A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
11 pág.
Patologia do Trato Urinário Inferior

Pré-visualização | Página 1 de 4

Laísa Dinelli Schiaveto 
 
Trato Urinário Inferior 
INTRODUÇÃO 
As pelves renais, os ureteres, a bexiga e a uretra 
(exceto por sua porção terminal) são revestidos por 
uma forma especial de epitélio de transição – urotélio. 
 
Este é composto por cinco ou seis camadas de células 
com núcleos ovais, frequentemente com sulcos 
nucleares lineares, e uma camada superficial 
consistindo em células “em guarda-chuva”, as quais são 
grandes, achatadas e com citoplasma abundante. 
Repousa sobre uma membrana basal bem 
desenvolvida, abaixo da qual está uma lâmina própria. 
A lâmina própria na bexiga urinária contém feixes de 
musculo liso, que formam uma muscular da mucosa 
descontínua. 
 
Ureteres 
MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS 
São encontradas em aproximadamente 2% ou 3% de 
todas as autópsias. Embora a maioria tenha pouca 
importância clínica, algumas anomalias podem 
contribuir para uma obstrução do fluxo urinário e, 
consequentemente, causar doença clínica. 
 
URETERES DUPLOS E BÍFIDOS 
Quase sempre estão associados a pelves renais duplas, 
totalmente distintas ou ao desenvolvimento anômalo 
de um rim grande que possui uma pelve parcialmente 
bífida, terminando em ureteres separados. 
Além disso, podem seguir separados para a bexiga, mas 
comumente são reunidos no interior da parede vesical 
e drenam por um único orifício ureteral. 
A maioria é unilateral e não tem significado clínico. 
 
OBSTRUÇÃO DA JUNÇÃO 
URETEROPÉLVICA (JUP) 
É a causa mais frequente de hidronefrose em lactentes 
e crianças. Quando ocorrem no início da vida, são 
bilaterais em 20% das vezes, estando frequentemente 
associados a outras anomalias congênitas, ocorrendo 
principalmente em homens. Em adultos, é mais comum 
em mulheres e na maioria das vezes é unilateral. 
Esta condição é atribuída a uma organização anormal 
dos feixes de músculo liso na JUP, a um depósito 
estromático excessivo de colágeno entre os feixes ou 
raramente a uma compressão congênita extrínseca da 
JUP por vasos renais. Na maioria dos casos, há 
agenesia renal contralateral. 
 
Laísa Dinelli Schiaveto 
 
DIVERTÍCULOS 
São dilatações saculares da parede uretral. Essas são 
incomuns, podendo ser congênitas ou adquiridas. A 
maioria é assintomática, mas a estase urinária dentro 
de divertículos por vezes leva a infecções recorrentes. 
INFLAMAÇÃO 
A ureterite tipicamente não está associada à infecção 
e possui poucas consequências clínicas. 
MORFOLOGIA 
Acúmulo ou agregação de linfócitos formando centros 
germinativos na região subepitelial. 
Uretrite Folicular: Discretas elevações da mucosa, 
produzindo uma superfície mucosa finamente granular. 
Uretrite Cística: Cistos finos salpicam a mucosa, 
variando de 1 a 5 mm de diâmetro, sendo revestidos 
por urotélio achatado. 
TUMORES 
TUMORES PRIMÁRIOS 
São raros. 
TUMORES BENIGNOS PEQUENOS 
Geralmente, são de origem mesenquimal 
(ex.: leiomioma). 
TUMORES MALIGNOS PRIMÁRIOS 
São semelhantes aos originados na pelve renal, nos 
cálices e na bexiga. A maioria compreende carcinomas 
uroteliais, ocorrendo mais frequentemente durante a 6a 
e 7a décadas de vida, e causando obstrução da luz 
uretral. Às vezes, são multifocais e costumam ocorrer 
simultaneamente com neoplasias semelhantes na 
bexiga ou na pelve renal. 
LESÕES 
SEMELHANTES A TUMORES 
O pólipo fibroepitelial é uma lesão semelhante a um 
tumor que se apresenta macroscopicamente como 
uma pequena massa com projeção para a luz, 
frequentemente em crianças. É composto por tecido 
frouxo e vascularizado, sobreposto pelo urotélio. 
Apesar de ser mais comum nos ureteres, pode 
acometer a bexiga, pelves renais e uretra. 
LESÕES OBSTRUTIVAS 
Existe uma grande variedade de lesões que podem 
obstruir os ureteres e originar hidroureter, 
hidronefrose e, algumas vezes, pielonefrite. Sendo 
assim, esta é clinicamente significativa, pois pode, 
posteriormente, envolver o rim (hidronefrose ou 
mesmo pielonefrite), comprometendo a função renal. 
A obstrução unilateral tipicamente resulta de causas 
proximais, enquanto a obstrução bilateral resulta de 
causas distais, como a hiperplasia nodular da próstata. 
 
