza, Inhambane, Maputo, Cidade de Maputo 13 Makond e 268.910 1.7 Cabo Delgado 14 Tewe259.790 1.7 Manica 15 Rhonga 235.829 1.5 Gaza, Maputo, Cidade de Maputo, Inhambane 16 Tonga 227.256 1.5 Inhambane, Gaza, Maputo, Cidade de Maputo 17 Manyika 133.961 0.9 Manica 18 Cibalke 112.852 0.7 Manica 19 Mwani 77.915 0.5 Cabo Delgado 20 Koti 60.771 0.4 Nampula 21 Shona 35.878 0.2 Manica 22 Swahili 15.255 01. Cabo Delgado 12 Cf. Ngunga et al. (op. cit: 15). 40 23 Língs. de sinais 7.503 0.0 5 Todas as províncias 24 Outras língs. 310.259 2.0 Todas as províncias Total 15.670.424 10 0 Todas as províncias Fonte: Cf. Ngunga et al. (op. cit) Agora você sabe por que Moçambique é um país plurilingue! Tome nota Em Moçambique, o multilinguismo, tal como mostra a tabela, está relacionado com a coexistência de várias línguas. Em Moçambique, a língua portuguesa coexiste quer com línguas pertencentes ao grupo Bantu (p. e., Emakhuwa, Xirhonga, Xichangana, Citshwa, Cibalke, Ciyaawo, etc.), quer com línguas de origem asiática (Urdo, Gujarati, etc.), quer ainda com as línguas das ex-colónias britânica e francesa (Inglês e Francês, respectivamente). Além destas línguas, são faladas línguas de sinais pela população. 41 Resumo da lição Moçambique é um país plurilingue, visto que apresenta uma diversidade linguística, onde coexistem várias línguas. As línguas bantu faladas em Moçambique são codificadas por Guthrie (1967-71) tendo em conta as respectivas zonas, grupos e sub-grupos. Por seu turno, estas línguas pertencem à família Congo-Kordofaniano, sub-família Níger- Congo e grupo bantu. Auto-avaliação Depois de você ter aprendido os métodos usados para a classificação das línguas bantu, situação linguística de Moçambique, resolva as actividades que se seguem para avaliar as suas leituras. Lembre-se, comece por ler atentamente todas as questões que lhe são apresentadas. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. Responda pela ordem que mais lhe convier, identificando, correctamente, cada uma das respostas. 1. Descreva a situação linguística de Moçambique. 2. Com base na perspectiva de Greenberg (1955), classifique, genealogicamente, a sua língua materna. 3. Situe, nos códigos de Guthrie, as línguas: Cicopi, Xichangana, Ciyaawo, Ekoti e Xirhonga. 42 Bibliográfia Básica 1. Angenot, Geralda & Amaral, Gustavo (s/d). Classificação tipológica e genealógica das línguas africanas. Universidade Federal de Randónia; 2. Cole, Desmond. (1971). “The history of African linguisti cs to 1945”. In: Current trends in linguistic: linguistic in sub-saharan Africa. (Ed: Thomas Sebeok). Paris: Mouto n; 3. Greenberg, J. H. (s/d). Classificação das línguas da África. Parte I. (s/l). 4. Guthrie, M. (1967/71). The Classification of the Bantu L anguages. London: IAI; 5. Ngunga, A. (2004). Introdução à Linguística Bantu. Maputo: UEM - Imprensa Universitária; 6. Ngunga, A. & Bavo, Názia. (2011). Práticas linguísticas em Moçambique: avaliação da vitalidade linguística em seis distritos. Maputo: CEA. Colecção as Nossas Línguas IV; 7. Firmino, Gregório. (2002). A Questão Linguística na África Pós-Colonial: O caso do Português e das Línguas Autóctones em Moçambique. Maputo: Promédia. 43 Lição n° 6 Sistema fonético, fonológico e morfossintáctico das línguas bantu Introdução Nesta lição, você vai aprender conteúdos concernentes ao sistema fonético, fonológico e morfossintáctico das línguas bantu faladas em Moçambique, bem como o sistema da sua ortografia padronizada. Durante a disciplina Introdução aos Estudos Linguísticos, certamente que você teve noções básicas de fonética (estudo dos sons da fala humana), fonologia (estudo particular do sistema e/ou função dos sons), morfologia (estudo da palavra) e sintaxe (estudo da estrutura da frase). A partir dessas noções, aqui você irá descrever essas áreas da gramática com base na sua L1. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Descrever as características das línguas bantu; Conhecer o sistema fonético, fonológico, morfológico e sintáctico das línguas bantu; Conhecer os princípios que regem a ortografia padronizada das línguas bantu. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 60 minutos para o estudo desta lição. Terminologia Fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e ortografia de línguas bantu. 44 6. Sistema fonético, fonológico, morfológico e sintáctico das línguas bantu Antes de se avançar ao estudo do sistema fonético, fonológico, morfológico e sintáctico das línguas bantu, veja algumas características destas línguas: Tal como descreve Sitoe (2010)13, através da amostra de Doke (1935), as línguas bantu caracterizam-se pelo facto de apresentarem: NB: Os exemplos que lhe apresentamos a seguir são do Citshwa (S.51) Prefixos monossilábicos: munhu ‘pessoa’ mu- nhu (classe 1); Dissilábicos: vumunhu ‘ser pessoa’ vu- mu-nhu (classe 2); Formação do locativo por sufixação: cimasa ‘almofada’ + ini (suf. Loc) = cimaseni ‘na almofada’; Formação do diminutivo por sufixação: mwana ‘filho’ +a (na) = cimwanana ‘criancinha’; Sistema de género gramatical apresenta um mínimo de 5, onde a marca de género é um prefixo, pelo qual as palavras podem ser distribuídas por classes, cujo número geralmente varia de 10 a 20; Não há correlação entre género e sexo; O tom das bases do singular não muda no plural; Fonologia complexa envolvendo implosivas fricativas laterais e cliques; Sistema tonal geralmente complexo; As bases nominais são muitas vezes formadas de verbos através de um processo de derivação; Os radicais verbais podem ser expandidos por meio de sufixos derivacionais (extensões verbais), (cf. Sitoe, op. cit). a) Sistema fonético-fonológico 13 Com base em Canonici (1991); Guthrie (1948); Sitoe (1990), (1996), (2009). 45 Em muitas línguas bantu, ocorrem as (5) vogais fonémicas [a, e, i, o, u], cuja distribuição ocorre dentro das específicas características morfológicas e nos domínios dos traços prosódicos. Além destas vogais, são frequentes vogais longas, que são condicionadas fonologicamente. Nalgumas línguas, o alongamento pode, ainda, desempenhar uma função demarcativa. Veja, a seguir, alguns exemplos de Citshwa extraídos de Gundane (2015). (1) Distribuição das (5) vogais fonémicas /a/ yèná ‘ele’ pàpílò ‘carta’ /e/ zwóntlè ‘tudo’ kùtèkà ‘levar’ /i/ kùhàntlísà ‘andar depressa’ kwàtínì ‘no mato’ /u/ mákùngò ‘segredo’ kùkùmà ‘encontrar’ /o/ tìsòkòtì ‘formigas’ vhólò ‘cobertor’ (2) Distribuição das vogais longas em Citshwa /a/ (i) màmbà [mà:mbà] ‘cerimónia tradicional’ (ii) fámbà [fá:mbà] ‘imperativo do verbo andar’ (iii) lènìyá [lènìjá:] ‘pronome/além’ /u/ (iv kùkùmà [kùkù:mà] ‘encontrar’ 46 /e/ (v) khálé [kálé:] ‘ adv. tempo’ NB: Caro estudante, depois de ter visto a distribuição das (5) vogais fonémicas, lembre-se que, além das vogais, fazem parte dos sons da fala humana as consoantes. Por isso, com base nalgumas línguas, traremos alguns exemplos destes sons. Aliás, o número de consoantes das línguas moçambicanas varia de língua para língua. Estas consoantes sofrem modificações e/ou alterações, de entre elas, há que assinalar a nasalização, a aspiração, a africatização e a velarização. Os dados que se seguem abaixo foram extraídos de Ngunga (2004). Um grupo de 19, dos mais comuns, que são: [b, c, d, f, j, k, l, m, n, ny, p, r, s, t, v, w, y, z]; Um grupo de 8 que só ocorrem em algumas línguas e cuja representação escrita nas línguasem que ocorrem é variável. São eles: [ng’/n’ nasal velar; sv/sw, fricativa alveolar labializada não vozeada; zv/zw, fricativa alveolar labializada vozeada retroflexa; vh/vb, fricativa bilabial vozeada; bz/by, africada lábio-alveolar vozeada; x/sh, fricativa alveopalatal não vozeada; xj/zh, fricativa alveopalatal vozeada; lh/ly, aproximante lateral palatal. Em relação à fonologia supra-segmental, em muitas línguas bantu, o tom desempenha a função distintiva ao nível do léxico, distinguindo os significados de palavras. O Tom pode, também, desempenhar a função gramatical, ao estabelecer certos aspectos gramaticais (posse/tempo verbal/negação/afirmação, etc.). 47 Veja, a seguir, alguns exemplos do Xichangana extraídos de Langa (2012). (i). jùzè [SVarivale vélé] -josé 1-esquecer-PSD 5-seio EXEMPLOS DE TOM LEXICAL “o José esqueceu-se do seio” (ii) . jùzè [SVarivale mávèlé] josé 1-esquecer-PSD 5-milho “O José esqueceu-se do grão de milho” a. lèrì i [khèle] “este é um buraco” b. lèrì i [khele] “este é um sapo” Lembra-se do que dissemos anteriormente em relação à função do tom? O tom pode ser também gramatical. Concentre-se agora nos exemplos de Citshwa que foram extraídos de Ugembe (2011). (i) [átàfá:mbà] ‘ele irá’ (ii) [àtàfà:mbà] ‘ele iria’ (iii) [áhígì] ‘comamos’ (iv) [àhìgì] ‘não comemos’ (v) [áwílè] ‘caiu’ (vi) [àwìlè] ‘caíra’ b) Sistema morfológico 48 Tome nota: uma das particularidades que se substancia às línguas bantu é a forma como a estrutura dos nomes é organizada. Estes são, gramatical e sistematicamente, organizados, tendo em conta os padrões regulares de concordância nas suas formas; geralmente designados por classes nominais. Trata-se de uma teoria, primeiramente, sistematizada por Bleek (1862), que se baseou na classificação de nomes em função dos seus significados e dos seus prefixos de concordância. No que tange à morfologia nominal14, em bantu, os nomes estão organizados de uma forma sistemática em prefixos que indicam tanto o género como o número. Por um lado, os prefixos nominais desempenham uma função primária em contextos semânticos não derivados e, por outro lado, desempenham uma função secundária quando se afixam a outros prefixos primários, alterando-lhes o seu sentido semântico. Preste atenção aos exemplos de classes nominais de Cinyanja: Exemplo 1 Mu- Munthu ‘pessoa’ 2 Va- Wa/a- Anthu ‘pessoas’ 3 Mu- M´ntengo ‘arvore’ 4 Mii- Mitengo ‘arvores’ 5 li- Lindanda ‘ovo’ 6 Ma- Mandanda ‘ovos’ 7 Ki- ci- Cimanga ‘massaroca’ 8 Vi- Zi/vi Vimanga ‘massarocas’ 14 M. Guthrie, baseado sobretudo na classificação de nomes em função dos seus significados e dos prefixos de concordância, fez um trabalho que consistiu na classificação e atribuição de prefixos aos nomes de acordo com os padrões de sua concordância e dos significados entre as diversas línguas bantu faladas em África. Geralmente, o termo ‘prefixo’ é usado em estudos de Linguística Bantu para se referir exclusivamente aos elementos de concordância entre nomes e verbos, ainda que neste texto se faça menção apenas às classes nominais independentes, exceptuando-se as dos verbos. 49 9 Ni- N- Ndewu ‘luta’ 10 li- N- Ndewu ‘luta’ 11 Lu 12 ka- Katunji ‘sombra (pequena)’ 13 tu- Tunji ‘sombra’ 14 Vu- u- Utsi ‘fumo’ 15 Ku- Kuyenda ‘andar’ 16 Pa- Pamunda ‘na machamba’ 17 Ku- Kunyumba ‘ir para casa’ 18 Mu- Musukulo ‘dentro da escola’ 19 Pi- - - No quadro da morfologia verbal, Hyman (2007) problematiza a natureza do verbo do PB, com um argumento segundo o qual o verbo, paralelamente à proposta de Meeussen (1967), apresenta uma estrutura complexa, fazendo parte dela o pré-tema e o tema. Por sua vez, o tema subdivide-se em base (radical e extensões verbais) e uma vogal final; quer dizer, o tema funciona como um constituinte ao nível do PB de que constam, obrigatoriamente, (i) a raiz e/ou radical, (ii) as extensões opcionais, prefixos e sufixos, sejam derivacionais, sejam flexionais e (iii) a vogal final (flexão obrigatória). Por isso, em muitas línguas Bantu, as marcas de sujeito, negação, tempo, objecto, aspecto, modo, etc., associam-se ao tema verbal. Veja-se o esquema abaixo: Veja o esquema proposto por Ngunga (2000) para o estudo da morfologia das línguas bantu Ngunga (2000: 87), a partir da proposta de Meeussen (1967), apresenta uma estrutura complexa, mostrando todos os elementos que constituem o verbo, como se pode ver no esquema a seguir: 50 Figura 1: Estrutura da unidade do verbo Verbo Pré-tema Macro-Tema Tema F Tema D Prefs [[PI-MS-PS] MO Raiz Sufs [Exts VF] Ngunga (2000: 87) Nesta estrutura Tema F corresponde ao tema flexionado; Tema D ao tema derivado; MS – marca de sujeito; PS – pós - sujeito; PI: pré-inicial; MO – Marca de objecto; Exts – extensões verbais; VF – vogal final, também chamada vogal terminal. Como se pode ver, o verbo em bantu compreende uma série de prefixos na posição do pré-tema. O macro-tema inclui as marcas de objecto e morfemas flexionais que comportam a raiz e a vogal final. O tema derivacional é uma estrutura opcional que inclui a raiz ou radical e sufixos derivacionais, (Ngunga, op. cit. p. 87/8). c) Sistema sintáctico Geralmente, nas línguas bantu, o sintagma nominal compreende [nome + modificador]. Os sintagmas nominais podem ser: i) por concordância (adjectivação/genitivização/relativização); ii) por justaposição (oposição/complementação). iii) Quanto à estrutura do sintagma nominal, pode-se concluir que, de forma geral, os modificadores ocorrem depois do núcleo, (veja-se Ngunga, 2004). 51 Atenção Em relação à ortografia, Visto que muitas línguas bantu fazem o contraste tonal, actualmente, discute-se a questão da marcação do tom na sua ortografia. Assim, sublinha-se a necessidade de marcação do tom em todas as ortografias padronizadas. Resumo da lição Quer as vogais, quer as consoantes, estes sons sofrem vários processos fonológicos em diversos contextos da sua ocorrência. As línguas bantu apresentam um sistema morfológico complexo por serem aglutinantes. Todos os morfemas flexionais e derivacionais são aglutinados ao verbo. Muitas línguas bantu podem, nos seus padrões de concordância na estrutura da frase, apresentar a sequência SVO, SOV, ou ainda VSO, contudo, quando se trata, sobretudo, de topicalizar o discurso. 52 Auto-avaliação Você aprendeu o funcionamento do sistema fonético, fonológico, morfológico e sintáctico das línguas bantu, no geral. Teste as suas leituras, resolvendo as actividades que lhe propomos abaixo. Leia atentamente todas as questões que lhe são apresentadas. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. Responda pela ordem que mais lhe convier, identificando, correctamente, cada uma das respostas. 1. Descreva (5) características gerais das línguas bantu. 2. O que entende por vogais longas? Dê 2 exemplos. 3. Descreva o sistema fonético-fonológico, morfológico e sintáctico das línguas bantu. 4. Por que é que as línguas bantu são aglutinantes? 5. Como é que os nomes são organizados em bantu? Bibliográfia Básica 1. Gundane, Lucério (2015). Morfologia e Fonologia Lexical em Citshwa. Nampula: UP [dissertação de mestrado não publicada]; 2. Guthrie, Malcolm (1956). “Observações sobre classes nominais nas línguas Bantu”. In Boletim da Escola Oriental e Estudos Africanos. Vol. 18. N. 3. Universidade de Londres. pp. 545-555; 3. Guthrie, Malcolm(1967/71). The Classification of the Bantu Languages. London: IAI; 53 4. Hyman, Larry (2007). “Reconstructing the Proto- Bantu Verbal Unit: Internal Evidence”. In Workshop Papers in Linguistics. Berkeley: Califórnia. Vol. 15; 5. Macalane, Geraldo L. (2013). A variação paramétrica das interrogativas parciais em Cinyanja. Maputo: UEM – CEA; 6. Miti, Lazarus. (2006). Comparative Bantu phonology and morphology: a study of the sound system and vowel structure of the indigenous languages os Southern Africa. Cape Town: CASAS; 7. Mutaka, Ngessimo & Tamanji, Pius. (2000). An Introduction to African Linguistics. (S/l): Lincom Europa; 8. Ngunga, Armindo & Faquir, Osvaldo. (2011). Padronização da ortografia de línguas moçambicanas: relatório do III seminário. Maputo: CEA – UEM; 9. Ngunga, Armindo & Faquir, Osvaldo. (2011). Padronização da ortografia de línguas moçambicanas: relatório do III seminário. Maputo: CEA – UEM; 10. Ngunga, Armindo (2000). Phonology and morphology of the ciyao verb. Califórnia: CSLI; 11. Ngunga, Armindo (2004). Introdução à linguística bantu. Maputo: Impressa Universitária; 12. Ugembe, Zeferino. (2011). O tom verbal em Xitshwa. UEM: Maputo. [dissertação de mestrado não publicada]. 55 Unidade 3: O Currículo das línguas bantu no ensino primário em Moçambique Pág. 56 - 82 Conteúdos U N ID A D E 3 Lição n° 7 57 O Currículo das línguas bantu no ensino primário em Moçambique ............................................................. 57 Motivações da introdução das línguas bantu no ensino primário em Moçambique ....................................................... 58 7.1. Razões linguístico-pedagógicas.......... 60 7.2. Razões culturais e identitárias ........... 61 7.3. A língua como direito ............................. 62 Lição n° 8 66 Educação bilingue: breve contextualização ........ 66 8. Educação bilingue: breve contextualização .............................................. 67 8.1. Modelos de educação bilingue ............. 69 8.1.1. Modelo transicional (assimilacionista) .............................................. 71 8.1.2. Modelo de manutenção (pluralístico) ...................................................... 73 8.2. Uma reflexão sobre o modelo de educação bilingue adoptado em Moçambique ........................................................ 74 8.3. Noção de diglossia .................................. 