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TEXTO I
“Tenho medo de Mim. Quem sou? De onde cheguei? ...
Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
A cor morreu --- e até o ar é uma ruína... [...]
Vem de Outro tempo a luz que me ilumina ---
Um som opaco me dilui em Rei...”

CARNEIRO, Mário de Sá. Poesias completas. Porto: Orfeu, p.39

TEXTO II
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

CARNEIRO, Mário de Sá. Poesias completas. Porto: Orfeu, p.20
(ARL/C5H16) Considerando as concepções artísticas do texto e a biografia conturbada do poeta português, infere-se que
A a sensação de perdição e desencontro pessoal do primeiro texto é substituída pelo saudosismo otimista no segundo.
B a preocupação estética dos textos e a descrição narcisista justificam o enquadramento do poeta na escola simbolista.
C o medo e a angústia de viver acompanha a geração de poetas do final do século XIX em Portugal por estarem influenciados pelo romantismo gótico.
D o tormento psicológico advindo de uma personalidade desintegrada, de um “eu” que não se reconhece, constitui o tema comum aos dois textos.
E o sentimento de inadaptação com relação ao mundo é caracterizado simultaneamente pela euforia em viver e o autorreconhecimento da felicidade.
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há 4 horas

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há 4 horas

Vamos analisar as alternativas com base nos textos e no contexto do poeta Mário de Sá-Carneiro: A) A sensação de perdição e desencontro pessoal do primeiro texto é substituída pelo saudosismo otimista no segundo. No segundo texto há uma sensação de perda e saudade de si mesmo, mas não é um saudosismo otimista, e sim uma melancolia. Portanto, essa alternativa está incorreta. B) A preocupação estética dos textos e a descrição narcisista justificam o enquadramento do poeta na escola simbolista. Mário de Sá-Carneiro é associado ao Modernismo e ao Pré-Modernismo, com influências simbolistas, mas a descrição narcisista não é o foco principal. A preocupação estética existe, mas a alternativa não é totalmente precisa. Pode ser considerada incorreta. C) O medo e a angústia de viver acompanha a geração de poetas do final do século XIX em Portugal por estarem influenciados pelo romantismo gótico. Mário de Sá-Carneiro pertence ao início do século XX, ligado ao Modernismo e ao Simbolismo, não ao Romantismo gótico do século XIX. Alternativa incorreta. D) O tormento psicológico advindo de uma personalidade desintegrada, de um “eu” que não se reconhece, constitui o tema comum aos dois textos. Essa alternativa está correta, pois ambos os textos expressam angústia, medo, desencontro e fragmentação do “eu”, tema recorrente na obra do poeta. E) O sentimento de inadaptação com relação ao mundo é caracterizado simultaneamente pela euforia em viver e o autorreconhecimento da felicidade. Nos textos, não há euforia nem reconhecimento da felicidade, mas sim angústia e sofrimento. Alternativa incorreta. Resposta correta: D) O tormento psicológico advindo de uma personalidade desintegrada, de um “eu” que não se reconhece, constitui o tema comum aos dois textos.

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TEXTO I
Assim foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que nasceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E à sua pátria e Rei temido e amado
O prêmio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou. (...)

CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p.262.

TEXTO II
Sperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus. (...)

PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Martin Claret, 2002, p.51.
(FACID) Considerando os trechos e o contexto histórico-literário de seus autores, conclui-se que
A as obras de que foram extraídos, abordam a História de Portugal em momentos distintos – século XVI e XX – e representam o estilo clássico e modernista, respectivamente.
B pertencem ao Classicismo e utilizam da mesma métrica – decassílabos – para representar a glória do rei D. Sebastião.
C a poesia da 1ª fase modernista portuguesa – geração neorre alista – priorizou a temática histórica e manteve o formalismo das estrofes isométricas.
D os versos do texto I ilustram a poesia lírica camoniana, enquanto o texto II representa o pessimismo de Fernando Pessoa pelo heterônimo Álvaro de Campos da 2ª fase modernista portuguesa.
E o texto I representa o barroco português com versos antitéticos e religiosos, enquanto o texto II simboliza o aspecto épico da 1ª fase modernista aludindo ao mito sebastianista.

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui.... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

ESPANCA, Florbela. Sonetos. Porto Alegre: L&PM, 2002.

Os primeiros anos do século XX, em Portugal, foram marcados pelo entrechoque de correntes literárias. Se um por um lado as Vanguardas Europeias se faziam presente na liberdade de criação e inovação artística, especialmente com o Cubismo e o Futurismo, por outro lado, os escritores dessa época guardavam um tom saudosista e hermético. A poetisa Florbela Espanca não participou da Revista Orpheu – marco da 1ª fase modernista portuguesa – mas viveu intensamente as contradições literárias de tal geração. Sua obra, sem classificação definida pela crítica literária, marca-se por elementos românticos, simbolistas e modernistas com temas variados como: solidão, desejo de viver paixões, melancolia, erotismo e metalinguagem. Considerando a leitura do texto e o contexto de sua produção, conclui-se que
A a liberdade amorosa defendida pelo eu-lírico e a simplicidade da linguagem são elementos que remetem ao momento modernista.
B o eu lírico, notadamente feminino, mostra desprezo aos amores do passado, louvando o instante, tema marcadamente simbolista.
C o soneto é um perfeito exemplo de inovação da literatura portuguesa modernista, bem como a temática do amor carnal versus amor espiritual.
D o poema em análise nos remete à lírica camoniana por conta da ênfase no amor carnal e também pela liberdade formal na métrica e rima.
E o pessimismo e o apelo confessional do eu-lírico remetem ao momento conturbado da Geração Orpheu que naquele instante procurava definir suas bases literárias.

Quando vier…
Alberto Caeiro/ heterônimo de Fernando Pessoa

Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(FACID) A respeito do poema é correto afirmar que
A o poema revela sutil visão da natureza que transpõe a concre tude das coisas.
B Alberto Caeiro choca os olhares metafísicos que enxergam na morte uma simbólica significação.
C os versos de Caeiro são uma negação de que “as coisas não têm significado: tem existência.”
D nesse poema, a certeza/incerteza da estação das flores está entrelaçada à condição do eu lírico.
E o verso “o que for, quando for, é que será o que é” coaduna-se com a frase:” o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são”.

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