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APS UNIP FARMÁCIA DESCARTE DE MEDICAMENTOS

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os medicamentos vencidos em vasos sanitários, o que é, claramente, uma forma irracional de descarte. Quando os mesmos já foram encaminhados para locais aonde há maior rotação e mesmo assim sobraram e foram vencidos o correto a proceder é encaminhar os medicamentos de lotes vencidos para secretaria e lá é exercido as práticas de trabalho por profissionais que obtém a técnica e habilidade específicas e necessária para as atividades. 
Tais casos apontam irregularidade no processo de coleta de resíduos de medicamentos no município em questão, o que resulta em atitudes inadequadas, tais como o uso da caixa para descarte de resíduos perfuro cortantes alheio à finalidade a ele atribuída.
Existe uma série de resoluções que tratam sobre o descarte de resíduos de produtos relacionados com a saúde. Uma delas é a RDC Anvisa nº 306 estabelece sobre o descarte de embalagens contaminadas deve ser realizado da mesma maneira que substâncias responsáveis pela contaminação. Já a Portaria n° 384/98 estabelece que resíduos de insumos e fármacos devem ser destinados de forma específica. A Resolução Anvisa no 306/2004 trata sobre o descarte de produtos farmacêuticos em sua forma liquida que não causam prejuízos à saúde e ao meio ambiente devido à sua composição e propriedades terapêuticas, o qual deve obedecer a legislação ambiental vigente. 
Entretanto, nenhuma destas normas esclarece com mais detalhes sobre o modo como deve proceder o descarte e destinação de resíduos, o que contribui significativamente no desentendimento por parte dos profissionais de saúde quanto ao descarte de medicamentos.
Como o descarte adequado de medicamentos assegurado na legislação é um processo complexo, se faz necessária a implantação de programas de treinamento e monitoramento aos profissionais de saúde relacionadas à classificação, formas farmacêuticas e termos técnicos relacionados aos medicamentos cujo significado deve ser melhor assimilado para facilitar a compreensão das normas a eles relacionadas. O cumprimento das normas também deve ser assegurado através de condições favoráveis na infraestrutura dos estabelecimentos. 
O profissional responsável pelo descarte de resíduos, para a maioria dos entrevistados, é o enfermeiro, por ele geralmente assumirem o papel de gerentes das unidades de saúde. Outro aspecto apontado a partir dos relatos é a contradição de atribuições sobre o gerenciamento de resíduos entre a Vigilância Sanitária e o setor de Assistência Farmacêutica. Um destes entrevistados esclarece que a Vigilância Sanitária é responsável pela vistoria do descarte de medicamentos executado pela Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) para a qual os resíduos devem ser encaminhados. Não foram dadas maiores informações a respeito do processo. Segundo estabelece a própria Anvisa, ela também deveria se responsabilizar em garantir o cumprimento da PGRSS pelos estabelecimentos de saúde.
A falta de consenso entre a Anvisa, assistência farmacêutica e serviços de saúde gera o não cumprimento das diretrizes estabelecidas pelas normas pertinentes, o que resulta em atitudes e orientação inadequada dos agentes comunitários de saúde (ACS) aos pacientes quanto ao descarte de fármacos por falta de práticas adequadas pelo município, postos e estruturas para coleta, materiais educativos como cartazes e folhetos e discussões entre membros da equipe multidisciplinar a respeito deste tópico. Assim, tanto a população quanto o profissional se encontram desamparados quando se trata do descarte de medicamentos e seus impactos ao meio ambiente.
Os resultados obtidos na pesquisa reforçam a orientação quanto ao descarte correto de medicamentos como uma das maiores dificuldades dos profissionais de saúde, o que se associa ao desperdício de medicamentos e ausência de PGRSS.