79 O Currículo das línguas bantu no ensino primário em Moçambique 56 Introdução Na unidade anterior você aprendeu conteúdos ligados não só à classificação das línguas africanas, como também à estrutura das línguas bantu, desde o sistema fonético até ao sintáctico. Pôde, igualmente, conhecer a situação linguística de Moçambique. Nesta unidade, essencialmente, você vai poder descrever o currículo da língua bantu vigente em Moçambique, com vista a ter uma visão ampla sobre o programa de educação bilingue adoptado em Moçambique com a reforma curricular do ensino básico de 2003. É, ainda, nesta unidade, onde você irá adquirir conhecimentos para uma melhor discussão sobre as políticas de educação bilingue. Objectivos da unidade Ao completar esta unidade, você será capaz de: Fornecer um quadro teórico à luz da educação bilingue em Moçambique; Descrever os tipos de bilinguismo; Conhecer as motivações e factores inerentes à introdução das línguas Bantu no ensino básico em Moçambique; Compreender a essência do conceito ‘diglossia’ no âmbito do bilinguismo social. Tome nota Terminada a unidade, você desenvolverá as seguintes competências: Descreve o currículo da língua bantu em Moçambique; Descreve os tipos de bilinguismo; Define educação bilingue com base nalgumas abordagens; Reflecte sobre as motivações e factores inerentes à introdução das línguas Bantu no ensino básico em Moçambique; Compreende a essência do conceito ‘diglossia’ no âmbito do bilinguismo social. 57 Lição n° 7 O Currículo das línguas bantu no ensino primário em Moçambique Introdução Caro estudante, por um lado, nesta lição você vai conhecer os principiais motivos que estão por detrás da introdução das línguas bantu no sistema nacional de educação. Por outro lado, através de um quadro sistemático, você irá descrever o currículo da língua bantu vigente em Moçambique. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Compreender a filosofia e a necessidade da introdução da educação bilingue em Moçambique; Conhecer as motivações da introdução das línguas bantu no ensino primário em Moçambique; Explicar o modelo de educação bilingue adoptado em Moçambique. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 110 minutos para o estudo desta lição. Terminologia Motivações da introdução das línguas bantu, currículo da língua bantu 58 Motivações da introdução das línguas bantu no ensino primário em Moçambique Antes de você proceder à leitura, concentre-se nas seguintes questões e tente encontrar as possíveis respostas: Por que Moçambique decidiu introduzir as línguas bantu no ensino primário? Será que o uso das línguas bantu no ensino melhora o aproveitamento pedagógico dos alunos? A maior parte dos alunos quando ingressa na escola já tem desenvolvido a competência comunicativa básica nas suas línguas maternas/locais. Assim, a utilização das línguas moçambicanas na escola tem, por objectivo, desenvolver as competências que os alunos já possuem para a iniciação à leitura e escrita, desenvolver outras habilidades e assegurar a valorização dos conhecimentos e da cultura que estas línguas veiculam, (MINED, 2003, p. 37). Veja as primeiras experiências! Em Moçambique, através do INDE, foi levado a cabo um projecto de experimentação da educação bilingue no ensino básico, denominado PEBIMO15. A experimentação começou a ser delineada em 1990, tendo iniciado a sua implementação em 1993 com a introdução da 1.ª classe, envolvendo 5 escolas nas províncias de Tete (Cinyanja/Português) e em Gaza (Xichangana/Português), com quatro turmas em cada província, (Benson, 1998, p. 279). 15 Refira-se que o modelo adoptado pelo projecto era de transição (Cf. Benson, 1998, p. 281). 59 Neste modelo de transição ‘precoce’16, confirma MINED (op. cit: 133/4) que, no primeiro ciclo (1.ª e 2.ª classes), a L1 é o único meio de instrução até 3.ª classe. A L2 é ensinada como disciplina para o desenvolvimento de habilidades como oralidade. No segundo ciclo (3.ª, 4.ª e 5.ª classes), inicia-se o processo gradual de transição do meio de instrução de L1 para L2, através de transferência de habilidades adquiridas na L1. Todavia, a partir da 4.ª classe, a L2 passa a desempenhar o papel de meio de instrução e a L1 apenas como auxiliar em disciplinas como Matemática, Ciências Naturais, Ciências Sociais. Finalmente, no terceiro ciclo, (6.ª e 7.ª classes), a L2 é o único meio de instrução e espera-se que os alunos já possuam um bom nível de desempenho. Neste ciclo, a L1 será leccionada apenas como disciplina, mas servirá como auxiliar do processo de ensino-aprendizagem, à semelhança do que acontece no 2º ciclo. Atenção Tome nota: Olhando atentamente para esta descrição do programa da língua bantu adoptado em Moçambique, você pode concluir que o nosso país optou pelo modelo transicional com algumas características de manutenção, de forma a garantir o desenvolvimento de um ‘bilinguismo aditivo’ nos alunos. MINED (op. cit: 130) sustenta que a educação bilingue em Moçambique visa alcançar objectivos puramente linguístico-pedagógicos, culturais e identitáriose de direitos humanos do indivíduo. Ou seja, conferem Chimbutane & Stround (2011: 5) que se espera que o uso das línguas moçambicanas contribua para a melhoria da 16 Early-exit transition model, (Veja-se Chimbutane & Stround, op. cit, p. 5). 60 qualidade de educação, afirmação cultural e respeito pelo direito das crianças de aprenderem numa língua que conheçam e dominem. A introdução das línguas moçambicanas no ensino básico assenta em razões de natureza linguístico-pedagógica, cultura e identitária e de direitos humanos. Do ponto de vista estratégico, observando-se o factor diversidade linguística, a educação bilingue em Moçambique reside nas três modalidades, nomeadamente: línguas locais como meio de ensino e aprendizagem; como disciplina opcional em programas monolingues em que o Português é o meio de ensino; e como língua de recurso (MINED, 2003, p. 126/7). Agora você deve concentra-se nas três motivações atinentes à introdução das línguas bantu no currículo do ensino primário em Moçambique. Veja as razões: 7.1. Razões linguístico-pedagógicas O aluno, ao entrar, pela primeira vez, na escola, já tem as competências básicas na sua língua materna. Ele já terá aprendido quase todo o sistema de sons e estruturas gramaticais da sua língua e pode comunicar. Consequentemente, o aluno desenvolverá com mais facilidade as habilidades cognitivas nesta língua. Os pressupostos linguístico-pedagógicos para a introdução das línguas moçambicanas no ensino básico incidem tanto no aluno como no professor: (i) No aluno: quando o aluno tiver adquirido habilidades cognitivas e linguísticas na L1, e quando tiver as habilidades básicas de comunicação na L2, pode transferir todas habilidades cognitivas e linguísticas para L2; ii) No professor: este tem mais auto-confiança para conduzir o processo de ensino e aprendizagem numa língua em que é falante nativo e os alunos podem entender. Neste processo de 61 ensino e aprendizagem, o professor funciona como mediador cultural, e facilitador, usando o seu entendimento da língua e cultura da comunidade para encorajar os alunos e ajudá-los a aprender a língua segunda. 7.2. Razões culturais e identitárias Na opinião de alguns estudiosos, o maior fracasso da educação contemporânea tem sido, precisamente, a incapacidade de os curricula contemplarem a complexidade etnolinguística dos alunos, das comunidades e da sociedade, de tal maneira que se possa tomar decisões acertadas sobre a língua e a cultura, na elaboração dos programas e nas aulas. Assim, os pressupostos de natureza cultural e identitária para a introdução das línguas moçambicanas no ensino básico são os seguintes: i) As decisões sobre o ensino das crianças não se podem limitar a temas pedagógicos, mas devem, também, incluir as questões linguístico-culturais que rodeiam o bilinguismo e o ensino bilingue. Mesmo os professores monolingues, se não estiverem preparados para desenvolver o bilinguismo e a biliteracidade dos alunos, não poderão apoiar devidamente o processo de aquisição/aprendizagem de uma língua segunda. ii) A língua não é somente um instrumento de transmissão de mensagens é, também, um veículo de transmissão de valores culturais. Num processo de ensino-aprendizagem, a não observância da relação língua/cultura pode provocar uma descontinuidade entre os valores que a criança leva para a escola e os valores adquiridos na mesma. Portanto, a opção pelo uso da língua materna (em fases iniciais de aprendizagem) que representam a cultura doméstica familiar, os valores tradicionais e a experiência dos professores em paralelo com a língua portuguesa é a ideal. 62 7.3. A língua como direito A aprendizagem inicial na língua materna é, também, vista como um direito do indivíduo, neste caso particular, da criança, (UNESCO, 1953). Nesta perspectiva, o pressuposto para a educação bilingue é de que se o indivíduo não tem a possibilidade de comunicar na sua língua, está, então, excluído do processo de ensino-aprendizagem que se baseia, essencialmente, na comunicação. O dia-a-dia da criança na escola torna-se penoso, contribuindo para o desenvolvimento de um sentimento de baixa auto-estima. O quadro que se segue mostra a aplicação do modelo de ensino bilingue transicional com a manutenção da L1 no ensino básico em Moçambique. Tabela 2: Programa de ensino bilingue no ensino primário em Moçambique Quadro de aplicação do modelo de ensino bilingue transicional com a manutenção da L1 Classe Língua materna moçambicana Português 1ª 90% Alfabetização inicial Controlo da turma, comunicação essencial Meio de ensino: todas as disciplinas 10% Oralidade (comunicação) Instruções rotineiras na sala (sentem-se, levantem-se, senta-te, mostra-me, põe-te em fila...) Meio de ensino, às vezes, quando o contexto é claro (Ed. Física, Ed. Visual e Tecnológica). 2ª 75% Leitura/Escrita Comunicação Meio de ensino: maioria das disciplinas. 25% Oralidade (comunicação) Instruções rotineiras na sala, controlo da turma Meio de ensino: Ed. Física e, Ed. Visual e Tecnológica e às vezes Matemática. 3ª 60% Classe de transição Transferência das habilidades de Leitura e Escrita da L1 para L2. 40% Classe de transição Transferência das habilidades de Leitura e Escrita da L1 para L2. 63 Leitura/Escrita Comunicação Meio de ensino: muitas disciplinas. Introdução à Leitura/Escrita Instruções rotineiras e controlo da turma Meio de ensino: algumas disciplinas. 4ª 40% Leitura/Escrita Comunicação Introdução à literatura Meio de ensino: algumas disciplinas quando a matéria é nova e como recurso para explicar algumas noções. 60% Oralidade (comunicação) Desenvolvimento da leitura/escrita Meio de ensino: maioria das disciplinas. 5ª 25% Leitura/Escrita Comunicação Literatura Meio de ensino usando o método Prever- Rever (matéria nova). 75% Consolidação da leitura e escrita Introdução à literatura Desenvolvimento da oralidade Meio de ensino: quase todas as disciplinais. 6ª 20% Disciplina Leitura/produção escrita Desenvolvimento de vocabulário Literatura Recurso na sala de aula quando a matéria é nova ou para explicar algumas noções. 80% Leitura/Produção escrita Literatura Desenvolvimento da oralidade Meio de ensino: todas as disciplinas. 7ª 20% Disciplina Leitura/produção escrita Desenvolvimento de vocabulário Literatura Recurso na sala de aula quando a matéria é nova ou para explicar algumas noções. 80% Leitura/Produção escrita Desenvolvimento da oralidade Literatura Meio de ensino/aprendizagem em todas as disciplinas. 64 Resumo da lição Três motivos contribuíram para a introdução das línguas bantu no currículo do ensino primário em Moçambique: razões linguístico- pedagógicos, razões culturais e identitárias e razões que envolvem a língua como direito. Auto-avaliação Você já conhece os principiais motivos que estão por detrás da introdução das línguas bantu no sistema nacional de educação, assim como o currículo da língua bantu, no geral. Teste as suas leituras, resolvendo as actividades que lhe propomos abaixo. 1. Descreva as motivações que impulsionaram a introdução das línguas bantu no ensino primário em Moçambique 2. Que tipo de modelo de educação bilingue foi adoptado em Moçambique? 65 Bibliográfia Básica 1. Benson, Carol. (1998). “Alguns resultados da avaliação externa da experiência de escolarização bilingue em Moçambique”. In Stround, C. & Tuzine, A. (Orgs). Uso das línguas africanas no ensino: problemas e perspectivas. Caderno de Pesquisa n.º 26. Maputo: INDE. pp. 279-301; 2. Blank, Michel & Hamers, Josiane(1988). Bilinguality and bilinguism. Cambridge: Cambridge University Press; 3. Chimbutane, Feliciano & Stround Christopher. (2011). (Orgs). Educação bilingue em Moçambique: reflectindo criticamente sobre políticas e práticas. Maputo: Textos Editores; 4. Chimbutane, Feliciano. (2003). “Sub-projecto de monitoria e avaliação da introdução do ensino bilingue em Maputo e Gaza”. In Projecto de avaliação educacional: Relatório anual. Maputo: INDE; 5. Heugh, Kathleen (2011). “Da língua materna ao uso de uma língua internacional no processo de ensino e aprendizagem: as limitações do modelo de transição no sistema escolar em África”. In Chimbutane, F. & Stround C. (Orgs). Educação bilingue em Moçambique: reflectindo criticamente sobre políticas e práticas. Maputo: Textos Editores. pp. 53-74; 6. Megale, A. Heyden (2005). “Bilinguismo e educação bilingue: discutindo conceitos”. In Revista Virtual de estudos da Linguagem. V. 3. Nº. 5. pp. 1-12; 7. MINED. (2003). Programa de educação bilingue para o IIº ciclo do ensino básico. Maputo: INDE. 66 Lição n° 8 Educação bilingue: breve contextualização Introdução Você já sabe o porquê de Moçambique ter introduzido as línguas bantu na educação. De igual modo, já sabe descrever o currículo da língua bantu adoptado em Moçambique. Mas se perguntássemos o que entende por educação bilingue, certamente que iria enfrentar algumas dificuldades. É nesta ordem de ideias que se insere a presente lição em que vai poder aprofundar seus conhecimentos concernentes ao ensino bilingue. Ainda nesta lição, chamamos a sua atenção a uma reflexão sobre o modelo de educação bilingue adoptado em Moçambique. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Definir educação bilingue na óptica de vários autores; Descrever os tipos e modelos de educação bilingue; Definir o conceito ‘diglossia’ no âmbito do bilinguismo social. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 120 minutos para o estudo desta lição. Terminologia Educação bilingue, modelos e/ou tipos, diglossia 67 8. Educação bilingue: breve contextualização Caro estudante, no início de cada lição, sempre lhe propomos algumas questões de reflexão. O que é educação bilingue? Quando é que se diz que um aluno está a frequentar o ensino bilingue? Será educação bilingue um sistema em que se usa apenas o português e as línguas bantu? Ou o português com a língua inglesa ou francesa? Veja algumas definições da educação bilingue! Para Mello (2010: 119), entender educação bilingue nem sempre é uma tarefa fácil, pois a sua caracterização extrapola os limites da escola e inclui outros agentes socializantes como a família, os amigos, a vizinhança, a sociedade, os meios de comunicação etc. A educação bilingue17 tem sido usada de maneira abrangente para caracterizar diferentes formas de ensino nas quais os alunos recebem instrução (ou parte da instrução) numa língua diferente daquela que normalmente eles usam em casa. Tecnicamente, a educação bilingue corresponde àquela em que duas línguas são usadas como meio de instrução, ou ainda, é uma instrução que ocorre na escola em pelo menos duas línguas. Todavia, essas definições são limitadas e imprecisas, pois, em muitos casos, a instrução por meio de duas línguas se limita à fase inicial da escolarização, como ocorre nos programas do tipo transicional, (Hornberger, 1991) apud (Mello, op. cit. p. 121/2). 17 Megale (op. cit: 7) refere que a educação bilingue pressupõe conceitos distintos em países e contextos diferenciados em função de questões étnicas, dos próprios educadores e legisladores e de factores sociopolíticos. 68 Tendo em conta as diversas interpretações e as ideias sobre aquilo que se pode denominar educação bilingue, definimo-lo de forma mais estrita como qualquer programa educativo […] que inclua o uso e desenvolvimento sistemático de duas línguas não somente para propósitos de instrução explícita e comunicação em aula, como também para o ensino de matérias curriculares ou de conteúdo específico em ambas línguas, de acordo com a idade e o nível de escolaridade dos alunos, (cf. Contasse, 2004, p. 355) apud (Guirrugo, 2010). A educação bilingue é também definida como um processo de reprodução social consciente do ser humano enquanto grupo, com recurso a duas línguas concomitantemente ou sucessivamente, (Ngunga, 2011). Na asserção de Appel & Muysken (1987: 64), a educação bilingue é um sistema em que uma língua minoritária desempenha um papel específico diante da língua maioritária no ensino. Numa outra abordagem, Blank & Hamers (1988: 189) referem que a educação bilingue é um sistema em que, em dado momento, simultânea ou consecutivamente, a instrução é planeada e ministrada em pelo menos duas línguas. Ressalte-se que Blank & Harmers (op. cit) não entendem como os programas de educação bilingue programas nos quais a L2 ou a LE são ensinadas como matérias e não são utilizadas para fins académicos. 69 Atenção Tome nota: Como se pode depreender, várias perspectivas em torno do conceito educação bilingue foram aqui apresentadas. Todos os autores são unânimes e focalizam o aspecto comum, segundo o qual, a educação bilingue implica, inevitavelmente, o contacto linguístico. Quer dizer, o aluno é exposto a uma oportunidade do processo simultâneo ou alterando de ensino-aprendizagem em duas línguas no sistema educacional, i. e., L1 e L2, sejam línguas minoritárias, sejam maioritárias, em função da situação sociolinguística da sua comunidade linguística. Em termos de contextualização, a educação bilingue teve, primeiramente, suas motivações nos EUA, no Canadá, na União Soviética, na Índia, etc., tendo se expandido para outras regiões do mundo, sobretudo após a declaração da Unesco de 1951. De lembrar que para a Unesco, “é axiomático que o melhor método de ensinar às crianças é com base na sua língua materna”18. 