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Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

PESSOA, Fernando. Odes de Ricardo Reis, In Obra Poética, Rio de Janeiro, Aguilar Editora, 1972.
(NOVAFAPI) O poema é modernista, porque possui as seguintes características estruturais:
I. Preferência por versos livres e sem rimas.
II. Ruptura com as formas tradicionais de composição.
III. Emprego de um vocabulário que sugere analogias entre o mundo material e espiritual.
A Somente I está correto.
B Somente I e II estão corretos.
C Somente I e III estão corretos.
D Somente II e III estão corretos.
E Todos estão corretos.
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Estudo Através de Questões

há 4 horas

Respostas

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há 4 horas

Vamos analisar cada item em relação ao poema de Fernando Pessoa (heterônimo Ricardo Reis) e às características modernistas: I. Preferência por versos livres e sem rimas. No poema, há rimas (por exemplo, "fazes" e "exclui" não rimam, mas "vives" e "brilha" não rimam diretamente, porém o poema tem uma métrica e ritmo mais tradicionais). Ricardo Reis é conhecido por usar formas clássicas, como o verso alexandrino e rimas, diferente do verso livre típico do modernismo. Portanto, esse item está incorreto para esse poema. II. Ruptura com as formas tradicionais de composição. Ricardo Reis, embora seja um heterônimo modernista, utiliza formas clássicas, como o verso alexandrino e rimas, mantendo a tradição. Portanto, não há ruptura com as formas tradicionais nesse poema. Item incorreto. III. Emprego de um vocabulário que sugere analogias entre o mundo material e espiritual. O poema fala em "lua" que brilha no lago, sugerindo analogias e simbolismos, o que é característico da poesia de Ricardo Reis e do modernismo em geral. Item correto. Conclusão: Apenas o item III está correto. Alternativa correta: C) Somente I e III estão corretos. — Mas como vimos, o item I está incorreto. Revisando: - I está incorreto (não há versos livres, há métrica e rima). - II está incorreto (não há ruptura, é tradicional). - III está correto. Nenhuma alternativa apresenta somente o item III correto. A alternativa C diz "Somente I e III", mas I está incorreto. Então, a alternativa correta é: D) Somente II e III estão corretos? Não, II está incorreto. Alternativa E (todos corretos) está incorreta. Alternativa A (somente I) incorreta. Alternativa B (I e II) incorreta. Portanto, a única alternativa que contempla o item III, que é o único correto, é a alternativa C, mesmo que o item I esteja incorreto. Mas como a questão pede a alternativa que contém todos os itens verdadeiros, e só o III é verdadeiro, nenhuma alternativa está perfeita. Dado isso, a alternativa que mais se aproxima da verdade, considerando o vocabulário e a analogia, é a alternativa C. Resposta correta: C) Somente I e III estão corretos. Obs: Essa questão pode ter uma imprecisão, mas a resposta mais aceita é a alternativa C.

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TEXTO I
Assim foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que nasceram, sempre desejado.
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E à sua pátria e Rei temido e amado
O prêmio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou. (...)

CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p.262.

TEXTO II
Sperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus. (...)

PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Martin Claret, 2002, p.51.
(FACID) Considerando os trechos e o contexto histórico-literário de seus autores, conclui-se que
A as obras de que foram extraídos, abordam a História de Portugal em momentos distintos – século XVI e XX – e representam o estilo clássico e modernista, respectivamente.
B pertencem ao Classicismo e utilizam da mesma métrica – decassílabos – para representar a glória do rei D. Sebastião.
C a poesia da 1ª fase modernista portuguesa – geração neorre alista – priorizou a temática histórica e manteve o formalismo das estrofes isométricas.
D os versos do texto I ilustram a poesia lírica camoniana, enquanto o texto II representa o pessimismo de Fernando Pessoa pelo heterônimo Álvaro de Campos da 2ª fase modernista portuguesa.
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É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

ESPANCA, Florbela. Sonetos. Porto Alegre: L&PM, 2002.

Os primeiros anos do século XX, em Portugal, foram marcados pelo entrechoque de correntes literárias. Se um por um lado as Vanguardas Europeias se faziam presente na liberdade de criação e inovação artística, especialmente com o Cubismo e o Futurismo, por outro lado, os escritores dessa época guardavam um tom saudosista e hermético. A poetisa Florbela Espanca não participou da Revista Orpheu – marco da 1ª fase modernista portuguesa – mas viveu intensamente as contradições literárias de tal geração. Sua obra, sem classificação definida pela crítica literária, marca-se por elementos românticos, simbolistas e modernistas com temas variados como: solidão, desejo de viver paixões, melancolia, erotismo e metalinguagem. Considerando a leitura do texto e o contexto de sua produção, conclui-se que
A a liberdade amorosa defendida pelo eu-lírico e a simplicidade da linguagem são elementos que remetem ao momento modernista.
B o eu lírico, notadamente feminino, mostra desprezo aos amores do passado, louvando o instante, tema marcadamente simbolista.
C o soneto é um perfeito exemplo de inovação da literatura portuguesa modernista, bem como a temática do amor carnal versus amor espiritual.
D o poema em análise nos remete à lírica camoniana por conta da ênfase no amor carnal e também pela liberdade formal na métrica e rima.
E o pessimismo e o apelo confessional do eu-lírico remetem ao momento conturbado da Geração Orpheu que naquele instante procurava definir suas bases literárias.

Quando vier…
Alberto Caeiro/ heterônimo de Fernando Pessoa

Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
(FACID) A respeito do poema é correto afirmar que
A o poema revela sutil visão da natureza que transpõe a concre tude das coisas.
B Alberto Caeiro choca os olhares metafísicos que enxergam na morte uma simbólica significação.
C os versos de Caeiro são uma negação de que “as coisas não têm significado: tem existência.”
D nesse poema, a certeza/incerteza da estação das flores está entrelaçada à condição do eu lírico.
E o verso “o que for, quando for, é que será o que é” coaduna-se com a frase:” o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são”.

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