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TEXTO I
Assim foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que nasceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E à sua pátria e Rei temido e amado
O prêmio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou. (...)

CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p.262.

TEXTO II
Sperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus. (...)

PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Martin Claret, 2002, p.51.
(FACID) Considerando os trechos e o contexto histórico-literário de seus autores, conclui-se que
A as obras de que foram extraídos, abordam a História de Portugal em momentos distintos – século XVI e XX – e representam o estilo clássico e modernista, respectivamente.
B pertencem ao Classicismo e utilizam da mesma métrica – decassílabos – para representar a glória do rei D. Sebastião.
C a poesia da 1ª fase modernista portuguesa – geração neorre alista – priorizou a temática histórica e manteve o formalismo das estrofes isométricas.
D os versos do texto I ilustram a poesia lírica camoniana, enquanto o texto II representa o pessimismo de Fernando Pessoa pelo heterônimo Álvaro de Campos da 2ª fase modernista portuguesa.
E o texto I representa o barroco português com versos antitéticos e religiosos, enquanto o texto II simboliza o aspecto épico da 1ª fase modernista aludindo ao mito sebastianista.
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há 4 horas

Respostas

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há 4 horas

Vamos analisar cada alternativa com base nos textos e no contexto histórico-literário: A) As obras abordam a História de Portugal em momentos distintos – século XVI (Camões) e XX (Fernando Pessoa) – e representam o estilo clássico (Camões) e modernista (Pessoa), respectivamente. Correto. B) Pertencem ao Classicismo e utilizam a mesma métrica – decassílabos – para representar a glória do rei D. Sebastião. Errado, pois Fernando Pessoa não pertence ao Classicismo e não usa necessariamente decassílabos para representar D. Sebastião. C) A poesia da 1ª fase modernista portuguesa – geração neorrealista – priorizou a temática histórica e manteve o formalismo das estrofes isométricas. Errado, a 1ª fase modernista em Portugal (ex: "Mensagem" de Pessoa) tem características próprias, mas a geração neorrealista é posterior e distinta, e o modernismo rompeu com o formalismo. D) Os versos do texto I ilustram a poesia lírica camoniana, enquanto o texto II representa o pessimismo de Fernando Pessoa pelo heterônimo Álvaro de Campos da 2ª fase modernista portuguesa. Errado, o texto II é de "Mensagem", que é da 1ª fase modernista e não do heterônimo Álvaro de Campos, que é da 2ª fase. E) O texto I representa o barroco português com versos antitéticos e religiosos, enquanto o texto II simboliza o aspecto épico da 1ª fase modernista aludindo ao mito sebastianista. Errado, o texto I é de Camões, que é Classicismo, não Barroco. Portanto, a alternativa correta é: a) As obras de que foram extraídos, abordam a História de Portugal em momentos distintos – século XVI e XX – e representam o estilo clássico e modernista, respectivamente.

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Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

ESPANCA, Florbela. Sonetos. Porto Alegre: L&PM, 2002.

Os primeiros anos do século XX, em Portugal, foram marcados pelo entrechoque de correntes literárias. Se um por um lado as Vanguardas Europeias se faziam presente na liberdade de criação e inovação artística, especialmente com o Cubismo e o Futurismo, por outro lado, os escritores dessa época guardavam um tom saudosista e hermético. A poetisa Florbela Espanca não participou da Revista Orpheu – marco da 1ª fase modernista portuguesa – mas viveu intensamente as contradições literárias de tal geração. Sua obra, sem classificação definida pela crítica literária, marca-se por elementos românticos, simbolistas e modernistas com temas variados como: solidão, desejo de viver paixões, melancolia, erotismo e metalinguagem. Considerando a leitura do texto e o contexto de sua produção, conclui-se que
A a liberdade amorosa defendida pelo eu-lírico e a simplicidade da linguagem são elementos que remetem ao momento modernista.
B o eu lírico, notadamente feminino, mostra desprezo aos amores do passado, louvando o instante, tema marcadamente simbolista.
C o soneto é um perfeito exemplo de inovação da literatura portuguesa modernista, bem como a temática do amor carnal versus amor espiritual.
D o poema em análise nos remete à lírica camoniana por conta da ênfase no amor carnal e também pela liberdade formal na métrica e rima.
E o pessimismo e o apelo confessional do eu-lírico remetem ao momento conturbado da Geração Orpheu que naquele instante procurava definir suas bases literárias.

Quando vier…
Alberto Caeiro/ heterônimo de Fernando Pessoa

Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(FACID) A respeito do poema é correto afirmar que
A o poema revela sutil visão da natureza que transpõe a concre tude das coisas.
B Alberto Caeiro choca os olhares metafísicos que enxergam na morte uma simbólica significação.
C os versos de Caeiro são uma negação de que “as coisas não têm significado: tem existência.”
D nesse poema, a certeza/incerteza da estação das flores está entrelaçada à condição do eu lírico.
E o verso “o que for, quando for, é que será o que é” coaduna-se com a frase:” o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são”.

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