8.1. Modelos de educação bilingue Vários são os modelos e/ou tipos de educação bilingue que são apresentados na literatura. Eles, porém, diferem quanto aos objectivos, às características do público-alvo envolvido, à distribuição do tempo de instrução nas línguas envolvidas, às abordagens e práticas pedagógicas. Quais são os modelos? Veja alguns Mackey (1972) apud Megale (2005: 7) propõe uma complexa tipologia de programas educacionais, abrangendo desde a 18 Cf. UNESCO (1953: 11) apud Appel & Muysken (op. cit: 62). 70 educação monolingue na língua da população de minoria linguística à educação bilingue em ambas línguas, e, também, a educação monolingue na língua da população dominante. Hornberger (1991) apud Mello (op. cit: 123/4) faz a distinção entre modelos e tipos de programas de educação bilingue, incluindo os primeiros numa categoria mais ampla e num nível de abstracção maior do que os segundos. Os modelos são definidos em termos dos objectivos dos planeamentos linguísticos e educacionais e das orientações ideológicas em relação à diversidade linguística e cultural na sociedade. Em contrapartida, os tipos de programas são norteados pelas características contextuais e estruturais específicas. A educação bilingue é dividida em dois grandes domínios: educação bilingue para crianças do grupo dominante e educação bilingue para crianças de grupos minoritários. Fishman & Lovas (1970) apud Megale (op. cit: 7/9) baseiam-se em três grandes categorias para a definição de educação bilingue. Trata-se de intensidade, objectivo e status19. Fazendo uma reflexão sobre esta tipologia, Blanc & Hamers (op. cit: 190) chamam atenção ao facto de estes modelos terem que estarem consonância com os factores sociais, históricos, socioestruturais, culturais, ideológicos e sociopsicológicos. Em conformidade com Mocinic (2011: 177), um dos primeiros estudos sobre a classificação dos modelos de educação bilingue foi feita por Mackey (1970). Sublinhe-se que este autor descreveu 90 modelos para diversas escolas de ensino bilingue, 19 Dentro da categoria intensidade, são identificados quatro tipos de programas bilingues: bilinguismo transicional; bilinguismo mono-letrado; bilinguismo parcial bi-letrado e bilinguismo total bi-letrado. De acordo com seu objectivo, a educação bilingue pode ser classificada em três diferentes programas: o programa compensatório; o programa de enriquecimento; e o de manutenção do grupo. A terceira categoria, status, compreende quatro dimensões: língua de importância primária vs. língua de importância secundária; língua de casa vs. língua da escola; língua mais importante no mundo vs. língua de menor importância; língua institucionalizada vs. língua não institucionalizada, (Cf. Fishman & Lovas, 1970) apud (Megale, op. cit, pág.7/9). 71 respeitando as seguintes variedades: língua materna do aluno, língua do currículo escolar, língua da comunidade face à sua condição social, região, bem como no mundo. Na vertente de Mocinic (op. cit: 176), os modelos de educação bilingue dependem, principalmente, de factores como, p. e., a forma como ambas línguas são usadas; motivação intrínseca ao seu uso; motivação por parte dos professores; os métodos de ensino adoptados; tipo de aluno; tipo de Estado; tipo de política educacional; atitude linguística dos envolvidos. Apresentados alguns modelos e/ou tipos de educação bilingue, o que você pôde concluir? Como se pode ver, os modelos de educação bilingue podem ser definidos e classificados em função de vários parâmetros, a saber: população-alvo, objectivos, métodos de ensino, tipo de línguas envolvidas, etc., i. e., essas similaridades permitem agrupar ou distinguir as tipologias quanto às características estruturais e contextuais, aos objectivos, às orientações subjacentes e à população-alvo. De forma sumária, os modelos de educação bilingue podem ser: transicional, de manutenção e de enriquecimento. Contudo, para si, interessa, estudar os modelos de transição e de manutenção. 8.1.1. Modelo transicional (assimilacionista) NB: Quais são as características deste modelo? Será que é ideal para países africanos como é o caso do nosso país? Na perspectiva de Appel & Muysken (op. cit: 65), neste modelo, as línguas minoritárias são usadas nos primeiros níveis, desde a escola até à casa. Roberts (1995: 374) sustenta o facto de este modelo ser assimilacionista, fomentando um bilinguismo 72 subtractivo. Aliado a este argumento, Hornberger (1991) apud Mello (op. cit: 129) refere que os objectivos do modelo transicional encorajam aos alunos das minorias linguísticas a assimilarem a língua e as normas culturais da sociedade maioritária em detrimento das suas línguas étnicas. Os programas educacionais que adoptam esse modelo valorizam a proficiência das crianças na língua dominante da escola (L2) para que elas possam funcionar linguística e academicamente nas salas de ensino regular. A L1 é usada como meio de instrução durante uma fase temporária da escolarização, até que as crianças possam fazer a transição para a L2. Lambert (1975) apud Roberts (1995: 371/2) identificou dois tipos de bilinguismo: bilinguismo aditivo, em que os alunos iniciam o ensino com a sua L1 e, ao decorrer do tempo, adquirem a L2; e subtractivo, em que os alunos perdem a sua L1 e o processo de ensino-aprendizagem é conduzido pela L2. Para Garcia (1996), o desenvolvimento do bilinguismo aditivo ou subtractivo depende da relação entre as línguas que são usadas no sistema educativo. Realça Mocinic (op. cit: 177) que o modelo transicional pode ser dividido em dois tipos: inicial (dois anos do uso da língua materna) e posterior (40% dos conteúdos na sala de aula são administrados na língua materna até à 6ª classe). Em face destes anos, naturalmente que este modelo, como confere Garcia (op. cit), requer uma boa planificação e recursos. Note-se que, inicialmente, o ensino é conduzido na L1 enquanto a L2 é ensinada como disciplina, muitas vezes pelo mesmo professor. De acordo com Schimitt (1985), com este método, os professores ensinam os alunos nas duas línguas, principalmente na língua nativa, primeiro, e depois progressivamente em Inglês, à medida que a proficiência linguística dos alunos vai aumentando nesta 73 língua. May (2008)20 salienta que o objectivo deste modelo é deixar para trás as capacidades adquiridas na L1 e desenvolver apenas a sua proficiência linguística e académica na L2. 8.1.2. Modelo de manutenção (pluralístico) NB: Quais são as características do modelo de manutenção? Será que é ideal para países africanos como é o caso do nosso país? Os programas de manutenção também fazem uso de duas línguas durante um período da escolarização, geralmente superior ao tempo que normalmente é destinado ao uso da L1 nos programas transicionais. Diferem-se desses últimos porque têm objectivos pluralísticos e preservam a L1 dos alunos, alguns na modalidade oral, outros nas modalidades escrita, enquanto eles desenvolvem a L2 (Mello, 2010, p.122)21. Obviamente, este modelo promove o pluralismo linguístico. Embora a língua maioritária tenha um valor social alto, não só é usada como meio de instrução nos grupos minoritários, como também nas classes posteriores. Muitos proponentes da educação bilingue22 aderem à esta visão, (Appel & Muysken, op. cit, p. 65). 20 Este modelo privilegia a L2 assumindo que: os alunos não podem aprender de forma suficientemente rápida se continuarem a ser ensinados na sua L1; os alunos vão sofrer em termos académicos, bem como na literacia da língua dominante (May, 2008) apud (PPRS, 2010). 21 Mello (op. cit: 132) refere-se ao facto de o modelo de manutenção também ter seus opositores, que alegam que nos contextos multilingues nem sempre se pode proporcionar instrução em todas as línguas faladas como L1 pela população de alunos, em virtude da falta de professores qualificados na língua minoritária, da falta de material didáctico adequado, da grande diversidade étnica numa mesma sala de aula, etc. 22 A educação bilingue é o emponderamento pedagógico que permite a incorporação da língua e cultura de casa na escola, a participação da comunidade, o uso da língua de casa para acesso ao conhecimento e o desenvolvimento do currículo interactivo recíproco. Por outro lado, Clegg (2005), ainda que de forma generalizada, refere-se às vantagens do ensino bilingue como, por exemplo, o aumento cognitivo que, por conseguinte, garante o sucesso escolar. É um modelo que aumenta a capacidade de os aprendentes desenvolverem habilidades tanto na L1 como na L2. Note-se, contudo, que o ensino bilingue aumenta o sucesso da L2 como meio de instrução, ou seja, aprendendo as habilidades adquiridas na L1 pode-se proceder melhor à transferência destas para a L2. Para este autor, o ensino bilingue surge como uma ferramenta em prol da revitalização linguística e da promoção do património sociocultural. 74 Como nos lembra Garcia (op. cit), este programa usa a língua maioritária e minoritária no sistema educativo. O principal objectivo é promover a manutenção e desenvolvimento da língua minoritária e um conhecimento acrescido da história e cultura desta língua, bem como o desenvolvimento global da língua maioritária e consequente conhecimento de sua história e cultura. A título ilustrativo, na abordagem de Schimitt (op. cit), com este método, nos EUA, o professorbilingue ensina aos alunos a matemática básica e habilidades de leitura na sua língua nativa, primeiro, e depois inicia o mesmo currículo em Inglês, usando a língua nativa, sempre que necessário, para esclarecimento de certos tópicos. Relacionando as vantagens do ensino bilingue que são apresentadas por Garcia (1996) e Clegg (2005), importa referir que, por um lado, Garcia faz menção (i) às razões cognitivas que se resumem no pensamento diversificado e criativo por parte dos alunos bilingues, no alto grau de atenção metalinguística e no controlo cognitivo de processos linguísticos (p. ex: competência comunicativa), (ii) às razões sociais em face do elevado grau de intercompreensão entre diversos grupos e no aumento do nível de conhecimento de uns em relação aos outros (educação multicultural), etc; (iii) e razões psicológicas, que resultam do aumento de auto-estima. No ponto que se segue trazemos uma análise crítica sobre o modelo de educação bilingue adoptado em Moçambique. Aqui você irá encontrar diversas abordagens de alguns estudiosos moçambicanos no que tange às políticas sobre a educação bilingue. 8.2. Uma reflexão sobre o modelo de educação bilingue adoptado em Moçambique Não constitui nosso objectivo fazer uma análise sobre a implementação da educação bilingue, mas sim, trazer uma reflexão 75 sobre o modelo adoptado em Moçambique. Ao reflectir sobre os problemas de escolha deste modelo, Guirrugo (2010) mostra que este modelo traz alguns problemas para o português porque, uma vez implementado globalmente, não daria igual oportunidade ao uso deste como língua de ensino para o número crescente de crianças que a falam como língua materna (cf. Lopes, 1997, 2004). Para além de que se se tomar como base que o português vai ser utilizado como meio de ensino nas classes mais avançadas, o modelo de ‘transição gradual’ pode vir a gerar competência empobrecida nessa língua e criar dificuldades às crianças que não têm o português como L1, quando forem confrontadas com outras para quem o português é L1. Outra desvantagem deste modelo prende-se com a impossibilidade de mobilidade das crianças de uma província para a outra, antes de atingirem o tempo do uso do português. Ademais, há que realçar que um ensino bilingue ideal que tem um objectivo aditivo tem propósitos pluralísticos e não de assimilação. Encoraja a aquisição, a manutenção e o uso de todas as línguas que estão no repertório da criança para a aprendizagem e uso legítimo. Pelo contrário, o programa com perspectiva de assimilação tem, normalmente, propósitos subtractivos – tal é o caso do projecto- piloto proposto pelo INDE, porque as línguas maternas, especialmente se tiverem um estatuto baixo serão substituídas pela variedade alta ou, neste caso pelo português, o inglês e o francês para a instrução e aprendizagem, (cf. Winitzky, 1997) apud (Guirrugo, 2010). Meneses (2011) critica o facto de a transição da L1 para a L2, como língua de ensino, ser feita a partir da 4.ª classe, facto que parece muito prematuro, dado que a transição da L2, língua oral, para a escrita, acontece na 3.ª classe. Assim, o tempo de aprendizagem da escrita na L2 pelo aluno bilingue é muito curto, um ano apenas, para enfrentar o ensino na L2, facto que se verifica na expressão oral dos alunos, marcada de interferência linguística, de língua bantu para o português e do português para a língua bantu. 76 Para esta autora, a mudança da língua materna para a língua segunda como veículo de ensino, o que acontece na 4.ª classe, é precoce. Nesta altura, o aluno começa a aprender a ler e a escrever a L2. O ideal seria ir até a 5.ª classe com a L1 como veículo de ensino, para permitir que o aluno tenha maturidade linguística e intelectual sólida para facilitar a transferência das habilidades já aprendidas, até ao final da transição, (Meneses, 2011). No âmbito da avaliação da implementação de educação bilingue em Moçambique, Chimbutane (2003), (2011), Ngunga et al. (2010), Lafon (2011) apresentam alguns problemas inerentes a este ensino como, p. e., (i) adopção de metodologias e utilização de materiais de ensino que não são adequados à educação bilingue; (ii) os professores ensinam a leitura/escrita em línguas Bantu/L1 com base em metodologias de ensino do Português; (iii) ausência de pessoal formado para tal metodologia; (iv) existência de problemas psico- motores e de destreza manual que vão desde o treino básico da criança no simples pegar do lápis, passando pelo desenhar riscos e curvas, círculos, até chegar ao grafema, depois da sílaba, a seguir à palavra e, finalmente, à frase. Não obstante, nos últimos anos, estes problemas parece não terem maior foco, face (i) ao desenvolvimento crescente de estudos científicos concernentes à descrição das línguas maternas das escolas envolvidas; (ii) à produção contínua de compêndios, prontuários, gramáticas descritivas e dicionários ilustrativos de línguas moçambicanas; (iii) à expansão e publicação de materiais de ensino em línguas moçambicanas, etc. Olhando atentamente para o modelo vigente em Moçambique, por um lado, fica-se claro que se trata de um bilinguismo subtractivo, que, essencialmente, não promove a L1 do aluno, visto que a partir da 8.ª classe a língua materna deixa de co-ocorrer com a L2 seja como meio de instrução, seja como disciplina, seja ainda como língua de recurso, passando-se, neste caso, ao ensino exclusivamente 77 feito na língua portuguesa em todos níveis subsequentes. Por outro lado, este modelo pode não ser tão subtractivo como se imagina. Pelo contrário, ele visa desenvolver o bilinguismo aditivo, pois é misto (transição e manutenção). A promoção do bilinguismo torna-se fundamental à promoção de benefícios e/ou valores cognitivos, sociais e psicológicos do aluno. Naturalmente, os programas que se enquadram nesta categoria são considerados ‘fracos’ e têm recebido o maior número de críticas na literatura da área. Em resposta a esta situação, para o contexto moçambicano, corroborando com Heugh (2011: 69/71) quando propõe um modelo típico africano para a educação bilingue em Moçambique, urge a necessidade da manutenção da língua materna ao longo de todo o currículo (em que os alunos têm como meio de instrução a L1 e um bom ensino adicional na L2), ministrado por professores formados especificamente à leccionação dessas línguas; um modelo em que se usa a língua materna como meio de instrução durante pelo menos 6 a 8 anos, e um bom ensino da L2, seguido de uma educação em que são usadas duas línguas como meio de instrução (algumas disciplinas ensinadas na L1 e outras na L2, entre 8 a 12 anos de escolaridade). À semelhança da proposta de Heugh (2011), cremos ser útil o modelo de manutenção, atendendo às suas vantagens descritas anteriormente, uma vez que, de forma efectiva, promove o património sociocultural e linguístico do aluno. A aprendizagem da L1 como meio de instrução e/ou disciplina deve desenvolver-se ao longo de toda a vida académica do aluno, e, como tal, ela deve ser promovida e facilitada transversalmente pelos diversos sistemas de ensino em Moçambique, desde o pré-escolar (literacia/alfabetização inicial, incluindo a educação de jovens e adultos), nos 3 ciclos do ensino básico, no nível secundário, bem como no nível superior, funcionando como disciplina principalmente em cursos de Ciências Sociais. 