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As minhas ilusões

Hora sagrada dum entardecer
De Outono, à beira-mar, cor de safira,
Soa no ar uma invisível lira...
O sol é um doente a enlanguescer...

A vaga estende os braços a suster,
Numa dor de revolta cheia de ira,
A doirada cabeça que delira
Num último suspiro, a estremecer!

O sol morreu... e veste luto o mar...
E eu vejo a urna de oiro, a balouçar
À flor das ondas, num lençol de espuma.

As minhas Ilusões, doce tesoiro,
Também as vi levar em urna de oiro,
No mar da Vida, assim, uma por uma...

ESPANCA, Florbela. Sonetos. Porto Alegre: L&PM, 2002
(ARL) Sobre a obra de Florbela Espanca, leia as afirmacoes abaixo:
I. Tristeza, angústia, solidão são os temas mais frequentes na obra de Florbela;
II. Um indisfarçável romantismo perpassa seus poemas, assumindo às vezes um tom mórbido que a aproxima da segunda geração romântica, com a confissão do desencontro, a frustração da paixão irrealizada e a atração pela morte;
III. Quando supera o apelo confessional, Florbela aproxima-se do Simbolismo, ao evocar atmosferas inatingíveis, em sonetos que alcançam um alto grau de elaboração formal e revelam sua força comunicativa.
A Apenas I.
B Apenas II.
C I e II.
D II e III.
E I, II e III.
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Estudo Através de Questões

há 4 horas

Respostas

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há 4 horas

Vamos analisar cada afirmativa sobre a obra de Florbela Espanca: I. Tristeza, angústia, solidão são temas frequentes em sua obra. Verdadeiro, esses sentimentos são marcantes na poesia de Florbela. II. O romantismo, com tom às vezes mórbido, aproximando-a da segunda geração romântica, com temas como desencontro, frustração amorosa e atração pela morte. Verdadeiro, essa descrição é correta para sua obra. III. Quando supera o apelo confessional, aproxima-se do Simbolismo, evocando atmosferas inatingíveis, com sonetos elaborados e forte comunicação. Verdadeiro, Florbela também apresenta características simbolistas em sua poesia. Portanto, todas as afirmativas I, II e III estão corretas. Resposta correta: E) I, II e III.

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TEXTO I
Assim foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que nasceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E à sua pátria e Rei temido e amado
O prêmio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou. (...)

CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p.262.

TEXTO II
Sperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus. (...)

PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Martin Claret, 2002, p.51.
(FACID) Considerando os trechos e o contexto histórico-literário de seus autores, conclui-se que
A as obras de que foram extraídos, abordam a História de Portugal em momentos distintos – século XVI e XX – e representam o estilo clássico e modernista, respectivamente.
B pertencem ao Classicismo e utilizam da mesma métrica – decassílabos – para representar a glória do rei D. Sebastião.
C a poesia da 1ª fase modernista portuguesa – geração neorre alista – priorizou a temática histórica e manteve o formalismo das estrofes isométricas.
D os versos do texto I ilustram a poesia lírica camoniana, enquanto o texto II representa o pessimismo de Fernando Pessoa pelo heterônimo Álvaro de Campos da 2ª fase modernista portuguesa.
E o texto I representa o barroco português com versos antitéticos e religiosos, enquanto o texto II simboliza o aspecto épico da 1ª fase modernista aludindo ao mito sebastianista.

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui.... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

ESPANCA, Florbela. Sonetos. Porto Alegre: L&PM, 2002.

Os primeiros anos do século XX, em Portugal, foram marcados pelo entrechoque de correntes literárias. Se um por um lado as Vanguardas Europeias se faziam presente na liberdade de criação e inovação artística, especialmente com o Cubismo e o Futurismo, por outro lado, os escritores dessa época guardavam um tom saudosista e hermético. A poetisa Florbela Espanca não participou da Revista Orpheu – marco da 1ª fase modernista portuguesa – mas viveu intensamente as contradições literárias de tal geração. Sua obra, sem classificação definida pela crítica literária, marca-se por elementos românticos, simbolistas e modernistas com temas variados como: solidão, desejo de viver paixões, melancolia, erotismo e metalinguagem. Considerando a leitura do texto e o contexto de sua produção, conclui-se que
A a liberdade amorosa defendida pelo eu-lírico e a simplicidade da linguagem são elementos que remetem ao momento modernista.
B o eu lírico, notadamente feminino, mostra desprezo aos amores do passado, louvando o instante, tema marcadamente simbolista.
C o soneto é um perfeito exemplo de inovação da literatura portuguesa modernista, bem como a temática do amor carnal versus amor espiritual.
D o poema em análise nos remete à lírica camoniana por conta da ênfase no amor carnal e também pela liberdade formal na métrica e rima.
E o pessimismo e o apelo confessional do eu-lírico remetem ao momento conturbado da Geração Orpheu que naquele instante procurava definir suas bases literárias.

Quando vier…
Alberto Caeiro/ heterônimo de Fernando Pessoa

Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(FACID) A respeito do poema é correto afirmar que
A o poema revela sutil visão da natureza que transpõe a concre tude das coisas.
B Alberto Caeiro choca os olhares metafísicos que enxergam na morte uma simbólica significação.
C os versos de Caeiro são uma negação de que “as coisas não têm significado: tem existência.”
D nesse poema, a certeza/incerteza da estação das flores está entrelaçada à condição do eu lírico.
E o verso “o que for, quando for, é que será o que é” coaduna-se com a frase:” o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são”.

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