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FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA 
SEGUNDA LICENCIATURA EM FÍSICA 
DISCIPLINA: LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS 
TUTORA: VÂNIA FERREIRA DIAS COELHO DE FARIA 
 
 
 
 
TIAGO COSTA SILVA 
 
 
 
 
 
ATIVIDADE PROPOSTA DE LIBRAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IPATINGA 
2021 
A história da educação de surdos e das pessoas com deficiência auditiva
 
no Brasil é 
bastante conturbada desde o seu início no Império por volta do ano de 1857 até os dias atuais 
devido à discriminação, o preconceito e as formas de tratamento sórdidas em relação aos 
surdos. 
Durante muito tempo, a identidade, a cultura e a língua natural dos surdos foram 
rejeitadas pela sociedade ouvinte. Com o passar do tempo, foram abrindo discussões acerca da 
educação de surdos e mudando as concepções existentes sobre esses sujeitos que passaram a 
ser vistos como cidadãos de direitos e deveres iguais perante a sociedade, todavia ainda com 
uma visão de exclusão. 
A sociedade tinha uma ideia muito negativa da surdez, enfatizando sempre os seus 
aspectos negativos. Na antiguidade os surdos foram compreendidos de diversas formas, como 
por exemplo: com piedade e compaixão, como pessoas castigadas pelos deuses ou como 
pessoas enfeitiçadas. Por isso, foram abandonadas ou sacrificadas. 
O mais importante defensor do oralismo foi Alexander Graham Bell que exerceu 
grande influência no resultado da votação do Congresso Internacional de Educadores de 
Surdos, realizado em Milão no ano de 1880. No Congresso, foi colocado em votação qual 
método deveria ser utilizado na educação dos surdos. O oralismo venceu e o uso da língua de 
sinais foi oficialmente proibido. Ressalta-se que foi negado aos professores surdos o direito de 
votar. 
Após o Congresso de Milão a maior parte das escolas em todo o mundo deixa de usar 
a língua de sinais. A oralização passa a ser o principal objetivo da educação das crianças 
surdas e, para aprenderem a falar, passavam a maior parte do seu tempo nas escolas recebendo 
treinamento oral. O ensino das disciplinas escolares foi deixado para segundo plano levando a 
uma queda significativa no nível de escolarização dos alunos com surdez. 
O Oralismo dominou até a década de 60 quando William Stokoe publicou um artigo 
demonstrando que a Língua de Sinais constituía-se em uma língua com as mesmas 
características das línguas orais. A partir daí, surgiram outras pesquisas demonstrando a 
importância da língua de sinais na vida da pessoa com surdez bem como revelando a 
insatisfação por parte das pessoas surdas com a abordagem oral. 
Logo em seguida surge o Bilinguismo uma filosofia que vem ganhando força na 
última década principalmente no âmbito nacional. Na Suécia já existem trabalhos nesta 
perspectiva há um bom tempo. No Uruguai e Venezuela verifica-se a presença desta 
abordagem nas propostas de ensino das instituições públicas. Na Inglaterra existem estudos 
iniciais e, na França, aparece nas propostas das escolas que trabalham especificamente na 
educação dos alunos surdos. 
A proposta bilíngue surgiu baseada nas reivindicações dos próprios surdos pelo 
direito à sua língua e pelas pesquisas linguísticas sobre a língua de sinais. Ela é considerada 
uma abordagem educacional que se propõe a tornar acessível à criança surda duas línguas no 
contexto escolar. 
De fato, estudos têm apontado que essa proposta é a mais adequada para o ensino de 
crianças surdas, tendo em vista que considera a língua de sinais como natural e se baseia no 
conhecimento dela para o ensino da língua majoritária, preferencialmente na modalidade 
escrita. Na adoção do bilinguismo deve-se optar pela apresentação simultaneamente das duas 
línguas (língua de sinais e língua da comunidade majoritária). 
Configura-se, no caso do Brasil, como uma proposta recente defendida por linguistas 
voltados para o estudo da Língua de Sinais. Ainda não foi feita uma avaliação crítica, pois, de 
maneira geral, não foi efetivamente implantada. Parte do princípio que o surdo deve adquirir 
como sua primeira língua, a língua de sinais com a comunidade surda. Isto facilitaria o 
desenvolvimento de conceitos e sua relação com o mundo. 
Aponta o uso autônomo e não simultâneo da Língua de Sinais que deve ser oferecida 
à criança surda o mais precocemente possível. A língua portuguesa é ensinada como segunda 
língua, na modalidade escrita e, quando possível, na modalidade oral. Contrapõe-se às 
propostas da Comunicação Total uma vez que não privilegia a estrutura da língua oral sobre a 
Língua de Sinais. 
O aluno surdo para se desenvolver necessita então de professores altamente 
participativos e motivados para aprender e tornar fluente a linguagem. Só assim, ou seja, 
respeitando e considerando às suas necessidades educacionais é que será possível 
proporcionar o pleno desenvolvimento emocional e cognitivo e a efetiva inclusão e 
participação do aluno surdo no meio social. 
A Língua Brasileira de Sinais, conhecida amplamente por Libras, é usada por 
milhões de brasileiros surdos e também ouvintes. De acordo com o IBGE, há mais de 10 
milhões de pessoas com alguma deficiência auditiva no Brasil. A educação de surdos no país 
que resultou na criação da Libras remonta à instalação da primeira escola para surdos no 
século XIX. 
O desenvolvimento de políticas de inclusão para a comunidade surda fez com que, 
em 2002, a Libras fosse reconhecido como língua oficial durante o governo de Fernando 
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/ibge.htm
https://brasilescola.uol.com.br/historiab/governo-fernando-henrique-cardoso.htm
Henrique Cardoso, pela Lei nº 10.436. Isso foi resultado de ampla mobilização da 
comunidade surda na luta pela ampliação de seus direitos. 
Deste modo, a inserção de estudantes surdos na sala de aula regular passa por uma 
discussão muito além do que é visto, pois apenas incluir o estudante surdo em salas regulares 
sem dar subsídios para ele se desenvolver, não proporcionará resultados positivos. No 
entanto, para que haja uma real inclusão desses estudantes é imprescindível à presença de um 
intérprete de Libras. 
A grande queixa dos surdos é a carência de intérpretes e a falta de qualificação 
desses para atuarem com eles no âmbito escolar, uma vez que, esses profissionais não devem 
apenas ter o domínio da língua de sinais, mas o estar familiarizado com o conteúdo a ser 
trabalhado. 
Atualmente, percebe-se que o olhar da sociedade mudou em relação à pessoa surda, 
pois, de acordo os estudos no decorrer deste trabalho, o surdo passou a ser visto como uma 
pessoa mais segura e consciente. Entretanto, toda mudança é processual e lenta, por isso 
acreditamos que ainda há muito a ser feito para que cheguemos a uma educação de qualidade 
na qual o surdo possa ter pleno acesso. 
Portanto, a língua de sinais possibilitou ao surdo o reconhecimento de sua identidade 
enquanto sujeito, o qual deixa de ser visto como incapaz e passa a ter direito como cidadão. 
Ao possuir uma língua, o surdo passou a se comunicar de maneira consciente, tornando-se 
mais participativo, não apenas na sala de aula, como nas relações sociais. 
Assim, o surdo como dominador de sua língua, deixa de ser surdo-mudo e passa a ser 
visto apenas como surdo, uma vez que ele não é mudo, pois ele tem uma língua e faz uso dela 
para conseguir seus direitos. Com isso, tem alcançado respeito na comunidade escolar.

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