78 Numa situação em que pais e encarregados de educação de uma determinada localidade se recusam que os seus filhos sejam ensinados na L1 nos primeiros níveis de escolaridade, considerando que este modelo de ensino retarda a realização escolar dos seus educandos, há que se observar várias estratégias, como, p. e: Consciencialização de todos os membros da comunidade em relação à sua atitude linguística; Envolvimento dos membros seniores da comunidade na sensibilização dos pais e encarregados de educação sobre a importância de políticas linguísticas atinentes a uma educação linguística inclusiva; Mostrar a importância de um ensino bilingue na promoção do património sociocultural e, sobretudo, linguístico; Demonstrar a relação que se estabelece entre os usos da linguagem e as diversas práticas socioculturais a que os alunos estariam expostos em face do ensino exclusivo da L2; ou seja, a intrínseca relação entre língua e cultura; Descrever cuidadosamente as desvantagens sociais, culturais, linguísticas, etc. de um ensino monolingue. Reflexão Depois da reflexão que trouxemos para si sobre o modelo de educação bilingue adoptado em Moçambique, em que você pôde acompanhar várias abordagens de alguns estudiosos moçambicanos, você pode, também, propor as suas ideias no que diz respeito aos possíveis melhoramentos deste programa. Antes de passar para outro tópico a seguir, para si, o que não está bem, e que, na eventualidade, pode ser melhorado? 79 8.3. Noção de diglossia Antes de proceder à leitura deste sub-tópico, dê-se um mínimo de concentração nas seguintes questões de orientação: O que é diglossia? Em que é que se fundamenta este conceito atendendo à realidade linguística de Moçambique? Diglossia seria o uso de português com uma língua bantu num determinado contexto? Diglossia seria o uso de duas variedades da mesma língua, por exemplo, duas variedades do português? Conceito introduzido por Fergusson (1959), diglossia consiste na coexistência, numa comunidade, de duas variedades linguísticas. A diglossia é uma situação de bilinguismo ‘generalizado’ a uma comunidade inteira, onde o uso de cada uma das línguas é limitado a uma dada circunstância especial. Em termos de características, a variante (H) frui de um prestígio social. Estas variantes têm uma gramática, léxicos, fonologia relativamente divergentes. A variante (H) é adquirida na escola, ao passo que a (L) é adquirida naturalmente. Segundo Fergusson (1974, 1959) apud Meneses (2011), diglossia é uma situação linguística relativamente estável da língua na qual, além de formas dialectais da língua, (que podem incluir um padrão ou padrões regionais) existe uma variedade superposta assaz divergente, altamente codificada, veiculando um conjunto de literatura escrita e respeitada, que é sobretudo estudada na educação formal, na escrita ou num oral formal, mas não usado em qualquer sector da comunidade para a conversação coloquial. A definição de diglossia é, nalguns casos, inadequada, pois, estudos recentes de sociolinguística remetem-nos à sua redefinição, passando a ser o seguinte: diglossia refere-se a uma comunidade bilingue em que uma porção larga da população e/ou de falantes 80 controla e/ou comanda duas línguas, sendo funcionalmente distinguidas em termos de (H) e (L). Segundo Appel & Muysken (1987: 22), em comunidades em que se fala mais do que uma língua, o bilinguismo é a norma de “funcionamento de duas línguas que requer uma série de normas particulares para os falantes, e uma especialização funcional das línguas envolvidas, sendo nalgumas situações mais do que duas línguas envolvidas e a consequente dificuldade de escolha de língua entre as várias disponíveis. Atenção Tome nota: De forma resumida, podemos afirmar que o conceito ‘diglossia’ envolve duas variedades de sistemas usados numa determinada comunidade linguística: uma variedade formal, designada (H) “alta”, e uma vernacular ou forma popular, designada (L), “baixa”. Resumo da lição Em relação aos tipos e/ou modelos de ensino bilingue, estes podem ser classificados em relação à aprendizagem da L1/L2, podendo ser subtractivos e aditivos; quanto aos métodos de ensino e/ou mecanismos pelos quais se deve conduzir o ensino e aprendizagem: manutenção, transição, LWC como L2, imersão da LWC; em relação aos objectivos preconizados: enriquecimento, hereditário, manutenção e transição, etc. Moçambique optou pelo modelo de transição com algumas características de manutenção. 81 Auto-avaliação Você deve testar as suas leituras, resolvendo as actividades que lhe propomos abaixo. 1. O que entende por ensino bilingue? 2. Descreva os tipos de bilinguismo que aprendeu. 3. Defina diglossia e caracterize Moçambique. Bibliográfia Básica 1. Appel René & Muysken, Pieter (1987). Language Contact and Bilingualism. London: Edward Arnold; 2. Benson, Carol. (1998). “Alguns resultados da avaliação externa da experiência de escolarização bilingue em Moçambique”. In Stround, C. & Tuzine, A. (Orgs). Uso das línguas africanas no ensino: problemas e perspectivas. Caderno de Pesquisa n.º 26. Maputo: INDE. pp. 279-301; 3. Blank, Michel & Hamers, Josiane (1988). Bilinguality and bilinguism. Cambridge: Cambridge University Press; 4. Chimbutane, Feliciano & Stround Christopher. (2011). (Orgs). Educação bilingue em Moçambique: reflectindo criticamente sobre políticas e práticas. Maputo: Textos Editores; 5. Chimbutane, Feliciano. (2003). “Sub-projecto de monitoria e avaliação da introdução do ensino bilingue em Maputo e Gaza”. In Projecto de avaliação educacional: Relatório anual. Maputo: INDE; 6. Garcia, O. (1996). “Bilingual Education”. In Coulmas, Florian (ed). The Handbook of Sociolinguistics. Oxford: Blackwell Publishers; 7. Heugh, Kathleen (2011). “Da língua materna ao uso de uma língua internacional no processo de ensino e aprendizagem: as 82 limitações do modelo de transição no sistema escolar em África”. In Chimbutane, F. & Stround C. (Orgs). Educação bilingue em Moçambique: reflectindo criticamente sobre políticas e práticas. Maputo: Textos Editores. pp. 53-74; 9. Lindholm-Leary, Kathryn & Genesee, Fred (2010). “Alternative Educational Programs for English Learners Alternative Educational Programs for English Learners”. In Improving Education for English Learners: Research-Based Approaches. California Department of Education: Sacramento. pp. 323-335; 10. Megale, A. Heyden (2005). “Bilinguismo e educação bilingue: discutindo conceitos”. In Revista Virtual de estudos da Linguagem. V. 3. Nº. 5. pp. 1-12; 11. Mello, H. A. Brito de. (2010). “Educação bilingue: uma breve discussão”. In Horizontes de Linguística Aplicada. Goiás: UFG. V. 9. Nº.1. pp. 118-140; 12. MINED. (2003). Programa de educação bilingue para o IIº ciclo do ensino básico. Maputo: INDE; 13. Mocinic, Andrea. (2011). “Bilingual education”. In: Metodicki obzori. Croatia. Nº.13. V. 6³. pp. 175-182; 14. Ngunga, Armindo et al. (2010). Educação bilingue na província de Gaza: avaliação de um modelo de ensino. Maputo: CEA. Colecção as Nossas Línguas II; 15. PPRS. (2010). “Successful bilingual and immersion education models/programs”. In Research and Evaluation; 16. Roberts, Cheryl A. (1995). “Bilingual education program models: a framework for understanding”. In Bilingual Research Journal. University of Northern Iowa: Summer/Fall. V. 19, Nºs. 3 & 4. pp. 369-378; 17. Schimitt, E.C. (1985). “The 3 teaching methods in bilingual classes”. In The New York Times. November 10. 83 Unidade 4: Planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem Pág. 84 - 98 Conteúdos U N ID A D E 4 Lição n° 9 85 Planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem .................... 85 9. Planificação do processo de ensino e aprendizagem: definição dos objectivos educacionais ...................................................... 86 9.1. Planificação do processo de ensino e aprendizagem ....................................................88 9.2. Avaliação do processo de ensino e aprendizagem ..................................................... 91 9.3. Organização do processo de ensino e aprendizagem .................................................... 95 Planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem 84 Introdução Nesta unidade você vai revistar conceitos que viu no âmbito da Didáctica Geral, de entre eles, alguns relativos às metodologias, estratégias, bem como técnicas que conduzem o processo de ensino e aprendizagem. Nela, iremos, inicialmente, discutir o conceito planificação, com enfoque à definição dos objectivos educacionais, tipos; de seguida faremos uma abordagem sobre o processo de organização da prática educativa escolar e, por fim, o processo de avaliação, tipos e procedimentos. Objectivos da unidade Ao terminar esta unidade, você deve ser capaz de: Descrever as metodologias, estratégias, técnicas que conduzem o processo de ensino e aprendizagem; Classificar os vários tipos de avaliação, sobretudo para o ensino básico; Conhecer a importância dos objectivos educacionais e seus tipos; Desenvolver habilidades na compreensão dos processos didácticos básicos: ensino e aprendizagem; Conhecer a estrutura, componentes do processo de ensino e aprendizagem. Tome nota Terminada a unidade, você desenvolverá as seguintes competências: Descreve as metodologias, estratégias, técnicas que conduzem o processo de ensino e aprendizagem; Classifica os vários tipos de avaliação; Conhece a importância dos objectivos educacionais e seus tipos; Desenvolve habilidades na compreensão dos processos didácticos básicos: ensino e aprendizagem; Conhece a estrutura, componentes e a dinâmica do processo de ensino e aprendizagem. 85 Lição n° 9 Planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem Introdução Tal como dissemos na introdução desta unidade, nesta lição você vai revisitar alguns conteúdos ligados à didáctica, nomeadamente, planificação do processo de ensino e aprendizagem, com enfoque, primeiro, aos objectivos educacionais, planificação e organização da acção didáctica e, por fim, o processo de avaliação. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Descrever a importância dos objectivos educacionais no quadro da didáctica geral; Explicar as fases da planificação e organização do processo de ensino e aprendizagem; Conhecer os tipos de avaliação, suas fases, etapas e características; Delimitar os objectivos da avaliação quanto ao aluno, professor e pais; Adquirir uma abordagem ampla sobre a organização do processo de ensino e aprendizagem, em relação aos métodos, técnicas e estratégias de ensino. Terminologia Planificação do processo de ensino e aprendizagem, objectivos educacionais, organização do PEA, avaliação do PEA. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 190 minutos para o estudo desta lição. 86 9. Planificação do processo de ensino e aprendizagem: definição dos objectivos educacionais Se voce não sabia, fique sabendo que a acção didáctica deve centrar- se fundamentalmente na formulação dos objectivos educacionais. Formular objectivos parece ser simples, pois não? Claro que não o é! Esta actividade requer uma série de critérios para que eles sejam verdadeiros orientadores da aprendizagem e do conhecimento que você como professor deve construir com os seus alunos. A condução do processo de ensino requer uma compreensão clara e segura do processo de aprendizagem: em que consiste, como as pessoas aprendem, quais as condições externas e internas que o influenciam. A tarefa do professor é garantir a unidade didáctica entre o ensino e a aprendizagem, por meio do processo de ensino. Assim, ensino e aprendizagem são duas facetas do mesmo processo, (Libâneo, 2013). Na asserção de Haydt (1998: 112/4), objectivo é a descrição clara do que se pretende alcançar como resultado da nossa actividade. Assim, os objectivos educacionais são os resultados desejados e previstos para a acção educativa. São os resultados que o educador espera alcançar com a actividade pedagógica. Os objectivos educacionais podem ser expressos em dois níveis23: objectivos gerais e objectivos 23 Por um lado, confere Parreiras (op. cit) que os objectivos gerais são objectivos chamados de mediatos, porque só se consegue alcançar a longo prazo. O ensino tem carácter mais amplo e essa amplitude se dá pela natureza do conteúdo a dominar e o tempo necessário para o completo aprendizado. Sempre são formulados, visando o que se espera que seja aprendido ao término de um conteúdo ou de uma unidade didáctica programática. Por outro lado, os objectivos específicos são próprios de uma aula. Chamados também de imediatos porque são muito pontuais em relação aos conteúdos tratados aula em aula. Estes devem envolver acções comportamentais, que demonstrem claramente que o aluno aprendeu o conhecimento que se pretendeu construir. Como se constata, os objectivos encontram-se articulados e conectados com os processos de avaliação que serão empregues pelo professor com referência aos conteúdos ministrados, (Parreiras, 2008). 87 específicos24 (são aqueles definidos especificamente para uma disciplina, uma unidade de ensino ou uma aula. Consistem no desdobramento e na operacionalização dos objectivos gerais). De acordo com Parreiras (2008), a selecção dos objectivos de ensino é considerada um elemento fundamental no processo de planeamento da prática educativa, pois dá segurança ao educador, orientando a sua actuação pedagógica, ajudando-o na selecção dos meios mais adequados para a realização de seu trabalho. Podemos definir objectivos educacionais como os resultados que o educador espera alcançar por meio de uma acção educativa intencional e sistemática. Fazendo um retrospecto sobre os objectivos considerados elementos estruturantes do planeamento de ensino, constata-se que em todas as épocas eles estiveram sempre presentes no processo de ensinar e de aprender. Percebe-se que, dependendo da corrente teórica ideológica preponderante no momento de tempo/espaço, eles tomam uma conotação diferenciada, (Targino, 2011). Os objectivos educacionais são muitos amplos, que englobam as pretensões formuladas por uma Nação ou Estado que traçam o perfil do homem que deseja formar. Para Castanho (1999) apud Targino (op. cit), os objectivos educacionais são os resultados buscados pela acção educativa: comportamentos individuais e sociais, perfis institucionais, tendências estruturais. 24 A elaboração dos objectivos específicos ajuda o professor a: definir os conteúdos a serem dominados, determinando os conhecimentos e conceitos a serem adquiridos e as habilidades a serem desenvolvidas para que o aluno possa aplicar o conteúdo em sua vida prática; estabelecer os procedimentos de ensino e seleccionar as actividades e experiências de aprendizagem mais relevantes a serem vivenciadas pelos alunos; determinar o que e como avaliar, isto é, especificar o conteúdo da avaliação e construir os instrumentos mais adequados para avaliar o que pretende; fixar padrões e critérios para avaliar o próprio trabalho docente; comunicar de modo mais claro e preciso seus propósitos de ensino aos próprios alunos, aos pais e a outros educadores, (cf. Haydt, 1998, p. 115). 88 Nesse sentido, diz Libâneo (op. cit) apud Targino (op. cit) que os objectivos de ensino são importantes no desenvolvimento do trabalho docente, pois, o facto de que a prática educativa é socialmente determinada, respondendo às exigências e expectativas dos grupos e classes sociais existentes nasociedade, cujos propósitos são antagónicos em relação ao tipo de homem a educar e às tarefas que este deva desempenhar nas diversas esferas da vida prática. Entretanto, os objectivos de ensino estão contidos em planos de cursos, planos de unidades programáticas e planos de aulas. Obedecem às categorias de diversas naturezas e classificação. Objectivos considerados quanto ao nível de abrangência podem ser: gerais e específicos; quanto ao tempo: mediato e imediato; quanto à natureza dos conteúdos: cognitivos, afectivos e psicomotores, (Bloom, 1963) apud (Targino, op. cit). Depois da leitura, em relação aos objectivos educacionais, você pode concluir que: O acto e/ou prática educativa resulta, necessariamente, da boa delimitação dos objectivos educacionais. Assim, torna-se fundamental delimitar objectivos gerais, bem como, específicos, visto que, como professor, irão ajudar-lhe na selecção de meios adequados à realização do seu trabalho. 