O correto gerenciamento pelo setor de assistência farmacêutica deve ser garantido pelos gestores e cumprido pela equipe de saúde. Além disso, a prescrição, dispensação e incentivo ao uso racional dos medicamentos asseguram que não haja prejuízos tanto financeiros quanto de saúde pública.
Existem, todavia, algumas exceções como ocorre, por exemplo, em algumas redes de drogarias e todos os postos de saúde da cidade de São Paulo que recebem medicamentos da população para serem descartados e no estado da Bahia, em que foi firmada uma parceria entre a iniciativa privada representada pelas redes de farmácias, Programa Farmácia Popular e o Conselho Regional de Farmácia do estado para a implantação de postos de coleta nestas empresas), apesar da ausência deste recurso nos estabelecimentos públicos. 
A adesão voluntária por parte das farmácias privadas em aderir a estas ações é mais um empecilho na aplicação das diretrizes relacionadas ao descarte correto de produtos farmacêuticos. Campanhas desta natureza somada a outras estratégias já se mostraram eficazes em outros países como o Canadá, México e Portugal. 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi uma lei (12.305/2010 e 7.404/2010) que foi aplicada em cenário nacional visava a prevenção sobre os sistemas logísticos perante o restabelecimento de tais resíduos pelos setores das empresas, apesar disso ainda há discussões e conflitos entre eles.
Além dessas ferramentas, os representantes das organizações criadas para defesa do consumidor têm entrado em discussão em grupo de trabalho para resolver da melhor forma o proceder sobre a realização desse descarte. A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Industria e Comércio da Câmara foram os responsáveis pela aprovação do projeto “Lei Complementar” (nº 5.991/1973) visando o descarte racional e consciente dos fármacos. Na proposição dessa lei as drogarias, farmácias e hospitais deverão receber os medicamentos dentro da validade ou não e os devolvendo aonde foi fabricado, ou seja, nos laboratórios de manipulação para que o mesmo faça o descarte. Nessa mesma proposta ainda há muita discussão para que consigam entrar em um consenso sob os interesses tanto das indústrias farmacêuticas como na economia. Essas discussões sobre medidas para a realização do descarte de medicamentos certamente não será uma pauta fácil de se resolver, mas só de estar em crescente o número de postos de coleta já um ponto positivo e tanto pois o destino do descarte desses medicamentos de forma adequada é de muita importância. 
Um representante da Anvisa em uma entrevista descreveu que entre 10 e 28 mil toneladas de fármacos são descartados em lixos e esgotos pelos consumidores a cada ano, o que é um problema que poderia ser contido se houvesse o uso racional dos medicamentos entre eles, pois com a dosagem certa não haveria desperdício. 
Com base em pesquisas sobre estocagem de medicamentos em domicílios revela-se que 98,8% das casas há medicamentos estocados e o total encontrado, no caso 29,75% deles eram de lotes vencidos. E outros estudos apontam que a justificativa desse problema se encontra nas aquisições farmacêuticas. Por isso o uso racional dos medicamentos tem sido o um tópico tão importante, pela necessidade do uso e do descarte consciente. 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Baseado nos resultados dessas pesquisas foi encontrado que apesar do nosso país se demonstrar de forma legal ainda há fatos mal resolvidos relacionados ao tratamento e destinação final dos medicamentos. Identificaram parte da Vigilância Sanitária e também dos trabalhadores que há pouca compreensão na execução de suas práticas de forma equivocadas. E, contudo, nessa revelação, os estudos apontam que há grande necessidade de estratégias entre os gestores, representadores, trabalhadores e usuários, pois não basta apenas descartar de forma correta, mas também induzir e conduzir o uso racional dos medicamentos, para prevenir o acumulo, estocagem desnecessárias e desperdício de medicamentos.
Esses estudos deram atenção à saúde num aspecto geral envolvendo não só os profissionais da área, mas também aos usuários que praticam o descarte no nosso país, a finalidade disso é aprimorar os projetos e políticas em processo. Porém almejar essa prática consciente requer

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