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Quando vier…
Alberto Caeiro/ heterônimo de Fernando Pessoa

Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(FACID) A respeito do poema é correto afirmar que
A o poema revela sutil visão da natureza que transpõe a concre tude das coisas.
B Alberto Caeiro choca os olhares metafísicos que enxergam na morte uma simbólica significação.
C os versos de Caeiro são uma negação de que “as coisas não têm significado: tem existência.”
D nesse poema, a certeza/incerteza da estação das flores está entrelaçada à condição do eu lírico.
E o verso “o que for, quando for, é que será o que é” coaduna-se com a frase:” o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são”.
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Estudo Através de Questões

há 4 horas

Respostas

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há 4 horas

Vamos analisar as alternativas com base no poema de Alberto Caeiro: A) "O poema revela sutil visão da natureza que transpõe a concre tude das coisas." - O poema enfatiza a realidade concreta da natureza, sem simbolismos ou abstrações metafísicas. Caeiro valoriza o que é real e concreto, não transcende a concretude. Essa alternativa está correta. B) "Alberto Caeiro choca os olhares metafísicos que enxergam na morte uma simbólica significação." - Caeiro realmente rejeita interpretações metafísicas da morte, vendo-a como algo natural e sem significado simbólico. Essa alternativa também está correta. C) "Os versos de Caeiro são uma negação de que 'as coisas não têm significado: tem existência.'" - Caeiro afirma que as coisas têm existência, não necessariamente significado simbólico. A frase está confusa, mas a ideia central do poema é que as coisas existem por si mesmas, sem necessidade de significado. Essa alternativa está correta. D) "Nesse poema, a certeza/incerteza da estação das flores está entrelaçada à condição do eu lírico." - O poema mostra que a primavera virá no seu tempo, independentemente da presença ou ausência do eu lírico. Não há incerteza, mas uma aceitação da ordem natural. Essa alternativa está incorreta. E) "O verso 'o que for, quando for, é que será o que é' coaduna-se com a frase: 'o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são'." - A frase atribuída a Protágoras (relativismo) contrasta com a visão de Caeiro, que aceita a realidade objetiva independente do homem. Portanto, essa alternativa está incorreta. Como a questão pede a alternativa correta e há mais de uma que parece correta, precisamos escolher a que melhor representa a ideia central do poema. A alternativa A é a que melhor sintetiza a visão do poema: a valorização da natureza concreta, sem abstrações metafísicas. Resposta correta: A

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TEXTO I
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E à sua pátria e Rei temido e amado
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E com títulos novos se ilustrou. (...)

CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p.262.

TEXTO II
Sperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus. (...)

PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Martin Claret, 2002, p.51.
(FACID) Considerando os trechos e o contexto histórico-literário de seus autores, conclui-se que
A as obras de que foram extraídos, abordam a História de Portugal em momentos distintos – século XVI e XX – e representam o estilo clássico e modernista, respectivamente.
B pertencem ao Classicismo e utilizam da mesma métrica – decassílabos – para representar a glória do rei D. Sebastião.
C a poesia da 1ª fase modernista portuguesa – geração neorre alista – priorizou a temática histórica e manteve o formalismo das estrofes isométricas.
D os versos do texto I ilustram a poesia lírica camoniana, enquanto o texto II representa o pessimismo de Fernando Pessoa pelo heterônimo Álvaro de Campos da 2ª fase modernista portuguesa.
E o texto I representa o barroco português com versos antitéticos e religiosos, enquanto o texto II simboliza o aspecto épico da 1ª fase modernista aludindo ao mito sebastianista.

Amar!

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É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

ESPANCA, Florbela. Sonetos. Porto Alegre: L&PM, 2002.

Os primeiros anos do século XX, em Portugal, foram marcados pelo entrechoque de correntes literárias. Se um por um lado as Vanguardas Europeias se faziam presente na liberdade de criação e inovação artística, especialmente com o Cubismo e o Futurismo, por outro lado, os escritores dessa época guardavam um tom saudosista e hermético. A poetisa Florbela Espanca não participou da Revista Orpheu – marco da 1ª fase modernista portuguesa – mas viveu intensamente as contradições literárias de tal geração. Sua obra, sem classificação definida pela crítica literária, marca-se por elementos românticos, simbolistas e modernistas com temas variados como: solidão, desejo de viver paixões, melancolia, erotismo e metalinguagem. Considerando a leitura do texto e o contexto de sua produção, conclui-se que
A a liberdade amorosa defendida pelo eu-lírico e a simplicidade da linguagem são elementos que remetem ao momento modernista.
B o eu lírico, notadamente feminino, mostra desprezo aos amores do passado, louvando o instante, tema marcadamente simbolista.
C o soneto é um perfeito exemplo de inovação da literatura portuguesa modernista, bem como a temática do amor carnal versus amor espiritual.
D o poema em análise nos remete à lírica camoniana por conta da ênfase no amor carnal e também pela liberdade formal na métrica e rima.
E o pessimismo e o apelo confessional do eu-lírico remetem ao momento conturbado da Geração Orpheu que naquele instante procurava definir suas bases literárias.

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