9.1. Planificação do processo de ensino e aprendizagem Caro estudante, você como professor, ou como futuro professor, o que se deve planificar? Quais são as fases da planificação? O que o professor deve ter em conta durante a planificação de uma aula? 89 Tome nota Lembre-se! A planificação, no seu todo, determina, em grande parte, o que deve ser ensinado e de que modo deve ser feito, dependendo sobretudo da situação de cada professor (experiência, anos de trabalho, formação académica, idade, sexo, etc.) a sua orientação. Muitos autores são unânimes em afirmar que a principal função da planificação é a de transformar e modificar o currículo para o adequar às características particulares de cada situação de ensino. Contudo, esta planificação é feita de modo diferente em diversos níveis de ensino e aprendizagem. Tal como refere Nova (s/d: 23), a planificação é uma área do processo de ensino e aprendizagem que visa prever o modo como esse processo vai ser desenvolvido. No entanto, como área de um processo que inclui também a execução e a avaliação, a planificação deve ser reformulada quando na execução ou na avaliação se detectam insuficiências ligadas ao modo como foi feita essa planificação. Para Tochon (1995: 37/8), a planificação aparece em ciências da educação em diversos contextos. É utilizada para definir, por exemplo, a utilização de planos ou esquemas hierarquizados de antecipação, que provêm da psicologia do tratamento da informação; a derivação das finalidades educativas em programas escolares; e, por fim, a fase pré-activa e pós-activa do ensino. A planificação não é um processo rígido e estático, ela deve ser alterada, sempre que a situação assim o exija. A formação académica em termos de planificação é importante, na medida em que alerta e prepara o professor. Todavia, nem sempre é aplicada do mesmo modo, ou seja, com a experiência muda o modo de planificar. Em termos de funcionalidade do plano de aula, este deve conter, necessariamente, dados de identificação da situação pedagógica, corpo, objectivos gerais, objectivos específicos, 90 generalidade, conteúdos, estratégias de ensino e aprendizagem, estratégias de avaliação, estratégias de gestão do tempo e do espaço, estratégias de recursos/materiais e, finalmente, um espaço para observações. A seguir, veja o esquema do modelo vertical do plano diário de aula Tabela 3: Modelo vertical do plano diário de aula Fonte: dados do autor Olhando atentamente o esquema, de forma resumida, Haydt (1998) sublinha que a planificação implica: i) saber seleccionar e estruturar os conteúdos; ii) planear as aulas; iii) prever e utilizar adequadamente recursos incentivadores e materiais audiovisuais; iv) organizar actividades individuais e grupais interessantes e bem dosadas, que auxiliem o aluno na construção do conhecimento, (Haydt, 1998, p. 83). Quanto à planificação da aula, o professor especifica e operacionaliza os procedimentos diários para a concretização dos planos de curso e de unidade. Ao planificar a aula, o professor: Prevê os objectivos imediatos a serem alcançados (conhecimentos, habilidades e atitudes); Tempo Funções didácticas Objectivos específicos Conteúdo Actividades Evidências requeridas Método de ensino Material didáctico Introdução e Motivação Aluno professor Mediação e Assimilação Domínio e consolidação Controlo e Avaliação 91 Especifica os itens e sub-itens do conteúdo que serão trabalhados durante a aula; Define procedimentos de ensino e organiza as actividades de aprendizagem de seus alunos (individuais e em grupo); Indica os recursos (cartazes, mapas, jornais, livros, objectos variados) que vão ser usados durante a aula para despertar o interesse, facilitar a compreensão e estimular a participação dos alunos, e estabelece como será feita a avaliação das actividades. 9.2. Avaliação do processo de ensino e aprendizagem No tópico anterior, você leu sobre a planificação do processo de ensino e aprendizagem. Agora você vai poder aprofundar seus conhecimentos sobre o processo de avaliação, suas fases e tipos. Na perspectiva de Piletti (2007: 190), avaliação é um processo contínuo de pesquisa que visa interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objectivos, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas do planeamento do trabalho do professor e da escola como um todo. Em termos de funções, a avaliação desenvolve-se nos diferentes momentos do processo de ensino e aprendizagem, com objectivos distintos. No início do processo, temos a avaliação diagnóstica que é utilizada para verificar os conhecimentos que os alunos têm; pré- requisitos que os alunos apresentam, e particularidades do alunos. Ao longo do processo de ensino e aprendizagem, temos a avaliação formativa, que tem uma função controladora, contendo os seguintes propósitos: informar ao professor e ao aluno sobre o rendimento da aprendizagem; localizar as deficiências na organização do ensino, (Piletti, op. cit., p. 191). 92 Segundo INDE (1987: 1) apud MINED (2003: 47), a avaliação é um instrumento do processo de ensino, através do qual se pode comprovar como estão a ser cumpridos os objectivos e as finalidades da educação. Ela permite melhorar ou adaptar as estratégias de ensino face aos objectivos propostos, os conteúdos e às condições concretas existentes. Deve, pois, ser concebida como um processo dinâmico, contínuo e sistemático, que acompanha todo o processo de ensino e aprendizagem. Assim, a avaliação tem, por função, por um lado, permitir que se obtenha uma imagem, o mais fiável possível do desempenho do aluno em termos das competências básicas descritas nos currícula e, por outro, o de servir como mecanismo de retroalimentação no processo de ensino e aprendizagem. Quanto ao aluno, pretende-se que a avaliação cumpra os seguintes objectivos25: Consciencializar o aluno sobre os pontos fortes e fracos do seu desempenho; Estimular o gosto e o interesse pelo estudo de modo a superar as dificuldades encontradas no processo de ensino e aprendizagem; Desenvolver uma atitude crítica e participativa, em relação ao processo de ensino-aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das suas próprias potencialidades. Relativamente ao professor, pretende-se que a avaliação: Identifique o nível de desempenho dos alunos, os principais problemas e os factores associados; 25 Cf. INDE (1987: 1) apud MINED (2003: 47). 93 Adeqúe os métodos e materiais de ensino e aprendizagem, utilizando a informação recolhida sobre o desempenho dos alunos; Informe, regularmente, aos pais sobreo progresso (quantitativo e qualitativo) dos seus educandos. Por fim, no que concerne aos pais, pretende-se que a avaliação Sugira, em conjunto com o professor e o director da escola, formas e actividades apropriadas para a melhoria do desempenho do seu educando e da escola no geral. No plano Curricular do ensino básico são propostos para a avaliação os seguintes métodos: Formal e Informal. (i) Formal, consiste na realização periódica de testes referenciados a critério. Esta é previamente planificada, estruturada e avalia competências específicas para verificar em que medida os objectivos do currículo foram atingidos; (ii) Informal, consiste numa avaliação levada a cabo no dia-a-dia, em muitas das vezes realizada de uma forma casual, na sala de aula ou fora dela, (MINED, 2003, p. 48/9). A avaliação26 compreenderá as seguintes formas: diagnóstica, formativa e sumativa. Diagnóstica – realiza-se no início do processo educativo (início do ano lectivo, semestre, unidade de ensino, etc.) e tem em vista colher informação sobre o nível inicial de aprendizagem dos alunos como pré-requisito para o 26 Outros instrumentos de retroalimentação do processo de ensino-aprendizagem serão os testes diagnósticos a serem desenvolvidos e aplicados pelo INDE. Estes permitirão, colocar à disposição do sistema educativo, informação sobre a qualidade do ensino, de modo a ser utilizada para a melhoria do mesmo. Os procedimentos e metodologias específicas referentes à avaliação serão matéria de regulamentação própria, (MINED, 2003, p. 49). 94 desenvolvimento de uma determinada aptidão e capacidade, (MINED, 2003). Formativa – que inclui a diagnóstica, e a contínua, com a função de informar ao professor sobre o nível de realização dos objectivos do programa, informação essa que deve ser utilizada para melhorar o processo de ensino e aprendizagem, (MINED, 2003). Sumativa – visa realizar um balanço do aproveitamento do aluno no fim de uma unidade de ensino, de um período escolar, ano lectivo ou curso e tem em vista identificar os resultados obtidos, face aos quais o aluno obtém uma classificação, um certificado ou Diploma. Esta avaliação será conjugada com a avaliação formativa. Nesta forma de avaliação, prevê-se a longo prazo, que os alunos sejam submetidos ao exame final na 7.ª classe, (MINED, 2003). Seja qual for o tipo de avaliação, ela deve, segundo Piletti (op. cit: 196/7), obedecer a seguintes etapas: determinar o que vai ser avaliado; estabelecer os critérios e as condições para a avaliação; seleccionar as técnicas, os instrumentos, avaliar e realizar a aferição dos resultados. Para que a avaliação adquira a importância que realmente tem no processo de ensino e aprendizagem, é necessário seguir alguns princípios básicos, nomeadamente: estabelecer, com clareza, o que vai ser avaliado; seleccionar técnicas adequadas para avaliar o que se pretende avaliar; utilizar, na avaliação, uma variedade de técnicas; ter consciência das possibilidades e limitações das técnicas de avaliação, etc., (PIletti, op. cit: p. 195/6). 95 9.3. Organização do processo de ensino e aprendizagem Depois de você ter visto os objectivos educacionais, planificação do PEA, bem como o processo de avaliação, este é o ultimo tópico que lhe propomos nesta unidade. Você deve saber que para que o processo de ensino e aprendizagem seja proveitoso e produza os frutos esperados, cabe adoptar técnicas adequadas. Veja algumas técnicas e métodos: O professor tem de conhecer as técnicas mais comuns, além de possuir uma noção bastante clara da variedade de técnicas que se podem adoptar. O professor deve saber escolher as técnicas adequadas às capacidades dos alunos, aos objectivos educacionais. Esta escolha está ligada a diversos aspectos pedagógicos, a saber: Motivação e as experiências dos alunos; A etapa do processo de ensino-aprendizagem que os alunos percorrem; O tipo de dificuldades evidenciadas; Tempo disponível. Tome nota Importa referir que cada técnica tem motivações específicas, mas existe sempre a possibilidade de combinar várias técnicas, para que elas se completem umas às outras. De entre as várias técnicas, menciona-se as seguintes: Técnica de trabalho individual; Técnica de trabalho em grupo; Técnica de actividades integradas; Expressão dramática; Jogos didácticos. 96 Na óptica de Schmitz (1993: 128), qualquer actividade necessita de um método e, consequentemente, uma técnica. Método é um roteiro geral para a actividade. Situa-se na linha de pensamento, da orientação, indicando as grandes linhas de acção, sem se deter em operacionalizá-las. Os métodos, ainda na visão deste autor, quanto à actividade, podem ser considerados em aspectos: (i) individual, situa-se mais na linha da reflexão, do trabalho pessoal de aprofundamento, de pesquisa. Sem a individualização, a aprendizagem não se realiza, pois ela é um fenómeno ou processo essencialmente individual; (ii) socializado, este método é usado no momento de comunicação. Supõe, evidentemente, que haja algo a comunicar; (iii) sócio- individualizado, este método une os dois elementos ou métodos anteriores e situa-se mais na linha das vivências. Não separa nitidamente os dois aspectos, (Schmitz, op. cit. p. 128). No âmbito do processo de ensino e aprendizagem, é importante fazer menção às estratégias de aprendizagem. Trata-se, como confere Litto & Formiga (2008: 274), de actividades planeadas pelo aluno para possibilitar a construção de mecanismos que possibilitem a sua aprendizagem. Os procedimentos devem ser seleccionados de entre aqueles que estão27. 27 Weinstein & Mayer (1985) apud Litto & Formiga (2008: 274) identificaram cinco tipos de estratégias de aprendizagem, que foram posteriormente organizados por Good & Brophy (1986). 97 Resumo da lição No âmbito do processo de ensino e aprendizagem é importante que sejam consideradas várias estratégias que se adeqúem à aprendizagem. O professor deve conhecer as técnicas mais comuns, além de possuir uma noção bastante clara e ampla da variedade de técnicas que se podem adoptar. Assim, a planificação determina o que deve ser ensinado e de que modo deve ser feito, dependendo sobretudo da situação de cada professor. Em termos de funções, a avaliação desenvolve-se nos diferentes momentos do processo de ensino e aprendizagem, com objectivos distintos, podendo ser diagnóstica, assim como formativa, ou ainda sumativa. Auto-avaliação Nesta lição você revisitou alguns conceitos ligados à acção didáctica: objectivos educacionais, planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem. Como viu, a lição parece ser complexa, mas no concreto não é, pois, são conteúdos que você estudou na Didáctica Geral. Teste as suas leituras, resolvendo as actividades que lhe propomos abaixo. Leia atentamente todas as questões que lhe são apresentadas. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. Responda pela ordem que mais lhe convier, identificando, correctamente, cada uma das respostas. 1. O que são objectivos educacionais? 2. Qual é a diferença entre objectivos gerais e específicos? 3. Por que é que os objectivos de ensino são importantes no desenvolvimento do trabalho docente? 4. Dê uma definição à planificação; 5. Descreva as fases da actividade de planificação; 6. Discuta as fases, etapas e características da avaliação; 98 7. Apresente alguns métodos e técnicas que devem conduzir o processo de ensino e aprendizagem. 8. Com base num tópico qualquer, tente elaborar um plano diário de aulas. Bibliográfia Básica 1. Libâneo,José Carlos. (2013). Didáctica. 2ª Edição. São Paulo: Cortez; 2. Litto, Fredric & Formiga, Marcos. (orgs). (2008). Educação à distância: o estado da arte. São Paulo: ABED; 3. Ministério da Educação e Cultura. (2003). Plano curricular do ensino básico: objectivos, política, estrutura, plano de estudos e estratégias de implementação. Maputo: INDE; 4. Nova, Maria Laura Ribeiro. (s/d). Didáctica de língua portuguesa: metodologia. Maputo: Instituto Camões; 5. Parreiras, Maria Celita. (2008). Objectivos educacionais: sua importância para a acção pedagógica. Minas Gerais: Universidade de Itaúna. 6. Pessôa, Candido V. et al. (orgs). (2012). Comportamento em foco. São Paulo: Associação Brasileira de Psicologia e Medicina; 7. Piletti, Claudino. (2007). Didáctica geral. 23.ª Edição. São Paulo: Editora Ática; 8. Schmitz, Egídio Francisco. (1993). Fundamentos da didáctica. 7ª Edição. UNISINOS: Leopoldo Editora; 9. Targino, Regina Rodriguez. (2011). Objectivos de ensino. Brasília: UFPB. 10. Tochon, François V. (1995). A Língua como Projecto Didáctico. [Trad. Maria Vidal]. Porto: Porto Editora. 99 Unidade 5: Princípios metodológicos da didáctica de línguas: métodos Pág. 99 - 112 Conteúdos 5 U N ID A D E Lição n° 10 101 Princípios metodológicos da didáctica de línguas: método de ensino baseado em tarefas, em conteúdos e abordagem cooperativa ............ 101 10. Ensino de línguas baseado em tarefas................................................................. 102 10.1. Aprendizagem cooperativa ................ 105 10.1.1. Vantagens do método de aprendizagem cooperativa .........................106 10.2. Método de ensino baseado em conteúdos ......................................................... 108 Princípios metodológicos da didáctica de línguas: métodos 100 Introdução Caro estudante, lembra-se do que vimos na unidade anterior? Trouxemos várias abordagens que incidem sobre a planificação, organização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem. Nesta unidade você vai estudar os métodos que devem conduzir o processo de ensino e aprendizagem da L1, nomeadamente, abordagem cooperativa, método de ensino baseado nos conteúdos e método de ensino baseado em tarefas. Objectivos da unidade Ao terminar esta unidade, você deve ser capaz de: Explicar algumas abordagens recentes sobre o ensino de línguas; Descrever o método de ensino de línguas baseado em tarefas; Conhecer os princípios da abordagem cooperativa; Descrever os princípios que regem o método de ensino baseado em conteúdos. Tome nota Terminada a unidade, você adquire as seguintes competências: Explica algumas abordagens recentes sobre o ensino de línguas; Descreve o método de ensino de línguas baseado em tarefas; Conhece os princípios da abordagem cooperativa no âmbito de ensino e aprendizagem de línguas; Descreve os princípios do método de ensino baseado em conteúdos e abordagem cooperativa. 101 Lição n° 10 Princípios metodológicos da didáctica de línguas: método de ensino baseado em tarefas, em conteúdos e abordagem cooperativa Introdução Tal como você viu na unidade anterior, para poder conduzir uma acção didáctica, precisa, antes de mais, de definir alguns métodos e/ou estratégias pelos quais se vão operacionalizar os processos, quer de ensino, quer de aprendizagem. Nesta lição, você vai estudar alguns métodos que podem ser usados no âmbito de ensino de línguas, designadamente, abordagem cooperativa, método de ensino baseado nos conteúdos e método de ensino baseado em tarefas. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Explicar algumas abordagens recentes sobre o ensino de línguas; Descrever o método de ensino de línguas baseado em tarefas; Conhecer os princípios da abordagem cooperativa; Descrever os princípios que regem o método de ensino baseado em conteúdos. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 120 minutos para o estudo desta lição. Terminologia Método de ensino baseado em tarefas, em conteúdos e abordagem cooperativa. 