FIBROSE 
RETROPERITONEAL ESCLEROSANTE 
É uma causa incomum de estreitamente ou obstrução 
uretral, que é caracterizada por um processo 
inflamatório proliferativo fibroso que envolve as 
estruturas retroperitoneais e causa hidronefrose. 
O distúrbio ocorre na meia-idade até o final da vida, 
sendo mais comum em mulheres. 
• Uma parte está associado a doenças relacionadas à 
IgG4, associada com níveis séricos elevados de 
IgG4 e lesões fibroinflamatórias ricas em 
Laísa Dinelli Schiaveto 
 
plasmócitos secretores de IgG4. Além do 
retroperitônio, essa doença frequentemente 
envolve outros tecidos, em especial órgãos 
exócrinos (ex.: pâncreas e as glândulas salivares). 
• Outra parte está associada a exposição de 
medicamentos (derivados do ergot e bloqueadores 
beta-adrenérgicos), condições inflamatórias 
adjacentes (vasculite, diverticulite e doença de 
Crohn) ou doenças malignas (linfomas e 
carcinomas do trato urinário). 
• No entanto, a grande maioria, não apresente uma 
causa obvia e é considerada primária ou idiopática 
(doença de Ormond). 
EXAME MISCROSCÓPICO 
Revela, tipicamente, tecido fibroso contendo um 
infiltrado proeminente de linfócitos, frequentemente 
com centros germinativos, plasmócitos 
(frequentemente IgG4-positivos) e eosinófilos. 
TRATAMENTO 
Inicialmente, envolve corticoides, embora muitos 
pacientes tornem-se resistentes e necessite de stents 
ou liberação cirúrgica dos ureteres do tecido fibroso 
circundante (ureterólise). 
Bexiga Urinária 
MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS 
REFLUXO VESICOURETRAL 
É a anomalia congênita mais comum e séria, uma vez 
que é contribuinte para infecção e cicatrização renal 
na pielonefrite. 
São conexões anormais entre a bexiga e vagina, reto 
ou útero, podendo criar fístulas vesicouterinas 
congênitas. 
 
DIVERTÍCULOS 
São evaginações saculiformes da bexiga que podem 
variar de menos de 1 cm até 5-10 cm de diâmetro, 
podendo ser congênitos ou adquiridos. 
Divertículos Congênitos: Podem ser decorrentes de 
uma falha focal do desenvolvimento da musculatura 
normal ou de alguma obstrução do trato urinário 
durante o desenvolvimento fetal. 
Divertículos Adquiridos: Ocorrem devido ao 
aumento prostático (hiperplasia ou neoplasia), 
produzindo obstrução do fluxo urinário e acentuado 
espessamento muscular da parede vesical. Assim, a 
pressão intravesical elevada causa protrusão da parede 
vesical e formação de divertículos. Frequentemente 
são múltiplos e possuem colos estreitos localizados 
entre os feixes musculares hipertrofiados 
entrelaçados. 
Embora os divertículos sejam, na maioria das vezes, 
pequenos e assintomáticos, eles podem ser 
clinicamente significativos, uma vez que constituem 
locais de estase urinaria e predispõem a infecção e 
formação de cálculos vesicais. Ainda, podem predispor 
ao refluxo vesicouretral como resultado de uma 
interferência com o ureter. Raramente, um carcinoma 
pode surgir em um divertículo da bexiga. 
EXTROFIA DA BEXIGA 
É uma falha do desenvolvimento da parede anterior do 
abdome e da bexiga, de modo que a bexiga se 
comunica por um grande defeito com a superfície do 
corpo ou está situada como um saco aberto. 
A mucosa vesical exposta pode sofrer metaplasia 
glandular colônica e está sujeita a infecções que 
frequentemente se disseminam para os níveis 
superiores do sistema urinários 
Os indivíduos apresentam maior risco de 
adenocarcinoma originado na bexiga remanescente. 
Obs.: Essas lesões são passíveis de correção cirúrgica 
e a sobrevida em longo prazo é possível. 
 
Laísa Dinelli Schiaveto 
 
ANOMALIAS DO ÚRACO 
O úraco (canal que liga a bexiga fetal ao alantoide) é 
normalmente obliterado após o nascimento, mas, às 
vezes, pode permanecer parcial ou totalmente

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.