102 10. Ensino de línguas baseado em tarefas Ao ler este tópico, você deve procurar responder às questões que lhe propomos a seguir: o que é uma tarefa? Qual é a importância deste método no âmbito de ensino de línguas? Quais são os princípios deste método? NB: Veja as 4 perspectivas em relação à definição de tarefa! a) Em relação aos métodos de ensino baseados em tarefas, Breen (1984: 23) apud Haupt (2010) define tarefa como qualquer esforço de aprendizagem de língua estrutural que apresenta um determinado objectivo, conteúdo apropriado, procedimento de trabalho especificado e uma variedade de planos de acção, cujo propósito é facilitar a aprendizagem de língua – de um simples e breve exercício para actividades mais complexas e longas, tais como resolução de problemas em grupo ou simulações e tomada de decisão. b) Por seu turno, Prabhu (1987: 24) apud Haupt (2010) define tarefa como uma actividade que requer uma resposta a ser dada pelos alunos a partir de uma informação previamente fornecida por meio de algum processo de pensamento e que permite aos professores controlar e regular esse processo. Nessa definição, destaca-se o papel do professor e os processos cognitivos que sempre estão envolvidos em uma tarefa, como inferência, dedução e raciocínio prático. c) Por sua vez, Candlin (1987: 10) apud Haupt (2010) defende que tarefa é uma interacção entre conhecimento e procedimento. É uma, em um conjunto de actividades diferenciadas, sequenciadas, problematizadoras, envolvendo alunos e professores na selecção conjunta de uma série de variados procedimentos cognitivos e comunicativos a serem aplicados a um novo conhecimento, na exploração e busca 103 colectiva de objectivos previstos ou emergentes em um contexto social. d) Ellis (2003a: 16)28 apresenta uma definição mais abrangente. Segundo ele, tarefa é um plano de trabalho que requer que os alunos processem a língua pragmaticamente a fim de atingir um resultado que possa ser avaliado em termos de saber se o correcto ou adequado conteúdo proposicional foi veiculado. Para isso, o aluno precisa de dar atenção primária ao significado e fazer uso de suas próprias fontes linguísticas, embora o design da tarefa possa induzi-lo à escolha de formas particulares. A tarefa é destinada a resultar no uso da língua que tenha uma semelhança, directa ou indirectamente, com a língua que é usada no mundo real. Assim como outras actividades, uma tarefa pode envolver habilidades produtivas ou receptivas, orais ou escritas, e vários processos cognitivos. Facto! Você já sabe o que é uma tarefa. Agora, em que consiste o método de ensino baseado em tarefas? Quais são as suas características? Ellis (2003b: 65) apud Haupt (2010) refere que um ensino apoiado em tarefas é aquele que faz uso de tarefas focadas no final de uma sequência de actividades de aprendizagem que começam com a apresentação da forma seguida de prática. As tarefas são vistas como meio de fornecer prática comunicativa com itens da língua que foram introduzidos de forma tradicional. O ensino baseado em tarefas, por outro lado, trata-as como unidades de ensino em si e como base para o design de um curso completo. Não haverá, então, nesse tipo de ensino, uma lista de conteúdos a serem ensinados. Ao elaborar-se um 28 Ellis (2003a: 16) apud Haupt (2010). 104 programa de ensino ou um material didáctico, a escolha de um ensino por produto ou baseado em tarefas (por processo) está vinculada a bases psicolinguísticas, ou seja, teorias que tentamexplicar como se dá o processo de aquisição/aprendizagem de uma LE, que dão suporte a essas escolhas. Na perspectiva de Lopes (2012: 7/8), a aprendizagem baseada em tarefa é caracterizada por três fases: 1) pré-tarefa; 2) O ciclo da tarefa (tarefa/planeamento/relatório) e 3) foco na língua (análise e prática). Esta metodologia apresenta algumas características relevantes, entre elas: os alunos estão livres de um controlo linguístico. Em todas as três fases, os alunos devem usar todos os seus recursos linguísticos, (Lopes, 2012, p. 8). De acordo com Cerezal (1996:186), no ensino de língua baseado em tarefas, o aprendente aplica sua competência comunicativa para realizar tarefas seleccionadas. Tarefa é um procedimento ou conjunto de procedimentos que podem ter a duração de uma ou mais aulas – têm o seu princípio e fim – e podem estar orientados para a comunicação – tarefas comunicativas – ou para aprendizagem de regras linguísticas que permitam ao aluno participar em tarefas subsequentes – tarefas facilitadoras. As tarefas envolvem actividades de resolução de problemas com uma ou múltiplas soluções – tarefas fechadas ou abertas e terminadas - são desenvolvidas tomando como ponto de partida uma situação sociolinguisticamente autêntica (por exemplo, ir às compras) e incluem processos, tais como listagem, classificação, ordenamento, preenchimento de lacunas, etc.29. 29 (cf. Molina, et al., s/d). 105 Veja alguns princípios do método de ensino baseado em tarefas: Preste atenção à tabela seguinte: Tabela 3: Princípios do método de ensino baseado em tarefas Interacção entre pesquisas sobre aquisição de língua segunda e outras disciplinas de ensino. Visão comunicativa da língua. Visão cognitiva da aprendizagem. Ênfase no processo. Tarefas: conjunto de procedimentos com uma ou múltiplas soluções envolvendo a interacção e foco na forma. Tipos de tarefas: listagem, classificação, ordenamento, preenchimento de lacunas, resolução de problemas, etc. 10.1. Aprendizagem cooperativa Além do método que você viu anteriormente, no âmbito de ensino de línguas pode ser usada a aprendizagem cooperativa. Em que é consiste este método? Aprendizagem cooperativa é uma abordagem em torno da qual os aprendentes trabalham em conjunto, em grupos estruturados, para o alcance de uma meta comum. Visa estimular a cooperação e não a competição – o sucesso de cada pessoa está associado ao sucesso de todos os outros membros – e desenvolver habilidades de pensamento crítico. Os aprendentes são, assim, participantes directos e activos do processo de aprendizagem, devem trabalhar de forma colaborativa com outros membros do grupo em tarefas que lhes são atribuídas, e devem trabalhar para monitorar e avaliar sua própria aprendizagem. O papel do professor muda drasticamente, separando-se das 106 abordagens tradicionais: fala menos, age como facilitador da aprendizagem e é responsável pela criação de um ambiente de aprendizagem altamente estruturado e bem organizado que promove uma aprendizagem em grupos,, orientada para o sucesso30. Richards & Rodgers (2001) e Naughton (2004) apontam os seguintes princípios subjacentes à aprendizagem cooperativa: Interdependência positiva: ocorre quando o sucesso ou o insucesso de cada indivíduo se associa ao sucesso ou insucesso de todos os membros do grupo; Responsabilidade individual: refere-se a uma situação em que tanto o grupo como o indivíduo assumem a responsabilidade para o alcance das metas estabelecidas; Habilidades interpessoais e sociais: determinam a forma pela qual os aprendentes interagem uns com os outros para o alcance dos objectivos e são explicitamente ensinados para garantirem uma interacção positiva; Formação de grupos ou processamento de grupos: diz respeito à tomada de decisões quanto ao tamanho, a composição e às regras internas ao grupo que possam ajudar a avaliar o sucesso ou as limitações do grupo; Estruturação: relaciona-se com as diferentes formas pelas quais se pode organizar a interacção entre os alunos. 10.1.1. Vantagens do método de aprendizagem cooperativa Numa aprendizagem cooperativa, o input é mais compreensível, adequado em termos de desenvolvimento e redundante; o output é mais funcional, comunicativo, frequente, redundante e consistente com a identidade do falante; o contexto é mais facilitador, 30 (cf. Molina, et al., s/d). 107 motivador, comunicativo, referencial, adequado em termos de desenvolvimento, o feedback é rico, todas as variáveis críticas estão asseguradas para estimular a aquisição da língua. Motivação, atitude positiva e altos níveis de auto-estima são promovidos num contexto de aprendizagem cooperativa; Pode ser usado para uma série de tarefas e tipos de conteúdos materiais; Aumenta a autonomia do aprendente e permite que os alunos se assumam como recursos uns dos outros; Desenvolve habilidades de pensamento crítico, encoraja o uso de estratégias cognitivas e estimula os conhecimentos metacognitivos. Ajuda a desenvolver uma compreensão intercultural. Todavia, destacam-se alguns problemas associados ao método de aprendizagem cooperativa: Os professores podem usá-lo de forma inadequada, daí que precisam de uma preparação apropriada em teoria e prática da aprendizagem cooperativa; Eles também podem sentir-se excessivamente sobrecarregados ao se adaptarem à nova metodologia e aos novos papéis que têm de assumir; Por seu turno, os alunos podem ser relutantes em cooperar; Eles podem ter a tendência de recorrer excessivamente à sua L1. O input que eles recebem pode ser muito limitado, levando à fossilização, se não lhes for fornecido um input muito avançado. A aprendizagem cooperativa tem sido considerada pouco eficaz na promoção de habilidades de resolução de problemas. 108 Os alunos mais competentes podem obter menos benefícios deste método do que os alunos fracos, que melhoram apenas de forma marginal. 10.2. Método de ensino baseado em conteúdos Além dos métodos que você viu nas duas secções anteriores: método de ensino baseado em tarefas e aprendizagem cooperativa, aqui você vai conhecer os princípios e fundamentos do método de ensino de línguas baseado em conteúdos. À semelhança do que você fez nos pontos anteriores, quando estiver a ler, procure respostas às seguintes questões: em que consiste este método? Quais são as suas vantagens? Schmitz (1993) refere que cada conteúdo requer uma técnica específica, além de poder eventualmente ser tratado por técnicas comuns a outros conteúdos. Por isso, torna-se difícil ao professor escolher aquela técnica que melhor se preste para cada actividade. Evidentemente, a escolha dos métodos e técnicas de ensino supõe a definição da situação de aprendizagem. A metodologia, portanto, depende de muitas circunstâncias que precisam de ser tomadas em consideração, para que exista a verdadeira aprendizagem, isto é, educação e não um mero treinamento ou aquisição de alguns conhecimentos desconexos de algumas coisas. Quanto mais a aprendizagem se realizar numa situação ampla e aberta, com múltiplos relacionamentos e inter- relacionamentos e diversificados métodos e técnicas, melhor ela contribuirá para criar uma pessoa instruída, culta, preparada para enfrentar as diversas situações de vida e actividade, (Schmitz, 1993, p. 139). Refere, ainda, Schmitz (op. cit: 139), que a variação de métodos e técnicas, especialmente quando os alunos participam da sua escolha, 109 pode facilitar a aprendizagem e torná-la mais agradável. Por isso mesmo, não deve ser o professor que escolhe o modo de trabalhar, mas ele deveráfazer a sua escolha em acordo e com a colaboração dos alunos. Este método tem enfoque na substância ou no significado dos conteúdos que são leccionados, sendo a aprendizagem da língua um produto do foco sobre o significado. A premissa em que este método assenta é de que as pessoas aprendem a língua de forma mais efectiva quando envolvidas em actividades com significado, (Curtain, 1995). Quando a informação por elas adquirida é vista como interessante, útil, leva à satisfação dos objectivos desejados, (Richards & Rodgers, 2001). As instruções baseadas no conteúdo estão também orientadas para as necessidades dos alunos e constroem-se na base da experiência prévia dos aprendentes, associando-a à nova informação que recebem. Este método envolve o aprender fazendo, qualquer coisa que implica o engajamento activo por parte dos aprendentes. As responsabilidades do professor não são menos importantes: as instruções não devem apenas dar conta da língua estrangeira ou língua segunda, mas também devem ter em consideração o sujeito. Quais são as vantagens deste método? Vantagens do método de instruções baseadas no conteúdo (Crandall, 1994; Richards e Rodgers, 2001; Madrid Fernández e García Sánchez, 2001; Troncale, 2002; Kavaliauskiene, 2004): Pode ser aplicado com sucesso em contextos de aprendizagem variados, ensino vocacional, ao nível dos colégios e até em turmas bilingues; Fornece um input que está acima da competência dos alunos e ensina a língua de acordo com o significado contextual; 110 A apresentação da informação de forma coerente e significativa leva a um processamento profundo, que, por seu turno, resulta numa melhor aprendizagem; Promove o desenvolvimento da língua de forma mais natural, em condições similares às de aquisição da L1; Ao enfatizar a ligação entre a vida real e as habilidades reais do mundo, faz com que a aprendizagem da língua se torne mais interessante e motivadora; Incorpora uma variedade de habilidades de pensamento e estratégias de aprendizagem que favorecem o desenvolvimento da língua. Problemas do método de instruções baseadas no conteúdo: Para os aprendentes, o método de instruções baseadas no conteúdo pode constituir um elevado desafio cognitivo. Podem sentir-se confusos, humilhados, ou até frustrados. O tempo disponível pode não ser suficiente para alcançar um nível de proficiência adequado. Este método também impõe desafios aos professores: eles precisam de não só dominar a língua alvo, mas também dispor de conhecimentos sobre os sujeitos; A colaboração e coordenação dos professores que leccionam os conteúdos em L1 e os que leccionam o método de instruções baseadas no conteúdo na língua alvo é essencial, bem como mudanças intelectuais, de atitudes e organizacionais por parte das instituições e professores envolvidos no ensino baseado no conteúdo. O uso abusivo da língua materna do aluno, particularmente em turmas monolingues, é um perigo potencial; No mercado, existe pouco material adaptado ao nível dos alunos; 111 Resumo da lição No ensino de língua baseado em tarefa, o aprendente aplica sua competência comunicativa para realizar tarefas seleccionadas. A aprendizagem cooperativa é uma abordagem em torno da qual os aprendentes trabalham em conjunto, em grupos estruturados, para o alcance de uma meta comum. As instruções baseadas no conteúdo estão também orientadas para as necessidades dos alunos e constroem-se na base da experiência prévia dos aprendentes, associando-a à nova informação que recebem. Auto-avaliação Nesta unidade você aprendeu alguns métodos que podem ser usados no âmbito do ensino de línguas. Teste as suas leituras, resolvendo as actividades que lhe propomos abaixo. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. 1. Explique algumas abordagens recentes sobre o ensino da língua; 2. Descreva o método de ensino de língua baseado em tarefas; 3. Refira-se aos princípios da abordagem cooperativa. 112 Bibliográfia Básica 1. Molina, G. T. et al. (s/d). Corrent approaches and teaching methods. Bilingual Progammes. Faculty of Humanities and Education. University of Jaen; 2. Silva, Maria Cristina da (s/d). “A aquisição de uma Língua Segunda: muitas questões e algumas respostas”. In: Saber e Educar. Lisboa: Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa; 3. Spinassé, Karen Pupp. (2006). “Os conceitos Língua Materna, Segunda Língua e Língua Estrangeira e os falantes de línguas alóctones minoritárias no Sul do Brasil”. In: Revista Contingentia. UF do Rio Grande do Sul. Vol. 1. 113 Unidade 6: Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique Pág. 114 - 124 Conteúdos U N ID A D E 6 Lição n° 11 115 Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique ................................................ 115 11. Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique ....................................................... 116 Propostas didáctico- metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique 114 Introdução Depois de você ter visto, na unidade anterior, alguns métodos que podem ser usados durante o ensino de línguas, essencialmente, nesta unidade, trazemos, para si, abordagens didáctico-metodológicas a ter em conta durante o processo de ensino e aprendizagem de línguas em Moçambique, em especial atenção às línguas bantu. É, também, nesta unidade, onde lhe propomos dois modelos de planos de aula, um semanal, e outro de diário. Objectivos da unidade Ao terminar esta unidade, você deve ser capaz de: Apresentar e explicar algumas propostas didáctico- metodológicas que assegurem a eficiência do processo de ensino e aprendizagem em línguas em Moçambique; Planificar o processo de ensino e aprendizagem tendo em conta os planos semanal e diário de aulas. Descrever os métodos que devem conduzir o processo de ensino e aprendizagem da L1 em Moçambique; Reflectir profundamente sobre a prática educativa escolar moçambicana à luz dos 4 componentes que intervêm na acção didáctica: ensino, aprendizagem, currículo e contexto sociocultural. Tome nota Terminada a unidade, você desenvolverá as seguintes competências: Apresenta e explica algumas propostas didáctico- metodológicas que assegurem a eficiência do processo de ensino e aprendizagem em línguas em Moçambique; Planifica o processo de ensino e aprendizagem tendo em conta os planos semanal e diário de aulas. Descreve os métodos que devem conduzir o processo de ensino e aprendizagem da L1 em Moçambique; Reflecte sobre a prática educativa escolar moçambicana. 115 Lição n° 11 Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique Introdução Nesta lição serão apresentadas algumas propostas didáctico- metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem em Moçambique. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Apresentar algumas propostas didáctico-metodológicas que assegurem a eficiência do processo de ensino e aprendizagem; Compreender a necessidade de introdução do plano de unidade e o plano de aula no processo de ensino e aprendizagem; Descrever algumas abordagens teóricas atinentes ao processo de ensino e aprendizagem em Moçambique. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 100 minutos para o estudo desta lição.Terminologia Propostas didáctico-metodológicas, processo de ensino e aprendizagem de línguas 116 11. Propostas didáctico-metodológicas no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas bantu em Moçambique O processo de ensino e aprendizagem nas escolas moçambicanas, pelo facto de se tratar de um país multilingue e pluricultural deve espelhar a realidade sociocultural do estudante. A título de exemplo, o material usado (p. e., textos e outros materiais didácticos) deve reflectir a realidade do estudante. É extremamente importante que se evidencie um material que aborde o seu mundo envolvente. Naturalmente, isto permite que haja uma comunicação entre o estudante e a sua comunidade/cultura. Contudo, não nos devemos esquecer de focalizar as nossas atenções à questão crucial, relativa aos recursos e/ou meios adequados para a eficácia de todo o processo. Tome nota O sucesso escolar do aluno provém, por um lado, do uso da L1 e L2 como meios de ensino ou disciplinas na educação elementar se, à partida, tivermos um aluno que provém sobretudo das comunidades ‘menos letradas’ em que, à sua L1 estão veiculadas e subjacentes todas suas práticas e realizações socioculturais atinentes à sua comunidade. Assim, psicologicamente, o uso da L1 constitui um elemento ético-motivador. Quanto à L2, co- ocorrendo com a língua materna do aluno como meio de instrução, surge, em parte, como um factor imprescindível para o desenvolvimento socioeconómico do aluno, visto que se trata de uma língua de prestígio social, e, muitas vezes, língua oficial em muitos países africanos. Todavia, os materiais concebidos para o ensino da L2 devem ir ao encontro do horizonte de um aluno que ainda está na fase de integração na nova realidade linguística, o que implica o uso de técnicas e métodos psico-didácticos de modo a tornar os conteúdos 117 compreensíveis. De referir que o sucesso do aluno incide intrinsecamente na sua própria motivação, quer dizer, a sua atitude linguística deve espelhar a vontade e a necessidade de uma educação linguística inclusiva centrada não só na sua L1, como também na L2. Outras razões a destacar atinentes ao sucesso do aluno em programas de ensino bilingue estão relacionadas com a consciencialização de todos os intervenientes na prática educativa escolar. É importante realçar que além da L1 e L2, há outros factores imprescindíveis ao sucesso do aluno, no geral: factores económicos, políticos, saúde, etc. Moçambique é caracterizado pela insuficiência de infra-estruturas escolares e materiais de ensino, uma situação que não só se verifica no ensino básico e médio, bem como no superior. Decorre, deste facto, a necessidade de adequação de programas e sistemas de ensino à realidade do estudante. É neste contexto que recomendamos que o professor, partindo do programa e/ou plano curricular, elabore, tendo em conta a língua materna do aluno, diversos planos em função de cada unidade temática. Veja-se a tabela abaixo: Tabela 4: Plano de unidade a ser elaborado na língua materna do aluno Unidade:_____________ Carga horária:______ O Docente: _____________________ Objectivos especificos Conteúdos Estratégias de ensino Recursos de ensino e bibliografia Avaliação Neste modelo, o professor é confrontado com um conjunto de processos e/ou princípios ligados principalmente ao planeamento do ensino-aprendizagem. Não obstante, a sua introdução efectiva implica uma visão psico-pedagógica profunda do professor, quer na redefinição clara dos conteúdos propostos no currículo (o quê ensinar?), quer na delimitação das estratégias de ensino, recursos 118 didácticos (como ensinar?), quer na definição específica dos objectivos (para quê ensinar?) ou das competências, quer na reflexão sobre os mecanismos de avaliação (acompanhamento de todo processo). Assim, para o ensino da L1, são recomendados os seguintes métodos: Método analítico sintético para a leitura e escrita na L1/LM; Leitura de imagens para a aprendizagem do vocabulário na L1/LM; Resposta física completa; Redacção conjunta; Jogos interactivos na L1/LM e na L2; Contagem ou narração de pequenas e curtas histórias (por exemplo: fábulas) em L2 e em L1). Ainda no âmbito do planeamento do ensino, propomos uma grelha de plano de aula. O modelo vertical de plano de aula que aqui apresentamos surge como uma das estratégias didáctico- metodológicas que, funcionalmente, deve garantir a condução eficaz do processo de ensino e aprendizagem. Veja-se a tabela a seguir: Tabela 5: Plano vertical de aula a ser elaborado na língua materna do aluno Tempo Funções didácticas Objectivos específicos Conteúdo Actividades Evidências requeridas Método de ensino Material didáctico Introdução e Motivação Aluno professor Mediação e Assimilaçào Domínio e consolidação Controlo e Avaliação 119 Porém, chamamos a sua atenção ao facto de este plano: (i) ser elaborado com base em objectivos claros e puramente realistas, que se cingem no aluno e não, tradicionalmente, nos conteúdos, tendo em conta os diversos meios ou recursos didácticos disponíveis para a sua materialização; (ii) envolver conteúdos que, teórico e praticamente constituam meios para o alcance dos objectivos específicos pré-definidos; (iii) fazer uma previsão do tempo suficiente para garantir a administração dos conteúdos, sejam horas de estudo, sejam horas de contacto, que se circunscreverão na mediação e na assimilação dos conteúdos por parte dos professores e dos alunos, respectivamente; (iv) focalizar conteúdos que se adaptem à realidade sociocultural do aluno e que, em parte, respondam aos interesses da sociedade. Em conformidade com Haydt (1998: 104/5), um bom plano diário de aula apresenta as seguintes características: Coerência e unidade (é a conexão entre os objectivos e meios, pois os meios devem ser adequados para atingir os objectivos propostos); Continuidade e sequência (é a previsão do trabalho de forma integrada do começo ao fim, garantindo a relação existente entre as várias actividades); Flexibilidade (é a possibilidade de reajustar o plano, adaptando-o às situações não previstas); Objectividade e funcionalidade (consiste em levar em conta a análise das condições da realidade, adequando o plano ao tempo, aos recursos disponíveis e às características da clientela); Precisão e clareza (o plano deve apresentar uma linguagem simples e clara): os enunciados devem ser exactos e as 120 indicações precisas, pois não podem ser objecto de dupla interpretação). Ainda no processo de ensino, é crucial que se observe atentamente as técnicas, os métodos e as estratégias que, de forma significativa e contínua, assegurem a aprendizagem dos conteúdos, pois, como refere Santos (2011), no seu artigo em que reflecte sobre o papel do professor na educação em Moçambique, o professor deve funcionar como uma luz, e usar os novos meios de informação para desenvolver o espírito crítico por parte dos intervenientes no processo de ensino-aprendizagem. Deverá ter a consciência de que o aluno precisa de contribuir para a sua própria aprendizagem, e como tal, deverá criar um ambiente favorável para o efeito. Como se pode depreender, os pressupostos da didáctica devem harmonizar o contexto em que se integra todo o processo educativo, i. e., devem, efectivamente, reflectir a intersecção dos quatro universos indissociavelmente ligados, nomeadamente, ensino, currículo, aprendizagem, bem como o contexto sociocultural envolvente. Veja o esquema a seguir: Figura 2: Pressupostos que integram a didáctica Fonte: Ribeiro & Ribeiro (2003) DIDÁCTICA CURRÍCULO APRENDIZAGEMCONTEXTO SOCIOCULTURAL ENSINO 121 As necessidades ou práticas educativas devem atender às necessidades socioculturais do estudante, o processo de ensino- aprendizagem deve, obviamente, espelhar a teoria sociocultural de Vygotsky, segundo a qual, a inteligência humana provém da cultura e da sociedade, isto é, o desenvolvimento cognitivo requer uma interacção social. Assim, recomendamos que: (i) Haja consciencialização de todos os membros da comunidade em relação à mudança da sua atitude linguística, sobretudo quando o assunto é o ensino e aprendizagem em línguas do grupo bantu; (ii) Haja envolvimento dos membros seniores da comunidade na sensibilização dos pais e encarregados de educação sobre a importância de políticas linguísticas atinentes a uma educação linguística inclusiva; (iii) Se mostre a importância de um ensino bilingue na promoção do património sociocultural e linguístico do aluno; (iv) Se demonstre a relação que se estabelece entre os usos da linguagem e as diversas práticas socioculturais a que os alunos estariam expostos em face do ensino exclusivo da L2; (v) Se descreva cuidadosamente as desvantagens sociais, culturais, linguísticas, etc., do ensino monolingue; (vi) Se desenhe programas de sensibilização linguística e implementação de programas de pré-alfabetização e pós- literacia em línguas maternas. Com isto, pretendemos aprimorar que a aprendizagem, tanto no ensino elementar (básico) e médio, como no superior resulta de uma extrínseca motivação. Esta motivação transcende a própria instituição e integra vários domínios como, p. e., económico, político, histórico, social, cultural, etc. Portanto, a aprendizagem só poderá ocorrer em função dos domínios ou dos contextos aqui apresentados. 122 Propomos, igualmente, que o modelo sistemático de ensino seja voltado ao desenvolvimento de competências do estudante31 e não meramente nos conteúdos. Este modelo linear de análise por objectivos32 permite verificar se, de facto, as capacidades se traduzem em factos pela observação das performances dos estudantes, por isso, sustentamos a seguinte proposição: para que o ensino-aprendizagem seja funcional, eficaz e viável, a organização do processo educativo deve priorizar a criatividade e participação do estudante, orientação para resolução de problemas e para o método, bem como a adaptação da universidade às necessidades básicas do estudante. Resumo da lição Há uma necessidade da redefinição dos pressupostos da didáctica tradicional, que está centrada sobretudo no ensino, e reflectir-se, profundamente, sobre a didáctica moderna, cuja ênfase incide no processo de aprendizagem. Urge a necessidade da redefinição de alguns componentes psico-didácticos, nomeadamente, o professor, o aluno, os métodos de ensino, os conteúdos e os objectivos, de tal forma que se assegure a eficiência e qualidade do processo de ensino e aprendizagem. 31 Este modelo de ensino resulta das correntes comportamentais de Skinner, encarado como uma garantia de o tornar mais eficaz pela análise constante dos resultados que deverão ser acompanhados pelos objectivos inicialmente previstos, o que permite regular tanto o ensino como a aprendizagem (Tochon, op. cit, pág. 31). 32A didáctica por objectivos, tal como destaca Farid (1982) apud Tochon (op. cit: 32), exige escolha de objectivos gerais (o que esperar do ensino?); planificação de objectivos por sequências (o que ensinar?); verificação do nível de conhecimentos dos alunos relativamente aos objectivos propostos; escolha e aplicação das estratégias de ensino (como ensinar?); avaliação dos resultados e certificação. 123 Por outro lado, uma vez que a didáctica se preocupa pelo ensino e suas relações com a pedagogia, defendemos, quer a introdução do plano de unidade e de um modelo fixo de plano de aula, quer a implementação da perspectiva moderna, que harmonize as necessidades individuais do aluno; i. e., a centralização da aprendizagem nos modelos teóricos da teoria sociocultural de Vygotsky. Auto-avaliação Nesta unidade você aprendeu alguns métodos que podem ser usados no âmbito do ensino de línguas. Teste as suas leituras, resolvendo as actividades que lhe propomos abaixo. Redija com clareza e objectividade, cingindo-se ao que lhe é solicitado. 1. Por que o processo de ensino e aprendizagem nas escolas moçambicanas deve espelhar a realidade sociocultural do aluno? 2. Por que há uma necessidade de adequação de programas e sistemas de ensino à realidade do aluno? 3. Quais são os métodos recomendados para o ensino da L1? 4. Que recomendações a ter em conta na elaboração do plano diário de aulas? 5. Apresente 4 características que Haydt (1998: 104/5) propõe para a elaboração de um bom plano diário de aula. 6. Em que consiste o modelo sistemático de ensino voltado ao desenvolvimento de competências do aluno? 124 Bibliográfia Básica 1. Althaus, Maiza T. Margraf. (2004). “Acção Didáctica no Ensino Superior: A Docência em Discussão”. (s/l. In Revista Teoria e Prática da Educação. V.7. N.°1; 2. Barbosa, Jane R. (2011). A. Didáctica do Ensino Superior. 2.ª Edição. Curitiba: IESDE Brasil; 3. Gil, António. (2003). Metodologia do Ensino Superior. 3.ª Edição. São Paulo: Atlas; 4. Ribeiro, António & Ribeiro, Lucie C. (2003). Planificação e Avaliação do Ensino- aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta; 5. Rodrigues, Leude Pereira et al. (2011). “O Tradicional e o Moderno Quanto à Didáctica no Ensino Superior”. Araguaína. In Revista Científica do ITPAC. Araguaína. V.4. N.°.3; 6. Santo, Eniel do Espírito & Luz, Luiz C. S. da Luz. (2013). “Didáctica no Ensino Superior: Perspectivas e Desafios”. (s/l). In Revista Natal – RN. V. 1. N.º 8; 7. Silva, Regina Nogueira da & Borba, Ernesto Oliveira. (s/d). A Importância da Didáctica no Ensino Superior. (s/l); 8. Tochon, François V. (1995). A Língua como Projecto Didáctico. [Trad. Maria Vidal]. Porto: Porto Editora. 125 Unidade 7: Aprendizagem da leitura e escrita no ensino básico: modelos, estratégias e técnicas Pág. 126 - 140 Conteúdos U N ID A D E 7 Lição n° 12 127 Aprendizagem da leitura e escrita no ensino básico: modelos, estratégias e técnicas ............ 127 12. Aprendizagem da leitura e escrita: modelos, estratégias e técnicas ............... 128 Lição n° 13 136 Ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares ................................................................................. 136 13. Ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares ........................................................... 137 Aprendizagem da leitura e escrita no ensino básico: modelos, estratégias e técnicas 126 Introdução Depois de você ter visto algumas abordagens sobre o processo de ensino e aprendizagem de línguas para o contexto moçambicano, nesta, que é a última unidade, você vai poder descrever os modelos, estratégias e técnicas de leitura e escrita no ensino básico, no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas. Por um lado, você vai descrever as estratégias, modelos e algumas técnicas a observar durante a aprendizagem destas duas habilidades; e, por outro lado, explicar o papel do ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares, no âmbito de ensino e aprendizagem de línguas. Objectivos da unidade Ao terminar esta unidade, você deve ser capaz de: Conduzir os processos de escrita e de leitura no âmbito do ensino e aprendizagem de línguas no ensino básico; Descrever os modelos, estratégias e técnicas de leitura e escrita no ensino básico; Explicar algumas abordagens teóricas atinentes aosprocessos de leitura e escrita; Compreender o papel do ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares, no âmbito de ensino e aprendizagem de línguas; Explicar algumas teorias e/ou perspectivas que surgem no âmbito da leitura e escrita. Tome nota Terminada a unidade, espera-se que você apresente as seguintes competências: Conduz os processos de escrita e de leitura no âmbito do ensino e aprendizagem de línguas no ensino básico; Descreve os modelos, estratégias e técnicas de leitura e escrita no ensino básico; Explica algumas abordagens teóricas atinentes aos processos de leitura e escrita; Compreende o papel do ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares, no âmbito de ensino e aprendizagem de línguas; Explica algumas teorias e/ou perspectivas que surge no âmbito da leitura e escrita. 127 Lição n° 12 Aprendizagem da leitura e escrita no ensino básico: modelos, estratégias e técnicas Introdução No âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas, nesta lição você vai descrever os modelos, estratégias e técnicas de leitura e escrita. Você já deve saber que na aprendizagem de línguas não só se olha para as componentes da oralidade e compreensão (audição), mas também é preciso que estas duas habilidades sejam associadas a outras, como é o caso da escrita e leitura, de tal forma que o aluno seja linguisticamente competente na sua L1 ou na sua L2. Por essa razão, trazemos, para si, estes conteúdos, na expectativa de você poder aprofundar algumas técnicas, recomendações, cuidados a ter em conta como professor de ensino básico, com vista a distinguir claramente os procedimentos (sejam de leitura, sejam de escrita) usados no ensino básico dos usados no ensino secundário. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Conduzir os processos de escrita e de leitura no âmbito do ensino e aprendizagem de línguas no ensino básico; Descrever os modelos, estratégias e técnicas de leitura e escrita no ensino básico; Explicar algumas abordagens teóricas atinentes aos processos de leitura e escrita; Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 100 minutos para o estudo desta lição. 128 Terminologia Leitura, escrita, estratégias, modelos e técnicas. 12. Aprendizagem da leitura e escrita: modelos, estratégias e técnicas Antes de avançar à leitura deste tópico, dê-se um mínimo de concentração e reflicta sobre as questões que lhe propomos: O que é leitura? O que é escrita? Será que os métodos de escrita e leitura usados no ensino secundário coincidem com os usados no ensino básico? Agora pode proceder à leitura! Segundo Martins et al. (1992: 10), a leitura, como modalidade simples, é o processo de compreensão de um escrito, de uma forma interiorizada. Passa pelo processo dos sinais gráficos, pela visão e pela sua correspondência com o significado verbal, a nível do sistema nervoso central. Durante o processo de ensino e aprendizagem, é importante que o professor reserve alguns minutos para que alunos leiam qualquer tipo de literatura (livro, jornal, banda desenhada, revista, etc., e, para tal, o professor deve: Convidar os alunos a deixarem por algum tempo na sala de aula os documentos que já leram; Fazer (só com os alunos) a assinatura de um jornal ou de uma revista que vá constituindo biblioteca na turma; Ler também durante esse tempo; Terminado o tempo, pedir para guardarem os livros sem mais comentários. 129 Na asserção de Costa (1992: 81), no que tange à compreensão e objectivos da leitura, ler o mesmo texto, orientado pelos mesmos objectivos e com a mesma tarefa pós-leitura, é uma sucessão de actividades que permite controlar capacidades de compreensão e fazer a definição de perfis de leitores. A leitura, como um procedimento estratégico, i., e., como um comportamento controlável e alterável pelo próprio indivíduo, tem sido analisado sob o escopo mais vasto da metacognição. As estratégias cognitivas, apoiadas na competência linguística, ocorrem de forma não acessível para o leitor, são inconscientes e estão ao serviço do tratamento automático da informação. Em relação às estratégias de leitura33, no âmbito de ensino de línguas maternas, destacam-se: Estratégias de ajuda técnica (sublinhar palavras-chave, consulta de glossários, tomada de notas. Tem a função de facilitar os movimentos de avanço na tarefa de extracção de significado, permitindo destacar informação a integrar posteriormente na informação nuclear); Estratégias de clarificação e simplificação (operação de substituição linguística, sinonímia, antonímia, etc.); estratégias de detecção de coerência (consiste na identificação da macroestrutura do texto, uso de esquemas de conhecimento. Utilização de conhecimento sobre os modos de conexão do discurso e de conhecimento extra-textual, pragmático, etc.); 33 No âmbito da leitura surgem várias teorias e/ou perspectivas. Por exemplo, a perspectiva construtivista defende que a aprendizagem da leitura e da escrita é uma construção entre as crianças dentro da sala de aula. Por um lado, a criança adquire conhecimentos na interacção construtiva com o material escrito e, por outro lado, todo o processo de aprendizagem implica relações sociais. Se olharmos o processo de leitura e escrita sob o ponto de vista do professor, este é o responsável por oferecer à criança as oportunidades de interagir com o escrito, de consultar programas, de fazer listas, de decidir o que fazer examinando o que está escrito, (cf. Teberosky & Colomer, 2003, p. 78). 130 Estratégias de controlo (permitem controlar e planear o processamento, detectar erros, ajustar a velocidade de leitura, proceder à segmentação das unidades de significado, (Costa, 1992: 80/5). A escrita é uma actividade de transposição para o código escrito de uma mensagem verbal organizada interiorizadamente. O acto de escrita exige: formulação mental da mensagem a transmitir; a sua codificação linguística; a passagem da mensagem linguística para a modalidade escrita; a sua execução motora no acto de desenhar as letras correspondentes à mensagem gráfica. A escrita caracteriza-se por determinadas regras formais (separação de palavras, pontuação, linhas, orientação de esquerda para a direita e de cima para baixo). A escrita apresenta códigos para assinalar certas formas de discurso oral, adoptando determinada pontuação para a reprodução exacta do discurso ou outro tipo de pontuação e de estruturas gramaticais para introduzir o discurso de forma indirecta, (Martins et. al., 1992: 11/18). O uso do material escrito em sala de aula deveria reflectir um ambiente real e funcional da escrita. Portanto, é necessário que na sala de aula haja diversos e variados materiais, acessíveis à criança e integrados nas actividades de classe, (Teberosky & Colomer, 2003: 111). Conforme Brito (2007: 2/4), a escrita, então, não deve ser considerada como mero instrumento de aprendizagem escolar, mas como produto cultural. Assim entendida, possibilita a exploração, no contexto da sala de aula, de diferentes portadores de textos, explicitando os variados usos e funções que lhes são inerentes numa sociedade letrada. Apesar dos avanços significativos dos estudos sobre o processo de alfabetização, observa-se, em alguns casos, que a prática da escola parece distanciada da funcionalidade da escrita no contexto da sociedade, limitando-se aos usos mecânicos e descontextualizados. A aprendizagem da escrita é, portanto, processual e constrói-se em ritmo diferente em cada indivíduo. 131 Para Teberosky & Colomer (2003: 83/7), na educação infantil, existem eixos fundamentais atinentes à aprendizagem da leitura e escrita34, designadamente:i) entrar no mundo da escrita (trata-se de uma dimensão relacionada ao contacto com o material gráfico impresso, que serve para explorar a descoberta dos princípios básicos de organização da escrita, suas convenções e suas funções); ii) apropriar-se no mundo da escrita (esta dimensão está relacionada à frequência com que as crianças se comunicam com os leitores e escritores. É importante que, na escola, o mundo da escrita se complete com o mundo dos livros); iii) escrever e ler (esta dimensão faz menção ao processo de compreensão da escrita, assim como compreensão das relações entre oralidade e escrita, e entre escrever e ler): iv) produzir e compreender textos escritos (esta dimensão faz referência ao facto de que o acesso à linguagem escrita é, prioritariamente, um acesso aos textos. Portanto, o ponto de referência do currículo de leitura e a escrita é duplo: o processo de construção por parte da criança e as práticas escritas da sociedade onde vive. Com esta dupla referência, pretende-se não apenas ensinar a ler e escrever, mas também, ensinar as diferentes maneiras de ler e de escrever adoptadas às exigências actuais dessa sociedade, (cf. Teberosky & Colomer, 2003, p. 88). 34 Qualquer escrita é um conjunto de marcas gráficas intencionais, mas qualquer conjunto de marcas não constitui uma escrita: são as práticas culturais de interpretação que transformam essas marcas em objectos simbólicos e linguísticos, (Ferreiro, 1996) apud (Teberosky & Colomer, 2003, p. 86). 132 A tabela abaixo sistematiza algumas recomendações a ter em conta durante a escrita e a leitura no processo de ensino e aprendizagem, na visão de Teberosky & Colomer (2003: 91). Observe-a e leia com atenção: Tabela 5: Recomendações a ter em conta na escrita e leitura 1. Iniciar a criança mais cedo em uma interacção com diferentes tipos de escritos e com textos, sendo que essa interacção vai além do domínio individual das técnicas gráficas de escrita ou de descodificação da leitura; 2. Oportunizar o contacto dela com o material tipográfico impresso e não apenas com a escrita manuscrita; 3. Iniciar as crianças na confrontação com os modelos adultos, fazendo-as passar por vários momentos do processo de reprodução de um texto; 4. Evitar o exercício e automatização de regras antes de chegar à escrita de textos, evitando, assim, a aceitação de relações causais e sequenciais do tipo: primeiro é preciso aprender as letras ou as palavras, para depois aprender as frases e textos; 5. Não considerar, na relação oral/texto, o escrito como uma consequência ou uma transição do oral. É importante evitar conceber a aprendizagem como uma sucessão de operações que ocorrem, primeiro na fala e depois na leitura ou escrita; 6. E, finalmente, não considerar a leitura e a escrita como uma progressão sequencial, em que primeiro se aprende a ler e depois a escrever, ou o inverso. Fonte: Teberosky & Colomer (2003: 91) Convém lembrar que o aprendizado da escrita, na escola, coloca a criança diante de alguns dilemas referentes à natureza desse objecto cultural (a própria escrita). Como exemplo, citamos a arbitrariedade presente na 133 representação gráfica de palavras, a segmentação da escrita e, ainda, a organização espacial da grafia. Quanto à representação gráfica das palavras, a criança, a partir de hipóteses construídas na escola sobre a relação fala/ escrita, principalmente no início da escolarização, tende a escrever como fala, fazendo uma transcrição fonética, (cf. Brito, 2007, p. 4). Os métodos35 do ensino da leitura e da escrita podem ser classificados como: i) sintético, os que levam o aluno a combinar os elementos isolados da língua: sons, letras e sílabas. Baseiam-se na concepção de que o ensino da leitura e da escrita devem começar pelos elementos que compõem a palavra, ou seja, este método passa pelo nível fonético e silábico; e ii) analítico, os que levam ao aluno a analisar o todo (palavra) para chegar às partes que a compõem. Neste método, a palavra é apresentada ao aluno, muitas vezes acompanhada da imagem, porém a atenção é dirigida aos detalhes da palavra como sílabas, letras e sons. Monteiro et al. (2011: 5), ao demonstrarem a reconstituição das teorias emergentes, referentes à aquisição da leitura e da escrita tendo em conta a prática pedagógica como prática social, referem que o processo de desenvolvimento da leitura e da escrita, em crianças de quatro e cinco anos que possuem, ao seu redor, ambiente propício ao contacto com sua prática social (com acesso a jornais, revistas, livros de literatura infantil, listas para compra, recados e outros), pode avançar rapidamente, pois essas crianças estão em excelentes condições para iniciarem o primeiro ano do Ensino Fundamental. A escola, como instituição social responsável pelo processo educativo, nos dias actuais, tem-se tornado uma verdadeira “babel” e isso pode ser constatado nos estágios curriculares, pois cada escola segue seus procedimentos pedagógicos, e os órgãos competentes não dão condições necessárias para uma implementação sequencial de uma proposta pedagógica condizente com os dias actuais, por vários factores: mudanças 35Disponível em: http://alfabetizaromundodasletras.blogspot.com/2011/06/os-diversos- metodos-de-ensino-da.html. Acesso em 9 de Junho de 2015. 134 de governo, mudanças na liderança do sistema educacional (e da própria política educacional), má remuneração e má formação dos professores; classes superlotadas e outros problemas mais, fazendo com que a educação seja, de certa forma, banalizada, (cf. Monteiro et al., 2011, p. 6) Resumo da lição Leitura Escrita Estratégias e técnicas Auto-avaliação Você deve testar as suas leituras, resolvendo as actividades que lhe propomos abaixo. 1. Quais são os cuidados que o professor deve ter no âmbito da aprendizagem da leitura e escrita? 2. Refira-se às estratégias da leitura e escrita. 3. Em que consiste a teoria construtivista? 4. Descreva os eixos fundamentais atinentes à leitura e escrita. 135 Bibliográfia Básica 1. Martins, Maria, et al. (1992). Para a didáctica do português: seis estudos de linguística. Colibri: Lisboa; 2. Lopes, Juarez. (2012). “Aprendizagem baseada em tarefas: uma proposta complexa para um método de ensino de língua estrangeira”. in: Anais do X Encontro do Celsul. Universidade estadual do oeste do Paraná; 3. Haupt, Carine. (2010). “Abordagem por tarefas no ensino de Le: as actividades do themen aktuell”. In: Revista Odisseia; 4. Menezes, Leonarda (2011). “O letramento bilingue em Moçambique: considerações Preliminares”. In: XI Congresso Luso Afro Brasileiro de Ciências Sociais: diversidade e (des) Igualdades. Bahia: Universidade Federal da Bahia; 5. Monteiro, Adriana; Mastelini, Marcela & Pacheco, Silva. (2011). “A aprendizagem da leitura e da escrita no 1.° Ano do ensino fundamental”. In: III.° Encontro Científico e Simpósio de Educação. Lins: Unisalesiano; 6. Brito, Antónia Edna. (2007). “Prática pedagógica alfabetizadora: aquisição da língua escrita como processo sociocultural”. In: Revista Iberoamericana de Educación. Universidade Federal do Piauí. Brasil; 7. Guirrugo, Osvaldo. (2010). “Ensino Bilingue em Moçambique: Um desafio político-estratégico”. In: Notícias. Maputo; 8. Schmitz, Egídio Francisco. (1993). Fundamentos da didáctica. 7ª Edição. UNISINOS: Leopoldo Editora; 9. Pereira, Dília, R. (1992). “O papel dos diferentes ambientes da língua de ‘imput’ no processo de aquisição, desenvolvimento e aprendizagem da língua materna”. In: Martins, Maria, et al. Para a didáctica do português: seis estudos de linguística. Colibri: Lisboa; 10. Costa, M. Armanda. (1992).“O processo de compreensão na leitura e o conhecimento linguístico”. In: Martins, Maria, et al. Para a didáctica do português: seis estudos de linguística. Colibri: Lisboa; 11. Teberosky, Ana & Colomer, Teresa. (2003). Aprender a ler e a escrever: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Artmed. [trad. Ana Maria Neto Machado]; 12. Haydt, Regina. (1998). Curso de didáctica geral. 5.ª Edição. São Paulo: Ática. 136 Lição n° 13 Ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares Introdução Uma vez estudados os processos de ensino e aprendizagem de leitura no ensino básico, reservamos-lhe esta última lição, em que você irá descrever e explicar o papel do ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares, no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas. Objectivos Ao completar esta lição, você será capaz de: Descrever o papel do ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas; Compreender o papel o ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares no âmbito do processo de ensino e aprendizagem de línguas. Tempo Tempo de estudo da lição: Deverá reservar 45 minutos para o estudo desta lição. Terminologia Ambiente linguístico escolar, familiar e dos pares. 137 13. Ambiente linguístico familiar, escolar e dos pares Você sabia que os diferentes ambientes linguísticos, de entre eles, família, escola, espaços privilegiados, entre outros, contribuem para uma aprendizagem efectiva de línguas? A seguir, saiba o porquê! Na óptica de Pereira (1992: 27), na nossa cultura e na maior parte dos casos, o primeiro ambiente linguístico com o qual o sujeito é confrontado é o familiar, particularmente o ambiente linguístico criado pelos seus pais. Os primeiros anos de vida são cruciais tanto para o desenvolvimento linguístico como para o desenvolvimento global do sujeito e a sua importância tem sido salientada por diversas áreas de investigação. A qualidade das relações afectivas entre pais e filhos desempenha um papel muito importante no desejo de aprender. As crianças que têm melhores vínculos afectivos, em famílias que apresentam situações estimulantes de leitura compartilhada, mostram-se mais interessadas pela escrita, pedem mais leituras de livros e fazem mais perguntas sobre as letras, (cf. Teberosky & Colomer, 2003, p. 130). A família é, contudo, apenas um dos espaços de letramento, fora dela estão os inúmeros escritos urbanos, carregados de sentido e de funcionalidade. Estão, também os escritos escolares cujo uso institucionalizado e burocratizado bloqueia as ideias da criança, propondo-lhe como formas de ler e escrever actividades mecânicas e repetitivas. Sabe-se que dentro da sala de aula, as actividades de escrita são constantes, todavia, não dão conta da gama de usos e funções desse objecto cultural no contexto da sociedade mais ampla, (Brito, 2007, p. 2). Em relação ao ambiente escolar, note-se que a entrada no novo ambiente linguístico que é a escola, é marcada por uma certa descontinuidade face à sua experiência linguística anterior. É através da assunção não ambígua desta descontinuidade e da sua adequada gestão que a escola pode realmente ser um factor de progresso no seu desenvolvimento linguístico. 138 Um exemplo do desenvolvimento da competência linguística proporcionada pela escola é o progressivo domínio consciente da linguagem figurada. O ambiente linguístico familiar é certo, já terá confrontado a criança com este tipo de linguagem. Por exemplo, nas interacções mãe/criança é frequente ocorrerem hipérboles ou ironias, (Pereira, op. cit., p. 34/6). O ensino e aprendizagem, em contexto escolar ganham, pois, em ser concebidos e organizados no quadro global da educação enquanto processo permanente ao longo da vida, que não se circunscrevem a um tempo determinado nem a um espaço privilegiado, mas abarcam todo o espectro da vida individual e social. Assim, os planos e programas de ensino devem aproximar-se daquele processo educativo amplo, de modo que a educação escolar os prolongue e os promova, (Ribeiro, op. cit., p. 33). Por fim, importa destacar o ambiente linguístico dos pares. É óbvio que o ambiente criado por outras crianças ou jovens é fundamental no desenvolvimento linguístico e psicológico do sujeito. Contudo, a linguagem utilizada entre sujeitos da mesma idade também apresenta diferenças em função da composição sexualmente homogénea ou heterogénea do grupo, (Pereira, op. cit., p. 38). Resumo da lição Os diferentes ambientes linguísticos, de entre eles, família, escola, espaços privilegiados, entre outros, contribuem para uma aprendizagem efectiva de línguas. Note-se que os primeiros anos de vida da criança são cruciais tanto para o desenvolvimento linguístico como para o desenvolvimento global do sujeito e a sua importância tem sido salientada por diversas áreas de investigação. 139 Auto-avaliação 1. Explique o papel do ambiente linguístico familiar, escolar, e dos pares no âmbito do processo de ensino-aprendizagem. 2. Por que os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento linguístico da criança? Bibliográfia Básica 1. Martins, Maria, et al. (1992). Para a didáctica do português: seis estudos de linguística. Colibri: Lisboa; 2. Lopes, Juarez. (2012). “Aprendizagem baseada em tarefas: uma proposta complexa para um método de ensino de língua estrangeira”. in: Anais do X Encontro do Celsul. Universidade estadual do oeste do Paraná; 3. Haupt, Carine. 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